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A Palavra do Frei Petrônio

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Mãe imigrante busca refúgio em igreja diante do risco de deportação.

No porão de uma igreja na terça-feira (15) à noite, Jeanette Vizguerra reuniu seus três filhos menores, colocou o pijama neles e fez a si mesma o que talvez tenha sido a pergunta mais difícil de sua vida. Será que ela deveria se apresentar às autoridades da imigração na manhã de quarta-feira para uma verificação agendada, correndo o risco de ser deportada?
Ou será que ela deveria permanecer na igreja, um dos poucos lugares aonde agentes federais não vão, quase que certamente se resignando a ficar presa no lugar por meses ou anos? "Preciso pensar esta noite", disse Vizguerra. "Porque prometi a meus filhos - e foi uma promessa - que seria muito difícil me tirar deste país. Eu já lutei por tanto tempo para estar aqui; agora não é o momento de desistir".
Essa foi uma semana difícil para Vizguerra, 45, uma dos milhões de imigrantes ilegais que estão lidando com um futuro incerto na administração Trump. Depois que ela foi condenada vários anos atrás por uso de documentos falsos, Vizguerra, que passou 20 anos trabalhando nos Estados Unidos, recebeu a ordem de deixar o país.
Mas ela se beneficiou de pelo menos cinco adiamentos de deportação, e em dezembro seu advogado, Hans Meyer, pediu mais um.
Nada aconteceu. Ela deveria comparecer ao escritório local da agência federal de imigração (Immigration and Customs Enforcement, ICE) na quarta-feira, e à medida que o dia foi se aproximando, Vizguerra percebeu que havia a possibilidade de ser colocada em um avião e separada de seus três filhos nascidos nos Estados Unidos: Zury, 6, Roberto, 10 e Luna, 12.
A guarda deles recairia para seu marido, Salvador, 45, que trabalha o dia inteiro como motorista para uma empresa de revestimentos, e uma filha mais velha, Tania Baez, 26, uma professora de pré-escola também com três filhos.
Diferentemente de seus irmãos mais novos, Baez não é cidadã por nascimento, mas ela possui uma permissão de trabalho obtida através do programa Ação Diferida para Chegadas na Infância da administração Obama, que o presidente Donald Trump criticou durante a campanha, mas não tomou a iniciativa de cancelar.
A semana que se passou lançou a família em um estado de emergência estendida. No dia 5 de fevereiro, Vizguerra convocou uma reunião de família durante o jantar, proibindo o uso de eletrônicos à mesa para salientar a gravidade da situação. As gatas da família, Miranda e Zayra, miavam enquanto ela explicava o plano.
Ela disse que se os agentes aparecessem em casa nos dias que antecediam a reunião no escritório da ICE, ninguém deveria atender a porta. Se eles conseguissem entrar, Luna, uma ginasial magricela de aparelho, deveria usar seu celular para gravar o que acontecesse.
Roberto deveria abrir a lista de contatos emergenciais em seu telefone e começar a ligar para amigos da família e advogados. E Zury, a mais nova, deveria ir direto para o quarto de seus pais, fechar a porta e permanecer lá.
"Eu falei para eles, 'Sei que vai ser difícil para vocês'", disse Vizguerra. "Quero que vocês sejam fortes".


Pessoas mostram apoio a Jeanette Vizguerra do lado de fora do departamento de imigração
Três dias depois, começaram a fazer as malas, com as crianças enfiando as leggings, as malhas e os xampus da mãe dentro de valises e caixas. Apavorada com a perspectiva de se separar da família, Vizguerra começou a considerar se refugiar na igreja da Primeira Sociedade Unitária em Denver, cujos congregantes chegaram a dar refúgio a outro imigrante.
Ela lembrou Luna de quais gavetas pertenciam a qual irmão e lhe disse que seria responsabilidade dela se certificar de que seus irmãos se vestissem de forma adequada. Ela lhe mostrou onde ficava guardado o estoque de sabonetes, de escovas e de pasta de dente.
Então Vizguerra abasteceu a geladeira com pratos prontos para aquecer no micro-ondas, algo que até mesmo uma criança de 6 anos conseguiria fazer.
Baez, a filha mais velha, começou a considerar cuidar de mais três crianças.
"Eu entendo totalmente o lado dele", ela disse a respeito de Trump. "Mas ele cresceu privilegiado. Ele nunca viveu em pobreza. Ele nunca viveu com medo".
"Eu só acho que se ele visse de perto a vida de um imigrante", ela acrescentou, "ele mudaria de ideia".
Vizguerra chegou aos Estados Unidos vinda do México em 1997. Ela trabalhou como zeladora e sindicalista, e depois veio a abrir uma empresa de mudanças e limpeza. Em 2009, ela foi pega com documentos falsos de identidade que, segundo seu advogado, ela teria adquirido para poder trabalhar. Ela se declarou culpada de um delito, desencadeado uma cadeia de acontecimentos que levou à ordem de deportação. Na região de Denver, ela é uma conhecida ativista da reforma migratória.
A situação de Vizguerra - primeiro o governo ordenou que ela saísse do país, depois permitiu que ela ficasse - é um reflexo das políticas de migração da era Obama, que seus detratores consideravam confusas e inconsistentes. E mesmo Obama tendo permitido que algumas pessoas permanecessem no país, ele deportou milhões de outras.
"Estou esperando", disse Tom Tancredo, um ex-deputado do Colorado e proeminente crítico da imigração ilegal, "que as 'batidas de Trump' acabem atingindo os números que Obama arredondou para cima em suas batidas".
Trump acabou com a política da administração Obama de priorizar os criminosos mais graves para a deportação, tornando qualquer um que tenha um histórico criminal candidato a uma rápida deportação. Agora Vizguerra e outros como ela estão preocupados com a possibilidade de agentes da imigração não lhe darem mais uma permissão.
Na noite de terça-feira, ela dormiu no porão da igreja junto com seus três filhos mais novos, para evitar o risco de ser presa em casa. Àquela altura, ela ainda não havia decidido se compareceria à sua verificação na ICE. "Minha intuição", disse Vizguerra, "me diz que se eu entrar, não vou sair".

Quando chegou a hora na quarta-feira, ela decidiu não ir. Depois Meyer, seu advogado, descobriu que o pedido de Vizguerra para mais um adiamento de sua deportação havia sido indeferido. Fonte: https://noticias.uol.com.br

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