Total de visualizações de página
Seguidores
sábado, 26 de abril de 2014
PASSA QUATRO-MG 2014: Missa do Lava Pés.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
15:42
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
sexta-feira, 25 de abril de 2014
PASSA QUATRO-2014/MG: Celebração da Esperança-02
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
09:38
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
2º Domingo da Páscoa: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28)
O Jesus
ressuscitado ainda traz as marcas e as chagas da sua paixão. A ressurreição de
Jesus não o fez retroagir ao passado, como se sua morte nunca tivesse
acontecido. Pelo contrário, venceu a morte e ainda traz as marcas da
crucificação. O Jesus ressuscitado não virou anjo; ele continua sendo homem. A
ressurreição de Jesus muda o nosso olhar sobre o homem.
A reflexão é de Raymond
Gravel, padre da Diocese de Joliette, Canadá, e publicada no sítio Réflexions de Raymond Gravel, comentando as leituras do 2º
Domingo da Páscoa – Ciclo A do Ano Litúrgico (27 de abril de 2014). A tradução
é de André Langer.
Referência bíblica:
Evangelho: Jo 20,19-31
Eis o texto.
Cada ano, no
segundo domingo da Páscoa, nós temos esse belíssimo relato que só se encontra
em João, passagem que marcava, originalmente, o fim do seu evangelho. Esta
dupla aparição do Ressuscitado aos discípulos, primeiro na ausência de Tomé,
e depois na sua presença, nos diz algo sobre a Igreja primitiva, mas também
sobre a nossa Igreja hoje. Como em todos os relatos evangélicos, encontramos o
testemunho de fé dos primeiros cristãos, e podemos identificar, ao mesmo tempo,
mensagens para os cristãos do século XXI.
1.A Ressurreição...
uma questão. Ao ler os relatos da Páscoa dos quatro evangelistas, podemos ter a
impressão de que a Ressurreição é uma realidade tangível que não deixa margem
para dúvidas, de tal modo sua manifestação parece clara: pensemos no tremor de
terra evocado por Mateus e o anjo luminoso que vem do céu, enquanto
que os soldados que guardam o túmulo tremeram de medo e ficaram como mortos (Mt
28,1-4). De modo especial, não devemos esquecer que esses relatos, escritos
muito tempo depois da Páscoa, querem simplesmente expressar a fé na
Ressurreição que vai gradativamente se desenvolvendo nas comunidades cristãs e
que esses relatos carregam as marcas do autor que os compôs. Portanto, Mateus que
era judeu, procura mostrar que o Cristo ressuscitado realiza plenamente os profetas
da Antiga Aliança e que ele é o novo Moisés, o libertador do seu povo, da
Igreja, o que explica os sinais resplandecentes das teofanias que encontramos
nos textos do Antigo Testamento. Por outro lado, nos outros evangelhos, os
sinais da Ressurreição são antes necessários e colocam mais perguntas para as
quais não têm respostas: um túmulo vazio, em Lucas; o silêncio das
mulheres em Marcos; um lençol dobrado no canto, emJoão; uma palavra no
caminho, uma partilha do pão, etc. Assim, em todos os evangelhos, as
testemunhas devem passar da angústia e da dúvida ao momento em que eles
reconhecem que é o Cristo que está aí, que está vivo, que é verdadeiramente
ressuscitado. Todos esses testemunhos da primeira hora descobrem aos poucos o
caminho da fé. É o que emerge do evangelho de João de hoje.
2. A
Ressurreição... uma presença na ausência. Jesus morreu. Ele não pode estar aí
fisicamente como antes; ele só pode está aí como depois, isto é, através dos
seus discípulos. De fato, os discípulos se sentem sozinhos, nos dizJoão. Eles
estão num lugar fechado, com todas as portas trancadas, por causa do medo que
sentem (Jo 20,19a). Mesmo assim, o Cristo está no meio deles (Jo 20,19b). Ele
é, em primeiro lugar, Palavra: “A paz esteja com vocês!” (Jo 20,19c).
Depois destas palavras, ele mostra a sua humanidade ferida (Jo 20,20c). Não
esqueçamos que estamos no final do século I, no momento das piores perseguições
aos cristãos: na comunidade de João, muitos cristãos martirizados se
reúnem, no primeiro dia da semana, no domingo, para recordar o Ausente,
isto é, através da Palavra partilhada e do testemunho da sua vida, eles
descobrem a presença do Ressuscitado na ausência do Crucificado. Imediatamente,
é a alegria experimentada por toda a comunidade reunida (Jo 20,20b).
3. A
Ressurreição... uma vida nova. No encontro dominical, os primeiros cristãos
tomam consciência de que a missão do Cristo lhes pertence: “Jesus disse
novamente: a paz esteja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu também envio
vocês” (Jo 20,21). É a nova criação; assim como no tempo da primeira criação,
quando Deus sopra nas narinas de Adão para lhe dar a vida, Cristo faz o mesmo
com os seus discípulos reunidos: “Tendo falado isso, Jesus soprou sobre eles,
dizendo: ‘Recebam o Espírito Santo’” (Jo 20,22).
4. A
Ressurreição... uma libertação. Recriados, investidos pelo Espírito de Cristo,
os discípulos tornam-se libertadores, capazes de reconciliar e de libertar as
pessoas: “Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados
daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados” (Jo 20,23). É uma
responsabilidade que lhes é confiada, já que os discípulos têm o poder de
libertar as pessoas ou de se recusar a fazê-lo, e esta responsabilidade não é
reservada apenas aos apóstolos; de agora em diante, todos os discípulos podem e
devem fazê-lo, o que significa que ainda hoje somos todos responsáveis pela
reconciliação e pela liberdade. Cabe a nós reconciliar as pessoas e de
torná-las livres.
5. A comunidade...
uma necessidade. A fé cristã não pode ser vivida de maneira isolada; ela tem
necessidade dos outros, da comunidade. É o significado da segunda parte do
relato de João, onde Tomé, nosso gêmeo, não se encontra com os outros.
Esses lhe contaram que o Cristo está vivo e que se faz presente no seu encontro
do domingo, mas Tomé na pode crê-lo, porque ele não se encontrou com
ele, pois estava ausente dessa reunião. É, pois, no âmago da celebração
dominical seguinte que Tomé, desta vez presente, poderá fazer a
experiência do Ressuscitado. E temos então a profissão de fé de Tomé em
toda a sua solenidade: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28). Mas!!!
6. A fé... um
testemunho. Mas!!! O evangelista João parece dizer que a fé deverá nascer
primeiramente e antes de tudo da experiência dos outros que testemunham seu
encontro com o Ressuscitado. O que significa que o nosso testemunho deve ser
muito confiável e convincente para que os outros adiram à fé e para que tenham
o gosto, também eles, de vir à reunião dominical para encontrar e reconhecer o
Ressuscitado. É através das chagas dos participantes da reunião que
reconhecemos o Crucificado ressuscitado. É uma missão e uma responsabilidade
que é confiada hoje a todos os cristãos.
Concluindo,
podemos dizer que a experiência de Tomé, que é também a nossa, tem um
valor importante para a Igreja de hoje. A este respeito, gostaria de
compartilhar os comentários do exegeta francês Jean Debruynne: “Deste
ponto de vista, Tomé nos presta um grande serviço: as perguntas que
ele faz em voz alta, são as mesmas que nós fazemos em voz baixa. Tomé nos
tranquiliza, uma vez que ele, um incrédulo, chega à experiência da fé. Isso
deveria nos livrar de muitas das nossas dúvidas. Não precisamos refazer a
busca, Tomé já a fez! Mas este pedido de Tomé de querer
colocar os dedos nas chagas das mãos e dos pés de Jesus e suas mãos na chaga do
seu lado, não é apenas expressão do ceticismo; é também uma afirmação muito
importante para a nossa fé: o Jesus ressuscitado ainda traz as marcas e as
chagas da sua paixão. A ressurreição de Jesus não o fez retroagir ao passado,
como se sua morte nunca tivesse acontecido. Pelo contrário, venceu a morte e
ainda traz as marcas da crucificação. O Jesus ressuscitado não virou anjo; ele
continua sendo homem. A ressurreição de Jesus muda o nosso olhar sobre o homem.
As chagas de Jesus dizem que o ressuscitado carrega em si todas as chagas de
todos os humilhados do mundo. Elas dizem também que nenhuma chaga, por mais
injusta e humilhante que seja, pode nos impedir de nos tornarmos pessoas de
cabeça erguida no coração do mundo. De agora em diante, nenhuma das nossas
chagas pode nos impedir de ser livres: Jesus ressuscitado é, em primeiro lugar,
aquele que carrega as chagas da nossa condição humana. De maneira clara, não
esperemos nos livrar dos nossos males para vivermos de cabeça erguida. Jesus
ressuscitou e é hoje que, mesmo com as nossas chagas, podemos nascer para a
liberdade.”
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
09:14
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
2º Domingo da Páscoa,
Diocese de Joliette,
Jesus ressuscitado,
Olhar Jornalistico,
Páscoa,
Raymond Gravel,
Segundo domingo da Páscoa,
Tomé
quarta-feira, 23 de abril de 2014
PASSA QUATRO-MG: Música emocionante.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
03:25
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
A PALAVRA... Nº 570. Eu vi Jesus Ressuscitar.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
03:21
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
domingo, 20 de abril de 2014
Celebração da Paixão de Cristo: Homilia do Frei Petrônio.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
03:22
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
domingo, 13 de abril de 2014
PASSA QUATRO-2014: Um Olhar-02
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
04:27
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
sábado, 12 de abril de 2014
PASSA QUATRO-2014: Um Olhar-01
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
16:47
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
sexta-feira, 11 de abril de 2014
SANTA TERESA DE JESUS: V Centenário- 04
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
03:58
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
quarta-feira, 9 de abril de 2014
A PALAVRA... Nº 565. O Outro lado Jesus Cristo.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
16:31
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
SEMANA SANTA- 2014: Convite do Frei Petrônio.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
15:37
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
terça-feira, 8 de abril de 2014
ORDEM TERCEIRA: Assembleia Capitular-08
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
04:13
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 564. Medo do Silêncio.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
03:32
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
segunda-feira, 7 de abril de 2014
A PALAVRA... Nº 563. As Vias-Sacras da Vida.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
04:17
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
domingo, 6 de abril de 2014
5º Domingo da Quaresma: Homilia do Frei Petrônio.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
18:46
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
sábado, 5 de abril de 2014
Um jornal sem jornalistas
Upworthy, o site de maior crescimento na historia
da internet, se faz sem jornalistas. Lançado em 2012, atingiu, em novembro de
2013, 87 milhões de visitantes.
por Emir Sader em 05/04/2014 às 15:44
Upworthy, o site de maior
crescimento na historia da internet, se faz sem jornalistas. Lançado em março
de 2012, ele atingiu, em novembro do ano passado, 87 milhões de visitantes
únicos, quase três vezes mais do que o site do New York Times, e gerou 17
milhões de compartilhamentos no Facebook, publicando apenas 225 artigos.
Para se ter uma comparação, um site como Yahoo coloca, mensalmente, 115 mil artigos e gera menos de 4 milhões de compartilhamentos. A equipe do site, que não conta com nenhum jornalista busca na Internet conteúdos que ela julga interessantes. O objetivo, segundo um dos seus diretores, é “ajudar as pessoas a encontrar conteúdos sérios mas divertidos”.
Eles consideram que vale mais a pena menos conteúdos de boa qualidade do que bombardear o publico com milhares de artigos de má qualidade. A estrutura dos textos do Upworthy é sempre a mesma: duas frases curtas, do tipo: “Nós não ouvimos devidamente a voz do ameríndios. Eis a mensagem edificange de um deles.” Eles pretendem fazer com que as pessoas se interessem por temas importantes.
Para se ter uma comparação, um site como Yahoo coloca, mensalmente, 115 mil artigos e gera menos de 4 milhões de compartilhamentos. A equipe do site, que não conta com nenhum jornalista busca na Internet conteúdos que ela julga interessantes. O objetivo, segundo um dos seus diretores, é “ajudar as pessoas a encontrar conteúdos sérios mas divertidos”.
Eles consideram que vale mais a pena menos conteúdos de boa qualidade do que bombardear o publico com milhares de artigos de má qualidade. A estrutura dos textos do Upworthy é sempre a mesma: duas frases curtas, do tipo: “Nós não ouvimos devidamente a voz do ameríndios. Eis a mensagem edificange de um deles.” Eles pretendem fazer com que as pessoas se interessem por temas importantes.
Um autor conhecido sobre os
circuitos de internet, Johan Berger, lista 6 princípios que tornariam um texto
um viral: o valor social, a facilidade de memorização, a ressonância afetiva, a
possibilidade de observação (o fato de que se trata de um tema evidente para
todos), a utilidade e o estilo narrativo.
Upworthy se vale do papel
chave da viralidade para a difusão das informações. Eles consideram que cada
vez menos pessoas leem uma história se ela não está postada por alguém em
alguma das redes sociais. As historias se tornam populares se as pessoas as
compartilham no Facebook, no Twitter ou em alguma outra das redes sociais.
Fonte: http://www.cartamaior.com.br
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
18:08
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
Emir Sader,
Internet,
Jornal na Rede,
Olhar Jornalistico,
Upworthy
A PALAVRA... Nº 562. Os amigos de Jesus não morrem.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
14:39
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
SANTA TERESA DE JESUS: V Centenário- 03
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
05:53
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
quinta-feira, 3 de abril de 2014
BATE PAPO CARMELITANO: Dom João Costa.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
05:52
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
SANTA TERESA DE JESUS: V Centenário- 02
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
03:21
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
terça-feira, 1 de abril de 2014
A PALAVRA... Nº 559. O Encontro de Jesus com Maria.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
11:08
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
segunda-feira, 31 de março de 2014
A ORAÇÃO NAS ORIGENS E NA REGRA DO CARMELO
A. Como abelhas do Senhor
1. Na base da
oração-contemplação vivida no Carmelo encontramos a experiência e o modo de
entendê-la dos eremitas que, no final do século XII e nos primeiros decênios do
século seguinte, viviam à imitação do Profeta Elias, no Monte Carmelo, perto da
fonte chamada de Elias, - “Em pequenas
celas, semelhantes a alvéolos, como abelhas do Senhor, recolhendo o mel divino
da doçura espiritual” (Jacques de Vitry) - esforçando-se continuamente para
assimilar o modo de ser de Cristo.
2. Esta atitude
dos primeiros carmelitas vem codificada na Vitae
Formula (depois Regra do Carmo), pelo santo Patriarca de Jerusalém, Alberto
de Vercelli, no bem fundamentado discurso sobre a oração, elemento primordial e
fundante da vida carmelitana, juntamente com a fraternidade e a diaconia.
B. Perspectiva cristocêntrica
3. O fundamento
de todo o discurso albertino é a colocação do Absoluto da experiência humana em
Jesus Cristo. Nele adquire sentido a expressão de conotação bíblica (cf. 2Cor
10,5), “Viver em obséquio de Jesus
Cristo” (RC, n. 2), aplicado conforme a mentalidade da época medieval:
colocando realmente Cristo como início e fim de toda a realidade e de toda a vida
carmelitana.
4. O centro
vital da proposta é a Eucaristia (cf. RC, n. 14), compreendida não como simples
rito, mas como realidade que constrói a Igreja, cujo significado está expresso
no simbolismo do convergir quotidano para a capela ou oratório, construído no
meio das celas.
5. O discurso
sobre a oração no Carmelo não pode ser compreendido sem esta sua característica
cristocêntrica e sem a referência eclesial do mesmo.
C. A estrutura dinâmica da oração segundo a Regra
6. Situando-se o
exame de todos os elementos (indicações e prescrições sobre a oração na Regra,
no contexto do primeiro grupo carmelitano (cf. espiritualidade da
peregrinação), encontramos mais que evidente o seu caráter cristológico que
unifica o empenho concreto (estrutura e formas de oração) e exige a encarnação
na realidade onde está se formando a Igreja, corpo místico e total de Cristo.
Em todo o discurso feito, através do estudo da Regra sobre a oração, é possível
individuar a estrutura dinâmica que vem proposta ao carmelita como caminho -
itinerário de crescimento em direção à plenitude de vida e a comunhão com Deus
e o seu mistério.
7. São elementos desta estrutura dinâmica:
• a atitude
dialógica de escuta e de acolhimento da Palavra (RC, nn. 10, 11, 14, 24);
• a busca de Deus
no quotidiano, baseada na interiorização (RC, nn.18-19; cf. também a
espiritualidade do caminho-peregrinação);
• a abertura ao
diálogo e à familiaridade com Deus que conduz à dimensão mais profunda e total
da contemplação, colocando a pessoa não somente em relação dialógica e amorosa
com Deus, mas também, conduzindo-a a viver em sua presença e a fazer tudo em
nome do Senhor (isto emerge da contemplatio
—> sapientia —> conformatio, conforme os nn. 10,
18-19).
8. A dinâmica da
oração apresenta harmonia equilibrada e interação :
• entre a
contemplação e a ação (a antinomia ou dicotomia entre contemplação e ação é
desconhecida na Regra. Fica claro em todo o conjunto do “discurso” que esta é
problemática mais tardia na vida da Ordem);
• entre a vida
litúrgica e a oração individual/pessoal (nn. 10-14);
• entre
indivíduo e comunidade (nn. 10, 11, 12, 14, 15);
• entre momento
presente e futuro escatológico (cf. n. 24).
D. No sulco da
perspectiva monástica
9. A dinâmica da
oração que vem da Regra é apresentada fundamentalmente, e antes de tudo, com o
caráter de continuidade segundo a oração monástica medieval e seu relativo modo
de conceber a relação entre a oração e a própria vida monástica .
10.Isto está
claramente indicado no texto albertino. O Carmelita realiza o seu ideal da
oração contínua na tríade “lectio divina-vigilias-salmos” e na vital e
harmônica relação entre a oração privada e a comunitária. Tal tríade e tal
relação devem ser interpretadas no contexto monástico da oração contínua da
qual S. Alberto usa a própria terminologia:
• Havia já nas
primeiras comunidades cristãs uma preocupação de “orar sem cessar” (Lc 18,1).
Continuando-se os usos da sinagoga e sob os desafios judaico-cristãos, a
solução para isto foi encontrada no dedicar à oração alguns dias ou momentos
especiais e algumas horas do dia (hora terça, hora sexta, hora nona). A esta
última prática se interpreta, atribuindo-lhe um valor trinitário, assumindo
ainda o seu simbolismo, o significado de plenitude da oração “contínua” (“3” é
símbolo de perfeição). Na práxis, a esta oração comunitária acrescenta-se o uso
da oração privada pela manhã, ao levantar do sol e à noite, ao cair da tarde.
Outra referência é também aquela relativa à ressurreição (manhã) e ao advento
final de Cristo (noite) na perspectiva de uma tensão escatológica da oração
enquanto momento salvífico. Afirma-se ainda, para a oração “contínua”, a
necessidade de que seja “pessoal”, com profunda interação entre as duas
dimensões da pessoa individual e comunitária.
• A preocupação da oração “contínua” é também
dominante no mundo monástico, no qual se seguem duas pistas de solução não
opostas e que se realizam entre ambas:
- a oração coral
ininterrupta (isto é feita por turnos contínuos de grupos de monges ou em 7
vezes (número perfeito), como parte mesma do louvor “Opus et Laus Dei”.
- a oração
contínua no espaço privado do monge, “no segredo do coração” e caminho da
interioridade, é também apresentada por três exercícios (outro número perfeito
que indica plenitude): lectio divina, salmos e vigílias.
11. A oração
contínua vem a ser o “banco de prova” do monge e o elemento que caracteriza e
resume sua vida. Pela forma como o monge considera a oração “contínua” (como
atitude de atenção contínua a Deus, ou seja como “Vacare Deo”) emergem dois
aspectos integrantes entre si:
• a oração como evento da história da salvação:
- os diversos
nomes da oração monástica, do início ao fim, indicam aspectos-gestos-fases de
uma mesma realidade do mistério salvífico.
- a divisão ente
oração privada e litúrgica, que vem em seguida, mantendo entre si uma profunda
integração.
- há também uma
integração feita através da oração, entre o momento da experiência feita e a
atualização da ação salvífica de Deus.
• a oração como
expectativa escatológica e busca da “semelhança com Deus”:
- esta
expectativa e retorno são realizados no momento concreto do quotidiano, no qual
se constrói o futuro;
- a oração nesta
prospectiva - como exercício do monge - é inseparável dos demais exercícios
comuns da vida quotidiana (trabalho, etc.). Para chegar a isto insiste-se no
recolhimento (como separação dos rumores e da agitação secular), na ascese (com
a prática do jejum, vigílias, mortificações ou penitências corporais), na
observância monástica (que compreende silêncio, purificação do coração,
humildade, compunção, paciência).
- nesta unidade
de vida a oração não é alienante, nem intimista, porém encarnada, ligada à vida
e à realidade na qual se constrói o futuro.
12. No mundo
monástico, obviamente, existiram problemas, sombras e luzes, no tecido deste
ideal da “oração contínua”. Levando-se em conta esta situação, o texto
albertino oferece oportunamente estruturas eremítico-cenobitícas (equilibradas
em 1247 com a adaptação mendicante) e meios para o desenvolvimento da oração: o
silêncio, a solidão, a mortificação corporal e o trabalho (cf. nn. 5, 6, 8, 16,
17 e 21).
E. A atitude dinâmica do “Vacare Deo”
13. Na Regra
Carmelitana a oração, antes de ser um precioso exercício, constitui-se numa
postura dinâmica no sentido do “Vacare Deo”, com seu caráter de continuidade,
conduzindo a uma dependência de Deus, buscado na própria vida, em cada situação
e aspecto da realidade quotidiana.
14. Por isto,
segundo a Regra, o carmelita deve concretizar a oração numa atitude vital,
tornando-se sempre disponível ao encontro com o Senhor, deixando-se tomar e
conduzir por Ele, saboreando sua presença, buscada e experimentada na realidade
da vida, nas várias circunstâncias que formam o seu quotidiano.
15. O “Vacare
Deo” produz, como conseqüência, o desenvolvimento mais profundo da dimensão
contemplativa do ser humano, levando-o à total transformação de seu mundo
relacional: sair dos próprios esquemas mentais para, em Deus, ver a realidade
com os seus “olhos” e amá-la com o seu “coração”, em cada um dos momentos da
vida que se tornam momentos de salvação, doados a cada um, “enquanto espera o retorno definitivo do Senhor” (Regra, n. 24).
APROFUNDAMENTO E INTERIORIZAÇÃO
1 - Para
pesquisar e partilhar ou fazer em grupos, como forma de aprofundamento:
• Segundo a
Regra do Carmo a oração sempre é feita na perspectiva cristocêntrica, com um
único e grande objetivo:“Viver em
obséquio de Jesus Cristo” (prólogo citando 2Cor 10,5). Do que aprendeu na
contemplação de Jesus Cristo, que aspectos lhe poderão ser úteis para a
vivência carmelitana?
• Tomar os nn.
10, 11, 14 e 18-19 da Regra e verificar o que propõem a cada um de nós para a
realização de nosso ser na vida Carmelitana.
• Ilustrar com
fatos as seguintes afirmações (buscar testemunhos de nossos místicos - palavras
ou exemplos):
- “A oração é o
banco de prova da vida carmelitana”.
- “A oração do
carmelita é um caminho excelente para a interiorização da Palavra de Deus e um
testemunho de consagração a Ele”.
- “Para o
Carmelita a oração não constitui um precioso exercício, mas consiste numa
delicada e contínua atenção a Deus, para viver inteiramente em sua presença e
conforme seu desígnio”.
• Considerando o
ser humano em suas dimensões terrestre e escatológica, o n. 24 da Regra do
Carmo faz duas importantes recomendações: (1) “fazer mais e colocar-se na
expectativa da vinda do Senhor...” (2) “ser generoso, porém com discrição”.
Qual é a função da oração em nossa vida em vista do atendimento destas
recomendações?
• O Carmelita
dos primeiros tempos não cria, nem teórica nem praticamente, problemas de
antinomia entre a oração e o resto da vida (trabalhos, apostolado). Levando a
sério o seu compromisso com Deus une perfeitamente:
- contemplação e
ação
- vida litúrgica
e oração individual
- vida em
comunidade e solidão
- momento
presente e futuro escatológico
Analise estes
aspectos, ilustrando a possibilidade de harmonia entre os mesmos, com textos
extraídos da Sagrada Escritura.
• Se você fosse
escrever uma Regra Carmelitana, com base no que refletiu sobre a oração:
- o que
confirmaria, em relação à oração?
- a que daria
mais ênfase?
- o que acharia
supérfluo, incompleto ou superado?
2 - As questões
que seguem são para reflexão individual, anotação no próprio diário espiritual
e partilha com o Mestre ou diretor espiritual. Esta parte deve ser feita com
serenidade, em momentos de solidão previstos para o cuidado da vida espiritual
do formando.
• Tomar como oração preparatória os textos bíblicos:
* 1Pe 2, 5-12 -
Convite a viver em Cristo, como pedras vivas
* 2Pe 2, 1-10 -
Revelação do poder da fé
* Jo 2, 1-11 - A
postura e a prece de Maria em Caná
• Sendo a
Eucaristia o centro da vida carmelitana, verificar como assume a sua preparação
e participação na mesma. De que forma a prolonga no seu dia-a-dia?
• Verifique
quais são os entraves ao silêncio interior que o impedem de ouvir a Palavra de
Deus. Busque inspiração na leitura de “O silêncio na vida carmelitana”.
• Como você
concilia em seu ser a oração litúrgica e a oração individual? De que forma uma
enriquece a outra?
• Você tem
experimentado a “Lectio Divina” como alimento da prática da oração contínua?
Que dificuldades encontra para experimentar com fidelidade esta forma de
oração? Que atitudes alimenta em sua vida?
PS: Feitos os exercícios não deixe de procurar ajuda
com seu orientador espiritual. Ela é indispensável para o seu crescimento
humano-espiritual-carmelitano.
Procure tirar as dúvidas, partilhar suas descobertas,
desafios, dificuldades, expectativas, compromissos.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
17:56
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
A Palavra do Frei Petrônio,
Carmelo,
Contemplação,
Frei Petrônio de Miranda,
Lectio Divina,
Olharjornalístico,
Orar,
Ordem do Carmo,
REGRA DO CARMELO
A PALAVRA... Nº 558. Aparecida do Norte.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
09:49
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
ORDEM TERCEIRA: Assembleia Capitular-02
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
01:15
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
SANTA TERESA DE JESUS: V Centenário- 01.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
00:50
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
A PALAVRA... Nº 557. 4º Domingo da Quaresma.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
00:45
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
ORDEM TERCEIRA: Assembleia Capitular-04
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
00:42
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
sexta-feira, 28 de março de 2014
ORDEM TERCEIRA: Assembleia Capitular-02
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
19:58
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
ORDEM TERCEIRA: Assembleia Capitular-01
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
18:38
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
quinta-feira, 27 de março de 2014
A PALAVRA... Nº 555. Assembleia da Ordem Terceira.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
20:13
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
quarta-feira, 26 de março de 2014
A PALAVRA... Nº 554. Assembleia em Aparecida.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
07:58
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
terça-feira, 25 de março de 2014
Papa faz reflexão sobre encontro de Jesus com a Samaritana
Mais
de 40 mil fiéis acompanharam a oração mariana do Angelus, na Praça de São
Pedro, no Vaticano, no domingo, 23. O papa Francisco trouxe como tema de
reflexão a passagem do Evangelho que retrata o encontro de Jesus com a
Samaritana junto ao poço em Sicar.
Francisco
observou que o pedido de Jesus à Samaritana – “Dá-me de beber“ - supera todas
as barreiras de hostilidade entre judeus e samaritanos e rompe os esquemas de
preconceito em relação às mulheres.
“O
simples pedido de Jesus é o início de um diálogo sincero, mediante o qual Ele,
com grande delicadeza, entra no mundo interior de uma pessoa à qual, segundo os
esquemas sociais, não deveria nem mesmo dirigir uma palavra. Jesus se coloca no
lugar dela, não a julgando, mas fazendo
sentir-se considerada, reconhecida, e suscitando assim nela o desejo de ir além
da rotina cotidiana”, disse.
O
papa explicou que ao pedir água à Samaritana, Jesus queria “abrir-lhe o
coração”, “colocar em evidência a sede que havia nela”. “A sede de Jesus não
era tanto de água, mas de encontrar uma alma sequiosa”, afirmou o papa.
A
passagem do Evangelho conta que os discípulos ficaram maravilhados com o
Mestre, pois tinha falado com aquela mulher. Mas, “o Senhor é maior do que os
preconceitos. E isto devemos aprender bem” – exortou Francisco -, pois a
misericórdia é maior do que os preconceitos”. Segundo o papa, o resultado do
encontro junto ao poço foi o de uma mulher transformada.
“Deixou
o seu jarro com o qual ia buscar água e correu à cidade para contar a sua
experiência extraordinária. ‘Encontrei um homem que me disse todas as coisas
que eu fiz. Era o Messias? Estava entusiasmada. Foi buscar água no poço e
encontrou uma outra água, a água viva da misericórdia que jorra para a vida
eterna. Encontrou a água que sempre procurou! Corre ao vilarejo, aquele
vilarejo que a julgava, a condenava e a rejeitava, e anuncia que encontrou o
Messias: alguém que mudou a sua vida. Pois cada encontro com Jesus nos muda a
vida, sempre. É um passo em frente, um passo mais próximo a Deus”, acrescentou.
“Encontramos
também nós o estímulo para ‘deixar o nosso jarro’, símbolo de tudo aquilo que
aparentemente é importante, mas que perde valor diante do ‘amor de Deus’, e
todos temos um, ou mais de um jarro", ressaltou Francisco.
“Eu
pergunto a vocês e também a mim: ‘Qual é o teu jarro interior, aquele que te
pesa, aquele que te afasta de Deus? Deixemo-lo um pouco de lado e com o coração
escutemos a voz de Jesus que nos oferece uma outra água, uma outra água que nos
aproxima do Senhor”, disse.
De
acordo com Francisco, todos são chamados a redescobrir a importância e o
sentido da vida cristã, iniciada no Batismo, e a testemunhar como a Samaritana,
"a alegria do encontro com Jesus e as maravilhas que o seu amor
realiza".
Ao
final do Angelus, o papa Francisco recordou o Dia Mundial da Tuberculose
celebrado nesta segunda-feira, 24, e pediu orações por todas as pessoas
atingidas pela doença e por todos que de alguma maneira se ocupam delas.
Fonte: www.cnbb.org.br
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
05:57
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
Angelus,
Dá-me de beber,
homilia da Samaritana,
Jesus e a Samaritana,
Papa Francisco,
Samaritana
segunda-feira, 24 de março de 2014
Oscar Romero, modelo profeta para hoje
Oscar Romero, modelo profeta para hoje
Dom Gregorio Rosa, amigo e colaborador
do arcebispo salvadorenho, veio a Portugal, a convite dos Missionários da
Consolata, para falar sobre pensamento e espiritualidade do homem de Igreja
assassinado há 33 anos
|
OC/Agência ECCLESIAAgência ECCLESIA – Como conheceu D. Oscar Romero?
D. Gregorio Rosa –Ele era um
sacerdote, quando eu o conheci – ele tinha 40 anos e eu tinha 15 anos, quando
começava os meus estudos no seminário menor. Depois trabalhei com ele um ano
inteiro no seminário menor de San Miguel, como seu assistente, em 1968, e
tornamo-nos amigos.
No seu diário, o meu nome aparece
muitas vezes, porque éramos muito próximos. Aparece sobretudo quando Romero
era arcebispo e tinha de preparar relatórios para Roma, a fim de explicar-se
e defender-se de ataques injustos que chegavam contra ele. Isso aparece no
diário, era uma experiência de amizade muito profunda e uma graça para mim,
muito especial.
AE – O percurso de
vida de D. Oscar Romero ficou marcado por incompreensões, dúvidas. Pensa que
ainda hoje há gente na Igreja e não só que não entendeu esta figura?
GR – Eu também sou
jornalista e preparei com ele muitas vezes um programa de rádio, de 30
minutos, que era transmitido todas as semanas. Fazia questões muito
provocadoras a Romero e uma vez perguntei-lhe: você transformou-se,
monsenhor? Ele respondeu-me que não diria que era uma transformação, mas uma
evolução.
Esta mesma ideia aparece num
documentário da televisão suíça em 1979, um ano antes de morrer.
Perguntam-lhe a mesma coisa e ele diz com mais pormenor como, quando era
bispo no interior do país (Tambeae, ndr), via as coisas de
uma forma e quando chegou a arcebispo e está na capital, descobre de forma
brutal o que é a violência estrutural, o que chama de injustiça
institucionalizada. E descobre que tem uma vocação, a de acompanhar o povo que
está esmagado pela violência, pela repressão, pelos esquadrões da morte, e
ser voz dos que não têm voz.
Romero vai evoluindo para uma missão
profética – os profetas nunca são compreendidos -, ele nas suas homilias fala
muito do tema do profeta e compara a missão de Jesus com a missão dos
profetas. Ele foi um profeta e por isso foi incompreendido, perseguido, foi
assassinado: é muito fácil perceber, a partir daí, o que foi a missão de
Romero, o que foi a sua opção, a sua vida, também o seu martírio, um profeta
fiel à sua missão, porque foi acima de tudo um discípulo de Jesus Cristo.
AE – Esse martírio
aconteceu já há 33. Porque há tantas dificuldades no processo de beatificação
de D. Oscar Romero?
GR – Essa pergunta
aparece permanentemente e vou aprendendo a responder com elementos novos.
Quero fazer uma breve história deste facto: Romero foi incompreendido em
primeiro lugar pelos seus próprios irmãos bispos – quando era arcebispo, eram
seis bispos no país (El Salvador, ndr), quatro contra
dois, tinha apenas um bispo a seu favor (05h00), que foi depois seu sucessor
em San Salvador (D. Arturo Rivera Damas), quando havia
votações, perdia sempre. Este é um ponto importante.
Ele disse uma vez, falando com jovens
de um colégio católico: “Para uns sou a causa de todos os males do país, para
outros sou o pastor que acompanha o povo”. Portanto, há duas visões sobre
Romero, o homem recusado e o homem amado como pastor.
Depois, há um segundo momento: Romero
é assassinado por um grupo preparado por um militar (Roberto D'Aubuisson) que fundou um partido político (ARENA), e esse partido chegou ao Governo, governando durante 20 anos. Nunca
nesses 20 ano se interessou por Romero, pelo contrário, interessou-se em ir
contra ele, já que tinha morrido por causa deles. Por isso, Roma nunca teve
um sinal positivo sobre a canonização por parte do Governo, porque Romero era
um inimigo.
Há quatro anos, temos um primeiro
Governo de esquerda, que levou Romero a sério. O presidente (Mauricio) Funes, no dia da sua proclamação, disse: Romero é a minha
inspiração, o meu modelo, e quero como ele optar pelos pobres e seguir os
seus ensinamentos. Assim, Roma começa a ouvir algo diferente, nos últimos
anos.
Um terceiro elemento é que Romero é
um Santo incómodo, os profetas são incómodos. Não é Madre Teresa de Calcutá,
é outra coisa, por isso é um profeta que, como Jeremias, é incómodo e querem
acabar com ele. Estes santos desinstalam-nos, tiram-nos do sítio, obrigam-nos
a rever a nossa vida medíocre.
Isso também foi um fator contra
Romero, mas ao mesmo tempo há uma corrente cada vez maior em seu favor e os
Papas foram entendendo isto. O Papa João Paulo II entendeu Romero a partir do
ano de 1983, quando visitou o seu túmulo pela primeira vez, e acabou por
compreendê-lo bem a partir dos anos 2000 e 2001, quando disse que era um
mártir da Igreja.
Tenho os testemunhos diretos dessa
visão do Papa: não foi fácil para o Papa João Paulo II entender como é que um
bispo é morto por cristãos, como eram os comunistas de El Salvador – que não
eram como os da Polónia ou da Europa de Leste -, era outra coisa. Finalmente
foi-o compreendendo, era outra visão do que era a esquerda, é um problema
complexo que se foi esclarecendo, pouco a pouco.
AE – Essa visita de
João Paulo II ao túmulo de D. Oscar Romero, em 1983, foi um momento de
tensão…
GR – O que é
surpreendente é o que conta o seu secretário pessoal, Dom Estanislau
(Dziwisz), agora arcebispo de Cracóvia, num livro que se intitula ‘Uma vida
com Karol’. Há um capítulo dedicado ao martírio, no qual fala de apenas um
mártir, Romero, e relata dois factos relacionados com o Papa João Paulo II,
que é importante partilhar com quem está a ver este programa.
O primeiro é do ano 1983: conta ele
que antes da visita a El Salvador, disseram ao Papa que não convinha que
visitasse o túmulo de Romero, porque esse era um tema muito politizado, e o
Papa respondeu: Como não o vou visitar, se morreu no altar, durante a
Eucaristia?
Houve pressões no país para que não
fosse ao túmulo de Romero e quero contar uma história: para preparar essa
visita, houve uma comissão mista, Governo-Igreja, para tratar da segurança,
do protocolo, etc., e eu fui um dos encarregados. Estávamos reunidos quando
chegou uma nota da Nunciatura que dizia que o Papa gostaria de visitar o
túmulo. Diziam que não era adequado, que era perigoso, que não havia
condições, que não o devia visitar.
Numa segunda reunião, chegou outra
nota da Nunciatura onde se dizia que o Papa visitará o túmulo. Visitará.
Então, negociamos com o Governo que a visita não seria publicada no programa,
que seria privada e confidencial, digamos. A 6 de março de 1983, quando chega
o dia da visita do Papa, prevista para depois do almoço, o cardeal Tucci
disse-me de manhã: “Vamos já para a Catedral”. João Paulo II chegou ao túmulo
quando não estava ninguém à sua espera.
Outro facto aconteceu no ano 2000,
com o Jubileu dos Mártires, a 7 de maio, no Coliseu. Na quarta-feira
anterior, anunciou-se na sala de imprensa da Santa Sé como seria a cerimónia,
uma grande paraliturgia, e falou-se de cada continente, quem ia ser evocado
como mártir. Na América Latina, são mencionados três nomes de bispos, mas não
apareceu o de Romero, e os jornalistas perguntaram porque é que não estava.
Houve uma reação em Roma, muito forte, de protesto.
Dois dias depois, o Papa convidou
vários cardeais, para jantar, entre eles o cardeal Kasper, que também me
contou o que vem no livro: João Paulo II pediu o livro que ia ser usado na
cerimónia dos mártires, procurou a página da América Latina e a oração
conclusiva dessa secção, onde escreveu “bispos como o inesquecível monsenhor
Romero, que entregou a sua vida no altar”. E teve de se fazer um novo
folheto.
Nós temos os dois folhetos, o que se
ia utilizar, sem referência a Romero, e o que se usou, mencionando-o. Foi o
único nome evocado.
Há um último dado, de que sou
testemunha pessoal, no ano 2001, mês de novembro. Temos visita ‘ad Limina’
com João Paulo II, a última que lhe fizemos, e no momento pessoal com o Papa,
o arcebispo (Fernando Sáenz Lacalle) chega e eu vou com ele. O Papa está
muito cansado, muito doente, não reage ao que diz o arcebispo, mas de repente
levanta a cabeça e pergunta: E Monsenhor Romero?
O arcebispo responde: Estamos a falar
sobre a devoção, não sabemos se há algum milagre por sua intercessão…
O Papa pôs-se de pé, pega na bengala
e diz: É um martírio. E vai-se embora.
São dados do pontificado de João
Paulo II que indicam que ele foi compreendendo e chegou à convicção de que
Romero é um mártir. São dados interessantes, totalmente comprovados, que
indicam uma evolução no Papa: ele entendeu o que se passou com Romero e
chegou à conclusão de que é um mártir da Igreja.
Agência ECCLESIA
–Que atualidade tem este arcebispo assassinado no altar para uma jovem
geração que nunca teve contacto com ele?
GR – Vou responder com uma história do ano 2000. Nesse ano, no 20.º
aniversário (da morte) de Romero, houve uma grande marcha nas ruas de San
Salvador, com archotes. Havia bispos italianos na marcha e eu estava a
celebrar em Roma. Quando eles voltaram, emocionados, os bispos vinham
surpreendidos porque os jovens gritavam na marcha “Sente-se, sente-se, Romero
está presente”.
Os jovens de hoje estão a conhecer
Romero e entusiasmam-se com ele, porque veem um homem coerente com as suas
convicções, um homem que é fiel ao ser humano e defende os Direitos Humanos,
que é fiel a Jesus Cristo, que é fiel à Igreja e dá a vida por esses ideais.
Os jovens precisam de algo que dê
sentido à sua vida e veem em Romero um discípulo de Jesus Cristo que é
coerente com o que diz, com o que faz, e as pessoas precisam de modelos
assim. Hoje vivemos num mundo que não tem modelos, não tem líderes. Romero é
um líder, um modelo para os jovens de hoje, para as pessoas, e por isso é um
santo muito atual.
É espantoso que mesmo no mundo dos
não crentes, Romero seja uma inspiração, pelo que estamos em muito boa
companhia e com o Papa Francisco temos, penso, o melhor momento para que o
processo de canonização possa avançar até ao final.
|
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
20:54
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
34 Anos do Martírio de Dom Oscar Romero,
A PALAVRA DO FREI PETRNÔNIO,
Dom Gregorio Rosa,
Dom Oscar Romero,
San Salvador
34 ANOS DEPOIS: (24/03/1980- 24/03/2014: Dom Oscar Romero ajudou a fortalecer o compromisso com os mais pobres.
Ao
passar sua mensagem de paz e justiça ao povo salvadorenho, Dom Romero nos
deixou um legado importante de amor e luta. Um exemplo desse legado foi vivido
por Anne Marie Crosville. A francesa conheceu Dom Romero numa favela no México
e, neste momento, recebeu um convite para lutar junto com os salvadorenhos e
levar a mensagem de que este povo lutava por paz e justiça à Europa. Anne Marie
conta essa história e tudo o que aprendeu com Dom Romero nesta entrevista que
concedeu por telefone à IHU On-Line. “O exemplo de Dom Oscar Romero me ajudou a
melhorar e fortalecer meu compromisso ao lado dos mais pobres”, disse ela.
Anne
Marie Crosville nasceu na França e é pedagoga. Ela já viveu em vários países do
mundo. Hoje, mora em Cachoeirinha, região metropolitana de Porto Alegre, onde
está à frente do Centro Infanto-Juvenil Luiz Itamar desde 1988.
Confira a entrevista.
A senhora trabalhou com Dom Romero,
certo? Pode nos contar um pouco sobre como era ele?
Anne Marie – Eu conheci Dom Romero quando estava no México
trabalhando numa favela com crianças e adolescentes de rua. Ele chegou a nosso
bairro para visitar as famílias salvadorenhas que fugiam da guerra e da
violência. Tinha sempre a preocupação de visitar seu povo e defender a vida
deles contra a ditadura. Então, tive a oportunidade de conhecê-lo. Passei uma
semana com ele em torno do bairro, mas não cheguei a trabalhar diretamente. Dom
Romero me fez um convite para me solidarizar com o povo salvadorenho e poder
ser sua mensageira quando voltasse para a Europa. Eu deveria dizer que o povo
salvadorenho lutaria por justiça, dignidade e se voltaria contra a ditadura.
Ele me fez esse convite para ser testemunha da luta do povo salvadorenho. O
pedido mexeu muito comigo e, num primeiro momento, falei que não tinha vocação,
que era um compromisso muito grande. Ele me disse, com sua voz muito terna e
firme: “O convite está feito, mas você tem que pensar, pois precisamos de
estrangeiros que apoiem essa luta tão sofrida”. Em setembro de 1979, ele me fez
o convite e, em 24 de março de 1980, foi assassinado, o que foi muito forte
para mim. Fui para El salvador depois e senti que era um chamado fazer essa
experiência e apoiar o povo salvadorenho. Em 1983, entrei na zona de guerra e
fiz um trabalho de alfabetização. O exemplo de Dom Oscar Romero me ajudou a
melhorar e fortalecer meu compromisso ao lado dos mais pobres. Ele sempre
estava lá pela Igreja e dizia que um Bispo não estava a serviço do poder, mas
sim a serviço da vida.
Quais foram às circunstâncias do
martírio de Dom Romero?
Anne Marie – Ele foi ameaçado várias vezes de morte porque defendia sempre o povo. Falava na rádio todos os domingos, tratando da paz com justiça e dignidade, não como uma paz dos cemitérios. Na última homilia, falava para os soldados do exército que não podia continuar obedecendo à lei dos militares e dos comandantes, que tinham uma lei que matava os próprios irmãos, uma vez que os soldados eram originários do campo. Aos soldados, quando viviam no campo, diziam que iam ganhar muito dinheiro se aceitassem participar do exército militar. Ele falou para os soldados: “Vocês estão matando seus próprios irmãos. A lei de Deus é a lei da Fraternidade e da Justiça". Então você não pode obedecer a lei da morte. Assim, ele pediu para os soldados desobedecerem. Essas foram suas últimas palavras no rádio. No dia seguinte, ele celebrou uma missa num hospital onde morava. Romero tinha um quarto nesse hospital e durante a consagração o mataram a tiros. Ofereceu seu sangue, que se misturou ao sangue de Jesus. Até hoje, aqueles que o mataram estão soltos. Foi um choque muito grande para o povo, para os mais pobres, porque ele era a voz da justiça e do amor. No enterro dele, houve outro massacre, pois havia muitas pessoas presentes e cerca de 400 delas foram assassinadas. Isso porque havia franco-atiradores da oligarquia em cima dos telhados, matando aqueles que queriam homenagear Dom Romero.
Anne Marie – Ele foi ameaçado várias vezes de morte porque defendia sempre o povo. Falava na rádio todos os domingos, tratando da paz com justiça e dignidade, não como uma paz dos cemitérios. Na última homilia, falava para os soldados do exército que não podia continuar obedecendo à lei dos militares e dos comandantes, que tinham uma lei que matava os próprios irmãos, uma vez que os soldados eram originários do campo. Aos soldados, quando viviam no campo, diziam que iam ganhar muito dinheiro se aceitassem participar do exército militar. Ele falou para os soldados: “Vocês estão matando seus próprios irmãos. A lei de Deus é a lei da Fraternidade e da Justiça". Então você não pode obedecer a lei da morte. Assim, ele pediu para os soldados desobedecerem. Essas foram suas últimas palavras no rádio. No dia seguinte, ele celebrou uma missa num hospital onde morava. Romero tinha um quarto nesse hospital e durante a consagração o mataram a tiros. Ofereceu seu sangue, que se misturou ao sangue de Jesus. Até hoje, aqueles que o mataram estão soltos. Foi um choque muito grande para o povo, para os mais pobres, porque ele era a voz da justiça e do amor. No enterro dele, houve outro massacre, pois havia muitas pessoas presentes e cerca de 400 delas foram assassinadas. Isso porque havia franco-atiradores da oligarquia em cima dos telhados, matando aqueles que queriam homenagear Dom Romero.
O contexto em que viveu Oscar Romero
é diferente do atual?
Anne Marie – O contexto em que ele viveu era de guerra civil. É
um país que viveu muitos terremotos e sua construção é muito difícil, mas a
esperança de agora é que o novo presidente, que ganhou a eleição recente, Mauricio
Funes, mude a realidade. Depois de tantos anos de luta, agora a esquerda
socialista ganhou a presidência. Eu tive de sair de lá em 1985, voltei dez anos
depois e percebi que o povo continuava lutando pela reconstrução do país. Temos
esperanças grandes no povo salvadorenho.
E, depois que Dom Romero morreu, que
caminho a senhora percorreu?
Anne Marie – Eu respondi ao convite que ele me fez uns meses antes. Senti o chamado. Me preparei para entrar na zona de guerra, entrei clandestinamente e fiz todo um trabalho de alfabetização dos combatentes. Eu não combatia com armas, mas sim para fazer acontecer a libertação através da educação. Acompanhei esse povo durante alguns anos. Para mim, foi a coisa mais forte da minha vida,pois acompanhei o povo de verdade,e o povo lutava para construir uma sociedade mais justa. Quando tínhamos de fugir dos militares que entravam nos acampamentos dos guerrilheiros, parecia que estávamos aminhando até a terra prometida. Foi muito forte isso em mim, marcou e renovou minha fé e meu compromisso ao lado dos pobres. Aprendi com os salvadorenhos que, a cada vez que caíam, não se falava de morte. Foi uma época muito intensa, mas tive de sair porque fui denunciada. Fui procurada, mas consegui sair e voltar para a França.
Anne Marie – Eu respondi ao convite que ele me fez uns meses antes. Senti o chamado. Me preparei para entrar na zona de guerra, entrei clandestinamente e fiz todo um trabalho de alfabetização dos combatentes. Eu não combatia com armas, mas sim para fazer acontecer a libertação através da educação. Acompanhei esse povo durante alguns anos. Para mim, foi a coisa mais forte da minha vida,pois acompanhei o povo de verdade,e o povo lutava para construir uma sociedade mais justa. Quando tínhamos de fugir dos militares que entravam nos acampamentos dos guerrilheiros, parecia que estávamos aminhando até a terra prometida. Foi muito forte isso em mim, marcou e renovou minha fé e meu compromisso ao lado dos pobres. Aprendi com os salvadorenhos que, a cada vez que caíam, não se falava de morte. Foi uma época muito intensa, mas tive de sair porque fui denunciada. Fui procurada, mas consegui sair e voltar para a França.
E por que a senhora veio para o
Brasil depois?
Anne Marie – Eu trabalho em Cachoeirinha, na Vila Anair, um
bairro bem pobre. Trabalho com crianças e adolescentes desfavorecidos. Vim para
o Brasil só porque conheci um brasileiro daqui de Cachoeirinha. Foi uma escolha
de amor. Ele era da fraternidade cristã de doentes e deficientes. Era uma
pessoa parecida, talvez, com Oscar Romero, pois defendia a vida a partir de
suas limitações, porque ele era tetraplégico. Ele teve esclerose e o conheci
nos últimos anos de sua vida. Era quase totalmente paralisado, mas tinha uma
força de vida, um sorriso... não sei, foi um amor bem bonito, intenso, mas
durou pouco. Romero morreu em 1989, e ficamos um ano construindo esse projeto
nessa vila onde estou. Ele deixou uma mensagem de lutar também por uma vida melhor.
E como à senhora vê a El Salvador de
hoje, que acaba de colocar na presidência do país a linha que tem em Dom Romero
o seu protagonista maior?
Anne Marie –Vejo o país com esperança, porque agora o
presidente é da esquerda, da linha de Oscar Romero, se é que podemos dizer
assim, pois ele não era de um partido, mas sim a favor da vida. Acho que essa
vitória é um misto de promessa de vida melhor e uma recompensa para tanta gente
que lutou. Eu tenho muita esperança apesar de ser cautelosa, pois não sei o que
irá acontecer. Tenho muita fé de que o povo poderá viver um pouco melhor.
Que legado Dom Romero deixou, em sua
opinião?
Anne Marie – Romero deixou bem claro que o compromisso nosso é
estar ao lado dos mais pobres e dos que sofrem injustiça. É ir na contramão do
poder dos ricos e dos conservadores. É amar com justiça e com dignidade,
respeitar a cultura do povo e acompanhá-lo na sua vida cotidiana, sem importa
uma doutrina. Ele deixou bem claro que quem não segue a vida com justiça não é
cristão.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
19:48
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
A PALAVRA DO FREI PETRNÔNIO,
Anne Marie,
Dom Oscar Romero,
Dom Romero,
El Salvador,
Fé e vida,
OlharJornalistico
A PALAVRA... Nº 553. O nosso medo de cada dia.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
18:48
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
domingo, 23 de março de 2014
Ordenação Diaconal do Frei Jerry- 03
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
15:37
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Ordenação Diaconal do Frei Jerry-02.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
04:11
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
sábado, 22 de março de 2014
Ordenação Diaconal do Frei Jerry-01.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
20:32
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
MARCHA COM DEUS PELA LIBERDADE: A Palavra do Frei Petrônio
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
16:16
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
MARCHA COM DEUS PELA LIBERDADE: A Palavra do Frei Petrônio
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
16:16
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
quinta-feira, 20 de março de 2014
A PALAVRA... Nº 552. Por que ser Padre?
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
20:21
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
OLHE PARA LUA: Mensagem com Frei Petrônio.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
04:25
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
quarta-feira, 19 de março de 2014
A PALAVRA... Nº 551. Vídeo Denúncia.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
19:37
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
NOVENA AO GLORIOSO SÃO JOSÉ.
O SÍMBOLO DA FIDELIDADE A DEUS
Leitura
do Primeiro Livro do Profeta Samuel - 15Ana lhe respondeu dizendo: “Não
é isto, meu senhor! Sou apenas uma mulher desesperada. Não tomei vinho nem
outra bebida inebriante; só desafoguei a minha alma na presença do Senhor. 16Não me
trates como mulher à-toa, pois foi pelo excesso da minha pena e mágoa que falei
até agora”. 17Então
Eli lhe replicou: “Vai em paz e o Deus de Israel te conceda o que lhe pediste”.
18
Ela disse: “Tua serva encontre graça
aos teus olhos”. Depois a mulher seguiu o seu caminho e comeu. Seu rosto já não
era o mesmo de antes.
Nasce Samuel e é consagrado. 19Tendo-se levantado cedo,
prostraram-se diante do Senhor e voltaram para casa em Ramá. Elcana conheceu
sua mulher Ana e o Senhor se lembrou dela. 20Pelo fim do ano, Ana concebeu e deu à
luz o filho. Chamou-o Samuel, dizendo: “Porque o pedi ao Senhor”. 21 Um ano depois, seu marido Elcana subiu com toda
a família para oferecer ao Senhor o sacrifício anual e cumprir o voto.
Salmo Responsorial.
O nosso Deus merece harmonioso louvor.
1. Louvem a Deus, pois é bom
cantar.
O nosso Deus merece harmonioso
louvor.Deus reconstrói Jerusalém, reúne
os exilado de Israel.
2. Cura os corações
despedaçados
e cuida dos seus ferimentos.
Ele contao número das estrelas e
Chama cada um pelo seu nome.
3. Ele cobre o céu com nuvens,
preparando a chuva para a
terra.Faz brotar erva sobre os montes
e plantas úteis aos homens.
Evangelho (Mt, 1, 18-25) A fidelidade e humildade fizeram dele o
“protetor de Deus”.
Proclamação
do Evangelho de Cristo, segundo Mateus -
18 A origem de Jesus
Cristo, porém, foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento
a José. Mas antes de morarem juntos,
ficou grávida do Espírito Santo.
19 José, seu marido, sendo homem justo e não
querendo denunciá-la, resolveu abandoná-la em segredo. 20 Mas enquanto assim pensava, eis que um anjo do
Senhor lhe apareceu em sonho e disse: “José filho de Davi não tenhas medo de
receber Maria, tua esposa, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo.
21 Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome
de Jesus. É ele que salvará o povo de seus pecados”.
22 Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o
que o Senhor falou pelo profeta: 23Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um
filho, e o chamarão com o nome de Emanuel1,
que significa: Deus conosco.
24 Quando acordou, José fez como o anjo do Senhor
lhe tinha mandado e aceitou sua mulher. 25 E não teve relações com ela até que
ela deu à luz um filho, a quem ele
pôs o nome de Jesus.
Para ajudar a refletir:
Dentro de sua imensidão
misericordiosa, Deus atendeu as súplicas de Ana através do sacerdote Eli e este
anunciou que o seu pedido seria atendido. Nascendo o seu filho ela deixou então
de ser humilhada perante o povo como mulher imprestável por ser estéril e de
idade avançada. O nome dado a criança foi de Samuel, que significa “EU PEDI A
JAVÉ”. O menino se tornou Profeta e foi fiel a Deus durante toda a sua vida.
O Salmo de louvor fala sobre o poder de Deus em fazer
coisas maravilhosas em toda sua criação. Tanto a natureza como os seres humanos
recebem a sua graça e atenção.
Mateus narra o começo de uma nova história, a origem de
Jesus e a importância de José na composição da família, aceitando humildemente
e se colocando a disposição de Deus para que Filho do Altíssimo seja protegido
e amparado nos seus primeiros anos de vida.
Ligações entre leituras:
- dois nomes foram indicados para duas
crianças.- duas mulheres em condições adversas, ficam grávidas com o poder de Deus.
- Um sacerdote e um anjo, intermedeiam a concepção.
- As duas crianças se tornam adultas: um profetiza, ou é Deus quem fala.
- Ambos foram fiéis ao Pai, porém um foi até às últimas conseqüências.
- Quando acordaram, ( as duas famílias ), foram para suas casas.
Como comentário inicial:
Com a proximidade do Natal, final do Ano litúrgico e início do Advento é bom irmos
nos preparando para a festa máxima da nossa fé de tal forma que quando chegarmos
próximo da festa do nascimento do Menino Jesus, também nos lembremos dos seus
pais que tanto se esforçaram para que este viesse à terra como homem, como os
melhores exemplos dados por Maria e seu esposo José.
Frases para a celebração:
1 – O comportamento de uma
mulher triste e aflita.2 – Que o Deus de Israel conceda o que você pediu
3 – José fez como o Anjo do Senhor lhe tinha mandado.
4 – A importância dos nomes dados aos nossos filhos.
5 – As vezes mesmo acordados, não damos atenção ao chamado ou pedido de algum Anjo.
-Como as outras folhas de preparações litúrgicas, favor devolver estas também. Obrigado
- Que São José, Padroeiro de Comunidade São José da Vila Lindóia nos de saúde, alegria e muita paz em nossas vidas.
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
06:28
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
A PALAVRA DO FREI PETRNÔNIO,
Devoção,
Festa de São José,
Frei Petrônio,
Frei Petrônio de Miranda,
São José
Assinar:
Comentários (Atom)

