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quinta-feira, 26 de novembro de 2015
CAMPANHA: Um Tijolo Para Maria-10
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VÍDEO SELF-03: Evangelho do Dia. (26 de novembro-2015).
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FREI PETRÔNIO: Pensamento do Dia. (QUINTA, 26).
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Letalidade da PM é escandalosa, diz diretor da Anistia Internacional no Brasil.
No país há uma “classe perigosa”,
composta por jovens negros e moradores da periferia. É com esta premissa que
opera a repressão policial no país, afirma o diretor da Anistia Internacional
no Brasil, Atila Roque.
Em entrevista à Ponte, Roque diz ainda
que existe, por parte da sociedade, grande aceitação das mortes cometidas pelos
agentes das forças de segurança, principalmente devido à forma como normalmente
esses crimes são retratados pela chamada “grande mídia”. A seguir, a entrevista
com Roque:
PONTE
- O total de mortos por PMs no estado de SP subiu de 269 (primeiro semestre de
2013) para 434 (primeiro semestre de 2014). Como o senhor avalia esse
crescimento de 62% no número de mortos por PMs, seja no trabalho ou na folga?
ATILA
ROQUE -
Infelizmente essa variação reforça um padrão histórico de alta letalidade nas
ações policiais decorrente de um conjunto de fatores, que incluem uma polícia
formada para a “guerra” e para a eliminação do “inimigo”, despreparo técnico e
psicológico dos profissionais que atuam na ponta do policiamento e, sobretudo,
uma doutrina de segurança pública estruturada desde sempre por uma lógica de
repressão e controle das “classes perigosas”, o que leva a uma alta
concentração de jovens negros e pobres da periferia entre os mortos pela
polícia. “São dados escandalosos. Estamos a caminho de voltar ao patamar de
quase mil mortes por ano, somente no Estado de São Paulo”
Podemos acrescentar a isso uma
naturalização da violência que resulta em um grau alto de aceitação por parte
da sociedade – alimentada por uma grande indiferença da grande mídia sobre as
circunstâncias em que essas mortes ocorrem – que acaba por considerar o que
deveria ser percebido como um escândalo nacional, como um fato supostamente
inevitável da luta contra o crime. Sem uma mudança de fundo na doutrina da
segurança pública e na estrutura militarizada das polícias, juntamente com um
compromisso efetivo das altas autoridades do estado, a começar pelo governador,
com um policiamento voltado para a garantia do direito à segurança pública de
todas as pessoas, independente da classe social, local de moradia ou cor da pele,
continuaremos a conviver no Brasil e em São Paulo com a triste realidade de ter
uma das polícias que mais mata e mais
morre do mundo.
PONTE
- Como o senhor classifica os índices de letalidade da PM de São Paulo?
ATILA
ROQUE -
São dados escandalosos. Estamos a caminho de voltar ao patamar de quase mil
mortes por ano, somente no Estado de São Paulo, o mais rico e moderno do
Brasil. Basta pensar que a polícia de São Paulo matou em apenas 6 meses,
aproximadamente, quase o que todas as polícias dos Estados Unidos matam em um
ano. Para se ter uma ideia, em 2012 a polícia da cidade de Nova Iorque matou
(em serviço e fora de serviço) 16 pessoas. A da Filadélfia, no mesmo ano, matou
54 pessoas.
PONTE
– Na sua opinião, como seria possível fazer com que a PM de São Paulo matasse
menos?
ATILA
ROQUE -
É importante dizer que esse não é um desafio restrito a São Paulo, onde pelo
menos temos acesso aos dados referentes a essas mortes. Com exceção de poucos
estados, como é o caso de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o Brasil
simplesmente não sabe quantas pessoas morrem nas mãos das policias, seja em
serviço ou fora de serviço. Isso em um país em que mais de 50 mil pessoas são
vítimas de homicídio todos os anos é um fato de extrema gravidade, considerando
que a primeira medida para se executar qualquer política de redução da
letalidade policial é saber quanto o estado mata e em quais circunstâncias.
Em relação a São Paulo, é necessário um
comprometimento mais amplo de todas as esferas do estado, em especial do
governador e das instâncias legislativas, para a implementação de políticas
efetivas de redução da letalidade, o que inclui não apenas treinamento e
protocolos claros sobre as circunstâncias em que o uso de armas de fogo é
aceitável, mas, sobretudo, investigação rigorosa e independente sobre as
situações que resultam em mortes de suspeitos.
Em relação a São Paulo, é necessário um
comprometimento mais amplo de todas as esferas do estado, em especial do
governador e das instâncias legislativas, para a implementação de políticas
efetivas de redução da letalidade, o que inclui não apenas treinamento e
protocolos claros sobre as circunstâncias em que o uso de armas de fogo é
aceitável, mas, sobretudo, investigação rigorosa e independente sobre as
situações que resultam em mortes de suspeitos. A responsabilidade sobre isso
cabe não apenas a Secretaria de Segurança Pública, mas especialmente às
instâncias externas de controle, como o Ministério Público e outras instâncias
da Justiça. O que temos visto, lamentavelmente, é um patamar alto de impunidade
e baixo nível de investigação para situações de homicídios envolvendo
policiais. Em geral a versão da polícia de que foi uma morte decorrente de
reação por parte da pessoa suspeita costuma ser aceita como ponto de partida
legítimo da investigação, com raras exceções – como, por exemplo, o caso dos
dois homens mortos na semana passada quando, tudo indica, foram surpreendidos e
mortos pelos agentes policiais em uma ação de pichação de um prédio e não de
ação criminosa violenta. Nesse caso a investigação, esperemos, será capaz de
apontar o que aconteceu de fato e a responsabilidade dos policiais envolvidos.
PONTE
– Que avaliação o senhor faz da resolução nº 5, feita pela Secretaria da Segurança
Pública em janeiro de 2013, que recomenda que a polícia não socorra feridos nas
ruas e aguarde atendimento especializado?
ATILA
ROQUE -
Acho ainda cedo para avaliar plenamente os efeitos dessa medida. Em princípio
ela se mostrou positiva, pois dificulta que se forjem os chamados autos de
resistência e falsos socorros de pessoas executadas em ações criminosas de
alguns policiais. Mas a redução da letalidade decorrente de ações policias e
das mortes de policiais em serviço ou fora de serviço não depende de uma medida
isolada, mas de um conjunto de fatores que formam a política de segurança
pública como um todo e as ações das policiais em particular, inclusive bom
treinamento, remuneração e apoio psicológico aos profissionais. Fonte: https://anistia.org.br
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quarta-feira, 25 de novembro de 2015
CAMPANHA: Um Tijolo Para Maria-09
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CAMPANHA: Um Tijolo Para Maria-08
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FREI PETRÔNIO: Pensamento do Dia. (QUARTA, 25).
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terça-feira, 24 de novembro de 2015
CAMPANHA: Um Tijolo Para Maria-08
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domingo, 22 de novembro de 2015
NOVO PÁROCO DE ANGRA: Um Olhar-02.
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CRISTO REI: Homilia do Frei Petrônio de Miranda.
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NOVO PÁROCO DE ANGRA: Um Olhar-01.
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ANGRA DOS REIS: Novo Pároco.
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NOVO PÁROCO DE ANGRA: Um Olhar-01.
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sábado, 21 de novembro de 2015
BATE PAPO CARMELITANO: Frei Marcelo de Jesus.
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quinta-feira, 19 de novembro de 2015
CAMPANHA: Um Tijolo Para Maria-07
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JE NE SUIS PAS FRANCAIS: Eu não sou Francês-02
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CAMPANHA: Um Tijolo Para Maria-07
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quarta-feira, 18 de novembro de 2015
CAMPANHA: Um Tijolo Para Maria-06
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terça-feira, 17 de novembro de 2015
CAMPANHA: Um Tijolo Para Maria-04
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segunda-feira, 16 de novembro de 2015
JE NE SUIS PAS FRANCAIS: Eu não sou Francês.
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domingo, 15 de novembro de 2015
33º Domingo do Tempo Comum: Homilia do Frei Petrônio.
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sábado, 14 de novembro de 2015
33º Domingo do Tempo Comum: É possível ter esperança?
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CAMPANHA: Um Tijolo Para Maria-03
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sexta-feira, 13 de novembro de 2015
CAMPANHA: Um Tijolo Para Maria-02
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quinta-feira, 12 de novembro de 2015
CAMPANHA: Um Tijolo Para Maria.
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terça-feira, 10 de novembro de 2015
CONFIDÊNCIAS: Uma Súplica de Fé.
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segunda-feira, 9 de novembro de 2015
*René Girard, uma leitura não sacrificial do texto bíblico?
O relato dos Evangelhos, inclinando-se
ao lado da vítima inocente, mostra-nos a violência estrutural do mecanismo
sacrificial sobre o qual, segundo René Girard, está fundada a nossa sociedade. A
opinião é do pastor valdense italiano Davide Rostan, em artigo publicado no
sítio Riforma.it, 06-11-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis
o texto.
O falecimento de Girard nos dá a
oportunidade de voltar a alguns dos seus temas, ainda hoje de extrema
atualidade: a violência, a questão das vítimas, o conceito de revelação e a
ação de Deus por nós.
O que realmente preocupa Girard são as
vítimas do mecanismo sacrificial. O seu percurso, que começou como análise
literária, tornou-se lentamente uma espécie de conversão pessoal à causa das
vítimas e ao anúncio daquela que era, segundo ele, a verdadeira boa nova para
toda a humanidade: Jesus morreu para que nós pudéssemos reconhecer o mecanismo
sacrificial.
A morte de Cristo, portanto, tem uma
função reveladora de um conhecimento. O processo de revelação, já iniciado no
Antigo Testamento, chega ao seu cumprimento na cruz, com a morte da única
vítima que, ao contrário do que é mostrado nas narrativas mitológicas, nos é
claramente indicada como inocente.
O relato dos Evangelhos, inclinando-se
ao lado da vítima inocente, mostra-nos, assim, a violência estrutural do
mecanismo sacrificial sobre o qual, segundo Girard, está fundada a nossa
sociedade: os sistemas religiosos, os ritos, as proibições, o sistema
judiciário e, por fim, o poder que pôde canalizar a violência, através de
mecanismos de não reconhecimento, contra vítimas substitutivas.
A violência, inerente à humanidade, para
Girard, é o resultado do desejo mimético: o sujeito se constitui com base em um
desejo indicado pelo Outro, desencadeando assim uma rivalidade mimética e um
processo de negação do outro. O pecado, identificado por Girard na potência diabólica
do mimetismo, é explicitado na história de Caim e Abel.
A violência, assim, será gerida através
do mecanismo sacrificial do bode expiatório e a identificação de uma vítima
que, depois, será sacralizada através de um processo antes ritual e, por fim,
de narrativa mítica.
Continua sendo exemplar nesse sentido a
leitura que Girard nos deixa do relato da cura do endemoninhado de Gerasa. Os
habitantes do vilarejo amarram a vítima com correntes, mas ela consegue fugir
todas as vezes, para depois ser capturada de novo. Quando o vínculo
vítima-vilarejo é interrompido pelo curador que expulsa o espírito de modo
definitivo, e a vítima se cura, os habitantes do vilarejo, em vez de mostrar
gratidão, assustados pela ruptura desse vínculo estrutural, expulsam o curandeiro
da aldeia.
Talvez não por acaso, Girard teve um
grande sucesso no mundo católico italiano e estadunidense, que elogiaram nessa
leitura um forte compromisso ético em favor das vítimas e a possibilidade de
reler o "por nós" de Cristo em termos não sacrificiais.
Permanece em aberto, no entanto, a meu
ver, a questão central que o próprio Girard põe: a crise do homem moderno
descrita por Dostoiévski em Memórias do subterrâneo, como uma humanidade
esmagada por um grande ódio contra si mesma e contra a sua condição de
finitude.
No início da sua obra, de fato, em
Mentira romântica e verdade romanesca, o próprio Girard identifica nos
personagens de Dostoiévski o modelo daquela humanidade em crise que se encontra
sozinha, na ausência de um Deus que desapareceu do horizonte, lidando com a
absolutez dos próprios desejos frustrados pelo real e que renova perenemente a
crise mimética.
Jesus é descrito em um dos seus textos
fundamentais, Coisas ocultas desde a fundação do mundo, como o único homem
capaz de alcançar o fim atribuído por Deus para a humanidade e, como tal. é
proposto como modelo para evitar a propagação de uma violência destrutiva.
A função reveladora dos Evangelhos e da
cruz, porém, parece-me levar, na proposta ética da imitação de Cristo, da forma
como Girard formula, a uma espécie de beco sem saída. Que espaço, de fato, é
concedido à alteridade na sua proposta para sair da dinâmica violenta provocada
pelo desejo mimético?
A ausência de uma alteridade divina –
não por acaso, talvez Girard evita se confrontar na elaboração dos seus textos
com o tema da ressurreição e a proposta da imitação de um modelo, por
definição, não imitável – parece-me retornar a humanidade à mesma situação que
ele mesmo entrevê nos romances de Dostoiévski.
O fascínio da sua leitura universal, a
revelação do mecanismo da vítima sacrificial, a atenção para as vítimas
inocentes e as perguntas que Girard nos deixa, parecem-me encontrar apenas em
parte uma solução na sua proposta ética.
Tal leitura do texto bíblico, que não se
confronta com o tema da liberdade de Deus e com o seu agir na história, correm
o risco de nos entregar um modelo, mesmo que o do Jesus terreno, incapaz de
realizar aquela reconciliação consigo mesma que a impeça de ter como única
perspectiva a tentativa de se conformar com um modelo, aliás, que nunca
poderemos alcançar. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
*NOTA:
O acadêmico francês René Girard, eminente teórico conhecido como "o novo
Darwin das ciências humanas", morreu no dia 04 de novembro de 2015 aos 91
anos, nos Estados Unidos, anunciou a universidade de Stanford, onde lecionou
durante muitos anos. "O professor francês de Stanford, um dos 40
'imortais' da prestigiosa Academia francesa, faleceu em sua residência de
Stanford nesta quarta-feira, após uma longa doença", informou a
universidade californiana em um comunicado. Seus livros traduzidos em todo o
mundo "ofereceram uma visão audaz e vasta da natureza, da história e do
destino humano", acrescentou a universidade. René Girard iniciou sua
carreira como teórico de literatura, fascinado por todas as ciências sociais:
história, antropologia, sociologia, filosofia, religião, psicologia e teologia.
Ele
influenciou escritores como o prêmio Nobel J.M. Coetzee e o tcheco Milan
Kundera. Nascido no Natal de 1923 em Avignon, Girard escreveu muito sobre a
diversidade e a unidade das religiões. Fonte:
http://g1.globo.com
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A PALAVRA... Nº 1030. Qual é a música da sua vida?
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32º Domingo do Tempo Comum: As duas viúvas.
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quarta-feira, 4 de novembro de 2015
IL RELIGIOSO FRATELLO CARMELITANO[1]
P. Emanuele Boaga, O. Carm.
Nella riflessione di questi ultimi anni per il rinnovamento della vita
religiosa si è venuta accentuando sempre più negli Istituti clericali
l’attenzione alla vocazione carismatica del « fratello », ossia del religioso
non sacerdote. Quale contributo allo studio di questo importante tema offro,
nel presente convegno dedicato ad esso, le seguenti note che delineano
brevemente come si sia configurata e istituzionalizzata storicamente la figura
del « fratello », detto in passato « laico » e poi anche « converso »,
nell’Ordine Carmelitano, per poi presentarne i problemi e le esperienze
dell’aggiornamento con e dopo il Concilio Vaticano II.
Alle origini
L’origine dell’Ordine risale a un gruppo di eremiti latini che si
stabilirono - dopo la terza crociata (1192) - sul monte Carmelo, in Palestina,
ove eressero un eremo presso l’abbandonata laura bizantina del Wadi ain
es-Siah.
Nulla si conosce della condizione personale di questi
eremiti: se crociati o pellegrini, se nobili o plebei. Si sa solo che avevano
partecipato alle crociate per visitare la Terra Santa. Il gruppo all’inizio
presentava una forte caratterizzazione secondo la linea della conversione -
pellegrinaggio - eremitismo che si riscontrava nelle correnti laicali dei
secoli XII e XIII e nella spiritualità del cosiddetto pellegrinaggio in Terra
Santa. Erano, per usare un’espressione dell’epoca, un gruppo di laici « viventi
in santa penitenza ». La loro vita si svolgeva secondo la tipica esperienza
eremitica del tempo: solitudine, lettura della Bibbia, orazione,
contemplazione, lavoro manuale, digiuni, veglie e opere di misericordia.
A questo gruppo laicale S. Alberto, patriarca di
Gerusalemme, tra il 1206 e il 1214 diede una breve Regola, approvata in seguito
da Onorio III nel 1226 e più tardi, nel 1247, da Innocenzo IV.
Questa Regola non fa distinzione tra sacerdoti e non
sacerdoti: chiama tutti semplicemente « fratres » (fratelli). Alla guida della
comunità la parte più numerosa e matura elegge uno del gruppo (cap. I). La
preoccupazione per la vita d’insieme, nelle principali decisioni, era condivisa
da tutti; anche il bene spirituale dei fratelli è materia di comune
responsabilità e viene discusso insieme (cc. II, III, XI). Tutti prendono parte
al lavoro manuale (c. XV). Non esistono norme speciali o privilegi per i
sacerdoti.
L’unica distinzione che viene fatta nella Regola è tra
coloro che sanno leggere e quelli che non lo sanno fare. Nel capitolo VIII,
infatti, del testo primitivo, tra le
preghiere da dirsi in privato, si stabiliva il Salterio per coloro che erano capaci di leggere e la recita di un
certo numero di Pater in sostituzione
per gli altri. Nel 1247, con la correzione innocenziana della Regola, si ha
l’introduzione delle « ore canoniche ». Su questo testo si basano, con poco
senso storico, diversi autori per provare già nel 1247 l’esistenza dei due
gruppi, chierici e laici. Questa disposizione, invece, inquadrata nelle
consuetudini e nelle leggi del tempo, indica due cose. Prima di tutto l’impegno
del santificare le ore liturgiche è dovuto non allo stato religioso (cioè alla
classe clericale o no), ma alla capacità o meno di ognuno di recitare le ore
come facevano i « chierici » in genere nelle collegiate, e alle quali ufficiature
si prendeva parte in mancanza della chiesa propria. Inoltre vi è sottesa
un’altra cosa: una volta ottenuta la chiesa propria la disposizione indica pure
il senso di attività pastorale che assumeva nel proprio tempio la celebrazione
pubblica e corale delle ore canoniche.
La clericalizzazione dell’Ordine nel secolo
XIII
Con la diffusione in Europa dal 1235 in poi e sotto la
spinta di interventi pontifici nel 1229 e 1247, l’Ordine si inserisce nella
corrente dei Mendicanti. Ben presto in questo suo nuovo contesto si manifesta e
matura un processo di trasformazione istituzionale: la clericalizzazione
dell’Ordine medesimo.
Tale processo si presenta in modo analogo, anche se con
maggiore rapidità, di quanto avvenne per i Francescani, e subì pure le
influenze della legislazione domenicana (Ordine clericale fin dall’inizio).
I fattori che hanno determinato questo fenomeno sono da
individuare prima di tutto nella crescente importanza data alle comunità nei
centri urbani e al relativo impegno pastorale per assicurare il buon andamento
religioso e culturale dei fedeli nel cui ambiente si viveva. Così a coloro che
già entravano da sacerdoti nell’Ordine, si aggiungevano in crescendo i «
fratres » che richiedevano l’ordinazione sacerdotale. Altro fattore, era il
ministero, comune ai Mendicanti, della predicazione dottrinale, riservata ai
soli chierici fin da quando il divieto di Gregorio IX agli Umiliati (1228)
entrò nel Corpus iuris canonici con
valore assoluto di proibizione della predicazione laicale. Si può anche, ricordare
l’aumento continuo delle nuove leve di « letterati » tra i « fratres », con
spinta verso il sacerdozio e l’apertura agli studi e al mondo universitario, e
di conseguenza i problemi concreti suscitati dall’analfabetizzazione di una
parte dei « fratres » stessi.
Anche, se documenti del 1253 fanno supporre che ancora
non esista una vera divisione giuridica in classi di religiosi, i chierici e i
laici, ciò dovette avvenire ben presto.
Infatti, nelle costituzioni del 1281, le più antiche
finora conosciute, il gruppo dei chierici ha già una nettissima prevalenza
giuridica sul secondo, i laici. Quest’ultimi - secondo le disposizioni
costituzionali - vanno in coro con i chierici per mattutino, vespri e compieta
(non però per le altre ore canoniche); portando il vestito come i chierici ad
eccezione dell’almuzia o abito corale; prendono parte al capitolo conventuale,
settimanale con parità di diritti con i chierici; però non prendono parte al
capitolo quotidiano delle colpe dopo Terza, se non in determinate occasioni;
non prendono parte al capitolo provinciale e generale. Non possono i laici
studiare, ne avere libri in uso proprio e nemmeno portare la tonsura come i
chierici; devono però essere istruiti ed esercitati in qualche mestiere utile
all’Ordine e ad essi è affidata la cucina. Quattro volte l’anno è spiegata loro
la Regola in lingua volgare.
Pochi anni dopo, il capitolo generale di Treviri nel
1291, abbattendo l’ultimo segno della primitiva parità tra chierici e laici,
escluse quest’ultimi dall’esercizio della voce attiva e passiva. La
disposizione sancisce così la completa e definitiva clericalizzazione
dell’Ordine.
Per la completezza del quadro si deve ricordare che già
nella seconda metà del secolo XIII presso molti conventi appaiono forme di
oblazione di uomini e donne (i familiares,
i conversi e le converse, i manomessi e
le manomesse, i confratres ecc.). Subito dopo il Concilio di Vienne (1311-12) i conversi (la cui oblazione corrispondeva
alla professione religiosa dei tre voti) vennero a formare un terzo gruppo di
religiosi, che nelle costituzioni dell’epoca sono chiamati semifratres (e in qualche codice: servifratres).
Professavano i tre voti religiosi, ma avevano un abito
distino da quello dei chierici e laici, e in chiesa il loro posto era tra il coro
e le cappelle. Come i laici lavoravano nel servizio della comunità, dentro e
fuori le mura del convento, secondo le indicazioni del superiore. Col passare
del tempo il gruppo venne assimilato ai fratelli laici; da ciò ebbe origine
nell’Ordine l’uso del termine converso
per indicare il fratello laico.
La legislazione sui « fratelli » dal sec. XIV
al 1930
Dopo la disposizione del capitolo di Treviri e le norme
date per i laici sulla « precedenza » nelle costituzioni del 1294, si sentì il
bisogno di avere riorganizzata in modo più organico tutta la materia loro
spettante. Ciò fu fatto con le costituzioni del 1324, dedicando ai fratelli
laici e ai semifrati o conversi un intero capitolo (la « rubrica XXX »). In
questo testo, ripetendo le normative precedenti, viene chiaramente, delineata
la fisionomia del fratello laico: la sua caratteristica di vero religioso, la
sua distinzione dai chierici, la sua esclusione dalla voce attiva e passiva, il
suo lavoro compiuto con capacità e diligenza nel servizio della comunità, la
sua preghiera (ormai disancorata del tutto da quella dei chierici, eccetto che
la messa conventuale). Solo per i semifrati o conversi è stabilito un abito
diverso per distinguerli dagli altri frati (chierici e laici, che continuano a
indossare lo stesso abito).
La legislazione del 1324 viene ripetuta « ad litteram »
nei testi costituzionali del secolo XIV e giunge in pratica fino al secolo XIX.
Si può ricordare che nel secolo XV per il Nord Europa si ebbero delle norme
particolari circa l’abito dei laici, ma ben presto furono abolite. Notevole è
invece la disposizione fatta dal priore generale Nicolo Audet nel 1530 durante
la visita al convento di Parigi: l’istituzione di un « director conversorum »
che aveva l’incarico di curarne l’istruzione e la condotta.
Per mettersi in linea con le disposizioni postridentine,
specialmente sui requisiti per l’ammissione dei conversi e sulla necessità del
noviziato appositamente designato per loro, le costituzioni del 1625 rielaborarono
il testo riguardante i laici. Viene così fatto l’aggiornamento richiesto, ma
permangono i contenuti della legislazione precedente circa la fisionomia del
laico.
Un ulteriore aggiornamento ai decreti che la Santa Sede
continuava a rinnovare sull’età minima per la professione dei conversi e sulla
loro istruzione catechistica da farsi ogni domenica, veniva compiuto nel
capitolo generale del 1680 e poi con norme particolari durante il secolo XVIII.
Nelle costituzioni del 1904 si continuò a riportare la
sostanza della legislazione precedente, ammorbidendola però in alcuni dettagli.
Con l’avvento del Codice
di diritto canonico, le costituzioni vennero rinnovate completamente nel
1930. Il capitolo dedicato ai fratelli laici, detti conversi, era
caratterizzato da una profonda preoccupazione per la loro formazione religiosa
e spirituale, seguendo in questo le prescrizioni del diritto comune. Non
appariva invece una forte preoccupazione del significato della loro vita nella
Chiesa, anche se dichiaravano i laici veri e perfetti religiosi, da amare e
onorare da parte dei confratelli. Il loro stato perdura ad essere distinto da
quello dei sacerdoti e a loro è subordinato, con esclusione dalla voce attiva e
passiva.
A questa rinnovata legislazione si aggiunsero nel 1953
alcune norme emanate dal capitolo generale di quell’anno. In particolare: i
fratelli laici devono esser chiamati semplicemente « fratres » ad evitare il
senso discriminatorio dato alla designazione « laico » o « converso ». Viene
curata maggiormente la loro formazione sia nella fase preparatoria al noviziato
(postulandato), sia dopo. E’ pure data la possibilità di sostituire la
preghiera tradizionale dei Pater con
la recita del Piccolo Ufficio della Madonna. Di queste norme capitolari la
prima rimase praticamente lettera morta. La seconda portò nel 1959 ad
aggiornare le prescrizioni costituzionali per quanto riguardava il postulandato
e la formazione spirituale e tecnica dei fratelli di voti semplici. La terza
norma fu accolta da molti con gioia, e in alcune comunità i fratelli dicevano
tale ufficio comunitariamente.
L’aggiornamento dal 1965 ad oggi
Nel recente aggiornamento dal 1965 ad oggi la figura del fratello nella
famiglia carmelitana ha avuto un profondo cambiamento: dalla rivalutazione
della sua vocazione religiosa che, con i confratelli sacerdoti, lo rende
operante nella Chiesa e nell’Ordine, fino alla riscoperta - risalendo alle
origini dell’Ordine medesimo - della ispirazione laicale del carisma
carmelitano.
Nel capitolo generale del 1965, che segna l’inizio del rinnovamento
dell’Ordine, si prese atto del diffuso desiderio che venissero ancor più
sviluppati i vincoli fraterni all’interno della famiglia religiosa eliminando
il più possibile le conseguenze della discriminazione dovuta alle due classi di
religiosi, sacerdoti e laici. A livello normativo ci portò nei decreti
capitolari a sviluppare il discorso in tre direzioni:
a) una più completa formazione umana e spirituale che realmente sia intesa
ad una promozione dei fratelli laici;
b) forme di preghiera comunitaria più intense e più qualificate, tra cui la
partecipazione con i chierici alla Liturgia delle Ore;
c) una maggiore partecipazione, alla vita della comunità. In questa linea
circa l’esercizio della voce attiva e passiva si concesse alle Province di
determinarne l’esercizio per i laici in modo che gradualmente potessero
giungere al pieno diritto di tale esercizio, anche se la voce passiva era
limitata « ai soli uffici di cui sono capaci canonicamente ».
Raccogliendo l’indicazione del PC 15 nel capitolo
generale speciale e straordinario del 1968 si esplicito il principio generale
dell’accesso dei fratelli a] governo, anche se in pratica venivano poste le
limitazioni alle liriche di superiore e ad altre, eventualmente in uso presso
le Province. E’ da ricordare che nei decreti capitolari vi è ancora il capitolo
dedicato ai fratelli laici.
Successivamente, nel contesa del rinnovamento postconciliare dell’Ordine,
la riflessione sul ruolo della vita religiosa in sé stessa, il maggiore
apprezzamento della dignità della persona, e soprattutto la riscoperta -
risalendo alle origini - dell’ispirazione laicale del carisma carmelitano
determinano in pratica il superamento della divisione dei religiosi in due
classi. Nelle costituzioni ultime, quelle del 1971, non esisti un capitolo
dedicato ai fratelli laici, ma tutte le costituzioni si rivolgono ai « fratres
» indistintamente. L’Ordine è composto da frati anche se si ricorda che la
maggior parte di essi « riceve i sacri Ordini » (n. 17); in forza della
professione tutti i religiosi « godono di una fondamentale uguaglianza con i
medesimi diritti ed i medesimi obblighi sia comuni che particolari dell’Ordine,
fatta eccezione di quelli inerenti al sacerdozio o che competono
temporaneamente ad alcune persone a motivo dell’ufficio che hanno » (n. 19).
Ciò comporta la piena partecipazione e collaborazione di tutti i religiosi alla
vita comunitaria, alla preghiera liturgica e alle attività della comunità
stessa. La differenza nei servizi ecclesiastici (dovuta al sacerdozio, al
diaconato e ai ministeri) non condiziona minimamente l’esercizio di uffici
amministrativi e anche di governo a livello locale, provinciale e generale,
fatta eccezione dell’ufficio di superiore ai suindicati livelli. Eccezione
dovuta al noto e discusso decreto Clericalia
instituta della Congregazione dei Religiosi, emanato nel 1969.
Oggi nell’Ordine vi è una forte corrente che chiede
l’abolizione di questa limitazione posta dal ricordato decreto Clericalia instituta. La limitazione
viene interpretata da multi arbitraria nel collegare necessariamente il
sacerdozio al superiorato, e discriminante perché in pratica fa permanere
resistenza di religiosi « di seconda classe ». Questa limitazione, però, è
doveroso ricordare, non è assoluta: infatti proprio lo scorso anno (1981), con
permesso della Congregazione dei Religiosi si è potuto eleggere per la prima
volta come superiore di una comunità negli Stati Uniti un fratello.
In seguito all’andata in vigore delle Costituzioni del
1971 non sono mancate difficoltà di ordine pratico, dovute principalmente alla
formazione data in passato e al
mutamento richiesto di mentalità soprattutto nelle vecchie generazioni. Altre
difficoltà sono sorte in alcuni casi per l’inserimento di fratelli nel quadro
della ristrutturazione delle opere. Vari sono stati i modi con cui si è cercato
di risolvere dette difficoltà. Un notevole apporto è stato dato anche
dall’esperienza, condotta in Italia per alcuni anni, di incontri a livello
nazionale dedicati ai fratelli per la riflessione e la discussione dei problemi
comuni nella nuova situazione, favorendo al tempo stesso una maturazione di
mentalità.
Un accenno va fatto - prima di concludere - a due
questioni, sorte in questi ultimi anni: il diaconato permanente e il passaggio
di fratelli al sacerdozio.
Il diaconato permanente, introdotto nell’Ordine già nel
1974 dietro pressione di una esigua corrente, non costituisce un problema. I
diaconi permanenti oggi nell’Ordine sono tre (su un totale di 406 religiosi non
sacerdoti, dei quali 239 sono i fratelli). La ordinazione diaconale ha assunto
l’aspetto non di promozione sociale, ma di ministero apostolico nella vigna del
Signore. Al diaconato si è preferita l’apertura ai ministeri del lettorato,
dell’accolitato e della distribuzione dell’Eucaristia. Anche se mancano dati
statistici precisi, il fenomeno appare abbastanza presente soprattutto nei
paesi latini.
Nei paesi anglosassoni, invece, si sono registrati molti
casi in questi ultimi tempi, di passaggio di fratelli al sacerdozio.
L’esperienza indica che esistono al riguardo dei problemi, non solo di
adattamento alla nuova situazione, ma anche il pericolo di cadere in una
malintesa promozione dei fratelli stessi. Purtroppo su questo aspetto non è
stato fatto ancora una riflessione valutativa come meriterebbe.
In un recente documento
dell’Ordine si legge: « ...Abbiamo finora costituito più un Ordine di padri che di frati, ossia fratelli. Se la Regola ci chiama tutti ugualmente fratres, senza alcuna distinzione, non
devono esistere tra di noi differenze di stato, ma sono concepibili soltanto
varietà di funzioni e compiti ».
Nella comprensione e nel
rispetto reciproco di queste diverse funzioni il cammino della fraternità nella
famiglia carmelitana vuol portare ad essere sempre più intensa e viva
l’uguaglianza evangelica, proclamata con la propria vita religiosa, dono dello
Spirito.
Nota
Le fonti usate per questo studio
sull’origine e sviluppo della figura del fratello nella famiglia carmelitana si
trovano in: Monumenta historica
carmelitana, Lirinae 1907; Acta
capitulorum generalium Ordinis Fratrum B.V. Marine de Monte Carmelo, 2 v.,
Romae 1912-34; Bullarium carmelitanum,
4 v., Romae 1715-68; Analecta Ordinis
Carmelitarum III, 156; XV, 205-245; XVI 123-185; 308; XXIV, suppl. fasc.
6-8; XXVII, 1-164; XXIX, 1-88; Constitutiones
Ordinis Fratrum B. Virginis Mariae de Monte Carmelo, Romae 1971. Si sono
anche utilizzati i seguenti studi: J. smet, The origin of the Carmelite Laybrothers, in The Sword 5 (1942) 121-137; E. frIfdman,
The latin hermits of mount Carmel:
A study in Carmelite origins, Roma 1979; C. cicconetti, La Regola del
Carmelo: origine, natura, significato, Roma 1973.
[1] In IL FRATELLO RELIGIOSO NELLA COMUNITA’
ECCLESIALE OGGI – Atti del Iº Convegno
Intercongregazionale, Roma 18-23 aprile 1982 – “La vocazione religiosa del
Fratello negli istituti clericali”, a cura di P. Fernando Taccone, Edizioni
CIPI Roma 1983, pp. 141-150.
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Artigos do Frei Petrônio de Miranda
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segunda-feira, 2 de novembro de 2015
A Mística educa ao discernimento.
*Dom Frei
Vital Wilderink, O Carm, In Memoriam.
A nossa existência humana não é uma realidade
óbvia, algo que nos é devido.Vivemos no espaço e no tempo.; temos um passado,
um presente e um futuro. Não nos possuímos plenamente: freqüentemente temos a
impressão de estarmos juntando fragmentos. A nossa vida parece um tecido feito
de interrogações e respostas, estas últimas se abrindo em novos
questionamentos. Ao mesmo tempo, porém, sentimos que vida é um convite a uma
responsabilidade nossa. Responsabilidade cujos contornos dependem da
perspectiva e do sentido que atribuímos à mesma vida. Responsabilidade supõe
uma liberdade. Para Sartre, filósofo e escritor francês, a liberdade era o
fundamento do homem no seu "être-au-monde". Mas para ele que afirmava
que a existência do homem "nasce sem razão, se prolonga por debilidade e
morre por acaso" a liberdade deveria reduzir-se a uma piada absurda que,
como revelam os heróis de seus romances, lhe corroia a vida. Nesta perspectiva
o aceitar-se a si mesmo significa uma condenação.
Romano Guardini
escreveu um livro que na sua versão em italiano tem como título Accettare se stessi[1]. Em todos os escritos de Guardini há um
motivo condutor: oposição ou tensão em tudo que tem vida; portanto também na
vida do homem. Para Guardini o problema do homem moderno está em considerar
Deus como o oposto oprimente que se opõe à existência de todo indivíduo, ao
invés de ver nele a origem e o sustentador de tudo que é vida[2]. Ao
falar da razão da existência do homem, Guardini já abre uma perspectiva
mística:
Io... ho ricevuto me stesso. Al princípio della mia esistenza... non sta
una decisione di essere, presa da
me stesso. Tanto meno semplicemente ci sono, senza che necessiti di alcuna decisione di essere... Bensì al principio
della mia esistenza sta un'iniziativa, un.Qualcuno,
che ha dato me a me stesso. In ogni caso sono stato
dato, e dato come quest'individuo determinato[3].
Na medida em que esta verdade for aceita, não
só intelectualmente mas também afetivamente, a consciência da pessoa vai se
tornar mais abrangente; o que não deixará de atingir o dinamismo da sua vida. Quem
encontra, pela fé, uma iniciativa de um amor que preferiu a nossa existência à
nossa não-existência, começará a encontrar na sua história sinais de uma
presença, um sentido, um chamado. É uma descoberta-constatação que vai
germinando e desenvolvendo uma consciência vocacional para a partir dela
escrever a sua própria história. Como posso ser chamado se o próprio chamado
não me oferece a habilidade de responder, uma responsabilidade? Evidentemente,
trata-se de uma busca feita às apalpadelas. A vida que nos foi dada é o único
espaço que oferece a possibilidade para um encontro com Deus porque seu amor
criador está intimamente entrelaçado com a nossa própria vida. É um terreno velado que pede ser desvelado. Sem velo não
pode haver revelazione. O próprio ser
é um velo que ao mesmo tempo manifesta a realidade e a esconde. O que faz
entender por que o salmista suplica que o próprio Deus faça nele o
discernimento necessário para fazer o caminho certo: "Scrutami, o Dio, e
conosci il mio cuore; saggiami e conosci i miei pensieri. Vedi se c'è in me uma via di menzogna e guidami
nella via eterna" (Sl 139,23-24).[4]
O salmista tem consciência da presença de Deus: "Alle spalle e di fronte
tu mi stringi, tu poni su di me la tua mano" Sl 139, 5). Mas, ao mesmo tempo, sente que não consegue
captá-la porque não se trata de um "objeto" que pode ser
sistematizado e atingido pelas potencialidades humanas: "Stupenda è per me
la tua conoscenza, talmente alta che no riesco a raggiungerla"(Sl 139,6).
O discernimento visa a práxis da nossa vida: uma decisão, uma
escolha, uma ação concreta.. O discernimento, enquanto define a nossa história
numa dimensão ou tomada de posição, envolve a nossa vida toda como relação com
Deus. O discernimento é um olhar ao mesmo tempo para dentro e para fora. É um
mover-se para Deus presente no mais íntimo do nosso ser. Não posso, porém,
contemplar Deus em mim se não consigo descobri-lo nos que comigo são criaturas
humanas, e na natureza e no universo.
Na nossa reflexão sobre
mística e discernimento vamos seguir dados biográficos de Tito Brandsma,
carmelita místico, figura ainda próxima à nossa geração. O que poderá iluminar
o tema que nos ocupará nestas páginas.
Tito Brandsma:
homem de seu tempo
Ainda recentemente um
historiador holandês anunciou um projeto seu de escrever uma nova biografia de
Tito Brandsma.[5] O que
motivou o escritor foram não só seu estudo de inúmeras fontes que oferecem
novos dados, mas também a importância- de uma visão mais crítica da vida e do trabalho
desse carmelita que corresponda mais à realidade dele mesmo e da época
turbulenta em que ele viveu. A personalidade de Tito seria mais complexa do que
a imagem que dele durante decênios foi apresentada à admiração e à devoção
pública. A compreensível emoção provocada por sua morte, teria comprometido a
visão da realidade. Isto seria uma pena. Jamais deve-se despojar Tito Brandsma
da sua humanidade com as contradições e limitações que ela possa apresentar. Do
contrário perderia seu interesse para a geração de hoje. Tito é uma figura
suficientemente pura para passar por essas provas críticas.
É evidente que não
podemos privar uma pessoa espiritual ou mesmo santa, da sua humanidade. Não
sobraria nenhuma possibilidade para falar da sua espiritualidade ou santidade
que não teriam nenhum significado histórico. Espiritualidade sem história não
existe e é só a partir da sua história que pode ser conhecida e descrita. Daí o
caráter interdisciplinar da espiritualidade como ciência. A experiência da
nossa relação com Deus sempre supõe um contexto histórico caracterizado por
determinados fatores culturais.
O discurso que Tito
Brandsma, como reitor magnífico pronunciou, em 1932, no dies natalis da Universidade Católica de Nijmegen sobre o conceito ou
imagem de Deus, conserva uma atualidade surpreendente. Na época a formação
teológica trazia o carimbo da neo-escolástica caracterizada por uma linguagem
especulativa e abstrata. Falava-se de Deus como se tratasse de uma espécie de realidade
eterna, atemporal e imutável sobre a qual a nossa busca de peregrinos não tinha
muito a dizer. Insistia-se, sem dúvida, na prática das virtudes, mas, como Tito
diz no seu discurso, não sem perigo de reduzir a vida espiritual a uma prática
exterior. Para Tito, porém, Deus não independe de formas humanas de
conhecimento que são marcadas pelo tempo e pelo contexto. Neste ponto o
professor Brandsma quer insistir na necessidade de uma abertura em relação a
novas evoluções na espiritualidade.[6]
"Credo che sia nostro dovere
guardare attorno a noi al fenomeno della negazione di Dio. Non perché,
innanzittutto, dobbiamo assumere verso di esso un atteggiamento di difesa;
bensì, a causa di questo fenomento, trarre motivo per far conoscere l'immagine
di Dio in forme nuove, per adattarne il concetto alla cultura moderna. In modo tale che dalla ricchezza di questo concetto
venga messa in evidenza quell'aspetto della grandezza del nostro Dio che più
oggi affascina... Vi è una così grande ricchezza di aspetti sotto i quali si può
considerare l'immagine di Dio, che dobbiamo stare attenti a non appoggiarci
troppo sul vecchio e a non ritenere sufficienti le immagini tradizionali. Tempi
nuovi richiedono forme nuove....Non basta insistere sull'esigenza di mettere in
pratica la fede in Dio e impegnarci in questa direzione: occorre di più. Dobbiamo
comprendere il nostro tempo e non
estraniarcene. Anche noi siamo figli del nostro tempo: siamo-lo con chiara
conscienza! Lasciamo che il tempo attuale agisca su di noi con quanto di buono
ha"[7].
Neste tempo de
transformação o discernimento torna-se uma necessidade. O conceito de Deus na
nossa época tem um caráter
pragmático. A verdade para o homem moderno é pragmática. O que explica porque
muitos se afastam de Deus e que muita injustiça existente no mundo é
considerada uma realidade evidente. Além disto a imagem que se tem de Deus tem
caráter intuitivo. Mas freqüentemente a intuição não é mais que o resultado de
um simples raciocínio que se tornou inconsciente: o hábito torna-se uma segunda
natureza.
Tito Brandsma iniciou seu discurso com a seguintes
palavras: "Tra le numerose domande che mi pongo, nessuna me preoccupa di
più della questione perché l'uomo con il suo sviluppo e nella fierezza
orgogliosa del suo progresso, si allontani in cosi gran número da Dio".A
época dos anos 20-30 que marcaram mais a atuação de Tito, já era uma época de
mudanças. Já se falava do
aparecimento de uma "sociedade aquisitiva". Nos dias atuais
percebemos que a história se acelerou. As mudanças se tornaram vertiginosas, comunicando-se
a todos os cantos do mundo, configurando uma mudança de época, mais que uma
época de mudanças. É um fenômeno que afeta a vida dos povos e o sentido
religioso e ético dos que buscam o rosto de Deus, mas que são desafiados por
novas linguagens do domínio técnico. É muito significativo o título do livro
escrito em 1977 por Erich From: "Ter ou Ser" mostrando que são os
BENS, não mais o "bem" ou os valores que constituem o eixo
articulador da organização social. É uma caça de bens, não em vista de
necessidades, mas em vista de desejos de possuir[8].
O que Tito defende como
necessária para o nosso tempo é "a contemplação de tudo que existe na sua
dependência de Deus e na sua origem em Deus" É ver assim a sua ação,
discernir assim o seu Ser, antes de tudo em nós mesmos.
Os homens devem reencontrar
Deus e viver na sua contemplação. Chamam isto de mística: que seja! Até aceito
com satisfação se nisso posso ver a expressão da verdade de que na mística
podemos observar o progresso ulterior e mais alto daquilo que potencialmente
foi depositado na natureza humana..Contanto que se saiba que a realização dessa
potencialidade só acontece por especial graça divina. De nenhuma maneira ela é
em conflito com a natureza; pelo contrário, é vocação da natureza humana ver a
Deus como o mais alto que ela possa conhecer. É lamentável que isso não seja
mais entendido"[9].
Percebe-se que o discurso de Tito Brandsma segue
um caminho que partindo da filosofia, passa pela teologia para chegar à
mística. Não recorre a uma retórica que arrasta os auditório.. O pensamento de
Tito em movimento para o mistério de Deus é simples e toca o interior dos seus
ouvintes.Um dos colegas-professores de Tito, o jesuíta Jacques van Ginneken,
observou depois de ouvir o discurso: "Se não me engano, havia no discurso
de Brandsma tonalidades da sua própria experiência mística"
Tito Brandsma aos olhos do povo
É evidente que uma figura como a de Tito
Brandsma não poderia revelar seu significado tirando-a do seu próprio contexto
histórico. De outro lado, a sua memória, ao passar para a posteridade, será
marcada por enfoques preferenciais de outros contextos históricos.
Principalmente quando se trata de um santo, é o próprio povo devoto que vai
revesti-lo de acordo com as suas preferências.
É compreensível que uma
primeira imagem que se formou de Tito Brandsma, principalmente na sua pátria,
foi a de um herói da resistência contra o nazismo. Já na década dos anos 30,
através de cursos e palestras, Tito havia combatido fortemente a ideologia
nazista que ganhava terreno na Alemanha e não deixava de suscitar partidários
na própria Holanda. Arrestado pela polícia do Serviço de Segurança em janeiro
de 1942, Tito fez uma dolorosa peregrinação por várias cadeias e campos de
concentração para morrer no campo de Dachau onde lhe administraram uma injeção
de ácido fenico, metodo più sbrigativo per stroncarne l'ultimo filo di vita. A
enfermeira que executa o serviço, convertida mais tarde, será uma testemunha
importante no processo de beatificação.Em mais de 35 cidades como gesto de
homenagem civil ao herói da resistência, existe uma praça ou uma rua que tem o
seu nome. É provável que, ao passar das gerações, o nome da rua vai servir mais
para identificar os moradores do que o herói de um passado sempre mais longínquo..
Já em 1944, quando a
ofensiva dos aliados consegue libertar o sul da Holanda da ocupação inimiga, é
publicada uma oração escrita em forma de poesia por Tito na prisão de
Scheveningen. A tiragem de 50.000 exemplares se esgota em pouco meses. Alimento
para a devoção popular, a poesia não deixa de irradiar uma proximidade
escondida: O Gesù quando te guardo/sento rivivere il mio amore per te/e che
anche il cuor tuo mi ama/perfino come a un grande amico.... São palavras que
traduzem uma certeza que fazem supor a ameaça do incerto que lhe espreitava de
todos os lados. Afinal as palavras de Cristo para os que querem segui-lo,são normalmente
traduzidas em situações não esperadas:
"Le volpi hanno tane e gli uccelli del cielo nidi, ma il Figlio dell'uomo
non há dove reclinare il capo" (Mt 8,20)
Aparecem depois as
primeiras biografias. Algumas, principalmente na Itália, Espanha e em paises de
língua inglesa acentuam, pelo menos no seu título, o papel de Tito junto aos
jornalistas e à imprensa católicos na Holanda[10].
Ele estimava muito a carteira pessoal de jornalista, que lhe foi conferida pela
Federation Internacionale des Journalistes.
Aliás foi por causa de sua atuação como assistente eclesiástico nacional dos
jornalistas que Tito foi preso. Em acordo com o Arcebispo de Utrecht, ele
procurou convencer as direções e redações dos jornais católicos a não publicar
material do Movimento Nacional Socialista Holandês como lhes havia sido
imposto.. E não hesitou em confirmar durante os interrogatórios, mesmo por escrito,
as razões por que o povo holandês, especialmente a parte católica, se opunha ao
Movimento Nacional Socialista Holandês.
A Família carmelitana
identifica nele a herança de sua tradição. Na estátua de bronze que a
Universidade Católica de Nijmegen lhe ergueu, Tito aparece vestido do habito de
carmelita e segurando no braço esquerdo sua beca de professor catedrático.
Outros, interessados em
cultura no sentido tradicional da palavra, preferem concentrar-se na atuação de
Tito no mundo do ensino, dos estudos, nas reuniões de estudiosos da mística, na
edição de textos manuscritos, em projetos para instituições universitárias,
etc. Não é de admirar que na Holanda cerca de 35 escolas têm o nome de Tito
Brandsma nas suas portas de entrada.
Para o próprio Tito
cultura era também entrar em contacto com pessoas concretas, dialogando sobre
suas alegrias e tristezas, sobre seu desânimo e esperança. Era escutando que
ele conseguia discernir os valores presentes na fé do povo simples, muitas
vezes desprezados pelos intelectuais.
Educado numa família
apegada às tradições, num país em que os católicos procuravam emancipar-se
também na vida social e política, a coesão era uma exigência. Daí a fidelidade
de Tito ao estilo religioso da sua vida, a sua obediência aos que exerciam o
ministério episcopal, e a seriedade na execução das missões e tarefas que lhe
tinham sido confiadas. Tito Brandsma movia-se, sem dúvida, dentro de uma
cultura da palavra dada que não permitia retrocessos. Até o oficial nazista que
o submeteu ao interrogatório reconheceu que Brandsma "se manifestou na sua
firme convicção um homem de caráter". Por isto mesmo ele era "um homem
perigoso" para o nacional socialismo. O oficial do Serviço de Segurança
envia seu veredicto aos seus superiores em Berlim: "Parece-me uma
necessidade evidente que o professor Brandsma seja internado num campo de
concentração por tempo prolongado". Pode ser que a tenacidade de Tito
fosse um traço herdado dos seus antepassados. Afinal ele era filho da Frísia. O
próprio Tito, sorridente, não teria negado essas atribuições, mas teria dado
razões mais profundas que aparecem em palavras suas: "Quem quer conquistar
o mundo para Cristo, deve ter a coragem de entrar em conflito com esse
mundo".
É normal que cada
admirador e cada devoto do beato Tito Brandsma tenha dele uma imagem. Tomás de
Aquino já dizia que "a nossa oração será sempre, de certo modo, a
intérprete do nosso desejo junto de Deus, e que na oração só podemos pedir com
retidão o que com retidão podemos desejar"[11]. O
importante é que a vontade não se fixe nas suas próprias projeções mas que se
dirija para Deus [12]. A
devoção não tem somente um pólo divino, mas também um pólo humano. Os santos se
tornam significativos na medida em que lhes apresentamos as interrogações que
temos como filhos do nosso tempo. Cada época tem a sua cultura. Mas a questão
fundamental não é a cultura, mas está na experiência da fé. Sem uma experiência
da fé não há mensagem a ser inculturada. Se não houver uma experiência da fé, a
"inculturação" não será outra coisa que uma pirotecnia eletrônica
cujo intento consiste em alcançar e agradar às pessoas[13].
Na capela comemorativa,
levantada em Nijmegen em atenção a Tito Brandsma, há um caderno em que os
devotos podem anotar as suas intenções. Com confiança recorrem ao Beato Tito
expondo as suas necessidades: cura de doenças, uma operação cirúrgica que
preocupa, uma crise familiar, procura de um emprego, as provas finais no
colégio... Também não faltam os agradecimentos "ao bondoso padre
Tito"..."ao querido Tito" pela ajuda recebida. Outras intenções
mostram Tito Brandsma como diretor espiritual, como mistagogo: "Beato
padre Tito, reze pelas pessoas que estão caminhando para Deus, Beato Tito
ajude-me para encontrar Deus e me entregar, querido padre Tito, continue a me
acompanhar..."[14].
O homem místico
Tito Brandsma é mais que herói da resistência,
é mais do que professor universitário. Outros
já o disserem. Principalmente em torno da sua
beatificação, em 1985, o acento começa a cair na dimensão mística da vida de
Tito. O impulso nesta direção se deve em grande parte ao Instituto de
Espiritualidade Tito Brandsma, ligado à Universidade de Nijmegen. Meio ano
antes da beatificação o Instituto organiza um simpósio: Tito Brandsma e a
Mística.
Foram, sem dúvida, os
últimos seis meses de sua vida, passados em cadeias e campos de concentração
que atraíram a atenção do grande público. É, porém, evidente que a vida mística
de Tito não se limita a esse último período da sua vida. Tito Brandsma era muito discreto no que se referia
à sua vida espiritual. Não deixou nenhum diário que possibilitasse seguir o
itinerário espiritual dele. Os poucos escritos que permitem um olhar na sua
vida interior foram escritos na sua cela de prisioneiro. Citemos alguns testemunhos
de contemporâneos que o conheceram de perto, não deixam dúvidas de que Tito era
um místico. É o caso dum escritor que durante alguns anos tinha freqüentado na
universidade as aulas de Tito sobre a história da mística: "Quando ele
falava da história da mística, percebia-se que muito daquilo fazia parte da sua
própria experiência". Já em 1939 um professor colega de Tito na
universidade o caracterizava como "um místico em plena vida interiormente
unificado". E no campo de concentração em Dachau um religioso capuchinho,
prisioneiro como Tito: "Ele não era somente um profissional em matéria de
mística, pois estou convencido que ele mesmo também tinha experiência". E
longa a lista de confrades, amigos e conhecidos, mesmo não católicos de Tito
que declararam que nos seus estudos, cursos, homilias, retiros, publicações
manifestava-se a sua paixão-predominante: buscar a Deus para viver unido a Ele[15].
Para Tito a mística não
é um artigo avulso, nem uma fuga do mundo. É evidente que não existe mística
sem história. Não parece que o professor Brandsma quis entrar no campo de
batalha entre as diversas teorias sobre espiritualidade e mística. Se estas várias
teorias de um lado mostram um grande interesse pelo movimento místico, às
vezes, até com válidas contribuições, de outro lado não deixam de alimentar a
confusão sobre certos temas da espiritualidade e da mística. Mas isto pertence
ao bom tom científico. É possível que, por causa disto, segundo a opinião de
outros profissionais na matéria, faltasse um rigor científico nas publicações de
Tito. Para Tito a mística constituía a meta da sua vida. Já se vislumbrava isso
no jovem noviço frei Tito, empenhado em traduzir e publicar textos de Teresa de
Ávila.. Bem mais tarde, no artigo sobre os Carmelitas que ele escreveu para o Dictionnaire de Spiritualité ele cita o Livro dos primeiros monges, considerado durante séculos como a
Regra original do Carmelo. para provar que o caminho da união com Deus e a
contemplação infusa são apresentadas como finalidade da Ordem. E que o
carmelita não se restringe a transmitir aos outros as coisas contempladas, mas é chamado a transmitir aos outros a práxis
da própria contemplação[16].
Para Tito existe uma
unidade, um entrelaçamento harmonioso entre mística e atividade. A experiência mística pode encontrar o seu ponto
de partida e seu solo nutritivo também na realidade terrestre e por meio desta.
Essa realidade - uma ação, uma opção, um encontro, um acontecimento – supõe um
envolvimento e atuação da nossa natureza e das nossas potencialidades humanas, mas
a experiência mística supõe um dom absolutamente gratuito de Deus. Não são duas
vidas de um só sujeito, mas uma só vida de dois sujeitos: é a minha vida e a
vida de Deus em mim. É uma experiência que atinge o homem até o seu intimo mais
intimo, fazendo-o entrar num processo de transformação. Cabe a nós, com a
devida prudência humana direcionar e estruturar essa vida de acordo com as
nossas opções e com a visão que temos das coisas. Mas neste nosso direcionamento
da vida opera a condução divina do Espírito Santo. Sendo assim, a nossa vida de
fé torna-se sempre mais uma vida de Deus em nós, inconscientemente guiada pela
sabedoria de Deus que nos sustenta.[17] É
com o amor com que Deus nos ama que o místico vai ao encontro do mundo.Trata-se
de um conhecimento de Deus que, como diz o Cardeal Newman, não é nocional, mas
real, o que supõe uma conaturalidade Há
quem fala de simpatia infusa, ou como dizia. Aelredo di Rievaulx diria "Dio è
amicizia"[18].
Mística e discernimento
Não se pode negar que, em certo sentido, o
místico vive em dois mundos: o mundo que todos conhecem, e o mundo a partir do
qual ele realmente vive. É precisamente esta tensão entre dois pólos que
constitui a sua biografia espiritual. No seu discurso sobre a imagem de Deus em outubro de 1932, Tito Brandsma se
interrogava: "Come mai l'immagine di Dio
è cosi resa scialba, tanto che molti non ne restano più colpiti? C'è
mancanza soltanto da parte loro? O si richiede qualcosa anche a noi affinché
risplenda questa immagine nuovamente sul mundo di una luce chiara?" É a hora do discernimento. Não é possível fazer
um discernimento fora da história. Se não estivermos atentos ao contexto da
nossa vida como encontrar Deus no fundo da própria existência? Tito reconhece que
na sua época existe uma corrente desastrosa. Não basta, porém, constatá-la. É também
preciso descobrir e fortalecer as perspectivas positivas que ela abre. Neste
ponto ele chama a atenção para o interesse pela mística que se manifesta em
numerosas publicações sobre este e outros temas afins, que não deixam de
apontar para uma sensibilidade e aspirações mais profundas. É o caso de
filósofos e teólogos católicos tomarem consciência da sua missão especial: acompanhar
passo a passo a direção que o pensamento da época está tomando. É para que
todos percebam que é por esse caminho que podem e devem unir-se mais
intimamente a Deus. Tito
completa neste ponto o seu pensamento:
"Affinchè tutto questo
diventi realtà non possiamo considerare il mistico come qualcuno che sta fuori
della vita. Anzi, chiunque vive la storia e ne porta il peso con responsabilità,
deve sentire come suo primario, supremo compito, arrivare alla conoscenza di sé
stesso: la più difficile ma anche la più bella di tutte le imprese umane. E
attravrso il suo intelletto guingere ad incontrare Dio nella profondità della
propria esistenza. Lì si deve arrivare.
Possa pure l'acqua della esistenza essere intorpidita dalle burrasche della
vita! Tornerà la quiete, lo sguardo pacificato andrà nella profundità: lì
saremo capaci di vedere Dio. Dio può essere conosciuto nel nostro intimo, dove
possiamo vederlo e vivere nella sua contemplazione. Questa contemplazione influenzarà
in tutta la nostra condotta. Dio allora si manifestrarà anche nelle nostre
opere.(...) Non basta insistere sul vivere nella prática la nostra fede e
stimularci a questo: occorre fare di più. Dobbiamo capire il nostro tempo e non
isolarci dalla sua influenza. Anche noi siamo figli del nostro tempo. Siamolo
con chiara coscienza e esponiamoci con libertà ai suoi buoni incentivi"[19]
É evidente que na presente reflexão os termos discernimento e discrição que lhe é afim não são entendidos num sentido comum,
referente a um dado puramente natural e sempre necessário a quem se move na
vida social. No contexto que nos ocupa, eles fazem lembrar as palavras
relatadas no evangelho de João:"Quando verrà lo Spirito de verità, egli vi
guidarà in tutta la verità" (16,13).
Discernimento é busca
da verdade. Os textos escritos que dão acesso ao pensamento de Tito Brandsma, como
também a sua atuação em diversos campos de pastoral evidenciam que para ele a
verdade conotava sempre uma relação. Se a busca da verdade não comporta um
entrar no jogo daquilo que eu mesmo sou, não haverá verdadeira busca da
verdade. Pode ser uma busca de congruência entre sistemas conceituais, ou uma
sondagem científica. Mas para isto um computador pode prestar ótimos serviços.A
busca da verdade, o discernimento atingia o próprio Tito naquilo que ele era..
O que vem confirmado por tantas testemunhas que ouviram seu discurso sobre o
conceito de Deus, as suas preleções na universidade ou as suas meditações em retiros.
"Quando ele falava sobre a história da mística, percebia-se que muito
daquilo ele tinha experimentado pessoalmente". E nos variados contactos
com outras pessoas: "sempre tinha tempo para as pessoas que chegavam para
falar com ele, e nunca lhes dava a impressão de que não eram bem-vindas.
Conseguia ouvi-las com paciência e na despedida dava-lhes a impressão de que
ele mesmo tinha sido o beneficiado com "[20]. Quando
a busca da verdade não envolve a própria pessoa numa relação, não há uma
verdadeira busca da verdade porque falta um élan, o élan da santidade. Por isto
o discernimento não consiste em fazer cálculos. Trata-se da busca daquela
verdade que faz viver. Como pode a verdade
fazer viver se ela deixa de ser pessoal, viva, subjetiva e ao mesmo tempo
objetiva?
O discernimento é um
processo interpretativo que leva a uma tomada de decisão. De acordo com o campo
em que o discernimento é feito, este pode adquirir distintos significados. No
discernimento o acento pode cair em experiências individuais, em relações
pessoais ou na vida da inteira comunidade. Um discernimento não é feito num
espaço vazio, mas em contextos bem concretos de maneira que dificilmente deixa
de carregar o carimbo não só do sujeito que discerne mas também dos
condicionamentos históricos[21]. No
seu discurso sobre o conceito de Deus Tito caracteriza a "crise" do
seu tempo como "noite escura" "tempos sombrios", como caos,
labirinto, conseqüência da primeira guerra mundial. Mas não deixa de observar um crescimento da
consciência social, antídoto contra o isolacionismo do indivíduo. O que não lhe
impede de constatar que o social é restringido à própria nação, à própria raça
e à própria classe. Qual é a saída que Brandsma propõe? Sua resposta constitui
precisamente o núcleo do seu discurso: o que deve ser enfocado é o conceito que
se tem de Deus[22].
Como seres humanos
estamos constituídos por uma Profundidade que nos ultrapassa e nos faz aspirar
ao que nos supera. É uma aspiração ontológica, uma urgência interior que
provoca uma tensão entre a experiência de uma plenitude do fim a ser alcançado
e ao mesmo tempo de sua ausência. No ser humano a sua perfeição não representa a
plenitude da natureza humana porque esta não existe só em mim. Aprendíamos na
teologia que não somos como os anjos: cada um deles é sua própria espécie. Cada
um de nós não esgota a natureza humana na sua plenitude. Esta não é a essência
da humanidade, mas o que cada pessoa tem como inalienável é a sua existência
que e incomunicável e única.. Cada um à sua maneira pode realizar a sua
perfeição. No entanto, Deus é o Horizonte, Primeiro e Último que nos convoca,
nos coloca no centro de nós mesmos e ao mesmo tempo, nos faz relacionar com a
comunidade humana e nos ajuda a descobrir nosso lugar no mundo. Daí a
necessidade de uma interiorização para descobrir a Presença de Deus no mais
profundo de nós mesmos. nos despojamos do que é acessório. É um processo de
transformação que nos despoja do que é acessório e nos leva inclusive a uma
integração da afetividade que faz ressoar na nossa consciência a nossa relação
existencial. A consciência afetiva no sujeito, cresce, toma forma a partir da
relação com o outro. No processo espiritual Deus é reconhecido gradualmente
como fim em si mesmo que não pode ser degradado a um objeto a nosso serviço. O
que transforma a consciência afetiva dando-lhe uma abertura cada vez mais
radical na forma de dom de si mesmo num movimento de reciprocidade com o Amado[23]. A
linguagem metafórica em que o(a) mística(a) expressa essa sua relação com Deus,
tem suas razões na psicologia da pessoa, na cultura ambiental, e na riqueza,
mesmo poética, de vários livros da Bíblia..
O místico adquire uma
capacidade de ver a realidade com os olhos de Deus. O que chamamos de
contemplação. A contemplação supõe sempre um movimento para fora no terreno em
que nos relacionamos com os outros, com a natureza, com o cosmos. O movimento
para dentro faz descobrir o inefável, o silêncio, o "sem-lugar", onde
somos despojados, enquanto o movimento para fora torna-se o lugar, onde o
milagre de ter se recebido a si mesmo das mãos de Deus é traduzido em dádiva, comunicação
e comunhão entre os seres humanos e em promoção da vida dos povos.Os dois
movimentos são como os dois lados de uma mesma medalha. A contemplação tem em
si uma capacidade para o discernimento. O que faz entender a advertência de
Tito Brandsma de não perder o equilíbrio entre esses dois pólos através de um
ativismo e de uma espiritualidade meramente exterior[24].
Na Sexta Feira Santa de
1942, Tito Brandsma, internado no campo de concentração de Amersfoort, faz uma
meditação sobre a paixão de Cristo.Um caixote, colocado entre dois beliches lhe
serve de púlpito. Seus mais de cem ouvintes mantêm-se em silêncio. Conforme uma
testemunha, podia ouvir uma mosca voando. São católicos e protestantes,
comunistas, descrentes e outros peregrinos da humanidade Depois, terminada a palestra do "tio
Tito" eles saem do dormitório em silêncio, como se tivessem vislumbrado nas
suas palavras a miséria e a grandeza que estão sempre juntas na nossa vida.
O homem descobre e
sente que no seu ser há algo mais, um mais que está por construir. O que
constitui sua grandeza e dignidade.É uma dimensão que não consegue manipular porque
sempre há mais do que consegue ver, sempre mais do que pode comover o seu
coração[25]. O
que freqüentemente torna a nossa vida incompreensível para nós mesmos, às
vezes, mesmo como se fosse uma mentira. Há momentos em que no nosso interior
pensamos entrever riquezas escondidas, para, num momento seguinte,
confrontar-nos com carências abismais. Como agarrar-se àquilo que nos escapa? Temos
dificuldade em decifrar os autores místicos. Pensamos que a dificuldade provém
de diferenças culturais. Certamente existe a necessidade de uma inculturação em
direção ao contexto do leitor. A estranheza maior, porém, não provém das
distâncias culturais. É que a linguagem de um místico expressa uma experiência
que fez com que o autor do texto chegou a situar-se na vida de um modo
diferente. É isto que é estranho para nós porque acaba com o ritmo da vida que
nos é familiar. O próprio místico se torce e retorce para encontrar palavras
que se prestam a descrever o que aconteceu com ele. Sua linguagem é feita de
paradoxos, e mesmo de contradições, e de metáforas cujo uso nos parecem não
caber na nossa vida cotidiana. Mas o problema está precisamente aí: para muitos
a espiritualidade e a mística são vistas como artigos avulsos, indicados como
lenitivos para as durezas da nossa vida cotidiana.
A vida é uma realidade
que nos é dada em mãos. Nem sempre é como gostaríamos que fosse. Ela é como um
campo visual que oferece diversas perspectivas, dependendo do ponto a partir do
qual nos situamos diante da realidade. Pode ser que, filhos do nosso tempo,
cada vez mais imersos numa cultura de tecnocracia pragmática, o
nosso olhar tenha dificuldade para enxergar uma relação com o Transcendente.
Olhar esse que pode tornar-se sempre mais débil quando na comunidade eclesial a
que pertencemos cresce o hiato entre a Palavra pregada e a prática vivida. Vivendo
num mundo com sua tendência de globalizar tudo, existe o perigo de tornar a
própria experiência de Deus um produto a mais nesse sistema da sociedade que
deixa cada um deitado no seu egocentrismo.
No lugar do nosso dia-a-dia pode acontecer
uma descoberta do não-lugar. É como
sair da realidade da vida cotidiana para entrar mais profundamente nela. O
místico é alguém que dá provas de uma liberdade que brota do centro dele mesmo.
Ele sabe que o ápice da liberdade é dizer sim a Deus. O que lhe importa é viver
essa profundidade da vida, assumir a sua identidade sem carteira. O Sermão da
montanha fala desses homens e os chama bem-aventurados mesmo se há quem fala
mal deles. Penso em Tito Brandsma que perdoava ao guarda nazista que lhe
maltratava com bastonate e calci a non finire..Penso nele, já no hospital do
campo de Dachau, oferecendo seu tosco terço à enfermeira descrente que alguns
dias depois haveria de injetar no seu pulso uma ampola de ácido fênico. Pode
ser perigoso denunciar a quem afirma possuir a verdade quando, ao contrário, é
a verdade que nos possui
[2] A.Ward, Guardini Romano, nel Dizionario
di Mística, Libreria Editrice Vaticana, 1998, p.609.
[3] Citação in Amadeo Cencini, Dio della mia vita, Paoline, Milano,
2007, p.40.
[4] A esse respeito João da Cruz cita santo
Agostinho: Conóscame yo, Señor, a mi, y
conoscerte he a ti, e comenta: "Porque, como dicen los filósofos, un
extremo se conosce bien por otro" (1 Noche oscura, 12,5).
[5] O historiador Ton Crijnen falou do seu projeto numa palestra feita em 3
de novembro de 2007. Uma síntese dessa palestra foi publicada no Informativo da
Província holandesa dos carmelitas Achter
de Karmel, 2007/5 pp.11-12
[6] Kees Waaijman, Naar God toe denken met Titus Brandsma, in Achter de Karmel, 2008/3, pp 8-12. Trata-se de uma parte de uma
palestra de Kees Waaijman, feita
no simpósio realizada em Nijmegen, em 12 de abril de 2008 por ocasião dos 40 anos do
Instituto Tito Brandsma.
[7] O texto do discurso, sobre Godsbegrip (conceito de Deus) e outros
textos de Titus Brandsma, foram publicados numa antologia a cura de Bruno
Borchert- Tius Brandsma, Mystiek
leven/Een bloemlezing, Ed. B.Gottmer, Nijmegen, 1985, O texto citado
encontra-se nas páginas 75-77. .
[8] Ver Diretrizes Gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil 2008-2010 , Documento aprovado na Assembléia Geral dos
Bispos do Brasil, em abril de 2008. Capítulo I A realidade que nos interpela.
[10]
Citamos José Alzin, Ce petit moine
dangereux, Paris, 1954.; M.M. Arribas, Un
periodista martir, Madrid, 1984; F. Vallainc, Un giornalista martire: Tito Brandsma, Milano, 19853;
S.Scapin, Nella notte la libertà: Tito
Brandsma giornalista martire a Dachau, con una antologia dei suoi scritti,
Roma, 1985.
[11] Oratio est quodammodo desiderii nostri interpres apud Deus: illa recte
solum orando petimus, quase recte desiderara valemus" (Summa Theologiae, II-II, q.83, a 9)
[12] São João da Cruz insiste neste ponto quando
fala das devoções aos santos. Imagens de santos não representam somente o pólo
divino, mas envolvem também o pólo humano. Ver o artigo elucidativo de Kees Waaijman, Heilige beeldvorming – zou Titus zich
verzetten? in C.E.M. Struyker Boudier (redação), Titus Brandsma herzien-herdacht-herschreven, Gooi $ Sticht, Baarn,
1993, pp 98-124.
[13]
Inculturar a fé, evangelizar a cultura, Editorial da Revista teológica,
Nº 110, jan/abr 2008 p.6.
[15]
O.Steggink, Titus Brandsma
herdacht em herzien, in Titus
Brandsma herzien-herdacht-herschreven, Gooi en Sticht, Baaar,.1993,
pp.36-38.
[16]
Ibid. pp. 38-39. Diz O Livro dos primeiros monges: "Di questa vita
viene riconsciuto un duplice fine. Uno è quello che conseguiamo con l'aiuto
della grazia divina atraverso l'esercizio faticoso e la pratica delle virtù;
questo fine, che consiste nell'offrire a Dio un cuore santo e puro da ogni
macchia attuale di peccato. (....) L'altro fine di questa vita, che viene
assegnato per esclusivo dono di Dio, consiste nel gustare in qualche modo nel
propio cuore e nello sperimentare nella propria mente, non solo dopo la morte,
ma anche in questa vita mortale, la potenza della presenza divina e la dolcezza
della gloria celeste".Filippo Ribot
(+1391) carmelitano Istituzione e gesta dei primi monaci, Edizione italiana
a cura di Edmondo Coccia, Libreria Ed.Vaticana, 2002, pp35-36.
[17] J.H.Walgrave em P.Moyaert, Mystiek em liefde, Leuven, 1988, p. 73. Citado por Joris Baers, Evoluerend Westers denken over m,ystiek in
de twintigste eeuw, in Encyclopedie
van de mystiek, Ed. Kok-Kampen, Lannoo. Tielt, 2003, pp.137-238, p.150.
[18] Aelredo di Rievaulx, L'amicizia spirituale, Paoline, Milano, 1996, I, 70, p.130:
"Ma non esito ad applicare all'amicizia la frase che segue, e che Giovanni
dice della carità: Chi rimane nell'amicizia, rimane in Dio, e Dio in lui".
[20] Kees Waaijman, in Titus
Brandsma herzien-herdacht-herschreven, p.117.
[21].Assim o escritor que prometeu
uma nova biografia de Tito, aponta na pessoa deste certas "contradições”
no modo de pensar e de agir. Assim ligava idéias agora obsoletas com outras de
uma abertura moderna surpreendente. Participava com dedicação no movimento
ecumênico mas não tirava "os óculos tradicionais do monopólio
católico-romano". A tudo o que lhe era pedido ele atendia de modo que não
distinguia o que era realmente importante e o que era secundário. Estas "contradições"
fazem parte da história; elas não existiriam vivêssemos fora do tempo e do
espaço.
[22] Kees Waaijman, Naar God toe denken met Titus Brandsma, in Achter de Karmel, 2008/3, pp 11-12
[23] Charles André Bernard, Teologia affetiva, Ed. Paoline,
Milano,1985,-p. 424.
[25] Raimon Panikkar, La intuición cosmoteándrica, Las
tres dimensiones de la realidad, Ed. Trotta, Madrid, 1999, p.96
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