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sábado, 5 de setembro de 2015
OLHAR VOCACIONAL: Frei Ricardo Nunes.
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Artigos do Frei Petrônio de Miranda
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quarta-feira, 2 de setembro de 2015
OLHAR CARMELITANO: Em memória de Frei Caneca, Carmelita.
Pedro
Pomar - 1974
A 13 de janeiro de 1825 - faz exatamente
150 anos - morria fuzilado em Recife, por ordem terminante de Pedro I, Frei
Joaquim do Amor Divino Caneca, grande herói da luta do povo brasileiro pela
independência do jugo colonial português, eminente figura de nossa
intelectualidade revolucionária, nacionalista.
As classes
dominantes relegaram-no ao esquecimento. Chegaram mesmo a escarnecê-lo como fez
o ditador Médici, em 1972, ao mandar passear pelas ruas das capitais dos
Estados os ossos de Pedro I. Nossos pseudo-liberais temem falar sobre ele. Em
contraste, o proletariado revolucionário exalta a sua memória como um dos mais
admiráveis exemplos de combatente da causa da libertação nacional e da
soberania popular. São raras as pessoas que, como ele, revelaram tal grau de
rebeldia militante contra os opressores do país e do povo, tanta intransigência
em face dos inimigos, tamanho destemor perante a morte. As lições de sua vida e
de sua luta são fontes perenes de inspiração para todos os patriotas e
democratas, conservam bastante atualidade.
Frei Caneca nasceu na capital
pernambucana, em 1774, quando no mundo feudal surgiam e se desenvolviam as ideias
burguesas de emancipação política, os conceitos de pátria e de nação e, quando
em terras brasileiras, sob o domínio de Portugal, brotavam os fermentos da
autonomia. Era de origem humilde. O apelido que o honrava adveio do fato de, na
infância, ter ajudado o pai, um tanoeiro, vendendo canecas. Certamente, por
vocação religiosa e pelo desejo de estudar, ingressou na Ordem dos Carmelitas.
Naquele tempo, e durante dezenas de anos depois, a Igreja Católica monopolizava
a cultura na Colônia. Para instruir-se e ascender socialmente, os moços das
camadas mais pobres da oprimida e acanhada sociedade colonial deviam ordenar-se
frades ou padres. Outro recurso era ir estudar em Coimbra, o que só os filhos
dos grandes proprietários e senhores de escravos podiam fazer. No entanto, não
foi a confissão religiosa que converteu, desde os albores do século XIX, o
jovem Frei Caneca num ardoroso partidário da independência do Brasil e dos
direitos do povo. Ao contrário, a Igreja, como instituição reacionária, além de
possuir muitas propriedades e riquezas, sempre esteve umbilicalmente ligada às
classes dominantes, sustentou-as por todos os meios. A verdade histórica é que,
nas jornadas de 1817 e 1824 - as primeiras gloriosas tentativas de nossa
revolução nacional e democrática - Frei Caneca e a brilhante falange de seus
companheiros, a maioria de procedência igualmente humilde, não representavam na
revolução, de maneira alguma, o clero, e sim as forças radicais da sociedade
brasileira. Pertenciam à intelectualidade revolucionária, camada mais avançada
da luta libertadora. Eles sentiram, como ninguém, o quanto era intolerável o
domínio da metrópole portuguesa, o quanto pioravam as condições de vida do
povo. Simultaneamente, recebiam a influência das novas idéias revolucionárias e
tomavam conhecimento da vitória da Revolução Francesa de 1789, dos movimentos
emancipadores dos Estados Unidos, da América espanhola, do Haiti. Daí a decisão
de empunhar com valentia a bandeira da autonomia nacional e das reivindicações
liberais burguesas. De modo coerente, passaram a integrar a ala radical do
"Partido Brasileiro", da união das correntes patrióticas favoráveis à
independência, ala que pregava a liquidação da dinastia dos Bragança, sem
regateios nem conciliações prejudiciais à nação.
Em 1822, depois do famoso grito do
Ipiranga e do acordo que permitiu a Pedro I aparecer à frente do novo Estado
Nacional, a linha da intelectualidade nacionalista, oriunda do clero pobre,
chocava-se com a da Igreja oficial. Enquanto esta, já aderida à situação
criada, acusava Frei Caneca de indisciplina e sustentava que a autoridade de
Pedro I tinha origem divina, ele respondia, denunciando as manobras traidoras
do régulo, seu absolutismo e proclamando que a única e verdadeira fonte do
poder é o povo.
Não apenas como pensador, mas
também por suas qualidades políticas e organizativas, Frei Caneca destacou-se
dentre todos os seus companheiros e contemporâneos. Junto com os padres João
Ribeiro, Roma, Miguelinho, Mororó e dezenas de outros, foi um dos dirigentes da
Revolução de 1817, quando pela primeira vez esteve em mãos de patriotas
brasileiros o poder no país. Ao sobrevir a derrota, se bem que não tivesse sido
enforcado ou arcabuzado, como alguns daqueles dirigentes, padeceu inomináveis
torturas e ficou encarcerado na Bahia até 1821, sob a acusação de ter
conclamado o povo à guerra revolucionária e organizado guerrilhas. Efetivamente,
assim procedeu, expressando opiniões como as que seguem: "Quando a pátria
está em perigo, todo cidadão é soldado, todos devem se adestrar nas armas para
rebater o agressor. Não é bastante, que na ocasião do aperto maior, saiam de
suas casas com algumas pistolas ou facas, ou outras quaisquer armas, sem
disciplina, sem ordem, sem chefe hábil nos negócios da guerra; tal estado de
coisas só pode causar a confusão e a desordem. O tempo é de atropelo, devem
vosmecês atropelar também a economia de suas ações?" Não sem motivo,
tornou-se conhecido, desde então, como o "frade guerrilheiro".
As
posições combativas, revolucionárias, nortearam toda a sua vida. Libertado,
voltou logo a Pernambuco para participar da deposição das autoridades coloniais
e da instauração de um governo provisório provincial até que, no plano
nacional, a Assembléia Constituinte, já convocada, indicasse os verdadeiros
rumos do novo Estado e da nação. Ao saber que Pedro de Bragança se entronizava
como Imperador do Brasil, condicionou seu apoio a esse governante à exigência
de que prevalecesse, na Constituição que se elaborava, a vontade soberana do
povo. Com tal objetivo, fundou, em fins de 1823, o jornal Tifnis Pernambucano.
Defendia a instituição de um regime constitucional, representativo, capaz,
segundo ele, de assegurar a independência recém-conquistada. Afirmava que a
unidade nacional devia ser baseada na autonomia das províncias, de acordo com
as tradições brasileiras e como demonstrava a experiência positiva dos Estados
Unidos da América do Norte. Considerava indispensável que o Brasil se
constituísse numa federação, unida pelos interesses e pelos sentimentos do povo
de todo o país. Percebia que a nação, apesar de jovem, já possuía fortes laços
de solidariedade e condições para sobreviver e progredir, percepção que, ainda
hoje, certos elementos ditos progressistas não alcançaram. Embora jamais
tivesse acreditado no liberalismo de Pedro I, mostrou-se disposto a aceitar o
regime monárquico, contanto que a autonomia das províncias fosse preservada,
assim como respeitada a soberania popular. Por isso, a dissolução pela força da
Assembléia Constituinte encontrou de sua parte firme repulsa. E ao ser
informado da imposição da Carta Constitucional, elaborada nos corrilhos
palacianos, conferindo todos os poderes a Pedro I, escreveu, indignado, a um
amigo: "Não admitimos mais imposturas, conhecemos o despotismo, vamos
decepá-lo".
A Confederação do Equador, de 2 de julho
de 1824, teve em Frei Caneca seu principal cérebro, seu autêntico fundador. A
República sonhada englobaria as províncias do Norte, as quais ficariam unidas
por uma Constituição, cujas bases ele publicara em seu jornal, na véspera da
Revolução. Nesse projeto de Lei Magna, propôs enfaticamente a liberdade
política, a igualdade civil, todos os direitos inalienáveis do homem.
Estabeleceu itens relativos à liberdade de imprensa e de opinião. Destacou,
especialmente, a abolição da escravatura nos seguintes termos: "Todo homem
pode entrar a serviço de outro pelo tempo que quiser, porém não pode vender-se,
nem ser vendido". O conteúdo de seu ideário era nitidamente burguês,
democrático. Não obstante, pareceu muito radical, bastante avançado para aquele
período.
Mas a Confederação do Equador só
conseguiu o apoio das províncias da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Sem a
adesão das demais, sobretudo da Bahia, cujo movimento popular revelara pujança
e combatividade na luta contra as tropas do general português Madeira, a nova
República duraria pouquíssimos meses. De seu lado, o governo imperial tomara incontinenti
medidas para debelar a revolução a ferro e fogo. Cercado por terra e por mar, o
governo confederado não pôde manter-se. A derrota deveu-se, fundamentalmente, a
certas condições internas adversas da época, ao profundo atraso do país.
Diferentemente dos Estados Unidos, onde vencera a Revolução da Independência
com sentido democrático, no Brasil existia ainda um forte sistema
feudal-escravista, que não deixou surgir nem florescer um núcleo numeroso de
colonos livres. Os centros urbanos brasileiros eram então bastante débeis,
distantes e dispersos. Além disso, a revolução não interessou direta e
profundamente ao grosso da massa de escravos. Posto que condenasse formalmente
a escravidão, não pretendia aboli-la imediata e radicalmente, mas sim de modo gradual.
Em suma, por não terem compreendido a importância da participação da grande
maioria da população escrava na luta pela independência, os líderes do
movimento emancipador de 1817 e 1824 fatalmente seriam esmagados pela reação
feudal e escravocrata.
Frei Caneca não
cedeu facilmente. Julgou encontrar no interior de Pernambuco condições
políticas e topográficas propícias à continuação da luta. Como não podia deixar
de ser, enveredou pelo caminho da resistência armada, recorrendo ao método da
guerra de guerrilhas. Mas quase tudo lhe foi hostil. Até uma tremenda seca
contribuiu para obstar-lhe os planos. Suas colunas rarearam cada vez mais
diante das dificuldades. Havia defecções dos que não tinham igual confiança na
vitória. Mesmo sem recursos, passando fome, rompeu diversos cercos, travou
alguns combates com vantagens e penetrou no sertão do Ceará, em busca de apoio.
Só a 29 de novembro, em decorrência da situação insustentável em que se achava,
aceitou a proposta de rendição formulada pelo comandante das tropas imperiais,
em troca do respeito pela vida dos guerrilheiros e do compromisso de que o
governo não faria vinditas.
Dessa forma,
veio a cair nas mãos de Pedro I o mais intrépido defensor da causa emancipadora
e democrática, o patriota que a reação mais temia e odiava. A Justiça Militar,
nomeada a propósito pelo Imperador, empreendeu de imediato seu julgamento
sumário. Frei Caneca não procurou justificar-se, pessoalmente; sustentou com
bravura suas idéias, seu direito à promover a revolução; não claudicou nem se
prestou a qualquer compromisso com os inimigos da pátria e do povo. Compreendia
que Pedro I queria vê-lo rápida e severamente castigado para exemplo dos que se
atrevessem a levantar-se contra a tirania. Seu comportamento altivo e digno,
contribuiu para desmascarar o não cumprimento da promessa de que os
prisioneiros teriam suas vidas poupadas. O desassombrado lutador deveria morrer
na forca - tal a decisão dos juízes militares, antecipadamente tomada.
Longe
de ficar abatido, Frei Caneca, em virtude de sua fibra moral e de suas
profundas convicções, revelou-se mais animoso do que nunca. O desprezo pela
morte, a consciência de cumprir em qualquer circunstância seu dever de
patriota, de sacrificar a vida pelo bem comum, forjaram nele um dos mais belos
e íntegros caracteres de homens públicos populares que registra a história
brasileira. Cantou tais sentimentos em versos como estes:
"O Patriota não morre:
Vive
além da eternidade;
Sua glória, sem renome.
São
troféus da humanidade."
Pouco antes de ser fuzilado, ainda
compôs outro poema que diz:
"Tem fim a vida daquele
Que
a pátria não soube amar;
A vida do
patriota
Não pode o tempo acabar"
O episódio final do seu suplício mostra
até que ponto ia a sanha da repressão. A agonia arrastou-se praticamente por três
dias, nos quais sua figura se agigantou pela coragem, ao passo que a dos seus
verdugos se amesquinhou pela crueldade. Desde o dia 10 de janeiro se haviam
iniciado os preparativos para o enforcamento. Mas, nesse instante, a Igreja
resolveu interceder junto a Pedro I em favor da vida do condenado, solicitando
que a pena capital fosse comutada em prisão. O Imperador, além de recusar,
ameaçou. A Igreja desistiu. Dia 13, pela manhã, já no patíbulo, ele foi
submetido à degradação canônica, isto é, despido de seus hábitos religiosos e
da condição de frade. Entretanto, o preso comum destinado a colocar-lhe o laço
no pescoço, negou-se a fazê-lo. Ali mesmo foi pisoteado, surrado. Outros dois
presos comuns convocados para a mesma bárbara função, também não a aceitaram.
Diante disso, o representante de Pedro I, brigadeiro (como então se chamava ao
general) Lima e Silva, optou pelo fuzilamento. Entrementes, Frei Caneca, que
fora despertado do sono em que estava mergulhado para subir ao patíbulo,
continuava sereno, procurando falar ao povo e auxiliar os carrascos a
terminarem com a execução. Até que o ato infame se consumou.
Há 150 anos do holocausto do grande
herói popular, cumpre às forças revolucionárias não apenas homenageá-lo como
compreender o sentido de suas idéias e de sua luta, assim como continuá-la nas
novas condições históricas. Nesse período, ocorreram enormes transformações no
mundo e em nosso país. O socialismo venceu em alguns países e avança vitorioso,
enquanto o capitalismo está apodrecendo. As contradições sociais e políticas se
aguçaram. No Brasil, as forças que se opõem ao progresso, à democracia e à
independência nacional já não são senhores de terras e escravistas junto com o
colonialismo português, mas sim os latifundiários e a grande burguesia associada
ao imperialismo, sobretudo ao norte-americano. Por outro lado, as forças
interessadas na revolução são outras, muito mais poderosas. O papel que
representam é também diverso do daquele tempo. Agora, apenas uma parte da
burguesia, a não-ligada aos interesses estrangeiros e à reação, pode participar
da revolução, mas não encabeçá-la. Tampouco a intelectualidade progressista,
inclusive a provinda do clero, tem condições de ser a vanguarda revolucionária.
A direção da revolução cabe ao proletariado, através de seu Partido
marxista-leninista. Nessas circunstâncias, o caráter nacional e democrático da
revolução, embora permaneça formalmente o mesmo, ganhou um novo conteúdo. Sob a
liderança da classe operária e na base da aliança operário-camponesa, ela será
inevitavelmente vitoriosa e abrirá caminho para o socialismo.
Todavia,
muitas das idéias e das medidas expostas e propugnadas por Frei Caneca têm
atualidade, estão na ordem-do-dia. Igualmente, o caminho revolucionário, a luta
armada, e a intransigência que preconizou e revelou são fundamentalmente os
mesmos que hoje devemos trilhar e praticar no combate para pôr abaixo a
ditadura militar e varrer com a dominação do imperialismo estadunidense. Honra
e glória eternas ao grande precursor da luta do povo brasileiro pela
independência e pela democracia!
*Artigo de Pedro Pomar, publicado no jornal A
Classe Operária, 1974.
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terça-feira, 1 de setembro de 2015
*ORAÇÃO CRISTÃ COM A CRIAÇÃO.
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A PALAVRA... Nº 980. Encontro da Família Carmelitana-01.
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segunda-feira, 31 de agosto de 2015
FREI PETRÔNIO: Pensamento do Dia. (Segunda, 31).
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domingo, 30 de agosto de 2015
OLHAR CARMELITANO: O chamado de Eliseu (1Reis 19,19-21)
Frei Emanuele Boaga, O.Carm. - Augusta de Castro
Cotta, CDP
A história no seu contexto
A
história do chamado de Eliseu se liga bem com a precedente a ela. Nesta vemos
Elias seguir uma das ordens de Deus (19,16b) e assim agir para desenvolver o processo
que levaria a vitória sobre o baalismo como Deus prometera (19,17). Será Eliseu
que realizará as outras duas ordens: instigou a Hazael para que usurpasse o
trono de Damasco (2 Reis 8,7-15) e a Jeu, o trono de Israel (2 Reis 9,1-13).
Foi durante uma guerra de Hazael contra Jorão, rei de Israel, que Jeu mata
Jorão e se proclama rei no seu lugar (2 Reis 9,14-26). Jeu mata também Jesabel
(2 Reis 9,30-37) e os outros membros da família de Acab (2 Reis 10,1-11).
Enfim, reúne os fiéis de Baal no seu templo, mata-os, destrói o templo (2 Reis
18-27). Assim Jeu exterminou Baal de Israel (2 Reis 10,28) e realiza-se a
promessa que Deus fizera a Elias (1 Reis 19,17).
Interpretação
A ordem
de Deus era a de ungir Eliseu como profeta. Mas os profetas não eram ungidos. O
uso deste termo impróprio no v.19,16 pode-se explicar com o paralelismo, uma
vez que ao nome de Eliseu segue-se o de Hazael e de Jeu, que como reis recebiam
a unção.
Na nossa
história o elemento principal para a eleição de Eliseu não é a unção, mas o
manto de Elias. Talvez que um certo tipo de manto fosse a veste distintiva de
um profeta (2 Reis 2,13-14). Neste caso o manto simboliza sempre a missão da
pessoa e contém os poderes daquele que o usa (2 Reis 2,13-14). Também, jogar o
manto sobre alguém indicava ainda o direito do proprietário do manto sobre a
pessoa que o recebia (ver Ruth 3,9). Então, Elias com aquele seu gesto adquire
um direito sobre Eliseu que começa a servir a Elias (v.21) e ao mesmo tempo o
reveste da sua missão e dos seus poderes como Profeta. Neste sentido pode-se
considerar esta história como paralela a 2 Reis 2,1-18.
Eliseu
aceita o chamado, pede apenas para ir despedir-se dos seus familiares antes de
partir. A resposta de Elias tem provocado muitas discussões porque é assaz
ambígua. Literalmente o texto hebraico diz: "Vai, mas volta porque sabes
que coisa te fiz. (ou: ?)". Isto pode significar que Elias deixa Eliseu
livre para escolher de segui-lo ou não. Mas, provavelmente significa: "Vai
e volta porque tu sabes bem o que te fiz: eu te investi dos meus poderes".
Eliseu oferece um sacrifício para o qual
convida as pessoas de sua terra. Mas aqui o que é mais significativo é o fato
de que para oferecer o sacrifício ele destrói o arado e mata seus bois, o que
indica uma definitiva ruptura com o passado. É o mesmo que faz ao deixar as
próprias vestes para vestir o manto de Elias (2 Reis 2,13). Agora possui uma
nova identidade: é o servidor de Elias. Realmente o texto não nos diz que se
tornou sucessor de Elias mas seu servidor. É necessário também ler este
detalhe, como tantos outros da história de Elias, fazendo-se referência a
história de Moisés. Josué, filho de Num, era servidor de Moisés na sua
juventude, tornando-se depois seu sucessor. Assim também Eliseu inicia a sua
carreira como servidor de Elias para tornar-se depois o seu sucessor.
*Institutum Carmelitanum- Comissão Internacional-
Carisma e Espiritualidade.
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FREI PETRÔNIO: Pensamento do Dia. (Domingo, 30).
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22º Domingo do Tempo Comum: Homilia do Papa Francisco. Ano-B.
Neste
domingo, 30 de agosto, antes de rezar o Angelus com os fiéis e peregrinos
presentes na Praça de São Pedro, o Papa Francisco meditou sobre o Evangelho do
dia e rezou pelos migrantes. Apresentamos as palavras do Papa:
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O
Evangelho deste domingo apresenta uma disputa entre Jesus e alguns fariseus e
os escribas. A discussão é referente ao valor da "tradição dos antigos"
(Mc 7,3) que Jesus, referindo-se ao profeta Isaías, define "preceitos dos
homens" (v. 7), e que nunca deve ficar no lugar do "mandamento de
Deus" (v. 8). As prescrições antigas compreendiam não apenas os preceitos
que Deus revelou a Moisés, mas uma série de regras que especificavam as
indicações da lei mosaica. Os interlocutores aplicavam tais normas de uma forma
muito escrupulosa e as apresentavam como uma expressão de religiosidade
autêntica. Portanto, repreendem Jesus e os seus discípulos pela transgressão
delas, em particular, daquelas relacionadas com a purificação exterior do corpo
(cf. v. 5). A resposta de Jesus tem a força de um pronunciamento profético:
"Ignorando o mandamento de Deus - diz - observam a tradição dos
homens" (v. 8). São palavras que nos enchem de admiração por nosso Mestre:
sentimos que nEle há verdade e que a sua sabedoria nos liberta de preconceitos.
Mas
atenção! Com essas palavras, Jesus quer alertar também a nós, hoje, que ao
manter a observância exterior da lei seja suficiente para ser bons cristãos.
Como à época para os fariseus, há também para nós o perigo de nos consideramos
adequados ou, pior, melhor do que os outros pelo simples fato de observar as
regras, as tradições, mesmo se não amamos o próximo, somos duros de coração,
soberbos, orgulhosos. A observância literal dos preceitos é algo estéril se não
muda o coração e não se traduz em atitudes concretas: abrir-se ao encontro com
Deus e à Sua Palavra, a oração, buscar a justiça e a paz, ajudar os pobres, os
fracos, os oprimidos. Todos sabemos que, nas nossas comunidades, nas nossas
paróquias, nos nossos bairros, quanto mal fazem à Igreja e são motivo de
escândalo as pessoas que se dizem muito católicas e vão muitas vezes na igreja,
mas, depois, na sua vida quotidiana, descuidam da família, falam mal de outros
e assim por diante. Isso é o que Jesus condena, porque é um contra- testemunho
cristão.
Continuando
a exortação, Jesus se concentra em um aspecto mais profundo e afirma: "Não
existe nada fora do homem que, entrando nele, possa torná-lo impuro. Mas são as
coisas que saem do homem que o tornam impuro"(v. 15). Desta forma,
sublinha a primazia da interioridade, ou seja, a primazia do
"coração": não são coisas exteriores que nos fazem santos ou não
santos, mas é o coração que expressa as nossas intenções, as nossas escolhas e
o desejo de fazer tudo por amor a Deus. As atitudes exteriores são a consequência
do que decidimos no coração, mas não o contrário: com as atitudes exteriores,
se o coração não muda, não somos verdadeiros cristãos. A fronteira entre o bem
e o mal não passa fora de nós, mas sim, dentro de nós. Podemos nos perguntar:
Onde está meu coração? Jesus diz: "O teu tesouro é onde está o seu
coração". Qual é o meu tesouro? É Jesus, a sua doutrina? É o coração bom ou o tesouro é outra coisa?
Portanto, é o coração que deve ser purificado e convertido. Sem um coração
purificado, não se pode ter mãos verdadeiramente limpas e lábios que pronunciem
palavras sinceras de amor - tudo é duplo, uma vida dupla - lábios que
pronunciam palavras de misericórdia, perdão. Somente isso só pode fazer o
coração sincero e purificado.
Peçamos
ao Senhor, por intercessão da Virgem Santa, para nos dar um coração puro, livre
de toda hipocrisia. Esse é o adjetivo que Jesus disse aos fariseus:
"hipócritas", porque dizem uma coisa e fazem outra. Um coração livre
de toda hipocrisia, para que sejamos capazes de viver de acordo com o espírito
da lei e alcançar o seu fim, que é o amor. Fonte: http://www.zenit.org
*Papa no Angelus. Cidade do Vaticano, 30 de
Agosto de 2015.
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22º Domingo do Tempo Comum,
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Jorge Mario Bergoglio,
Olhar Jornalístico,
Papa Francisco
Seminários e Conventos: Um olhar a partir da sexualidade.
Muitos
formadores de seminários e conventos não conhecem as feridas que os candidatos
trazem.
Entrevista à irmã Lacambra, especialista
em temas de sexualidade humana
Por
José Antonio Varela Vidal
ROMA, terça-feira, 05 de junho de 2012
(ZENIT.org). - É sempre bom saber a origem das coisas. Isto ajuda a identificar
as causas dos problemas, que quando crescem com várias ramificações impedem uma
solução adequada. Alguns deles são os temas relacionados à sexualidade humana
ou ao mundo demoníaco.
Para conhecer mais de perto estas
realidades, ZENIT conversou com a irmã Maria Blanca Lacambra, da congregação das Servas da Verdade, que reside em Bayamón, Puerto Rico. Ela trabalha há
muitos anos com diversos grupos da arquidiocese de San Juan, no que diz
respeito à disfunções sexuais, assim como casos de possessões diabólicas e
exorcismos. Oferecemos a primeira parte da entrevista hoje.
ZENIT:
Por que o tema da sexualidade, com suas perversões, tornou-se uma notícia de
todos os dias?
IR.
LACAMBRA:
Em primeiro lugar considero a sexualidade sagrada, criada por Deus e, portanto
um presente seu. As perversões são ocasionadas por vários fatores inerentes a
traumas, estupros e abusos de todo tipo. Sendo Puerto Rico uma sociedade
matriarcal, onde a mãe faz quase tudo com relação aos filhos, e o pai se dedica
a trazer o sustento para o lar, - hoje muitas mães trabalham e não têm tempo para
os filhos -, são os filhos que ficam afetados por isso e em muitos casos se
debilitam. Tudo isso faz com que muitas feridas fiquem impressas no cérebro e
os acompanhem por toda a vida. Se estas feridas não são tratadas com cuidado
por diversos profissionais qualificados na matéria, juntos com a consciência
séria da participação de Deus nas nossas vidas, teremos diante de nós adultos
com muitos distúrbios de comportamento e de personalidade; problemas que mais
adiante se manifestarão tanto na vida matrimonial como na vida religiosa.
E
isso pode ser mudado?
IR.
LACAMBRA:
Existem sacerdotes, psiquiatras, psicólogos e sexólogos que trabalham com isso,
e pelo que a experiência está me ensinando, é necessário trabalhar rapidamente
para eliminar, na medida do possível, as feridas que impedem os homens de
adquirir a libertação; lembremos de que somos imagem e semelhança de Deus e são
as feridas que nos impedem de sentir no nosso ser esse “menino” ou “menina”
criada por Deus e que constantemente está gritando dentro de nós porque quer
ser o que Deus, Nosso Senhor quis que fosse: seu filho ou filha querida.
ZENIT:
E como prevenir isso com aqueles que entram nos seminários e conventos?
IR.
LACAMBRA:
Vejo que está sendo feito algo ultimamente, mas pouco. Que se faça um teste
psicológico não é suficiente, porque se a pessoa é inteligente poderá manipular
todos aqueles que a queiram mudar e não se poderá saber como é na realidade o
candidato. Os candidatos não dizem muitas coisas que se deveria saber antes de
entrar no convento, para serem ajudados. Vêm com muitas feridas da infância e
da adolescência. E ainda mais, considero que exista medo pelo tema da
sexualidade; não se aprofundiza como se deveria fazer. Lembremos que a
sexualidade abarca o corpo, alma e espírito e portanto, nos acompanha ao longo
de toda a vida e se não nos é familiar, amiga, diria, como é possível amá-la e
deixar que ela cumpra com o fim para o qual Deus, Nosso Senhor a criou?
ZENIT:
Vêm-se alguns casos disso, não?
IR.
LACAMBRA:
Se entramos nas comunidades nos encontramos com tantas coisas que estão
acontecendo a nível mundial, seja com sacerdotes, religiosas, pastores e nos
escandalizamos mas..., quem acompanhou estes candidatos à vida religiosa e
sacerdotal no aspecto da sexualidade? Por acaso os seus pais? É triste
constatar que muitos pais não sabem nada do que se refere a este tema tão
importante. Eu diria que nem sequer alguns formadores e superiores de
comunidades religiosas têm muito conhecimento desse tema. Muitos jovens entram
no seminário ou na vida religiosa com a intenção de ficar, seja porque têm
vocação ou por outras causas que já conhecemos; algumas delas não muito
positivas. O fato de que hão haja formadores devidamente preparados para
acompanhar estes candidatos, supõe que ante o voto de castidade tenham
problemas. Além do mais, o mero fato de saber que existe fortes tentações, não
supõe necessariamente que não existe a vocação. Justamente os meios utilizados
contra o maligno nestes momentos são importantíssimos: a oração, a recepção dos
sacramentos, o santo terço, e acima de tudo, o acompanhamento de uma pessoa -
geralmente o superior e o diretor espiritual - tanto no terreno espiritual como
humano.
ZENIT:
Na época da formação para o sacerdócio ou para a vida consagrada, quais são os
sinais de alerta que se pode ter sobre isso?
IR.
LACAMBRA:
Eu diria que um apego excessivo ao superior, pois estão à procura de um pai; no
caso das jovens, na superiora uma mãe. E isso se manifesta ao longo de toda a
vida. Acredito que um candidato a religioso ou religiosa, que não tenha
recebido o amor dos pais, terá muito mais dificuldade de seguir adiante sem
ajuda. A necessidade de masturbar-se, de ver pornografia; a necessidade de
estar horas diante da tela; o viver uma vida totalmente secularizada e
superficial, são indícios da falta de compromisso diante de um assunto tão
importante.
ZENIT:
Não há como superar isso durante a formação?
IR.LACAMBRA: Na formação é
necessário orientar os candidatos para terem uma vida de intensa oração, porque
esse amor esmaga e apaga todo o resto. Mas não é o único. A nossa natureza é
humana e, portanto, deve ser tida em conta. Se o amor radica na sexualidade, é
impossível amar sem ser afetivo. Deus é amor! E quão bem o Papa Bento XVI nos
dá a entender isso na sua Encíclica Deus Caritas Est. Os formadores deveriam
ter conhecimentos da pessoa humana; devem ter conhecimentos da pessoa humana;
devem preparar-se em sexologia e ser maduros afetivamente. Estudaram filosofia,
teologia mas sabem pouco de afetividade se não provêm de uma família onde
mamaram e foram testemunhas do amor que o pai tinha pela mãe e vice-versa;
devem ter tido experiências de um amor filial que é o eixo da maturidade
afetiva e do espírito. O sentido da castidade bem compreendida e vivida, leva a
um amor tão grande que não se precisa de ninguém no caso do cônjuge; e de
ninguém mais que o Esposo, no caso do célibe.
ZENIT:
Outro tema do nosso tempo é a infidelidade entre os casais ... Onde se origina
isso?
IR.
LACAMBRA:
Nas oficinas que temos, percebemos que o grande problema que nos apresentam
quando chegam não é o esposo ou a esposa, mas a falta de amor na infância;
falta de amor pelas feridas que têm, sobretudo dos 0 aos 6 anos. Ali não houve
um papai ou uma mamãe que lhes dera amor que necessitavam, para depois usar
esse mesmo amor ao longo de toda a vida. Ao longo da terapia eles mesmos se dão
conta de que existem coisas no fundo que lhes impossibilita o amor gratuito e
maduro que devem ter um pelo outro; a felicidade é um presente que Deus lhes
deu; presente que tem que ir desenvolvendo ao longo da vida. O cônjuge não é o
culpável pela falta de felicidade no outro, na maioria dos casos.
ZENIT:
A infidelidade é uma doença?
IR.
LACAMBRA:
não me atreveria a dizer que é uma patologia. Mas sim diria que é uma atitude,
um estado produzido por uma insatisfação, uma busca do prazer; do sentido sem
ter aprofundado bem na afetividade, que é o que se aprende no lar. Como, então,
falar de espiritualidade se o relacionado com a natureza humana está
"manco"?
ZENIT:
E sobre a questão da homossexualidade? Alguns dizem que é adquirida, outros que
se nasce assim, o que se sabe hoje sobre isso?
IR.
LACAMBRA:
Há um monte de idéias e teorias sobre isso. O que estudei - embora não seja
sexóloga - é que existem dois tipos de sexualidade, a primária e a secundária.
A primária refere-se a aquelas pessoas que desde pequenas já têm essa
inclinação. Existem muitos fatores que devem ser tidos em conta, mas eu diria
que entre 100 homossexuais, somente alguns seriam primários (os verdadeiros
homossexuais). O resto, o maior número seriam os secundários; para nós,
pseudo-homossexuais.
ZENIT:
Então, tudo isso pode ser canalizado?
IR.
LACAMBRA:
A sexualidade é uma ciência moderna do século XX, portanto ainda está na sua
infância. Encontram-se muitas coisas, e trabalhando com as pessoas nos damos
conta de que o homossexual secundário não o é realmente, é um falso ou
pseudo-homossexual. O que faz que com a ajuda de pessoas idôneas possam voltar
a ser heterossexuais, que é o que Deus quis para eles. No entanto, também
encontramos casos de homossexuais primários que nos foi possível orientar por
meio da vida espiritual e lhes ajudamos a amar a Deus, que constitui o
fundamento do seu amor. Conseguiram: colocando a Deus, Nosso Senhor no topo, o
resto fica em segundo plano. Na nossa arquidiocese existe um grupo chamado
“Courage” que ajuda os homossexuais e ali consegue-se muitos frutos. É claro
que ao aproximar-se de Deus, e aprender a amá-Lo faz com que a pessoa se
apaixone por Ele e leva a ir apagando as paixões que nos separam Dele a nível
terreno: o prazer, a comodidade, etc. Além do mais, o saber canalizar bem a
energia sexual faz que a sexualidade não transborde e cause inundações que
vemos em todos os lugares. Fonte: http://www.zenit.org
(Tradução Thácio Siqueira)
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sábado, 29 de agosto de 2015
A Ordem do Carmo e a Revolução Francesa
Recordando a História da Ordem
do Carmo, os séculos XVI e XVII foram séculos de grande expansão da Ordem
através da devoção Mariana propagada pelos escritos da Espiritualidade
Carmelitana e também pela atuação das Ordens Terceiras e Confrarias do
Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. No início so século XVI havia 30
Províncias 693 Conventos, 12.000 Religiosos e 75 Mosteiros femininos com 1500
Monjas de Clausura.
No fim do século XVIII
irrompeu o furacão da Revolução Francesa quando a Ordem do Carmo estava com
15.000 Religiosos. A Revolução Francesa partiu para as perseguições contra a
Igreja e as Ordens Religiosas, então o número de Religiosos Carmelitas foi
reduzido a 757 e a sua recuperação só aconteceu no início do século XX.
Outro fator que abalou os
alicerces da Igreja e das Ordens Religiosas foi o aparecimento de Napoleão
Bonaparte que, depois da Revolução Francesa, apossou-se do governo francês,
criou um consulado de três membros e ele foi eleito o Primeiro Cônsul,
tornando-se vitalício no cargo e Ditador.
Com a Revolução Francesa e o
despotismo de Napoleão, a Igreja sofreu horrores e dizia-se que Pio VI seria o
último Papa. Faleceu Pio VI (1799), e, com muita dificuldade realizou-se um
conclave (eleição) de um novo Papa, não em Roma, mas em Veneza/Itália, e foi
eleito o Cardeal Barnabé Chiaramonti, que tomou o nome de Pio VII e governou a
igreja de 1800 a 1823. Pio VII era Monge Beneditino, homem profundamente
religioso e capaz, sofreu por demais no relacionamento com o Imperador Napoleão
Bonaparte. O desfecho final de tanto sofrimento para o Papa e para a Igreja só
terminou quando em 1814 Napoleão foi obrigado a abdicar, passando a residir na
Ilha de EIba, e em compensação recebeu o título de Imperador. Mas em 1815
retornou a França, retomou o governo, mas foi derrotado em Waterloo a 18 de
junho de 1815, foi desterrado para a Ilha de Santa Helena, onde veio a
falecerem 1821.
Em 1814, Pio VII pode retornar
a Roma, reorganizou o Estado Pontifício, as relações da Santa Sé com a França e
outros países da Europa melhoraram, o Papa recuperou o seu prestígio e passou a
ser aceito como centro inabalável do governo da Igreja. Pio VII faleceu em
1823. Encerra-se aqui a história da Revolução Francesa e do Imperador Napoleão
Bonaparte e nesse período de 1789 a 1815, portanto 26 anos, as Ordens e
Congregações Religiosas foram sensivelmente abaladas em seus quadros e a Ordem
do Carmo na Europa e no Brasil, não passou ilesa durante esse período. No fim
do século XIX a Ordem do Carmo no Brasil ficou reduzida a uns poucos
Religiosos, mas Nossa Senhora do Carmo, que sempre esteve presente em nós e na
vida de sua Ordem acorreu em nosso auxílio, enviando-nos alguns Religiosos
Carmelitas da Espanha, primeiro, e depois, da Holanda, que receberam de Nossa
Mãe do Carmo a Missão de restaurara Ordem do Carmo no Brasil!
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O CORAÇÃO DA REGRA DO CARMO, QUAL É? (1ª Parte)
Frei Bruno
Secondin, O. Carm.
A vocação do Carmelo à oração
Toda
a Regra toda propõe logicamente um itinerário em direção à maturidade. Já o
demonstramos no próprio esquema, mas há também expressões que mais diretamente
se referem a esta perspectiva: as palavras, por exemplo, meditare, vigilare,
de corde puro, placere Deo, in obsequio Jesu Christi, pie vivere in Christo,
æternæ vitæ mercedem, quæcumque(...) agenda(...) in verbo Domini fiant.
A
tradição dos séculos delineou a fisionomia do Carmelita segundo o
capítulo 7º: oração e solidão. Somos definidos assim como homens e mulheres da
espiritualidade, da vida interior, da oração. Hoje se diz freqüentemente que as
nossas comunidades são fraternidades orantes. Como vamos conseguir pôr
este dado da tradição de acordo com a nossa explicação da Regra, que desloca o
centro para o capítulo 10º, orientando para lá o valor de todo o projeto,
inclusive o capítulo 7º ?
Temos
de dizer que é ótima coisa a ênfase que a tradição põe no capítulo 7º,
interpretando-o como prescrição de solidão, de meditação e oração, mas não
corresponde com rigor ao sentido literal do texto e, ainda menos, ao sentido
que tem aquele capítulo no dinamismo ideográfico da Regra na sua
totalidade. É um capítulo que permanece fundamental, mas por causa da Palavra,
que deve ser absolutizada na vida a ponto de encher a solidão e o tempo, por
inteiro: die ac nocte meditantes; a ponto de vir a ser transmudada em sede
e desejo veemente, pois vigilantes é de um sentido forte. Porém, o
máximo grau da força e da potência da Palavra e o fundamento da verdade de tudo
quanto Ela anuncia e comunica estão na Eucaristia, que faz participar da
vitalidade do Cristo Ressuscitado. E o projeto de vida está regulado e modelado
justamente pela "sacramentalidade" eucarística, muito mais do que
pela solidão ou pela oração e meditação.
É
pena que a tradição materializou na solidão-isolamento e no rezar, em
sentido genérico, uma prescrição que põe a sua força na meditação da Palavra
e nas conseqüências que daí derivam, como oração, comunhão fraterna, celebração
do Mistério e mais práticas decorrentes. Concentrar-se de maneira especial
sobre o estar sós e sobre um conceito "vago" ou fraco de
oração, no qual de fato a meditação
da Palavra não goza realmente do primado que lhe cabe, mas está ao par com
outras modalidades de "oração", inclusive
"devoções", isto levou a uma oração de solitários mais do que
de solidários, a uma espiritualidade individualista mais do que a uma
Igreja-comunhão.
A
oração, à qual deve o Carmelita dedicar-se, é descrita na Regra como um vigilare
in orationibus (c.7), quer dizer, como uma resposta existencial à Palavra
meditada e assimilada. Rezar é, então, penetrar nos segredos do coração
de Deus, que a Palavra nos revela; é estender-se, por meio das várias
modalidades de respostas - vamos dizer oração e práxis -, em direção de Alguém,
que habita na Palavra e, contudo, é também algo a mais e nos atrai. Vigiar
torna-se olhar atentamente com todo o seu ser e com toda a sua alma para Deus,
na prece solitária, na oração dos salmos, assim como na fraternidade dos bens e
dos corações, no trabalhar e no calar-se, no jejuar e no servir, no discernir e
no observar. Tudo isto se resume e se completa na celebração da Páscoa de cada dia,
que é síntese das intenções e da fecundidade histórica da Palavra, fermento de
unidade e Boa Nova das futuras realidades.
Na
Comunidade Primitiva o rezar dos que acreditaram, um elemento fundamental e
freqüentemente trazido à lembrança (At 1, 14-24; 2,42; 4,24-30; 6,6; 8,15;
9,40; 10,2; 13,3; 21,5 e mais), nasce da escuta da Palavra em comum, está unido
à celebração do culto e é consolidado e coroado na vida, ao se tornarem
"um só coração e uma só alma" (At 4,32). Assim deve ser o "rezar"
dos Carmelitas: deve ser experiência de Igreja, um completar e animar com a oração
uma edificação (Ef 4,16; Cl 2,19), uma oikodomé de koinonia entre
irmãos, um viver a expectativa do povo de "ver" o seu Deus, de
encontrar o seu rosto, de senti-lo "no meio" como o seu Guia e o
"seu Senhor".
Quando
se fala dos Carmelitas como de "chamados para a oração", dever-se-ia
fazer o possível para não se identificar o chamado com um chamado para uma
experiência individualista, para uma seqüência de gestos religiosos a circular
em redor da própria pessoa, acorrentados em espaços e tempos rígidos. Não é nem
mesmo uma espécie de ascensão para o divino por estradas solitárias e únicas.
Isto conduziria a formas de narcisismo espiritual e a uma oração próxima do
psicologismo introspectivo. Preferiria que se falasse de um chamado a fazer
viver a Igreja, a fazê-la vibrar como Corpo de Cristo.
Orar
para o Carmelita, segundo a Regra, não é tanto dedicar-se a fazer alguma
coisa, a pensar de uma determinada maneira, por um certo tempo; isto também
faz parte do orar, mas são elementos variáveis e secundários, segundo culturas
e segundo pessoas. Rezar deve tornar-se um fazer própria a forma Ecclesiæ,
isto é, deve levar a deixar-se convocar e amar, julgar e salvar pelo Senhor da
Comunidade. Diante da ação e da presença d'Ele se reage com a palavra e com a
vida, com os gestos e com a solidão, com a luta e com a deliberação, com o
louvor e com a súplica, com o silêncio e com a memória, com a invocação e com a
espera e com a vigilância. Daí deriva que o itinerário do Carmelita rumo à
maturidade, através da oração, é autêntico, quando sabe respeitar os
princípios da eclesialidade e se conforma com as exigências de uma autêntica
experiência eclesial.
Até
a vida ascética e penitente, tão exaltada pela tradição do Carmelo, deve ser
vivida, não como ascetismo individualista, mas como caminho eclesial:
fidelidade trabalhosa, coerência sofrida para vivere pie in Christo (cf.
2Tm 3,12), num contexto de Igreja que conhece a fragilidade humana, que lhe
obscurece o rosto, mas procura só no Senhor (c.14) a sua libertação e o
seu esplendor (cf. LG 48).
Para
que se possa ser capaz de vigilare in orationibus, (c.7), como Ecclesia
orans, é preciso ser ao mesmo tempo Igreja da reconciliação e do serviço,
Igreja discípula e testemunha da Palavra, Igreja do Pão-Partido e repleta da
consolação do Espírito: somente assim a oração será autêntica.
Aquele
lugar a se construir no meio das celas, que na Regra está
arquitetonicamente no centro do espaço e do próprio texto (c.10), tem um poder
de evocação de valores e razões de vida que supera qualquer outro elemento e os
atrai todos para junto de si como ao seu ápice e medida. Dá realmente ao todo
uma polarização nesta direção, isto é, rumo ao que aí se celebra e se exprime,
num quotidiano "vir-juntos" (con-venire) carregado de emoções e de
intencionalidades simbólicas. E este con-venire reclama um
"arredar-se" longe da separação e do perigo da autarquia numa
"cela isolada e pessoal" (c.3), para caminhar "ao encontro"
dos irmãos até o lugar onde o "Senhor mora com o seu Mistério", chama
para a escuta (ad audienda - c.10) e fermenta a comunhão rumo a uma
total unidade.
Podemos
recorrer a uma idéia que encontramos no texto de espiritualidade carmelitana
mais antigo, que conheçamos, a Ignea Sagitta de Nicolau, o Francês
(1270). Referindo-se ao trecho da 1ª Carta de Pedro em 1Pd 2,4-5, ele informa
que somos chamados a ser como pedras vivas lavradas pela graça, para
construção do gloriosum ædificium cælestis civitatis Jerusalem. E, aplicando
a idéia ao projeto carmelita, podemos dizer que o nosso itinerarium cordis,
que com Teresa podemos chamar de Caminho da Perfeição ou com João da
Cruz, de Subida do Monte Carmelo, só alcançará a sua autenticidade
quando "a adesão a Cristo, Pedra Viva" (o obsequium do
prólogo) e o "crescimento do gérmen da Palavra de Deus" (o die ac
nocte in lege Domini meditantes do c.7 e o Verbum Dei abundanter habitet
in ore et in cordibus do c.14) nos transformarem "como pedras vivas
para a construção em casa do Senhor" (cf. 1Pd 1,23; 2,4-5).
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FREI PETRÔNIO: Pensamento do Dia. (Sábado, 29).
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sexta-feira, 28 de agosto de 2015
TARDE TE AMEI: Santo Agostinho.
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FREI PETRÔNIO: Pensamento do Dia. (Sexta, 28).
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quarta-feira, 26 de agosto de 2015
A PALAVRA... Nº 974. De quem Jesus tinha raiva?
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FREI PETRÔNIO Pensamento do Dia (Quarta, 26) - Vídeo Dailymotion
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OLHAR CARMELITANO: MASS MEDIA E ESPIRITUALIDADE
Frei Henk Husktra, O. Carm
Desenvolvimento da comunicação
e da cultura
Visão geral
A comunicação sempre acontece através de um meio, meio e comunicação
estão sempre ligados. A revolução na comunicação significa também revolução na cultura: nos
costumes, na fé, etc.
Cultura oral
Comunicação Oral = comunicação interpessoal, com os sujeitos presentes
um ao outro, podem reagir um com o outro diretamente. É a comunicação das
pequenas comunidades, garantia para a continuidade da vida, centro da comunidade.
Nesta nasceu e se desenvolveu a cultura cristã (passando da cultura oral -
judia - para a cultura escrita - grega). É a comunicação através da presença
física de emissor e receptor.
Cultura Literária
Comunicação Literária = não tem
necessidade de presença física, não é uma comunicação face a face. Criação do
alfabeto, primeira revolução cultural.
A mensagem fixa nos sinais visíveis do alfabeto permitiu conservar esta
mensagem ao longo dos tempos e também distribuir esta mensagem. Começou com a
escrita à mão. Os manuscritos são determinantes daquilo que se transmite, por
isso a comunicação escrita é considerada mais importante do que a comunicação
oral.
Logo que se começou a usar a escrita começou a haver uma reflexão mais
elaborada: se reflete mais quando se escreve do que quando se fala, porque o
que se escreve é conservado e distribuído.
Os manuscritos passam a ser mais importantes do que a comunicação
interpessoal, direta, porque podia ser controlada e perdurava no tempo.
A cultura escrita teve mais influência do que a cultura oral.
Imprensa:
A situação mudou radicalmente com a imprensa. A máquina reforçou a
linguagem escrita e a cultura literária. Deu-se a produção em massa de livros,
com a possibilidade de fornecer textos idênticos. Era o inicio da cultura
literária, a criação da biblioteca.
O primeiro livro impresso foi a Bíblia, produzido em massa e colocado à
disposição de muitas pessoas. A maquina impressora possibilitou a distribuição
em massa da Bíblia, e também a possibilidade de ler, reler e apropriar-se do
texto.
A imprensa foi à primeira forma de comunicação de massa. Criou-se um
modo novo de sentir, de pensar, de expressar-se, de comunicar, de crer. O
alfabeto muda os relacionamentos interpessoais, a religião, a ética, etc.,
produz uma cultura nova. Criou a cultura literária.
Uma revolução dos MCS significa também uma revolução na cultura, em
todos os relacionamentos humanos. A imprensa criou a cultura literária e esta
significou uma revolução na fé e na Igreja.
O crescimento da Igreja protestante coincidiu com a imprensa. A
imprensa possibilitou as diferentes correntes de pensamento e sua difusão, deu
lugar à revolução do pensamento. Provocou mudanças na Igreja, na sociedade, na
fé. Era o fim do monopólio da fé e da unidade da igreja. Foi o fim do monopólio
da Igreja Católica sobre a educação e sobre a verdade. A Igreja teve medo
destes meios e os combateu a imprensa, sublinhou sempre mais a uniformidade da
fé e a racionalidade da fé católica.
Roberto Belarmino colocou a imprensa a favor da Igreja, favoreceu a
imprensa na Igreja e promoveu a doutrina e a própria Igreja. Foi o inicio de
uma nova forma de educação e de formação, nas escolas, nos colégios. Causou uma
revolução na comunicação, na fé, na Igreja, na ética e na sociedade em geral.
Deu-se a transição entre a cultura dos manuscritos à cultura impressa.
Esta foi à segunda revolução na comunicação.
Cultura audiovisual
Terceira. Revolução na comunicação =
transição entre a cultura de imprensa para a cultura tecnológica.
Audiovisuais : comunicação de pessoas com os olhos, os ouvidos e a
boca. Usa dois binários: áudio (ouvidos) e
visual (olhos).
È a combinação da linguagem, dos olhos, dos ouvidos e da boca com os
meios eletrônicos e a tecnologia. Esta foi a terceira revolução na comunicação
- informação por meio da tecnologia: TV, computador, Internet, etc.
A Internet è a combinação, a conexão dos vários computadores dispersos
em todo o mundo via linha telefônica, cabos e satélites.
Linguagem na qual se pode ver,
ouvir e falar.
Novo matrimonio entre palavras e imagens, sob a presidência dos meios
eletrônicos.
A cultura literária é uma cultura de cérebro, è lógica, racional,
reflexiva, cognitiva, é mais abstrata, è mais polêmica. A cultura audiovisual è mais afetiva,
emotiva, mais fantasiosa, é a linguagem do coração. A cultura literária é a
linguagem do cérebro. A comunicação literária é mais conceptual, a comunicação audiovisual è mais perceptiva.
Existe enorme diferença entre cultura literária e cultura audiovisual.
A linguagem audiovisual e uma nova forma de comunicação. O povo é enamorado
deste tipo de comunicação.
Devemos refletir sobre o uso destes meios:
- O que significa os meios audiovisuais para a fé, para a Igreja e para
a Ordem?
- Qual deve ser a contribuição da fé, da Igreja e da Ordem para os Mass
Media?
A transição da cultura literária para a audiovisual é uma mudança
profunda e com muitos efeitos e
tendências, uma verdadeira revolução.
È uma transição da cultura da palavra à cultura da imagem. A palavra
escrita era o centro da nossa comunicação e agora vivemos em uma época onde o
elemento dominante é a imagem. Não significa que a palavra já não seja importante, porém a ênfase é sobre a imagem,
combinada com a palavra. Nas estradas, nas cidades, nos MCS a imagem domina
sobre a palavra, vivemos em uma cultura da imagem, mundo altamente simbólico:
temos o mundo natural, o mundo da sociedade e o mundo simbólico. A Igreja vive
também neste mundo.
Na cultura literária o elemento mais importante era a racionalidade, os
silogismos, levava a tirar conclusões. Na cultura audiovisual o elemento mais
importante é a narrativa, contar a vida como drama e não mais com silogismos. É
uma mudança extremamente importante. O processo da razão era domínio de uma
elite social, o qual requer uma formação, enquanto a cultura da narrativa faz
parte de qualquer ambiente. Os meios audiovisuais criaram esta transição do
processo racional para o mundo da narrativa. Mudança da verdade para a
credibilidade. Na cultura literária a verdade era o elemento mais importante,
na AV. o mais importante é a credibilidade.
A verdade requer correspondência entre os fatos e a credibilidade fala
mais de quem conta estes fatos. A pessoa é verdadeira se é aceita se é
acreditada, se não é aceita, se não é acreditada, não è verdadeira. Na cultura
AV. a verdade depende da credibilidade, na cultura literária a credibilidade
depende da verdade. A verdade depende da coerência de vida. A pessoa è
importante pela coerência de vida e não pelos conceitos que formula.
Este é um ponto de suma importância para a Igreja.
O que é mais importante para a catequese, quem dá catequese ou o que
diz na catequese?
A verdade do conteúdo ou a credibilidade da pessoa que o apresenta? A
doutrina ou o testemunho? A mesma coisa acontece na pregação.
É a tendência da racionalidade rumo à irracionalidade. A cultura literária è intelectual, abstrata,
a AV. é mais um fato de coração, o que conta não é tanto o elemento
intelectual.
Este momento da história è crucial para determinar o equilíbrio entre
estes elementos.
Na TV são tantos os programas que se baseiam nas emoções humanas: ódio,
amor, expressões de aspecto emotivo.
È a tendência revolucionária de passagem do dogma ao drama, da doutrina
para à vida, da palavra à imagem, do conceito à narrativa, da racionalidade à
emotividade, da verdade à credibilidade. Devemos explorar estes pontos e ver
como criar o equilíbrio. Há. o perigo de valorizar demais um elemento em
detrimento do outro.
Neste campo existe os pessimistas e otimistas: há quem diz que estamos
nos divertindo rumo à morte, que a diversão é suicídio, que a TV não é boa, que
é preciso eliminá-la.
O MCS são uma criação humana, utilizados por humanos, tem traços
humanos positivos e negativos, é ambíguo, depende do uso que deles fazemos. Em
vez de perder tempo em condenar o que não é bom, devemos promover o que bom,
mas não podemos nos iludir que podemos mudar todo o mundo do Mass Media.
Estes podem ser uma ajuda para contarmos nossa história, para nossa
cultura de fé, para celebrar, fonte de espiritualidade, de interioridade,
expressão ativa da vida, como experiência espiritual, como sabedoria de vida.
Devemos mudar nossa mentalidade, andar em direção das possibilidades positivas
para nosso ministério espiritual e pastoral, na formação, para celebrar, etc.
São fontes de espiritualidade e novas formas de tecnologia que nos podem ajudar
a compreender nossa época, exercer nosso papel de líderes na Igreja.
O Papa disse que “O Mass Media
são os areópagos da nossa época”. Devemos olhar e escutar o MM, estes nos
mostram a vida de hoje, contam as historias de ânsias e esperanças e o destino
da nossa gente. Se formos receptivos com relação a eles, compreenderemos sua
mensagem e compreenderemos também qual pode ser a contribuição que podemos dar
à nossa época. Como S. Paulo poderemos ser representantes do Deus Desconhecido
ao MM. Devemos aprender do MM e depois dar a estes nossa contribuição.
A Espiritualidade dos filmes
Os audiovisuais têm hoje um papel predominante sobre a linguagem
escrita, sobre a impressa.
O desafio para nós carmelitas hoje è expressar nossa espiritualidade
por meio dos audiovisuais.
Existe muitos estudos sobre a espiritualidade hoje e muito interesse
sobre este assunto.
A linguagem dos filmes.
A comunicação por meio de filmes, é um modo de contar a vida, de contar
a própria história.
A vida está à procura de um narrador. A vida deve ser contada. Se
contamos nossa história podemos começar a viver de um modo mais humano. A vida
sem ser contada não é vida verdadeira.
Na nossa época, mais que nunca, a história está no centro de nossas
vidas, ajudada pelos meios audiovisuais. Está procurando um narrador. Os filmes
e a TV são aqueles que narram a história de hoje. Tantos programas de TV se
dedicam a contar a história. Um “super star”
conta sua história para que o povo possa reconhecer-se nela. E isto
ajuda a encontrar a própria identidade, a própria história. Um dos motivos porque o povo assiste TV é
justamente este. Não é só um fato de cérebro, mas é um fato de coração, falam
das emoções humanas de base: sobre a vida e sobre a morte; sobre o ódio e sobre
o amor, sucesso e falência, etc. O poder dos meios audiovisuais é justamente a
capacidade de contar a história, apresentar o drama da vida. A vida humana se
expressa em todas as suas direções. O povo é fascinado por este tipo de
programas, assiste com prazer estas entrevistas. Na tradição católica
aprendemos a amar as coisas celestes e a desprezar as coisas da terra. Podemos
tornar fascinantes também as coisas terrenas, sentir prazer nas coisas
terrenas, sem cultivar, naturalmente, uma cultura egoísta. Se é possível
divertir sem esperar as coisas do céu. A cultura audiovisual trouxe
precisamente a cultura do prazer, sem esperar pelo céu. Os meios audiovisuais
não influem somente nas emoções de base, mas são agradáveis também do ponte de
vista estético. A linguagem audiovisual possui muito mais possibilidades do que
a imprensa de dar uma forma à mensagem. Tem a possibilidade da música, dos
sons, cores, movimento, palavra falada,
palavra escrita: o binário áudio e o binário visual, imagens que se
movem, combinações que permitem expressões detalhadas e ricas do pensamento.
Como descobrir a
espiritualidade de um filme?
Questões Fundamentais para a formação sobre os filmes:
1. Que relação há entre filme e espiritualidade?
2. Como a espiritualidade é expressa na linguagem dos filmes?
3. Como podemos despertar a sensibilidade para a espiritualidade dos
filmes?
4. Como preparar-nos para coordenar encontros, cursos e seminários
sobre filme e espiritualidade?
Linguagem audiovisual e
espiritualidade
A linguagem audiovisual é um matrimônio entre imagem e palavra, sob a
presidência dos meios eletrônicos. É uma
combinação do que vemos e ouvimos: imagens, cor, movimento, sons, musica,
palavras, canções, postos juntos para contar uma história, para dar uma
mensagem.
Perguntas Fundamentais:
1. O que è espiritualidade?
2. Como a espiritualidade pode ser expressa na linguagem dos filmes e
TV?
3. Como podemos tornar-nos mais sensíveis à espiritualidade dos filmes?
4. Como podemos coordenar encontros e seminários sobre a
espiritualidade dos filmes?
O Instituto Tito Brandsma, de Nimega, Holanda, pode ser um modelo de
pesquisa sobre a espiritualidade dos filmes.
Palavras Chaves na
espiritualidade dos filmes:
1. Spiritus = respiro.
Sem respiro não existe vida.
Aspiração = motivação, força que motiva, que inspira.
Descobrir o spiritus, a motivação do protagonista do filme.
2. Experiência.
Todos nós temos experiências: experiências quotidianas, pequenas
experiências, mas também grandes experiências, de dimensões mais profundas.
Como podemos definir nossa vida a partir destas experiências? Como
podemos experimentar o mistério da vida através destas experiências? Como fazer a experiência do santo, do sacro,
do mistério, dos Santos, de Jesus Cristo, e do próprio Deus.
Temos tantas experiências e precisamos criar uma certa unidade em nossa
vida. A criação da unidade è necessária para o nosso espírito em um tempo de
fragmentação, de incoerências, de pluralismo.
A experiência è o ponto central na espiritualidade. Podemos explorar
esta dimensão nas histórias dos filmes, descobrindo como os protagonistas
tratam e integram suas experiências.
Descobrir quais são as experiências quotidianas do protagonista do
filme e comparar com as nossas.
3. Contexto sociocultural. Ninguém vive no vácuo, no vazio, todos nós
vivemos numa certa época, em um certo lugar. Temos um contexto sócio - cultural - religioso.
Podemos indagar em que contexto vive o protagonista e este contexto nos
fornecerá muitas informações sobre o protagonista.
O contexto constrói a pessoa e a pessoa reage de acordo com o contexto.
Este è um ponto chave na espiritualidade. O protagonista, no filme, critica o
contexto em que vive com a posição que toma. Esta è a espiritualidade do filme.
4. Processo. A espiritualidade implica um processo mais ou menos
explicito. A vida humana è um processo, processo de mudança, de
desenvolvimento, de crescimento. Um processo consciente faz parte da
espiritualidade. Podemos perguntar como os protagonistas do filme dão forma a
este processo, com as decisões que tomam. É um processo consciente. Podemos
perguntar qual è o processo explicito do protagonista e não podemos menosprezar
este ponto.
Estudos revelam que o telespectador muitas vezes se identifica com o
protagonista do filme, mesmo se é um caráter malvado. Isto é importante para a
espiritualidade.
5. Perspectiva ou ponto de vista. Nós sempre temos um ponto de vista,
uma tomada de posição, da qual vemos a realidade. Pode ser um ponto de vista
global, religioso, de fé. È uma visão que forma sobre a realidade, sobre a
vida, sobre o mundo, sobre a sociedade, também sobre a Igreja. Hoje temos
tantas formas de espiritualidade precisamente por causa destes pontos de vista.
A palavra Espiritualidade hoje tem um significado muito amplo:
Espiritualidade da Nova Era, da Mulher, etc., e é usada de acordo com os
diferentes pontos de vista.
Pode haver um dialogo entre a espiritualidade cristã e a
espiritualidade secular?
Nós carmelitas podemos descobrir a espiritualidade secular dos
filmes? O que significa isto? È possível
um dialogo entre a minha espiritualidade e a espiritualidade do Mas Media? Pode
ser uma experiência de enriquecimento? Podemos contribuir para o desenvolver
isto? São questões sobre as quais devemos refletir.
6. Transformação. A
espiritualidade implica uma mudança, uma transformação na vida, no sentido de
integração, unidade, realização, humanismo, cristianismo.
Podemos notar que os personagens no final do filme não são iguais a
antes. Que processo sofreram, que tipo de transformação tiveram?
7. Modelos Místicos. Todos os fenômenos da vida são conexos, têm uma origem comum. Misticismo é um
fenômeno que se encontra em todas as religiões e culturas. As formas de
expressão são diversas mas a chave é igual em qualquer lugar. Escritores dizem
que muitas pessoas em nossa época tem experiências místicas. É possível que o
protagonista de um filme tenha experiência mística? Devemos ser abertos a esta
possibilidade.
Devemos usar estas palavras chaves para construir um modelo,
“spiritus”, de experiência. Com estas podemos explorar e definir a
espiritualidade. Podemos usar este modelo para explorar o fenômeno espiritual
nos vários filmes.
Quando falamos sobre filme e
espiritualidade, não falamos só dos filmes ou só de nós, devemos comparar
nossas experiências com a do filme. Em um encontro ou seminário a coisa mais
importante não é o filme, mas a reflexão ou debate que se faz sobre o filme. O
filme è um ponto importante, mas é somente um ponto, outro ponto é nossa
reflexão comum sobre a espiritualidade que se quer descobrir no filme, que se
deve construir juntos.
1. Espiritualidade é o cultivo do espírito, do ponto de vista cristão, carmelita.
2. Filme é a linguagem audiovisual, com seus dramas e histórias, com as
emoções, afetos, fantasias, todas as emoções humanas básicas: amor, ódio,
ternura, etc. contadas de forma concentrada, reduzida, . Existe momentos
cruciais do protagonista que são expressos no filme, momentos de transformação,
por isso é uma linguagem excelente para a espiritualidade.
5. Relação entre a historia do filme e o telespectador. O telespectador
pode entrar em dialogo com a historia do filme. Partilhando com outros suas
emoções, torna-se uma espiritualidade dialógica. A linguagem do filme pode
estimular muita gente a falar, criando possibilidades amplas para exprimir os
fenômenos espirituais e enriquecer-nos.
Com ajuda dos filmes, podemos tomar consciência do fenômeno central da
espiritualidade em nossas vidas com seus dramas. Pode-se tomar consciência que
os vários processos de purificação, os dramas, a noite escura, podem mudar
nossas vidas, é um desafio para o qual não encontramos todas as respostas.
É necessário explorar as possibilidades dos filmes para a
espiritualidade. O que nós carmelitas podemos fazer a respeito desse fenômeno
da espiritualidade?
Filmes e espiritualidade
Depois um pouco de discussão se pode integrar os vários significados,
devemos ter confiança no público, que tem a capacidade de compreender juntos,
na sua partilha, o que significa o filme
para eles sem violar o sentido da fé.
È importante também à direção do animador, que tenha a capacidade de
centralizar alguns pontos.
O dialogo feito a partir do filme é mais importante do que o próprio
filme.
1. O filme pode oferecer um maior conhecimento cristão
2. Externar um processo de partilha.
3. Dar uma orientação à nossa experiência, nossa visão, nossa
expectativa.
4. Desenvolver o significado espiritual.
5. O uso do filme na espiritualidade oferece enorme possibilidades para
o ministério pastoral em uma cultura audiovisual.
Nem todos os filmes tem a mesma
importância para a espiritualidade.
Os filmes são fontes de uma experiência forte, a historia do filme
conta uma reorganização da vida, com seus momentos de felicidade, crises, de
rupturas, etc.
Na coordenação de estudos, encontros e seminários sobre filme e
espiritualidade é importante ter bem presente os critérios para a seleção dos
filmes.
O grupo deve tornar-se uma comunidade de interpretação, desenvolve um
senso de espiritualidade à luz do Evangelho, criando uma nova forma de
ministério pastoral, nos grupos de jovens, nas paróquias, nas casas de formação
religiosa.
É um campo muito importante que deve ser explorado, apresenta muitas
possibilidades para conhecer melhor a cultura na qual vivemos.
Podemos criar na Ordem uma política de comunicação em um mundo em
transformação.
Relacionamento entre regista e
consumidor - técnica do mercado
Pensamos que estamos comprando aquilo de que temos necessidade, mas na
realidade è que compramos aquilo que a propaganda quer que eu compre.
O relacionamento entre regista e telespectador é o mesmo - o regista
Devemos fazer com que o publico seja mais autônomo com relação à TV
Devemos perguntar: - que uso faz o publico faz da mensagem? Deve-se construir o significado.
Devemos fazer com o MM como se faz nas CEBs, onde as pessoas se reúnem
para refletir a Bíblia, que è um livro que se lê sem exaurir o significado.
Pode-se formar comunidades que
sejam capazes de interpretar o filme.
Publicidade
Vejamos por exemplo uma publicidade de tinta segundos que apresentam
uma mensagem fascinante, convencem as pessoas só em 30 segundos.
Embora empregue muito tempo para preparar, a estética tem uma função
muito importante: preparar o telespectador para receber a mensagem. Cria
interatividade entre quem transmite a mensagem e quem a recebe e os usuários
podem determinar o uso destes, podem ser ativos ou inativos.
A publicidade usa dois tipos de
meios:
- audiovisual: prepara o
telespectador à mensagem
- parte verbal: que é a verdadeira mensagem.
È uma mensagem agradável, porque é acompanhada de cor, música, sons, movimento, è uma história dramatizada, de fácil
compreensão,
Pode ser analisada a partir de
3 critérios de avaliação:
- Econômico : custa muito
- Ético : aspecto moral da vida.
Os meios audiovisuais são abertos às dimensões humanas e
espirituais. È importante explorar e descobrir a dimensão religiosa,
moral e espiritual dos mesmos.
- A estética é utilizada para criar espaço no telespectador para
receber a mensagem.
Às vezes em uma publicidade de 25” , só nos últimos 5” se revela a mensagem. 20” para criar expectativa,
preparar para a recepção da mensagem, criar tensão, abrir o telespectador ao acolhimento. A mensagem
vem só no fim. È uma mensagem atraente, com belas imagens. Usa da estética para
atrair o telespectador.
Para nós, Igreja, é importante refletir sobre esta utilização dos
audiovisuais na publicidade.
Usamos muito a imprensa, mas a expressão audiovisual, que são os meios
principais de hoje, ainda não. O povo hoje é audiovisual. Nos arrependeremos se
não os usarmos. Devemos perguntar-nos como transmitir o nosso carisma através
destes meios. Passamos da cultura
impressa à cultura audiovisual. Por muito tempo estas meios foram vistos com
suspeita, mas hoje sabemos que eles são interativos. Além do mais, o
telespectador pode escolher o que assistir. Pensou-se que estes eram contra a
vida religiosa, mas os tempos são mudados e estes meios mudaram nossa vida.
Nós que somos da cultura literária temos dificuldades em compreender a
cultura tecnológica. Mas as novas gerações está domesticada nesta cultura, mais
envolvida nela, comeu e bebeu da mesma. Mas também nos devemos aprender a
apropriar-nos desta cultura.
Como expressar nossa tradição com os meios audiovisuais?
Apresentação de filmes
Foret Gamp:
Filme popular. Ponto central: A
vida humana tem um destino. Porque estamos sobre a terra? Qual é o nosso
destino?
Toca as diversas sensibilidades de milhões de pessoas. As questões de
destino da Providencia são simbolizados no início e no fim do filme por uma
pluma branca que desce e sobe.
Um jovem, um pouco retardado mentalmente, com um Q.I. de 75%, conta sua
vida. Em uma série de flashs, cenas, imagens, mostram como as pessoas reagem
com relação a ele, o consideram um tolo, um bobo. Se de uma parte é considerado
bobo, por outra é alguém que faz esforços sobre-humanos, é considerado um
herói, honrado por diversos presidentes dos USA. Ama muito Jane, sua esposa. È
uma pessoa muito simples e é orientado pelos sábios provérbios d sua mãe.
Jane è uma jovem inquieta, sempre insegura, olha sempre para o alto,
quer transformar tudo em céu, longe da realidade cruel. É difícil para os dois
viverem juntos. Quando se esforçam por conviverem, Jane o abandono
imprevistamente e então ele começa uma maratona pelos USA, corre por 3 anos, 2
meses, 14 dias e 6 horas. Depois, Forest
vai à casa de Jane. Ela tem um filho, Forest Gamp Júnior, e está muito mal de saúde. Ele a leva para
sua casa, cuida dela até à morte.
No fim do filme, Forest fala com Jane no túmulo. Depois leva seu filho
à escola, como sua mãe fazia com ele, e aquela pluma sobe dos seus pés para o
alto. Forest evoca associações e compreende o que é essencial na vida humana.
Com sua amabilidade, Forest nos apresenta um mundo de amizade, de amor,
de honestidade, de caridade. Tudo isso é ressaltado nas suas atitudes.
Portanto, o filme é uma lição de realidades eternas, é um mito sobre as origens
e o destino da raça humana. Tem um direcionamento moral, espiritual e também
humorista.
Porque este filme? Porque feito nos USA em tempos de racionalismo e
eficiência técnica?
Para os Grupos:
1. Refletir sobre: como o filme trabalha a imagem, a música, o drama e
identificar cenas, música, frases que mais tocam sua sensibilidade.
2. Quais valores espirituais
pode-se encontrar e experimentar no filme?
Os últimos passos de um Homem
O filme gira em torno do tema Vida & Morte.
Feito em 1995, nos USA. Uma freira americana escreveu um livro sobre
seu trabalho com 2 condenados à morte e este foi transformado em filme. È um
filme sobre a pena de morte.
O protagonista, com outro companheiro, matou uma moça e um rapaz e foi
condenado à morte. O papel central é ocupado pela freira, Ir Helena. O filme
mostra o lado desumano da pena de morte.
Para os grupos:
1. Que experiência você fez sobre a direção espiritual da Ir Helena:
imagens, palavras, expressões...
2. Fazer relação entre a direção da freira e a conversão do assassino.
Devemos ser prudentes ao utilizar a arte na espiritualidade. Saber
fazer a diferença entre: o que o filme mostra em si e aquilo que percebemos com
nossa sensibilidade. Aquilo que percebemos está no filme ou está em nós? Às
vezes vemos no filme nossas projeções mentais. Não interpretar no filme aquilo
que o autor não quis dizer, estar atentos às nossas projeções. As experiências
subjetivas referentes ao filme depende da historia pessoal.
O filme pode ser interpretado
em dois níveis:
- O que o filme mostra em si
- O que o telespectador percebe a partir da sua vivência, a partir de
sua experiência.
Depois integrar os dois aspectos.
Como fazer um grupo de pessoas tornar-se uma comunidade de
interpretação, que descubram juntos o que o filme quer dizer? Saber descobrir
sinais de vida expressos nos filmes.
Meios de Comunicação e
Evangelização
Pierre Babin
Como usar os MCS para aumentar nosso impacto na sociedade, para
comunicar nossa mensagem?
Como superar nossos preconceitos?
Um conceito – “Os meios de comunicação ajudam a tornar a mensagem
aceitável”
São ajudas. – Este conceito não
é correto. É uma concepção
instrumental. Devemos passar a uma
concepção cultural. Se mudar o nosso modo de comunicar, mudará a sociedade.
Taizé não usa meios, todo o conjunto celebrativo constitui os meios.
Nós consideramos o que Cristo disse como a mensagem, em vez, a mensagem
é o próprio Cristo, seu relacionamento com as pessoas.
Se evangeliza quando se une ao povo que se quer evangelizar, não
transmitindo doutrinas, mas criando laços.
A Redemptoris Missio diz que “não basta usar os meios, é necessário integrar a mensagem na nova
cultura”. Não só conhecer o aspecto técnico dos MCS, mas conhecer e integrar-se
na nova cultura.
Nesta nova cultura o conteúdo é a pessoa que evangeliza. Eu leio a
Bíblia, ela me converte, eu me torno seu conteúdo.
A chave desta nova cultura é a vibração
= modulação.
Os cinco aspectos desta nova
cultura:
Modulação – ( impacto )
linguagem fundamental:
Para evangelizar é necessário despertar a interioridade. Para entrar nesta cultura devo ser receptivo,
é uma linguagem que exerce um impacto, que não é intelectual. Não precisa
pensar, só receber o impacto no sistema nervoso (ex: uma visita do Papa) .
Se entramos nesta cultura
compreenderemos como as novas gerações vivem esta modulação.
Há 5 séculos vivemos na cultura intelectual, hoje devemos adotar a
pastoral da modulação.
Qual é o papel da pregação?
- Devemos estar atentos para que nossa modulação desperte a
interioridade.
Os ouvintes – ocupam o primeiro
lugar.
O ouvinte torna-se o elemento mais importante quando se torna parte do
comunicador.
Partilha – é o método (
admirável comércio entre quem emite e quem recebe a mensagem)
A Evangelização é uma conversação na praça do mundo para transmitir uma
mensagem.
O centro não é Deus como Verdade, mas Deus como um bem. A evangelização
mais do que troca de opiniões é troca de bens.
É como no comércio, a primeira coisa a se fazer é estimular
desejos. A evangelização é oferecer uma
experiência. O que toca mais em uma visita do Papa é sua presença, oferece uma
experiência.
O método não é dar uma quantidade de doutrina, mas levar a um
relacionamento, fazer experiências juntos, viver juntos.
Em vez de apresentar a figura de Cristo, levar a fazer experiência de
Cristo, despertar o eu como pessoa humana, ligado a Cristo, entrar em contato
consigo mesmo, é uma intuição.
O ambiente ( terreno)
Criar ambiente de silêncio ( música, canto) para despertar o desejo de Deus. Deve ser pastoral
do terreno, em vez de ser pastoral de palavras. Um pouco de música, luzes, uma
frase da Bíblia, diz mais do que muitas palavras. Tem necessidade de um pouco
de sombras, um pouco de luz, silêncio, para despertar o sentimento interior.
Modificar o tom de voz, preparar o ambiente, o terreno, despertar o silêncio.
Na cultura literária a figura ( palavra) é mais importante do que o
terreno, na cultura audiovisual o terreno é mais importante.
Turbulência – (ondulações) leva
à interioridade
Muitas vezes as pessoas têm necessidade de espiritualidade e não as
tem. Ser testemunha é levar o outro a escutar a voz interior. Se não
despertarmos o senso do mistério, de ser si mesmo, não evangelizamos. Uma
mistura de mistério e necessidade.
O cristão do futuro ou será mistério ou não será cristão.
Quem trabalha com os jovens deve fazer crítica de modo positivo, viver
com atitude positiva diante da nova cultura. O perigo é querer seguir a moda para ser como os jovens, fazer tudo o
que eles fazem.
Adotar uma nova cultura não significa desprezar a anterior, mas dar
mais atenção a uma nova mentalidade, a uma
nova cultura e tentar relacionar as duas.
*Síntese do Curso sobre Comunicação, promovido pela Ordem Carmelita em
Sassone, Roma, 1998.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
06:52
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