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sábado, 24 de outubro de 2015
ORDEM DO CARMO: El Salvador-03.
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ORDEM DO CARMO: El Salvador-02.
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ORDEM DO CARMO: El Salvador-02.
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ORDEM DO CARMO: El Salvador-01.
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Papa Francisco critica bispos com "corações fechados" ao encerrar sínodo
CIDADE
DO VATICANO (Reuters) - O papa Francisco, ao encerrar uma controversa reunião de
bispos sobre questões familiares, neste sábado, censurou líderes imutáveis da
Igreja que "enterram a cabeça na areia" e se escondem atrás de
doutrina rígida enquanto as famílias sofrem.
O papa
falou no final de um encontro de três semanas, conhecido como sínodo, onde
bispos concordaram em uma abertura restrita para divorciados que se casaram
novamente fora da Igreja Católica, mas rejeitaram pedidos de adoção de uma
linguagem mais acolhedora em relação aos homossexuais.
Esse
foi a mais recente de uma série de advertências do pontífice aos bispos, que
ressaltou desde a sua eleição em 2013 que a Igreja 1,2 bilhão de membros deve
estar aberta a mudanças, ao lado dos mais pobres e deve livrar-se da pompa e
conservadorismo que tem afastado tantos católicos.
Em seu
discurso final, o papa pareceu criticar ultraconservadores, dizendo que os
líderes da Igreja devem enfrentar questões difíceis "sem medo, sem
enterrar nossas cabeças na areia."
Ele
disse que o sínodo tinha "desnudado os corações fechados que frequentemente
se escondem por trás até mesmo dos ensinamentos da Igreja ou de boas intenções,
a fim de se sentar na cadeira de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e
superficialidade, casos difíceis e famílias feridas."
Ele
também denunciou "teorias da conspiração" e as "visões
limitadas" de alguns participantes no encontro, e disse que a Igreja não
pode transmitir a sua mensagem para as novas gerações "às vezes
incrustadas em uma linguagem que é arcaica ou simplesmente incompreensível".
O
resultado de um encontro no Vaticano, presidido pelo papa Francisco, marcou uma
vitória dos conservadores na questão homossexual e dos progressistas sobre a
espinhosa questão do novo casamento.
O
documento final do sínodo reafirmou os ensinamentos da Igreja de que os gays
não devem sofrer discriminação na sociedade, mas também repetiu a posição de
que "não há qualquer fundamento" para o casamento entre pessoas do
mesmo sexo, que "não pode nem mesmo remotamente" ser comparado a
uniões heterossexuais.
O
documento indica que a assembleia decidiu evitar uma linguagem abertamente
controversa e buscar o consenso, a fim de evitar impasse sobre os temas mais
sensíveis, deixando para o papa lidar com os detalhes.
O
sínodo é um órgão consultivo que não tem o poder de alterar a doutrina da
Igreja. O papa, que é o árbitro final sobre qualquer alteração e que fez um
apelo por uma Igreja mais misericordiosa e inclusiva, pode usar o material para
escrever seu próprio documento, conhecido como um "exortação
apostólica".
DIVORCIADOS
O
documento do sínodo, por outro lado, ofereceu alguma esperança para a plena reintegração
à Igreja de alguns católicos que se divorciaram e se casaram novamente em
cerimônias civis.
Sob a
doutrina atual da Igreja, eles que não podem receber a comunhão, a menos que se
abstenham de ter relações sexuais com seu novo parceiro, porque seu primeiro
casamento ainda é válido aos olhos da Igreja e eles são vistos como vivendo em
pecado do adultério.
A única
maneira para que esses católicos possa casar novamente é se receberem a
anulação --decisão de que seu primeiro casamento nunca existiu em primeiro
lugar por causa da falta de determinados pré-requisitos, como a maturidade
psicológica ou livre arbítrio.
O
documento fala de um chamado "foro interno", em que um sacerdote ou
um bispo pode trabalhar com um católico que se divorciou e casou-se novamente
para decidir conjuntamente, em particular e caso a caso, se ele ou ela pode ser
totalmente reintegrados.
"Para
que isso aconteça, as condições necessárias de humildade, discrição, amor à
Igreja e seus ensinamentos devem ser garantidas em uma busca sincera da vontade
de Deus", disse o documento. Fonte: http://br.reuters.com
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CARMELITAS DESCALÇOS: Um Olhar-02
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CARMELITAS DESCALÇOS: Um Olhar.
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EL SALVADOR: Terra de Mártires.
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terça-feira, 20 de outubro de 2015
Levanta Elias. (1º Reis, 19, 1-18)
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Levanta Elias. (1º Reis, 19, 1-18)
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segunda-feira, 19 de outubro de 2015
29º DOMINGO DO TEMPO COMUM: Canto de Comunhão.
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Bancada evangélica cresce e mistura política e religião no Congresso
Homens de terno e mulheres de saia com a
Bíblia na mão vão enchendo o auditório. Alguém regula o som do violão e dos
microfones. A música que celebra "júbilo ao Senhor" estoura nos
alto-falantes, e a audiência canta junto. Em um púlpito no palco, os pastores
abrem o culto com uma oração fervorosamente acompanhada pelos fiéis.
Uma descrição comum de um culto
evangélico não fossem os pastores, deputados, falando de um o púlpito
improvisado no plenário Nereu Ramos da Câmara dos Deputados de um país laico
chamado Brasil. E se o (até então) presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB),
anunciado do púlpito ao entrar no recinto pelos pastores João Campos (PSDB-GO)
e Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ), não tivesse deixado de lado a agenda oficial
para participar da celebração e tirar selfies com pessoas que se amontoavam ao
seu redor.
Certamente seria bem menos estranho se
logo atrás de mim, no fundo do auditório, assessores de parlamentares não
estivessem fazendo piadas de cunho homofóbico e rindo alto durante boa parte do
evento, que se tornou show com a chegada da aclamada cantora gospel Aline
Barros, vencedora do Grammy Latino 2014 e um dos cachês mais altos do mundo
gospel brasileiro. Ela tinha viajado do Rio a Brasília com o marido, o
ex-jogador de futebol e hoje pastor e empresário gospel Gilmar Santos,
especialmente para cantar e orar naquela manhã de quarta-feira no Congresso. Ao
final do culto/evento, todos receberiam um CD promocional de Aline.
Aline Barros entoou alguns de seus
sucessos com o auxílio de um playback, antes da pregação do marido. O tema é a
luta do profeta Elias contra Jezebel, a princesa fenícia que se casou com o rei
de Israel e, uma vez rainha, perseguiu e matou profetas israelitas. A imagem da
mulher poderosa de alma cruel é usada por dezenas de sites religiosos, que
comparam Jezebel à presidente Dilma Rousseff, ameaçando-a de acabar como a
rainha, comida por cães.
"Em Tiago capítulo 5, versículo 17,
está escrito que Elias era um homem como nós. Ele orou e durante três anos e
meio não choveu. Depois ele orou de novo e Deus manda vir a chuva", diz o
pastor Gilmar, dirigindo-se aos parlamentares. "Muitas vezes a gente tem
orado 'Deus sacode esse país, traz um avivamento, faz algo novo'. Deus está
fazendo. Mas a forma que Deus está fazendo nem sempre é do jeito que a gente
quer, da nossa maneira. Muitas vezes a gente queria que Deus fizesse chover
dinheiro do céu, que fizesse anjo carregar a gente no colo pra levar a gente
pra todos os lados e queria pedir pra Deus pra sentar numa rede, pra ele trazer
um suco de laranja e operar, trabalhar. 'Manda fogo, destrói aquele
endemoniado, aquele idólatra.' Mas Deus não faz dessa forma." Por que Deus
escondeu Elias? Por que Deus tem escondido muitos de vocês e ainda não estão
nos jornais como sonharam ou não tiveram reconhecimento como sempre sonharam?
[…] Deus está te escondendo, querido. No momento certo tudo vai acontecer, você
vai ser exaltado. Deus sabe como honrar. […] Pode ser o momento mais difícil do
seu mandato, mas continua confiando. Muitas pessoas podem estar vivendo uma
seca nesse país. Nosso país pode estar vivendo o momento mais seco da história.
Vidas secas. Mas o céu nunca vai estar em crise. Nunca tem crise, nunca tem
crise."
Sem
crise
O número de evangélicos no Parlamento
cresceu, acompanhando o aumento de fiéis. Segundo os últimos dados do IBGE, que
são de 2010, o número de evangélicos aumentou 61% na década passada
(2000-2010). Por sua vez, a Frente Parlamentar Evangélica (FPE), encabeçada
pelo deputado e pastor João Campos, agrega mais de 90 parlamentares, segundo
dados atualizados da própria Frente – os números podem variar por causa dos
suplentes – o que representa um crescimento de 30% na última legislatura.
A mistura de política e religião é a
marca da atuação dos pastores deputados. Campos, por exemplo, é presidente da
Frente Parlamentar Evangélica, autor do projeto de lei apelidado de "cura
gay" e defensor destacado da redução da maioridade penal, como a maioria
da chamada "bancada da bala" – em 2014 ele recebeu R$ 400 mil de uma
empresa de segurança para sua campanha. Cavalcante ex-diretor de eventos do
pastor Silas Malafaia, seu padrinho na fé e na política, é presidente na
Comissão Especial que trata do Estatuto da Família.
Encorajada por Eduardo Cunha, que
assumiu a presidência da Câmara dizendo que "aborto e regulação da mídia
só serão votados passando por cima do meu cadáver", a bancada evangélica
tem conseguido levar adiante projetos extremamente conservadores, como o
Estatuto da Família (PL 6.583/2013), que reconhece a família apenas como a
entidade "formada a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio
de casamento ou de união estável, e a comunidade formada por qualquer dos pais
e seus filhos", que deve seguir para o Senado nos próximos dias. A PEC
171/1993, que usa passagens bíblicas para justificar a redução da maioridade
penal, também foi aprovada na Câmara e aguarda análise do Senado, sem previsão
de votação. O próprio Eduardo Cunha é autor do PL 5.069/2013, que cria uma
série de empecilhos para o direito constitucional das mulheres vítimas de
violência sexual realizarem aborto na rede pública de saúde. Esse está na
Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara. Também foi nesta
legislatura que a bancada conseguiu barrar o trecho que trata do ensino da
ideologia de gênero nas escolas no Plano Nacional de Educação.
Ainda segundo os dados fornecidos pela
FPE, a maioria dos parlamentares pertence a igrejas pentecostais: a Assembleia
de Deus é a que mais congrega esses fiéis, seguida pela Igreja Universal do
Reino de Deus, que tem como figura de destaque o senador Marcelo Crivella
(PRB-RJ). Também tem representantes no Congresso as igrejas Sara Nossa Terra e
a Igreja Quadrangular.
Como acontece com os partidos na
política, os membros também trocam de denominação. Eduardo Cunha recentemente
trocou a Sara Nossa Terra pela Assembleia de Deus, onde já estavam os colegas
João Campos e Marco Feliciano. Entre os membros das protestantes históricas
estão Jair Bolsonaro (batista) e Clarissa Garotinho (presbiteriana).
O sociólogo e escritor Paul Freston,
professor catedrático em religião e política da Wilfrid Lauries University, do
Canadá, explica que as igrejas pentecostais se diferenciam das protestantes
históricas principalmente pela ênfase da crença nos dons do Espírito Santo,
como "falar em línguas" e agir em curas e exorcismos. "Por ser
uma forma mais entusiasmada de religiosidade, depende menos de um discurso
racional, elaborado. Você pode não saber ler ou escrever, pode ser alguém que
não ousaria fazer um discurso racional em público, mas sob influência do
Espírito você fala. Por isso pode-se dizer que a igreja pentecostal também tem
esse poder de inverter as hierarquias sociais", explica o professor. E
destaca: "Por ser mais próxima da cultura do espetáculo e menos litúrgica,
também são as igrejas pentecostais que se dão melhor com as mídias". Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br
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sábado, 17 de outubro de 2015
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2015
Queridos irmãos e irmãs,
Neste
ano de 2015, o Dia Mundial das Missões tem como pano de fundo o Ano da Vida
Consagrada, que serve de estímulo para a sua oração e reflexão. Na verdade,
entre a vida consagrada e a missão subsiste uma forte ligação, porque, se
todo o baptizado é chamado a dar testemunho do Senhor Jesus, anunciando a fé
que recebeu em dom, isto vale de modo particular para a pessoa consagrada. O
seguimento de Jesus, que motivou a aparição da vida consagrada na Igreja, é
reposta à chamada para se tomar a cruz e segui-Lo, imitar a sua dedicação ao
Pai e os seus gestos de serviço e amor, perder a vida a fim de a reencontrar.
E, dado que toda a vida de Cristo tem caráter missionário, os homens e mulheres
que O seguem mais de perto assumem plenamente este mesmo caráter.
A dimensão
missionária, que pertence à própria natureza da Igreja, é intrínseca também a cada forma de vida
consagrada, e não pode ser transcurada sem deixar um vazio que desfigura o
carisma. A missão não é proselitismo, nem mera estratégia; a missão faz parte
da «gramática» da fé, é algo de imprescindível para quem se coloca à escuta da
voz do Espírito, que sussurra «vem» e «vai». Quem segue Cristo não pode deixar
de tornar-se missionário, e sabe que Jesus «caminha com ele, fala com ele,
respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa
missionária» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 266).
A
missão é uma paixão por Jesus
Cristo e, ao mesmo tempo, uma paixão pelas pessoas. Quando nos
detemos em oração diante de Jesus crucificado, reconhecemos a grandeza do seu
amor, que nos dignifica e sustenta e, simultaneamente, apercebemo-nos de que
aquele amor, saído do seu coração trespassado, estende-se a todo o povo de Deus
e à humanidade inteira; e, precisamente deste modo, sentimos também que Ele
quer servir-Se de nós para chegar cada vez mais perto do seu povo amado (cf. Ibid., 268) e de todos aqueles que O procuram de
coração sincero. Na ordem de Jesus – «Ide» –, estão contidos os cenários e os
desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja. Nesta, todos são
chamados a anunciar o Evangelho pelo testemunho da vida; e, de forma especial
aos consagrados, é pedido para ouvirem
a voz do Espírito que os chama a partir para as grandes periferias da missão,
entre os povos onde ainda não chegou o Evangelho.
O
cinquentenário do Decreto conciliar Ad gentes convida-nos
a reler e meditar este documento que suscitou um forte impulso missionário nos Institutos de Vida Consagrada. Nas
comunidades contemplativas, recobrou luz e eloquência a figura de Santa Teresa
do Menino Jesus, padroeira das missões, como inspiradora da íntima ligação que
há entre a vida contemplativa e a missão. Para muitas congregações religiosas
de vida ativa, a ânsia missionária surgida do Concilio Vaticano II concretizou-se numa extraordinária
abertura à missão ad gentes, muitas vezes acompanhada pelo
acolhimento de irmãos e irmãs provenientes das terras e culturas encontradas na
evangelização, de modo que hoje pode-se falar de uma generalizada
interculturalidade na vida consagrada. Por isso mesmo, é urgente repropor o
ideal da missão com o seu centro em Jesus Cristo e a sua exigência na doação
total de si mesmo ao anúncio do Evangelho. Nisto não se pode transigir: quem acolhe, pela graça de Deus, a
missão, é chamado a viver de missão. Para
tais pessoas, o anúncio de Cristo, nas múltiplas periferias do mundo, torna-se
o modo de viver o seguimento d’Ele e a recompensa de tantas canseiras e
privações. Qualquer tendência a desviar desta vocação, mesmo se corroborada por
nobres motivações relacionadas com tantas necessidades pastorais, eclesiais e
humanitárias, não está de acordo com a chamada pessoal do Senhor ao serviço do
Evangelho. Nos Institutos
Missionários, os formadores são chamados tanto a apontar, clara e honestamente,
esta perspectiva de vida e acção, como a discernir com autoridade autênticas
vocações missionárias. Dirijo-me sobretudo aos jovens, que ainda são capazes
de testemunhos corajosos e de empreendimentos generosos e às vezes
contracorrente: não
deixeis que vos roubem o sonho duma verdadeira missão, dum seguimento de Jesus que
implique o dom total de si mesmo. No segredo da vossa consciência,
interrogai-vos sobre a razão pela qual escolhestes a vida religiosa missionária
e calculai a disponibilidade que tendes para aceitar por aquilo que é: um dom
de amor ao serviço do anúncio do Evangelho, nunca vos esquecendo de que o
anúncio do Evangelho, antes de ser uma necessidade para quantos que não o
conhecem, é uma carência para quem ama o Mestre.
Hoje,
a missão enfrenta o desafio de respeitar a necessidade que todos os povos têm
de recomeçar das próprias raízes
e salvaguardar os valores das respectivas culturas. Trata-se de conhecer e respeitar
outras tradições e sistemas filosóficos e reconhecer a cada povo e cultura o
direito de fazer-se ajudar pela própria tradição na compreensão do mistério de
Deus e no acolhimento do Evangelho de Jesus, que é luz para as culturas e força
transformadora das mesmas.
Dentro
desta dinâmica complexa, ponhamo-nos a questão: «Quem são os destinatários privilegiados do anúncio evangélico?» A resposta é
clara; encontramo-la no próprio Evangelho: os pobres, os humildes e os doentes,
aqueles que muitas vezes são desprezados e esquecidos, aqueles que não te podem
retribuir (cf. Lc 14, 13-14). Uma evangelização dirigida
preferencialmente a eles é sinal do Reino que Jesus veio trazer: «existe um
vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais
sozinhos!» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 48).
Isto deve ser claro especialmente para as pessoas que abraçam a vida consagrada
missionária: com o voto de pobreza, escolhem seguir Cristo nesta sua
preferência, não ideologicamente, mas identificando-se como Ele com os pobres,
vivendo como eles na precariedade da vida diária e na renúncia ao exercício de
qualquer poder para se tornar irmãos e irmãs dos últimos, levando-lhes o
testemunho da alegria do Evangelho e a expressão da caridade de Deus.
Para
viver o testemunho cristão e os sinais do amor do Pai entre os humildes e os
pobres, os consagrados são chamados a promover, no serviço da missão, a presença dos fiéis leigos. Como já afirmava o Concílio Ecumênico
Vaticano II, «os leigos colaboram na obra de evangelização da Igreja e
participam da sua missão salvífica, ao mesmo tempo como testemunhas e como
instrumentos vivos» (Ad gentes, 41).
É necessário que os consagrados missionários se abram, cada vez mais
corajosamente, àqueles que estão dispostos a cooperar com eles, mesmo durante
um tempo limitado numa experiência ao vivo. São irmãos e irmãs que desejam partilhar a vocação missionária
inscrita no Baptismo. As casas e
as estruturas das missões são lugares naturais para o seu acolhimento e apoio
humano, espiritual e apostólico.
As Instituições e as Obras Missionárias
da Igreja estão postas totalmente
ao serviço daqueles que não conhecem o Evangelho de Jesus. Para realizar
eficazmente este objetivo, aquelas precisam dos carismas e do compromisso
missionário dos consagrados, mas também os consagrados precisam duma estrutura
de serviço, expressão da solicitude do Bispo de Roma para garantir de tal modo
a koinonia que a colaboração e a sinergia façam
parte integrante do testemunho missionário. Jesus colocou a unidade dos
discípulos como condição para que o mundo creia (cf. Jo 17,
21). A referida convergência não equivale a uma submissão jurídico-organizativa
a organismos institucionais, nem a uma mortificação da fantasia do Espírito que
suscita a diversidade, mas significa conferir maior eficácia à mensagem
evangélica e promover aquela unidade de intentos que é fruto também do
Espírito.
A
Obra Missionária do Sucessor de Pedro tem um horizonte
apostólico universal. Por isso, tem necessidade também dos inúmeros carismas da vida consagrada,
para dirigir-se ao vasto horizonte da evangelização e ser capaz de assegurar
uma presença adequada nas fronteiras e nos territórios alcançados.
Queridos
irmãos e irmãs, a paixão do missionário é o Evangelho. São Paulo podia afirmar:
«Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1 Cor 9,
16). O Evangelho é fonte de alegria, liberdade e salvação para cada homem.
Ciente deste dom, a Igreja não se cansa de anunciar, incessantemente, a todos
«O que existia desde o princípio, O que ouvimos, O que vimos com os nossos
olhos» (1 Jo 1, 1). A missão dos servidores da
Palavra – bispos, sacerdotes, religiosos e leigos – é colocar a todos, sem
excluir ninguém, em relação pessoal com Cristo. No campo imenso da atividade
missionária da Igreja, cada batizado é chamado a viver o melhor possível o seu
compromisso, segundo a sua situação pessoal. Uma resposta generosa a esta
vocação universal pode ser oferecida pelos consagrados e consagradas através
duma vida intensa de oração e união com o Senhor e com o seu sacrifício
redentor.
Ao
mesmo tempo que confio a Maria, Mãe da Igreja e modelo de missionariedade,
todos aqueles que, ad gentes ou no próprio território, em
todos os estados de vida, cooperam no anúncio do Evangelho, de coração concedo
a cada um a Bênção Apostólica.
Vaticano, 24 de Maio – Solenidade de Pentecostes – de 2015.
FRANCISCO
Fonte:
https://w2.vatican.va
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NOVENA COM FREI PETRÔNIO: Bênção do Santíssimo-02.
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NOVENA COM FREI PETRÔNIO: Bênção do Santíssimo-01.
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ALAGOANOS NO RIO DE JANEIRO: Os Arcos da Lapa.
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ALAGOANOS NO RIO DE JANEIRO: Onde está o Cristo?
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sexta-feira, 16 de outubro de 2015
A CAMINHO DO RIO DE JANEIRO: Queima Jesus!!!
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Santa Teresa de Jesus: discípula missionária
"Incentiva e orienta pessoas a
trilharem o caminho de opção por Jesus Cristo e seu Reino; acompanha suas
fundações, faz negócios, solicita ajuda para as necessidades e o cuidado com a
pessoa das Irmãs, especialmente na saúde, vestuário, alimentação",
escrevem Assunta Romio e Rita Romio, Irmãs Teresianas da Companhia de Santa
Teresa de Jesus [1], artigo sobre o Quinto Centenário do Nascimento de Teresa
de Ávila (2), doutora da Igreja, que se celebra hoje, dia 15 de outubro.
Eis
o artigo.
É maravilhoso poder desfrutar os
recursos atuais da comunicação. Em tempo real dá para acompanhar quem está
longe ou perto, socializar o cotidiano e o extraordinário, interagir com poucas
ou muitas pessoas, ou simplesmente clicar um “curtir”. Com certeza somos
extraordinariamente privilegiadas/os!
Oxalá muitas pessoas que marcaram a história
do cristianismo, tivessem esses meios à sua disposição! Sem eles fizeram tanto!
É possível imaginar o que estariam inventando hoje, com tantas possibilidades!
Uma delas é uma mulher que nasceu em
1515, a Santa de Ávila que queria ser missionária e não lhe era permitido,
somente “por ser mulher” (F1,6). Ela não sabia bem como poderia dar a sua
contribuição. Além do mais, havia a Inquisição, que “tomam por suspeita,
qualquer coisa, desde que venha de mulheres” (CE 4,1), se queixava Teresa.
Suplicava então a Deus que lhe desse alguma luz, pois “não há razão para
desprezar” pessoas “virtuosas e fortes, mesmo que sejam de mulheres” (CE 4,1).
Teresa, ainda adolescente fica órfã de
mãe. O pai encarrega as agostinianas para educar sua filha. No internato, onde
deve aprender o ideal para ser uma boa esposa, a jovem se deixa influenciar
pela educadora Irmã Maria de Briceño (V2,6). Teresa sintoniza muito com ela e a
vê como uma pessoa muito feliz. Um dia, esta religiosa lhe contou que a frase
evangélica, “muitos são os chamados e poucos os escolhidos” havia impulsionado
sua opção de vida (V3,1). A partir de então, Teresa começa a admitir a ideia de
consagrar sua vida a Deus. E, sem permissão paterna, nos seus 20 anos de idade,
a jovem resolve se consagrar a Deus, indo para o Convento da Encarnação.
O contexto conventual não era dos
melhores. Como monja vive uma vida mediana, somatiza seus problemas a ponto de
ficar fisicamente paralítica durante três anos. Prioriza as relações externas,
deixando em segundo plano o projeto assumido. Passou alguns anos neste tipo de
vida, mas em contínua busca de algo mais. Fiel à reflexão, oração e partilha
com pessoas sábias, encontra o tesouro da sua vida, a verdade que sempre
buscou: Jesus Cristo, seu sentido existencial. A partir de então, aos 39 anos
de vida, seu único foco é o Reino de Deus. Quer ser missionária. Mas como
poderia aspirar à essa missão, com todos os limites sociais e eclesiais que
pesavam sobre a mulher?
Teresa vive no período da colonização
espanhola nas Américas. Alguns dos seus irmãos também entraram nesta aventura
de atravessar o mar para explorar as novas terras de Quito, Lima, Peru e Chile.
Ela acompanha o que acontece com os povos conquistados e sofre muito, por esta
causa. Através das suas Cartas, que chegaram a nós hoje, sabemos que ela
manteve muitos contatos, especialmente com missionários defensores dos
indígenas. Deixa registrado por escrito sua inquietação e angústia por se
“sentir encurralada como mulher” (CE 4,1) e não poder colaborar na evangelização
dos povos da América. Suplicava a Deus que a iluminasse.
No relato da Fundação do Convento de São
José em Ávila, ela mesma conta que um dia receberam a visita do Frei Alonso
Maldonado, missionário nas Índias (Américas). Este franciscano lhes falava
sobre as necessidades na missão e o tratamento dado aos índios. Teresa ficou
muito impactada: “recolhendo-me num oratório, clamei a Nosso Senhor. Coberta de
lágrimas, supliquei-Lhe que me desse meios para que eu pudesse fazer algo”
(F1,7), a serviço do Reino. Teresa percebe que dentro dela surge uma resposta;
ela também poderia participar da missão evangelizadora na América, mesmo sendo
carmelita e vivendo na clausura. Num momento de profundo recolhimento e oração,
percebe a presença de Jesus Cristo que, com muito amor e confiança, lhe
comunica: “Espera um pouco, filha, e verás grandes coisas!” (F1,8). A partir
deste momento, nela se abre um novo horizonte, pois estas palavras “ficaram
profundamente gravadas em meu coração” (F1,8). E assim entendeu como poderia
ser missionária: “Decidi então fazer o pouquinho que estava ao alcance” e
“ensinar mais com obras que com palavras” (F1,6).
“Realizar
o pouco que está ao alcance!”
Teresa de Ávila empreendeu uma grande
obra, provocando um movimento de mulheres com a meta de viver o espírito
evangélico como orantes, pobres e iguais, as Carmelitas Descalças. E, como se
não bastasse, ao propor isso aos homens, tornou-se um caso raro na história da
Igreja, uma mulher reformadora de uma Ordem masculina, os Carmelitas Descalços.
Envolve pessoas amigas e familiares como
colaboradores na sua obra; procura ser ponte de união na família; perante a
problemática do seu irmão Pedro, doente e depressivo, encaminha seu irmão
Lorenzo para assumi-lo; cria redes de relações com os jovens sobrinhos, com uma
atenção especial aos adolescentes, com os quais mantém contato direto,
incentivando-os a estudar e a se organizarem na vida.
Articula-se com os melhores teólogos da
época. Assegura-se que o que ela pensa, busca e experimenta não seja
contraditório à fé cristã.
Oriunda de uma família, na qual teve o
privilégio de aprender a ler e escrever, registra por escrito a experiência da
passagem de Deus na sua vida. Empenha-se para que todas as Irmãs Carmelitas
aprendam a ler e escrever, garantindo-lhes mais autonomia nas diversas áreas
como a comunicação, espiritualidade, teologia, e, até mesmo para poder
acompanhar os acontecimentos.
Incentiva e orienta pessoas a trilharem
o caminho de opção por Jesus Cristo e seu Reino; acompanha suas fundações, faz
negócios, solicita ajuda para as necessidades e o cuidado com a pessoa das
Irmãs, especialmente na saúde, vestuário, alimentação.
Utiliza intensivamente a mídia da época
escrevendo bilhetes, cartas, livros. Usa todos os meios que pode e se comunica
com as autoridades oficiais, tanto religiosas como civis, para solicitar ajuda,
defender sua obra.
Teresa mantém suas antenas ligadas à
evangelização eclesial, principalmente nas “Índias”, enviando cartas aos
missionários, irmãos, parentes e amigos. Seu método: inicia as Cartas partilhando
a sua própria experiência humana e espiritual. A seguir expressa interesse pelo
destinatário, seu trabalho e como o realiza. Escrevendo aos missionários, quer
saber como os índios são tratados, pois diz ter ouvido falar sobre a exploração
indígena e critica determinadas práticas. Faz questão de expressar que gostaria
de estar em terras de missão, mas como não pode, “por ser mulher”, assume ser
missionária em tudo o que está ao seu alcance, vivendo intensivamente a
proposta de Jesus e orando pela evangelização.
Sim, a Santa de Ávila, que neste ano de
2015 se comemora o V aniversário do seu nascimento, foi missionária, amando e
experienciando a humanidade de Jesus Cristo. Para ela Deus é aquele que nos
habita, está sempre nos esperando e “muito ajuda ter pensamentos elevados, para
que as obras também o sejam” (C4,1).
Notas:
[1] O sacerdote espanhol Santo Enrique
de Ossó e Cervelló desde jovem leu os escritos de Teresa de Jesus. Cativado
pelos ensinamentos da Santa de Ávila, tornou-se seu incansável divulgador.
Entre outras obras fundou a Companhia de Santa Teresa de Jesus (1876), as Irmãs
Teresianas, desejando que fossem “santas e sábias” como Teresa de Jesus;
“outras Teresas de Jesus” na atualidade, com a missão de “conhecer, amar e
tornar Jesus Cristo conhecido e amado”.
[2] Curiosidades: entre as mulheres
importantes que adotaram o nome da espanhola Santa Teresa de Ávila, por serem
suas admiradoras e/ou discípulas, cita-se aqui: a francesa, Santa Teresinha do
Menino Jesus (1873-1897); a chilena Santa Teresa dos Andes (1900-1920); a
albanesa Madre Teresa de Calcutá (1910-1997). Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/
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segunda-feira, 12 de outubro de 2015
FESTA DE NOSSA SENHORA APARECIDA: Um olhar.
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NOVENA COM FREI PETRÔNIO: Homilia da 9ª Noite.
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NOSSA SENHORA APARECIDA: Convite.
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NEGRA MARIAMA: 9º Dia da Novena.
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FESTA DE NOSSA SENHORA APARECIDA: Convite.
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domingo, 11 de outubro de 2015
NOVENA COM FREI PETRÔNIO: Homilia da 8ª Noite.
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09:27
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MISSÃO COM FREI PETRÔNIO: Uma Prece.
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TRADIÇÃO: Um olhar cultural e religioso.
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sábado, 10 de outubro de 2015
NEGRA MARIAMA: 6º Dia da Novena.
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NOVENA COM FREI PETRÔNIO: Homilia da 7ª Noite.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2015
NEGRA MARIAMA: 5º Dia da Novena.
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quarta-feira, 7 de outubro de 2015
NEGRA MARIAMA: 4º Dia da Novena.
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NEGRA MARIAMA: 3º Dia da Novena-Reflexão.
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COMUNIDADE CAPIM: Convite.
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NEGRA MARIAMA: 3º Dia da Novena-Reflexão.
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domingo, 4 de outubro de 2015
A PALAVRA... Nº 710º. São Francisco e a vida religiosa.
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sábado, 3 de outubro de 2015
NEGRA MARIAMA: 1º Dia da Novena.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2015
A CAMINHO DE ALAGOAS-01.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2015
*Um desafio à cristologia
Dom Vital João Wilderink, OCarm.
*In Memoriam
Em
outubro de 1932, o Padre Tito Brandsma foi eleito reitor da universidade
católica de Nijmegen. No dies natalis da universidade, ele fez um discurso
sobre o conceito ou imagem de Deus. O discurso conheceu, mesmo depois da sua
morte, repetidas edições porque conserva uma atualidade surpreendente. Na época a formação teológica trazia o
carimbo da neo-escolástica, caracterizada por uma linguagem especulativa e
abstrata. Falava-se de Deus como se tratasse de uma espécie de realidade
eterna, atemporal e imutável sobre a qual a nossa busca de peregrinos não tinha
muito a dizer. Insistia-se, sem dúvida, na prática das virtudes, mas, como Tito
dizia no seu discurso, não sem perigo de reduzir a vida espiritual a uma
prática exterior. Para Tito, porém, Deus não independe de formas humanas de
conhecimento que são marcadas pelo tempo e pelo contexto. Neste ponto ele
insiste na necessidade de uma abertura em relação a novas evoluções na
espiritualidade.
Ele
começa o seu discurso dizendo: “Entre as
muitas questões que eu me coloco, há uma que prende mais a minha atenção: é o
enigma que o homem de hoje, tão convencido e orgulhoso do seu progresso, se
afaste em tão grande número de Deus. Porque a imagem de Deus ficou tão
obscurecida que a tanta gente não chega a dizer mais nada? Creio que seja dever nosso olhar em torno a nós para esse
fenômeno da negação de Deus. Não, porque devemos em primeiro lugar assumir uma
atitude de defesa já existe apologia demais, mas, em vista desse fenômeno,
deixar-se motivar para fazer conhecer a imagem de Deus em novas formas”.
O
que Tito Brandsma procurava fazer era que aprofundar a fé submetendo as suas
intuições ao exame crítico do intelecto e da sabedoria da tradição. Não por
interesse próprio ou para ser original, mas para desembocar numa corrente que
flui pelas artérias profundas do corpo da realidade. Sabemos que, entre nós
aqui na América Latina, surgiu a partir de uma reflexão sobre a realidade, uma
espiritualidade de libertação. Se espiritualidade é um processo que tem a ver
com uma relação nossa com o Absoluto, é imprescindível ver a nossa inserção no
mundo e no universo. Não podemos dizer que a plenitude do ser humano não tem
nada a ver com essa realidade. Afinal somos um ícone do real.
Ecclesia semper est
reformanda. Também o corpo doutrinal, na sua tradição cristológica apela para
uma reforma. É uma tarefa de grande responsabilidade uma vez que os dogmas
estão entre eles intrinsecamente conectados. Não podemos passar com descuido
sobre a rica herança teológica de dois milênios.
De
outro lado há uma outra constatação feita inclusive por grandes estudiosos, de
que o mundo se encontra diante de um dilema de proporções planetárias que exige
uma mudança radical de "civilização", de sentido do humano, ou
provocará uma catástrofe de proporções cósmicas. Isto exige um esforço inter-cultural
para fazer um primeiro passo para uma conversão marcada pela esperança.
Não
há espiritualidade cristã, nem carisma carmelitano quando se passa por cima da condição humana na sua
dimensão mais profunda e menos condicionada pelas vicissitudes históricas.
Existe no ser humano um desejo de plenitude e de vida, de felicidade e de
infinito, de verdade e de beleza que vai além das contingências religiosas e
culturais.Para nós essa plenitude tem um nome: Jesus Cristo.
*Retiro da
Província Carmelitana de Santo Elias. 28 de julho a 01 de agosto-2008. Belo
Horizonte-MG.
*Dom Frei Vital
Wilderink, O Carm, foi vítima de um acidente de automóvel quando retornava para
o Eremitério, “Fonte de Elias”, no alto do Rio das Pedras, nas montanhas de
Lídice, distrito do município de Rio Claro, no estado do Rio de Janeiro. O
acidente ocorreu no dia 11 de junho de 2014. O sepultamento foi na cidade de
Itaguaí/RJ, no dia 12, na Catedral de São Francisco Xavier, Diocese esta onde
ele foi o primeiro Bispo.
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A PALAVRA... Nº 1002. Só sei que sou Carmelita...
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FREI PETRÔNIO: Pensamento do Dia. (SEXTA, 25).
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Íntegra do discurso do Papa Francisco ao Congresso Americano
Na quinta-feira, 24 de setembro, o Papa
Francisco proferiu seu discurso ao Congresso Americano, em Washington.
Eis
o discurso.
Senhor Vice-Presidente,
Senhor Presidente da Câmara dos
Representantes,
Distintos Membros do Congresso,
Queridos Amigos!
Sinto-me muito grato pelo convite para
falar a esta Assembleia Plenária do Congresso «na terra dos livres e casa dos
valorosos». Apraz-me pensar que o motivo para isso tenha sido o facto de também
eu ser um filho deste grande continente, do qual muito recebemos todos nós e
relativamente ao qual partilhamos uma responsabilidade comum.
Cada filho ou filha duma determinada
nação tem uma missão, uma responsabilidade pessoal e social. A vossa
responsabilidade própria de membros do Congresso é fazer com que este país,
através da vossa actividade legislativa, cresça como nação. Vós sois o rosto
deste povo, os seus representantes. Sois chamados a salvaguardar e garantir a
dignidade dos vossos concidadãos na busca incansável e exigente do bem comum,
que é o fim de toda a política.
Uma sociedade política dura no tempo
quando, como uma vocação, se esforça por satisfazer as carências comuns,
estimulando o crescimento de todos os seus membros, especialmente aqueles que
estão em situação de maior vulnerabilidade ou risco. A atividade legislativa
baseia-se sempre no cuidado das pessoas. Para isso fostes convidados, chamados
e convocados por aqueles que vos elegeram.
O vosso trabalho lembra-me, sob dois
aspectos, a figura de Moisés. Por um lado, o patriarca e legislador do povo de
Israel simboliza a necessidade que têm os povos de manter vivo o seu sentido de
unidade com os instrumentos duma legislação justa. Por outro, a figura de
Moisés leva-nos directamente a Deus e, por consequência, à dignidade
transcendente do ser humano. Moisés oferece-nos uma boa síntese do vosso
trabalho: a vós, pede-se para proteger, com os instrumentos da lei, a imagem e
semelhança moldadas por Deus em cada rosto humano.
Nesta perspectiva, hoje quereria
dirigir-me não só a vós mas, através de vós, a todo o povo dos Estados Unidos.
Aqui, juntamente com os seus representantes, quereria aproveitar esta
oportunidade para dialogar com tantos milhares de homens e mulheres que se
esforçam diariamente por cumprir uma honesta jornada de trabalho, por trazer
para casa o pão de cada dia, por poupar qualquer dólar e – passo a passo –
construir uma vida melhor para as suas famílias. São homens e mulheres que não
se preocupam apenas com pagar os impostos, mas – na forma discreta que os
caracteriza – sustentam a vida da sociedade. Geram solidariedade com as suas
actividades e criam organizações que ajudam quem tem mais necessidade.
Quereria também entrar em diálogo com as
numerosas pessoas idosas que são um depósito de sabedoria forjada pela
experiência e que procuram de muito modos, especialmente através do
voluntariado, partilhar as suas histórias e experiências. Sei que muitas delas
estão aposentadas, mas ainda activas e continuam a empenhar-se na construção
deste país. Desejo também dialogar com todos os jovens que lutam por realizar
as suas grandes e nobres aspirações, que não se deixam extraviar por propostas
superficiais e que enfrentam situações difíceis, tantas vezes resultantes da
imaturidade de muitos adultos. Quereria dialogar com todos vós, e desejo
fazê-lo através da memória histórica do vosso povo.
A minha visita tem lugar num momento em
que homens e mulheres de boa vontade estão a celebrar o aniversário de alguns
americanos famosos. Apesar da complexidade da história e da realidade da
fraqueza humana, estes homens e mulheres foram capazes, com todas as suas
diferenças e limitações, de construir um futuro melhor com trabalho duro e
sacrifício pessoal – alguns à custa da própria vida. Deram forma a valores
fundamentais, que permanecerão para sempre no espírito do povo americano. Um
povo com este espírito pode atravessar muitas crises, tensões e conflitos, já
que sempre conseguirá encontrar a força para ir avante e fazê-lo com dignidade.
Estes homens e mulheres dão-nos uma possibilidade de ver e interpretar a
realidade. Ao honrar a sua memória, somos estimulados, mesmo no meio de
conflitos, na vida concreta de cada dia, a haurir das nossas mais profundas
reservas culturais.
Quereria mencionar quatro destes
americanos: Abraham Lincoln, Martin Luther King, Dorothy Day e Thomas Merton.
Este ano completam-se cento e cinquenta
anos do assassinato do Presidente Abraham Lincoln, o guardião da liberdade, que
trabalhou incansavelmente para que «esta nação, com a protecção de Deus,
pudesse ter um renascimento de liberdade». Construir um futuro de liberdade
requer amor pelo bem comum e colaboração num espírito de subsidiariedade e
solidariedade.
Todos estamos plenamente cientes e
também profundamente preocupados com a situação social e política inquietante
do mundo actual. O nosso mundo torna-se cada vez mais um lugar de conflitos
violentos, ódios e atrocidade brutais, cometidos até mesmo em nome de Deus e da
religião. Sabemos que nenhuma religião está imune de formas de engano
individual ou de extremismo ideológico. Isto significa que devemos prestar
especial atenção a qualquer forma de fundamentalismo, tanto religioso como de
qualquer outro género. É necessário um delicado equilíbrio para se combater a
violência perpetrada em nome duma religião, duma ideologia ou dum sistema
económico, enquanto, ao mesmo tempo, se salvaguarda a liberdade religiosa, a
liberdade intelectual e as liberdades individuais. Mas há outra tentação de que
devemos acautelar-nos: o reducionismo simplista que só vê bem ou mal, ou, se
quiserdes, justos e pecadores. O mundo contemporâneo, com as suas feridas
abertas que tocam muitos dos nossos irmãos e irmãs, exige que enfrentemos toda
a forma de polarização que o possa dividir entre estes dois campos. Sabemos
que, na ânsia de nos libertar do inimigo externo, podemos ser tentados a
alimentar o inimigo interno. Imitar o ódio e a violência dos tiranos e dos
assassinos é o modo melhor para ocupar o seu lugar. Isto é algo que vós, como
povo, rejeitais.
Pelo contrário, a nossa resposta deve
ser uma resposta de esperança e cura, de paz e justiça. É-nos pedido para
fazermos apelo à coragem e à inteligência, a fim de se resolverem as muitas
crises económicas e geopolíticas de hoje. Até mesmo num mundo desenvolvido
aparecem demasiado evidentes os efeitos de estruturas e ações injustas. Os
nossos esforços devem concentrar-se em restaurar a paz, remediar os erros,
manter os compromissos, e assim promover o bem-estar dos indivíduos e dos
povos. Devemos avançar juntos, como um só, num renovado espírito de
fraternidade e solidariedade, colaborando generosamente para o bem comum.
Os desafios, que hoje enfrentamos,
requerem uma renovação deste espírito de colaboração, que produziu tantas
coisas boas na história dos Estados Unidos. A complexidade, a gravidade e a
urgência destes desafios exigem que ponhamos a render os nossos recursos e
talentos e nos decidamos a apoiar-nos mutuamente, respeitando as diferenças e
convicções de consciência.
Nesta terra, as várias denominações
religiosas deram uma grande ajuda na construção e fortalecimento da sociedade.
É importante que hoje, como no passado, a voz da fé continue a ser ouvida,
porque é uma voz de fraternidade e de amor que procura fazer surgir o melhor em
cada pessoa e em cada sociedade. Esta cooperação é um poderoso recurso na luta
por eliminar as novas formas globais de escravidão, nascidas de graves
injustiças que só podem ser superadas com novas políticas e novas formas de
consenso social.
Penso aqui na história política dos
Estados Unidos, onde a democracia está profundamente radicada no espírito do
povo americano. Qualquer actividade política deve servir e promover o bem da
pessoa humana e estar baseada no respeito pela dignidade de cada um.
«Consideramos evidentes, por si mesmas, estas verdades: que todos os homens são
criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis,
que, entre estes, estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade»
(Declaração de Independência, 4 de Julho de 1776). Se a política deve estar
verdadeiramente ao serviço da pessoa humana, segue-se que não pode estar submetida
à economia e às finanças. É que a política é expressão da nossa insuprível
necessidade de vivermos juntos em unidade, para podermos construir unidos o bem
comum maior: uma comunidade que sacrifique os interesses particulares para
poder partilhar, na justiça e na paz, os seus benefícios, os seus interesses, a
sua vida social. Não subestimo as dificuldades que isto implica, mas
encorajo-vos neste esforço.
Penso também na marcha que Martin Luther
King guiou de Selma a Montgomery, há cinquenta anos, como parte da campanha
para conseguir o seu «sonho» de plenos direitos civis e políticos para os
afro-americanos. Aquele sonho continua a inspirar-nos. Alegro-me por a América
continuar a ser, para muitos, uma terra de «sonhos»: sonhos que levam à acção,
à participação, ao compromisso; sonhos que despertam o que há de mais profundo
e verdadeiro na vida das pessoas. Nos últimos séculos, milhões de pessoas
chegaram a esta terra perseguindo o sonho de construírem um futuro em
liberdade. Nós, pessoas deste continente, não temos medo dos estrangeiros,
porque outrora muitos de nós éramos estrangeiros. Digo-vos isto como filho de
imigrantes, sabendo que também muitos de vós sois descendentes de imigrantes.
Tragicamente, os direitos daqueles que estavam aqui, muito antes de nós, nem
sempre foram respeitados. Por aqueles povos e as suas nações, desejo, a partir
do coração da democracia americana, reafirmar a minha mais alta estima e
consideração. Aqueles primeiros contactos foram muitas vezes tumultuosos e
violentos, mas é difícil julgar o passado com os critérios do presente.
Todavia, quando o estrangeiro no nosso meio nos interpela, não devemos repetir
os pecados e os erros do passado. Devemos decidir viver agora o mais nobre e
justamente possível e, de igual modo, formar as novas gerações para não virarem
as costas ao seu «próximo» e a tudo aquilo que nos rodeia. Construir uma nação
pede-nos para reconhecer que devemos constantemente relacionar-nos com os
outros, rejeitando uma mentalidade de hostilidade para se adoptar uma
subsidiariedade recíproca, num esforço constante de contribuir com o melhor de
nós. Tenho confiança que o conseguiremos.
O nosso mundo está a enfrentar uma crise
de refugiados de tais proporções que não se via desde os tempos da II Guerra
Mundial. Esta realidade coloca-nos diante de grandes desafios e decisões
difíceis. Também neste continente, milhares de pessoas sentem-se impelidas a
viajar para o Norte à procura de melhores oportunidades. Porventura não é o que
queríamos para os nossos filhos? Não devemos deixar-nos assustar pelo seu
número, mas antes olhá-los como pessoas, fixando os seus rostos e ouvindo as
suas histórias, procurando responder o melhor que pudermos às suas situações.
Uma resposta que seja sempre humana, justa e fraterna. Devemos evitar uma
tentação hoje comum: descartar quem quer que se demonstre problemático.
Lembremo-nos da regra de ouro: «O que quiserdes que vos façam os homens,
fazei-o também a eles» (Mt 7, 12).
Esta norma aponta-nos uma direcção
clara. Tratemos os outros com a mesma paixão e compaixão com que desejamos ser
tratados. Procuremos para os outros as mesmas possibilidades que buscamos para
nós mesmos. Ajudemos os outros a crescer, como quereríamos ser ajudados nós
mesmos. Em suma, se queremos segurança, demos segurança; se queremos vida,
demos vida; se queremos oportunidades, providenciemos oportunidades. A medida
que usarmos para os outros será a medida que o tempo usará para connosco. A
regra de ouro põe-nos diante também da nossa responsabilidade de proteger e defender
a vida humana em todas as fases do seu desenvolvimento.
Esta convicção levou-me, desde o início
do meu ministério, a sustentar a vários níveis a abolição global da pena de
morte. Estou convencido de que esta seja a melhor via, já que cada vida é sagrada,
cada pessoa humana está dotada duma dignidade inalienável, e a sociedade só
pode beneficiar da reabilitação daqueles que são condenados por crimes.
Recentemente, os meus irmãos bispos aqui
nos Estados Unidos renovaram o seu apelo pela abolição da pena de morte. Não só
os apoio, mas encorajo também todos aqueles que estão convencidos de que uma
punição justa e necessária nunca deve excluir a dimensão da esperança e o
objectivo da reabilitação.
Nestes tempos em que as preocupações
sociais são tão importantes, não posso deixar de mencionar a Serva de Deus
Dorothy Day, que fundou o Catholic Worker Movement. O seu compromisso social, a
sua paixão pela justiça e pela causa dos oprimidos estavam inspirados pelo
Evangelho, pela sua fé e o exemplo dos Santos.
Quanto estrada percorrida neste campo em
tantas partes do mundo! Quanto se fez nestes primeiros anos do terceiro milénio
para fazer sair as pessoas da pobreza extrema! Sei que partilhais a minha
convicção de que se tem de fazer ainda muito mais e de que, em tempos de crise
e dificuldade económica, não se deve perder o espírito de solidariedade global.
Ao mesmo tempo, desejo encorajar-vos a não esquecer todas as pessoas à nossa
volta encastradas nas espirais da pobreza. Há necessidade de dar esperança também
a elas. A luta contra a pobreza e a fome deve ser travada com constância nas
suas múltiplas frentes, especialmente nas suas causas. Sei que hoje, como no
passado, muitos americanos estão a trabalhar para enfrentar este problema.
Naturalmente uma grande parte deste
esforço situa-se na criação e distribuição de riqueza. A utilização correcta
dos recursos naturais, a aplicação apropriada da tecnologia e a capacidade de
orientar devidamente o espírito empresarial são elementos essenciais duma
economia que procura ser moderna, inclusiva e sustentável. «A actividade
empresarial, que é uma nobre vocação orientada para produzir riqueza e melhorar
o mundo para todos, pode ser uma maneira muito fecunda de promover a região
onde instala os seus empreendimentos, sobretudo se pensa que a criação de
postos de trabalho é parte imprescindível do seu serviço ao bem comum» (Enc.
Laudato si’, 129). Este bem comum inclui também a terra, tema central da
Encíclica que escrevi, recentemente, para «entrar em diálogo com todos acerca
da nossa casa comum» (ibid., 3). «Precisamos de um debate que nos una a todos,
porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem
respeito e têm impacto sobre todos nós» (ibid., 14).
Na encíclica Laudato si’, exorto a um
esforço corajoso e responsável para «mudar de rumo» (ibid., 61) e evitar os
efeitos mais sérios da degradação ambiental causada pela actividade humana.
Estou convencido de que podemos fazer a diferença e não tenho dúvida alguma de
que os Estados Unidos – e este Congresso – têm um papel importante a
desempenhar. Agora é o momento de empreender acções corajosas e estratégias
tendentes a implementar uma «cultura do cuidado» (ibid., 231) e «uma abordagem
integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e,
simultaneamente, cuidar da natureza» (ibid., 139). Temos a liberdade necessária
para limitar e orientar a tecnologia (cf. ibid., 112), para individuar modos
inteligentes de «orientar, cultivar e limitar o nosso poder» (ibid., 78) e
colocar a tecnologia «ao serviço doutro tipo de progresso, mais saudável, mais
humano, mais social, mais integral» (ibid., 112). A este respeito, confio que
as instituições americanas de investigação e académicas poderão dar um
contributo vital nos próximos anos.
Um século atrás, no início da I Grande
Guerra que o Papa Bento XV definiu «massacre inútil», nascia outro americano
extraordinário: o monge cisterciense Thomas Merton. Ele continua a ser uma
fonte de inspiração espiritual e um guia para muitas pessoas. Na sua autobiografia,
deixou escrito: «Vim ao mundo livre por natureza, imagem de Deus; mas eu era
prisioneiro da minha própria violência e do meu egoísmo, à imagem do mundo onde
nascera. Aquele mundo era o retrato do Inferno, cheio de homens como eu, que
amam a Deus e contudo odeiam-No; nascidos para O amar, mas vivem no medo de
desejos desesperados e contraditórios». Merton era, acima de tudo, homem de
oração, um pensador que desafiou as certezas do seu tempo e abriu novos
horizontes para as almas e para a Igreja. Foi também homem de diálogo, um
promotor de paz entre povos e religiões.
Nesta perspectiva de diálogo, gostaria
de saudar os esforços que se fizeram nos últimos meses para procurar superar as
diferenças históricas ligadas a episódios dolorosos do passado. É meu dever
construir pontes e ajudar, por todos os modos possíveis, cada homem e cada
mulher a fazerem o mesmo. Quando nações que estiveram em desavença retomam o
caminho do diálogo – um diálogo que poderá ter sido interrompido pelas mais
válidas razões –, abrem-se novas oportunidades para todos. Isto exigiu, e
exige, coragem e audácia, o que não significa irresponsabilidade. Um bom líder
político é aquele que, tendo em conta os interesses de todos, lê o momento
presente com espírito de abertura e sentido prático. Um bom líder político não
cessa de optar mais por «iniciar processos do que possuir espaços» (Exort. ap.
Evangelii gaudium, 222-223).
Estar ao serviço do diálogo e da paz
significa também estar verdadeiramente determinado a reduzir e, a longo prazo,
pôr termo a tantos conflitos armados em todo o mundo. Aqui devemos
interrogar-nos: Por que motivo se vendem armas letais àqueles que têm em mente
infligir sofrimentos inexprimíveis a indivíduos e sociedade? Infelizmente a
resposta, como todos sabemos, é apenas esta: por dinheiro; dinheiro que está
impregnado de sangue, e muitas vezes sangue inocente. Perante este silêncio
vergonhoso e culpável, é nosso dever enfrentar o problema e deter o comércio de
armas.
Três filhos e uma filha desta terra,
quatro indivíduos e quatro sonhos: Lincoln, a liberdade; Martin Luther King, a
liberdade na pluralidade e não-exclusão; Dorothy Day, a justiça social e os
direitos das pessoas; e Thomas Merton, capacidade de diálogo e abertura a Deus.
Quatro
representantes do povo americano.
Concluirei a minha visita ao vosso país
em Filadélfia, onde participarei no Encontro Mundial das Famílias. É meu desejo
que, durante toda a minha visita, a família seja um tema recorrente. Como foi
essencial a família na construção deste país! E como merece ainda o nosso apoio
e encorajamento! E todavia não posso esconder a minha preocupação pela família,
que está ameaçada, talvez como nunca antes, de dentro e de fora. As relações
fundamentais foram postas em discussão, bem como o próprio fundamento do
matrimônio e da família. Posso apenas repropor a importância e sobretudo a
riqueza e a beleza da vida familiar.
Em particular quereria chamar a atenção
para os membros da família que são os mais vulneráveis: os jovens. Para muitos
deles anuncia-se um futuro cheio de tantas possibilidades, mas muitos outros
parecem desorientados e sem uma meta, encastrados num labirinto sem esperança,
marcado por violências, abusos e desespero. Os seus problemas são os nossos
problemas. Não podemos evitá-los.
É necessário enfrentá-los juntos, falar
deles e procurar soluções eficazes em vez de ficar empantanados nas discussões.
Correndo o risco de simplificar, poderemos dizer que vivemos numa cultura que
impele os jovens a não formarem uma família, porque lhes faltam possibilidades
para o futuro. Mas esta mesma cultura apresenta a outros tantas opções que
também eles são dissuadidos de formar uma família.
Uma nação pode ser considerada grande,
quando defende a liberdade, como fez Lincoln; quando promove uma cultura que
permita às pessoas «sonhar» com plenos direitos para todos os seus irmãos e
irmãs, como procurou fazer Martin Luther King; quando luta pela justiça e pela
causa dos oprimidos, como fez Dorothy Day com o seu trabalho incansável, fruto
duma fé que se torna diálogo e semeia paz no estilo contemplativo de Thomas
Merton.
Nestas notas, procurei apresentar
algumas das riquezas do vosso património cultural, do espírito do povo
americano. Faço votos de que este espírito continue a desenvolver-se e a
crescer de tal modo que o maior número possível de jovens possa herdar e
habitar numa terra que inspirou tantas pessoas a sonhar.
Deus abençoe a América!
Fonte:
http://www.ihu.unisinos.br
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
11:57
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O Papa nos Estados Unidos,
Olhar Jornaliístico
TRÍDUO A SANTA TERESA DE LISIEUX: 3º Dia.
* Dom Frei Vital Wilderink, O Carm, In Memoriam.
Terceiro
dia. Tema: O amor de Deus e do próximo
Acolhida
1. Criar um bom ambiente, dando as
boas-vindas e colocando as pessoas à vontade.
2. Canto inicial. Sugestão: “Toda a
Bíblia é comunicação”. Durante o canto são introduzidas a Bíblia e, em seguida,
uma imagem de Santa Teresinha, e colocadas sobre uma mesinha no meio de grupo.
3. O presidente ou coordenador da
celebração apresenta brevemente o assunto que vai ser refletido, meditado e
rezado neste terceiro dia da novena.
4. Os participantes invocam a luz do
Espírito Santo.
O
caminho do amor
Não há dúvida: o amor é a
experiência mais universal, mais alta, doce e difícil do ser humano. Ela se
reveste de diversos aspectos e dimensões,
de degraus e etapas, de diversas motivações e expressões. Mesmo
inconsciente no início, é uma energia primordial que procura alcançar seu
objetivo que é de ser aceito como bebê, criança, adolescente, jovem, adulto. É
como um anseio do próprio desenvolvimento, sempre acompanhado de um apetite de
prazer. Primeiro no plano biológico e psíquico, depois, com o nascer da
consciência e do conhecimento, no nível
do afeto da alegria de ser aceito, respeitado e querido como gente. A
busca da realização humana em todos seus aspectos sempre está ligada ao
respeito da dignidade da pessoa. Do contrário, haverá uma quebra, uma ferida,
uma diminuição da responsabilidade mútua que é inerente ao amor. Querer-se bem,
querer o bem do outro é uma caminhada difícil que exige uma transformação do
nosso eu para abrir o espaço para o amado. A experiência nos ensina que esse
mesmo eu é frequentemente da sua própria prisão a vigia mais eficiente.
.
Do momento em que o ser humano
faz sua entrada na terra, já no seio materno, manifesta-se nele uma energia
primordial que o impulsiona para seu desenvolvimento. É uma força orgânica,
biológica e psíquica que, como princípio de prazer, vai em busca de uma
afirmação. Mas no ser humano não existe apenas um anseio pelo prazer. Esta
aspiração se entrelaça com outro desejo forte: que me aceitem como gente.
Querer ser aceito e respeitado é a primeira expressão da dignidade humana. É toda uma trajetória, que se estende, de
modo diferenciado, ao longo dos anos da
vida. e que vai configurando a relação existencial do ser humano com o ambiente e seu próprio estado vital.
Tudo isto ressoa, de maneira dificilmente discernível, na sua consciência e vai
plasmando a afetividade do sujeito. O afetivo está presente em todos os setores
e dimensões da vida de uma pessoa. No seu caminho de amadurecimento cabe-lhe
não só interpretar os seus afetos, mas também tomar uma atitude diante delas.
Algumas reminiscências que
Teresinha guardou da sua infância esclarecem, de modo mais concreto, como isto
se deu na vida dela. Ela tinha quatro anos e oito quando sua mãe morreu de
câncer. Entre a mãe e a filha existia uma relação afetiva muito forte. Apenas
podemos conjeturar o quanto a falta da afeição materna prejudicou a criança na
sua evolução psicológica. Teresinha
tornou-se retraída, com uma sensibilidade à flor da pele. A nova e confortável
residência em Lisieux para onde a família se mudou, era o ninho que lhe dava
ainda certa segurança. O que faz uma criança nestas condições? Chora para
atrair a atenção. Mesmo com seus 12 a 13 anos de idade, Teresinha não consegue
vencer a sua sensibilidade infantil. “Era realmente insuportável” como
comentará mais tarde. Mesmo o horizonte religioso, àquela altura já presente na
sua consciência, não conseguia curá-la de sua hipersensibilidade. Às vezes
procurava cumprir certas tarefas domésticas às escondidas, “unicamente por amor
de Deus”. Mas quando os familiares não
manifestavam nenhum agradecimento ou elogio, as lágrimas da Teresinha já
começavam a rolar.
Mas na Festa do Natal de
1886, acontece o que Teresinha chamará de “a graça de sua conversão completa”.
A família voltava da Missa do Galo. Chegando em casa, as crianças corriam para
a lareira para pegar seus sapatos cheios de
presentes natalinos. O costume continuava mas só para Teresinha, que uma semana depois faria
quatorze anos! O pai, cansado com a Missa da meia noite, se irritou quando viu
os sapatos da sua filha caçula na
lareira. Ainda fora da sala, Teresinha escutou o comentário mal humorado de seu
querido pai: “Felizmente que esta vai ser a última vez!” As lagrimas já
começaram a brilhar nos olhos da Teresa. Ela subiu a escada para tirar o
chapéu. Deixemos que ela mesma conte: “Celina também estava bem a ponto de
chorar, pois me queria muito bem e compreendia minha mágoa: “Ó Teresa, disse-me
ela, não desça. Seria muito penoso ir neste momento ver o que há nos teus
sapatos”. Teresa, porém, já não era a mesma. Jesus tinha transformado o seu
coração. Depois de sufocar minhas lágrimas, desci lépida a escadaria. A
comprimir as batidas do coração, peguei meus sapatos, coloquei-os diante do
papai, e fui tirando alegre todos os objetos, com ar feliz, como o de uma
rainha. Papai ria-se, tinha também recuperado a alegria, e Celina estava sob a
impressão de um sonho!”.
Constata-se que, quando o sujeito se
vê forçado a reprimir uma tendência, esta é estimulada não somente pela
presença de seu objeto conatural, mas também por efeito de um estímulo que encaminha
para o objeto por uma associação às vezes casual. Desta maneira aparecem
reações agressivas ou alterações nervosas no comportamento. De outro lado, o
ser humano é capaz de interromper, por um ato de vontade, a sequência entre uma
necessidade sentida e a sua satisfação. Por esta capacidade, exercitada ou não,
o ser humano pode subtrair-se na sua conduta à direção do prazer e da dor. Aqui
a razão entra no campo afetivo como outro princípio de ação e faz tomar
distância do próprio ambiente de vida conseguindo assim impor o seu
domínio. Apresenta-se neste caso algo
que possui um alcance maior que a simples necessidade: é o desejo. Os limites
do desejo humano não se definem. Cada desejo aponta para um além. Se não fosse
assim não haveria renovação do nosso ritmo vital. A nossa vida ficaria presa ao
instante das necessidade percebida. Seria o tédio. ”O vento sopra para o sul,
depois gira para o norte e, girando e girando, vai dando as suas voltas. Todos
os rios correm para o mar, e o mar nunca transborda; embora cheguem Ao fim do
seu percurso, os rios sempre continuam a correr”(Ecl 1, 6-7). Como ser pensante
abre um parêntese, intercala um espaço não previsto, entre a sucessão das
necessidades e suas satisfações. É um “silêncio” certamente não de agrado à
sociedade de consumo e à lógica da eficiência do mercado.
A afetividade humana tem
na condição biológica o seu ponto de partida, seu primeiro suporte. Mas não se
reduz a estímulos instintivos. Os sentimentos e emoções humanas superam a mera
reação biológica. A afetividade humana, com suas duas vertentes, animal e
racional, é fundada na unidade da consciência. O que implica na necessidade de
uma disciplina pessoal e de uma opção que supõe uma visão do sentido da vida.
Na visão da fé cristã, o homem não é uma “paixão inútil”. Reconhece, sim, que a
sua existência tem um caráter dramático devido a uma deviação originária.
No ser humana a
afetividade se fundamenta tanto sobre a corporeidade como sobre a racionalidade.
O que implica nele uma passividade em relação às suas necessidades e
aspirações. Isto não só no âmbito biológico, mas também no nível do seu
intelecto uma vez que a vida racional se abre para um horizonte de certo modo
infinito. Se o ser humano, a partir dessas suas características fundamentais, não
fosse “alvo”, não haveria ressonância de nada na sua consciência, ressonância
que precisamente constitui a instância afetiva. Nem haveria, por conseguinte,
um estímulo para o agir humano, que pressupõe, por sua vez, uma capacidade de
discernir. A questão do discernimento será sempre complexa por causa da junção
paradoxal da receptividade passiva e da atividade desbravadora. A repercussão
afetiva de uma situação corresponde a condições objetivas ou é efeito de uma
emotividade subjetiva? É provável que haja
sempre uma combinação dos dois fatores com um leque muito variável de
proporções.
Considerando a abertura
universal da nossa inteligência, não se pode excluir da afetividade do ser
humano em relação a Deus. Os escritos da tradição da fé judaico-cristã possuem
uma linguagem claramente afetiva. Não aparece neles um Deus descoberto por
filósofos a partir das aspirações transcendentes, mas de um Deus que Ele mesmo
toma a iniciativa de ir ao encontro do homem. É o Deus que se revela, que
estabelece uma aliança com o homem: é um Deus de amor.
Apela-se à razão para negar
objetividade a essa visão. Em defesa de uma explicação geral e objetiva do
real, elaboram-se teorias com pretensões de filosofias universais, que tornam
desnecessário qualquer outro nível de pensamento. São teorias que, excluindo a
metafísica, explicam cientificamente a origem do real, até chegar a um ponto
que lhes é cientificamente inatingível. Ponto onde adivinham uma necessidade,
um acaso, enfim algo sem razão. Colocando o irracional como fundamento, fazem
desabar sua própria construção racional, uma vez reduzem a própria razão a um
produto casual do irracional. A fé cristã não interrompe a linha do racional
pois coloca no princípio o Verbo, a força criadora da razão no princípio de
todas as coisas. Não se vê como declarar
irracional o terreno em que os argumentos científicos e o próprio pensamento
filosófico não conseguem penetrar. A fé cristã dá a esse terreno o nome de
mistério, não porque deixa de optar pela primado do racional sobre o
irracional, mas porque para ela a razão verdadeira é o amor e o amor é a razão
verdadeira. Amor e razão coincidem. Há algo de irracional em negar que na sua
unidade eles são as o verdadeiro fundamento e objetivo do todo o real.
Para a fé cristã Deus é um
Deus que se revela ao homem entrando na sua história. Revelação que atinge no mistério da
Encarnação seu ponto mais alto. Deus assume em Cristo um coração humano. As
manifestações afetivas do Coração de Cristo são sentimentos divinos: sua bondade,
sua misericórdia, mas também seu medo e sua angústia. Santa Teresinha escreve:
“Como é linda a nossa religião, em vez de restringir os corações (como imagina
o mundo), eleva-os e torna-os capazes de amar, de amar com amor quase
infinito”. De fato, a revelação de Deus
visa uma participação à sua vida divina. Assim afirma a segunda carta de Pedro:
“O seu divino poder nos presenteou com tudo o que contribui para a vida e para
a piedade, mediante o conhecimento daquele que nos chamou por sua glória e poder.
Por sua glória e poder, ele nos presenteou com os bens prometidos, os maiores e
mais valiosos, a fim de que vós vos tornásseis participantes da na-tureza
divina, fugindo da corrupção que a concupiscência espalha no mundo”(2 Pd
1,3-4). Santa Teresinha pedirá na sua
oblação ao amor misericordioso de Deus que ele deixe transbordar em sua alma as
ondas de infinita ternura que estão encerradas nele. As expressões utilizadas por Teresa já
manifestam a sua reação afetiva à iniciativa do amor misericordioso de Deus.
Teresa se deixa monopolizar
por esse amor infinito de Deus que nela se reveste de uma forte acentuação
cristológica. Trata-se de um
conhecimento experiencial que a faz falar e agir. É neste olhar amoroso fixado
em Jesus que se encontra o segredo do seu ardor missionário, do seu desejo de
fazer com que Deus seja amado. Não é um sonho infrutífero. Ela encontrou nisto
a sua missão na Igreja. Missão que ela traduz concretamente no dia-a-dia de
seus relacionamentos humanos no espaço restrito do Carmelo de Lisieux. Em
virtude desse dinamismo do amor, desencadeado pela iniciativa de Deus, Teresa
se vê realizando todas as missões particulares que para ela são suscitadas pela
mesma iniciativa divina. Mas ela descobre que a impossibilidade de ampliar o
alcance de espaço e do tempo, não restringe a universalidade da sua vocação que se deixa absorver pelo
amor de Deus. Em agosto de 1897, diante de uma imagem de Joana d’Arc na prisão,
ela afirmará: “Os santos encorajam também a mim, na minha prisão. Eles me
dizem: ‘Enquanto estiveres acorrentada, não poderá cumprir tua missão; mais
tarde, porém, após a tua morte, será a hora de teus trabalhos e conquistas’”.
A pertença a Cristo
conferida no batismo produz uma conformação real, uma relação de filho de Deus,
condição que não pode deixar de ressoar na consciência traduzindo-se
afetivamente. Assumir esta filiação significa tomar consciência da necessidade
de uma entrega à vontade do Pai que “sabe que precisais de tudo isso”(Mt 6,
32). À medida que esse espírito filial crescer e se fortalecer, a apreensão
diante do juízo, sempre presente no horizonte da consciência pecadora, vai se
dissolvendo diante da confiança: “No amor não há temor. Ao contrário, o
perfeito amor lança fora o temor, pois o temor implica castigo, e aquele que
teme não chegou à perfeição do amor” 1Jo 4, 18).
O evangelho de Jesus
Cristo é uma revelação do amor, Amor que é o próprio Deus. Por isto, “quem
permanece no amor, permanece em Deus e Deus permanece nele” ( 1Jo 4,16). A
caridade como amor teologal, nos faz amar. Retifica, confirma, universaliza e
diviniza a nossa capacidade de amar. O nosso próximo não nos oferece
simplesmente uma ocasião para amar a Deus. Ele é amado, estimado e querido em
si mesmo, enquanto participa do amor que vem de Deus. A caridade descobre essa
amabilidade que o próximo tem em si, leva a ver o próximo em Deus, na inefável
condescendência do Amor divino.
O amor na Bíblia
Introdução
à leitura do texto bíblico.
A caridade como plenitude
do amor unifica a pessoa por dentro. Por isto só uma pessoa que ama é capaz de
sair de si mesmo, sem alarido, como canta São João da Cruz:
Em uma noite escura, às escuras, segura,
com ânsias, em amores inflamada, pela secreta escada disfarçada, ó ditosa
ventura! ó ditosa ventura! Saí
sem ser notada, em trevas e em
celada, ‘stando já minha casa sossegada, ‘stando
já minha casa sossegada.
Ao sair, não tem a impressão de ter
deixado algo para trás pela simples razão de “a amada no Amado (estar)
transformada” sem impressão de ter deixado um bem para trás pela simples razão
de “a amada no Amado (estar) transformada”, como canta São João da Cruz. É uma
sedução que paradoxalmente intensifica a liberdade, a espontaneidade e a
responsabilidade daquele que ama. É vocação de todos nós caminhar para esta
perfeição do amor.
Perguntas
para a reflexão:
•Cada um comenta um pouco o diálogo
entre Jesus e o jovem rico.
•Em que sentido o convite de Jesus ao
jovem pode e deve ser aplicado a nós?
Teresa,
Doutora do Amor.
Em 1998 Teresa de Lisieux foi
proclamada Doutora da Igreja pelo Papa João Paulo II. Já no pontificado de Pio
XI que a canonizou em 1925, houve tentativas de conceder a Santa Teresinha o
título de Doutora da Igreja. Malgrado sua profunda devoção à nova Santa que ele
chamava de “Estrela do meu Pontificado”,
Pio XI não atendeu a essa expectativa. O motivo? Porque se tratava de uma
mulher. Mais tarde, duas outras santas mulheres receberam o título: Santa
Teresa de Ávila e Santa Catarina de Sena. Hoje existe um movimento para que uma
terceira carmelita, Edith Stein, seja proclamada doutora da Igreja. A condição
feminina parece hoje um elemento até favorável para mostrar que a Igreja não é
machista.
Doutor da Igreja é um
título oficialmente dado pelo Magistério da Igreja a certos escritores
notáveis, tanto pela santidade de vida quanto pela importância e ortodoxia de
sua doutrina. Sem dúvida, houve outros que ao longo dos séculos seguiram o
pequeno caminho, como a Virgem Maria, mas devemos reconhecer que foi Santa
Teresinha que lhe deu um brilho e uma influência universal. Pode-se perguntar o
que existe de próprio na doutrina teresiana. Vários aspectos poderiam ser
apontados, mas o centro é, sem dúvida, o amor. Amor, palavra muitas vezes
banalizada. Teresa lhe devolve a sua seriedade ao fazer dele a sua própria
vocação. Ela tornou-se Doutora do Amor.
A caridade deu-
me a chave de minha vocação. Compreendi que, se a Igreja tinha corpo, composto
de vários membros, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos.
Compreendi que a Igreja tinha coração, e que o coração era ardente de amor.
Compreendi que só o amor fazia os membros da Igreja atuarem, e que se o amor se
extinguisse, os apóstolos já não anunciariam o Evangelho e os mártires se
recusariam a derramar seu sangue. Compreendi
que o amor abrange todas as vocações, alcançando todos os tempos e todos os
lugares. Numa palavra é terno. Então no transporte de minha delirante alegria,
pus-me a exclamar: Ó Jesus, meu amor, minha vocação, encontrei-a afinal: MINHA
VOCAÇÃO É O AMOR.
Amor
será também a última palavra que ela pronuncia na sua agonia: “Oh! eu o amo!...
Meu Deus... eu vos amo!...”. Desde
cedo, antes de entrar na sua adolescência, Teresa “sentia o desejo de amar só a
Deus, de não encontrar alegria senão nele”.
Já no fim da vida, o mesmo desejo, amadurecido e purificado pelo
sofrimento: “Vós o sabeis, ó meu Deus, nunca desejei outra coisa senão
amar-vos, não cobiço outra glória. Vosso amor sempre me preveniu desde a
infância, comigo cresceu, e agora se tornou um abismo, cuja profundeza não sei
calcular. Amor atrai amor. Por isso, meu Jesus, o meu se atira em vossa
direção, querendo atestar o abismo que o empuxa, mas infelizmente não
representaria sequer uma gota de orvalho, diluída no oceano! Para vos amar como
vós me amais, ser-me-ia necessário lançar mão de vosso próprio amor”.
Poderíamos perguntar se
Teresa em todas essas declarações de amor, não manifesta uma ilusão de estar
abrigada numa torre de marfim, fechada no seu eu que ela projeta num amor de
Deus. Não faz lembrar Teresinha menina, que em passeio vespertino, segurando a mão
de seu pai pedia-lhe que a guiasse?
“Então, não querendo ver nada desta terra mesquinha, sem olhar onde
punha os pés, erguia a cabecinha bem alto para o ar, e não me cansava de
contemplar o azul do céu estrelado!” A
autenticidade do nosso amor a Deus não se manifesta na qualidade do nosso amor
aos outros nas realidades concretas onde se desenvolve a nossa existência?
Certo, Teresa nunca deixou de sonhar com o dia em que estaria reunida com toda
a sua família no Céu. Saudades sublimadas do tempo de sua infância? É descobrindo o amor de Deus que Teresa faz o
caminho de volta, da fugacidade do tempo e de todas as coisas para a
preciosidade do momento presente: “Que me importa, Senhor, se no futuro há
sombra? Rezar pelo amanhã? Minha alma não consente! Guarda meu coração puro!
Cobre-me com tua sombra. Agora, no presente!” Se penso no amanhã, temo ser inconstante, vejo
nascer em meu coração a tristeza e o enfado. Eu quero, Deus meu, o sofrimento,
a prova torturante agora, no presente!”
Teresa saiu do
seu eu com seus inúmeros desejos de tira-gosto. O que sobrou foi o desejo do desejo
de amar a Deus. Suas três irmãs de
sangue, carmelitas no mesmo mosteiro, se reuniam junto à cama da caçula da
família. Escutemos o diálogo: “O que você quer que digamos hoje?... A melhor
coisa seria não dizer absolutamente nada, porque, para dizer a verdade, não há
nada para dizer. Tudo já foi dito, não é? Teresa fez um lindo sinalzinho com a
cabeça: Foi!... Sofro somente um instante. Nós nos desanimamos e desesperamos
apenas por pensarmos no passado e no futuro”.
Quem tem consciência de morar no amor de Deus, tem outra maneira de
relacionar-se com o tempo. Não faz as coisas para poder fazer outras. Ele é o
que faz.
A confiança e o abandono
nas mãos de Deus e o sentir-se amada por Ele é em Teresa a fonte do amor aos
outros. Deus é a única opção de Teresa. Mas o amor entre os dois não é um
diálogo fechado. O mundo está presente nele. É um diálogo no tempo e na
história que encontra a sua fonte no mistério da Encarnação, e, de modo denso,
no mistério da Paixão de Cristo. “Como a torrente, lançando-se com ímpeto no
oceano, arrasta após si tudo quanto encontra de passagem, assim também, ó meu
Jesus, a alma que imerge no ilimitado oceano de vosso amor, arrebata consigo
todos os tesouros que possui... Senhor, vós o sabeis, não tenho outros tesouros
senão as almas que vos aprouve unir à minha. Tais tesouros, fostes vós que mos
confiastes”. Teresa não seleciona as almas. É verdade que ela pensa nos
pequenos. Ficaria até feliz se Deus pudesse encontrar almas que, em relação a
ela, ganhassem em pequenez porque o critério será sempre a misericórdia divina.
Pois foi do agrado do Pai revelar estas coisas aos pequeninos (Mt 11, 26). Teresa recorre frequentemente às cartas de
São Paulo. Também no tema da misericórdia de Deus, ela se reconhece no Apóstolo
dos Gentios: “Jesus não chama os que disso são dignos, mas o que são de seu
agrado, ou conforme diz São Paulo: ‘Deus tem compaixão de quem lhe apraz, e faz
misericórdia a quem Ele quer aplicar misericórdia. Isto, portanto, não depende
de quem quer, nem de quem corre, mas de Deus que se compadece”(Rm 9, 15-16).
O pensamento de
Teresa não é arbitrário, mas atinge o mistério insondável da salvação. Por isso
mesmo descobre a sua vocação de amor no coração da Igreja, como uma vocação
profundamente apostólica: “Tenho vocação de ser apóstola... Quisera percorrer a
terra, apregoar teu nome, e cantar em terra de infiéis tua gloriosa Cruz. Mas,
ó meu Bem-Amado, uma única missão não me seria bastante. Quisera anunciar, ao
mesmo tempo, o Evangelho pelas cinco partes do mundo até as ilhas mais
remotas... Quisera ser missionária não só por alguns anos, mas quisera sê-lo
desde a criação do mundo, e sê-lo até a consumação dos séculos... Mas, acima de
tudo, quisera, ó meu amado Salvador, por ti quisera derramar meu sangue até a
última gota...”.
De novo surge a
tentação do ceticismo para quem a linguagem e a empolgação de Teresa pode parecer uma fuga da vida
cotidiana que ela levava no Carmelo de Lisieux. Ambiente em que não faltavam
relacionamentos eivados de autoritarismo, mesquinhez e ciúme, que facilmente
aumentam o volume da sua ressonância afetiva quando o espaço do mosteiro é
reduzido pelo clausura, mas habitado por um número não pequeno de religiosas.
As “alfinetadas” de que Teresa fala, fazem sonhar com horizontes mais
amplos. Mas o horizonte de Teresa não é
feito de um sonho, mas é “o próprio Jesus, esta divina realidade” como ela
sublinha. Ainda postulante, ela escreve para sua irmã Celina: “Antes de morrer
pela espada, morramos às alfinetadas”.
As renúncias não procuradas que a cada momento se apresentam no relacionamento
com as irmãs, principalmente no trato com as noviças por cuja formação Teresa é
responsável, fazem-lhe descobrir e também ensinar melhor o seu pequeno caminho
de amor. Teresa não quer saber de gestos heroicos de santidade. Para ela o
ponto de referência é Jesus, que ela quer seguir amando. Jesus, o Filho de Deus
que veio para fazer a vontade do Pai. Vontade que consiste em dar ao mundo o
Filho, e nele o amor do Deus-Trindade. Um mês antes de sua morte,
perguntaram-lhe se ficaria contente se soubesse que dentro de alguns dias iria
morrer, ou se preferiria receber um aviso de que o seu sofrimento iria aumentar
durante um longo período ainda. A resposta de Teresa: “Oh! não, absolutamente,
não ficaria mais contente. A única coisa que me deixa contente é fazer a
vontade do bom Deus”.
Quando Teresa
fala, reagindo às observações das suas irmãs que cuidam da enferma, as suas
palavras não armam ao efeito. Seus comentários às admiradoras de sua paciência,
beleza ou santidade, revelam um senso de humor que desloca a atenção para o seu
Amado: “Bom, tanto melhor! Mas gostaria que o bom Deus o dissesse”.
Celebremos o Amor de Deus
Santa
Teresinha é Doutora do Amor que quer se doar. É a missão que ela descobriu.
Quando ela começa a escrever a história
de sua alma, ela afirma: “Só vou fazer uma coisa: começar a cantar o que devo
repetir eternamente: As Misericórdias do Senhor!!!”. Na segunda página do seu caderno, ela
explica: “Compreendi que o amor de Nosso Senhor revela-se tanto na alma mais
simples, que em nada resiste à sua graça, como na alma mais sublime. Na
realidade, é próprio do amor rebaixar-se. Se todas as almas parecessem com as
dos santos doutores que iluminaram a Igreja com a luz da sua doutrina, parece
que Deus não desceria bastante ao vir até o coração deles. Mas criou a criança
que nada sabe e só emite fracos gritos, criou o pobre selvagem que só tem como
guia a lei natural e é até o coração deles que se digna descer; são as suas
flores do campo cuja simplicidade O encanta... Descendo assim, Deus mostra sua
infinita grandeza. Assim como o sol ilumina ao mesmo tempo os cedros e cada
florzinha, como se ela fosse única sobre a terra, assim Nosso Senhor se ocupa
particularmente de cada alma como se não houvesse outra igual. Como na
natureza, todas as estações são determinadas de modo a fazer desabrochar, no
dia marcado, a mais humilde margarida, assim tudo corresponde para o bem de
cada alma”.
Preces
3. Em forma de prece vamos agradecer a
Deus o dom que Ele nos fez em Santa Teresinha que, através da sua vida, nos
apontou o caminho do amor.
4. Ler juntos as palavras de Jesus que
foram escritas para todos nós: “Assim
como meu Pai me amou, eu também amei vocês. Se vocês obedecem aos meus
mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do
meu Pai e permaneço no seu amor. Eu disse isso a vocês para que minha alegria
esteja em vocês, e a alegria de vocês eja completa. O meu mandamento é este:
amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês”(Jo 14, 9-12).
Rezar
o Pai Nosso.
Oração:
Ó Deus, criador de todas as coisas,
volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor,
fazei que vos sirvamos de todo coração, como nos mostrastes pelo exemplo de
Santa Teresinha. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do
Espírito Santo.
*Dom
Frei Vital Wilderink, O Carm- Eremita Carmelita- foi vítima de um acidente de
automóvel quando retornava para o Eremitério, “Fonte de Elias”, no alto do Rio
das Pedras, nas montanhas de Lídice, distrito do município de Rio Claro, no
estado do Rio de Janeiro. O acidente ocorreu no dia 11 de junho de 2014. O
sepultamento foi na cidade de Itaguaí/RJ, no dia 12, na Catedral de São
Francisco Xavier, Diocese esta onde ele foi o primeiro Bispo.
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Artigos do Frei Petrônio de Miranda
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05:59
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