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sábado, 1 de novembro de 2014
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 719º. Todos os Santos.
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quarta-feira, 29 de outubro de 2014
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 718º. Obrigado...
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terça-feira, 28 de outubro de 2014
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 717º. Homenagem aos Missionários.
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segunda-feira, 27 de outubro de 2014
VATICANO: Conhecendo o Museu (1ª Parte)
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MUSEU DO VATICANO: Um Olhar (3ª Parte).
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A PALAVRA... Nº 716º. O Fórum Romano e o Poder (1ª Parte).
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domingo, 26 de outubro de 2014
30º Domingo do Tempo Comum: Um Olhar
A liturgia do 30º domingo Comum diz-nos,
de forma clara e inquestionável, que o amor está no centro da experiência
cristã. O que Deus pede – ou antes, o que Deus exige – a cada crente é que
deixe o seu coração ser submergido pelo amor.
O Evangelho diz-nos, de forma clara e
inquestionável, que toda a revelação de Deus se resume no amor – amor a Deus e
amor aos irmãos. Os dois mandamentos não podem separar-se: “amar a Deus” é
cumprir a sua vontade e estabelecer com os irmãos relações de amor, de
solidariedade, de partilha, de serviço, até ao dom total da vida. Tudo o resto
é explicação, desenvolvimento, aplicação à vida prática dessas duas coordenadas
fundamentais da vida cristã.
O que é “amar a Deus”? De acordo com o
exemplo e o testemunho de Jesus, o amor a Deus passa, antes de mais, pela
escuta da sua Palavra, pelo acolhimento das suas propostas e pela obediência
total aos seus projetos – para mim próprio, para a Igreja, para a minha
comunidade e para o mundo. Esforço-me, verdadeiramente, por tentar escutar as
propostas de Deus, mantendo um diálogo pessoal com Ele, procurando refletir e
interiorizar a sua Palavra, tentando interpretar os sinais com que Ele me interpela
na vida de cada dia? Tenho o coração aberto às suas propostas, ou fecho-me no
meu egoísmo, nos meus preconceitos e na minha auto-suficiência, procurando
construir uma vida à margem de Deus ou contra Deus? Procuro ser, em nome de
Deus e dos seus planos, uma testemunha profética que interpela o mundo, ou
instalo-me no meu cantinho cómodo e renuncio ao compromisso com Deus e com o
Reino?
O que é “amar os irmãos”? De acordo com
o exemplo e o testemunho de Jesus, o amor aos irmãos passa por prestar atenção
a cada homem ou mulher com quem me cruzo pelos caminhos da vida (seja ele
branco ou negro, rico ou pobre, nacional ou estrangeiro, amigo ou inimigo), por
sentir-me solidário com as alegrias e sofrimentos de cada pessoa, por partilhar
as desilusões e esperanças do meu próximo, por fazer da minha vida um dom total
a todos. O mundo em que vivemos precisa de redescobrir o amor, a solidariedade,
o serviço, a partilha, o dom da vida… Na realidade, a minha vida é posta ao
serviço dos meus irmãos, sem distinção de raça, de cor, de estatuto social? Os
pobres, os necessitados, os marginalizados, os que alguma vez me magoaram e
ofenderam, encontram em mim um irmão que os ama, sem condições?
Fonte: http://www.dehonianos.org/ (Leia na
íntegra. Clique aqui no link do olhar- A PALAVRA DE JESUS CRISTO- e procure
pelo 3º Domingo do Tempo Comum)
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FALHA NOSSA: A Palavra do Frei Petrônio, no Vaticano.
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“EU VOTO A FAVOR DOS POBRES, EU VOTO DILMA”. Frei Petrônio.
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POMPEIA: Para Marco Moretto
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800 ANOS DE SANTO ALBERTO: Frei Bruno Secondin. (1ª Parte)
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800 ANOS DE SANTO ALBERTO: Momento de Espiritualidade.
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 714º. A Igreja de Francisco.
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 715º. Evangelho do dia.
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sexta-feira, 24 de outubro de 2014
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 713º. A Igreja não é do Papa...
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 713º. A Igreja não é do Papa...
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Deus é gay?
Frei
Betto, OP.
Jesus
transitou, sem discriminação, entre o mundo dos ‘pecadores’ e dos ‘virtuosos’.
Agora, o papa Francisco ousa se erguer contra o cinismo.
Nunca antes na história da Igreja um
papa ousou, como Francisco, colocar a questão da sexualidade no centro do debate
eclesial: homossexualidade, casais recasados, uso de preservativo etc. O Sínodo
da Família, realizado no Vaticano, só dará sua palavra final sobre esses temas
em outubro de 2015, quando voltará a se reunir.
Quem, como eu, transita há décadas na
esfera eclesiástica sabe que é significativo o número de gays entre
seminaristas, padres e bispos. Por que não gozarem, no seio da Igreja, do mesmo
direito dos heterossexuais de se assumir como tal? Devem permanecer “no
armário”, vitimizados pela Igreja e, supostamente, por Deus, por culpa que não
têm?
É preciso reler o Evangelho pela ótica
gay, como pela feminista, já que a presença de Jesus entre nós foi lida pelas
óticas aramaica (Marcos); judaica (Mateus); pagã (Lucas); gnóstica (João);
platônica (Agostinho) e aristotélica (Tomás de Aquino).
A unidade na diversidade é
característica da Igreja. Basta lembrar que são quatro os evangelhos, não um
só: quatro enfoques distintos sobre Jesus. Até a década de 1960, predominava no
Ocidente uma única ótica teológica: a europeia, tida como “a teologia”. O
surgimento da Teologia da Libertação, com a leitura da Palavra de Deus pela
ótica dos pobres, causa ainda incômodo aos que consideram a ótica eurocentrada
como universalmente ortodoxa.
Diante dos escândalos de pedofilia, dos
100 mil padres que abandonaram o sacerdócio por amor a mulheres, e da violência
física e simbólica aos gays, Francisco ousa se erguer contra o cinismo dos que
se arvoram em “atirar a primeira pedra.”
Como Jesus, a Igreja não pode
discriminar ninguém em razão de tendência sexual, cor da pele ou condição
social. O que está em jogo é a dignidade da pessoa humana, o direito de casais
gays serem protegidos pela lei civil e educarem seus filhos na fé cristã, o
combate e a criminalização da homofobia, um grave pecado. A Igreja não pode
continuar cúmplice e, por isso, acaba de superar oficialmente a postura de
considerar a homossexualidade um “desvio” e “intrinsecamente desordenada”.
A dificuldade de a Igreja Católica
aceitar a plena cidadania LGTB se deve à sua tradição bimilenar judaico-cristã,
que é heteronormativa. Por isso, os conservadores reagem como se o papa traísse
a Igreja, a exemplo do que fizeram no passado, quando se recusaram a aceitar a
separação entre Igreja e Estado; a autonomia das ciências; a liberdade de
consciência; as relações sexuais, sem fins procriativos, dentro do matrimônio;
a liturgia em língua vernácula.
Deus é gay? “Deus é amor”, diz a
Primeira Carta do apóstolo João, e acrescenta “o amor é de Deus, e todo aquele
que ama nasceu de Deus e conhece a Deus.” E, se somos capazes de nos amar uns
aos outros, “Deus permanece em nós.”
Por ser a presença de Deus entre nós,
Jesus transitou, sem discriminação, entre o mundo dos “pecadores” e dos
“virtuosos”. Não apedrejou a adúltera; não fugiu da prostituta que lhe enxugou
os pés com os cabelos; não negou a Madalena, que tinha “sete demônios”, a graça
de ser a primeira testemunha de sua ressurreição. Jesus também não se recusou a
dialogar com os “virtuosos” — aceitou jantar na casa do fariseu; acolheu
Nicodemos na calada da noite; dialogou sobre o amor samaritano com o doutor da
lei; propôs ao rico que, “desde jovem” abraçava todos os mandamentos, a fazer
opção pelos pobres.
Sobretudo, ensinou que não é escalando a
montanha das virtudes morais que alcançamos o amor de Deus. É nos entregando a
esse amor, gratuito e misericordioso, que logramos fidelidade à Palavra.
Fé, confiança e fidelidade são palavras
irmãs. Têm a mesma raiz. E a vida ensina que João é fiel a Maria, e vice-versa,
não porque temem o pecado do adultério, e sim porque vivem em relação amorosa
tão intensa que nem cogitam a menor infidelidade.
Fonte: http://oglobo.globo.com
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quinta-feira, 23 de outubro de 2014
“EU VOTO A FAVOR DOS POBRES, EU VOTO DILMA”. Frei Petrônio.
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FALHA NOSSA: A Palavra do Frei Petrônio, no Vaticano.
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A PALAVRA... Nº 711º. Romana Sim, Mas Mãe, Sim, Senhor.
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quarta-feira, 22 de outubro de 2014
PAPA FRANCISCO: Audiência Geral (2ª Parte).
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PAPA FRANCISCO: Audiência Geral (1ª Parte).
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FREI RAIMUNDO BRITO: Uma homenagem de Roma.
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FREI RAIMUNDO BRITO: Uma homenagem de Roma.
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terça-feira, 21 de outubro de 2014
HISTÓRIA DE SAN GENNARO: Biografia.
Por volta do ano de 305, San Gennaro era
diácono da igreja da cidade de Miseno Sosio e depois foi Bispo em Benevento,
cidade da região de Campânia, próxima a Nápoles (Italia), quando sofreu
perseguição por parte do imperador romano Diocleciano. A tradição conta que o
Santo foi reconhecido e preso pelos soldados do governador de Campânia quando
se dirigia à prisão para visitar os cristãos detidos, sendo morto decapitado.
Como era costume nos martírios da época,
os cristãos recolheram um pouco do sangue de San Gennaro numa ampola de vidro
para ser colocada diante de seu túmulo, sendo, após isso, sepultado numa
estrada entre Pozzuoli e Nápoles.
Em 413 seu corpo foi transferido para as
catacumbas napolitanas na Colina Capodimonte. Mais tarde, foi novamente
removido para Benevento (Abadia de Montevergine) e por fim, no ano de 1492,
seus restos mortais foram transferidos para Nápoles, por ordem do Arcebispo
Alessandro Carafa.
Já no ano de 472 da Era Cristã, os
cristãos buscavam a ajuda de San Gennaro. Naquela feita, o estrago da erupção
do Vesúvio prometia ser catastrófico. Aturdidos com a perspectiva, os
napolitanos correram para o túmulo de San Gennaro e, de mãos juntas, rogaram
proteção ao mártir cristão. Milagrosamente, as lavas estacionaram às portas de
Nápoles, poupando-lhe o mesmo destino trágico de Pompéia.
Desde 1608, os restos mortais
encontram-se na Capela do Tesouro, em cumprimento da promessa feita pelos
napolitanos em 1527, por ocasião de uma peste que assolou a região, mas Nápoles
foi preservada pelo Santo. Também em duas outras ocasiões San Gennaro protegeu
a cidade : na cólera que assolou a região em 1884 e na erupção do Vesúvio em
1631.
Desde aquele ano, o culto a San Gennaro
só tem aumentado. Especialmente em maio e setembro, quando o napolitano ruma em
massa para o Duomo, a histórica catedral onde está guardado o frasco com o
sangue coagulado do santo.
A devoção a San Gennaro é conhecida no
mundo inteiro pela liquefação do sangue do bispo mártir, que ocorre três vezes
por ano: no sábado que precede o 1º domingo de maio; no dia 19 de setembro que
é a festa do Santo e em 16 de dezembro, aniversário da erupção do Vesúvio em
1631.
A ocorrência, que vem sendo verificada
desde 1389, consiste na passagem do sangue de San Gennaro do estado sólido para
o estado líquido, perdendo no peso e aumentando no volume.
Existem uns 5 mil processos, que
confirmam o fenômeno, inclusive a declaração de Montesquieu, que assistiu duas
destas liquefações em 1728.
Em 1902, o conteúdo das ampolas foi
submetido a exame electroscópio diante de testemunhas e o cientista Sperindeo
declarou que não há dúvida de que se trata de sangue humano que, uma vez
coalhado, não perde o estado sólido. São 600 anos de fé, superstição e
ceticismo, que acompanham o mistério dos milagres do sangue do padroeiro de
Nápoles e da Mooca, em São Paulo.
Acreditam os fieis que quando o sangue
do mártir não se liquefaz, sempre ocorre uma catástrofe, como aconteceu no caso
de várias epidemias em Nápoles, nas várias perigosas erupções do Vesúvio e no
começo da 2ª Guerra Mundial.
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 711º. O Carmelo em Roma.
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A PALAVRA DO FREI SÍLVIO FERRARI, Nº 02: São Paulo, Apóstolo.
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segunda-feira, 20 de outubro de 2014
BEATIFICAÇÃO DE PAULO VI: Um olhar. (3ª Parte)
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A PALAVRA... Nº 710º. São Francisco e a vida religiosa.
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sábado, 18 de outubro de 2014
ASSIS: Túmulo de São Francisco na Basílica de Assis, Itália.
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sexta-feira, 17 de outubro de 2014
#SeguindoOPapa | Dia 19 de Outubro, acompanhe a beatificação do Papa Pau...
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Sinodo 16.10.2014
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ROMA: São João de Latrão. Um Olhar. (1ª Parte)
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UM OLHAR: Museu Arqueológico Nacional de Nápoles. (1º Vídeo)
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quarta-feira, 15 de outubro de 2014
UM OLHAR SOBRE A ITÁLIA: O Santuário de La Bruna.
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800 ANOS DE SANTO ALBERTO: Frei Fernando Millán (4ª Parte)
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POMPEIA: A cidade do vulcão Vesúvio. (2ª Parte)
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terça-feira, 14 de outubro de 2014
POMPEIA: A cidade do vulcão Vesúvio. (1ª Parte)
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 708. Frei Sormani.
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segunda-feira, 13 de outubro de 2014
800 ANOS DE SANTO ALBERTO: Frei Fernando Millán (3ª Parte)
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UM OLHAR SOBRE A ITÁLIA: Chegando a Nápoles (1ª Parte)
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 708. Frei Bruno Secondin.
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O carmelita na América Latina.
*Dom Frei Vital Wilderink, O. Carm. In Memoriam.
A nova Ratio da
Ordem que trata da formação no Carmelo descrevendo-a como um processo de
transformação, coloca a contemplação no coração do carisma carmelitano. É
precisamente o segredo da viagem que continua, pois ninguém se põe em caminho
se o objetivo final da caminhada não estivesse de alguma maneira presente desde
os primeiros passos.
A viagem é feita
dentro da história em que nos encontramos inseridos, no meio do povo. A própria
viagem toma-se missão. A dificuldade que muitos sentem é como ligar este cerne
do carisma que é a contemplação ou experiência de Deus com os desafios dessa
história, no nosso caso, com a realidade da América Latina. Continua
persistente, também entre nós, um certo dualismo. Mesmo fazendo uma leitura
sócio-pastoral da Igreja tropeçamos em fenômenos que fazem perceber a
dificuldade de ligar fé e vida, revelação e experiência humana, Esta
dificuldade provém em grande parte da imagem de Deus que não passa pelo filtro
do nosso tempo. É preciso reconhecer que muita coisa de positivo foi feito para
desfazer essa mentalidade dualista, principalmente através da pastoral bíblica
(círculos bíblicos), pela teologia de libertação, na prática das comunidades de
base, para mostrar que não se pode separar a revelação de Deus da caminhada do
povo. O povo de Israel descobriu a presença de Deus na libertação da escravidão
do Egito. E os profetas sempre insistem nessa manifestação de Yahweh quando o
povo se torna infiel a essa aliança estabelecida com Ele.
"Como nós
carmelitas deveríamos situar-nos frente à realidade que nos envolve na América
Latina?" Faço minha esta pergunta feita na carta de quem me convidou para
participar deste encontro. A resposta pode parecer simplista ou até um círculo
vicioso: fazer com que a questão de Deus permaneça central na nossa existência.
Não se trata em primeiro lugar da questão sobre um Ser supremo. A questão de
Deus está ligada à questão da realidade. Se a questão de Deus deixa de ser
central, ela será substituída pela problemática que nos envolve. A questão que
se coloca é do sentido da vida, do destino da terra, da necessidade ou não de
um fundamento. Perguntamos simplesmente qual é para cada um de nós a última
questão, ou por que esta questão não é colocada. Mas para poder admitir a
questão e refletir sobre ela, há necessidade de um silêncio interior, ou como
diz a Regra de uma pureza de coração. Sem esse preliminar nem se percebe de que
se trata. Já na Idade Média falava-se da necessidade do olho da fé É o órgão da
faculdade que nos dá acesso a uma
dimensão que transcende, sem negar o que captam o olho dos sentidos e o olho da
inteligência.
O discurso sobre
Deus é radicalmente diferente de outros discursos, pois Deus não é um objeto.
Do contrário ele seria um ídolo. Nenhum instrumento pode localizar Deus, nem a
teologia acadêmica. Pode haver especialistas em teologia ou mesmo, em
espiritualidade e mística. Não há, porém, cursos de especialização em Deus. A
única mediação somos nós mesmos. Santo Tomás já dizia: "A criatura é a
mediação entre Deus e o nada". Jamais podemos colocar Deus do nosso lado
contra os outros. Talvez um texto de São Bernardo possa ilustrar o que acabamos
de afirmar. Num sermão sobre o Cântico dos Cânticos ele confessa que recebeu
com certa freqüência a visita do Verbo, mas que não soube explicar como Ele
entrou. Por onde entrou? Ou será que Ele não entrou, visto que não vem de fora?
Pois Ele não é nenhuma das coisas que estão fora de nós. Também é certo que não
veio de dentro de mim, porque Ele é bondade, e bem sei que em mim não existe
nada de bom. Daí eu me elevei acima de mim mesmo, mas o Verbo está mais além.
Intrigado, sondei o que está abaixo de mim, mas Ele está em maior profundidade.
Olhando para fora de mim, concluí que está além de tudo o que do lado de fora
fica o mais longe de mim. E olhando para dentro de mim, que a sua presença é
mais interior que o meu íntimo. E assim compreendi a verdade daquilo que eu
tinha lido: "Nele vivemos, nos movemos e somos" (At 17,28).
Não é possível
falar de um Deus puramente transcendente. Seria inclusive uma coisa supérflua,
e mesmo, contraditória. Por isso o deísmo, herança recebida do Iluminismo, não
nega a existência de Deus como Ser supremo, mas não admite a sua revelação
porque é o próprio homem que determina o lugar que Deus pode ocupar. Aos poucos
Deus vai se tornando uma hipótese inútil.
Mas Deus se
revelou e, portanto, se engajou na história dos homens. A revelação é
essencialmente Deus que se doa a nós. É o acontecer de um encontro. E neste
encontro não atingimos algo de Deus, um aspecto ou um segmento do seu mistério.
O que Deus revela é o seu "coração". Ao mesmo tempo, porém, Deus
permanece sempre maior do que o nosso coração, Ele será sempre um Deus
escondido, Ele é mais do que a sua revelação. Esse mais não deve ser pensado em
termos quantitativos, mas significa que Deus não se torna objeto da revelação.
Deus permanece o sujeito da revelação e como tal transcende a sua revelação, é
anterior a ela. Deus é o mistério maior que não se esgota na sua relação
reveladora. Além disso, não podemos aduzir nenhuma razão que explica ou
justifica a revelação de Deus. É o seu "desígnio secreto" (Ef 1,9).
"Ele nos amou primeiro" (1 Jo 4,10). A gratuidade do amor de Deus
deixaria de ser gratuidade se pudéssemos explicá-la. Vale aqui a declaração de
P. Evdokimov, teólogo ortodoxo: "Não é o conhecimento que ilumina o
mistério, é o Mistério que ilumina o conhecimento".
Nenhuma
linguagem humana é capaz de descrever o mistério de Deus. O que faz entender
porque a Regra fala em dois parágrafos sobre o silêncio, não só como exercício
ascético para chegar à pureza do coração, mas também como matriz de toda
palavra autêntica. O que faz pensar no que escreveu santo Ireneu: "Do
silêncio primordial surgiu o logos". No silêncio se entrelaçam o tempo e a
eternidade. Uma vida de silêncio não é a mesma coisa que o Silêncio da Vida. O
mesmo santo Ireneu escreve sobre essa Vida: "A glória de Deus é a Vida do
homem, e a vida do homem é conhecer a Deus". A primeira parte deste texto
foi muito citada em ambientes de pastoral social: a glória de Deus é a vida do
homem. Omitindo a segunda parte surge de novo um certo dualismo entre fé e
vida, entre revelação de Deus e caminhada do povo. Neste caso a opção pelos
pobres, aos excluídos corre o perigo de ser reduzida a uma mera obrigação
ética. "Tudo o que vocês fizerem ao menor de meus irmãos, e a mim que o
fizestes". É uma afirmação ontológica da presença de Cristo no outro.
Jesus manifesta nessa tomada de posição parcial, a universalidade do desígnio
de Deus. Cristo não é símbolo para a realidade, mas da realidade. A evangélica
opção preferencial se situa no nível do que Raimon Panikkar chama de
cristofania. Por Cristo, com ele e nele, todas as dimensões da realidade se
juntam: "Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito de tudo o
que existe" (10 1,2). O universo inteiro é chamado a participar da vida
trinitária em Cristo e por Cristo. O que dá uma perspectiva profunda ao
"viver em obséquio de Jesus Cristo" da Regra. . Volta aqui a
contemplação como cerne do nosso carisma. Penso que sem esse cerne não
encontramos uma resposta à pergunta que me foi feita na carta mencionada:
"Como nós carmelitas deveríamos situar-nos frente à realidade que nos
envolve na América Latina?"
A questão de uma
vida de silêncio e do Silêncio da Vida pode parecer uma espécie de fuga do
mundo, um viver no abstrato. Neste sentido ouve-se freqüentemente a crítica:
basta de belas teorias, precisamos da prática. Cabe fazer aqui uma distinção
entre o que é urgente e o que é importante. O urgente com suas características
de imediato desvia a nossa atenção daquilo que é importante. Se o urgente não é
importante nós nos lançamos numa prática contraproducente. Se o importante não
é urgente mergulhamos numa teoria errônea: o importante será uma simples
abstração. No urgente destacamos o fator do tempo, no importante acentuamos o
fator do peso. A sabedoria conste em combinar o urgente com o importante. É a
arte de fazer calar as atividades da vida que não são a Vida. Não são as
atividades que produzem o ativismo, mas a falta de silêncio interior. Ativismo
é como a gravidez psicológica: seus efeitos visam o presente. A gravidez real
se dá no presente mas, não para o presente. Freqüentemente agimos a partir de
atributos que configuram a nossa personalidade: sou professor, diretora de um
colégio, empresário, operário, pároco, superior, etc. É assim que somos
identificados, é assim que os olhos dos outros se fixam em nós. Quem se
identifica exclusivamente a partir dessas atribuições, estas freqüentemente
começam a sufocar-lhe a identidade profunda. De certa maneira deveria haver um
despojamento do conjunto dessas atribuições para poder chegar ao Silêncio da
Vida. Enfocando o relacionamento que deve existir entre o prior e os irmãos,
Alberto ofereceu aos eremitas do Monte Carmelo uma pista para chegar a esse
despojamento.
Tu, irmão B. e
seja quem for indicado Prior depois de ti, tenhais sempre em mente e cumpram na
prática o que o Senhor diz no evangelho: Todo aquele que entre vós quiser
tornar-se o maior, seja o vosso servidor, e quem quiser ser o primeiro, seja o
vosso empregado.
E vós, os demais
irmãos, honrai humildemente o vosso Prior, pensando, mais do que nele, em
Cristo que o colocou acima de vós, e que diz aos que estão à frente das
igrejas: Quem vos ouve, é a mim que ouve; quem vos despreza, é a mim que
despreza, a fim de que não sejais julgados como réus por menosprezo, mas
possais merecer por obediência a recompensa da vida eterna.
Seria empobrecer
o conteúdo do texto citado fosse reduzi-lo a uma exortação piedosa ou moral.
Como em toda a Regra do Carmelo, também aqui aparece a tensão que existe entre
o urgente e o importante, entre prática e teoria. Já no primeiro parágrafo da
sua exposição, em que fala da eleição do Prior, Alberto insiste na obediência
que cada um dos irmãos deve prometer ao que tiver sido eleito, e no empenho de
cumprir na verdade da prática o que prometeu. É claro que na prática podem
surgir abusos e comportamentos imaturos de ambas as partes. O que, porém, não
invalida a perspectiva cristocêntrica que a Regra abre também para o
relacionamento mútuo entre o Prior e os demais irmãos. O essencial é a
obediência ao que ressoa além do meu horizonte. Trata-se da "salvação no
Senhor" que Alberto deseja aos carmelitas já no início da sua carta.
Salvação é "participar da natureza divina"(2 Pd 1,4) por Cristo. É
precisamente nisto que consiste o mistério envolvido em silêncio desde sempre,
mas agora revelado em Jesus (Rm 16,25) que veio para que todos tenham Vida, e a
tenham plenamente (Jo 10,10).
Muitas vezes
identificamos a Vida com as atividades da vida e nos alienamos da nossa própria
fonte estabelecendo uma dicotomia entre o fundamental ou essencial e o
relativo. O essencial não seria essencial se não o descobríssemos a partir do
relativo. O fato de vivermos no tempo, a nossa vida se desenvolve ao longo de
uma linha temporal. A própria consciência que temos das coisas é marcada pelo
tempo. Além disto, pelo fato de vivermos no espaço a nossa consciência é
atingida pelo parcial e pelo distante que supõe o caráter material da realidade.
Isto faz com que tudo em nós tenda para algo mais que não se estenda pelo tempo
e pelo espaço. Surgem assim as interrogações fundamentais: de onde viemos e
aonde vamos? São questões que sempre permanecem abertas, pois nenhuma resposta
nossa é capaz de exauri-Ias. O desconhecido permanece e não se deixa manipular.
E ao inverso, o relativo só pode ser relativo porque existe uma relação a
partir do essencial. Teresa de Ávila o diz às suas filhas: Deus se faz
encontrar também na cozinha no meio das panelas. E outro escritor que compara o
homem e a mulher casados às duas margens de um mesmo rio. Não se trata,
portanto de negar a importância das atividades e ocupações da vida. Não podemos
viver sem sentir, sem amar, sem comer, sem trabalhar. Os parágrafos que a Regra
dedica à refeição e ao trabalho, não são apenas de natureza disciplinar:
apontam para o essencial. Agora sem o silêncio dos sentidos e do intelecto, o
olho dá fé fica atrofiado e não conseguimos nos abrir à Vida que é anterior às
suas expressões nas nossas diversas atividades. Lembro-me aqui de Tito Brandsma
que sabia combinar o urgente com o importante e abrir-se ao Silêncio da Vida.
Era um homem que se situava junto à Fonte. Sabia unificar-se por dentro e por
isso estava inteirinho na sua cela, no atendimento aos humildes, aos
estudantes, aos jornalistas, aos nazistas que o interrogavam e o maltratavam.
*Dom
Frei Vital Wilderink, O Carm, foi vítima de um acidente de automóvel quando
retornava para o Eremitério, “Fonte de Elias”, no alto do Rio das Pedras, nas
montanhas de Lídice, distrito do município de Rio Claro, no estado do Rio de
Janeiro. O acidente ocorreu no dia 11 de junho de 2014. O sepultamento foi na
cidade de Itaguaí/RJ, no dia 12, na Catedral de São Francisco Xavier, Diocese
esta onde ele foi o primeiro Bispo.
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domingo, 12 de outubro de 2014
800 ANOS DE SANTO ALBERTO: O Angelus (1ª Parte)
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800 ANOS DE SANTO ALBERTO: Frei Fernando Millán (2ª Parte)
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sábado, 11 de outubro de 2014
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 707. Uma Prece diante da mãe.
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sexta-feira, 10 de outubro de 2014
800 ANOS DE SANTO ALBERTO: A Palavra de Frei Savério, OCD.
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 706. O Sínodo da Família
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14:44
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ANIVERSÁRIO DO FREI MÁRCIO: Comemoração em Roma.
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ROMA: Um olhar sobre a Basílica di Santa Maria Maggiore
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quinta-feira, 9 de outubro de 2014
FREI EVALDO XAVIER: Mensagem de aniversário.
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08:15
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UM OLHAR SOBRE ROMA: Basílica di Santa Maria Maggiore
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quarta-feira, 8 de outubro de 2014
UM OLHAR SOBRE ROMA: Primeiras imagens.
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UM OLHAR SOBRE ROMA: Primeiras imagens.
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domingo, 5 de outubro de 2014
27º Domingo do Tempo Comum: Benção de Sta. Teresinha.
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27º Domingo do Tempo Comum: Homilia do Frei Petrônio.
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15:02
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Irmã Dulce O filme – Trailer Oficial [HD]
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ORDEM TERCEIRA DE SALVADOR: Convite.
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10:00
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DIA DA BÍBLIA-2014: Homilia do Frei Petrônio.
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Frei Cláudio Van Balen, Carmelita: Olhar Biográfico. (1ª Parte)
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sábado, 4 de outubro de 2014
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 700. São Francisco de Assis
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CENTRO INTERNACIONAL St. Albert (CISA) - ROMA 10-12 outubro 2014
Para comemorar o oitavo centenário da
morte de Santo Alberto de Jerusalém, o Conselho Geral da Ordem organizou um
seminário para um fim de semana em Roma, 10-12 outubro 2014, têm o prazer de
anunciar que irá apresentar o patriarca latino de Jerusalém, Sua Beatitude
Fouad Twal, que falará no seminário. Haverá também o nosso Prior Geral, Fernando
Millán Romeral, O. Carm., E o Superior Geral dos Carmelitas Descalços, Padre
Saverio Cannistra, OCD. O seminário será realizado em duas línguas: italiano e
inglês. O número de vagas é limitado: existem alguns quartos do CISA e da Cúria
O. Carm. para membros da Ordem, especialmente para aqueles que vêm de fora da
Itália (de acordo com a reserva acima). O registro é essencial para que os
participantes do seminário, mas a missa de domingo às 8:00 da manhã é aberto a
todos.
Programa de Estudos
Sexta-feira
10
19:30
Jantar (a ser reservado com antecedência
no formulário de inscrição, por favor)
20:30 Vésperas (capella CISA)
[Presidente: P. Saverio Cannistra, OCD,
Superior Geral]
Bem-vindo pelo Padre Fernando Millán
Romeral, O. Carm. Prior Geral
Sábado
11
7:30 - 8:30
Café da manhã para os moradores
(Para aqueles que querem: Comunidade
Missa é às 6:40)
09:00 Lodi
[Presidente Miceal P. O'Neill, O. Carm.,
Prior do CISA]
9:30-10:15
Antes da conferência: Vincenzo Mosca, O.
Carm.
"Albert de Jerusalém e sua
Regra"
10:15 Perguntas de esclarecimento
10:30 Pausa
11:00-11:45
Segunda Conferência: P. Kees Waaijman,
O. Carm.
"Silêncio e trabalho na Regra"
11:45
Perguntas de esclarecimento
00:00
Grupos Focais:
1 "A Regra e pesquisa"
2 "A Regra e o serviço
pastoral"
3 "A Regra e o desafio de
contemplação"
4 "A Regra e a Família
Carmelita"
13:00
Almoço
15:00
Três respostas (15 minutos cada):
- Entre. Patrick Mullins, O. Carm. P. em
Moscou
- P. de Bruno Secondin, O. Carm. P.
Waaijman
- Irmã Anastasia de Jerusalém, O. Carm.
resumo das intervenções.
16:00
Pausa
17:00
Discurso de Sua Beatitude Fouad Twal,
Patriarca Latino de Jerusalém
Discussão
19:30
Vésperas (Capela CISA) [presidente P.
Fernando Millán Romeral, O. Carm. Prior Geral]
[Os participantes são livres para
visitar Roma na noite e / ou pode jantar fora, mas deve ser indicada no
formulário de inscrição]
domingo, dia 12
08:00
Missa na Igreja das Carmelitas de S.
Maria em Traspontina
[comemora o patriarca latino de
Jerusalém]
09:30
Mesa Redonda:
participar: Vincenzo Mosca, Kees
Waaijam, Patrick Mullins, Secondin Bruno, Anastasia de Gerusalmme, além do
Prior Geral e do Superior Geral. Presidida pelo Reitor do Instituto carmelita.
11:30
Partida para Angelus do Papa na Praça de
São Pedro, às 12h00.
13:00
Buffet no CISA
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sexta-feira, 3 de outubro de 2014
HELOÍSA HELENA: Eu recomendo o seu voto.
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A Carmelita Missionária: Epifania de uma identidade.
*Dom frei Vital Wilderink, O. Carm. In Memoriam.
"Sem mim,
não podeis fazer nada" (Jo 15,5). Expressão paradoxal que, aparentemente,
denota uma falta de identidade própria.
A psicologia poderia comentar: a pessoa que se encontra em tais
condições ainda não se encontrou a si mesma.
De fato, hoje deve haver muitas pessoas assim, que encontram na moda a
única evidência convincente. E, permanecendo ainda no nível da psicologia,
podemos acrescentar: faltou a tais pessoas um encontro vivo. Quem não se depara com uma presença viva que
suscita uma atração e nos provoca, não
vai descobrir seu próprio coração" sede das nossas exigências e opções
fundamentais. Não faltam na nossa época
moderna e pós-moderna tendências e realidades que prolongam a escravidão, o
sem-sentido que impedem o agir verdadeiramente libertador.
O projeto
"Rumo ao novo milênio" em preparação ao Jubileu da Encarnação do
Filho de Deus, é um projeto de evangelização, de epifania da identidade. É um
projeto de restauração da humanidade, de reparação que encontra em Cristo sua
referência viva. É um desafio porque a cada passo esbarramos com um poder que
tenta atrofiar o desejo humano, "andando em derredor como um leão que
ruge, procurando a quem devorar" (1 Pd 5, 8). As palavras da carta de Pedro, inseridas na
Regra do Carmelo, não perderam a sua atualidade. Basta constatar as situações das nossas
sociedades em nível político, sócio-econômico e cultural. Um historiador do
século XX concluía sua obra mais recente: "Se a humanidade quer ter um
futuro reconhecível, não pode ser pelo prolongamento do passado ou do presente.
Se tentarmos construir o terceiro milênio nessa base, vamos
fracassar". O escritor em questão
prescinde de quaisquer critérios hauridos numa fé religiosa. No entanto, as
suas argumentações e conclusões baseadas em ciências sociais e econômicas, não
deixam de questionar a nossa fé cristã. O mistério da Encarnação de Deus na
precariedade da historia humana, faz com que o cristianismo seja uma realidade
voltada para o futuro porque mais centrado numa presença do que numa utopia. É
desta Presença que se alimenta a identidade espiritual da Carmelita missionária
e a sua esperança que deverá impedir que a sua ação missionária se limite a uma
pastoral de simples manutenção.
Madre Maria
Crocifissa vivia de uma presença.
Presença que nela provocava experiências místicas de encontro com
Cristo, seu Amado. Encontro que lhe
fazia compreender melhor a situação daqueles que vivem sem sentido. E nesse encontro ela acompanhava o seu Amado
até a sua paixão redentora. É neste ponto que ela se faz solidária com os
vencidos do mundo e se acende a sua sensibilidade profética diante do mal. É
deste seu encontro com Jesus que brota o seu desejo de reparação que sobe até
Deus que se envolve na historia e no destino da humanidade, sofre com seus desvios,
mas não a abandona. Madre Crocifissa
vivia apegada aos sinais da Presença do Senhor.
Se ela os encontrava na Eucaristia, no Coração de Jesus, em Maria, nos
Santos, marcados sem dúvida pelo contexto eclesial de sua época, é porque a
totalidade de sua vida quotidiana era atingida pela presença do Senhor.
A Carmelita
missionária, filha de Madre Crocifissa, só encontrará a sua identidade
espiritual no encontro com o Senhor.
Trata-se de uma experiência de fé viva, não de uma prática devocional. No fundo, trata-se de fazer ressoar a
pergunta feita por Jesus a seus discípulos: "Para vós, quem sou
eu?". Ligada a esta pergunta,
existe uma outra: o que significa crer em Jesus Cristo hoje? O homem e a mulher
de hoje, (e não há razão para não identificar-nos com eles), se encontram numa
situação muito semelhante à do cego de nascença (Jo 9.1-41). Jesus se dirige a
ele: "Tu crês no Filho do Homem?". É melhor ter a simplicidade do
mesmo cego: "Mas, quem é, Senhor, para que eu creia nele?". É só
assim que começamos a crer. É preciso reconhecer que uma configuração histórica
do cristianismo (também aquela da Madre Crocifissa) parece estar se esgotando e
com ela a plausibilidade social que servia de suporte a uma maneira de crer, de
viver e de transmitir a fé. A questão da identidade espiritual da Carmelita
missionária se coloca hoje em termos diferentes. Mas sempre vale como lei universal: a pessoa
torna-se presente a si mesma num encontro. Estamos agraciados pela presença de
Deus, mas não é fácil percebê-1a. Aderir
à pessoa de Jesus Cristo deixou de ser algo "evidente". Somos afetados por uma situação de
desamparo. Tem-se a impressão de que uma
porta se interpõe entre a presença de Deus e a nossa condição e situação
atuais. "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a
porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refeição, eu com ele e ele
comigo" (Ap 3,20). Se a porta nos oculta a presença, será que ela pode
converter-se em lugar onde ressoa o chamado, em ocasião de nossa resposta e disponibilidade?
Não vamos
descrever detalhadamente as dificuldades que o nosso tempo tem para descobrir a
presença de Deus. Basta lembrar-nos do fenômeno da secularização que apagou em
extensas zonas da vida pessoal e social os sinais da presença de Deus que, ao
longo da historia, o homem vinha descobrindo. A razão tornou-se a medida das
coisas; o que levou a um desencantamento do mundo e fez o homem escravo do
outro homem. Esse desencanto dificulta
enormemente a percepção dos elementos como símbolos de uma realidade de outra
ordem. O desencanto oculta as dimensões mais profundas, o lado inefável das
coisas que antes levavam o homem a dar um rosto à presença do
Transcendente. A secularização da
cultura é um processo que vai penetrando também na consciência do homem. Ao declarar a autonomia da ordem social, da
ordem da razão e da ordem ética, o homem se faz surdo a todo chamado religioso
e fica "sem noticias" de Deus.
O silêncio de
Deus adquiriu nos últimos tempos uma nova forma. Para muitos os gritos dos oprimidos eram um
rumor da presença de Deus. Hoje, cada
vez mais, nos acostumamos ao clamor das vítimas de toda sorte de violência e de
injustiça. Penso no continente africano tão visivelmente marginalizado porque
não traz interesses para o sistema reinante.
Penso nos meninos da rua, nos que morrem por balas direcionadas ou
perdidas nas ruas do Rio de Janeiro.
Penso em adversários políticos que se eliminam mutuamente... Não vale a
pena dar-se ao trabalho de identificar os desonestos e corruptos porque tudo
termina em "pizza" mesmo! Há
portas largas que se escancaram para o não-sentido. Portas que, ao mesmo tempo, abrem campos para
restaurar a humanidade:
"Assim diz
o Senhor: No tempo da graça eu te escutei, no dia da salvação eu te ajudei. Eu
te guardei e coloquei como aliança entre o povo, para reergueres o país,
devolveres as propriedades arrasadas, para dizeres aos cativos: Saí livres!,
aos presos em cárcere escuro: Vinde para a luz" (Is 49,8).
"Recapitular
tudo em Cristo" diria São Paulo (Ef 1, 10). Trata-se de centrar em Cristo todos os seres.
Foi esse o projeto programático da vida de Madre Crocifissa. Está aí o segredo da reparação em que insiste
no seu diário espiritual e nas suas cartas.
Ela se deixa atingir, ela primeira, por esse centrar-se em Cristo. Percebe com lucidez o quanto ela mesma
necessita. É nisto que ela se empenha com sua oração, suas mortificações. Não há nenhum aspecto da sua vida que pode
ficar fora desse movimento. Esforçada,
firme também com suas filhas, ela sabe ao mesmo tempo, que a iniciativa desse
movimento para Cristo pertence à misericórdia de Deus.
Seria
interessante pesquisar como, mesmo nas peculiaridades pessoais da Madre
Crocifissa, ressoa aqui a influência de Sta Teresinha. Não é sem razão que o nome dessa jovem carmelita
francesa figura no próprio título da Congregação. Oferecer-se como vítima tem
nas duas carmelitas matizes diferentes, pelo menos enquanto pude depreender dos
escritos de ambas. Madre Crocifissa
também fala constantemente em "offrirsi vittima assieme alla Prima Vittima
d'Amore". Ela se sente vítima enquanto unida a Cristo vítima, considerado
na sua Paixão, sempre em vista da reparação.
Seguindo a espiritualidade da sua época, a reparação é vista na perspectiva
da justiça divina. Esta reparação encontra
a sua fonte sacramental no Coração eucarístico de Jesus. Mas o que motiva o seu desejo de reparação é
sempre o amor, amor que nos seus escritos assume as características de um amor
esponsal. Faltam-nos os dados para poder
acompanhar Madre Crocifissa, até a sua morte em 4 de julho de 1957, nesse seu
itinerário de amor reparador.
Teresa de
Lisieux morre jovem, muito jovem, com apenas 24 anos de idade. Um ano antes de sua morte, ela escreve a sua
irmã Marie du Sacré-Coeur: "No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o
amor". Levando em consideração o
clima jansenista que se respirava na sua época, também no Carmelo de Lisieux,
as suas palavras denotam um conhecimento surpreendente de Deus e da Igreja. Teresa tem uma única preocupação: a união com
Deus união de amor na oferta de si mesma em resposta ao dom de Cristo. Como Madre Crocifissa ela se sente arrastada
por esse oceano de amor sempre em movimento, amor que só deseja doar-se. Também Teresa se une ao próprio sofrimento ao
Cristo sofredor. Como Madre Crocifissa, ela sente um grande desejo de trabalhar
pela conversão dos pecadores. Ela vivia
numa época em que o racionalismo e o cientificismo espalhavam uma descrença
agressiva e um anti-clericalismo sarcástico.
Teresa sofre, entrando ela mesma nas trevas, na noite da fé, sentando-se
à mesa com os pecadores. Mas ela não
cessa de amar o Esposo, na própria aceitação da sua ausência.
*Dom Frei Vital Wilderink, O Carm, foi
vítima de um acidente de automóvel quando retornava para o Eremitério, “Fonte de
Elias”, no alto do Rio das Pedras, nas montanhas de Lídice, distrito do
município de Rio Claro, no estado do Rio de Janeiro. O acidente ocorreu no dia
11 de junho de 2014. O sepultamento foi na cidade de Itaguaí/RJ, no dia 12, na
Catedral de São Francisco Xavier, Diocese esta onde ele foi o primeiro Bispo.
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quinta-feira, 2 de outubro de 2014
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 699. Anjos existem?
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quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Teresinha, Doutora do Amor.
*Dom Frei Vital Wilderink, O. Carm. In Memoriam
Em 1998 Teresa de Lisieux foi proclamada
Doutora da Igreja pelo Papa João Paulo II. Já no pontificado de Pio XI que a
canonizou em 1925, houve tentativas de conceder a Santa Teresinha o título de
Doutora da Igreja. Malgrado sua profunda
devoção à nova Santa que ele chamava de
“Estrela do meu Pontificado”, Pio XI não atendeu a essa expectativa. O
motivo? Porque se tratava de uma mulher. Mais tarde, duas outras santas
mulheres receberam o título: Santa Teresa de Ávila e Santa Catarina de Sena.
Hoje existe um movimento para que uma terceira carmelita, Edith Stein, seja proclamada
doutora da Igreja. A condição feminina parece hoje um elemento até favorável
para mostrar que a Igreja não é machista.
Doutor da Igreja é um título oficialmente
dado pelo Magistério da Igreja a certos escritores notáveis, tanto pela santidade
de vida quanto pela importância e ortodoxia de sua doutrina. Sem dúvida, houve
outros que ao longo dos séculos seguiram o pequeno
caminho, como a Virgem Maria, mas devemos reconhecer que foi Santa
Teresinha que lhe deu um brilho e uma influência universal. Pode-se perguntar o
que existe de próprio na doutrina teresiana. Vários aspectos poderiam ser
apontados, mas o centro é, sem dúvida, o amor. Amor, palavra muitas vezes
banalizada. Teresa lhe devolve a sua seriedade ao fazer dele a sua própria
vocação.
A caridade deu me a chave de minha vocação.
Compreendi que, se a Igreja tinha corpo, composto de vários membros, não lhe
faltava o mais necessário, o mais nobre de todos. Compreendi que a Igreja tinha
coração, e que o coração era ardente de amor. Compreendi que só o amor fazia os
membros da Igreja atuarem, e que se o amor se extinguisse, os apóstolos já não
anunciariam o Evangelho e os mártires se recusariam a derramar seu sangue. Compreendi que o amor abrange
todas as vocações, alcançando todos os tempos e todos os lugares. Numa palavra
é terno. Então no transporte de minha delirante alegria, pus-me a exclamar: Ó
Jesus, meu amor, minha vocação, encontrei-a afinal: MINHA VOCAÇÃO É O AMOR.[1]
Amor será também a última palavra que ela
pronuncia na sua agonia: “Oh! eu o amo!... Meu Deus... eu vos amo!...”.[2] Desde cedo, antes de entrar na sua
adolescência, Teresa “sentia o desejo de amar só a Deus, de não encontrar
alegria senão nele”.[3] Já no fim da vida, o mesmo desejo, amadurecido
e purificado pelo sofrimento: “Vós o sabeis, ó meu Deus, nunca desejei outra
coisa senão amar-vos, não cobiço outra glória. Vosso amor sempre me preveniu
desde a infância, comigo cresceu, e agora se tornou um abismo, cuja profundeza
não sei calcular. Amor atrai amor. Por isso, meu Jesus, o meu se atira em vossa
direção, querendo atestar o abismo que o empuxa, mas infelizmente não representaria
sequer uma gota de orvalho, diluída no oceano! Para vos amar como vós me amais,
ser-me-ia necessário lançar mão de vosso próprio amor”.[4]
Poderíamos perguntar se Teresa em todas essas
declarações de amor, não manifesta uma ilusão de estar abrigada numa torre de
marfim, fechada no seu eu que ela projeta num amor de Deus. Não faz lembrar
Teresinha menina, que em passeio vespertino, segurando a mão de seu pai pedia-lhe que a guiasse? “Então, não querendo ver nada desta terra
mesquinha, sem olhar onde punha os pés, erguia a cabecinha bem alto para o ar,
e não me cansava de contemplar o azul do céu estrelado!”[5] A autenticidade do nosso amor a Deus não se
manifesta na qualidade do nosso amor aos outros nas realidades concretas onde
se desenvolve a nossa existência? Certo, Teresa nunca deixou de sonhar com o
dia em que estaria reunida com toda a sua família no Céu. Saudades sublimadas
do tempo de Les Buissonnets, ninho de
sua infância? É descobrindo o amor de
Deus que Teresa faz o caminho de volta, da fugacidade do tempo e de todas as
coisas para a preciosidade do momento presente:
“Que me importa, Senhor, se no
futuro há sombra?
Rezar pelo amanhã? Minha alma
não consente!
Guarda meu coração puro!
Cobre-me com tua sombra
Agora, no presente!”
Se penso no amanhã, temo ser
inconstante,
vejo nascer em meu coração a
tristeza e o enfado.
Eu quero, Deus meu, o
sofrimento, a prova torturante
Agora, no presente!”[6]
Teresa saiu do seu eu com seus inúmeros
desejos de tira-gosto. O que sobrou foi o desejo do desejo de amar a Deus. Suas três irmãs de sangue, carmelitas no
mesmo mosteiro, se reuniam junto à cama da caçula da família. Escutemos o diálogo:
“O que você quer que digamos hoje?
...A melhor coisa seria não dizer absolutamente nada, porque, para dizer a
verdade, não há nada para dizer. Tudo já foi dito, não é? Teresa fez um lindo sinalzinho com a cabeça: Foi! ... Sofro somente um instante. Nós nos
desanimamos e desesperamos apenas por pensarmos no passado e no futuro”.[7] Quem tem consciência de morar no amor de
Deus, tem outra maneira de relacionar-se com o tempo. Não faz as coisas para
poder fazer outras. Ele é o que faz.[8]
A confiança e o abandono nas
mãos de Deus e o sentir-se amada por Ele é em Teresa a fonte do amor aos
outros. Deus é a única opção de Teresa. Mas o amor entre os dois não é um
diálogo fechado. O mundo está presente nele. É um diálogo no tempo e na
história que encontra a sua fonte no mistério da Encarnação, e, de modo denso,
no mistério da Paixão de Cristo.
“Como a torrente, lançando-se
com ímpeto no oceano, arrasta após si tudo quanto encontra de passagem, assim
também, ó meu Jesus, a alma que imerge no ilimitado oceano de vosso amor,
arrebata consigo todos os tesouros que possui... Senhor, vós o sabeis, não
tenho outros tesouros senão as almas que vos aprouve unir à minha. Tais
tesouros, fostes vós que mos confiastes”.[9]
Teresa não seleciona as almas. É verdade que
ela pensa nos pequenos. Ficaria até feliz se Deus pudesse encontrar almas que,
em relação a ela, ganhassem em pequenez porque o critério será sempre a
misericórdia divina. Pois foi do agrado do Pai revelar estas coisas aos
pequeninos (Mt 11, 26). Teresa recorre
freqüentemente às cartas de São Paulo. Também no tema da misericórdia de Deus,
ela se reconhece no Apóstolo dos Gentios:
“Jesus não chama os que disso
são dignos, mas o que são de seu agrado, ou conforme diz São Paulo: ‘Deus tem
compaixão de quem lhe apraz, e faz misericórdia a quem Ele quer aplicar misericórdia.
Isto, portanto, não depende de quem quer, nem de quem corre, mas de Deus que se
compadece”(Rm 9, 15-16).
O pensamento de Teresa não é arbitrário, mas atinge o mistério
insondável da salvação. Por isso mesmo descobre a sua vocação de amor no
coração da Igreja, como uma vocação profundamente apostólica:
“Tenho vocação de ser apóstola...
Quisera percorrer a terra, apregoar teu nome, e cantar em terra de infiéis tua
gloriosa Cruz. Mas, ó meu Bem-Amado, uma única missão não me seria bastante.
Quisera anunciar, ao mesmo tempo, o Evangelho pelas cinco partes do mundo até
as ilhas mais remotas... Quisera ser missionária não só por alguns anos, mas
quisera sê-lo desde a criação do mundo, e sê-lo até a consumação dos séculos...
Mas, acima de tudo, quisera, ó meu amado Salvador, por ti quisera derramar meu
sangue até a última gota...”.[10]
De novo surge a tentação do ceticismo para
quem a linguagem e a empolgação de
Teresa pode parecer uma fuga da vida cotidiana que ela levava no Carmelo de
Lisieux. Ambiente em que não faltavam relacionamentos eivados de autoritarismo,
mesquinhez e ciúme, que facilmente aumentam o volume da sua ressonância afetiva
quando o espaço do mosteiro é reduzido pelo clausura, mas habitado por um
número não pequeno de religiosas. As “alfinetadas” de que Teresa fala, fazem
sonhar com horizontes mais amplos. Mas o
horizonte de Teresa não é feito de um sonho, mas é “o próprio Jesus, esta divina realidade” como ela
sublinha. Ainda postulante, ela escreve para sua irmã Celina: “Antes de morrer
pela espada, morramos às alfinetadas”.[11] As renúncias não procuradas que a cada momento
se apresentam no relacionamento com as irmãs, principalmente no trato com as
noviças por cuja formação Teresa é responsável, fazem-lhe descobrir e também
ensinar melhor o seu pequeno caminho de amor. Teresa não quer saber de gestos
heróicos de santidade. Para ela o ponto de referência é Jesus, que ela quer
seguir amando. Jesus, o Filho de Deus que veio para fazer a vontade do Pai.
Vontade que consiste em dar ao mundo o Filho, e nele o amor do Deus-Trindade.
Um mês antes de sua morte, perguntaram-lhe se ficaria contente se soubesse que
dentro de alguns dias iria morrer, ou se preferiria receber um aviso de que o
seu sofrimento iria aumentar durante um longo período ainda. A resposta de
Teresa: “Oh! não, absolutamente, não ficaria mais contente. A única coisa que
me deixa contente é fazer a vontade do bom Deus”.[12] Quando Teresa fala, reagindo às observações
das suas irmãs que cuidam da enferma, as suas palavras não armam ao efeito.
Seus comentários às admiradoras de sua paciência, beleza ou santidade, revelam
um senso de humor que desloca a atenção para o seu Amado: “Bom, tanto melhor!
Mas gostaria que o bom Deus o dissesse”.[13]
* Dom Frei Vital
Wilderink, O Carm, foi vítima de um acidente de automóvel quando retornava para
o Eremitério, “Fonte de Elias”, no alto do Rio das Pedras, nas montanhas de
Lídice, distrito do município de Rio Claro, no estado do Rio de Janeiro. O
acidente ocorreu no dia 11 de junho de 2014. O sepultamento foi na cidade de
Itaguaí/RJ, no dia 12, na Catedral de São Francisco Xavier, Diocese esta onde
ele foi o primeiro Bispo.
[1]
História de uma alma IX, 254
(Manuscrito B 3v)
[2]
CA 30.09
[3]
História de uma alma IV 113
(Manuscrito A 36)
[4]
Ibid.
XI 336 (Manuscrito 35)
[5]
Ibid. II 62 (Manuscrito A 18).
[6]
Poesia 5 Meu canto de hoje.
[7]
CA 19.08. 8.10.
[8]
A expressão é de C.S. Lewis (1898-1963) na sua autobiografia espiritual: “I am
what I do”.
[9]
História de uma alma XI 334-335
(Manuscrito C 34).
[11] CT 86.
[12] CA 20.08.2.
[13]
CA 3.92.
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Artigos do Frei Petrônio de Miranda
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Santa Teresinha
Santa Teresinha: A Festa dos seus quinze anos.
*Dom Frei Vital Wilderink, O. Carm. In Memoriam
Com 15 anos de idade, Teresa Martin queria
entrar no Carmelo. Acompanhada de seu pai, foi falar com o Bispo diocesano para
conseguir a autorização. Levantou os cabelos para parecer mais velha. Não
adiantou. Aproveitou de uma viagem à Itália para pedir licença ao Papa Leão XIII.
Também a audiência com o Papa não parecia ter dado resultado. Mas o interesse
dele pelo caso de Teresinha levou o Bispo a conceder a tão esperada licença.
Dia 30 de setembro de 1897, Teresa morre no
mosteiro das carmelitas de Lisieux. Seus dois pulmões estavam gravemente
atingidos pela tuberculose. Sufocada, ela pronuncia suas últimas palavras: “Meu
Deus...eu... vos amo”!
Celebramos o primeiro
centenário da morte dessa jovem carmelita. Inúmeros livros foram escritos sobre
o breve percurso da sua vida. Pode ser que nem todos sejamos entusiastas de sua
“História de uma alma”. A sua linguagem, marcada por um universo religioso que
não é nosso, pode provocar em leitores do nosso tempo uma certa alergia. Como
não é a todos que agrada a tradicional imagem da santa desfolhando pétalas das
rosas que ela segura nos braços. No entanto, se por baixo desses enfeites não
houvesse um segredo mais profundo, não se explicaria a atração que, durante o
último século, Teresa de Lisieux tem exercido sobre inúmeros católicos. Mesmo
no Brasil existem cerca de 111 paróquias dedicadas a ela, sem contar as capelas.
O que, sem dúvida,
chamou a atenção do mundo cristão foi a espiritualidade de Teresinha. Ela mesma
falava do seu Pequeno Caminho. Não foi a partir de uma teoria bem elaborada
mas a partir de sua experiência de cada
dia que ela reconheceu e aceitou progressivamente a sua pequenez e fragilidade.
Mesmo com seus imensos desejos, ela
descobriu
que só tinha pequenas coisas para oferecer a Deus. Tanto assim que
pessoas próximas a ela questionavam a santidade da jovem carmelita. É que a
pequenez e a confiança em Deus constituíam o fundamento da sua doutrina. Ela
descobre no seu amor próprio a causa de suas inquietações, de suas tristezas e
das humilhações que a deixam aborrecida. Não se revolta contra essa descoberta
mas encara de frente a sua realidade. Nem por isto renuncia aos seus desejos audaciosos para entregar-se a uma mediocridade. Sabe
fazer de sua fragilidade o material para servir ao seu projeto de santidade.
Entendeu que sua fraqueza não a afastava de Deus que veio ao nosso mundo, para
partilhar na precariedade humana a pobreza radical do homem a fim de transformá-la
na sua força divina. Esta consciência leva Teresinha a sentar-se à mesa dos
pobres e dos pecadores. Sua fé e esperança a fazem oferecer-se como vítima ao
amor misericordioso de Deus. É o segredo do seu elã missionário no qual ela quer atingir a todos,
sem exclusão, mesmo os ateus, para que encontrem o caminho para o amor de Deus
que salva e liberta.
Mas o seu Pequeno Caminho precisava ser testado.
Se a fé e a esperança faziam crescer a sua entrega de amor, esta continuaria
mesma numa aparente ausência de fé e esperança?
Nos últimos dezoito
meses da sua vida, a fé de Teresinha foi duramente provada. Ela já estava
atingida pela tuberculose quando, na noite de 2 ao 3 de abril de 1896, a doença
se manifestou por uma primeira expectoração de sangue. Alguns dias depois a sua
alma começou a ser torturada por dúvidas sobre a fé. Se os seus sofrimentos
físicos, sempre mais fortes, já
provocavam uma sensação de impotência, a noite das dúvidas tirava o último
apoio para suportá-los. O olhar da fé dá uma visão nova da vida. É dentro dessa
visão que o cristão encontra o sentido da existência, a razão de ser, de viver,
de agir, de servir e de sofrer. Uma prova de fé questiona tudo o que a pessoa
suporta. Provoca nela uma vertigem, a vertigem do nada. Todo o equilíbrio de
seu ser é ameaçado. “Acreditas sair um dia do nevoeiro que te envolve, avança,
avança, alegra-te com a morte que te
dará, não aquilo que tu esperas, mas uma noite ainda mais profunda, a noite do
nada”. Quem poderia ter escrito essas palavras, seria Nietzsche, filósofo contemporâneo
de Teresa, que proclamou a morte de Deus. Mas foi a própria Teresinha que as
escreveu na sua cama, três meses antes
de morrer. Ela acrescentava: “Não quero escrever mais, receio blasfemar...
receio até ter falado demais...”.
Teresa vivia na França
do fim do século XIX. Época em que o racionalismo e o cientismo espalhavam uma
descrença agressiva e um anticlericalismo sarcástico. Teresa, mergulhada na
noite da dúvidas, compreende que certos
ateus podem de boa fé e sem ir
contra seu pensamento negar a existência do Céu. Mesma tendo guardado a sua
inocência batismal, Teresa chega até o fundo da sua pequenez e, desta maneira,
ao núcleo daquilo que constituía toda a sua razão de viver: sua relação com
Deus. É uma tomada de consciência, uma aceitação. Jamais poderia suportar com lucidez essa
desapropriação de si mesma, se não fosse habitada por um grande Amor, mistério
que vai além de suas próprias iniciativas e possibilidades. A descoberta desse
mistério maior de Deus, se faz a partir da experiência das nossas mãos vazias.
É disto que brota em Teresa a atitude de confiança e de abandono. É o caminho
que ela indica para todos, sentando-se à mesa dos incrédulos e pecadores.
A nossa época não
conhece o ateísmo virulento do tempo de Teresinha. O que sempre mais se impõe
em nossos dias é uma espécie de vazio que nenhuma ideologia consegue preencher.
A ciência e a tecnologia fazem o homem viver no ritmo de “projetos”. São
valores relativos mas que não geram uma sabedoria, um sentido último de todos
esses significados particulares. Há uma sensação de banalidade que escurecem o
sentido da própria vida e história humana.
Teresa de Lisieux, figura simples e afável,
aparentemente sem problemas, mas mergulhada nas torturas da dúvida, provoca uma
brecha na crosta das verdades convencionais do homem moderno. Sentemo-nos com
ela à mesa para que nos fale da sua vida tão cheia de humanidade e de sabor de
Deus.
* *Dom Frei Vital
Wilderink, O Carm, foi vítima de um acidente de automóvel quando retornava para
o Eremitério, “Fonte de Elias”, no alto do Rio das Pedras, nas montanhas de
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