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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

OLHAR CARMELITANO: Em memória de Frei Caneca, Carmelita.

Pedro Pomar - 1974

A 13 de janeiro de 1825 - faz exatamente 150 anos - morria fuzilado em Recife, por ordem terminante de Pedro I, Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, grande herói da luta do povo brasileiro pela independência do jugo colonial português, eminente figura de nossa intelectualidade revolucionária, nacionalista.
As classes dominantes relegaram-no ao esquecimento. Chegaram mesmo a escarnecê-lo como fez o ditador Médici, em 1972, ao mandar passear pelas ruas das capitais dos Estados os ossos de Pedro I. Nossos pseudo-liberais temem falar sobre ele. Em contraste, o proletariado revolucionário exalta a sua memória como um dos mais admiráveis exemplos de combatente da causa da libertação nacional e da soberania popular. São raras as pessoas que, como ele, revelaram tal grau de rebeldia militante contra os opressores do país e do povo, tanta intransigência em face dos inimigos, tamanho destemor perante a morte. As lições de sua vida e de sua luta são fontes perenes de inspiração para todos os patriotas e democratas, conservam bastante atualidade.
Frei Caneca nasceu na capital pernambucana, em 1774, quando no mundo feudal surgiam e se desenvolviam as ideias burguesas de emancipação política, os conceitos de pátria e de nação e, quando em terras brasileiras, sob o domínio de Portugal, brotavam os fermentos da autonomia. Era de origem humilde. O apelido que o honrava adveio do fato de, na infância, ter ajudado o pai, um tanoeiro, vendendo canecas. Certamente, por vocação religiosa e pelo desejo de estudar, ingressou na Ordem dos Carmelitas. Naquele tempo, e durante dezenas de anos depois, a Igreja Católica monopolizava a cultura na Colônia. Para instruir-se e ascender socialmente, os moços das camadas mais pobres da oprimida e acanhada sociedade colonial deviam ordenar-se frades ou padres. Outro recurso era ir estudar em Coimbra, o que só os filhos dos grandes proprietários e senhores de escravos podiam fazer. No entanto, não foi a confissão religiosa que converteu, desde os albores do século XIX, o jovem Frei Caneca num ardoroso partidário da independência do Brasil e dos direitos do povo. Ao contrário, a Igreja, como instituição reacionária, além de possuir muitas propriedades e riquezas, sempre esteve umbilicalmente ligada às classes dominantes, sustentou-as por todos os meios. A verdade histórica é que, nas jornadas de 1817 e 1824 - as primeiras gloriosas tentativas de nossa revolução nacional e democrática - Frei Caneca e a brilhante falange de seus companheiros, a maioria de procedência igualmente humilde, não representavam na revolução, de maneira alguma, o clero, e sim as forças radicais da sociedade brasileira. Pertenciam à intelectualidade revolucionária, camada mais avançada da luta libertadora. Eles sentiram, como ninguém, o quanto era intolerável o domínio da metrópole portuguesa, o quanto pioravam as condições de vida do povo. Simultaneamente, recebiam a influência das novas idéias revolucionárias e tomavam conhecimento da vitória da Revolução Francesa de 1789, dos movimentos emancipadores dos Estados Unidos, da América espanhola, do Haiti. Daí a decisão de empunhar com valentia a bandeira da autonomia nacional e das reivindicações liberais burguesas. De modo coerente, passaram a integrar a ala radical do "Partido Brasileiro", da união das correntes patrióticas favoráveis à independência, ala que pregava a liquidação da dinastia dos Bragança, sem regateios nem conciliações prejudiciais à nação.
Em 1822, depois do famoso grito do Ipiranga e do acordo que permitiu a Pedro I aparecer à frente do novo Estado Nacional, a linha da intelectualidade nacionalista, oriunda do clero pobre, chocava-se com a da Igreja oficial. Enquanto esta, já aderida à situação criada, acusava Frei Caneca de indisciplina e sustentava que a autoridade de Pedro I tinha origem divina, ele respondia, denunciando as manobras traidoras do régulo, seu absolutismo e proclamando que a única e verdadeira fonte do poder é o povo.
Não apenas como pensador, mas também por suas qualidades políticas e organizativas, Frei Caneca destacou-se dentre todos os seus companheiros e contemporâneos. Junto com os padres João Ribeiro, Roma, Miguelinho, Mororó e dezenas de outros, foi um dos dirigentes da Revolução de 1817, quando pela primeira vez esteve em mãos de patriotas brasileiros o poder no país. Ao sobrevir a derrota, se bem que não tivesse sido enforcado ou arcabuzado, como alguns daqueles dirigentes, padeceu inomináveis torturas e ficou encarcerado na Bahia até 1821, sob a acusação de ter conclamado o povo à guerra revolucionária e organizado guerrilhas. Efetivamente, assim procedeu, expressando opiniões como as que seguem: "Quando a pátria está em perigo, todo cidadão é soldado, todos devem se adestrar nas armas para rebater o agressor. Não é bastante, que na ocasião do aperto maior, saiam de suas casas com algumas pistolas ou facas, ou outras quaisquer armas, sem disciplina, sem ordem, sem chefe hábil nos negócios da guerra; tal estado de coisas só pode causar a confusão e a desordem. O tempo é de atropelo, devem vosmecês atropelar também a economia de suas ações?" Não sem motivo, tornou-se conhecido, desde então, como o "frade guerrilheiro".
As posições combativas, revolucionárias, nortearam toda a sua vida. Libertado, voltou logo a Pernambuco para participar da deposição das autoridades coloniais e da instauração de um governo provisório provincial até que, no plano nacional, a Assembléia Constituinte, já convocada, indicasse os verdadeiros rumos do novo Estado e da nação. Ao saber que Pedro de Bragança se entronizava como Imperador do Brasil, condicionou seu apoio a esse governante à exigência de que prevalecesse, na Constituição que se elaborava, a vontade soberana do povo. Com tal objetivo, fundou, em fins de 1823, o jornal Tifnis Pernambucano. Defendia a instituição de um regime constitucional, representativo, capaz, segundo ele, de assegurar a independência recém-conquistada. Afirmava que a unidade nacional devia ser baseada na autonomia das províncias, de acordo com as tradições brasileiras e como demonstrava a experiência positiva dos Estados Unidos da América do Norte. Considerava indispensável que o Brasil se constituísse numa federação, unida pelos interesses e pelos sentimentos do povo de todo o país. Percebia que a nação, apesar de jovem, já possuía fortes laços de solidariedade e condições para sobreviver e progredir, percepção que, ainda hoje, certos elementos ditos progressistas não alcançaram. Embora jamais tivesse acreditado no liberalismo de Pedro I, mostrou-se disposto a aceitar o regime monárquico, contanto que a autonomia das províncias fosse preservada, assim como respeitada a soberania popular. Por isso, a dissolução pela força da Assembléia Constituinte encontrou de sua parte firme repulsa. E ao ser informado da imposição da Carta Constitucional, elaborada nos corrilhos palacianos, conferindo todos os poderes a Pedro I, escreveu, indignado, a um amigo: "Não admitimos mais imposturas, conhecemos o despotismo, vamos decepá-lo".
A Confederação do Equador, de 2 de julho de 1824, teve em Frei Caneca seu principal cérebro, seu autêntico fundador. A República sonhada englobaria as províncias do Norte, as quais ficariam unidas por uma Constituição, cujas bases ele publicara em seu jornal, na véspera da Revolução. Nesse projeto de Lei Magna, propôs enfaticamente a liberdade política, a igualdade civil, todos os direitos inalienáveis do homem. Estabeleceu itens relativos à liberdade de imprensa e de opinião. Destacou, especialmente, a abolição da escravatura nos seguintes termos: "Todo homem pode entrar a serviço de outro pelo tempo que quiser, porém não pode vender-se, nem ser vendido". O conteúdo de seu ideário era nitidamente burguês, democrático. Não obstante, pareceu muito radical, bastante avançado para aquele período.
Mas a Confederação do Equador só conseguiu o apoio das províncias da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Sem a adesão das demais, sobretudo da Bahia, cujo movimento popular revelara pujança e combatividade na luta contra as tropas do general português Madeira, a nova República duraria pouquíssimos meses. De seu lado, o governo imperial tomara incontinenti medidas para debelar a revolução a ferro e fogo. Cercado por terra e por mar, o governo confederado não pôde manter-se. A derrota deveu-se, fundamentalmente, a certas condições internas adversas da época, ao profundo atraso do país. Diferentemente dos Estados Unidos, onde vencera a Revolução da Independência com sentido democrático, no Brasil existia ainda um forte sistema feudal-escravista, que não deixou surgir nem florescer um núcleo numeroso de colonos livres. Os centros urbanos brasileiros eram então bastante débeis, distantes e dispersos. Além disso, a revolução não interessou direta e profundamente ao grosso da massa de escravos. Posto que condenasse formalmente a escravidão, não pretendia aboli-la imediata e radicalmente, mas sim de modo gradual. Em suma, por não terem compreendido a importância da participação da grande maioria da população escrava na luta pela independência, os líderes do movimento emancipador de 1817 e 1824 fatalmente seriam esmagados pela reação feudal e escravocrata.
Frei Caneca não cedeu facilmente. Julgou encontrar no interior de Pernambuco condições políticas e topográficas propícias à continuação da luta. Como não podia deixar de ser, enveredou pelo caminho da resistência armada, recorrendo ao método da guerra de guerrilhas. Mas quase tudo lhe foi hostil. Até uma tremenda seca contribuiu para obstar-lhe os planos. Suas colunas rarearam cada vez mais diante das dificuldades. Havia defecções dos que não tinham igual confiança na vitória. Mesmo sem recursos, passando fome, rompeu diversos cercos, travou alguns combates com vantagens e penetrou no sertão do Ceará, em busca de apoio. Só a 29 de novembro, em decorrência da situação insustentável em que se achava, aceitou a proposta de rendição formulada pelo comandante das tropas imperiais, em troca do respeito pela vida dos guerrilheiros e do compromisso de que o governo não faria vinditas.
Dessa forma, veio a cair nas mãos de Pedro I o mais intrépido defensor da causa emancipadora e democrática, o patriota que a reação mais temia e odiava. A Justiça Militar, nomeada a propósito pelo Imperador, empreendeu de imediato seu julgamento sumário. Frei Caneca não procurou justificar-se, pessoalmente; sustentou com bravura suas idéias, seu direito à promover a revolução; não claudicou nem se prestou a qualquer compromisso com os inimigos da pátria e do povo. Compreendia que Pedro I queria vê-lo rápida e severamente castigado para exemplo dos que se atrevessem a levantar-se contra a tirania. Seu comportamento altivo e digno, contribuiu para desmascarar o não cumprimento da promessa de que os prisioneiros teriam suas vidas poupadas. O desassombrado lutador deveria morrer na forca - tal a decisão dos juízes militares, antecipadamente tomada.
Longe de ficar abatido, Frei Caneca, em virtude de sua fibra moral e de suas profundas convicções, revelou-se mais animoso do que nunca. O desprezo pela morte, a consciência de cumprir em qualquer circunstância seu dever de patriota, de sacrificar a vida pelo bem comum, forjaram nele um dos mais belos e íntegros caracteres de homens públicos populares que registra a história brasileira. Cantou tais sentimentos em versos como estes:
"O Patriota não morre:
Vive além da eternidade;
Sua glória, sem renome.
São troféus da humanidade."
Pouco antes de ser fuzilado, ainda compôs outro poema que diz:
"Tem fim a vida daquele
Que a pátria não soube amar;
A vida do patriota
Não pode o tempo acabar"
O episódio final do seu suplício mostra até que ponto ia a sanha da repressão. A agonia arrastou-se praticamente por três dias, nos quais sua figura se agigantou pela coragem, ao passo que a dos seus verdugos se amesquinhou pela crueldade. Desde o dia 10 de janeiro se haviam iniciado os preparativos para o enforcamento. Mas, nesse instante, a Igreja resolveu interceder junto a Pedro I em favor da vida do condenado, solicitando que a pena capital fosse comutada em prisão. O Imperador, além de recusar, ameaçou. A Igreja desistiu. Dia 13, pela manhã, já no patíbulo, ele foi submetido à degradação canônica, isto é, despido de seus hábitos religiosos e da condição de frade. Entretanto, o preso comum destinado a colocar-lhe o laço no pescoço, negou-se a fazê-lo. Ali mesmo foi pisoteado, surrado. Outros dois presos comuns convocados para a mesma bárbara função, também não a aceitaram. Diante disso, o representante de Pedro I, brigadeiro (como então se chamava ao general) Lima e Silva, optou pelo fuzilamento. Entrementes, Frei Caneca, que fora despertado do sono em que estava mergulhado para subir ao patíbulo, continuava sereno, procurando falar ao povo e auxiliar os carrascos a terminarem com a execução. Até que o ato infame se consumou.
Há 150 anos do holocausto do grande herói popular, cumpre às forças revolucionárias não apenas homenageá-lo como compreender o sentido de suas idéias e de sua luta, assim como continuá-la nas novas condições históricas. Nesse período, ocorreram enormes transformações no mundo e em nosso país. O socialismo venceu em alguns países e avança vitorioso, enquanto o capitalismo está apodrecendo. As contradições sociais e políticas se aguçaram. No Brasil, as forças que se opõem ao progresso, à democracia e à independência nacional já não são senhores de terras e escravistas junto com o colonialismo português, mas sim os latifundiários e a grande burguesia associada ao imperialismo, sobretudo ao norte-americano. Por outro lado, as forças interessadas na revolução são outras, muito mais poderosas. O papel que representam é também diverso do daquele tempo. Agora, apenas uma parte da burguesia, a não-ligada aos interesses estrangeiros e à reação, pode participar da revolução, mas não encabeçá-la. Tampouco a intelectualidade progressista, inclusive a provinda do clero, tem condições de ser a vanguarda revolucionária. A direção da revolução cabe ao proletariado, através de seu Partido marxista-leninista. Nessas circunstâncias, o caráter nacional e democrático da revolução, embora permaneça formalmente o mesmo, ganhou um novo conteúdo. Sob a liderança da classe operária e na base da aliança operário-camponesa, ela será inevitavelmente vitoriosa e abrirá caminho para o socialismo.
Todavia, muitas das idéias e das medidas expostas e propugnadas por Frei Caneca têm atualidade, estão na ordem-do-dia. Igualmente, o caminho revolucionário, a luta armada, e a intransigência que preconizou e revelou são fundamentalmente os mesmos que hoje devemos trilhar e praticar no combate para pôr abaixo a ditadura militar e varrer com a dominação do imperialismo estadunidense. Honra e glória eternas ao grande precursor da luta do povo brasileiro pela independência e pela democracia!

 *Artigo de Pedro Pomar, publicado no jornal A Classe Operária, 1974.

domingo, 30 de agosto de 2015

OLHAR CARMELITANO: O chamado de Eliseu (1Reis 19,19-21)

Frei Emanuele Boaga, O.Carm. - Augusta de Castro Cotta, CDP

A história no seu contexto
A história do chamado de Eliseu se liga bem com a precedente a ela. Nesta vemos Elias seguir uma das ordens de Deus (19,16b) e assim agir para desenvolver o processo que levaria a vitória sobre o baalismo como Deus prometera (19,17). Será Eliseu que realizará as outras duas ordens: instigou a Hazael para que usurpasse o trono de Damasco (2 Reis 8,7-15) e a Jeu, o trono de Israel (2 Reis 9,1-13). Foi durante uma guerra de Hazael contra Jorão, rei de Israel, que Jeu mata Jorão e se proclama rei no seu lugar (2 Reis 9,14-26). Jeu mata também Jesabel (2 Reis 9,30-37) e os outros membros da família de Acab (2 Reis 10,1-11). Enfim, reúne os fiéis de Baal no seu templo, mata-os, destrói o templo (2 Reis 18-27). Assim Jeu exterminou Baal de Israel (2 Reis 10,28) e realiza-se a promessa que Deus fizera a Elias (1 Reis 19,17).

Interpretação
A ordem de Deus era a de ungir Eliseu como profeta. Mas os profetas não eram ungidos. O uso deste termo impróprio no v.19,16 pode-se explicar com o paralelismo, uma vez que ao nome de Eliseu segue-se o de Hazael e de Jeu, que como reis recebiam a unção.
Na nossa história o elemento principal para a eleição de Eliseu não é a unção, mas o manto de Elias. Talvez que um certo tipo de manto fosse a veste distintiva de um pro­feta (2 Reis 2,13-14). Neste caso o manto simboliza sempre a missão da pessoa e contém os poderes daquele que o usa (2 Reis 2,13-14). Também, jogar o manto sobre alguém indicava ainda o direito do proprietário do manto sobre a pessoa que o recebia (ver Ruth 3,9). Então, Elias com aquele seu gesto adquire um direito sobre Eliseu que começa a servir a Elias (v.21) e ao mesmo tempo o reveste da sua missão e dos seus po­deres como Profeta. Neste sentido pode-se considerar esta história como paralela a 2 Reis 2,1-18.
Eliseu aceita o chamado, pede apenas para ir despedir-se dos seus familiares antes de partir. A resposta de Elias tem provocado muitas discussões porque é assaz ambígua. Literalmente o texto hebraico diz: "Vai, mas volta porque sabes que coisa te fiz. (ou: ?)". Isto pode significar que Elias deixa Eliseu livre para escolher de segui-lo ou não. Mas, provavelmente significa: "Vai e volta porque tu sabes bem o que te fiz: eu te investi dos meus poderes".
 Eliseu oferece um sacrifício para o qual convida as pessoas de sua terra. Mas aqui o que é mais significativo é o fato de que para oferecer o sacrifício ele destrói o arado e mata seus bois, o que indica uma definitiva ruptura com o passado. É o mesmo que faz ao deixar as próprias vestes para vestir o manto de Elias (2 Reis 2,13). Agora possui uma nova identidade: é o servidor de Elias. Realmente o texto não nos diz que se tornou sucessor de Elias mas seu servidor. É necessário também ler este detalhe, como tantos outros da história de Elias, fazendo-se referência a história de Moisés. Josué, filho de Num, era servidor de Moisés na sua juventude, tornando-se depois seu sucessor. Assim também Eliseu inicia a sua carreira como servidor de Elias para tornar-se depois o seu sucessor.

*Institutum Carmelitanum- Comissão Internacional- Carisma e Espiritualidade.

FREI PETRÔNIO: Pensamento do Dia. (Domingo, 30).

22º Domingo do Tempo Comum: Homilia do Papa Francisco. Ano-B.

Neste domingo, 30 de agosto, antes de rezar o Angelus com os fiéis e peregrinos presentes na Praça de São Pedro, o Papa Francisco meditou sobre o Evangelho do dia e rezou pelos migrantes. Apresentamos as palavras do Papa:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho deste domingo apresenta uma disputa entre Jesus e alguns fariseus e os escribas. A discussão é referente ao valor da "tradição dos antigos" (Mc 7,3) que Jesus, referindo-se ao profeta Isaías, define "preceitos dos homens" (v. 7), e que nunca deve ficar no lugar do "mandamento de Deus" (v. 8). As prescrições antigas compreendiam não apenas os preceitos que Deus revelou a Moisés, mas uma série de regras que especificavam as indicações da lei mosaica. Os interlocutores aplicavam tais normas de uma forma muito escrupulosa e as apresentavam como uma expressão de religiosidade autêntica. Portanto, repreendem Jesus e os seus discípulos pela transgressão delas, em particular, daquelas relacionadas com a purificação exterior do corpo (cf. v. 5). A resposta de Jesus tem a força de um pronunciamento profético: "Ignorando o mandamento de Deus - diz - observam a tradição dos homens" (v. 8). São palavras que nos enchem de admiração por nosso Mestre: sentimos que nEle há verdade e que a sua sabedoria nos liberta de preconceitos.
Mas atenção! Com essas palavras, Jesus quer alertar também a nós, hoje, que ao manter a observância exterior da lei seja suficiente para ser bons cristãos. Como à época para os fariseus, há também para nós o perigo de nos consideramos adequados ou, pior, melhor do que os outros pelo simples fato de observar as regras, as tradições, mesmo se não amamos o próximo, somos duros de coração, soberbos, orgulhosos. A observância literal dos preceitos é algo estéril se não muda o coração e não se traduz em atitudes concretas: abrir-se ao encontro com Deus e à Sua Palavra, a oração, buscar a justiça e a paz, ajudar os pobres, os fracos, os oprimidos. Todos sabemos que, nas nossas comunidades, nas nossas paróquias, nos nossos bairros, quanto mal fazem à Igreja e são motivo de escândalo as pessoas que se dizem muito católicas e vão muitas vezes na igreja, mas, depois, na sua vida quotidiana, descuidam da família, falam mal de outros e assim por diante. Isso é o que Jesus condena, porque é um contra- testemunho cristão.
Continuando a exortação, Jesus se concentra em um aspecto mais profundo e afirma: "Não existe nada fora do homem que, entrando nele, possa torná-lo impuro. Mas são as coisas que saem do homem que o tornam impuro"(v. 15). Desta forma, sublinha a primazia da interioridade, ou seja, a primazia do "coração": não são coisas exteriores que nos fazem santos ou não santos, mas é o coração que expressa as nossas intenções, as nossas escolhas e o desejo de fazer tudo por amor a Deus. As atitudes exteriores são a consequência do que decidimos no coração, mas não o contrário: com as atitudes exteriores, se o coração não muda, não somos verdadeiros cristãos. A fronteira entre o bem e o mal não passa fora de nós, mas sim, dentro de nós. Podemos nos perguntar: Onde está meu coração? Jesus diz: "O teu tesouro é onde está o seu coração". Qual é o meu tesouro? É Jesus, a sua doutrina?  É o coração bom ou o tesouro é outra coisa? Portanto, é o coração que deve ser purificado e convertido. Sem um coração purificado, não se pode ter mãos verdadeiramente limpas e lábios que pronunciem palavras sinceras de amor - tudo é duplo, uma vida dupla - lábios que pronunciam palavras de misericórdia, perdão. Somente isso só pode fazer o coração sincero e purificado.
Peçamos ao Senhor, por intercessão da Virgem Santa, para nos dar um coração puro, livre de toda hipocrisia. Esse é o adjetivo que Jesus disse aos fariseus: "hipócritas", porque dizem uma coisa e fazem outra. Um coração livre de toda hipocrisia, para que sejamos capazes de viver de acordo com o espírito da lei e alcançar o seu fim, que é o amor. Fonte: http://www.zenit.org
*Papa no Angelus. Cidade do Vaticano, 30 de Agosto de 2015.

Seminários e Conventos: Um olhar a partir da sexualidade.

Muitos formadores de seminários e conventos não conhecem as feridas que os candidatos trazem.
Entrevista à irmã Lacambra, especialista em temas de sexualidade humana
Por José Antonio Varela Vidal


ROMA, terça-feira, 05 de junho de 2012 (ZENIT.org). - É sempre bom saber a origem das coisas. Isto ajuda a identificar as causas dos problemas, que quando crescem com várias ramificações impedem uma solução adequada. Alguns deles são os temas relacionados à sexualidade humana ou ao mundo demoníaco.
Para conhecer mais de perto estas realidades, ZENIT conversou com a irmã Maria Blanca Lacambra, da congregação das Servas da Verdade, que reside em Bayamón, Puerto Rico. Ela trabalha há muitos anos com diversos grupos da arquidiocese de San Juan, no que diz respeito à disfunções sexuais, assim como casos de possessões diabólicas e exorcismos. Oferecemos a primeira parte da entrevista hoje.

ZENIT: Por que o tema da sexualidade, com suas perversões, tornou-se uma notícia de todos os dias?

IR. LACAMBRA: Em primeiro lugar considero a sexualidade sagrada, criada por Deus e, portanto um presente seu. As perversões são ocasionadas por vários fatores inerentes a traumas, estupros e abusos de todo tipo. Sendo Puerto Rico uma sociedade matriarcal, onde a mãe faz quase tudo com relação aos filhos, e o pai se dedica a trazer o sustento para o lar, - hoje muitas mães trabalham e não têm tempo para os filhos -, são os filhos que ficam afetados por isso e em muitos casos se debilitam. Tudo isso faz com que muitas feridas fiquem impressas no cérebro e os acompanhem por toda a vida. Se estas feridas não são tratadas com cuidado por diversos profissionais qualificados na matéria, juntos com a consciência séria da participação de Deus nas nossas vidas, teremos diante de nós adultos com muitos distúrbios de comportamento e de personalidade; problemas que mais adiante se manifestarão tanto na vida matrimonial como na vida religiosa.

E isso pode ser mudado?
IR. LACAMBRA: Existem sacerdotes, psiquiatras, psicólogos e sexólogos que trabalham com isso, e pelo que a experiência está me ensinando, é necessário trabalhar rapidamente para eliminar, na medida do possível, as feridas que impedem os homens de adquirir a libertação; lembremos de que somos imagem e semelhança de Deus e são as feridas que nos impedem de sentir no nosso ser esse “menino” ou “menina” criada por Deus e que constantemente está gritando dentro de nós porque quer ser o que Deus, Nosso Senhor quis que fosse: seu filho ou filha querida.

ZENIT: E como prevenir isso com aqueles que entram nos seminários e conventos?
IR. LACAMBRA: Vejo que está sendo feito algo ultimamente, mas pouco. Que se faça um teste psicológico não é suficiente, porque se a pessoa é inteligente poderá manipular todos aqueles que a queiram mudar e não se poderá saber como é na realidade o candidato. Os candidatos não dizem muitas coisas que se deveria saber antes de entrar no convento, para serem ajudados. Vêm com muitas feridas da infância e da adolescência. E ainda mais, considero que exista medo pelo tema da sexualidade; não se aprofundiza como se deveria fazer. Lembremos que a sexualidade abarca o corpo, alma e espírito e portanto, nos acompanha ao longo de toda a vida e se não nos é familiar, amiga, diria, como é possível amá-la e deixar que ela cumpra com o fim para o qual Deus, Nosso Senhor a criou?

ZENIT: Vêm-se alguns casos disso, não?
IR. LACAMBRA: Se entramos nas comunidades nos encontramos com tantas coisas que estão acontecendo a nível mundial, seja com sacerdotes, religiosas, pastores e nos escandalizamos mas..., quem acompanhou estes candidatos à vida religiosa e sacerdotal no aspecto da sexualidade? Por acaso os seus pais? É triste constatar que muitos pais não sabem nada do que se refere a este tema tão importante. Eu diria que nem sequer alguns formadores e superiores de comunidades religiosas têm muito conhecimento desse tema. Muitos jovens entram no seminário ou na vida religiosa com a intenção de ficar, seja porque têm vocação ou por outras causas que já conhecemos; algumas delas não muito positivas. O fato de que hão haja formadores devidamente preparados para acompanhar estes candidatos, supõe que ante o voto de castidade tenham problemas. Além do mais, o mero fato de saber que existe fortes tentações, não supõe necessariamente que não existe a vocação. Justamente os meios utilizados contra o maligno nestes momentos são importantíssimos: a oração, a recepção dos sacramentos, o santo terço, e acima de tudo, o acompanhamento de uma pessoa - geralmente o superior e o diretor espiritual - tanto no terreno espiritual como humano.

ZENIT: Na época da formação para o sacerdócio ou para a vida consagrada, quais são os sinais de alerta que se pode ter sobre isso?

IR. LACAMBRA: Eu diria que um apego excessivo ao superior, pois estão à procura de um pai; no caso das jovens, na superiora uma mãe. E isso se manifesta ao longo de toda a vida. Acredito que um candidato a religioso ou religiosa, que não tenha recebido o amor dos pais, terá muito mais dificuldade de seguir adiante sem ajuda. A necessidade de masturbar-se, de ver pornografia; a necessidade de estar horas diante da tela; o viver uma vida totalmente secularizada e superficial, são indícios da falta de compromisso diante de um assunto tão importante.

ZENIT: Não há como superar isso durante a formação?

IR.LACAMBRA: Na formação é necessário orientar os candidatos para terem uma vida de intensa oração, porque esse amor esmaga e apaga todo o resto. Mas não é o único. A nossa natureza é humana e, portanto, deve ser tida em conta. Se o amor radica na sexualidade, é impossível amar sem ser afetivo. Deus é amor! E quão bem o Papa Bento XVI nos dá a entender isso na sua Encíclica Deus Caritas Est. Os formadores deveriam ter conhecimentos da pessoa humana; devem ter conhecimentos da pessoa humana; devem preparar-se em sexologia e ser maduros afetivamente. Estudaram filosofia, teologia mas sabem pouco de afetividade se não provêm de uma família onde mamaram e foram testemunhas do amor que o pai tinha pela mãe e vice-versa; devem ter tido experiências de um amor filial que é o eixo da maturidade afetiva e do espírito. O sentido da castidade bem compreendida e vivida, leva a um amor tão grande que não se precisa de ninguém no caso do cônjuge; e de ninguém mais que o Esposo, no caso do célibe.



ZENIT: Outro tema do nosso tempo é a infidelidade entre os casais ... Onde se origina isso?

IR. LACAMBRA: Nas oficinas que temos, percebemos que o grande problema que nos apresentam quando chegam não é o esposo ou a esposa, mas a falta de amor na infância; falta de amor pelas feridas que têm, sobretudo dos 0 aos 6 anos. Ali não houve um papai ou uma mamãe que lhes dera amor que necessitavam, para depois usar esse mesmo amor ao longo de toda a vida. Ao longo da terapia eles mesmos se dão conta de que existem coisas no fundo que lhes impossibilita o amor gratuito e maduro que devem ter um pelo outro; a felicidade é um presente que Deus lhes deu; presente que tem que ir desenvolvendo ao longo da vida. O cônjuge não é o culpável pela falta de felicidade no outro, na maioria dos casos.

ZENIT: A infidelidade é uma doença?

IR. LACAMBRA: não me atreveria a dizer que é uma patologia. Mas sim diria que é uma atitude, um estado produzido por uma insatisfação, uma busca do prazer; do sentido sem ter aprofundado bem na afetividade, que é o que se aprende no lar. Como, então, falar de espiritualidade se o relacionado com a natureza humana está "manco"?

ZENIT: E sobre a questão da homossexualidade? Alguns dizem que é adquirida, outros que se nasce assim, o que se sabe hoje sobre isso?

IR. LACAMBRA: Há um monte de idéias e teorias sobre isso. O que estudei - embora não seja sexóloga - é que existem dois tipos de sexualidade, a primária e a secundária. A primária refere-se a aquelas pessoas que desde pequenas já têm essa inclinação. Existem muitos fatores que devem ser tidos em conta, mas eu diria que entre 100 homossexuais, somente alguns seriam primários (os verdadeiros homossexuais). O resto, o maior número seriam os secundários; para nós, pseudo-homossexuais.

ZENIT: Então, tudo isso pode ser canalizado?

IR. LACAMBRA: A sexualidade é uma ciência moderna do século XX, portanto ainda está na sua infância. Encontram-se muitas coisas, e trabalhando com as pessoas nos damos conta de que o homossexual secundário não o é realmente, é um falso ou pseudo-homossexual. O que faz que com a ajuda de pessoas idôneas possam voltar a ser heterossexuais, que é o que Deus quis para eles. No entanto, também encontramos casos de homossexuais primários que nos foi possível orientar por meio da vida espiritual e lhes ajudamos a amar a Deus, que constitui o fundamento do seu amor. Conseguiram: colocando a Deus, Nosso Senhor no topo, o resto fica em segundo plano. Na nossa arquidiocese existe um grupo chamado “Courage” que ajuda os homossexuais e ali consegue-se muitos frutos. É claro que ao aproximar-se de Deus, e aprender a amá-Lo faz com que a pessoa se apaixone por Ele e leva a ir apagando as paixões que nos separam Dele a nível terreno: o prazer, a comodidade, etc. Além do mais, o saber canalizar bem a energia sexual faz que a sexualidade não transborde e cause inundações que vemos em todos os lugares. Fonte: http://www.zenit.org

(Tradução Thácio Siqueira)

sábado, 29 de agosto de 2015

A Ordem do Carmo e a Revolução Francesa

Recordando a História da Ordem do Carmo, os séculos XVI e XVII foram séculos de grande expansão da Ordem através da devoção Mariana propagada pelos escritos da Espiritualidade Carmelitana e também pela atuação das Ordens Terceiras e Confrarias do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. No início so século XVI havia 30 Províncias 693 Conventos, 12.000 Religiosos e 75 Mosteiros femininos com 1500 Monjas de Clausura.
No fim do século XVIII irrompeu o furacão da Revolução Francesa quando a Ordem do Carmo estava com 15.000 Religiosos. A Revolução Francesa partiu para as perseguições contra a Igreja e as Ordens Religiosas, então o número de Religiosos Carmelitas foi reduzido a 757 e a sua recuperação só aconteceu no início do século XX.
Outro fator que abalou os alicerces da Igreja e das Ordens Religiosas foi o aparecimento de Napoleão Bonaparte que, depois da Revolução Francesa, apossou-se do governo francês, criou um consulado de três membros e ele foi eleito o Primeiro Cônsul, tornando-se vitalício no cargo e Ditador.
Com a Revolução Francesa e o despotismo de Napoleão, a Igreja sofreu horrores e dizia-se que Pio VI seria o último Papa. Faleceu Pio VI (1799), e, com muita dificuldade realizou-se um conclave (eleição) de um novo Papa, não em Roma, mas em Veneza/Itália, e foi eleito o Cardeal Barnabé Chiaramonti, que tomou o nome de Pio VII e governou a igreja de 1800 a 1823. Pio VII era Monge Beneditino, homem profundamente religioso e capaz, sofreu por demais no relacionamento com o Imperador Napoleão Bonaparte. O desfecho final de tanto sofrimento para o Papa e para a Igreja só terminou quando em 1814 Napoleão foi obrigado a abdicar, passando a residir na Ilha de EIba, e em compensação recebeu o título de Imperador. Mas em 1815 retornou a França, retomou o governo, mas foi derrotado em Waterloo a 18 de junho de 1815, foi desterrado para a Ilha de Santa Helena, onde veio a falecerem 1821.

Em 1814, Pio VII pode retornar a Roma, reorganizou o Estado Pontifício, as relações da Santa Sé com a França e outros países da Europa melhoraram, o Papa recuperou o seu prestígio e passou a ser aceito como centro inabalável do governo da Igreja. Pio VII faleceu em 1823. Encerra-se aqui a história da Revolução Francesa e do Imperador Napoleão Bonaparte e nesse período de 1789 a 1815, portanto 26 anos, as Ordens e Congregações Religiosas foram sensivelmente abaladas em seus quadros e a Ordem do Carmo na Europa e no Brasil, não passou ilesa durante esse período. No fim do século XIX a Ordem do Carmo no Brasil ficou reduzida a uns poucos Religiosos, mas Nossa Senhora do Carmo, que sempre esteve presente em nós e na vida de sua Ordem acorreu em nosso auxílio, enviando-nos alguns Religiosos Carmelitas da Espanha, primeiro, e depois, da Holanda, que receberam de Nossa Mãe do Carmo a Missão de restaurara Ordem do Carmo no Brasil!

O CORAÇÃO DA REGRA DO CARMO, QUAL É? (1ª Parte)

Frei Bruno Secondin, O. Carm.

A vocação do Carmelo à oração
              Toda a Regra toda propõe logicamente um itinerário em direção à maturidade. Já o demonstramos no próprio esquema, mas há também expressões que mais diretamente se referem a esta perspectiva: as palavras, por exemplo, meditare, vigilare, de corde puro, placere Deo, in obsequio Jesu Christi, pie vivere in Christo, æternæ vitæ mercedem, quæcumque(...) agenda(...) in verbo Domini fiant.
              A tradição dos séculos delineou a fisionomia do Carmelita segundo o capítulo 7º: oração e solidão. Somos definidos assim como homens e mulheres da espiritualidade, da vida interior, da oração. Hoje se diz freqüentemente que as nossas comunidades são fraternidades orantes. Como vamos conseguir pôr este dado da tradição de acordo com a nossa explicação da Regra, que desloca o centro para o capítulo 10º, orientando para lá o valor de todo o projeto, inclusive o capítulo 7º ?
              Temos de dizer que é ótima coisa a ênfase que a tradição põe no capítulo 7º, interpretando-o como prescrição de solidão, de meditação e oração, mas não corresponde com rigor ao sentido literal do texto e, ainda menos, ao sentido que tem aquele capítulo no dinamismo ideográfico da Regra na sua totalidade. É um capítulo que permanece fundamental, mas por causa da Palavra, que deve ser absolutizada na vida a ponto de encher a solidão e o tempo, por inteiro: die ac nocte meditantes; a ponto de vir a ser transmudada em sede e desejo veemente, pois vigilantes é de um sentido forte. Porém, o máximo grau da força e da potência da Palavra e o fundamento da verdade de tudo quanto Ela anuncia e comunica estão na Eucaristia, que faz participar da vitalidade do Cristo Ressuscitado. E o projeto de vida está regulado e modelado justamente pela "sacramentalidade" eucarística, muito mais do que pela solidão ou pela oração e meditação.
              É pena que a tradição materializou na solidão-isolamento e no rezar, em sentido genérico, uma prescrição que põe a sua força na meditação da Palavra e nas conseqüências que daí derivam, como oração, comunhão fraterna, celebração do Mistério e mais práticas decorrentes. Concentrar-se de maneira especial sobre o estar sós e sobre um conceito "vago" ou fraco de oração, no qual de fato a  meditação da Palavra não goza realmente do primado que lhe cabe, mas está ao par com outras modalidades de "oração", inclusive "devoções", isto levou a uma oração de solitários mais do que de solidários, a uma espiritualidade individualista mais do que a uma Igreja-comunhão.
              A oração, à qual deve o Carmelita dedicar-se, é descrita na Regra como um vigilare in orationibus (c.7), quer dizer, como uma resposta existencial à Palavra meditada e assimilada. Rezar é, então, penetrar nos segredos do coração de Deus, que a Palavra nos revela; é estender-se, por meio das várias modalidades de respostas - vamos dizer oração e práxis -, em direção de Alguém, que habita na Palavra e, contudo, é também algo a mais e nos atrai. Vigiar torna-se olhar atentamente com todo o seu ser e com toda a sua alma para Deus, na prece solitária, na oração dos salmos, assim como na fraternidade dos bens e dos corações, no trabalhar e no calar-se, no jejuar e no servir, no discernir e no observar. Tudo isto se resume e se completa na celebração da Páscoa de cada dia, que é síntese das intenções e da fecundidade histórica da Palavra, fermento de unidade e Boa Nova das futuras realidades.
              Na Comunidade Primitiva o rezar dos que acreditaram, um elemento fundamental e freqüentemente trazido à lembrança (At 1, 14-24; 2,42; 4,24-30; 6,6; 8,15; 9,40; 10,2; 13,3; 21,5 e mais), nasce da escuta da Palavra em comum, está unido à celebração do culto e é consolidado e coroado na vida, ao se tornarem "um só coração e uma só alma" (At 4,32). Assim deve ser o "rezar" dos Carmelitas: deve ser experiência de Igreja, um completar e animar com a oração uma edificação (Ef 4,16; Cl 2,19), uma oikodomé de koinonia entre irmãos, um viver a expectativa do povo de "ver" o seu Deus, de encontrar o seu rosto, de senti-lo "no meio" como o seu Guia e o "seu Senhor".
              Quando se fala dos Carmelitas como de "chamados para a oração", dever-se-ia fazer o possível para não se identificar o chamado com um chamado para uma experiência individualista, para uma seqüência de gestos religiosos a circular em redor da própria pessoa, acorrentados em espaços e tempos rígidos. Não é nem mesmo uma espécie de ascensão para o divino por estradas solitárias e únicas. Isto conduziria a formas de narcisismo espiritual e a uma oração próxima do psicologismo introspectivo. Preferiria que se falasse de um chamado a fazer viver a Igreja, a fazê-la vibrar como Corpo de Cristo.
              Orar para o Carmelita, segundo a Regra, não é tanto dedicar-se a fazer alguma coisa, a pensar de uma determinada maneira, por um certo tempo; isto também faz parte do orar, mas são elementos variáveis e secundários, segundo culturas e segundo pessoas. Rezar deve tornar-se um fazer própria a forma Ecclesiæ, isto é, deve levar a deixar-se convocar e amar, julgar e salvar pelo Senhor da Comunidade. Diante da ação e da presença d'Ele se reage com a palavra e com a vida, com os gestos e com a solidão, com a luta e com a deliberação, com o louvor e com a súplica, com o silêncio e com a memória, com a invocação e com a espera e com a vigilância. Daí deriva que o itinerário do Carmelita rumo à maturidade, através da oração, é autêntico, quando sabe respeitar os princípios da eclesialidade e se conforma com as exigências de uma autêntica experiência eclesial.
              Até a vida ascética e penitente, tão exaltada pela tradição do Carmelo, deve ser vivida, não como ascetismo individualista, mas como caminho eclesial: fidelidade trabalhosa, coerência sofrida para vivere pie in Christo (cf. 2Tm 3,12), num contexto de Igreja que conhece a fragilidade humana, que lhe obscurece o rosto, mas procura só no Senhor (c.14) a sua libertação e o seu esplendor (cf. LG 48).
              Para que se possa ser capaz de vigilare in orationibus, (c.7), como Ecclesia orans, é preciso ser ao mesmo tempo Igreja da reconciliação e do serviço, Igreja discípula e testemunha da Palavra, Igreja do Pão-Partido e repleta da consolação do Espírito: somente assim a oração será autêntica.
              Aquele lugar a se construir no meio das celas, que na Regra está arquitetonicamente no centro do espaço e do próprio texto (c.10), tem um poder de evocação de valores e razões de vida que supera qualquer outro elemento e os atrai todos para junto de si como ao seu ápice e medida. Dá realmente ao todo uma polarização nesta direção, isto é, rumo ao que aí se celebra e se exprime, num quotidiano "vir-juntos" (con-venire) carregado de emoções e de intencionalidades simbólicas. E este con-venire reclama um "arredar-se" longe da separação e do perigo da autarquia numa "cela isolada e pessoal" (c.3), para caminhar "ao encontro" dos irmãos até o lugar onde o "Senhor mora com o seu Mistério", chama para a escuta (ad audienda - c.10) e fermenta a comunhão rumo a uma total unidade.

              Podemos recorrer a uma idéia que encontramos no texto de espiritualidade carmelitana mais antigo, que conheçamos, a Ignea Sagitta de Nicolau, o Francês (1270). Referindo-se ao trecho da 1ª Carta de Pedro em 1Pd 2,4-5, ele informa que somos chamados a ser como pedras vivas lavradas pela graça, para construção do gloriosum ædificium cælestis civitatis Jerusalem. E, aplicando a idéia ao projeto carmelita, podemos dizer que o nosso itinerarium cordis, que com Teresa podemos chamar de Caminho da Perfeição ou com João da Cruz, de Subida do Monte Carmelo, só alcançará a sua autenticidade quando "a adesão a Cristo, Pedra Viva" (o obsequium do prólogo) e o "crescimento do gérmen da Palavra de Deus" (o die ac nocte in lege Domini meditantes do c.7 e o Verbum Dei abundanter habitet in ore et in cordibus do c.14) nos transformarem "como pedras vivas para a construção em casa do Senhor" (cf. 1Pd 1,23; 2,4-5).

FREI PETRÔNIO: Pensamento do Dia. (Sábado, 29).

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A PALAVRA... Nº 974. De quem Jesus tinha raiva?

FREI PETRÔNIO Pensamento do Dia (Quarta, 26) - Vídeo Dailymotion

FREI PETRÔNIO Pensamento do Dia (Quarta, 26) - Vídeo Dailymotion

OLHAR CARMELITANO: MASS MEDIA E ESPIRITUALIDADE

Frei Henk Husktra, O. Carm

Desenvolvimento da comunicação e da cultura

Visão geral
A comunicação sempre acontece através de um meio, meio e comunicação estão sempre ligados. A revolução na comunicação significa também revolução na cultura: nos costumes, na fé, etc.

Cultura oral
Comunicação Oral = comunicação interpessoal, com os sujeitos presentes um ao outro, podem reagir um com o outro diretamente. É a comunicação das pequenas comunidades, garantia para a continuidade da vida, centro da comunidade. Nesta nasceu e se desenvolveu a cultura cristã (passando da cultura oral - judia - para a cultura escrita - grega). É a comunicação através da presença física  de emissor e receptor.

Cultura Literária
Comunicação Literária =  não tem necessidade de presença física, não é uma comunicação face a face. Criação do alfabeto, primeira revolução cultural.
A mensagem fixa nos sinais visíveis do alfabeto permitiu conservar esta mensagem ao longo dos tempos e também distribuir esta mensagem. Começou com a escrita à mão. Os manuscritos são determinantes daquilo que se transmite, por isso a comunicação escrita é considerada mais importante do que a comunicação oral.
Logo que se começou a usar a escrita começou a haver uma reflexão mais elaborada: se reflete mais quando se escreve do que quando se fala, porque o que se escreve é conservado e distribuído.
Os manuscritos passam a ser mais importantes do que a comunicação interpessoal, direta, porque podia ser controlada e perdurava no tempo.
A cultura escrita teve mais influência do que a cultura oral.

Imprensa:
A situação mudou radicalmente com a imprensa. A máquina reforçou a linguagem escrita e a cultura literária. Deu-se a produção em massa de livros, com a possibilidade de fornecer textos idênticos. Era o inicio da cultura literária, a criação da biblioteca.
O primeiro livro impresso foi a Bíblia, produzido em massa e colocado à disposição de muitas pessoas. A maquina impressora possibilitou a distribuição em massa da Bíblia, e também a possibilidade de ler, reler e apropriar-se do texto.
A imprensa foi à primeira forma de comunicação de massa. Criou-se um modo novo de sentir, de pensar, de expressar-se, de comunicar, de crer. O alfabeto muda os relacionamentos interpessoais, a religião, a ética, etc., produz uma cultura nova. Criou a cultura literária.
Uma revolução dos MCS significa também uma revolução na cultura, em todos os relacionamentos humanos. A imprensa criou a cultura literária e esta significou uma revolução na fé e na Igreja.
O crescimento da Igreja protestante coincidiu com a imprensa. A imprensa possibilitou as diferentes correntes de pensamento e sua difusão, deu lugar à revolução do pensamento. Provocou mudanças na Igreja, na sociedade, na fé. Era o fim do monopólio da fé e da unidade da igreja. Foi o fim do monopólio da Igreja Católica sobre a educação e sobre a verdade. A Igreja teve medo destes meios e os combateu a imprensa, sublinhou sempre mais a uniformidade da fé e a racionalidade da fé católica.
Roberto Belarmino colocou a imprensa a favor da Igreja, favoreceu a imprensa na Igreja e promoveu a doutrina e a própria Igreja. Foi o inicio de uma nova forma de educação e de formação, nas escolas, nos colégios. Causou uma revolução na comunicação, na fé, na Igreja, na ética e na sociedade em geral.
Deu-se a transição entre a cultura dos manuscritos à cultura impressa.
Esta foi à segunda revolução na comunicação.

Cultura audiovisual
Terceira. Revolução na comunicação =  transição entre a cultura de imprensa para a cultura tecnológica.
Audiovisuais : comunicação de pessoas com os olhos, os ouvidos e a boca. Usa dois binários: áudio (ouvidos) e  visual (olhos).
È a combinação da linguagem, dos olhos, dos ouvidos e da boca com os meios eletrônicos e a tecnologia. Esta foi a terceira revolução na comunicação - informação por meio da tecnologia: TV, computador, Internet, etc.
A Internet è a combinação, a conexão dos vários computadores dispersos em todo o mundo via linha telefônica, cabos e satélites.

Linguagem na qual se pode ver, ouvir e falar.
Novo matrimonio entre palavras e imagens, sob a presidência dos meios eletrônicos.
A cultura literária é uma cultura de cérebro, è lógica, racional, reflexiva, cognitiva, é mais abstrata, è mais polêmica.  A cultura audiovisual è mais afetiva, emotiva, mais fantasiosa, é a linguagem do coração. A cultura literária é a linguagem do cérebro. A comunicação literária é mais conceptual,  a comunicação audiovisual  è mais perceptiva.
Existe enorme diferença entre cultura literária e cultura audiovisual. A linguagem audiovisual e uma nova forma de comunicação. O povo é enamorado deste tipo de comunicação.
Devemos refletir sobre o uso destes meios:
- O que significa os meios audiovisuais para a fé, para a Igreja e para a Ordem?
- Qual deve ser a contribuição da fé, da Igreja e da Ordem para os Mass Media?
A transição da cultura literária para a audiovisual é uma mudança profunda e com muitos efeitos e       tendências, uma verdadeira revolução.
È uma transição da cultura da palavra à cultura da imagem. A palavra escrita era o centro da nossa comunicação e agora vivemos em uma época onde o elemento dominante é a imagem. Não significa que a palavra já não seja  importante, porém a ênfase é sobre a imagem, combinada com a palavra. Nas estradas, nas cidades, nos MCS a imagem domina sobre a palavra, vivemos em uma cultura da imagem, mundo altamente simbólico: temos o mundo natural, o mundo da sociedade e o mundo simbólico. A Igreja vive também neste mundo.
Na cultura literária o elemento mais importante era a racionalidade, os silogismos, levava a tirar conclusões. Na cultura audiovisual o elemento mais importante é a narrativa, contar a vida como drama e não mais com silogismos. É uma mudança extremamente importante. O processo da razão era domínio de uma elite social, o qual requer uma formação, enquanto a cultura da narrativa faz parte de qualquer ambiente. Os meios audiovisuais criaram esta transição do processo racional para o mundo da narrativa. Mudança da verdade para a credibilidade. Na cultura literária a verdade era o elemento mais importante, na AV. o mais importante é a credibilidade.
A verdade requer correspondência entre os fatos e a credibilidade fala mais de quem conta estes fatos. A pessoa é verdadeira se é aceita se é acreditada, se não é aceita, se não é acreditada, não è verdadeira. Na cultura AV. a verdade depende da credibilidade, na cultura literária a credibilidade depende da verdade. A verdade depende da coerência de vida. A pessoa è importante pela coerência de vida e não pelos conceitos que formula.
Este é um ponto de suma importância para a Igreja.
O que é mais importante para a catequese, quem dá catequese ou o que diz na catequese?
A verdade do conteúdo ou a credibilidade da pessoa que o apresenta? A doutrina ou o testemunho? A mesma coisa acontece na pregação.
É a tendência da racionalidade rumo à irracionalidade.  A cultura literária è intelectual, abstrata, a AV. é mais um fato de coração, o que conta não é tanto o elemento intelectual.
Este momento da história è crucial para determinar o equilíbrio entre estes elementos.
Na TV são tantos os programas que se baseiam nas emoções humanas: ódio, amor, expressões de aspecto emotivo.
È a tendência revolucionária de passagem do dogma ao drama, da doutrina para à vida, da palavra à imagem, do conceito à narrativa, da racionalidade à emotividade, da verdade à credibilidade. Devemos explorar estes pontos e ver como criar o equilíbrio. Há. o perigo de valorizar demais um elemento em detrimento do outro.
Neste campo existe os pessimistas e otimistas: há quem diz que estamos nos divertindo rumo à morte, que a diversão é suicídio, que a TV não é boa, que é preciso eliminá-la.
O MCS são uma criação humana, utilizados por humanos, tem traços humanos positivos e negativos, é ambíguo, depende do uso que deles fazemos. Em vez de perder tempo em condenar o que não é bom, devemos promover o que bom, mas não podemos nos iludir que podemos mudar todo o mundo do Mass Media.
Estes podem ser uma ajuda para contarmos nossa história, para nossa cultura de fé, para celebrar, fonte de espiritualidade, de interioridade, expressão ativa da vida, como experiência espiritual, como sabedoria de vida. Devemos mudar nossa mentalidade, andar em direção das possibilidades positivas para nosso ministério espiritual e pastoral, na formação, para celebrar, etc. São fontes de espiritualidade e novas formas de tecnologia que nos podem ajudar a compreender nossa época, exercer nosso papel de líderes na Igreja.
 O Papa disse que “O Mass Media são os areópagos da nossa época”. Devemos olhar e escutar o MM, estes nos mostram a vida de hoje, contam as historias de ânsias e esperanças e o destino da nossa gente. Se formos receptivos com relação a eles, compreenderemos sua mensagem e compreenderemos também qual pode ser a contribuição que podemos dar à nossa época. Como S. Paulo poderemos ser representantes do Deus Desconhecido ao MM. Devemos aprender do MM e depois dar a estes nossa contribuição.

A Espiritualidade dos filmes
Os audiovisuais têm hoje um papel predominante sobre a linguagem escrita, sobre a impressa.
O desafio para nós carmelitas hoje è expressar nossa espiritualidade por meio dos audiovisuais.
Existe muitos estudos sobre a espiritualidade hoje e muito interesse sobre este assunto.

A linguagem dos filmes.
A comunicação por meio de filmes, é um modo de contar a vida, de contar a própria história.
A vida está à procura de um narrador. A vida deve ser contada. Se contamos nossa história podemos começar a viver de um modo mais humano. A vida sem ser contada não é vida verdadeira.  Na nossa época, mais que nunca, a história está no centro de nossas vidas, ajudada pelos meios audiovisuais. Está procurando um narrador. Os filmes e a TV são aqueles que narram a história de hoje. Tantos programas de TV se dedicam a contar a história. Um “super star”  conta sua história para que o povo possa reconhecer-se nela. E isto ajuda a encontrar a própria identidade, a própria história.  Um dos motivos porque o povo assiste TV é justamente este. Não é só um fato de cérebro, mas é um fato de coração, falam das emoções humanas de base: sobre a vida e sobre a morte; sobre o ódio e sobre o amor, sucesso e falência, etc. O poder dos meios audiovisuais é justamente a capacidade de contar a história, apresentar o drama da vida. A vida humana se expressa em todas as suas direções. O povo é fascinado por este tipo de programas, assiste com prazer estas entrevistas. Na tradição católica aprendemos a amar as coisas celestes e a desprezar as coisas da terra. Podemos tornar fascinantes também as coisas terrenas, sentir prazer nas coisas terrenas, sem cultivar, naturalmente, uma cultura egoísta. Se é possível divertir sem esperar as coisas do céu. A cultura audiovisual trouxe precisamente a cultura do prazer, sem esperar pelo céu. Os meios audiovisuais não influem somente nas emoções de base, mas são agradáveis também do ponte de vista estético. A linguagem audiovisual possui muito mais possibilidades do que a imprensa de dar uma forma à mensagem. Tem a possibilidade da música, dos sons, cores, movimento, palavra falada,  palavra escrita: o binário áudio e o binário visual, imagens que se movem, combinações que permitem expressões detalhadas e ricas do pensamento.

Como descobrir a espiritualidade de um filme?
Questões Fundamentais para a formação sobre os filmes:
1. Que relação há entre filme e espiritualidade?
2. Como a espiritualidade é expressa na linguagem dos filmes?
3. Como podemos despertar a sensibilidade para a espiritualidade dos filmes?
4. Como preparar-nos para coordenar encontros, cursos e seminários sobre filme e espiritualidade?

Linguagem audiovisual e espiritualidade
A linguagem audiovisual é um matrimônio entre imagem e palavra, sob a presidência dos meios eletrônicos.  É uma combinação do que vemos e ouvimos: imagens, cor, movimento, sons, musica, palavras, canções, postos juntos para contar uma história, para dar uma mensagem.

Perguntas Fundamentais:
1. O que è espiritualidade?
2. Como a espiritualidade pode ser expressa na linguagem dos filmes e TV?
3. Como podemos tornar-nos mais sensíveis à espiritualidade dos filmes?
4. Como podemos coordenar encontros e seminários sobre a espiritualidade dos filmes?

O Instituto Tito Brandsma, de Nimega, Holanda, pode ser um modelo de pesquisa sobre a espiritualidade dos filmes.

Palavras Chaves na espiritualidade dos filmes:
1. Spiritus = respiro.
Sem respiro não existe vida.
Aspiração = motivação, força que motiva, que inspira.
Descobrir o spiritus, a motivação do protagonista do filme.

2. Experiência.
Todos nós temos experiências: experiências quotidianas, pequenas experiências, mas também grandes experiências, de dimensões mais profundas.
Como podemos definir nossa vida a partir destas experiências? Como podemos experimentar o mistério da vida através destas experiências?  Como fazer a experiência do santo, do sacro, do mistério, dos Santos, de Jesus Cristo, e do próprio Deus.
Temos tantas experiências e precisamos criar uma certa unidade em nossa vida. A criação da unidade è necessária para o nosso espírito em um tempo de fragmentação, de incoerências, de pluralismo.
A experiência è o ponto central na espiritualidade. Podemos explorar esta dimensão nas histórias dos filmes, descobrindo como os protagonistas tratam e integram suas experiências.
Descobrir quais são as experiências quotidianas do protagonista do filme e comparar com as nossas.
3. Contexto sociocultural. Ninguém vive no vácuo, no vazio, todos nós vivemos numa certa época, em um certo lugar. Temos um contexto sócio -  cultural - religioso.
Podemos indagar em que contexto vive o protagonista e este contexto nos fornecerá muitas informações sobre o protagonista.
O contexto constrói a pessoa e a pessoa reage de acordo com o contexto. Este è um ponto chave na espiritualidade. O protagonista, no filme, critica o contexto em que vive com a posição que toma. Esta è a espiritualidade do filme.
4. Processo. A espiritualidade implica um processo mais ou menos explicito. A vida humana è um processo, processo de mudança, de desenvolvimento, de crescimento. Um processo consciente faz parte da espiritualidade. Podemos perguntar como os protagonistas do filme dão forma a este processo, com as decisões que tomam. É um processo consciente. Podemos perguntar qual è o processo explicito do protagonista e não podemos menosprezar este ponto.
Estudos revelam que o telespectador muitas vezes se identifica com o protagonista do filme, mesmo se é um caráter malvado. Isto é importante para a espiritualidade.
5. Perspectiva ou ponto de vista. Nós sempre temos um ponto de vista, uma tomada de posição, da qual vemos a realidade. Pode ser um ponto de vista global, religioso, de fé. È uma visão que forma sobre a realidade, sobre a vida, sobre o mundo, sobre a sociedade, também sobre a Igreja. Hoje temos tantas formas de espiritualidade precisamente por causa destes pontos de vista.
A palavra Espiritualidade hoje tem um significado muito amplo: Espiritualidade da Nova Era, da Mulher, etc., e é usada de acordo com os diferentes pontos de vista.
Pode haver um dialogo entre a espiritualidade cristã e a espiritualidade secular?
Nós carmelitas podemos descobrir a espiritualidade secular dos filmes?  O que significa isto? È possível um dialogo entre a minha espiritualidade e a espiritualidade do Mas Media? Pode ser uma experiência de enriquecimento? Podemos contribuir para o desenvolver isto? São questões sobre as quais devemos refletir.

 6. Transformação.  A espiritualidade implica uma mudança, uma transformação na vida, no sentido de integração, unidade, realização, humanismo, cristianismo.
Podemos notar que os personagens no final do filme não são iguais a antes. Que processo sofreram, que tipo de transformação tiveram?

7. Modelos Místicos. Todos os fenômenos da vida são conexos,  têm uma origem comum. Misticismo é um fenômeno que se encontra em todas as religiões e culturas. As formas de expressão são diversas mas a chave é igual em qualquer lugar. Escritores dizem que muitas pessoas em nossa época tem experiências místicas. É possível que o protagonista de um filme tenha experiência mística? Devemos ser abertos a esta possibilidade.

Devemos usar estas palavras chaves para construir um modelo, “spiritus”, de experiência. Com estas podemos explorar e definir a espiritualidade. Podemos usar este modelo para explorar o fenômeno espiritual nos vários filmes.
Quando falamos sobre  filme e espiritualidade, não falamos só dos filmes ou só de nós, devemos comparar nossas experiências com a do filme. Em um encontro ou seminário a coisa mais importante não é o filme, mas a reflexão ou debate que se faz sobre o filme. O filme è um ponto importante, mas é somente um ponto, outro ponto é nossa reflexão comum sobre a espiritualidade que se quer descobrir no filme, que se deve construir juntos.
1. Espiritualidade é o cultivo do espírito, do ponto de vista cristão,  carmelita.
2. Filme é a linguagem audiovisual, com seus dramas e histórias, com as emoções, afetos, fantasias, todas as emoções humanas básicas: amor, ódio, ternura, etc. contadas de forma concentrada, reduzida, . Existe momentos cruciais do protagonista que são expressos no filme, momentos de transformação, por isso é uma linguagem excelente para a espiritualidade.
3. A linguagem do filme pode expressar muito bem o contexto em que vive o protagonista. O filme usa uma linguagem especial que toca as emoções. A primeira possibilidade que usa é o drama, a  segunda é a concentração, muito necessária na vida, e a terceira é o contexto, encarnado em pessoas vivas. Mais que reflexões, o comportamento das pessoas tocam as sensibilidades. A espiritualidade è incarnada em uma pessoa. A linguagem do filme é um meio excelente para apresentar a vida espiritual como uma viagem, como uma peregrinação, como caminhada, como desenvolvimento.
4. A experiência de vida do protagonista  - è  uma comunicação não verbal - revelada nos gestos, na expressão do rosto, nas reações. A linguagem audiovisual pode revelar a vida no espírito de uma pessoa, na qual acontecem transformações  emotivas: A alma se transmite pelo rosto.
5. Relação entre a historia do filme e o telespectador. O telespectador pode entrar em dialogo com a historia do filme. Partilhando com outros suas emoções, torna-se uma espiritualidade dialógica. A linguagem do filme pode estimular muita gente a falar, criando possibilidades amplas para exprimir os fenômenos espirituais e enriquecer-nos.
Com ajuda dos filmes, podemos tomar consciência do fenômeno central da espiritualidade em nossas vidas com seus dramas. Pode-se tomar consciência que os vários processos de purificação, os dramas, a noite escura, podem mudar nossas vidas, é um desafio para o qual não encontramos todas as respostas.
É necessário explorar as possibilidades dos filmes para a espiritualidade. O que nós carmelitas podemos fazer a respeito desse fenômeno da espiritualidade?

Filmes e espiritualidade
Depois um pouco de discussão se pode integrar os vários significados, devemos ter confiança no público, que tem a capacidade de compreender juntos, na sua partilha,  o que significa o filme para eles sem violar o sentido da fé.
È importante também à direção do animador, que tenha a capacidade de centralizar alguns pontos.
O dialogo feito a partir do filme é mais importante do que o próprio filme.
1. O filme pode oferecer um maior conhecimento cristão
2. Externar um processo de partilha.
3. Dar uma orientação à nossa experiência, nossa visão, nossa expectativa.
4. Desenvolver o significado espiritual.
5. O uso do filme na espiritualidade oferece enorme possibilidades para o ministério pastoral em uma cultura audiovisual.

Nem todos os filmes tem a mesma importância para a espiritualidade.
Os filmes são fontes de uma experiência forte, a historia do filme conta uma reorganização da vida, com seus momentos de felicidade, crises, de rupturas, etc.
Na coordenação de estudos, encontros e seminários sobre filme e espiritualidade é importante ter bem presente os critérios para a seleção dos filmes.
O grupo deve tornar-se uma comunidade de interpretação, desenvolve um senso de espiritualidade à luz do Evangelho, criando uma nova forma de ministério pastoral, nos grupos de jovens, nas paróquias, nas casas de formação religiosa.
É um campo muito importante que deve ser explorado, apresenta muitas possibilidades para conhecer melhor a cultura na qual vivemos.
Podemos criar na Ordem uma política de comunicação em um mundo em transformação.
  Relacionamento entre regista e consumidor - técnica do mercado
Pensamos que estamos comprando aquilo de que temos necessidade, mas na realidade è que compramos aquilo que a propaganda quer que eu compre.
O relacionamento entre regista e telespectador é o mesmo - o regista
Devemos fazer com que o publico seja mais autônomo com relação à TV
Devemos perguntar: - que uso faz o publico faz da mensagem?  Deve-se construir o significado.
Devemos fazer com o MM como se faz nas CEBs, onde as pessoas se reúnem para refletir a Bíblia, que è um livro que se lê sem exaurir o significado.
Pode-se formar comunidades que sejam capazes de interpretar o filme.

Publicidade
Vejamos por exemplo uma publicidade de tinta segundos que apresentam uma mensagem fascinante, convencem as pessoas só em 30 segundos.
Embora empregue muito tempo para preparar, a estética tem uma função muito importante: preparar o telespectador para receber a mensagem. Cria interatividade entre quem transmite a mensagem e quem a recebe e os usuários podem determinar o uso destes, podem ser ativos ou inativos.

A publicidade usa dois tipos de meios:
-  audiovisual: prepara o telespectador  à mensagem
- parte verbal: que é a verdadeira mensagem.
È uma mensagem agradável, porque é acompanhada de cor,  música, sons, movimento,  è uma história dramatizada, de fácil compreensão,

Pode ser analisada a partir de 3 critérios de avaliação:
-  Econômico : custa muito
- Ético :  aspecto moral da vida. Os meios audiovisuais são abertos às dimensões humanas e
espirituais. È importante explorar e descobrir a dimensão religiosa, moral e espiritual dos mesmos.
- A estética é utilizada para criar espaço no telespectador para receber a mensagem.

Às vezes em uma publicidade de 25”, só nos últimos 5” se revela a mensagem. 20” para criar expectativa, preparar para a recepção da mensagem, criar tensão, abrir  o telespectador ao acolhimento. A mensagem vem só no fim. È uma mensagem atraente, com belas imagens. Usa da estética para atrair o telespectador.
Para nós, Igreja, é importante refletir sobre esta utilização dos audiovisuais na publicidade.
Usamos muito a imprensa, mas a expressão audiovisual, que são os meios principais de hoje, ainda não. O povo hoje é audiovisual. Nos arrependeremos se não os usarmos. Devemos perguntar-nos como transmitir o nosso carisma através destes meios.  Passamos da cultura impressa à cultura audiovisual. Por muito tempo estas meios foram vistos com suspeita, mas hoje sabemos que eles são interativos. Além do mais, o telespectador pode escolher o que assistir. Pensou-se que estes eram contra a vida religiosa, mas os tempos são mudados e estes meios mudaram nossa vida.
Nós que somos da cultura literária temos dificuldades em compreender a cultura tecnológica. Mas as novas gerações está domesticada nesta cultura, mais envolvida nela, comeu e bebeu da mesma. Mas também nos devemos aprender a apropriar-nos desta cultura.
Como expressar nossa tradição com os meios audiovisuais?

Apresentação de filmes

Foret Gamp:
 Filme popular. Ponto central: A vida humana tem um destino. Porque estamos sobre a terra? Qual é o nosso destino?
Toca as diversas sensibilidades de milhões de pessoas. As questões de destino da Providencia são simbolizados no início e no fim do filme por uma pluma branca que desce e sobe.
Um jovem, um pouco retardado mentalmente, com um Q.I. de 75%, conta sua vida. Em uma série de flashs, cenas, imagens, mostram como as pessoas reagem com relação a ele, o consideram um tolo, um bobo. Se de uma parte é considerado bobo, por outra é alguém que faz esforços sobre-humanos, é considerado um herói, honrado por diversos presidentes dos USA. Ama muito Jane, sua esposa. È uma pessoa muito simples e é orientado pelos sábios provérbios d sua mãe.
Jane è uma jovem inquieta, sempre insegura, olha sempre para o alto, quer transformar tudo em céu, longe da realidade cruel. É difícil para os dois viverem juntos. Quando se esforçam por conviverem, Jane o abandono imprevistamente e então ele começa uma maratona pelos USA, corre por 3 anos, 2 meses, 14 dias e 6 horas.  Depois, Forest vai à casa de Jane. Ela tem um filho, Forest Gamp Júnior,  e está muito mal de saúde. Ele a leva para sua casa, cuida dela até à morte.
No fim do filme, Forest fala com Jane no túmulo. Depois leva seu filho à escola, como sua mãe fazia com ele, e aquela pluma sobe dos seus pés para o alto. Forest evoca associações e compreende o que é essencial na vida humana.
Com sua amabilidade, Forest nos apresenta um mundo de amizade, de amor, de honestidade, de caridade. Tudo isso é ressaltado nas suas atitudes. Portanto, o filme é uma lição de realidades eternas, é um mito sobre as origens e o destino da raça humana. Tem um direcionamento moral, espiritual e também humorista.
Porque este filme? Porque feito nos USA em tempos de racionalismo e eficiência técnica?

Para os Grupos:
1. Refletir sobre: como o filme trabalha a imagem, a música, o drama e identificar cenas, música, frases que mais tocam sua sensibilidade.
2. Quais valores espirituais  pode-se encontrar e experimentar no filme?

Os últimos passos de um Homem
O filme gira em torno do tema Vida & Morte.
Feito em 1995, nos USA. Uma freira americana escreveu um livro sobre seu trabalho com 2 condenados à morte e este foi transformado em filme. È um filme sobre a pena de morte.
O protagonista, com outro companheiro, matou uma moça e um rapaz e foi condenado à morte. O papel central é ocupado pela freira, Ir Helena. O filme mostra o lado desumano da pena de morte.

Para os grupos:
1. Que experiência você fez sobre a direção espiritual da Ir Helena: imagens, palavras, expressões...
2. Fazer relação entre a direção da freira e a conversão do assassino.
Devemos ser prudentes ao utilizar a arte na espiritualidade. Saber fazer a diferença entre: o que o filme mostra em si e aquilo que percebemos com nossa sensibilidade. Aquilo que percebemos está no filme ou está em nós? Às vezes vemos no filme nossas projeções mentais. Não interpretar no filme aquilo que o autor não quis dizer, estar atentos às nossas projeções. As experiências subjetivas referentes ao filme depende da historia pessoal.

O filme pode ser interpretado em dois níveis:
- O que o filme mostra em si
- O que o telespectador percebe a partir da sua vivência, a partir de sua experiência.
Depois integrar os dois aspectos.
Como fazer um grupo de pessoas tornar-se uma comunidade de interpretação, que descubram juntos o que o filme quer dizer? Saber descobrir sinais de vida expressos nos filmes.

Meios de Comunicação e Evangelização
Pierre Babin
Como usar os MCS para aumentar nosso impacto na sociedade, para comunicar nossa mensagem? 
Como superar nossos preconceitos?
Um conceito – “Os meios de comunicação ajudam a tornar a mensagem aceitável”
São ajudas.  – Este conceito não é correto.  É uma concepção instrumental.  Devemos passar a uma concepção cultural. Se mudar o nosso modo de comunicar, mudará a sociedade.
Taizé não usa meios, todo o conjunto celebrativo  constitui os meios.
Nós consideramos o que Cristo disse como a mensagem, em vez, a mensagem é o próprio Cristo, seu relacionamento com as pessoas.
Se evangeliza quando se une ao povo que se quer evangelizar, não transmitindo doutrinas, mas criando laços.
A Redemptoris Missio diz que “não basta usar os meios,  é necessário integrar a mensagem na nova cultura”. Não só conhecer o aspecto técnico dos MCS, mas conhecer e integrar-se na nova cultura.
Nesta nova cultura o conteúdo é a pessoa que evangeliza. Eu leio a Bíblia, ela me converte, eu me torno seu conteúdo.
A chave desta nova cultura é a vibração  =  modulação.

Os cinco aspectos desta nova cultura:
Modulação – ( impacto )  linguagem fundamental:
Para evangelizar é necessário despertar a interioridade.  Para entrar nesta cultura devo ser receptivo, é uma linguagem que exerce um impacto, que não é intelectual. Não precisa pensar, só receber o impacto no sistema nervoso (ex: uma visita do Papa) .
 Se entramos nesta cultura compreenderemos como as novas gerações vivem esta modulação.
Há 5 séculos vivemos na cultura intelectual, hoje devemos adotar a pastoral da modulação.
Qual é o papel da pregação?
- Devemos estar atentos para que nossa modulação desperte a interioridade.

Os ouvintes – ocupam o primeiro lugar.
O ouvinte torna-se o elemento mais importante quando se torna parte do comunicador.
Partilha – é o método  ( admirável comércio entre quem emite e quem recebe a mensagem)
A Evangelização é uma conversação na praça do mundo para transmitir uma mensagem.
O centro não é Deus como Verdade, mas Deus como um bem. A evangelização mais do que troca de opiniões é troca de bens.  É como no comércio, a primeira coisa a se fazer é estimular desejos.  A evangelização é oferecer uma experiência. O que toca mais em uma visita do Papa é sua presença, oferece uma experiência.
O método não é dar uma quantidade de doutrina, mas levar a um relacionamento, fazer experiências juntos, viver juntos.
Em vez de apresentar a figura de Cristo, levar a fazer experiência de Cristo, despertar o eu como pessoa humana, ligado a Cristo, entrar em contato consigo mesmo, é uma intuição.

O ambiente ( terreno)
Criar ambiente de silêncio ( música, canto) para  despertar o desejo de Deus. Deve ser pastoral do terreno, em vez de ser pastoral de palavras. Um pouco de música, luzes, uma frase da Bíblia, diz mais do que muitas palavras. Tem necessidade de um pouco de sombras, um pouco de luz, silêncio, para despertar o sentimento interior. Modificar o tom de voz, preparar o ambiente, o terreno, despertar o silêncio.
Na cultura literária a figura ( palavra) é mais importante do que o terreno, na cultura audiovisual o terreno é mais importante.

Turbulência – (ondulações) leva à interioridade
Muitas vezes as pessoas têm necessidade de espiritualidade e não as tem. Ser testemunha é levar o outro a escutar a voz interior. Se não despertarmos o senso do mistério, de ser si mesmo, não evangelizamos. Uma mistura de mistério e necessidade.
O cristão do futuro ou será mistério ou não será cristão.

Quem trabalha com os jovens deve fazer crítica de modo positivo, viver com atitude positiva diante da nova cultura. O perigo é querer seguir  a moda para ser como os jovens, fazer tudo o que eles fazem.
Adotar uma nova cultura não significa desprezar a anterior, mas dar mais  atenção a uma nova mentalidade, a uma nova cultura e tentar relacionar as duas.
*Síntese do Curso sobre Comunicação, promovido pela Ordem Carmelita em Sassone, Roma, 1998.