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sábado, 1 de abril de 2017
AO VIVO: 1º DE ABRIL: Frei Petrônio.
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Artigos do Frei Petrônio de Miranda
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13:56
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A missa terminou. Então, depois de cinco séculos declina a figura do padre.
"O
declínio quantitativo das ordenações desenha, há dois séculos, uma curva
descendente diante da qual se fecham os olhos, especialmente aqueles que estão
sob uma mitra episcopal". O comentário é de Alberto Melloni, professor da Universidade
de Modena-Reggio Emilia e diretor da Fundação de Ciências Religiosas João
XXIII, em Bolonha, em artigo publicado por La Repubblica, 22-03-2017.
A tradução é de Ramiro Mincato.
Eis o artigo.
Alguns
grandes ciclos históricos terminaram com eventos estrondosos. Outros, ao
contrário, encerraram-se quase despercebidamente, embora não menos importantes
do que aqueles aos quais a ereção de um monumento ou uma linha de texto num
manual escolar concedem eterna glória. No silêncio exauriu-se um grande ciclo:
a do padre. Esta formidável invenção do século XVI, que moldou a cultura e
a política, a psicologia e a vida interior, a arte e a teologia do Ocidente e
das suas antigas colônias não desapareceu (são cerca de 420 mil padres no
mundo), mas, há mais de três séculos, está em crise: na Itália, em noventa
anos passamos de 15 mil para cerca de 2.700 seminaristas.
Claro que
fatores extrínsecos têm algum peso: amanhã a desgraça da pedofilia que
a lente da mídia faz parecer um crime específico dos padres; ontem, a preguiça
das autoridades em discutir o celibato eclesiástico; hoje, a simonia
soft que remunera presenteando dioceses - prêmios dados para quem
"fabrica" padres numerosos ou vistosos. Conta ainda nesta fase histórica
a reverberação sobre o clero da queda das qualidades intelectuais das classes
dirigentes às quais pertencem tanto aqueles que escolhem o sacerdócio como
aqueles que o conferem. A questão se encrava ainda mais profundamente na
história.
O padre que
conhecemos tem data precisa de nascimento: o Concílio de Trento, concluído em 1563. E o
enorme esforço com o qual tentou marcar uma cesura (contestada pelos
protestantes que, em vez, acusavam a Igreja Católica de continuidade
com o abuso) da reforma de Lutero. Tarde, mas com coragem,
o Concílio tentou inventar remédios desconhecidos: impôs, por exemplo, aos
bispos a residência na diocese, impedindo-os de assídua frequência à corte
papal. E inventou o padre: este, caçoado pela literatura e pelo cinema, o
homem feito sábio somente pelos insucessos, santificado pelo peso institucional
daquilo ao qual se doa.
O padre
que não tem filhos para criar, o padre formado com curso padrão, e muito longo,
o padre líder que leva os proletários a tornarem-se classe dirigente, o padre
que interpreta o "suprema lex salus animarum", que é a
misericórdia. Este "padre tridentino" parece atravessar o ponto de
viragem da modernidade sem danos: ao contrário, o nascimento das novas ordens e
das sociedades do clero do século XIX, o zelo em construir seminários grandes
como fábricas, parecem garantir que sua função permaneça intacta dentro da
mesma couraça institucional e teológica.
Mas, isso
não é verdade: a igreja que se encastela na defesa do seu próprio espaço cria
um funcionário cujo perfil interior desgasta-se pelo controle social. O
escrutínio da consciência de uma humanidade da qual não tem nenhuma experiência
enfraquece sua compaixão. Sua antiga ciência, em comparação à transmissão de
conhecimentos cada vez mais sofisticados, o faz um sub-educado. O zelo
eclesiástico em condenar tudo a que se pode colar o sufixo "ismo",
empobrece suas leituras e torna-o estranho aos “seus”, que se tornam, de
repente, "distantes". A perda do papel e a negligência afetiva o
expõe ao pior: da insípida exaltação do celibato que aprisiona a
sexualidade em busca de sublimação até atrair ao presbiterato pessoas não
resolvidas, ou mesmo doentes. Sua qualificação torna-se o nome de um vício
nunca combatido suficientemente: o clericalismo.
E na
recente história da Europa a profissão de padre é contratada, tais
como tarefas marginais, aos clérigos de importação, eleitos cuidadores de
comunidades abandonadas. Mesmo a discussão sobre as mulheres-padre (esquecendo-se
que o "sacerdócio" recebido no batismo as mulheres já o têm, o que
não é pouca coisa) mistura-se perigosamente a lógica toda machista que concede
ao outro gênero as tarefas tornadas obsoletas. O declínio quantitativo das
ordenações desenha, há dois séculos, uma curva descendente diante da qual se
fecham os olhos, especialmente aqueles que estão sob uma mitra episcopal. Não
seria, de fato, preciso e até mesmo urgente repensar o padre partindo
exatamente da eucaristia e da comunidade, e não de detalhes de vida ou de
gênero. Mas disso, no entanto, parece impossível falar, mesmo no último meio
século.
Não falou
o Vaticano II que se limitou em tentar
remover do padre aquele tom semimonástico que tinha. Não o papado,
que simplesmente confecciona uma poética do padre. Não falam os bispos que
empacotam as comunidades naquilo que na Itália se chamam de
"unidades pastorais", e condenam os padres a tornarem-se funcionários
esbaforidos, esmagados por uma poligamia comunitária onde ninguém os ama, e
eles são incapazes de amar, com risco de tornarem-se santos ou náufragos nas
rochas eróticas nem sempre cândidas.
Isso é
tão grave que nem mesmo o Papa Francisco fala. O próximo Sínodo,
na verdade, tem um tema genérico-geral como o do "jovem": como se até
mesmo o infatigável Papa reformador quisesse uma pausa às polêmicas. E se a
"próxima encíclica, como se diz, será sobre a religiosidade
"popular", terá também esta o mesmo limite.
Por outro
lado, a decisão mais importante do pontificado, contida na Evangelii Gaudium, ainda não foi recebida
pelos bispos: que as conferências episcopais têm "autêntica autoridade
doutrinal". Então, tocaria aos bispos, nas Conferências Episcopais,
levantar o tema sobre o qual se joga a vida de suas igrejas: mas a
"indolência prevalece, encorajada pela esperança de que amanhã a reforma
terá a mesma coragem daquela que "inventou o padre". Figura que,
enquanto evapora, acende as memórias e as lamentações de crentes, ex-crentes e
não-crentes. Fonte: www.ihu.unisinos.br
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
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05:51
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Crise de vocações,
declina a figura do padre,
Don Achille Lumetti,
Igrejas vazias,
O Padre,
Padres em crise,
secularização,
vocação em crise
Igrejas vazias e poucos sacerdotes. É a crise do modelo religioso italiano
"Pequenas
paróquias, padres em idade avançada, quase nenhuma ordenação de novos
sacerdotes. Decide-se pela fusão de paróquias com um único pároco e alguns
sacerdotes colaboradores. Mas não é possível apagar por decreto mais de mil
anos de história de tantas realidades e identidades paroquiais", foi o
desabafo de Don Achille Lumetti, pároco de Madonna di Sotto, perto de Módena,
alguns anos atrás. Estava indignado com as “integrações”, com as novas unidades
pastorais que os bispos em quase todo lugar estão criando para garantir uma
presença cristã nos pequenos vilarejos com mil (ou menos) habitantes, que
pontilham a Itália de norte a sul. Que esta não passe de uma
tentativa de estancar uma enchente com barragens de papel, só o tempo dirá. A
reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada por Il Foglio, 28-03-2017.
A tradução é de Luisa Rabolini.
Por
enquanto a vida segue, entre os projetos (muitos) e esperanças de que com o
passar dos anos alguma coisa mude, que talvez a secularização se reverta e, quem sabe, as arcas de
salvação da chamada Opção Bento, construídas no aguardo que a maré da
secularização passe (conforme o ensaio The Benedict Option, de Rod
Dreher que está sendo lançado nos Estados Unidos), possam retornar
aos portos e iniciar a ‘re-evangelização’ do ocidente. Também porque a
"secularização não é irreversível", explica para o Foglio o
Professor Massimo Borghesi, docente de Filosofia Moral na Universidade
de Perugia. "Todo o período que vai de 1989 a 2001 foi marcado pelo
triunfo da secularização que, aliás, já havia se afirmado nos anos 1970. O
Ocidente considerava como um dogma a irreversibilidade desse fenômeno e, ao
mesmo tempo, a restrição de cristianização a setores extremamente
específicos".
Então,
tudo mudou: "Com o 11 setembro de 2001, este regime entrou em
crise. A religião voltou à tona, tanto em sua versão positiva como no seu
aspecto mais aberrante, como o terrorismo religioso. Estamos
testemunhando desde então o retorno do momento religioso como um qualificante
da modernidade". Em suma, "a dimensão religiosa não estava morta:
estava simplesmente adormecida".
Nas vinte
e sete mil paróquias italianas, constatar esse renascimento é, muitas vezes,
uma tarefa árdua. Saindo do centro para as periferias (também geográficas),
sobre as quais tanto fala o Papa, notam-se os sinais de mudança, que é,
acima de tudo, cultural: à missa dos domingos, o número de pessoas presentes é cada vez menor, embora seja conveniente certa cautela antes de
generalizar algumas impressões. "Se realmente aconteceu, o grande
retrocesso foi nos anos 1970, não tem nada a ver com o Papa Francisco",
observa o sociólogo Massimo Introvigne, diretor do CESNUR (Centro
de Estudos sobre as Novas Religiões).
"Estritamente
falando, não sabemos se realmente diminuiu o número de pessoas, porque só temos
dados gerados pelo CATI (Computer Assisted Telephone Interviewing, ou
seja, entrevistas por telefone) que remontam a poucos anos atrás".
“Ao lado
de dados não confiáveis quanto à diminuição dos fiéis - pessoalmente acredito que os fiéis
foram realmente mais numerosos nas décadas de 1950 e 1960, mas precisamos ter
humildade metodológica para dizer que isso não passa de mera especulação,
enquanto também não acho que eles fossem definitivamente muito mais numerosos
dez anos atrás e, provavelmente, nem mesmo nas décadas de 1970 e 1980 – existe
uma informação absolutamente certa, ou seja, a diminuição das vocações"
continua Introvigne.
Levantamentos
estatísticos, portanto, que devem ser analisados com cautela. Também porque
"a questão de quantos realmente frequentam à igreja no domingo é, de
longe, a mais controversa no âmbito da pesquisa sociológica mundial. A
metodologia CATI - explica Introvigne - entrou em crise porque desapareceram as
listas telefônicas, poucos ainda têm telefone fixo e com os celulares tudo
ficou mais difícil. Mas, acima de tudo, entrou em crise porque alguns
estudiosos norte-americanos instilaram o germe de dúvida sobre o chamado over
reporting, ou seja, sobre o fato que muitos dos que dizem frequentar a missa
(ou ao culto protestante), na verdade, não o fazem. Percebeu-se assim que as CATI mensuram
aqueles que dizem que vão à missa e não aqueles que vão à missa: e estas são
coisas muito diferentes. O mesmo vale para os levantamentos do Istat (Instituto
Nacional de Estatística italiano), que chegam a detectar fantásticos trinta e
três por cento antes e trinta por cento hoje, dados que nenhum sociólogo
italiano considera reais”. Para investigar a crise da paróquia italiana é
preciso entender como ela se desenvolveu ao longo do tempo. "Assim como
hoje a conhecemos, é o produto de uma estratégia pastoral de concepção
sofisticada e de realização relativamente recente, como parte do processo de
modernização religiosa que tem seu principal protagonista em Pio XI",
já dizia há catorze anos o professor Luca Diotallevi,
também sociólogo e professor da Universidade Roma Tre, em um seminário
sobre o projeto cultural da CEI (Conferência Episcopal Italiana).
"A
paróquia proposta por esta estratégia é concebida como parte integrante de
outras iniciativas pastorais especializadas. Essa integração - continuava -
prevê um papel importante para as instituições pastorais por área e um papel
importante, mas não autônomo, para as outras iniciativas. Daí a imagem 'uma
primeira perna e muitas segundas pernas' (Cf. Diotallevi, primeira perna: a
estrutura institucional eclesiástica e segunda perna: os novos grupos e
movimentos em busca de novas religiosidades). A paróquia italiana do século XX
é tanto instituição do tipo "primeira perna", quanto articulação
institucional e organizada da integração existente entre a "primeira
perna' e as 'segundas pernas'".
Modelo
que entrou em crise, com a paróquia que "por um lado, já não tem mais a
capacidade de fomentar e administrar a religião dos grandes números, e pelo
outro lado, não é capaz de satisfazer a demanda de identidade de que precisam
as formas religiosas dos pequenos números". E isso "ficou claro desde
o início dos anos 1970" explicava Diotallevi, que nisso concorda com Introvigne.
A demanda, neste ponto, em virtude do contexto tão profundamente mudado é saber
se é preferível a situação de hoje, com poucos fiéis, mas bons, ou seja,
convictos do que é celebrado durante a missa - "o modelo ‘poucos, mas
bons’, no entanto, nunca foi opção da igreja, católica e por sua natureza
expansionista", conta Introvigne, que tem grandes ressalvas também
quanto à Opção Bento e a teoria das "minorias criativas"
oriunda de Ratzinger, a seu ver válida para algumas áreas da Europa
Ocidental, mas que não pode tornar-se um programa para toda a igreja - ou se
era preferível a situação anterior: igrejas lotadas, mas escassa sensibilidade
pelo Mistério.
“Potencialmente
era melhor então, no sentido de que antes da famosa revolução antropológica pasoliniana
existia um povo cristão", explica Borghesi. "Nos anos 1950,
ainda havia um ethos e uma sensibilidade permeados pela fé, mesmo
quando esta não era explicitamente professada. A sensibilidade moral era
definida e havia uma grande participação popular nos ritos da tradição
cristã". O "verdadeiro problema", acrescenta ele, "é que a
igreja não se mostrou à altura daquela participação. Frente a uma sociedade que
estava mudando no nível social e na mentalidade, com a introdução da televisão
e do modelo americano, a igreja limitou-se a uma mensagem de tipo moral e – eu
acrescentaria - a uma moral de tipo moralista. Omitindo-se de uma proposta
cristã que chegasse ao coração das pessoas e, acima de tudo, pudesse se
transformar na proposta de vida capaz de acompanhar os laicos no seu dia-a-dia,
não apenas nas manhãs de domingo".
Em suma,
este foi o limite: "Perdeu-se uma tradição popular e não se estive à
altura do momento histórico. Daí a mensagem do Papa Francisco, tão mal
compreendida, relativa às prioridades da anunciação sobre a doutrina moral". Existe ainda outro detalhe, falta
demonstrar que cinquenta anos atrás as Igrejas estavam mesmo lotadas. O famoso
sociólogo Rodney Stark, por exemplo, rejeita totalmente esta alegação. Da
mesma forma que manifesta grande perplexidade quanto à chamada Idade Média
cristã europeia, com catedrais apinhadas de fiéis e multidões em oração e
adoração. Stark dividiu a área do piso das igrejas medievais e o
suposto número de missas pela capacidade média dos recintos. O resultado é que
a afluência ficava entre um quarto e um terço. Praticamente igual aos números
atuais.
Precisa
ser feita uma distinção, argumenta Introvigne: "O copo está meio
vazio, se olharmos para a Polônia, onde a conferência episcopal local,
desde os tempos do comunismo, faz um inventário de todas as missas, os
hospitais, os movimentos e os santuários, enviando em todos os lugares
voluntários com máquinas calculadoras. E também realiza uma série de entrevistas
por telefone na mesma área. Os dados na Polônia documentam que
sessenta por cento das pessoas dizem que vão para a missa, mas, na realidade,
esse número não passa de quarenta por cento. São dados altíssimos". Mas o
copo também pode ser meio cheio. Basta se deslocar alguns milhares de
quilômetros para oeste: "Na França, as poucas contagens efetuadas nos
portões das igrejas apontam para cinco por cento de fiéis dominicais, e quinze
por cento na Espanha. A Itália, portanto, manteve-se melhor que os
outros grandes países do Mediterrâneo".
E assim,
os planos para a reestruturação do sistema paroquial italiano avançam um pouco
em toda parte. Em 2003, a CEI dedicou ao tema uma assembléia geral, e
depois novamente (em janeiro do ano seguinte) no Conselho Permanente. A crise
já estava evidente e esforços para repropor a centralidade desse modelo
encontraram obstáculos só superáveis a expensas de grande esforço e desgastes
de energia. Já na época Diotallevi dizia que "a escolha dos
bispos italianos de focar na paróquia, no padre diocesano e na Ação Católica
pode ter chegado tarde". Talvez "não demasiado tarde", mas,
certamente, o quadro já mostrava um evidente desgaste. "Deslegitimar a
paróquia é equivalente a deslegitimar a mais difundida - se não a única -
instituição religiosa na Itália, que está sob a forma 'de igreja'",
acrescentava.
Passada
pouco mais que uma década, o discurso está superado; não se trata mais de
reavivar a paróquia, mas de convencer os fiéis que, "da mesma forma que
não frequentam mais o armazém do bairro, preferindo o hipermercado a
quilômetros de distância, assim não podem mais ter um padre ao lado de suas
casas", diz o sociólogo Franco Garelli, autor do recente Educazione (Ed.
il Mulino), e do anterior Piccoli atei crescono. Davvero una generazione
senza Dio? (‘Pequenos ateus crescem. Realmente uma geração sem Deus?’, em
trad. livre, de 2016). Tomemos o caso da diocese de Turim, com dados
bastante recentes: para 355 paróquias espalhadas em 158 municípios, os
sacerdotes são 260. Mais ainda, 46 assumem atribuições duplas, 14 triplas e 3
quádruplas. Em 2014 - mas a situação não mudou muito desde então - faltavam 95
párocos para atender completamente a necessidade.
Natural,
portanto, que a situação seja enfrentada como em Údine, herdeira do Patriarcado
de Aquileia, vasta diocese (da fronteira com a Áustria até o mar Adriático),
onde há alguns meses o arcebispo publicou as diretrizes para a instituição das
Colaborações pastorais. "As paróquias - explica no longo documento - até
poucos anos atrás conseguiam realizar a missão de ‘tornar a igreja visível como
um sinal efetivo da anunciação do Evangelho para a vida do homem no seu cotidiano
e dos frutos da comunhão que germinam para a sociedade'. Conseguiam porque
tinham os recursos para oferecer às pessoas, dentro de sua área de atuação, as
‘ações' pastorais que o bispo tinha como dever assegurar a toda a diocese.
Graças a esses recursos, cada um podia encontrar em sua própria paróquia a
ajuda necessária para receber a fé e o batismo, para amadurecer na vida cristã,
para testemunhá-la no mundo e caminhar na santidade".
Agora
tudo mudou: "Muitas paróquias, nos últimos tempos, não têm mais pessoas e
recursos para implementar, efetivamente, todas essas ‘ações’ em favor de seus
próprios cristãos. Devemos constatar, portanto, que elas não estão mais em
condições de desempenhar de maneira suficientemente eficaz a sua missão. Isto é
devido a vários fatores; entre estes, podemos citar: a redução demográfica de
muitas comunidades devido a uma distribuição diferente da população na área, a
mobilidade das pessoas que altera seu relacionamento com o pertencimento
territorial e a diminuição do número de sacerdotes".
A
consequência é que serão aplicadas as disposições da Nota Pastoral da CEI.
O aspecto missionário das paróquias, ou seja, prosseguir com a integração de
várias entidades paroquiais: "As paróquias não podem agir sozinhas, é preciso uma pastoral
integrada, em que, na unidade da diocese, abandonando qualquer pretensão de
autossuficiência, as paróquias se interliguem umas às outras, com diferentes
formas, dependendo da situação". Na prática, consta no texto, a
Colaboração pastoral "é confiada a um pároco que tem a responsabilidade
pastoral de todas as comunidades que compõem a Colaboração pastoral e, para
isso, é nomeado pároco em cada uma delas". Isso significa que um único
sacerdote será pároco de até quatorze paróquias diferentes. Com consequências
inevitáveis, como, por exemplo, o rodízio das missas dominicais entre as várias
localidades.
"O
problema é a atual organização das paróquias, ou seja, o fato de que a igreja
não tem feito grandes intervenções do um ponto de vista organizacional",
observa Franco Garelli. Acrescenta ainda: "Existem muitas
pequenas paróquias em áreas que perderam cotas populacionais; são comunidades
acostumadas a ter um serviço perto de casa. Este é um problema relevante,
existe uma forte mudança na sociedade. É o que poderia ser chamado de "uma
secularização suave", não traumática. O verdadeiro problema não é tanto o
percentual daqueles que frequentam a missa aos domingos, que inclusive é ainda
alto quando comparado com os baixos números apresentados por outros fenômenos
de agregação, mas a distribuição desigual das paróquias. Por isso, torna-se
complexo atualizar o modelo de paróquia para estas condições drasticamente
alteradas em relação ao passado".
Acima de
tudo, é cada vez mais difícil garantir que a "esperança colocada por
escrito pela Conferência Episcopal Italiana em 2003, que é - nas palavras do
padre dehoniano Mauro Pizzighini - que as paróquias continuam "a
assegurar a dimensão popular da igreja, tecendo relações diretas com todos os
habitantes da região e manifestando uma profunda preocupação com os mais fracos
e pobres", possa continuar a ser realizada. O dado numericamente certo,
mesmo na Itália, aponta para uma redução no número de vocações. Números
que explicam, em parte, a necessidade de lidar com colaborações, integrações,
parcerias e incorporações.
"A
culpa não é do celibato, porque mesmo as grandes congregações protestantes
mostram dificuldade em recrutar pastores", fala Introvigne,
acrescentando que "assim como o declínio da prática religiosa na década de
1970 não foi decorrente do Vaticano II, porque ocorreram fenômenos
semelhantes entre os protestantes históricos e os judeus". Como corrigir
isso? São necessárias atitudes concretas: "Há muitas razões complexas para
explicar a diminuição das vocações, entre as quais o declínio demográfico",
observa o diretor do CESNUR, "mas é claro que o problema não será
resolvido em breve. Eu não sou fã das unidades paroquiais, mas quem não gosta
delas precisa propor outras soluções. A vida religiosa nas paróquias italianas
– opinião compartilhada pelo próprio Papa - às vezes é mais
desgastada do que nas igrejas dirigidas por religiosos ou movimentos. Por outro
lado, nos Estados Unidos fala-se em renascimento da paróquia. Em suma, depende
de quem é o pároco".
Um grande
problema, manifesta Garelli, a tal ponto que "agora é
necessário rever o papel do sacerdote dentro da nova situação. É preciso dar
amplo espaço para os laicos e existem as condições para uma mudança radical
positiva. Algumas tentativas já estão sendo postas em prática, mas há a
necessidade de orientações claras, inclusive no nível da formação do
clero". Borghesi reporta-se ao Papa: "Francisco nos
disse para ter cuidado, advertindo-nos que estávamos errados na educação dos
laicos, porque pretendíamos que os laicos comprometidos fossem apenas aqueles
pertencentes ao conselho pastoral E assim formamos uma elite secular que é
absolutamente clerical. Este é o resultado de se utilizar laicos segundo uma
lógica clerical. Ao contrário, devemos seguir por uma lógica que apoie os
laicos a viver sua fé na normalidade da vida cotidiana".
Quanto às
paróquias, é verdade que existe uma distribuição desigual, embora seja
primariamente qualitativa: "Algumas desempenham um papel relevante em
vários campos. Em outras, entretanto, respira-se uma atmosfera obsoleta,
caduca. Um clima, justamente, clerical". Claro, há o risco de que o
desgaste do tecido cultural italiano - feito principalmente de pequenos
vilarejos que durante décadas tiveram no pároco a principal figura de
referência – continue de forma irrefreável.
O caminho
batismo-catequese diária-vida paroquial em suas múltiplas formas que as
gerações nascidas até os anos 1960 vivenciaram, com o tempo marcado pelos
momentos religiosos da comunidade, pertence ao passado. "Estamos
caminhando para um empobrecimento das relações sociais, com uma presença menor
no território de pontos de referência que permitem o agrupamento
coletivo", diz Franco Garelli. "É um problema real. O clero tem
dificuldade em continuar a praticar um modelo que implica em pesadas
incumbências e carga de trabalho estafante. "A solução, no entanto, não
necessariamente passa pela chamada "importação de padres" do
hemisfério sul. "Eu sempre olhei com perplexidade este fenômeno. África e América
Latina não são Europa. Paradoxalmente, corre-se o risco de favorecer
o ocidente, cada vez mais secularizado, removendo energias e forças de
contextos onde a situação, ao contrário, é a oposta". Mas a situação não
está perdida ou, pelo menos, não inteiramente.
O
professor Borghesi está convencido de que a chave para reverter o
curso pode, de alguma forma, ser representada por Francisco. Não se trata
das dissertações sobre a contabilização de multidões arrebatadas em oração, mas
do "carisma deste Pontífice, que vem da experiência do cristianismo
popular latino-americano e que indica a possibilidade de um novo
encontro entre fé e realidade popular. Ele faz isso, concentrando-se nas
pessoas simples, com uma mensagem do Evangelho que vai direto ao coração tanto
dos que estão próximos, como dos distantes. Pessoas que, em muitos casos,
voltam a frequentar a missa".
Mérito de Bergoglio?
"Eu não digo que depende apenas do Papa, é claro. Mas algo foi posto em
movimento. Realmente, depende muito do pároco: as pessoas voltam para a missa
no domingo, quando encontram párocos que têm humanidade e coração". Muitas
vezes, as realidades paroquiais "mais vivas" são aquelas guiadas
pelos movimentos, mesmo que, comenta Borghesi, "não é justo pensar
que as paróquias coordenadas por movimentos sejam as únicas vivas ou destinadas
a sobreviver. É preciso, é claro, que o pároco também esteja aberto a essas
experiências, especialmente (e principalmente) por seu próprio interesse. Mais
uma vez, é preciso sair de dentro de si mesmo e questionar-se sobre as
necessidades do ambiente que vive à nossa volta".
Mais
severo foi o julgamento de Diotallevi, que há tempo denunciava uma
"competição" entre os movimentos que inevitavelmente reverberava
sobre a "estrutura territorial da igreja", tanto que a "sua
autonomia pastoral dos bispos e dos párocos – não "amigos"- é
bastante elevada". O sociólogo de Roma teria sugerido olhar com
atenção a realidade da Opus Dei. Não é por acaso que esta
dialética, às vezes positiva e frutífera, outras problemática, foi tratada em
profusão durante o Sínodo dos Bispos sobre a Europa, dezoito
anos atrás.
A questão
da relação entre a paróquia e os movimentos foi abordada, naquela ocasião, pelo
cardeal Carlo Maria Martini, em um dos seus três famosos
"sonhos" sobre o futuro da igreja: o então arcebispo de Milão pedia
um maior envolvimento dos movimentos seculares e das novas comunidades na
pastoral paroquial, a fim de circunscrever (para muitos, limitar) a sua ação.
Desde então, o debate continuou, de forma cada vez mais desanimada. Enquanto
isso, no aguardo que a nova evangelização siga seu curso, apenas resta assistir
ao fim de uma época marcada pelo repicar dos campanários. Entender, então, que
o "Angelus” do pintor Jean-François Millet, retrata um tempo que já
passou. Fonte: www.ihu.unisinos.br
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Artigos do Frei Petrônio de Miranda
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05:41
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Assim quero morrer: Evangelho do 5º Domingo da Quaresma.
A leitura
que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho segundo João 11-1-45 que
corresponde ao Quinto Domingo de Quaresma, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo
espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.
Eis o texto
Jesus
nunca escondeu seu carinho pelos três irmãos que vivem em Betânia. Seguramente
são os que o acolhem na sua casa sempre que sobe a Jerusalém. Um dia, Jesus
recebe um recado: «O nosso irmão Lázaro, o teu amigo, está doente».
Ao fim de pouco tempo Jesus encaminha-se para a pequena aldeia.
Quando se
apresenta, Lázaro já morreu. Ao vê-lo chegar, Maria, a irmã mais
jovem, põe-se a chorar. Ninguém a pode consolar. Ao ver chorar a sua amiga e
também os judeus que a acompanham, Jesus não pode conter-se. Também Ele
«se põe a chorar» junto deles. As pessoas comentam: “Como o queria!”.
Jesus não
chora só pela morte de um amigo muito querido. Quebra-se sua alma ao
sentir a impotência de todos ante a morte. Todos levamos no mais íntimo do
nosso ser um desejo insaciável de viver. Por que temos de morrer? Por que a
vida não é mais feliz, mais longa, mais segura, mais vida?
O homem
de hoje, como em todas as épocas, leva cravada no seu coração a pergunta mais
inquietante e mais difícil de responder: que vai ser de todos e cada um de nós?
É inútil tratar de nos enganarmos. Que podemos fazer ante a morte?
Revoltar-nos? Deprimir-nos?
Sem
dúvida, a reação mais comum é esquecer e «seguir em frente». Mas, não está
o ser humano chamado a viver a sua vida e a viver-se a si mesmo com lucidez e
responsabilidade? Só próximo do nosso fim, havemos de nos acercar de forma
inconsciente e irresponsável, sem tomar qualquer posição?
Ante o
mistério último da morte, não é possível apelar a dogmas científicos nem
religiosos. Não nos podemos guiar mais para além desta vida. Mais honrada
parece a postura do escultor Eduardo Chillida, o qual, em certa ocasião,
escutei-o dizer: «Da morte, a razão me diz que é definitiva. Da razão, a razão
me diz que é limitada».
O cristão
não sabe da outra vida mais que os outros. Também nós devemos
aproximar-nos com humildade ao acontecimento obscuro da nossa morte. Mas
fazemos com uma confiança radical na bondade do Mistério de Deus que
vislumbramos em Jesus. Esse Jesus a quem, sem o termos visto, amamos e a quem,
sem o ver ainda, damos a nossa confiança.
Esta
confiança não pode ser entendida a partir de fora. Só pode ser vivida por quem
respondeu, com fé simples, às palavras de Jesus: «Eu sou a ressurreição e a
vida. Acreditas nisto?». Recentemente, Hans Küng, o teólogo católico
mais crítico do século XX, próximo já do seu fim, disse que, para ele, morrer é
«descansar no mistério da misericórdia de Deus». Assim eu quero morrer. Fonte: www.ihu.unisinos.br
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Vem para fora Lázaro
Lázaro, vem para fora! 5º Domingo da Quaresma.
Um tal de
Lázaro tinha caído de cama. Ele era natural de Betânia, o povoado de Maria e de
sua irmã Marta.
Maria era
aquela que tinha ungido o Senhor com perfume, e que tinha enxugado os pés dele
com os cabelos. Lázaro, que estava doente, era irmão dela. Então as irmãs
mandaram a Jesus um recado que dizia: «Senhor, aquele a quem amas está doente.»
Ouvindo o
recado, Jesus disse: «Essa doença não é para a morte, mas para a glória de
Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela.» Jesus amava Marta,
a irmã dela e Lázaro. Quando ouviu que ele estava doente, ficou ainda dois dias
no lugar onde estava. Só então disse aos discípulos: «Vamos outra vez à
Judéia.» Os discípulos contestaram: «Mestre, agora há pouco os judeus queriam
te apedrejar, e vais de novo para lá?»
Jesus
respondeu: «Não são doze as horas do dia? Se alguém caminha de dia, não
tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas se alguém caminha de noite, tropeça,
porque nele não há luz.» Disse isso e acrescentou: «O nosso amigo Lázaro
adormeceu. Eu vou acordá-lo.»
Os
discípulos disseram: «Senhor, se ele está dormindo, vai se salvar.» Jesus se
referia à morte de Lázaro, mas os discípulos pensaram que ele estivesse falando
de sono natural.
Então
Jesus falou claramente para eles: «Lázaro está morto. E eu me alegro por não
termos estado lá, para que vocês acreditem. Agora, vamos para a casa dele.»
Então Tomé, chamado Gêmeo, disse aos companheiros: «Vamos nós também para
morrermos com ele.»
Leitura completa do Evangelho de João 11, 1-45. (Correspondente ao 5º Domingo
de Quaresma, ciclo A do Ano Litúrgico). O
comentário é de Ana Maria Casarotti, Missionária de Cristo Ressuscitado
Lázaro, vem para fora!
Nos
primeiros séculos do Cristianismo, o tempo de Quaresma era o tempo para
preparar-se para o Batismo.
Antes de
entrar no evangelho de hoje, nos perguntamos por que este evangelho é lido
neste período de Quaresma.
Lembremos
que no tempo atual também há várias pessoas que se preparam para receber o
Sacramento do Batismo e serem membros da Igreja: discípulos e testemunhos do Amor
incondicional do Pai e todas as pessoas que ainda não sabem da sua
Presença no meio de nós.
Lembremos
os textos do Evangelho de João que foram lidos nos domingos
anteriores.
A
narrativa da mulher de Samaria, que encontra Jesus no poço aonde
ela ia periodicamente para tirar água. O diálogo que se inicia a partir do
momento que Jesus pede-lhe de beber, leva a mulher ao reconhecimento da sua
profunda sede interior. Assim Jesus fez jorrar nela uma fonte da água
Viva que sacia suas necessidades e a transforma num manancial de vida em
abundância.
No
domingo último, meditamos sobre a história do cego de nascença que é
curado por Jesus e recupera a vista. Passa das trevas à luz!
Como discípulo de Jesus, converte-se em testemunho dele como Luz do mundo no
meio de um ambiente que em vários momentos escolhe a obscuridade!
Hoje nos
introduzimos no milagre da Vida que vence a morte. Lázaro, que, junto
com suas duas irmãs, era amigo querido de Jesus, vai morrer. Nele se dará
a manifestação do poder da Vida que triunfa diante da morte, da Palavra que
realiza aquilo que pronuncia.
Penetramos
assim na simbologia da água, da Luz e da Vida. Três signos
fundamentais do Batismo.
A água onde somos submergidos e ressurgimos para a Vida de Deus. Renascimento da água e do Espírito Santo!
A água onde somos submergidos e ressurgimos para a Vida de Deus. Renascimento da água e do Espírito Santo!
A luz que
representa Cristo, como luz do mundo, e nos convida a caminhar a partir desse
momento na luz. Como disse Paulo, deixar as trevas porque somos Filhos da
Luz. A Vida que vence a morte: a vida de Cristo Ressuscitado!
Todos nós
fomos iluminados no Batismo e convidados a ver a realidade como ele a vê. Jesus nos
oferece a verdadeira luz da nossa vida, caminhar na luz, ter vida
em abundância.
Dom
inestimável do Batismo, que sejamos sempre portadores da Luz de Cristo, da sua
vida! Nele cada um de nós se pode se ver refletido.
Neste
domingo a narrativa do capítulo 11 do Evangelho de João apresenta-nos o
vencimento da vida diante da morte. É um texto extenso mas carregado de
sentido. Jesus realiza um milagre: seu amigo Lázaro, que estava
doente, morre e Jesus oferece-lhe de novo a vida.
Um sinal
da Vida que vence a morte, prenúncio da sua ressurreição. Como consequência
deste fato, os judeus e os fariseus, que ao longo de todo o Evangelho desejam
matar Jesus, decidem sua morte. É o último sinal de Jesus, prenúncio de sua
morte. O episódio de Lázaro termina com a menção da Páscoa, de morte
de Jesus no final do capítulo (11,55).
No início
do texto lemos que: “Um tal de Lázaro tinha caído de cama. Ele
era natural de Betânia, o povoado de Maria e de sua irmã Marta.” Mais
adiante dirá que Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro (11,5). Eles
representam também a humanidade, cada um e cada uma de nós. O Amor de Deus é
incondicional e cheio de misericórdia.
Ao longo
do texto nos identificamos com cada um dos personagens que aparecem. Os
discípulos tentam dissuadir Jesus do seu retorno à Judeia, porque “há
pouco os judeus queriam te apedrejar, e vais de novo para lá?”.
Vemos as
atitudes dos judeus que foram à casa de Maria e Marta para “as
consolar por causa do seu irmão”. Lázaro tinha morrido. Vemos os
diferentes procedimentos de Marta e Maria com Jesus. O
Evangelho nos diz que “quando Marta ouviu que Jesus estava chegando, foi
ao encontro dele. Maria, porém, ficou sentada em casa”.
Marta sai
à procura de Jesus e o encontra no caminho. No diálogo estabelecido, Marta fez
uma manifestação de sua fé em Jesus, que disse: “Eu sou a ressurreição e a
vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e
acredita em mim, não morrerá para sempre.”
Marta
acredita em Jesus e o reconhece como a Ressurreição e a vida! A confissão
de fé de Marta corresponde à dos primeiros cristãos. Alguns biblistas
reconhecem nela a comunidade joanina que se expressa.
“Dito
isso - continua o relato evangélico -, Marta foi chamar sua irmã
Maria.” Falou com ela em voz baixa: “O Mestre está aí, e está
chamando você”. “Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi ao
encontro de Jesus.” Ela o encontra no mesmo lugar onde Marta o havia
encontrado.”
Maria estava “sentada
em casa”, como deve fazer uma mulher que está de luto. Agora ela responde ao
chamado de Jesus e vai ao seu encontro junto com os judeus que
estavam na sua casa e a procuravam consolar. "Quando Jesus viu que Maria e
os judeus que iam com ela estavam chorando se conturba e fica comovido”. Quando
acompanha o grupo até o túmulo, Jesus começa a chorar e suas lágrimas
fazem reconhecer aos outros seu amor por Lázaro e nele por cada um de
nós.
As
atitudes de Jesus expressam de forma muito natural seu amor, seu desejo de
vida, sua dor diante da morte. Ele sofre ao ver-nos na obscuridade, fechados em
nós mesmos, num mundo sem vida, atados como Lázaro pelas trevas
interiores, atitudes que só conduzem à morte!
Uma pedra
fecha a entrada de nossos túmulos! Diante da morte que nos oprime e
escraviza, Jesus reage. Num primeiro momento, pede que seja retirada
a pedra do túmulo para logo “gritar bem forte: Lázaro, vem para
fora!”.
Lázaro,
sai da morte, sai dessa obscuridade sem sentido, que só vos escraviza, e
conhece a luz da vida verdadeira!
Podemos
perguntar-nos qual é a pedra que nos impede de sair, que é preciso tirar e
assim sair da sepultura que aprisiona nossas energias e nos escraviza.
Ressentimentos, agressividades acumuladas, inveja, ciúmes, e tantas outras
coisas que só nos fecham em nós mesmos, transformando-nos como “mortos que
caminham”. Cegos sem rumo, sem destino nem orientação, perdidos e entregues ao
imediato?
Hoje
Jesus dirige-se também a cada um de nós para chamar-nos à Vida, para tirar-nos
da morte, desatar-nos das escravidões, e assim viver livres nele.
Preparando-nos
para viver a Semana Santa junto com ele, somos convidados a sair do
sepulcro e abraçar a Vida! Fonte: www.ihu.unisinos.br
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quinta-feira, 30 de março de 2017
OLHAR RECORDAÇÃO: Aniversário de Eduardo. - Vídeo Dailymotion
OLHAR RECORDAÇÃO: Aniversário de Eduardo. - Vídeo Dailymotion: OLHAR RECORDAÇÃO: Vídeo de Aniversário de Eduardo Gonçalves de Miranda, (Sobrinho do Frei Petrônio de Miranda), no dia 27 de julho-2000 no Shopping Interlagos, São Paulo. Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. 30 de março-2017. DIVULGAÇÃO: www.olharjornalistico.com.br
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AO VIVO-BATE PAPO BÍBLCO: Com Frei Carlos Mesters e Frei Petrônio.
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terça-feira, 28 de março de 2017
AO VIVO-BATE PAPO BÍBLCO: Com Frei Carlos Mesters e Frei Petrônio.
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