Total de visualizações de página

Seguidores

A Palavra do Frei Petrônio

Loading...

sábado, 1 de abril de 2017

Igrejas vazias e poucos sacerdotes. É a crise do modelo religioso italiano

"Pequenas paróquias, padres em idade avançada, quase nenhuma ordenação de novos sacerdotes. Decide-se pela fusão de paróquias com um único pároco e alguns sacerdotes colaboradores. Mas não é possível apagar por decreto mais de mil anos de história de tantas realidades e identidades paroquiais", foi o desabafo de Don Achille Lumetti, pároco de Madonna di Sotto, perto de Módena, alguns anos atrás. Estava indignado com as “integrações”, com as novas unidades pastorais que os bispos em quase todo lugar estão criando para garantir uma presença cristã nos pequenos vilarejos com mil (ou menos) habitantes, que pontilham a Itália de norte a sul. Que esta não passe de uma tentativa de estancar uma enchente com barragens de papel, só o tempo dirá. A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada por Il Foglio, 28-03-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.
Por enquanto a vida segue, entre os projetos (muitos) e esperanças de que com o passar dos anos alguma coisa mude, que talvez a secularização se reverta e, quem sabe, as arcas de salvação da chamada Opção Bento, construídas no aguardo que a maré da secularização passe (conforme o ensaio The Benedict Option, de Rod Dreher que está sendo lançado nos Estados Unidos), possam retornar aos portos e iniciar a ‘re-evangelização’ do ocidente. Também porque a "secularização não é irreversível", explica para o Foglio o Professor Massimo Borghesi, docente de Filosofia Moral na Universidade de Perugia. "Todo o período que vai de 1989 a 2001 foi marcado pelo triunfo da secularização que, aliás, já havia se afirmado nos anos 1970. O Ocidente considerava como um dogma a irreversibilidade desse fenômeno e, ao mesmo tempo, a restrição de cristianização a setores extremamente específicos".
Então, tudo mudou: "Com o 11 setembro de 2001, este regime entrou em crise. A religião voltou à tona, tanto em sua versão positiva como no seu aspecto mais aberrante, como o terrorismo religioso. Estamos testemunhando desde então o retorno do momento religioso como um qualificante da modernidade". Em suma, "a dimensão religiosa não estava morta: estava simplesmente adormecida".
Nas vinte e sete mil paróquias italianas, constatar esse renascimento é, muitas vezes, uma tarefa árdua. Saindo do centro para as periferias (também geográficas), sobre as quais tanto fala o Papa, notam-se os sinais de mudança, que é, acima de tudo, cultural: à missa dos domingos, o número de pessoas presentes é cada vez menor, embora seja conveniente certa cautela antes de generalizar algumas impressões. "Se realmente aconteceu, o grande retrocesso foi nos anos 1970, não tem nada a ver com o Papa Francisco", observa o sociólogo Massimo Introvigne, diretor do CESNUR (Centro de Estudos sobre as Novas Religiões).
"Estritamente falando, não sabemos se realmente diminuiu o número de pessoas, porque só temos dados gerados pelo CATI (Computer Assisted Telephone Interviewing, ou seja, entrevistas por telefone) que remontam a poucos anos atrás".
“Ao lado de dados não confiáveis quanto à diminuição dos fiéis - pessoalmente acredito que os fiéis foram realmente mais numerosos nas décadas de 1950 e 1960, mas precisamos ter humildade metodológica para dizer que isso não passa de mera especulação, enquanto também não acho que eles fossem definitivamente muito mais numerosos dez anos atrás e, provavelmente, nem mesmo nas décadas de 1970 e 1980 – existe uma informação absolutamente certa, ou seja, a diminuição das vocações" continua Introvigne.
Levantamentos estatísticos, portanto, que devem ser analisados com cautela. Também porque "a questão de quantos realmente frequentam à igreja no domingo é, de longe, a mais controversa no âmbito da pesquisa sociológica mundial. A metodologia CATI - explica Introvigne - entrou em crise porque desapareceram as listas telefônicas, poucos ainda têm telefone fixo e com os celulares tudo ficou mais difícil. Mas, acima de tudo, entrou em crise porque alguns estudiosos norte-americanos instilaram o germe de dúvida sobre o chamado over reporting, ou seja, sobre o fato que muitos dos que dizem frequentar a missa (ou ao culto protestante), na verdade, não o fazem. Percebeu-se assim que as CATI mensuram aqueles que dizem que vão à missa e não aqueles que vão à missa: e estas são coisas muito diferentes. O mesmo vale para os levantamentos do Istat (Instituto Nacional de Estatística italiano), que chegam a detectar fantásticos trinta e três por cento antes e trinta por cento hoje, dados que nenhum sociólogo italiano considera reais”. Para investigar a crise da paróquia italiana é preciso entender como ela se desenvolveu ao longo do tempo. "Assim como hoje a conhecemos, é o produto de uma estratégia pastoral de concepção sofisticada e de realização relativamente recente, como parte do processo de modernização religiosa que tem seu principal protagonista em Pio XI", já dizia há catorze anos o professor Luca Diotallevi, também sociólogo e professor da Universidade Roma Tre, em um seminário sobre o projeto cultural da CEI (Conferência Episcopal Italiana).
"A paróquia proposta por esta estratégia é concebida como parte integrante de outras iniciativas pastorais especializadas. Essa integração - continuava - prevê um papel importante para as instituições pastorais por área e um papel importante, mas não autônomo, para as outras iniciativas. Daí a imagem 'uma primeira perna e muitas segundas pernas' (Cf. Diotallevi, primeira perna: a estrutura institucional eclesiástica e segunda perna: os novos grupos e movimentos em busca de novas religiosidades). A paróquia italiana do século XX é tanto instituição do tipo "primeira perna", quanto articulação institucional e organizada da integração existente entre a "primeira perna' e as 'segundas pernas'".
Modelo que entrou em crise, com a paróquia que "por um lado, já não tem mais a capacidade de fomentar e administrar a religião dos grandes números, e pelo outro lado, não é capaz de satisfazer a demanda de identidade de que precisam as formas religiosas dos pequenos números". E isso "ficou claro desde o início dos anos 1970" explicava Diotallevi, que nisso concorda com Introvigne. A demanda, neste ponto, em virtude do contexto tão profundamente mudado é saber se é preferível a situação de hoje, com poucos fiéis, mas bons, ou seja, convictos do que é celebrado durante a missa - "o modelo ‘poucos, mas bons’, no entanto, nunca foi opção da igreja, católica e por sua natureza expansionista", conta Introvigne, que tem grandes ressalvas também quanto à Opção Bento e a teoria das "minorias criativas" oriunda de Ratzinger, a seu ver válida para algumas áreas da Europa Ocidental, mas que não pode tornar-se um programa para toda a igreja - ou se era preferível a situação anterior: igrejas lotadas, mas escassa sensibilidade pelo Mistério.
“Potencialmente era melhor então, no sentido de que antes da famosa revolução antropológica pasoliniana existia um povo cristão", explica Borghesi. "Nos anos 1950, ainda havia um ethos e uma sensibilidade permeados pela fé, mesmo quando esta não era explicitamente professada. A sensibilidade moral era definida e havia uma grande participação popular nos ritos da tradição cristã". O "verdadeiro problema", acrescenta ele, "é que a igreja não se mostrou à altura daquela participação. Frente a uma sociedade que estava mudando no nível social e na mentalidade, com a introdução da televisão e do modelo americano, a igreja limitou-se a uma mensagem de tipo moral e – eu acrescentaria - a uma moral de tipo moralista. Omitindo-se de uma proposta cristã que chegasse ao coração das pessoas e, acima de tudo, pudesse se transformar na proposta de vida capaz de acompanhar os laicos no seu dia-a-dia, não apenas nas manhãs de domingo".
Em suma, este foi o limite: "Perdeu-se uma tradição popular e não se estive à altura do momento histórico. Daí a mensagem do Papa Francisco, tão mal compreendida, relativa às prioridades da anunciação sobre a doutrina moral". Existe ainda outro detalhe, falta demonstrar que cinquenta anos atrás as Igrejas estavam mesmo lotadas. O famoso sociólogo Rodney Stark, por exemplo, rejeita totalmente esta alegação. Da mesma forma que manifesta grande perplexidade quanto à chamada Idade Média cristã europeia, com catedrais apinhadas de fiéis e multidões em oração e adoração. Stark dividiu a área do piso das igrejas medievais e o suposto número de missas pela capacidade média dos recintos. O resultado é que a afluência ficava entre um quarto e um terço. Praticamente igual aos números atuais.
Precisa ser feita uma distinção, argumenta Introvigne: "O copo está meio vazio, se olharmos para a Polônia, onde a conferência episcopal local, desde os tempos do comunismo, faz um inventário de todas as missas, os hospitais, os movimentos e os santuários, enviando em todos os lugares voluntários com máquinas calculadoras. E também realiza uma série de entrevistas por telefone na mesma área. Os dados na Polônia documentam que sessenta por cento das pessoas dizem que vão para a missa, mas, na realidade, esse número não passa de quarenta por cento. São dados altíssimos". Mas o copo também pode ser meio cheio. Basta se deslocar alguns milhares de quilômetros para oeste: "Na França, as poucas contagens efetuadas nos portões das igrejas apontam para cinco por cento de fiéis dominicais, e quinze por cento na Espanha. A Itália, portanto, manteve-se melhor que os outros grandes países do Mediterrâneo".
E assim, os planos para a reestruturação do sistema paroquial italiano avançam um pouco em toda parte. Em 2003, a CEI dedicou ao tema uma assembléia geral, e depois novamente (em janeiro do ano seguinte) no Conselho Permanente. A crise já estava evidente e esforços para repropor a centralidade desse modelo encontraram obstáculos só superáveis a expensas de grande esforço e desgastes de energia. Já na época Diotallevi dizia que "a escolha dos bispos italianos de focar na paróquia, no padre diocesano e na Ação Católica pode ter chegado tarde". Talvez "não demasiado tarde", mas, certamente, o quadro já mostrava um evidente desgaste. "Deslegitimar a paróquia é equivalente a deslegitimar a mais difundida - se não a única - instituição religiosa na Itália, que está sob a forma 'de igreja'", acrescentava.
Passada pouco mais que uma década, o discurso está superado; não se trata mais de reavivar a paróquia, mas de convencer os fiéis que, "da mesma forma que não frequentam mais o armazém do bairro, preferindo o hipermercado a quilômetros de distância, assim não podem mais ter um padre ao lado de suas casas", diz o sociólogo Franco Garelli, autor do recente Educazione (Ed. il Mulino), e do anterior Piccoli atei crescono. Davvero una generazione senza Dio? (‘Pequenos ateus crescem. Realmente uma geração sem Deus?’, em trad. livre, de 2016). Tomemos o caso da diocese de Turim, com dados bastante recentes: para 355 paróquias espalhadas em 158 municípios, os sacerdotes são 260. Mais ainda, 46 assumem atribuições duplas, 14 triplas e 3 quádruplas. Em 2014 - mas a situação não mudou muito desde então - faltavam 95 párocos para atender completamente a necessidade.
Natural, portanto, que a situação seja enfrentada como em Údine, herdeira do Patriarcado de Aquileia, vasta diocese (da fronteira com a Áustria até o mar Adriático), onde há alguns meses o arcebispo publicou as diretrizes para a instituição das Colaborações pastorais. "As paróquias - explica no longo documento - até poucos anos atrás conseguiam realizar a missão de ‘tornar a igreja visível como um sinal efetivo da anunciação do Evangelho para a vida do homem no seu cotidiano e dos frutos da comunhão que germinam para a sociedade'. Conseguiam porque tinham os recursos para oferecer às pessoas, dentro de sua área de atuação, as ‘ações' pastorais que o bispo tinha como dever assegurar a toda a diocese. Graças a esses recursos, cada um podia encontrar em sua própria paróquia a ajuda necessária para receber a fé e o batismo, para amadurecer na vida cristã, para testemunhá-la no mundo e caminhar na santidade".
Agora tudo mudou: "Muitas paróquias, nos últimos tempos, não têm mais pessoas e recursos para implementar, efetivamente, todas essas ‘ações’ em favor de seus próprios cristãos. Devemos constatar, portanto, que elas não estão mais em condições de desempenhar de maneira suficientemente eficaz a sua missão. Isto é devido a vários fatores; entre estes, podemos citar: a redução demográfica de muitas comunidades devido a uma distribuição diferente da população na área, a mobilidade das pessoas que altera seu relacionamento com o pertencimento territorial e a diminuição do número de sacerdotes".
A consequência é que serão aplicadas as disposições da Nota Pastoral da CEI. O aspecto missionário das paróquias, ou seja, prosseguir com a integração de várias entidades paroquiais: "As paróquias não podem agir sozinhas, é preciso uma pastoral integrada, em que, na unidade da diocese, abandonando qualquer pretensão de autossuficiência, as paróquias se interliguem umas às outras, com diferentes formas, dependendo da situação". Na prática, consta no texto, a Colaboração pastoral "é confiada a um pároco que tem a responsabilidade pastoral de todas as comunidades que compõem a Colaboração pastoral e, para isso, é nomeado pároco em cada uma delas". Isso significa que um único sacerdote será pároco de até quatorze paróquias diferentes. Com consequências inevitáveis, como, por exemplo, o rodízio das missas dominicais entre as várias localidades.
"O problema é a atual organização das paróquias, ou seja, o fato de que a igreja não tem feito grandes intervenções do um ponto de vista organizacional", observa Franco Garelli. Acrescenta ainda: "Existem muitas pequenas paróquias em áreas que perderam cotas populacionais; são comunidades acostumadas a ter um serviço perto de casa. Este é um problema relevante, existe uma forte mudança na sociedade. É o que poderia ser chamado de "uma secularização suave", não traumática. O verdadeiro problema não é tanto o percentual daqueles que frequentam a missa aos domingos, que inclusive é ainda alto quando comparado com os baixos números apresentados por outros fenômenos de agregação, mas a distribuição desigual das paróquias. Por isso, torna-se complexo atualizar o modelo de paróquia para estas condições drasticamente alteradas em relação ao passado".
Acima de tudo, é cada vez mais difícil garantir que a "esperança colocada por escrito pela Conferência Episcopal Italiana em 2003, que é - nas palavras do padre dehoniano Mauro Pizzighini - que as paróquias continuam "a assegurar a dimensão popular da igreja, tecendo relações diretas com todos os habitantes da região e manifestando uma profunda preocupação com os mais fracos e pobres", possa continuar a ser realizada. O dado numericamente certo, mesmo na Itália, aponta para uma redução no número de vocações. Números que explicam, em parte, a necessidade de lidar com colaborações, integrações, parcerias e incorporações.
"A culpa não é do celibato, porque mesmo as grandes congregações protestantes mostram dificuldade em recrutar pastores", fala Introvigne, acrescentando que "assim como o declínio da prática religiosa na década de 1970 não foi decorrente do Vaticano II, porque ocorreram fenômenos semelhantes entre os protestantes históricos e os judeus". Como corrigir isso? São necessárias atitudes concretas: "Há muitas razões complexas para explicar a diminuição das vocações, entre as quais o declínio demográfico", observa o diretor do CESNUR, "mas é claro que o problema não será resolvido em breve. Eu não sou fã das unidades paroquiais, mas quem não gosta delas precisa propor outras soluções. A vida religiosa nas paróquias italianas – opinião compartilhada pelo próprio Papa - às vezes é mais desgastada do que nas igrejas dirigidas por religiosos ou movimentos. Por outro lado, nos Estados Unidos fala-se em renascimento da paróquia. Em suma, depende de quem é o pároco".
Um grande problema, manifesta Garelli, a tal ponto que "agora é necessário rever o papel do sacerdote dentro da nova situação. É preciso dar amplo espaço para os laicos e existem as condições para uma mudança radical positiva. Algumas tentativas já estão sendo postas em prática, mas há a necessidade de orientações claras, inclusive no nível da formação do clero". Borghesi reporta-se ao Papa: "Francisco nos disse para ter cuidado, advertindo-nos que estávamos errados na educação dos laicos, porque pretendíamos que os laicos comprometidos fossem apenas aqueles pertencentes ao conselho pastoral E assim formamos uma elite secular que é absolutamente clerical. Este é o resultado de se utilizar laicos segundo uma lógica clerical. Ao contrário, devemos seguir por uma lógica que apoie os laicos a viver sua fé na normalidade da vida cotidiana".
Quanto às paróquias, é verdade que existe uma distribuição desigual, embora seja primariamente qualitativa: "Algumas desempenham um papel relevante em vários campos. Em outras, entretanto, respira-se uma atmosfera obsoleta, caduca. Um clima, justamente, clerical". Claro, há o risco de que o desgaste do tecido cultural italiano - feito principalmente de pequenos vilarejos que durante décadas tiveram no pároco a principal figura de referência – continue de forma irrefreável.
O caminho batismo-catequese diária-vida paroquial em suas múltiplas formas que as gerações nascidas até os anos 1960 vivenciaram, com o tempo marcado pelos momentos religiosos da comunidade, pertence ao passado. "Estamos caminhando para um empobrecimento das relações sociais, com uma presença menor no território de pontos de referência que permitem o agrupamento coletivo", diz Franco Garelli. "É um problema real. O clero tem dificuldade em continuar a praticar um modelo que implica em pesadas incumbências e carga de trabalho estafante. "A solução, no entanto, não necessariamente passa pela chamada "importação de padres" do hemisfério sul. "Eu sempre olhei com perplexidade este fenômeno. África e América Latina não são Europa. Paradoxalmente, corre-se o risco de favorecer o ocidente, cada vez mais secularizado, removendo energias e forças de contextos onde a situação, ao contrário, é a oposta". Mas a situação não está perdida ou, pelo menos, não inteiramente.
O professor Borghesi está convencido de que a chave para reverter o curso pode, de alguma forma, ser representada por Francisco. Não se trata das dissertações sobre a contabilização de multidões arrebatadas em oração, mas do "carisma deste Pontífice, que vem da experiência do cristianismo popular latino-americano e que indica a possibilidade de um novo encontro entre fé e realidade popular. Ele faz isso, concentrando-se nas pessoas simples, com uma mensagem do Evangelho que vai direto ao coração tanto dos que estão próximos, como dos distantes. Pessoas que, em muitos casos, voltam a frequentar a missa".
Mérito de Bergoglio? "Eu não digo que depende apenas do Papa, é claro. Mas algo foi posto em movimento. Realmente, depende muito do pároco: as pessoas voltam para a missa no domingo, quando encontram párocos que têm humanidade e coração". Muitas vezes, as realidades paroquiais "mais vivas" são aquelas guiadas pelos movimentos, mesmo que, comenta Borghesi, "não é justo pensar que as paróquias coordenadas por movimentos sejam as únicas vivas ou destinadas a sobreviver. É preciso, é claro, que o pároco também esteja aberto a essas experiências, especialmente (e principalmente) por seu próprio interesse. Mais uma vez, é preciso sair de dentro de si mesmo e questionar-se sobre as necessidades do ambiente que vive à nossa volta".
Mais severo foi o julgamento de Diotallevi, que há tempo denunciava uma "competição" entre os movimentos que inevitavelmente reverberava sobre a "estrutura territorial da igreja", tanto que a "sua autonomia pastoral dos bispos e dos párocos – não "amigos"- é bastante elevada". O sociólogo de Roma teria sugerido olhar com atenção a realidade da Opus Dei. Não é por acaso que esta dialética, às vezes positiva e frutífera, outras problemática, foi tratada em profusão durante o Sínodo dos Bispos sobre a Europa, dezoito anos atrás.
A questão da relação entre a paróquia e os movimentos foi abordada, naquela ocasião, pelo cardeal Carlo Maria Martini, em um dos seus três famosos "sonhos" sobre o futuro da igreja: o então arcebispo de Milão pedia um maior envolvimento dos movimentos seculares e das novas comunidades na pastoral paroquial, a fim de circunscrever (para muitos, limitar) a sua ação. Desde então, o debate continuou, de forma cada vez mais desanimada. Enquanto isso, no aguardo que a nova evangelização siga seu curso, apenas resta assistir ao fim de uma época marcada pelo repicar dos campanários. Entender, então, que o "Angelus” do pintor Jean-François Millet, retrata um tempo que já passou. Fonte: www.ihu.unisinos.br


Nenhum comentário:

Postar um comentário