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A Palavra do Frei Petrônio

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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A Mística educa ao discernimento.

*Dom Frei Vital Wilderink, O Carm, In Memoriam.
           
A nossa existência humana não é uma realidade óbvia, algo que nos é devido.Vivemos no espaço e no tempo.; temos um passado, um presente e um futuro. Não nos possuímos plenamente: freqüentemente temos a impressão de estarmos juntando fragmentos. A nossa vida parece um tecido feito de interrogações e respostas, estas últimas se abrindo em novos questionamentos. Ao mesmo tempo, porém, sentimos que vida é um convite a uma responsabilidade nossa. Responsabilidade cujos contornos dependem da perspectiva e do sentido que atribuímos à mesma vida. Responsabilidade supõe uma liberdade. Para Sartre, filósofo e escritor francês, a liberdade era o fundamento do homem no seu "être-au-monde". Mas para ele que afirmava que a existência do homem "nasce sem razão, se prolonga por debilidade e morre por acaso" a liberdade deveria reduzir-se a uma piada absurda que, como revelam os heróis de seus romances, lhe corroia a vida. Nesta perspectiva o aceitar-se a si mesmo significa uma condenação.
            Romano Guardini escreveu um livro que na sua versão em italiano tem como título Accettare se stessi[1]. Em todos os escritos de Guardini há um motivo condutor: oposição ou tensão em tudo que tem vida; portanto também na vida do homem. Para Guardini o problema do homem moderno está em considerar Deus como o oposto oprimente que se opõe à existência de todo indivíduo, ao invés de ver nele a origem e o sustentador de tudo que é vida[2]. Ao falar da razão da existência do homem, Guardini já abre uma perspectiva mística:

Io... ho ricevuto me stesso. Al princípio della mia esistenza... non sta una decisione di essere,        presa da me stesso. Tanto meno semplicemente ci sono, senza che necessiti di alcuna    decisione di essere... Bensì al principio della mia esistenza sta un'iniziativa, un.Qualcuno, che      ha dato me a me stesso. In ogni caso sono stato dato, e dato come quest'individuo           determinato[3].

            Na medida em que esta verdade for aceita, não só intelectualmente mas também afetivamente, a consciência da pessoa vai se tornar mais abrangente; o que não deixará de atingir o dinamismo da sua vida. Quem encontra, pela fé, uma iniciativa de um amor que preferiu a nossa existência à nossa não-existência, começará a encontrar na sua história sinais de uma presença, um sentido, um chamado. É uma descoberta-constatação que vai germinando e desenvolvendo uma consciência vocacional para a partir dela escrever a sua própria história. Como posso ser chamado se o próprio chamado não me oferece a habilidade de responder, uma responsabilidade? Evidentemente, trata-se de uma busca feita às apalpadelas. A vida que nos foi dada é o único espaço que oferece a possibilidade para um encontro com Deus porque seu amor criador está intimamente entrelaçado com a nossa própria vida. É um terreno velado que pede ser desvelado. Sem velo não pode haver revelazione. O próprio ser é um velo que ao mesmo tempo manifesta a realidade e a esconde. O que faz entender por que o salmista suplica que o próprio Deus faça nele o discernimento necessário para fazer o caminho certo: "Scrutami, o Dio, e conosci il mio cuore; saggiami e conosci i miei pensieri. Vedi se c'è in me uma via di menzogna e guidami nella via eterna" (Sl 139,23-24).[4] O salmista tem consciência da presença de Deus: "Alle spalle e di fronte tu mi stringi, tu poni su di me la tua mano" Sl 139, 5). Mas, ao mesmo tempo, sente que não consegue captá-la porque não se trata de um "objeto" que pode ser sistematizado e atingido pelas potencialidades humanas: "Stupenda è per me la tua conoscenza, talmente alta che no riesco a raggiungerla"(Sl 139,6).
            O discernimento  visa a práxis da nossa vida: uma decisão, uma escolha, uma ação concreta.. O discernimento, enquanto define a nossa história numa dimensão ou tomada de posição, envolve a nossa vida toda como relação com Deus. O discernimento é um olhar ao mesmo tempo para dentro e para fora. É um mover-se para Deus presente no mais íntimo do nosso ser. Não posso, porém, contemplar Deus em mim se não consigo descobri-lo nos que comigo são criaturas humanas, e na natureza e no universo.
            Na nossa reflexão sobre mística e discernimento vamos seguir dados biográficos de Tito Brandsma, carmelita místico, figura ainda próxima à nossa geração. O que poderá iluminar o tema que nos ocupará nestas páginas.

Tito Brandsma: homem de seu tempo
            Ainda recentemente um historiador holandês anunciou um projeto seu de escrever uma nova biografia de Tito Brandsma.[5] O que motivou o escritor foram não só seu estudo de inúmeras fontes que oferecem novos dados, mas também a importância- de uma visão mais crítica da vida e do trabalho desse carmelita que corresponda mais à realidade dele mesmo e da época turbulenta em que ele viveu. A personalidade de Tito seria mais complexa do que a imagem que dele durante decênios foi apresentada à admiração e à devoção pública. A compreensível emoção provocada por sua morte, teria comprometido a visão da realidade. Isto seria uma pena. Jamais deve-se despojar Tito Brandsma da sua humanidade com as contradições e limitações que ela possa apresentar. Do contrário perderia seu interesse para a geração de hoje. Tito é uma figura suficientemente pura para passar por essas provas críticas.
            É evidente que não podemos privar uma pessoa espiritual ou mesmo santa, da sua humanidade. Não sobraria nenhuma possibilidade para falar da sua espiritualidade ou santidade que não teriam nenhum significado histórico. Espiritualidade sem história não existe e é só a partir da sua história que pode ser conhecida e descrita. Daí o caráter interdisciplinar da espiritualidade como ciência. A experiência da nossa relação com Deus sempre supõe um contexto histórico caracterizado por determinados fatores culturais.  
            O discurso que Tito Brandsma, como reitor magnífico pronunciou, em 1932, no dies natalis da Universidade Católica de Nijmegen sobre o conceito ou imagem de Deus, conserva uma atualidade surpreendente. Na época a formação teológica trazia o carimbo da neo-escolástica caracterizada por uma linguagem especulativa e abstrata. Falava-se de Deus como se tratasse de uma espécie de realidade eterna, atemporal e imutável sobre a qual a nossa busca de peregrinos não tinha muito a dizer. Insistia-se, sem dúvida, na prática das virtudes, mas, como Tito diz no seu discurso, não sem perigo de reduzir a vida espiritual a uma prática exterior. Para Tito, porém, Deus não independe de formas humanas de conhecimento que são marcadas pelo tempo e pelo contexto. Neste ponto o professor Brandsma quer insistir na necessidade de uma abertura em relação a novas evoluções na espiritualidade.[6]
"Credo che sia nostro dovere guardare attorno a noi al fenomeno della negazione di Dio. Non perché, innanzittutto, dobbiamo assumere verso di esso un atteggiamento di difesa; bensì, a causa di questo fenomento, trarre motivo per far conoscere l'immagine di Dio in forme nuove, per adattarne il concetto alla cultura moderna. In modo  tale che dalla ricchezza di questo concetto venga messa in evidenza quell'aspetto della grandezza del nostro Dio che più oggi affascina... Vi è una così grande ricchezza di aspetti sotto i quali si può considerare l'immagine di Dio, che dobbiamo stare attenti a non appoggiarci troppo sul vecchio e a non ritenere sufficienti le immagini tradizionali. Tempi nuovi richiedono forme nuove....Non basta insistere sull'esigenza di mettere in pratica la fede in Dio e impegnarci in questa direzione: occorre di più. Dobbiamo comprendere il nostro tempo e  non estraniarcene. Anche noi siamo figli del nostro tempo: siamo-lo con chiara conscienza! Lasciamo che il tempo attuale agisca su di noi con quanto di buono ha"[7].
            Neste tempo de transformação o discernimento torna-se uma necessidade. O conceito de Deus na nossa época tem um caráter pragmático. A verdade para o homem moderno é pragmática. O que explica porque muitos se afastam de Deus e que muita injustiça existente no mundo é considerada uma realidade evidente. Além disto a imagem que se tem de Deus tem caráter intuitivo. Mas freqüentemente a intuição não é mais que o resultado de um simples raciocínio que se tornou inconsciente: o hábito torna-se uma segunda natureza.
            Tito Brandsma iniciou seu discurso com a seguintes palavras: "Tra le numerose domande che mi pongo, nessuna me preoccupa di più della questione perché l'uomo con il suo sviluppo e nella fierezza orgogliosa del suo progresso, si allontani in cosi gran número da Dio".A época dos anos 20-30 que marcaram mais a atuação de Tito, já era uma época de mudanças. Já se falava do aparecimento de uma "sociedade aquisitiva". Nos dias atuais percebemos que a história se acelerou. As mudanças se tornaram vertiginosas, comunicando-se a todos os cantos do mundo, configurando uma mudança de época, mais que uma época de mudanças. É um fenômeno que afeta a vida dos povos e o sentido religioso e ético dos que buscam o rosto de Deus, mas que são desafiados por novas linguagens do domínio técnico. É muito significativo o título do livro escrito em 1977 por Erich From: "Ter ou Ser" mostrando que são os BENS, não mais o "bem" ou os valores que constituem o eixo articulador da organização social. É uma caça de bens, não em vista de necessidades, mas em vista de desejos de possuir[8].
            O que Tito defende como necessária para o nosso tempo é "a contemplação de tudo que existe na sua dependência de Deus e na sua origem em Deus" É ver assim a sua ação, discernir assim o seu Ser, antes de tudo em nós mesmos.
Os homens devem reencontrar Deus e viver na sua contemplação. Chamam isto de mística: que seja! Até aceito com satisfação se nisso posso ver a expressão da verdade de que na mística podemos observar o progresso ulterior e mais alto daquilo que potencialmente foi depositado na natureza humana..Contanto que se saiba que a realização dessa potencialidade só acontece por especial graça divina. De nenhuma maneira ela é em conflito com a natureza; pelo contrário, é vocação da natureza humana ver a Deus como o mais alto que ela possa conhecer. É lamentável que isso não seja mais entendido"[9].
            Percebe-se que o discurso de Tito Brandsma segue um caminho que partindo da filosofia, passa pela teologia para chegar à mística. Não recorre a uma retórica que arrasta os auditório.. O pensamento de Tito em movimento para o mistério de Deus é simples e toca o interior dos seus ouvintes.Um dos colegas-professores de Tito, o jesuíta Jacques van Ginneken, observou depois de ouvir o discurso: "Se não me engano, havia no discurso de Brandsma tonalidades da sua própria experiência mística"

Tito Brandsma aos olhos do povo
         É evidente que uma figura como a de Tito Brandsma não poderia revelar seu significado tirando-a do seu próprio contexto histórico. De outro lado, a sua memória, ao passar para a posteridade, será marcada por enfoques preferenciais de outros contextos históricos. Principalmente quando se trata de um santo, é o próprio povo devoto que vai revesti-lo de acordo com as suas preferências.
            É compreensível que uma primeira imagem que se formou de Tito Brandsma, principalmente na sua pátria, foi a de um herói da resistência contra o nazismo. Já na década dos anos 30, através de cursos e palestras, Tito havia combatido fortemente a ideologia nazista que ganhava terreno na Alemanha e não deixava de suscitar partidários na própria Holanda. Arrestado pela polícia do Serviço de Segurança em janeiro de 1942, Tito fez uma dolorosa peregrinação por várias cadeias e campos de concentração para morrer no campo de Dachau onde lhe administraram uma injeção de ácido fenico, metodo più sbrigativo per stroncarne l'ultimo filo di vita. A enfermeira que executa o serviço, convertida mais tarde, será uma testemunha importante no processo de beatificação.Em mais de 35 cidades como gesto de homenagem civil ao herói da resistência, existe uma praça ou uma rua que tem o seu nome. É provável que, ao passar das gerações, o nome da rua vai servir mais para identificar os moradores do que o herói de um passado sempre mais longínquo..
            Já em 1944, quando a ofensiva dos aliados consegue libertar o sul da Holanda da ocupação inimiga, é publicada uma oração escrita em forma de poesia por Tito na prisão de Scheveningen. A tiragem de 50.000 exemplares se esgota em pouco meses. Alimento para a devoção popular, a poesia não deixa de irradiar uma proximidade escondida: O Gesù quando te guardo/sento rivivere il mio amore per te/e che anche il cuor tuo mi ama/perfino come a un grande amico.... São palavras que traduzem uma certeza que fazem supor a ameaça do incerto que lhe espreitava de todos os lados. Afinal as palavras de Cristo para os que querem segui-lo,são normalmente traduzidas em situações  não esperadas: "Le volpi hanno tane e gli uccelli del cielo nidi, ma il Figlio dell'uomo non há dove reclinare il capo" (Mt 8,20)
            Aparecem depois as primeiras biografias. Algumas, principalmente na Itália, Espanha e em paises de língua inglesa acentuam, pelo menos no seu título, o papel de Tito junto aos jornalistas e à imprensa católicos na Holanda[10]. Ele estimava muito a carteira pessoal de jornalista, que lhe foi conferida pela Federation Internacionale des Journalistes. Aliás foi por causa de sua atuação como assistente eclesiástico nacional dos jornalistas que Tito foi preso. Em acordo com o Arcebispo de Utrecht, ele procurou convencer as direções e redações dos jornais católicos a não publicar material do Movimento Nacional Socialista Holandês como lhes havia sido imposto.. E não hesitou em confirmar durante os interrogatórios, mesmo por escrito, as razões por que o povo holandês, especialmente a parte católica, se opunha ao Movimento Nacional Socialista Holandês.
            A Família carmelitana identifica nele a herança de sua tradição. Na estátua de bronze que a Universidade Católica de Nijmegen lhe ergueu, Tito aparece vestido do habito de carmelita e segurando no braço esquerdo sua beca de professor catedrático.
            Outros, interessados em cultura no sentido tradicional da palavra, preferem concentrar-se na atuação de Tito no mundo do ensino, dos estudos, nas reuniões de estudiosos da mística, na edição de textos manuscritos, em projetos para instituições universitárias, etc. Não é de admirar que na Holanda cerca de 35 escolas têm o nome de Tito Brandsma nas suas portas de entrada.
            Para o próprio Tito cultura era também entrar em contacto com pessoas concretas, dialogando sobre suas alegrias e tristezas, sobre seu desânimo e esperança. Era escutando que ele conseguia discernir os valores presentes na fé do povo simples, muitas vezes desprezados pelos intelectuais.
            Educado numa família apegada às tradições, num país em que os católicos procuravam emancipar-se também na vida social e política, a coesão era uma exigência. Daí a fidelidade de Tito ao estilo religioso da sua vida, a sua obediência aos que exerciam o ministério episcopal, e a seriedade na execução das missões e tarefas que lhe tinham sido confiadas. Tito Brandsma movia-se, sem dúvida, dentro de uma cultura da palavra dada que não permitia retrocessos. Até o oficial nazista que o submeteu ao interrogatório reconheceu que Brandsma "se manifestou na sua firme convicção um homem de caráter". Por isto mesmo ele era "um homem perigoso" para o nacional socialismo. O oficial do Serviço de Segurança envia seu veredicto aos seus superiores em Berlim: "Parece-me uma necessidade evidente que o professor Brandsma seja internado num campo de concentração por tempo prolongado". Pode ser que a tenacidade de Tito fosse um traço herdado dos seus antepassados. Afinal ele era filho da Frísia. O próprio Tito, sorridente, não teria negado essas atribuições, mas teria dado razões mais profundas que aparecem em palavras suas: "Quem quer conquistar o mundo para Cristo, deve ter a coragem de entrar em conflito com esse mundo".
            É normal que cada admirador e cada devoto do beato Tito Brandsma tenha dele uma imagem. Tomás de Aquino já dizia que "a nossa oração será sempre, de certo modo, a intérprete do nosso desejo junto de Deus, e que na oração só podemos pedir com retidão o que com retidão podemos desejar"[11]. O importante é que a vontade não se fixe nas suas próprias projeções mas que se dirija para Deus [12]. A devoção não tem somente um pólo divino, mas também um pólo humano. Os santos se tornam significativos na medida em que lhes apresentamos as interrogações que temos como filhos do nosso tempo. Cada época tem a sua cultura. Mas a questão fundamental não é a cultura, mas está na experiência da fé. Sem uma experiência da fé não há mensagem a ser inculturada. Se não houver uma experiência da fé, a "inculturação" não será outra coisa que uma pirotecnia eletrônica cujo intento consiste em alcançar e agradar às pessoas[13].
            Na capela comemorativa, levantada em Nijmegen em atenção a Tito Brandsma, há um caderno em que os devotos podem anotar as suas intenções. Com confiança recorrem ao Beato Tito expondo as suas necessidades: cura de doenças, uma operação cirúrgica que preocupa, uma crise familiar, procura de um emprego, as provas finais no colégio... Também não faltam os agradecimentos "ao bondoso padre Tito"..."ao querido Tito" pela ajuda recebida. Outras intenções mostram Tito Brandsma como diretor espiritual, como mistagogo: "Beato padre Tito, reze pelas pessoas que estão caminhando para Deus, Beato Tito ajude-me para encontrar Deus e me entregar, querido padre Tito, continue a me acompanhar..."[14].
           
O homem místico
         Tito Brandsma é mais que herói da resistência, é mais do que professor universitário. Outros já o disserem. Principalmente em torno da sua beatificação, em 1985, o acento começa a cair na dimensão mística da vida de Tito. O impulso nesta direção se deve em grande parte ao Instituto de Espiritualidade Tito Brandsma, ligado à Universidade de Nijmegen. Meio ano antes da beatificação o Instituto organiza um simpósio: Tito Brandsma e a Mística.
            Foram, sem dúvida, os últimos seis meses de sua vida, passados em cadeias e campos de concentração que atraíram a atenção do grande público. É, porém, evidente que a vida mística de Tito não se limita a esse último período da sua vida.  Tito Brandsma era muito discreto no que se referia à sua vida espiritual. Não deixou nenhum diário que possibilitasse seguir o itinerário espiritual dele. Os poucos escritos que permitem um olhar na sua vida interior foram escritos na sua cela de prisioneiro. Citemos alguns testemunhos de contemporâneos que o conheceram de perto, não deixam dúvidas de que Tito era um místico. É o caso dum escritor que durante alguns anos tinha freqüentado na universidade as aulas de Tito sobre a história da mística: "Quando ele falava da história da mística, percebia-se que muito daquilo fazia parte da sua própria experiência". Já em 1939 um professor colega de Tito na universidade o caracterizava como "um místico em plena vida interiormente unificado". E no campo de concentração em Dachau um religioso capuchinho, prisioneiro como Tito: "Ele não era somente um profissional em matéria de mística, pois estou convencido que ele mesmo também tinha experiência". E longa a lista de confrades, amigos e conhecidos, mesmo não católicos de Tito que declararam que nos seus estudos, cursos, homilias, retiros, publicações manifestava-se a sua paixão-predominante: buscar a Deus para viver unido a Ele[15].
            Para Tito a mística não é um artigo avulso, nem uma fuga do mundo. É evidente que não existe mística sem história. Não parece que o professor Brandsma quis entrar no campo de batalha entre as diversas teorias sobre espiritualidade e mística. Se estas várias teorias de um lado mostram um grande interesse pelo movimento místico, às vezes, até com válidas contribuições, de outro lado não deixam de alimentar a confusão sobre certos temas da espiritualidade e da mística. Mas isto pertence ao bom tom científico. É possível que, por causa disto, segundo a opinião de outros profissionais na matéria, faltasse um rigor científico nas publicações de Tito. Para Tito a mística constituía a meta da sua vida. Já se vislumbrava isso no jovem noviço frei Tito, empenhado em traduzir e publicar textos de Teresa de Ávila.. Bem mais tarde, no artigo sobre os Carmelitas que ele escreveu para o Dictionnaire de Spiritualité  ele cita o Livro dos primeiros monges, considerado durante séculos como a Regra original do Carmelo. para provar que o caminho da união com Deus e a contemplação infusa são apresentadas como finalidade da Ordem. E que o carmelita não se restringe a transmitir aos outros as coisas contempladas, mas é chamado a transmitir aos outros a práxis da própria contemplação[16].
            Para Tito existe uma unidade, um entrelaçamento harmonioso entre mística e atividade. A experiência mística pode encontrar o seu ponto de partida e seu solo nutritivo também na realidade terrestre e por meio desta. Essa realidade - uma ação, uma opção, um encontro, um acontecimento – supõe um envolvimento e atuação da nossa natureza e das nossas potencialidades humanas, mas a experiência mística supõe um dom absolutamente gratuito de Deus. Não são duas vidas de um só sujeito, mas uma só vida de dois sujeitos: é a minha vida e a vida de Deus em mim. É uma experiência que atinge o homem até o seu intimo mais intimo, fazendo-o entrar num processo de transformação. Cabe a nós, com a devida prudência humana direcionar e estruturar essa vida de acordo com as nossas opções e com a visão que temos das coisas. Mas neste nosso direcionamento da vida opera a condução divina do Espírito Santo. Sendo assim, a nossa vida de fé torna-se sempre mais uma vida de Deus em nós, inconscientemente guiada pela sabedoria de Deus que nos sustenta.[17] É com o amor com que Deus nos ama que o místico vai ao encontro do mundo.Trata-se de um conhecimento de Deus que, como diz o Cardeal Newman, não é nocional, mas real, o que supõe uma conaturalidade  Há quem fala de simpatia infusa, ou como dizia. Aelredo di Rievaulx diria "Dio è amicizia"[18].

Mística e discernimento
         Não se pode negar que, em certo sentido, o místico vive em dois mundos: o mundo que todos conhecem, e o mundo a partir do qual ele realmente vive. É precisamente esta tensão entre dois pólos que constitui a sua biografia espiritual. No seu discurso sobre a imagem de Deus em outubro de 1932, Tito Brandsma se interrogava: "Come mai l'immagine di Dio  è cosi resa scialba, tanto che molti non ne restano più colpiti? C'è mancanza soltanto da parte loro? O si richiede qualcosa anche a noi affinché risplenda questa immagine nuovamente sul mundo di una luce chiara?" É a hora do discernimento. Não é possível fazer um discernimento fora da história. Se não estivermos atentos ao contexto da nossa vida como encontrar Deus no fundo da própria existência? Tito reconhece que na sua época existe uma corrente desastrosa. Não basta, porém, constatá-la. É também preciso descobrir e fortalecer as perspectivas positivas que ela abre. Neste ponto ele chama a atenção para o interesse pela mística que se manifesta em numerosas publicações sobre este e outros temas afins, que não deixam de apontar para uma sensibilidade e aspirações mais profundas. É o caso de filósofos e teólogos católicos tomarem consciência da sua missão especial: acompanhar passo a passo a direção que o pensamento da época está tomando. É para que todos percebam que é por esse caminho que podem e devem unir-se mais intimamente a Deus. Tito completa neste ponto o seu pensamento:
"Affinchè tutto questo diventi realtà non possiamo considerare il mistico come qualcuno che sta fuori della vita. Anzi, chiunque vive la storia e ne porta il peso con responsabilità, deve sentire come suo primario, supremo compito, arrivare alla conoscenza di sé stesso: la più difficile ma anche la più bella di tutte le imprese umane. E attravrso il suo intelletto guingere ad incontrare Dio nella profondità della propria esistenza.  Lì si deve arrivare. Possa pure l'acqua della esistenza essere intorpidita dalle burrasche della vita! Tornerà la quiete, lo sguardo pacificato andrà nella profundità: lì saremo capaci di vedere Dio. Dio può essere conosciuto nel nostro intimo, dove possiamo vederlo e vivere nella sua contemplazione. Questa contemplazione influenzarà in tutta la nostra condotta. Dio allora si manifestrarà anche nelle nostre opere.(...) Non basta insistere sul vivere nella prática la nostra fede e stimularci a questo: occorre fare di più. Dobbiamo capire il nostro tempo e non isolarci dalla sua influenza. Anche noi siamo figli del nostro tempo. Siamolo con chiara coscienza e esponiamoci con libertà ai suoi buoni incentivi"[19]
           
            É evidente que na presente reflexão os termos discernimento e discrição que lhe é afim não são entendidos num sentido comum, referente a um dado puramente natural e sempre necessário a quem se move na vida social. No contexto que nos ocupa, eles fazem lembrar as palavras relatadas no evangelho de João:"Quando verrà lo Spirito de verità, egli vi guidarà in tutta la verità" (16,13).
            Discernimento é busca da verdade. Os textos escritos que dão acesso ao pensamento de Tito Brandsma, como também a sua atuação em diversos campos de pastoral evidenciam que para ele a verdade conotava sempre uma relação. Se a busca da verdade não comporta um entrar no jogo daquilo que eu mesmo sou, não haverá verdadeira busca da verdade. Pode ser uma busca de congruência entre sistemas conceituais, ou uma sondagem científica. Mas para isto um computador pode prestar ótimos serviços.A busca da verdade, o discernimento atingia o próprio Tito naquilo que ele era.. O que vem confirmado por tantas testemunhas que ouviram seu discurso sobre o conceito de Deus, as suas preleções na universidade ou as suas meditações em retiros. "Quando ele falava sobre a história da mística, percebia-se que muito daquilo ele tinha experimentado pessoalmente". E nos variados contactos com outras pessoas: "sempre tinha tempo para as pessoas que chegavam para falar com ele, e nunca lhes dava a impressão de que não eram bem-vindas. Conseguia ouvi-las com paciência e na despedida dava-lhes a impressão de que ele mesmo tinha sido o beneficiado com "[20]. Quando a busca da verdade não envolve a própria pessoa numa relação, não há uma verdadeira busca da verdade porque falta um élan, o élan da santidade. Por isto o discernimento não consiste em fazer cálculos. Trata-se da busca daquela verdade que faz viver.  Como pode a verdade fazer viver se ela deixa de ser pessoal, viva, subjetiva e ao mesmo tempo objetiva?
            O discernimento é um processo interpretativo que leva a uma tomada de decisão. De acordo com o campo em que o discernimento é feito, este pode adquirir distintos significados. No discernimento o acento pode cair em experiências individuais, em relações pessoais ou na vida da inteira comunidade. Um discernimento não é feito num espaço vazio, mas em contextos bem concretos de maneira que dificilmente deixa de carregar o carimbo não só do sujeito que discerne mas também dos condicionamentos históricos[21]. No seu discurso sobre o conceito de Deus Tito caracteriza a "crise" do seu tempo como "noite escura" "tempos sombrios", como caos, labirinto, conseqüência da primeira guerra mundial.  Mas não deixa de observar um crescimento da consciência social, antídoto contra o isolacionismo do indivíduo. O que não lhe impede de constatar que o social é restringido à própria nação, à própria raça e à própria classe. Qual é a saída que Brandsma propõe? Sua resposta constitui precisamente o núcleo do seu discurso: o que deve ser enfocado é o conceito que se tem de Deus[22].
            Como seres humanos estamos constituídos por uma Profundidade que nos ultrapassa e nos faz aspirar ao que nos supera. É uma aspiração ontológica, uma urgência interior que provoca uma tensão entre a experiência de uma plenitude do fim a ser alcançado e ao mesmo tempo de sua ausência. No ser humano a sua perfeição não representa a plenitude da natureza humana porque esta não existe só em mim. Aprendíamos na teologia que não somos como os anjos: cada um deles é sua própria espécie. Cada um de nós não esgota a natureza humana na sua plenitude. Esta não é a essência da humanidade, mas o que cada pessoa tem como inalienável é a sua existência que e incomunicável e única.. Cada um à sua maneira pode realizar a sua perfeição. No entanto, Deus é o Horizonte, Primeiro e Último que nos convoca, nos coloca no centro de nós mesmos e ao mesmo tempo, nos faz relacionar com a comunidade humana e nos ajuda a descobrir nosso lugar no mundo. Daí a necessidade de uma interiorização para descobrir a Presença de Deus no mais profundo de nós mesmos. nos despojamos do que é acessório. É um processo de transformação que nos despoja do que é acessório e nos leva inclusive a uma integração da afetividade que faz ressoar na nossa consciência a nossa relação existencial. A consciência afetiva no sujeito, cresce, toma forma a partir da relação com o outro. No processo espiritual Deus é reconhecido gradualmente como fim em si mesmo que não pode ser degradado a um objeto a nosso serviço. O que transforma a consciência afetiva dando-lhe uma abertura cada vez mais radical na forma de dom de si mesmo num movimento de reciprocidade com o Amado[23]. A linguagem metafórica em que o(a) mística(a) expressa essa sua relação com Deus, tem suas razões na psicologia da pessoa, na cultura ambiental, e na riqueza, mesmo poética, de vários livros da Bíblia..
            O místico adquire uma capacidade de ver a realidade com os olhos de Deus. O que chamamos de contemplação. A contemplação supõe sempre um movimento para fora no terreno em que nos relacionamos com os outros, com a natureza, com o cosmos. O movimento para dentro faz descobrir o inefável, o silêncio, o "sem-lugar", onde somos despojados, enquanto o movimento para fora torna-se o lugar, onde o milagre de ter se recebido a si mesmo das mãos de Deus é traduzido em dádiva, comunicação e comunhão entre os seres humanos e em promoção da vida dos povos.Os dois movimentos são como os dois lados de uma mesma medalha. A contemplação tem em si uma capacidade para o discernimento. O que faz entender a advertência de Tito Brandsma de não perder o equilíbrio entre esses dois pólos através de um ativismo e de uma espiritualidade meramente exterior[24].
            Na Sexta Feira Santa de 1942, Tito Brandsma, internado no campo de concentração de Amersfoort, faz uma meditação sobre a paixão de Cristo.Um caixote, colocado entre dois beliches lhe serve de púlpito. Seus mais de cem ouvintes mantêm-se em silêncio. Conforme uma testemunha, podia ouvir uma mosca voando. São católicos e protestantes, comunistas, descrentes e outros peregrinos da humanidade  Depois, terminada a palestra do "tio Tito" eles saem do dormitório em silêncio, como se tivessem vislumbrado nas suas palavras a miséria e a grandeza que estão sempre juntas na nossa vida.
            O homem descobre e sente que no seu ser há algo mais, um mais que está por construir. O que constitui sua grandeza e dignidade.É uma dimensão que não consegue manipular porque sempre há mais do que consegue ver, sempre mais do que pode comover o seu coração[25]. O que freqüentemente torna a nossa vida incompreensível para nós mesmos, às vezes, mesmo como se fosse uma mentira. Há momentos em que no nosso interior pensamos entrever riquezas escondidas, para, num momento seguinte, confrontar-nos com carências abismais. Como agarrar-se àquilo que nos escapa? Temos dificuldade em decifrar os autores místicos. Pensamos que a dificuldade provém de diferenças culturais. Certamente existe a necessidade de uma inculturação em direção ao contexto do leitor. A estranheza maior, porém, não provém das distâncias culturais. É que a linguagem de um místico expressa uma experiência que fez com que o autor do texto chegou a situar-se na vida de um modo diferente. É isto que é estranho para nós porque acaba com o ritmo da vida que nos é familiar. O próprio místico se torce e retorce para encontrar palavras que se prestam a descrever o que aconteceu com ele. Sua linguagem é feita de paradoxos, e mesmo de contradições, e de metáforas cujo uso nos parecem não caber na nossa vida cotidiana. Mas o problema está precisamente aí: para muitos a espiritualidade e a mística são vistas como artigos avulsos, indicados como lenitivos para as durezas da nossa vida cotidiana.
            A vida é uma realidade que nos é dada em mãos. Nem sempre é como gostaríamos que fosse. Ela é como um campo visual que oferece diversas perspectivas, dependendo do ponto a partir do qual nos situamos diante da realidade. Pode ser que, filhos do nosso tempo, cada vez mais imersos  numa cultura de tecnocracia pragmática, o nosso olhar tenha dificuldade para enxergar uma relação com o Transcendente. Olhar esse que pode tornar-se sempre mais débil quando na comunidade eclesial a que pertencemos cresce o hiato entre a Palavra pregada e a prática vivida. Vivendo num mundo com sua tendência de globalizar tudo, existe o perigo de tornar a própria experiência de Deus um produto a mais nesse sistema da sociedade que deixa cada um deitado no seu egocentrismo.
            No lugar do nosso dia-a-dia pode acontecer uma descoberta do não-lugar. É como sair da realidade da vida cotidiana para entrar mais profundamente nela. O místico é alguém que dá provas de uma liberdade que brota do centro dele mesmo. Ele sabe que o ápice da liberdade é dizer sim a Deus. O que lhe importa é viver essa profundidade da vida, assumir a sua identidade sem carteira. O Sermão da montanha fala desses homens e os chama bem-aventurados mesmo se há quem fala mal deles. Penso em Tito Brandsma que perdoava ao guarda nazista que lhe maltratava com bastonate e calci a non finire..Penso nele, já no hospital do campo de Dachau, oferecendo seu tosco terço à enfermeira descrente que alguns dias depois haveria de injetar no seu pulso uma ampola de ácido fênico. Pode ser perigoso denunciar a quem afirma possuir a verdade quando, ao contrário, é a verdade que nos possui


[1] R. Guardini, Accettare se stessi, Morcelliana, Bresci, 1970.
[2] A.Ward, Guardini Romano, nel Dizionario di Mística, Libreria Editrice Vaticana, 1998, p.609.
[3] Citação in Amadeo Cencini, Dio della mia vita, Paoline, Milano, 2007, p.40.
[4] A esse respeito João da Cruz cita santo Agostinho: Conóscame yo, Señor, a mi, y conoscerte he a ti, e comenta: "Porque, como dicen los filósofos, un extremo se conosce bien por otro" (1 Noche oscura, 12,5).
[5] O historiador Ton Crijnen falou do seu projeto numa palestra feita em 3 de novembro de 2007. Uma síntese dessa palestra foi publicada no Informativo da Província holandesa dos carmelitas Achter de Karmel,  2007/5 pp.11-12
[6] Kees Waaijman, Naar God toe denken met Titus Brandsma, in Achter de Karmel, 2008/3, pp 8-12. Trata-se de uma parte de uma  palestra  de Kees Waaijman, feita no simpósio realizada em Nijmegen, em 12 de abril de 2008 por ocasião dos 40 anos do Instituto Tito Brandsma.
[7] O texto do discurso, sobre Godsbegrip (conceito de Deus) e outros textos de Titus Brandsma, foram publicados numa antologia a cura de Bruno Borchert- Tius Brandsma, Mystiek leven/Een bloemlezing, Ed. B.Gottmer, Nijmegen, 1985, O texto citado encontra-se nas páginas  75-77. .
[8] Ver Diretrizes Gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil 2008-2010, Documento aprovado na Assembléia Geral dos Bispos do Brasil, em abril de 2008. Capítulo I A realidade que nos interpela.
[9]  Godsbegrip, pp 106-107.
[10]  Citamos José Alzin, Ce petit moine dangereux, Paris, 1954.; M.M. Arribas, Un periodista martir, Madrid, 1984; F. Vallainc, Un giornalista martire: Tito Brandsma, Milano, 19853; S.Scapin, Nella notte la libertà: Tito Brandsma giornalista martire a Dachau, con una antologia dei suoi scritti, Roma, 1985.
[11] Oratio est quodammodo desiderii nostri interpres apud Deus: illa recte solum orando petimus, quase recte desiderara valemus" (Summa Theologiae, II-II, q.83, a 9)
[12] São João da Cruz insiste neste ponto quando fala das devoções aos santos. Imagens de santos não representam somente o pólo divino, mas envolvem também o pólo humano. Ver o artigo elucidativo de Kees Waaijman, Heilige beeldvorming – zou Titus zich verzetten? in C.E.M. Struyker Boudier (redação), Titus Brandsma herzien-herdacht-herschreven, Gooi $ Sticht, Baarn, 1993, pp 98-124.
[13] Inculturar a fé, evangelizar a cultura, Editorial da Revista teológica, Nº 110, jan/abr 2008 p.6.
[14] Waaijman, o.c. pp.108-114.
[15]  O.Steggink, Titus Brandsma herdacht em herzien, in Titus Brandsma herzien-herdacht-herschreven, Gooi en Sticht, Baaar,.1993, pp.36-38.
[16]  Ibid. pp. 38-39. Diz O Livro dos primeiros monges: "Di questa vita viene riconsciuto un duplice fine. Uno è quello che conseguiamo con l'aiuto della grazia divina atraverso l'esercizio faticoso e la pratica delle virtù; questo fine, che consiste nell'offrire a Dio un cuore santo e puro da ogni macchia attuale di peccato. (....) L'altro fine di questa vita, che viene assegnato per esclusivo dono di Dio, consiste nel gustare in qualche modo nel propio cuore e nello sperimentare nella propria mente, non solo dopo la morte, ma anche in questa vita mortale, la potenza della presenza divina e la dolcezza della gloria celeste".Filippo Ribot (+1391) carmelitano Istituzione e gesta dei primi monaci, Edizione italiana a cura di Edmondo Coccia, Libreria Ed.Vaticana, 2002, pp35-36.
[17] J.H.Walgrave em P.Moyaert, Mystiek em liefde, Leuven, 1988, p. 73. Citado por Joris Baers, Evoluerend Westers denken over m,ystiek in de twintigste eeuw, in Encyclopedie van de mystiek, Ed. Kok-Kampen, Lannoo. Tielt, 2003, pp.137-238, p.150.
[18] Aelredo di Rievaulx, L'amicizia spirituale, Paoline, Milano, 1996, I, 70, p.130: "Ma non esito ad applicare all'amicizia la frase che segue, e che Giovanni dice della carità: Chi rimane nell'amicizia, rimane in Dio, e Dio in lui".
[19] Titus Brandsma, Mystiek leven een bloemlezing, pp.103-104, 105.
[20] Kees Waaijman,  in Titus Brandsma herzien-herdacht-herschreven, p.117.
[21].Assim o escritor que prometeu uma nova biografia de Tito, aponta na pessoa deste certas "contradições” no modo de pensar e de agir. Assim ligava idéias agora obsoletas com outras de uma abertura moderna surpreendente. Participava com dedicação no movimento ecumênico mas não tirava "os óculos tradicionais do monopólio católico-romano". A tudo o que lhe era pedido ele atendia de modo que não distinguia o que era realmente importante e o que era secundário. Estas "contradições" fazem parte da história; elas não existiriam vivêssemos fora do tempo e do espaço.

[22] Kees Waaijman, Naar God toe denken met Titus Brandsma, in Achter de Karmel, 2008/3, pp 11-12
[23] Charles André Bernard, Teologia affetiva, Ed. Paoline,  Milano,1985,-p. 424.
[24] Kees Waaijman, o.c. p. 10.
[25] Raimon Panikkar, La intuición cosmoteándrica, Las tres dimensiones de la realidad, Ed. Trotta, Madrid, 1999, p.96

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