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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A PARTICIPAÇÃO DE CARMELITAS EM SEIS REVOLUÇÕES NO BRASIL


A PARTICIPAÇÃO DE CARMELITAS EM SEIS REVOLUÇÕES NO BRASIL
Dom Frei Wilmar Santin, O.Carm.
 
1) REVOLTA  DO  ESTANCO (1684)
 
            O “ESTANCO” foi uma Companhia de Comércio criada no estado do Maranhão, que tinha o monopólio de importação e exportação de drogas e fazendas, além do comércio de escravos negros.
            O motim contra a Companhia do Estanco foi iniciado no dia 25 de fevereiro de 1684 e envolveu também a expulsão dos jesuítas do Maranhão. O levante foi logo sufocado. Os dois principais líderes, Manuel Beckmann e Jorge Sampaio, foram enforcados. Apesar do fracasso da revolta, o Estanco não voltou a funcionar. Carmelitas, franciscanos e mercedários tiveram participação ativa nesta revolta.
 
FREI INÁCIO DA ASSUNÇÃO
 
            O carmelita Frei Inácio da Assunção, que havia sido provincial e era conhecido como frei Ventoso, teve uma participação destacada na revolta. O historiador dom Felipe Condurú Pacheco afirma: “... os carmelitas sob a chefia de Frei Ignácio da Assumpção - conselheiro-mór dos levantados - em particular e até do púlpito, conclamavam o povo que arregimentavam, chegando a andar com distintivos e armas militares”[1]. Serafim Leite dá alguns detalhes ao informar que carmelitas, mercedários e alguns clérigos “andavam com barretinas de soldados, escudos, espadas e mosquetes, arregimentando gente”[2].Após o fim da revolta Frei Inácio foi condenado à reclusão em seu próprio convento.
 
Serafim Leite menciona os nomes dos carmelitas Fr. António e Fr. Paulo, sem citar o sobrenome, também faziam parte dos amotinados[3].
 
 
2) GUERRA  DOS  MASCATES (1710)
  
            No senado de Olinda só os nobres tinham voto. Recife estava sob o domínio de Olinda. Os mascates, pequenos comerciantes, do Recife lutavam para que sua cidade se tornasse vila, o que conseguiram no dia 19/11/1703. O pelourinho foi erguido dia 03/03/1710. Os olindenses protestaram e destruíram o pelourinho dia 09/11/1710. A guerra estava consumada. A maior parte do clero apoiou os nobres de Olinda, inclusive os carmelitas.
No Arquivo do convento do Carmo de Recife encontram-se dois testemunhos interessantes, escritos em italiano, afirmando que os carmelitas de Olinda só trabalharam pela paz na Guerra dos Mascates. O Cabido de Olinda elogia os carmelitas dizendo: “anche ne consta, che non s´intrometterano nelle sollevazione di Popolo, má ancora procurano la pace fra questi; e nell´occasione, in quale per l´illustrissimo Vescovo nostro Prelato furono chiamate le Religione per andare alla Villa di Reciffi alcuni Religiosi a trattare la pace, andarono molti de sopradetti Religiosi del Carmine prontamente ... “[4] O Senado de Olinda também faz seus elogios na mesma linha: “... ancora certificamo, che nella perturbazione di questi Popoli non s´intrometterono, e per meglio dire loro furono quelli che piu lavoranono in ordine alla pace, e quiete andando per varie volte alcuni Religiosi alla Piazza del Reciffe a questo fine e non sappiamo avesse il minore lamento di detti Religiosi in quello che toca al servizio di Dio ...”[5]
 
FREI MANOEL DE SANTA CATARINA
 
            Professou no Convento do Carmo de Olinda e tinha a fama de ser grande teólogo e pregador. Na Guerra dos Mascates esteve do lado dos nobres de Olinda. O Pe. Martins atesta que: “pregou com muita unção e eloquencia em todos os dias da memoravel novena de N. S. do Ó, imagem que o clero, Nobreza, e povo de Olinda mudárão de S. João para a Sé, e festejárão afim de que a Senhora abrandasse os corações dos empedernidos Mascates”[6]. Foi acusado e perseguido, mas não chegaou a ser preso.
            Dom Duarte Leopoldo afirma que ele tornou-se bispo de Angola em 1720[7]. Mas parece haver uma confusão entre dois carmelitas com o mesmo nome. Tudo indica que o bispo de Angola foi um Frei Manuel de Santa Catarina nascido em Lisboa e que chegou em Pernambuco em 1715[8].
 
FREI NICOLAU DE JESUS MARIA E JOSÉ
 
            O cônego Nicolau Paes Sarmento, futuro frei Nicolau de Jesus Maria e José, na época da da Guerra dos Mascates ainda não era carmelita.
            Estudou em Coimbra, foi Vigário Geral e Visitador do bispado, Deão da Sé de Olinda e coronel do batalhão da guarda do bispo-governador. Como orador fogoso tornou-se uma espécie de “flagelo infatigável de mascates e europeus”. É o autor das “Memórias da guerra dos mascates”.
            Conta uma tradição, recolhida pelo Pe. Dias Martins, que após a guerra ele até o fim da vida se levantava de madrugada, acendia duas velas e do alto da colina de Olinda amaldiçoava os mascates e a vila de Recife.
            Dez anos antes de sua morte se recolheu no convento dos carmelitas de Olinda e adotou o nome de frei Nicolau de Jesus Maria e José. Faleceu em 1734.
 
 
3) GUERRA DOS EMBOABAS (1707-1709)
 
 
            A chamada Guerra dos Emboabas teve início com a rivalidade entre os paulistas e os emboabas[9] no final do século XVII e teminou com sangrentas batalhas no início do século seguinte. Como foi descoberto ouro em território mineiro, para lá se dirigiram paulistas, baianos, pernambucanos e portugueses. Na região não havia ordem, polícia, justiça e fisco, mas sobrava ambição. Os paulistas julgavam ter direitos na área por serem os descobridores. Os emboabas eram em maior número e receberam algumas concessões do governo. Os paulistas protestaram contra tais concessões e contra a nomeação de portugueses em alguns postos estratégicos. A rivalidade e os interesses particulares foram se acentuando até que em 1707 estourou a guerra. Entre os emboabas surgiu Manuel Nunes Viana como líder. Os combates foram sangrentos. Tudo se acalmou no dia 9 de novembro de 1709, quando o governo dividiu a capitania do Rio de Janeiro formando a Capitania de Minas do Ouro (Minas Gerais) e definindo a Capitania de São Paulo.
 
FREI MIGUEL RIBEIRO
 
            Segundo dom Duarte, “Frei Miguel Ribeiro foi um homem inteligente e digno, emissário dos forasteiros (emboabas) ao novo governador, Antonio de Albuquerque, a quem não pareceram descabidos os prudentes conselhos do religioso”[10]. Segundo Rocha Pombo, frei Miguel “expôs o que se havia passado, e a situação em que se encontram as Minas, e pediu a Albuquerque, em nome dos levantados, que fôssem por si mesmo conhecer a verdade[11]. O governador, acompanhado pelo frade carmelita, até Caeté, foi onde conversou com Nunes Viana. Este “fez a sua sumissão, com juramento de fidelidade aos delegados de El-Rei, presentes e futuros”[12].
 
 
FREI SIMÃO DE SANTA TERESA
 
            O Carmelita frei Simão de Santa Teresa foi secretário do líder emboaba Manuel Nunes Viana. Em Caeté era muito estimado tanto pela sua instrução como pelo fato de ter construído a primeira capela do arraial.
 
4) A REVOLUÇÃO DE PERNAMBUCO (1817)
 
            Há historiadores que chamam a Revolução Pernambucana de 1817 como a Revolução dos Padres, por causa da grande presença e profunda atuação do clero regional na mesma[13].
            Na época havia censura e deficiência na instrução pública. Para conseguir grau universitário era necessário ir para a Europa, mas as idéias iluministas francesas chegavam ao Brasil através dos livros. Em Pernambuco havia o Seminário de Olinda onde as idéias liberais fermantavam e eram assumidas abertamente. Oliveira Lima afirma: “o Seminário de Olinda era um ninho de idéias liberais, e idéias liberais eram idéias subversivas”[14]. Como todo o clero estudava ali, a consequência lógica foi que as idéias liberais foram assumidas pelo clero em geral. Daí a sua participação massiva na revolução.
            Os anseios de independência foram aumentando. A situação se agravou com a chegada da família real de Portugal ao Brasil em 1808. “A corte era fútil, indolente, inútil, além de perdulária, como aliás todas as cortes européias. E a de D. João precisava também de muito dinheiro para sustentar-se”[15]. Para manter todo o aparato da família real foram aumentados os impostos. H. Koster escreveu: “Paga-se em Pernambuco um imposto para a iluminação das ruas do Rio de Janeiro quando essas de Recife ficam em total escuridão”[16].
            No dia 6 de março de 1817 “há rumores de rebelião entre os brasileiros. O Conselho Militar do Governador português vota que se deve atrair os cabeças ao palácio e matá-los pelas armas ou por envenenamento. Vence o voto prudente, de simplesmente prender os cinco civis e os seis militares considerados mais perigoso, e de pedir ao povo paz e submissão. Entre os civis consta o nome do Padre João Ribeiro, como principal cabeça”[17]. Alguns são presos e a reação foi imediata: no dia seguinte ataca-se o forte do Brum e o governador capitula. A revolução tinha começado. A república foi proclamada. A revolução foi esmagada em um mês e meio.
            O comerciante francês L. F. Tollenare, que viveu em Recife entre 1816 e 1817, em seu livro “Notas Dominicais tomadas durante viagem em Portugal e no Brasil em 1816, 1817 e 1818” afirma que quase todos os frades carmelitas estavam abertamente envolvidos na Revolução de 1817[18]. Segundo Vilar, eram mais de 10.
 
 
FREI FRANCISCO DE SANTA ANA BRITO PESSOA
 
            Era virtuoso e respeitavel religioso do Carmo, conventual de Goianna, mas residente no Crato, no Ceará, como procurador e administrador das fazendas, que sua religião possuia n´aquele districto; n´este emprego se occupava com honra, sendo além d´isso, estimado capellão do povo de Barbalha, e amigo favorito do Capitão Mór Filgueiras”[19]. Como Frei Francisco era uma pessoa estimada e influente, os revulocionários encarregaram seus amigos Bernardo Luiz Ferreira Portugal e João Ribeiro Pessoa para conquistar sua adesão à Revolução. Abraçou a causa como um verdadeiro apostolado. Convenceu a todos seus amigos, inclusive o Capitão Mór, e conhecidos a jurarem apoio à Revolução. Com a derrota, foi preso e enviado aos cárceres da Bahia. Ali ficou preso até a anistia geral de 1821.
 
FREI FRANCISCO DE SANTA MARIANA PESSOA
 
            Frei Francisco de Santa Mariana, “carmelita professo do convento do Recife, residente em Goiana. Era maçon militante e sócio efetivo das academias do Cabo e Paraíso”[20]. O Pe. Joaquim Martins afirma que ele se achava bem preparado pelas duas academias para participar da revolução[21]. Participou do ato de prisão do juiz de fora de Goiana e do assalto à fortaleza de Itamaracá. Era conhecido pelo apelido de frei Pescoço. Foi anistiado em 1821.
 
FREI FRANCISCO DE SÃO PEDRO
 
            Frei Francisco de São Pedro, carmelita, professo do convento do Recife, foi dos guerrilheiros contra as forças do general Congominho. Faleceu nos cárceres da Bahia, a 1º de setembro de 1817”[22]. Segundo Vilar ele ainda “era subdiácono e portou-se valentemente na batalha de Pindoba. Faleceu por causa de maus tratos nas prisões da Bahia”[23]. Para o Pe. Joaquim Dias Martins ele morreu “ou por força dos tormentos, ou por mágoa da nova escravidão da sua pátria”[24].
 
FREI JOÃO DE SANTA TERESA
 
            Frei João de Santa Tereza, religioso, professo da Ordem Carmelita, parochiava a freguesia de Brejo da Areia na Paraíba, quando se deram os movimentos políticos de 1817; e, sendo accusado de haver tomado parte nesses movimentos. Escreveu: “Exposição dos sucessos no Brejo d´Areia” por ocasião da revolução de 1817 em Pernambuco. O autógrafo de 64 folhas pertence à Bibliotheca do Instituto Histórico Brasileiro”[25].
 
FREI JOAQUIM DO AMOR DIVINO  -  FREI CANECA
 
            Frei Caneca brilhou mesmo na revolução de 1824, a chamada Confederação do Equador. Na revolução de 1817 foi combatente e guerrilheiro contra as forças do general Cogominho e um dos assaltantes da fortaleza do Brum. Foi capturado e enviado para a prisão na Bahia, sendo anistiado em 1821.
 
FREI JOSÉ DE SANTA ROSA (Pe. Roma)
 
            Pe. Roma: “Era carmelita professo do convento de Goiana, onde se chamou frei José de Santa Rosa, bacharel em teologia pela Universidade de Coimbra, condecorado com o hábito de Cristo e orador reputado. Secularizado em 1807”[26]. Seu nome era José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima. Foi arcabuzado, no Campo da Pólvora.
"O Padre Roma foi um dos mais ardentes revolucionários”[27]. Após o sucesso de sua missão em Alagoas, seguiu para a Bahia, para tentar a adesão dêsse Estado. Foi prêso, julgado por uma comissão militar, organizada apressadamente pelo Conde dos Arcos, e condenado à morte. Foi fuzilado no Campo da Pólvora, a 29 de março de 1817.
            Até no momento de sua morte foi valente e destemido. É o que conta Caio Porfírio Carneiro:
            "O Padre Roma, por sua vez, assim se portou ante o pelotão de fuzilamento:
             Camaradas! Eu vos perdôo a minha morte. Lembrai-vos na pontaria - pôs a mão no coração - que aqui é a fonte da vida.. e atirai."[28]
           
FREI JOSÉ MARIA DO SACRAMENTO BREYNER
 
            Frei José Maria do Sacramento Breyner - natural do Recife, carmelita professo da mesma cidade, foi mestre de história pátria e prior do convento de Nossa Senhora da Guia, na Paraíba. O Padre Martins, definindo-o, diz: “seu gênio atilado e caráter nacional o fizera mais propenso para as virtudes patrióticas, do que para as impertinências e minúcias religiosas”, e acrescenta: “o grande Breyner, sem nunca trair o grande segredo, desposou-se com o dia 6 de março de 1817 com tanto entusiasmo, que, preferindo o título de patriota ao nome religioso, não receiou fazer-se apóstolo da Liberdade, pregando-a, e inculcando-a por todos os modos, e em todas as circunstâncias possíveis”[29].
            Preso a 26 de maio, como guerrilheiro da revolução, nas lutas da Independência reaparece o frade carmelita, à frente de um batalhão de couraceiros contra os portugueses entrincheirados na Bahia”[30].
            O historiador José Honório Rodrigues ao escrever sobre a participação do clero na luta pela independência brasileira relata sobre Frei José Maria do Sacramento Breyner o seguinte: “era um religioso carmelita, natural de Pernambuco, muito patriota, que se envolvera na revolução de 1817, fora preso, permanecera nas cadeias da Bahia até sua libertação em fevereiro de 1821. Quando se iniciou a guerra na Bahia, patriota exaltado, alistou-se nas fileiras dos combatentes e organizou à sua custa uma companhia de homens vestidos de couro, e à sua frente marchou em direção ao exército brasileiro, apresentou-se ao general Labatut e combateu durante toda a guerra até a vitória final. O padre dos couros, como era chamado, organizou um corpo guerrilheiro voluntário, composto de 40 pessoas, 21 pardos, sete brancos e dois cabras, mais tarde aumentou para cem combatentes. “O prêmio dos nossos trabalhos, depois da causa finada, será o descanso em nossas casa”. Atingiu o posto de capitão de primeira linha, foi condecorado com a Ordem do Cruzeiro, retirou-se para a vida religiosa, foi vigário da freguesia do S. Sacramento em 1834, vivendo até 1850. Sua biografia não foi escrita. Era um homem resoluto, prestou grandes serviços na guerra, no correio e nos transportes, e sua tropa constituía uma das partes do exército de Labatut”[31].
 
FREI MANUEL DO CORAÇÃO DE JESUS (Dr. Manuel de Arruda Câmara)
 
            Dr. Manuel de Arruda Câmara foi “frade leigo carmelita, professo no convento de Goiana, sob o nome de Frei Manuel do Coração de Jesus, posteriormente secularizado por um breve pontifício”[32]. Foi um grande sábio naturalista e partidário exaltado das idéias liberais. Fundou a Academia de Itambé, chamada Areópago. Sobre a ação desta Academia escreve Carlos Razzini: “Foi o Areópago a nossa primeira colméia autonomista, e suas abelhas as primeiras a empreender um vôo continental em favor da independência comum. Nesse desiderato chegaram a sonhar com a América livre, e ainda sob o pálio da democracia”[33].
            Tudo indica que Arruda Câmara sonhava com uma América unida. Ele escrevia a João Ribeiro: “Remete logo a minha circular aos amigos da América Inglesa e Espanhola. Sejam unidos com esses nossos amigos americanos, porque tempo virá de sermos todos um; e quando não for, assim sustentem uns aos outros”[34].
 
FREI MIGUEL DE SÃO BONIFÁCIO  (Pe. Miguelinho)
 
            Uma figura chave da Revolução foi Miguel Joaquim de Almeida e Castro, ou simplesmente Pe. Miguelinho, como era conhecido. Ele foi carmelita no Recife com o nome de Frei Miguel de São Bonifácio. Iniciou seus estudos no convento do Recife e depois foi para Lisboa. Voltou secularizado e com a fama de teólogo, filósofo e hábil político.
            Foi professor no Seminário de Olinda, onde difundiu suas idéias e atraiu muitos estudantes e futuros padres para a sua causa.
            Tão logo foi iniciada a revolução, “foi constituído o nôvo governo republicano. É quando aparece, integrando-o, o Padre Miguelinho. Fôra nomeado Ministro do Interior. Tentou, como primeira medida, contemporizar as coisas, apesar das suas idéias republicanas e de nacionalista extremado.
            O Padre Miguel era de nascimento rio-grandense-do-norte, porém residia em Recife desde os dezesseis anos de idade. Estudou no Colégio do Carmo, no convento de Recife. Homem de grande talento, inteligência e cultura, desde mocinho deixou-se empolgar pelas idéias democráticas. Tomou parte ativa em várias sociedades secretas das muitas que existiam na cidade. E dedicou-se sempre, com convicção extremada, à propaganda revolucionária. Ao mesmo tempo era um pacifista, contrário a qualquer violência que qualquer revolução fatalmente produziria"[35].
Como secretário, elaborou todos os decretos, proclamações, ordens, ofícios e mais trabalhos do gabinete”[36].
No dia 12 de junho Padre Miguelinho junto com alguns companheiros foi inapelavemente executado pelo pelotão de fuzilamento. "Seguindo naquele dia para o lugar do suplício, que havia de ser no Campo da Pólvora, onde foi arcabuzado com Martins e o dr. José Luiz de Mendonça, começou êste a declarar contra a iníquia sentença, ao que, pondo-lho os olhos enternecidos, lhe falou o Padre Miguelinho generoso e intrépido: "Querido amigo, façamos e digamos ùnicamente aquilo que temos tempo". E dizendo, ajoelhou diante do crucifixo, repetindo, debulhado em lágrimas e alternando com Mendonça, até serem fuzilados, o salmo "Miserere mei Deus secundum magnam misericordiam tuam...[37] “Morria assim o Padre Miguel Joaquim de Almeida e Castro. Fuzilado apenas cinco anos antes do Grito da Independência, e justamente porque por ela lutara.
            Sua morte, como a de seus companheiros, não foi em vão. Pois foi justamente o movimento revolucionário pernambucano de 1817 que influiu, decisivamente, para a nossa emancipação política apenas um lustro depois. Como bem observou Franklin Távora, essa revolta foi "a montanha que cresceu entre Portugal e o Brasil, e os separou definitivamente." E completa Basílio de Magalhães: foi o início de uma "floração, cada vez maior, dos ideais de liberdade, quer na própria terra pernambucana (1824), quer no extremo-sul (Guerra dos Farrapos, 1835-1840), tornados definitiva realidade pela radiosa aurora de 15 de novembro de 1889” [38].                       Caio Porfírio Carneiro em seu belo artigo assim conclui sobre Pe. Miguelinho: "condenado à morte por infâmia", para ressuscitar imaculado e engrandecido na História” [39].
 
5) A CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR  (1824)
 
            Pode-se dizer que a revolução de 1824 (Confederação do Equador) foi uma continuidade da de 1817, pelo menos sob vários aspectos. Na verdade nada havia mudado. Os prisioneiros, ao chegarem em seus lares, puderam ver que tudo estava absolutamente na mesma, no tocante às exigências sobre a administração, probidade, impostos, honestidade, perseguições e injustiças para com os nativos. ... Em Pernambuco, entretanto, a vontade de ser livre tinha aumentado pela sensação da inutilidade de tanto sangue derramado e pelo ódio à repressão. Os castigos sofridos não quebraram os ânimos, mas pelo contrário tinham-se transformado em mágoa e em mais idealismo”[40].
            Em 7 de setembro de 1822 foi proclamada a independência do Brasil pelo príncipe regente dom Pedro, o qual no dia 1º de dezembro do mesmo ano foi coroado imperador do Brasil e recebeu o título de dom Pedro I. Uma Assembléia Constituinte foi instalada, mas como havia disputa entre os poderes e as coisas não estavam saindo do jeito que o imperador queria, este dissolveu a assembléia com o apoio dos militares. Vários deputados foram presos. No dia 25 de março de 1824 a Constituição foi promulgada. Assim a primeira Constituição brasileira foi “imposta pelo imperador ao “povo”, embora devamos entender por “povo” a minoria de brancos e mestiços que votava e que de algum modo tinha participado na vida política”[41]. O grande contingente de escravos ficou totalmente alijado da Constituição.
            Houve descontentamento geral com a promulgação da imposta Constituição. Em Pernambuco a nomeação de um governador não-desejado abriu as portas para uma revolta. Assim “seu chefe ostensivo, Manuel de Carvalho, proclamou a Confederação do Equador, a 2 de julho de 1824. ...
            A Confederação do Equador deveria reunir sob forma federativa e republicana, além de Pernambuco, as províncias da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e, possivelmente, o Piauí e o Pará. O levante teve conteúdo acentuadamente urbano e popular, diferenciando-se da ampla frente regional, com a liderança de proprietários rurais e alguns comerciantes, que caracterizara a Revolução de 1817.
            ...
            A Confederação do Equador não teve condições de se enraizar e de resistir militarmente às tropas do governo, sendo derrotada nas várias províncias do Nordeste, até terminar por completo em novembro de 1824. A punição dos revolucionários foi além das expectativas. Um tribunal manipulado pelo imperador condenou à morte, entre outros, Frei Caneca, Ratcliff, e o major de pretos Agostinho Bezerra Cavalcanti. Os próprios adversários, entre eles comerciantes portugueses, enviaram ao rei pedidos de clemência em favor do último, que evitara excessos e mortes. Mas não foram ouvidos. Levado à forca, Frei Caneca acabou sendo fuzilado diante da recusa do carrasco em realizar o enforcamento”[42].
 
FREI CANECA
           
            Se teve nas suas fileiras dezenas de clérigos, centenas de militares, milhares de civis, a Confederação do Equador pode ser entretanto considerada a revolução de um padre: Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo Caneca”[43].
            Frei Caneca inicialmente, apesar de ser republicano, aceitava um regime monárquico, contanto que constitucional. Seus primeiros desentendimentos foram com José Bonifácio e o seu Ministério que, a seu ver, exerciam uma influência maléfica sobre D. Pedro e o levaram a atitudes extremadas e exageradamente conservadoras no tocante a três importantes pontos, a saber 1) a unidade do território nacional, 2) a consolidação da Independência e 3) a defesa do poder monárquico. Como conservador e de formação européia-portuguesa, José Bonifácio era um defensor da Casa de Bragança. Frei Caneca lutava em primeiro lugar por um regime constitucional, não importando se fosse monarquista ou republicano. José Bonifácio visava o fortalecimento do poder do monarca. Frei Caneca preocupava-se em por limites neste poder, diante do povo. “Sabe-se hoje que José Bonifácio não queria um governo constitucional e só se decidiu pela Independência quando os famosos decretos 124 e 125, das Cortes de Lisboa, os mesmos que levaram D. Pedro à proclamação de 7 de setembro, pretendiam prendê-lo e processá-lo” [44].
            Em 12 de novembro de 1823 o imperador dissolveu a Constituinte. Isto fez com que Frei Caneca se decidisse, definitivamente, contra o Imperador: é a segunda fase de sua luta.
            Como naquele mesmo ano Portugal havia retornado ao regime absolutista, a atitude de D. Pedro foi interpretada como tentativa de se tornar o senhor absoluto do Brasil. A idéia de que D. Pedro e seus sequazes tramavam a recolonização do Brasil tomou corpo. O raciocínio era lógico: absolutismo em Portugal, dissolução da Assembléia Constituinte brasileira, absolutismo também no Brasil. Era o caminho para que se “conservassem os dois reinos unidos para a dinastia de Bragança” [45].
            Frei Caneca procurou conscientizar e doutrinar o seu povo de todas as formas. Mas o fez sobretudo através do Typhis Pernambucano, jornal por ele fundado[46]. Mostrava de onde vem o poder, quais os limites do poder de um soberano, que o ato de escolher um governo, passando por cima do povo, mesmo se se tratasse de um imperador, era uma traição a todos os ideais pelos quais tinham lutado e derramado seu sangue na Revolução de 1817.
            O professor João Alfredo de Sousa afirma: “importante sublinhar em Caneca o espírito de justiça imanente a uma linha de comportamento autêntico e de realização integral do homem, dentro da prática religiosa, ou talvez melhor dizendo, prática da fé. (...) Então ele supera o dualismo espírito-matéria, corpo-alma, natural-sobrenatural, vendo o homem como um todo, permeado em todos os momentos de sua vida, em todas as áreas de seu comportamento, por profunda moralidade que o faz cônscio de obrigações para com Deus, para com a sociedade, para com o próximo, para com a nação, numa unidade indissolúvel”[47].
            Após as derrotas iniciais, os revolucionários pernambucanos se retiraram em direção ao Ceará. Frei Caneca acompanhou a marcha confederada pelo sertão. A derrota era eminente e a viagem pelo sertão, muito sofrida. Porém, o ideal de liberdade e de luta por princípios se mantinha vivo. “Foi essa jornada de sacrifícios e heroísmo, só por si capaz de salvar para a história a causa daqueles homens”[48]. A condição para se renderem era de que se instalasse uma nova Assembléia Constituinte.
            Frei Caneca foi preso pelo major Lamenha. Este era um desertor das forças da “Confederação”. Ele prometia, entre outras coisas, que seria um irmão dos confederados e que o imperador, como um pai, os receberia. Nenhuma das promessas foram cumpridas.
            Frei Caneca foi levado para o Recife onde, num julgamento com irregularidades e falhas[49], foi condenado à morte na forca. No dia da execução, conforme exigência da lei canônica da época, foi degradado das Ordens Sacras. Até neste ato o frade carmelita foi injustiçado, visto que não houve processo canônico para tal e quem assinou a ordem de degradação foi o bispo do Rio de Janeiro e não o de Olinda, diocese à qual pertencia.
            Na hora da execução nenhum carrasco quis enforcá-lo. Por fim sua pena foi arbitrariamente transformada em morte por fuzilamento pelo comandante militar e não pelo tribunal - mais uma irregularidade. Assim, aos 51 anos de idade, Frei Caneca foi morto no dia 13 de janeiro de 1823. Max Fleiuss atesta: “Teve morte heróica; não quis que lhe vendassem os olhos e ele próprio deu voz de comando aos soldados do pelotão executor, recomendando-lhes, de braços abertos, que atirassem sobre o seu coração, como centro da vida” [50].
            Após o fuzilamento seu corpo foi deixado em frente ao Convento do Carmo de Recife. O provincial o sepultou dentro do convento. “Não se sabe exatamente em que local. Não há lápide, não há velas, não aparecem romeiros. Em algum lugar ele jaz, esquecido pelo povo e pela pátria que tanto amou e que pomposamente reverencia e ergue monumentos caríssimos ao Imperador que tantas vezes a traiu”[51].
 
 
6) REVOLTA DE ABRIL DE 1832 EM MANAUS
 
 
            Em 1832 aconteceu em Manaus (AM), na época ainda chamava-se Barra do Rio Negro, um revolta armada para emancipar a então Comarca do Alto Amazonas. Até esta época toda a Amazônia pertencia à Província do Grão-Pará, cuja capital era Belém. “Neste movimento torna-se especialmente notória a influência e a direção espiritual dos frades Ignácio Guilherme da Costa, mercedário maranhense, Joaquim de Santa Luzia e José dos Santos Inocentes, ambos carmelitas paraenses”[52]. A rebelião fracassou, mas não aconteceram as punições usuais para estes casos por causa da linha liberal do novo presidente da Província José Joaquim Machado de Oliveira. A emancipação do Amazonas como Província aconteceu em 1850.
 
FREI JOAQUIM DE SANTA LUZIA
 
            Frei André Prat informa que Frei Joaquim de Santa Luzia foi em 1818 vigário de Moura e Carvoeiro no rio Negro.[53]
            Segundo alguns, ele era entendido em balística, por isso foi encarregado, ou encarregou-se, da defesa da cidade de Manaus[54]. De acordo com o historiador Arthur Reis, ele conseguiu fazer sérias avariações em alguns navios adversários - sobretudo na barca Independência, que esteve a ponto de afundar, mas não conseguiu evitar a derrota[55]. Prat afirma que “os revolucionários levantaram uma especie de fortificação nas Lages, foz do Rio Negro, cujo commando entregaram ao citado religioso (Frei Joaquim de Santa Luzia), que dirigiu alguns tiros contra a barca de guerra Independencia, conduzindo a força que foi suffocar a rebellião, em Manaus”[56].
 
FREI JOSÉ DOS SANTOS INOCENTES
 
            Parece que sua figura é um pouco controvertida. Araújo diz que ele “associa ao trabalho missionário entre os índios e de vigário em vilas do interior o gosto e a determinação pela ação política radical”[57]. Já o naturalista inglês Alfred Russel Wallace o descreve como preguiçoso, contador de piadas, dinheirista e conquistador de mulheres (chega a afirmar: “Don Juan”, comparado a Frei José, era um inocente. Ele dizia, entretanto, que sempre teve grande respeito pela sua batina, e nunca fez nada para desrespeitá-la, “durante o dia”[58]). Ao descrevê-lo assim, parece que Wallace queria desmoralizá-lo por causa de sua participação na defesa dos interesses brasileiros em questões de fronteiras entre Brasil e Guiana Inglesa, como veremos abaixo. Aurélio Pinheiro diz que ele era “sacerdote, guerrilheiro e político”[59]. Prat informa que “até 1832 Fr. José dos Santos Innocentes, que tomou parte em todos os acontecimentos políticos do seu tempo e tinha grande influência na Comarca do Alto Amazonas, era Vigário de Vila Nova da Rainha, hoje cidade de Parintins.
Foi um dos factores do argumento da povoação de Pirara, na região cuja posse era contestada pela Inglaterra e o Brasil (Valle do Rio Branco) e da qual aquella nação ficou de posse, em virtude do laudo arbitral do rei da Italia.
Este religioso erigiu ali uma capella; Congregou os indios dispersos, ensinou-lhes a religião e os primeiros rudimentos da agricultura”[60].
            Na revolução de 1832 recebeu a missão de, como procurador do povo, ir ao Rio de Janeiro, capital do Brasil na época, para defender os interesses amazonenses junto às autoridades imperiais. O trajeto lógico seria descer o rio Amazonas, chegar até o oceano Atlântico e depois seguir até ao Rio. Mas ele não podia fazer este caminho porque envolveria uma passagem por Belém e consequentemente seria preso e impedido de seguir a viagem. Por isso optou por ir pelo centro do Brasil. Subiu o rio Madeira, depois seguiu por outros rios e trilhas. Passou por Cáceres e conseguiu chegar até Cuiabá, capital do Mato Grosso. Ali havia uma pequena revolta nativista, em vez de ficar quieto e seguir sua viagem, resolveu tomar partido em favor de um dos lados e foi o lado que perdeu. Foi preso e enviado de volta para o Amazonas. Ao chegar à sua querida Manaus, foi preso e condenado a ser missionário no alto do rio Branco, na divisa com a Guiana Inglesa.
            Em 1839 os ingleses, que contestavam as fronteiras, invadiram o território brasileiro. O frade carmelita frei José dos Santos Inocentes, de acordo com seu espírito guerreiro, organizou o povo e defendeu as fronteiras brasileiras em Pirara, no alto Rio Branco.
            Em 1852, já doente, retornou a Manaus onde morreu. Na capital amazonense há uma rua com o nome Frei José dos Santos Inocentes, que por ironia do destino é (ou era) umas das principais ruas de prostituição da cidade.

BIBLIOGRAFIA
 
AZZI, Riolando, A Crise da Cristandade e o Projeto Liberal, Ed. Paulinas, São Paulo, 1991.
 
ARAÚJO MOREIRA NETO, Carlos, Igreja e Cabanagem (1932-1849), in História da Igreja na Amazônia, CEHILA, Vozes, Petrópolis, 1992.
 
BARBOSA LIMA, Discurso no Instituto Histórico, em 6-3-1917.
 
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 COSTA, Pereira da, Dicionário Bibliográfico de Pernambucanos Célebres.
 
FAUSTO, Boris, História do Brasil, 4. ed., Editora da Universidade de São Paulo: Fundação para o Desenvolvimento da Educação, São Paulo, 1996.
 
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LEITE, Serafim, História da Companhia de Jesus no Brasil, Livraria Portugalia e Civilização Brasileira, Lisboa-Rio de Janeiro, tomo IV, Lisboa, 1943.
 
LEOPOLDO E SILVA, Dom Duarte, O clero e a independência, Ed. Paulinas, SP, 1972.
 
MARTINS, Padre Joaquim Dias, Os Martires Pernambucanos, Victimas das Duas Revoluções Ensaiadas em 1710 E 1817, Pernambuco, Typ. de F. C. Lemos e Silva, 1853. Edição fac-similar da Ass. Legislativa do Estado de Pernambuco, s/d.
 
PINHEIRO, Aurélio, À margem do Amazonas, São Paulo, 1937.
 
PRAT, Frei André, Notas Históricas sobre a Missões Carmelitas no Extremo Norte do Brasil - Séculos XVII - XVIII, Recife, 1941.
 
RAZZINI, Carlos, Hipólito da Costa e o Correio Brasiliense, São Paulo, Ed. Nacional, 1957.
 
REIS, Arthur Cézar Ferreira, História do Amazonas, Ed. Itatiaia, Belo Horizonte, 1989.
 
ROCHA POMBO, José Francisco da, História do Brasil, IV, Ed. Jackson, Rio de Janeiro, 1942.
 
RODRIGUES, José Honório, O Clero e a Indepenência, in Revista Eclesiástica Brasileira (REB), Ed. Vozes, Petrópolis,  32/126 (1972).
 
SOUSA, João Alfredo de, O Liberalismo Radical de Frei Caneca, Rio de Janeiro, Ed. Tempo Brasileiro, 1978.
 
VILAR DE CARVALHO, Gilberto, A liderança do clero nas Revoluções Republicanas - 1817 a 1824, Vozes, Petrópolis, 1980.
 



[1] CONDURÚ, História Eclesiástica do Maranhão, 17.
 
[2] Serafim LEITE, História da Companhia de Jesus no Brasil, tomo IV, p. 75.
 
[3] Serafim LEITE, História da Companhia de Jesus no Brasil, tomo IV, p. 75.
 
[4] Simile testimonium Capituli Olinden. Num. 3, de 26/08/1713. Copiado do original impresso existente no Arquivo do Carmo, Recife por Frei Sebastião Boerkamp no volume II, pág. C-426. Este volume está na Biblioteca Carmelitana do Convento do Carmo de São Paulo.
 
[5]  Simile testimonium Senatus Olinden. Num. 13, de 08/07/1713. Copiado do original impresso existente no Arquivo do Carmo, Recife por Frei Sebastião Boerkamp no volume II, pág. C-426. Este volume está na Biblioteca Carmelitana do Convento do Carmo de São Paulo.
 
[6] MARTINS, Os Martires Pernambucanos, 130 e 131.
 
[7] LEOPOLDO, O clero e a independência, 25.
 
[8] PRAT, Notas Históricas, 295-296.
 
[9] Palavra de origem indígena que significa “estrangeiro”. No caso designava todos os não paulistas, ou seja portugueses, baianos, pernambucanos, etc. que se dedicavam à descoberta e exploração de ouro e pedras preciosas em Minas Gerais.
 
[10] LEOPOLDO, O clero e a independência, 45.
 
[11] ROCHA POMBO, História do Brasil, 225.
 
[12] ROCHA POMBO, História do Brasil, 226.
 
[13] VILAR DE CARVALHO, A liderança do clero, 15ss.
 
[14] Citado por LEOPOLDO, O clero e a independência, 66, nota 21.
 
[15] VILAR, A liderança do clero, 23.
 
[16] Citado por VILAR, A liderança do clero, 23.
 
[17] VILAR, A liderança do clero, 31.
 
[18] VILAR, A liderança do clero, 63.
 
[19] MARTINS, Os Martires Pernambucanos, 313 e 314.
 
[20] LEOPOLDO, O clero e a independência, 74, nota 42.
 
[21] MARTINS, Os Martires Pernambucanos, 256.
 
[22] LEOPOLDO, O clero e a independência, 67.
 
[23] VILAR, A liderança do clero, 85.
 
[24] MARTINS, Os Martires Pernambucanos, 309.
 
[25] GALVÃO, Diccionario Chorographico Historico, 3º volume.
 
[26] LEOPOLDO, O clero e a independência, 82.
 
[27] CARNEIRO, Padre Miguelinho, 104.
 
[28] CARNEIRO, Padre Miguelinho, 106.
 
[29] MARTINS, Os Martires Pernambucanos, 98.
 
[30] LEOPOLDO, O clero e a independência, 101.
 
[31] RODRIGUES, O Clero e a Indepenência, 323-324.
 
[32] LEOPOLDO, O clero e a independência, 69.
 
[33] RAZZINI, Hipólito da Costa e o Correio Brasiliense, p. 94.
 
[34] COSTA, Pereira da, Dicionário Bibliográfico de Pernambucanos Célebres, p. 640. Citado por AZZI em A Crise da Cristandade e o Projeto Liberal, p. 29.
 
[35] CARNEIRO, Padre Miguelinho, 103.
 
[36] LEOPOLDO, O clero e a independência, 94.
 
[37] BARBOSA LIMA - citado por CARNEIRO, Padre Miguelinho, 107.
 
[38] CARNEIRO, Padre Miguelinho, 107.
 
[39] CARNEIRO, Padre Miguelinho, 108.
 
[40] VILAR, A liderança do clero, 37.
 
[41] FAUSTO, História do Brasil, 149.
 
[42] FAUSTO, História do Brasil, 153 e 154.
 
[43] VILAR, A liderança do clero, 95.
 
[44] VILAR, A liderança do clero, 50.
 
[45] ROCHA POMBO, História do Brasil, 187.
 
[46] Iniciado em 25 de dezembro de 1823.  O último número foi editado em 29 de julho de 1824.
 
[47] SOUSA, O Liberalismo Radical de Frei Caneca, 181.
 
[48] Rocha Pombo, História do Brasil, 204.
 
[49] Cf. VILAR, A liderança do clero, 205-206.
 
[50] FLEIUSS, Apostilas de História do Brasil, 322.
 
[51] VILAR, A liderança do clero, 210.
 
[52] ARAÚJO, Igreja e Cabanagem (1932-1849), 263.
 
[53] PRAT, Notas Históricas, 291.
 
[54] Cf. PRAT, Notas Históricas, 291; ARAÚJO, Igreja e Cabanagem (1932-1849), 263.
 
[55] REIS, História do Amazonas, 165.
 
[56] PRAT, Notas Históricas, 291.
 
[57] ARAÚJO, Igreja e Cabanagem (1932-1849), 264.
 
[58] Citado por ARAÚJO, Igreja e Cabanagem (1932-1849), 265.
 
[59] PINHEIRO, À margem do Amazonas, 32.
 
[60] PRAT, Notas Históricas, 289-290.
 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Edith Stein: Vida

Francisco Javier Sancho Fermín OCD
           
Nasceu Edith Stein no seio de uma família judaica, no dia 12 de outubro de 1891, na cidade prussiana de Breslau. É a mais nova de 11 irmãos, dos quais 4 morreram em idade prematura.
             Não tinha ainda completado 2 anos quando o pai morreu de insolação. A mãe, "mulher forte da Bíblia", como é chamada por Edith, encarrega-se da família, translada-se para a cidade e leva para a frente o negócio de madeiras iniciado pelo marido.
            Aí Edith vai receber a primeira formação escolar na  Viktoria-Schule. Aos 14 anos abandona os estudos, movida por um certo enjôo intelectual e talvez de fé. Por esta ocasião deixou toda prática religiosa, certamente influenciada pelas idéias racionalistas pós-kantianas, que caracterizavam a linha de pensamento da escola. Passaram-se quase dois anos até se decidir a recomeçar os estudos para bacharelado em 1908.
            Em 1911 entra para a Universidade. Escolhe História, Filologia Alemã, Filosofia e Psicologia. Esta última é a que mais atrai a sua atenção, mas por ser ainda uma ciência sem fundamentos sólidos, ela resolve dedicar-se à filosofia.
            Durante estes anos começa a tomar parte em diversas associações estudantis orientadas para a reforma do sistema educativo e a promoção dos direitos da mulher, etc.
            Em 1913, atraída pela fenomenologia de Husserl, dirige-se à Universidade de Göttingen. Aí conheceu Scheler, que infiltra na vida de Edith a abertura para a Igreja Católica. Estoura a 1ª Guerra Mundial e Edith se oferece como voluntária da Cruz Vermelha para atender os doentes num hospital de "contagiosos". Terminados estes serviços humanitários, volta para o seu trabalho intelectual. Conclui a sua tese doutoral sobre o tema da Empatia (Einfühlung), que apresenta na Universidade de Friburgo no dia 3 de agosto de 1916, alcançando a nota máxima. Nesta Universidade permanece até 1918, como assistente de Husserl.
            Por ser mulher, fracassa no seu projeto de subir a uma cátedra. Dá algumas aulas particulares e faz substituições na Escola "Viktoria", onde tinha sido aluna adiantada. Parece que nestes anos a crise espiritual de busca toma conta dela. O momento definitivo da sua conversão chega no verão de 1921, quando, por acaso, estando na casa de campo dos seus amigos Conrad-Martius, cai nas suas mãos o "Livro da Vida" de Santa Teresa. AÍ descobre a Verdade. É batizada no dia 1° de janeiro de 1922 em Berzabém.
            A conversão muda a orientação da sua vida. Primeiro como professora de bacharelado e magistério no Colégio das Dominicanas de Espira; neste tempo dedica-se ao estudo e tradução de Santo Tomás. A sua vida é de intensa oração e de serviço aos mais pobres.
            A partir de 1928 desdobra-se a sua atividade no terreno do "feminismo". Chegam convites de numerosas cidades dos países de língua alemã, para fazer conferências sobre o tema. Em 1930 foi convidada pela "Societé Thomiste" de Paris.
            A sua última atividade, antes do triunfo nazista, foi-lhe oferecida no Instituto de Pedagogia de Munster como ocupante da nova cátedra de antropologia (1932-1933).
            Com a proibição aos judeus de exercerem cargos públicos abrem-se as portas para ela realizar a sua vocação. Nada agora podia detê-la de entrar para o Carmelo. Os seus próprios confessores já não puseram obstáculo. E é assim que, na véspera da Festa de Santa Teresa, no dia 14 de outubro, se dá o seu ingresso no Carmelo. No dia 16 de abril recebe o hábito com o nome de Teresa Benta da Cruz. Nome que denuncia a sua vida espiritual. Teresa, porque em Teresa encontrou a mãe na fé e na vocação. Benta, porque na espiritualidade de São Bento encontrou o verdadeiro sentir com a Liturgia da Igreja. Da Cruz, porque lhe foi possível a entrada no Carmelo debaixo deste sinal, que daí em diante será o sinal da configuração e consumação da sua vida em Cristo.
            No Carmelo prossegue na atividade intelectual, levando ao fim a sua grande obra filosófica: "Ser finito e Ser eterno".
            Contudo, pela situação extrema de ódio contra os judeus, é levada a transferir-se para o Carmelo de Echt na Holanda, onde escreveu o sua última obra, "A Ciência da Cruz", em homenagem ao IV Centenário do nascimento de São João da Cruz; não conseguiu,porém, terminá-la, já que no dia 2 de agosto de 1942 foi arrancada pela Gestapo da paz do Carmelo e levada ao campo de Auschwitz/Birkenau, onde, junto com Rosa, sua irmã, foi martirizada na câmara de gás no dia 9 do mesmo mês. O exemplo e heroicidade da sua vida foram apresentados à Igreja Universal no dia 1º de maio de 1987 na cidade de Colônia, onde João Paulo II a proclamou Bem-Aventurada e Mártir.

Carta do Papa João Paulo II por ocasião dos 750 anos do Escapulário


Carta do Papa João Paulo II por ocasião dos 750 anos do Escapulário

Aos Reverendíssimos Padres

JOSEPH CHALMERS

Prior Geral da Ordem dos Irmãos

da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo (O. Carm.)

e

CAMILO MACCISE

Prepósito Geral  da Ordem dos Irmãos Descalços da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo (O.C.D.)

 1. O providencial acontecimento de graça que o Ano Jubilar foi para a Igreja, indu-la a olhar confiadamente e cheia de esperança para o caminho apenas encetado no novo milênio: "No início deste novo século - como escrevi na Carta apostólica Novo millennio ineunte - o nosso passo deve tornar-se mais expedito... Nesta caminhada, acompanha-nos a Virgem Santíssima. A Ela ... confiei o terceiro milênio" (n. 58).

Foi assim com profunda alegria que soube pretender a Ordem do Carmo nos seus dois ramos, antigo e reformado, exprimir o seu amor filial para com a sua Padroeira, dedicando o ano 2001 Àquela a quem invoca como Flor do Carmelo, Mãe e Guia nos caminhos da santidade. A este respeito, só posso sublinhar uma feliz coincidência: a celebração deste ano mariano ocorre para todo o Carmelo, segundo o que foi transmitido por uma venerável tradição da mesma Ordem, por ocasião 750º aniversário da entrega do Escapulário. É pois  uma celebração que proporciona a toda a Família Carmelita uma excelente ocasião não só para aprofundar a sua espiritualidade mariana, mas também para a viver cada vez mais à luz do lugar que a Virgem Maria ocupa no mistério de Cristo e da Igreja, e, consequentemente, para  seguir Aquela que é a "Estrela da evangelização" (cfr. Novo millennio ineunte 58).

 2. No seu itinerário em direção "à Montanha santa, Jesus Cristo, nosso Senhor" (Missal Romano, Coleta da Missa em honra da B. V. Maria do Monte Carmelo, 16 de Julho), as diversas gerações do Carmelo, desde as origens até hoje, procuraram moldar a sua própria vida seguindo os exemplos de Maria.

Por isso, no Carmelo, e em cada alma movida por um terno amor para com a Santíssima Virgem e Mãe, floresce a contemplação daquela que, desde o princípio, soube estar aberta para escutar a Palavra de Deus e obedecer à sua vontade (Lc 2,19.51). De fato, Maria educada pelo Espírito e por Ele moldada (cfr. Lc 2,44-50), foi capaz de ler à luz da fé a sua própria história (cfr. Lc 1,46-55) e, dócil às indicações de Deus, "avançou na peregrinação da fé, conservando a sua união com o Filho até à cruz, junto à qual, por desígnio divino, esteve (cfr. Jo 19,25), sofrendo profundamente com o seu Unigênito e associando-se com ânimo materno ao Seu sacrifício" (Lumen Gentium 58).

 3. Contemplando a Virgem, vemo-la como Mãe primorosa que em Nazaré vê o seu Filho crescer (cf. Lc 2,40.52), o segue pelas estradas da Palestina, o assiste nas bodas de Caná (cfr. Jo 2,5) e, junto à cruz, passa a ser  a Mãe associada à oferta de Seu Filho e dada a todos os homens mediante a entrega que o próprio Jesus dela faz ao discípulo predileto (cfr. Jo 19,26). Como Mãe da Igreja, a Virgem Santa une-se aos discípulos "em assídua oração" (At 1,14) e, como Mulher nova que antecipa em si o que um dia se realizará para todos nós na plena fruição da vida trinitária, é assunta ao Céu, donde estende o manto da sua misericordiosa proteção sobre os seus filhos, ainda peregrinos para o monte santo da glória.

Uma semelhante atitude contemplativa da mente e do coração leva-nos a admirar a experiência de fé e de amor da Virgem, a qual já vive em si aquilo que cada fiel deseja e espera realizar no mistério de Cristo e da Igreja (cfr. Sacrosanctum Concilium 130; Lumen gentium 53). Justamente por isso os carmelitas e as carmelitas escolheram Maria como a sua própria Padroeira e Mãe espiritual, tendo-a sempre presente diante dos olhos do coração como a Virgem Puríssima que a todos nos guia até ao conhecimento pleno e à perfeita imitação de Cristo.

Floresce assim todo um conjunto de íntimas relações espirituais que incrementam uma comunhão cada vez maior com Cristo e com Maria. Para os membros da Família Carmelita Maria, a Virgem Mãe de Deus e dos homens, não é apenas um modelo a imitar, mas também uma doce presença de Mãe e Irmã na qual se confia. Por isso mesmo exortava Santa Teresa de Jesus: "Imitai Maria e considerai qual não deve ter sido a grandeza desta Senhora e o bem que nos advém de a termos como Padroeira" (Castelo interior III, 1,3).

 4. Esta intensa vida mariana, que se traduz em confiante oração, entusiástico louvor e diligente imitação, faz-nos a compreender que a forma mais genuína de devoção à Virgem Santíssima, traduzida no humilde sinal do Escapulário, é a consagração ao seu Imaculado Coração (cfr. PIO XII, Carta Neminem profecto latet [11 de Fevereiro de 1950: AAS 42, 1950, pp. 390-391]; Const. Dogm. sobre a Igreja Lumen gentium 67). É assim que no íntimo do coração se leva a cabo uma crescente comunhão e familiaridade com a Virgem Santa, experimentada "como uma nova maneira de viver para Deus e de continuar aqui sobre a terra o amor de Jesus, o Filho, a Maria, sua Mãe" (cfr. Discurso do Angelus, in Insegnamenti XI/3, 1988, p. 173). Pomo-nos assim, segundo a expressão do mártir carmelita Beato Tito Brandsma, em profunda sintonia com Maria, a Theotokos, tornando-nos como ela transmissores da vida divina: "O Senhor também nos manda o seu anjo, ... também nós devemos acolher Deus nos nossos corações, trazê-Lo nos nossos corações, nutri-Lo e fazê-Lo crescer em nós, de tal modo que Ele de nós nasça e conosco viva como o Deus-conosco, o Emanuel" (da Conferência do B. Tito Brandsma no Congresso Mariológico de Tongerloo, Agosto de 1936).

Este rico patrimônio mariano do Carmelo passou a ser ao longo dos tempos, através da difusão da devoção do santo Escapulário, um tesouro para toda a Igreja. Graças à sua simplicidade, valor antropológico e com o papel de Maria nas diversas vicissitudes da Igreja e da humanidade, esta devoção foi profunda e amplamente acolhida pelo povo de Deus, a ponto de encontrar a sua expressão na memória de 16 de Julho, presente no Calendário litúrgico da Igreja universal.

 5. No sinal do Escapulário evidencia-se uma síntese eficaz da espiritualidade mariana que alimenta a devoção dos crentes, tornando-os sensíveis à presença da Virgem Mãe na sua vida.

O Escapulário é essencialmente um "hábito". Aquele que o recebe é agregado ou associa-se mais ou menos intimamente à Ordem do Carmo, dedicando-se ao serviço de Nossa Senhora para o bem de toda a Igreja (cfr. Fórmula de imposição do Escapulário, no "Rito de bênção e imposição do Escapulário", aprovado pela Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, 5/1/1996). Desta forma, aquele que se reveste do Escapulário é introduzido na terra do Carmelo, para que aí "coma dos excelentes frutos dos seus pomares" (cfr. Jer 2,7) e experimente a presença doce e materna de Maria, no compromisso quotidiano de se revestir interiormente de Jesus Cristo e de o manifestar vivo em si para o bem da Igreja e de toda a humanidade" (cfr. Fórmula de imposição do Escapulário, l.c.).

São duas, pois, as verdades evocadas pelo sinal do Escapulário: por um lado, a contínua proteção da Virgem Santíssima, não só ao longo do caminho da vida, mas também no momento da suprema passagem para a plenitude da glória eterna; por outro, a consciência de não se poder limitar a devoção a Maria a meras orações e serviços prestados a fim de a honrar em algumas circunstâncias, devendo antes aquele constituir um "hábito", ou seja, uma orientação constante da própria conduta pessoal, imbuída de oração e vida interior, mediante a prática frequente dos sacramentos e o exercício concreto das obras de misericórdia espirituais e corporais. Desta forma o Escapulário passa a ser um sinal da "aliança" e recíproca comunhão existente entre Maria e os fiéis: ele traduz de fato, e de forma concreta, a entrega que Jesus, do alto a cruz, fez a João- e nele a todos nós - de sua Mãe,  bem como o ato de a Ela, constituída nossa Mãe espiritual, confiar o apóstolo predileto e cada um de nós.

6. Desta espiritualidade mariana, que molda interiormente as pessoas, configurando-as com Cristo, o Primogênito entre muitos irmãos, são exemplo preclaro os testemunhos de santidade e de sabedoria de tantos Santos e Santas carmelitas, os quais cresceram, todos eles, à sombra e sob a tutela da Mãe.

Também eu, desde há tanto tempo, trago sobre o meu coração o Escapulário do Carmo! Pelo amor que nutro à nossa Mãe comum, faço votos de que este ano mariano ajude todos os religiosos e religiosas carmelitas, bem como os fiéis piedosos que filialmente a veneram, a crescer no amor a Ela e a irradiar neste mundo a presença desta Senhora do silêncio e da oração, invocada como Mãe de misericórdia, Mãe da esperança e da graça.

Com estes votos concedo de bom grado a Bênção Apostólica a todos os Irmãos, Monjas, Irmãs, leigos e leigas da Família Carmelita que tanto trabalham para que se difunda entre o povo de Deus a devoção a Maria, Estrela do Mar e Flor do Carmelo!

Vaticano, 25 de Março de 2001.

Joannes Paulus II

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Olhar o passado com os pés no futuro: Frades da Província Pernambucana

(dados do Catalogo incompleto dos Religiosos do Carmelo Pernambucano (1580-1925), organizado por Frei André Prat. O original manuscrito está no arquivo da Provincia Carmelitana Pernabucana em Recife)

FREI HERCULANO DO CORAÇÃO DE JESUS BRITTO

            “Em 1848 entrou na Ordem. No Capitulo Provincial reunido em março de 1854 foi eleito Prior da Piedade. No cholera morbus que em 1856 assolou Pernambuco distingui-se pelo ardente zelo e caridade pra com os apestados. De uma intrepidez que caracterizava os verdadeiros ministros do Evangelho, conseguio interrar os cadaveres que jaziam abandonados. Falleceu no Hospital Portuguez a 6 de maio de 1887 victima de febre tipho, na idade de 56 annos” (p. 84).
“Nasceu em 1831, filho legítimo de Vicente José de Brito e Maria Ventura Cadaval. Entrou no Noviciado a 12 junho de 1847 eprofessou a 13 de junho de 1848. No Capítulo Provincial reunido em março de 1854 foi eleito Prior da Piedade. No cólera-morbus que assolou Pernambuco em 1856, distingui-se pelo ardente zelo e caridade para com os apestados. De uma intrepidês que caracteriza os verdadeiros ministros do Evangelho, consguiu inhumar os cadáveres que jaziam abandonados, transportndo-os nos seus ombros e sepultando-os no quintal do Convento. Secularizou-se em 1864. Faleceu ho Hospital Português a 6 de maio de 1887, vitimado pela febre tifo.” (Gonçalves, Frei Antônio - Notas biográficas, Arq. Prov. Pernambucana,)

FREI LUIS DA IMMACULADA CONCEIÇÃO

             “Conventual do Recife; no cumprimento do seu munus sacerdotal quando com honravel zelo e abnegação, exerceu durante a pestilenta luta do cholera-morbus, junto aos contagiados, relevantes e caridosos serviços; morreu victima da terrivel epidemia, na cidade da Victoria, aonde tinha ido prestar os socorros espirituais aos apestados” (p. 98)

 FREI MANOEL DE SANTA ANNA LUZ

            Em 1848 estudava teologia em Recife. Em 1850 era conventual de Goiana. Em 1860 foi eleito prior do convento de Recife. Deixou a Ordem em 1864. Faleceu em Palmares.

            “Na terrível epidemia que em 1856 irrompeu em Pernambuco, distingui-se pela grande abnegação e accendrada caridade na assistencia dos cholericos, na cidade de Victoria” (p. 101).

FREI MANOEL DE SANTA CLARA DOS ANJOS

             “Em 1848 estava ainda cursando seus estudos ecclesiasticos no Convento do Recife. Salientou-se pelo se zelo apostolico e pela grande caridade exercida, em 1856, ao pé do leito das victimas cholericas, na cidade de Victoria, onde prestou, durante a terrivel epidemia, relevantissimos serviços. Em recompensa de seus merecimentos foi-lhe concedido o titulo e regalias de Definidor Perpetuo. Falleceu a 1 de maio de 1862” (p. 100).

            “Falleceu no dia 1 de maio de 1862 (Obtuário, Convento do Recife, p. 27, Arquivo do Recife B- g) 1)”

FREI NORBERTO DA PURIFICAÇÃO PAIVA

            “Recebeu o diaconato em 1848. Foi lente de Historia no convento do Carmo do Recife. No Capitulo Provincial celebrado em Março de 1854 foi eleito Prior da Goyanna, cujo Convento governou mais de um trienio. No Capitulo reunido em  maio de 1860 sahiu eleito Prior Provincial. Terminado o trienio do seu Provincialado, egressou da Ordem em 1863. Um dos feitos honraveis do seu governo foi dar liberdade a todos os escravos que a Ordem tinha em Ubaca, um dos engenhos que o convento do Carmo possuia” (p. 101-102).

FREI FILIPE D´ANNUNCIAÇÃO MENDONÇA

            “Falleceu em 1856, victima do “colera morbus”, contrahido no caridoso exercicio do seu munus sacerdotal, na administração dos santos sacramentos aos apestados.
            No Capitulo Provincial em Abril de 1847 foi eleito Prior da Parahyba, cujo cenobio governou até 1850, sendo neste anno escolhida para prior da Guia” (Obtuário, Convento do Recife, p. 24-25, Arquivo do Recife B- g) 1).

Ex-padre, argentino gay larga a batina e escreve carta ao papa


Ex-padre, argentino gay larga a batina e escreve carta ao papa

O argentino Andrés Gioeni, 41, foi padre durante dois anos e meio em Mendoza até largar a batina e assumir ser gay. Ator, diretor e escritor de peças infantis, vive em San Isidro, na Grande Buenos Aires, com seu companheiro, Luís, há nove anos e meio. Na semana passada, ele escreveu carta aberta ao papa Francisco pedindo que ele ajude aos gays a "transitar pela fé" sem renunciar à "experiência do amor".
*
Na infância, estudei em um colégio religioso, marista. E dizia: nunca na minha vida vou ser sacerdote, não queria aquilo. Minha família era católica, mas não religiosa. Comecei a participar de um grupo missionário e começamos a fazer trabalhos voluntários num bairro pobre de Mendoza [a 1.100 km de Buenos Aires].

Na época, eu namorava uma menina, Carmem, e tínhamos o plano de nos casarmos e virarmos missionários na África. Nesse bairro, as pessoas me falavam que faltava um padre. Eu estava estudando para tentar a faculdade de medicina, aí resolvi ir para o seminário. Quando entramos, éramos 12 seminaristas e só quatro se tornaram sacerdotes. Desses quatro, só um ainda é padre.

Fiquei oito anos no seminário. Não me sentia sozinho, tinha uma família lá. Foi mais difícil quando virei sacerdote, aos 27. Vi que não era tão fácil, tinha muitas responsabilidades, ficava sozinho. Mas gostava de celebrar a missa. Aí comecei a me dar conta do que estava acontecendo: algo que não era, para mim, natural. Eu me condenava.

No seminário, a questão da homossexualidade só era tratada em algumas aulas. No dia a dia, era um tabu. Olhando agora para trás, vejo que no seminário já sabia [que era gay], mas eu negava.

Se percebia que estava gostando de algum companheiro, logo me reprimia, falava a mim mesmo: "O que está acontecendo? Está louco?."

Dois seminaristas fizeram insinuações pra mim, queriam me namorar. Eu achava que fosse loucura,negava aquilo. Eles saíram do seminário, eu fiquei. Me dei conta de que era gay mesmo quando já era sacerdote.

Gostava de entrar em salas gay de bate-papo como anônimo. Depois, me arrependia, dizia que nunca mais faria aquilo. Um dia, encontrei um homem que conheci no chat. Conversamos durante umas cinco horas e não contei que era padre. Acabamos tendo relações sexuais.

Foi uma experiência linda, mas, no outro dia, acreditava que estava no inferno, que era a pessoa mais pecadora do mundo. Comecei a rezar, chorei muito e fui me confessar sem dizer que era padre. Falei: "Basta, isso vai passar, não pode mais acontecer".

E não passou. E passei a me perguntar se era algo transitório ou para a vida. Quando me dei conta que era para a vida, cortei laços com a igreja.

Vim para Buenos Aires começar uma nova vida. Uma pessoa me chamou para fazer umas fotos nu para uma revista gay. Depois, trabalhei por um ano de garçom numa boate gay. Foi muito difícil me aceitar. Por 30 anos, recebi a informação de que isso que eu vivia -ser gay- não era bem visto aos olhos de Deus.

Depois, comecei a me dar conta de que Deus não é assim. Ele segue me amando e acompanhando, não importa que eu seja homossexual. Há nove anos e meio vivo com Luís. Queremos nos casar oficialmente. Mas adotar um filho não está nos planos.

Sigo acreditando em Deus, não no da igreja, que tem tantas leis. Fiquei feliz quando Francisco virou papa, uma pessoa mais aberta. Quando ouvi suas palavras na viagem de volta do Rio, resolvi que era a hora de escrever para ele. Publiquei o texto no Facebook e pedi para amigos compartilharem e me ajudarem a fazer chegar a ele a carta.

O catecismo não pode seguir dizendo que um gay é uma aberração. Sei que mudanças não virão de hoje pra amanhã. Mas espero que, daqui a 30 anos, um menino possa dizer sem medo que é homossexual.

sábado, 3 de agosto de 2013

18º Domingo do Tempo Comum: ANO-C. Pobre homem rico.

Pe. Cesar Augusto dos Santos, S.J.

 
 “Um homem que trabalhou com inteligência, competência e sucesso, vê-se obrigado a deixar tudo em herança a outro que em nada colaborou. Também isso é ilusão e grande desgraça,” nos diz Coélet, autor do Eclesiastes. E a solução, proposta por ele é comer, divertir-se, enfim um moderado aproveitamento de tudo o que a vida oferece. A resposta que responderá plenamente nossa inquietação virá de Jesus, no Evangelho.

Em Lucas, um homem rico ao ver que sua fazenda produz bastante, fica muito feliz e planeja não uma redistribuição de sua produção com os seus empregados, mas em encontrar lugar para armazenar mais. O fazendeiro é louco, pois construiu sua riqueza sobre o suor de seus empregados e agora deseja descansar sobre o trabalho e o sofrimento de outros, sem nada partilhar. Jesus termina o relato desse caso dizendo que tudo o que ele armazenou ficará para outros, já que sua vida será pedida naquela noite.

Os bens tomaram conta da vida daquele homem e ocuparam o lugar de Deus, da família e dele mesmo. Por outro lado o que acumulou não pode ser chamado de vida, pois a vida se destina a todos e ele acumulou só pensando em si mesmo. O pecado do homem rico não está em ser rico, mas está porque trabalhou exclusivamente para si e não se enriqueceu aos olhos de Deus.

Jesus faz o alerta não apenas aos ricos, mas a todos aqueles que só trabalham para si. Mesmo um estudante de um curso supletivo, que estuda à noite com muito sacrifício e só pensa em desfrutar a vida no futuro, é destinatário dessa parábola porque, apesar de ser pobre, tem um coração de rico, deixou-se levar pelo egoísmo.

A segunda leitura nos dá a indicação de como deve ser a vida daqueles que desejam trabalhar com sentido e quais deverão ser seus valores. Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às terrestres.” Mais adiante Paulo nos incentiva a fazer morrer em nós aquilo que é terrestre: “imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria.”

O emprego de nossa vida, com seus dons, suas potencialidades deverá ser realizado com um objetivo maior do que a simples satisfação mundana e a simples saciação de nossas necessidades básicas. Tudo isso vai embora. O tempo, a doença, a traça, a morte dissolverá. Nada ficará de lembrança. Até nosso nome, com o tempo, desaparecerá. De fato, tudo ilusão!

Apenas o uso de nossas potencialidades, de nossa vida em favor do outro, em favor da realização do Reino de Deus, dará sentido ao nosso esforço e transformará tudo de material para imaterial, de imanente para transcendente, de meramente humano para divino. A eternidade está na dimensão da partilha, do nós, do outro.

O Homem busca a face de do Outro, de Deus, que é Trindade, Comunhão. O Homem busca a face de Deus, a comunhão eterna com o Outro. Só isso o sacia, só isso lhe dará a perenidade que é desejada na profundidade de seu ser. Abre-se ao outro é abrir-se a Deus, é a abrir-se à felicidade eterna.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

18º Domingo do Tempo Comum: A riqueza não é dividida, a riqueza divide! (Lc 12,13-21)

Maria Soave

Oração

Vem, Divina Ruah, doa-nos de compreender esta Palavra que acabamos de ouvir, fale diretamente para as nossas vidas, seja palavra que nos revele o amor que Deus tem conosco, para cada um e cada uma de nós. Jesus, companheiro libertador de todo tipo de morte, ajuda-nos a sermos tuas seguidoras e seguidores e a escolher, sem medo, o teu Evangelho.

A riqueza não é dividida, a riqueza divide!

Um homem pede a Jesus para intervir a respeito de uma briga entre ele e seu irmão sobre a herança. De novo no evangelho tem alguém que chama Jesus para resolver um conflito. Este alguém não tem nome próprio no texto. Provavelmente porque cada um, cada uma de nós é chamado a identificar-se com esta personagem. Na pergunta sobre a divisão da herança aparece uma grande ilusão. A pergunta ilusória é sobre a divisão da riqueza. Este texto nos diz que a riqueza não é dividida, a riqueza divide!

Jesus recusa, neste texto, o papel de mediador do conflito. Na perspectiva da grande ilusão da qual estes dois irmãos são vítimas, a de pensar que a riqueza que divide e violenta possa ser dividida, Jesus não quer ser considerado o juiz conciliador, mas o companheiro de caminhada que quer ajudar a entender e indicar os motivos que determinam o empobrecimento e os conflitos entre as pessoas. Estes motivos se juntam concretamente ao redor do egoísmo e da ganância.

São estes os dois sentimentos que habitam os irmãos deste texto do evangelho e Jesus fala deste sentimento de desejo sem entender o que é necessário desejar. A ilusão, de quem não conhece o que é verdadeiramente necessário e por isto pensa de encontrar no possuir a sua segurança.

Qual é nossa necessária necessidade? Esta é uma pergunta de fundo para a nossa vida.

Desde os tempos antigos da caminhada de libertação no Êxodo, nossos pais e nossas mães na fé tiveram que responder a esta pergunta. No tempo do deserto, no tempo da divisão do poder e da profunda defesa da Vida, seguindo o Deus Libertador, o Povo das tribos no caminho de libertação teve que aprender como dividir algo que não sabiam nomear e por isto chamaram "maná". Tiveram que aprender a partilhar "segundo a necessidade".

Lembramos também que, no Primeiro Testamento, uma tribo, a de Levi, a tribo dos homens e mulheres errantes e mendicantes de tenda em tenda, esta tribo não recebia nenhuma herança, nenhuma terra, exatamente para poder testemunhar, na transparência do corpo e das relações, que única herança é Javé libertador.

Também no Segundo Testamento o contrário da ganância é a plenitude em Deus. Por isto Paulo, na carta aos Colossenses 3,5, nos diz que a ganância é idolatria!

A ganância faz o nosso coração se dividir entre diferentes desejos, e um coração dividido é um coração idólatra, uma alma, transparência de corpo que perdeu o necessário, o testemunhar em todo o respiro da Vida que única herança é Javé Libertador!

Os bens não nos livram da morte

Neste texto do evangelho de Lucas Jesus faz uma afirmação muito séria: "sua vida não depende de seus bens". Como para dizer que uma pessoa não é dependendo do que possui. Uma pessoa não é humana por causa de seus bens! A dignidade das pessoas não tem nada a ver com os bens que possuem! Para Jesus e seu movimento existe uma condição profundamente humana que é "outra" em relação ao possuir.

Viver do necessário, a capacidade de dividir para poder multiplicar, ser transparência comunitária e ecumênica que nossa única herança é Javé libertador de todos os pequenos e empobrecidos, é o nosso caminhar no seguimento de Jesus!

Para mostrar como a prática da ganância seja negativa, Jesus nos conta uma parábola. De um rico sem sabedoria, isto é sem a capacidade de olhar com os olhos do essencial que são os olhos de Deus no meio da História da Humanidade.

Este rico sem sabedoria acredita de estar no seguro por muitos anos tendo acumulado muitos bens e ao qual na mesma noite é pedida de volta a própria vida. Nesta parábola a abundância é muito presente. O homem é rico e a colheita é abundante. O homem rico pensa entre si sobre o que irá fazer da colheita abundante. Ma só pensar entre si e não partilhar o pensamento leva a uma decisão egoísta e insensata que faz da bênção da abundancia na colheita uma maldição. A bênção não pode ser de uso individual!

Uma reflexão individual que não é partilhada em comunidade pode nos levar, como no caso da parábola, a um programa de vida esvaziado de amor. Os bens não nos livram da morte e da nossa finitude. Aliás, podem nos impedir de viver na partilha e na condivisão, de aprender a viver do necessário para que ninguém passe necessidade.

Os bens podem não permitir que sejamos o que é nossa profunda vocação, desde os mitos bíblicos de criação da Humanidade... gente nua e sem vergonha deste "estado" primordial... a nudez... o que nos faz reconhecer o que gaguejamos com o nome de Deus(...)! Nossa única e verdadeira riqueza... Amém e amem... isto é: continuemos amando!

Para continuar a oração: Tome em sua Bíblia o salmo 89 (90)


 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

JORNADA MUNDIAL/RJ: O Papa do Povo (3ª Parte)

NOTA OFICIAL DO COMITE ORGANIZADOR LOCAL DA JMJ

Em virtude da mudança de local para a realização da Vigília e da Missa de Envio, de Guaratiba para Copacabana, o Comitê Organizador da JMJ Rio 2013, além de expressar sua alegria pela união e pela compreensão de todos que estão participando da Jornada, vem informar o seguinte:
1-A escolha de Guaratiba decorreu de inúmeras razões, entre as quais:
Ser próprio da Jornada realizar seus atos finais em local que permita peregrinação. Atender ao maior número de peregrinos que normalmente acorrem aos eventos finais da Jornada. Fazer com que os atos centrais da Jornada acontecessem em pontos diferentes da cidade, em especial numa região em que poucos eventos ocorrem. Não onerar demais os moradores de Copacabana e adjacências com muitos eventos na mesma região.
2-Para isso, o terreno em Guaratiba foi preparado com carinho e de acordo com as normas legais.
3-Em virtude da quantidade de chuva, fato que não ocorre regularmente neste período, aquele local se tornou não recomendável para o uso pelos peregrinos, considerando o pernoite, característico da Jornada. Pensando nos peregrinos, ouvindo diversos segmentos envolvidos na Jornada e em acordo com as autoridades governamentais, nos seus três níveis, federal, estadual e municipal, tomou-se a decisão de transferir o evento para Copacabana.
4-A mudança de local ocasionou uma situação peculiar, diante da qual nem tudo que havia sido planejado poderá acontecer. Trata-se de uma situação excepcional.
5-O Comitê Organizador da Jornada agradece aos moradores de Copacabana e adjacências por sua compreensão e acolhida ao longo da Jornada. Pede que as bênçãos de Deus venham sobre todos os que, neste bairro, residem e trabalham ou que por ele passam. Agradece também a compreensão de todas as pessoas que, vindo participar da Jornada, não poderão conhecer o que foi preparado em Guaratiba.
6-Conforme já divulgado, os dois atos centrais, Vigília e Missa de Envio, acontecerão nos mesmos horários previamente indicados, agora em Copacabana.
7-O local de entrega do kit vigília, tanto para peregrinos quanto voluntários, passa a ser o Aterro do Flamengo, próximo ao Museu de Arte Moderna. O horário será entre sete da manhã e nove da noite de sábado.
8-A rota de peregrinação passa a se iniciar na Central do Brasil, passando pelas avenidas Presidente Vargas e Rio Branco, percorrendo o Aterro do Flamengo, rumo a Copacabana. A peregrinação poderá ser iniciada às sete horas da manhã, em qualquer ponto deste trajeto.
9-A infraestrutura de atendimento aos peregrinos será reforçada com banheiros, gradis e, na rota de peregrinação, com postos médicos e distribuição de água.
10-A área destinada aos peregrinos será a mesma adotada para os demais eventos da JMJ já realizados em Copacabana.
11-De sábado para domingo, o peregrino poderá permanecer em Copacabana para a vigília ou retornar ao seu lugar de hospedagem para dormir. No domingo, se assim desejar, voltará a Copacabana.
12-Esse comité agradece a compreensão de todos os que estavam previamente convidados às áreas especiais de Guaratiba, mas por limitações físicas, ou seja, ausência de espaço suficiente, não haverá esse local reservado em Copacabana.
13-Os padres poderão concelebrar na Missa de Envio, no domingo. Para isso, devem se dirigir, entre cinco e oito horas da manhã, à tenda de paramentos, localizada na Avenida Atlântica em frente ao número 778. Naquele local, haverá um ponto de acolhida, onde, mediante o crachá, receberão os paramentos. Dirigir-se-ão, em seguida, para a área a eles reservada, ingressando no portão que fica na direção da esquina entre as avenidas Atlântica e Princesa Isabel.
14-O sistema de transportes da cidade funcionará ininterruptamente, conforme esquema especial de eventos.
Fonte: Centro de Imprensa da JMJ

JORNADA MUNDIAL/RJ: O Papa do Povo (2ª Parte)

JORNADA MUNDIAL/RJ: O Papa do Povo (1ª Parte)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O Papa no Rio de Janeiro: Agenda desta quinta-feira, 25. Cerimônia de entrega das chaves da cidade.

Nesta quinta-feira, 25, às 9h45, Papa Francisco receberá as chaves da cidade do Rio de Janeiro na presença do prefeito Eduardo Paes, no Palácio da Cidade, uma das sedes do governo municipal. A entrega das chaves é um ato simbólico que representa o livre acesso à cidade e se realiza, tradicionalmente, em muitas partes do mundo, a visitantes ilustres como prova de confiança. A chave que será entregue é feita de prata, mede 28cm x 9,8 cm e demorou mais de dois meses para ser produzida. A inspiração para o desenho foi a cruz, um dos símbolos mais importantes da Igreja Católica. Com um estilo medieval, os crucifixos aparecem no desenho que registra a primeira viagem do Papa ao Rio de Janeiro, em julho de 2013.
Fã de futebol e torcedor do San Lorenzo de Almagro, Papa Francisco irá benzer as bandeiras olímpica e paralímpica na cidade que se prepara para receber os Jogos, em 2016. Cerca de 300 esportistas participarão da cerimônia. A Cruz Olímpica e o ícone da paz são símbolos cristãos que, em 2014, visitarão as doze cidades sede da Copa do Mundo. Eles estarão no Palácio e serão apresentados ao Papa pela nadadora Fabiola Molina e pelo jogador de vôlei Riad Ribeiro. A bandeira olímpica será entregue ao Papa na varanda do Palácio pelos guardas da bandeira. Estarão presentes atletas de destaque no país, como Pelé, Zico e Oscar Schmidt, além do nadador César Cielo e da ginasta Daiane dos Santos. 
Essa não é a primeira vez que um Papa mostra interesse pelos Jogos Olímpicos. Papa Pio X incentivou a iniciativa do Barão de Coubertain e foi o primeiro a abrir as portas do Vaticano aos atletas. João XXIII também saudou os atletas durante os Jogos Olímpicos de Roma, em 1960. Em 2000, João Paulo II destacou os Jogos Olímpicos. Finalmente, em 2012, Bento XVI se referiu às Olimpíadas como “o maior evento esportivo, em que participam atletas de muitos países e, por isso, tem grande valor simbólico. Por isso, a Igreja Católica a vê com especial simpatia e atenção“. Papa Francisco já salientou, em outros momentos, o valor do esporte como elemento de união entre as pessoas.
Varginha – Complexo de Manguinhos
 
Depois de sair da cerimônia no Palácio, o Papa visita a comunidade de Varginha, criada em 1941 e situada no complexo de Manguinhos, na Zona Norte do Rio. A população de Manguinhos é de, aproximadamente, 45 mil habitantes e o complexo é composto por 13 comunidades, sendo a Parque Oswaldo Cruz (Amorim) a mais antiga, fundada por imigrantes portugueses em 1901. A área sofreu com a saída de indústrias da região, na década de 80, e hoje, vivem em Varginha pouco mais de 1.150 pessoas (números não oficiais falam em 2.500 habitantes). A área tem uma história de violência, criminalidade e tráfico de drogas. Antes de ser pacificada pelo governo, em 2012, era conhecida como “faixa de Gaza”, pelas guerras entre grupos de traficantes rivais. Ao visitar a comunidade, Papa Francisco repete o ato de João Paulo II que, em 1980, visitou a comunidade do Vidigal, na Zona Sul do Rio.
Programação
O Papa chegará acompanhado pelo Padre Marcio Queiroz, pároco da comunidade, do vigário Paroquial e a Superiora das Missionárias da Caridade.  Não é a primeira vez que um representante da Igreja visita a comunidade. Em 1972, Madre Teresa de Calcutá visitou o local e, desde então, a área conta com o trabalho das Missionárias da Caridade, que atuam na evangelização das crianças e apoio às famílias.
O Papa visitará a pequena igreja de São Jerônimo Emiliani, religioso italiano, considerado "patrono universal dos órfãos e jovens abandonados” (Pio XI, 1928). A capela foi inaugurada em 19 de julho de 1971, na presença do Arcebispo da cidade. No final dos anos 80, passou por uma reforma. No pátio externo, Francisco se encontrará com doentes, pessoas com deficiência, idosos e crianças. Depois de um momento de oração, haverá a benção do novo altar. O Papa também oferecerá um cálice de presente para a paróquia.
De lá, se dirige ao campo de futebol onde o campeão do mundo Jairzinho treina jovens e crianças. A “laje” de onde o Papa fará a saudação é usada pelas crianças da comunidade para soltar pipa. No caminho até o campo, o Papa visita a casa de uma família e abençoa o casal Rangler dos Santos Ireneu e Joana Alves de Souza Carvalho. As crianças também aproveitam a ocasião para dar presentes ao Santo Padre.
A visita é um encontro do Papa Francisco com os menos favorecidos. A Jornada Mundial da da Juventude quer abrir espaço para que eles participem do momento de festa e oração. Além de levar alegria e esperança a um enorme número de jovens que moram em áreas mais pobres da cidade e que não poderiam ficar excluídos de um evento que quer envolver os jovens na criação de um novo mundo.
A comunidade de Varginha foi uma escolha conjunta do Governo e da Santa Sé, entre uma lista de comunidades atendidas pelo serviço diocesano. A escolha por uma comunidade menos conhecida da cidade é justamente para ressaltar a importância de olhar para quem está à margem, porém todas as comunidades serão representadas por ela.
Fonte: Centro de Imprensa da JMJ/RJ.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

JORNADA MUNDIAL/RJ: Cidade da fé

Papa Francisco confia JMJ a Nossa Senhora Aparecida

“Vejo vocês em 2017”, promete o Papa

Durante a visita ao Santuário da Padroeira do Brasil, onde esteve pela última vez em 2007, Papa Francisco confiou a Jornada Mundial da Juventude a Nossa Senhora Aparecida. O pontífice afirmou que a sua visita ao local representava uma visita, simbólica, a todo o Brasil. O trajeto até a cidade foi feito de avião, devido ao mau tempo. Ao chegar, foi recebido por Frei Domingos Sávio da Silva, reitor do Santuário e por uma multidão de peregrinos, a quem o Papa aconselhou. “Deixem-se surpreender pelo amor de Deus”
O Arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis, que também é presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) presenteou o Papa com uma réplica da estátua da Virgem. Segundo o Arcebispo, a cor negra da estátua é resultado da ação da lama do rio e das velas, mas foi interpretado como uma “referência ao sofrimento das pessoas pobres e marginalizadas, ao longo da história do Brasil”, explicou. Cerca de 12 mil pessoas participaram da missa dentro da Basílica enquanto milhares acompanharam do lado de fora, apesar da chuva e do mau tempo.
No início da homilia, Papa Francisco destacou a V Conferência Geral do Espiscopado da América Latina e do Caribe (Celam), realizada em 2007. Para o pontífice, o encontro foi um grande momento da vida da Igreja. Dele, nasceu o Documento de Aparecida, entre os trabalhos dos pastores e a fé simples dos romeiros, sob a proteção maternal de Maria.
“É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E por isso a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria. Venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um país e de um mundo mais justo, solidário e fraterno. Para tal, gostaria de chamar a atenção para três simples posturas: conservar a esperança, deixar-se surpreender por Deus e viver na alegria”.
Para o Papa, o mal se faz presente em nossa história, mas não é o mais forte. “Deus é o mais forte, Deus é a nossa esperança”, disse, alertando para a solidão e o vazio que levam as pessoas à busca de compensações no que chamou de “ídolos passageiros”, como dinheiro, sucesso, poder e prazer.
Referindo-se à história de Aparecida – quando três pescadores foram surpreendidos por uma imagem da Virgem na rede de pesca, ele disse: “Deus sempre surpreende, como o vinho novo, no Evangelho. Se nos aproximamos d’Ele, se permanecemos com Ele, aquilo que parece água fria, aquilo que é dificuldade, aquilo que é pecado se transforma em vinho novo de amizade com Ele”. E completou, afirmando que devemos “viver na alegria”.  “O Cristão não pode ser pessimista! Não pode ter uma cara de quem parece em um constante estado de luto”.
 No final da missa, Papa Francisco cumprimentou as pessoas que acompanhavam a celebração, entre elas representantes de outras denominações religiosas. Na sequencia, foi até a sacada do santuário para abençoar os milhares de peregrinos que acompanhavam do lado de fora e gritavam “Francisco, Francisco!”.
“Obrigada por terem vindo”, saudou o Papa, em espanhol. “Pedi a Virgem que abençoe suas famílias, seus filhos, seus pais e toda a nação”. E continuou, perguntando: “A mãe esquece seus filhos?”. À resposta - um sonoro “não” - ele retrucou: “Não. A mãe não esquece dos filhos. Ela cuida dos seus filhos”.
Papa Francisco abençoou as pessoas com a réplica da imagem da Virgem de Aparecida, antes de pedir que rezassem por ele. “Eu preciso”, disse, antes de anunciar: “Vejo vocês em 2017”. Em 2017, serão comemorados os 300 anos da aparição da Virgem no rio Paraíba do Sul.
Fonte: Imprensa da JMJ. Rio, 24 de julho-2014.

JMJ: Hospital São Francisco de Assis da Providência de Deus, uma expressão do legado social da Jornada Mundial da Juventude

60% dos dependentes químicos atendidos em centros de recuperação religiosos abandonam o vício enquanto o número é de 12% entre outras instituições.

Depois da visita ao Santuário de Aparecida, Papa Francisco visita, na tarde desta quarta-feira, 24, o Hospital São Francisco de Assis da Providência de Deus, para inaugurar um pavilhão dedicado ao atendimento de dependentes de drogas, que entra em funcionamento no final do mês, com 40 leitos. O número deve dobrar até o fim do ano. Um ganho importante para a cidade do Rio de Janeiro, onde vivem mais de 600 mil dependentes químicos e apenas 20 leitos disponíveis para atendimento . O Brasil tem dois milhões de dependentes químicos, sendo 50% na região Sudeste (600 mil no Rio de Janeiro).

A passagem do Papa Francisco pelo Brasil é marcada pela atenção aos mais carentes, visto que ele também irá encontrar jovens detentos ao longo da semana. A inauguração do novo pavilhão do hospital é um dos legados sociais que a Jornada Mundial da Juventude. A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro está criando um rede de atendimento aos dependentes, reforçando a promoção de resultados efetivos para o tratamento e a inserção do social.

O trabalho no hospital estará preocupado não apenas com a atenção médica, mas buscará um tratamento completo, integrando os aspectos transcendente e religioso. Segundo o diretor executivo do hospital, Italo Marsili, apenas 12% dos pacientes atendidos em hospitais têm sucesso no tratamento. Enquanto isso, o sucesso dos que recebem atendimento em instituições médicas religiosas chega a 60%. Os programas de assistência social reconhecem que as primeiras instituções de assistência social no Brasil foram da Igreja.

O objetivo é que o hospital se torne um centro de capacitação de profissionais sobre diferentes drogas e o seus efeitos, especialmente naqueles que se encontram em situação de risco social. Os gestores do hospital, que pertence à Associação e Fraternidade São Francisco de Assis da Providência de Deus, contam com a colaboração tanto de autoridades quanto da sociedade civil para que a instituição possa garantir o serviço gratuito aos pacientes.

 

Dados do Hospital:

42.278m² de área construída

8 prédios

648 leitos para internação

9 leitos de emergência

323 leitos de enfermaria

61 leitos de terapia intensiva

11 centros cirúrgicos

32 consultórios

22 especialidades médicas

350 médicos

463 enfermeiros

Emergência 24 horas

Atuação da Igreja Católica na área da saúde no mundo

A Igreja Católica tem uma atuação de asssitência social e de saúde forte em todo o mundo. Ao todo são5.305 hospitais (1.694 nos Estados Unidos e 1.150 na África); 18.179 associações de distribuição de remédios gratuitos (5.762 na América, 5.312 na África e 3.884 na Ásia; 547 leprosários, principalmente na Ásia (285) e África (198); 17.223 asilos e centros de atendimento a pessoas com deficiência (8.021 na Europa e 5.650 na  América); 9.882 orfanatos (um terço deles na Ásia, 3.606; 11.379 creches; 15.327 centros de aconselhamento matrimonial; 34.331 centros de educação e outras 9.391 instituições assistenciais (a maior parte na América, 3.564, e na Europa, 3.159).

 

Programação:

A previsão é que o Papa chegue ao hospital São Francisco de Assis da Providência de Deus (VOT), no Rio de Janeiro, às 18h30. Ele será recebido pelo Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, o secretário estadual de Saúde, Sérgio Luiz Côrtes da Silveira, o diretor da Associação e Fraternidade São Franciosco de Assis da Providência de Deus, Frei Francisco Belotti, e o diretor executivo do hospital, Italo Marsili.

Assim que chegar, o Papa se dirige à capela para uma oração de 10 minutos. O Santo Padre também deixará um presente: uma coleção de objetos litúrgicos artesanais feitos em Deruta (Itália): cálices e galheteiros. Na sequência, acompanhado pelo o Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, o diretor Associação e Fraternidade São Francisco de Assis da Providência de Deus, Frei Francisco Belotti, o coordenador deste projeto, Cônego Manuel de Oliveira Managão, Papa Francisco faz um pronunciamento, inaugurando oficialmente o pavilhão.

O púlpito e a cadeira utilizados por Papa Francisco foram construídos por pacientes do próprio hospital. Além de 20 pacientes, participam da cerimônia 300 atendidos em programas de recuperação da Associação São Francisco. Durante o ato, o Papa fará a benção da placa comemorativa do novo pavilhão do Polo Integrado de Saúde Mental para a recuperação de jovens dependentes, financiado pela Conferência Episcopal Italiana, com dois milhões de reais.

A Associação e Fraternidade São Francisco de Assis da Providência de Deus pertence à Ordem Terceira Franciscana e atende população carente, segundo a orientação franciscana. Fundada em 1985, a Associação coordena centros de recuperação a atendimento médico e faz parte de uma rede de instituições dedicadas a este fim.

Fonte: Imprensa da JMJ. Rio, 24 de julho-2014.

terça-feira, 23 de julho de 2013

JMJ- Rio2013 já começou! Cristo conta com cada um de vocês.

A missa de abertura da Jornada Mundial da Juventude foi um convite para que o jovem entregue sua vida a Cristo e seja o protagonista de um novo mundo.
A mensagem do Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, aos milhares de jovens de todo o mundo reunidos sob a chuva e o vento na praia de Copacabana, foi um convite. Os jovens que o cercavam na tradicional missa de abertura da Jornada Mundial da Juventude foram convidados a se comprometerem com um novo mundo, a contagiarem todos com alegria e a serem protagonistas, como sentinelas da manhã, de um novo amanhecer de esperança. "Vamos construir pontes em vez de muros", afirmou em sua homilia.
Desde as primeiras horas da manhã, os jovens chegavam à praia de Copacabana. Às 15h, tiveram início as apresentações de artistas nacionais e internacionais, que transformaram a tarde chuvosa em um momento de fraternidade. A chegada da Cruz Peregrina e do Ícone de Nossa Senhora, símbolos da JMJ, marcou o início do momento de oração, que culminou com a celebração eucarística, presidida por Dom Orani. Para o Arcebispo, é hora de despertar a confiança e a esperança para que elas sejam as molas propulsoras de um “amanhã de luz”. A mensagem aos jovens é da esperança que vem da fé em Cristo, o melhor presente para dar aos outros.
O arcebispo brasileiro traçou um verdadeiro programa missionário para os jovens.  "Somos chamados a viver profundamente a fé neste tempo plural e tantos questionamentos, nesta mudança de época, mas com o entusiasmo e a coerência daqueles que são guiados pelo Espírito Santo". Para ele, isso é para "mostrar o rosto do jovem cristão que procura unir o testemunho de uma vida autenticamente cristã com as consequências sociais do Evangelho" e, principalmente, para promover a "revolução do amor". Os jovens são chamados a viver a construção de um mundo de irmãos. "Nós queremos que todos e cada um se sintam acolhidos nos abraço de Cristo, que nos chama a todos para estarem com ele na construção do Reino de Deus. Vamos juntos?”.
Em resumo, para o Arcebispo, significa que "outro mundo é possível". Os jovens do Rio são “o presente esperançoso de uma sociedade que espera que sua crise de valores tenha uma solução”. Eles são a nova geração que vive a fé e que é chamada para transmiti-la às gerações subsequentes.
Ao final da missa, Cardeal Stanislaw Rylko, presidente do Pontifício Conselho para Leigos, órgão responsável pela organização da JMJ, convidou os jovens a deixarem-se abraçar pelo Cristo Redentor, que abençoa a cidade, e é "o verdadeiro protagonista do evento”. O Cardeal fez um pedido aos jovens: "confie a ele todos os vossos projetos para o futuro, as vossas alegrias mais profundas e as decisões mais difíceis que precisarem tomar, vossos medos e inquietações que habitam vossos jovens corações”. Para Rylko, a confiança em Cristo não deve fazer com que nos fechemos em nós mesmos, com nossas próprias certezas e comodidades, mas “Cristo nos chama a sair de nós mesmos e derrubar os muros do nosso egoísmo, para ir com coragem às “periferias” geográficas e existenciais do mundo, levando Cristo e seu Evangelho”.
A cerimônia de abertura da Jornada Mundial da Juventude também marcou o lançamento do selo comemorativo da visita do Papa Francisco ao Brasil, pelo presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira. Um álbum com o selo foi dado ao Secretário de Estado  do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, como presente.
Após a celebração eucarística, o dia terminou com apresentações musicais de Migueli, Rex Band, Eros Biondini, Francisco Avello e Celina Borges. A Banda Missionário Shalom, os cantores Suely Façanha, Davidson Silva, Cristiano Pinheiro, Ana Gabriela, Alfareros, Rodrigo Ferreira (Missão Louvor e Glória), Migueli, Rex Band e a Orquestra Sinfônica de Barra Mansa completaram a atração musical da cerimônia, realizada em um palco projeto pelo arquiteto Abel Gomes. Uma grande cruz dominava o cenário, inspirado nas montanhas da cidade.

JORNADA MUNDIAL/RJ: Feira da fé.

JORNADA MUNDIAL/RJ: Vem, vem Francisco vem!

JORNADA MUNDIAL/RJ: O Papa Francisco e multidão.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

JORNADA MUNDIAL/RJ: O Papa chega ao Rio.

Discurso do Santo Padre em Guanabara - Cerimónia de boas-vindas

Rio de Janeiro – 22 de julho-2013.

SALA DE IMPRENSA DA SANTA SÉ

 Cerimônia de boas-vindas

Texto original

Senhora Presidenta,

Ilustres Autoridades,

Irmãos e amigos!

 
Quis Deus na sua amorosa providência que a primeira viagem internacional do meu Pontificado me consentisse voltar à amada América Latina, precisamente ao Brasil, nação que se gloria de seus sólidos laços com a Sé Apostólica e dos profundos sentimentos de fé e amizade que sempre a uniram de modo singular ao Sucessor de Pedro. Dou graças a Deus pela sua benignidade.

Aprendi que para ter acesso ao Povo Brasileiro, é preciso ingressar pelo portal do seu imenso coração; por isso permitam-me que nesta hora eu possa bater delicadamente a esta porta. Peço licença para entrar e transcorrer esta semana com vocês. Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Venho em seu Nome, para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração; e desejo que chegue a todos e a cada um a minha saudação: “A paz de Cristo esteja com vocês!”

Saúdo com deferência a Senhora Presidenta e os ilustres membros do seu Governo. Obrigado pelo seu generoso acolhimento e por suas palavras que externaram a alegria dos brasileiros pela minha presença em sua Pátria. Cumprimento também o Senhor Governador deste Estado, que amavelmente nos recebe na Sede do Governo, e o Senhor Prefeito do Rio de Janeiro, bem como os Membros do Corpo Diplomático acreditado junto ao Governo Brasileiro, as demais Autoridades presentes e todos quantos se prodigalizaram para tornar realidade esta minha visita.

Quero dirigir uma palavra de afeto aos meus irmãos no Episcopado, sobre quem pousa a tarefa de guiar o Rebanho de Deus neste imenso País, e às suas amadas Igrejas Particulares. Esta minha visita outra coisa não quer senão continuar a missão pastoral própria do Bispo de Roma de confirmar os seus irmãos na Fé em Cristo, de animá-los a testemunhar as razões da Esperança que d’Ele vem e de incentivá-los a oferecer a todos as inesgotáveis riquezas do seu Amor.

O motivo principal da minha presença no Brasil, como é sabido, transcende as suas fronteiras. Vim para a Jornada Mundial da Juventude. Vim para encontrar os jovens que vieram de todo o mundo, atraídos pelos braços abertos do Cristo Redentor. Eles querem agasalhar-se no seu abraço para, junto de seu Coração, ouvir de novo o seu potente e claro chamado: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações».

Estes jovens provêm dos diversos continentes, falam línguas diferentes, são portadores de variegadas culturas e, todavia, em Cristo encontram as respostas para suas mais altas e comuns aspirações e podem saciar a fome de verdade límpida e de amor autêntico que os irmanem para além de toda diversidade.

Cristo abre espaço para eles, pois sabe que energia alguma pode ser mais potente que aquela que se desprende do coração dos jovens quando conquistados pela experiência da sua amizade. Cristo “bota fé” nos jovens e confia-lhes o futuro de sua própria causa: “Ide, fazei discípulos”. Ide para além das fronteiras do que é humanamente possível e criem um mundo de irmãos. Também os jovens “botam fé” em Cristo. Eles não têm medo de arriscar a única vida que possuem porque sabem que não serão desiludidos.

Ao iniciar esta minha visita ao Brasil tem consciência de que, ao dirigir-me aos jovens, falarei às suas famílias, às suas comunidades eclesiais e nacionais de origem, às sociedades nas quais estão inseridos, aos homens e às mulheres dos quais, em grande medida, depende o futuro destas novas gerações.

Os pais usam dizer por aqui: “os filhos são a menina dos nossos olhos”. Que bela expressão da sabedoria brasileira que aplica aos jovens a imagem da pupila dos olhos, janela pela qual entra a luz regalando-nos o milagre da visão! O que  vai ser de nós, se não tomarmos conta dos nossos olhos? Como haveremos de seguir em frente? O meu auspício é que, nesta semana, cada um de nós se deixe interpelar por esta desafiadora pergunta.

A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo e, por isso, nos impõe grandes desafios. A nossa geração se demonstrará à altura da promessa contida em cada jovem quando souber abrir-lhe espaço; tutelar as condições materiais e imateriais para o seu pleno desenvolvimento; oferecer a ele fundamentos sólidos, sobre os quais construir a vida; garantir-lhe segurança e educação para que se torne aquilo que ele pode ser; transmitir-lhe valores duradouros pelos quais a vida mereça ser vivida, assegurar-lhe um horizonte transcendente que responda à sede de felicidade autêntica, suscitando nele

a criatividade do bem; entregar-lhe a herança de um mundo que corresponda à medida da vida humana; despertar nele as melhores potencialidades para que seja sujeito do próprio amanhã e corresponsável do destino de todos.

Concluindo, peço a todos a delicadeza da atenção e, se possível, a necessária empatia para estabelecer um diálogo de amigos. Nesta hora, os braços do Papa se alargam para abraçar a inteira nação brasileira, na sua complexa riqueza humana, cultural e religiosa. Desde a Amazônia até os pampas, dos sertões até o Pantanal, dos vilarejos até as metrópoles, ninguém se sinta excluído do afeto do Papa. Depois de amanhã, se Deus quiser, tenho em mente recordar-lhes todos a Nossa Senhora Aparecida, invocando sua proteção materna sobre seus lares e famílias. Desde já a todos abençoo. Obrigado pelo acolhimento!