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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Retiro da Ordem Terceira do Carmo, Carmo de Minas- MG.

                                               Data: 14, 15 e 16 de fevereiro-2014.
Pregador: Frei Petrônio de Miranda, 0. Carm.
Tema: A Espiritualidade Carmelitana.
3º Texto para reflexão: A Noite Escura.
 
            São João da Cruz (1540-1591), filho de Elias, pela vida e pelos escritos mostrou conhecer noites escuras pontilhadas de estrelas ou de trevas sem luz. E ensina a caminhar.
            A Noite Escura "é o fim do narcisismo e da abstração, é disponibilidade para o encontro com o outro e com os outros. É a constante adaptação do homem a Deus. Não é um breve período de crises, mas uma situação permanente, porque nunca nós acabamos de nos adaptarmos à lógica divina, ao amor de Deus. Atitude crítica para consigo mesmo e perante a realidade; discernimento frente à história e dentro da história; uma consciência da relatividade das metas alcançadas, concedendo espaço para a novidade do Espírito. A noite é consequência do amor, é escola de amor. É o meio pelo qual se consegue uma nova consciência: tornamo-nos mais livres para Subir a Montanha sem que Nada se interponha (1S,13)".

Noite Escura
São João da Cruz, Carmelita.
 
Numa noite escura,
Ansiosa, ardente de amor,
Ó, feliz ventura!
Sai sem ser vista,
Estando minha alma sossegada.
 
Na escuridão e em segurança,
Pela secreta escada disfarçada,
Ó, feliz ventura!
Na escuridão e às ocultas,
Estando minha morada sossegada.
 
Na noite ditosa,
Em segredo ninguém me via,
Não vendo outra coisa,
Sem outro guia nem luz
Que aquele que em meu coração brilhava.
 
Esta me guiava
Mais segura que a do meio dia,
Lá onde me esperava
Quem eu bem sabia
Em lugar o qual ninguém aparecia.
 
Ó noite que me guiastes,
Ó noite mais amável que a aurora!
Ó noite que reuniste
O Amado com a amada
A amada no Amado transformada!
 
Sobre meu seio florido,
Que para Ele só se guardava,
Ficou adormecido,
E eu o acariciava,
E o leque de cedros refrescava.
 
A brisa suave da ameia,
Quando eu afagava seus cabelos,
Com sua mão serena,
E pescoço me tocava,
E meus sentidos todos avivava.
 
Imóvel, esquecida,
O rosto inclinado para o Amado;
Tudo parou, abandonei-me,
Deixando entre os lírios
Ao olvido minha apreensão.

Noite Escura de Elias
O Profeta Elias, feliz na tranquilidade de Carit ou no aconchego da casa pobre da mulher de Sarepta e seu filhinho, é despertado pela tristeza da morte de um menino: é escuridão. "Javé, meu Deus, matando o filho dela, o Senhor quer afligir até mesmo esta viúva que me deu hospedagem?" (1Rs 17,20).  "Responda-me, Senhor! Responda-me!" (1Rs 18,37). "Javé, agora já é demais! Pode tirar a minha vida, pois não sou melhor do que os meus pais!" (1Rs 19,4). Comeu e bebeu e tornou a prostrar-se (1Rs 19,6). Depois quarenta dias e quarenta noites a caminho, sem comer nem beber (1Rs 19,8). "Estou só e querem tirar-me a vida!" (1Rs 19,10.14). Javé não estava não, nem no furacão desmantelador de montes e rachador de rochedos. Javé não estava nos tremores de terra, não (1Rs 19,11). Javé não estava no furor do fogo e dos raios, também não. Estava sim numa brisa calma, que cobriu Elias com o manto e com força o trouxe fora das cavernas (Rs 19,12-13). Um carro de fogo e cavalos de fogo arrancaram Elias de junto de Eliseu, e num redemoinho de fogo lá se foi Elias para o céu. Noites e luzes. Procurado por três dias (2Rs 2,11.17)[1]
 
Noite Escura de Maria
Virgem feliz em casa de Joaquim e Ana, mas é preciso dizer sim à vontade de Javé: "Eis-me aqui! Eu sou a escrava do Senhor. Aconteça em mim tudo segundo a tua palavra" (°1,38).
É preciso deixar pai e mãe e Nazaré, com muita coisa preparada para o nascimento e seguir José até Belém. Na hospedaria não há lugar e o Menino não vai esperar mais: Ela mesma tem de envolvê-Lo em faixas e acomodá-Lo dentro da manjedoura (°2,5.6.7). O boi e burro tenham paciência, e as mansas ovelhinhas... É preciso que o velho Simeão venha com aquela profecia? Para rebaixamento e soerguimento? Alvo diante da contradição? Uma espada que transpassa a alma? O velho estava vendo a Virgem-Mãe de pé junto à Cruz? (2,34-35)...

Noite Escura de Jesus

Menino unido com a Mãe que faz parte e participa da Noite Escura da Mãe nos mistérios da sua infância. Cresce e, conduzido pelo Espírito, caminha pelo deserto de Elias. Tem fome e é tentado pelo chato do diabo, que se cansa e o deixa em paz.

            Em Jerusalém causa-Lhe lágrimas e tristeza, e sentida elegia e lamentação. Amor traído faz sofrer. Jesus chorou. Quis ser como a galinhazinha de Nazaré, que com carinho sempre juntava a ninhada debaixo das asas, mas Jerusalém não quis...

            No meio da Escuridão é preciso falar com os amigos sobre a beleza da Luz e das alegrias do Reino: "o meu Corpo é dado em sacrifício por vós", "o meu Sangue é derramado por vós": "no meu Reino haveis de comer e beber à minha mesa" (22,19-20.30). Esperança: consolo e esperança somente...

            Edith Stein (1891-1942), judia- alemã, carmelita, filha dedicada de São João da Cruz, comenta: "Em Cristo, graças à sua natureza divina e à sua livre determinação, nada havia que se opusesse ao amor. Viveu Ele cada momento da sua existência em abandono sem reserva ao amor de Deus. Fazendo-se homem, tomou Ele sobre Si todo o peso do pecado do homem, abraçando-o com o seu amor misericordioso e ocultando-o na sua alma: no "Aqui estou, com o qual iniciou a sua vida na terra; depois, na renovação expressa desta sua missão no Batismo, e no Fiat do Getsêmani. O fogo da expiação cintilou primeiro no seu íntimo; em seguida, nos sofrimentos todos que acompanharam a sua vida; irrompeu inextinguível no Jardim das Oliveiras e sobre a Cruz, já que então desaparecera a sensação de gozo, que Lhe era concedida pela indissolúvel união com o Pai, lançando-O nos braços da dor a ponto de infligir-Lhe a última provação: o abandono extremo por parte do Pai.

Para meditação individual.
Texto Bíblico. (1º Reis, 19, 1-9)
1º-A Ordem Terceira do Carmo é uma comunidade Orante, Profética e Fraterna ou é uma fuga das noites escuras da vida?
2º-Como a Espiritualidade Carmelitana vivenciada pelos mártires e santos carmelitas; Simão Stock, Tito Brandsma, Edith Stein, Isidoro Bakanja, João da Cruz, Santa Teresinha... Ajuda-me a superar as noites escuras diárias? 

A PALAVRA... Nº 539. Eremitério Carmelita-04

SEM MEDO DE SER FELIZ: Cantando com Frei Petrônio-02

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Retiro da Ordem Terceira do Carmo, Carmo de Minas- MG.

                                          Data: 14, 15 e 16 de fevereiro-2014.
Pregador: Frei Petrônio de Miranda, 0. Carm.
Tema: A Espiritualidade Carmelitana.
3º Texto para reflexão: Carmelo: Crescer na Fraternidade.
 
 
No âmbito do Carmelo salientemos a ênfase sempre mais crescente sobre o valor teológico da fraternidade. A fraternidade vem sendo entendida, cada vez mais, como o leito e o núcleo do carisma carmelita.
             Acontecimentos traumáticos do nosso século, como as duas guerras mundiais, os regimes totalitários e a descoberta nuclear puseram em crise o caráter mítico e utópico de muitos aspectos da modernidade.
             Viver a unanimidade significa ter "um só coração e uma só alma", isto é, numa convergência essencial de intenções e pontos de vista sobre um projeto comum e, ao mesmo tempo, uma boa dose de maturidade, veracidade e transparência no agir que venham criar o pressuposto para relações autênticas. Tal unanimidade é o pressuposto fundamental para que o amor circule entre os irmãos e se instaurem relações autênticas (JO 3,1.18).
Chamados a viver vida de fraternidade, precisamos lutar para que as nossas comunidades sejam prova concreta de que a fraternidade é possível. Fraternidade, que nasça da escuta e da meditação da Palavra e que leve a tornar mais humana a vida, a unir as pessoas, apesar de certas divergências, conseguindo ser assim uma presença do Evangelho. E é desta maneira que a nossa Ordem Terceira do Carmo se transforma em sinal de esperança, que fazem os pobres dizer a nosso respeito o que a viúva de Sarepta dizia ao Profeta Elias: “Agora sei que és um homem de Deus e que a Palavra de Deus está realmente sobre a tua boca” (1Rs 17,24).
Na Igreja fomos gerados como Família Carmelitana pelo Espírito Santo, mediante a experiência de um grupo de penitentes, peregrinos, eremitas, no contexto do grande movimento europeu, medieval, para recuperação da Terra do Senhor.
            A peregrinação a Jerusalém, que nos deu origem e nos plasmou no início, com o tempo tornou-se um estilo típico da nossa caminhada evangélica para a perfeição. O Espírito, ao longo dos séculos, suscitou da mesma raiz carismática modalidades diversas de vida carmelitana, seja da contemplação, seja do serviço apostólico consagrado, seja de presença cristã na realidade social e leiga.
            O Espírito de Vida nos tornou fecundos quanto aos valores fundamentais da fraternidade evangélica: escuta e anúncio da Palavra, oração assídua, comunhão de bens, reconciliação fraternal, serviço recíproco e aos pobres, luta espiritual e empenho de libertação dos oprimidos, discernimento, solidariedade com todos os homens, esperança operante.
            Fonte deste processo tem sido a escuta orante, pessoal, comunitária da Palavra do Senhor, enquanto a centralidade da Eucaristia quotidiana tem sido o fermento, síntese e modelo da unidade e dos projetos de santidade eclesial.
            A devoção à Mãe do Salvador, Maria, a Virgem Puríssima, Irmã, Padroeira e Esplendor do Carmelo, e a evocação inspiradora do Profeta Elias, vêm constituindo a linguagem comum entre nós, seja na espiritualidade, seja na atividade pastoral.
      Tudo isto nos vem da história e hoje torna-se história lá onde o carisma carmelita é vivido na abertura aos novos caminhos do Espírito".
 
Para meditação individual.
 
Texto Bíblico. (Atos dos Apóstolos. 4, 32-37).
1º- Somos da Ordem Terceira do Carmo ou um grupo de amigos?
2º- A nossa fraternidade carmelitana tem um olhar para o sofrimento do próximo ou para nós mesmos?

A Espiritualidade do Escapulário

Frei Alonso Malaquias, 0. Carm.

          No dia 19 de fevereiro de 2000, estava eu viajando para Jaboticabal (SP). Ia até o Noviciado ensaiar melodias para o Ofício Divino com os nossos candidatos. Deveria estar em boa velocidade, dentro do permitido, afinal a rodovia Washington Luiz é muito boa. Senti que o sono me tomava de assalto, mas persisti na minha teimosia, afinal faltavam apenas 40 minutos para chegar. Cochilei. Acordei com o carro virado no jardim que separa as duas pistas.

Só quem passou por isso é que sabe do que falo: o carro totalmente fora de controle, barulho de vidro quebrado, lata amassando, caminhões buzinando e você sendo jogado de um lado para o outro. É a total impotência. A sensação é de uma força de morte que iria destruir-me. Vi que era o meu fim!

Foi neste desespero que gritei por Nossa Senhora do Carmo. Prensei-me contra o banco e, segurando fortemente no volante, me encolhi o mais que pude. O carro continuou capotando até para  na outra pista de roda para cima. Com medo de alguma explosão, saí imediatamente pela janela. Estive consciente o tempo todo. Saí ileso. Cortei somente a palma da mão e a cabeça devido aos vidros. Ao ficar fora do carro e ver o veículo inteiramente destruído, é que tomei consciência do que realmente acontecera.

Recebi muita ajuda dos caminhoneiros e de outras pessoas. Experimentei quão generosas são as pessoas na estrada. Fui levado para o pronto-socorro. Só na ambulância lembrei-me que tirara o Escapulário alguns dias antes, pois estava velhinho e queria trocar por outro. Constatei o quanto Maria me amou e protegeu. Ela não dependeu de um objeto para socorrer-me.

Você me perguntará: Mas como? Não é preciso estar sempre com o Escapulário se quiser que nada de mal me aconteça? Eu respondo, meu irmão: bem mais importante que apenas usar o Escapulário como objeto de sorte, o que ele não é nem de longe, o Escapulário nos ajuda na exata medida em que interiorizamos os valores que ele contém: primeiro, a confiança filial no socorro de Maria; segundo, a consagração da própria vida a ela em vista da expansão do Reino do seu Filho; o que se realiza; em terceiro, pela imitação das suas virtudes que são exatamente as que encontramos nos evangelhos: confiança total na Palavra de Deus e não em si mesmo; conformidade de nossa vontade com a vontade do senhor; uma vida toda impregnada da sua presença e, por isso mesmo, por nos sentirmos intensamente amados por Deus (vida e oração), participando da vida da Igreja, amando o próximo, principalmente os mais pobres e esquecidos, como foi o amor de Jesus (vida de serviço).

O santo Escapulário nos ajuda da seguinte forma: com o passar dos dias, das várias situações que nos atingem na vida, cada vez que o vemos em nós lembramos de nossa aliança de amor com Maria e vamos, na medida que nossas fraquezas permitem, amadurecendo a fé. O Escapulário nos infunde coragem e otimismo. Maria está conosco! A fé não se reduz ao sentimentalismo nem ao intelectualismo, embora o sentimento e a razão também a constituam. Mas a fé tem mais que ver com a vontade: adesão sincera ao Pai cuja única vontade é nos salvar por seu Filho no Espírito Santo. Fé é construir a nossa vida sobre a Rocha que é Cristo.

Eu sei que mesmo padres me diriam: “O que aconteceu com você não se tratou da ação de ninguém. Foi pura sorte”. Mas eu, que me vi perdido na boca da morte, e tendo invocado com toda a confiança o socorro de Nossa Senhora, fui atendido e salvo, tenho consciência do que escrevo.

E você também poderia perguntar-me: “e como se explica os que morreram mesmo tendo invocado também o socorro de Maria? No que você é melhor do que eles?” Pergunta justa. Respondo dizendo que não sou melhor nem pior que ninguém. Somos todos filhos amados intensamente por Deus. Analiso o que aconteceu a partir da minha experiência pessoal, de alguém que passou (como todos os dias passam muitos) por uma experiência limite e voltou novamente à vida. Não pretendo ter a resposta final. Penso no ocorrido como uma resposta de Maria em vista de uma missão que tenho a cumprir, ou ainda não estivesse pronto para partir... De fato, não sei. Só tenho a agradecer e louvar.

Daqui surgem várias perguntas: “por que nesta terra o justo e o bom sofrem tanto e são os mais desprezados, enquanto os ímpios injustos gozam sempre de saúde e são cada vez mais ricos? Deus não vê estas injustiças? Se Deus é bom, por que há no mundo tantos horrores?” Estas perguntas são corajosas. Estas são as perguntas de Jó. O credo dos primeiros cristãos era este: “eles mataram Jesus suspendendo-o numa cruz, Deus, porém, o ressuscitou...” (Cf 1 Cor 6, 14). Em Cristo temos a resposta para vencer o sofrimento, seja ele pessoal seja social.

Pode ser que num outro ocidente (Deus nos livre a todos!), eu invoque novamente Nossa Senhora e não seja salvo, não aconteça nada. Mas, mesmo aqui, o santo Escapulário me lembra da fé que temos na comunhão dos santos. Maria nos ama mesmo na morte. Ela está conosco neste momento crucial da nossa existência que é o encontro definitivo com Deus. Estará aí também nos auxiliando para aceitarmos que a vontade de Deus nos purifique que saibamos pedir perdão e perdoar àqueles que nos fizeram mal, e assim, amando a Deus com o coração purificado pelo fogo do Espirito, entremos na posse definitiva da Trindade.

O santo Escapulário é uma bênção de Deus, um sinal externo de nossa mútua aliança com Maria: de seu lado, Maria nos protege e guia para Cristo, único Salvador. Do nosso lado, procuramos imitar os belíssimos exemplos de seguimentos de Jesus que ela nos deixou.

A PALAVRA... Nº 537. Canção Nova ou Fanatismo Religioso?

5º Domingo. Ano-A. Missa em Angra-03.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A PALAVRA. Nº 534. A fidelidade de São João Batista.

Retiro da Ordem Terceira do Carmo, Carmo de Minas- MG.

                                           Data: 14, 15 e 16 de fevereiro-2014.
Pregador: Frei Petrônio de Miranda, 0. Carm.
Tema: A Espiritualidade Carmelitana.
2º Texto para reflexão: A Dimensão contemplativa da vida Carmelitana.
 
           
Com efeito, desde as origens, a comunidade dos carmelitas adotou um estilo contemplativo, tanto nas estruturas como nos valores fundamentais. E tal estilo ressalta da Regra com evidên­cia. A Regra delineia uma comunidade de irmãos toda entregue à escuta orante da palavra ([1]) e assídua na celebração do louvor do seu Senhor ([2]); uma comunidade composta por pessoas que sabem deixar-se habitar e plasmar pelos valores do Espírito: castidade, pensamentos santos, justiça, amor, fé, espera da salvação ([3]), trabalho realizado na paz ([4]), silêncio que, como afirma o Profeta, é o culto da justiça e que dá sabedoria ao falar e ao agir ([5]), discernimento que é "o orientador das virtudes" ([6]).
            A tradição da Ordem sempre interpretou a Regra e o carisma fundante como expressão da dimensão contemplativa da vida, e para esta vocação contemplativa sempre se voltam os grandes mes­tres espirituais da Família Carmelitana. A contemplação começa quando nos entregamos a Deus, qualquer que seja o modo que Ele escolha para achegar-se de nós. É uma atitude de abertura a Deus, cuja presença encontramos em toda parte. A contemplação constitui, assim, a viagem interior do Carmelita proveniente da livre iniciativa de Deus, que o toca e o transforma, rumo à unidade de amor com Ele. Esta é uma experiência transformante por parte do amor de Deus, que é soberano. Este amor esvazia-nos dos nossos modos humanos de pensar, amar e agir, limitados e imper­feitos, transformando-os em divinos.
A contemplação possui ainda um valor evangélico e eclesial ([7]). O seu exercício não só é fonte da nossa vida es­piritual, mas também determina a qualidade da nossa vida fraterna e da nosso serviço no meio do Povo de Deus ([8]).
            De fato, os valores da contemplação, se vividos com fidelidade nas com­plexas vicissitudes da vida cotidiana, fazem da fraternidade carmelitana um testemunho da presença viva e misteriosa de Deus no meio do seu povo. A busca do rosto de Deus e o acolhimento dos dons do Espírito tornam a nossa fraternidade mais atenta aos sinais dos tempos, mais sensível às sementes da presença do Verbo na História, através até da visão e valorização dos fatos e dos eventos na vida da Igreja e da sociedade ([9]).     Assim, o Carmelo solidário como Jesus Cristo com os dramas e esperanças da humanidade ([10]), saberá assumir decisões adequadas para transformar a vida e fazê-la conforme com a vontade do Pai.
            Além disto, para o bem da Igreja, ajudará todos os que se sentirem chamados para a vida eremítica.

Para meditação individual.

Texto Bíblico. 1º Reis, 19, 9- 14.

2º- É possível contemplar e silenciar no barulho familiar, sonoro, audiovisual e midiático (Televisão, rádio, internet, escrita...) ou é necessário fugir a exemplo do Profeta Elias para encontrar Deus?    

1º- Segundo o mártir e beato Carmelita, vítima da Segunda Guerra Mundial, Frei Tito Brandsma, “Devemos olhar o mundo com Deus no fundo”. Diante da violência, guerra, fome, catástrofes e luta pela sobrevivência, consigo ver Deus agindo no meio dessa grande confusão ou está tudo perdido? 


    [1]  Cf Regra  c. 7.
    [2]  Cf Regra  c. 8.
    [3]  Cf Regra  c. 14.
    [4]  Cf Regra  c. 15
    [5]. Cf Regra  c.16
    [6]  Cf Regra  Epílogo
    [7]. Cf PC 7; can. 674.
    [8]. Congregação Geral de 1986, 406
    [9]. Cf. GS 41; 2º Conselho das Províncias 93
    [10]  Cf  GS 1.

Mãe e Irmã dos Carmelitas: Um Padre, a Morte e Nossa Senhora.

Aparecido Antunes, sou ex-frade carmelita,


O ano é 2002, decorriam as festividades dos 750 anos do escapulário, e fui convidado para participar da visita da Imagem peregrina na cidade de Pouso Alegre, juntamente com outros frades e as irmãs carmelitas do Divino Coração.

Durante uma semana, visitamos várias paróquias, escolas e o Carmelo das monjas de clausura, fizemos carretas e muitas homenagens.

Mas uma visita me marcou muito, foi quando a Imagem peregrina visitou um hospital público e lá podia se sentir a fé e o carinho com que as pessoas acolhiam a Mãe de Jesus em suas vidas naquele momento de dor e sofrimento. Mas um fato faria compreender concretamente o que é ser Carmelita.

De quarto em quarto, eu e a Ir. Lúcia levávamos uma pequena imagem de Nossa Senhora. Visitávamos os acamados impondo o Santo escapulário e levando uma palavra de esperança. Em um desses quartos vimos uma família conversando e num quanto do quarto uma cama com um senhor muito idoso, muito debilitado. Fomos até ele e sua aparência não era tranquila e sim longe e dispersa, mas ao ver a imagem de Nossa Senhora uma força brotou dentro de seu coração e com dificuldades ele quis pegar a imagem e abraça-la como quem encontra alguém muito querido.

Perguntamos se ele queria receber o escapulário, acenou com a cabeça que sim e assim o fizemos. Neste momento a família se deu conta que estávamos ali, parece que estavam já conversando como seriam aquelas próximas horas. Então uma moça se aproximou, perguntei se aquele senhor seria parente dela, ela disse que sim, era tio. E que ele era padre.  Imagine o nosso espanto!

Segundo ela, ele morava num povoado próximo de Pouso Alegre e que por muito tempo  viveu nesse povoadinho isolado e longe da agitação. E tinha a fama de ser muito duro, rígido, bravo e isso o afastou do convívio dos padres da região.

Após essa conversa, pedimos ao padre se ele poderia nos dar uma benção e traçando uma cruz na nossa frente, já com o olhar radiante. Fomos embora, consternados e pensativos!

Durante a noite, vinha na minha cabeça à imagem daquele padre, ali não inteiramente só, mas como se aqueles parentes estivessem ali só para dar sequência nos fatos que poderiam acontecer naquela noite presentes ali, mas nenhum sinal de afeto, frios. Logo de manhã participei da missa na capela das monjas, e no final da celebração o padre que presidia disse que tinha um aviso.

“Nesta madrugada, faleceu o padre... os mais velhos devem conhecê-lo e sabem do seu temperamento e de sua rigidez, mas um fato talvez poucos saibam. Quando ainda era seminarista em Mariana, o diretor espiritual chamou todos os seminaristas para uma conversa e disse que era importante que seguissem um itinerário espiritual e sugeriu que todos passassem a seguir aos ensinamentos da Ordem Terceira de São Domingos, dos Padres Dominicanos. E assim os seminaristas fizeram, menos um Padre.... Esse teimou com seu diretor espiritual que não queria ser da Ordem Terceira Dominicana, mas da Ordem Terceira do Carmo. E assim, a contra gosto do seu diretor espiritual ele se consagram na Ordem Terceira do Carmo. Assim, um pacto estaria selado, uma aliança duradoura entre ele e a Irmã dos Carmelita.

Aliança, que não se rompeu apesar da distancia entre aquele dia e o desta madrugada, pois antes da aurora da vida nova, Nossa Senhora confirma sua promessa e vem ao encontro de seu irmão, juntamente com um frade e uma irmã. Tem sinal mais claro que ser Carmelita é pertencer a uma família?”.
Naquele momento, entendi o que é Ser Carmelita, é pertencer a uma família, terrena e Celestial.
Chamo-me Aparecido Antunes, sou ex-frade carmelita, casado com Josely, pai do João, da Maria e da Júlia.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 533. A Teimosia da Vida.

Juiz paraibano deixa magistratura para se dedicar a vida religiosa

O Juiz Fabiano Moura de Moura deixa a magistratura como o vigésimo nono juiz mais antigo da Paraíba, apesar de seus apenas 44 anos de idade, tendo alçado à condição de juiz mais novo do Brasil a compor uma Corte Eleitoral. O mesmo é irmão do prefeito de Riachão, Fabio Moura de Moura, e filhos de Dona Tête, Irmã do Ex-governador Ronaldo Cunha Lima.
Fabiano segundo relatos já era Diácono da Igreja Católica ha algum tempo e por motivos da separação teria que deixar o ministério ou se dedicar inteiramente a vida sacramental, homem de muita fé e devoção à Deus fez uma escolha, que nos tempos de hoje é digna de toda nossa admiração:

Veja os motivos

Carta Aberta aos Meus Amigos

Tomei uma grande decisão em minha vida. Pedi aposentadoria da condição de juiz de direito, função que durante anos pude dedicar-me com responsabilidade e amor.

A recente Lei que diminui o prazo de contribuição para os deficientes me deu a oportunidade de poder optar pela aposentadoria. Para os que não sabem, desde que nasci, tenho visão monocular ( CID. 10 H 54-4). Sou cego de um olho, mas enxergo bem pelo outro. Fiz a opção de não viver lamentando pela visão que não tenho, mas louvar pela graça de ter um olho que me permite enxergar bem. Hoje, justamente por essa cegueira, terei o direito de dar à minha vida o rumo que desejo pelas razões que passo a apresentar:

1- Passei anos de minha vida na condição de magistrado. Função que honra e dignifica qualquer pessoa. É uma atividade de muito poder que termina por gerar um respeito imenso das pessoas com quem esse profissional convive. Foi um tempo maravilhoso em que pude ajudar a muita gente com minhas decisões e sentir-me útil na resolução de tantos conflitos.

2- Tive uma carreira exitosa, com reconhecimento local e vários registros e comendas nacionais pelos maiores órgãos da justiça brasileira. Saí da magistratura como o vigésimo nono juiz mais antigo da Paraíba e, tendo eu apenas 44 anos de idade, tenho a consciência que chegaria ao mais alto cargo de minha carreira em meu Estado.  Tive a graça de ser o juiz mais novo do Brasil a compor uma corte eleitoral.

3- Contudo, preferi aposentar-me. Prefiro dar curso à vocação que arde em mim. Quero mais servir a Deus servindo aos meus irmãos e a uma Igreja viva. É verdade que, mesmo sendo juiz, pude iniciar uma vida de compromisso com aqueles que de mim precisaram dentro e fora da magistratura. Mas quero, distante do poder, ter mais tempo para dedicar-me à escuta e ao trabalho de evangelização na minha condição de batizado.

4- A nossa Igreja vive um momento tão bonito de transformação e responsabilidade  com seu povo que padece pela falta de solidariedade e compaixão. Enquanto eu puder viver a minha condição de batizado, quero oferecer-me inteiramente à prática do bem, sendo eu imperfeito, sendo Jesus perfeito em seu amor misericordioso.  Ouço a voz do Santo Padre, Papa Francisco, como um chamado para que todos de seu rebanho vivam a vocação de serviço sem temor e com todas as ofertas possíveis que cada membro dessa Igreja tem a colocar no altar. A minha oferta é a minha disponibilidade de servir a quem de mim precisar. É tudo que tenho. É o que posso oferecer.

5- Quero estar mais presente em atividades pastorais. Quero usar o meu potencial para falar para todos, nos mais diversos meios de comunicação, do amor de um Deus que nunca se esquece de nós. Quero utilizar meus conhecimentos científicos da Psicologia para atender em clínica (que pretendo em breve inaugurar), participar mais ativamente da Fundação Solidariedade ( onde sou Embaixador) e na Comunidade Eucarística Maná (onde me coloco como servo menor) como forma de solucionar conflitos humanos e espirituais.

6- Peço as orações de todos. Agradeço a todos os colegas e amigos de trabalho que me ajudaram a ser o juiz que pude testemunhar e, de forma especial, a cada irmão que me faz, a todo instante, crescer para o verdadeiro sentido da vida.

Renuncio ao poder dos homens para viver na dependência do único poder daquele que me interessa: Jesus Cristo.

Por último, aos meus filhos, Maria Thereza e Matheus, destinatários de todo meu amor, o meu pedido de compreensão por minha decisão que tem também o propósito de deixar para vocês um testemunho de que na vida o que importa não são os valores do poder pelo poder, mas o compromisso ético em melhor fazer o bem, cada vez mais, para aqueles que de nós precisarem. Eis a vocação que escolhi.

A todos, o meu carinho e consideração!!!

Pelas mãos de Maria, eis-me aqui, Senhor!!!
Fabiano Moura de Moura
Revista Novo Perfil
Com Araruna On Line