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domingo, 26 de outubro de 2014

30º Domingo do Tempo Comum: Um Olhar

A liturgia do 30º domingo Comum diz-nos, de forma clara e inquestionável, que o amor está no centro da experiência cristã. O que Deus pede – ou antes, o que Deus exige – a cada crente é que deixe o seu coração ser submergido pelo amor.
O Evangelho diz-nos, de forma clara e inquestionável, que toda a revelação de Deus se resume no amor – amor a Deus e amor aos irmãos. Os dois mandamentos não podem separar-se: “amar a Deus” é cumprir a sua vontade e estabelecer com os irmãos relações de amor, de solidariedade, de partilha, de serviço, até ao dom total da vida. Tudo o resto é explicação, desenvolvimento, aplicação à vida prática dessas duas coordenadas fundamentais da vida cristã.
O que é “amar a Deus”? De acordo com o exemplo e o testemunho de Jesus, o amor a Deus passa, antes de mais, pela escuta da sua Palavra, pelo acolhimento das suas propostas e pela obediência total aos seus projetos – para mim próprio, para a Igreja, para a minha comunidade e para o mundo. Esforço-me, verdadeiramente, por tentar escutar as propostas de Deus, mantendo um diálogo pessoal com Ele, procurando refletir e interiorizar a sua Palavra, tentando interpretar os sinais com que Ele me interpela na vida de cada dia? Tenho o coração aberto às suas propostas, ou fecho-me no meu egoísmo, nos meus preconceitos e na minha auto-suficiência, procurando construir uma vida à margem de Deus ou contra Deus? Procuro ser, em nome de Deus e dos seus planos, uma testemunha profética que interpela o mundo, ou instalo-me no meu cantinho cómodo e renuncio ao compromisso com Deus e com o Reino?
O que é “amar os irmãos”? De acordo com o exemplo e o testemunho de Jesus, o amor aos irmãos passa por prestar atenção a cada homem ou mulher com quem me cruzo pelos caminhos da vida (seja ele branco ou negro, rico ou pobre, nacional ou estrangeiro, amigo ou inimigo), por sentir-me solidário com as alegrias e sofrimentos de cada pessoa, por partilhar as desilusões e esperanças do meu próximo, por fazer da minha vida um dom total a todos. O mundo em que vivemos precisa de redescobrir o amor, a solidariedade, o serviço, a partilha, o dom da vida… Na realidade, a minha vida é posta ao serviço dos meus irmãos, sem distinção de raça, de cor, de estatuto social? Os pobres, os necessitados, os marginalizados, os que alguma vez me magoaram e ofenderam, encontram em mim um irmão que os ama, sem condições?

Fonte: http://www.dehonianos.org/ (Leia na íntegra. Clique aqui no link do olhar- A PALAVRA DE JESUS CRISTO- e procure pelo 3º Domingo do Tempo Comum)

FALHA NOSSA: A Palavra do Frei Petrônio, no Vaticano.

“EU VOTO A FAVOR DOS POBRES, EU VOTO DILMA”. Frei Petrônio.

POMPEIA: Para Marco Moretto

800 ANOS DE SANTO ALBERTO: Frei Bruno Secondin. (1ª Parte)

800 ANOS DE SANTO ALBERTO: Momento de Espiritualidade.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 714º. A Igreja de Francisco.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 715º. Evangelho do dia.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 713º. A Igreja não é do Papa...

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 713º. A Igreja não é do Papa...

Deus é gay?

Frei Betto, OP.

Jesus transitou, sem discriminação, entre o mundo dos ‘pecadores’ e dos ‘virtuosos’. Agora, o papa Francisco ousa se erguer contra o cinismo.

Nunca antes na história da Igreja um papa ousou, como Francisco, colocar a questão da sexualidade no centro do debate eclesial: homossexualidade, casais recasados, uso de preservativo etc. O Sínodo da Família, realizado no Vaticano, só dará sua palavra final sobre esses temas em outubro de 2015, quando voltará a se reunir.
Quem, como eu, transita há décadas na esfera eclesiástica sabe que é significativo o número de gays entre seminaristas, padres e bispos. Por que não gozarem, no seio da Igreja, do mesmo direito dos heterossexuais de se assumir como tal? Devem permanecer “no armário”, vitimizados pela Igreja e, supostamente, por Deus, por culpa que não têm?
É preciso reler o Evangelho pela ótica gay, como pela feminista, já que a presença de Jesus entre nós foi lida pelas óticas aramaica (Marcos); judaica (Mateus); pagã (Lucas); gnóstica (João); platônica (Agostinho) e aristotélica (Tomás de Aquino).
A unidade na diversidade é característica da Igreja. Basta lembrar que são quatro os evangelhos, não um só: quatro enfoques distintos sobre Jesus. Até a década de 1960, predominava no Ocidente uma única ótica teológica: a europeia, tida como “a teologia”. O surgimento da Teologia da Libertação, com a leitura da Palavra de Deus pela ótica dos pobres, causa ainda incômodo aos que consideram a ótica eurocentrada como universalmente ortodoxa.
Diante dos escândalos de pedofilia, dos 100 mil padres que abandonaram o sacerdócio por amor a mulheres, e da violência física e simbólica aos gays, Francisco ousa se erguer contra o cinismo dos que se arvoram em “atirar a primeira pedra.”
Como Jesus, a Igreja não pode discriminar ninguém em razão de tendência sexual, cor da pele ou condição social. O que está em jogo é a dignidade da pessoa humana, o direito de casais gays serem protegidos pela lei civil e educarem seus filhos na fé cristã, o combate e a criminalização da homofobia, um grave pecado. A Igreja não pode continuar cúmplice e, por isso, acaba de superar oficialmente a postura de considerar a homossexualidade um “desvio” e “intrinsecamente desordenada”.
A dificuldade de a Igreja Católica aceitar a plena cidadania LGTB se deve à sua tradição bimilenar judaico-cristã, que é heteronormativa. Por isso, os conservadores reagem como se o papa traísse a Igreja, a exemplo do que fizeram no passado, quando se recusaram a aceitar a separação entre Igreja e Estado; a autonomia das ciências; a liberdade de consciência; as relações sexuais, sem fins procriativos, dentro do matrimônio; a liturgia em língua vernácula.
Deus é gay? “Deus é amor”, diz a Primeira Carta do apóstolo João, e acrescenta “o amor é de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus.” E, se somos capazes de nos amar uns aos outros, “Deus permanece em nós.”
Por ser a presença de Deus entre nós, Jesus transitou, sem discriminação, entre o mundo dos “pecadores” e dos “virtuosos”. Não apedrejou a adúltera; não fugiu da prostituta que lhe enxugou os pés com os cabelos; não negou a Madalena, que tinha “sete demônios”, a graça de ser a primeira testemunha de sua ressurreição. Jesus também não se recusou a dialogar com os “virtuosos” — aceitou jantar na casa do fariseu; acolheu Nicodemos na calada da noite; dialogou sobre o amor samaritano com o doutor da lei; propôs ao rico que, “desde jovem” abraçava todos os mandamentos, a fazer opção pelos pobres.
Sobretudo, ensinou que não é escalando a montanha das virtudes morais que alcançamos o amor de Deus. É nos entregando a esse amor, gratuito e misericordioso, que logramos fidelidade à Palavra.
Fé, confiança e fidelidade são palavras irmãs. Têm a mesma raiz. E a vida ensina que João é fiel a Maria, e vice-versa, não porque temem o pecado do adultério, e sim porque vivem em relação amorosa tão intensa que nem cogitam a menor infidelidade.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

HISTÓRIA DE SAN GENNARO: Biografia.

Por volta do ano de 305, San Gennaro era diácono da igreja da cidade de Miseno Sosio e depois foi Bispo em Benevento, cidade da região de Campânia, próxima a Nápoles (Italia), quando sofreu perseguição por parte do imperador romano Diocleciano. A tradição conta que o Santo foi reconhecido e preso pelos soldados do governador de Campânia quando se dirigia à prisão para visitar os cristãos detidos, sendo morto decapitado.
Como era costume nos martírios da época, os cristãos recolheram um pouco do sangue de San Gennaro numa ampola de vidro para ser colocada diante de seu túmulo, sendo, após isso, sepultado numa estrada entre Pozzuoli e Nápoles.
 Em 413 seu corpo foi transferido para as catacumbas napolitanas na Colina Capodimonte. Mais tarde, foi novamente removido para Benevento (Abadia de Montevergine) e por fim, no ano de 1492, seus restos mortais foram transferidos para Nápoles, por ordem do Arcebispo Alessandro Carafa.
Já no ano de 472 da Era Cristã, os cristãos buscavam a ajuda de San Gennaro. Naquela feita, o estrago da erupção do Vesúvio prometia ser catastrófico. Aturdidos com a perspectiva, os napolitanos correram para o túmulo de San Gennaro e, de mãos juntas, rogaram proteção ao mártir cristão. Milagrosamente, as lavas estacionaram às portas de Nápoles, poupando-lhe o mesmo destino trágico de Pompéia.
Desde 1608, os restos mortais encontram-se na Capela do Tesouro, em cumprimento da promessa feita pelos napolitanos em 1527, por ocasião de uma peste que assolou a região, mas Nápoles foi preservada pelo Santo. Também em duas outras ocasiões San Gennaro protegeu a cidade : na cólera que assolou a região em 1884 e na erupção do Vesúvio em 1631.
Desde aquele ano, o culto a San Gennaro só tem aumentado. Especialmente em maio e setembro, quando o napolitano ruma em massa para o Duomo, a histórica catedral onde está guardado o frasco com o sangue coagulado do santo.
A devoção a San Gennaro é conhecida no mundo inteiro pela liquefação do sangue do bispo mártir, que ocorre três vezes por ano: no sábado que precede o 1º domingo de maio; no dia 19 de setembro que é a festa do Santo e em 16 de dezembro, aniversário da erupção do Vesúvio em 1631.
A ocorrência, que vem sendo verificada desde 1389, consiste na passagem do sangue de San Gennaro do estado sólido para o estado líquido, perdendo no peso e aumentando no volume.
Existem uns 5 mil processos, que confirmam o fenômeno, inclusive a declaração de Montesquieu, que assistiu duas destas liquefações em 1728.
Em 1902, o conteúdo das ampolas foi submetido a exame electroscópio diante de testemunhas e o cientista Sperindeo declarou que não há dúvida de que se trata de sangue humano que, uma vez coalhado, não perde o estado sólido. São 600 anos de fé, superstição e ceticismo, que acompanham o mistério dos milagres do sangue do padroeiro de Nápoles e da Mooca, em São Paulo.
Acreditam os fieis que quando o sangue do mártir não se liquefaz, sempre ocorre uma catástrofe, como aconteceu no caso de várias epidemias em Nápoles, nas várias perigosas erupções do Vesúvio e no começo da 2ª Guerra Mundial.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 711º. O Carmelo em Roma.

A PALAVRA DO FREI SÍLVIO FERRARI, Nº 02: São Paulo, Apóstolo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

800 ANOS DE SANTO ALBERTO: Frei Fernando Millán (3ª Parte)

UM OLHAR SOBRE A ITÁLIA: Chegando a Nápoles (1ª Parte)

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 708. Frei Bruno Secondin.

O carmelita na América Latina.

*Dom Frei Vital Wilderink, O. Carm. In Memoriam.

A nova Ratio da Ordem que trata da formação no Carmelo descrevendo-a como um processo de transformação, coloca a contemplação no coração do carisma carmelitano. É precisamente o segredo da viagem que continua, pois ninguém se põe em caminho se o objetivo final da caminhada não estivesse de alguma maneira presente desde os primeiros passos.
A viagem é feita dentro da história em que nos encontramos inseridos, no meio do povo. A própria viagem toma-se missão. A dificuldade que muitos sentem é como ligar este cerne do carisma que é a contemplação ou experiência de Deus com os desafios dessa história, no nosso caso, com a realidade da América Latina. Continua persistente, também entre nós, um certo dualismo. Mesmo fazendo uma leitura sócio-pastoral da Igreja tropeçamos em fenômenos que fazem perceber a dificuldade de ligar fé e vida, revelação e experiência humana, Esta dificuldade provém em grande parte da imagem de Deus que não passa pelo filtro do nosso tempo. É preciso reconhecer que muita coisa de positivo foi feito para desfazer essa mentalidade dualista, principalmente através da pastoral bíblica (círculos bíblicos), pela teologia de libertação, na prática das comunidades de base, para mostrar que não se pode separar a revelação de Deus da caminhada do povo. O povo de Israel descobriu a presença de Deus na libertação da escravidão do Egito. E os profetas sempre insistem nessa manifestação de Yahweh quando o povo se torna infiel a essa aliança estabelecida com Ele.
"Como nós carmelitas deveríamos situar-nos frente à realidade que nos envolve na América Latina?" Faço minha esta pergunta feita na carta de quem me convidou para participar deste encontro. A resposta pode parecer simplista ou até um círculo vicioso: fazer com que a questão de Deus permaneça central na nossa existência. Não se trata em primeiro lugar da questão sobre um Ser supremo. A questão de Deus está ligada à questão da realidade. Se a questão de Deus deixa de ser central, ela será substituída pela problemática que nos envolve. A questão que se coloca é do sentido da vida, do destino da terra, da necessidade ou não de um fundamento. Perguntamos simplesmente qual é para cada um de nós a última questão, ou por que esta questão não é colocada. Mas para poder admitir a questão e refletir sobre ela, há necessidade de um silêncio interior, ou como diz a Regra de uma pureza de coração. Sem esse preliminar nem se percebe de que se trata. Já na Idade Média falava-se da necessidade do olho da fé É o órgão da
faculdade que nos dá acesso a uma dimensão que transcende, sem negar o que captam o olho dos sentidos e o olho da inteligência.
O discurso sobre Deus é radicalmente diferente de outros discursos, pois Deus não é um objeto. Do contrário ele seria um ídolo. Nenhum instrumento pode localizar Deus, nem a teologia acadêmica. Pode haver especialistas em teologia ou mesmo, em espiritualidade e mística. Não há, porém, cursos de especialização em Deus. A única mediação somos nós mesmos. Santo Tomás já dizia: "A criatura é a mediação entre Deus e o nada". Jamais podemos colocar Deus do nosso lado contra os outros. Talvez um texto de São Bernardo possa ilustrar o que acabamos de afirmar. Num sermão sobre o Cântico dos Cânticos ele confessa que recebeu com certa freqüência a visita do Verbo, mas que não soube explicar como Ele entrou. Por onde entrou? Ou será que Ele não entrou, visto que não vem de fora? Pois Ele não é nenhuma das coisas que estão fora de nós. Também é certo que não veio de dentro de mim, porque Ele é bondade, e bem sei que em mim não existe nada de bom. Daí eu me elevei acima de mim mesmo, mas o Verbo está mais além. Intrigado, sondei o que está abaixo de mim, mas Ele está em maior profundidade. Olhando para fora de mim, concluí que está além de tudo o que do lado de fora fica o mais longe de mim. E olhando para dentro de mim, que a sua presença é mais interior que o meu íntimo. E assim compreendi a verdade daquilo que eu tinha lido: "Nele vivemos, nos movemos e somos" (At 17,28).
Não é possível falar de um Deus puramente transcendente. Seria inclusive uma coisa supérflua, e mesmo, contraditória. Por isso o deísmo, herança recebida do Iluminismo, não nega a existência de Deus como Ser supremo, mas não admite a sua revelação porque é o próprio homem que determina o lugar que Deus pode ocupar. Aos poucos Deus vai se tornando uma hipótese inútil.
Mas Deus se revelou e, portanto, se engajou na história dos homens. A revelação é essencialmente Deus que se doa a nós. É o acontecer de um encontro. E neste encontro não atingimos algo de Deus, um aspecto ou um segmento do seu mistério. O que Deus revela é o seu "coração". Ao mesmo tempo, porém, Deus permanece sempre maior do que o nosso coração, Ele será sempre um Deus escondido, Ele é mais do que a sua revelação. Esse mais não deve ser pensado em termos quantitativos, mas significa que Deus não se torna objeto da revelação. Deus permanece o sujeito da revelação e como tal transcende a sua revelação, é anterior a ela. Deus é o mistério maior que não se esgota na sua relação reveladora. Além disso, não podemos aduzir nenhuma razão que explica ou justifica a revelação de Deus. É o seu "desígnio secreto" (Ef 1,9). "Ele nos amou primeiro" (1 Jo 4,10). A gratuidade do amor de Deus deixaria de ser gratuidade se pudéssemos explicá-la. Vale aqui a declaração de P. Evdokimov, teólogo ortodoxo: "Não é o conhecimento que ilumina o mistério, é o Mistério que ilumina o conhecimento".
Nenhuma linguagem humana é capaz de descrever o mistério de Deus. O que faz entender porque a Regra fala em dois parágrafos sobre o silêncio, não só como exercício ascético para chegar à pureza do coração, mas também como matriz de toda palavra autêntica. O que faz pensar no que escreveu santo Ireneu: "Do silêncio primordial surgiu o logos". No silêncio se entrelaçam o tempo e a eternidade. Uma vida de silêncio não é a mesma coisa que o Silêncio da Vida. O mesmo santo Ireneu escreve sobre essa Vida: "A glória de Deus é a Vida do homem, e a vida do homem é conhecer a Deus". A primeira parte deste texto foi muito citada em ambientes de pastoral social: a glória de Deus é a vida do homem. Omitindo a segunda parte surge de novo um certo dualismo entre fé e vida, entre revelação de Deus e caminhada do povo. Neste caso a opção pelos pobres, aos excluídos corre o perigo de ser reduzida a uma mera obrigação ética. "Tudo o que vocês fizerem ao menor de meus irmãos, e a mim que o fizestes". É uma afirmação ontológica da presença de Cristo no outro. Jesus manifesta nessa tomada de posição parcial, a universalidade do desígnio de Deus. Cristo não é símbolo para a realidade, mas da realidade. A evangélica opção preferencial se situa no nível do que Raimon Panikkar chama de cristofania. Por Cristo, com ele e nele, todas as dimensões da realidade se juntam: "Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito de tudo o que existe" (10 1,2). O universo inteiro é chamado a participar da vida trinitária em Cristo e por Cristo. O que dá uma perspectiva profunda ao "viver em obséquio de Jesus Cristo" da Regra. . Volta aqui a contemplação como cerne do nosso carisma. Penso que sem esse cerne não encontramos uma resposta à pergunta que me foi feita na carta mencionada: "Como nós carmelitas deveríamos situar-nos frente à realidade que nos envolve na América Latina?"
A questão de uma vida de silêncio e do Silêncio da Vida pode parecer uma espécie de fuga do mundo, um viver no abstrato. Neste sentido ouve-se freqüentemente a crítica: basta de belas teorias, precisamos da prática. Cabe fazer aqui uma distinção entre o que é urgente e o que é importante. O urgente com suas características de imediato desvia a nossa atenção daquilo que é importante. Se o urgente não é importante nós nos lançamos numa prática contraproducente. Se o importante não é urgente mergulhamos numa teoria errônea: o importante será uma simples abstração. No urgente destacamos o fator do tempo, no importante acentuamos o fator do peso. A sabedoria conste em combinar o urgente com o importante. É a arte de fazer calar as atividades da vida que não são a Vida. Não são as atividades que produzem o ativismo, mas a falta de silêncio interior. Ativismo é como a gravidez psicológica: seus efeitos visam o presente. A gravidez real se dá no presente mas, não para o presente. Freqüentemente agimos a partir de atributos que configuram a nossa personalidade: sou professor, diretora de um colégio, empresário, operário, pároco, superior, etc. É assim que somos identificados, é assim que os olhos dos outros se fixam em nós. Quem se identifica exclusivamente a partir dessas atribuições, estas freqüentemente começam a sufocar-lhe a identidade profunda. De certa maneira deveria haver um despojamento do conjunto dessas atribuições para poder chegar ao Silêncio da Vida. Enfocando o relacionamento que deve existir entre o prior e os irmãos, Alberto ofereceu aos eremitas do Monte Carmelo uma pista para chegar a esse despojamento.
Tu, irmão B. e seja quem for indicado Prior depois de ti, tenhais sempre em mente e cumpram na prática o que o Senhor diz no evangelho: Todo aquele que entre vós quiser tornar-se o maior, seja o vosso servidor, e quem quiser ser o primeiro, seja o vosso empregado.
E vós, os demais irmãos, honrai humildemente o vosso Prior, pensando, mais do que nele, em Cristo que o colocou acima de vós, e que diz aos que estão à frente das igrejas: Quem vos ouve, é a mim que ouve; quem vos despreza, é a mim que despreza, a fim de que não sejais julgados como réus por menosprezo, mas possais merecer por obediência a recompensa da vida eterna.
Seria empobrecer o conteúdo do texto citado fosse reduzi-lo a uma exortação piedosa ou moral. Como em toda a Regra do Carmelo, também aqui aparece a tensão que existe entre o urgente e o importante, entre prática e teoria. Já no primeiro parágrafo da sua exposição, em que fala da eleição do Prior, Alberto insiste na obediência que cada um dos irmãos deve prometer ao que tiver sido eleito, e no empenho de cumprir na verdade da prática o que prometeu. É claro que na prática podem surgir abusos e comportamentos imaturos de ambas as partes. O que, porém, não invalida a perspectiva cristocêntrica que a Regra abre também para o relacionamento mútuo entre o Prior e os demais irmãos. O essencial é a obediência ao que ressoa além do meu horizonte. Trata-se da "salvação no Senhor" que Alberto deseja aos carmelitas já no início da sua carta. Salvação é "participar da natureza divina"(2 Pd 1,4) por Cristo. É precisamente nisto que consiste o mistério envolvido em silêncio desde sempre, mas agora revelado em Jesus (Rm 16,25) que veio para que todos tenham Vida, e a tenham plenamente (Jo 10,10).
Muitas vezes identificamos a Vida com as atividades da vida e nos alienamos da nossa própria fonte estabelecendo uma dicotomia entre o fundamental ou essencial e o relativo. O essencial não seria essencial se não o descobríssemos a partir do relativo. O fato de vivermos no tempo, a nossa vida se desenvolve ao longo de uma linha temporal. A própria consciência que temos das coisas é marcada pelo tempo. Além disto, pelo fato de vivermos no espaço a nossa consciência é atingida pelo parcial e pelo distante que supõe o caráter material da realidade. Isto faz com que tudo em nós tenda para algo mais que não se estenda pelo tempo e pelo espaço. Surgem assim as interrogações fundamentais: de onde viemos e aonde vamos? São questões que sempre permanecem abertas, pois nenhuma resposta nossa é capaz de exauri-Ias. O desconhecido permanece e não se deixa manipular. E ao inverso, o relativo só pode ser relativo porque existe uma relação a partir do essencial. Teresa de Ávila o diz às suas filhas: Deus se faz encontrar também na cozinha no meio das panelas. E outro escritor que compara o homem e a mulher casados às duas margens de um mesmo rio. Não se trata, portanto de negar a importância das atividades e ocupações da vida. Não podemos viver sem sentir, sem amar, sem comer, sem trabalhar. Os parágrafos que a Regra dedica à refeição e ao trabalho, não são apenas de natureza disciplinar: apontam para o essencial. Agora sem o silêncio dos sentidos e do intelecto, o olho dá fé fica atrofiado e não conseguimos nos abrir à Vida que é anterior às suas expressões nas nossas diversas atividades. Lembro-me aqui de Tito Brandsma que sabia combinar o urgente com o importante e abrir-se ao Silêncio da Vida. Era um homem que se situava junto à Fonte. Sabia unificar-se por dentro e por isso estava inteirinho na sua cela, no atendimento aos humildes, aos estudantes, aos jornalistas, aos nazistas que o interrogavam e o maltratavam.

*Dom Frei Vital Wilderink, O Carm, foi vítima de um acidente de automóvel quando retornava para o Eremitério, “Fonte de Elias”, no alto do Rio das Pedras, nas montanhas de Lídice, distrito do município de Rio Claro, no estado do Rio de Janeiro. O acidente ocorreu no dia 11 de junho de 2014. O sepultamento foi na cidade de Itaguaí/RJ, no dia 12, na Catedral de São Francisco Xavier, Diocese esta onde ele foi o primeiro Bispo.

sábado, 4 de outubro de 2014

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 700. São Francisco de Assis

CENTRO INTERNACIONAL St. Albert (CISA) - ROMA 10-12 outubro 2014

Para comemorar o oitavo centenário da morte de Santo Alberto de Jerusalém, o Conselho Geral da Ordem organizou um seminário para um fim de semana em Roma, 10-12 outubro 2014, têm o prazer de anunciar que irá apresentar o patriarca latino de Jerusalém, Sua Beatitude Fouad Twal, que falará no seminário. Haverá também o nosso Prior Geral, Fernando Millán Romeral, O. Carm., E o Superior Geral dos Carmelitas Descalços, Padre Saverio Cannistra, OCD. O seminário será realizado em duas línguas: italiano e inglês. O número de vagas é limitado: existem alguns quartos do CISA e da Cúria O. Carm. para membros da Ordem, especialmente para aqueles que vêm de fora da Itália (de acordo com a reserva acima). O registro é essencial para que os participantes do seminário, mas a missa de domingo às 8:00 da manhã é aberto a todos.

Programa de Estudos

Sexta-feira 10
19:30
Jantar (a ser reservado com antecedência no formulário de inscrição, por favor)

20:30 Vésperas (capella CISA)
[Presidente: P. Saverio Cannistra, OCD, Superior Geral]
Bem-vindo pelo Padre Fernando Millán Romeral, O. Carm. Prior Geral 

Sábado 11
7:30 - 8:30
Café da manhã para os moradores
(Para aqueles que querem: Comunidade Missa é às 6:40)

09:00 Lodi
[Presidente Miceal P. O'Neill, O. Carm., Prior do CISA]

9:30-10:15
Antes da conferência: Vincenzo Mosca, O. Carm.
"Albert de Jerusalém e sua Regra"

10:15 Perguntas de esclarecimento

10:30 Pausa

11:00-11:45
Segunda Conferência: P. Kees Waaijman, O. Carm.
"Silêncio e trabalho na Regra"

11:45
Perguntas de esclarecimento

00:00
Grupos Focais:
1 "A Regra e pesquisa"
2 "A Regra e o serviço pastoral"
3 "A Regra e o desafio de contemplação"
4 "A Regra e a Família Carmelita"

13:00
Almoço

15:00
Três respostas (15 minutos cada):
- Entre. Patrick Mullins, O. Carm. P. em Moscou
- P. de Bruno Secondin, O. Carm. P. Waaijman
- Irmã Anastasia de Jerusalém, O. Carm. resumo das intervenções.

16:00
Pausa

17:00
Discurso de Sua Beatitude Fouad Twal, Patriarca Latino de Jerusalém
Discussão

19:30
Vésperas (Capela CISA) [presidente P. Fernando Millán Romeral, O. Carm. Prior Geral]
[Os participantes são livres para visitar Roma na noite e / ou pode jantar fora, mas deve ser indicada no formulário de inscrição]
domingo, dia 12

08:00
Missa na Igreja das Carmelitas de S. Maria em Traspontina
[comemora o patriarca latino de Jerusalém]
09:30
Mesa Redonda:
participar: Vincenzo Mosca, Kees Waaijam, Patrick Mullins, Secondin Bruno, Anastasia de Gerusalmme, além do Prior Geral e do Superior Geral. Presidida pelo Reitor do Instituto carmelita.

11:30
Partida para Angelus do Papa na Praça de São Pedro, às 12h00.

13:00

Buffet no CISA

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

HELOÍSA HELENA: Eu recomendo o seu voto.

A Carmelita Missionária: Epifania de uma identidade.

*Dom frei Vital Wilderink, O. Carm. In Memoriam.

"Sem mim, não podeis fazer nada" (Jo 15,5). Expressão paradoxal que, aparentemente, denota uma falta de identidade própria.  A psicologia poderia comentar: a pessoa que se encontra em tais condições ainda não se encontrou a si mesma.  De fato, hoje deve haver muitas pessoas assim, que encontram na moda a única evidência convincente. E, permanecendo ainda no nível da psicologia, podemos acrescentar: faltou a tais pessoas um encontro vivo.  Quem não se depara com uma presença viva que suscita  uma atração e nos provoca, não vai descobrir seu próprio coração" sede das nossas exigências e opções fundamentais.   Não faltam na nossa época moderna e pós-moderna tendências e realidades que prolongam a escravidão, o sem-sentido que impedem o agir verdadeiramente libertador.
O projeto "Rumo ao novo milênio" em preparação ao Jubileu da Encarnação do Filho de Deus, é um projeto de evangelização, de epifania da identidade. É um projeto de restauração da humanidade, de reparação que encontra em Cristo sua referência viva. É um desafio porque a cada passo esbarramos com um poder que tenta atrofiar o desejo humano, "andando em derredor como um leão que ruge, procurando a quem devorar" (1 Pd 5, 8).  As palavras da carta de Pedro, inseridas na Regra do Carmelo, não perderam a sua atualidade.  Basta constatar as situações das nossas sociedades em nível político, sócio-econômico e cultural. Um historiador do século XX concluía sua obra mais recente: "Se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não pode ser pelo prolongamento do passado ou do presente. Se tentarmos construir o terceiro milênio nessa base, vamos fracassar".  O escritor em questão prescinde de quaisquer critérios hauridos numa fé religiosa. No entanto, as suas argumentações e conclusões baseadas em ciências sociais e econômicas, não deixam de questionar a nossa fé cristã. O mistério da Encarnação de Deus na precariedade da historia humana, faz com que o cristianismo seja uma realidade voltada para o futuro porque mais centrado numa presença do que numa utopia. É desta Presença que se alimenta a identidade espiritual da Carmelita missionária e a sua esperança que deverá impedir que a sua ação missionária se limite a uma pastoral de simples manutenção.
Madre Maria Crocifissa vivia de uma presença.  Presença que nela provocava experiências místicas de encontro com Cristo, seu Amado.  Encontro que lhe fazia compreender melhor a situação daqueles que vivem sem sentido.  E nesse encontro ela acompanhava o seu Amado até a sua paixão redentora. É neste ponto que ela se faz solidária com os vencidos do mundo e se acende a sua sensibilidade profética diante do mal. É deste seu encontro com Jesus que brota o seu desejo de reparação que sobe até Deus que se envolve na historia e no destino da humanidade, sofre com seus desvios, mas não a abandona.  Madre Crocifissa vivia apegada aos sinais da Presença do Senhor.  Se ela os encontrava na Eucaristia, no Coração de Jesus, em Maria, nos Santos, marcados sem dúvida pelo contexto eclesial de sua época, é porque a totalidade de sua vida quotidiana era atingida pela presença do Senhor.

A Carmelita missionária, filha de Madre Crocifissa, só encontrará a sua identidade espiritual no encontro com o Senhor.  Trata-se de uma experiência de fé viva, não de uma prática devocional.  No fundo, trata-se de fazer ressoar a pergunta feita por Jesus a seus discípulos: "Para vós, quem sou eu?".  Ligada a esta pergunta, existe uma outra: o que significa crer em Jesus Cristo hoje? O homem e a mulher de hoje, (e não há razão para não identificar-nos com eles), se encontram numa situação muito semelhante à do cego de nascença (Jo 9.1-41). Jesus se dirige a ele: "Tu crês no Filho do Homem?". É melhor ter a simplicidade do mesmo cego: "Mas, quem é, Senhor, para que eu creia nele?". É só assim que começamos a crer. É preciso reconhecer que uma configuração histórica do cristianismo (também aquela da Madre Crocifissa) parece estar se esgotando e com ela a plausibilidade social que servia de suporte a uma maneira de crer, de viver e de transmitir a fé. A questão da identidade espiritual da Carmelita missionária se coloca hoje em termos diferentes.  Mas sempre vale como lei universal: a pessoa torna-se presente a si mesma num encontro. Estamos agraciados pela presença de Deus, mas não é fácil percebê-1a.  Aderir à pessoa de Jesus Cristo deixou de ser algo "evidente".  Somos afetados por uma situação de desamparo.  Tem-se a impressão de que uma porta se interpõe entre a presença de Deus e a nossa condição e situação atuais. "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refeição, eu com ele e ele comigo" (Ap 3,20). Se a porta nos oculta a presença, será que ela pode converter-se em lugar onde ressoa o chamado, em ocasião de nossa resposta e disponibilidade?
Não vamos descrever detalhadamente as dificuldades que o nosso tempo tem para descobrir a presença de Deus. Basta lembrar-nos do fenômeno da secularização que apagou em extensas zonas da vida pessoal e social os sinais da presença de Deus que, ao longo da historia, o homem vinha descobrindo. A razão tornou-se a medida das coisas; o que levou a um desencantamento do mundo e fez o homem escravo do outro homem.  Esse desencanto dificulta enormemente a percepção dos elementos como símbolos de uma realidade de outra ordem. O desencanto oculta as dimensões mais profundas, o lado inefável das coisas que antes levavam o homem a dar um rosto à presença do Transcendente.  A secularização da cultura é um processo que vai penetrando também na consciência do homem.  Ao declarar a autonomia da ordem social, da ordem da razão e da ordem ética, o homem se faz surdo a todo chamado religioso e fica "sem noticias" de Deus.
O silêncio de Deus adquiriu nos últimos tempos uma nova forma.  Para muitos os gritos dos oprimidos eram um rumor da presença de Deus.  Hoje, cada vez mais, nos acostumamos ao clamor das vítimas de toda sorte de violência e de injustiça. Penso no continente africano tão visivelmente marginalizado porque não traz interesses para o sistema reinante.  Penso nos meninos da rua, nos que morrem por balas direcionadas ou perdidas nas ruas do Rio de Janeiro.  Penso em adversários políticos que se eliminam mutuamente... Não vale a pena dar-se ao trabalho de identificar os desonestos e corruptos porque tudo termina em "pizza" mesmo!  Há portas largas que se escancaram para o não-sentido.  Portas que, ao mesmo tempo, abrem campos para restaurar a humanidade:
"Assim diz o Senhor: No tempo da graça eu te escutei, no dia da salvação eu te ajudei. Eu te guardei e coloquei como aliança entre o povo, para reergueres o país, devolveres as propriedades arrasadas, para dizeres aos cativos: Saí livres!, aos presos em cárcere escuro: Vinde para a luz" (Is 49,8).
"Recapitular tudo em Cristo" diria São Paulo (Ef 1, 10).  Trata-se de centrar em Cristo todos os seres. Foi esse o projeto programático da vida de Madre Crocifissa.  Está aí o segredo da reparação em que insiste no seu diário espiritual e nas suas cartas.  Ela se deixa atingir, ela primeira, por esse centrar-se em Cristo.  Percebe com lucidez o quanto ela mesma necessita. É nisto que ela se empenha com sua oração, suas mortificações.  Não há nenhum aspecto da sua vida que pode ficar fora desse movimento.  Esforçada, firme também com suas filhas, ela sabe ao mesmo tempo, que a iniciativa desse movimento para Cristo pertence à misericórdia de Deus.
Seria interessante pesquisar como, mesmo nas peculiaridades pessoais da Madre Crocifissa, ressoa aqui a influência de Sta Teresinha.  Não é sem razão que o nome dessa jovem carmelita francesa figura no próprio título da Congregação. Oferecer-se como vítima tem nas duas carmelitas matizes diferentes, pelo menos enquanto pude depreender dos escritos de ambas.  Madre Crocifissa também fala constantemente em "offrirsi vittima assieme alla Prima Vittima d'Amore". Ela se sente vítima enquanto unida a Cristo vítima, considerado na sua Paixão, sempre em vista da reparação.  Seguindo a espiritualidade da sua época, a reparação é vista na perspectiva da justiça divina.  Esta reparação encontra a sua fonte sacramental no Coração eucarístico de Jesus.  Mas o que motiva o seu desejo de reparação é sempre o amor, amor que nos seus escritos assume as características de um amor esponsal.  Faltam-nos os dados para poder acompanhar Madre Crocifissa, até a sua morte em 4 de julho de 1957, nesse seu itinerário de amor reparador.
Teresa de Lisieux morre jovem, muito jovem, com apenas 24 anos de idade.  Um ano antes de sua morte, ela escreve a sua irmã Marie du Sacré-Coeur: "No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor".  Levando em consideração o clima jansenista que se respirava na sua época, também no Carmelo de Lisieux, as suas palavras denotam um conhecimento surpreendente de Deus e da Igreja.  Teresa tem uma única preocupação: a união com Deus união de amor na oferta de si mesma em resposta ao dom de Cristo.  Como Madre Crocifissa ela se sente arrastada por esse oceano de amor sempre em movimento, amor que só deseja doar-se.  Também Teresa se une ao próprio sofrimento ao Cristo sofredor. Como Madre Crocifissa, ela sente um grande desejo de trabalhar pela conversão dos pecadores.  Ela vivia numa época em que o racionalismo e o cientificismo espalhavam uma descrença agressiva e um anti-clericalismo sarcástico.  Teresa sofre, entrando ela mesma nas trevas, na noite da fé, sentando-se à mesa com os pecadores.  Mas ela não cessa de amar o Esposo, na própria aceitação da sua ausência.
*Dom Frei Vital Wilderink, O Carm, foi vítima de um acidente de automóvel quando retornava para o Eremitério, “Fonte de Elias”, no alto do Rio das Pedras, nas montanhas de Lídice, distrito do município de Rio Claro, no estado do Rio de Janeiro. O acidente ocorreu no dia 11 de junho de 2014. O sepultamento foi na cidade de Itaguaí/RJ, no dia 12, na Catedral de São Francisco Xavier, Diocese esta onde ele foi o primeiro Bispo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Teresinha, Doutora do Amor.

*Dom Frei Vital Wilderink, O. Carm. In Memoriam
  
Em 1998 Teresa de Lisieux foi proclamada Doutora da Igreja pelo Papa João Paulo II. Já no pontificado de Pio XI que a canonizou em 1925, houve tentativas de conceder a Santa Teresinha o título de Doutora da Igreja. Malgrado sua  profunda devoção à nova Santa que ele chamava de  “Estrela do meu Pontificado”, Pio XI não atendeu a essa expectativa. O motivo? Porque se tratava de uma mulher. Mais tarde, duas outras santas mulheres receberam o título: Santa Teresa de Ávila e Santa Catarina de Sena. Hoje existe um movimento para que uma terceira carmelita, Edith Stein, seja proclamada doutora da Igreja. A condição feminina parece hoje um elemento até favorável para mostrar que a Igreja não é machista.
Doutor da Igreja é um título oficialmente dado pelo Magistério da Igreja a certos escritores notáveis, tanto pela santidade de vida quanto pela importância e ortodoxia de sua doutrina. Sem dúvida, houve outros que ao longo dos séculos seguiram o pequeno caminho, como a Virgem Maria, mas devemos reconhecer que foi Santa Teresinha que lhe deu um brilho e uma influência universal. Pode-se perguntar o que existe de próprio na doutrina teresiana. Vários aspectos poderiam ser apontados, mas o centro é, sem dúvida, o amor. Amor, palavra muitas vezes banalizada. Teresa lhe devolve a sua seriedade ao fazer dele a sua própria vocação.
A caridade deu me a chave de minha vocação. Compreendi que, se a Igreja tinha corpo, composto de vários membros, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos. Compreendi que a Igreja tinha coração, e que o coração era ardente de amor. Compreendi que só o amor fazia os membros da Igreja atuarem, e que se o amor se extinguisse, os apóstolos já não anunciariam o Evangelho e os mártires se recusariam a derramar  seu sangue. Compreendi que o amor abrange todas as vocações, alcançando todos os tempos e todos os lugares. Numa palavra é terno. Então no transporte de minha delirante alegria, pus-me a exclamar: Ó Jesus, meu amor, minha vocação, encontrei-a afinal: MINHA VOCAÇÃO É O AMOR.[1]
Amor será também a última palavra que ela pronuncia na sua agonia: “Oh! eu o amo!... Meu Deus... eu vos amo!...”.[2]  Desde cedo, antes de entrar na sua adolescência, Teresa “sentia o desejo de amar só a Deus, de não encontrar alegria senão nele”.[3]  Já no fim da vida, o mesmo desejo, amadurecido e purificado pelo sofrimento: “Vós o sabeis, ó meu Deus, nunca desejei outra coisa senão amar-vos, não cobiço outra glória. Vosso amor sempre me preveniu desde a infância, comigo cresceu, e agora se tornou um abismo, cuja profundeza não sei calcular. Amor atrai amor. Por isso, meu Jesus, o meu se atira em vossa direção, querendo atestar o abismo que o empuxa, mas infelizmente não representaria sequer uma gota de orvalho, diluída no oceano! Para vos amar como vós me amais, ser-me-ia necessário lançar mão de vosso próprio amor”.[4]
Poderíamos perguntar se Teresa em todas essas declarações de amor, não manifesta uma ilusão de estar abrigada numa torre de marfim, fechada no seu eu que ela projeta num amor de Deus. Não faz lembrar Teresinha menina, que em passeio vespertino, segurando a  mão de seu pai pedia-lhe que a guiasse?  “Então, não querendo ver nada desta terra mesquinha, sem olhar onde punha os pés, erguia a cabecinha bem alto para o ar, e não me cansava de contemplar o azul do céu estrelado!”[5]  A autenticidade do nosso amor a Deus não se manifesta na qualidade do nosso amor aos outros nas realidades concretas onde se desenvolve a nossa existência? Certo, Teresa nunca deixou de sonhar com o dia em que estaria reunida com toda a sua família no Céu. Saudades sublimadas do tempo de Les Buissonnets, ninho de sua infância?  É descobrindo o amor de Deus que Teresa faz o caminho de volta, da fugacidade do tempo e de todas as coisas para a preciosidade do momento presente:

“Que me importa, Senhor, se no futuro há sombra?
Rezar pelo amanhã? Minha alma não consente!
Guarda meu coração puro! Cobre-me com tua sombra
     Agora, no presente!”

Se penso no amanhã, temo ser inconstante,
vejo nascer em meu coração a tristeza e o enfado.
Eu quero, Deus meu, o sofrimento, a prova torturante
            Agora, no presente!”[6]
Teresa saiu do seu eu com seus inúmeros desejos de tira-gosto. O que sobrou foi o desejo do desejo de amar a Deus.  Suas três irmãs de sangue, carmelitas no mesmo mosteiro, se reuniam junto à cama da caçula da família. Escutemos o diálogo: “O que você quer que digamos hoje? ...A melhor coisa seria não dizer absolutamente nada, porque, para dizer a verdade, não há nada para dizer. Tudo já foi dito, não é? Teresa fez um lindo sinalzinho com a cabeça: Foi!  ... Sofro somente um instante. Nós nos desanimamos e desesperamos apenas por pensarmos no passado e no futuro”.[7]  Quem tem consciência de morar no amor de Deus, tem outra maneira de relacionar-se com o tempo. Não faz as coisas para poder fazer outras. Ele é o que faz.[8] 
   A confiança e o abandono nas mãos de Deus e o sentir-se amada por Ele é em Teresa a fonte do amor aos outros. Deus é a única opção de Teresa. Mas o amor entre os dois não é um diálogo fechado. O mundo está presente nele. É um diálogo no tempo e na história que encontra a sua fonte no mistério da Encarnação, e, de modo denso, no mistério da Paixão de Cristo.
“Como a torrente, lançando-se com ímpeto no oceano, arrasta após si tudo quanto encontra de passagem, assim também, ó meu Jesus, a alma que imerge no ilimitado oceano de vosso amor, arrebata consigo todos os tesouros que possui... Senhor, vós o sabeis, não tenho outros tesouros senão as almas que vos aprouve unir à minha. Tais tesouros, fostes vós que mos confiastes”.[9]
Teresa não seleciona as almas. É verdade que ela pensa nos pequenos. Ficaria até feliz se Deus pudesse encontrar almas que, em relação a ela, ganhassem em pequenez porque o critério será sempre a misericórdia divina. Pois foi do agrado do Pai revelar estas coisas aos pequeninos (Mt 11, 26).  Teresa recorre freqüentemente às cartas de São Paulo. Também no tema da misericórdia de Deus, ela se reconhece no Apóstolo dos Gentios:
“Jesus não chama os que disso são dignos, mas o que são de seu agrado, ou conforme diz São Paulo: ‘Deus tem compaixão de quem lhe apraz, e faz misericórdia a quem Ele quer aplicar misericórdia. Isto, portanto, não depende de quem quer, nem de quem corre, mas de Deus que se compadece”(Rm 9, 15-16).
O pensamento de Teresa não é arbitrário, mas atinge o mistério insondável da salvação. Por isso mesmo descobre a sua vocação de amor no coração da Igreja, como uma vocação profundamente apostólica:
“Tenho vocação de ser apóstola... Quisera percorrer a terra, apregoar teu nome, e cantar em terra de infiéis tua gloriosa Cruz. Mas, ó meu Bem-Amado, uma única missão não me seria bastante. Quisera anunciar, ao mesmo tempo, o Evangelho pelas cinco partes do mundo até as ilhas mais remotas... Quisera ser missionária não só por alguns anos, mas quisera sê-lo desde a criação do mundo, e sê-lo até a consumação dos séculos... Mas, acima de tudo, quisera, ó meu amado Salvador, por ti quisera derramar meu sangue até a última gota...”.[10]
De novo surge a tentação do ceticismo para quem a linguagem e a empolgação  de Teresa pode parecer uma fuga da vida cotidiana que ela levava no Carmelo de Lisieux. Ambiente em que não faltavam relacionamentos eivados de autoritarismo, mesquinhez e ciúme, que facilmente aumentam o volume da sua ressonância afetiva quando o espaço do mosteiro é reduzido pelo clausura, mas habitado por um número não pequeno de religiosas. As “alfinetadas” de que Teresa fala, fazem sonhar com horizontes mais amplos.  Mas o horizonte de Teresa não é feito de um sonho, mas é “o próprio Jesus, esta divina realidade” como ela sublinha. Ainda postulante, ela escreve para sua irmã Celina: “Antes de morrer pela espada, morramos às alfinetadas”.[11]  As renúncias não procuradas que a cada momento se apresentam no relacionamento com as irmãs, principalmente no trato com as noviças por cuja formação Teresa é responsável, fazem-lhe descobrir e também ensinar melhor o seu pequeno caminho de amor. Teresa não quer saber de gestos heróicos de santidade. Para ela o ponto de referência é Jesus, que ela quer seguir amando. Jesus, o Filho de Deus que veio para fazer a vontade do Pai. Vontade que consiste em dar ao mundo o Filho, e nele o amor do Deus-Trindade. Um mês antes de sua morte, perguntaram-lhe se ficaria contente se soubesse que dentro de alguns dias iria morrer, ou se preferiria receber um aviso de que o seu sofrimento iria aumentar durante um longo período ainda. A resposta de Teresa: “Oh! não, absolutamente, não ficaria mais contente. A única coisa que me deixa contente é fazer a vontade do bom Deus”.[12]  Quando Teresa fala, reagindo às observações das suas irmãs que cuidam da enferma, as suas palavras não armam ao efeito. Seus comentários às admiradoras de sua paciência, beleza ou santidade, revelam um senso de humor que desloca a atenção para o seu Amado: “Bom, tanto melhor! Mas gostaria que o bom Deus o dissesse”.[13] 
* Dom Frei Vital Wilderink, O Carm, foi vítima de um acidente de automóvel quando retornava para o Eremitério, “Fonte de Elias”, no alto do Rio das Pedras, nas montanhas de Lídice, distrito do município de Rio Claro, no estado do Rio de Janeiro. O acidente ocorreu no dia 11 de junho de 2014. O sepultamento foi na cidade de Itaguaí/RJ, no dia 12, na Catedral de São Francisco Xavier, Diocese esta onde ele foi o primeiro Bispo.



[1] História de uma alma IX, 254 (Manuscrito B 3v)
[2] CA 30.09
[3] História de uma alma IV 113 (Manuscrito A 36)
[4] Ibid.  XI 336 (Manuscrito 35)
[5] Ibid. II 62 (Manuscrito A 18).
[6] Poesia 5 Meu canto de hoje.
[7] CA 19.08. 8.10.
[8] A expressão é de C.S. Lewis (1898-1963) na sua autobiografia espiritual: “I am what I do”.
[9] História de uma alma XI 334-335 (Manuscrito C 34).
[10] Ibid. IX 251 (Manuscrito B 3).
[11] CT 86.
[12] CA 20.08.2.
[13] CA 3.92.

Santa Teresinha: A Festa dos seus quinze anos.

*Dom Frei Vital Wilderink, O. Carm. In Memoriam

Com 15 anos de idade, Teresa Martin queria entrar no Carmelo. Acompanhada de seu pai, foi falar com o Bispo diocesano para conseguir a autorização. Levantou os cabelos para parecer mais velha. Não adiantou. Aproveitou de uma viagem à Itália para pedir licença ao Papa Leão XIII. Também a audiência com o Papa não parecia ter dado resultado. Mas o interesse dele pelo caso de Teresinha levou o Bispo a conceder a tão esperada licença.
Dia 30 de setembro de 1897, Teresa morre no mosteiro das carmelitas de Lisieux. Seus dois pulmões estavam gravemente atingidos pela tuberculose. Sufocada, ela pronuncia suas últimas palavras: “Meu Deus...eu... vos amo”!
            Celebramos o primeiro centenário da morte dessa jovem carmelita. Inúmeros livros foram escritos sobre o breve percurso da sua vida. Pode ser que nem todos sejamos entusiastas de sua “História de uma alma”. A sua linguagem, marcada por um universo religioso que não é nosso, pode provocar em leitores do nosso tempo uma certa alergia. Como não é a todos que agrada a tradicional imagem da santa desfolhando pétalas das rosas que ela segura nos braços. No entanto, se por baixo desses enfeites não houvesse um segredo mais profundo, não se explicaria a atração que, durante o último século, Teresa de Lisieux tem exercido sobre inúmeros católicos. Mesmo no Brasil existem cerca de 111 paróquias dedicadas a ela, sem contar as capelas.
            O que, sem dúvida, chamou a atenção do mundo cristão foi a espiritualidade de Teresinha. Ela mesma falava do seu Pequeno Caminho.  Não foi a partir de uma teoria bem elaborada mas  a partir de sua experiência de cada dia que ela reconheceu e aceitou progressivamente a sua pequenez e fragilidade. Mesmo com seus imensos desejos, ela descobriu
que só tinha pequenas coisas para oferecer a Deus. Tanto assim que pessoas próximas a ela questionavam a santidade da jovem carmelita. É que a pequenez e a confiança em Deus constituíam o fundamento da sua doutrina. Ela descobre no seu amor próprio a causa de suas inquietações, de suas tristezas e das humilhações que a deixam aborrecida. Não se revolta contra essa descoberta mas encara de frente a sua realidade. Nem por isto renuncia aos seus desejos audaciosos  para entregar-se a uma mediocridade. Sabe fazer de sua fragilidade o material para servir ao seu projeto de santidade. Entendeu que sua fraqueza não a afastava de Deus que veio ao nosso mundo, para partilhar na precariedade humana a pobreza radical do homem a fim de transformá-la na sua força divina. Esta consciência leva Teresinha a sentar-se à mesa dos pobres e dos pecadores. Sua fé e esperança a fazem oferecer-se como vítima ao amor misericordioso de Deus. É o segredo do seu elã  missionário no qual ela quer atingir a todos, sem exclusão, mesmo os ateus, para que encontrem o caminho para o amor de Deus que salva e liberta.
            Mas o seu Pequeno Caminho precisava ser testado. Se a fé e a esperança faziam crescer a sua entrega de amor, esta continuaria mesma numa aparente ausência de fé e esperança?
            Nos últimos dezoito meses da sua vida, a fé de Teresinha foi duramente provada. Ela já estava atingida pela tuberculose quando, na noite de 2 ao 3 de abril de 1896, a doença se manifestou por uma primeira expectoração de sangue. Alguns dias depois a sua alma começou a ser torturada por dúvidas sobre a fé. Se os seus sofrimentos físicos, sempre mais fortes,  já provocavam uma sensação de impotência, a noite das dúvidas tirava o último apoio para suportá-los. O olhar da fé dá uma visão nova da vida. É dentro dessa visão que o cristão encontra o sentido da existência, a razão de ser, de viver, de agir, de servir e de sofrer. Uma prova de fé questiona tudo o que a pessoa suporta. Provoca nela uma vertigem, a vertigem do nada. Todo o equilíbrio de seu ser é ameaçado. “Acreditas sair um dia do nevoeiro que te envolve, avança, avança,  alegra-te com a morte que te dará, não aquilo que tu esperas, mas uma noite ainda mais profunda, a noite do nada”. Quem poderia ter escrito essas palavras, seria Nietzsche, filósofo contemporâneo de Teresa, que proclamou a morte de Deus. Mas foi a própria Teresinha que as escreveu  na sua cama, três meses antes de morrer. Ela acrescentava: “Não quero escrever mais, receio blasfemar... receio até ter falado demais...”.
            Teresa vivia na França do fim do século XIX. Época em que o racionalismo e o cientismo espalhavam uma descrença agressiva e um anticlericalismo sarcástico. Teresa, mergulhada na noite da dúvidas, compreende  que  certos  ateus  podem de boa fé e sem ir contra seu pensamento negar a existência do Céu. Mesma tendo guardado a sua inocência batismal, Teresa chega até o fundo da sua pequenez e, desta maneira, ao núcleo daquilo que constituía toda a sua razão de viver: sua relação com Deus. É uma tomada de consciência, uma aceitação.  Jamais poderia suportar com lucidez essa desapropriação de si mesma, se não fosse habitada por um grande Amor, mistério que vai além de suas próprias iniciativas e possibilidades. A descoberta desse mistério maior de Deus, se faz a partir da experiência das nossas mãos vazias. É disto que brota em Teresa a atitude de confiança e de abandono. É o caminho que ela indica para todos, sentando-se à mesa dos incrédulos e pecadores.
            A nossa época não conhece o ateísmo virulento do tempo de Teresinha. O que sempre mais se impõe em nossos dias é uma espécie de vazio que nenhuma ideologia consegue preencher. A ciência e a tecnologia fazem o homem viver no ritmo de “projetos”. São valores relativos mas que não geram uma sabedoria, um sentido último de todos esses significados particulares. Há uma sensação de banalidade que escurecem o sentido da própria vida e história humana.
Teresa de Lisieux, figura simples e afável, aparentemente sem problemas, mas mergulhada nas torturas da dúvida, provoca uma brecha na crosta das verdades convencionais do homem moderno. Sentemo-nos com ela à mesa para que nos fale da sua vida tão cheia de humanidade e de sabor de Deus.

* *Dom Frei Vital Wilderink, O Carm, foi vítima de um acidente de automóvel quando retornava para o Eremitério, “Fonte de Elias”, no alto do Rio das Pedras, nas montanhas de Lídice, distrito do município de Rio Claro, no estado do Rio de Janeiro. O acidente ocorreu no dia 11 de junho de 2014. O sepultamento foi na cidade de Itaguaí/RJ, no dia 12, na Catedral de São Francisco Xavier, Diocese esta onde ele foi o primeiro Bispo.