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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Nossa Senhora Aparecida: 300 anos!

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo de Juiz de Fora


Foi nos meados de outubro de 1717 que três pescadores encontraram, entre suas redes, a pequena imagem negra da Beatíssima Virgem Maria, que se tornou principal ícone de devoção sempre crescente do povo brasileiro. Desde o princípio, os moradores da região costumaram referir-se a ela como Nossa Senhora da Conceição Aparecida ou simplesmente Nossa Senhora Aparecida.
Ao correr do tempo, orações, celebrações, escuta da Palavra de Deus, súplicas em situações de extrema dificuldade se repetiram, subindo a Deus como suave incenso, resultando em graças alcançadas e milagres verdadeiros. O aumento do movimento popular gerou sucessivas construções de espaços cada vez mais amplos para o povo local e peregrinos de várias partes. De uma simples sala na casa de Felipe Pedroso, da pequena capela no morro dos Coqueiros, edificações sucessivas foram surgindo até se chegar ao extraordinário Santuário Nacional, o maior do mundo construído em louvor da Virgem Maria, sagrado solenemente pelo inesquecível Papa São João Paulo II, no ano de 1980, em sua primeira viagem ao Brasil. 
Ocorrendo frequentes milagres de Deus por intercessão da Virgem Mãe de Cristo, a devoção foi se tornando cada vez mais centro de piedade popular, reconhecida repetidas vezes pelas autoridades eclesiais, configurando-se como autêntico e forte elemento evangelizador e santificador.
Para isso, contribuiu a iniciativa pioneira de Dom Silvério Gomes Pimenta, o primeiro bispo negro do Brasil, Bispo e posteriormente Arcebispo de Mariana, em Minas Gerais, que em 1893 trouxe para a cidade de Juiz de Fora, hoje sede de nossa Arquidiocese, a Congregação dos Padres Redentoristas. Tal iniciativa foi secundada pelo Bispo de São Paulo, Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti que, no ano seguinte, conseguiu na Baviera, a vinda de Redentoristas para a sua diocese, colocando-os em Aparecida, ampliando assim o trabalho catequético, evangelizador e missionário, além da assistência cotidiana dos Sacramentos. Concretiza-se assim o ideal do fundador, Santo Afonso Maria de Ligorio, que era de evangelizar os abandonados.
Como já referido em outro artigo de nossa autoria, não há dúvidas que o maior de todos os milagres acontecidos em Aparecida tem sido a inexplicável força deste singelo símbolo. Uma imagenzinha de 36 centímetros, de terra-cota, já considerada desprezível, atirada em dois pedaços no fundo de um rio, apanhada por humildes pescadores, vem arrastando crescentes romarias, chegando hoje a multidões incalculáveis que buscam o Senhor, na casa de Maria. A IX Romaria do Terço dos Homens, a acontecer no próximo sábado, 18 de fevereiro, já conta com inscrição de mais de 70 mil pessoas. A devoção a Maria foi sempre cristológica, sabendo-se que quem busca Maria, a busca por ser mãe de Jesus, o Divino Salvador, tendo profundo sentido bíblico. 
Diz Moisés Alves dos Santos, comentarista das agendas da editora Ave Maria, falando das experiências de fé em Aparecida: A “aparição” de Maria em terras brasileiras é simples... O extraordinário é que se tornou essa experiência fundante: quantas conversões, quantas promessas, quantas curas! ... É próprio de Deus atuar a partir de uma experiência simples. Foi assim que Abraão foi chamado para ser pai de uma grande multidão, após uma simples experiência com o céu estrelado. Foi assim também que Jeremias aderiu à sua missão, após ter a visão de uma “panela fervendo”. (Agenda Ave Maria, 2017, 12 de outubro). 
Podemos acrescentar à reflexão as contínuas atitudes de Jesus, que empregava elementos muito simples para suas pregações, a fim de comunicar verdades de grande profundidade. Assim foi com a semente de mostarda, com um pouco de lama feita com a sua saliva e um pouco de terra para curar o cego de nascença, e o pão, o mais comum dos alimentos, para instituir o mais sublime dos Sacramentos que é a Sagrada Eucaristia.
Os elementos materiais, tão pequenos a aparentemente insignificantes, tornam-se pela forma simbólica, a causa de coisas imensamente maiores, sobrenaturais, transformadoras, edificadoras, força e intermediação da Salvação. Só Deus pode fazer isto! 
Maria, a humilde serva, jovenzinha de Nazaré, foi escolhida pela iniciativa divina para ser o canal intermediador da Salvação, sendo mãe do Filho de Deus encarnado. Sua singela súplica nas Bodas de Caná resultou no primeiro milagre de Cristo, o início de sua vida pública, segundo o evangelho de São João.

A ação de Maria, pelo divino desígnio dos mistérios de Deus, prossegue realizando a obra misericordiosa do Pai, que após 300 anos, vem atraindo e acolhendo o povo fiel do Brasil, na conta de seus filhos queridos. Fonte: http://www.cnbb.org.br

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Papa Francisco confia JMJ a Nossa Senhora Aparecida

“Vejo vocês em 2017”, promete o Papa

Durante a visita ao Santuário da Padroeira do Brasil, onde esteve pela última vez em 2007, Papa Francisco confiou a Jornada Mundial da Juventude a Nossa Senhora Aparecida. O pontífice afirmou que a sua visita ao local representava uma visita, simbólica, a todo o Brasil. O trajeto até a cidade foi feito de avião, devido ao mau tempo. Ao chegar, foi recebido por Frei Domingos Sávio da Silva, reitor do Santuário e por uma multidão de peregrinos, a quem o Papa aconselhou. “Deixem-se surpreender pelo amor de Deus”
O Arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis, que também é presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) presenteou o Papa com uma réplica da estátua da Virgem. Segundo o Arcebispo, a cor negra da estátua é resultado da ação da lama do rio e das velas, mas foi interpretado como uma “referência ao sofrimento das pessoas pobres e marginalizadas, ao longo da história do Brasil”, explicou. Cerca de 12 mil pessoas participaram da missa dentro da Basílica enquanto milhares acompanharam do lado de fora, apesar da chuva e do mau tempo.
No início da homilia, Papa Francisco destacou a V Conferência Geral do Espiscopado da América Latina e do Caribe (Celam), realizada em 2007. Para o pontífice, o encontro foi um grande momento da vida da Igreja. Dele, nasceu o Documento de Aparecida, entre os trabalhos dos pastores e a fé simples dos romeiros, sob a proteção maternal de Maria.
“É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E por isso a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria. Venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um país e de um mundo mais justo, solidário e fraterno. Para tal, gostaria de chamar a atenção para três simples posturas: conservar a esperança, deixar-se surpreender por Deus e viver na alegria”.
Para o Papa, o mal se faz presente em nossa história, mas não é o mais forte. “Deus é o mais forte, Deus é a nossa esperança”, disse, alertando para a solidão e o vazio que levam as pessoas à busca de compensações no que chamou de “ídolos passageiros”, como dinheiro, sucesso, poder e prazer.
Referindo-se à história de Aparecida – quando três pescadores foram surpreendidos por uma imagem da Virgem na rede de pesca, ele disse: “Deus sempre surpreende, como o vinho novo, no Evangelho. Se nos aproximamos d’Ele, se permanecemos com Ele, aquilo que parece água fria, aquilo que é dificuldade, aquilo que é pecado se transforma em vinho novo de amizade com Ele”. E completou, afirmando que devemos “viver na alegria”.  “O Cristão não pode ser pessimista! Não pode ter uma cara de quem parece em um constante estado de luto”.
 No final da missa, Papa Francisco cumprimentou as pessoas que acompanhavam a celebração, entre elas representantes de outras denominações religiosas. Na sequencia, foi até a sacada do santuário para abençoar os milhares de peregrinos que acompanhavam do lado de fora e gritavam “Francisco, Francisco!”.
“Obrigada por terem vindo”, saudou o Papa, em espanhol. “Pedi a Virgem que abençoe suas famílias, seus filhos, seus pais e toda a nação”. E continuou, perguntando: “A mãe esquece seus filhos?”. À resposta - um sonoro “não” - ele retrucou: “Não. A mãe não esquece dos filhos. Ela cuida dos seus filhos”.
Papa Francisco abençoou as pessoas com a réplica da imagem da Virgem de Aparecida, antes de pedir que rezassem por ele. “Eu preciso”, disse, antes de anunciar: “Vejo vocês em 2017”. Em 2017, serão comemorados os 300 anos da aparição da Virgem no rio Paraíba do Sul.
Fonte: Imprensa da JMJ. Rio, 24 de julho-2014.