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sábado, 16 de maio de 2015
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 882. São Simão Stock.
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 883. Ascensão do Senhor.
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Missa com Dom José Carlos, de Caraguatatuba/SP.
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sexta-feira, 15 de maio de 2015
MISSÃO CARMELITA EM TAUBATÉ/SP.
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quinta-feira, 14 de maio de 2015
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 880. Nossa Senhora invisível
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quarta-feira, 13 de maio de 2015
O Deus da esperança e o nosso futuro
Jürgen
Moltmann, teólogo protestante alemão.
Nesta noite, às 20h45, junto ao Centro de Congressos João XXIII de Bergamo, o teólogo protestante alemão dará uma palestra sobre o tema.
“Pensar a esperança. Crer no futuro para
viver no presente” foi o tema de uma conferência proferida por Jürgen Moltmann
em Bergamo, na Itália, no dia 9 de maio.
Moltmann é um dos mais conhecidos
teólogos da segunda metade do século vinte, discípulo de Ernst Bloch e famoso
por sua obra “Teologia da esperança” (Queriniana, 1970). Aqui publicamos um
extrato de sua lectio, publicado pelo jornal Avvenire, 09-05-2015. A tradução é
de Benno Dischinger.
Eis
o artigo.
Os cristãos são capazes de futuro. Mas,
de qual futuro? Como se pode, afinal, falar de futuro, se nem sequer teve
início? Como se podem narrar os acontecimentos que se aproximam, mas que de
fato ainda não aconteceram? Não se trata de infundados desejos ou de visões
angustiadas e igualmente infundadas? Não é melhor dizer, com Albert Camus:
“Pensar lucidamente e não esperar em nada?”
Não, na esperança cristã não falamos dos
nossos desejos e das nossas angústias, e nem mesmo do futuro em si. Falamos de
Jesus Cristo e de seu futuro. Nós recordamos a história de Jesus Cristo: sua
vinda a este mundo, sua alegre novidade do Reino de Deus para os pobres, os
enfermos e as crianças, o seu sofrimento e sua morte na cruz – e sua gloriosa
ressurreição, com a plenitude da vida eterna que ele revelou.
A esperança cristã no futuro de Deus tem
sua sã ancoragem no tornar presente sua história e sua ressurreição. E, no meio
dia história está a sua cruz. A cruz, na comunidade de Cristo, é a pedra do
escândalo para todos os espíritos utópicos e apocalípticos. Somente quem tem
consistência ante o vulto do Cristo crucificado é esperança cristã.
Com o sinal da cruz são de fato expulsos
também os espíritos enfermos e malignos dos por eles possuídos. Somente por
trás da cruz sobre o Gólgota surge o sol da ressurreição. Somente além da cruz
de Cristo desponta a aurora do novo mundo de Deus. A esperança cristã não é, de
fato, otimismo que promete às pessoas de sucesso dias melhores. A fé em Cristo
difunde esperança aonde de outro modo não há mais nada a esperar.
Com os braços da esperança cristã
abraçamos o mundo inteiro e não damos nada nem ninguém por perdido. Assim como
o Cristo ressurgido tem o seu futuro em Deus, ele não é somente o Redentor das
nossas almas, mas também o Reconciliado do cosmos. De sua vinda esperamos, por
isso, a grande transformação do mundo “do corpo corruptível à
incorruptibilidade e do corpo mortal a imortalidade”, como anuncia o apóstolo
Paulo segundo o exemplo do profeta Isaías. Cristo há de vir, mas nós fazemos a
experiência de sua presença já aqui e agora na palavra do Evangelho e no
Espírito que nos torna vivos; nós fazemos a experiência de sua presença já no batismo
e na comunhão: nós fazemos a experiência de sua presença em companh9ia de quem
crê e em companhia dos pobres e dos enfermos. Mais intensamente, fazemos a
experiência do fato de que Jesus vive e então clamamos “Maranata, vem Senhor
Jesus”, vem rapidamente (Ap 22, 20).
Resistência e antecipação são virtudes
daqueles que esperam. No sofrimento, nas desilusões, nas dores e nas
preocupações a esperança cristã mostra a sua força confortadora e resistente.
Resistência e antecipação são virtudes daqueles que esperam. No sofrimento, nas
desilusões, nas dores e nas preocupações a esperança cristã mostra a sua força
confortadora e resistente. É confortador resistir nas dores e nas preocupações
sabendo que este não é o fim, mas que precisamente ali ainda existe algo que
vem. É encorajador não capitular diante do irrevocável, mas resistir sadios no
protesto. Em força da esperança não nos rendemos, mas permanecemos inquietos e
insatisfeitos num mundo injusto e violento. Nenhuma reconciliação com o mal!
Nas situações de sofrimento a grande tentação é render-se. Eu mesmo corri este
risco como prisioneiro de guerra da Segunda Guerra mundial. As promessas de
Deus que despertam a nossa esperança nos colocam frequentemente em contradição
com as experiências do nosso ambiente. O novo mundo de Deus tão esperado e o
velho mundo do qual temos experiência, no qual vivemos e sofremos, se
contradizem. Em tais situações, a sombra da cruz desce sobre nós.
Começamos a sofrer por um mundo injusto
e violento, porque nos colocamos contra a injustiça e a violência. Se não
esperássemos em nada, então nos adaptaríamos: o mundo é no fundo aquilo que é.
O fato que não nos adaptamos é fruto da inextinguível fagulha da esperança que
habita em nós. Pela força da esperança no novo mundo de Deus os hebreus e os
cristãos oprimidos se contaram contra histórias sobre o decurso deste mundo.
Trata-se das histórias de ressurreição do profeta Ezequiel, no capítulo 37:
veja, aqui está a planície que estava repleta de ossos estorricados dos povos
passados – mas, escuta, ali vem o espírito de Deus que os despertará e
reconduzirá os mortos à vida. Por isso, não te rendas: a morte não tem a última
palavra.
Existem as contra imagens apocalípticas,
na revelação de João, da ‘grande prostituta da Babilônia’, que em breve cairá,
e todos sabiam que com isto se entendia Roma e o império romano que perseguia
hebreus e cristãos. A imagem da ‘Jerusalém celeste’ que descerá sobre a terra e
terá duração eterna é uma contra imagem da Roma imperial que se fazia celebrar
como ‘cidade eterna’. O próprio título de Senhor, na confissão ‘Senhor é Jesus
Cristo’, é um contra título adverso aos poderosos imperadores romanos que se
faziam exaltar como ‘senhores do mundo’.
O anúncio de Deus em nome de Cristo
crucificado é, nestas condições, um discurso subversivo de Deus. Muitos
dominadores perceberam que a Bíblia, para eles, é um livro perigoso porque
chama à resistência, como o fizeram os cristãos na Coréia em 1919. “Senhor,
nosso Deus, outros patrões, diversos de ti, nos tem dominado, mas nós a ti
somente, o teu nome invocaremos” (Is 26,13): assim dizia o povo prisioneiro na
Babilônia dirigindo-se ao Deus de Israel. Esta passagem foi muito apreciada
pela Igreja professante durante a resistência contra a ditadura nazista na
Alemanha.
Todavia, na vida da esperança não
fazemos somente experiência de contradições e sofrimentos, mas também de sinais
premonitórios de antecipações. Não podemos permitir-nos dizer que este modo é
malvado e retirar-nos à vida privada, enquanto pudermos “vencer o mal com o
bem”, como aconselhava Paulo na Epístola aos Romanos 12, 21. Por isso, devemos
intervir na vida política e social do nosso povo e lutar pela verdade na
política e pelo direito dos pobres; não com violência, mas com métodos não
violentos, como ensina a teologia Minjung (na Coréia do Sul). Esta era a
esperança do Movimento social Gospel na América, esta era a esperança da
teologia da libertação na América Latina, esta era a esperança do movimento
pelos direitos civis nos Estados Unidos e esta é a esperança do movimento
ecológico na Europa: “Outro mundo é possível”.
Mas, antes de poder mudar algo em
direção do bem, devemos estar dispostos a mudar-nos a nós mesmos. O Espírito da
vida nos desperta do nosso egoísmo, da nossa indiferença com os outros. Sentimos
a paixão pela vida e abrimos o nosso espírito e as nossas mãos à vontade de
Deus. “Os pródigos do mundo futuro”, dos quais fala a Carta aos Hebreus 6,5,
nos convida a agir. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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A PALAVRA... Nº 879. Fátima e a minha vocação.
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terça-feira, 12 de maio de 2015
ORDEM TERCEIRA: Missão em Taubaté.
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Influenciada pelo papa, Opus Dei muda cúpula em busca de carisma.
A Opus Dei se soma à onda renovadora que o papa Francisco promove na Igreja Católica. Pela primeira vez em quase um século de existência, a poderosa prelatura deixou aberta a porta para a possibilidade de que sua direção seja ocupada por alguém que não tenha trabalhado lado a lado com Josemaría Escrivá de Balaguer, o fundador santificado, ou que não tenha nascido na Espanha, onde estão as raízes de uma organização implantada em mais de 60 países. Assim se projeta a era pós-Escrivá nos tempos de Jorge Mario Bergoglio.
Em dezembro de
2014, o prelado Javier Echevarría, que aos 82 anos é a autoridade máxima da
organização, nomeou vigário-auxiliar o franco-espanhol Fernando Ocáriz, e
vigário-geral o argentino Mariano Fazio. A decisão insinua uma ordem sucessória
da qual ficaria desalojado o influente arcebispo peruano Juan Luis Cipriani e
coloca a prelatura diante de um cenário inédito. Na direção da Obra, fundada em
1928, nunca haviam convivido um prelado e um vigário-auxiliar.
"Será um
momento histórico", descreve um porta-voz do escritório de informação da
Opus. Na direção da organização se sucederam até agora três espanhóis: o
fundador; o beato Álvaro del Portillo, que foi seu braço-direito durante 40
anos; e Echevarría, que por sua vez também foi colaborador de Balaguer por mais
de 20. "Que chegue o momento em que o prelado não tenha conhecido nem
trabalhado com o fundador é algo natural, e será uma nova demonstração da
maturidade desta instituição da igreja."
Os analistas
viveram a ascensão de Ocáriz ("um cargo é uma carga", matizam na
Opus) como um ponto de inflexão na trajetória da instituição. E também como um
gesto ao papa, que é jesuíta, prega com verbo fresco, nem sempre compartilhou
as opiniões de Cipriani - excluído, por enquanto, do núcleo executivo - e trata
com intimidade seu compatriota Fazio, o novo vigário-geral da Opus Dei.
No segundo ano
de seu pontificado, o papa Francisco mostrou que continua decidido a abrir
várias frentes para reformar a igreja, imprimindo ao papado um novo estilo,
mais próximo dos fiéis, e seguindo de perto tudo o que ocorre no mundo. Este
álbum mostra a variedade de interesses e a frenética atuação de Jorge Mario
Bergoglio ao longo de 2014. É de tirar o fôlego.
"Efetivamente,
o papa Francisco está promovendo uma forte renovação na igreja", disse José
María Gil Tamayo, secretário-geral da Conferência Episcopal. "Não se trata
de esperar que venham à igreja, mas sim de sair ao encontro das pessoas, e isso
nos convida a renovar nossa forma de trabalho pastoral", continuou o
porta-voz, que acrescentou sobre o caso específico da Opus: "A renovação
que nos pedem afeta a todos na missão comum evangelizadora, na qual a
especificidade de cada carisma de congregações, movimentos e associações deve
ser posta a serviço dessa missão compartilhada sob a orientação de nossos
bispos. Só estando unidos seremos verossímeis, como aponta o Evangelho".
A
prelatura tem cerca de 90 mil seguidores, distribuídos por mais de 60 países.
Fortemente implantada na América Latina e na Europa, e com presença na África,
dá agora seus primeiros passos no Casaquistão e no Vietnã e está pronta para
iniciar seu trabalho em Cuba quando as circunstâncias políticas permitirem,
segundo fontes consultadas. Em suas estruturas há mais mulheres que homens,
segundo a organização. A idade média de seus integrantes aumentou na última
década. Em sua maioria são laicos de classe abastada, com capacidade para
influir nos gabinetes mais importantes; dedicados ao princípio de
"santificar o trabalho"; e sempre cercados de críticos, alguns deles
ex-membros da organização, que opinam que esta promove o conservadorismo,
limita as leituras de seus integrantes e exerce o proselitismo.
Na Espanha, uma
centena de colégios, a Universidade de Navarra e a escola de administração Iese
têm relação com a Obra, que, segundo um porta-voz, lhes dá orientação
espiritual. Essa radiografia resume a grande capacidade de influência e
mobilização da Opus Dei, que durante a beatificação de Portillo, realizada em
Madri em 2014, reuniu mais de 100 mil pessoas, entre elas dois ministros do
governo e 40 mil jovens chegados de todos os recantos do planeta. Esses números
refletem sua força para influir nas instituições e, em consequência, a
importância das mudanças em sua cúpula.
"Com estas
decisões sobre a quarta geração de dirigentes, se demonstra que não há medo de
mudanças, que podem ser tutelados por alguém que não tenha estado em contato
com o secretário-geral anterior", opinou José Manuel Vidal, formado em
teologia e sociologia pela Universidade Pontifícia de Salamanca e diretor de
Religião Digital. "Uma aproximação clara do papa, assim como fizeram os
salesianos ao eleger reitor-maior um espanhol [Ángel Fernández Artime], que,
entre outras coisas, conhece bem Francisco de sua estada em Buenos Aires",
acrescentou sobre o cargo privilegiado que o argentino Fazio ocupa desde
dezembro.
"O núcleo
espanhol e mais velho quer ter o controle, mas chega um momento em que não
pode. É a lei da vida", argumentou o sociólogo Alberto Moncada, autor de
obras de tom crítico à instituição. "Fora da Espanha, a Opus é variada e
plural, uma organização internacional."
Talvez não haja
lugar fora da Espanha em que a Opus tenha mais força que na América Latina. Lá,
Juan Luis Cipriani, o primeiro cardeal da organização, ficou afastado, por
enquanto, da possibilidade de alcançar a prelatura. Quando Jorge Bergoglio,
hoje o papa Francisco, presidiu a comissão de redação do documento final da 5ª
Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (2007), Cipriani mostrou-se
pouco chegado a sua tese, segundo fontes consultadas, e Fazio as compartilhou
plenamente.
Um porta-voz da Opus Dei negou que isso
tenha a ver com o fato de Echevarría não ter contado com Cipriani para suas
nomeações de dezembro, e salientou a relação "imelhorável" da
instituição com o papa. Fontes consultadas afirmaram que Bergoglio veria com
bons olhos que Cipriani estivesse em Roma. Monsenhor Lombardi, o porta-voz do
Vaticano, declinou fazer comentários sobre o assunto. Assim, em silêncio, a
Opus Dei continua projetando seu futuro. Fonte: http://brasil.elpais.com
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segunda-feira, 11 de maio de 2015
DIA DE ESPIRITUALIDADE: Um Olhar.
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MÃE, APENAS MÃE: Homenagem do Olhar.
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domingo, 10 de maio de 2015
IGREJA DO CARMO DA LAPA: Homenagem às Mães.
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sábado, 9 de maio de 2015
DIA DAS MÃES: Uma Prece do Frei Petrônio
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sexta-feira, 8 de maio de 2015
Carmelo: Crescer na Fraternidade: Dia de Espiritualidade em Vicente de Carvalho/RJ, com Frei Petrônio de Miranda.
ORDEM
TERCEIRA DE VICENTE DE CARVALHO/RJ.
Dia de Espiritualidade Carmelitana. 09 de maio
-2015.
Com Frei Petrônio de Miranda, O.Carm
(E-mail do Frei: missaodomgabriel@bol.com.br)
Carmelo:
Crescer na Fraternidade.
No âmbito do Carmelo
salientemos a ênfase sempre mais crescente sobre o valor teológico da
fraternidade. A fraternidade
vem sendo entendida, cada vez mais, como o leito e o núcleo do carisma
carmelita.
Chamados a viver vida de
fraternidade, precisamos lutar para que a Ordem Terceira do Carmo seja prova
concreta de que a fraternidade é possível. Fraternidade, que nasça da escuta e
da meditação da Boa Nova e que leve a
tornar mais humana à vida, a unir as pessoas, apesar de certas
divergências, conseguindo ser assim uma presença do Evangelho. E é desta
maneira que a nossa Ordem Terceira do Carmo se transforma em sinal de
esperança, que fazem os pobres dizer a nosso respeito o que a viúva de Sarepta
dizia ao Profeta Elias: “Agora sei que és um homem de Deus e que a Palavra de
Deus está realmente sobre a tua boca” (1Rs 17,24).
Na Igreja fomos gerados como Família Carmelitana pelo
Espírito Santo, mediante a experiência de um grupo de penitentes, peregrinos, eremitas, no contexto do grande movimento
europeu, medieval, para recuperação da Terra do Senhor.
O Espírito de Vida nos tornou
fecundos quanto aos valores fundamentais da fraternidade evangélica: escuta e anúncio da Palavra, oração
assídua, comunhão de bens, reconciliação fraternal, serviço recíproco e aos
pobres, luta espiritual e empenho de libertação dos oprimidos, discernimento,
solidariedade com todos os homens, esperança operante.
A atitude contemplativa para com o mundo em volta de nós,
que nos faz descobrir Deus presente nas nossas experiências cotidianas, leva‑nos a encontrá‑Lo especialmente nos
nossos irmãos. Desta maneira somos guiados a valorizar o mistério das
pessoas que estão próximas de nós e com as quais compartilhamos a nossa vida.
A nossa Regra nos quer irmãos fundamentalmente e nos
recorda como a qualidade dos relacionamentos e relações interpessoais, que
caracterizam a vida da comunidade do Carmelo, deve desenvolver‑se segundo o
exemplo inspirador da primitiva comunidade de Jerusalém. Ser irmãos significa
para nós crescer na comunhão e na unidade, na superação das distinções e
privilégios, na participação e na corresponsabilidade, na partilha dos bens, do
projeto comum de vida e dos carismas pessoais; significa, também, atenção ao bem‑estar
espiritual e psicológico das pessoas, percorrendo os caminhos do diálogo e da
reconciliação. Estes valores da
fraternidade se exprimem e encontram a sua força na Palavra, na Eucaristia e na
Oração.
Na Palavra ouvida, rezada e vivida no silêncio, na
solidão e em comunidade), especialmente na forma da "lectio divina",
cada dia os Carmelitas são levados ao conhecimento e experiência do mistério de
Jesus Cristo. Animados pelo Espírito e radicados em Cristo Jesus, nEle
permanecendo dia e noite, eles inspiram na Palavra de Jesus todas as suas
opções e o seu agir.
Os irmãos, inspirados pela Palavra e em comunhão com toda
a Igreja, celebram juntos os louvores do Senhor e convidam outros a compartilhar da sua experiência de oração.
Para Frei Tito Brandsma, Carmelita, Jornalista e Mártir
da Segunda Guerra Mundial (*1881 + 1942), era muito forte a vivência da
fraternidade, quer no âmbito interno da Comunidade, quer no âmbito externo de
suas relações apostólico-profissionais. Afirmava que, para ele, a vida comunitária
era indispensável a fim de restaurar as forças para os diversos compromissos.
Na comunidade revelava-se cheio de ânimo, acolhimento bondade, solidariedade.
Era bastante leal e pronto a reconhecer os próprios limites e também os valores
da tradição, tanto junto aos co-irmãos, como junto às demais categorias de sua
convivência (judeus, protestantes, ateus, imigrantes).
Era um homem sem fronteiras e sem defesas, porém audaz,
perseguindo sempre as vias da reconciliação com todos. Pelo fato de viver pacificado
por Deus interiormente, não tinha medo de abrir a porta do próprio coração e da
própria casa que se tornou um lugar comum de encontros fraternos. “O amor ganhará o coração dos pagãos”,
afirmava, acrescentando que como assim se dizia dos primeiros cristãos, também
se deveria dizer novamente dos cristãos de seu tempo. Seu amor fraterno o faz superar toda barreira de religião, de
partido, de nação. Todos para ele eram considerados companheiros e irmãos.
Vida Comunitária e
Oração.
Na primitiva comunidade
cristã, a oração em comum era um distintivo específico. O livro dos Atos é um
testemunho eloquente do espírito dessas comunidades. "Eram constantes em
escutar o ensinamento dos apóstolos e na comunidade de vida, no partir do pão e
nas orações”... (Atos, 2, 42-47).
É claro supor que ao
costume judaico de escutar a palavra de Deus e de cantar salmos, acrescentavam
a nova modalidade cristã de celebrar juntos a eucaristia. Com certeza os
primeiros cristãos, doutrinados pelos apóstolos, tiveram em conta a insistência
de Jesus no sentido de que vivessem unidos em um só coração e uma só alma.
Recordariam também a forma de orar que o Mestre ensinara aos seus discípulos. O Pai Nosso é uma prece claramente
comunitária. Não podiam referir-se a Deus no singular, mas tão só em grupo, no
plural.
Aparece evidente que os primeiros cristãos
tiveram o costume de orar e de juntar-se para falar de Deus e para falar com
Deus, na referência que Paulo faz aos Romanos, quando, escrevendo de Corinto,
lhes anuncia o desejo de visitá-los: "Desejo ver-vos para comunicar-vos
algum dom espiritual, para confirmar-vos, ou melhor, para consolar-me convosco
e pela mútua comunicação de nossa fé comum" (Rom. 1, 11-12). Este renascer
da oração comunitária surge paralelamente ao movimento de revalorização das
comunidades em si mesmas e em todos os níveis. O Concílio Vaticano II é
consciente disso e assim testemunha: A vida pessoal é incompleta sem a relação
interpessoal: "O homem é, com efeito, um ser social e não pode viver nem
realizar suas atividades sem relacionar-se com os demais" (G.S. 12). Isto
mesmo deve afirmar-se a respeito da oração.
Os
bispos da América Latina, por sua vez, o asseveram explicitamente: "Além
de buscar a oração íntima tende-se de modo especial para a oração comunitária,
com comunicação da experiência de fé, com discernimento sobre a realidade,
orando juntamente com o Povo (Puebla, 727).
Para meditação individual.
Texto Bíblico. (Atos dos Apóstolos. 4, 32-37).
1º- Somos da Ordem Terceira do Carmo ou um grupo de
amigos?
2º- A nossa fraternidade carmelitana tem um olhar para o
sofrimento do próximo ou para nós mesmos?
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O catolicismo deprecia as mulheres
The New York Times
Frank Bruni
Como um vendedor de batatas Pringles
soando alarme a respeito da obesidade, o papa Francisco assumiu o manto de
feminista na semana passada.
Foi uma má combinação épica de
mensageiro e mensagem, e digo isso como alguém que é grato por este papa, o
admira enormemente e acredita que uma mudança de tom, mesmo sem uma mudança dos
ensinamentos, tem significado e é digna de celebração.
Mas uma mudança de tom em desafio ao
fato deve ser apontada (e criticada). Nem Francisco nem qualquer autoridade do
baluarte do direito masculino conhecido como Vaticano pode afirmar de modo
crível uma preocupação com a paridade dos sexos. A cozinha deles é suja demais
para que possam criticar as manchas de ketchup na dos outros.
Na verdade, Francisco foi além da
preocupação. Ele expressou ultraje, chamando de "puro escândalo" o
fato de as mulheres não receberem remuneração igual por trabalho igual.
Ele deixou de fora a parte sobre as
mulheres na Igreja Católica Romana nem mesmo terem uma chance de trabalho
igual. Remuneração não é a questão principal quando você é impedido de exercer
certas funções e é profundamente sub-representado em outras.
Remuneração não é a questão principal
quando o simbolismo, rituais e o vocabulário de uma instituição exaltam os
homens acima das mulheres e quando contestações a esse desequilíbrio são
recebidas com a insistência de era assim e sempre será –-que o hábito está
acima do esclarecimento e do bom senso.
Vamos ser claros. Apesar do serviço
notável que a Igreja Católica realiza, ela é um dos patriarcados mais
inabaláveis e dominantes do mundo, com princípios que não favorecem a
igualdade.
Para as mulheres terem um tratamento
justo na força de trabalho, elas precisam ao menos de algum grau de liberdade
reprodutiva. Mas os bispos católicos nos Estados Unidos fazem enorme lobby
contra a exigência da nova lei de saúde de que empregadores como escolas e
hospitais religiosos incluam contracepção no plano de saúde de seus
funcionários.
Não importa que apenas uma pequena
minoria de católicos americanos siga a proibição formal da igreja ao controle
da natalidade artificial. Alguns líderes católicos não apenas se agarram a essa
restrição caduca; eles a promovem, apesar de seu efeito desproporcional sobre a
autonomia das mulheres.
E como sua vilificação da Conferência da
Liderança das Mulheres Religiosas, uma organização que representa 80% das
freiras americanas, combina com igualdade das mulheres? Em 2012, o grupo foi
condenado pelo Vaticano e colocado sob o controle de três bispos encarregados
de limpá-lo de suas inclinações "feministas radicais", incluindo mais
atenção aos pobres do que a costumes sexuais.
Para seu crédito, Francisco declarou uma
trégua com as freiras no mês passado. Também para seu crédito, ele sinalizou
solidariedade para com as mulheres que tentam limitar o tamanho de suas
famílias e pediu aos líderes da igreja para não se envolverem demais em
assuntos como aborto e casamento de mesmo sexo.
E a tendência no Vaticano e na Cidade do
Vaticano aparentemente é de ter um maior número de funcionários do sexo
feminino, apesar de em 2014, segundo a agência de notícias "The Associated
Press", elas ocuparem menos de 20% das vagas de trabalho. Não precisava ser
assim, mesmo considerando a exclusão das mulheres do sacerdócio.
Mas a recusa da igreja em seguir algumas
das outras denominações cristãs e ordenar mulheres mina qualquer progresso na
direção da igualdade que ela anuncia ou tenta. O sexismo está incorporado em
sua estrutura, em seu fluxograma.
Homens, mas não mulheres, rezam a missa.
Homens, mas nunca as mulheres, chegam a cardeais ou a papa. O clero masculino
geralmente é tratado como "padre", que conota autoridade, enquanto as
mulheres nas ordens religiosas costumam ser tratadas como "irmãs",
que não.
E as coisas poderiam ser diferentes.
Tradições mudam. História e mitologia cedem a novas interpretações.
Sim, a Bíblia diz que todos os 12
apóstolos de Jesus Cristo eram homens. Mas além dos 12 há Maria Madalena, a
quem Jesus supostamente apareceu primeiro após a Ressurreição. O papel dela não
é fundamental para o nascimento da igreja?
Não é mais importante que haja
sacerdotes suficientes para ministrar a Eucaristia aos católicos do que todos
os padres serem homens?
Será que a igreja pode se dar ao luxo de
alienar uma geração inteira de mulheres jovens, perplexas diante de sua
intransigência?
"Elas cresceram em um mundo onde
todas as portas foram abertas para elas", disse Kathleen Sprows Cummings,
diretora do Centro Cushwa para o Estudo do Catolicismo Americano, na
Universidade de Notre Dame. "E há uma desconexão quando veem a igreja sem
nenhuma liderança feminina –-no mínimo, não são elas que estão no altar."
Francisco não sancionou nenhuma discussão
sobre colocá-las lá. Quando pressionado sobre isso por uma repórter italiana no
ano passado, ele a lembrou que "as mulheres vieram da costela".
Era uma provocação? Ele riu e disse que
sim. Mas a metáfora permanece e coloca as mulheres como ramificações, até mesmo
como uma reflexão tardia.
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Frei Tito Brandsma, Perfil humano-Espiritual-Carmelitano
*Frei Emanuele Boaga, O. Carm. In Memoriam, e Irmã
Augusta de Castro Cotta, Cdp
Perfil humano-Espiritual-Carmelitano
a)
Características psicológicas
O ambiente
familiar, aliado aos dons naturais - notável bagagem de qualidades humanas
- foi propício ao desabrochamento da
rica personalidade de nosso Tito. Um seu biógrafo afirma: ‘Tito possui um físico gracioso e frágil, uma saúde não muito boa, mas
um caráter vigoroso, feito de aço nobre e resistente’. Ele mesmo se define
como um ‘otimista nato’. Era dotado
de grande autocontrole, sempre se apresentando de bom humor, mesmo nos momentos
de sofrimentos físicos (sofreu pelo menos quatro hemorragias intestinais).
Mantém sempre a calma e a serenidade, revelando grande equilíbrio em todos os
seus momentos. Sem sentimentalismos é cordial no trato, paciente para com
todos, capaz de respeitar sempre as opiniões contrárias à sua, embora não
abrisse mão de suas convicções profundas. É interessante o testemunho do
policial que o interrogou; ‘Não se pode
esperar que o Pe. Tito mude de opinião, por
isso o considero um homem perigoso’. E outro testemunha de vida afirmou: ‘Pe. Tito é um homem bom, mas quando
necessário sabe ser enérgico’.
Tem uma elevada
cultura que alia a um jeito humilde e simples de ser. Jamais usa sua sabedoria
para vangloriar-se ou sobressair-se sobre os demais. Nas constantes viagens de
trem, feitas em razão de seu serviço, escolhe sempre, de forma natural, a
terceira classe.
É dotado de
enorme sentido de humor. Tudo nele é simples, sóbrio, sem nenhuma ostentação.
Sua aparência é sempre a de uma pessoa comum, ainda que alguém tenha
testemunhado sobre ele: ‘Era uma pessoa
extraordinariamente fora do comum”. Isto é confirmado por outras
afirmações, como: ‘O contato com Frei Tito tinha um efeito calmante’. ‘Era um homem ‘sui generis’, com um grande
coração’, atesta outra pessoa que com ele conviveu.
Esta rica
personalidade humana é animada por uma fé inabalável, intensa, profunda,
encarnada em seu dia-a-dia, herdada da família e aprofundada na formação. Tal
experiência é alimentada pela oração e gera nele um filial abandono ao Senhor e
à Sua Vontade. Gostava de repetir: ‘Devemos
deixar que o Senhor faça sempre em nós o que lhe apraz’ e ‘Deus terá sempre a última palavra, já que em
suas mãos podemos ter a certeza de que estamos seguros’.
Pode-se dizer
que Frei Tito teve as seguintes e fortes características que o tornam uma personalidade marcante:
- Vida social: pertencia às minorias
sociais de seu país. Sua família encontra-se entre os 10% de católicos da sua
região. Ao aprofundar seus conceitos filosóficos descobre o valor da pessoa
humana e seus direitos. Sob esta luz vai encarar a relação com as diversas
minorias de seu país: não lutando contra
qualquer delas, porém, tudo empreendendo para elevar todas à sua própria
dignidade humano-espiritual.
- Vida eclesial: era católico com prática
séria da vida eclesial: sensibilidade para com os problemas de seu tempo,
participação ativa e criativa na vida da igreja. Sabia unir o amor e o serviço
à Igreja ao amor e serviço ao ser humano. Sente-se, como Santa Teresa, ‘filho da Igreja’. Para servi-la, funda
escolas, dedica-se ao magistério, torna-se jornalista atuante, procurando por estes
meios difundir a fé. Esta dedicação o levou ao martírio.
- Vocação carmelita: revelou grande
empenho na observância regular, vivendo com entusiasmo a espiritualidade e a
mística carmelitanas, cuidando com verdadeiro carinho de tudo o que dizia respeito
ao Carmelo, destacando-se no amor à Eucaristia e a Nossa Mãe. Dedicou-se a
entusiasmar os co-irmãos para o estudo e a promoção da presença carmelitana na
Igreja e na sociedade de seu tempo. Viveu intensamente os valores carmelitanos.
b) Vivência carmelitana
Frei Tito foi
verdadeiro profeta em seu tempo. Revelou-se um notável ‘filho do Profeta Elias’, cultivando os valores inerentes ao
profetismo carmelitano e vividos sob o olhar e doce presença de Maria. A busca
da face de Deus, característica marcante da vida profética carmelitana, levou-o
a uma intensa e contínua comunhão com os irmãos e ao serviço apostólico eficaz,
culminando com o próprio martírio. Na prisão, já impotente para realizar seu
trabalho e privado das estruturas da vida conventual e do apoio da comunidade,
demonstrou a qualidade de sua entrega ao Senhor: profunda, total e
comprometida no verdadeiro seguimento do Senhor Jesus. Realizou sua vocação de
Carmelita de forma admirável. Assumiu a vida religiosa tal como esta se
apresentava no seu tempo. Nada fez para renovar suas estruturas internas,
porém, passa todo o seu tempo servindo, através da Ordem, à Igreja e à
comunidade humana de seu tempo. Deixou-se orientar pelos valores propostos na
Regra do Carmo e vivenciados ao longo da caminhada do Carmelo.
Seu testemunho
se transforma em verdadeira mensagem, nascida especialmente da vivência do ideal contemplativo e de sua experiência de
vida como Carmelita, como Jornalista,
como estudioso e como Mártir. Dentre os valores da vida carmelitana que
tiveram primazia em sua vida: destacam-se: a busca do Deus verdadeiro, o amor à
Eucaristia, a presença de Nossa Senhora em seus caminhos, a oração, a vivência
da fraternidade e o apostolado.
1 - Dimensão contemplativa: busca, entrega, anúncio do
Deus verdadeiro
Em todas as
vivências de Tito pode-se verificar que a experiência de Deus foi constante e
profunda, sobretudo destacada nos ambientes onde havia negação de Deus. Esta
experiência foi a base vital de unificação de sua vida e suporte em todos os
momentos, especialmente naqueles da prisão e do martírio. Encarnou a
contemplação nos gestos quotidianos da vida antes e durante o cárcere.
Além da vida,
diversos escritos de Tito nos revelam explicitamente esta sua experiência.
Neles encontramos os ecos de seu coração contemplativo e uma visão bastante
completa do conceito de Deus que nutriam sua contemplação. Tais conceitos foram
por ele desenvolvidos, buscando criar e consolidar uma filosofia de base cristã
que debatia com pessoas de destaque como Jacques Maritain, Etienne Gilson e
Maurice Blondel. Sobretudo podemos destacar três textos que têm especial
relevo, sobretudo pelas circunstâncias em que foram escritos. São eles:
- o discurso
para a inauguração do ano acadêmico da Universidade Católica de Nijmegen,
quando era reitor da mesma, em 1932:
- as anotações,
em caderno particular de notas, diante do maravilhoso espetáculo da cascata de
Niágara, em 1935;
- o discurso no
Congresso Mariano de Tongerloo, em 1936.
Alguns
pensamentos essenciais podem ser colhidos nestes documentos, como se verá
adiante. Tito não apenas falava de Deus, como também desenvolvia em si um
coração contemplativo, encarnando a contemplação no esforço contínuo de viver
sinceramente conforme a ‘Palavra’
contemplada e acolhida em seu próprio ser, na realidade do irmão e na natureza.
A contemplação da Palavra em Tito vem expressada através da alegria, da
bondade, nos gestos quotidianos da vida, antes e durante o cárcere e nos campos
de extermínio.
O estudo atento
da vida de Tereza Neumann, de S. Lidvina de Schiedam e João Brugman e da
mística carmelitana da paixão em Teresa de Jesus, João da Cruz e Maria Madalena
de Pazzi, unidos à sua própria vivência, o levou a compreender como a
descoberta de Deus na realidade, não isenta do sofrimento como acham alguns.
Escreveu: “Tantos sonham com uma mística
cheia de doçura e de beatitude, sem pensar que Deus busca a nossa união na
estrada do sofrimento, dos escárnios e da morte. A verdadeira mística leva ao
Calvário para se repousar moribundo no abraço ao coração ensangüentado de Jesus
na Cruz”.
Na prisão e nos
campos de concentração, Tito continua desenvolvendo uma intensa vida
contemplativa, revelando que Deus em seus desígnios é o único sentido de sua
vida. Pratica tudo o que antes havia estudado e refletido. A sua experiência se
torna união com os mistérios da morte e da ressurreição de Cristo. Torna-se
para seus carcereiros um símbolo vivo de perdão e de redenção, como provam os
inúmeros depoimentos sobre este seu tempo de vida. Atesta com suas atitudes que
a morte é o definitivo doar-se pela causa dos irmãos. Aceita com Cristo o
martírio, desejando reparar com o próprio sofrimento o pecado presente naquele
meio de seu suplício.
É concreta sua
união aos mistérios da morte redentora e
da ressurreição do Senhor. Ele é testemunho do Deus vivo e do homem criado à sua imagem e semelhança, em lugares
de abandono e de morte. Seu profetismo assume a forma da busca da conciliação
como forma de anunciar o Deus vivo e verdadeiro e, portanto, de denunciar o
mal, a violência, a injustiça. Torna-se também um símbolo de resgate e
redenção: aceitando com Cristo o martírio, repara com o seu sofrimento o pecado
dos seus carcereiros e torna-se para eles um irmão redentor.
De uma oração
escrita como poema diante da imagem de Cristo, entre 11 e 12 de fevereiro de
1942 em Scheveningen, emergem duas profundas convicções contemplativas:
-a solidão compreendida como presença de
Deus, como plenitude e recapitulação de tudo em Deus, em sua vontade amorosa e
em sua doação de tudo;
- a aceitação
alegre do sofrimento como meio de participação absoluta na morte sacrifical de
Cristo na Cruz.
Realizou a
dimensão carmelitana da contemplação, testemunhando que a presença de Deus
deve não somente ser objeto de reflexão, mas precisa ser vivida, experimentando
a sua Palavra, irradiando em todo o seu ser e seu agir tudo o que foi rezado e
interiorizado. Só assim acontece a transformação da vida. É necessário viver
contemplativamente (unir contemplação e realidade). Isto evita o dualismo,
produz integração pessoal, leva a ver e a amar o mundo com os olhos e o coração
de Deus.
A contemplação
foi encarnada por Frei Tito nos gestos cotidianos de sua vida antes e durante a
cadeia e nos campos de concentração. Realiza a conformação à Palavra através
da alegria, bondade com gestos concretos, confiança e esperança em Deus.
2 - Dimensão eucarística
A Eucaristia é o
centro e o fundamento de sua vida cristã-carmelitana. Desde adolescente,
percorria a pé grande distância, junto com seus irmãos, para participar da
Missa. Permaneceu radicado nesta fé, em todos os anos de seu ministério
sacerdotal. É na Eucaristia que busca força e entusiasmo para suas múltiplas e
exigentes atividades apostólicas, nas missões que lhe eram confiadas e na
prisão.
Num profundo
artigo sobre a vida carmelitana, tomando o Profeta Elias como modelo, lembra a
necessidade que se tem de alimento, como ocorreu com o Profeta (1Rs 19,8), e
indica onde encontrá-lo: na Eucaristia. Afirma que no Carmelo a vida mística e
contemplativa é fruto da vivência eucarística. Relembra o que vivia
intensamente: a Regra do Carmo prescreve que todos os membros da Comunidade
Carmelitana participem quotidianamente do sacrifício eucarístico e que as
Horas Canônicas sejam rezadas diante do Santíssimo Sacramento. Explica que nada
impede que o altar seja bem ornamentado, pois não há nenhuma prescrição de
pobreza limitando isto, como ocorre entre outras ordens.
Caminhando com
Elias na força daquele pão divino, fiel à celebração da Eucaristia, Tito
encontrava sempre na mesma a ajuda e o fortalecimento necessários a todas as
suas lutas. Afirmou: “Depois da comunhão
devemos contemplar sob as espécies eucarísticas e na profundidade de nossa alma
o Deus que está passando.”
3 - Dimensão mariana
Um pequeno
depoimento de Tito na prisão nos deixa entrever seu amor ardente a Maria: “Não possuo nenhum santinho de Nossa Senhora
em meu Breviário, mas, naturalmente, na cela de um Carmelita deve haver uma
figura sua. Então faço assim: no início do Breviário que estou usando, e que
felizmente não me foi retirado, está uma bela imagem da Senhora do Carmo. Deixo
o Breviário aberto sobre a mesa, no ângulo à esquerda do leito... Estando na
mesinha basta levantar um pouco o olhar e tenho diante de mim tal imagem.
Quando estou no leito, os meus olhos procuram a Senhora coroada de estrelas,
Esperança de todos os Carmelitas”.
Se no momento de
intensa dor encontra refúgio em Nossa Senhora é porque cultivou esta devoção,
em forma teológica e madura, durante toda a sua vida. Nas vozes Carmelitanas
que escreveu para o Dictionnaire de
Spiritualité (II, 156-171), uma das qualidades que mais forte e
freqüentemente sublinha da espiritualidade do Carmelo é a mariana, sob cuja luz
explica as características místicas, afetivas e contemplativas da vida do
Carmelita. Nutre sua devoção mariana com textos antigos e clássicos e com forte
nota científica, o que nos indica as raízes de sua vivência mariana. Seu amor
se traduzia no testemunho humilde, constante e caloroso.
Algumas de suas
afirmações são essenciais à compreensão do papel e do lugar de Maria na vida
do Carmelo:
- a vocação
carmelitana é ligada intimamente à imitação de Maria. Tito desenvolve em várias
conferências o núcleo deste pensamento. Para ele, imitar é tomar Maria como
exemplo, deixando que ela viva em nós. Ela é a mais alta perfeição possível a
uma pessoa humana. Esta é a finalidade de nossa devoção mariana: “ser com Maria, theotocos”(aquela que gera
Deus):.
- os Carmelitas
devem prolongar na Igreja o que Deus operou admiravelmente em Maria: oferecer a
Cristo uma nova oportunidade de se encarnar no mundo. Para Tito nada é mais
importante para o Carmelita do que ser como Maria, ‘portadores de Deus’. Esta é
uma boa síntese que faz da mística do Carmelo em sua ligação com Maria:
- a contemplação
de Deus passa por Maria: é preciso olhar Maria para ver e admirar como age o
mistério de Deus que a transformou na mais perfeita das criaturas e como Maria
se deixou impregnar por Deus, abrindo-se inteiramente ao que Deus nela desejava
realizar;
- dentre as
reflexões sobre a ‘nuvenzinha de Elias’,
afirma que na Ordem tal visão, foi sempre entendida como um protótipo do
mistério da Encarnação e como antecipação da veneração da Mãe de Deus. Em razão
desta fé, foi que os primeiros eremitas construíram, em meio às celas, o
oratório de Nossa Senhora;
- a necessidade
do empenho de todo Carmelita para promover o duplo espírito da Ordem com a
cooperação e ajuda de Maria, sob cuja proteção se deve colocar cada ação,
fazendo em sua honra tudo o que se deve fazer;
- em suas
pregações sempre afirmava a união sublime entre a maternidade divina de Maria
e nosso compromisso cristão de levar Cristo ao mundo. Isto porque jamais via
Maria dissociada do Mistério de Cristo;
- a contemplação
e a meditação da vida apostólica do Redentor e da Co-Redentora, Maria, devem
acender nos corações o zelo pela salvação das pessoas;
- uma das formas
que encontrava para anunciar a beleza da vida mariana eram os retiros
espirituais em perspectiva mariana. Apresentava-a como o modelo mais perfeito
de união e de intimidade com o Senhor, como o ‘Espelho da justiça’... e assim o era porque trazia Jesus em si.
- ensinava a
rezar o Magnificat com as mesmas disposições profundas de Maria, assimilando os
valores nele contidos.
Do discurso em
Tongerloo no ano de 1936 podemos colher a base de seu pensamento mariano, como
segue:
- a vida mística
nasce de uma mulher - Maria, a “Theotokos”, a mãe da qual Deus nasceu;
- a importância
da imitação de Maria, devendo o cristão ser também “theotokos’ como Maria;
- portanto a
mística da vida cristã deve consistir num “estar
em gestação de Deus”, como Maria, no
contexto do desenvolvimento do criado e da realidade.
Um belo gesto
seu na prisão, revelando sua devoção mariana simples e profunda, foi a
recitação do rosário, feito rusticamente de corda por um seu companheiro,
irmão carmelita leigo, também prisioneiro. E muito significativo é o fato de
oferecê-lo à enfermeira que lhe aplicaria a injeção letal, num gesto de
gentileza e de compaixão por ela. Com amabilidade lhe diz que, se não pode
rezar a primeira parte da Ave Maria, ao menos poderia rezar a segunda: “Rogai por nós pecadores”. Esta
enfermeira mais tarde se converteu e foi a excepcional e única testemunha de
sua morte.
4 - Dimensão fraterna
Era muito forte
em Tito a vivência da fraternidade quer no âmbito interno da Comunidade, quer
no âmbito externo de suas relações apostólico-profissionais. Afirmava que, para
ele, a vida comunitária era indispensável a fim de restaurar as forças para os
diversos compromissos. Na comunidade revelava-se cheio de ânimo, acolhimento
bondade, solidariedade. Era bastante leal e pronto a reconhecer os próprios
limites e também os valores da tradição, tanto junto aos co-irmãos, como junto
às demais categorias de sua convivência (judeus, protestantes, ateus,
imigrantes).
Era um homem sem
fronteiras e sem defesas, porém audaz, perseguindo sempre as vias da
reconciliação com todos. Pelo fato de viver pacificado por Deus interiormente,
não tinha medo de abrir a porta do próprio coração e da própria casa que se
tornou um lugar comum de encontros fraternos. “O amor ganhará o coração dos pagãos”, afirmava, acrescentando que
como assim se dizia dos primeiros cristãos, também se deveria dizer novamente
dos cristãos de seu tempo. Seu amor fraterno o faz superar toda barreira de
religião, de partido, de nação. Todos para ele eram considerados companheiros e
irmãos.
5 - Dimensão diaconal
Sua abertura eclesial
e social levou-o a vários compromissos: ao magistério que exercia
apostolicamente desejando testemunhar e fortalecer a fé dos alunos; em
conferências nos Movimentos Católicos pela paz, nos movimentos ecumênicos que
então se chamavam de “Movimentos pela Reunificação” (Igreja Oriental e
Protestantes); colaboração em iniciativas culturais como na Enciclopédia
Católica, na imprensa, especialmente nos jornais.
O jornalismo foi
a sua segunda vocação, uma forma especial de apostolado para ele. Seus biógrafos
destacam sobre esta sua atividade:
- as
correspondências numerosas e os artigos para jornais holandeses nos anos em que
estudou em Roma;
- a vasta e
pluriforme colaboração em periódicos e
jornais diários;
- a fundação de
um jornal diário (De Staad Oss) e de
uma revista (Carmelrozen).
Os mesmos
biógrafos sublinham que a sua paixão e interesse pelo jornalismo o levavam
também a cuidar das necessidades dos colegas jornalistas, ajudando-os com sua
intervenção a encontrarem trabalho e oferecendo-lhes orientação quando precisavam.
Foi assistente eclesiástico da União dos Jornalistas Católicos (1935),
oportunidade em que oferece fundamental contribuição para que fossem
enfrentados os desafios técnicos, éticos e econômicos do jornalismo, próprios
dos anos 1936-1937 (cf. seu Nieuwe Vormen
in de Journalistiek, Utrecht, 24 maart 1937).
Para Tito o
jornalismo era uma vocação e não um mero trabalho. Vocação que, a seu ver,
realizada por um cristão e católico se tornava uma presença apostólica de
elevado valor eclesial, no campo dos mass-media. Então como jornalista
católico, procurava impregnar o técnico com o ético. Destaca entre os diversos meios de
comunicação (rádio, filmes, TV, etc, iniciados em seu tempo) a peculiaridade da
imprensa, uma vez que sendo o jornal
impresso diariamente, sua natureza deve torná-lo portador de novidade. O jornal
tinha a vantagem (na época do Tito) de uma mais vasta difusão, sendo de mais
fácil leitura em qualquer momento e com plena liberdade, como considerava Tito.
Para ele, o jornal, através das crônicas, tem a possibilidade de oferecer
atualidades quotidianas, com informações, comentários e interpretações que devem,
contudo, ser coerentes. O jornal católico tinha a função de ajudar o leitor a
vivenciar os valores evangélicos, além de levar-lhe informações. Considera-o um
meio formativo, útil para educar no amor e na verdade. Por isso o jornalista
católico precisa ajudar a ver a realidade e ler o momento histórico com olhar
crítico.
Lendo suas
contribuições (especialmente artigos para o De
Gelderlander) pode-se verificar como o jornal se torna para ele um veículo
de inteligente inculturação e de divulgação dos valores presentes nas raízes e
no patrimônio do povo católico holandês e nos novos caminhos da evangelização,
seu grande objetivo.
Nos duros
momentos da ocupação nazista da Holanda, como assistente eclesiástico dos
jornalistas católicos e em obediência à hierarquia, organiza a resistência
católica no campo do jornalismo. Tinha consciência de que fazendo isto corria o
risco de morrer. Entretanto, não se acovardou. Ardorosamente defendia os
judeus da injustiça nazista e reivindicava a liberdade para a escola e o
jornalismo católicos. De fato a objetividade, a coerência, a solidariedade e a
fidelidade ao testemunho evangélico levaram o carmelita-jornalista ao martírio
(prisão, humilhações, dores e morte).
*Curso de Formação Carmelitana em módulos. Módulo- VI.
Testemunhas da Vivência Carmelitana. São João del Rei – MG. 2003.
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Frei Tito Brandsma, um grito desta esperança.
*Frei Emanuele Boaga, O. Carm. In Memoriam, e Irmã
Augusta de Castro Cotta, Cdp
Frei Tito foi
escritor por vocação. Somando-se os livros, artigos em jornais e contribuição
em enciclopédias, seus escritos chegam a 796 trabalhos. A sua primeira
publicação foi aos 20 anos de idade. O tema: “Antologia de textos extraídos das
obras de Santa Teresa de Jesus” (editada em 1901). O último escrito foi uma
nota ou apontamento para a reflexão da Sexta-feira Santa de 1942 no campo de
concentração de Amersfoord, sobre a Mística da Paixão. Como se vê, para Frei
Tito, em qualquer lugar se pode anunciar o Deus vivo e verdadeiro!
Quase todos os
seus escritos são em holandês; alguns foram editados em inglês e francês (o
texto das conferências nos EUA e um artigo sobre a espiritualidade carmelitana)
e em alemão (entre os quais um livrinho sobre o profeta Elias). Para a
indicação dos seus principais escritos espirituais ver no Dictionnaire de Spiritualité, XV, 1008-1009. Presentemente está
disponível uma “Antologia” ou coleção de seus textos sobre a mística, editada
em holandês (Titus Brandsma, Mistick Leven
- Een Bloemlezing, elaborado por B. Borchet, Nijmegen, 1985, 224 pp.).
Quando te vejo, ó Jesus
Compreendo que tu me amas;
como o mais querido dos amigos,
e sinto que te amo
como o meu bem supremo.
O teu amor, eu o sei,
exige sofrimento e coragem;
mas o sofrimento é o único caminho
para a tua glória.
Se novos sofrimentos se adjuntam ao
meu coração
eu os considero como um doce dom;
porque me fazem mais semelhante a Ti,
porque me unem a Ti!
Deixa-me sozinho neste frio;
não preciso mais de ninguém.
A solidão não me mete medo,
porque Tu estás perto de mim.
Fica Jesus, não me deixas!
A tua divina presença
torna fáceis e belas
todas as coisas!
De algumas obras estão sendo feitas traduções em
várias línguas. Em Português temos atualmente apenas:
- A Beleza do Carmo, em “O Escapulário do
Carmo” 9, (Fátima, 1964) e 10 (Fátima 1965). Trata-se de tradução do inglês do
texto das conferências feitas nos EUA (Original: “Carmelite mysticism”,
Chicago, 1936).
- Minha cela. Escritos de um mártir na prisão.
Tradução: Frei Bento Caspers e Dom Vital Wilderink, São Paulo-Paranavaí
1990.
- A Jesus com Maria. Retiro Espiritual em
10 dias, em “Stella Carmeli” 1 (São Paulo, 1955) 52-62; 2 (1956) 3-20; e também
foi editado no livrinho seguinte (p. 21-66) e reeditado como apêndice no livro
“Minha cela”
- O discurso sobre o conceito de Deus, em.
1932 (trad. Frei Gabriel Haamberg).
Este último
escrito é fundamental para a compreensão do pensamento de Tito sobre Deus e seu
empenho para levá-lo ao ambiente universitário.
*Curso de Formação Carmelitana em módulos. Módulo- VI.
Testemunhas da Vivência Carmelitana. São João del Rei – MG. 2003
[1] Texto escrito no
cárcere de Scheveningen, nos primeiros dias de sua prisão, na noite entre 12 e
13 de fevereiro de 1942.
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quinta-feira, 7 de maio de 2015
CARMELITA EREMITICAS: Vinheta.
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segunda-feira, 4 de maio de 2015
AO VIVO- 04: A Palavra do Frei Petrônio. (PROUDUÇÃO)
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 872. As Marias da Vida.
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domingo, 3 de maio de 2015
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 871. Ramos Seco.
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AO VIVO- 04: A Palavra do Frei Petrônio, Carmelita.
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sábado, 2 de maio de 2015
AO VIVO- 02: A Palavra do Frei Petrônio, Carmelita.
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FREI PETRÔNIO DE MIRANDA. As Perguntas da Vidas.
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REPORTAGEM DO OLHAR: Aniversário da Madre Assunta.
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1º DE MAIO: Reportagem do Olhar/RJ.
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sexta-feira, 1 de maio de 2015
A Palavra do Frei Petrônio
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 870. Dia do Trabalhador
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ORDEM TERCEIRA DO CARMO DE SALVADOR: Um Olhar.
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Primeiro de Maio: Da Chicago de 1886 a Curitiba de 2015
Leonardo Sakamoto
Trabalhadores
entraram em greve para reivindicar direitos que consideravam justos. E, em uma
das manifestações, a polícia abriu fogo contra a multidão.
Curitiba,
2015? Poderia ser. Mas estou falando da Chicago de 1886.
A greve geral que começou no dia
Primeiro de Maio daquele ano, exigindo a redução da jornada de trabalho para
oito horas por dia, acabou em tragédia, com manifestantes e policiais mortos e
sindicalistas condenados (injustamente) à morte. Nos anos seguintes, a data foi
escolhida para ser um dia de luta por condições melhores de trabalho. Menos nos
Estados Unidos, em que o Labor Day é na primeira segunda-feira de setembro.
Quem visita a cidade norte-americana,
encontra uma frase gravada em um monumento: “Chegará o dia em que o nosso
silêncio será mais poderoso do que as vozes que vocês estrangularam hoje''.
Só o trabalho gera riqueza. E o silêncio
de trabalhadores, que se reconhecem como tais, percebem a injustiça que, muitas
vezes, recai sobre eles e resolvem cruzar os braços, não apenas aumentou
salários, mas já ajudou a derrubar regimes, a democratizar países, a mudar o
rumo da história.
Nesta sexta, o poder da mobilização e a
discussão sobre direitos que está na origem do Primeiro de Maio é ofuscada pelo
sorteio de carros e casas e shows de cantores populares em cima de trio
elétricos. E, não raro, por discursos vazios de pessoas que falam em nome dos
trabalhadores em proveito próprio.
E 129 anos após os trabalhadores de
Chicago irem às ruas exigirem jornada de oito horas, nós ainda não a
conseguimos por aqui.
A última redução de jornada ocorreu há
exatos 27 anos, na Constituição de 1988, quando caiu de 48 para 44 horas
semanais. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) calculou que uma jornada de 40 horas com manutenção de salário
aumentaria os custos de produção em apenas 1,99%. O aumento na qualidade de
vida do trabalhador, por outro lado, seria muito maior: mais tempo com a
família, mais tempo para o lazer e o descanso, mais tempo para formação
pessoal.
Outros vão dizer: mas boa parte das
empresas já opera com o chamado oito horas por dia, cinco dias por semana. Mas
não todas. Principalmente em atividades rurais. Ou que jornada de trabalho não
faz mais sentido em um momento em que a internet torna a jornada flexível. O
problema é que “jornada flexível'' raramente significa trabalhar menos, mas
estar mais tempo ligado ao trabalho ao longo do dia.
A proposta que pede a redução da jornada
também aumenta de 50% para 75% o valor a ser acrescido na remuneração das horas
extras. Ou seja, tem que trabalhar mais? Que se pague bem por isso.
Ao mesmo tempo, o poder público ainda
trata trabalhadores que reivindicam por seus direitos como um caso de polícia,
da mesma forma que a Chicago do século 19.
Seja em Curitiba ou em qualquer cidade
grande brasileira, temos relatos de trabalhadores em greve que apanharam,
levaram tiros e respiraram gás.
Manifestações que questionam a
desigualdade e a injustiça social tendem a ser reprimidas pela força pública.
São vistas como subversivas. As “ordeiras'', que não mexem com a estrutura
econômica e social do país, não. Por que será?
O Brasil está correndo a passos largos
para rasgar sua legislação trabalhista – sob um governo que se autodeclara “dos
trabalhadores''. Se a ampliação da terceirização não significasse redução de
direitos, não estariam tentando te convencer tão arduamente de que isso é
melhor para você e para o país.
Sem contar que há um rosário de projetos
tramitando no Congresso Nacional que depreciam a vida do trabalhador, como os
que reduzem a idade mínima para começar a trabalhar ou os que pioram a
definição de trabalho escravo para diminuir a sua punição.
Há mais de 100 anos, buscava-se direitos
trabalhistas e previdenciários. Agora, luta-se para mante-los.
Neste Primeiro de Maio, não esqueça:
todos os direitos que você tem hoje não foram dados por alguém de forma
milagrosa, mas são fruto de lutas brasileiras ou internacionais de gerações. É
função dos governantes fazem parecer que foram eles que, generosamente, lhes
concederam. E função da história dos vencedores registrar isso como fato.
Temos diversas formas de silêncio. O
poder não está no silêncio das bocas fechadas que aceitam as coisas como elas
são porque acreditam que nada pode mudar e fica feliz se ganhou uma TV do
sindicato no feriado. Mas dos braços parados que se negam a produzir riqueza
sem que um diálogo aberto e franco com os empregadores seja estabelecido.
Trabalhadores
são fortes. Pena que se esquecem disso.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
09:24
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