Reis de Portugal desde a Descoberta do Brasil:
D.Manuel I - 1495-1521
D.João III - 1521-1557
D.Sebastião - 1557-1578
D.Henrique - 1578-1580
Filipe II (I) - 1580-1598
Filipe III (II)- 1598-1621
Filipe IV (III)- 1621-1640
D.João IV - 1640-1656
D.Afonso VI - 1656-1667
D.Pedro II (Regente) - 1667
D.Pedro II (Rei) - 1683-1706
D.João V - 1706-1750
D.José - 1750-1774
D.Maria Ana (Regente) 1774
D.Maria I - 1777-1799 (Casada com o tio D.Pedro III)
D.João VI (Regente) - 1799
D.João VI (Rei) - 1816-1826
D.Pedro IV (que foi D.Pedro I do Brasil) - 1826-1834
II
Estudos e alguns Carmelitas mais santos ou instruídos
Em 1596 Olinda e, em seguida, Bahia já eram casas de estudo. Segundo Serafim Leite, em 1598 eram cinco os carmelitas que, na Bahia, freqüentavam o Curso de Artes no Colégio dos Jesuítas, e em 1601 eram quatro[47].
O convento carmelita de São Luís foi o primeiro, e de início o mais importante do Estado do Maranhão, com a Casa de Estudos (1693) e a residência do Vigário Provincial, mas tudo passou para Belém (1698), talvez por ser mais central para o trabalho missionário. Em 1724 Bento XIII concedeu-lhes o privilégio de conceder o grau de doutor[48]
Separada da Vigararia do norte, a do sul passou a ter os seus estudos no Rio de Janeiro, transferindo-os depois para São Paulo.
Sabemos que na Bahia "o Curso público de Filosofia era nos Gerais da Companhia. Em 1758, ao deixar (a Companhia) o Brasil, havia já outros cursos. E os moços, depois de instruídos nas escolas «particulares» de Gramática, iam «estudar Filosofia nos Gerais da Companhia ou Carmo, São Bento e São Francisco, onde há Mestres»"[49].
O mesmo Pe. Serafim Leite, que acabamos de citar, nos diz que "a 5 de setembro de 1726 a Câmara de Goiana (PE) requeria a El-Rei que os Carmelitas da sua vila abrissem estudos públicos de latim, mediante o subsídio régio de 50$000 réis, a exemplo dos Franciscanos na Vila de Igaraçu e «mais partes em que não há Companhia»", e continua "abriu-se ao estudo público, e consta doutro documento"[50].
© Nas possessões espanholas, "a penetração da Igreja se desenvolveu notavelmente com o auxílio da música", por meio dos jesuítas, mas na Amazônia, "além dos Jesuítas, tiveram igual importância os Carmelitas, os Capuchos da Piedade e os Mercenários. Estas ordens possuíam professores de música e cantochão e mantinham classes nos principais povoados - Belém, Vigia, Cametá, Murtigura (Vila do Conde), Gurupá, Barcelos (Manaus) etc."
"Faltam-me, por ora, dados positivos para falar da ação dos Carmelitas no terreno da música sacra; contudo, tenho motivos para dá-la como certa: a) o exemplo dos demais religiosos de então, os Jesuítas, Beneditinos e Franciscanos; b) as tradições de Portugal; c) o cultivo assíduo, mais tarde, nas casas carmelitanas, do canto gregoriano, como se verá em outra parte deste estudo. (...). Diz Frei André Prat: «Foi o Convento dos Carmelitas a primeira escola elementar de Belém, e aí nasceu entre ladainhas e hinos uma nova civilização». Num requerimento ao Senado da Câmara feito em 22 de maio de 1790 o Prior do Convento do Carmo do Maranhão, Frei Manuel de Santa Catarina, pede uma certidão «em como foram eles os primeiros religiosos que vieram (...) plantar a Fé Católica e ensiná-la aos gentios (...) fazendo muitos serviços a Deus e a esta República (...) na assistência aos moribundos, nas cantorias das festas (...), sustentando-se das esmolas que os fiéis lhes davam pelas suas músicas e missas[51]»".
"Existe a dificuldade de manter os índios meninos-homens, por causa da exploração dos brancos. "Um missionário português carmelita, por segurar o trabalho do ensino, sem o receio de se ausentarem os músicos, mandava ensinar e industriar, em lugar dos meninos, as meninas e, escolhendo para isto as mais sonoras, serviam, cantavam e oficiavam os Divinos Ofícios, como o fazem as freiras nos seus conventos, e na verdade só deste modo se poderia conservar nas missões portuguesas a música, que nos índios é perdida, só isentando-os do serviço dos brancos e tirando-lhes o remo das mãos, como bem respondeu um Missionário português a um Governador, que sobre este ponto o consultava".
O mesmo assunto, mais por extenso. "Vejam agora lá se podem os missionários ter prontos e expeditos e estáveis oficiantes dos Ofícios Divinos? E se podem celebrar, como desejam e convém, as funções das suas igrejas? Por isso um missionário de outra religião[52], desejando por uma parte celebrar com todo o esplendor os Ofícios Divinos e considerando por outra parte a instabilidade dos índios, mandou ensinar as meninas mais hábeis da Doutrina a beneficiar os ofícios da igreja, solfa (instrumentos músicos) etc. e na verdade só elas o podem fazer por mais estáveis nas suas aldeias, se não tivessem outros inconvenientes, que as proíbem de semelhantes ministérios (...). E tem outra conveniência a música nos índios, e é que gostam muito delas; nem há outra coisa que mais os atraia à igreja do que a música: a música os convida a freqüentarem as igrejas, a música os excita a celebrarem com muita solenidade os Ofícios Divinos, a música, finalmente, os acaricia, e move ainda os selvagens a saírem dos seus matos, a submeterem-se aos missionários, a ouvirem a Doutrina Cristã e a fazerem-se católicos"[53].
"Nesse século (XVII) surge, - conta Renato Almeida - na Bahia, a única figura de músico, que se pode citar - Eusébio de Matos ou Frei Eusébio da Soledade (1629-1692). Manuel Raimundo Quirino, que o considera «o primeiro músico notável da Bahia», conta razão desse duplo nome (jesuíta antes, depois carmelita). (...) "Além de músico exímio e inspirado compositor, tocava harpa e viola, instrumento muito em uso no seu tempo. Compôs muitos HINOS RELIGIOSOS e cantos profanos ameníssimos sobre poesias suas (...). Suas obras foram em grande parte perdidas"[54].
"Em fins do século XVIII, segundo papéis guardados na Biblioteca de Évora, floresciam no Brasil os seguintes músicos, no geral escapos ao conhecimento dos historiógrafos de além-mar e de quem pouco se sabe, inclusive os nomes completos: Na Bahia:/
O Padre-Mestre Matias, frade carmelita, compositor, organista, bom tenor; José de Santa Maria, compositor, poeta, mestre em todos os instrumentos e cantor de possibilidades espantosas, pis cantava em todos os timbres; Antônio Matias, compositor e bom contralto; e o Padre-Mestre José Costinha, também compositor e bom tenor[55]".
"Frei Bartolomeu do Pilar (O.Carm.), 1º Bispo do Pará, nasceu na Vila de Vilar, Ilha de São Jorge, a 21 de setembro de 1667 e faleceu em Belém, a 9 de abril de 1730. Era cantor e nas cerimônias do clero chegava «a cantar com ele à estante» (cf. M.M.Cardoso Barata em Apontamentos para as Efemérides Paraenses RIHGB Tomo 90, p.64).
"Baena se refere à existência de um órgão na antiga igreja do Ega, no Amazonas, em 1750, na zona disputada entre os portugueses e os espanhóis: «A primeira vez que estes espanhóis foram à igreja, acharam objeto de admiração em um órgão feito por um curioso com canudos de taboca, a cujo som as indianas cantaram a Missa com alguns indícios de gênio harmônico. Isto praticavam elas em todos os Domingos e Dias Santos, e nos sábados cantavam Salmos, Hinos e Antífonas das Completas»" (Baena em Compêndio das Eras da Província do Grão-Pará p. 301)[56].
"É também aos Missionários - Carmelitas Calçados (Olinda - 1580), Capuchos portugueses (Pernambuco - 1585), Beneditinos (Bahia - 1581) - que devemos a criação dos teatros públicos, para escola de catequese espiritual e artística, como foram os de São Vicente e Rio de Janeiro, sob a orientação do Pe. Manuel da Nóbrega"[57].
O compositor João da Mata da Escola Mineira de Música Sacra, falecido em 1900, compôs as "Missas Carmelitana e Stella, cujas partituras entusiasmaram Carlos Gomes, que se ofereceu para conseguir-lhe do Imperador uma viagem à Europa"[58].©
1) - Do livro Os paulistas e a Igreja de A.Pompêo 2v. Empreza Graphica da "Revista dos Tribunaes" - São Paulo 1929
Volume 1º
- p.32, n. 9 - Frei Antônio do Bom Despacho Mamede
Mais ou menos entre 1797 e 1816, Frei Antônio do Bom Despacho Mamede era o diretor do Curso de Teologia instalado no Convento do Carmo.
- p.79, n.163 - Frei Sebastião de Mattos
"Foi duas vezes a Roma e Lisboa. Pelo seu merecimento, principalmente intelectual, mereceu do Revmo. Geral da Ordem as honras de provincial" (± 1769).
- p.108, n.264 - Frei Francisco de Santa Inês
Tinha dois irmãos carmelitas, Frei Salvador Caetano d'Horta e Frei Bento Rodrigues de Santo Ângelo e um sobrinho frade, Frei Tomé Marcelino d'Horta (cuja Ordem o autor não cita: ver p.140, n.366) e um primo jesuíta, vigario de Itapecirica (SP) em 1777, Pe. André Frazão.
"Frei Francisco tornou-se notável pelo espírito de santidade" (pelos anos de 1770).
- p.127, n.325 - Frei João da Luz
"Batizado em São Paulo aos 16 de abril de 1644, não foi só grande na virtude cristã, porque foi um notável lente e ocupou cargos da máxima responsabilidade".
- p.127-128, n.326 - Frei Luís dos Anjos
"Irmão inteiro do precedente, pertenceu também à Província Carmelitana do Rio de Janeiro.
Foi lente como seu irmão, e um dos maiores capelos de toda a Província, onde adquiriu fama extraordinária na cátedra e no púlpito. E seu sucesso oratório não ficou limitado ao Rio colonial, porque tendo-se passado a Portugal, no Convento do Carmo de Lisboa, obteve tal vitória que sua fama chegou logo à Rainha Dona Maria Sofia Isabel de Neubourg (esposa de Dom Pedro II de Portugal de 1687-1699), que lhe conferiu a grande honra de pregador na sua capela real.
Antes de voltar ao Brasil, onde faleceu repentinamente no sítio de Mambucaba de propriedade de seu irmão Antônio Pedroso de Alvarenga, o Padre Mestre Frei Luís dos Anjos foi novamente honrado pela rainha Dona Maria Sofia, que lhe ofertou uma cruz de ouro com a relíquia do Santo Lenho pendente de um cordão também de ouro".
- p.152, n.391 - Dr. Frei Reginaldo Octavio Ribeiro e Andrade
Irmão de Frei Manuel Joaquim OFM e Frei Felisberto Antônio da Conceição Lara e Moraes OSB, "Frei Reginaldo era frade carmelita calçado da Província do Rio de Janeiro. Substituiu em Lisboa, no ano de 1783, o Padre Mestre Dr.Frei Salvador de Santa Rosa Machado, no cargo de Presidente do Hospício, que a Ordem manitnha naquela capital.
Recebeu da Santa Sé o título de Doutor "Tibi quoque". Foi orador de mérito e, antes de seguir para Portugal, em 1722, já lecionava filosofia e teologia no seu Convento de São Paulo e pertencia à "Academia dos Felizes", juntamente com Frei Joaquim Antônio Taques e outros sacerdotes e religiosos[59].
- p.154, n.397 - Frei Joaquim Antônio Taques
Filho do genealogista Pedro Taques de Almeida Paes Leme e Da.Maria Eufrásia de Castro Lomba. Nasceu no ano de 1747. Recebeu o hábito do Carmo no dia 4 de dezembro de 1762 e, apesar de simples corista, já era professor de filosofia. Foi membro da "Academia dos Felizes". Ordenado sacerdote, faleceu no Rio de Janeiro aos vinte e cinco anos de idade, em 1772.
Numa carta de oito páginas de Pedro Taques ao Principal D.João Faro se lê no final que ele gostaria de ficar com o trabalho sobre a Demonstração Verídica relativa à Capitania da Vila de S.Vicente, "para estar com ele pronto por mim , ou outrem, como meu filho Frei Joaquim Antônio Taques, carmelita calçado e Lente de Artes atual, no Convento do Carmo desta Cidade (...)". A carta é de 1770.
Em outra carta ao mesmo destinatário, no mesmo ano de 1770, diz o pai que o seu filho Balduíno Abagaro de Morais Antas está estudando Filosofia, que o irmão Frei Joaquim Antônio Taques "está ditando no Convento do Carmo desta Cidade". Continua na mesma carta: "Não é menor, antes maior, o desejo de enviar para Minas Gerais o meu filho Frei Joaquim Antônio Taques, carmelita calçado, para cujo efeito tenho pedido a V.Excia. a licença de Sua Majestade Fidelíssima, que Deus Guarde, para com ela, e a do Revmo. Peovincial, passar-se às Minas, onde há de ler um Curso de Artes, que ali não tem havido há anos, como o de São Vicente. Espero que esta chegará às mãos de V.Excia, antes de ter vindo para o Bispado da Cidade de Mariana o novo Bispo; é conjuntura que venha já o Exmo. e Rvmo. Prelado, com o influxo que V.Excia. lhe infundir para atender a meu filho, pelos merecimentos das suas letras na Cadeira, e melhor nos Púlpitos e procedimento religioso: porque, ainda que no més passado de agosto, a 28, ele fez 23 anos, a sua Religião, nesta Província, tem muita glória do progresso que tem feito nas Letras este menino, de sorte que, quando se lhe conferiu a Cadeira, tinha a idade de 21 anos e alguns meses. Estava ainda Corista; e cantou Missa, com dispensa, há um ano". Numa carta do Governador Martim Lobo de Saldanha, sucessor do Morgado de Mateus na Capitania de São Paulo (1775-1782), ao Conde de Vimieiro, fala-se de "um Religioso do Carmo, sobrinho de Pedro Taques"[60].
- p.186-187, n.493 - Frei Antônio do Monte Carmelo
"Foi religioso de muitas virtudes. Frei Antônio, apelidado o Baroco, pertenceu ao Convento do Carmo da cidade de Itu. Seu pai Antônio Vieira Tavares, foi o fundador da Vila do Salto".
- p.208-209, n.530 - Dr. Frei João Alves de Santa Maria
Irmão do Diplomata Alexandre de Gusmão, Pe. Bartolomeu Lourenço de Gusmão, o "Padre Voador", Pe. Inácio Rodrigues SJ, Pe. Simão Alves SJ, Frei Patrício de Santa Maria OFM e da "Mulher Santa" Joana de Gusmão, Peregrina por amor.
Frei João foi Padre Mestre. "Pertenceu à Província do Rio de Janeiro; passando a Portugal como procurador da Ordem, estve sempre ao lado do seu irmão, o Padre Voador, que por causa do seu invento da navegação aérea ficou mal visto pelos poderes da época". Acompanhou o irmão à Espanha e o assistiu até os últimos momentos. "Foi considerado como pregador distinto; no entanto só publicou um sermão recitado na Igreja de São Nicolau, em Lisboa".
- p.213, n.541 - Frei Antônio da Penha de França
Teve um tio bisavô franciscano e um primo carmelita, Frei Lopo Ribeiro da Conceição. "Foi historiador de mérito". Nasceu em 1719 e faleceu em 1792.
Ibid. Volume 2º
- p.119, n.867 - Frei Sebastião Moreira de Godoy
"Nasceu pelos anos de 1691. Na sua Ordem foi professor de