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segunda-feira, 21 de março de 2016

JESUS E O LADRÃO: Frei Donizetti Barbosa.

*7 PASSOS DE JESUS: SEXTA FEIRA DO TRIUNFO.

*7 PASSOS DE JESUS: SEXTA FEIRA DO TRIUNFO.
(SEXTA FEIRA, ANTES DA SEXTA FEIRA DA PAIXÃO)
ACOMPANHANDO OS 7 PASSOS DE JESUS, RUMO À RESSURREIÇÃO. 
Frei Victor Kruger, O. Carm.

1- ACOLHIDA / ABERTURA  DA CELEBRAÇÃO 

COMENTARIO INICIAL:
C. Hoje celebramos de modo especial, o sofrimento, a incompreensão, a prisão, a tortura e a morte de Jesus.
Ele foi vítima das pessoas que se sentiam ameaçadas em seus privilégios pelas palavras e pelo modo de agir de Jesus
T. Então se armaram contra Ele e o maltrataram até a morte e morte de cruz.
C. A cruz de Jesus mostra o mal que existe no mundo. Mostra toda a violência da mentira, da injustiça e da exploração contra a vida.
T. E essa violência se manifesta ainda hoje na cruz pesada do nosso povo.
C. Eis o que significa a cruz de Jesus Cristo: Jesus não morreu para exaltar o sofrimento. Ele aceitou a cruz para ser fiel à sua missão e para não trair a verdade que viveu e pregou.

CAMINHANDO E ACOMPANHANDO JESUS ATRAVÉS DOS ÚLTIMOS 7 PASSOS  TRIUNFANDO  SOBRE A MORTE.

CANTANDO:
Eles queriam um grande rei que fosse forte dominador e por isso não creram nele e mataram o Salvador. ( bis )

1º- NO PRIMEIRO PASSO CONTEMPLAMOS JESUS NO HORTO DAS OLIVEIRAS.

O SENHOR DA AGONIA
Cel. Nós vos adoramos Senhor Jesus Cristo e vos bendizemos!
T. Porque pela vossa Santa cruz remiste o mundo!
C. O quê se passa no íntimo de Jesus? Uma luta dramática em que entra em confronto a companhia e a solidão, o medo e a serenidade, a coragem de continuar o Projeto de Deus até o fim e a vontade de desistir e fugir.
A oração é a fonte que reanima nosso projeto de vida, segundo a vontade de Deus.

Cel.  LENDO MARCOS 14, 32 – 42

REFLEXÃO
Cel. Senhor Jesus! Na vossa agonia experimentastes  o mais intenso sofrimento e, diante da provação acolhestes sem reservas a vontade do Pai.
Concedei a nós vossos servos a graça de aceitar tudo, de suportar tudo, de confiar tudo, fazendo de nossa vida um ato contínuo de acolhida da vontade do Pai. Amém!

CANTANDO:
Eu vim para que todos tenham vida! Que todos tenham vida plenamente! ( bis )

2º-  NO SEGUNDO PASSO CONTEMPLAMOS A PRISÃO DE JESUS.

Cel. Nós vos adoramos ...
C. Um dos discípulos se alia ao poder repressivo das autoridades  e trai Jesus com um gesto de amizade. Todos fogem e Jesus fica sozinho e preso.
Aquele que realiza o projeto de Deus e atrai o povo é considerado pelos poderosos como bandido perigoso.

Cel.  LENDO MARCOS 14, 43 – 46 . 53
REFLEXÃO.
Cel. Senhor Jesus! Vós viestes não para condenar, mas para salvar, não para  aprisionar, mas para libertar.
Infundi em nós a vossa serenidade, a fim de que possamos enfrentar as grandes lutas de nossa vida, sem ódio e sem violência. Amém!

CANTANDO:
Tu és Senhor, o meu pastor, por isso nada em minha vida faltará! ( bis )
3º- NO TERCEIRO PASSO CONTEMPLAMOS JESUS ATADO À COLUNA E FLAGELADO.

Cel. Nós vos adoramos ...
C. A flagelação de Jesus é ao mesmo tempo, uma covardia do sistema injusto de Pilatos e também já anuncia um julgamento premeditado.

Cel. LENDO JOÃO 18, 28 – 19, 1

REFLEXÃO
Cel. Senhor Jesus! Inspirai em cada um de nós a consciência de nossa fragilidade. Fazei-nos dignos do carinho e da confiança que depositastes em nós quando decidimos trilhar o caminho do Evangelho. Amém!
CANTANDO:
Entre nós está e não o conhecemos entre nós está e nós o desprezamos. ( bis )

4º- NO QUARTO PASSO CONTEMPLAMOS JESUS ESCARNECIDO E COROADO DE ESPINHOS
Cel. Nós vos adoramos ...
C. Revestido com todos os sinais de poder: manto de púrpura, coroa, cetro e adoração, Jesus é motivo de zombaria.

Cel.  LENDO JOÃO 19, 2 – 3
REFLEXÃO
Cel. Senhor Jesus! Zombado por todos como caricatura de rei; no entanto, quando retoma suas próprias vestes se revela como verdadeiro rei, aquele que entrega sua vida para salvar seu povo.
Que Tu sejas para nós: caminho, verdade e vida para nos tornar imensamente felizes. Amém!

CANTANDO:
No peito eu levo uma cruz e no meu coração o que disse Jesus. ( bis )

5º NO QUINTO PASSO CONTEMPLAMOS JESUS APRESENTADO AO POVO POR PILATOS. EIS O HOMEM!

Cel. Nos vos adoramos ...
C. O dilema de Pilatos é o mesmo do homem de hoje, dependente do sistema capitalista injusto e violento. Ou arrisca sua posição de poder, ou sacrifica o inocente.

Cel. LENDO JOÃO 19, 4 - 7

REFLEXÃO
Cel. Senhor Jesus! Que Tu sejas para nós a força que nos sustenta na tentação, a mão que nos reergue no momento da queda e o bálsamo que alivia nossas chagas, afim de que perseveremos até o fim. Amém!

CANTANDO:
Prova da amor maior não há! Que doar a vida pelo irmão! ( bis )

6º NO SEXTO PASSO CONTEMPLAMOS JESUS CARREGANDO A CRUZ ÀS COSTAS.

O SENHOR DOS PASSOS.

Cel. Nós vos adoramos ...
C. A cruz é o trono de onde Jesus exerce sua realeza. Ele não esta só, mas é a motivação daqueles que o seguem, aqueles que dão a vida como Ele “ para que todos tenham vida“.

Cel. LENDO JOÃO 19, 16 – 18

REFLEXÃO
Cel. Senhor Jesus! Nós te contemplamos carregando a cruz e Te reconhecemos como nosso Deus.
Aceitando a cruz, Jesus nosso Salvador aponta para a vida nova, para um mundo mais humano e para a libertação dos males que oprimem homens e mulheres. Amém!

CANTANDO:
Sou bom pastor ovelhas guardarei, não tenho outro ofício nem terei! Quantas vidas eu tiver eu lhes darei!

7º NO SÉTIMO PASSO CONTEMPLAMOS A CRUCIFIXÃO E MORTE DE JESUS.

Cel. Nós vos adoramos ...
C. Jesus está completamente só. Seu corpo está reduzido a uma fraqueza extrema. Contudo, até o fim Ele permanece fiel e consciente de sua entrega.

Cel. LENDO JOÃO 19, 28 – 30
REFLEXÃO

Cel. Senhor Jesus! Tu não Te apegaste a tua condição divina, mas como homem  te esvaziaste por inteiro, assumindo a condição de servo, humilhando-se até a morte e morte de cruz.
Ensina-nos a dizer diante de cada angustia de nossa vida: “ Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito”.

CANTANDO:
Vitória, tu reinarás! Ó cruz tu nos salvará! ( bis)

8.  CONCLUSÃO- DIANTE DO SACRÁRIO
Cel.  LENDO 1 Cor 15, 1 -  8

REFLEXÃO
Cel. Celebrando os últimos 7 Passos de Jesus rumo à Ressurreição sentimos quanto e fraco é ainda nosso amor, apesar de entendermos um pouco melhor o sofrimento dos outros. Acreditamos que não há morte sem Ressurreição; essa é a razão de nossa fé!
T.  A VIDA TRIUNFA SOBRE A MORTE!

Cel.  Introdução ao...   Pai nosso que estais ...

CANTANDO:
Porque Ele vive, eu posso crer no amanhã. Porque Ele vive, temor não há!
Mas eu bem sei que o meu futuro está nas mãos do meu Senhor que vivo está.

Cel.  Avisos / Despedida / Pedido de bênção.

* “ Desde meados do Sec. XVII, os carmelitas introduziram na Colônia a devoção da Via Crucis ou 7 Passos, em que se representava o drama da Paixão através de quadros ou Estações. Essa devoção passou a ser representada inicialmente através de uma Procissão que se realizava na SEXTA-FEIRA anterior à Semana Santa, designada também como SEXTA FEIRA do TRIUNFO.
No Sec. XIX Thomas Ewbank ainda pôde assistir a essa Procissão promovida pelos carmelitas, e que iniciava com o Quadro representando a Oração de Cristo no Horto das Oliveiras. Em São Paulo, ao que consta, a primeira Procissão desta Via Crucis foi realizada em 1681.”

Bibliografia

Riolando Azzi in A Teologia Católica na Formação da Sociedade Colonial Brasileira. Ed. Vozes, pg 197.

PROCISSÃO DE RAMOS: Capim e Mata Limpa.

segunda-feira, 14 de março de 2016

A VOLTA DA DITADURA MILITAR: Frei Petrônio de Miranda.

ELIAS, AQUI É TEU LAR.

Ex-fieis revelam o 'mundo de delírios' das Testemunhas de Jeová

Mais de 600 pessoas juntaram-se para denunciar a sua antiga religião. Oito delas contam como, durante anos, as suas vidas foram dominadas pelo medo de pecar. E pecar podia ser, simplesmente, soprar uma vela.

Testemunhas de Jeová vivem sob a angústia de um iminente fim do mundo e a esperança de serem conduzidos ao céu.
“Lembro-me de ser ainda pequeno, olhar para um estádio de futebol cheio e pensar angustiado que aquelas pessoas seriam todas destruídas caso nenhuma delas fosse Testemunha de Jeová”, relata Vítor Máximo.
“As Testemunhas de Jeová acreditam que o mundo de Satanás vai acabar e que só elas sobreviverão ao Apocalipse, passando com vida para o Paraíso”, explica M. M., ex-ancião (um dos mais altos cargos na hierarquia da organização), que pede anonimato com receio de represálias para a família, que continua na religião.
Todos os crentes são habituados a esperar pelo fim do mundo desde crianças. A essa permanente angústia, as crianças também estão impedidas de fazer várias coisas na escola e têm pavor de ofender Jeová. Entre as proibições (como aos adultos), estão a celebração de aniversário, Carnaval, Páscoa, Natal, fim de ano e todas as outras datas de origem pagã que a religião despreza porque, conforme explica Pedro Candeias, um dos representantes da organização em Portugal, não são mencionadas nas Escrituras.
P.T. lembra-se que na escola primária precisava fingir que cantava os parabéns aos colegas, mexendo os lábios e esquivando-se e batendo palmas timidamente. Mesmo assim, só por estar presente, temia “ser destruída”. César Rodrigues fazia o mesmo e, para evitar perguntas sobre a sua festa e presentes, não dizia quando aniversariava.
Ambos contam como agora, respectivamente, celebram todos os aniversários com o maior entusiasmo: “Faço questão de ter sempre um grande bolo. São 30 anos? Sopro 30 velas!”, diz P.T. César festeja com igual euforia, mas ainda hoje não consegue cantar os parabéns. “É como se eu estivesse fazendo algo errado. Sei que não estou, mas não consigo evitar este sentimento de culpa. Nunca cantei os parabéns na vida.”
O maior terror das crianças Testemunhas de Jeová é o Natal, antecedido de atividades como pinturas, composições, festas ou teatros. Não podem participar em nada.
“Lembro-me como se fosse hoje dos meninos todos em grupos fazendo enfeites para colar nas janelas da sala de aula e eu sozinha de lado, fazendo outra coisa qualquer”, conta P.T.
Por se considerarem politicamente neutras, as Testemunhas de Jeová não votam em partidos políticos — nos países em que ir às urnas é obrigatório, são incentivados a votar nulo ou em branco. Também não saúdam a bandeira nem cantam o hino. “Lembro-me bem: no 3º ano, todos de pé aprendendo o hino nacional, e eu bastante nervosa, mexendo apenas a boca”, recorda P.T. A organização não vê motivos para o desconforto das crianças: “Sendo esses valores baseados na Bíblia, que razões teriam para sentir vergonha?”, questiona Pedro Candeias.
As artes marciais são evitadas por serem consideradas uma apologia à violência. E, com base numa passagem bíblica interpretada como Deus não gostando que os homens concorram entre si, a prática de esportes de competição também é desencorajada. É das coisas que César Rodrigues mais lamenta: “Era sempre escolhido para a seleção de futebol da escola, mas era impensável treinar num clube”, conta César, que é co-fundador do fórum Testemunhas de Jeová.
Já com mais de 600 usuários, o fórum surgiu para denunciar todas essas situações e apoiar antigos membros. Em Portugal, onde há 52 mil Testemunhas de Jeová, é o primeiro, mas em outros países da Europa, no Brasil e nos Estados Unidos, o fórum existe há vários anos.
Também há livros e documentários reveladores do funcionamento da religião. É o que este grupo que recentemente se organizou pretende em Portugal: “Queremos que as pessoas percebam que as Testemunhas de Jeová não são tão inofensivas como parecem as senhoras que distribuem revistas na rua”, explica um dos fundadores do fórum.
Todos os conteúdos místicos e esotéricos são considerados um perigo para a espiritualidade. Livros como “O Senhor dos Anéis” ou “Harry Potter” não são para abrir.
Quando a família de P.T. entrou para a religião, os anciões foram abençoar a casa contra a presença de Satanás. Entre o vestido da noiva que a mãe usara no casamento católico, todas as fotografias desse dia e qualquer outra em que aparecesse um crucifixo (para os fiéis a Jeová, Cristo morreu numa estaca), nada escapou: foi tudo queimado, até a sua coleção de livros da Anita. “Daí para a frente, só lia a Bíblia e as revistas da religião”.
As Testemunhas de Jeová acreditam que “A Sentinela”, “Despertai!” e todas as publicações da organização transmitem a palavra de Deus com a mesma validade que a Bíblia. “Quanto mais cedo começarem o estudo, melhor para já irem ensinadas e preparadas para a escola. Há grávidas que leem o “Meu Livro de Históricas Bíblicas” em voz alta para os bebês que têm na barriga”, revela R.M., outra desistente.
Vítor Máximo, crente durante mais de 35 anos, recorda-se das tardes de quarta-feira lendo as revistas; P.T. estudava-as com o pai aos sábados à tarde, depois da pregação.
Entrega
A pregação porta a porta é uma atividade fundamental e incontornável para qualquer Testemunha de Jeová, pois é a única maneira de levar a “Verdade” a mais pessoas, poupando-as no dia do Juízo Final.
Acreditando nisso, aos 12 anos G.C. desatou a estudar a Bíblia fervorosamente. A mãe convertera-se e ele também. Acatou os fortes incentivos da organização para se distanciar das pessoas do Mundo (as que não são Testemunhas) e afastou-se de todos os amigos. De um momento para o outro, recorda hoje, deixou de brincar na rua e passou a vestir paletó e gravata para ir às reuniões e a andar de pasta na mão para bater às portas.
Em menos de um ano estava entrando, de fato e de camiseta branca, na piscina de Algés, em Lisboa. Com uma mão em cima da outra e as duas tapando o nariz, submergiu totalmente, deitando-se para trás dentro da água. Quando emergiu estava batizado — acabara de se tornar ministro do reino de Jeová. “É uma dedicação incondicional para toda a vida: ser um escravo de Jeová e fazer de tudo em favor Dele”, lembra, mais de 30 anos depois daquele momento.
No verão seguinte, dedicou-se exclusivamente à pregação. “Eu levava as coisas muito a sério porque estávamos perto do fim do mundo. Pensava: ‘É preciso sacrifícios, vamos fazê-los”’, conta G.C., que foi ancião durante quase 20 anos.
Desde que a religião foi fundada, em 1879, as Testemunhas já esperaram que o mundo acabasse em vários anos. Sempre que as datas passaram sem que alguma coisa acontecesse, o Corpo Governante (entidade atualmente composta por oito homens, que é o núcleo administrativo da religião nos Estados Unidos) emitiu um novo “entendimento”, inquestionável. “Estão sempre repetindo que a dúvida é um dos laços do Diabo”, explica R.M. Invariavelmente, mas sempre a posteriori, a cúpula da organização nega ter feito qualquer previsão concreta e, apesar de os textos das revistas oficiais da religião terem sempre mencionado os sucessivos anos em que o mundo acabaria, diz-se que a expectativa decorreu da má interpretação dos fiéis. A última data mundialmente difundida para o Apocalipse, com muitas famílias vendendo tudo que tinham para se dedicarem exclusivamente à pregação e garantirem a passagem para o novo mundo, foi 1975. Depois nunca mais se referiu a um ano em específico.
Com o mundo podendo acabar a qualquer momento, as Testemunhas de Jeová vivem ao mesmo tempo na expectativa do recomeço de uma nova vida e apavoradas com esse momento. Porque, mesmo para o povo eleito, o acontecimento implicará grande sofrimento.
Uma revista “Despertai!”, de 2005, avisa: “O arsenal de Deus inclui neve, saraiva, terremotos, doenças infecciosas, aguaceiro inundante, chuva de fogo e enxofre, confusões mortíferas, relâmpagos e uma maldição que causará o apodrecimento de partes do corpo.”
Além disso, o Paraíso só está ao alcance de quem não tiver “culpa de sangue”, ou seja, quem não estiver falhando nos preceitos da religião.
“Eu perdi a minha vida! Não fazia nada com medo de ofender Jeová e ser destruída”, afirma P.T.
Vítor Máximo conta que, desde criança, e mesmo já adulto, acordou várias vezes no meio da noite “chorando, com pesadelos com o Armagedom” – a última batalha do Apocalipse.
Afronta
A grande prioridade das Testemunhas de Jeová é estudar e divulgar os mandamentos de Deus de maneira a salvar o maior número de pessoas possível. Por isso, são altamente desincentivadas a investir em atividades que, para a organização, apenas servem para roubar tempo ao testemunho porta a porta e de nada valem perante o fim de tudo. Quem vai para a faculdade mostra que está fraco na fé e passa a ser olhado com desconfiança.
Quando Vítor Jacinto decidiu licenciar-se em Engenharia Química, passou a receber visitas de anciãos e superintendentes de circuito (que supervisionam várias congregações) quase semanalmente. Condenaram todos os livros que eu precisava para a faculdade. “Diziam que aqueles livros continham ensinamentos não cristãos e queriam que me desfizesse deles. Foi aí que começou a minha grande guerra contra eles.” Os livros ficaram, concluiu o curso e deixou de ir à reuniões.
Investir na carreira é encarada como outra afronta a Jeová. “Das coisas que mais me impressionavam era ver pessoas subir à tribuna e contarem, cheias de orgulho, que tinham recusado uma promoção para não prejudicar a sua vida espiritual”. Revela R.M.
Outro exemplo de dedicação à religião incutido nas reuniões e nas revistas é o desincentivo que a organização faz para que casais tenham filhos: por um lado, são grandes consumidores de tempo, por outro, não é aconselhável pôr crianças num mundo que vai acabar. Para G.C., isso ficou claro no dia do casamento. Depois de uma adolescência em que não podia beijar nenhuma menina e de um namoro com alguém da mesma congregação, sempre na presença dos pais e sem um único beijo na boca, casou-se num Salão do Reino. “O ancião que fez o discurso disse que de forma nenhuma deveríamos ter filhos, porque estamos no tempo do fim e era uma atitude pouco sábia, pouco espiritual.”
Só contrariou a instrução mais de 10 anos depois, quando a mulher começou a ficar clinicamente deprimida com receio de já não conseguir engravidar por causa da idade. “Os casais que decidem ter filhos são criticados pelos outros que optam por não ter em virtude das orientações da organização”, revela M.M., outro ex-ancião. “Conheço casais que não têm filho e que agora já não podem e outros que continuam na expectativa de vir o fim para depois poderem ter um filho. É horrível”, afirma G.C.
Este antigo ancião deixou o cargo e as reuniões há cinco anos. Tecnicamente, está inativo, situação de que não entrega há seis meses relatórios com o número de publicações que distribuiu e de horas que pregou. O seu mal-estar com a religião começou quando, numa formação para cerca de 200 anciãos, lhes foi ordenado que escrevessem na página do manual sobre o abuso sexual de menores: “Sempre que surja um caso de pedofilia, contatem de imediato a filial [a sede, em Alcabideche, Cascais]. “Perguntou: “Mas a pedofilia é crime, não deveria ser denunciada à polícia?” Responderam-lhe peremptoriamente: “Nós não denunciamos os nossos irmãos. As ordens são estas, escreva isso aí.”
No manual dos anciãos a que esta reportagem teve acesso está impresso: “Se o acusador ou o acusado não estiverem dispostos a reunir-se com os anciãos, ou se o acusado continuar a negar a acusação de uma única testemunha e a transgressão não tiver sido comprovada, os anciãos devem deixar o caso nas mãos de Jeová”.
Desconforto
Esta política de não divulgação valeu recentemente às Testemunhas de Jeová a condenação à maior indenização alguma vez já paga nos Estados Unidos a uma vítima de pedofilia: 28 milhões de euros. O tribunal considerou que a estrutura da organização tinha sabido e abafado o caso.
Esta é das mais desconfortáveis questões no interior da Religião. Outra é a da desassociação, ou expulsão — o pior que pode acontecer a uma Testemunha e aos seus familiares, O contato com desassociados é simplesmente proibido, mesmo que seja da família.
De possuída pelo demônio, a prostituta, P.T., com cerca de 40 anos, ouviu os piores insultos da boca dos pais quando foi desassociada, em 2006. Proibiram-na de voltar para casa. “Fiquei desnorteada, pensava que seria destruída, perdi a minha família e todos os meus amigos, que nem sequer me cumprimentavam. Como todas as pessoas que são desassociadas, fiquei sem ninguém.”
“Jeová nos observará para ver se acatamos, ou não, seu mandamento de não ter contato com nenhum desassociado”, lê-se na revista “A Sentinela”, de abril de 2012.
“Um simples ‘oi’ dito a alguém pode ser o primeiro passo para uma conversa ou mesmo para amizade. Queremos dar esse primeiro passo com alguém desassociado?”, questionava a mesma publicação já em 1981 (as Testemunhas de Jeová guardam todas as revistas que consultam). “Tomem sua posição contra o Diabo (…). Não procure desculpas para se associar com um membro da família desassociada, como, por exemplo, trocando e-mails”, diz “A Sentinela” de janeiro de 2013 já disponível no site da organização.
O esquecimento e o ostracismo pelos quais passam os desassociados pode originar problemas extremos. Dos oito antigos fiéis que a reportagem entrevistou (dois dos quais ex-anciãos), quatro tiveram de procurar ajuda médica para depressões e estado de ansiedade grave — alguns fizeram terapia, todos foram medicados. Dois pensaram no suicídio.
Vítor Máximo julgou que os pais se reaproximariam quando comunicasse o seu segundo casamento. Afinal, deixaria de ser um “fornicador”, um dos maiores pecados para a religião. Mas, como a mulher era uma mundana e ele um apóstata (abandonou a religião há cinco anos), os pais nem foram à cerimônia.
“Nesse dia, quando cheguei em casa, em vez de relembrar os bons momentos da festa, sentei-me na beira da cama e comecei a chorar”, lembra.
Embora o expulsem, insiste em aparecer de vez em quando na casa deles, nos arredores do Porto, mas na última vez que falou com o pai ele chamou-lhe de adorador do Diabo e ameaçou ligar para a polícia caso voltasse. Durante muitos meses, a conversa ao jantar com a mulher terminava invariavelmente em lágrimas. Teve de ir ao psiquiatra e só superou a depressão com a ajuda de medicamentos.
Quem se relacionar com um desassociado arrisca-se a ser expulso. Por medo do que pode acontecer aos familiares, algumas pessoas falaram para este artigo sob anonimato; outras não revelaram a identidade porque estão afastadas, mas não se querem dissociar (voluntariamente) nem ser desassociadas, sabendo que nesse momento terão de cortar relações com os que lhes são mais próximos.
César Rodrigues, 38 anos, foi Testemunha de Jeová desde que nasceu e as suas dúvidas só surgiram há quatro anos, quando fez uma coisa que a organização desaconselha insistentemente: meteu-se num fórum de dissidentes brasileiros na internet. Para mim, aquilo era tudo mentira. Pensei: ‘Vou mostrar-lhes o que é uma verdadeira Testemunha de Jeová’”. Mas foi ele que acabou convencido. Uma das coisas que mais o chocaram foi perceber as contradições na proibição de transfusões de sangue, que já provocou a morte a um número incalculável de crentes.
“As Testemunhas acreditam que a transfusão de sangue lhes é proibida por passagens bíblicas como estas: “Somente a carne com a sua alma — seu sangue — não deveis comer”, explica o representante da organização, Pedro Candeias. Plasma, plaquetas, glóbulos brancos e vermelhos também são rejeitados. Mas o recurso a fracções desses componentes é permitido. “É extremamente incoerente condenar o uso de determinadas fracções e permitir o de outras e não existe base bíblica nem científica para tal distinção. Por exemplo, se se pode aceitar hemoglobina, que é 97% de um glóbulo vermelho, por que não se pode aceitar glóbulos vermelhos? “É como se eu dissesse que você pode comer uma uva sem pele, mas com pele não pode”, afirma M.M., que foi ancião durante mais de uma década.
Quando César começou a fazer perguntas aos amigos (“Sabias que era assim?”), foi denunciado. Fizeram-lhe quatro comissões judicativas (tribunais eclesiásticos). Já sem acreditar em nada do que tomara por certo durante anos, negou todas as acusações de falta de fé. Recusa-se a ter de deixar de falar com os pais. Quando conheceu uma antiga Testemunha de Jeová, perguntou: “É possível ter amigos do Mundo?” Descobriu que sim. Deixou de aparecer nas reuniões.
R.M. demorou a fazê-lo, mesmo depois de, no ano passado, ter lido o proibidíssimo livro “Crise de Consciência”, de um antigo membro do Corpo Governante, e de perceber que “toda a vida tinha sido enganada”. “Sinto que é mesmo uma lavagem cerebral, da qual é muito difícil nos libertar”, explica. Só conseguiu afastar-se quando descobriu o fórum Testemunha de Jeová. Diz que só passar à frente de um Salão do Reino a deixa “agoniada”. Mas não está preparada para deixar de falar com a família.
Para M.B., o momento está para breve. Aos 18 anos, aproveitou o fato de sair de casa e mudar de cidade para confessar aos anciãos que fumava, o que é proibido. Já sabia o que o esperava: uma semana depois lhe comunicaram a expulsão. De regresso a Lisboa, foi assaltado e ficou sem dinheiro nenhum. Ninguém da família lhe atendeu o telefone nem respondeu às mensagens — nem nessa altura nem em todo o ano que se seguiu. “Sentia-me perdido, culpado, abandonado. Passava noites inteiras sem dormir.”
Desenvolveu um transtorno de ansiedade incapacitante. A família continuava a não lhe atender o telefone. Pensou no suicídio. “Mas depois achei que ninguém iria ao meu funeral”.
Um dia em que insistiu mais uma vez, inesperadamente, a mãe atendeu. Como o motivo era doença, os anciãos, aos quais ela pediu autorização, permitiram que o recebesse em casa. Mas agora que está mais estável, M.B. sabe que vai ter de voltar a sair. E que vai ter de se despedir para sempre. 


“Não ao dinheiro sujo”. Assim o Papa reabilita o pároco censurado

A nova condenação de Bergoglio. As mesmas palavras há 37 anos custaram à punição a um sacerdote.

Dizer que “Deus não necessita do vosso dinheiro” é errado. E é ainda pior se é um padre a ser atingido pela “ignóbil acusação” de tê-lo pregado do púlpito de sua igreja, demonstrando ter esquecido que o dinheiro (a “mamona iniquitatis”) é sempre útil e necessário. A reportagem é de Orazio La Rocca, publicada por La Repubblica, 06-03-2016. A tradução é de Benno Dischinger
Com estas palavras um sacerdote romano foi há anos severamente chamado à ordem pelo Vicariato de Roma como réu por ter dito durante uma homilia dominical que não lhe agradavam ofertas pouco “limpas” dos seus paroquianos.
Uma homilia – além da advertência das autoridades diocesanas da diocese de Roma – profética no seu gênero por dizer as mesmas coisas do que aquele mal sucedido pároco romano (era incardinado na paróquia da Natividade) foi ninguém mais do que o Papa Francisco, na audiência geral de quarta-feira passada, quando recordou com voz firme e decidida que “Deus não necessita do dinheiro sujo de ofertas feitas com mãos sujas de sangue”.
Uma frase tipicamente bergogliana, jamais ouvida antes na solene Praça de São Pedro, onde os milhares de fiéis chegados de todo o mundo a escutaram com estrondosos aplausos libertadores, certamente cansados e desiludidos pelos demasiados escândalos que precisamente no interior da Igreja se verificaram por causa dos passados fluxos de dinheiro “sujo” pelo qual mais vezes foi inquirido, por exemplo, o banco vaticano, o IOR (Instituto para as Obras de Religião), ou outras instituições financeiras ligadas às hierarquias episcopais.
Mas, talvez o argentino Jorge Mario Bergoglio – que entre os seus prioritários empenhos não por nada tem precisamente a reforma do IOR – não sabe que precisamente na diocese romana por ele presidida desde 2013 – no dia 13 de março próximo festejará o terceiro aniversário da eleição papal – até há poucos anos nem todos os párocos se escandalizavam se entre as ofertas dos fiéis podiam ocorrer dinheiros “sujos”, talvez fruto de negociatas ou de dúbia proveniência. E, muito menos sabe que entre os párocos havia algum que do púlpito se permitia recordar aos fiéis que as ofertas destinadas às obras de beneficência deviam ser sempre “limpas”, o risco de ser retomado pelo Vicariatoestava na ordem do dia.
Como o demonstra uma carta de 1969 – quando reinava o Papa Paulo VI – expedida pelo monsenhor Alfredo Petricca, o então diretor do centro de vocações sacerdotais do Vicariato, a um padre da Natividade que havia sustentado numa homilia que as obras de beneficência não deviam ser apoiadas por dinheiro “sujo”.
Na carta, o monsenhor primeiro lamenta que “a oferta” coletada em paróquia para a jornada das vocações “era notavelmente inferior àquela dos anos passados”. Depois adverte diplomaticamente o sacerdote que alguém o havia acusado de ter dito “na pregação ‘Deus não precisa do vosso dinheiro’.” Na realidade, aquele padre havia dito que “Deus não necessita do vosso dinheiro se não acompanhado por uma autêntica conversão de vida”. Exatamente aquilo que disse o Papa Francisco 45 anos após.
Mas, quanta água foi preciso passar sob as pontes do Tibre.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Petrópolis perde um ícone da Igreja Católica

A morte trágica do Frei Antônio Moser gerou muitas reações de solidariedade em Petrópolis e pelo Brasil entre entidades religiosas e políticos. O religioso era conhecido mundialmente e, em outubro do ano passado, ele foi o único teólogo brasileiro nomeado pelo Papa Francisco para o Sínodo da Família, no Vaticano. Oficialmente, frei Moser completou 50 anos de vida sacerdotal no dia 15 de dezembro. Também houve manifestações de indignação com a falta de segurança da BR-040. Apesar da família extensa, apenas uma irmã de Frei Antônio Moser ainda é viva, Maria Moser, hoje com 82 anos, que reside no município de Itajaí (SC). No entanto, Frei Moser mantinha relação próxima com primos, sobrinhos e amigos que residem no município.
– Ele me ligava duas, três vezes por semana para saber se estava tudo bem, como estava a cidade. Era uma pessoa muito boa, de um coração enorme, uma grande perda, é até difícil falar neste momento – conta o sobrinho Mário Moser.

Dom Gregório Paixão
– É um sentimento de profundo vazio. Ele era uma pessoa que estava profundamente presente na nossa vida. Um irmão sábio, mais velho, que labutava na área da educação e que estava presente nos mais diversos setores da nossa diocese. Então, para nós, é realmente uma perda irreparável. Estamos muito unidos à comunidade franciscana. O sentimento é de arrancar uma parte nossa, que fazia parte do viver da nossa comunidade, que estava sempre ao nosso lado e batalhando pela paz e pelo bem. Às vezes, aqueles que lutam muito pela paz e pelo bem têm mortes trágicas. O exemplo mais claro disso é Jesus Cristo, os mártires da igreja e muitas outras pessoas ligadas à igreja ou não, como Martin Luther King e Gandhi, que lutaram pela paz e acabaram morrendo violentamente por um ato impensado de pessoas que, infelizmente, não estavam com Deus naquele instante – afirmou o bispo.
Conferência Nacional dos Bispos (CNBB)

O secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Leonardo Steiner, destacou a atuação do religioso junto à entidade.
– A vida de Frei Antônio Moser foi rica e fecunda. Assessorou a Conferência na elaboração de textos e na reflexão teológica, especialmente, na teologia moral. A CNBB é grata pela ajuda recebida e pede ao Pai misericordioso que acolha o frade menor no Reino definitivo. Brilhe para ele a luz da eternidade – acrescentou.

O arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, também divulgou nota de pesar.
“Surpreendidos com a notícia, me uno em oração pela sua alma e estendo meu abraço a seus familiares, à toda comunidade e ao bispo da diocese de Petrópolis, dom Gregório Paixão, e aos membros superiores da Ordem dos Frades Menores (OFM), na qual ele fazia parte. Apesar da dor, em nome da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, rogo a Deus que o perdoe de suas faltas e o receba em sua infinita misericórdia”.

Canção Nova
O religioso estava indo para São Paulo, onde participaria do programa “Em Pauta”, da TV Canção Nova, como fazia toda quarta-feira. O Fundador da Comunidade Canção Nova, Monsenhor Jonas Abib, afirmou que recebeu com tristeza a informação da morte de Antônio Moser.
– Homem de Deus, de imensa sabedoria, foi um dos 11 brasileiros convidados pelo Papa Francisco no Sínodo das Famílias do ano passado. Sua defesa apaixonada pela dignidade da vida, do ser humano, nos iluminou e não será apagada por este ato de violência – afirmou Abib.

O ministro provincial da comunidade franciscana, Frei Fidêncio Vanboemmel, lamentou a morte trágica.
– Frei Antônio Moser sempre teve como marcas o entusiasmo e a determinação. Atuou em muitas frentes simultaneamente, desde o estudo e a pesquisa, o trabalho pastoral, as aulas, conferências, o trabalho na comunicação, a dedicação a obras sociais. Especialmente nas décadas de 1970 e 1980, dedicou-se de corpo e alma ao pastoreio de comunidades da Baixada Fluminense, atuando na formação do povo e na construção de igrejas. Hoje, infelizmente, devolvemos a Deus a vida deste irmão, vítima de assassinato na mesma Baixada que tanto amou. Que sua partida leve toda a sociedade a buscar caminhos alternativos, que vençam a violência e a dor, que suplantem a injustiça e a morte, que abram para o mundo um horizonte de esperança. Para nossa Província fica um vazio e aumenta nossa responsabilidade em levar adiante o legado por ele deixado – comentou Vanboemmel.
O vigário provincial, Frei Evaristo Spengler, lamentou muito a morte dele, com quem esteve um dia antes. Para ele, Frei Moser estava no auge de sua vida religiosa e de seu trabalho de evangelização.
– Além de ser meu confrade, meu professor de Teologia, ele é primo de minha mãe. É uma perda muito grande para a Província e para a Igreja. Ele foi uma referência na Teologia Moral do Brasil. Prova disso foi a sua nomeação para o Sínodo da Família – lembrou o Vigário Provincial.

Políticos cobram mais segurança na BR-040
Na cidade, a prefeitura e a Câmara decretaram luto oficial por três dias. O franciscano receberia Medalha Koeler Cruz de Mérito na próxima semana, a maior honraria concedida pelo Legislativo do município.
O prefeito Rubens Bomtempo disse que espera que a vida de Moser sirva de exemplo.
– Deixa como legado um importante trabalho em defesa da paz e em prol da educação, evidenciado especialmente no Centro Educacional Terra Santa. A morte de Frei Moser é uma perda irreparável para Petrópolis, mas também para o Brasil e para o mundo. Que suas lutas nos sirvam de exemplo, para que possamos garantir cada vez mais oportunidades aos mais pobres e continuar construindo um mundo melhor para todos – declarou.

O presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Igor (PMDB), anunciou que o Legislativo vai cobrar mais policiamento e segurança na BR-040.
– A morte de frei Antônio Moser, de forma tão violenta, nos choca a todos. Decretamos luto oficial por três dias na Câmara de Vereadores e estamos estudando medidas a serem adotadas pela Casa para reivindicar mais segurança para usuários da BR-040, uma vez que desde o ano passado já havíamos solicitado diretamente à Polícia Rodoviária Federal e à Polícia Militar reforço no policiamento, bem como à Concer ações para melhorar as condições de segurança na rodovia, em todo o trecho usado diariamente por milhares de petropolitanos – falou.

O secretário de Habitação e deputado estadual licenciado, Bernardo Rossi (PMDB), também afirmou que tomará providencias nesse sentido.
– Estou oficiando as esferas de segurança, a empresa e a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) mesmo sendo deputado licenciado, para que essa medida seja discutida e colocada em prática com a sociedade. Hoje (ontem), na Alerj, estive com o deputado Luiz Paulo Correa da Rocha e pedi também sua participação para que sejam tomadas medidas urgentes – disse.

O deputado federal Hugo Leal afirmou que recebeu com grande pesara notícia da morte do frei Antônio Moser, com quem mantinha laços de amizade.
– Lamento imensamente o fato da vida de Moser ter sido tirada de forma tão brutal, resultado da livre ação criminosa que, com grande frequência, faz vítimas na Rodovia Washington Luiz. É inadmissível que vidas continuem sendo ceifadas devido à falta de investimentos do Estado e a ineficiência da Concer, que cobra tarifas altas de pedágio, em promover a segurança dos usuários da rodovia – colocou Leal.

A deputada federal Cristiane Brasil (PTB) também cobrou a punição dos responsáveis por essa “barbárie”.
– Esperamos que a polícia apure e que se punam com rigor os responsáveis por mais essa barbárie. A violência que a todos ameaça no país fez mais uma vítima e isso não pode ser visto com naturalidade. Como petropolitana, me solidarizo com a cidade pela perda do frei Antônio Moser, religioso importante não só para nossa comunidade, mas também nome reconhecido no Vaticano e nos círculos mais elevados da Igreja Católica. Consternada, deixo meus sentimentos em especial para aqueles que desfrutaram do convívio desse homem especial, seja como teólogo, seja como professor ou quaisquer das muitas atividades que frei Antônio desempenhou em Petrópolis – colocou a deputada.

Outra figura petebista, o deputado estadual Marcus Vinícius Neskau também comentou sobre a morte de Antônio Moser.
– Foi com profundo pesar que recebi a triste notícia do crime que retirou a vida do Frei Moser, figura tão querida e importante não só para a igreja, a cultura e a cidade de Petrópolis como para o País. Não há palavras para expressar o sentimento de todos nós sobre essa perda inesperada. Solidarizo-me com a família do Frei, a igreja e todos os petropolitanos que, assim como eu, dispensavam por ele grande carinho e admiração – falou.

Firjan e CBL
A Firjan lamentou a morte do diretor-presidente da Editora Vozes, que é integrante do Sindicato das Indústrias Gráficas de Petrópolis e uma das mais simbólicas indústrias do município e do Estado do Rio de Janeiro, segundo a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. Em nota, enviou votos de solidariedade com os familiares e amigos de Frei Moser, “uma pessoa excepcional e que levou a palavra de Deus e os valores cristãos de amor ao próximo aos mais carentes”, e lembrou que ele foi membro do Conselho de Empresários da FIRJAN na Região Serrana por sete anos.

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) também manifesta “seu mais profundo pesar” e afirmou que “a indústria editorial de nosso país está em luto pela grande perda”. “A CBL repudia esse crime brutal, que atinge todo o setor livreiro, esperando que seja elucidado e que os responsáveis recebam a sanção legal cabível”, encerrou a nota. Fonte: http://diariodepetropolis.com.br

FREI ANTÔNIO MOSER: Homenagem do Olhar- 02.

FREI ANTÔNIO MOSER: Homenagem do Olhar- 01.

domingo, 6 de março de 2016

Populismo x elitismo na Igreja.



Dividido ideológica, sociológica e etnicamente, o catolicismo precisa redefinir-se, defende Massimo Faggioli, teólogo italiano, professor na University of St. Thomas (EUA) e na Villanova University (EUA), em artigo publicado por Global Pulse, 29-02-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.
Segundo ele, é “um paradoxo que a Igreja Católica, que teme introduzir métodos democráticos em sua própria estrutura de governo, seja uma das defensoras mais convictas da democracia que não seja procedimental, mas de natureza social; isto é, uma democracia que esteja a serviço do todas as pessoas”.

Eis o artigo.
Sem dúvida, o Papa Francisco é antielitista. A sua biografia, sua linguagem e sua mensagem estão firmemente enraizadas na “Teologia do Povo”. Mas isso é o suficiente para rotulá-lo de populista?
Essa indagação é importante por dois motivos: primeiro, para compreender Francisco e a oposição a ele; e, segundo, para compreender o quanto a Igreja Católica faz parte da “era do populismo” em que estamos vivendo.
Populismo e reações negativas ao estilo de catolicismo de Francisco
Um dos modos típicos em que se pode descartar o convite do papa latino-americano a um sistema social e econômico mais justo é rotulando-o de populista
Como prova, os opositores apontam para os seus comentários históricos a respeito do candidato populista à presidência dos EUA, Donald Trump.
“Uma pessoa que pensa apenas em construir muros, onde quer que seja, e não em construir pontes, não é um cristão. Isso não está no Evangelho”, contou aos repórteres o papa de 79 anos no final de sua recente viagem ao México.
“Quanto ao que você dizia sobre se eu aconselharia a votar ou não: não vou me envolver nisso. Digo apenas que esse homem não é cristão se ele disse coisas como essas. Devemos ver se ele disse as coisas dessa maneira e nisso dou o benefício da dúvida”, acrescentou.
Os mais famosos dos especialistas católicos contrários a Francisco ponderaram sobre essas afirmações e concluíram, como um deles o fez em artigo no New York Times, que Trump e o papa eram, os dois, populistas.
No entanto, existem muito mais diferenças do que semelhanças entre este papa jesuíta argentino e o bilionário candidato à presidência dos Estados Unidos da América.
Acusar Francisco de ser populista diz, na verdade, mais sobre o horizonte moral e intelectual do mundo ocidental em que a Igreja atualmente vive. Antes de tudo, tem a questão de quem se põe a acusar o papa de populismo. É interessante ver que aqueles católicos que formam o seu polo oposto em termos ideológicos são a expressão dopopulismo católico típico das elites.
O colunista acima mencionado do New York TimesRoss Douthat (ex-aluno de Harvard, um dos símbolos do elitismo americano), jogou, poucos meses atrás, com a ideia populista de que os teólogos profissionais não têm uma voz que precisa ser respeitada (pelo menos) no cenário público, onde “uma guerra civil na Igreja” está em jogo.
​O falecido juiz da Suprema Corte americana Antonin Scalia (outro ex-aluno de Harvard) encarnava um catolicismo que revelava com desprezo os assim-chamados "sofisticados" formados pela elite acadêmica secular e informados pela imprensa convencional.

A Igreja na era atual do populismo
populismo é muito complexo na Igreja e está ligado à nostalgia por uma época em que estava claro quem se encontrava no comando e quem estava ausente. Um exemplo é a natureza elitista da acusação de populismo contra a reforma litúrgica e a virada às línguas vernáculas.
Agatha ChristieCristina Campo e, mais recentemente, o autor alemão Martin Mosebach não estão exatamente argumentando pela volta da missa em latim. Todavia, defendem a recuperação de algo que foi popular no sentido de que as pessoas praticavam-no, mesmo que não o entendessem. Afirmam defender um catolicismo supostamente popular, pré-Vaticano II. Mas este é inerentemente elitista.
Todo discurso sobre o populismo teológico precisa se relacionar com a ideia de “povo”. O fato é que se tornou difícil identificar “o povo” na Igreja bem como em nosso discurso político.
O século XX foi a era da mobilização das massas no Estado-nação, assim como na Igreja. Essa era foi substituída por um órgão social e eclesial mais fragmentado.
Costumava ser fácil identificar a elite católica com o clero, com intelectuais católicos e com líderes políticos católicos. Hoje, o papel de liderança do clero está em apuros, e existem líderes leigos católicos cuja voz importam mais do que a de muitos bispos e cardeais.
Por outro lado, “o povo” ainda é uma categoria importante para a Igreja, mas muito mais como uma ideia teológica (o Povo de Deus) do que como uma realidade homogênea, socialmente tangível.
Dividido ideológica, sociológica e etnicamente, o catolicismo globalizado precisa redefinir quem é o seu povo. Aqueles que acusam Francisco de populismo usam um entendimento puramente político de populismo. Muito distantes das preocupações deles estão implicações teológicas do que significa “povo” para a Igreja.
Mas o populismo é, mesmo, um problema na Igreja Católica atualmente? 
Sim, mas isso nada tem a ver com analogias superficiais entre o Papa Francisco e Donald Trump.
Uma das consequências inesperadas do Concílio Vaticano II foi o início de uma mudança profunda das elites no catolicismo contemporâneo. Compreender isso é uma tarefa enorme que corre por debaixo da superfície do atual pontificado. O papa está bem ciente da transformação nas elites que aconteceram nos últimos 50 anos mais ou menos.
Basta olhar para como ele se dirige a dois atores-chave no cenário onde a batalha pela liderança católica ocorre: osbispos e os novos movimentos eclesiais. Por exemplo, ele se dirige aos bispos de um modo que revela a sua opinião sobre as deficiências da eclesiologia “episcopaliana” do Vaticano II.
Mas Francisco não está apenas falando aos bispos sobre as ilusões dos seus eternos líderes. Em seus discursos e diálogos com os movimentos católicos (Comunhão e Libertação, Caminho Neocatecumenal, etc.), o papa sempre salienta que a Igreja não necessita de elites que estejam isoladas do resto da comunidade eclesial.
Mas será que isso significa que ele é um líder populista?
Sim, mas somente se a perspectiva de quem vê estiver baseada em considerações políticas, como acontece de ser o caso para a maioria das oposições do papa.
Acusar Francisco de abraçar o populismo evita, por completo, o fato de que, como líder de uma “Igreja como Povo de Deus”, ele é constitucionalmente um populista. Também revela que, para os comentadores mais políticos e religiosos atuantes na imprensa convencional de hoje, o espectro das culturas políticas aceitáveis é o espaço estreito entre otradicionalismo e o conservadorismo na direita e, na esquerda, os moderados e reformistas.
Na nossa era, o radicalismo se tornou a heresia ulterior, tanto na Igreja Católica quanto no mundo dominado pelo paradigma tecnocrata. O convite à justiça social e econômica é facilmente reduzido ao populismo (o que, para uns, é uma variação do comunismo) em um mundo onde a política está em retirada, o autoritarismo está em ascensão e a Igreja é uma das últimas instituições globais com a coragem, com a gravitas e com os recursos de falar a verdade ao poder instituído.
Nessa situação, constitui um paradoxo que a Igreja Católica, que teme introduzir métodos democráticos em sua própria estrutura de governo, seja uma das defensoras mais convictas da democracia que não seja procedimental, mas de natureza social; isto é, uma democracia que esteja a serviço do todas as pessoas.

E isso é exatamente aquilo que os que acusam Francisco de estar sendo populista não gostam nesse papa. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br