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sábado, 8 de junho de 2013
MISSA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS: Homilia do Frei Petrônio
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CORAÇÃO DE JESUS 2013 Bênção do Santíssimo
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sexta-feira, 7 de junho de 2013
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 348. Festa do Coração de Jesus.
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O Coração de Jesus: Deus de misericórdia
Frei
Pedro Caxito, O.Carm. In Memoriam
Diz São Paulo aos Romanos:
"Pois bem a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando
ainda éramos pecadores. (...) É por Ele que já desde o tempo presente recebemos
a reconciliação"
Estamos em pleno mês de junho, mês
do Sagrado Coração de Jesus. É um convite a celebrarmos o amor, as
misericórdias do Coração do nosso Deus feito homem, que veio morar entre nós,
"não para chamar os justos, mas os pecadores" (Mt 9,13).
"As misericórdias do Senhor
eternamente cantarei!" (Sl 88,2) dizia o salmista, repetia sempre Santa
Teresa de Jesus e devemos nós mesmos sempre proclamar.
Aquelas "entranhas de
misericórdia do nosso Deus que, para nos visitar nos fez vir lá do alto o Sol
Nascente" (Lc 1,78), Jesus que de
Maria veio até nós em Belém.
Aquele Coração cheio de
misericórdia, que como Bom Samaritano se inclinou sobre a pobre humanidade
prostrada no caminho, sobre a pecadora da casa de Simão, o fariseu, sobre
Mateus, Zaqueu e o paralítico de Cafarnaum e o outro da beira de Betesda, a
piscina da "casa da misericórdia", sobre a adúltera envergonhada e
tantos pecadores, sobre as criancinhas rejeitadas, sobre os pobres e sobre os
doentes, porque "são os doentes que precisam de Médico e não os sãos"
(Mt 9,12).
«Andai, portanto, de volta para as
vossas casas, a fim de aprenderdes o que é: "Quero misericórdia e não
sacrifício" » (Mt 9,13), sacrifícios de bodes e carneiros (cf Os 6,6).
Junho nos convida a vivermos a
bem-aventurança: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque misericórdia
encontrarão" (Mt 5,7).
Junho nos pede para reconhecermos as
misericórdias do coração do nosso Deus, nelas confiarmos e as imitarmos.
"Sede misericordiosos como é misericordioso o vosso Pai, que está no
céu" (Lc 6,36).
RICO
DE MISERICÓRDIA
"Mas Deus, rico de
Misericórdia, graças ao grande amor com que nos amou, mortos que estávamos por
causa dos pecados, nos fez reviver com Cristo: de graça, na verdade, fostes
salvos" (Ef 2,4-5).
Misericordioso, o Coração de Jesus
sente-se comover diante da miséria do povo cansado e abatido como ovelhas que
não têm um pastor. Misericordioso quer dizer "um coração compadecido
diante da miséria". E Ele é misericordioso. "Andava em volta por
todas as cidades e aldeias, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho
do Reino e curando toda doença e enfermidade" (Mt 9,35).
É misericordioso e quer que o
ajudemos a ser misericordioso: chama aqueles que Ele quer e "lhes dá o
poder de expulsar os espíritos imundos e de curar todo tipo de doenças e
enfermidades" (Mt 10.1), como Ele estava fazendo. "Proclamai que o
Reino dos Céus está chegando. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, sarai os
leprosos, expulsai os demônios" (Mt 10,7-8).
Mas aqueles doze são poucos demais.
"O Mediador único entre Deus e os homens" pede aos Homens que peçam
ao Dono para mandar mais gente para a sua colheita. A messe está loura,
esperando pela colheita (cf Jo 4,35), porque "Messe" é plantação já
ansiosa por ser colhida. E o Dono deve ter pressa!...
"Eu vos carreguei sobre asas de
águia" como a águia carrega os seus filhinhos (Ex 19, 4). "Sacerdotes
e reis, uma nação consagrada, um povo que Deus adquiriu para proclamarmos as
suas obras maravilhosas" (1Pd 2,9), o seu amor e a sua misericórdia,
devemos estar com Ele no seu esforço por libertar o irmão de toda miséria
espiritual e material. "Filhinhos, não amemos com palavras ou com a
língua, mas com os atos e com a verdade" (1Jo 3,18).
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quinta-feira, 6 de junho de 2013
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 347. Menino de Ouro.
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10º Domingo do Tempo Comum: O filho da viúva de Naim (Lucas 7,11-17).
Por irmã Kátia Rejane Sassi, da Congregação das Irmãs de São José de
Chambéry. Teóloga, especialista em Assessoria Bíblica - DABAR - mestranda em
Teologia Bíblica pelas Faculdades EST. Atualmente é professora e coordenadora
do Curso Básico de Formação na ESTEF - Escola Superior de Teologia e
Espiritualidade Franciscana.
As lágrimas de uma mãe viúva
Jesus vê e tem compaixão
Fonte: http://www.cebi.org.br
O
texto da ressurreição do filho da viúva de Naim (Lc 7,11-17) só se encontra no
evangelho de Lucas. Em seu ministério pela Galileia, Jesus se aproxima de uma
pequena aldeia chamada Naim, próxima de Nazaré, onde se depara com uma cena
comovente.
Vida x morte: dois cortejos se encontram
O
evangelista Lucas relata dois cortejos, duas procissões que se encontram na
entrada da aldeia de Naim. De um lado, o cortejo de morte, dos sem esperança,
que sai da cidade: uma grande multidão acompanha a mãe viúva que leva seu filho
único para ser sepultado. Naquele tempo, os cadáveres eram considerados impuros
e, por isso, eram enterrados fora dos muros das cidades judaicas.
Do
outro lado, o cortejo da vida que entra na cidade: Jesus é acompanhado de seus
discípulos e também de uma grande multidão. Lucas emprega pela primeira vez o
título de "Senhor", indicando que ele é o Cristo, o Senhor da
Vida.
Na
cena descrita por Lucas aparece uma mulher mãe e viúva. Naquele tempo, sua
situação social como mulher viúva era muito difícil. Falecido o marido, ela
ficava sob a proteção dos filhos e, não tendo estes, encontrava-se à mercê da
própria sorte. O evangelho nos diz que o jovem falecido era filho único desta
viúva (Lucas 7,12). Portanto, agora dependia da boa vontade dos seus
vizinhos. Esta mulher estava sozinha no mundo.
Esta
mãe e viúva encontrava-se num grande sofrimento, pois além de perder seu esposo
perde também seu filho amado que constituía a única herança que tinha. Logo,
enterraria sua única razão de viver. Sem nenhuma palavra, as lágrimas falam...
A dor inconsolável das perdas e seu lamento profundo chegam até o coração
misericordioso de Jesus, o Senhor da Vida.
Jesus
olha, contempla a situação de sofrimento e presta atenção na mãe viúva
desamparada que acaba de perder seu único filho. Vê a angústia daquelas pessoas
com quem se cruza ocasionalmente. O Senhor da Vida não é insensível e
indiferente à dor humana, não passa ao lado, não se afasta.
Diferentemente de
outros relatos de milagres e de pedidos de pais por seus filhos, aqui, ninguém
pede a ajuda de Jesus. Seu olhar é cheio de ternura, sente-se tocado pela
situação, toma a iniciativa diante das lágrimas de tristeza da mãe de Naim,
movido pela compaixão. Em Jesus, o Deus libertador do êxodo está entranhado na
história do seu povo: "Eu vi a aflição de meu povo... Ouvi os seus
clamores...
Conheço os seus sofrimentos... Desci para
libertar..." (Êxodo 3,7-8).
Jesus
se compadece da viúva e de tantas pessoas cansadas, aflitas, enfermas e
marginalizadas. Ele sente, sofre, assume a dor da mãe de Naim. E a compaixão
entra em ação. Jesus se dirige à mulher que chorava e lhe diz apenas duas
palavras de consolo: "Não chores!" Isso revela que havia uma
esperança para aquela mulher e sua situação. Não vai mais existir motivo para
essas lágrimas e essa dor.
Jesus se aproxima e suas palavras e gestos
restituem a vida
A
compaixão leva Jesus a falar e a agir. O Senhor da Vida se aproxima e,
decidido, toca o esquife (caixão) e "os que o levavam pararam"
(Lucas 7,14). Jesus se envolve com os dramas humanos e não tem receio de
tocar algo impuro. Ele transgride o tabu religioso sobre a impureza legal de um
cadáver (cf. Números 19,11.16). Para Jesus, a vida está acima de todo
legalismo.
Com suas palavras,
ele ordena ao jovem que se levante. "Levantar" é um dos verbos em
grego para "ressuscitar". Jesus transforma as realidades de morte.
Lucas acrescenta que o que estivera morto passou a falar. Restitui a vida e a
palavra ao jovem. Num gesto de ternura, Jesus entregou à mãe de Naim seu
precioso filho. Jesus não só chama o filho à vida, como também restitui a vida,
a situação social desta mulher viúva.
Testemunho: Deus visitou o seu povo
A
reação da multidão é de espanto e admiração que reconhece a ação salvífica de
Deus: "Um grande profeta apareceu entre nós e Deus visitou seu povo"
(Lucas 7,16). É o próprio Deus que visita seu povo; não mais através de
profetas, mas ele mesmo que, assumindo a condição humana, vem nos trazer a
libertação e a alegria. É o "Pai dos órfãos e o protetor das viúvas"
(Salmo 68,6). Como Senhor da Vida e vencedor da morte, inaugura o tempo novo de
esperança para todos os que creem.
E
nós, hoje, que reescutamos esta narração de Lucas, somos interpelados/as pelos
sentimentos, palavras e gestos de Jesus diante do sofrimento humano estampado
nas páginas dos jornais e nas telas da televisão ou nas tragédias que acontecem
perto de nós. Sua atitude nos ajuda a descobrir que nosso nível de humanidade é
terrivelmente baixo. A dor dos outros produz em mim a mesma compaixão? Quando
Jesus vê uma mãe chorando a morte de seu filho único, aproxima-se de sua dor
como irmão, amigo, semeador de alegria e de vida. Que nossa presença junto aos
pequenos, desamparados e sem esperança possa testemunhar: "Deus visitou o
seu povo!".
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Kátia Rejane Sassi
quarta-feira, 5 de junho de 2013
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 346. Sofrimento e Religião.
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ORDENAÇÃO DIACONAL: Convite.
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domingo, 2 de junho de 2013
9º DOMINGO DO TEMPO COMUM: Homilia do Frei Petrônio.
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sábado, 1 de junho de 2013
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 343. 9º Domingo do Tempo Comum.
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Reflexão para o IX Domingo do Tempo Comum
Pe. César Augusto dos Santos SJ
Cidade
do Vaticano (RV) - O tema da liturgia
deste domingo enfoca o carinho de Deus por todos os homens, sejam seguidores da
revelação judaico-cristã ou não. O importante é ter fé no Deus Vivo e
Verdadeiro.
Na
primeira leitura, extraída de 1Rs 8, 41-43, fica bem claro que o Povo de Israel
tinha consciência de ser o povo escolhido, mas isso não era motivo para que
somente suas súplicas fossem acolhidas, no Templo, pelo Senhor. Salomão faz uma
bela oração naquele lugar sagrado e diz: “Senhor, escuta então do céu onde
moras e atende todos os pedidos desse estrangeiro.”
No
Evangelho de Lucas, no capítulo 7, versículos 7 a 10, Jesus age exatamente
mostrando a misericórdia de Deus. Não importa se o pedido vem de um israelita
ou de um estrangeiro, o que importa é que um ser humano suplica ao Senhor a
cura de seu empregado. Mais ainda, esse estrangeiro mostra uma fé
extraordinária no poder de Deus a ponto de dispensar a ida de Jesus à sua casa,
pois sabe que para Deus basta querer para que alguém recupere a saúde ou algo
seja mudado ou transformado, afinal, Deus é Deus! Essa atitude do estrangeiro
foi louvada por Jesus exatamente por isso, por dar um salto qualitativo na fé.
Se antes, na oração de Salomão aparecia a oração feita no Templo, agora fica
claro que basta a fé no poder de Deus. A oração não só não precisa ser feita
por um pertencente ao Povo de Israel, mas nem precisa ser feita no Templo de
Jerusalém. Basta a fé no Deus Vivo e Verdadeiro.
Mas
podemos tirar desse fato relatado por Lucas, outra lição. Deus dá maior
importância à fé de quem suplica e não tanto à adequação de sua vida aos
preceitos religiosos. O suplicante, um oficial romano, era um pagão. Apesar de
ser um homem honesto e respeitoso para com os israelitas – até havia construído
uma sinagoga para eles –, não havia se convertido, não havia feito a
circuncisão e nem seguia os mandamentos de Moisés. Contudo, esse militar
demonstra uma confiança radical em Jesus, no poder de Deus, que não se importa de
modo público professar sua fé: “Senhor, ordena com tua palavra, e o meu
empregado ficará curado”. Demonstra grande humildade: “Senhor, não sou digno de
que entres em minha casa”. Mais ainda, nem se sentiu digno de ir ao encontro do
Cristo, enviou alguns mensageiros para que, em seu nome, fizessem o pedido.
Qual a lição que levamos para o nosso
dia a dia?
Deus
quer que vivamos de acordo com seus mandamentos, de acordo com os preceitos que
aprendemos quando fomos catequizados. Em uma ocasião Jesus disse que não veio
abolir a Lei e nem mudar uma letra sequer. Mas só isso não basta, não faz
levantar voo. O jovem rico cumpria todos os mandamentos, mas não foi capaz de
largar tudo para seguir Jesus; o fariseu no Templo orava e agradecia a Deus por
ele ser certo, honesto, correto com os preceitos religiosos, mas sua oração não
foi ouvida porque ele atribuía tudo isso a si mesmo e se sentia orgulhoso por
isso e desprezava o pecador publicano, que estava lá no fundo do Templo.
Devemos,
antes de tudo, ter grande fé em Deus e sermos misericordiosos. Isso é o “plus”,
o mais que o Senhor deseja de nós.
Neste
Ano da Fé - proposto pelo Papa Bento XVI para o amadurecimento de nossa
confiança em Deus, de nossa entrega total, radical ao Senhor -, a consciência
de que Deus é Onipotente, que tudo pode; de que é Onisciente, que sabe tudo; e
de que é Onipresente, que está em todo lugar; deverá atravessar nossa vida e
nossas orações. Mas uma coisa nos falta ainda, é sabermos da radicalidade de
Seu Amor por nós, de Sua Misericórdia, da grandeza de Seu Coração.
Somos
chamados a sermos testemunhas vivas da fé no Amor de Deus para com todos os
homens, sejam pecadores ou não, sejam cristãos ou não.
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quinta-feira, 30 de maio de 2013
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 340. Corpus Christi desfigurado.
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terça-feira, 28 de maio de 2013
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 337. O Padre e a Máfia.
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domingo, 26 de maio de 2013
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 335. Santíssima Trindade.
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sábado, 25 de maio de 2013
EVANGELHO DOMINICAL: Santíssima Trindade (JO 16,12-15).
A Solenidade
que hoje celebrámos não é um
convite a decifrar a mistério
que se esconde por detrás de “um Deus em três pessoas”; mas é um convite
a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os
homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.
A primeira leitura sugere-nos a contemplação do Deus
criador. A sua bondade e o seu amor estão inscritos e manifestam-se aos homens
na beleza e na harmonia das obras criadas (Jesus Cristo é “sabedoria” de Deus e
o grande revelador do amor do Pai).
A
segunda leitura convida-nos a contemplar o Deus que nos ama e que, por isso,
nos, “justifica”,
de forma
gratuita e incondicional. É
através do Filho
que os dons
de Deus/Pai
se derramam sobre nós e nos oferecem a vida em plenitude.
O
Evangelho convoca-nos, outra
vez, para contemplar
o amor do
Pai, que se manifesta na doação e na entrega do Filho
e que continua a acompanhar a nossa caminhada
histórica através do Espírito.
A meta final desta
“história de amor” é a nossa inserção plena na comunhão com o
Deus/amor, com o Deus/família, com o Deus/comunidade.
O Espírito
aparece, aqui, como
presença divina na
caminhada da comunidade cristã, como essa realidade que
potencia a fidelidade dinâmica dos crentes às propostas que o Pai, através de
Jesus, fez aos homens. A Igreja de que fazemos parte tem sabido estar atenta,
na sua caminhada histórica, às interpelações do Espírito? Ela tem procurado,
com a ajuda do Espírito, captar a Palavra eterna de Jesus e deixar-se guiar por
ela? Tem sabido, com a ajuda do Espírito, continuar em comunhão
com Jesus? Tem-se
esforçado, com a
ajuda do Espírito,
por responder às interpelações da
história e por actualizar, face aos novos desafios que o mundo lhe coloca, a
proposta de Jesus?
Sobretudo, somos convidados a contemplar o mistério de
um Deus que é amor e que, através do
plano de salvação/libertação do
Pai, tornado realidade
viva e humana em Jesus, e
continuado pelo Espírito presente na caminhada dos crentes, nos conduz para a
vida plena do amor e da felicidade total – a vida do Homem Novo, a vida da
comunhão e do amor em plenitude.
A celebração da Solenidade da Trindade não pode ser a
tentativa de compreender e decifrar essa estranha charada de “um em três”. Mas
deve ser, sobretudo, a contemplação de um Deus que é amor e que é, portanto,
comunidade. Dizer que há três pessoas em Deus, como há três pessoas numa
família – pai, mãe e filho – é afirmar três deuses e é negar a fé;
inversamente, dizer que o Pai, o Filho e o Espírito são três formas de
apresentar o mesmo Deus, como três fotografias do mesmo rosto, é negar a
distinção das três pessoas e é, também, negar a fé. A natureza divina de um
Deus amor, de um Deus família, de um Deus comunidade, expressa-se na nossa
linguagem imperfeita das
três pessoas. O Deus
família torna-se trindade de pessoas distintas, porém unidas. Chegados
aqui, temos de parar, porque a nossa linguagem finita e humana não consegue
“dizer” o mistério de Deus.
As nossas comunidades
cristãs são, realmente, a
expressão desse Deus que é amor e
que é comunidade-
onde a unidade
significa amor verdadeiro,
que respeita a identidade e a especificidade do outro, numa experiência
verdadeira de amor, de partilha, de família, de comunidade?
BILHETE DE EVANGELHO.
O pintor crente Roublev tentou mostrar, numa troca de
olhares, a relação de amor que existe entre o Pai, o Filho e o Espírito: quando
o Pai e o Filho se olham, cada um guarda a sua personalidade e revela ao mesmo tempo a personalidade do outro, e esta relação de amor faz existir o Espírito
que olha o Pai e o Filho, eles próprios deixando-se olhar,
olhando ao mesmo
tempo o Espírito
de Amor que
faz a sua unidade. Muitas vezes basta um olhar para
dizer muitas coisas, basta um olhar para dar de novo esperança, confiança e
vida, basta um olhar para dizer “amo-te!” e ouvir dizer em eco: “amo-te!”
A Trindade é um intercâmbio de “amo-te!” Há unidade e,
ao mesmo tempo, personalidades diferentes: cada um diz “amo-te!” e pode
acrescentar “eu sou amado!” Tal é o segredo da sua existência e da sua
eternidade. Mistério! Não por ser incompreensível, mas por, sem cessar, merecer
ser melhor compreendido. E a Trindade não é o único mistério, a humanidade
também o é, porque criada à imagem de Deus, homens e mulheres capazes de dizer
“amo-te!” e capazes de dizer “eu sou amado!”
(adaptadas
de “Signes d’aujourd’hui”)
É
sempre difícil falar da Trindade, de explicá-la, de descrevê-la… Daí a
importância de prever algum (ou alguns) momento forte de interiorização e de
adoração durante a celebração: depois da homilia… depois da comunhão… Dar
espaço ao silêncio para que a Trindade ecoe em nós.
Fonte: http://www.dehonianos.org/
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OLHAR JORNALISTICO ENTREVISTA -01: Frei Marcelo Aqui, 0.Carm.
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SANTA MARIA MADALENA DE PAZZI. +1607
Frei Emanuele Boaga, O.Carm.
TRATO E UNIÃO COM DEUS
De: Santa Maria Madalena de Pazzi, “Ensinamentos”
Mantende a vossa mente ocupada em Deus. “Esta ocupação em
Deus me parece ser a bem-aventurança da alma na terra. Realmente e impossível
pensar atualmente em Deus... mas estar sempre unida com Deus, tendo sempre a
Ele em vista, isto é possível; porque se quando trabalhais para ele, quando vos
fatigais, fatigai-vos para ele, para agradar a ele e dar a ele glória e para
honrar a ele, isto e estar sempre unida a Deus.” Diz que com o conhecia mento
de Deus faremos com ele uma estreita amizade e ele nos trata como seus íntimos;
então nos e ele faremos como fazem os amigos Íntimos. “Em primeiro lugar os amigos
se contemplam um ao outro com grande amor... assim faz Deus que nos olha
continuamente coro grande amor: e nos olhamos a ele... Os amigos costumam contarem-se
mutuamente os seus segredos; assim Deus manifesta a eles todos os seus segredos
e eles manifestam a Ele os seus por não confiar em outros senão n’Ele.”
O amor também ao próximo e o fim da contemplação e a
Santa via nesta chave o fim da Ordem: “Nos somos chamados a cousas maiores,
somos chamados a uma vida maior, a qual não é de Marta nem de Maria separadas,
porque no amor estão contidas umas e outra juntas.
Para ela o espírito da Ordem é “amar tudo e levar a amar,
observando principalmente quanto isto agrada a Deus e quanto importa atender as
obras internas e tratar interiormente com Deus”, como é prescrito na Regra
Carmelitana, na redação da qual “os santos padres... tiveram mais atenção para
a perfeição interior do que para a penitência e cousas externas.” “Eu vejo a
meu Deus! ... Ele tem duas línguas... uma das quais é o louvor de Deus e a
outra é a caridade e as duas clamam ao mesmo tempo. O que estou a ouvir, meu
Senhor? A uma me obriga a minha profissão e a outra tu me a mandas
estritamente. Ela procurava observar ambas.
Do seu mosteiro, que ela chama de “habitação de Maria”,
nos diz que Deus quer “que assim como Maria foi um meio entre Deus e o homem,
nos sejamos meio entre este Deus e o homem pelo zelo e desejo contínuo de
ajudar as almas e conduzi-las a Deus”... Estar separadas do mundo, mortas viver
em Deus, nada querer a não ser este Deus, em ansioso e contínuo desejo da
salvação das almas.
“A
alma unida a Deus fica toda amarrada por dentro e por fora o que a faz aparecer
com semblante sereno sem jamais perturbar-se por qualquer contingência”. “Em
tudo o que tende a fazer, seja interna ou externamente, lembrai-vos de vos
voltar para Deus com olhares vivos e amorosos. Com tais olhares amorosos
implorai o socorro das suas graças”.
“As obras exteriores devem ser feitas prontamente e com
cuidado sem perda de vida interior”. “A oração é o espírito da religião, nas
nunca ela deve servir de pretexto para qualquer dispensa, porque todos os
exercícios da religião e da obediência, feitos na presença de Deus, são outras
tantas orações.” A paz interior e um efeito da oração mental e é uma recompensa
da união com Deus. “A verdadeira prudência dum religioso ou duma religiosa
depende da íntima união que tem com Deus. E todos os nossos esforços e zelos
devem originar-se do Sangue de Jesus Cristo.” Alem disto anota: “Se não gostais
do doce silêncio é impossível deleitar-vos nas cousas de Deus”.
VEM, Ó ESPÍRITO SANTO
Das
Obras de Santa Maria Madrilena de Pazzi
Vem,
Espírito
de Verdade, Luz das trevas. Riqueza dos pobres,
Consolação
dos Peregrinos.
Oh!
Vem, Tu, refrigério, alegria e alimento de nossa alma.
Oh!
vem e toma aquilo que e meu e infunde em mim somente aquilo que e teu.
Oh!
vem, Tu que és alimento de cada pensamento puro,
plenitude
de toda a bondade e cumulo de toda pureza.
Oh!
vem, e queima em mim tudo aquilo que impede que eu seja, tomada por Ti
Oh!
vem, Espírito que estas sempre com o Pai e com o Esposo, Jesus Cristo!
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sexta-feira, 24 de maio de 2013
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 334. Não vou falar de Jesus Cristo.
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CARMELITAS DESCALÇOS: Frei Jerônimo Gracián de la Madre de Dios, OCD.
Por Frei Emanuele Boaga, O.Carm. Institutum
Carmelitanum. Roma, 27 de junho de 2003.
No cenário das origens do Carmelo
Teresiano uma figura tem suscitado, nos últimos anos, um grande interesse em
razão do seu papel decisivo na reforma do Carmelo ao lado de Santa Teresa de
Jesus e São João da Cruz. Trata-se de Jerônimo Gracián de la Madre de Dios, nascido em 1545 em Valladolid. Já sacerdote, entrou em
1572 na família teresiana em Pastrana e muito se empenhou em sua difusão.
Sendo uma pessoa gentil, fascinante e cortês,
tornou-se pouco a pouco o homem mais importante da reforma, à qual serviu com
todo o ardor de sua alma, guiado e sustentado por Santa Teresa de Jesus. A sua
vastíssima atividade em Castilha, Andaluzia e Portugal conheceu altos e baixos.
Depois da morte de Santa Teresa, sua situação na Ordem mudou
rapidamente. Dela foi expulso por divergências
surgidas entre ele e o Pe. Nicolau Dória sobre o modo de considerar a vocação
carmelitana na fidelidade à reforma teresiana.
Foi aprisionado por
piratas turcos e levado para Tunísia; é incrível o quanto fez e sofreu durante
os dois anos de sua prisão. Em seus pés foi impresso, com ferro quente, o sinal
da cruz para que por toda a vida a pisasse. Inclusive esteve a ponto de ser
queimado vivo. Resgatado por alguns amigos espanhóis, recuperou a liberdade.
Após provar sua inocência em Roma retornou ao Carmelo, mas na Antiga
Observância. Fixou-se em Bruxelas na Bélgica, onde morreu no mesmo ano em que
foi beatificada Santa Teresa (1614).
No passado, a historiografia tratou
de modo injusto este grande carmelita, diminuindo
a sua verdadeira contribuição para a reforma, e lhe atribuindo defeitos que na
realidade não tinha. Cerca de vinte anos atrás começou a desenvolver-se uma
ampla revisão de sua vida e das suas atividades, tendo como base uma releitura
da abundante documentação de notável valor histórico pesquisada meticulosamente
nos arquivos. Mesmo que esta documentação ainda não tenha sido totalmente
analisada, as conclusões dos estudos nos últimos anos estão levando, com mais
embasamento na realidade histórica, a uma maior valorização da personalidade e
da atividade deste filho e discípulo predileto de Santa Teresa de Jesus. Em
consequência disto, o Conselho Geral do Carmelo Teresiano no dia 15 de dezembro
de 1999 declarou oficialmente a reabilitação do “colaborador fiel e incansável
da nossa santa madre Teresa” e revogou a sentença de sua expulsão da Ordem.
Neste contexto deu-se uma maior
atenção aos numerosos escritos, maiores e menores, do Pe. Gracián, com
publicações no original e traduções em várias línguas. Entre estas obras
gracianas, importantes sobretudo para o conhecimento da origem e dos primeiros
desenvolvimentos do Carmelo Teresiano, a mais famosa e conhecida é sem dúvida a
Peregrinación de Anastasio. Nesta
obra de forte caráter autobiográfico, estão narrados pelo próprio Pe. Gracián,
que foi um dos protagonistas, os inícios do caminho da reforma dos Descalços,
as primeiras fundações e a sua posterior difusão, que conheceu não só sucessos,
mas também lutas e adversidades numa época rica de acontecimentos
políticos-religiosos. Nesta obra autobiográfica Gracián redigiu em 1612, sob a
forma de uma Carta a um amigo, uma
breve síntese, que no presente livrinho é oferecida pela primeira vez em
tradução portuguesa, feita com esmero pelo Carmelita Secular o professor José
Alberto Pedra, ao qual se deve também as precisas notas ilustrativas e
explicativas.
Quero parabenizar o professor Pedra
por este empreendimento, desejando-lhe também que possa em breve completar a
tradução portuguesa da Peregrinación de
Anastasio. Tenho certeza de que a presente publicação ajudará a admirar
sempre mais a figura do Pe. Jerônimo Gracián, o incomparável colaborador de
Santa Teresa de Jesus.
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Por Frei Emanuele Boaga
quinta-feira, 23 de maio de 2013
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 332. Coisas de Francisco-02.
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quarta-feira, 22 de maio de 2013
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 331. Santa Rita de Cássia.
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terça-feira, 21 de maio de 2013
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 330. Poder e Serviço.
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Não tenhais medo! Da dificuldade de construir a ‘nova paróquia’
Paulo Suess, Missiólogo e assessor
teológico do Cimi
Em sua 51ª Assembleia Geral, realizada de 10 a 19 de
abril de 2013, em Aparecida, a CNBB aprovou "um texto de estudo” que
lembra tópicos herdados dos documentos de Puebla, Santo Domingo e Aparecida
(cf. P 644, SD 58, DAp 99e, 170, 179, 309): "Comunidade de comunidades:
uma nova paróquia”. Como herança e imperativo de Puebla, Santo Domingo e
Aparecida, a paróquia "comunidade de comunidades” foi genericamente
assumida nas "Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no
Brasil, 2011-2015” (DGAE, n.99) que consideram ser "urgente que a paróquia
se torne, cada vez mais, comunidade de comunidades vivas e dinâmicas de
discípulos missionários de Jesus Cristo”. Agora, a 51ª Assembleia Geral
procurou através da assunção contextualizada de um novo comunitarismo, na
contramão do individualismo da época, construir "uma nova paróquia”.
O texto discutido na CNBB "tem por finalidade
suscitar reflexões, debates e revisões da prática pastoral” no intuito de
iniciar um "processo de construção da nova paróquia” (n. 5). O texto não
foi pensado como ponto de partida para a construção de um novo documento da
CNBB com a participação das bases paroquiais, mas como um modelo que, na
prática pastoral, deve ser adaptado "aos diferentes contextos”. Dessa
adaptação vai depender, assim reza a Introdução, o "êxito” da construção
dessa nova paróquia (n. 5).
Algo semelhante aconteceu no começou do Vaticano II
(1962). A Cúria Romana preparou textos e os bispos do mundo inteiro deveriam
aceitar esses textos e adaptá-los às suas realidades. Mas os padres conciliares
não aceitaram esse método. Provavelmente havia um mal-estar semelhante no setor
maioritário da 51ª Assembleia de Aparecida, quando decidiu dar mais um tempo
para transformar um "Caderno Amarelo” ou "Verde” em "Documento
Azul”. Resta saber se o trabalho das bases é apenas fazer um novo arranjo de
flores que já foram cortadas ou se é possível levar cestos de flores do campo
ao santuário de Aparecida por ocasião da próxima Assembleia da CNBB.
1. Opção metodológica
Supõe-se que o envio do texto às bases é, em primeiro
lugar, um envio ao povo de Deus e não aos assessores do povo de Deus. Segundo,
que o texto não foi enviado para ser confirmado, mas para ser discutido e
renovado. A partir dessas suposições, a primeira pergunta às comunidades
deveria ser: "Vocês querem que se trabalhe as reflexões sobre a nova
paróquia na moldura do método indutivo ou dedutivo?” A diferença entre os dois
métodos e seu impacto sobre o conteúdo são grandes. Sinteticamente poder-se-ia
dizer: O método dedutivo aplica princípios gerais aos contextos e sua realidade
concreta. Faz 42 anos, que Paulo VI nos lembrou em sua Carta Apostólica
Octogesima adveniens(14.5.1971), que não basta recordar os princípios, afirmar
as intenções, fazer notar as injustiças gritantes e proferir denúncias
proféticas; estas palavras ficarão sem efeito real, se elas não forem
acompanhadas, para cada um em particular, de uma tomada de consciência mais
viva da sua própria responsabilidade e de uma ação efetiva (AO 48,2).
O método indutivo procura, a partir da realidade
concreta em que o povo vive, a partir da realidade contextual e histórica, a
partir das causas de estruturas paroquiais caducadas, construir novos modelos
comunitários que serão sempre submetias a novas experiências.
O
texto da CNBB tem quatro capítulos: perspectivas bíblica (1), teológica (2),
pastoral (4). Só no terceiro capítulo entra a realidade com uma reflexão sobre
"novos contextos: desafios à paróquia”. Como as reflexões bíblicas e
teológicas precedem os novos contextos e desafios paroquiais, não podem
responder a esses contextos e desafios. É uma opção metodológica aquém do DAp.
Aparecida traz já na primeira parte o "olhar dos discípulos missionários
sobre a realidade” sociocultural, econômica, sociopolítica, étnica, ecológica
(33-97) e eclesial diante de desafios novos e herdados [98-100]. Segundo
Aparecida, a missão dos discípulos missionários nessa realidade é sempre
implícita ou explicitamente uma missão evangelizadora, integral, específica,
contextual e universal que nos conduz "ao coração do mundo”, onde
abraçamos "a realidade urgente dos grandes problemas econômicos, sociais e
políticos da América Latina e do mundo” (148).
O texto da CNBB, que propõe para a construção da nova
paróquia "ter diante de nós [...] o próprio Jesus e sua maneira de
suscitar, organizar e orientar a vida em comunidade” (n. 3), comete um equívoco
histórico e mostra como o método dedutivo, por vezes, se aproxima ao
fundamentalismo. Nesse caso, a reflexão bíblica não responde aos desafios
posteriormente apontados nem apoia a "conversão pastoral” (DAp 370) almejada.
A cristologia das entrelinhas se tornar jesulogia.
2. A tradição metodológica recente
A cura do cego, nos evangelhos sinóticos, é o último e
mais significativo sinal de Jesus. Antes de aderir ao Caminho precisa vê-lo. O
papa João XXIII autorizou e assumiu o método indutivo em sua Carta Encíclica
Mater et magista (1961), onde escreve: "Para levar a realizações concretas
os princípios e as diretrizes sociais, passa-se ordinariamente por três fases
[...]. São os três momentos que habitualmente se exprimem com as palavras
seguintes: ver, julgar e agir” (MM 232). É o método do aggiornamento, das
portas abertas, do serviço à humanidade. A Constituição Pastoral Gaudium et
spes assumiu o discurso indutivo, partindo da vida concreta da humanidade, de
suas alegrias e esperanças, tristezas e angústias (cf. GS 1). A transformação
da paróquia tem que levar em conta essa "vida concreta da humanidade”,
seus horários e itinerários, seu lazer e trabalho, seus espaços de vida e suas
redes de comunicação.
Em sua Encíclica Ecclesiam suam (n. 27), Paulo VI
assume o discurso do aggiornamentode João XXIII "como orientação
programática”. Na última sessão do Concílio, o papa respondeu ao setor que
acusou o método indutivo do Concílio de ter desviado o foco teológico das matérias
tratadas para um foco antropológico:
Desviado, não; voltado, sim. Mas quem observa
honestamente este interesse prevalente do Concílio pelos valores humanos e
temporais, não pode negar que tal interesse se deve ao carácter pastoral que o
Concílio escolheu como programa, e deverá reconhecer que esse mesmo interesse
jamais está separado do interesse religioso mais autêntico, devido à caridade
que é a única a inspirá-lo (7.12.1965).
Sem análise da realidade da paróquia
contemporânea e da vida das pessoas que vivem nos condicionamentos dessa
realidade, a reflexão bíblica e teológica representam justaposições, oferecendo
o verniz de ideais e princípios passado por cima das estruturas obsoletas.
Aliás, o método indutivo é inclusive uma alternativa evangélica ao sistema
capitalista, que impõe regras e metas a partir de uma matriz central para
facilitar a criação de uma monocultura colonizadora supervisionada por
capatazes que administram filiais.
O pensamento indutivo dá voz de intervenção à
realidade concreta. Não teríamos que assim interpretar o gesto do papa
Francisco na Jornada Mundial da Juventude, no Rio, que, antes de falar aos
jovens, visita o Hospital São Francisco de Assis que se dedica à recuperação de
dependentes químicos e indigentes. Antes de dar orientações programáticas, o
papa se reúne com a Comunidade da Varginha que faz parte de uma grande favela e
com cinco jovens detentos. A "conversão pastoral” vai depender dessa voz
da realidade que interfere sobre nosso discurso.
Na construção de um texto sobre a "nova paróquia”
precisamos não só permitir, mas pedir e incentivar a participação das
comunidades. Como transformar as estruturas comunitárias que existem nas
igrejas, nos diferentes conselhos e nos sínodos, por exemplo, de instâncias consultivas
em instâncias deliberativas? Como transformar estruturas de supervisão, de
visitas rápidas e horas marcadas em estruturas de presença inculturada? O povo
prefere, às vezes, um pastor tocável a um padre Fórmula 1. Essas perguntas
configuram projetos e a metodologia do próprio texto poderia ser um exemplo
para a construção da "nova paróquia” que será participativa,
decentralizada e missionária.
3. A paróquia missionária
O método dedutivo do texto debatido na Assembleia da
CNBB não corresponde às exigências da "nova paróquia” que precisa tomar as
suas decisões a partir da realidade concreta e não a partir de princípios
abstratos que não funcionaram. Se tivessem funcionado não refletiríamos, nesse
momento, sobre a "nova paróquia”. A "conversão pastoral” é exatamente
a transformação de uma pastoral dedutiva, concentrada na mão do pároco que
considera as comunidades suas filiais com franquias padronizadas, em pastoral
indutiva.
Desde os anos 60, essa "conversão pastoral” já
está em andamento. Não precisamos inventar a roda, mas dar uma força
institucional para fazer girá-la "em comunhão e participação”. Quantos de
nós, leig@s, religios@s e sacerdotes não conhecem essas comunidades de
comunidades nas quais aprofundamos a nossa fé com a fé do povo de Deus,
ampliamos nosso horizonte de vida com o sofrimento dos pequenos e fortalecemos
nossa esperança ao consolar os desesperados! À maioria dos agentes pastorais
não faltam virtudes. Às vezes faltam e faltaram critérios na avaliação de sua
vocação, faltam tempo e paciência para viver seu ministério no meio do povo,
falta compreensão na administração de conflitos e mudanças.
Temos que fazer ressoar a mensagem do Ressuscitado:
"Alegrai-vos! Não tenhais medo!” (Mt 28,9.10). Não tenhais medo de dizer
às comunidades: "Vocês são Igreja plena e nós, agentes de pastoral,
sobretudo os bispos, nos empenhamos que essa plenitude não seja apenas
espiritual ou virtual, mas também sacramental”. As comunidades querem uma
pastoral integral, nem "uma pastoral de conservação, baseada numa
sacramentalização com pouca ênfase na prévia evangelização” (Medellín, 6,1.2),
nem uma pastoral sem "a participação plena na Eucaristia dominical” (DAp
253, cf. 149), já que "a Eucaristia é o lugar privilegiado do encontro do
discípulo com Jesus Cristo” (DAp 251) e o viático do missionário peregrino.
"Não tenhais medo” de dizer ao povo: para que
essa plena participação na Eucaristia aconteça, existem, na Igreja Católica,
dificuldades na compreensão da competência sacramental. Mas existe também o
imperativo da lei suprema que representa o último Artigo (cf. Cân. 1752) do
Direito Canônico: "A salvação das almas deve sempre ser a lei suprema”. Em
função dessa "lei suprema” e da "comunidade de comunidades”
precisamos repensar o tratado sacramental que se formou, basicamente, no tempo
pós-apostólico e medieval. Ao menos precisamos explicar onde estão as
dificuldades, as possibilidades e impossibilidades de avançar na discussão
sobre os "viri probati” que parou logo depois do concílio.
Desde
as origens da cristandade, o grande desafio pastoral, que é o pivô da
"comunidade de comunidades missionárias” foi transformar os cristãos
culturais e tradicionais em discípulos missionários. O processo de urbanização,
a volatilidade religiosa pós-moderna e a estrutura ministerial inadequada à
realidade pastoral, associados a muitos outros fatores, produziram, na América
Latina e no Caribe, uma redução dos católicos e presbíteros em números absolutos
(DAp 100a).
A precariedade numérica faz repensar a riqueza da
"natureza missionária” do povo de Deus. Como deixar aflorar essa
"natureza missionária”, aprisionada por estruturas institucionais? Como
abrir os olhos dos batizados para a realidade do continente e do mundo, e
chamá-los à sua responsabilidade (DAp 14, 33)? A realidade interpela aos
cristãos e seus pastores; cobra coerência com as promessas e os imperativos do
Evangelho e "um compromisso com a realidade” (DAp 491).
A análise foi feita por Aparecida. O texto sobre a
"nova paróquia” não precisa repetir as análises, mas coloca-las no chão
concreto das comunidades. Não tenhais medo de receber respostas ou propostas
inesperadas das comunidades! Onde encontram-se exemplos dessa missionariedade?
Não vamos dar respostas à perguntas que não existem! Não vamos proibir temas
sobre os quais não se pode falar! Deixemos as comunidades falar sobre as
estruturas paroquiais caducadas e sonhar com a "nova paróquia”! A novidade
da paróquia será a sua missionariedade como paróquia samaritana e advogada da
justiça dos pobres. Essa missionariedade perpassa todos os planos pastorais, o
livro de caixa, a formação dos agentes. Ela é vivida a partir de pequenas
comunidades que aprofundam sua fé na leitura da palavra de Deus, celebram sua
vida na Eucaristia e, ao anunciar a proximidade do Reino, procuram seguir
Jesus, na responsabilidade para com o mundo além de qualquer fronteira (urbi et
orbi), capaz de se converter, de perdoar e de curar as feridas da humanidade
(cf. Mc 1,15; RMi 14,2).
4. Horizonte metodológicos – Quatro
passos
1.VISÃO:
levantamento da realidade da paróquia e do povo com o povo.
2.PARTICIPAÇÃO:
estruturar e discutir esse levantamento com lideranças que estão em processo de
formação permanente.
3.COMUNHÃO:
construção das comunidades com as lideranças bem esclarecidas sobre metodologia
e objetivos.
4.MISSÃO:
anúncio do Reino aos pobres, conversão, perdão, cura real e/ou simbólica das
feridas da humanidade. Da MISSÃO, o discípulo missionário traz sempre uma VISÃO
mais profunda da realidade. O processo metodológico é de uma espiral, não de um
círculo.
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segunda-feira, 20 de maio de 2013
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 329. Coisas de Francisco-01.
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quinta-feira, 16 de maio de 2013
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO, Nº 327. São Simão Stock, Carmelita.
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Um coração preocupado: O Trágico na vida e os sofrimentos da humanidade.
John Welch, O. Carm
Uma dos aspectos que tornam atraente a tradição
carmelitana é sua luta honesta com os problemas e as forças obscuras que atacam
o corpo e o espírito. O Carmelo não evita o trágico na vida, mas o enfrenta
diretamente. O sofrimento é uma grande parte da experiência do povo, e uma
espiritualidade que não reconheça o sofrimento será ignorada. Os santos do
Carmelo compartilham as dificuldades da vida .
Porém
sua experiência mais difícil surgiu justamente quando sua relação com o Senhor
era mais íntima. Ela começou a
questionar todo seu itinerário existencial, perguntando se tudo não fora criado
por sua imaginação, ou, se era de fato a
presença de Deus em sua vida. Teria
imaginado que Deus tinha sido bom
com ela no passado? Ela própria tinha
sido boa no passado ou tinha imaginado isso? Em outras palavras, quando se
esperaria que a amizade com Deus fosse base
sólida, então surgiram as
dúvidas. Há alguém em casa, no centro? Tendo entregado sua vida e sua melhor energia ao seguimento dessa
“chama” , ela começou a perguntar-se se tudo era ilusão.
Perguntas para refletir
Whitefriars
Hall , Washington
Edith Stein e Tito Brandsma experimentaram a profundidade
da crueldade humana e do mal inexplicável. Teresa de Lisieux em sua curta e
escondida vida experimentou uma grande quantidade de sofrimento. Teresa de
Lisieux conheceu o sofrimento produzido pela luta tanto
no interior como no exterior de sua alma. A forte reputação de João da
Cruz, seu mesmo nome, e sua imagem da “noite escura” falam de uma
espiritualidade que leva a sério assumir um compromisso com o lado obscuro da
vida. Pensemos também nos primeiros carmelitas que foram à periferia da
sociedade e aí , sem distrações, abriram suas vidas à luta interior entre os
bons e os maus espíritos.
As pessoas se sentem atraídas para uma espiritualidade
que encontra palavras para seus sofrimentos mais profundos, e ao mesmo tempo
oferece uma esperança ao coração
nestes tempos escuros. Os santos do Carmelo, nos diferentes séculos e
culturas, compartilharam os sofrimentos comuns da humanidade. Um peregrino de
qualquer época pode relacionar-se com os sofrimentos dos santos do Carmelo e desejar tê-los como companheiros
de caminho neste vale de sofrimentos. É bom voltar a recordar suas
dificuldades.
Por exemplo, hoje em dia muitas pessoas podem
identificar-se com os problemas de Teresa de Lisieux. Quando menina experimentou,
não somente a perda de sua mãe, mas também a perda das seguintes mães que
cuidaram dela. Frágil continuou e conheceu o sofrimento da neuroses e a debilitação causada pelas doenças psicossomáticas. Observou
impotente a deteriorização mental de seu pai, uma figura heróica em sua vida, e
seu internamento num asilo. O Carmelo foi para ela como um deserto e em sua
última doença mental e física,
conheceu a tentação do suicídio. Sua
aparência doce nunca enganou aos devotos
de Teresa. Reconheciam nela uma
companheira de sofrimentos que sabia por
experiência o difícil que pode ser a vida.
No entanto, deu testemunho do amor que estava presente em tudo e nunca a abandona.
Teresa expressou seu desejo de toda vida: sofrer.
Sentia uma atração tão misteriosa pelo sofrimento que se não o tivesse
relacionado com o amor, seria suspeito.
Desde que entrou no Carmelo, Teresa começou a experimentar secura no coração e
permaneceu nesta condição através do
resto do breve tempo que esteve ali. E, assombrosamente, sua autobiografia com
seu atraente manuscrito “B” foi escrito
enquanto ela estava passando por
uma terrível noite escura do espírito
e quando tudo estava em dúvida. A
idéia do céu que tinha inspirado toda sua vida
na qual acreditava e se afastava dela. Intelectual e afetivamente não
tinha certeza alguma em relação à
direção de sua vida. Ao mesmo tempo
escrevia essa linda passagem a respeito
de ser o amor no coração da Igreja e enviava cartas inspiradoras a seus irmãos
missionários.
Teresa
estava experimentando sua própria transformação no forno de um amor obscuro. O
único que ficava era o centro de sua fé, sua confiança, seu amor. Quando ela nos anima a confiar e a acreditar que “tudo é graça” não o faz a partir de uma
posição de deleites tangíveis da presença amorosa de Deus, mas a partir de sua
experiência da ausência de Deus e das rejeições de sua mente. O Cardeal Daneels se perguntava se
Teresa poderia ser chamada a “Doutora da esperança” devido a seu testemunho na possibilidade humana
de continuar adiante quando todos os apoios desapareceram.
O amor obscuro de Deus
Teresa de Ávila advertiu que as lutas dentro de nossos
frágeis psiquismos são muito mais difíceis que as externas. Teresa teve que vencer muitos obstáculos em
sua reforma. Teve que lutar com os opositores, com a compra de casas adequadas
para suas comunidades, contratar operários para reformá-las, arrecadar fundos
para sua manutenção, recrutar membros
para a comunidade, relacionar-se com vários eclesiásticos que não a apoiavam,
viajar pelos difíceis caminhos da Espanha em más condições e enfrentar algum
litígio com a corte.
Não obstante, ela comunicou que estas batalhas não se
comparam com as batalhas enfrentadas em sua alma, enquanto ela se ocupava de
suas profundidades na oração. “...Escutar Sua voz dá mais trabalho que não
escutá-la”. Pode parecer que a
reflexão de Teresa sobre o “entrar em si
mesmo” seria como ir para casa; que as batalhas
de fora são uma coisa, mas dentro da alma tudo é harmonia. Entretanto, foi o contrário, pois ao entrar em seu interior, verificava
que estava em guerra consigo mesma.
A oração lança luz sobre aspectos de nossa alma que
anteriormente não tínhamos
examinado. As compulsões, os
apegos, as maneiras não autênticas de viver, o falso eu, e os falsos deuses,
tudo sai à luz enquanto a pessoa vai se afinando mais na verdade. Esta
desagradável experiência pode conduzir ao medo, à debilidade do coração
e à tentação de abandonar o
itinerário existencial. O chamada
de Teresa à valentia e a determinação através
de uma vida de oração não é demasiadamente dramática.
Aquilo de que a alma necessita, escreveu Teresa, é do conhecimento de si mesma. E a
porta desse conhecimento de si mesma,
a porta ao interior do castelo, é a oração
e a reflexão.
Sem um esforço orante, nos manteremos desesperançosamente
fechados na periferia de nossas vidas perguntando aos outros e à criação o que somente
Deus pode nos dizer, isto é, quem
somos. Sem um verdadeiro centro que
emerja de nossas vidas, viveremos com
muitos “centros”, fragmentados e
dispersos, pedindo a cada um deles que realize os desejos do nosso
coração. O único antídoto contra a morte
certa que decorre do apego aos ídolos, é a dolorosa batalha que supõe entrar em si mesmo através da oração.
Os leitores modernos podem simpatizar com Teresa enquanto ela enumera as dificuldades de sua vida que são, ter sido elogiada demais, injustamente
criticada, tendo além de tudo que sofrer as contradições de homens bons que pensavam
que suas experiências de oração
vinham do demônio e diariamente
tinha que enfrentar-se a sua saúde precária.
A
pergunta também seria feita de outra
maneira: O final será todo bom? Tudo isso: a criação, o plano da salvação, o
próprio Deus, é para nós? Ou somos uma
paixão inútil? O imenso desejo de nosso
coração, a fome da alma, serão frustrados no final de tudo? Ou existe uma
realidade, um amor do tamanho do nosso desejo? Todas estas perguntas estão no
coração do peregrinar humano.
O tempo, a perseverança, e a graça de Deus, deram a
Teresa a resposta às suas dúvidas. Mais tarde ela nos fala da ausência dessas
dúvidas que lhe corroíam a alma, e da certeza de uma relação profunda, mas não
preocupante com o Senhor. Porém, ainda
nessa condição que ela identifica com o “desponsório espiritual” diz que confia
mais no sofrimento. Ainda nos momentos em que estava presa na periferia da
vida, ela sabia que o discípulo de
Jesus levaria a cruz e que através desta
surgiria a vida. Ela não construía cruzes artificiais em sua
vida, mas também não fugia das cruzes
que a vida lhe apresentava. Ela tinha aprendido
a confiar nesse, às vezes, obscuro amor de Deus.
Noites escuras
A metáfora da noite escura de João da Cruz nos lembra que
a experiência de amor de Deus, não é sempre uma experiência pronta da união de
toda criação. Na noite escura o amor de Deus se aproxima de uma maneira que
parece negar-nos, parece que Deus está contra nós. Mas João afirma que nada no
amor é escuro ou destrutivo, mas por causa da nossa necessidade de
purificação, é que experimentamos o amor
como escuro.
João nos dá uma descrição convincente sobre os momentos da
vida em que se desvanecem as consolações e orar é impossível. O desejo está
ainda presente, mas se esgotou no esforço para
libertar-se dos ídolos. O teólogo
Karl Rahner comentou que todas as sinfonias da vida permanecem sem
conclusão. Em cada relação, em cada
posse sempre haverá um momento em que surgirá a sensação de carência. Esta frustração do desejo e a atração por
algo mais além, é a inquietude que causa o contínuo convite de Deus para uma
união mais profunda.
Quando os deuses morrem durante a noite, se eclipsa a
personalidade. Carl Jung, o psicólogo, disse que não podia distinguir os
símbolos dos deuses que representam o ser humano. Quando uma pessoa perde seu
Deus-símbolo a personalidade começa a desintegrar-se. Esta afeição obscura
permanece até que emerja um novo símbolo-Deus antigo.
O conselho que dá João da Cruz durante esta crise na vida
é de muita ajuda. Ele nos dá
certeza de que o amor de Deus está em
algum lugar presente no meio dos restos da vida, mas que inicialmente não será
experimentado como amor. João aconselha paciência, confiança e perseverança.
Esta atividade amorosa de Deus nos liberta dos ídolos e restabelece a saúde de
nossas almas. Os “deuses” morrem na noite e a alma necessita passar por um
processo de sofrimento. O caminho incorreto seria solucionar ou curar esta
condição artificialmente, ou nega-la
totalmente. João aconselha a enfrentar a condição, entrar nela com paciência, e
ali onde o coração estiver lutando com mais força, ficar atentos à chegada do
amor. João nos convida a uma “atenção amorosa” na escuridão; é tempo de ser um
guardião na noite. A contemplação é uma
abertura ao amor transformante de Deus, especialmente quando Ele aparece
disfarçado.
A intensa experiência que João chama a noite do espírito
é simultaneamente uma forte experiência de nosso pecado, da finitude de nossa
condição humana, e a sempre emergente transcendência de Deus. Enquanto se está
nesta condição as palavras carecem de significado. João escreve que é tempo de “moer o pó”. Tudo
o que cada um pode fazer é realizar o próximo ato de amor que se apresente. No
deserto o peregrino continua sua viagem existencial, apoiado numa verdadeira fé
bíblica. João está convencido de que
somente no contexto desta fé purificada é pode acontecer a relação com Deus.
Como aconteceu com Teresa de Lisieux que seu pensamento sobre o céu se
desvaneceu, ao peregrino que já não possui o objeto de sua esperança, recorda
que a esperança é aquilo que ainda não se possui.
Os escritos de João não se limitam ao sofrimento. Sua poesia e seus comentários, foram escritos
a partir do outro lado das lutas. A noite se converteu numa experiência
iluminadora e num guia mais seguro que o dia.
A chama que uma vez doeu agora é cauterizada e curada . E a ausência que o levou `a
procura do Amado se revela como uma Presença compassiva escondida
no seu desejo.
Uma nova espiritualidade
As testemunhas contemporâneas do Carmelo que
testemunharam sua fé no meio de um sofrimento monstruoso, são as vítimas dos
campos de concentração, Titus Brandsma e Edith Stein. Brandsma resistiu à propaganda nazista e
Stein se identificou com seu povo perseguido. Eles foram presos na poderosa
corrente do mal social do Século 20. Na experiência de serem despojados de toda
segurança e apoio, estes carmelitas deram testemunho de uma vida de fé,
esperança e amor no meio das condições mais difíceis. No reconhecimento de seu
testemunho a Igreja confirma a autenticidade de suas vidas e os coloca entre aqueles
arriscaram tudo no seguimento de Cristo.
A regra do Carmelo conduz a várias
formas de ser discípulo, mas todas levam a abraçar a Cruz.
Os Gerais das duas Ordens Carmelitas nos chamam a uma
”nova espiritualidade” para complementar a “nova evangelização”. Esta nova
espiritualidade surgirá do crescente conhecimento que o Carmelo vai tendo sobre
a realidade mundial que as pessoas experimentam? Enquanto o rosto do Carmelo vai mudando e
entram novos membros na ordem,
especialmente vindos dos países mas povoados e pobres, a situação das massas
empobrecidas do mundo chegarão às portas do primeiro mundo. A
internacionalidade da ordem e o vinculo internacional da família carmelitana
nos oferecem uma oportunidade única para escutar o Espírito nos diversos
contextos, e esta escuta nos desafia a dar uma resposta.
João Paulo II ampliou a imagem da noite escura de João da
Cruz para incluir os sofrimentos do mundo moderno:
Nossa época conheceu tempos de sofrimento que nos tem
feito compreender melhor esta expressão e dar-lhe um certo caráter coletivo.
Nossa época fala do silêncio ou da ausência de Deus. Conheceu tantas
calamidades, tantos sofrimentos
infligidos pelas guerras e por
matanças de tantos seres inocentes. Usamos agora o termo noite escura para todos os aspectos da vida e não somente
par uma fase da viagem espiritual.
Recorremos à doutrina do santo como resposta a este mistério do
sofrimento humano.
Faço referência específica ao mundo do sofrimento. Sofrimento
físico, moral, espiritual, como as doenças, como as pragas da fome , a guerra,
a injustiça , a solidão , a falta de sentido da vida, a fragilidade da
existência humana, o doloroso conhecimento do pecado, a aparente ausência de
Deus; são para o crente experiências purificadoras, às quais se podem chamar
noite da fé .
A
esta existência São João da Cruz deu o nome simbólico e evocador de noite escura e se refere explicitamente à
inquietante obcuridade do mistério da fé . Ele não tenta dar resposta ao
terrível problema do sofrimento na ordem especulativa; mas à luz das Escrituras
e da experiência descobre algo da maravilhosa
transformação que Deus efetua na escuridão, posto que, “...de modo tão
sábio e formoso sabe ele tirar dos males bens;...” ( Cant. B 23: 5).
Finalmente, nos dispomos a viver o mistério da morte e a ressurreição de Jesus
em toda sua verdade..
Resumo
O Carmelo não tem resposta para o mistério do mal. Mas o
Carmelo fez a experiência do caminho
difícil e oferece uma palavra de esperança para o peregrino que sofre. O
sofrimento profundo e as experiências do trágico na vida fazem parte da
caminhada de cada pessoa. As limitações
de nossa condição humana e as forças destrutivas presentes no mundo com
freqüência atacam nossa fé. Apesar da evidência contraria, o Carmelo testemunha
que o amor de Deus está sempre presente ainda nos restos de nossas vidas.
O Carmelo nos oferece uma análise particular e poderosa
do impacto do amor de Deus no espírito e na personalidade humana. Convidando
para uma relação mais profunda, ele desafia o peregrino a largar todos os
apoios e a caminhar com confiança para o futuro de Deus. O cristão com freqüência experimenta ataques
tanto no espírito como na psique, enquanto vai desenvolvendo o ambiente
divino. O Carmelo oferece uma linguagem
e umas imagens expressivas para estes sofrimentos, e é muito eloqüente ao
recomendar uma vigília silenciosa para esperar a chegada de Deus.
Os santos do Carmelo confiaram no sofrimento e com
freqüência expressaram seu desejo de levar a cruz em seu discipulado. Entretanto, este desejo de sofrimento só tem
significado no contexto de resposta amorosa às iniciativas do amor de Deus . O
sofrimento de Jesus na Cruz nasceu do seu amor ao Pai e aos irmãos e não do
amor ao sofrimento.
1-Qual
tem sido minha experiência de caminhar pelo caminho escuro? Tenho deixado
outros caminhos para ser conduzido por um caminho não escolhido por mim? O quê
mais me ajudou?
2-Como
devo proceder quando o caminho não está claro?
3-Que
consolo ou orientação o Carmelo oferece às pessoas que vivem situações
dolorosas?
4-Como
a Ordem do Carmo responde à noite escura que sofre tanta gente no mundo?
Poderia ser isto parte da nova espiritualidade a que nos chamam os Gerais de
nossas Ordens?
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
04:54
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