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sexta-feira, 26 de abril de 2013

CARMELITAS: Olhar o passado com os pés no futuro: A restauração da Ordem no Brasil – 1894



Por Frei Pedro Caxito, 0. Carm. (In Memoriam) 

            Tornou-se evidente que no fim do século a Ordem era capaz de organizar e manter esforços para a sua expansão. Enquanto os alemães e irlandeses partiram para terras fabulosas que até então não tinham sido palmilhadas por pés de carmelitas, os Espanhóis retornaram para a sua América e para as Províncias fundadas há séculos pela sua Província-Irmã de Portugal.
            Já em 1886, o Vigário Provincial, Alberto de Santa Augusta Cabral Vasconcelos escreveu de Recife, pedindo a Savini para mandar religiosos a fim de restaurar a Província de Pernambuco. Os frades sobreviventes da Província, dizia ele, estavam todos num único convento (Recife). As outras quatro casas estavam em mãos de padres seculares. Ele estava velho e doente e alguns dos mais jovens não gozavam de boa reputação. Savini conseguiu reunir um grupo internacional nas pessoas de Ângelo Mallia, André Montebello e José Gregório Geoghegan. Contudo esta primeira tentativa de restauração do Carmelo no Brasil não foi bem sucedida; nos inícios de 1889 Cabral e os recém-vindos separaram-se no meio de mútuas recriminações.
            Com a eleição de um novo Prior Geral, Cabral renovou em 1894 os seus insistentes pedidos de reforço. Por esta data pôde ser feito um esforço mais sério e garantido; a Província da Espanha, em vias de recuperação, estava capacitada a corresponder às necessidades. No dia 7 de julho de 1894, um grupo de 4 padres e 2 irmãos viajou para Recife: Joaquim Guarch (Comissário Geral), Eliseu Gomez, Cirilo Font, Mariano Gordon e os Irmãos Ângelo Trigagnon e Eliseu Gomez (a nota 56 diz que é coincidência mesmo de nome e sobrenome).
            Em 1895, um segundo grupo de dois padres, três clérigos e dois irmãos foram enviados da Espanha. Neste mesmo ano o Conselho da Ordem autorizou o Provincial da Espanha a nomear um vigário provincial para o Brasil e apontou também Cirilo Font como Comissário Geral. Os dois cargos praticamente se reuniram num só.
            Os espanhóis se responsabilizaram pela restauração não só da Província de Pernambuco, mas também de toda a Ordem no Brasil, em geral. A pressa de Cabral não foi compartilhada com igual ardor no Rio de Janeiro e na Bahia. Os poucos frades brasileiros sobreviventes nestas regiões recusaram-se a reconhecer o Comissário Geral e a submeter-se à Província da Espanha. Além disto não quiseram transferir para os espanhóis os bens da Ordem, nem era isto permitido pela lei. Os Brasileiros relutavam em renunciar à sua independência e abrir caminhos, submetendo-se à disciplina religiosa. Diante destas circunstâncias os Espanhóis perceberam que a Restauração do Carmelo Brasileiro seria uma tarefa desencorajadora.
            De fato, Leão XIII tinha um pouco antes, aos três de setembro de 1891, colocado os religiosos do Brasil debaixo da jurisdição dos bispos. Os bispos, por sua vez, delegaram as suas faculdades a um "visitador" episcopal. Numa situação destas um Comissário indicado pelo Prior Geral em Roma ajustava-se tal qual um pino quadrado num furo redondo. Era um caso parecido com o da Espanha nos inícios da restauração da Ordem por lá. Com o tempo as coisas foram-se ajeitando, mas não se pôde fugir inteiramente dos primeiros conflitos.
            Em cartas para Roma datadas de 23 de agosto e 22 de outubro de 1900, o Provincial Eliseu Durán contou como ia a situação no Brasil. Da Vigararia do Maranhão nada restou. A Província de Pernambuco contava com três conventos e um hospício. Em Recife estavam cinco frades espanhóis. Dois anos depois da chegada dos recém-vindos em 1894, morreram os dois brasileiros que restavam, deixando o acima citado no comando da situação. Da Província da Bahia existia somente o Convento de Salvador com dois espanhóis e o brasileiro Frei Inocêncio do Monte Carmelo Sena. Um outro padre brasileiro vivia fora do convento em concubinato. A Província do Rio de Janeiro continha seis casas, duas das quais, Rio e Angra dos Reis, tinham moradores. São Paulo e Santos podiam ser reformadas sem grandes despesas. No Rio de Janeiro viviam sete espanhóis; em Angra, dois espanhóis e o brasileiro Frei Inácio da Conceição Silva, que ostentava o título de Provincial. O outro brasileiro da Província, Frei Antônio Muniz, vivia fora do Convento e na imprensa pública entrou numa campanha de guerrilha contra as autoridades eclesiásticas e os confrades espanhóis. De início viviam no Rio os Padres Furbão (deve ser Pe. Manuel de Santa Teresa Trovão) e Manuel da Ascensão Franco, o administrador do vasto patrimônio do Convento. Quando morreu Furbão em 1896, Mariano Gordon e Carmelo Pastor aí estabeleceram residência. Depois da morte de Manuel em 1899, o arcebispo indicou um administrador leigo para os bens do Convento. Mas a pedido do Internúncio seis frades foram enviados para o Convento de Angra dos Reis destinado a ser casa de Noviciado. Os Espanhóis tinham pouca fé na possibilidade de um noviciado no Brasil. Noviços eram poucos (em seis anos Recife recebeu um só) e tinham pouca chance de serem iniciados adequadamente na vida religiosa. Durán preferiu estabelecer na Espanha um colégio missionário para o Brasil.
            O Capítulo Geral de 1902 deu instruções ao Procurador Geral para conseguir da Santa Sé um decreto que concedesse à Província da Espanha os bens da Ordem no Brasil como medida para uma chance pequenina de sucesso.

CARMELITAS: Olhar o passado com os pés no futuro: O Carmelo no Brasil - 1904-1919.


Por Frei Pedro Caxito, 0. Carm. (In Memoriam)  
           
              A restauração das três Províncias do Brasil apresentava afinal uma carga acima dos recursos da Província da Espanha. O Capítulo Provincial de 1900, por isso, comunicou ao Núncio no Brasil que gostariam de limitar os seus esforços ao Norte, deixando para alguma outra Província a restauração do Rio de Janeiro. Em 1916 ficou decidido que a Andaluzia ficaria com o encargo da Bahia e a Arago-Valentina, de Pernambuco.
            Em 1906 Pio Maria Mayer decretou que o Provincial de Pernambuco seria também o seu Comissário para a Bahia, e de fato deste ano em diante até 1923 era regularmente indicado pelo Provincial de Pernambuco um vigário para a Bahia. Em 1919 a Província da Bahia contava com 4 sacerdotes, 1 diácono e 2 irmãos, todos espanhóis, que viviam na Bahia e em Cachoeira. São Cristóvão não foi mais ocupado.
            O Capítulo Geral de 1902 proclamou o direito das províncias de estabelecer a sua legislação própria e Pernambuco no mesmo ano fez os seus estatutos, que determinaram ser requerida a cidadania brasileira, de nascimento ou por naturalização, para se fazerem os votos solenes. Esta condição foi imposta, sem dúvida, em vista de constituir a Província como entidade jurídica. Em 1919 contava a Província 10 padres e três irmãos, todos concentrados em Recife.
            A 23 de junho de 1904, Pio Mayer abordou o Provincial da Província Holandesa, Lamberto Smeets, para que tomasse conta da Província do Rio de Janeiro, que estava abandonada. Este encargo foi aceito sob a condição de que a administração dos bens fosse devolvida à Ordem. No dia 27 de novembro de 1904, seis padres e 2 irmãos chegaram ao Rio de Janeiro: Frei Cirilo Thewes (superior), Atanásio Rijswijk, Guilherme Meijer, Serapião de Lange, Gregório Meijer, Constâncio Lokkers e os Irmãos Simão Jans e Anastácio Korterijk. Os frades espanhóis governados por André Prat ficaram ajudando no Convento da Lapa. No mês de dezembro Guilherme Meijer e Constâncio Lokkers dirigiram-se para Angra dos Reis, onde encontraram Inácio da Conceição Silva que era digno de toda confiança. Em 1906 o Bispo de Petrópolis, Dom João Braga, confiou aos Carmelitas as Paróquias de Angra dos Reis, Mambucaba, Ribeira, Jacuecanga, Ilha Grande e Jacareí. Aquela região por longo tempo abandonada ofereceu aos missionários oportunidade total para exercerem o seu zelo apostólico.
            No dia 16 de maio de 1905 os freis Cirilo Thewes, Guilherme Meijer e o Irmão Simão Jans foram tomar posse do Convento de São Paulo. Aí incorreram na oposição do terrível Frei Antônio da Virgem Maria Muniz Barreto, prior de Mogi das Cruzes, que se havia empenhado numa contenda legal com o Bispo de São Paulo. Em 1877 Muniz tinha sido nomeado "præses" dos Conventos de São Paulo, Santos e Mogi das Cruzes pelo Vigário Geral do Rio, (Dom) Félix Maria de Freitas Albuquerque, e foi confirmado neste cargo pelo Visitador Apostólico, (Pe.) Eduardo Duarte e Silva. Quando Inácio da Conceição Silva foi nomeado Provincial em 1900, nomeou o Bispo de São Paulo, Antônio de Alvarenga, com o seu Vigário Geral, (Mons.) Manuel Vicente, administradores dos bens da Ordem em São Paulo e Santos, decisão com a qual Muniz não concordou. Finalmente, no dia 22 de junho de 1906, o caso foi resolvido em favor do Bispo e Muniz foi consolado com o Priorado perpétuo de Mogi das Cruzes. Quando morreu em 1919, os seus confrades ficaram livres para entrar na posse do seu Convento.
            Santos foi recuperado em 1906 e Itu em 1917.
            Os Carmelitas Holandeses por toda parte se distinguiram como educadores e assim abriram escolas ou deram continuidade àquelas que já existiam: Rio de Janeiro (1908), Itu (1908), São Paulo (1911), Santos (1917). As escolas de Mogi das Cruzes e de Angra dos Reis vieram a ter vida curta.
            Além da reocupação destes Conventos, os Carmelitas tomaram a seu cargo uma missão em Corumbá, no Mato Grosso. Os pioneiros foram Frei Paulo Hurkmans (superior), Canísio Mulderman, Carmelo Lambooij e o Irmão Pancrácio Helmich. Ao faltar a saúde a Frei Hurkmans, foi ele substituído por Frei Mulderman como superior. Em 1911 Frei Maurício Lans veio ajuntar-se ao grupo. Era enorme o território da missão e exigia viagens de cinco ou seis meses no lombo de cavalos. Ao ser Corumbá elevada a Diocese em 1912, Mulderman foi o seu administrador até à chegada do novo Bispo e a igreja dos Carmelitas serviu de Catedral. Por causa de um desentendimento infeliz surgido entre o Bispo, Dom Cirilo de Paula Freitas, e os Carmelitas, estes abandonaram a missão em 1914.
            Outra missão em Paranaguá, no Paraná, fundada em 1915, teve de ser abandonada por falta de mão-de-obra.
            Os frades holandeses dedicaram-se às Ordens Terceiras, que tinham sobrevivido à supressão dos religiosos. Em Angra dos Reis e Mogi das Cruzes, Inácio da Silva e Antônio Muniz conservaram vivas as Ordens Terceiras locais. No Rio de Janeiro o sodalício degenerou em superstição e prática de macumba e foi extinto pelo diretor Frei Tomás Jansen, que inaugurou um novo no dia 8 de dezembro de 1910, com a profissão de 32 noviços, 16 mulheres e 16 homens. Este sodalício tornou-se o núcleo donde brotaram outros.
            Em 1919 a Província tinha 22 membros: 18 padres e 4 irmãos. Somente Rio e São Paulo na posição de Conventos.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Diocese manda padre se retratar após vídeos polêmicos

Padre Beto defende reflexão da Igreja Católica sobre moral sexual em vídeos; bispo quer que conteúdo seja retirado do ar
Fernanda Villas Bôas
           Um padre em Bauru, no interior de São Paulo, recebeu um prazo da Diocese local para retirar da internet os vídeos em que apresenta suas ideias consideradas inovadoras sobre moral sexual e organização da Igreja. Roberto Francisco Daniel, 47 anos, o padre Beto, deve se retratar até segunda-feira, dia 29, conforme a determinação do bispo diocesano Dom Frei Caetano Ferrari. O padre disse que ainda não decidiu o que vai fazer.
Padre Beto, que tem site na internet e é ativo nas redes sociais, é considerado polêmico. Ele acha que os padres devem trabalhar em vez de receber salário da Igreja (ele é professor universitário). Também defende o sacerdócio feminino e o sexo antes do casamento. Na opinião de padre Beto, a Igreja deveria rever suas regras em relação à moral sexual para acompanhar os novos tempos.
Na terça-feira (23), quando a Diocese de Bauru determinou que os vídeos fossem retirados do site do padre e das redes sociais, um grande debate se instalou na internet, sobretudo no Facebook. Páginas a favor e contra o padre foram criadas. Para quem apoia o religioso, ele está certo ao tentar atualizar os preceitos católicos. Para esses, a Diocese está sendo retrógrada ao impor censura ao padre. Os contrários questionam a permanência do sacerdote na Igreja. Alguns o chamam de “herege”.
Para bispo, padre vai reconhecer que errou – O bispo diocesano de Bauru, dom Frei Caetano Ferrari, diz que o padre Beto “avançou o sinal” ao postar vídeos que propõem uma revolução nos costumes da Igreja. “Padre Beto é muito inteligente, muito capaz. Mas tem essa tendência de avançar o sinal. Estou cobrando isso dele: que faça uma retratação. Os vídeos provocaram muita inquietação, não só em Bauru, mas em outras dioceses”, disse.
Para Dom Caetano, a necessidade de reflexão defendida pelo padre é legítima. “Refletir é um ato inerente ao ser humano. Mas a reflexão se dá a partir da própria identidade. E o que está acontecendo é que o padre está perdendo a noção da sua identidade, uma vez que é padre”.
Dom Caetano acredita que padre Beto irá se retratar na próxima segunda-feira. “Estou confiante que o Espírito Santo vai tocar o coração dele”, afirmou.  Ele se referiu ao padre como um “filho rebelde”: “É como um filho rebelde, que a gente ama e quer bem”.
Na entrevista abaixo, Padre Beto comenta o episódio e defende uma Igreja mais plural:
Papo Feminino – O senhor recebeu com surpresa a determinação da Diocese de Bauru?
Padre Beto - Sim, recebi com surpresa. Não esperava isso. Não acho que fiz declarações absurdas nem que pudessem atingir autoridades ou os dogmas da Igreja. São reflexões para que as autoridades da Igreja ouçam e possam refletir. Por outro lado, acho que demorou muito até [para a Diocese determinar retratação].
Papo Feminino – O senhor diz que a estrutura de paróquia é falida e deveria ser revista. Também fala que o espaço físico das igrejas é ocioso. E diz ainda que a sexualidade deveria ser alvo de um debate na Igreja para que algumas regras em relação à conduta dos fiéis fossem reformuladas. Quais dessas declarações, na sua opinião, incomodou mais a Diocese?
Padre Beto – O que incomodou a Diocese foi o ato de refletir. Acredito que a posição de Dom Caetano é assim: “já existem pessoas em outras instâncias da Igreja refletindo por nós. Seu papel como padre não é refletir: é acatar e transmitir aos fiéis, que vão acatar também”.
Papo Feminino – Após a declaração da Diocese, dois lados se formaram nas redes sociais: aqueles que apoiam sua conduta e aqueles que repudiam. Quem não concorda com suas ideias diz que o senhor deveria sair da Igreja, já que não acata as regras internas. O que o senhor acha disso?
Padre Beto – A Igreja é uma instituição onde convivem correntes, linhas de pensamento. Neste momento histórico, determinadas linhas estão silenciosas, não estão se expressando. Mas a Igreja não pode ser um monólogo. A Igreja tem que ser uma mesa-redonda onde todas as linhas de reflexão possam discutir. E a Igreja só evolui quando essas linhas entram em debate. O Concílio do Vaticano 2º (assembleia da Igreja, realizada entre 1961 e 1965 e que, entre outros pontos, estimulou maior diálogo com outras religiões) foi um grande debate entre bispos e padres. Questionários foram enviados a todas as dioceses do mundo e encaminhados ao Vaticano para serem lidos, ou seja, teve participação de leigos. E isso foi importante para a evolução da Igreja. Preste atenção: Cristo se encontrou com todos, dialogou com todos de igual para igual, não foi preconceituoso. Dialogou com a prostituta, com a samaritana, que tinha outra fé, com os cobradores de impostos, os chamados pecadores da época. Eu digo para os meus opositores: enxerguem mais Jesus em vez de dogmas, normas ou preceitos religiosos.
Papo Feminino – Isso quer dizer que o senhor não vai se retratar?
Padre Beto – Ainda estou refletindo a respeito.
 Leia abaixo a íntegra da determinação da Diocese de Bauru:
 Ato do Governo Diocesano sobre pronunciamentos do pe. Beto pelos meios digitais
Tendo em vista os recentes pronunciamentos do padre Roberto Francisco Daniel (padre Beto) em páginas pessoais da internet, que têm provocado escândalo junto aos fiéis, agora, extrapolando-se o âmbito diocesano e indo para o mundo aberto da mídia eletrônica; tendo em vista, sobretudo, o conteúdo desses pronunciamentos que ocorrem em desacordo com os ensinamentos da Igreja no campo da doutrina, da moral e dos costumes; tendo em vista que não em poucas oportunidades o Bispo Diocesano já lhe vem alertando sobre seus pronunciamentos; e tendo em vista o diálogo realizado hoje, 23 de abril, na Cúria Diocesana, sobre o assunto, determino ao padre Beto a retirar de imediato tudo o que estiver na mídia, com palavras e imagens relativas a estas suas declarações. Determino a se retratar através do mesmo meio utilizado (site, Facebook e YouTube), no prazo até 29 de abril de 2013, confessando humildemente que errou quanto a sua interpretação e exposição da doutrina, da moral e dos costumes ensinados pela Igreja.
Nossa Diocese, que caminha rumo ao Jubileu de Ouro de sua fundação, encontra-se em oração permanente, suplicando ao Divino Espírito Santo, seu padroeiro, que ilumine nossas mentes e nossos corações para caminharmos na busca da conversão, da santidade, da comunhão e da paz.
Dom Frei Caetano Ferrari, ofm, Bispo Diocesano de Bauru.
Fonte: http://papofeminino.uol.com.br

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 308. JMJ: O Problema é Mais Embaixo.

No Tricentésimo oitavo vídeo da série; "A Palavra do Frei Petrônio", o Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita da Ordem do Carmo, fala sobre a Jornada Mundial da Juventude. “O Problema é mais embaixo”.  Convento do Carmo, São Paulo.  24 de abril-2013

terça-feira, 23 de abril de 2013

Nota da CNBB pela rejeição da PEC 215 .

Na sexta-feira, 19 de abril, por ocasião do encerramento da 51ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em Aparecida (SP), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgou uma nota em que se posiciona contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que transfere ao Congresso a decisão sobre a demarcação de terras indígenas e se opôs à redução da maioridade penal. De acordo com a entidade, a demarcação, o reconhecimento e a titulação de territórios indígenas é dever constitucional do poder executivo.

 
A seguir, a nota na íntegra:

 
Em defesa dos direitos indígenas e quilombolas, pela rejeição da PEC 215

Nós, bispos do Brasil, reunidos na 51ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, em Aparecida-SP, de 10 a 19 de abril de 2013, manifestamo-nos contra a Proposta de Emenda Constitucional 215/2000 (PEC 215), que transfere do Poder Executivo para o Congresso Nacional a aprovação de demarcação, titulação e homologação de terras indígenas, quilombolas e a criação de Áreas de Proteção Ambiental.

Reconhecer, demarcar, homologar e titular territórios indígenas, quilombolas e de povos tradicionais é dever constitucional do Poder Executivo. Sendo de ordem técnica, o assunto exige  estudos antropológicos, etno-históricos e cartográficos. Não convém, portanto, que seja transferido para a  alçada do Legislativo.

Motivada pelo interesse de pôr fim à demarcação de terras indígenas, quilombolas e à criação de novas Unidades de Conservação da Natureza em nosso país, a PEC 215 é um atentado aos direitos destes povos. É preocupante, por isso, a constituição de uma Comissão Especial, criada pelo Presidente da Câmara para apressar a tramitação dessa proposição legislativa a pedido da Frente Parlamentar da Agropecuária, conhecida como bancada ruralista. O adiamento de sua instalação  para o segundo semestre não elimina nossa apreensão quanto ao forte lobby pela aprovação da PEC 215.

A Constituição Federal garantiu aos povos indígenas e comunidades quilombolas o direito aos seus territórios tradicionais. Comprometidos com as gerações futuras, os constituintes também asseguraram no texto constitucional a proteção ao meio ambiente e definiram os atos da administração pública necessários à efetivação desses direitos como competência exclusiva do Poder Executivo.

Todas estas conquistas, fruto de longo processo de organização e mobilização da Sociedade brasileira, são agora ameaçadas pela PEC 215 cuja aprovação desfigura a Constituição Federal e significa um duro golpe aos direitos humanos. Fazemos, portanto, um apelo aos parlamentares para que rejeitem a PEC 215. Que os interesses políticos e econômicos não se sobreponham aos direitos dos povos indígenas e quilombolas.

Deus nos dê, por meio de seu Filho Ressuscitado, a graça da justiça e da paz!
Aparecida - SP, 17 de abril de 2013.

 

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB 

 
Dom José Belisário da Silva, OFM
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Vice Presidente da CNBB

 
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

sábado, 20 de abril de 2013

4º DOMINGO DA PÁSCOA: Ninguém as arrebatará da minha mão (Jo 10,27-30)


Sônia Mota e Nelson Kilpp
Sônia Mota é pastora presbiteriana (IPU) e Nelson Kilpp é pastor luterano (IECLB). Ambos são colaboradores do CEBI. Sônia é coautora de Maria de todas nós e de outros livros.

OLHANDO O CONTEXTO

O texto sobre o qual vamos refletir hoje faz parte do conhecido complexo que trata da relação entre o pastor e o seu rebanho (Jo 10). Busca-se, nesse capítulo, responder à questão: quais são os fundamentos da relação entre Jesus e sua comunidade. O trecho em foco, João 10,27-30, nasce, como tantos outros, do confronto entre Jesus e um grupo de judeus. Discute-se, aqui, como se pode estabelecer uma relação autêntica e duradoura com Deus. Para alguns judeus, o templo é a base desse relacionamento.
O confronto se deu quando Jesus estava no templo por ocasião da Festa da Dedicação ou da Purificação. Essa festa lembrava a purificação do Templo de Jerusalém, na época dos macabeus, três anos após o altar do templo ter sido profanado, ou seja, ter sido usado para oferecer sacrifícios ao Deus maior dos gregos, Zeus. A festa representava, portanto, a expulsão dos elementos estrangeiros do centro religioso da comunidade e a recuperação da identidade judaica baseada na pureza ritual e no exclusivismo étnico e religioso.
O templo  era, sem dúvida, um dos mais importantes elementos de agregação da comunidade judaica e, por isso, da preservação da sua identidade. Mas essa identidade estava sendo ameaçada com as afirmações que Jesus fazia sobre si, sobre Deus e sobre a natureza da relação com Deus. Jesus propunha uma relação com Deus, na qual a fé e a confiança são determinantes. Fé e confiança como base de uma relação de amizade sustentável com Deus e entre as pessoas costumam dispensar normas de pureza e ritos estipulados pela Lei. As pessoas que aderiam a essa proposta de Jesus passaram a desconsiderar as tradicionais normas de vida estabelecidas pela centralidade do templo. Isso podia ser entendido como ameaça à  identidade de diversos grupos no judaísmo.
Nessa controvérsia acerca dessas duas propostas de viver a fé, o evangelho de João vai insistir que identidade e coesão da comunidade somente são possíveis em torno do projeto e da pessoa de Jesus.  A pessoa de Jesus representa, no evangelho, essa nova maneira de construir a relação com Deus baseada na confiança e na amizade e, assim, de criar uma nova identidade que não mais depende das exigências de pureza do templo nem de restrições étnicas e religiosas do judaísmo.

DEGUSTANDO O TEXTO

V.27 As minhas ovelhas conhecem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem.  Conhecer e seguir: esses dois verbos indicam a profundidade da relação entre Jesus e as pessoas que em torno dele se congregam. Conhecer não é apenas algo racional e teórico, mas expressa uma relação existencial, profunda, quase íntima. Conhecer Jesus significa ter experimentado a presença  do Deus que liberta e dá vida plena. Conhecimento baseado na experiência: é isso que dá segurança às pessoas e as impulsiona ao seguimento.  Seguir a Jesus significa aderir a seus ensinamentos e suas propostas e ser cúmplice de seu projeto.  Aderir a essa proposta de relação de confiança com Deus implica vivê-la. É, portanto, uma decisão pelo discipulado.  

V. 28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão e ninguém as arrebatará da minha mão. Em meio a um ambiente hostil, onde diversas vozes se levantavam para destruir a comunidade que começa a se formar, a pessoa de Jesus oferece segurança. As “ovelhas” ameaçadas pelos que querem dispersá-las podem ter a certeza de que não irão ao “matadouro”, pois Jesus já as conquistou com a sua vida para a eternidade. Sua promessa para quem ouvir sua voz e seguir sua proposta é de vida eterna. Num ambiente hostil, a confiança e a fé tornam-se os elementos aglutinadores para os seguidores de Jesus. Fé, confiança e vida solidária dão as forças necessárias para a comunidade continuar resistindo.  
V. 29 Meu Pai, que me deu tudo, é maior que todos; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.  Todas as pessoas que estão coesas e comprometidas em torno de Jesus podem ficar tranquilas e seguras, pois é Ele quem nos protege contra a ameaça de cair em mãos inescrupulosas e escravizadoras. A verdadeira comunidade que segue os princípios de Cristo não poderá ser arrebatada ou destruída, porque  Deus é mais forte do que tudo e todos. Outra versão também é possível: Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo. Nesse caso, pensa-se normalmente na autoridade concedida pelo Pai ao filho. Mas talvez seja possível pensar também na comunidade como o maior bem que Jesus recebeu de Deus. Esse bem precioso ficará bem guardado sob a proteção de Deus.
V. 30 Eu e o Pai somos um.  Esta é a afirmação que causa grande escândalo entre os judeus e que faz do cristianismo uma fé singular: é na humanidade de Jesus de Nazaré que  encontramos Deus em sua concretude e humildade. É na vida, nos ensinamentos, nas ações, no comportamento, na paixão, na morte e na ressurreição de Jesus que Deus se revela aos seres humanos. Em e através de  Jesus, Deus se fez presente e se revelou a toda humanidade. Na comunhão dos que buscam uma vida que se assenta na confiança em Deus e na solidariedade entre as pessoas, ele continua a manifestar-se ainda hoje.

AMPLIANDO A MENSAGEM 

Ouvir, conhecer, confiar e seguir são atitudes fundamentais para o discipulado.  Jesus não é um senhor de escravos, que domina, coloca o cabresto ou prende suas “ovelhas” dentro do curral. Em sua vida mostrou-se como quem está a serviço dos que o seguem, que se interessa pelo bem estar de suas ovelhas, que caminha junto com elas e as conduz em e para a liberdade. A sua relação com as pessoas  está baseada na  confiança e não na  troca de favores ou na manipulação de pessoas em benefício próprio. Em Jesus, o Deus da vida, da misericórdia e da justiça se manifesta e nos convida a segui-lo.
A metáfora das ovelhas representa a vivência coletiva, já que elas não andam sozinhas, mas em grupo. A imagem nos desperta para olharmos para o outro e para a outra. Ela nos convida a romper com o individualismo que nos escraviza. Ela nos chama para a atuação em comunidade, estabelecendo relações de familiaridade, solidariedade e serviço.
Crer é aderir à proposta de Cristo. Isso implica seguimento e compromisso.  Talvez a nossa decisão pelo projeto de Jesus possa redundar em conflitos com mentes prontas e tradições estruturadas. Mas para essas pessoas existe a promessa de que não serão afastadas da comunhão com Deus porque estão guardadas em suas mãos.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

4º DOMINGO DA PÁSCOA: Eu sou o Bom Pastor


Entre os tumultos e violências deste mundo, o verdadeiro pastor faz ouvir a sua voz e dá às suas ovelhas a vida que não mais termina. Rezemos hoje, junto com toda a Igreja, pelas vocações sacerdotais e religiosas - e as seculares também.

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 4º Domingo de Páscoa (21de abril de 2013). A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

Eis o texto.
Referências bíblicas:
1ª leitura: Atos 13, 14.43-52
2ª leitura: Apocalipse 7, 9.14b-17
Evangelho: João 10, 27-30

Voz do Pastor, palavra do Pai

Aceitemos deixar-nos levar pela imagem do pastor de antigamente, herdeiro das grandes figuras do Gênesis e do Êxodo: Abraão, Isaac, Jacó, Moisés. Condutores de rebanhos e condutores de povos. O pastor caminha na frente, o rebanho o segue. Por que esta docilidade? Porque as “ovelhas” reconhecem a voz do pastor. Isso significa que identificam o pastor como sendo a Palavra que faz com que existam e que, sendo lógica consigo mesma, seguirá fazendo-as existir. O Salmo 23 fala de verdes pastagens e de águas tranquilas para se aplacar a sede; resumindo, fala do alimento, isto é, do que torna a vida possível. O evangelho nos fala de “vida eterna”. A voz do pastor é a voz do Pai, pois eles são apenas um; é a voz criadora que, em Gênesis 1, ordena aos seres que existam e eles existem. Isto significa que Aquele que nos funda continua a nos fazer existir e a nos levar até a última verdade do nosso ser. Todos os que escutam a sua voz, esta voz que nos revela ser o amor esta verdade, a natureza mesma de Deus, não haverão de morrer, pois, pelo amor, terão entrado já no próprio Deus. A voz do pastor fala sem cessar dentro de nós, e nós não a sentimos como estranha, pois foi dela mesma que nascemos. O pastor conhece as suas ovelhas e, como diz o versículo 14 (fora da leitura), também as ovelhas o conhecem. Em Cristo, estamos em nossa casa.

A dança das imagens

As imagens bíblicas não são definições. Elas sugerem, viajam... É preciso fazê-las nossas. Por que nossos textos falam unicamente de ovelhas, no feminino, e de cordeiros, na infância, mas nunca em carneiros? Sem dúvida, porque o carneiro evoca o gosto pela luta e pela violência, enquanto as ovelhas e os cordeiros simbolizam a doçura, a vulnerabilidade e até mesmo a inocência. Ovelhas e cordeiros são devorados pelos lobos todos da terra e, no entanto, não fazem mal a ninguém. Quanto ao pastor, vemos aqui algumas mudanças importantes. No versículo 3, fora da leitura, o pastor faz as ovelhas saírem, levando-as “para fora”. É a imagem do Êxodo, do acesso à liberdade, do caminho para o alimento e para a vida. De repente, no versículo 7, o pastor que faz sair torna-se aquele através de quem se pode sair: torna-se ele mesmo a porta. Na segunda leitura, o pastor, que é aquele que conduz, torna-se o cordeiro, aquele que é conduzido. Ou bem mais que isto: aquele que é imolado. Tudo isso só é compreensível à luz da Paixão e da ressurreição do Cristo. Aí, os contrários de fato se trocam: o primeiro se torna o último, o justo conhece o destino do culpado, a vida ganha a aparência da morte. O Cristo nos abre de fato as portas da morte, mas é por ele que é preciso passar; segui-lo em sua Páscoa. Ele é, com efeito, a vida e o caminho para a vida, a nossa última verdade. Ainda mais uma imagem desconcertante: temos que lavar as nossas vestes no sangue do cordeiro (2ª leitura). Curioso este saponáceo! Esta imagem não nos fala de outra coisa que não seja a nossa entrada na Páscoa do Cristo.

“Ninguém as arrebatará de minha mão”

A mão do Cristo é também a mão do Pai, pois eles são apenas um. Isto significa que nada no mundo pode nos impedir de seguir o Cristo. Por quê? Porque, por pior que seja a situação que qualquer um de nós possa conhecer, ele já a atravessou. Por todo lado erguem-se cruzes, sob as mais diversas formas. Mas seja o que quer que tenhamos que sofrer, vamos encontrar sempre aí o Cristo crucificado. Ele morreu de nossa morte e, por isso, cada uma das nossas mortes torna-se a sua, tendo como termo a vida eterna e a glória. No que diz respeito a tudo o que temos que suportar nesta vida, está muito bem, pensarão alguns; mas, e quanto às nossas insuficiências, traições, omissões... Em resumo, quanto ao pecado? Aí é que nos espera o mais desconcertante: a cruz do Cristo é a culminância da perversidade humana, é a superabundância do pecado. E é disto que o Cristo se utiliza para nos fazer entrar na vida. Aí o nosso mal perde o seu aguilhão mortal. A morte perece em sua própria vitória. Morte sim, mas morte da morte, autodestruição do mal. Não tenhamos, portanto, medo de mais nada. Eis-nos aqui diante da vida, diante de Deus, com as mãos vazias, sem títulos que fazer valer, sem méritos, sem justiça, mas se aceitamos esperar na paz, Ele é que encherá as nossas mãos. “Pois estou convencido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem os poderes, nem a altura, nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus” (Romanos 8,38-39). No amor, tudo, até mesmo o que há de pior, é usado para o nosso bem (ver Romanos 8,28).

sábado, 13 de abril de 2013

3º DOMINGO DA PÁSCOA: O amor em primeiro lugar (Jo 21,1-19)


Frei Carlos Mesters, Lopes e Orofino


OLHAR DE PERTO AS COISAS DA NOSSA VIDA
No texto de hoje, vamos meditar o último diálogo de Jesus com os discípulos. Foi um reencontro celebrativo, marcado pela ternura e pelo carinho. No fim, Jesus chamou Pedro e perguntou três vezes: "Você me ama?" Só depois de ter recebido, por três vezes a mesma resposta afirmativa é que Jesus deu a Pedro a missão de tomar conta das ovelhas.  Para poder trabalhar na comunidade Jesus não pergunta se sabemos muito. O que ele pede é que tenhamos muito amor! Vamos conversar sobre isto.


SITUANDO
O capítulo 21 é um apêndice. A conclusão do capítulo anterior encerra tudo. O livro estava pronto. Mas havia muitos outros fatos sobre Jesus. Se fossem escritos, um por um,  "o  mundo não poderia conter os livros que se escreveriam". Por isso, por ocasião da edição definitiva, alguns destes "muitos outros fatos" sobre Jesus foram selecionados e acrescentados, muito provavelmente, para clarear os novos problemas do fim do século I.

Eis a lista dos fatos acrescentados no apêndice:
1. Jo 21,1-3: A volta à pescaria: o difícil trabalho da evangelização
2. Jo 21,4-8: A pesca abundante: a palavra de Jesus faz crescer a comunidade
3. Jo 21,9-14: A celebração da ceia, presidida por Jesus que une a todos
4. Jo 21,15-17: O primado do amor no centro da missão
5. Jo 21,18-23: A discussão em torno da morte de Pedro e do Discípulo Amado
6. Jo 21,24-25: A nova conclusão do Quarto Evangelho.

Os outros evangelhos contêm episódios semelhantes a estes e foram conservados no apêndice do Evangelho de João. Mas eles os colocaram em outros momentos da vida de Jesus. Por exemplo, Lucas situa a pesca abundante bem no começo. Mateus coloca a missão de Pedro no fim da permanência na Galileia.


COMENTANDO
João 21,1-3: "Vamos pescar!" - retrato de um início difícil
Duas coisas chamam a atenção. A primeira é que os discípulos passaram a noite toda pescando e não apanharam nada. Isto significa que o começo do anúncio da Boa Nova, logo depois da morte e ressurreição de Jesus, não foi fácil. Muito trabalho e pouco resultado! Pouco peixe na rede. Mas eles continuaram tentando. Não desanimam. Têm perseverança. A segunda é que eles ainda não se dispersaram e continuam unidos, apesar das dificuldades. Então quase todos aí. Pedro, na frente, que toma a iniciativa. Junto dele Tomé, Natanael, Tiago e João, mais dois outros, cujos nomes não são revelados, e o discípulo a quem Jesus amava.

João 21,4-6: Nova ordem de lançar a rede
De manhã cedo, quando vêm voltando da pescaria frustrada, Jesus está na praia, mas eles não o reconhecem. Depois de ter constatado que não tinham pescado nada, Jesus manda lançar novamente a rede. Lançaram, e ela ficou tão cheia de peixes, que não deram conta de puxá-la. É a palavra de Jesus que faz crescer a comunidade!  É a mesma abundância que já notamos quando Jesus mudou água em vinho e quando multiplicou os pães no deserto.

João 21,7-8: O amor é capaz de reconhecer Jesus
Vendo o resultado da pesca, o Discípulo Amado disse a Pedro: "É o Senhor!" O amor é capaz de reconhecer a presença de Jesus nas coisas que acontecem na vida. Ouvindo isso, Pedro, que estava nu, colocou uma roupa no corpo e pulou na água. É o Discípulo Amado que abriu os olhos de Pedro. Quando Pedro descobre a presença de Jesus, descobre também que ele mesmo está nu. Como diz a Carta aos Hebreus: diante de Jesus, a Palavra de Deus, "não há criatura oculta à sua presença, mas tudo está nu e descoberto" (Hb 4,13). Descobrindo Jesus, Pedro se reencontra consigo mesmo. Ele se refaz (coloca a roupa) e se torna capaz de enfrentar o mar. Estavam perto da margem. Os outros vêm atrás do barco, arrastando a rede cheia de peixes.

João 21,9-14: A celebração da ceia, presidida por Jesus que une a todos
Chegando à praia, descobrem que Jesus já tinha preparado uma refeição com pão e peixe assado nas brasas. Jesus manda trazer mais uns peixes dos que foram apanhados na rede. Pedro sobe no barco e arrasta a rede para a terra. Fazendo as contas, eram 153 peixes grandes, e, "apesar de serem tantos, a rede não se rompeu". Tudo isto tem um valor simbólico muito grande. A rede simboliza a Igreja. É Pedro que arrasta a rede, mas é o Discípulo Amado que reconhece Jesus. Alguns acham que tudo isto se refere a um fato que aconteceu no fim do século I. Diante das perseguições cada vez mais fortes contra os cristãos, as comunidades do Discípulo Amado com seus 153 membros uniram-se às outras comunidades coordenadas pelos outros apóstolos. E aí todos juntos fizeram uma grande celebração da unidade, em cujo centro estava o próprio Senhor Jesus, preparando a Ceia.

João 21,15-19: O amor no centro da missão
Terminada a refeição, Jesus chama Pedro e pergunta 3 vezes: "Você me ama?" Três vezes, porque foi três vezes que Pedro negou Jesus. Depois de três respostas afirmativas, Pedro recebe a ordem de tomar conta das ovelhas. Jesus não perguntou se Pedro tinha estudado exegese, teologia, moral ou direito canônico. Só perguntou: "Você me ama?" Foi nessa hora que Pedro se tornou também "Discípulo Amado". O amor em primeiro lugar. Para as comunidades do Discípulo Amado, o que sustenta o primado e mantém as comunidades unidades não é a doutrina, mas sim o amor. 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

OLHAR O PASSADO COM OS PÉS NO FUTURO: Revista, “O Mensageiro da Família Carmelitana”.

VENHA CONHECER
Mosteiro "Flos Carmeli" de Jaboticabal (SP)
 Ir.Maria do Carmo S.Moraes O. Carm. - Priora.
             Poucos imaginam como cada dia num Mosteiro é tão diferente do outro e tão cheio de acontecimentos, não? !!!
            Em julho, com início no dia 17, realizou-se mais um INTERCAB (Intercâmbio dos Carmelitas do Brasil no Rio de Janeiro, no "Carit" (Casa de Retiros de nossas queridas Irmãs Carmelitas da Divina Providência) com a participação de nossas Irmãs Tânia e Maria Ondina.
            Após o Intercab, deu-se no mesmo local o Encontro para Formadores Carmelitas da América Latina, do qual fez parte nossa Irmã Ondina. Foi um acontecimento marcante e de boa repercussão na Vida Carmelitana do nosso Continente.
            Aconteceu no mesmo mês a XVI AGO (Assembleia Geral Ordinária) da CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil), em São Paulo, da qual participou a nossa Priora, Ir. Maria do Carmo e também a Ir. Antônia, a Priora do querido "Mater Carmeli" (nossa fundação de Paranavaí(Pr), que completou um ano no dia 20 de julho de 1992). Foi uma boa ocasião para se reencontrarem!
            Em nosso Mosteiro contamos com as presenças agradáveis e muito fraternas de nossos caros irmãos:
                -       Pe. Míceál O'Neill, Conselheiro Geral (11 e 12/08/92);
                -       Pe. Emanuelle Boaga e Ir.Camélia CDP (17 a 22/08/92, para nos dar um curso sobre Reformas no Carmelo);
                -       Frei Válter Rúbens O.Carm. (bondosamente deu duas manhãs de aulas para nosso noviciado, em outubro);
                -       Frei Tito Figueiroa de Medeiros O.Carm. ( de 12 a 17/10/92 deu curso sobre a Reforma Turonense e João da São Sansão);
                -       Revmo.Pe.Geral, que na companhia do nosso Pe.Provincial, Frei Felisberto Caldeira de Oliveira recém reeleito e de Frei Pedro Caxito nos visitou entre 2 e 4 de fevereiro deste e nos animou a vivermos o nosso carisma, tendo Jesus como nossa meta e modelo, imitando Maria, Elias e Eliseu como verdadeiras contemplativas e profetas animadas de constante amor. Ele falou separadamente com o nosso conselho conventual, com toda a comunidade e com as nossas noviças. O nosso ambiente agradou-lhe muito e nós muito mais ainda ficamos felizes com a presença dele
          - Frei Jadival, que reside aqui na cidade, foi sempre presença de irmão entre nós. Deus lhe pague.
            O convívio com cada um trouxe alento novo à caminhada desta pequena comunidade, de maioria jovem, que conta com o apoio e a sabedoria de vida de seus irmãos mais experientes.
            No dia 15 de agosto tivemos a grande alegria de comemorar os 40 anos de entrada da querida Ir.Teresinha Ueda no Mosteiro "Flos Carmeli". A missa solene foi celebrada em nossa Capela por nosso Bispo, Dom Luiz Eugênio Perez e concelebrada por 3 padres diocesanos e o bom irmão Frei Jadival O.Carm. responsável pelos postulantes carmelitas do Convento do Carmo de Jaboticabal. Por tudo demos graças a Deus!
            Também participamos a todos que, devido a tantas dificuldades que temos enfrentado, voltamos a confeccionar paramentos: os bordados são muito bonitos e bem feitos, pois nossas bordadeiras têm revelado seus talentos!
Louvado seja Deus! Isso muito anima nossa comunidade!
            Terminando, desejamos a cada um a Vida Abundante, Libertadora e Feliz de JESUS! Nossa Mãe Santíssima do Carmo interceda por todos, para que gozem de boa saúde e de força para continuar a caminhada do Carmelo com entusiasmo amoroso!

terça-feira, 2 de abril de 2013

Perdoar ajuda a se conectar com emoções positivas


 Por Lilian Graziano 

 
"O perdão é um dos exercícios que se faz em busca de emoções mais positivas" Às 11h30 da noite, depois de todas as luzes apagadas, todos na cama: o vizinho bate à porta. Em tom belicoso, diz que o gato daquela casa fez cocô em seu jardim.

Não contente com a atitude compreensiva do morador, que já pensava em providências, ele diz que tem fotos do gato. E manda que, no sereno, o morador vá limpar seu jardim. Esse não concorda com a agressividade do vizinho, mas não diz: conta até 10, sabe que está errado - naquele condomínio os gatos não podem passear pelas casas. E vai limpar o jardim, mesmo achando grosseira a abordagem.

Não pensou o vizinho que isso seria desnecessário: bastava que informasse o problema (e não às 11 da noite) e tudo poderia ser resolvido para que não acontecesse mais. E ainda restavam as medidas civilizadas: informar o condomínio para que as multas fossem aplicadas, sem desgastes entre vizinhos.

Mas o morador limpa tudo e se desculpa, várias vezes. Tanto que o vizinho fica sem graça. Afinal de contas, ele estava armado: calcanhares duros, atitude pensada para acordar todos naquela casa, voz empostada... ah, e tinha as fotos do gato, seja lá o que fosse fazer com isso. Tudo levava a crer que ele queria só briga.

Quantas não são as situações assim, em que nos munimos e nos preparamos para verdadeiras guerras, quando os motivos são tão bobos quanto um cocô no jardim? Trata-se de um estresse que muitas vezes nada acrescenta ao outro, nem a si. Às vezes porque o outro nem liga, não vê importância no que se reivindica.

Também não são as atitudes impositivas, violentas que mudarão o comportamento ou o modo de pensar do indivíduo a quem se dirige toda a munição. É fato que a agressividade dissolve a validade de qualquer argumento.

Para evitar o comportamento bélico no cotidiano, é preciso economizar no armamento e esbanjar compreensão. Uma discussão pautada no entendimento mútuo das posições é, em qualquer caso, o melhor caminho. Oponentes só existem de fato no xadrez, nos jogos desportivos - e, mesmo assim, com honras de cavalheiros, regras para os embates; nem mesmo a política ou a religião revelam opositores: o que se busca, muitas vezes, são ideais comuns, como a sobrevivência e Deus.

Não à toa, a generosidade é uma das forças pessoais descritas pela Psicologia Positiva (veja aqui), assim como o amor. E o perdão é um dos exercícios que se faz em busca de emoções mais positivas. Por que não aplicá-los nas pequenas coisas do dia a dia?

Na situação entre o morador e o vizinho, tudo parece ter sido exercitado, ainda que em descompasso: o primeiro foi gentil, quando podia ter sido extremamente grosseiro - generoso à medida que compreendeu a chateação do vizinho diante da regra infringida. O segundo, perdoou - ao ver o morador consternado, relevou, desarmou-se. E por que não se evitou, então, o estresse da primeira impressão, do chamado tarde da noite e da coerção para limpar o jardim?

Precisamos nos preparar para a convivência pacífica e entender que primeiro vem os argumentos, a compreensão e os instrumentos civilizatórios, como as leis e o voto para resolver os impasses. E depois vem todo o resto, sempre como atitude desesperada para defender uma posição ou um ponto de vista. E usando a máxima do profeta José Datrino (ou profeta Gentileza ou José Agradecido), um talvez sábio andarilho que passou pelo Rio de Janeiro e por outras cidades brasileiras, a filosofar sobre o comportamento humano: GENTILEZA GERA GENTILEZA. E assim caminhará a humanidade, rumo a atitudes mais generosas, nas pequenas coisas e, como consequência, nos grandes feitos, rumo à paz mundial.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

É a política, Francisco!

“O caminho dos fatos ditará a direção que o novo pontificado vai seguir: se entrará em uma disputa pela conservação do povo em sua generalidade abstrata, consolidando os postulados conservadores da Igreja, ou se modificará seus fundamentos, apontando, a partir da ruptura do protocolo, para a parte que corresponde à Igreja, respondendo às necessidades religiosas das minorias e produzindo novas condições de governabilidade”. A análise é de Diego Ezequiel Litvinoff, em artigo publicado no jornal Página/12, 28-03-2013. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Uma vez superada a euforia e a emoção da posse, o Papa Francisco deverá administrar o Vaticano. Embora por suas características este governo se diferencie de seus pares europeus, suas situações de crise são similares. E não se trata unicamente de problemas econômicos, mas do que eles manifestam: uma verdadeira crise de governabilidade.
Em seu último livro editado na Argentina, Opus Dei. Arqueologia do ofício, Giorgio Agamben [a sair no Brasil na segunda quinzena de abril] assinala que a forma moderna de governo ocidental encontrou seu paradigma no esquema desenvolvido a partir da institucionalização da Igreja. A necessidade de formar um corpo permanente de sacerdotes se chocava com o caráter de comunidade carismática da Igreja primitiva, fundada sobre os princípios cristãos entendidos como acontecimentos. Para resolver esse dilema, os Padres da Igreja – remetendo-se a um marco conceitual que tem suas raízes em práticas públicas gregas e reflexões filosóficas estoicas – definiram a função sacerdotal com a palavra officium. Este termo indica uma tarefa que só se cumpre ao realizar os atos que lhe competem enquanto instrumento da economia divina, o que significa que “o sacerdote é aquele ente cujo ser é imediatamente uma tarefa e um serviço, isto é, uma liturgia” (p. 136).
A importância que Agamben outorga a este conceito está em que este funda, na história ocidental, uma nova ontologia. Diferenciando-se das ações definidas na Antiguidade, o officium refere-se a uma tarefa cujo único conteúdo é sua efetualidade, dado que o importante já não é “como é preciso ser para obrar”, mas que, pelo contrário, o que se coloca em jogo é “como é preciso obrar para ser”.
É essa ontologia que a modernidade tomou como paradigma e que funda a situação de governo que lhe é própria, constituindo-se assim o modelo de conduta de toda a instituição moderna, que “trata de distinguir o indivíduo da função que exerce, de modo a assegurar a validade dos atos que cumpre em nome da instituição” (p. 42). Mas é essa mesma ontologia, que chega à sua máxima expressão durante o neoliberalismo, que, segundo Agamben, está perdendo seu poder. Não é casual, então, que a crise de governo encontre na Igreja um de seus epicentros.
O novo Papa provém de um continente que deu respostas inovadoras a esta crise de governabilidade. Com líderes que se envolveram pessoalmente em sua atividade, revalorizando a político como reitora da economia, dando relevância à palavra e conteúdo aos gestos e deixando literalmente sua vida nela, a América Latina redefiniu a ontologia efetual. O poder político já não se concebe nestas terras como uma função que representa um país em sua totalidade. Intrincada em uma complexa luta de interesses, a política assume sua condição de parte, produzindo um espaço que deixa de ser o vazio a partir do qual se administra os recursos, para cumular-se de uma parcialidade. O sujeito que o ocupa deixa de ser um instrumento e coloca sua assinatura nele. Se o preço que paga por isso é ser um homem comum em circunstâncias excepcionais, esse homem comum, com nome e sobrenome, pode assumir a representação do povo, do qual nunca deixou de fazer parte, e que, longe de assumir uma totalidade abstrata, se define fracionando-se, a partir das diversas minorias.
Sendo uma das partes do conflito de poder na Argentina, não obstante, Bergoglio encontrou no discurso impessoal do acordo e na necessidade do diálogo uma arma para fazer valer os interesses de seu setor. À frente do Estado do Vaticano, diálogo e acordo solicitarão os que cometerem os crimes mais atrozes. Nesse mesmo sentido se pode entender a humildade e o culto à pobreza, que, sendo tão antigos quanto a religião, se assemelham àquilo que Angela Merkel propõe à Europa. Outros sinais, no entanto, permitem vislumbrar uma mudança, como o longo encontro que teve com Cristina e sua referência à América Latina como a Pátria Grande.
Quando Francisco, ao tomar posse, rompeu o protocolo e se aproximou de seus fiéis, não apenas transmitiu um sinal simbólico. Colocou em crise uma função que é 100% protocolar. O caminho dos fatos ditará a direção que o novo pontificado vai seguir: se entrará em uma disputa pela conservação do povo em sua generalidade abstrata, consolidando os postulados conservadores da Igreja, ou se modificará seus fundamentos, apontando, a partir da ruptura do protocolo, para a parte que corresponde à Igreja, respondendo às necessidades religiosas das minorias e produzindo novas condições de governabilidade.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.b

A festa da Páscoa é a festa mais importante da Liturgia Católica

† Orani João Tempesta, O. Cist.. Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

A solene celebração da Ressureição do Senhor Jesus Cristo – Páscoa – está para o ano litúrgico da mesma forma que o domingo para a semana. É a festa mais importante da Liturgia Católica. Por isso também se diz que cada domingo é uma celebração pascal.

O Missal Romano nos educa perfeitamente na celebração do mistério pascal em suas normas universais sobre o ano litúrgico: “O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa com a missa vespertina na Ceia do Senhor, tem seu centro na Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do domingo da Ressurreição”.

Voltemos um pouco ao passado para compreender a Liturgia Pascal. A Ásia Menor celebrava a Páscoa no dia 14 de Nisan, já as Igrejas que seguiam a tradição romana celebravam a Páscoa no domingo seguinte a esta data. As duas primeiras homilias da Páscoa remontam do século II. A primeira é de Melitão de Sardes (entre os anos de 165 e 185), porém não se tem a autoria da segunda. Na homilia de Melitão, dividida em três partes, há no centro a reflexão de que a Páscoa judaica já não é fato, pois a verdadeira Páscoa é apresentada na vitória de Jesus sobre o pecado e a morte. Ali se dá a síntese da história da salvação de toda humanidade, desde a criação até a parusia.

Buscando compreender o termo Páscoa, façamos um olhar atento à herança da cultura da época. A palavra Pascoa é uma transliteração do aramaico “paschá”, no hebraico “pesah”, e do grego “pasjein”. O Antigo Testamento apresenta o termo 49 vezes, indicando o rito da lua cheia da primavera em 34 vezes, e em 15 vezes cita o “cordeiro imolado”.

O termo Páscoa lembra a passagem dos judeus pelo Mar Vermelho e o deserto até a entrada na terra prometida. Para os cristãos, esta “passagem” testemunha o movimento da humanidade que migra do pecado à graça da salvação que se dá pela paixão, morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo.

A Liturgia Católica apresenta uma riqueza de ritos neste período em preparação à Páscoa. Desde a Quaresma, Domingo de Ramos até culminar na celebração da Vigília Pascal, que apresenta quatro momentos importantes: celebração da luz, liturgia da palavra, celebração batismal ou renovação das promessas batismais e a celebração eucarística.

Porém, a Páscoa é prorrogada durante a oitava e continua sendo festejada por um período litúrgico chamado de Tempo Pascal, que vai até o Domingo da Ascensão e culmina com a solenidade do dia de Pentecostes, a descida do Espírito Santo sobre a comunidade dos Apóstolos, e hoje estendida a todos nós. Assim, pelo batismo somos os continuadores da presença do Cristo ressuscitado. Depois, a Páscoa é sempre recordada em cada domingo do calendário litúrgico.

A Literatura Católica é muito rica e vasta, com conteúdos que ajudam os fiéis a compreender essa solenidade, como por exemplo, podemos ver alguns itens apresentados no Catecismo da Igreja Católica: “O mistério Pascal no tempo da Igreja, O mistério Pascal nos Sacramentos da Igreja, A celebração sacramental do Mistério Pascal”. Além disso, outros documentos do magistério da Igreja intensificam a reflexão do mistério pascal.

O mistério pascal, conforme o Novo Testamento, mostra o Reino de Deus oculto às massas, mas revelado aos eleitos. Nos escritos de São Paulo Apóstolo, refletimos a salvação que Deus oferece à humanidade de todos os tempos, realizada em Cristo e confiada seguidamente aos apóstolos e a toda Igreja para que se tornem discípulos missionários no anúncio desta realidade salvífica a todos os fiéis.

Acontece uma dinamicidade entre três elementos muito importantes no Mistério Pascal: a) situação de morte, b) a vida que brota da morte, c) a intervenção especial de Deus. Assim, a vida que brota da morte cria a consciência de uma nova criação. Do mesmo modo que fomos criados, fomos redimidos, portanto, “recriados”, saindo dos pecados provocados pelos apetites desenfreados.

Devemos, porém, nos voltar para o mistério salvífico entre Deus e a humanidade, que se dá na doação da vida de Jesus pela humanidade. A primeira aliança foi a libertação do povo israelita da opressão do Egito. A nova e eterna aliança é tirar a humanidade do peso do pecado, libertando-a definitivamente do mal.

Depois de dois milênios, continuamos todos inseridos no mistério da Páscoa – a ressurreição – que já nos é presenteada pelo nosso Batismo e vivência fiel aos sacramentos. Nestes dias, vimos pelos meios de comunicação as diferentes manifestações da Paixão por todo o Brasil. Tivemos celebrações litúrgicas, momentos devocionais populares e manifestações culturais. A época é tão importante que todos manifestam a seu modo um pouco de sua realidade e esperança. Cada lugar fez de acordo com sua tradição e costume. Aqui no Rio de Janeiro também procuramos valorizar a importância da arte. Meus agradecimentos a tantos que celebraram liturgicamente estes momentos profundos e as belas manifestações populares. Parabéns, também, a todos os artistas e músicos que se apresentaram tanto nos Arcos da Lapa como em tantas paróquias e comunidades de nossa Arquidiocese.

Somos chamados a viver a Páscoa e viver como discípulos missionários de Cristo, hoje testemunhando sua Ressurreição! Que esta Páscoa nos renove na caminhada por um mundo de paz e fraternidade, preparando-nos para sermos uma Igreja viva e ressuscitada, quando em julho receberemos os irmãos jovens de todos os continentes para ouvir o nosso querido Papa Francisco que estará conosco.

A Páscoa continua sendo celebrada durante a oitava, como também no tempo pascal e em toda a liturgia da Igreja. Caríssimos, desejo-lhes uma FELIZ E SANTA PÁSCOA!

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

terça-feira, 26 de março de 2013

As religiosas e Francisco

             Elas são as "irmãs" norte-americanas que aderem à Leadership Conference of Women Religious, a associação que reúne 57 mil religiosas, ou 80% das irmãs católicas dos EUA. "Eu tenho uma grande esperança no novo pontífice", confessa Nancy Silvester, irmã do Imaculado Coração de Maria, observando que há "sinais positivos, como a sua atenção pelos pobres e a sua compaixão". Sinais de que ele pode ser "um papa mais empático". A nota é de Giacomo Galeazzi, publicada no blog Oltretevere, 22-03-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Elas foram postas "sob observação" por parte de algumas comissões do Vaticano por causa da sua abertura sobre questões como o aborto e a homossexualidade. E elas estão na mira da Congregação para a Doutrina da Fé desde 2009 por causa de "excessivo compromisso com questões de justiça social" que as teria afastado de dogmas considerados cruciais pela Igreja de Roma.

Agora, as irmãs norte-americanas esperam que o Papa Francisco, o primeiro pontífice jesuíta, seja portador de um novo rumo também para elas. O próprio arcebispo de Nova York, o cardeal Timothy Dolan, defendeu que o Papa Francisco trará um "novo frescor" para abordar aqueles pontos delicados que muitas vezes viu as irmãs norte-americanas e o Vaticano em posições contrastantes.

Mas "é muito cedo para dizer se ele usará uma mão mais leve" com relação à conferência das irmãs dos EUA. "Eu penso – acrescentou Dolan – que a mensagem do pontífice será: não tenham medo, falemos abertamente, estejamos todos no mesmo caminho juntos e que possamos aprender uns com os outros".

O fato é que o Vaticano lançou uma profunda reforma da Leadership Conference of Women Religious depois de ter decretado que as irmãs haviam tomado posições em desacordo com a Igreja sobre questões como a homossexualidade, o celibato. E promovendo "visões feministas radicais incompatíveis com o catolicismo".

O arcebispo de Seattle, Peter Sartain, e outros dois prelados norte-americanos estão reescrevendo o estatuto da Conferência, de modo a assegurar que o grupo siga fielmente as indicações da Igreja de Roma.

Permanece firme, porém, o protesto das irmãs, que defendem que o Vaticano "chegou a conclusões equivocadas com base em acusações não comprovadas". Quem expressa um otimismo cauteloso com relação a um novo curso é agora a Ir. Simone Campbell, diretora do Network, um grupo de irmãs norte-americanas que lutam particularmente pela justiça social: "É um momento de expectativa sobre o que o Papa Francisco irá fazer. Certamente, um pontífice que conhece a vida nas ordens religiosas como ele pode fazer uma grande diferença".