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A Palavra do Frei Petrônio

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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

D. Odilo pede investigação de vínculo entre refém e criminoso da Sé

Na primeira missa de domingo depois do tiroteio que terminou com dois mortos na porta da Catedral da Sé, o arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, pediu para que os católicos não tenham medo de entrar na igreja.
Em entrevista, ele também afirmou que não acredita que a balconista feita refém, Elenilza Mariana de Oliveira Martins, fosse uma fiel e que estivesse rezando na igreja quando foi abordada. Para d. Odilo, ela e o criminoso, Luiz Antonio da Silva, 49, talvez já se conhecessem (leia abaixo).
Dizendo que há violência por toda a parte, afirmou que tanto a catedral como a praça da Sé são locais de paz e disse que visitantes continuam sendo bem-vindos.
Para d. Odilo, "na consciência pública" o tiroteio pode dar à igreja uma imagem de lugar violento, mas que na região não há mais incidentes do que no resto da cidade.
O líder religioso só falou sobre o incidente no fim da missa. Ele expressou "veemente repulsa e consternação diante de fatos tão graves", não só esse que aconteceu na porta da igreja, mas atos violentos de maneira geral, e pediu para que os fiéis "não se acostumem" com cenas como as de sexta (4).
No começo da tarde, Luiz Antonio fez a balconista refém dentro da catedral e a levou à escadaria na frente da igreja.
Pessoas que estavam na praça começaram a acompanhar a ação. Uma delas, o pedreiro Francisco Erasmo Rodrigues de Lima, 61, se aproximou dos dois, em seguida se jogou em cima de Luiz Antonio e livrou a refém.
O criminoso conseguiu se desvencilhar e atirou em Francisco Erasmo. Logo em seguida, a polícia abriu fogo contra Luiz Antonio. Os dois morreram.

*
Folha - Por que era importante fazer referência ao acontecimento no fim da celebração da missa?
D. Odilo Scherer - Porque aconteceu na frente da catedral. Na consciência pública se cria certo medo em relação a vir à catedral, uma imagem de que seria um lugar inseguro. E eu gostaria de afirmar a todos que não é um lugar inseguro. O que aconteceu poderia ter acontecido em qualquer lugar.

Há algo específico que chamou a sua atenção no incidente?
Eu gostaria de dizer que embora a mulher que estava sendo vítima de violência tenha dito que não conhecia esse homem, seria importante que as investigações fossem adiante para verificar que tipo de relação havia. Eu não compartilho com a ideia de que era uma fiel que estava dentro da catedral rezando e foi abordada por alguém desconhecido com quem ela não tinha nenhum contato. Seria necessário aprofundar essa questão.

O relato é que ela estava na catedral e foi tirada pelo homem.
De fato, os dois se encontravam na catedral, mas é preciso ver se os dois entraram juntos. Se antes dos fatos de violência os dois já não estavam em conversação juntos, se não havia relação anterior entre as duas pessoas e que acabaram desencadeando a violência desse homem que foi morto pelos policiais. Acho que aqui há algo a ser aprofundado. Eu sei pela imprensa que o vigia viu que havia algo não normal, o que depois se viu fora da catedral.

O senhor viu as imagens. Seria possível evitar as mortes?
Concluo que a ação da polícia, inicialmente, visava evitar o desfecho mais grave, que seria a morte de alguém. Mas o fato de alguém fora do esquema ter entrado, como uma ação pessoal para tentar resolver a questão mudou todo o esquema. De fato, o homem que estava agredindo a mulher estava armado, ameaçando não só a ela, mas outras pessoas. O que pude ver e perceber é que a polícia estava tentando desarmá-lo, pedindo que ele soltasse a arma. Porém, no momento que entrou alguém imprevisto na cena e precipitou a situação [deixando-a] fora de qualquer previsibilidade. Infelizmente a polícia interveio para atirar no homem que fazia violência porque ele continuava com a arma na mão e podia continuar a atirar em outras pessoas. Lamentavelmente foram duas outras mortes que se somam às chacinas, mortes não explicadas e não explicáveis. Acho que existe a necessidade de pensar um pouco não só a questão da segurança, mas a das relações sociais e dos valores. Penso que existe um alto nível de tensão e agressividade que poderia ser melhor trabalhado para que cenas como essa fossem evitadas.

Era uma questão de tempo para algo assim acontecer na praça?

A violência acontece em todos os cantos da cidade. Não é uma questão que estaria concentrada aqui na Sé, embora aqui haja situações que podem favorecer a violência. Mas também há bastante vigilância, tanto na praça como dentro da igreja. Até hoje, os fatos de violência não são tantos. Aqui não está fora da norma em relação a outros ambientes da cidade. Eu estou com muita frequência na praça, passo por ela e nunca me senti ameaçado. Claro que é preciso estar atento, porque a insegurança está em todas as partes. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br

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