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terça-feira, 14 de maio de 2013
A "Palavra do Frei Petrônio": Falha Nossa-01.
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 325. São Matias.
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segunda-feira, 13 de maio de 2013
FESTA DA ASCENSÃO DO SENHOR: A Paz de Cristo.
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FESTA DA ASCENSÃO DO SENHOR: Bênção de Nossa Senhora.
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A VIDA DE ORAÇÃO NO CARMELO.
Redemptus Maria Valabek O.Carm (A reforma de Touraine: Philippe Thibault)
O fermento da Reforma dentro da Ordem, que no caso dos
sucessores de Teresa de Ávila e João da Cruz rompeu tornando-se uma entidade
independente, permaneceu um fator medicinal no tronco original da Ordem. Não só
este fermento foi alimentado por gerais do calibre de Henrique Sílvio, não
somente fez isto/ela (did it) produzir obras sobre oração no Carmelo como A
Escola de Perfeição de Pablo Ezquerra, formada de doutrina espiritual, de
filosofia sagrada e teologia mística, Da
oração mental de Pedro Tomas Sarraceno,
Meditationes, preces et excercitia quotidiana super orationem
dominicam de Paulo Antônio Foscarini,
mas dentro da própria Ordem surgiu a Reforma Turonense, que esparramou seus
efeitos por toda a Ordem como tal. Os principais expoentes desta reforma eram
explícitos no seu desejo de permanecer unidos à Ordem, assim eles preferiram
ser chamados de “Estrita Observância.” Em explícito contraste com a reforma
Teresiana, o papel de uma bem celebrada liturgia permaneceu uma “constante”
nesta observância, que influenciou nas sucessivas constituições da Ordem. Também o Diretório de Vida Carmelitana editado pelo Frei João Brenninger em 1940, repousa
intensamente na espiritualidade deste movimento reformador.
O Pai da Observância, Felipe
Thibault (1572-1638) sentiu-se obrigado a justificar a ênfase na oração
litúrgica, enquanto a tão admirada reforma Teresiana diminuiu sua proeminência,
por exemplo abolindo o canto Gregoriano e o uso do órgão.
Sua resposta:
“O uso do canto, do órgão e dos
cânticos solenes é tão antigo quanto a Ordem Carmelita. A Ordem é um noviciado
para o Paraíso. Nós devemos assim imitar os santos, que rendem homenagem a Deus
por meio de Cânticos. Na verdade, nós não sabemos suas melodias, mas nós
devemos praticar por meio de melodias oferecidas pela Igreja.”
A renovação das celebrações
litúrgicas também encarrega-se/assiste também ao externo attend to externals. A
modéstia e beleza simples das celebrações atraíram os leigos, tanto humildes
como pessoas de prestígio, para assistir às funções litúrgicas dos Carmelitas
em Rennes, o berço da Reforma. Todavia,
o principal acento dos observantes estava numa valorosa, devota celebração, que
espontaneamente flui do coração atenta/cortês/reverente para o Senhor. Palavras
litúrgica, e cantos e cerimônias deveriam ajudar a fixar a atenção e, acima de
tudo, todas as afeições/ afetos no Senhor. Embora isto não devesse ser forçado,
deve haver um constante esforço de ser agradável ao Senhor durante o Ofício
Divino por meio de uma simplicidade de coração, um autêntico espírito de
piedade e pureza de intenção. Os reformadores intuíram algo que hoje em dia
está sendo enfatizado: uma valorosa e devota celebração será o barômetro da
qualidade da vida fora do coro. Ninguém deveria desprezar qualquer
comportamento externo que espelha a reverência do coração diante da Divina
Majestade. Uma atmosfera contemplativa,
então, tem uma crucial importância na tradicional celebração Carmelitana da
liturgia. “Os religiosos deveriam sempre estar ocupados ou com oração ou com
estudo... mas especialmente com o Ofício Divino.”
A Estrita Observância conseguiu
criar uma atmosfera que iria alimentar a vida interior nas comunidades; daí
tanta ênfase no silêncio e na solidão.
“Um religioso nunca será capaz de
receber/desfrutar do espírito do Carmelo se ele nem busca nem ama com todo o
seu coração , tanto em si mesmo quanto nos outros, a vida espiritual e a ocupação
interior com Deus, pelo fiel exercício da divina Presença.”
Uma vida de familiaridade com Deus é
a primeira coisa necessária para um Carmelita. Junto com a prática da presença
de Deus a oração aspirativa é essencial
para preservar o verdadeiro espírito. “Ensina-lhes que o único meio para
preservá-los é conversar com Ele na oração mental e na fiel prática da sagrada
presença, junto com vívidas aspirações inflamadas pelo fogo da caridade.” O verdadeiro espírito do Carmelo está
enraizado na vida interior. Como todos
os outros reformadores do Carmelo, Felipe Thibault também aponta que embora
através dos séculos os Carmelitas tivessem obtido diversas dispensas se sua
Regra, nunca uma atenuação do preceito
de meditar dia e noite na lei do Senhor, “que é o fundamento do espírito da
nossa santa Ordem.”
João de São Sansão
A alma da Observância, um místico
que foi chamado do João da Cruz francês, é o irmão leigo cego João de São
Sansão (1571-1636). Espelhando os místicos Renanos como Ruysbroek e Herp, João
alcançou o mais alta da união transformante; em contraste com seu confrade João
da Cruz, ele tentou descrever esta mais alta, experiência pessoal da oração
Cristã. Incansavelmente, ele ensinou que todos são chamados à vida mística,
isto é, experienciar de algum modo mesmo aqui na terra o próprio Deus e sua real/atual
presença. Para os Carmelitas, saborear a presença de Deus mesmo aqui na terra é
mais importante que qualquer outra tarefa ou trabalho: “O ponto mais
importante... é vacare Deo continuamente.”
Ou mais precisamente: “Em completa pureza de espírito e corpo, em uma
viva, atual e constante presença de Deus... nisto consiste a base do espírito
da nossa Ordem.” Ele insiste na oração contemplativa para os jovens estudantes,
com a idéia que se eles fossem enraizados nela, mais tarde, quando lhes fossem
dadas responsabilidades pastorais, eles estariam habituados a viver pela
essência de sua vida no Carmelo. Tão frequentemente se vive em um nível externo
mesmo em seu próprio cuidado/own regard; sua luta espiritual deve ser de uma
constante interiorização. Ele
resolutamente insiste que esta vida mística
não é acima de tudo trabalho nosso, mas pelo contrário a constante
iniciativa de Deus. No entanto, Deus tem dado à nossa natureza uma
suscetibilidade para esta vida de intimidade com Ele. O espírito de João é evidente
nas Constituições da Reforma Turonense.
“É necessário que um tempo
conveniente e lugar sejam dados aos neo-professos, assim que eles possam estar
mais profundamente imbuídos com o espírito do nosso Instituto, e implantar
virtudes em suas mentes, e transferir todos os seus afetos em Deus, para que em
tempo {so thet in time} eles possam avançar em conversações interiores com Deus
e na doce presença de Deus, que fora de dúvida constitui e faz o verdadeiro
Carmelita.
Indubitavelmente, a vida interior de
oração de cada carmelita seguirá as potencialidades de sua personalidade, de
seus dons naturais e sobrenaturais. O que é importante em todas as formas de
oração é o afeto de suas potências internas a Ele com quem um diálogo se
instala. Mesmo no Ofício Divino o que é importante é estar inflamado com o amor
divino. Na meditação, também, há a
necessidade de “escutar mais que falar, não trabalhar demais com o intelecto,
mas também não ficar negligente ou relaxado/preguiçoso.” Deveria haver tanta reflexão quanto fosse
necessária para surgir afetos e amor pelo Senhor.
A forma de oração preferida pelo
irmão leigo cego era a aspirativa. Esta não é o que comumente é chamada de
oração jaculatória. Ele mesmo dá a exata descrição:
“Uma aspiração não é meramente
qualquer tipo de diálogo afetivo, mesmo que em si este último seja um bom
exercício, e dele nasça e proceda a aspiração. Ela é uma amorosa e inflamada
confiança (élancement) do coração e do
espírito, pelo qual a alma supera-se a si mesma e todas as coisas criadas e une
a si mesmo com Deus na vividez/vivacidade de sua amorosa expressão. Esta
expressão supera todo sensível, racional, intelectual, ou compreensível amor.
Pela impetuosidade do Espírito de Deus e seu próprio esforço, ela alcança a divina união, não em sua completa essência,
mas por uma espécie de transformação pelo Espírito de Deus.”
Esta confiança interior para a
comunhão com o Senhor no amor pressupõe uma vida de constante purificação dos
amores nocivos/doentios puramente humanos, e isto inclui todos os meios normais
para preservar um coração puro, como o silêncio e a solidão. É inútil forçar
este tipo de oração; é Deus mesmo que enche-nos com o seu Espírito. A plenitude
do dom do Espírito faz-nos ansiar/esperar/desejar por sua presença ainda mais.
Não é uma questão de sentimentos ou desejos, mas uma direta comunhão com Deus.
Quatro passos podem ser distinguidos nesta oração. 1) Tudo de si mesmo e tudo
da criação é sacrificado por causa do Senhor que é o centro da atenção; 2) A
Deus se suplica que ele nos envie seus maravilhosos dons; 3) todos os passos
imagináveis são dados para tornar-nos semelhantes a Deus, acolhendo Deus no
modo como ele se digna dar-se a si mesmo a nós; 4)sendo unido a Deus de um modo
mais elevado. Este não é um exercício fácil que é assimilado em um único dia.
Há a necessidade de um esforço perseverante, combinado com uma profunda vida
interior, em vista de ir além de todas as imagens e repousar somente em Deus.
Nos últimos estágios, a oração aspirativa será mais simples.
Devido à extrema pobreza de imagens
devido à sua cegueira, a linguagem de João é difícil às vezes; contudo, ele
tenta descrever que a contemplação abarca, supera, vai além de todas as outras
coisas. A um certo ponto a alma que foi deixada a si mesma uma presa para Deus,
não pode resistir à supereminente bondade, verdade e beleza de Deus. Ela
permite-se ser totalmente permeada e possuída por Ele. Esta experiência deixa a
alma confusa, porque de suas outras experiências, tão parciais e limitadas, ela
acha esta tão difícil de descrever sua comunhão com o Objeto-Tudo. O
contemplativo está convencido que para conhecer Deus nesta toda envolvente
experiência é “não conhecer” a Ele no sentido ordinário. Há uma frustração na
tentativa de expressar a experiência contemplativa. Por esta razão, o
contemplativo por um lado esta cheio de luz mas, por outro lado cheio de
escuridão. Aqueles que chegam a este alto degrau de oração dizem coisas que
fazem sentido somente a outros que tiveram experiências similares.
João de São Sansão constantemente
relembra aos Carmelitas por sua vez a voltarem-se para dentro de si para
repararem na {se dêem conta de} sua inclinação para Deus ao nível do
consciente. Ele refere-se ao scintilla
animae, aquela centelha central da alma
onde Deus habita em nosso ser, nossa vida verdadeira e razão de ser de nossa
pessoa inteiramente. Tudo o mais é julgado e submetido a esta comunhão que
transforma a alma e tudo que ligado à alma de acordo com a Vontade Dele que é
Tudo. Não é mais uma questão da
aspiração, mas do ser completamente vencido e possuído desde o Alto, pela
infinita Beleza e Essência de Deus. Isto não é nada mais do que o céu na terra
que Deus prodigaliza seus amigos mais queridos.
A alma é deificada e transformada.
Domingos de Santo Alberto
Porque foi destinado trabalhar na
formação dos estudantes e aspirantes à Observância de Touraine, João de São
Sansão causou um profundo impacto na vida de oração, especialmente na segunda
geração dos seus membros. O seu excepcional discípulo foi Domingos de Santo
Alberto (1595-1634), que intuiu o verdadeiro espírito do mestre.
É claro que para atingir a perfeição
da verdadeira oração e conversação interna a alma despojada dos desejos
terrestres deveria exercitar-se na amorosa, real/atual e continuada presença de
Deus, satisfazendo fielmente tanto externamente quanto internamente a Divina
vontade.”
Este exercício da presença de Deus,
que se torna constante nos filhos de Deus e amigos, não é algo extremamente
complicado, mas depende dos corações que estão inflamados com simples e
generoso amor por ele.
“Os noviços deveriam ser
advertidos/orientados para não ler muitos livros, mas estarem atentos a Deus em
todo lugar e para caminhara diante dele com simplicidade de coração,
frequentemente elevando-se a si mesmos a
ele por meio de aspirações amorosas... sempre tentando preservar em seus
corações uma inflamada de amorosa lembrança Dele.”
Orar, então, não é nada mais que uma
real atração por relacionar-se com o
Senhor, que geralmente remanece/permanece/resta algo no nível da fé habitual.
“Este estudo sobre oração não é nada
mais que uma verdadeira, total, atual/real atenção a Deus e a uma amorosa
expansão de todas as faculdades da alma em Deus, que então junta e une-as todas
para Deus, que quase sempre, em cada hora e lugar, a alma fala com ele.”
O primeiro nível de oração é meditação:
“Desde o começo de sua conversão, sua alma é de certo modo
rude e imersa em coisas materiais, cheia de fantasias e pensamentos do mundo,
no começo você deve aplicar o seu espírito à meditação dos divinos mistérios. Avaliar as causas e as
circunstâncias com alguma consideração, assim para que depois você possa mover
sua vontade para atos de dor, de amor e de agradecimento, de acordo com o tema
de sua meditação.”
Neste estágio os temas das
meditações deveriam ser a Paixão de Cristo, o valor da vida religiosa, os
benefícios com os quais o Senhor nos cobre. Estas reflexões deveriam ser feitas
em forma de diálogo com o Senhor, que em última
análise é uma ardente afeiçoada e amorosa adesão dão espírito humano,
que está constantemente buscando novos motivos em vista de estar unido ao nosso
Deus supremo.
O segundo nível enfatiza a parte afetiva
do diálogo:
“Depois de haver praticado a
meditação discursiva a partir de algum tema escolhido pela pessoal por algum
tempo... a vontade irá experienciar o desejo de chegar mais perto das divinas
realidades e ter uma viva lembrança e desejo de considerar-se a si mesma com
elas {concern itself with them}. Agora é tempo de adotar uma forma mais simples
de meditação, de diálogo mais simples... Visto que a este ponto a alma é
enchida com o conhecimento de tudo o que pode ser dito, com um simples salto
você se atirará em direção ao Nosso Senhor, falará como Ele num jeito amoroso,
fazendo-lhe perguntas, respondendo-lhe, adorando-lhe, agradecendo-lhe e
evocando inumeráveis atos de amor e resoluções para servi-lo, mantê-lo sempre
presente, imitar suas virtudes, e tudo o mais”
O terceiro nível é um simples olhar da
fé:
“Depois que você dispendeu algum tempo em conversa
interior com do Deus encarnado em seus santos mistérios, você passará a uma
conversação interior com Deus incriado a quem você conhecerá por um simples
olhar da fé em todas as coisas, e mais intimamente em você mesmo. Isto acontece
de uma maneira que você não imagina-lo estar mais no céu que na terra, mas mais
próximo de você que você mesmo. Dando este tipo de fé por certo, seu exercício
será manter uma conversação entre você mesmo e Deus, como uma conversa entre um
bom filho e o seu pai ou um fiel amigo com o amigo, que vive, dorme e come no
mesmo quarto, sempre presente um diante do outro. O assunto do seu diálogo será
tomado basicamente do recíproco amor e desejo que cada um tem de não estar
separado do seu amigo e desfrutar um do outro... Note-se que neste exercício há
praticamente uma oração constante. A lembrança tida de Deus não é uma
especulação ou meditação sobre o ser ou alguma perfeição de Deus, mas uma
consideração, um esperar, um olhar afetuoso a Deus como o tesouro, o fim, o
centro de nossos corações. É um pensamento tido com avidez, como os santos
tiveram. Mesmo enquanto na terra, eles estavam já no céu ‘em pensamento e
avidez’.”
O quarto nível é significativo pelos
desejos que ele evoca:
“A alma a quem Deus mantém neste
estado, porque ela está constantemente crescendo no amor, sentirá seu desejo se
fome por Deus crescendo ao ponto de tornar-se impaciente. Tudo o que faz ou é
capaz de fazer não será suficiente para expressar o seu desejo. Quando ela
pensa estar com Deus em diálogos, seu desejo estará muito além do que ela
explicita. Ela sentirá um enlanguecimento que a fará ela morrer por não estar
capaz de fazer nada. Aqui a pessoa deve estar atenta para não força-la falar
nem evocar muitos atos. É suficiente que ela faça conversões essenciaia
(conversiens essentielles) com todo o seu ser. Estes são preticamente silêncio
e sem muitas palavras formadas. ‘O Deus!’ Isto diz mais que um longo diálogo
porque seu coração esta falando para o coração de Deus e os dois entendem um ao
outro muito bem.”
O Quinto nível:
“Como pode ser visto, através de
tais efusões, a alma sente que ela tem praticamente uma presença contínua e
lembrança de Deus, e se torna cada vez mais desejosa dele... pouco a pouco ela
deve render-se a Deus, deixando para trás inclusive aquelas conversações
essenciais que para produzir ela dispendeu seu esforço, e deixá-la no num nu
desejo que ela sente por Deus. Este desejo é um ato pelo qual ela olha para
Deus como o infinito tesouro que pode satisfaze-la. Assim, despojada do seu
próprio jeito de atuar, Deus satisfaz seus desejos e os faz crescer
incessantemente. Por esta razão, ela permanecerá sempre nele, olhando para ele,
contemplando-o sem cessar. Este desejo é um amor atual/real como uma fome e
sede insaciável de Deus, que causa uma lembrança experiencial e conhecimento
Dele na alma... Este estado é os estado da verdadeira união íntima do espírito
criado com o Incriado. Aqui o cume do espírito, o poder do amor e aplicado
diretamente a Deus. Que é compreendido além de qualquer idéia ou sentimento...
Ela afunda mais e mais dentro de um abismo sem fundo da Natureza Divina.”
O Diretório Espiritual da Reforma
Turonense
Mas ainda um maior impacto na Ordem
foi causado pelo diretório espiritual da reforma, que foi começado por Bernardo
de Santa Madalena (1589-1669), mas
compilado e escrito em forma definitiva por Marcos da Natividade da
Bem-aventurada Virgem (1617-1696), Frei
Marcos teve o talento de reunir o melhor do que os vários membros da
Observância tinham para oferecer e para compilá-lo em vários volumes que se
tornaram textos padrão para a formação para aqueles que queriam se tornar
membros da reforma. Divididos em quatro volumes, o quarto é de particular
interesse: Método Claro e fácil para bem fazer oração mental e para exercitar e
obter frutos na presença de Deus. Enfatizado como o meio adequado para para
viver o preceito central da Regra que é o da oração contínua é o exercício da
presença de Deus. Este exercício deve preceder a oração aspirativa justamente
como o conhecimento precede a vontade. Cinco diferentes modos de oração são
elencados: 1) 9contemplativa/unitiva. A primeira é pressuposta e a quinta é
considerada além das capacidades dos noviços, assim ela se concentra nas outras
três.
Oração Mental é meditação mais que qualquer outra
coisa, mas com o acento na parte afetiva. Ela é definida como “uma conversação
interior e uma série de bons pensamentos e santas afeições em relação/baseado
em uma certa/determinada matéria da qual a alma deseja fazer algum progresso
espiritual.” A preparação próxima para a
meditação ordinariamente toma lugar na cela depois de se cantar as Matinas da
meia noite. Ela consiste acima de tudo em uma
leitura a respeito do tema da meditação.
Esta é seguida pela meditação propriamente dita, na qual o intelecto
atenta e deliberadamente considera alguma verdade, mas sempre com o propósito
de inflamar a vontade para o amor. Afetos/afeições deveriam ser a principal
parte: “Conhecimento e amor não recebem o mesmo grau de importância na oração.
E se você tem amor a Deus, isto será uma fonte inexaurível de excelente
iluminação e de pensamentos
santos.” O ideal é um desenvolvimento e
dependência de uma conversação afetiva com o Senhor, com Nossa Senhora e com os
santos, até o religioso alcançar uma adesão simples a Deus mesmo nas altas
esferas onde o Espírito movo como ele quer.
“Seus afetos serão muito íntimos; tanto a total perda
e resignação de si mesmo nas mãos de Deus, ou uma simples e pura adesão à Sua Majestade, ou uma
transformação uma uniformidade e semelhança, que não pode ser obtida pelo
esforço humano, embora eles sejam capazes de dispo-los para isto, desde que
alguém chega ao eminente degrau de oração praticando o mais baixo degrau de
oração, do qual nós falamos aqui.”
Os afetos deveriam conduzir a pessoa
a fazer resoluções afetivas, particularmente aquelas para aceitar amorosamente
tudo aquilo que Deus nos manda. Ordinariamente a oração termina com petições,
que tendem a mostrar a necessidade de constante ajuda de Deus em nossa oração.
Há outros métodos que podem ajudar especialmente em
circunstâncias especiais. Para aqueles que acham o método acima descrito
difícil a leitura meditativa pode ser uma ajuda. Ou para aqueles que são mais
avançados, existe a oração afetiva:
“Quando alguém adquiriu grande
conhecimento das coisas divinas a partir de muitas meditações, a alma se torna
tão iluminada, que se ela insiste em muita reflexão, ela se torna
clouded/obscurecida e fria. Neste estado ela deveria não querer meditar, mas
deveria, pelo contrário, desfrutar/gozar dos frutos de seu trabalho anterior, e
dar todo o tempo aos afetos. Esta prática é própria somente àqueles avançados
na oração.”
Oração mista é uma combinação de
oração mental com oração oral. Especialmente quando a meditação é difícil, como
em tempos de doença, mas também nos estágios unitivos, esta oração pode ser de
grande vantagem e mostra grande flexibilidade que deve ser respeitada quando se
aconselha métodos de oração. Na oração mista a pessoa toma uma oração bem
conhecida tal como o Pai-nosso, a Ave-Maria, um Salmo ou um versículo favorito.
A oração é recitada com calma e devoção, com o objetivo não de ter bonitos
pensamentos sobre Deus, mas manter um afetivo dialogo com Ele. Não se deveria
ser nada forçado nesta oração; se uma palavra ou verso não causa nenhuma
impressão, segue-se para a frase seguinte.
Finalmente, existe a oração
aspirativa, do tipo ensinado por João Sanz e João de São Sansão. Este tipo de
oração dispõe os corações para uma verdadeira contemplação.
Isto é acima de tudo um exercício de
amor. Porque este exercício não é aprendido por sutil penetração, mas por uma
elevação amorosa do coração a Deus, assim que a mais simples afeição tem mais
valor que pensamentos que estão escritos em livros.”
Esta oração é intimamente vinculada
à prática da presença de Deus. Tomando o lema de Elias, “ Vivo é o Senhor dos
Exércitos, em cuja presença eu estou”,” literalmente, os carmelitas lutam
“para ter Deus continuamente
representado diante de nós para cuidar que esta consciência de Deus oriente
todas as nossas ações e os mais secretos pensamentos, e para oferecer nossos
corações frequentemente a Ele.”
Em vista de alimentar a prática da
presença de Deus com a imaginação, inteligência e vontade o Méthode recomendae elenca aspirações para serem
propostas aos noviços, tomadas das Escrituras. Esta predileção pela Palavra de
Deus, um constante valor da espiritualidade Carmelitana tradicional, é recomendada
por quatro razoes: 1) a própria Palavra de Deus proclama suas palavras serem
uma espada de dois gumes, e assim um meio mais efetivo; 2) a Regra do Carmelo
requer este meio; 3) quando tentado no deserto, o próprio Cristo ensinou-nos
usar as Escrituras para confundir o demônio
e todas as tentações; 4) a Palavra de Deus estimula-nos a adquirir a
virtude.
Exceto o uso das aspirações tiradas
das Escrituras, são recomendadas outras três outros modos de união na presença
de Deus. O primeiro de tudo há o método já encontrado entre os primeiros
eremitas no Carmelo, o bonito jardim do Senhor: ver as pegadas passos/marcas do
Senhor nas suas criaturas. O segundo, concentrar-se na humanidade de Cristo
Jesus em vista de revestir-se por um breve instante com seus pensamentos, seu
espírito e finalmente ser transformado Nele.
Por último, ver a providência de Deus em tudo que acontece a nós, mesmo
nas adversidades.
“Humilde e deliberada aceitação da
providência de Deus em todas as coisas tanto boas como ruins é a consumação e
essencial perfeição deste exercício. Isto é ndada mais que um ato de Caridade,
pelo qual nós amamos todas as coisas que Deus faz, não porque elas estão
agradando-nos por si mesmas, mas por causa do nosso amor por Deus, que as
ordena.”
Ao concluir seu tratado da oração, o
Méthode menciona outros meios muito efetivos, provavelmente destinado àqueles
que estão no limiar da experiência mística no sentido próprio: isto é a
convicção da presença de Deus em si mesmo, com quem se pode dialogar e a quem
se pode consultar em tudo que acontece.
“Esta simples intuição de Deus com
um escondido desejo e afeto de união com Ele
e de agradá-lo em todas as coisas é mais valiosa que milhares de outros
atos que sejam/são feitos pela alma nos estágios inferiores. Assim, o que
parece ser puro silêncio está na verdade cheio das mais vitais expressões e
maravilhosos afetos que as Escrituras e os místicos tão frequentemente louvam.
Aqueles que alcançam este estado caminham no mais profundo recolhimento,
desfrutando Deus em si mesmos... possuindo-O e sendo possuídos por Ele.
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ORAÇÃO NO CARMELO
OLHAR CARMELITANO: A Reforma Turonense.
Dom
Vital, 0.Carm.
No início do século XVII surge na França um movimento
espiritual generalizado conhecido como a Invasion mystique. Na mesma época
inicia-se no convento dos carmelitas de Rennes um intenso movimento de reforma
em torno da pessoa de um irmão, leigo cego, João de São Sansão. O coordenador e
animador do movimento é o frei Filipe Thibault. Este recebeu grande estimulo
dos carmelitas descalços, recém chegados na França. Esta Observância mais
estrita estendeu-se depois as províncias da Bélgica, Holanda, Alemanha, Polônia
e atingindo mesmo o Brasil.
Como a Reforma Teresiana, a Reforma da França, de
“Touraine” como é chamada, insistia na volta ao ideal da oração, da solidão, do
silencio. O lema era “Vacare Deo”: “viver numa vida, atual e continua presença
de Deus em toda pureza de espírito e de corpo”.
Na reforma Touriane manifestou-se bem depressa duas
tendências, como aconteceu também na Reforma Teresiana: uma acentua a solidão,
outra quer integrar a vida ativa no ideal contemplativo. O movimento
apostólico, liderado pelo próprio Thibault, prevaleceu. A atividade apostólica
é considerada uma prolongação da contemplação e ao mesmo tempo o seu fruto.
Para garantir a continuidade do ideal contemplativo, os autores da Reforma
insistem muito no exercício da presença de Deus e da oração aspirativa.
A reforma de Touraine deu início a uma verdadeira escola
de espiritualidade. O mestre principal é, sem dúvida, o irmão leigo, João de
São Sansão, chamado por Bremond, o São João da Cruz da antiga observância. Sua
influencia foi profunda em escritores franceses e flamengos.
A reforma de Touraine teve o seu declínio já nas ultimas
décadas, do século XVII. Várias causas são apontadas, mas a principal é sem
dúvida a mudança de mentalidade que atinge a França inteira. O tempo da grande
florescência havia deixado para a posteridade estatutos precisos e detalhados
que eram sentidos como um sistema que não combinava mais com a vida da época.
Não se pensou numa re-adaptação ou numa renovação. Havia mais uma preocupação
de ver-se livre dum peso. A revolução francesa dispersou os últimos frades e
religiosos carmelitas da França.
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Reforma Turonense
sábado, 11 de maio de 2013
Mensagem do Papa para o 47º Dia Mundial das Comunicações Sociais celebrado em 12 de maio
A Igreja Católica celebra neste domingo, 12 de maio de
2013, o 47º Dia Mundial das Comunicações Sociais, instituído pelo por documento
do Concílio Vaticano II e comemorado anualmente na solenidade móvel da Ascensão
do Senhor. O tema deste ano escolhido ainda pelo Papa Bento XVI é: “Redes sociais: portais de verdade e de fé;
novos espaços de evangelização”, mensagem que faz uma reflexão sobre a
contribuição das redes sociais para a evangelização, num momento em que a
Igreja utiliza as novas mídias sociais para levar a Palavra de Deus ao mundo
inteiro.
Amados irmãos e irmãs,
Encontrando-se próximo o Dia Mundial das Comunicações
Sociais de 2013, desejo oferecer-vos algumas reflexões sobre uma realidade cada
vez mais importante que diz respeito à maneira como as pessoas comunicam
atualmente entre si; concretamente quero deter-me a considerar o
desenvolvimento das redes sociais digitais que estão a contribuir para a
aparição de uma nova ágora, de uma praça
pública e aberta onde as pessoas partilham ideias, informações, opiniões e
podem ainda ganhar vida novas relações e formas de comunidade.
Estes espaços, quando bem e equilibradamente
valorizados, contribuem para favorecer formas de diálogo e debate que, se
realizadas com respeito e cuidado pela privacidade, com responsabilidade e
empenho pela verdade, podem reforçar os laços de unidade entre as pessoas e
promover eficazmente a harmonia da família humana. A troca de informações pode
transformar-se numa verdadeira comunicação, os contatos podem amadurecer em
amizade, as conexões podem facilitar a comunhão. Se as redes sociais são
chamadas a concretizar este grande potencial, as pessoas que nelas participam
devem esforçar-se por serem autênticas, porque nestes espaços não se partilham
apenas ideias e informações, mas em última instância a pessoa comunica-se a si
mesma.
O desenvolvimento das redes sociais requer dedicação:
as pessoas envolvem-se nelas para construir relações e encontrar amizade,
buscar respostas para as suas questões, divertir-se, mas também para ser
estimuladas intelectualmente e partilhar competências e conhecimentos. Assim as
redes sociais tornam-se cada vez mais parte do próprio tecido da sociedade
enquanto unem as pessoas na base destas necessidades fundamentais. Por isso, as
redes sociais são alimentadas por aspirações radicadas no coração do homem.
A
cultura das redes sociais e as mudanças nas formas e estilos da comunicação
colocam sérios desafios àqueles que querem falar de verdades e valores. Muitas
vezes, como acontece também com outros meios de comunicação social, o
significado e a eficácia das diferentes formas de expressão parecem
determinados mais pela sua popularidade do que pela sua importância intrínseca
e validade. E frequentemente a popularidade está mais ligada com a celebridade
ou com estratégias de persuasão do que com a lógica da argumentação.
Às vezes, a voz discreta da razão pode ser abafada
pelo rumor de excessivas informações, e não consegue atrair a atenção que, ao
contrário, é dada a quantos se expressam de forma mais persuasiva. Por
conseguinte os meios de comunicação social precisam do compromisso de todos
aqueles que estão cientes do valor do diálogo, do debate fundamentado, da
argumentação lógica; precisam de pessoas que procurem cultivar formas de
discurso e expressão que façam apelo às aspirações mais nobres de quem está
envolvido no processo de comunicação. Tal diálogo e debate podem florescer e
crescer mesmo quando se conversa e toma a sério aqueles que têm ideias
diferentes das nossas.
"Constatada a diversidade cultural, é preciso
fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas
aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se
possui de bem, de verdade e de beleza" (Discurso no Encontro com o mundo
da cultura, Belém, Lisboa, 12 de Maio de 2010).
O desafio que as redes sociais têm que enfrentar é o
de serem verdadeiramente abrangentes: então beneficiarão da plena participação
dos fiéis que desejam partilhar a Mensagem de Jesus e os valores da dignidade
humana que a sua doutrina promove. Na realidade, os fiéis dão-se conta cada vez
mais de que, se a Boa Nova não for dada a conhecer também no ambiente digital,
poderá ficar fora do alcance da experiência de muitos que consideram importante
este espaço existencial.
O ambiente digital não é um mundo paralelo ou
puramente virtual, mas faz parte da realidade cotidiana de muitas pessoas,
especialmente dos mais jovens. As redes sociais são o fruto da interação
humana, mas, por sua vez, dão formas novas às dinâmicas da comunicação que cria
relações: por isso uma solícita compreensão por este ambiente é o pré-requisito
para uma presença significativa dentro do mesmo.
A capacidade de utilizar as novas linguagens requer-se
não tanto para estar em sintonia com os tempos, como, sobretudo para permitir
que a riqueza infinita do Evangelho encontre formas de expressão que sejam
capazes de alcançar a mente e o coração de todos. No ambiente digital, a
palavra escrita aparece muitas vezes acompanhada por imagens e sons. Uma
comunicação eficaz, como as parábolas de Jesus, necessita do envolvimento da
imaginação e da sensibilidade afetiva daqueles que queremos convidar para um
encontro com o mistério do amor de Deus.
Aliás sabemos que a tradição cristã sempre foi rica de
sinais e símbolos: penso, por exemplo, na cruz, nos ícones, nas imagens da
Virgem Maria, no presépio, nos vitrais e nos quadros das igrejas. Uma parte
consistente do patrimônio artístico da humanidade foi realizado por artistas e
músicos que procuraram exprimir as verdades da fé.
A autenticidade dos fiéis, nas redes sociais, é posta
em evidência pela partilha da fonte profunda da sua esperança e da sua alegria:
a fé em Deus, rico de misericórdia e amor, revelado em Jesus Cristo. Tal
partilha consiste não apenas na expressão de fé explícita, mas também no
testemunho, isto é, no modo como se comunicam "escolhas, preferências,
juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se
fala explicitamente dele" (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações
Sociais de 2011). Um modo particularmente significativo de dar testemunho é a
vontade de se doar a si mesmo aos outros através da disponibilidade para se
deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas,
no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana. A aparição
nas redes sociais do diálogo acerca da fé e do acreditar confirma a importância
e a relevância da religião no debate público e social.
Para aqueles que acolheram de coração aberto o dom da
fé, a resposta mais radical às questões do homem sobre o amor, a verdade e o
sentido da vida – questões estas que não estão de modo algum ausentes das redes
sociais – encontra-se na pessoa de Jesus Cristo. É natural que a pessoa que possui
a fé deseje, com respeito e tato, partilhá-la com aqueles que encontra no
ambiente digital. Entretanto, se a nossa partilha do Evangelho é capaz de dar
bons frutos, fá-lo em última análise pela força que a própria Palavra de Deus
tem de tocar os corações, e não tanto por qualquer esforço nosso. A confiança
no poder da ação de Deus deve ser sempre superior a toda e qualquer segurança
que possamos colocar na utilização dos recursos humanos. Mesmo no ambiente
digital, onde é fácil que se ergam vozes de tons demasiado acesos e
conflituosos e onde, por vezes, há o risco de que o sensacionalismo prevaleça,
somos chamados a um cuidadoso discernimento. A propósito, recordemo-nos de que
Elias reconheceu a voz de Deus não no vento impetuoso e forte, nem no tremor de
terra ou no fogo, mas no "murmúrio de uma brisa suave" (1 Rs 19,
11-12). Devemos confiar no fato de que os anseios fundamentais que a pessoa
humana tem de amar e ser amada, de encontrar um significado e verdade que o
próprio Deus colocou no coração do ser humano, permanecem também nos homens e
mulheres do nosso tempo abertos, sempre e em todo o caso, para aquilo que o
Beato Cardeal Newman chamava a "luz gentil" da fé.
As redes sociais, para além de instrumento de
evangelização, podem ser um fator de desenvolvimento humano. Por exemplo, em
alguns contextos geográficos e culturais onde os cristãos se sentem isolados,
as redes sociais podem reforçar o sentido da sua unidade efetiva com a
comunidade universal dos fiéis. As redes facilitam a partilha dos recursos
espirituais e litúrgicos, tornando as pessoas capazes de rezar com um
revigorado sentido de proximidade àqueles que professam a sua fé. O
envolvimento autêntico e interativo com as questões e as dúvidas daqueles que
estão longe da fé, deve-nos fazer sentir a necessidade de alimentar, através da
oração e da reflexão, a nossa fé na presença de Deus e também a nossa caridade
operante: "«Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não
tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine" (1 Cor
13, 1).
No ambiente digital, existem redes sociais que
oferecem ao homem atual oportunidades de oração, meditação ou partilha da
Palavra de Deus. Mas estas redes podem também abrir as portas a outras
dimensões da fé. Na realidade, muitas pessoas estão a descobrir – graças
precisamente a um contato inicial feito on line – a importância do encontro
direto, de experiências de comunidade ou mesmo de peregrinação, que são
elementos sempre importantes no caminho da fé. Procurando tornar o Evangelho presente
no ambiente digital, podemos convidar as pessoas a viverem encontros de oração
ou celebrações litúrgicas em lugares concretos como igrejas ou capelas. Não
deveria haver falta de coerência ou unidade entre a expressão da nossa fé e o
nosso testemunho do Evangelho na realidade onde somos chamados a viver, seja
ela física ou digital. Sempre e de qualquer modo que nos encontremos com os
outros, somos chamados a dar a conhecer o amor de Deus até aos confins da
terra.
Enquanto de coração vos abençoo a todos, peço ao
Espírito de Deus que sempre vos acompanhe e ilumine para poderdes ser
verdadeiramente arautos e testemunhas do Evangelho. "Ide pelo mundo
inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura" (Mc 16, 15).
Fonte:
WWW.diocesedemacapa.com.br
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Redes sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Ascensão. Uma nova criação
Páscoa, Ascensão e Pentecostes são três festas cristãs
teológicas, separadas no tempo e no espaço, para significar todo o mistério
cristão: a morte de Jesus, a Ressurreição e a Ascensão do Senhor e o
Pentecostes do Espírito Santo. Mas, na realidade material e histórica, tudo se
passou na sexta-feira, 6 ou 7 de abril do ano 30, às portas de Jerusalém, onde
Jesus foi condenado à morte pelo poder judaico e executado, crucificado pelo
poder romano. Com a sua morte na cruz ele já ressuscitou, subiu ao céu e seu Espírito
já foi dado aos discípulos. O Jesus crucificado era o Cristo e Senhor da
Páscoa.
A reflexão é de Raymond Gravel, padre da arquidiocese
de Quebec, Canadá, publicada no sítio Réflexions de Raymond Gravel, comentando
as leituras da Festa da Ascensão do Senhor (12 de maio de 2013). A tradução é
do Cepat.
Eis o texto.
Referências
bíblicas:
Primeira
leitura: At 1, 1-11
Evangelho:
Lc 24, 46-53
A ascensão, segunda face da Páscoa: Jesus não somente
ressuscitou; ele também subiu ao céu. A ascensão marca, portanto, o fim do
tempo de Jesus: “No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que
Jesus começou a fazer e ensinar, desde o princípio, até o dia em que foi levado
para o céu. Antes disso, ele deu instruções aos apóstolos que escolhera, movido
pelo Espírito Santo” (At 1, 1-2), e anuncia o começo do tempo da Igreja: “Mas o
Espírito Santo descerá sobre vocês, e dele receberão força para serem as minhas
testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os extremos da
terra” (At 1, 8). Como compreender esta festa da ascensão? Nesse tempo da
Igreja em que ainda nos encontramos, o que devemos fazer?
1. A ascensão: uma festa pascal
A ascensão está, ao mesmo tempo, voltada para o
domingo da Páscoa: “Era preciso que se cumprisse o que estava nas Escrituras: O
Messias sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia” (Lc 24, 46), e para
o Pentecostes: “Agora eu lhes enviarei aquele que meu Pai prometeu. Por isso,
fiquem esperando na cidade, até que vocês sejam revestidos do poder do alto”
(Lc 24, 49). Esta festa confirma, portanto, a missão dos discípulos que
consiste em proclamar um batismo de conversão, em nome de Cristo, a todas as
nações (Lc 24, 47): “E vocês são testemunhas disso” (Lc 24, 48).
Por outro lado, esta festa da ascensão, assim como a
da Páscoa, foge ao tempo e ao espaço. De sorte que se procurarmos saber o lugar
e o momento da ascensão, corremos o risco de encontrar contradições. Segundo o
Evangelho de Lucas de hoje, será na Betânia, na noite da Páscoa, que Jesus se
separa de seus discípulos e é levado ao céu (Lc 24, 50-51). De acordo com o
livro dos Atos dos Apóstolos, escrito pelo próprio Lucas, será no monte das
Oliveiras, em Jerusalém (At 1, 12), 40 dias após a Páscoa (At 1, 3), que Jesus
se eleva e desaparece aos olhos dos discípulos envolto numa nuvem (At 1, 9). E
se lermos o Evangelho de Mateus, esse último parece dizer que é sobre uma
montanha da Galileia que a ascensão se dará (Mt 28, 16).
Quem tem razão? Todos têm razão, porque o que esses
autores cristãos descrevem não é uma reportagem jornalística de um
acontecimento material e histórico que teria acontecido num lugar e num momento
precisos da sua história. Quanto a Lucas, que situa a ascensão do Senhor, ao
mesmo tempo, na noite da Páscoa, no seu Evangelho, e 40 dias após a Páscoa, nos
Atos dos Apóstolos, é para destacar esse tempo teológico de que precisou a
Igreja do primeiro século para realizar sua missão e para fazer discípulos,
testemunhas da Ressurreição de Cristo.
Páscoa, Ascensão e Pentecostes são três festas cristãs
teológicas, separadas no tempo e no espaço, para significar todo o mistério
cristão: a morte de Jesus, a Ressurreição e a Ascensão do Senhor e o
Pentecostes do Espírito Santo. Mas, na realidade material e histórica, tudo se
passou na sexta-feira, 6 ou 7 de abril do ano 30, às portas de Jerusalém, onde
Jesus foi condenado à morte pelo poder judaico e executado, crucificado pelo
poder romano. Com a sua morte na cruz ele já ressuscitou, subiu ao céu e seu
Espírito já foi dado aos discípulos. O Jesus crucificado era o Cristo e Senhor
da Páscoa.
O exegeta francês Jean Debruynne definiu a festa da
ascensão como um ato de criação. Escreve ele: “Não encontramos mais no
Evangelho de Lucas como isso aconteceu. Lucas não fez uma reportagem sobre a
ascensão. Uma lástima para o culto das stars (estrelas). A ascensão não se
parece com o lançamento de um foguete. A linguagem de Lucas é antes profética
que aeroespacial: Jesus se separa de seus discípulos como um dia o Espírito
separou o céu e a terra, os mares e os continentes para criá-los. É um ato de
criação. De agora em diante os discípulos assumem suas responsabilidades. Esta
promessa de Deus que Jesus anuncia não é nem a conquista nem o poder, mas a
força que coloca o homem em pé”.
2. A ascensão: criação da Igreja
No Antigo Testamento, no segundo Livro dos Reis, no
momento da ascensão do profeta Elias, seu discípulo Eliseu é investido pelo
Espírito de seu mestre, porque ele o viu subir ao céu (2Rs 2, 11.15). Para São
Lucas, que considera Jesus como o novo Elias, podemos supor que ele se inspira
no relato dos Reis para evocar a partida de Jesus. Era preciso que seus
discípulos o vissem subir ao céu para que eles pudessem herdar seu Espírito:
“Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu à vista deles. E quando uma
nuvem o cobriu, eles não puderam vê-lo mais” (At 1, 9). Por outro lado, a
missão da Igreja não consiste em ficar aí parado contemplando o céu, com os
braços na cruz: “Homens da Galileia, por que vocês estão aí parados, olhando
para o céu? Esse Jesus que foi tirado de vocês e levado para o céu, virá do
mesmo modo com que vocês o viram partir para o céu” (At 1, 11). É, portanto,
por meio dos seus discípulos que o Cristo ressuscitado pode se manifestar, mas
será preciso esperar pelo Pentecostes para realizá-lo: “E estavam sempre no
Templo, bendizendo a Deus” (Lc 24, 53).
No Pentecostes, quando os discípulos tomarão
consciência de que são investidos pelo Espírito de Cristo, eles sairão do
Templo para anunciar pelo mundo inteiro, em todas as línguas, a salvação
oferecida gratuitamente a todas e todos. São Paulo dirá que a Igreja é Corpo de
Cristo e São Mateus resumirá muito bem a missão confiada a toda a Igreja:
“Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos,
batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a
observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que eu estou com vocês todos os dias,
até o fim do mundo” (Mt 28, 19-20).
Concluindo, para saber o que devemos fazer hoje, como
Igreja de Cristo, eu vou sugerir esta bela sugestão do francês Charles Singer:
“Não há mais o Cristo visível! Não há mais o Cristo para tocar! Os únicos
traços para ver e tocar que atestam a realidade de sua presença são as pessoas
de cada tempo que suscitam uma terra onde os leprosos e os excluídos terão seu
lugar, onde o ódio não rege as relações, onde a bondade predomina sobre o
desprezo, onde o respeito impede a violência capaz dos piores instintos, onde a
acolhida impede o fechamento em si mesmo! Amigos, são vocês que atestam a
vitalidade do Ressuscitado!”. Isso merece ser lido e relido!
Fonte:
www.ihu.unisinos.b
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MARIA NA REFLEXÃO E NA VIDA ATUAL DO CARMELO
INSTITUTUM
CARMELITANUM- Comissão Internacional Carisma e Espiritualidade.
NAS
SENDAS DO CARMELO - PROGRAMAS FORMATIVOS. N. 5
1) Observações
1. Este tema será bem desenvolvido se
colocado à luz das seguintes considerações:
•
estamos num momento de releitura de nosso carisma e busca dos valores
inspirativos da vida carmelitana: revalorização do rico patrimônio de toda a
Família Carmelitana.
•
tal revalorização está estimulando os (as) Carmelitas à revitalização da própria
vida da qual faz parte a formação de uma renovada e própria imagem emergente de
Maria.
•
esta imagem emergente se vem compondo com elementos precedentes:
-
legados a nós pela herança dos irmãos que nos antecederam, e que enfatizaram em
épocas diversas, conforme já estudamos:
-
Maria Mãe e Patrona,
-
Maria Irmã e Virgem,
-
Maria, Senhora do Escapulário.
-
somados com novas considerações próprias da reflexão teoló¬gica atual:
-
Maria, discípula fiél do Senhor, nosso modelo no caminho da fé,
-
a beleza de Maria, imagem da ternura de Deus.
2.
Ao analisar tais aspectos, com um olhar profundo em busca da verdade sobre
Maria em nossa história e espiritualidade carmelitanas, vamos perceber que as
imagens sempre se completam como peças de um mosaico cujo desenho nossa capacidade humana não tem por completo.
Portanto as imagens não são conflitantes entre si mas complementares. Sua
função é permitir enfatizar aspectos da mariologia que melhor sirvam de
incentivo à vida em cada época. No pensamento e na prática carmelitana anterior
a nós, vamos encontrar muitos aspectos que, pouco a pouco, são enfatiza¬dos
atualmente.
3. Temos possibilidade de apresentar
este tema segundo dois esquemas conforme segue:
A)
partindo dos valores espirituais que sintetizam o carisma;
B)
seguindo o caminho histórico-espiritual de surgimento das imagens e destaque
dos aspectos na experiência da Ordem.
4.
O Mestre optará para fazer a apresentação como lhe parecer melhor. Se o grupo
de noviços é constituído de pessoas com boa cultura será bom seguir a linha
histórico-espiritual com a vantagem de fundamentar melhor o surgimento da
imagem e, consequentemente, os valores. Neste caso, o próprio noviço vai
assumindo a imagem com os elementos que vai encontrando.
Se
se percebe que os Noviços não têm tal capacidade, pode-se partir diretamente
da apresentação das características da imagem, dos valores por ela gerados.
Apresentamos breves sugestões para cada
escolha.
5.
É bom também ter presente que não há
ainda uma síntese sobre a ima¬gem atual de Maria. Esta se encontra em formação.
6.
Pode-se dividir o assunto como melhor ocorrer na preparação do mesmo.
2) Conteúdo
1.
A imagem emergente de Maria entre nós Carmelitas, em nossa época, está
compondo-se como os ricos elementos da herança de nosso patrimônio espiritual
relidos e remarcados à luz da teologia e das ciências humanas.
2.
O importante a se buscar nas imagens são os valores inspirativos para a nossa
vivência, para a realização de nossa vida, para desenvolvimento da nossa
espiritualidade. O que podemos verificar, quando procuramos uma síntese
mariológica para nosso tempo, é que a imagem de Maria, que nos legaram nossos
irmãos, foi sem¬pre veículo dos mesmos valores. Cada época a aprofundou e
também acrescentou, com contribuições originais, o caminho
devocional-doutrinal-experimental, ainda que às vezes, revestidos de aspectos
diversos de nossa atual mentalidade.
3. Para desenvolver o esquema.
•
A figura de Maria sempre foi inspirativa para a vida carmelitana. Ninguém
melhor que Nossa Senhora soube servir a Jesus com co¬ração puro e inteiramente
sintonizada com a Vontade de Deus. Devendo o Carmelita viver a contemplação na
dimensão evangélica e eclesial, fazendo de sua vida e de sua comunidade um
teste¬munho da presença de Deus em meio do povo, vai aprender, com as imagens
de Maria (= dimensões marianas) o jeito de concretizar esta vida.
Já
estudamos as ênfases que em cada momento os Carmelitas de¬ram à figura de
Maria. Verifiquemos como hoje Maria inspira a vivência dos valores do carisma
carmelitano.
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MARIA NA EXPERIÊNCIA DO CARMELO.
INSTITUTUM CARMELITANUM- Comissão
Internacional Carisma e Espiritualidade.
NAS SENDAS DO CARMELO - PROGRAMAS
FORMATIVOS. N. 5
«Os
grandes místicos carmelitanos entenderam a experiência de Deus na própria vida
como um “caminho de perfeição” (Santa Teresa de Jesus), como uma “subida do
monte Carmelo” (São João da Cruz).
Neste
itinerário está presente Maria. Ela - invocada pelos Carmelitas como Mãe,
Padroeira e Irmã - torna-se, enquanto Virgem puríssima, modelo do
contemplativo, sensível à escuta e à meditação da Palavra de Deus e obediente à
vontade do Pai, por meio de Cristo no Espírito Santo.
Por
isto no Carmelo, e em toda a alma profundamente carmelitana, floresce uma vida
de intensa com
OBSERVAÇÕES GERAIS
1-
Nossa vida carmelitana, como parte integrante da vida da Igreja, é eminentemente
cristocêntrica, tendo desenvolvido a esta luz a sua dimensão mariana, ainda
que, em alguns lugares ou épocas, tenham sido cultivadas práticas que não
evidenciavam tal aspecto.
2-Para
garantir uma formação mariana sólida e esclarecida, será conveniente dar aos
noviços uma visão global da forma como Maria foi e é compreendida no Carmelo.
Será para o formador também uma boa oportunidade de ‘“volta às fontes”, pois
irá compreendendo sempre mais o que em cada tempo foi essencial, inspirativo,
válido e o que foi cultural, limitado ao tempo e específico a uma época ou
região. O mesmo deverá fazer sobre as atuais tendências da visão mariana da
Ordem, no contexto eclesial pós Vaticano II.
3-O
assunto deverá ser enfrentado com “calor” e não friamente. Não se trata de
fazer “obra de arqueologia mariana” mas de compreender a experiência vital das
gerações passadas: redescobrir o passado como fonte de enriquecimento,
“remarcar” os valores que estão enfraquecidos, tantas vezes porque não sabemos
receber e usar a herança que nos legaram nossos irmãos.
4-Não
enfrentar o conteúdo a partir de conotações morais ou psicológicas, geradoras
de “clichês” e preconceitos, mas dispor-se a ver a mariologia na experiência do
Carmelo. Ela é como uma mina de valores onde podemos garimpar para maior
compreensão da dimensão mariana da nossa vida carmelitana. Lembrar-se de que
cada aspecto que se vai estudar antes de se tornar história foi e deve ser
“experiência imediata pessoal”. Por isto o estudo deve ser feito em espírito de
comunhão com os irmãos do passado e do presente que nos oferecem o que para
eles é um bem precioso.
5-Para
tal a atitude prévia que o mestre deverá suscitar nos noviços é a de respeito
aos irmãos que caminharam à nossa frente e foram fiéis a seu tempo, bem como
também aos que caminham hoje junto com Maria. Com eles, além de redescobrirmos
nossas fontes e seus tesouros, vamos aprender a fidelidade dinâmica à nossa
dimensão mariana, para enriquecê-la com nossa contribuição no presente, rumo ao
futuro.
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quinta-feira, 9 de maio de 2013
Ascensão: tarefa nossa de levar adiante o Reino de Deus (Lucas 24.46-53)
Ascensão: tarefa nossa de levar adiante
o Reino de Deus (Lucas 24.46-53)
Claudete Beise Ulrich, Pastora luterana
E tarefa nossa levar adiante o Reino de
Deus que se mostra no Amor praticado.
Neste tempo especial da Ascensão e Dia das Mães, é o
final do Evangelho de Lucas (Lucas 24.46-53) que nos inspira e nos convida à
reflexão. A primeira parte do texto (Lucas 24.46-49) é uma breve interpretação
da vida de Jesus numa perspectiva de continuidade da história. Os versículos 50
a 53 apresentam o evento da Ascensão propriamente dito, isto é, narram os
acontecimentos que fazem a transição entre o fim da presença física de Jesus em
meio aos discípulos e às discípulas e o começo da história da Igreja.
Assim está escrito
O texto que conclui o Evangelho de Lucas convida para
uma visão de conjunto de todo o evangelho, ressaltando que o testemunho da
boa-nova é movido pela experiência de encontro com o Cristo vivo e ressurreto,
celebrado em torno do partilhar do pão, da leitura das Escrituras e da missão
que permanece para os discípulos e as discípulas: "pregar em seu nome
(Cristo Jesus) o arrependimento para remissão dos pecados a todas as nações,
começando por Jerusalém".
Portanto, ser testemunha de Jesus é estar comprometido
com a construção da paz, de uma profunda conversão diária, não só pessoal, mas
também estrutural. Por isso, a importância de começar por Jerusalém. Jesus
ressurreto anuncia: "Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai;
permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder".
A cidade de Jerusalém não é mero registro geográfico, mas é o lugar messiânico
onde o evangelho inicia e desde onde as nações o receberão. Portanto, o medo será vencido pelo poder que
virá do alto. Aqui o autor do Evangelho de Lucas já aponta para o acontecimento
de Pentecostes, o qual podemos ler no capítulo 2 de Atos dos Apóstolos.
Jesus abençoa e se despede
Jesus leva os discípulos e as discípulas até Betânia.
Jesus se retira da presença de seus amigos e amigas em Betânia. Ali, acontecem
momentos muito significativos e importantes na vida de Jesus. Em Betânia, ele
tem duas amigas, Marta e Maria (Lucas 10.38-42), e o amigo Lázaro (João 11.1).
Em Betânia, Jesus é ungido (Marcos 14.3-9). Dali, ele parte para a sua entrada
triunfal em Jerusalém (Lucas 19.29-37). O momento da Ascensão de Jesus é
reservado aos que testemunharam e acompanharam a sua tarefa e que deverão, de
agora em diante, levar a sua mensagem de amor ao mundo todo. Jesus despede-se
carinhosamente com a bênção. A bênção de Jesus, desta forma, é única. Jesus
abençoa porque se cumpriu o tempo de servir, chegou o tempo de ser glorificado
(Lucas 24.50): "Jesus erguendo as mãos os abençoou". O gesto de
erguer as mãos lembra o servir. E a bênção transmitida por Jesus é a força
presente para a caminhada e a ação daqueles e daquelas que vão levar adiante a
sua tarefa.
Jesus abençoa e se despede. A despedida de Jesus pode
ser comparada com a visita de uma pessoa muito amiga e especial. Fica-se
acenando até que se perca de vista a pessoa amada. Assim, penso que foi com a
despedida de Jesus. Enquanto abençoava, afastava-se dos e das suas queridas. O
tempo de Jesus na terra está encerrado, mas temos uma promessa: ele voltará.
Porém, não estamos sós, pois nos enviou o poder do alto (realização de
Pentecostes). O céu significa a participação plena de Jesus na vida de Deus. A
Ascensão de Jesus, portanto, é descrita como um momento de enlevo também para
os/as discípulos/as. Não há nada que descreva espanto, desorientação ou medo. A
reação deles/as é de alegria e de louvor a Deus. Pareciam compreender
perfeitamente o que estava acontecendo.
Ascensão: leva ao louvor a Deus e
encaminha para um novo viver
Nos versículos 52 e 53 lemos: "Então, eles,
adorando-o, voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo; e estavam sempre
no templo, louvando a Deus". Não somente Deus merece adoração, mas também
Jesus Cristo é adorado, glorificado. Depois do momento de bênção e despedida de
Jesus, e como resposta dos/as discípulos/as o momento de adoração a Jesus, eles
voltam a Jerusalém, cheios de alegria e júbilo. A alegria dos/as discípulos/as
não é uma alegria qualquer, cotidiana. É uma alegria profética, intimamente
ligada à confirmação de que Jesus é o Messias. Tudo aquilo que ele viveu, fez e
anunciou é verdade. A superação de todos os males da condição humana e
planetária é possível. Outro mundo é possível! A alegria é a alegria pela
libertação: Jesus, o Cristo, venceu a morte, ressuscitou e agora está junto de
Deus. Conclui-se o que o evangelista já tinha anunciado em Lucas 1.14: o
anúncio do nascimento de Jesus foi motivo de alegria para todo o povo. De agora
em diante, Jesus não está mais conosco como ser humano, mas vive-se da fé
naquele que viveu e anunciou o Reino de Deus e que, erguendo-se da terra,
confirma o seu poder alicerçado no amor. O louvor a Deus é consequência da
vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus, que encaminha para um novo viver
em comunhão na espera do cumprimento da promessa do envio do Espírito Santo
(Atos 2.42,47).
Ascensão e Dia das Mães
Duas datas importantes e queridas em nossas
comunidades no Brasil e em todo o mundo. Aqui na Alemanha, Ascensão é feriado
nacional e acontecem muitas celebrações e cultos. No Brasil, a celebração da
Ascensão muitas vezes é um tanto esquecida. Como não é uma data comercial, não
se pode vender muita coisa. Então, trata-se de esquecer esta data tão
importante para nós que cremos em Jesus Cristo. A despedida de Jesus, a sua
glorificação diante dos discípulos e das discípulas, fortalece a esperança e a
luta pela superação dos mecanismos de opressão, marginalização e morte. Jesus
dá esta tarefa a nós seus seguidores e seguidoras. A Ascensão é o sinal
definitivo de que Deus pode mudar a realidade, vencendo as limitações humanas e
os poderes deste mundo.
Essa esperança leva a celebrar. A celebração dá-se
pelo ouvir a Palavra, partir do pão, louvor, agradecimento, reconhecimento,
adoração, bênção, despedida. Assim, podemos também nós celebrar a Ascensão
daquele que amamos e seguimos, Jesus Cristo. As comunidades que seguem a Cristo
são também comunidades radicalmente acolhedoras e inclusivas, ecumênicas e
comprometidas, pois, assim como os discípulos e as discípulas após a
ressurreição, também entenderam que Deus põe-se do lado da Vida.
Quando celebramos Ascensão, lembramos também que, no
segundo domingo de maio, celebramos o Dia das Mães. Assim, lembramo-nos de
todas as mães de nosso Brasil, do continente latino-americano e do mundo. A
celebração é um momento central na vida e na luta contra todas as violências e
sofrimentos que também muitas mães enfrentam em seu cotidiano. Jesus sempre
esteve acompanhado de sua mãe em todos os momentos importantes do seu
ministério, da sua vida, morte e ressurreição. Portanto, as mães acompanham com
fé e amor a vida de seus filhos e filhas, sofrem com suas dores e sonham
esperançosas com um futuro bonito para eles e elas. A memória da Ascensão
lembra-nos da vida toda de Jesus e acende em nós a chama do compromisso de
construir um mundo de paz, justiça e amor, em harmonia com toda a natureza e
todos os povos. Agradecemos às nossas mães na fé que nos transmitiram estes
ensinamentos e pedimos ao Trino Deus: Ajuda-nos, como mães, a transmitir
adiante às futuras gerações: nossos filhos e filhas e aos filhos e filhas de
nossos filhos e filhas, a alegria da Ascensão de Jesus: ele ressuscitou, venceu
a morte, foi elevado aos céus e está junto com Deus. E nós não estamos sós,
porque em 10 dias, será Pentecostes!
Fonte:
http://www.cebi.org.br/
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Freira idosa é condenada por invadir usina nuclear nos EUA
Ativistas
anti-armas nucleares Michael Walli, 64 (esq.), irmã Megan Rice, 83, e Greg
Boertje-Obed, 56, chegam nesta segunda-feira (6) para seu julgamento em
Knoxville, Tennessee
Um
freira católica de 83 anos e dois ativistas foram condenados nesta quarta-feira
pela Justiça dos EUA, pelos danos causados durante uma invasão a uma planta
nuclear.
A
irmã Megan Rice e os ativistas Michael Walli, 64, e Greg Boertje-Obed, 56,
admitiram terem cortado a cerca e entrado na planta Y-12, em Oak Ridge, no
estado americano de Tennessee, que processa e armazena urânio enriquecido,
usado para bombas nucleares.
O
incidente, ocorrido em julho de 2012, desencadeou mudanças nos planos de
segurança do local.
A
sentença dos três condenados ainda não foi definida, mas pode chegar a até 20
anos de prisão, por sabotagem à usina.
Mas
advogados de defesa dizem que os ativistas realizaram apenas um protesto
simbólico e não prejudicaram o funcionamento da planta.
Megan
Rice disse não se arrepender de seu ato. "Meu arrependimento é ter
esperado 70 anos (para fazê-lo)", disse à imprensa local. "(A planta)
causa apenas morte."
Ao
ouvir a condenação perante a Corte, Rice levantou-se e sorriu. Seus
simpatizantes choraram e cantaram músicas de protesto.
Segurança
O
trio admitiu perante a Justiça ter invadido a planta nuclear, caminhado pelo
local, grafitado palavras de ordem e destruído uma parede com um martelo. Eles
passaram duas horas lá dentro. Os danos teriam sido de US$ 8,5 mil (R$ 17 mil),
pelo fato de as operações da planta terem sido supostamente afetadas.
Depois
do incidente, o Congresso americano e o Departamento de Energia investigaram a
segurança do local e identificaram "amostras de inaptidão".
A
empresa que cuidava da segurança do local foi substituída. "Somos uma nação de leis", declarou
ao júri o promotor Jeffrey Theodore. "Você não pode tomar a lei em suas
mãos e forçar suas opiniões sobre as demais pessoas."
Ao
mesmo tempo, autoridades admitiram que os três manifestantes nunca chegaram
perto do material nuclear presente em Y-12.
O
advogado de defesa Francis Lloyd diz que seus clientes foram "bodes
expiatórios", punidos por conta das falhas de segurança encontradas na
usina.
Em
declaração à corte, Boertje-Obed disse que "armas nucleares não oferecem
segurança. Nossas ações (ao invadir o local) estavam oferecendo segurança real
e expondo a falsa segurança".
Fonte:
www.uol.com.br
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quarta-feira, 8 de maio de 2013
Igreja fundada por pastor suspeito de estupros proíbe televisão e Coca-Cola
Carolina
Farias, do UOL, no Rio
"Minha
missão é libertar os oprimidos das mãos de Satanás". É assim que se
descreve o pastor Marcos Pereira, 56, presidente da igreja Adud (Assembleia de
Deus dos Últimos Dias), preso na última terça-feira (7) sob a suspeita de
estupros, homicídio, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
O
líder da igreja petencostal que impõe rígidas posturas aos seus fiéis --as mulheres
têm que se vestir com uma túnica, ninguém pode assistir televisão e nem tomar
Coca-Cola, entre outros preceitos-- ficou famoso como mediador de rebeliões de
presos e de livrar condenados do tráfico e das drogas.
Pastor
Marcos começou sua atividade na Assembleia de Deus em 1989 e em 1990 fundou a
Adud. No mesmo ano da fundação da igreja, ganhou destaque quando começou a
trabalhar no Presídio de Segurança Máxima, na Ilha Grande, em Angra dos Reis,
na região dos Lagos. Atualmente, outros três Estados - Paraná, Maranhão e Minas
Gerais - têm igrejas da Adud.
Em
seu perfil na página da igreja, o texto diz que o pastor atua em todas as
penitenciárias do Rio de Janeiro e em outros Estados do Brasil, sendo
responsável por "milhares de ex-detentos totalmente recuperados".
Em
2004, o então governador e hoje deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ)
chamou Pereira para negociar o fim de uma rebelião de presos que já durava dois
dias na Casa de Custódia de Benfica, na zona norte do Rio. Centenas de reféns
foram salvos, afirmou o pastor à época.
A
"caminhada" do pastor até chegar à Adud foi longo. Antes de ser
convertido em uma pregação do pastor Silas Malafaia, que à época pertencia à
igreja Assembleia de Deus, em 1989, ele vivia totalmente nas "noitadas,
bebedeiras e prostituição", como conta em seu perfil no site da
igreja. Em 2010, Malafaia fundou outra
dissidência da Assembleia de Deus, com a denominação Assembleia de Deus Vitória
em Cristo, que nasceu no bairro da Penha, zona norte do Rio.
Hoje, a doutrina da Adud diz que os fiéis não
podem usar preto e vermelho, apontadas como cores para "identificação
satânica", mas o pastor vestiu rubro-negro por muito tempo. Torcedor
fanático do Flamengo antes da conversão, Marcos participava da organizada do
time e dizia que "em seu vocabulário, de dez palavras, nove eram palavrões".
Marcos
é o terceiro filho de uma família de oito irmãos. Ele diz em seu perfil que sua
família era espírita e de classe média. Em seu perfil, ele diz que em 1982 teve
a primeira filha, Nívea, que atualmente também é pastora. Ele também tem outro
filho, Filipe.
Em
sua página do Twitter, seguidores defendem Marcos. Com citações bíblicas, os
fiéis dizem acreditar que o presidente da Adud foi preso injustamente e pedem
orações pela sua libertação. Pastores da Adud também usaram a rede para
manifestar apoio.
"Que caia por terra toda essa
perseguição", diz o bispo Laerte Lafayett, também da Adud. Outro a
defender é o atual pastor e ex-cantor de pagode Waguinho. Ele cita a Bíblia
para defender o líder de sua igreja. "Não prosperará nenhuma arma forjada
contra ti", postou o ex-pagodeiro.
Já
no Facebook, boa parte dos usuários que postaram na página de Marcos pedem
justiça para os crimes de que ele é acusado.
Fonte:
www.uol.com.br
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pastor Marcos Pereira
segunda-feira, 6 de maio de 2013
LOUCURA: A aventura pela sobrevivência dos moradores de Rua em São Paulo.
Jornalismo
Literário
Após
longas e intermináveis noites de calor, manhã de sol, tarde de raios, trovões,
relâmpagos e chuvas intermináveis, finalmente chegou o dia 20 de março de 2013.
Era o início de mais uma estação.
O
outono despontava naquela manhã cinzenta, chuvosa e fria. Sim, cinzenta e fria
como as diversas vidas enroladas nos pedaços de cobertores e panos velhos da Praça
da Sé, centro da capital paulista. Os transeuntes evitavam olhar para tais
loucos de uma sociedade enlouquecida no grande hospício a céu aberto.
Os
pastores gritavam anunciando o apocalipse. O turista contemplava a beleza
arquitetônica da Catedral da Sé, a imagem de José de Anchieta em volta dos
índios lembrava a fundação da cidade e os tempos das aventuras jesuíticas para
salvar almas. Aquela praça não tem dono, raça ou cor.
Todos
tem uma história para contar, uma alegria para partilhar ou uma desgraça para
lamentar. O nome é Pedro, Francisco, Teresa, Josefa, Maria... São nomes com
histórias, vidas roubas, quebradas e enlouquecidas pelo corre-corre da cidade
grande, desumana, violenta e fria. E
você, qual o seu nome?
“Qual
o meu nome? O nome é Alcides Pereira dos Santos. De onde eu sou? Sou do Paraná,
Colorado no Paraná. Quanto tempo eu vi pra cá? Faz 90 dias. Se eu moro na rua?
Eu tou em situação de rua. Tava num abrigo, no abrigo que tava fechou as portas. Agora tou dormindo enfrente
do Corpo de Bombeiros, eles tão me ajudando até a Santa Casa pro tratamento. Por
que eu vim pra São Paulo? Pro tratamento de câncer e miopia que essa semana retrasada cai duas
vezes dento do bueiro, bati a testa, deslocou a clavícula que ainda dói. Quando
foi ontem fui no mercado buscar umas frutas, o resto das frutas pra gente
comer, cai foi no esgoto. E só era barro! Cai dento e ficou lama até aqui no
meio da canela e a coluna tá descolada e piorou a situação”.
Sou
viajante, cruzo montanhas, ultrapasso barreiras, derrubo muros e saio em
aventura na busca por novas experiências nas grandes cidades. Sou pobre, não
tenho nada, mas sinto uma força que me joga nas estradas da vida. O que faço
para viajar? Se vim de carona?
“Não, não foi bem de carona, uma
pessoa deu assistência pra chegar até aqui. Aliás, sempre tem gente vindo pra
São Paulo, uns ficam na casa de parentes, famílias, amigos, outros termina ficando na rua mesmo”.
Tenho
a minha história. Ela é só minha e de mais ninguém! Gosto da vida e luto para
sobreviver nas ruas, becos e vielas da cidade grande. Porém eu tenho um
problema sério. Como assim? Não entendi. Que problema?
“O
cabelo tá caindo tudo, mas Deus é maior e não vai deixar acontecer o pior
comigo. Eu tenho que continuar com o tratamento se não fica cego e se ficar
cego vira catarata então tão me ajudando o máximo possível”.
No
corre-corre desta Praça lembro-me da minha família. Aqui não estou sozinho, não
sou mais um peregrino. A lembrança da minha história no interior dar ânimo para
viver o presente nesta grande cidade. Sim, lembro-me da luta da minha esposa, a
alegria da minha filha ao acordar de manhã e se preparar para ter mais um dia
de aula. Sim, nos jovens passando nestas ruas vejo o olhar do meu filho como se
estivesse me pedindo um pouco de amor e uma palavra de carinho. Mas o senhor tem
esposa e filhos ou está viajando, inventando histórias?
“Sou
casado e tenho dois filhos, Andressa com dois s e Carlos Eduardo. Ela tem 19 e
ele tem 17. O nome da minha mulher é Ana Lúcia. Por que eu deixei a minha
família? Por causa desse tratamento porque lá a medicina não tá avançada como
na capital, então tive que procurar outro lugar se não tava ficando cego. Se a
família sabe que eu moro na rua? Mais ou menos. As condições também tá
precárias e não tem como dá uma assistência de lá pra cá. Tem que se virando
como Deus quer”.
Nasci
em uma cidade pequena de Santa Catarina. Os 22 dois mil habitantes de Colorado
são amigos. Lá todos se ajudam e gostam de dar um bom dia, uma boa noite, uma
boa tarde. Somos amigos e gostamos de conversar, parar, estender as mãos. Sim,
lá as pessoas são calmas e geralmente vivem tranquilas sem muitas preocupações.
São Paulo não, aqui todos vivem correndo, olha com desprezo e parece que estão
com medo. Medo? Mas o senhor tem medo de viver nas ruas?
“Tou
apavorado! Sem destino, sem saber se vai pra direita, pra esquerda, ponde vai.
Sempre dependendo de um auxílio. Esse tempo todo, sempre dependendo de um
auxílio”.
Sou
filho da fome! Sim, filho do estomago vazio, da água na boca, do olhar faminto,
da barriga gritando e das pessoas olhando com desprezo para a minha miséria.
Lembro-me do prato de comida na minha terrinha, da minha mulher preparando o
feijão, assando a carne no fogão de lenha. Lembro-me do café no raiar do novo
dia, da minha filha correndo para comprar o pão... Hoje vivo de lembranças, só lembranças!. Como assim, o senhor passa fome? Como faz
para se alimentar?
“Hoje,
querendo comer uma comida num estabelecimento comercial, um sujeito da idade do
meu filho disse que o meu dinheiro não dava pra comer nada não. Jogou foi um copo de água no
meu rosto”!
Jogou
um copo de água no seu rosto? O que estes teus olhos viram nesse momento de
fome e angustia? O que esses teus olhos cansados e tristes contemplaram nesse
momento de desprezo, discriminação e fome?
“Eu
tenho 48 anos, não tenho dois dias de idade não. Aí sai de lá chorando,
chateado. Até agora da vontade de chorar, entendeu? Por causa de quê, por causa
de um prato de comida. Não, a comida aqui é nove, dez, não sei o quê, jogou
tudo na minha cara”.
Há
moço, quando a fome aperta tenho que comer. Faço das tripas o coração para encher
a barriga. Quem vive sem comer? Olho pelos vidros daquelas grandes casas e vejo
gente sentada comendo. São comidas bonitas. Parecem gostosas, são saborosas, as
pessoas saem de lá sorrindo, satisfeitas e com a barriga cheia. Eu sei que elas
pagam pra comer. Mas eu também tenho fome. Se tenho dinheiro? O que faço para
não morrer de fome?
“Eu
tenho cinquenta ou setenta centavos no bolso. Vim na igreja pedir pão, a moça
me deu um pouco de café, mastigar um pedaço de pão”.
Outro
problema é quando chega à noite. Durante o dia olho para as pessoas passando,
carros bonitos, músicas, os prédios grandes e altos. A cidade me fascina! Tudo
parece diferente. Mas quando o sol vai embora... O que acontece? Como o senhor
faz para dormir?
“Ali
mesmo, enfrente do corpo de bombeiros, nessa entrada do metrô, da escada da Praça
da Sé, dormindo ali, todo dia. Semana inteira”.
Vivo
nas ruas, eu sou a rua. Olho nas lojas de roupas e vejo coisa bonita. Lembro-me
do vestido azul da minha mulher. Ela ficava bela. O meu filho, Carlos Eduardo
gostava de andar de bermuda. Ele tinha duas camisas do Flamengo. Sabe, uma
coisa que o deixava feliz era vestir uma nova roupa. Já a minha filha Andressa,
com dois s, não fazia questão de roupa nova. Acho que ela puxou o pai. Mas como
o senhor leva muita roupa na sacola?
“A
única roupa que tou é duas bermudas e três camisas. Eu tinha mais roupas, mas
quando chegou aqueles caminhão do rapa, quando eu fui no mercado, quando eu vi
já tava em cima do caminhão. Minha mochila, levaram tudo! Eu fui tentar pegar
em cima do caminhão ai o cara me deu uma bordoada na espinha, ficou um hematoma uma semana”.
Olhando
nestas ruas, na Praça e nos carros, vejo muita gente. Às vezes lembro-me da
minha cidade lá em Santa Catarina. Sabe, lá eu tinha amigos, gostava de
conversar no banco da Praça. Nos finais de semana íamos à Igreja, tinha
futebol, ah! Não posso esquecer-me do barzinho onde a gente tomava uma
cachacinha no sábado à noite. Não sei se voltarei a vê-los de novo. É bom ter
amigos, conversar, jogar conversa fora... Mas o senhor tem amigos aqui nas ruas
de São Paulo?
“Aqui
tem uma comunidade que às vezes passa nos finais de semana, traz alimentação
pra gente. Quando têm roupa eles dão, mas não é sempre, né?
Aqui
tudo lembra os meus filhos e a minha mulher. Quando acordo enfrente do corpo de
bombeiros já vejo o povo passando na rua. Carros e mais carros passam na
Avenida. Parecem que esta cidade não dorme. Até de noite as pessoas ficam
passando pra lá e pra cá. Eu sei que a vida é difícil e todos tem que ganhar a
vida, lutar, correr... É, tudo, tudo nesta cidade lembra a minha família que
também luta, corre e faz o possível e o impossível para sobreviver. Mas a sua mulher
trabalha? O que ela faz para alimentar os seus filhos?
“Ela
trabalha lá, trabalha auxiliar, faxineira né, em loja, em comércio de calçados.
Tão se virando. A minha filha também tá fazendo alguma coisa por lá, tão
ajudando um ao outro”.
Sabe,
quando eu encosto a cabeça na calçada começo a sonhar. Sim, sonhar com a minha
terra, até com as discussões dos meus filhos. É bom ter uma casa, não dormir na
rua, poder olhar nos olhos da mulher que a gente ama. Ah, quanta saudade! Mas o
senhor pensa em deixar as ruas de São Paulo e voltar pra lá?
“Com
certeza, com certeza! Depois de acabar esse tratamento aqui e pegar o meu
óculos, arrumar um jeito de ir pra lá”.
Por
que moro nas ruas as pessoas acham que eu nunca tive um trabalho, que sou
vagabundo. Não, não! Eu sempre tive responsabilidade, cuidei da minha família.
Sempre tive uma vida voltada para o trabalho. Ah é! Qual é a sua profissão?
“Lá
eu trabalha na área da panificação. Sou padeiro, faço pão doce, pão salgado,
bolo de milho, bombocado, rocambole, tapiçuísso, coxinha, esfirra, pastel. Esses
salgados assim, tiro tudo de letra. Faço todos! Mas como que eu vou se a minha
profissional foi para o esgoto? Tou só com o RG. Graças a Deus que eu nunca sai
sem documento”.
Passo
pelas ruas e vejo casas, as famílias moram em prédios altos. Eu, pobre coitado,
não tenho onde ficar, não sei o que falar quando me procuraram onde moro.
Sinto-me perdido no meio da multidão sem um destinatário. É, resta-me sonhar
com um endereço, um futuro, um trabalho e dignidade. Como assim? O senhor está
dizendo que um endereço lhe daria chance de conseguir um emprego?
“Como
é que vou procurar um trabalho aqui no centro da cidade se não tenho um
endereço? Eles pedem pra você qual o seu endereço, seu telefone”.
“Não
moço, dizer que a rua é vida boa é mentira. Quem não gosta de ter um trabalho,
ser útil para o povo? Quem não gosta de acordar cedinho, tomar um banho, fazer
a barba, fazer um café, trocar de roupa, pegar um ônibus, metrô ou trêm e ir
trabalhar? Quem não gosta de lutar, sonhar, e crescer na vida”? Então o senhor está me dizendo que pensa em
voltar a trabalha?
“Logicamente
que vou retornar a minha profissão, faço serviço de pedreiro, qualquer serviço
de coisa ou atividade. Eu não vou ficar o resto da vida desse jeito. Daqui a
pouco com 50 anos. A minha situação não pode deixar piorar. Tem que tocar o
barco pra frente, tem que tocar a peteca pra frente. Não pode olhar pra traz e
ver os defeitos, tem que olhar pra frente, isso é importante, porque sempre vai
ter alguém na frente que vai te ajudar. Nem todo mundo vira as costas”.
Vivo
livre, passo pelas pessoas, não tenho banheiro, espelho, pente ou toalhas para
me enxugar. Vivo sem muita esperança, mas sei me cuidar. Gosto da minha vida,
do meu corpo e quero que todos olhem para o meu corpo limpo. Mas onde o senhor lava
a sua roupa? E o banho, como faz?
“Não
tou andando de terno e gravata, mas não é porque estou em situação de rua que
vou ficar andando sujo pra lá e pra cá fedendo. Pulo no chafariz todo dia.
Tenho o meu sabonete, tomo banho de roupa, aproveito e boto pra secar no
gerador do metrô ali, sento um pouco e seca tudo! Não gosto de chegar perto de
alguém com cheiro de azedo, a pessoa chegar perto de você e ficar se esquivando”.
Não,
não tenho vaidade, mas gosto da minha vida e cuido do meu corpo. Há! Uma coisa eu
não posso negar, fico feliz quando as pessoas reconhecem o meu zelo. Zelo? Mas
o que as pessoas falam?
“Ainda
bem que o senhor não anda sujo, o senhor faz a barba, corta o cabelo. Sempre
tem esses elogios, então pra mim é legal”.
Olhando
para os meus amigos de rua fico pensando na dor, no sofrimento e abandono. Cada
um tem uma história. Alguns já se entregaram ao mundo do álcool, das drogas.
Outros não, eles ainda pensam em ter uma nova vida, uma família, um emprego, um
novo destino. E o senhor, o que gostaria de falar ou gritar para todo mundo
ouvir.
“Que
nenhum passe essa situação que tou passando, a pior coisa do mundo é você ficar
dependendo de outra pessoa”.
Você
pensa que estou sozinho na rua? Que nada! Tenho vários amigos, eles também
vieram de longe para tentar a vida em São Paulo. Alguns pensam em voltar,
outros ficam no mundo da fantasia e da loucura. Tomando essa atitude eles
esquecem a vida de sofrimento. Quem por exemplo? Quem! Pra começar, falo de
José Carlos Almeida. Ele veio do Espírito Santo e tem 70 anos. Converse com
ele, mas não tenha medo das suas histórias fantasiosas e loucas.
Seu
José Carlos, para começo de conversa, gostaria saber se o senhor tem família.
“A
minha família está toda destruída pela uma máfia que vem interagindo em nosso
país, usando o nosso documento para pegar nosso material e o dinheiro dos
bancos todo que é todo nosso”.
Sim,
não tenho dinheiro porque fui vítima da máfia internacional. Ela rouba os
pobres, destrói vidas e acumula bens para comprar armas, destruir países,
poluir os rios, comprar os políticos e transformar o planeta em um caos total!
Mas se o senhor não tem dinheiro, casa e família, onde dorme à noite?
“Eu
fico próximo do Glicério, debaixo de uma ponte que tem uma feirinha, próximo da
igreja Deus é amor. Dormindo exposto, eu dez, a Polícia Federal, eu dez, professor
federal, o governo brindado, o meu material roubado, e meu pagamento roubado do
banco de câmbio que é a porcentagem das indústrias e das fábricas de alimento”.
A
minha família? Não, não, não tenho esposa, não tenho filhos e sou filho do
mundo. Não gosto de viver sozinho, sonho com um lar, quero uma família, faço
preces a Deus para chegar este dia do grande milagre. Milagre? Mas quê milagre?
O que o senhor pede a Deus?
“Eu
vou na Igreja todo dia e peço a Deus quê
me dê uma filha dele pra mim namorar e dá uma condição pra mim casar. Eu
quero no meu casamento convidar os Estados Unidos participar do meu casamento
em nome de Jesus.
Eu
não sou dono da minha vida. Deus é maior e domina todos e tudo. Nada está ao
meu alcance. Ele reina em nossos pensamentos e decisões. Posso casar, ter
filhos ou não. Só Ele é quem sabe. Como assim, o senhor poderia explicar?
“Eu
posso até ter filhos, porque isso é plano de Deus na vida do homem. Porque Deus
quando fez o mundo, Ele fez a terra, o fenômeno, fez o espaço, o céu, e Ele
estuda o fenômeno e todos os homens que tão aqui na terra, todo dia. É o
estudo, este estudo eu não posso revelar, e nem posso revelar o seu registro,
mas Deus tem estudado o céu, o espaço e a terra todo dia e tem estudado o
comportamento do ser humano todo dia que foi criado para habitar na terra”.
Eu
sou a autoridade máxima desta cidade, tenho que ter uma vida digna, ser
respeitado amado e valorizado. Não ando sozinho pelas ruas, tenho segurança,
sou protegido pelas Forças Armadas. O meu nome é poder, eu tenho poder! Mas
afinal de contas, quem é o senhor? Quem eu sou?
“O
presidente do mundo sou, o governo federal do mundo sou eu. O meu almoço é 120
mil real, o meu almoço, que é a minha mesada do dia a dia. Essa mesada tá sendo
roubada por essa máfia que tá comprando terra todo mês, todo mês por ela,
entendeu”?
Sim,
a máfia rouba a cidade, o Brasil e o mundo. Eles destroem diariamente o planeta
e transformam os seres humanos em animais digladiando-se pelo poder, a produção
e o lucro. Tenho medo desta gente violenta, arrogante e orgulhosa. Mas quem são
eles?
“A
gente precisa conversar em particular, eu não posso expressar quem são os
integrantes dessa máfia. Porque esta máfia está agindo no mundo inteiro. Na
China é feita a libra, limite internacional militar, Brasil rodoviária Almeida,
o dinheiro na China é pegado com os meus documentos, no Japão a mesma coisa, em
Nova York a mesma coisa, em Paris a mesma coisa. O governo do mundo é Carlos,
paris é policial, almeida rodoviária silva”.
Sou autoridade e como tal não devo explicações para
ninguém. Posso andar, falar, gritar, cantar, entrar ou sair em departamentos
comerciais, templos, bancos ou clubes. Tenho passe livre para andar por estas
ruas de São Paulo e por todas as cidades do mundo. Eu disse, sou livre! Livre?
Mas porque o senhor sempre vai à igreja? Alguém lhe convidou?
“Não
é um chamado de homem ou de igreja, é um chamado de Deus para com a minha vida.
É um compromisso que tenho que ter com a família, com a família da nossa
igreja. E esse compromisso não pode ter pessoas que venham interceptar, que
minha vida já foi interceptada com eles roubando. Eu me afastei da igreja,
fiquei afastado da igreja católica um bom tempo, mas hoje já tem mais de sete
anos que eu voltei e não perco mais nem uma missa. Durante a semana eu tou
sempre presente na Missa da sexta-feira”.
Aqui
na Praça da Sé tem esta igreja bonita, quando vou dormir sempre me lembro de
Deus nas minhas preces. Lá no Espirito Santo, lembro-me dos meus pais todos os
domingos na Missa. Esta lembrança caminha comigo, entra na minha mente e me
leva a olhar para o alto e fazer sempre uma prece. Mas nas suas orações, além
de pedir uma família, o que mais o senhor pede a Deus?
“Todo
dia eu peço a Deus que nenhum inimigo venha interceptar a minha caminhada,
porque Deus se encontra muito distante e se eles intercepta a minha caminhada
eles intercepta eu chegar ao encontro de Deus, e cada ano que eu ando na
presença de Deus na igreja eu ando cem milhas me aproximando de Deus”.
Olho
na escuridão da noite e tenho medo. Sim, medo da violência, medo das pessoas,
da Polícia... Eu tenho medo! As pessoas não olham para o meu rosto, todos
parecem amedrontados. Ouço gritos, correria, roubo, assaltos. A cidade é
violenta e perigosa. Mas o que fazer para resolver esse problema? O senhor
teria uma solução?
“O
juiz é o governo, se o governo for arrumado, às coisas serão todas colocadas no
seu devido lugar”.
A
minha voz não é qualquer voz. Sou importante, nem todos podem me ouvir. Sou
vítima da bandidagem que arrasa o país destruindo as famílias, matando,
roubando e transformando o país em campo de guerra. Então a sua família foi
assassinada? Deixe a sua palavra final sobre esta triste história.
“Eu
tou na rua tem muito tempo já. A minha mãe foi matada, meu pai foi matado,
minha irmã foi matada. Mataram a minha família toda roubando nosso nome”.
Triste
a sua história. Obrigado por contar a sua vida sem vida, seu olhar cego, seu
corpo sofrido pela fome, suas pernas trêmulas pela doença, seu sonho preso pelo
medo da escuridão, suas mãos trêmulas pelo frio e seu sonho insistente no raiar
de um novo dia. Obrigado, obrigado.
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