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sexta-feira, 28 de março de 2014
ORDEM TERCEIRA: Assembleia Capitular-02
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ORDEM TERCEIRA: Assembleia Capitular-01
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quinta-feira, 27 de março de 2014
A PALAVRA... Nº 555. Assembleia da Ordem Terceira.
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quarta-feira, 26 de março de 2014
A PALAVRA... Nº 554. Assembleia em Aparecida.
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terça-feira, 25 de março de 2014
Papa faz reflexão sobre encontro de Jesus com a Samaritana
Mais
de 40 mil fiéis acompanharam a oração mariana do Angelus, na Praça de São
Pedro, no Vaticano, no domingo, 23. O papa Francisco trouxe como tema de
reflexão a passagem do Evangelho que retrata o encontro de Jesus com a
Samaritana junto ao poço em Sicar.
Francisco
observou que o pedido de Jesus à Samaritana – “Dá-me de beber“ - supera todas
as barreiras de hostilidade entre judeus e samaritanos e rompe os esquemas de
preconceito em relação às mulheres.
“O
simples pedido de Jesus é o início de um diálogo sincero, mediante o qual Ele,
com grande delicadeza, entra no mundo interior de uma pessoa à qual, segundo os
esquemas sociais, não deveria nem mesmo dirigir uma palavra. Jesus se coloca no
lugar dela, não a julgando, mas fazendo
sentir-se considerada, reconhecida, e suscitando assim nela o desejo de ir além
da rotina cotidiana”, disse.
O
papa explicou que ao pedir água à Samaritana, Jesus queria “abrir-lhe o
coração”, “colocar em evidência a sede que havia nela”. “A sede de Jesus não
era tanto de água, mas de encontrar uma alma sequiosa”, afirmou o papa.
A
passagem do Evangelho conta que os discípulos ficaram maravilhados com o
Mestre, pois tinha falado com aquela mulher. Mas, “o Senhor é maior do que os
preconceitos. E isto devemos aprender bem” – exortou Francisco -, pois a
misericórdia é maior do que os preconceitos”. Segundo o papa, o resultado do
encontro junto ao poço foi o de uma mulher transformada.
“Deixou
o seu jarro com o qual ia buscar água e correu à cidade para contar a sua
experiência extraordinária. ‘Encontrei um homem que me disse todas as coisas
que eu fiz. Era o Messias? Estava entusiasmada. Foi buscar água no poço e
encontrou uma outra água, a água viva da misericórdia que jorra para a vida
eterna. Encontrou a água que sempre procurou! Corre ao vilarejo, aquele
vilarejo que a julgava, a condenava e a rejeitava, e anuncia que encontrou o
Messias: alguém que mudou a sua vida. Pois cada encontro com Jesus nos muda a
vida, sempre. É um passo em frente, um passo mais próximo a Deus”, acrescentou.
“Encontramos
também nós o estímulo para ‘deixar o nosso jarro’, símbolo de tudo aquilo que
aparentemente é importante, mas que perde valor diante do ‘amor de Deus’, e
todos temos um, ou mais de um jarro", ressaltou Francisco.
“Eu
pergunto a vocês e também a mim: ‘Qual é o teu jarro interior, aquele que te
pesa, aquele que te afasta de Deus? Deixemo-lo um pouco de lado e com o coração
escutemos a voz de Jesus que nos oferece uma outra água, uma outra água que nos
aproxima do Senhor”, disse.
De
acordo com Francisco, todos são chamados a redescobrir a importância e o
sentido da vida cristã, iniciada no Batismo, e a testemunhar como a Samaritana,
"a alegria do encontro com Jesus e as maravilhas que o seu amor
realiza".
Ao
final do Angelus, o papa Francisco recordou o Dia Mundial da Tuberculose
celebrado nesta segunda-feira, 24, e pediu orações por todas as pessoas
atingidas pela doença e por todos que de alguma maneira se ocupam delas.
Fonte: www.cnbb.org.br
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segunda-feira, 24 de março de 2014
Oscar Romero, modelo profeta para hoje
Oscar Romero, modelo profeta para hoje
Dom Gregorio Rosa, amigo e colaborador
do arcebispo salvadorenho, veio a Portugal, a convite dos Missionários da
Consolata, para falar sobre pensamento e espiritualidade do homem de Igreja
assassinado há 33 anos
OC/Agência ECCLESIAAgência ECCLESIA – Como conheceu D. Oscar Romero?
D. Gregorio Rosa –Ele era um
sacerdote, quando eu o conheci – ele tinha 40 anos e eu tinha 15 anos, quando
começava os meus estudos no seminário menor. Depois trabalhei com ele um ano
inteiro no seminário menor de San Miguel, como seu assistente, em 1968, e
tornamo-nos amigos.
No seu diário, o meu nome aparece
muitas vezes, porque éramos muito próximos. Aparece sobretudo quando Romero
era arcebispo e tinha de preparar relatórios para Roma, a fim de explicar-se
e defender-se de ataques injustos que chegavam contra ele. Isso aparece no
diário, era uma experiência de amizade muito profunda e uma graça para mim,
muito especial.
AE – O percurso de
vida de D. Oscar Romero ficou marcado por incompreensões, dúvidas. Pensa que
ainda hoje há gente na Igreja e não só que não entendeu esta figura?
GR – Eu também sou
jornalista e preparei com ele muitas vezes um programa de rádio, de 30
minutos, que era transmitido todas as semanas. Fazia questões muito
provocadoras a Romero e uma vez perguntei-lhe: você transformou-se,
monsenhor? Ele respondeu-me que não diria que era uma transformação, mas uma
evolução.
Esta mesma ideia aparece num
documentário da televisão suíça em 1979, um ano antes de morrer.
Perguntam-lhe a mesma coisa e ele diz com mais pormenor como, quando era
bispo no interior do país (Tambeae, ndr), via as coisas de
uma forma e quando chegou a arcebispo e está na capital, descobre de forma
brutal o que é a violência estrutural, o que chama de injustiça
institucionalizada. E descobre que tem uma vocação, a de acompanhar o povo que
está esmagado pela violência, pela repressão, pelos esquadrões da morte, e
ser voz dos que não têm voz.
Romero vai evoluindo para uma missão
profética – os profetas nunca são compreendidos -, ele nas suas homilias fala
muito do tema do profeta e compara a missão de Jesus com a missão dos
profetas. Ele foi um profeta e por isso foi incompreendido, perseguido, foi
assassinado: é muito fácil perceber, a partir daí, o que foi a missão de
Romero, o que foi a sua opção, a sua vida, também o seu martírio, um profeta
fiel à sua missão, porque foi acima de tudo um discípulo de Jesus Cristo.
AE – Esse martírio
aconteceu já há 33. Porque há tantas dificuldades no processo de beatificação
de D. Oscar Romero?
GR – Essa pergunta
aparece permanentemente e vou aprendendo a responder com elementos novos.
Quero fazer uma breve história deste facto: Romero foi incompreendido em
primeiro lugar pelos seus próprios irmãos bispos – quando era arcebispo, eram
seis bispos no país (El Salvador, ndr), quatro contra
dois, tinha apenas um bispo a seu favor (05h00), que foi depois seu sucessor
em San Salvador (D. Arturo Rivera Damas), quando havia
votações, perdia sempre. Este é um ponto importante.
Ele disse uma vez, falando com jovens
de um colégio católico: “Para uns sou a causa de todos os males do país, para
outros sou o pastor que acompanha o povo”. Portanto, há duas visões sobre
Romero, o homem recusado e o homem amado como pastor.
Depois, há um segundo momento: Romero
é assassinado por um grupo preparado por um militar (Roberto D'Aubuisson) que fundou um partido político (ARENA), e esse partido chegou ao Governo, governando durante 20 anos. Nunca
nesses 20 ano se interessou por Romero, pelo contrário, interessou-se em ir
contra ele, já que tinha morrido por causa deles. Por isso, Roma nunca teve
um sinal positivo sobre a canonização por parte do Governo, porque Romero era
um inimigo.
Há quatro anos, temos um primeiro
Governo de esquerda, que levou Romero a sério. O presidente (Mauricio) Funes, no dia da sua proclamação, disse: Romero é a minha
inspiração, o meu modelo, e quero como ele optar pelos pobres e seguir os
seus ensinamentos. Assim, Roma começa a ouvir algo diferente, nos últimos
anos.
Um terceiro elemento é que Romero é
um Santo incómodo, os profetas são incómodos. Não é Madre Teresa de Calcutá,
é outra coisa, por isso é um profeta que, como Jeremias, é incómodo e querem
acabar com ele. Estes santos desinstalam-nos, tiram-nos do sítio, obrigam-nos
a rever a nossa vida medíocre.
Isso também foi um fator contra
Romero, mas ao mesmo tempo há uma corrente cada vez maior em seu favor e os
Papas foram entendendo isto. O Papa João Paulo II entendeu Romero a partir do
ano de 1983, quando visitou o seu túmulo pela primeira vez, e acabou por
compreendê-lo bem a partir dos anos 2000 e 2001, quando disse que era um
mártir da Igreja.
Tenho os testemunhos diretos dessa
visão do Papa: não foi fácil para o Papa João Paulo II entender como é que um
bispo é morto por cristãos, como eram os comunistas de El Salvador – que não
eram como os da Polónia ou da Europa de Leste -, era outra coisa. Finalmente
foi-o compreendendo, era outra visão do que era a esquerda, é um problema
complexo que se foi esclarecendo, pouco a pouco.
AE – Essa visita de
João Paulo II ao túmulo de D. Oscar Romero, em 1983, foi um momento de
tensão…
GR – O que é
surpreendente é o que conta o seu secretário pessoal, Dom Estanislau
(Dziwisz), agora arcebispo de Cracóvia, num livro que se intitula ‘Uma vida
com Karol’. Há um capítulo dedicado ao martírio, no qual fala de apenas um
mártir, Romero, e relata dois factos relacionados com o Papa João Paulo II,
que é importante partilhar com quem está a ver este programa.
O primeiro é do ano 1983: conta ele
que antes da visita a El Salvador, disseram ao Papa que não convinha que
visitasse o túmulo de Romero, porque esse era um tema muito politizado, e o
Papa respondeu: Como não o vou visitar, se morreu no altar, durante a
Eucaristia?
Houve pressões no país para que não
fosse ao túmulo de Romero e quero contar uma história: para preparar essa
visita, houve uma comissão mista, Governo-Igreja, para tratar da segurança,
do protocolo, etc., e eu fui um dos encarregados. Estávamos reunidos quando
chegou uma nota da Nunciatura que dizia que o Papa gostaria de visitar o
túmulo. Diziam que não era adequado, que era perigoso, que não havia
condições, que não o devia visitar.
Numa segunda reunião, chegou outra
nota da Nunciatura onde se dizia que o Papa visitará o túmulo. Visitará.
Então, negociamos com o Governo que a visita não seria publicada no programa,
que seria privada e confidencial, digamos. A 6 de março de 1983, quando chega
o dia da visita do Papa, prevista para depois do almoço, o cardeal Tucci
disse-me de manhã: “Vamos já para a Catedral”. João Paulo II chegou ao túmulo
quando não estava ninguém à sua espera.
Outro facto aconteceu no ano 2000,
com o Jubileu dos Mártires, a 7 de maio, no Coliseu. Na quarta-feira
anterior, anunciou-se na sala de imprensa da Santa Sé como seria a cerimónia,
uma grande paraliturgia, e falou-se de cada continente, quem ia ser evocado
como mártir. Na América Latina, são mencionados três nomes de bispos, mas não
apareceu o de Romero, e os jornalistas perguntaram porque é que não estava.
Houve uma reação em Roma, muito forte, de protesto.
Dois dias depois, o Papa convidou
vários cardeais, para jantar, entre eles o cardeal Kasper, que também me
contou o que vem no livro: João Paulo II pediu o livro que ia ser usado na
cerimónia dos mártires, procurou a página da América Latina e a oração
conclusiva dessa secção, onde escreveu “bispos como o inesquecível monsenhor
Romero, que entregou a sua vida no altar”. E teve de se fazer um novo
folheto.
Nós temos os dois folhetos, o que se
ia utilizar, sem referência a Romero, e o que se usou, mencionando-o. Foi o
único nome evocado.
Há um último dado, de que sou
testemunha pessoal, no ano 2001, mês de novembro. Temos visita ‘ad Limina’
com João Paulo II, a última que lhe fizemos, e no momento pessoal com o Papa,
o arcebispo (Fernando Sáenz Lacalle) chega e eu vou com ele. O Papa está
muito cansado, muito doente, não reage ao que diz o arcebispo, mas de repente
levanta a cabeça e pergunta: E Monsenhor Romero?
O arcebispo responde: Estamos a falar
sobre a devoção, não sabemos se há algum milagre por sua intercessão…
O Papa pôs-se de pé, pega na bengala
e diz: É um martírio. E vai-se embora.
São dados do pontificado de João
Paulo II que indicam que ele foi compreendendo e chegou à convicção de que
Romero é um mártir. São dados interessantes, totalmente comprovados, que
indicam uma evolução no Papa: ele entendeu o que se passou com Romero e
chegou à conclusão de que é um mártir da Igreja.
Agência ECCLESIA
–Que atualidade tem este arcebispo assassinado no altar para uma jovem
geração que nunca teve contacto com ele?
GR – Vou responder com uma história do ano 2000. Nesse ano, no 20.º
aniversário (da morte) de Romero, houve uma grande marcha nas ruas de San
Salvador, com archotes. Havia bispos italianos na marcha e eu estava a
celebrar em Roma. Quando eles voltaram, emocionados, os bispos vinham
surpreendidos porque os jovens gritavam na marcha “Sente-se, sente-se, Romero
está presente”.
Os jovens de hoje estão a conhecer
Romero e entusiasmam-se com ele, porque veem um homem coerente com as suas
convicções, um homem que é fiel ao ser humano e defende os Direitos Humanos,
que é fiel a Jesus Cristo, que é fiel à Igreja e dá a vida por esses ideais.
Os jovens precisam de algo que dê
sentido à sua vida e veem em Romero um discípulo de Jesus Cristo que é
coerente com o que diz, com o que faz, e as pessoas precisam de modelos
assim. Hoje vivemos num mundo que não tem modelos, não tem líderes. Romero é
um líder, um modelo para os jovens de hoje, para as pessoas, e por isso é um
santo muito atual.
É espantoso que mesmo no mundo dos
não crentes, Romero seja uma inspiração, pelo que estamos em muito boa
companhia e com o Papa Francisco temos, penso, o melhor momento para que o
processo de canonização possa avançar até ao final.
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34 Anos do Martírio de Dom Oscar Romero,
A PALAVRA DO FREI PETRNÔNIO,
Dom Gregorio Rosa,
Dom Oscar Romero,
San Salvador
34 ANOS DEPOIS: (24/03/1980- 24/03/2014: Dom Oscar Romero ajudou a fortalecer o compromisso com os mais pobres.
Ao
passar sua mensagem de paz e justiça ao povo salvadorenho, Dom Romero nos
deixou um legado importante de amor e luta. Um exemplo desse legado foi vivido
por Anne Marie Crosville. A francesa conheceu Dom Romero numa favela no México
e, neste momento, recebeu um convite para lutar junto com os salvadorenhos e
levar a mensagem de que este povo lutava por paz e justiça à Europa. Anne Marie
conta essa história e tudo o que aprendeu com Dom Romero nesta entrevista que
concedeu por telefone à IHU On-Line. “O exemplo de Dom Oscar Romero me ajudou a
melhorar e fortalecer meu compromisso ao lado dos mais pobres”, disse ela.
Anne
Marie Crosville nasceu na França e é pedagoga. Ela já viveu em vários países do
mundo. Hoje, mora em Cachoeirinha, região metropolitana de Porto Alegre, onde
está à frente do Centro Infanto-Juvenil Luiz Itamar desde 1988.
Confira a entrevista.
A senhora trabalhou com Dom Romero,
certo? Pode nos contar um pouco sobre como era ele?
Anne Marie – Eu conheci Dom Romero quando estava no México
trabalhando numa favela com crianças e adolescentes de rua. Ele chegou a nosso
bairro para visitar as famílias salvadorenhas que fugiam da guerra e da
violência. Tinha sempre a preocupação de visitar seu povo e defender a vida
deles contra a ditadura. Então, tive a oportunidade de conhecê-lo. Passei uma
semana com ele em torno do bairro, mas não cheguei a trabalhar diretamente. Dom
Romero me fez um convite para me solidarizar com o povo salvadorenho e poder
ser sua mensageira quando voltasse para a Europa. Eu deveria dizer que o povo
salvadorenho lutaria por justiça, dignidade e se voltaria contra a ditadura.
Ele me fez esse convite para ser testemunha da luta do povo salvadorenho. O
pedido mexeu muito comigo e, num primeiro momento, falei que não tinha vocação,
que era um compromisso muito grande. Ele me disse, com sua voz muito terna e
firme: “O convite está feito, mas você tem que pensar, pois precisamos de
estrangeiros que apoiem essa luta tão sofrida”. Em setembro de 1979, ele me fez
o convite e, em 24 de março de 1980, foi assassinado, o que foi muito forte
para mim. Fui para El salvador depois e senti que era um chamado fazer essa
experiência e apoiar o povo salvadorenho. Em 1983, entrei na zona de guerra e
fiz um trabalho de alfabetização. O exemplo de Dom Oscar Romero me ajudou a
melhorar e fortalecer meu compromisso ao lado dos mais pobres. Ele sempre
estava lá pela Igreja e dizia que um Bispo não estava a serviço do poder, mas
sim a serviço da vida.
Quais foram às circunstâncias do
martírio de Dom Romero?
Anne Marie – Ele foi ameaçado várias vezes de morte porque defendia sempre o povo. Falava na rádio todos os domingos, tratando da paz com justiça e dignidade, não como uma paz dos cemitérios. Na última homilia, falava para os soldados do exército que não podia continuar obedecendo à lei dos militares e dos comandantes, que tinham uma lei que matava os próprios irmãos, uma vez que os soldados eram originários do campo. Aos soldados, quando viviam no campo, diziam que iam ganhar muito dinheiro se aceitassem participar do exército militar. Ele falou para os soldados: “Vocês estão matando seus próprios irmãos. A lei de Deus é a lei da Fraternidade e da Justiça". Então você não pode obedecer a lei da morte. Assim, ele pediu para os soldados desobedecerem. Essas foram suas últimas palavras no rádio. No dia seguinte, ele celebrou uma missa num hospital onde morava. Romero tinha um quarto nesse hospital e durante a consagração o mataram a tiros. Ofereceu seu sangue, que se misturou ao sangue de Jesus. Até hoje, aqueles que o mataram estão soltos. Foi um choque muito grande para o povo, para os mais pobres, porque ele era a voz da justiça e do amor. No enterro dele, houve outro massacre, pois havia muitas pessoas presentes e cerca de 400 delas foram assassinadas. Isso porque havia franco-atiradores da oligarquia em cima dos telhados, matando aqueles que queriam homenagear Dom Romero.
Anne Marie – Ele foi ameaçado várias vezes de morte porque defendia sempre o povo. Falava na rádio todos os domingos, tratando da paz com justiça e dignidade, não como uma paz dos cemitérios. Na última homilia, falava para os soldados do exército que não podia continuar obedecendo à lei dos militares e dos comandantes, que tinham uma lei que matava os próprios irmãos, uma vez que os soldados eram originários do campo. Aos soldados, quando viviam no campo, diziam que iam ganhar muito dinheiro se aceitassem participar do exército militar. Ele falou para os soldados: “Vocês estão matando seus próprios irmãos. A lei de Deus é a lei da Fraternidade e da Justiça". Então você não pode obedecer a lei da morte. Assim, ele pediu para os soldados desobedecerem. Essas foram suas últimas palavras no rádio. No dia seguinte, ele celebrou uma missa num hospital onde morava. Romero tinha um quarto nesse hospital e durante a consagração o mataram a tiros. Ofereceu seu sangue, que se misturou ao sangue de Jesus. Até hoje, aqueles que o mataram estão soltos. Foi um choque muito grande para o povo, para os mais pobres, porque ele era a voz da justiça e do amor. No enterro dele, houve outro massacre, pois havia muitas pessoas presentes e cerca de 400 delas foram assassinadas. Isso porque havia franco-atiradores da oligarquia em cima dos telhados, matando aqueles que queriam homenagear Dom Romero.
O contexto em que viveu Oscar Romero
é diferente do atual?
Anne Marie – O contexto em que ele viveu era de guerra civil. É
um país que viveu muitos terremotos e sua construção é muito difícil, mas a
esperança de agora é que o novo presidente, que ganhou a eleição recente, Mauricio
Funes, mude a realidade. Depois de tantos anos de luta, agora a esquerda
socialista ganhou a presidência. Eu tive de sair de lá em 1985, voltei dez anos
depois e percebi que o povo continuava lutando pela reconstrução do país. Temos
esperanças grandes no povo salvadorenho.
E, depois que Dom Romero morreu, que
caminho a senhora percorreu?
Anne Marie – Eu respondi ao convite que ele me fez uns meses antes. Senti o chamado. Me preparei para entrar na zona de guerra, entrei clandestinamente e fiz todo um trabalho de alfabetização dos combatentes. Eu não combatia com armas, mas sim para fazer acontecer a libertação através da educação. Acompanhei esse povo durante alguns anos. Para mim, foi a coisa mais forte da minha vida,pois acompanhei o povo de verdade,e o povo lutava para construir uma sociedade mais justa. Quando tínhamos de fugir dos militares que entravam nos acampamentos dos guerrilheiros, parecia que estávamos aminhando até a terra prometida. Foi muito forte isso em mim, marcou e renovou minha fé e meu compromisso ao lado dos pobres. Aprendi com os salvadorenhos que, a cada vez que caíam, não se falava de morte. Foi uma época muito intensa, mas tive de sair porque fui denunciada. Fui procurada, mas consegui sair e voltar para a França.
Anne Marie – Eu respondi ao convite que ele me fez uns meses antes. Senti o chamado. Me preparei para entrar na zona de guerra, entrei clandestinamente e fiz todo um trabalho de alfabetização dos combatentes. Eu não combatia com armas, mas sim para fazer acontecer a libertação através da educação. Acompanhei esse povo durante alguns anos. Para mim, foi a coisa mais forte da minha vida,pois acompanhei o povo de verdade,e o povo lutava para construir uma sociedade mais justa. Quando tínhamos de fugir dos militares que entravam nos acampamentos dos guerrilheiros, parecia que estávamos aminhando até a terra prometida. Foi muito forte isso em mim, marcou e renovou minha fé e meu compromisso ao lado dos pobres. Aprendi com os salvadorenhos que, a cada vez que caíam, não se falava de morte. Foi uma época muito intensa, mas tive de sair porque fui denunciada. Fui procurada, mas consegui sair e voltar para a França.
E por que a senhora veio para o
Brasil depois?
Anne Marie – Eu trabalho em Cachoeirinha, na Vila Anair, um
bairro bem pobre. Trabalho com crianças e adolescentes desfavorecidos. Vim para
o Brasil só porque conheci um brasileiro daqui de Cachoeirinha. Foi uma escolha
de amor. Ele era da fraternidade cristã de doentes e deficientes. Era uma
pessoa parecida, talvez, com Oscar Romero, pois defendia a vida a partir de
suas limitações, porque ele era tetraplégico. Ele teve esclerose e o conheci
nos últimos anos de sua vida. Era quase totalmente paralisado, mas tinha uma
força de vida, um sorriso... não sei, foi um amor bem bonito, intenso, mas
durou pouco. Romero morreu em 1989, e ficamos um ano construindo esse projeto
nessa vila onde estou. Ele deixou uma mensagem de lutar também por uma vida melhor.
E como à senhora vê a El Salvador de
hoje, que acaba de colocar na presidência do país a linha que tem em Dom Romero
o seu protagonista maior?
Anne Marie –Vejo o país com esperança, porque agora o
presidente é da esquerda, da linha de Oscar Romero, se é que podemos dizer
assim, pois ele não era de um partido, mas sim a favor da vida. Acho que essa
vitória é um misto de promessa de vida melhor e uma recompensa para tanta gente
que lutou. Eu tenho muita esperança apesar de ser cautelosa, pois não sei o que
irá acontecer. Tenho muita fé de que o povo poderá viver um pouco melhor.
Que legado Dom Romero deixou, em sua
opinião?
Anne Marie – Romero deixou bem claro que o compromisso nosso é
estar ao lado dos mais pobres e dos que sofrem injustiça. É ir na contramão do
poder dos ricos e dos conservadores. É amar com justiça e com dignidade,
respeitar a cultura do povo e acompanhá-lo na sua vida cotidiana, sem importa
uma doutrina. Ele deixou bem claro que quem não segue a vida com justiça não é
cristão.
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A PALAVRA... Nº 553. O nosso medo de cada dia.
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domingo, 23 de março de 2014
Ordenação Diaconal do Frei Jerry- 03
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Ordenação Diaconal do Frei Jerry-02.
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