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quinta-feira, 12 de março de 2015

Os ‘lobos’ retornam ao Vaticano

Setores da Cúria que atacaram Bento XVI no passado agora buscam impedir que Francisco ceda às pressões da Itália para que a Santa Sé deixe de ser um paraíso fiscal.

Os lobos do Vaticano – poderosos setores da Cúria que pressionaram Bento XVI até obter sua renúncia, em fevereiro de 2013 – estão de volta. Eles permaneciam escondidos desde então, contemplando com certo desgosto as tentativas de abertura feitas por Francisco às novas formas de família e os pronunciamentos sociais dele, distantes do estilo acadêmico, que fazem muitos católicos recuperarem a fé na Igreja e muitos líderes mundiais voltarem seus olhos para Roma. Mas agora, justamente quando o papa Jorge Mario Bergoglio pretende de uma vez por todas tornar menos opacas as finanças do Vaticano – aprovando severas leis internas de transparência e negociando com o Governo italiano para que a Santa Sé deixe de ser um paraíso fiscal –, esses lobos do poder e do dinheiro estão tentando evitar esse processo de regularização com as mesmas armas que usaram contra o alemão Joseph Ratzinger: o vazamento de documentos envenenados, de modo a semear a dúvida e a divisão entre o Papa e seus colaboradores.
Se, como já denunciou jornal L'Osservatore Romano, Bento XVI era "um pastor rodeado por lobos", Francisco é simplesmente um homem sozinho, talvez agora mais do que nunca. Os milhares de fiéis que todas as quartas e domingos lotam a praça de São Pedro – nos tempos de Bento XVI, o movimento se limitava a ônibus fretados para aposentados, com um sanduíche incluído – não imaginam até que ponto Bergoglio permanece isolado e solitário perante a resistência de poderosos setores da Cúria. Não se trata mais da oposição manifesta dos conservadores contra a abertura do Pontífice aos divorciados que voltam a se casar ou aos casais homossexuais, nem do desconforto dos puristas por sua maneira de se expressar. Agora se trata de evitar a todo custo que Bergoglio e o homem que ele trouxe de longe para acabar com o bacanal financeiro, o cardeal australiano George Pell, alcancem seu objetivo de transformar o IOR (Instituto para as Obras da Religião, nome oficial do banco do Vaticano) em algo que nunca foi: uma instituição transparente.
Os vazamentos buscam debilitar Pell, revelando supostos gastos com voos, alfaiates e salários de colaboradores, justamente no momento em que tanto o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, como o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, admitiram que as negociações para acabar com o sigilo bancário no Vaticano estão muito avançadas. Renzi, que nos últimos dias chegou a acordos fiscais com a Suíça, Liechtenstein e Mônaco para eliminar o sigilo bancário, declarou que "a Santa Sé está interessada em fazer uma limpeza" no IOR e que a Itália, habituada nos últimos anos a esbarrar nas grossas muralhas do Vaticano, deseja recuperar "um pouco de dinheiro" das contas de italianos depositadas no menor país do mundo.

Os vazamentos de documentos internos buscam debilitar o Papa
Também Lombardi admitiu que as negociações com a Itália buscam "a transparência mediante a troca de informação com fins fiscais". Em outras palavras, ainda falta terminar a grande operação de limpeza que foi iniciada timidamente por Bento XVI em 2011 e que Francisco prosseguiu, fechando 3.000 contas suspeitas e congelando outras 2.000. E, embora seja possível que o dinheiro mais sujo já tenha fugido como uma alma levada pelo diabo, certos setores da Cúria relutam em perder essa opacidade que tornava tão atraente um paraíso fiscal no coração de Roma, mas ao mesmo tempo tão distante da Itália.
O método de semear a discórdia entre Francisco e o cardeal Pell é calcado nas manobras que conseguiram isolar e depois derrubar Bento XVI: o vazamento de documentos sigilosos. "Se você observar", confidencia um alto funcionário da Secretaria de Estado do Vaticano, "o vazamento dos documentos por parte de Paolo Gabriele [o então mordomo de Ratzinger] começou em 2012, justamente quando o papa Bento tentava reformar o IOR, e os vazamentos interessados de agora coincidem com a aprovação dos estatutos da nova Secretaria de Economia. Tanto Ratzinger na época como Bergoglio agora perseguiam o mesmo objetivo: reformar as finanças vaticanas. E os vazamentos – tanto os de então como os de agora – buscam, pelo contrário, impedi-lo de fazer isso. Aquele escândalo provocou um grande sofrimento para Bento XVI e contribuiu para sua abdicação; não acredito que possam fazer o mesmo com Francisco".

Conta-se que Jorge Mario Bergoglio, depois de ler no semanário L'Espresso a transcrição de reuniões internas onde altos prelados se queixavam do grande poder de George Pell e da "sovietização" do Vaticano, pediu explicações ao cardeal australiano, a quem pelo menos até agora descrevia como o seu ranger (patrulheiro). Pell pediu ao Papa que, apesar dos ataques, continue confiando nele. Fonte: http://brasil.elpais.com

terça-feira, 10 de março de 2015

V Centenário do nascimento de Santa Teresa de Ávila, uma santa apaixonada.

"Para Teresa de Jesus, Deus é o que há de mais importante na sua vida, um Deus muito próximo e humano. Diz que podemos encontrá-Lo em toda a parte, especialmente dentro de nós mesmas (os)", escreve Rita Romio, religiosa da Companhia de Santa Teresa de Jesus.

Eis o artigo.
“Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa, Deus não muda,
a paciência tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta,
só Deus basta” Santa Teresa de Jesus (Poesias 9).
Feliz aniversário e felizes vésperas para você, Teresa de Jesus. Estamos em festa, gratidão e júbilo! Trata-se de nada mais, nada menos que o V Centenário do seu nascimento, 28 de março de 1515.
Teresa Sánchez de Cepeda y Ahumada, sua luta continua viva entre nós ao recordar a sua força feminina, que marcou história. Provocou um movimento de mulheres com a meta de viver o espírito evangélico como pobres, orantes e iguais, as Carmelitas Descalças. E, como se não bastasse, ao propor isso aos homens, tornou-se um caso raro na história da Igreja, uma mulher reformadora de uma Ordem masculina, os Carmelitas Descalços.
Quem foi esta mulher, nascida em Ávila, Espanha, e que num determinado momento da sua vida decide chamar-se Teresa de Jesus? Qual é o seu segredo que a tornou tão especial que seu nome atravessou cinco séculos de existência, e que foi proclamada Doutora da Igreja? Por que sua vida e escritos continuam despertando apaixonado interesse em muitas seguidoras e seguidores? [1]
Certamente, o que a torna fascinante e atual é a narração da sua experiência de integração humana em todas as suas dimensões. Lutou muito para encontrar a verdade. Realizando a descoberta do Transcendente, sua vida se torna uma contínua paixão por Deus e pela humanidade. Enfrenta muitas adversidades, mas assume a sua missão com “determinada determinação”.
A leitura dos seus escritos desperta as leitoras e leitores, para a aventura da amizade com o Transcendente, como Alguém que ela encontrou e que deu sentido à sua existência, ao seu agir[2]. Com uma espiritualidade amorosa, libertadora e apaixonada, incentiva a descoberta de Deus dentro de nós, numa relação de amizade com Alguém que nos ama e “sempre nos espera”.
Para Teresa de Jesus, Deus é o que há de mais importante na sua vida, um Deus muito próximo e humano. Diz que podemos encontrá-Lo em toda a parte, especialmente dentro de nós mesmas (os). Ao escrever sua experiência espiritual, fruto da sua amizade com Deus e com as pessoas, nos deixou o legado de uma espiritualidade para o nosso tempo, podendo encontrá-la em seus vários escritos.
Santa Teresa escreve sobre sua busca e experiência de amizade com as pessoas e com Deus: “Não direi coisa que não tenha experimentado muito”(V 18, 8); “o que disser, tenho-o comprovado por experiência” (V 22, 5; 28, 7).
Trazia consigo a força do amor apaixonado por Deus, por isso anima a permanecer firme no caminho:
“Aos que desejam seguir sem parar, até o fim, até chegar a beber desta água viva, direi como devem começar. Muito importa, e acima de tudo, ter uma grande e firme determinação de não parar até chegar à meta, surja o que surgir, aconteça o que acontecer, custe o que custar, murmure quem murmurar, quer chegue ao fim, quer morra no caminho, ou falte coragem para os trabalhos que nele se encontram. Ainda que o mundo venha abaixo havemos de prosseguir” (C21,2).
Para Teresa a pessoa é como um castelo habitado pela Trindade (IM,1-5) à espera do encontro com sua criatura: “A alma é como um castelo, todo de diamante ou de cristal com muitas moradas. E no centro, a principal, é onde passam as coisas mais secretas entre Deus e a alma”. Nele há muitas moradas, que expressam os distintos níveis da relação que a pessoa tem consigo, com os outros, com Deus e com o mundo. O conhecimento próprio é essencial para essa viagem interior. “A porta para entrar nesse castelo é a oração e reflexão” (IM). Nesse processo, Teresa adverte para não ficar olhando para as misérias humanas, e sim para Jesus Cristo, o grande amigo. É um dinamismo onde a pessoa reconhece sua identidade e o mistério da sua liberdade. Teresa adverte que, quando a pessoa se nega ao Amor, está se fechando em si mesma (IM6-8). E, para fazer frente a uma antropologia egocêntrica, Teresa propõe um dinamismo de êxodo - a pessoa deve entrar dentro de si, autoconhecer-se, aceitando a própria realidade, como também a realidade alheia. A imagem do castelo interior expressa um dinamismo dialético de integração entre interioridade e exterioridade, levando a pessoa a sair de si mesma, vivendo numa relação progressiva de entrega, partilhando seus dons, criando novas relações.
Outra imagem teresiana para expressar o processo de caminhada da pessoa em relação a Deus, é a do bicho-da-seda. Através do símbolo da transformação do bicho-da-seda numa formosa borboleta, Teresa quer expressar o chamado à transformação em Cristo (IIM, 2). Supõe um caminho de morte vida, ganhos e perdas, segundo a lógica do seguimento, trilhado com Cristo e em Cristo. É na vivência do amor que a pessoa integra todas as suas potencialidades. As crises e contradições podem converter-se em lugar de encontro. A pessoa, sabendo-se amada, responde amando. Sente-se convidada a “conhecê-Lo, amá-Lo, torná-Lo conhecido e amado”[3].
Na analogia teresiana, a pessoa que começa a tratar de amizade com Deus “deve fazer de conta que começa a plantar uma horta em terra muito infrutífera, que tem muitas más ervas, para que nele se deleite o Senhor. Sua Majestade arranca as más ervas e vai plantando as boas”(V11,6). A própria pessoa é a horta, exposta às intempéries. Ela mesma deve cultivar o terreno, preparar a terra para que esteja em condições de acolher a água da chuva. Essa água é dom de Deus, o Jardineiro. Teresa sabe que o seguimento de Jesus Cristo é uma opção pessoal, mas também é dom e graça. O símbolo do cultivo da horta é um convite para a escuta, o silêncio, a acolhida, a espera e o reconhecimento do dom gratuito de Deus.
A imagem teresiana da amizade talvez seja a que melhor expressa a experiência teresiana da oração como relação viva e interpessoal com Deus. Supõe amor, intimidade, reciprocidade, realismo e capacidade de relação com as pessoas. Sem esses elementos, é muito difícil que a pessoa possa integrar as suas diversas dimensões. “Para falar com Deus não é necessário ir ao céu, nem falar em altos brados. Ele está tão perto que ouvirá, basta pôr-se em solidão e olhar para dentro de si” (C28,2). É uma comunicação com Deus de coração a coração: “Pensais que ele está calado? Mesmo que não o ouçamos, Ele nos fala ao coração, quando de coração lhe pedimos”(C24,5). Teresa anima para contemplar o Mestre na sua humanidade e assim poder conversar com Ele, não com orações complicadas, mas a partir do coração e da vida, “é isto o que Ele mais preza”, conclui ela. “Juntos caminhemos, Senhor, por onde fordes irei eu, por onde passardes, hei de passar”(C26,6).
Teresa também faz analogia com a imagem da pessoa apaixonada. A vida não é senão entrega e doação apaixonada e apaixonante. É importante observar que Teresa não se fecha num intimismo. A máxima união com Deus é ao mesmo tempo compromisso com o mundo, solidariedade com a humanidade:
“O Senhor quer obras” (M5). “Procurai ser pregadoras em obras” (C 7,7; 15,6). Na oração, “o importante não está em pensar muito, senão em amar muito... Talvez não saibamos o que é amar ... não está no maior gosto, mas na maior determinação de desejar contentar a Deus em tudo” (IVM7; cf. F5,2). “O amor de Deus não consiste nas lágrimas, nas delícias, nas ternuras da oração, mas em servir a Deus com humildade, fortaleza e justiça” (V11,13; IV M1,7). “Se contemplar, ter oração mental, ter oração vocal, curar enfermos, servir nas coisas da casa e trabalhar – mesmo nas tarefas mais humildes –, é servir ao Hóspede que vem ter conosco ficando em nossa companhia, comendo conosco e conosco se recreando, que nos importa servi-Lo mais de uma maneira do que de outra?” (C 17,6). “Ensinai mais com obras que com palavras”(R66; C 5,2).
Para Teresa a missão exige ardor missionário, ou seja, empolgação e ânimo pela causa do Reino.
“Até os pregadores fazem seus sermões de maneira a não descontentar. A intenção é boa, e também a obra, mas, dessa maneira, poucos se corrigem. E qual a razão de não serem muitos os que pela pregação deixam os vícios públicos? Sabe o que me parece? É que os pregadores tem demasiada prudência. Não estão tomados pelo grande fogo do amor de Deus, como estavam os Apóstolos. Dão calor brando. Não digo que os iguale em ardor, mas quisera mais fogo do que agora vejo. ... Os Apóstolos ... não se incomodavam com perder tudo ou ganhar tudo, já que, quem de fato arrisca tudo por Deus, não distingue entre essas coisas (V 16,7).
A caminhada ao seguimento a Jesus Cristo nos pede uma determinação pessoal. Mas não caminhamos sozinhas/os. Para perseverar e avançar no processo, sentimos a necessidade de partilhar e nos animar mutuamente. “Gostaria de insistir que procurem não esconder seu talento (cf. Mt 25,5), pois Deus parece ter querido escolhê-los para beneficiar muitas outras (pessoas), especialmente nesta época em que são necessários amigos fortes de Deus para sustentar os fracos” (V15,5).
Teresa, mulher que soube enfrentar dificuldades, sabia a eficácia de ter um horizonte amplo: “Viste o grande empreendimento a que desejamos nos dedicar. ... Está claro que precisamos trabalhar muito, e muito ajuda ter pensamentos elevados, para que as obras também o sejam” (C 4,1). “É indispensável ter grande confiança. Convém muito não amesquinhar os desejos, e confiar em Deus” (V13,2).
Para esta mulher, que amou e experienciou a humanidade de Jesus Cristo, Deus é aquele que está sempre nos esperando. Não encontrar-se com Ele é “uma pena, muita pena” diz ela. Certamente, a imensa capacidade de apaixonar-se – por si mesma, pelas pessoas, por Deus, e pela humanidade – e manter-se viva por meio da capacidade de doar-se de diversas maneiras, fez com que o nome de Teresa de Ávila chegasse a nós.

NOTAS:
1 - Curiosidades: A francesa Marie Françoise Thérèse Martin (1873-1897), conhecida como Santa Teresinha do Menino Jesus, foi discípula de Teresa de Ávila. Juana Fernández Solar (1900-1920), chilena, hoje conhecida como Santa Teresa dos Andes, ao tornar-se monja carmelita como Santa Teresinha, também assumiu o nome de Teresa de Jesus. A albanesa Anjezë Gonxhe Bojaxhiu M.C. (1910-1997), Madre Teresa de Calcutá, quando se tornou religiosa de Nossa Senhora do Loreto, admiradora da Santa de Ávila, escolhe ser chamada de Teresa. Por considerar muita pretensão se parecer com a santa espanhola, contenta-se em ser parecida com a humilde carmelita de Lisieux, Teresinha do Menino Jesus.
2 - Cf. MOLINS, M.V. “Teresa mudou seu nome!”, Porto Alegre: Padre Réus, 2012, p.5-6.

3 - Lema do sacerdote espanhol Santo Enrique de Ossó e Cervelló que, desde muito jovem, se aproximou de Teresa de Jesus, através da leitura de seus escritos. Cativado pelos ensinamentos da Santa de Ávila, tornou-se seu incansável divulgador. Entre outras obras fundou a Companhia de Santa Teresa de Jesus (1876), as Irmãs Teresianas, desejando que fossem “santas e sábias” como Teresa de Jesus; “outras Teresas de Jesus” na atualidade, com a missão de “conhecer, amar e tornar Jesus Cristo conhecido e amado”. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

A PALAVRA... Nº 823: A Praticidade de uma devoção.

domingo, 8 de março de 2015

FREI PETRÔNIO: Homilia do 3º Domingo da Quaresma.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO-08. (Dia Internacional da mulher)

CARMO DE JUIZ DE FORA- 75 ANOS: Mensagem da Priora.

Francisco planeja canonizar os pais de Santa Teresinha durante sínodo da família

Louis e Marie Zelie Guerin Martin, pais de Santa Teresa de Lisieux (CNS / cortesia do Santuário de Lisieux)
O Papa Francisco deseja canonizar Louis e Zelie Martin, pais de Santa Teresa de Lisieux, durante o Sínodo dos Bispos sobre a família em Outubro.
Cardeal Angelo Amato , prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, líder de uma conferência 27 de fevereiro, sobre o papel dos santos na vida da Igreja, anunciou que "graças a Deus, em outubro de ambos os cônjuges, pais de Santa Teresinha de Lisieux , será canonizado. "
Blessed Louis e Marie Zelie Guerin Martin se casaram em 1858. O casal teve nove filhos, mas quatro deles morreram na infância. Os cinco que sobreviveram - incluindo St. Therese - tudo entrou na vida religiosa. Zelie Martin morreu de câncer em 1877, com a idade de 45 anos; o marido morreu quando ele tinha 70 anos em 1894.
O casal foi beatificado em 2008. Acredita-se que os primeiros pais de santo a ser beatificados, com destaque para os pais papel importante que desempenham na educação humana e espiritual de seus filhos.
Seguindo normais Vaticano procedimentos, antes de sua canonização do papa teria de reconhecer um milagre que ocorreu após as orações para a intercessão do casal diante de Deus. O decreto deverá ser assinado antes da Páscoa.
O próximo passo seria que o papa para consultar com os cardeais da Igreja e mantenha um consistório com cardeais presentes em Roma para anunciar a decisão de prosseguir com a cerimônia durante o Sínodo dos Bispos sobre a família 04-25 outubro. A autoridade do Vaticano disse que provavelmente reunião terá lugar em Junho.
De acordo com o site do santuário Lisieux, um milagre que está sendo estudada para o casal canonização envolve uma menina na diocese de Valência, na Espanha. Nascido prematuramente e com múltiplas complicações com risco de vida, Carmen sofreu uma grande hemorragia cerebral, o que poderia ter causado danos irreversíveis. Seus pais oraram por intercessão do casal. A menina sobreviveu e é saudável.
Papa Francis tem uma especial devoção a Santa Teresinha. O papa usado para manter uma foto da freira carmelita francesa do século 19 em sua prateleira da biblioteca quando era arcebispo de Buenos Aires, Argentina. Ele disse que quando ele tem um problema, ele pede St. Therese "não para resolvê-lo, mas para levá-la em suas mãos e me ajude a aceitá-lo." Como um sinal de que ela ouviu seu pedido, ele disse: "Eu quase sempre receber uma rosa branca."
Antes de abrir a outubro 2014 reunião do Sínodo Extraordinário dos Bispos sobre a família, o Papa Francis venerou as relíquias de Santa Teresa, seus pais e um outro casal, o Beato Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi; as relíquias foram levadas a Roma especificamente para orações durante as discussões dos bispos sobre a vida familiar.
Tradução: Google

CARMO DE JUIZ DE FORA- 75 ANOS: Mensagem do Monsenhor Falabella

sábado, 7 de março de 2015

3º Domingo da Quaresma: Um templo novo ( JO 2, 13-25).

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo. João 2, 13-25 que corresponde ao Terceiro Domingo de Quaresma, Ciclo B, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto
Os quatro evangelistas fazem-se eco do gesto provocador de Jesus expulsando do templo “vendedores” de animais e “cambistas” de dinheiro. Não pode suportar ver a casa do Seu Pai cheia de pessoas que vivem do culto. A Deus não se compra com “sacrifícios”.
Mas João, o último evangelista, acrescenta um diálogo com os judeus em que Jesus afirma de forma solene que, após a destruição do templo, Ele “o levantará em três dias”. Ninguém pode entender o que diz. Por isso, o evangelista acrescenta: “Jesus falava do templo do Seu corpo”.
Não esqueçamos que João escreve o seu evangelho quando o templo de Jerusalém leva vinte ou trinta anos destruído. Muitos judeus sentem-se órfãos. O templo era o coração da sua religião. Como poderão sobreviver sem a presença de Deus no meio do povo?
O evangelista recorda aos seguidores de Jesus que eles não têm de sentir nostalgia do velho templo. Jesus, “destruído” pelas autoridades religiosas, mas “ressuscitado” pelo Pai, é o “novo templo”. Não é uma metáfora atrevida. É uma realidade que irá marcar para sempre a relação dos cristãos com Deus.
Para quem vê em Jesus o novo templo onde habita Deus, tudo é diferente. Para encontrar-se com Deus, não basta entrar numa igreja. É necessário aproximar-se de Jesus, entrar no Seu projeto, seguir os Seus passos, viver com o Seu espírito.
Neste novo templo que é Jesus, para adorar a Deus não bastam o incenso, as aclamações nem as liturgias solenes. Os verdadeiros adoradores são aqueles que vivem ante Deus “em espírito e em verdade”. A verdadeira adoração consiste em viver com o “Espírito” de Jesus na “Verdade” do Evangelho. Sem isto, o culto é “adoração vazia”.
As portas deste novo templo que é Jesus estão abertas a todos. Ninguém está excluído. Podem entrar nele os pecadores, os impuros e, inclusive, os pagãos. O Deus que habita em Jesus é de todos e para todos. Neste templo não se faz discriminação alguma. Não há espaços diferentes para homens e para mulheres. Em Cristo já “não há varão e mulher”. Não há raças elegidas nem povos excluídos. Os únicos preferidos são os necessitados de amor e vida. Necessitamos igrejas e templos para celebrar Jesus como Senhor, mas Ele é o nosso verdadeiro templo.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 821: Jesus chutou o pau na barraca.

75 ANOS DO SODALÍCIO DE JUIZ DE FORA: Vinheta da Festa.

A lista do Ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

Se você votou em um deles, você também está na lista. O quê! Isso mesmo! Se você votou em um nesta lista, você é o responsável indireto pela corrupção.      

Vice-governador
João Leão (PP-BA) – vice-governador da Bahia
Senadores
Renan Calheiros (PMDB-AL) – presidente do Senado e do Congresso Nacional
Antonio Anastasia (PSDB-MG)
Benedito de Lira (PP-AL)
Ciro Nogueira (PP-PI) – senador pelo Piauí e presidente nacional do PP
Edison Lobão (PMDB-MA) – senador pelo Maranhão e ex-ministro de Minas e Energia
Fernando Collor (PTB-AL) – senador por Alagoas e ex-presidente da República
Gladison Cameli (PP-AC)
Gleisi Hoffmann (PT-PR) – senadora pelo Paraná e ex-ministra da Casa Civil
Humberto Costa (PT-PE) – senador por Pernambuco e ex-ministro da Saúde
Lindberg Farias (PT-RJ) – senador pelo Rio de Janeiro e ex-candidato ao governo do Estado
Romero Jucá (PMDB-RR) – senador por Roraima e ex-líder do governo no Senado
Valdir Raupp (PMDB-RO)

Deputados
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – presidente da Câmara e ex-líder do PMDB na Câmara
Afonso Hamm (PP-RS)
Aguinaldo Ribeiro (PP-PB)
Aníbal Gomes (PMDB-CE)
Arthur Lira (PP-AL)
Dilceu Sperafico (PP-PR)
Eduardo da Fonte (PP-PE)
Jerônimo Goergen (PP-RS)
José Mentor (PT-SP)
José Otávio Germano (PP-RS)
Lázaro Botelho (PP-TO)
Luís Carlos Heinze (PP-RS)
Luiz Fernando Faria (PP-MG)
Missionário José Olimpio (PP-SP)
Nelson Meurer (PP-PR)
Renato Molling (PP-RS)
Roberto Balestra (PP-GO)
Roberto Britto (PP-BA)
Sandes Júnior (PP-GO)
Simão Sessim (PP-RJ)
Vander Loubet (PT-MS)
Waldir Maranhão PP-MA)
Políticos sem mandato

Mário Negromonte (PP-BA) – ex-ministro das Cidades, atual conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia
Roseana Sarney (PMDB-MA) – ex-governadora do Maranhão e ex-senadora
Aline Corrêa (PP-SP)
Carlos Magno (PP-RO)
Cândido Vaccareza (PT-SP)
João Pizzolatti – (PP-SC)
José Linhares (PP-CE)
Luiz Argôlo (ex-PP, atual SD-BA)
Pedro Corrêa (PP-PE)
Pedro Henry (PP-MT)
Roberto Teixeira (PP-PE)
Vilson Covatti (PP-RS)

quinta-feira, 5 de março de 2015

Teresa d'Ávila, uma resposta às urgências e aos perigos do seu tempo.

Através do amor, a mística de Teresa d'Ávila – a sua feliz contemplação, a sua oração – se torna uma ação e cria uma dinâmica de onde brota a caridade.
A opinião é da romancista e jornalista francesa Christiane Rancé, em artigo publicado no jornal L'Osservatore Romano, 02-03-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.
É difícil resumir a espiritualidade de Teresa d'Ávila, de tão rica e sutil. Mas o que se pode dizer, para apresentá-la, é que ela encontra a sua força na ação. Teresa de Jesus elaborou uma mística que respondia às urgências e aos perigos do seu tempo, e que se articula em torno de três polos: a sua iluminada compreensão da Encarnação e daquilo que ela envolve como resposta; a sua invenção – como se diz da descoberta de um tesouro – do centro da alma como residência de Deus; e, por fim, a oração como operação amorosa sobre o mundo.
"O mundo está em chamas", escreve Teresa no primeiro capítulo do seu Caminho de perfeição. E o mundo, acrescenta, precisa de amigos fortes (amigos fuertes). Contra qual fogo Teresa d'Ávila quer agir? Aquele que devora Igreja por dentro, com as ideias novas da Reforma e de outras correntes de pensamento que contestam a Roma o seu dogma e a sua infalibilidade.
O que aconteceu é que a revolução copernicana destruiu as bases do mundo antigo e difundiu nas mentes daquele século XVI, o primeiro da era moderna, uma angústia geral: nem a Terra nem Deus são mais os centros de um universo eterno e incorruptível que girava ao redor deles.
Teresa varre magistralmente as interrogações que essa descoberta vertiginosa coloca para as mentes da época. O que importa se, por causa dessa teoria, Deus perdeu o seu lugar de residência? Basta buscar o divino como transcendência pura, como experiência interior, responde Teresa. O que importa, depois, se a Terra não é mais o lugar de um teocentrismo? Se Deus é tudo, se "a máquina do mundo tem, por assim dizer, o seu centro por toda parte e a sua circunferência em lugar algum", o centro do mundo está lá onde está o homem, e Deus nele.
A citação de Nicolau de Cusa retomada por Pascal não é uma alegoria; uma esfera de raio infinito, efetivamente, tem o seu próprio centro por toda a parte. Seja qual for o ponto em que se encontre essa esfera, de fato, se está a uma distância infinita da borda, e isso em todas as direções do espaço. Assim, Deus, por residir no centro secreto da alma, é sempre e inevitavelmente o centro do universo.
Essa é uma das fontes da espiritualidade teresiana: a descoberta do centro da alma. Tomás Álvarez, no Diccionario de Santa Teresa de Jesús, salienta a originalidade da madre sobre essa noção que vai se tornar uma linha mestra da sua obra-prima, O Castelo Interior. Esse centro da alma é "a sala principal, onde acontecem as coisas mais secretas entre Deus e a alma".
Lá, no seu centro, Deus continua morando e resplandecendo. É nesse centro que se celebra a união da alma comCristo, nosso Senhor, diz Teresa, para que a sua relação com ele seja definitivamente estabelecida: "A alma está sempre com o seu Deus naquele centro de que falei".
Essa concepção, indubitavelmente singular, atrairia sobre ela as iras da Inquisição. Trata-se de "erro em filosofia, sonho e fantasia em teologia", decretam os juízes. Quanto à ideia de Deus que está nesse centro, ela é definida como uma heresia revoltante.
Essa é a resposta puramente genial de uma mulher que responde intuitivamente, a partir da sua alma, à angústia geral que a revolução copernicana gera. Assim, ela consegue manter a força de um divino pacificador.
Ela, que tem a vontade louca de devolver a Deus o seu lugar – de fazer com que a sua alma, se se unir a Deus, se torne novamente o centro do mundo –, consegue: a sua oração coloca novamente o mundo no olhar divino e Deus no centro do universo. Rezando, Teresa coloca novamente no seu lugar Cristo que vem.
Ironia do destino! Aquilo que quase fez com que ela fosse definida como herética pela Inquisição – a noção do centro da alma – é o que a torna tão necessária.
Teresa de Jesus foi canonizada pela santidade da sua vida, pela criação do seu Carmelo e pela sua irredutível fidelidade à Igreja. Mas o que a torna uma contemporânea nossa é essa invenção. Bem mais do que a abertura individual de uma alma perdidamente fiel a Deus, é aquela invenção que dá perpetuamente a Deus um futuro, não com um "penso,logo existo", mas com um "creio, logo Ele é". Desse modo, ela força o advento de um mundo do qual Jesus Cristo permanecerá como a inevitável medida.
Teresa d'Ávila compreendeu a atração pela matéria e as teorias contemporâneas dos seus semelhantes; daí a sua aversão à falsa erudição, à pretensão do saber e aos anseios do espírito nos seus conventos. "A alma não é o pensamento, nem a vontade é governada por ele, o que seria má sina. Disso se conclui que o proveito da alma não está em pensar muito, mas em amar muito", afirma.
Teresa se sentiu obrigada a amar o dia em que a visão de um crucifixo a fez entender, de repente, o quanto Deus a amava por ter lhe dado a própria vida na infâmia e na dor da cruz. Quanto a amava por ter se feito tão semelhante à sua criatura a ponto de se encarnar no ser mais fraco e mais humilde que existe, não em um príncipe, mas no filho de um carpinteiro da periferia da Palestina.
A partir daquele momento, ela compreendeu, num piscar de olhos, que nunca poderia acessar qualquer estado superior de fé sem uma plena consciência e sem uma plena experiência desse amor, através da fusão nele: ela se dá conta de que, para que Deus lhe responda, ela deve se comprometer de modo equiparável ao amor que a sua Paixão demonstrou.
Assim, a representação da humanidade de Cristo naquilo que ela teve de mais paroxístico – a Paixão – a abalava, e através dela e a partir dela que ela pode compreender plenamente o que era a loucura e o escândalo do cristianismo: a encarnação.
"Ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14, 6). Jesus é o rosto humano de Deus. Havia, talvez, uma metáfora melhor do que essa verdade, que Teresa assimilará como uma hóstia, ou seja, que a realidade de Deus, o seu ser é acessível só em Jesus e através de Jesus?
No Livro da Vida, ela escreve que Jesus é o verdadeiro livro onde ela descobriu todas as verdades. A visão avassaladora do corpo sofredor de Jesus também lhe revelou, de modo fulgurante, todas as promessas do mistério de Jesus homem-Deus e Deus-homem. A humanidade de Cristo oferece uma possibilidade de união, de comunhão e de unidade de amor.
Por meio de Jesus, a atração mútua entre Deus e a sua criação se formaliza. Quer pense na Paixão ou medite sobre esse mistério, o orante se encontra aos pés de uma escada que leva a Deus, uma escala como a de Jacó, uma escada de oração que deverá subir para alcançar a união divina, "onde nada é comparável com os prazeres da alma".
Daí a exortação de Teresa a rezar. A oração, segundo ela, é"uma íntima relação de amizade, um frequente entretenimento a sós com Aquele que sabemos que nos ama". É preciso rezar porque a oração é o momento central da criação religiosa da qual Jesus é o mestre. Rezar porque a oração é a linguagem da amizade, como o silêncio é a de Deus.
Teresa assegura, assim, a sobrevivência daquela formidável revolução teológica, teleológica e humana que é a encarnação. Rezar e ir em frente: ir adelante. O seu lema retorna nada menos do que 130 vezes na sua obra. Ir em frente no mundo e, ao mesmo tempo, penetrar no mais profundo de si mesmos. Não podemos "esperar entrar no céu sem antes entrar em nós mesmos", adverte.
O que a sua espiritualidade nos ensina? Agindo de amor, assim como se diz "de instinto", a irradiação infinita de cada um dos nossos atos se difunde na trama infinita do mundo. Através do amor, a mística de Teresa – a sua feliz contemplação, a sua oração – se torna uma ação e cria uma dinâmica de onde brota a caridade.
De fato, o que seria o Amor se se contentasse consigo mesmo? Se não fosse dado à luz pela caridade? Se não se encarnasse, por sua vez, no amor ao próximo? Não seria nada. Não seria nada mais do que uma especulação vazia, o contrário mesmo da espiritualidade de Teresa, que é uma mística da ação amorosa.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 818: A Mãe do Padre Prostituta.

ENCONTRO VOCACIONAL: Convite.

Quinta-feira, 05 de março-2015: Homilia do Papa Francisco.

Missa Santa Marta: Parábola do rico opulento foi tema da homilia do Papa. (Lc 16, 19-31)

Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã desta quinta-feira (05/03), o Papa celebrou a Missa na Casa Santa Marta. Em sua homilia, comentando a parábola do rico opulento, o Papa observou que não se tratava de um homem mau, “talvez fosse um homem religioso, a seu modo. Rezava, ia ao templo, oferecia sacrifícios e ofertas aos sacerdotes, que lhe davam um lugar de honra para se sentar”. Mas não percebia que à sua porta havia um pobre mendicante, Lázaro, faminto, cheio de chagas, “símbolo das muitas necessidades que tinha”. O Papa explica a situação do homem rico:
“Quando saía de casa, eh não … talvez o carro com o qual saia tinha os vidros escuros para não ver o lado de fora... talvez, mas não sei... Mas certamente, sim, a sua alma, os olhos da sua alma estavam ofuscados para não ver. Somente via dentro de sua vida, e não percebia o que tinha acontecido a este homem, que não era mau: estava doente. Doente de mundanidade. E a mundanidade transforma as almas, faz perder a consciência da realidade: vivem num mundo artificial, feito por eles... A mundanidade anestesia a alma. E por isso, este homem mundano não era capaz de ver a realidade”.
E a realidade é a de tantos pobres que vivem ao nosso redor:
“Muitas pessoas que levam a vida de maneira difícil, de modo difícil; mas se eu tenho o coração mundano, jamais entenderei isso. Com o coração mundano não se pode entender a necessidade dos outros. Com o coração mundano pode-se frequentar a igreja, pode-se rezar, fazer tantas coisas. Mas Jesus, na Última Ceia, na oração ao Pai, o que pediu? ‘Mas, por favor, Pai, proteja esses discípulos para que não caiam no mundo, não caiam na mundaneidade.’ É um pecado sutil, é mais que um pecado: foi um pecador da alma”. 
Nestas duas estórias – afirma o Papa – há duas máximas: uma maldição para o homem que confia no mundo e uma benção para quem confia no Senhor. Ohomem rico afasta seu coração de Deus: ‘sua alma é deserta’, uma ‘terra salobra em que ninguém reside’ ‘porque os mundanos, na verdade, estão sós com o seu egoísmo’.
Seu coração está adoentado, tão apegado a este modo de viver mundano que dificilmente podia se curar. Além disso – acrescenta o Papa – enquanto o pobre tem um nome, Lázaro, o rico, não o tem: “não tinha nome, porque os mundanos perdem o nome. São somente um, na multidão de ricos que não precisam de nada”.
E referindo-se ao pedido do homem rico, já nos tormentos do inferno, para que se envie alguém para advertir seus familiares ainda vivos - e Abraão responde que se não ouvirem Moisés e os Profetas, não seriam persuadidos nem mesmo se alguém ressurgisse dos mortos - o Papa afirma: os mundanos querem manifestações extraordinárias, mas “na Igreja tudo é claro, Jesus falou claramente: aquele é o caminho. E no fim, uma palavra de consolo: 

“Quando aquele pobre homem mundano, nos tormentos, pede que seja enviado Lázaro com um pouco de água para ajuda-lo, como responde Abraão? Abraão é a figura de Deus, o Pai. Como responde? ‘Filho, lembre-se... Os mundanos perderam o nome. E nós também, se tivermos o coração mundano, perderemos o nome!. Mas não somos órfãos. Até o fim, até o último momento, existe a segurança que temos um Pai que nos espera. Entreguemo-nos a Ele. Ele nos diz ‘Filho’, em meio àquela mundanidade. Não somos órfãos”

quarta-feira, 4 de março de 2015

Quem escolhe um novo bispo?

O direito-dever da nomeação dos bispos volta à atualidade também na arquidiocese de Trento, na Itália, e repropõe questões demétodo sobre problemas canônicos e eclesiológicos longe de estarem resolvidos.
A reportagem é de Luigi Sandri, publicada no jornal Trentino, 02-03-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Dom Luigi Bressan, desde março de 1999 pastor da Igreja tridentina, no dia 9 de fevereiro passado, completou 75 anos e, por isso, segundo as normativas em vigor desde o pós-Concílio, ele apresentou a sua renúncia ao papa, que vai decidir quando irá acolhê-la e quando irá nomear o seu sucessor.
O procedimento, para o mesmo caso, se repete para todas as dioceses da Igreja latina. Portanto, embora tome impulso a partir de um fato local, aqui abrimos um discurso de caráter geral.
Nos primeiros séculos do cristianismo, era o povo inteiro dos batizados que escolhia o próprio bispo, que, depois, obviamente, era consagrado. Essa práxis também não era isenta de problemas, e muitas vezes surgiam contrastes entre grupos que apoiavam candidatos diferentes.
Por essa razão, pouco a pouco, o direito de escolha foi reservado ao clero e aos nobres e, depois, apenas ao clero. E, após desentendimentos entre a Cúria Romana e o império, por fim, o papa se reservou o direito de nomeação – salvo exceções – para as dioceses latinas.
O Concílio Vaticano II exaltou o valor teológico da "Igreja local" (a diocese), mas não mudou os procedimentos de nomeação dos bispos, deixando, portanto, nas mãos do papa um grande poder, acrescido do fato de que, no rastro do Concílio, ficou estabelecido – uma novidade absoluta na história da Igreja romana! – que cada bispo, ao completar 75 anos, apresentaria a sua renúncia ao Sumo Pontífice que, depois, decidiria se a acolheria.
De fato, não é de todo evidente que, mesmo depois do Vaticano II, a "centralização" romana continue inalterada, sem restituir às Igrejas locais a responsabilidade de escolher o próprio pastor (entre o clero da diocese ou mesmo de fora, dependendo das circunstâncias e das necessidades).
Nesse sentido, o teólogo belga-brasileiro José Comblin escreveu: "Não haverá mudanças de relevo na Igreja romana se não se começar com uma mudança radical do sistema de nomeação dos bispos", atualmente nas mãos dos núncios e, depois, da Cúria.
E como mudar? A esse respeito, circulam várias hipóteses. Por exemplo, se poderia dar peso e valor aos Conselhos de Pastoral e Presbiteral da diocese, cujos membros são, de algum modo, eleitos: os dois órgãos seriam envolvidos na escolha da terna dentro da qual o papa, por fim, escolheria o novo bispo.
Prosseguir na direção de envolver realmente os fiéis, em modos a serem definidos, na escolha do próprio pastor pode surpreender apenas aqueles que ignoram a história da Igreja. E os que são contra a (antiga) tradição são precisamente aqueles que negam para hoje uma práxis normal e pacífica há tantos séculos.

Portanto, seria bom se a diocese de Trento, que no século XVI hospedou um Concílio, abrisse, hoje, um debate sobre uma questão crucial para tornar verdadeiro o Vaticano II, que definiu a Igreja como "povo de Deus". Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

QUARESMA: Mensagem de Dom João Costa, Carmelita.

segunda-feira, 2 de março de 2015

ORDEM TERCEIRA DO CARMO: São João del Rei.

A PALAVRA... Nº 815: O Carmo em São João del Rei.

Exercícios espirituais da Cúria Romana: sem medo de perder a face

Diante de quem está em dificuldade, usamos a vara da rigidez e das categorias estabelecidas ou o abraço da misericórdia? Essa foi a última pergunta deixada para a meditação dos presentes pelo padre Bruno Secondin, na tarde dessa quarta-feira, 25 de fevereiro, na conclusão do dia dos exercícios espirituais quaresmais, em Ariccia, para o papa e a Cúria Romana. A reportagem é do jornal L'Osservatore Romano, 26-02-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
No âmbito da reflexão sobre o tema do "deixar-se surpreender por Deus", o carmelita deteve-se sobre a leitura do trecho bíblico de Elias e da viúva de Sarepta (1Reis 17, 2-24), aproximado àquele paralelo, em que Eliseu faz ressurgir o filho da sunamita (2Reis 4, 25-37).
Um contexto que levou o pregador a enfatizar um aspecto fundamental na vida de fé, ou seja, o fato de que "os pobres nos evangelizam".
A viúva pobre que, embora tendo apenas "um pouco de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra", hospeda Elias torna-se uma ocasião propícia de crescimento interior para o profeta.
Elias, salientou o padre Secondin, "era mal-humorado, agressivo". Os próprios padres da Igreja, ao comentar essas passagens bíblicas, sugerem que "Deus tenta endireitar Elias para que se amanse". E o profeta, assim, é enviado para Sarepta, onde recebe uma primeira lição da mulher: a pobreza e a morte enfrentadas com dignidade.
Inicialmente, o profeta, através do milagre do alimento que não acaba, se apresenta em vestes poderosas, taumatúrgicas. Mas depois a morte do filho da viúva o obriga a outra dimensão: sente-se impotente e só pode invocar a Deus, "confiar-se a Deus em nudez", reconhecer que só ele tem o poder "de gritar a sua dúvida e de implorar".
E é então, diante dos seus gestos ternos e da admissão da sua fraqueza, que a viúva reconhece uma outra face de Deus: o "Deus de compaixão", o "Deus de misericórdia", o "Deus que abraça, que carrega, na sua identidade, a nossa ferida".
É uma história que provoca perguntas para a história pessoal de cada um: "Somos capazes de encontrar os pobres para chegar a encontrar a verdade? Ou temos medo de perder a face?". Sabemos reconhecer e abraçar aqueles que têm "um 'bebê morto' no seu coração: violências, traumas de infância, divisões, horrores..."? A nossa palavra é aquela pedante do taumaturgo ou "a palavra que implora"? Diante de situações de dor, "mandamos na frente o canonista", usamos "a vara" ou nos estendemos "os braços para abraçar"?
Escolhas concretas, atitudes claras, como as sugeridas também pela primeira meditação da quinta-feira, 26, na qual o padre Secondin se deteve sobre o tema da justiça. Tema central, porque, destacou o pregador, "o compromisso com a justiça é parte integrante do nosso seguimento de Cristo, porque os pobres são os privilegiados do Evangelho: não é uma mania populista".
Outro episódio da vida de Elias narrado no primeiro livro dos Reis (21, 1-29) forneceu o impulso para a reflexão. O rei Acab quer comprar a vinha do humilde Nabot, mas o agricultor rejeita, porque não quer desperdiçar a herança recebida dos seus pais.
Então, a ímpia rainha Jezabel organiza uma assembleia ritual com os representantes do povo na qual, graças a duas falsas testemunhas, acusa Nabot de blasfêmia e o faz matar, permitindo, assim, que Acab obtenha o seu "brinquedo".
Elias, então, pronuncia a condenação divina contra Acab, que se arrepende, obtendo de Deus uma atenuação da pena.
Um texto longo, em que as psicologias dos vários personagens – Acab, o frustrado, Jezebel, a poderosa sem escrúpulos, Nabot, o piedoso, os representantes do povo privados de consciência e subjugados por dinâmicas de marca mafiosa – também podem revelar muitos aspectos das nossas vidas.
Um texto que ofereceu a oportunidade para que o pregador carmelita fizesse muitas provocações.
Quantas vezes, por exemplo, "elementos sagrados são usados como cobertura de procedimentos iníquos"? Verdadeiros "abismos de violência são abertos em nome de Deus", e "também entre nós, cristãos" se encontra "o sono da consciência".
Mas, observou o padre Secondin, "quanto deverão gritar os pobres e os oprimidos?". E, pensando nas violências que se cometem na África e no Oriente Médio, perguntou-se: "A consciência dos europeus não tem nada a se criticar?". O apelo que vem das Escrituras é forte: "Devemos estar do lado de todos os Nabots da terra, defender os direitos, acolher as vítimas, estimular as consciências, promover estruturas, porque a terra é Deus, é um dom para a vida de todos e não para os caprichos de alguns".
Mas a Escritura, disse o pregador, também propõe uma "pedagogia dos pequenos gestos". Isto é, é preciso "começar por nós mesmos", converter o próprio estilo de vida, rever o consumo ("quanto desperdício de alimentos..."), ter transparência no agir, fazer o próprio dever com honestidade, não exercer a autoridade como poder e como fonte de privilégios. E ainda: "Despedaçar a espiral do silêncio, os encobrimentos, os abusos".
O padre Secondin, assim, voltou a considerar dinâmicas e problemas de interesse planetário: diante de violências como as da poluição, da grilagem das terras férteis e das águas em detrimento dos povos locais, ou como as violências financeiras, nas quais, sem escrúpulos, com um simples "clique", fazem pessoas morrer, devemos recuperar a força do canto do Magnificat e "ter a coragem de denunciar". Porque "Deus não suporta os prepotentes".

Eis, então, a pergunta que concluiu a meditação: "Sabemos nos familiarizar publicamente com os humilhados, com os descartados pela violência, ou temos medo de perder a face para o Evangelho"? Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

Frei Bruno Secondin: Entrevista.


“O Papa quer proporcionar uma nova ‘alma’ a todo o sistema curial”. Entrevista com Bruno Secondin

O religioso carmelita Bruno Secondin (na foto, à esquerda) acaba de pregar os Exercícios Espirituais ao Papa e à cúria. Com um método novo e centrado na extraordinária figura do profeta Elias. Acredita que foi uma “graça” para ele, que se sentiu como “entre irmãos”. O Papa lhe agradeceu por seu trabalho: “Você conseguiu semear”. O carmelita semeador também acredita que a Igreja precisa mudar a sua linguagem e que o Papa “quer proporcionar uma nova alma a todo o sistema curial”. A entrevista é de José Manuel Vidal e publicada no sítio espanhol Religión Digital, 27-02-2015. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Impõe respeito pregar os Exercícios Espirituais ao Papa e à cúria?
É uma bela tradição que o Papa e a cúria façam os Exercícios Espirituais juntos. Até o Pontificado do Papa Bento XVI eram feitos no Vaticano e, para as meditações reuniam-se na Capela Redemptoris Mater. Mas eram mais conferências que meditações e, habitualmente, alguns meses depois, era publicado o livro com o texto completo das meditações. Não era tão fácil obter um clima de silêncio e de oração, como se requer nos Exercícios Espirituais.
O Papa Francisco pensou, ao contrário, que faria bem à cúria uma autêntica experiência dos Exercícios, fora do Vaticano, em um clima de silêncio e de oração, no clássico estilo inaciano. Por isso, foi escolhida uma casa de espiritualidade (em Ariccia, perto de Castel Gandolfo, a 30 quilômetros de Roma), onde estiveram todos juntos, o Papa, os cardeais e os bispos. O lugar é bonito e espaçoso e, inclusive, pode-se garantir a segurança.
Desta forma, o evento converte-se em um exemplo para todos: também a cúria leva a sério esta atividade espiritual. Eu não me senti como o diretor que tudo controla, mas como um irmão a mais (tenho 75 anos), um fiel a caminho com minhas fragilidades e minha paixão pelo Senhor. Procurei compartilhar com eles o amor à Palavra e o desejo de uma Igreja que não dorme, mas que se deixa guiar pelo “Espírito criador, que fala pelos profetas”, como dizemos no Credo.

Qual foi o tema central dos Exercícios e suas ideais chaves?
O título geral foi ‘Servidores e profetas do Deus vivo’. E o subtítulo: ‘Uma leitura pastoral e sapiencial do profeta Elias’. Segui o método da lectio divina, ao qual me dedico há muitos anos e no qual tenho ampla experiência, precisamente na igreja que se encontra ao lado do Vaticano.
A figura de Elias adapta-se muito bem à realidade atual: é um profeta sempre a caminho, sob o impulso da Palavra. E tem que enfrentar problemas semelhantes aos nossos: a busca do sentido na vida, o fundamentalismo, o diálogo inter-religioso, o fracasso pessoal, a solidariedade, a instrumentalização de Deus, a intercessão, a defesa do pobre, o sofrimento sem sentido, etc. Pode-se dizer que até mesmo a geografia na qual Elias vive tem um sentido sugestivo. Ele está sempre na saída para as fronteiras (inclusive os lugares mais distantes, como Sarepta e o Monte Horeb), até o final da sua vida, quando desaparece no meio do fogo no outro lado do Jordão.

Por que não fez referência a um tema carmelitano, como seria normal neste ano do centenário de nascimento de Santa Teresa?
Pensei também neste tema, que teria encaixado perfeitamente comigo e com este ano. Mas depois optei em ir às grandes cenas do profeta Elias e utilizá-lo seguindo uma ‘progressão’, que vai da busca da autenticidade à liberdade interior e à cura, à descoberta de um Deus diferente, ao caminho da justiça, da solidariedade e da intercessão, para desembocar na profecia da fraternidade.
Os membros da cúria têm experiências culturais e espirituais tão diferentes que não é fácil juntá-las. Pareceu-me que Elias se adaptava perfeitamente, dada a sua importância bíblica e a originalidade de suas experiências. Além disso, sinto profundamente o desejo de que, na Igreja, a Palavra ocupe realmente o centro e seja a fonte da espiritualidade.

A Santa de Ávila falava de seguidores de Jesus “chagados”, algo que conecta bem com a ideia de Francisco de converter a Igreja em um hospital de campanha.
Você tem razão. Mas também Elias se encontrava com situações catastróficas e com emergências imprevistas. Para a Igreja de hoje, medir-se com este grande profeta pode ser uma ocasião de inspiração de cara com uma nova criatividade. Tenha presente que quando o Papa Francisco fala de ‘hospital de campanha’ não quer referir-se ao campo, mas às batalhas e às guerras, onde se montam precisamente os ‘hospitais de campanha’, isto é, lugares improvisados e ambulantes. Elias encontra-se em situações inesperadas, tanto de sofrimento como de iniquidades, isto é, com extraordinárias experiências de Deus.

A espiritualidade está na moda. Isso é um benefício ou um problema?
Hoje, a espiritualidade está na moda, mas em meio a uma situação de profunda confusão. Muito do que se chama ‘espiritualidade’ é apenas marketing, sem dignidade nem seriedade. Devemos estudar profundamente a inquietação que aninha por debaixo deste fenômeno, mas, ao mesmo tempo, reconhecer que a espiritualidade está sendo repensada profunda e seriamente. Eu mesmo tentei fazê-lo nos livros que escrevi durante todos estes anos. O último que escrevi aborda, precisamente, esta moda da espiritualidade e oferece critérios de discernimento. Abordo também temas novos como o corpo, o tempo, a cultura digital, os novos modelos de mística e a crise atual. Intitula-se ‘Inquietos desejos de espiritualidade. Experiências, linguagens e estilos’ (Bolonha, Ed. Dehoniana, 2012), com prólogo do cardeal Ravasi.

Há uma nova forma de entender a santidade?
Os velhos modelos de santidade seguem tendo ainda espaço e suscitando atenção, sobretudo através das numerosas beatificações e canonizações de pessoas que viveram em outro universo cultural e em outro modelo de Igreja. Mas não suscitam interesse no empenho de seguir este caminho... Devemos repensar profundamente estes modelos, acolhendo novos percursos guiados pelo Espírito, que segue operando com muita criatividade.
Devemos mudar inclusive o léxico. Por exemplo, fala-se de virtudes ‘heróicas’, um termo que não evoca a linguagem bíblica, mas a linguagem mítica helenística. Jesus não foi um ‘herói’, assim como nem Maria nem os apóstolos. Foram ‘zaddiq’, ou seja, justos e pios, termos bíblicos que indicam coisas diferentes das de herói, que exalta inclusive o esforço pessoal, a unicidade isolada, o superman. E desta santidade comum e normal há muitos exemplos entre nós, algo que o Papa Francisco recorda com frequência.

Como traduzir na linguagem atual os ‘pecados capitais’?
Você coloca, precisamente, um dos problemas (junto com muitos outros) da linguagem moral e espiritual. Necessitamos, primeiro, desconstruir a linguagem; do contrário, ninguém entende nada. Necessitamos fazer um novo exercício de criatividade linguística e simbólica. Vivemos repetindo velhas antropologias com o uso de termos que já quase ninguém entende. O Papa Francisco está ajudando a Igreja a mudar a linguagem. Ele mesmo inventa palavras novas, como doenças curiais, alzheimer espiritual, etc. E não ajuda apenas com suas palavras, mas também com seus gestos, com seu estilo, com suas visitas, com seus abraços... muitas coisas se tornam novas.

Qual é o segredo, na sua opinião, da sedução que Francisco exerce sobre as pessoas?
O Papa Francisco descobriu o sentir profundo das pessoas. As pessoas necessitam de alento e de esperança, humanidade sem formalismos, uma sacralidade direta e espontânea, austeridade sem farisaísmo, ternura e misericórdia. E as pessoas encontram tudo isso em Francisco, oferecido com naturalidade e espontaneidade, com esse carinho latino-americano que nos falta na Europa. É incrível como as pessoas gostam do Papa. E não apenas os fiéis, mas todos, inclusive pessoas de outras religiões ou ateias. Cuidado em tocar no Papa Francisco!

Por que suas reformas estão encontrando tantas resistências?
Não sei se é verdade que há tantas resistências. Às vezes, vocês, os jornalistas, destacam os contrastes com cores muito vivas (preto e branco). A reforma da cúria é uma tarefa gigantesca. A situação não é fruto da última década, mas de séculos de sabedoria e de reformas, de adaptações e de tentativas, de correções e de esquemas jurídicos. Tudo isso forma uma espécie de ecossistema. Por isso, qualquer mudança gera dificuldades, não tanto pela oposição, mas porque tem repercussões complexas e em rede. O Papa Francisco sabe disso. Está claro que não lhe falta capacidade estratégica. Mas necessita também de tempo e equilíbrio. Não pode inventar de um dia para o outro os colaboradores à sua imagem e semelhança. Por isso, quer proceder com diálogo, com discernimento, passo a passo e com respeito. Sua preocupação consiste antes em proporcionar uma nova ‘alma’ a todo o sistema. E ele é o primeiro a viver este novo ‘estilo’, com audácia e liberdade, algo que salta aos olhos. Porque seu próprio estilo é uma força ‘reformadora’ que não deve ser subestimada.

O Papa Francisco pode estar em perigo?
Não exageremos! As pessoas querem muitíssimo o Papa Francisco. É evidente que pode surgir um fanático a qualquer momento. Ninguém pode estar absolutamente seguro, nem sequer qualquer um de nós. Mas creio que a segurança cumpre o seu papel e o Papa não se preocupa com isso. Uma vez disse aos jornalistas, brincando: “Na minha idade, eu não teria muito a perder”. Esta serenidade agrada às pessoas, ajuda-as a não viver num clima de terror e confiar um pouco mais em Deus. E, além disso, há muitas pessoas que rezam por ele, com amor sincero e não por obrigação.

Uma última pergunta, Pe. Secondin: o que pode nos dizer sobre a experiência vivida nestes dias em Ariccia?
Foi uma experiência realmente excepcional, como qualquer um pode entender. Um clima de silêncio e de oração. Uma oração bem preparada e bem feita, com uma presença séria de todos os mais de 80 participantes. Senti, sobretudo no começo, uma emoção natural. Coisas assim não se vive todos os dias. Depois, o novo método, o insólito tema e, inclusive o ambiente tão diferente daquele do Vaticano, pesaram muito. Sentimo-nos todos muito bem. Pude falar inclusive confidencialmente com alguns participantes, inclusive o Papa Francisco. Trago muitos coisas no coração. Foi uma graça que espero que produza frutos bons também em mim.