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sábado, 9 de agosto de 2014

Edith Stein: Reflexões sobre a oração

Curso de Formação Carmelitana em módulos. Módulo VI - Testemunhas da Vivência Carmelitana.
Frei Emanuele Boaga, O. Carm.
Ir. Augusta de Castro Cotta, CDP. Roma 2003.
        
        17 - Por Cristo se dá glória a Deus

Toda a glorificação de Deus se realiza por, com e em Jesus Cristo. Por Ele, uma vez que é só, pelo Cristo que a humanidade tem acesso ao Pai, e porque sua existência de Deus-Homem e sua obra redentora são a mais perfeita glorificação do Pai. Com Ele, uma vez que toda oração sincera é fruto dessa união com Cristo ao mesmo tempo que uma confirmação de tal união, e porque todo louvor do Filho é glorioso ao Pai, e reciprocamente. N'Ele, uma vez que a Igreja orante é o próprio Cristo - cada orante é membro do seu corpo místico - e porque no Filho está o Pai. O Filho é o reflexo do Pai, cuja glória manifesta. Esse duplo sentido de por, com e em é a clara expressão da mediação do Deus-Homem. A oração da Igreja é a oração do Cristo sempre vivo. Ele prolonga, imitando-a, a oração do Cristo em sua vida de homem. (A oração da Igreja, Agir, Rio 1958, p. 20-21).

18- Sacrifício vivificante

Se os homens tomarem (a SS. Eucaristia) com fé, também eles serão transformados, incorporados ao Cristo, numa união viva, e repletos de sua vida divina. A força vivificante do Verbo é unida ao Sacrificio. O Verbo se fez carne para dar a vida que possui. Ofereceu-se a Si mesmo e ofereceu a criação resgatada por sua oferta em sacrificio de louvor ao Criador. A Páscoa da Nova Alianca na última Ceia do Senhor, no Gólgota pelo sacrificio da Cruz, entre a Ressurreição e a Ascensão pelos ágapes jubilosos em que os discípulos reconheciam o Senhor na fração do pão e, no sacrificio da missa, pela Santa Comunhão. (A oração da Igreja, p. 25-26).

19 - O Dom Eucarístico

Pode-se considerar o dom contínuo do Cristo sobre a Cruz, na Santa Missa e na eterna glória do céu, como sendo uma só e grande ação de graças: a Eucaristia. Ação de graças pela Criação, pela Redenção e por sua derradeira consumação. Oferece-Se Ele a Si mesmo em nome de todo o universo criado, do qual é a primeira figura e ao qual desceu para o renovar interiormente e o conduzir á perfeição. No entanto, chama, também, todo esse universo criado para, em união com Ele, dar as graças devidas ao Criador. (A oração da Igreja, p. 27).

 20 - O novo Templo de pedras vivas

Em lugar do Templo de Salomão, o Cristo construiu um templo de pedras vivas: a comunhão dos santos. Ele permanece no meio dele como o Sumo e Etemo Sacerdote e, no altar, é Ele próprio a vítima perpétua. E, novamente, os frutos da terra, oferendas misteriosas, as flores, os candelabros e os círios, os tapetes e o véu, o sacerdote consagrado, a unção e a bênção da casa de Deus, toda a criação é incluída na 'liturgia", no solene oficio divino. (A oração da Igreja, p. 29).

 21- A  vocação humana, o louvor divino

Quando, para as grandes festas, afluem os fléis às igrejas abaciais ou catedrais e tomam parte, ativa e jubilosamente nas formas renovadas da vida litúrgica, estão testemunhan do que sua voceção é o louvor divino. (A oração da Igreja, p. 31)

 22 -O Pai nosso realiza os nossos pedidos

Dizemos antes da Santa Comunhão, e se o fizermos sinceramente e de todo o nosso coração, se comungarmos o Corpo do Cristo com uma intenção reta, Ele nos há de trazer a realização de todos os nossos pedidos. Ele nos livra do mal, purificando-nos do pecado e dando-nos a paz do coração que tira o aguilhão dos outros males. Ele nos traz o perdão dos nossos pecados e nos fortifica contra as tentações, como Pão da vida de que necessitamos todos os dias, para nos enraizar e crescer na vida eterna. Ele faz de nossa vontade um instrumento dócil á vontade divina. Desse modo, instaura em nós o Reino de Deus, dando-nos lábios e coração puros para cantar a glória do Seu Santo Nome. (A oração da Igreja, p. 32-33).

 23 - A oração de Jesus e a da Igreja

Cada alma é um templo de Deus: grande e nova perspectiva. A vida de oração de Jesus é a chave que nos introduz na oração da Igreja. Vimos que o Cristo participou do culto público do seu povo, culto que se denomina, habitualmente, a "Liturgia". Une Ele esse oficio, da maneira mais estreita, à sua própria oferta de vítima, dando-lhe, então seu pleno e verdadeiro sentido de ação de graças ao Criador, e transformando a liturgia do Antigo na do Novo Testamento. (A oração da Igreja, p. 35).

 24 - A oração de Maria e o nascimento da lgreja.

A Redenção foi decidida no etemo silêncio da vida divina. A força do Espirito Santo sobreveio á Virgem quando orava solitária, na humilde morada silenciosa de Nazeré, e operou em seu seio a Encarnação do Redentor. Reunida em torno da Virgem, orando em silêncio, é que a Igreja nascente esperou a nova efusão do Espirito que lhe havia sido prometida para intensificar a sua luz interior e tornar e sua ação fecunda. (A oração da Igreja, p. 41).

 25- O segredo da vida interior

A oração sacerdotal do Salvador (cf. Jo 17) entrega-nos o segredo da vida interior: unidade íntima das pessoas divinas e inabitação de Deus na alma. Nessas secretas profundezas, no mistério e no silêncio é que foi preparada e se realizou a obra da Redenção; e é deste modo que ela prosseguirá até o fim dos tempos, até o momento em que todos serão efetivamente um em Deus. (A oração da Igreja, p. 40-41).

 26 - A força da oração 

A história oficial cala-se a respeito dessas forças invisíveis e incalculáveis (da oração). Mas a confiança dos fiéis e o juizo atento e vigilante da Igreja as conhecem. Nossa época, tantas vezes mal sucedida, vê-se cada vez mais forçada a esperar, dessas forças ocultas, a suprema salvação. (A oração da Igreja, p. 48).

 27 - O supremo grau da oração  

Que seria a oração da Igreja se não fosse ela o dom daqueles que amam com um grande amor o Deus que é Amor? O dom total de nosso coração a Deus e o dom que Ele nos faz em troca, a plena e eterna união, tal é o estado mais elevado que nos seja acessível, supremo grau da oração. As almas que o atingiram são, verdadeiramente, o coração da Igreja: nelas vive o amor sacerdotal de Jesus. Ocultas em Deus com o Cristo, só podem irradiar em outros corações o amor divino que as possui e, desse modo, contribuir para a perfeição de todos na uniáo a Deus, o que, no passado e no presente, é o único desejo de Jesus (A oração da Igreja, p. 51).

 28 - Não há dualismo para quem se une a Deus

Tudo é uma só coisa para as almas ditosas que chegaram à unidade profunda da vida divina: o repouso e a ação, o contemplar e o agir, o calar e o falar, o ouvir e o comunicar-se, o receber dentro de si, no amor, o dom divino e retribuir o amor em abundância, na ação de graças e no louvor (A oração da Igreja, p. 53).

 29 - Vida de oração

Na Regra Carmelitana se resume, numa breve frase, o sentido da nossa vida: «Que cada um permaneça na sua cela ... meditando dia e noite na lei do Senhor e velando em oração, desde que não seja impedido por outros trabalhos». «Velando em oração...», isto significa o mesmo que Elias expressava com as palavras: «...prostrado diante do rosto de Deus». A oração não é outra coisa senão o olhar do homem dirigido para o rosto do Eterno. Isto só é possível se o espírito estiver desperto até às profundezas e liberto de todas as preocupações e satisfações terrenas que o aturdem. Essa vigília do espírito não exige a do corpo, e o descanso que exige a natureza também não a afeta. Meditando na lei do Senhor...,  pode ser uma forma de oração, se tomarmos a oração em sentido amplo. Se nos referimos, contudo; ao velar em oração como a penetração e o descanso no mistério de Deus, que é próprio da contemplação, nesse caso a meditação é somente um caminho para a contemplação.
Que se entende por lei do Senhor? O salmo 118 está imbuído por este desejo de penetrar na lei do Senhor e de se deixar conduzir por ela ao longo da vida. Talvez o salmista pensasse na lei do Antigo Testamento, cujo conhecimento exigia efetivamente a dedicação de toda a vida, e o exercício exato de seu cumprimento. Cristo, contudo, libertou-nos do jugo dessa lei. A lei do Novo Testamento é o grande mandamento do amor, do qual Cristo diz que resume toda a Lei e os Profetas. O amor perfeito de Deus e do nosso próximo é, sem dúvida alguma, um objeto digno de contemplação para toda a vida. Melhor, podemos interpretar o próprio Cristo como a lei do Novo Testamento, pois deu-nos o exemplo com sua vida de como devemos viver. Segundo isto, só realmente cumpriremos a nossa Regra se tivermos constantemente diante de nós a imagem do Senhor, para nos assemelharmos cada vez mais a ela. O Evangelho é o livro que nunca podemos deixar de estudar.
Não temos acesso ao nosso Redentor unicamente através dos testemunhos sobre a sua vida, mas Ele está constantemente presente no Santíssimo Sacramento. As horas de adoração diante do Altíssimo e a escuta atenta da voz de Deus, presente na Eucaristia, são simultaneamente meditação da lei do Senhor e vigília na oração. A perfeição, contudo, somente é alcançada quando a lei vive dentro do nosso coração (Salmo 118, 11) e quando estamos de tal modo unidos com o Deus Uno e Trino, de quem somos templo, que o seu Espírito determina todo o nosso agir. Nesse estado não abandonamos o Senhor, mesmo que estejamos acupados com os trabalhos que nos foram determinados pela obediência. O trabalho é inevitável enquanto estivermos submetidos às leis da natureza e às necessidades da vida. A nossa santa Regra, além disso, ordena-nos, segundo as palavras e o exemplo de S. Paulo, que ganhemos o pão com o trabalho das nossas mãos. Esse trabalho, contudo, precisa ter o caráter de serviço e de meio, e nunca de fim. O conteúdo autêntico da nossa vida continua a ser: viver prostradas diante do rosto de Deus.

(De: Los caminhos del silêncio, Editorial de Espiritualidad, Madrid, 1988; parrafo: Sobre a história e o espírito do Carmelo).

Edith Stein: Considerações Sobre a Mulher


Curso de Formação Carmelitana Módulos EM Módulo VI - Testemunhas da Vivência Carmelitana.
Frei Emanuele Boaga, O. Carm.
Ir. Augusta de Castro Cotta, CDP. Roma 2003.

1 - Mulher: imagem de Deus

O SENTIDO da existencia especificamente feminina Localidade: Não PODE Ser compreendido somente pelas Relações Homem-mulher. Dado that essas Relações Acham se intimamente ligadas à Reprodução, E indispensável LeVar los Conta OS Vínculos Particulares that ligam a Mãe uma SEUS Filhos. Por Lado Outro, ja se mostrou com precisão Suficiente Que Toda Criatura E Feita a Imagem de Deus, e POR conseguinte, o Ser feminino DEVE ter, ELE also, Uma Parte nessa função de Imagem. Em suma, Sera necessario perguntar-se, Quanto Go to this SENTIDO ÚLTIMO fazer Ser feminino, se ELE PODE Ser Realizado Unicamente Pelo Casamento e Pela matemidade, OU SE PODE Ser Realizado de Outro Modo. ( La femme et sa Destinée, Bibli. Catholiquc, Amiot et Dumont, Paris 1956, p. 59-60).

 2 - A Mulher no judaismo

A Esposa-Mae goza de Alta estima nenhuma seio da familia (judaica) fama e SUA ultrapassa los Muito OS Limites da Casa. Ela Cuida do Bem-Estar da Casa e de Todos os SEUS Habitantes, abre como Mãos AOS Pobres, Merece Toda a Confiança do Marido. MESMO OS FILHOS Adultos um consultam e ouvem SEUS Conselhos. Ela abre um parágrafo boca exprimir a Sabedoria, ea lei da ternura repousa SOBRE SUA LINGUA. Tudo Isto É LHE Acontece o Porque Ela teme o Senhor. Ai reside o Segredo da eficacia de SUA ATIVIDADE e de SEUS Sucessos. Em algumas familias judaicas, Que se mantiveram Fiéis á Tradição do Antigo Testamento , A Mulher mantém ATÉ Hoje Seu Prestígio de rainha. Cabe-LHE um sublime Tarefa de Por Filhos No Mundo e Cuidar, Nao somente fazer Seu Bem-Estar Físico, mas also Educa-los sem Temor faz Senhor. ( La femme et sa Destinée , p. 60-61).

 3 - Maria de Semper ao Lado do Senhor

Vemos Semper Maria ao Lado do Senhor. O Serviço Que ELA LHE presta E Imediato, e imediatamente Ela interceda Pelos Homens Junto a Deus. E um recebe Graça Que ELA fazer o logotipo Senhor uma derrama SOBRE OS Homens. María de: Não represen o Senhor, mas o de sempre Acompanha; e nisto o Lugar Que ELE Ocupa E Semelhante AO de Eva Junto AO Adão Primeiro. Se Ocupa ESSE Lugar, não entanto, Nao E POR Causa fazer Senhor, mas POR Causa de NOS. E se Maria e A Mãe dos vivos, Nao E o Porque posteriormente TODAS es Gerações iriam Nascer Dela, mas o Porque Seu amor amor materno Abrange TODO o Corpo Místico EO Senhor, Que é Sua Cabeça. Em SUA virgindade, ELA E uma pura e Primitiva Imagem da Mulher, e Isto É MESMO Pelo Fato de Ela se MANTER Junto AQUELE Que É um TODO Homem Imagem de originais, e conduzir a Humanidade parágrafo Ele. ( La femme et sa Destinée , p. 62)

4 - A imitação de Maria

Se Maria e um original Imagem da pura feminilidade, a imitação de Maria Devera Ser uma meta de Toda a Instrução das Moças. E, se FOI ÀS confiado Mãos da Rainha do Céu DISTRIBUIR como Graças, Sera necessario, parágrafo atingir a meta da Educação, Nao somente elevar o Olhar Para Ela, mas Antes de Tudo apegar-se a Ela com Toda a Confiança. A imitação de Maria Localidade: Não Difere da imitação de Cristo Pelo Simples Fato de Maria ter Sido a Primeira a imitar a Cristo. FOI also O Primeiro e Mais Perfeito RETRATO de Cristo. E POR ISSO MESMO uma imitação de Maria Localidade: Não E somente Dever das Mulheres, mas de TODO Cristão. Pará como Mulheres, não entanto, ESSE Caminho E singularmente precioso, POR Leva-las a Imagem do Cristo UMA Que É Própria de SUA condição feminina. ( La femme et sa Destinée , p. 66).

 5 - Ética Profissional

Por Ética Profissional Queremos referir-SOE á atitude permanente da alma UO à totalidade dos Habitos Que se manifestem na Vida Profissional de UMA Pessoa, enquanto principios formadores Que se exercem de Dentro Para Fora. A Ética E essencialmente determinada Pela atitude Pessoal Que se manifes nenhuma Exercício da Profissão. QUEM que sejam considerados Seu trebalho Como Simples Fonte de lucro OU mero passatempo, ha de Realiza-lo diversamente daquele parágrafo QUEM o trabaIho á Uma " vocação ", propriamente Falando, e Que se Sente Chamado a ELE. No estrito SENTIDO, somente no Segundo Caso E Que se PODE Falar de Ética Profissional. ( La femme et sa Destinée , p. 78-79).

 6 - A Profissão da Mulher Naturais

Existe UMA Profissão da Mulher naturais, e Que atitude de alma Exige? Somente UMA Pessoa cega Pela Paixão polêmica PODE Negar o Fato de Que evidenciados O Corpo ea Alma da muiher foram criados Pará Fins Particulares. E e Palavra do Evangelho Exprime claramente Aquilo Que uma Experiência de Cada Diâmetro ENSINA HÁ muitos   Séculos:   A Mulher se Acha destinada a Ser uma companheira do Homem ea Mãe dos Homens. Seu Corpo was Feito parágrafo Isto É, e parágrafo Este FIM igualmente se Acha orientada a SUA alma Trata-se aquí de hum Fato empíricamente evidenciados that also decorre do Princípio da " anima forma corporis '(Alma forma do Corpo) de Santo Tomas. E Como Corpos OS São constituídos de Modo TÃO fundamentalmente diverso a despeito de Tudo Aquilo Que a Natureza Humana possui los Comum, E DEVE Certo Que Existir UMA Diferença profunda Nos tipos de alma. A Mulher se inclina parágrafo Tudo Aquilo Que É vivo e Pessoal e tende a apreendê-lo totalidade los SUA. Cuidar, Proteger e conservar, Alimentar e Sustentar eis o Que caracteriza SUA necessidade autenticamente naturais maternas. ( La femme et sa Destinée , p. 80).

 7 - Maria, Mãe e Serva

No centro de SUA Vida se Acha Seu Filho. Espera Seu nascimento los Bem-aventurada Expectativa, Cuida-o in SUA infância, Segue-o Por Todos OS SEUS Caminhos, Próximos UO afastados, Como ELE deseja. Sustenta-o, Morto, nos SEUS Braços; executa o Seu testamento. Mas Tudo Isto É ELA O Faz de: Não Como se Fosse SUA Causa Pessoal.   Ela á uma serva do Senhor, É Tudo ISSO POR ELE E o Porque designada. Por ISSO Localidade: Não Trata o Filho Como se Fosse SUA Propriedade especial: recebeu-o das Mãos de Deus e As Mãos divinas o Entrega, sacrificando-o no Templo e acompanhando-o comeu uma cruz. ( La femme et sa Destinée , p. 84).

8 - Maria, modelo da Vida Profissional

Pensemos los Maria NAS bodas de Caná: a Seu Olhar obsevador de: Não Escapa Coisa alguma e logotipo Percebe o Que ESTA faltando. Antes Que alguem o Faça um Menor Observação, Antes Que se perceba o Menor embaraço, ELA JÁ encontrou o Remédio. Acha o Remédio EO Caminho, AD como Indicações necessárias É Tudo discretamente, SEM SE Fazer Notar. Que ELA SIRVA de Exemplo A Mulher na SUA Vida Profissional. Possa also ESTA, qua SEJA para o Lugar Onde estiver, cumprir SUA Tarefa não e Silêncio na obediência consentida, SEM procurar Chamar a Atenção SOBRE si, NEM procurar nenhuma aprovação. E POSSA ELA, AO MESMO tempo, com Cuidar Um Olhar vigilante de TODAS como circunstáncias Que se apresentarem, um Fim de perceber uma falha Menor, de ver se alguem necessità de Auxilio, O Que LHE permitirá imperceptivelmente Exercer, na Medida de SUAS Possibilidades, UMA Ação equilibradora. ( La femme et sa Destinée , p. 89-90).

9 - A Colaboração    dos sexos na Vida Profissional

Uma Salutar Colaboração dos Dois Sexos nenhuma seio da Vida Profissional Localidade: Não Será, será Possível a Localidade: Não   Ser nenhum dia los Que O Homem ea Mulher tomarem consciencia de SUAS Particularidades Próprias. Deus CRIOU o SER HUMANO macho e femea, e Ambos à Sua Imagem. Somente como Particularidades masculina e feminina, desenvolvidas plenamente e lhes Toda a Pureza SUA, poderão dar um Mais elevada semelhança com Deus ea Mais forte penetração de Toda a Vida terrestre pela Vida divina. ( La femme et sa Destinée , 100 p.).

 10 - Igreja, Corpo Místico de Cristo e Templo do Espírito Santo

Se UMA Comunidade Humana PODE naturais Ser Bem Mais Que UMA Simples Associação de indivíduos distintos, se PODEMOS ver aí UMA tamanha Intimidade that val Ate a Unidade Orgânica, Isto É AINDA Mais verdadeiro da Comunidade sobrenatural da Igreja. A União da alma com o Cristo Difere da Comunhão Entre Duas PESSOAS terrestres: começada Pelo Batismo É sempre de novo reforçada Pelos To Us Link sacramentos, E UMA Integração e UMA Circulação de seiva (cf. o Símbolo da vinha e dos ramos). ESSE ato de União com o Cristo implica UMA LigAção Membro um Membro between de Todos os cristãos. ASSIM a Igreja assumir uma Figura de Corpo Místico de Cristo. ESSE Corpo e hum Corpo vivo, EO Que o Espírito anima E o Espírito do Cristo Que, partindo da Cabeça, se derrama Por Todos Membros OS; o Espírito Que emana do Cristo E o Espirito Santo, ea Igreja E portanto o Templo do Espírito Santo. ( La femme et sa Destinée , pp. 124-125).

11 - Maria, simbolo Perfeito da Igreja

Maria á o Símbolo Perfeito da Igreja o Porque Ela E Sua Imagem Primitiva e Origem. Ela E POR Outro Lado hum ' orgão 'Único da lgreja, AQUELE Que sirva de para Formar o Corpo Místico, e also SUA Cabeça. Para designar SUA posição Orgânica central e essencial, de bom grado ELA E Chamada 'o Coração da Igreja " . TERMOS Os ' Corpo ',' Cabeça ',' Coração 'São certamente Imagens, mas exprimem Todos Algo Bem real. ASSIM Como existem Entre uma Cabeça EO Coração Vínculos excepcionais, da MESMA forma Maria, Que se Acha unida intimamente a Cristo POR Relações unicas e that here, Muito particularmente, denominaremos místicas, se Acha unida AOS To Us Link Membros da Igreja. Tal União ultrapassa de Longe, Tanto na intensity Como na Qualidade, um dos Outros Membros Entre si: E análoga a União de UMA Mãe um SEUS Filhos e superiores à dos filhos Entre si. ( La femme et sa Destinée , p. 128).

12 - Estender OS Braços à Criança carente

Milhões de Crianças Vivem Hoje Como órfáos SEM Pátria, MESMO Que tenham UMA Casa e UMA Mãe. Sentem sede de amor e esperam POR UMA Mão Que OS guie, Que VENHA Tira-los da sujeira e da Miséria e lev-los á Pureza e à luz. Como E Que Nossa Mãe, a Igreja Localidade: Não    abriria amplamente OS SEUS bracos parágrafo apertar contra Seu Peito sos Filhos prediletos fazer Senhor? ( La femme et sa Destinée , p. 145).

13 - A Raiz do Mal

A Raiz do mal DEVE Ser procurada nenhuma das Inversão Relações com Deus. Como uma muiher, Por Seu Pecado, se insurgiu contra Deus e, AO MESMO tempo, dominou o Homem seduzindo-o, SUA punição E Ficar subrmetída AO Dominio do Homem. Pelo Fato de o Pecado AO qua Ela o arrastou ter Sido provavelmente hum Pecado de Sensualidade, A Mulher se Acha Mais exposta Que o Homem ao Perigo da Queda los UMA Vida puramente instintiva. Sempre Alias ​​Que Acontece ESSA Qaeda, E ELA Que de novo arrasta AO mal, enquanto a Luta contra o mal é Sua Missão particular. ( La femme et sa Destinée , p. 173).

 14 - O fóruns Trabalho do lar

Embora se apresentem, Segundo Otras proporções e noutras Relações, TODAS como Forças de O Homem Que dispoe se Acham igualmente na Natureza feminina E até pedem parágrafo Ser Usadas los UMA ATIVIDADE Correspondente. Onde OS Limites dos deveres Domésticos FOREM Muito estreitos, parágrafo permitirem a plena Expansão das Forças, Sera bom ampliar o Raio de Ação. No entanto, se o Faça Tudo com Medida, e Me parece that como Medidas São ultrapassadas when O Trabalho Profissional Põe los Risco a Vida do lar, OU SEJA, uma Comunidade de Vida e de Educação dos país e dos Filhos. Uma ATIVIDADE Profissional masculina levada a tal Ponto that subtraia Totalmente O Homem A Vida familiarizado Me parece contradizer a Ordem divina. Com Mais Razão AINDA, é Preciso considerar Como prejudiciais como condições Sociais los that muitas Mulheres casadas se veem Forcadas a ter UMA ATIVIDADE Profissional that como impeça de dirigir o proprio lar. ( La femme et sa Destinée , p. 180).

15 - Profissões Masculinas   e Femininas

Existiriam, SEGUNDO A Ordem Natural, Profissões reservadas somente AOS Homens, e Outras somente ÀS muiheres (e eventualmente algumas Abertas a Homens e Mulheres)? Insisto, uma pergunta ESTA PODE-SE also responder Pela negativa, sobretudo POR Causa das fortes Diferenças indivíduos that aproximam claramente algumas Mulheres do Tipo masculino e feminino certos Homens fazem Tipo. Constatase, ASSIM, Que Toda Profissão masculina PODE also Ser exercida POR algumas Mulheres, e Toda Profissão feminina PODE Ser also exercida POR certos Homens. Por ISSO, creio Localidade: Não Ser justo, Domínio Neste, erguer Barreiras Jurídicas. DEVE-SE, Simplesmente, Cuidar parágrafo that UMA Educação adequada a Seu Objetivo, Uma Cultura apropriada e UMA judiciosa Orientação tenham Como Resultado LeVar uma UMA ESCOLHA prefissional Que corresponda a Natureza de Cada Pessoa. De Modo Geral, uma Repartição ocorrerá Naturalmente PIs, Dadas as Diferenças indivíduos, existe necessariamente UMA aptidão Específica Que Leva um CERTAS Profissões de Preferência uma Otras. ( La femme et sa Destinée , p. 182).

16 - O sacerdócio das Mulheres

Do Ponto de vista dogmático, parece-me Que Nada existe Que proíba à Igreja instaurar TÃO Extraordinária Novidade (o sacerdócio feminino). PODE-SE, no entanto, invocar Toda UMA Série de Argumentos pró UO contra uma Dessa Inovação Utilidade Prática. O Que se Levanta contra ELA E o Conjunto da Tradição from OS tempos primitivos da Igreja ATÉ NOSSOS dias, e Mais vigorosamente AINDA OS Fatos misteriosos Que JÁ sublinhei. Cristo enquanto Filho   do Homem Veio á terra e, POR ISSO MESMO, a Primeira Criatura that was POR Excelência a Imagem de Deus na terra era hum Homem, O Que Me parece INDICAR Que ELE somente chamou Homens á função sacerdotal. Mas, ASSIM ELE Como se apegou a UMA Mulher Mais intimamente that um QUALQUER Outro Ser Sobre a terra, e a fez à Sua Imagem Como Nome Outro Ser Antes, e ASSIM como, POR Toda a eternidade, ELE LHE concedeu hum Lugar na Igreja Que Localidade: Não Deu um SER HUMANO Nome Outro, da MESMA forma, from Toda a Eternidade chamou algumas Mulheres a se unirem a  fazer Modo Mais íntimo Possível, Como mensageiras de Seu Amor, Como anunciadoras de Suá Vontade Para se dirigir a reis e papas, preparar Pará o Caminho de Seu Domínio no Coração dos Homens: Não PODE portanto Existir Profissão Mais elevada that um de Sponsa Christi, e aquela that vir Este Caminho se abrir Diante de SEUS Olhos de: Não podera escolhér Outro. ( La femme et sa Destinée , p. 185-186).


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

MÍSTICA E MÍSTICOS. (2ª Parte):O QUE ELES NOS CONTARAM

Dom Frei Vital João Wilderink, O. Carm.

Uma jovem universitária
Um dia, cedo ainda, ela foi à faculdade de bicicleta. Uma chuva que caíra durante a noite, tinha lavado as folhas das árvores que beiravam a alameda que ela percorria. De repente, uma gota d’água caiu-lhe na nuca. A reação espontânea seria levar a mão à pele umedecida para desfazer uma sensação incômoda. Mas a jovem ficou profundamente emocionada. Como se tomasse consciência de uma presença que era maior do que aquela sensação provocada pelo pingo d’água, maior do que seus próprios pensamentos. Parecia que as tantas preocupações e barreiras que marcam e fragmentam a vida tinham desaparecido numa transparência, numa unidade interior que não era feita de um simples conteúdo. Como falar disto? Embora cristã, a jovem não dispunha  de uma linguagem religiosa para verbalizar a sua experiência. Quem sabe, com as palavras do Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry poderia ter dito: “o essencial é invisível”. Experiência do numinoso, do transcendente? Uma iluminação? Mas nem essas expressões faziam parte do vocabulário da estudante de medicina.

Um adolescente
Acariciadas pelo vento, as folhas das árvores faziam ouvir um murmúrio. Não foi a primeira vez que ele o notava. Mas naquele dia o fenômeno da natureza o atingiu além dos sentidos. Como se ele mesmo fosse puxado para dentro de uma esfera de silêncio feito de uma plenitude. Foi um breve parêntese onde perdeu a experiência e a noção de tempo e de espaço, mas que o marcou para a vida. O relato me fez pensar no profeta Elias, escondido numa gruta do monte Horeb quando, depois de um furacão, de um terremoto e de um fogo, ouviu o murmúrio de uma brisa suave: “cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou na entrada da gruta” (1 Rs 19, 11-13).

São Bernardo (1090-1153)
Monge cisterciense, fundador da abadia de Clairvaux e de numerosos mosteiros, doutor da Igreja, conselheiro de príncipes e de papas, autor de tratados de teologia, conhecido pelos seus sermões. Num sermão sobre o Cântico dos Cânticos, o abade confessa  que recebeu com certa freqüência a visita do Verbo, mas que não soube explicar como Ele entrou. Afirma, porém, que não foi pela porta dos sentidos naturais.

Então por onde entrou? Ou será que Ele não entrou, visto que não vem de fora?  Pois Ele não é nenhuma das coisas que estão fora de nós. Também é certo que não veio de dentro de mim, porque Ele é bondade, e bem sei que em mim não existe nada de bom. Daí eu me elevei acima de mim mesmo, mas o Verbo está mais além. Intrigado, sondei o que está abaixo de mim, mas Ele está em maior profundidade. Olhando para fora de mim, concluí que está além de  tudo o que do lado de fora fica o mais longe de mim.  E olhando dentro de mim, que a sua presença é mais interior que o meu íntimo. E assim compreendi a verdade daquilo que eu tinha lido: “Nele vivemos, nos movemos e somos” (At 17,28).[1]


Santa Teresa de Ávila (1515-1582)
Religiosa carmelita reforma a sua Ordem com a ajuda de S. João da Cruz. Escreveu várias obras. Em 2 de junho de 1577, por insistência de Frei Jerônimo Gracián, começa a escrever O Castelo Interior ou As Moradas.

Enquanto eu hoje estava suplicando a nosso Senhor que falasse por mim - já que não sabia o que dizer nem como começar a cumprir esta tarefa - veio-me em mente o que agora vou dizer, para começar com um pensamento que sirva de fundamento. Este consiste nisto: considerar nossa alma como um castelo todo feito de um diamante ou cristal muito claro em que há muitos aposentos, como no céu há muitas moradas. Pois, considerando bem, irmãs, a alma do justo não é outra coisa que um paraíso em que Deus, como Ele diz, encontra as suas delícias (Pr 8,31). Pois bem, o que vocês pensam: como será o aposento onde um rei tão poderoso, tão sábio, tão puro, tão rico de todos os bens se regozija? Não encontro nada com que a grande beleza e a grande capacidade de uma alma possam ser comparadas. Realmente, a nossa inteligência, por aguda que possa ser, mal chega a compreendê-lo, assim como não pode chegar a conhecer a Deus; pois Ele mesmo diz que nos criou a sua imagem e semelhança (Gn 1,26). Agora, se é assim - e assim é - não há razão para nos cansar com tentativas para compreender a beleza desse castelo, pois, ainda que entre ele e Deus exista a diferença que há entre o Criador e a criatura - porque o castelo é criatura - é suficiente que Sua Majestade diga que o fez à sua imagem para que apenas  possamos entender a grande dignidade e beleza da alma.[2]
Consideremos portanto que esse castelo tem, como eu disse, muitas moradas, umas no alto, outras embaixo, outras dos lados. E, no centro, no meio de todas está a principal, onde se passam as coisas de grande segredo entre Deus e a alma.[3]

Dag Hammarskjöld (1905-1961)
Nasceu como quarto filho de uma família luterana, pertencente à nobreza sueca. Muito dotado e inteligente, estudou história da literatura, francês, filosofia e economia. Exerceu vários cargos no governo de seu país, principalmente nos setores econômicos e financeiros. Em abril de 1953 foi eleito secretário geral  das Nações Unidas. Morreu num desastre de avião no Congo, em 17 de setembro de 1961, quando estava empenhado em resolver pacificamente os graves conflitos naquele país. No seu apartamento em Nova York foi encontrado seu diário onde descreve o caminho da sua vida interior. Segue o texto escrito no dia de Pentecostes do ano em que faleceu:
Eu não sei quem - ou o que - fez a pergunta. Não sei quando ela foi feita. Não me recordo se respondi. Mas uma vez eu disse sim a alguém - ou a algo. Desde aquele momento tenho a certeza de que a vida tem sentido e que a minha vida, em obediência - tem um objetivo.
Desde aquele momento eu soube o que quer dizer “não olhar para trás”, ou “não preocupar-se com o dia de amanhã”. Conduzido através do labirinto da vida pelo fio de Ariadne desta resposta, alcancei um tempo e um lugar em que tomei consciência de que esse caminho leva para um triunfo que é perda, e para uma perda que é triunfo, que o preço que você recebe pelo engajamento de sua própria vida é injúria, e que a profundidade da humilhação é a única elevação que é possível para o homem. Depois disso a palavra “coragem” perdera para mim o seu sentido, porque não havia mais nada que me pudesse ser tirado.
Caminhando para mais adiante, aprendi, passo por passo, palavra por palavra, que por trás da cada frase do herói do evangelho está um homem e a experiência de um homem. Também por trás da oração para que o cálice fosse afastado dele, e por trás da promessa de esvaziá-lo  até o fim. Como está  por trás de cada palavra na cruz.[4]

Hadewijch (primeira metade do século XIII)
Pouco se sabe da história desta mística. A língua em que escreveu permite localizar Hadewijch na região de Brabante (Bélgica), possívelmente em Antuérpia. Ela exercia uma liderança num grupo de mulheres “religiosas” sem votos. Deixou alguns escritos que abrangem três categorias: Cartas, Poesias e Visões. Estas últimas são relatos da sua experiência de Deus. Cópias manuscritas desses textos foram reencontradas na Biblioteca Real em Bruxelas. Várias publicações desses manuscritos continuam, até hoje,  a incentivar estudiosos ao aprofundamento dos textos de Hadewijch do ponto de  vista literário e espiritual. Segue a tradução de um texto selecionado das Visões:

Meu Amado me deu a compreender e sentir a Si mesmo. Mas quando o vi, caí a seus pés; pois eu tomava consciência de que de todo esse caminho pelo qual fui conduzida a Ele, faltava-me ainda muitíssimo para viver.
E Ele me disse: Levanta-te, porque tu te levantaste em Mim, sem começo, totalmente livre e sem queda. Pois desejaste ser um comigo e para isso fizeste todo o possível e impossível.
(...)
Agora te farei saber o que quero de ti. Eu quero que tu, por minha vontade, estejas disposta a toda forma de miséria. E nisto Eu te ordeno  que jamais ouses irritar-te ou vingar-te por qualquer razão que seja, mesmo através do teu olhar. (...) Ainda te dou - assim falou - um novo mandamento: Tu que desejas possuir tudo de Mim na divindade, se quiseres também ser semelhante a Mim na humanidade, hás de desejar ser pobre, deplorável e desprezada entre todos os homens, e em todas as dores hás de encontrar sabor que ultrapassa todos os prazeres terrestres. Não deixes de modo algum que elas te entristeçam. Elas estarão acima das forças humanas. Se queres alcançar o amor de acordo com o brio da tua índole que me reclama todo inteiro, te tornarás uma estranha entre os seres humanos, tão desconsiderada e deplorável que não saberás onde encontrar um abrigo, nem por uma noite. Todos te deixarão cair e vão abandonar-te e ninguém vai querer estar ao teu lado na tua necessidade e na tua aflição.  Eu te asseguro que passarás por tudo isso nos dias que ainda tens para viver.  Mas  é um tempo breve, pois tua hora ainda não chegou.  
Tu és jovem ainda e queres que Eu reconheça os sofrimentos do teu corpo e o trabalho constante de tuas mãos, e a tua firme vontade de praticar a  caridade, e o desejo do teu coração e o estremecimento dos teus sentimentos, e o amor da tua alma. Pois bem, Eu reconheço tudo isso. Mas reconhece, tu também, que Eu vivia realmente como homem: que meu corpo suportava fortes dores, e que minhas mãos trabalhavam com total fidelidade, e que minha firme vontade de amar abrangia o mundo inteiro, tantos os que estavam distantes como os amigos; e meu espírito estremecia, e meu coração desejava, e minha alma amava. E em tudo isso Eu esperei completar o meu tempo, até chegar a hora em que meu Pai me retomou. Já me disseste que para mim era fácil viver como homem porque Eu tinha os sete dons. Isto é verdade: Eu os  possuía. E não só tinha os sete dons, Eu mesmo era Dom do Espírito de quem procedem os assim chamados dons. E tu me disseste que meu Pai estava comigo. É verdade, nunca nos separamos. Mas faço-te  saber uma verdade escondida sobre mim, a qual, no entanto, era clara para quem a pudesse entender: jamais, em nenhum momento, satisfiz a uma necessidade minha, qualquer que fosse, por meu próprio poder, nem apelei para os dons do meu espírito, mas em muito sofrimento os recebi de meu Pai - conquanto Ele e Eu fôssemos um, como o somos agora - e isto não antes do dia em que chegou a hora da minha consumação. Jamais aliviei, por minha onipotência, a minha aflição ou as minhas dores.[5]

João Paulo II na carta apostólica Novo Millenio Ineunte
Não será porventura um “sinal dos tempos” que se verifique hoje, não obstante os vastos processos de secularização, uma generalizada exigência de espiritualidade, que em grande parte se exprime precisamente numa renovada carência de oração? Também as outras religiões, já largamente presentes nos países de antiga cristianização, oferecem as suas respostas a tal necessidade, chegando às vezes a fazê-lo como modalidades cativantes. Nós que temos a graça de acreditar em Cristo, revelador do Pai e Salvador do mundo, temos obrigação de mostrar a profundidade a que pode levar o relacionamento com Ele.
A grande tradição mística da Igreja, tanto no Oriente como no Ocidente, é bem elucidativa
a tal respeito, mostrando como a oração pode progredir, sob a forma dum verdadeiro e próprio diálogo de amor, até tornar a pessoa humana totalmente possuída pelo Amante divino, sensível ao toque do Espírito, abandonada filialmente no coração do Pai. Experimenta-se então ao vivo a promessa de Cristo: “Aquele que me ama será amado por meu Pai, e Eu amá-lo-ei e manifestar-me-ei a ele”(Jo 14,21). Trata-se dum caminho sustentado completamente pela graça que no entanto requer grande empenhamento espiritual e conhece também dolorosas purificações (a já referida “noite escura”), mas desemboca, de diversas formas possíveis, na alegria inexprimível vivida pelos místicos como “união esponsal”. Como não mencionar aqui, entre tantos testemunhos luminosos, a doutrina de S. João da Cruz e de S. Teresa de Ávila?[6]


[1] Sermo super Cantica Canticorum 74, 5.
[2] Primeiras Moradas, I, 1. Seguimos o texto estabelecido de Tomás Alvarez, ocd, Obras Completas de Teresa de Jesus, Ed. Loyola-Ed. Carmelitanas, São Paulo, 1995. Foram feitas algumas modificações na tradução baseadas no texto espanhol das Obras Completas, 4a ed., Editorial de Espiritualidade, Madrid, 1994.
3 Ibidem I, 2.
 [4][4] Dag Hammarskjöld, Merkstenen, Kok, Kampen, 1998, p.158.
[5] Hadewijch, Een bloemlezing uit haar werken,  (composição e introdução de N. de Paepe), Elsevier, Amsterdam/Brussel, 1979, pp.12-14.
[6] Novo Millenio Ineunte, 33.

UMA PRESENÇA AMOROSA: MARIA E O CARMELO: Um Estudo da Herança Mariana na Ordem do Carmo. (1ª Parte)

Frei Christopher O’Donnell, O. Carm.

A Mariologia  Carmelitana- Uma palavra de admoestação

Nos estudos carmelitanos devemos sempre nos preocupar com o que é afirmado precisamente sobre a palavra “Carmelita”. Já que a Ordem não tem um fundador, de certo modo sempre existiu um problema de identidade. Em tais circunstâncias é natural que os carmelitas busquem enfatizar o que é deles. Contudo, o erro seria afirmar que aquilo que é autenticamente carmelitano não deveria ser também partilhado por outras famílias religiosas.

 Modo de buscar uma identidade carmelitana é eliminar do conjunto tudo o que é encontrado em outras ordens religiosas e identificar o restante como sendo “carmelita”. Assim, deveríamos buscar o que é exclusivo aos carmelitas na espiritualidade e na devoção. Um dos resultados seria ignorar as Escrituras, os sacramentos, os dogmas, os votos, já que são comuns a toda Igreja. Mesmo admitindo que poderia existir alguma compreensão específica carmelitana para alguns desses pontos como, por exemplo, os votos, permanece verdadeiro que o que é partilhado com a Igreja sobre obediência, pobreza e castidade será mais importante para a vida dos carmelitas do que aquilo que poderia pertencer somente à Ordem.

Se buscássemos no que é especificamente carmelitano naquilo que não é encontrado em outras ordens religiosas, terminaríamos com alguns hinos ou textos espirituais como o Flos carmeli, e uma determinada visão de Elias e de Maria – o que não é histórico em qualquer sentido moderno. Em vez disso, nosso objetivo é examinar toda a vida mariana da Ordem, sem estarmos interessados com o que possa ser partilhado com outras ordens.

            Façamos uma analogia. Três construtores podem receber materiais idênticos para construírem uma casa de um andar. Os mesmos materiais podem ser usados para construir uma casa com espaço suficiente para a sala-de-estar, outra com quartos espaçosos, a terceira com uma cozinha maior. Utilizando os mesmos materiais, até mesmo mais ou menos a mesma quantidade, poder-se-ía conseguir três casas bem diferentes. O que é diferente é o foco dos construtores e a disposição do mesmo material.

            Os mesmos elementos principais podem ser encontrados na mariologia das ordens medievais. Nossa tentativa será buscar a experiência carmelitana de Maria. O conjunto será genuinamente carmelitano, apesar de diversos componentes serem partilhados. É importante termos ideia sobre a cultura de nossa antiga mariologia e como esse material não é muito acessível.