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A Palavra do Frei Petrônio

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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Os Crucificados reconhecem seu Reinado.


O povo permanecia aí, olhando. Os chefes, porém, zombavam de Jesus, dizendo: «A outros ele salvou. Que salve a si mesmo, se é de fato o Messias de Deus, o Escolhido!»
Os soldados também caçoavam dele. Aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre, e diziam: «Se tu és o rei dos judeus, salva a ti mesmo!» Acima dele havia um letreiro: «Este é o Rei dos judeus».
Um dos criminosos crucificados o insultava, dizendo: «Não és tu o Messias? Salva a ti mesmo e a nós também!». Mas o outro o repreendeu, dizendo: «Nem você teme a Deus, sofrendo a mesma condenação? Para nós é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal». E acrescentou: «Jesus, lembra-te de mim, quando vieres em teu Reino». Jesus respondeu: «Eu lhe garanto: hoje mesmo você estará comigo no Paraíso».
Evangelho de Lucas, 23, 35-43. (Correspondente à Festa de Cristo Rei, ciclo C, do Ano Litúrgico).
O Ano Santo da Misericórdia que iniciou com a abertura da Porta Santa na Basílica de S. Pedro no dia 8 de dezembro de 2015, Solenidade da Imaculada Conceição, encerra neste domingo, Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo.
Um ano centrado na Misericórdia de Deus como disse o Papa Francisco: “Deus abre o coração e a esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do pecado”. (Cfr Misericordiae Vultus)
O texto evangélico oferece um testemunho da misericórdia, como diz Andrea Grillo ao comentar o conceito que orienta o Ano Santo Extraordinário: “A misericórdia é o horizonte do perdão”, porque a “‘dependência do outro’ é a condição para se desejar, em primeiro lugar, a comunhão com o outro”. “Passa, inevitavelmente, por uma profunda redescoberta do ‘outro’”, no sentido de “ser capaz de ‘tirar os sapatos diante da terra sagrada do outro”. (Leia a entrevista completa aqui)
O Evangelho de Lucas apresenta-nos Jesus Crucificado e diferentes pessoas ao seu redor. Acima da cruz havia um letreiro onde estava escrito: Rei dos Judeus.
No primeiro parágrafo que lemos temos uma clara descrição da cena. Jesus na cruz e diferentes grupos de pessoas. Imaginemos essa situação.
Está o povo que fica olhando. Imaginamos que alguns olhavam Jesus crucificado, sem entender o que tinha acontecido e lembrando muitas coisas “dessa pessoa” que agora estava na sua frente sofrendo os tormentos de uma cruz. Uma sucessão dos fatos muito fugazes levaram seu profeta e mestre a estar agora condenado como um pecador! Tudo se desenvolveu depressa, quase sem perceber.
Outros dirigiam sua mirada a Maria. Sua serenidade e paz no meio da sua dor gerava neles confiança em Deus e uma paz incompreensível para estar ali. Como era possível que essa mulher tivesse tanta calma nessa situação? Ela trazia-lhes a lembrança de Jesus orando ao Pai, narrando parábolas e em tantos outros momentos dos três anos vividos juntos.
Outras pessoas dirigiram seus olhares ao seu redor por medo. Será que todos/as iam acabar como ele? Tudo era mentira? Porém a memória das curas, da vida recebida estando com ele continuava presente.
No texto aparecem também os chefes que zombavam dele e o ridicularizavam com suas críticas. São os que acreditam saber e eles consideram-se com autoridade para falar. Repetem ironicamente as palavras que mais os incomodavam: ele acreditava ser o Messias: “A outros ele salvou”. “Que salve a si mesmo se é de fato o Messias de Deus, o Escolhido!”.
Sua condenação para eles é justa porque Jesus engana os pobres, os que não têm cultura e, ainda pior, continuamente falava deles, os chefes, como se fossem corruptos e falsos. Além de tudo, "esse falso profeta" tentava convencer o povo de que era enganado com as exigências do culto e das celebrações. Para eles, Jesus lançava dardos de fogo contra uma religião estabelecida há muito tempo com suas leis e costumes.
Aparecem também os soldados que são os que estão a serviço do Império Romano. Estes não o conhecem muito, mas são os que neste momento estão realizando sua tarefa. Também caçoavam dele. “Aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre, e diziam:“Se tu és o rei dos judeus, salva a ti mesmo”!” Se unem aos chefes na burla e no escarnecimento. Oferecem-lhe vinagre para sua sede.
E ao final desta primeira cena disse que “Acima dele havia um letreiro: Este é o Rei dos judeus”.
Podemos perguntar-nos: para onde dirigimos nosso olhar diante de Jesus Crucificado? Se olharmos para ele, que significa na nossa vida considerá-lo Rei? Como é seu reinado que estamos chamados a imitar?
 dois criminosos crucificados junto com Jesus, que dialoga com eles. Um deles está preocupado por ser liberado dos tormentos da cruz e nas suas palavras percebemos ironia: “Não és tu o Messias? Salva a ti mesmo e a nós também!”. Ele se soma às críticas dos judeus sobre o Messias e o poder que um Messias devia ter para eles.
Mas o outro criminoso repreende-o: “Nem você teme a Deus, sofrendo a mesma condenação?”. ” Para nós é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal.”
Ele sabe os fatos que o levaram a estar aí nesse momento, mas também sabe que Jesus não fez nada e por isso é uma injustiça que estejam na mesma situação: os três condenados.
E ainda acrescenta um pedido: «Jesus, lembra-te de mim, quando vieres em teu Reino». Jesus respondeu: «Eu lhe garanto: hoje mesmo você estará comigo no Paraíso». Além de reconhecer sua culpa, ele proclama na pessoa de Jesus o Messias, e por isso pede-lhe para estar no seu Reino.
No meio de sua dor e do reconhecimento dos seus pecados, este ladrão tem uma mirada cheia de fé, e confia em Jesus. Sua pobreza e marginalização o levam a acreditar em Jesus como Rei dos Judeus.
Sua atitude de humildade e pobreza ante Jesus é um claro testemunho de que «Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; pois, para Ele, todos estão vivos» (Lc 20, 38). Revela-nos assim que “esse é o verdadeiro rosto do Pai, cujo único desejo é a vida de todos os seus filhos”. Como diz o Papa Francisco na missa celebrada para os presos na Basílica de São Pedro: “Assim, para ser fiéis ao ensinamento de Jesus, tudo o que somos chamados a assumir e fazer nosso é a esperança de renascer para uma vida nova”. (Leia a Homilia completa do penúltimo Jubileu, os dos encarcerados: “A esperança não pode ser sufocada por nada e por ninguém”
Jesus é aceito e proclamado Rei pelos mais pobres, aqueles que estão crucificados junto com ele. Somos convidados a perguntar-nos se aceitamos seguir o caminho da Cruz que nos apresenta Jesus nesta data. Somente assim podemos reconhecer sua Realeza porque ele não é um rei glorioso, que triunfa diante dos poderes do mundo.
Pelo contrário, seu esplendor é percebido somente por aqueles e aquelas que, desde o sofrimento que experimentam na sua vida, olham para o Crucificado e recebem dele o consolo que acrescenta sua esperança.
Nele vemos realizadas suas próprias palavras: "quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado."(Lc 14,11). O Reinado de Jesus foi o serviço especialmente aos pobres e aos rejeitados da sociedade.
Podemos nos perguntar como olhamos para os/as outros/as, os que sofrem ao nosso lado? Os que padecem a marginalização, a pobreza, o desprezo? Temos um olhar misericordioso e compassivo ou consideramos que temos autoridade para julgar o que é justo e aquilo que é injusto? Nosso olhar é determinado seguindo as normas estabelecidas pela lei?
Peçamos a Paulo que possamos fazer nosso o seu mesmo sentir quando escreve aos Filipenses:
Tenham uma só aspiração, um só amor, uma só alma e um só pensamento. Não façam nada por competição e por desejo de receber elogios, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo. Que cada um procure não o próprio interesse, mas o interesse dos outros. Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo:
Ele tinha a condição divina,
mas não se apegou a sua igualdade com Deus.
Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo,
assumindo a condição de servo
e tornando-se semelhante aos homens.
Assim, apresentando-se como simples homem,
humilhou-se a si mesmo,
tornando-se obediente até a morte,
e morte de cruz!
Por isso, Deus o exaltou grandemente,
e lhe deu o Nome
que está acima de qualquer outro nome;
para que, ao nome de Jesus,
se dobre todo joelho
no céu, na terra e sob a terra;
e toda língua confesse
que Jesus Cristo é o Senhor,
para a glória de Deus Pai. (Fl 2, 2-11)

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