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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
RETIRO EM CARMO DE MINAS/MG- 09.
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RETIRO EM CARMO DE MINAS/MG- 07.
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
RETIRO EM CARMO DE MINAS/MG- 08.
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Milagre de Nossa Senhora do Carmo: Mãe e irmã compreensiva...
Cido
Antunes (Ex- Frade Carmelita), São José dos Campos, São Paulo.
Em Janeiro de
2008, mais um fato marca a minha vida, e pode crê como é forte pertencer a uma
família.
Neste período,
passei a sofrer de uma terrível dor de cabeça, ida e vindas do hospital e nada
de descobrir o que havia de errado. A dor passou também a afetar meus olhos,
uma dor insuportável. Até que um médico decidiu me internar para uma avalição
mais profunda.
No dia seguinte
os médicos desconfiavam que fosse dengue ou sarampo, pois começaram aparecer
manchas pelo meu corpo e nesta época morávamos em Aparecida- SP e por ser uma cidade turística existia
sempre a possibilidade de doenças trazidas de outras regiões.
Terminados os
exames não era nenhuma nem outra. Mas a dúvida persistia. Que doença seria?
Então chamaram um infectologista para fazer sua análise. Ele me examinou,
consultou livros e chegou a um veredicto: Um tipo de Rubéola bem agressiva.
Naquele
instante, as preocupações mudaram de foco, há poucos dias tínhamos descoberto
que minha esposa estava grávida e que o contato dela com essa doença não seria
bom para o feto, podendo trazer graves consequências.
Após essa
tempestade, só restava saber qual seria o resultados dos exames que minha
esposa estaria realizando, para descobrir se seu organismo era imune a esse
vírus.
Voltei para o quarto, sozinho, um
isolamento, pois não se tinha ainda muitas certezas e pensando em tudo aquilo
passei a olhar a vista da janela do meu quarto, entre um prédio e outro vi a
torre de uma Igreja, e o mais surpreendente que no topo dessa torre havia uma
imagem de Nossa Senhora do Carmo, lá de braços aberto com seu escapulário.
Quando entrou uma enfermeira eu perguntei: Que igreja é aquela? É o colégio do
Carmo, das irmãs salesianas. Então
pensei: “Ó minha irmã, olhai por mim e minha esposa neste momento de angústia,
não desamparai e nem nos desprezai”.
Na manhã
seguinte, nunca que chagava o resultado dos exames e a angústia só aumentava.
Às onze horas, chegou o resultado: Minha esposa era imune ao vírus. Graças a
Deus!
Um grande alívio
chegou, agora era só aguardar minha melhora e retornar para casa. Eu ficava
todo dia olhando para minha irmã- Digo, Nossa Senhora do Carmo na torre da igreja,
que de longe me olhava e acompanhava.
No último dia,
quando fui ter alta, passei na capela do hospital para agradecer a Deus e a
Nossa Senhora.
Peguei uma
bíblia que estava ali e abri no livro de Salmos. Abri num salmo sem pretensão
alguma e este salmo era o de numero 16 e dizia o seguinte no verso 16. “Sou ter
servo, Senhor, filho de tua serva”. Sl 16,16.
Ali, mais uma vez pode testemunhar a
presença de Maria, Irmã que caminha conosco e sempre pronta em nos socorrer.
Vale apena ser carmelita!
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
*MÍSTICA E MÍSTICOS. MÍSTICA: PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO (5ª Parte)
Dom Frei Vital João Wilderink, O. Carm.
Perceber a realidade tal como ela é chama-se experiência.
Em qualquer experiência a pessoa se capta em relação com a realidade do mundo,
da natureza, de si mesma, de Deus. Muitas vezes trata-se de contatos
rotineiros, às vezes de uma descoberta de algo novo que atrai e convida, como
acontece com pessoas que vão ver várias vezes o mesmo filme, o mesmo quadro, a
mesma paisagem. A experiência é sempre acompanhada de sentimentos e emoções, de
pensamentos e, mesmo, de ações. O que importa, porém, é a consciência da
relação. Sem ela não se pode falar de experiência pessoal. A experiência trata e carrega, veicula a
realidade tal como dela o homem pode tomar consciência. Consciência que varia
de acordo com o nosso jeito de ser, a nossa personalidade caracterizada por
certos traços psicológicos cuja estruturação depende de diversos fatores,
aspirações, critérios, etc. que ao longo dos anos interiorizamos. O que faz a
pessoa situar-se frente às coisas que a rodeiam. É algo normal e até necessário
para alguém poder tomar posição nos seus relacionamentos.[1]
Em tudo isso, porém, não deixa de haver uma certa ambiguidade
porque a pessoa ao tomar posição, define a realidade que vem ao seu encontro.
Em outras palavras: quem diz “eu” facilmente cria distância e isolamento.
Transferimos o nosso eu para os outros, as coisas, o mundo, etc. O nosso eu
classifica as coisas. Quanto mais trabalhamos com categorias do próprio eu, tanto
menos somos capazes de um verdadeiro encontro. O nosso eu é o melhor vigia da
sua própria prisão. Como acontece ao que se posiciona numa perspectiva
neo-liberal: só é real o que promove o mercado. Aos poucos pode surgir uma
alienação que impede o reconhecimento de outras dimensões importantes da vida
humana. A mística oferece nesta época-do-eu valiosos contra-modelos, como
Francisco de Assis que na sua pobreza se reconcilia com tudo e com todos,
O que dizer da nossa relação com Deus? Por vezes recebo folders de casas de retiro com o convite: venha fazer uma
experiência de Deus! Penso que o êxito de um retiro depende da descoberta de
que só Deus pode se mover para que o homem o encontre, pois se é Mistério,
pertence a Ele estabelecer a modalidade de meu encontro com Ele. É doloroso
descobrir que temos a tendência de reduzir Deus ao nosso tamanho. Mesmo
querendo assumir a nossa condição de “peregrinos do Absoluto” carregamos na
mochila os nossos “ídolos domésticos”, como fez Raquel quando partiu com Jacó,
seu marido, para a Terra prometida a Abraão: “colocou-os na sela do camelo e
sentou-se em cima”(Gn 31,34). O próprio
Jacó, apesar da sua “teologia” mais
ortodoxa que a da sua esposa, lutou com Deus a noite inteira até a aurora. Luta
que deixou uma lembrança: Jacó ficou mancando. Mas não conseguiu que o
“Adversário” lhe revelasse sua identidade (Gn 32,23-33). São imagens que
ilustram o itinerário dos místicos. No século XIV, o autor inglês anônimo do
tratado A nuvem do não-saber, utiliza
uma linguagem que pode estranhar por uma aparente agressividade em relação às
criaturas. Na realidade, o autor visa o eu que se apropria as criaturas e o
próprio Deus, o que impede a verdadeira união com Ele. Só no despojamento do
eu, descobre-se que não existe competição entre Deus e as criaturas.
Não
permita que nada influa em sua mente ou em sua vontade, a não ser Deus. Tente
destruir todo e qualquer conhecimento e experiência de qualquer coisa abaixo de
Deus e reprimir, e arremesse tudo bem abaixo sob a nuvem do esquecimento.
Entenda que neste exercício você deve esquecer não só todas as criaturas fora
de você - e o que elas fazem e o que você faz - mas também deve esquecer você
mesmo, até o que fez por causa de Deus. Porque é próprio do amante perfeito não
apenas amar acima de si mesmo aquilo que ele ama, mas também em certo sentido
detestar a si mesmo por causa daquilo que ele ama. É assim que deve fazer em
relação a si mesmo. Todo objeto que influencie a sua compreensão e a sua
vontade, você deve considerar como abominável e enfadonho... Esta massa
disforme nada mais é do que você mesmo; isto deverá parecer-lhe como uma coisa
única, só e solidificada com a substância do seu ser, como se não houvesse
divisão entre eles. Portanto, você tem que destruir todo conhecimento e
sentimento de todo tipo de criatura, porém muito especialmente de você mesmo.
Pois é do seu próprio conhecimento e experiência que dependem o conhecimento e
a experiência de todas as demais criaturas.[2]
O eu só admite o que lhe é conhecido. É um terreno
cercado, propriedade particular onde o estranho, o desconhecido não entra. O
Outro que é Deus também o deixa constrangido se não se assentar na cadeira que
lhe reservamos. Quando a sua Presença se anuncia, tão diferente das visitas
programadas pelo eu, este não sabe mais o que fazer. Perplexo, perdido, vai
percebendo a sua situação de alienação no relacionamento com Deus. A casa do eu
fica toda desarrumada. Já não se sente à vontade na sua casa “religiosa”, mas
não encontra uma saída porque no vazio que se criou não há indicação do rumo a
seguir. Mas a noite é necessária para encontrar a luz. João da Cruz descreve esta
aventura mística no poema da Noite escura da subida do Monte Carmelo. No
desenho que fez desse itinerário da subida, escreveu numa certa altura: Quanto
mas tenerlo queria, com tanto menos me hallé. Há uma experiência da própria impotência diante do Mistério de
Deus. E no outro flanco da montanha: Quanto menos lo queria, tengolo todo sin
querer. A manifestação do Mistério pertence à iniciativa gratuita do Absoluto.
Descobrir a Realidade última que está por baixo de todas as realidades
visíveis, exige um desentulhamento da casa do eu.
Em
uma noite escura
com
ânsias, em amores inflamada,
ó
ditosa ventura!
saí
sem ser notada,
estando
já minha casa sossegada.
Às
escuras, segura,
pela
secreta escada disfarçada,
ó
ditosa ventura!
em
trevas, às escondidas,
estando
já minha casa sossegada.
Nessa
noite ditosa,
em
segredo, porque ninguém me via,
nem
via eu qualquer coisa,
exceto
a que no coração ardia.
Fiquei-me
e esqueci-me,
o
rosto inclinado sobre o Amado,
cessou
tudo e rendi-me
em
meio de açucenas olvidado.
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Retiro da Ordem Terceira do Carmo, Carmo de Minas- MG.
Data: 14, 15 e 16 de fevereiro-2014.
Para meditação individual.
Pregador: Frei Petrônio de Miranda, 0. Carm.
Tema: A Espiritualidade Carmelitana.
3º Texto para
reflexão: A Noite Escura.
São João da Cruz (1540-1591), filho
de Elias, pela vida e pelos escritos mostrou conhecer noites escuras
pontilhadas de estrelas ou de trevas sem luz. E ensina a caminhar.
A Noite Escura "é o fim do
narcisismo e da abstração, é disponibilidade para o encontro com o outro e com
os outros. É a constante adaptação do homem a Deus. Não é um breve período de
crises, mas uma situação permanente, porque nunca nós acabamos de nos
adaptarmos à lógica divina, ao amor de Deus. Atitude crítica para consigo mesmo
e perante a realidade; discernimento frente à história e dentro da história;
uma consciência da relatividade das metas alcançadas, concedendo espaço para a
novidade do Espírito. A noite é consequência do amor, é escola de amor. É o
meio pelo qual se consegue uma nova consciência: tornamo-nos mais livres para Subir a Montanha sem que Nada
se interponha (1S,13)".
Noite Escura
São João da Cruz, Carmelita.
Numa noite escura,
Ansiosa, ardente de amor,
Ó, feliz ventura!
Sai sem ser vista,
Estando minha alma sossegada.
Na escuridão e em segurança,
Pela secreta escada disfarçada,
Ó, feliz ventura!
Na escuridão e às ocultas,
Estando minha morada sossegada.
Na noite ditosa,
Em segredo ninguém me via,
Não vendo outra coisa,
Sem outro guia nem luz
Que aquele que em meu coração
brilhava.
Esta me guiava
Mais segura que a do meio dia,
Lá onde me esperava
Quem eu bem sabia
Em lugar o qual ninguém aparecia.
Ó noite que me guiastes,
Ó noite mais amável que a aurora!
Ó noite que reuniste
O Amado com a amada
A amada no Amado transformada!
Sobre meu seio florido,
Que para Ele só se guardava,
Ficou adormecido,
E eu o acariciava,
E o leque de cedros refrescava.
A brisa suave da ameia,
Quando eu afagava seus cabelos,
Com sua mão serena,
E pescoço me tocava,
E meus sentidos todos avivava.
Imóvel, esquecida,
O rosto inclinado para o Amado;
Tudo parou, abandonei-me,
Deixando entre os lírios
Ao olvido minha apreensão.
Noite Escura de
Elias
O
Profeta Elias, feliz na tranquilidade de Carit ou no aconchego da casa pobre da
mulher de Sarepta e seu filhinho, é despertado pela tristeza da morte de um
menino: é escuridão. "Javé, meu Deus, matando o filho dela, o Senhor quer
afligir até mesmo esta viúva que me deu hospedagem?" (1Rs 17,20). "Responda-me, Senhor! Responda-me!"
(1Rs 18,37). "Javé, agora já é demais! Pode tirar a minha vida, pois não
sou melhor do que os meus pais!" (1Rs 19,4). Comeu e bebeu e tornou a
prostrar-se (1Rs 19,6). Depois quarenta dias e quarenta noites a caminho, sem
comer nem beber (1Rs 19,8). "Estou só e querem tirar-me a vida!" (1Rs
19,10.14). Javé não estava não, nem no furacão desmantelador de montes e
rachador de rochedos. Javé não estava nos tremores de terra, não (1Rs 19,11). Javé
não estava no furor do fogo e dos raios, também não. Estava sim numa brisa
calma, que cobriu Elias com o manto e com força o trouxe fora das cavernas (Rs
19,12-13). Um carro de fogo e cavalos de fogo arrancaram Elias de junto de
Eliseu, e num redemoinho de fogo lá se foi Elias para o céu. Noites e luzes.
Procurado por três dias (2Rs 2,11.17)[1]
Noite Escura de
Maria
Virgem
feliz em casa de Joaquim e Ana, mas é preciso dizer sim à vontade de Javé:
"Eis-me aqui! Eu sou a escrava do Senhor. Aconteça em mim tudo segundo a
tua palavra" (°1,38).
É
preciso deixar pai e mãe e Nazaré, com muita coisa preparada para o nascimento
e seguir José até Belém. Na hospedaria não há lugar e o Menino não vai esperar
mais: Ela mesma tem de envolvê-Lo em faixas e acomodá-Lo dentro da manjedoura (°2,5.6.7). O boi e burro tenham paciência, e as mansas
ovelhinhas... É preciso que o velho Simeão venha com aquela profecia? Para
rebaixamento e soerguimento? Alvo diante da contradição? Uma espada que
transpassa a alma? O velho estava vendo a Virgem-Mãe de pé junto à Cruz? (2,34-35)...
Noite
Escura de Jesus
Menino unido com
a Mãe que faz parte e participa da Noite Escura da Mãe nos mistérios da sua
infância. Cresce e, conduzido pelo Espírito, caminha pelo deserto de Elias. Tem
fome e é tentado pelo chato do diabo, que se cansa e o deixa em paz.
Em
Jerusalém causa-Lhe lágrimas e tristeza, e sentida elegia e lamentação. Amor
traído faz sofrer. Jesus chorou. Quis ser como a galinhazinha de Nazaré, que
com carinho sempre juntava a ninhada debaixo das asas, mas Jerusalém não
quis...
No
meio da Escuridão é preciso falar com os amigos sobre a beleza da Luz e das
alegrias do Reino: "o meu Corpo é dado em sacrifício por vós",
"o meu Sangue é derramado por vós": "no meu Reino haveis de
comer e beber à minha mesa" (22,19-20.30). Esperança: consolo e esperança
somente...
Edith Stein (1891-1942), judia- alemã, carmelita, filha dedicada de São João da Cruz, comenta: "Em
Cristo, graças à sua natureza divina e à sua livre determinação, nada havia que
se opusesse ao amor. Viveu Ele cada momento da sua existência em abandono sem
reserva ao amor de Deus. Fazendo-se homem, tomou Ele sobre Si todo o peso do
pecado do homem, abraçando-o com o seu amor misericordioso e ocultando-o na sua
alma: no "Aqui estou”, com o qual iniciou a sua vida na terra; depois, na
renovação expressa desta sua missão no Batismo, e no Fiat do Getsêmani. O fogo
da expiação cintilou primeiro no seu íntimo; em seguida, nos sofrimentos todos
que acompanharam a sua vida; irrompeu inextinguível no Jardim das Oliveiras e
sobre a Cruz, já que então desaparecera a sensação de gozo, que Lhe era concedida
pela indissolúvel união com o Pai, lançando-O nos braços da dor a ponto de
infligir-Lhe a última provação: o abandono extremo por parte do Pai.
Para meditação individual.
Texto Bíblico. (1º Reis, 19, 1-9)
1º-A Ordem Terceira do Carmo é uma comunidade
Orante, Profética e Fraterna ou é uma fuga das noites escuras da vida?
2º-Como a Espiritualidade Carmelitana vivenciada
pelos mártires e santos carmelitas; Simão Stock, Tito Brandsma, Edith Stein,
Isidoro Bakanja, João da Cruz, Santa Teresinha... Ajuda-me a superar as noites escuras
diárias?
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A PALAVRA... Nº 539. Eremitério Carmelita-04
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SEM MEDO DE SER FELIZ: Cantando com Frei Petrônio-02
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Retiro da Ordem Terceira do Carmo, Carmo de Minas- MG.
Data: 14, 15 e 16 de fevereiro-2014.
Pregador: Frei Petrônio de Miranda, 0. Carm.
Tema: A Espiritualidade Carmelitana.
3º Texto para
reflexão: Carmelo: Crescer na Fraternidade.
No âmbito do Carmelo
salientemos a ênfase sempre mais crescente sobre o valor teológico da
fraternidade. A fraternidade
vem sendo entendida, cada vez mais, como o leito e o núcleo do carisma
carmelita.
Acontecimentos
traumáticos do nosso século, como as duas guerras mundiais, os regimes
totalitários e a descoberta nuclear puseram em crise o caráter mítico e utópico
de muitos aspectos da modernidade.
Viver a unanimidade significa ter "um só
coração e uma só alma", isto é, numa convergência essencial de intenções e
pontos de vista sobre um projeto comum e, ao mesmo tempo, uma boa dose de
maturidade, veracidade e transparência no agir que venham criar o pressuposto
para relações autênticas. Tal unanimidade é o pressuposto fundamental para que
o amor circule entre os irmãos e se instaurem relações autênticas (JO 3,1.18).
Chamados a viver vida de
fraternidade, precisamos lutar para que as nossas comunidades sejam prova
concreta de que a fraternidade é possível. Fraternidade, que nasça da escuta e
da meditação da Palavra e que leve a tornar mais humana a vida, a unir as
pessoas, apesar de certas divergências, conseguindo ser assim uma presença do
Evangelho. E é desta maneira que a nossa Ordem Terceira do Carmo se transforma
em sinal de esperança, que fazem os pobres dizer a nosso respeito o que a viúva
de Sarepta dizia ao Profeta Elias: “Agora sei que és um homem de Deus e que a
Palavra de Deus está realmente sobre a tua boca” (1Rs 17,24).
Na Igreja fomos gerados como Família
Carmelitana pelo Espírito Santo, mediante a experiência de um grupo de penitentes, peregrinos, eremitas, no
contexto do grande movimento europeu, medieval, para recuperação da Terra do
Senhor.
A
peregrinação a Jerusalém, que nos deu origem e nos plasmou no início, com o tempo tornou-se
um estilo típico da nossa caminhada
evangélica para a perfeição. O Espírito, ao longo dos séculos, suscitou
da mesma raiz carismática modalidades diversas de vida carmelitana, seja da
contemplação, seja do serviço apostólico consagrado, seja de presença cristã na
realidade social e leiga.
O
Espírito de Vida nos tornou fecundos quanto aos valores fundamentais da fraternidade evangélica: escuta e
anúncio da Palavra, oração assídua, comunhão de bens, reconciliação fraternal,
serviço recíproco e aos pobres, luta espiritual e empenho de libertação dos
oprimidos, discernimento, solidariedade com todos os homens, esperança
operante.
Fonte
deste processo tem sido a escuta orante, pessoal, comunitária da Palavra do
Senhor, enquanto a centralidade da Eucaristia quotidiana tem sido o fermento,
síntese e modelo da unidade e dos projetos de santidade eclesial.
A
devoção à Mãe do Salvador, Maria, a Virgem Puríssima, Irmã, Padroeira e
Esplendor do Carmelo, e a evocação inspiradora do Profeta Elias, vêm
constituindo a linguagem comum entre nós, seja na espiritualidade, seja na
atividade pastoral.
Tudo isto nos vem da história e hoje torna-se história lá
onde o carisma carmelita é vivido na abertura aos novos caminhos do
Espírito".
Para meditação individual.
Texto Bíblico. (Atos dos Apóstolos. 4, 32-37).
1º- Somos da Ordem Terceira do Carmo ou um grupo de amigos?
2º- A nossa fraternidade carmelitana tem um olhar para o
sofrimento do próximo ou para nós mesmos?
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A Espiritualidade do Escapulário
Frei
Alonso Malaquias, 0. Carm.
No dia 19 de
fevereiro de 2000, estava eu viajando para Jaboticabal (SP). Ia até o Noviciado
ensaiar melodias para o Ofício Divino com os nossos candidatos. Deveria estar
em boa velocidade, dentro do permitido, afinal a rodovia Washington Luiz é
muito boa. Senti que o sono me tomava de assalto, mas persisti na minha
teimosia, afinal faltavam apenas 40 minutos para chegar. Cochilei. Acordei com
o carro virado no jardim que separa as duas pistas.
Só quem passou
por isso é que sabe do que falo: o carro totalmente fora de controle, barulho
de vidro quebrado, lata amassando, caminhões buzinando e você sendo jogado de
um lado para o outro. É a total impotência. A sensação é de uma força de morte
que iria destruir-me. Vi que era o meu fim!
Foi neste desespero
que gritei por Nossa Senhora do Carmo. Prensei-me contra o banco e, segurando
fortemente no volante, me encolhi o mais que pude. O carro continuou capotando
até para na outra pista de roda para
cima. Com medo de alguma explosão, saí imediatamente pela janela. Estive
consciente o tempo todo. Saí ileso. Cortei somente a palma da mão e a cabeça
devido aos vidros. Ao ficar fora do carro e ver o veículo inteiramente
destruído, é que tomei consciência do que realmente acontecera.
Recebi muita
ajuda dos caminhoneiros e de outras pessoas. Experimentei quão generosas são as
pessoas na estrada. Fui levado para o pronto-socorro. Só na ambulância
lembrei-me que tirara o Escapulário alguns dias antes, pois estava velhinho e
queria trocar por outro. Constatei o quanto Maria me amou e protegeu. Ela não
dependeu de um objeto para socorrer-me.
Você me
perguntará: Mas como? Não é preciso estar sempre com o Escapulário se quiser
que nada de mal me aconteça? Eu respondo, meu irmão: bem mais importante que
apenas usar o Escapulário como objeto de sorte, o que ele não é nem de longe, o
Escapulário nos ajuda na exata medida em que interiorizamos os valores que ele
contém: primeiro, a confiança filial no socorro de Maria; segundo, a
consagração da própria vida a ela em vista da expansão do Reino do seu Filho; o
que se realiza; em terceiro, pela imitação das suas virtudes que são exatamente
as que encontramos nos evangelhos: confiança total na Palavra de Deus e não em
si mesmo; conformidade de nossa vontade com a vontade do senhor; uma vida toda
impregnada da sua presença e, por isso mesmo, por nos sentirmos intensamente
amados por Deus (vida e oração), participando da vida da Igreja, amando o
próximo, principalmente os mais pobres e esquecidos, como foi o amor de Jesus
(vida de serviço).
O santo
Escapulário nos ajuda da seguinte forma: com o passar dos dias, das várias
situações que nos atingem na vida, cada vez que o vemos em nós lembramos de
nossa aliança de amor com Maria e vamos, na medida que nossas fraquezas
permitem, amadurecendo a fé. O Escapulário nos infunde coragem e otimismo.
Maria está conosco! A fé não se reduz ao sentimentalismo nem ao
intelectualismo, embora o sentimento e a razão também a constituam. Mas a fé
tem mais que ver com a vontade: adesão sincera ao Pai cuja única vontade é nos
salvar por seu Filho no Espírito Santo. Fé é construir a nossa vida sobre a
Rocha que é Cristo.
Eu sei que mesmo
padres me diriam: “O que aconteceu com você não se tratou da ação de ninguém.
Foi pura sorte”. Mas eu, que me vi perdido na boca da morte, e tendo invocado
com toda a confiança o socorro de Nossa Senhora, fui atendido e salvo, tenho
consciência do que escrevo.
E você também
poderia perguntar-me: “e como se explica os que morreram mesmo tendo invocado
também o socorro de Maria? No que você é melhor do que eles?” Pergunta justa.
Respondo dizendo que não sou melhor nem pior que ninguém. Somos todos filhos
amados intensamente por Deus. Analiso o que aconteceu a partir da minha
experiência pessoal, de alguém que passou (como todos os dias passam muitos)
por uma experiência limite e voltou novamente à vida. Não pretendo ter a
resposta final. Penso no ocorrido como uma resposta de Maria em vista de uma
missão que tenho a cumprir, ou ainda não estivesse pronto para partir... De fato,
não sei. Só tenho a agradecer e louvar.
Daqui surgem
várias perguntas: “por que nesta terra o justo e o bom sofrem tanto e são os
mais desprezados, enquanto os ímpios injustos gozam sempre de saúde e são cada
vez mais ricos? Deus não vê estas injustiças? Se Deus é bom, por que há no
mundo tantos horrores?” Estas perguntas são corajosas. Estas são as perguntas
de Jó. O credo dos primeiros cristãos era este: “eles mataram Jesus
suspendendo-o numa cruz, Deus, porém, o ressuscitou...” (Cf 1 Cor 6, 14). Em Cristo
temos a resposta para vencer o sofrimento, seja ele pessoal seja social.
Pode ser que num
outro ocidente (Deus nos livre a todos!), eu invoque novamente Nossa Senhora e
não seja salvo, não aconteça nada. Mas, mesmo aqui, o santo Escapulário me lembra
da fé que temos na comunhão dos santos. Maria nos ama mesmo na morte. Ela está
conosco neste momento crucial da nossa existência que é o encontro definitivo
com Deus. Estará aí também nos auxiliando para aceitarmos que a vontade de Deus
nos purifique que saibamos pedir perdão e perdoar àqueles que nos fizeram mal,
e assim, amando a Deus com o coração purificado pelo fogo do Espirito, entremos
na posse definitiva da Trindade.
O santo
Escapulário é uma bênção de Deus, um sinal externo de nossa mútua aliança com
Maria: de seu lado, Maria nos protege e guia para Cristo, único Salvador. Do
nosso lado, procuramos imitar os belíssimos exemplos de seguimentos de Jesus
que ela nos deixou.
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A PALAVRA... Nº 537. Canção Nova ou Fanatismo Religioso?
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5º Domingo. Ano-A. Missa em Angra-03.
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
A PALAVRA... Nº 537. Canção Nova ou Fanatismo Religioso?
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5º Domingo. Ano-A. Missa em Angra-01.
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domingo, 9 de fevereiro de 2014
A PALAVRA... Nº 536. Canção Nova ou Fanatismo?
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sábado, 8 de fevereiro de 2014
A PALAVRA... Nº 535. Eremitério Carmelita-02
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BATE PAPO CARMELITANO: Dom Vital, Carmelita.
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A PALAVRA. Nº 535. Eremitério Carmelita-01
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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
A PALAVRA. Nº 534. A fidelidade de São João Batista.
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Retiro da Ordem Terceira do Carmo, Carmo de Minas- MG.
Data: 14, 15 e 16 de fevereiro-2014.
Pregador: Frei Petrônio de Miranda, 0. Carm.
Tema: A Espiritualidade Carmelitana.
2º Texto para
reflexão: A Dimensão contemplativa da vida
Carmelitana.
Com efeito, desde as origens, a comunidade dos carmelitas
adotou um estilo contemplativo, tanto nas estruturas como nos valores
fundamentais. E tal estilo ressalta da Regra com evidência. A Regra delineia
uma comunidade de irmãos toda entregue à escuta orante da palavra ([1]) e assídua na celebração do louvor do seu Senhor ([2]); uma comunidade composta por pessoas que sabem
deixar-se habitar e plasmar pelos valores do Espírito: castidade, pensamentos
santos, justiça, amor, fé, espera da salvação ([3]), trabalho realizado na paz ([4]), silêncio que, como afirma o Profeta, é o culto da
justiça e que dá sabedoria ao falar e ao agir ([5]), discernimento que é "o orientador das
virtudes" ([6]).
A tradição da Ordem sempre
interpretou a Regra e o carisma fundante como expressão da dimensão
contemplativa da vida, e para esta vocação contemplativa sempre se voltam os
grandes mestres espirituais da Família Carmelitana. A contemplação começa
quando nos entregamos a Deus, qualquer que seja o modo que Ele escolha para
achegar-se de nós. É uma atitude de abertura a Deus, cuja presença encontramos
em toda parte. A contemplação constitui, assim, a viagem interior do Carmelita
proveniente da livre iniciativa de Deus, que o toca e o transforma, rumo à
unidade de amor com Ele. Esta é uma experiência transformante por parte do amor
de Deus, que é soberano. Este amor esvazia-nos dos nossos modos humanos de
pensar, amar e agir, limitados e imperfeitos, transformando-os em divinos.
A contemplação possui ainda um valor evangélico e
eclesial ([7]). O seu exercício não só é fonte da nossa vida espiritual,
mas também determina a qualidade da nossa vida fraterna e da nosso serviço no
meio do Povo de Deus ([8]).
De fato, os valores da contemplação,
se vividos com fidelidade nas complexas vicissitudes da vida cotidiana, fazem
da fraternidade carmelitana um testemunho da presença viva e misteriosa de Deus
no meio do seu povo. A busca do rosto de Deus e o acolhimento dos dons do
Espírito tornam a nossa fraternidade mais atenta aos sinais dos tempos, mais
sensível às sementes da presença do Verbo na História, através até da visão e
valorização dos fatos e dos eventos na vida da Igreja e da sociedade ([9]). Assim, o
Carmelo solidário como Jesus Cristo com os dramas e esperanças da humanidade ([10]), saberá assumir decisões adequadas para transformar a
vida e fazê-la conforme com a vontade do Pai.
Além disto, para o bem da Igreja,
ajudará todos os que se sentirem chamados para a vida eremítica.
Para
meditação individual.
Texto Bíblico. 1º
Reis, 19, 9- 14.
2º- É possível contemplar e silenciar no
barulho familiar, sonoro, audiovisual e midiático (Televisão, rádio, internet, escrita...) ou é necessário
fugir a exemplo do Profeta Elias para encontrar Deus?
1º- Segundo o mártir e beato Carmelita,
vítima da Segunda Guerra Mundial, Frei Tito Brandsma, “Devemos olhar o mundo
com Deus no fundo”. Diante da violência, guerra, fome, catástrofes e luta pela
sobrevivência, consigo ver Deus agindo no meio dessa grande confusão ou está
tudo perdido?
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