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sábado, 29 de outubro de 2016
EVANGELHO DO DIA: Quem se eleva será humilhado.
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FINADOS: Por que será?
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AQUI TINHA UM ANJO: Frei Petrônio.
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quinta-feira, 27 de outubro de 2016
MÃE DAS DORES: Uma Prece.
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EVANGELHO DO DIA: Por que Jesus rezava?
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EVANGELHO DO DIA: Jesus nervoso?
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quarta-feira, 26 de outubro de 2016
EVANGELHO DO DIA: Quem pode se salvar?
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Artigos do Frei Petrônio de Miranda
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CARMELITAS: A aventura da Oração.
Emanuele
Boaga, O. Carm. e Augusta de Castro Cotta, CDP
A. A dimensão contemplativa da vida
1. Em nossos
dias, mais do que no passado, presta-se atenção à dimensão contemplativa do ser
humano, individuando-se os seus elementos ontológicos, situados no intelecto e
na vontade, ou seja, na capacidade que o homem tem de conhecer e de amar. Na vida cristã tal dimensão contemplativa é
resposta teologal de fé, de esperança e de caridade. Através dela, o crente
se abre à revelação e à comunhão com o Deus vivo por Cristo, no Espírito Santo.
A dimensão contemplativa encontra sua fonte na comunicação de Deus e é
fortemente caracterizada pelo aspecto dialógico da relação Deus-homem.
Realiza-se através de um conjunto de elementos: a graça divina, as virtudes
teologais, os sacramentos, a oração, a ascese. A oração, como expressão da
experiência teologal, constitui algo essencial e fundamental para a vida humana
e cristã, tal como a respiração para o corpo.
2. A oração,
como expressão da dimensão contemplativa do ser humano, é portanto o ponto de partida da maior parte dos outros
aspectos do complexo fenômeno religioso. Neste sentido, considerando a
fenomenologia da religião, a oração é uma realidade complexa. Apresenta muitos
elementos que devem ser avaliados singularmente e no seu conjunto para que se
compreenda a inter-relação profunda e a interação harmônica entre eles. Tudo
isto deve ser levado em consideração para se fazer uma exposição acertada sobre
a oração.
3. No âmbito
cristão, o desejo de conhecer a Deus e ver o seu “rosto”, de fruir tal conhecimento
e visão, fazendo portanto uma experiência do divino, concretiza-se na
contemplação do mistério, porque “a luz
[de Deus] refulge em nossos corações para irradiar o conhecimento da glória de
Deus que brilha no rosto de Cristo” (2 Cor 4,6). A busca de Deus torna-se o
centro fundamental da vida: a contemplação.
4. A
contemplação é descrita por Paulo VI nestes termos: “O esforço de fixar em Deus o olhar e o coração, que nós chamamos de
contemplação, torna-se o ato mais elevado e mais pleno do espírito, o ato que
também hoje pode e deve organizar a imensa pirâmide da atividade humana”
(homilia na IX sessão do Concílio Vaticano II - 09/12/ 1965). Contemplar vem a
ser a capacidade de fixar o olhar em Deus para ver a realidade com os seus
olhos e amá-la com o seu coração. A contemplação é a penetração na verdade da
existência que leva a compreender e aceitar até às últimas conseqüências o
desígnio salvífico. Portanto, uma realidade (unitária de todo o ser
humano-cristão) de fé, de esperança e de amor, que pela ação do Espírito Santo,
chega ao dom da sabedoria que permite a entrada em comunhão com Deus e seu
mistério da Salvação. Neste contexto, a oração e a contemplação se identificam,
tornando-se relação vital Deus-Homem e caminho unificante de toda a vida na conformidade
com a vontade de Deus.
B. Descrição da Oração
5 - A oração no
seu aspecto dialógico (palavra-ação de Deus e resposta do homem) apresenta uma
estrutura própria ou dimensões nas quais precisamos de colocar atenção. Estas
dimensões são:
- a estrutura
cristológica
- a estrutura
trinitária
- a estrutura
eclesial
- a estrutura
pessoal
- a inserção na
realidade
6. Estrutura cristológica: Na oração existe
uma relação pessoal e intersubjetiva entre Cristo e o nosso ser. Cristo é o
sujeito da nossa oração (cf. 2Cor 1,19ss). O amor de Deus nos é comunicado
através dele, pois, somente nele podemos encontrar o amor divino. Só em Cristo
é possível viver a vida cristã, entendida como a escuta e a obediência a Cristo
na oração. Oração cristológica significa estar plenamente em Cristo:
manifestação clara e vital de nossa vida escondida em Cristo. Isto se faz na
aceitação, na adoração, na ação de graças e na súplica.
7. Estrutura
trinitária: a oração em Cristo é também oração por meio de
Cristo. Mergulhados Nele, colocamo-nos em comunicação com o Pai que assim fala
diretamente a nós, através do Espírito Santo. Entramos desta forma, em comunhão
com a Trindade. A estrutura trinitária da oração leva o Cristo a tornar-se a
realização de nossa existência cristã, de modo que por sua comunicação o
Espírito nos permite dizer “Abba, Pai”. O espírito nos ajuda a proclamar Cristo
“o Senhor”, etc. Em Cristo e por Cristo nós ficamos mergulhados na Trindade.
8. Estrutura
eclesial: como “em Cristo e por Cristo” nós estamos na Trindade
(comunhão interpessoal com o Pai, o Filho e o Espírito Santo) assim “em Cristo
e por Cristo” nós estamos também inseridos na Igreja e exprimimos esta
existência como oração eclesial (Ef 3,20-21). A estrutura trinitária torna-se
eclesial: uma e outra, se realiza em Cristo e por Cristo (Mt 18,19-20). Este
encontrar-se juntos na fé é expressão do Mistério da Igreja (que é ao mesmo
tempo, para nós, chamado e ponto de encontro com Deus). Em vista disto, quando
um grupo se reúne para a oração, descobre que não está só diante de Deus, mas
que Cristo está em seu meio, e isto se exprime no acolhimento e no amor mútuo.
Desfruta então a consciência individual e comunitária de pertencer a Cristo.
9. Estrutura
pessoal: a estrutura eclesial não destrói, porém potencializa
a relação pessoal com Deus na oração. O mesmo está na base da estrutura
cristológica e trinitária. A oração individual e a oração comunitária são dois
momentos inseparáveis e insubstituíveis de um único evento: a pertença a Cristo
e a Deus uno e trino.
10. Inserção na realidade: a salvação é
oferecida a todos os homens. S. Paulo estende a intercessão e o gemido do
Espírito a toda a criação (cf. Rom 8, 19ss). Nasce o significado do pedido na
oração: pedido singular, individual, coletivo, material, o “dá-nos hoje o nosso pão”. Não só isto. A
oração não é somente um ato da existência cristã, ou um ato de culto, mas ao
contrário é o ato e a expressão da
existência cristã e do seu culto. Não há solução de continuidade entre a
oração e a vida-trabalho, porque tudo está sob a Palavra e a Ação de Deus. Na
oração, a existência humana se torna consciente. Encontra a revelação do
sentido da vida, coisa impossível de se obter e expressar apenas na atividade,
tantas vezes mesclada de ambigüidades. Exclui-se assim uma oração como
finalidade em si mesma, cheia de ilusões; excluem-se também as formas
exageradas de atividade (ativismo), desligadas do discernimento do projeto de
Deus.
11. Oração
autêntica é aquela que nos torna compenetrados da experiência viva de Deus,
elevando-nos a irresistível testemunho da fé e do amor salvador pelo fato de
experimentar a própria salvação.
C. A Oração diálogo-caminho com Deus
12. A oração é
uma grande aventura de amor realizada com Deus, é como um diálogo e uma
ascensão feita com ELE, rumo ao cume. È diálogo e caminho ou seja: realidade
relacional, progressiva e dinâmica.
13. São
protagonistas neste caminho: Deus (que toma a iniciativa) e o ser humano (que
lhe responde).
14. O papel do
Espírito: a oração não conhece limites, porque o ser humano deve deixar-se
trabalhar (purificar, guiar) pelo Espírito que conduz para os caminhos por Ele
escolhidos. Os dons do Espírito atuam nesta linha, especialmente:
• a piedade: conduz o afeto filial a Deus
• a ciência: eleva a realidade a Deus
• a inteligência: ajuda a penetrar na
riqueza do mistério de Deus, revelado ao longo do caminho, e a colocar o ser em
sintonia com o projeto divino;
• a sabedoria: permite provar a realidade
divina.
15. A oração como caminho propõe atitudes que são
interligadas entre si:
a) dar espaço a Deus:
• exige o
silêncio e a solidão como base para a escuta e o acolhimento de Deus.
- exemplo se
pode encontrar no Profeta Elias que vai ao Monte Horeb, o monte de seu encontro
com Deus. Não é ele um alpinista espetacular, mas segue passo-a-passo até
chegar ao cume do Horeb;
- Deus buscado,
não de forma romântica, nas árvores, nem nas pedras, nos relâmpagos e no tremor
de terra, mas, ouvido e experimentado na brisa leve;
- a solidão
silenciosa e o silêncio solitário: portanto o sentir a palavra de Deus com os
ouvidos do coração;
- o deserto: cf.
Es 13,17; 3, 17; 5,1.
• a ascese
individual e comunitária é o laboratório do Espírito, no qual ocorre a
purificação, a elevação e união com Deus, na medida em que nos esquecemos de
nós mesmos e colaboramos com a ação “crucificante” do mesmo Espírito.
b) consciência
da presença de Deus:
• buscar a
morada de Deus que está no centro do próprio ser;
• abrir-se
conscientemente à presença de Deus em si mesmo e na criação: em, com e através
de Jesus.
c) Deus
companheiro no caminho: entrega e
aceitação
• entrega: a
consciência de Deus, presença-amiga no caminho, deve levar a entregar-se a Ele,
acolhendo-O porque é o “Senhor”.
• aceitação: da
sua presença orientadora, do seu projeto, deixando-se conduzir-se por suas
mãos, através das circunstâncias concretas da vida quotidiana. Isto implica em
esforço autêntico, empenho dinâmico (não é um deixar-se arrastar, mas um
caminhar junto).
d) expressão
contemplativa espontânea:
• adoração,
louvor, ação de graças, súplica;
•
desenvolvimento mediante formas concretas de oração correspondentes às
exigências do caminho próprio da oração;
16. As
dificuldades do caminho: nesta caminhada podem encontrar-se e encontram-se
de fato, dificuldades que são de duas fontes:
• externas: a
ambigüidade das coisas, a securalização, etc.
• internas: os
pecados, ocupações e preocupações excessivos; preguiça: apegos; formalismo,
medo ou temor de “deixar-se conduzir por Deus”.
17. As dificuldades podem ser superadas com:
• orientação
personalizada e ajuda para a interiorização da oração e das suas formas
concretas;
• renovação dos
métodos, em resposta às exigências do momento e necessidades pessoais;
• esforço
sincero de conversão;
• testemunho autêntico,
porém nos limites da oração-vida, vida-oração.
18. O caminho
que nos conduz à meta é longo e por isso temos sempre necessidade de sermos
socorridos e educados por Deus para que, com fidelidade, possamos caminhar. Por
isso, devemos dizer junto com os Apóstolos: “Senhor, ensina-nos a rezar” (Lc
11,1).
APROFUNDAMENTO E INTERIORIZAÇÃO
1. Para pesquisar e partilhar, ou fazer em grupos,
como forma de aprofundamento:
• Argumentar as seguintes afirmações:
1 - Na vida
cristã a dimensão contemplativa é resposta teologal da fé, da esperança e da
caridade.
2 - A dimensão
contemplativa se caracteriza pelo aspecto dialógico da relação entre Deus e o
ser humano.
3 - Contemplar é
fixar o próprio olhar em Deus para ver a realidade com seus olhos e amá-la com
o seu coração.
• Dê sua
impressão sobre as dimensões da estrutura da oração. Elas lhe parecem
independentes ou complementares? Por quê?
• Refletir sobre
a oração como necessidade da mesma natureza humana, à luz das seguintes
considerações bíblicas: Rom 1,18-20 e At 17, 27-28: “A procura de Deus faz
parte da própria natureza humana que não se realiza fora dela”. Ilustrar a
afirmação destes textos bíblicos com fatos da atual realidade (as buscas da
verdade e do transcendente pelo homem de nossos dias, nas diversas situações
humanos e categorias sociais).
• O surto da
“Nova Era”, oferece suas crenças, seus ritos e símbolos, como resultado do
vazio de Deus, criado pela pós-modernidade, pela era do consumismo, do
secularismo e do tecnicismo. Discutir as interpelações que esta postura do
homem moderno pode fazer à nossa vida cristã e religiosa (ou consagrada). Como
pensa que agiriam os Profetas neste contexto?
• Acompanhar,
nos Evangelhos a Cristo modelo, mestre e mediador da oração cristã. Tomar
algumas passagens para interiorização:
- Jo 1,18;
10,30. 38.14,11: Cristo, o revelador do Pai
- Mt 6,5-15:
aprofundar o conteúdo ensinado por Jesus a respeito da vida de oração
- Rom 12,4-5;
Gal 3,26-28; Jo 1,12: nos revelam nossa ligação com Cristo. Refletir sobre as
repercussões desta verdade sobre a nossa vida de relação com o Pai (a
divindade)
- Em Col 1,29;
Gal 2,20; Jo 14,13; 15,16: o que podemos aprender de prático para nossa oração.
• O diálogo com Deus pode ser realizado com
todos os meios expressivos: mente, coração, sentimento voz, gesto,
comportamento, lugar, tempo. Discutir sobre a utilização dos mesmos, em sua:
- relação entre
a vida interior e o comportamento externo das pessoas;
- ligação dos
diversos recursos com o ensinamento de Jesus em Mt 6,5-9; 26,39.42.44; 27, 46;
Lc 23,46;
- busca de
compreensão dos gestos orantes de Jesus e seus discípulos: Mt 14,19; Jo 11,41
(levantou os olhos ao céu); 1Tim 2,8 (elevou as mãos); Lc 22,41; At 20,36; Ef
3,14 (inclinação, pôr-se de joelhos, em sinal de adoração); Lc 18,11.13 (estar
em pé, corpo ereto, olhos baixos, em sinal de sacrifício).
• Analisar os ritmos e os lugares onde Jesus rezava:
- escolha de
tempos reservados à oração: Lc 4,16; 18,1-8; Jo 7,10;
- o
acompanhamento das festas litúrgicas: Lc 2, 41-49;
- busca da
solidão: Mt 6,6; 14,23; Mc 1,35; 6,31; Lc 4,42; 5,16; 6,12; 11,1;
- presença nos
lugares de encontro da comunidade orante: Mt 12,13; Mc 11,15; Lc 2, 22ss;
19,45-47.
2. As questões
que seguem são para reflexão individual, anotação no próprio diário espiritual
e partilha com o Mestre ou diretor espiritual. Esta parte deve ser feita com
serenidade, em momentos de solidão previstos para o cuidado da vida espiritual
do formando.
• Tomar como
oração preparatória os textos bíblicos:
* Sab 9 - Pedir
a Deus a sabedoria da vida
* I Reis 17, 1-
24 - O Senhor alimenta o seu Profeta
* Selecionar
algum dos textos citados e fazer oração a partir dele.
• Selecionar os textos bíblicos citados no exercício
acima que:
- lhe causaram
maior impressão
- constituíram
uma nova descoberta
- confirmam o
que já pensava sobre a oração na vida humano-cristã
- lhe trazem
dificuldade de compreensão ou para a prática.
• Com que fatos
da vida de Nossa Senhora você mais aprende a viver com Deus e para Deus? Por
que pensa assim?
• Como pode
assumir na sua vida orante as diversas dimensões da oração?
• Das atitudes
orantes de Cristo com qual delas você mais se identificou?
• Se não fosse
chamado à vida carmelitana acha que mesmo assim precisaria de desenvolver uma
vida de profunda oração? Por quê?
Feitos os
exercícios não deixe de procurar ajuda com seu orientador espiritual. Ela é
indispensável para o seu crescimento humano-espiritual-carmelitano.
Procure tirar as
dúvidas, partilhar suas descobertas, desafios, dificuldades, expectativas,
compromissos.
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CARMELITAS: Contemplação e ação.
Emanuele
Boaga, O. Carm. e Augusta de Castro Cotta, CDP
A compreensão que os Carmelitas
têm da vida contemplativa, no seu caminho histórico, apresenta elementos
próprios, além dos influxos provenientes do conflito entre a ação e a contemplação,
presentes por muito tempo na espiritualidade cristã em geral. É fácil
compreender como, também entre os carmelitas, existiram modos distintos de
compreensão da vida contemplativa e da mesma contemplação.
Na primeira fase da experiência carismática
carmelitana a vida contemplativa se nutre de elementos típicos do eremitismo
(porém no “estilo” daquele tempo que é bem diverso das épocas seguintes); dos
movimentos penitenciais e das peregrinações à Terra Santa, sem exclusão da
atividade apostólica. A Norma de Vida de S. Alberto apresenta uma profunda
unidade entre a contemplação e a ação.
Através da aprovação da Regra por
parte de Inocêncio IV, em 1247, os Carmelitas de eremita-penitentes se
transformam em mendicantes. Caem portanto as estruturas estritamente
eremíticas. A vida contemplativa vem assim entendida no contexto da “vida
mista” dos mendicantes, ainda que permaneça no interno da Ordem um apelo às
origens (apelo também “romântico”!) Em seguida alguns carmelitas vêem no
eremitismo um retorno ao verdadeiro espírito do Carmelo, mas não percebem que
tal eremitismo é uma “nova” realidade, diversa do tipo daquela que se
encontrava na experiência originária da Ordem. Este tipo de compreensão (ou
melhor de incompreensão) determina ambigüidades e conflitos, por longo tempo,
chegando a nossos dias.
Nos séculos XV-XVI o termo “vida
contemplativa” era assumido pelos carmelitas quase como sinônimo de vida
interior e de identificação com as estruturas que a promoviam. Nisto foi
notório o influxo da “Devotio moderna”. Entre as formas de oração, que
favoreciam a vida contemplativa, emergem, sobretudo a oração litúrgica (missa
quotidiana e ofício cantando em coro) e a meditação pessoal favorecida pela
prática do silêncio.
Ao mesmo tempo, a exclusão das
monjas do apostolado externo (por imposição da clausura), produz nesta forma de
vida uma intensificação da solidão e da oração. Nela os elementos “
contemplativos” da Regra (em particular: a meditação contínua da Lei do Senhor,
o vigiar e orar sempre, o silêncio e as armas espirituais) se tornaram intensos
desembocando na vida litúrgica, na meditação, no exercício da presença de Deus,
no espírito de penitência. Nesta linha foram situadas as novas fundações das
monjas (depois de 1452): as da Congregação de Mântua (como ex. os Mosteiros de
Scopelli e Girlani) espalhando-se pouco a pouco até chegar a S. Maria Madalena
de Pazzi.
S. Teresa dá a seus irmãos
descalços as constituições e a espiritualidade das monjas, com acentuação de
apenas alguns valores da Regra. Isto no contexto da “descalcez”, considerada
então como única forma válida de vida religiosa. Tal impostação conduziu à
seguinte passagem: contemplativo = eremítico= monja descalça = frei descalço. Esta
passagem levou à seguinte consequência, na época, durando o equívoco até nossos
dias:
verdadeiro carmelita = carmelita
descalço.
A confusão e o equívoco, baseados
na equação: contemplativo= eremítico, já estavam presentes mesmo antes de S.
Teresa, porém não de forma difusa, como aconteceu no caso da Congregação de
Albi e, depois desta, na Congregação de Mântua. (Ver “Releituras do carisma” em
Como Pedras Vivas, p. 101, para recordar o assunto).
Depois de S. Teresa o termo
“contemplativo” na nossa Ordem adquiriu um sentido muito restrito, chegando até
mesmo a não poder ser aplicado nem à vida religiosa, nem mesmo à meditação, à
oração vocal, ao ofício litúrgico.
Outra tendência surgida na Ordem,
foi a de reduzir a “contemplação” ao grau mais elevado da oração e da vida
interior, quase desprezando ou considerando a oração vocal somente como uma
passagem, incluindo-se nesta a oração litúrgica. Surgiu dai a ênfase do papel
da meditação considerada como a forma mais adequada de contemplação e portanto,
mais própria para o desenvolvimento da vida interior.
Deve-se notar que em todo o
caminho histórico da Ordem, do séc. XIV até à época recente, particularmente
nas Reformas, a releitura do carisma e a revisão da vida da própria Ordem
partiram sempre da contemplação e nunca do apostolado. Em matéria de oração
encontram-se novos caminhos, mas ao mesmo tempo coloca-se o grave problema da
relação ou dissídio “contemplação-ação”, que assinala profundamente a vida e o
estilo da própria contemplação. A atividade apostólica é considerada geralmente
como prolongamento da contemplação e ao mesmo tempo seu fruto. Deve-se também
recordar que, mesmo neste contexto das reformas, não faltaram figuras eminentes
que, através das formas de assistência aos pobres e aos humildes, típicas de
sua época, têm enfrentado o desafio da encarnação da vida contemplativa. Entre
esses, recordamos o Ven. Angelo Paoli, “pai dos pobres” na Roma do séc XVII e a
terciária carmelita Mariangela Virgili, em Ronciglione (ver: Como Pedras Vivas,
p. 119 e 150).
Os mesmos autores carmelitanos no
decorrer dos séculos XVII-XIX, têm exortado àqueles que se dedicam a atividades
apostólicas por chamado da Igreja para atender a suas necessidades, a adotarem
uma atitude contemplativa. Nasce assim a insistência sobre as duas formas de
oração consideradas adequadas a esta finalidade: o exercício da presença de
Deus e da aspiração.
Dado que os nossos irmãos têm
admirado e exaltado nas irmãs monjas a sua vida de oração como “a melhor forma”
de realização do ideal contemplativo com o qual nasceu a Ordem”, deve-se
ajuntar também algumas notas sobre sua relação com o apostolado por parte das
próprias monjas, para que se tenha um quadro completo, evitando-se as
mitizações ambíguas. Particularmente:
• é notório o desejo expresso nos
primeiros núcleos de monjas carmelitas de serem úteis ao próximo através da
oração de intercessão e da penitência;
• é também conhecida a motivação
apostólica colocada na base da fundação das Descalças por S. Tereza de Jesus;
• para S. Maria Madalena de Pazzi,
as monjas são chamadas “ad maiorem vitam” (isto é, aquelas dos primeiros
carmelitas) em quem porém não se separa “Marta de Maria” (Marta sem Maria é
“confusão” e Maria sem Marta é ociosidade”, diz a Santa). O genuíno influxo
mariano na Carmelita tem como sinal o nascimento no coração, do desejo da saúde
das almas. Portanto a vida interior, a vida apostólica e a vida mariana se
fundamentam em uma síntese superior. Da união com Deus e Maria nasce a “salus
animarum”, obtida e sustentada com a oração e com a ação para reconduzir as
almas a Deus e a Maria. O apostolado é, então, “restituição” que se obtém
também com uma vida pura, feita de fé, de simplicidade, de fidelidade.
• S. Teresa do Menino Jesus
desejava ter todas as vocações para servir à Igreja. escolhendo então, se o
“seu coração” através da oração e interesse missionário.
Atualmente a conflitualidade
“contemplação-ação” parece superada teoricamente, como demonstram claramente os
acenos que às questões são feitos nos documentos oficiais da Ordem, nestes
últimos anos. A conflitualidade permanece porém, na prática, e sua solução
postula uma profunda revisão e “conversão” de vida e obras.
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terça-feira, 25 de outubro de 2016
EVANGELHO DO DIA: Pequenos gestos.
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sábado, 22 de outubro de 2016
VISITANDO CRAÍBAS: Frei Petrônio.
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sexta-feira, 21 de outubro de 2016
RÁDIO E POLÍTICA: Em 64 anos, rádio de Minas Gerais "elege" 24 parlamentares
Uma das rádios mais populares entre os mineiros, a
rádio Itatiaia tem ajudado a alavancar a carreira política de
vários profissionais que participam ou participaram de sua
programação. Já são 24 os integrantes da "bancada da rádio" ao
longo dos seus 64 anos de história.
Os dois últimos foram Álvaro Damião (PSB), repórter de
esporte, e Catatau da Itatiaia(PSDC), comentarista
sobre direitos do consumidor, que foram eleitos vereadoresem Belo Horizonte no início do mês.
Além dos novos vereadores, há
atualmente o apresentador João Vítor Xavier (PSDB) e locutor esportivo
Mário Henrique Caixa (PV) que são deputados estaduais, e o apresentador de
programa policial Laudívio Carvalho (SD), que é deputado federal.
Fundada em 1952, já foram 12 profissionais de comunicação eleitos para a Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, outros seis eleitos para Assembleia Legislativa de Minas, três para a Câmara Federal e um para a Câmara Municipal e Assembleia.
Junia Marise, por exemplo, além de vereadora, foi deputada estadual e federal, senadora e vice-governadora de Minas Gerais. E um dos mais conhecidos integrantes políticos da rádio é o jornalista Hélio Costa (PMDB), que foi deputado federal por dois mandatos, senador e ministro das Comunicações. Costa também se candidatou ao governo em 2010, mas acabou perdendo para o senador Antonio Anastasia (PSDB)
Fundada em 1952, já foram 12 profissionais de comunicação eleitos para a Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, outros seis eleitos para Assembleia Legislativa de Minas, três para a Câmara Federal e um para a Câmara Municipal e Assembleia.
Junia Marise, por exemplo, além de vereadora, foi deputada estadual e federal, senadora e vice-governadora de Minas Gerais. E um dos mais conhecidos integrantes políticos da rádio é o jornalista Hélio Costa (PMDB), que foi deputado federal por dois mandatos, senador e ministro das Comunicações. Costa também se candidatou ao governo em 2010, mas acabou perdendo para o senador Antonio Anastasia (PSDB)
"A rádio (Itatiaia) não incentiva, nem
coloca obstáculos", afirma o proprietário da Itatiaia Emanuel Carneiro.
"É direito do profissional participar do processo democrático", diz o
radialista.
Para Carneiro, o fato de diversos nomes da rádio
ter sido eleito revela a "intimidade" com que os locutores têm com a
população de Belo Horizonte. "A atenção que damos, em toda a programação,
sobretudo no jornalismo e esporte, à opinião das pessoas, faz com que tenhamos
intimidade com a população", diz o executivo.
Essa relação de "intimidade" com o
ouvinte, na avaliação de Carneiro, é reforçada pela possibilidade de opinião
dos comentaristas nos programas, e pelo fato de os repórteres estarem sempre
nas ruas da capital mineira.
As paróquias do município
"Eles (os repórteres e locutores) vão para as
paróquias, vão para as feiras, acompanham os casos de polícia. Eles trabalham
nas ruas, não ficam na redação. Isso reforça a relação com a população, estão
sempre presentes aos fatos. Isso faz diferença entre ter ou não ter
penetração", diz Carneiro.
"Não vejo problema nenhum, deles serem
candidatos. Se voltam (para a rádio) ou não, se forem eleitos, é decisão de
cada um".
"Quase todos que se candidataram e perderam (a
eleição), voltaram para a rádio. Alguns que vencem a eleição, às vezes não voltam
por causa do acúmulo de atividades. Porém, se quiser voltar, pode voltar",
afirma o executivo.
O deputado federal Laudívio Carvalho (SD) explica
que, embora não consiga manter o programa diário "Itatiaia Patrulha",
às 17h, que tinha na rádio, após sua eleição em 2014, com as atividades
legislativas que teve de assumir, ele continua participando de diversos
programas da Itatiaia, sempre que pode.
"Mantenho contato com as pessoas, através da
rádio, isso é muito importante. Participo direto dos programas, sempre emitindo
a minha opinião", afirma o deputado.
"Meu voto é de opinião. Meu voto é de quem ouviu durante 35 anos a minha opinião, sobretudo sobre segurança, na Itatiaia", diz Carvalho.
"Meu voto é de opinião. Meu voto é de quem ouviu durante 35 anos a minha opinião, sobretudo sobre segurança, na Itatiaia", diz Carvalho.
"Me enterrem
com meu radinho ligado na Itatiaia"
A professora da UFOP (Universidade Federal de Ouro
Preto), Nair Prata, diretora da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos
Interdisciplinares de Comunicação) e vice-presidente da Associação Brasileira
de História da Mídia, conta que Juvenal Rosalvo Bispo, 87, morador de Belo
Horizonte, poucas horas antes de morrer em 2008, teve frustrado seu último
pedido em vida: ter um rádio na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) no
hospital onde estava internado para ouvir a programação da Itatiaia. O
filho dele tentou, mas não conseguiu entrar com o aparelho
"escondido" no hospital.
No dia seguinte, em 11 de novembro de 2008, o
jornalismo da rádio Itatiaia deu ampla cobertura ao enterro de Bispo no
Cemitério da Paz, em Belo Horizonte.
"O filho, com a concordância da viúva e de
outros parentes, colocou no caixão, junto ao corpo do pai, um rádio ligado na
Itatiaia, com pilhas novas", diz a professora.
"A Itatiaia representa Belo Horizonte.
Representa Minas Gerais. Não há qualquer outro órgão de imprensa no Estado que
tenha essa condição", afirma Prata.
A especialista explica que não é somente a
audiência da rádio na região metropolitana de Belo Horizonte que, segundo ela,
a Itatiaia tem o primeiro lugar há décadas (com 94% da audiência na programação
esportiva), que explica o sucesso dos seus locutores nas urnas.
Prata lembra que Belo Horizonte não é sede de
nenhuma das grandes redes de televisão, que estão concentradas no eixo Rio-São
Paulo e isso incomoda a população. "A última emissora genuinamente
mineira, com forte programação local e de jornalismo, a TV Itacolomi, acabou no
fim da década de 1970, causando grande comoção na população, que se sentiu
órfã", diz.
Assim, explica a professora, quando a Itacolomi
acabou, a rádio Itatiaia soube assumir o papel de "representar" a
população, identificando-se como defensora dos interesses de Minas Gerais.
"O slogan da TV Itacolomi era "a TV de
Minas". A Itatiaia adotou o slogan "a rádio de Minas" e soube
incorporar muito bem esse papel de representante dos interesses da cidade, dos
moradores", afirma.
"Mas não é só isso", diz a especialista.
"O fato de ter duas redações, de jornalismo e de esportes, funcionando 24
horas por dia, com diversas equipes de repórteres na rua, mantendo uma
cobertura ágil e de qualidade das notícias locais, sustenta também o prestígio
da Itatiaia que é alguma coisa inabalável, pelo menos até hoje", afirma.
"Qualquer líder político, empresário,
sindicalista, morador de rua, dona de casa, motorista de táxi que vá falar com
a cidade, o faz pela Itatiaia", afirma Prata.
"Os
locutores, apresentadores e repórteres da rádio, por tudo isso, são bastante
conhecidos e prestigiados. E alguns deles se candidatam e conseguem ser
eleitos. Outros não. Há também muitos que se candidatam, mas perdem a
eleição", diz a pesquisadora.
A bancada da rádio Itatiaia em 64 anos
1. Alberto Rodrigues – vereador
2. Aldair Pinto – vereador
3. Álvaro Damião – vereador
4. Antônio Roberto – deputado federal
5. Catatau da Itatiaia – vereador
6. Dênio Moreira – deputado estadual
7. Dirceu Pereira – deputado estadual
8. Edson Andrade – vereador
9. Eduardo Lima – vereador
10. Eli Diniz – vereador
11. Fernando Sasso – vereador
12. Hélio Costa – deputado federal, senador e ministro
13. João Vítor Xavier – vereador e deputado estadual
14. José Lino Souza Barros – vereador
15. Junia Marise – vereadora, deputada estadual e federal, senadora e vice-governadora
16. Laudívio Carvalho – deputado federal
17. Mário Henrique Caixa – deputado estadual
18. Mário de Oliveira – deputado federal
19. Nelson Carvalho – deputado estadual
20. Olavo Leite Kafunga Bastos – vereador
21. Tancredo Naves – deputado estadual
22. Vilibaldo Alves – vereador
23. Wânia Carvalho – vereadora
24. Wellington de Castro – deputado estadual. Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br
A bancada da rádio Itatiaia em 64 anos
1. Alberto Rodrigues – vereador
2. Aldair Pinto – vereador
3. Álvaro Damião – vereador
4. Antônio Roberto – deputado federal
5. Catatau da Itatiaia – vereador
6. Dênio Moreira – deputado estadual
7. Dirceu Pereira – deputado estadual
8. Edson Andrade – vereador
9. Eduardo Lima – vereador
10. Eli Diniz – vereador
11. Fernando Sasso – vereador
12. Hélio Costa – deputado federal, senador e ministro
13. João Vítor Xavier – vereador e deputado estadual
14. José Lino Souza Barros – vereador
15. Junia Marise – vereadora, deputada estadual e federal, senadora e vice-governadora
16. Laudívio Carvalho – deputado federal
17. Mário Henrique Caixa – deputado estadual
18. Mário de Oliveira – deputado federal
19. Nelson Carvalho – deputado estadual
20. Olavo Leite Kafunga Bastos – vereador
21. Tancredo Naves – deputado estadual
22. Vilibaldo Alves – vereador
23. Wânia Carvalho – vereadora
24. Wellington de Castro – deputado estadual. Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br
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380 ANOS: Ordem Terceira de Salvador-01
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quinta-feira, 20 de outubro de 2016
COMUNIDADE CAPIM: A Tradição de uma devoção.
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quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Festa da Padroeira: Frei Petrônio.
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terça-feira, 11 de outubro de 2016
COMUNIDADE CAPIM: Festa da Padroeira.
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MISSÃO COM PETRÔNIO EM ALAGOAS: Novena-2016.
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O OLHAR EM CRAÍBAS/AL: Túmulo do Padre José.
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segunda-feira, 10 de outubro de 2016
OUÇA O SILÊNCIO.
Lutar contra o vício em barulho revela o
que realmente importa para viver bem.
Em uma sociedade na qual fazer barulho,
seja online ou offline, virou sinônimo de sucesso, o silêncio parece ter virado
um luxo, disponível apenas para quem puder comprá-lo em condomínios exclusivos
ou lounges de companhias aéreas. Mas o bem-estar ao alcance pelo poder
aquisitivo é, se tanto, uma amostra do que essa busca pode oferecer. Para ter o
pacote completo, a resposta está aí dentro, no seu silêncio, que é ainda mais
exclusivo: só você pode descobri-lo e usufruir dele.
É fácil se corromper com os desafios
pelo caminho. Na era dos textões de Facebook e da avalanche de snaps, o
silêncio e a reflexão acabam jogados para escanteio. Como estamos imersos
na confusão, parece que precisamos participar de tudo e falar cada vez mais
alto. Só que vale a pena se calar um pouco, inclusive para aprender que o
silêncio não é senha para submissão.
"Pelo contrário”, afirma Marcelo
Dermazo, professor de Medicina Preventiva da Unifesp (Universidade Federal de
São Paulo). “Viver no piloto automático, simplesmente reagindo às situações,
não satisfaz mais. As pessoas querem entender quem são e, no silêncio,
encontram tempo para observar e refletir", completa. Ele também afirma que
essa busca não se trata de uma fuga da vida moderna, mas sim entender que se
expressar apenas para não ficar fora do jogo pode ser puro desperdício de
energia.
CALADOS
Eles vão falar apenas para explicar o
motivo de o silêncio ser necessário.
Esse equilíbrio exige sacrifícios,
claro, mas ao final do processo é comum os adeptos do silêncio mostrarem alívio
ao falarem sobre o que tiveram de abrir mão. É o caso do ex-monge budista e
arquiteto Marcio Lupion, 54, que por dez anos praticou o voto de silêncio.
"Abri mão de uma série de coisas
que não me faziam feliz. Você percebe que quando chegava perto das pessoas e
falava coisas do seu interesse, não se dava ao trabalho de perceber se o outro
estava interessado. Percebi que existia um monólogo, cada um conversava consigo
mesmo. Não tem nada muito fantasioso, é aprender a respirar e a ser
verdadeiro com você mesmo. Ouvir é demonstrar afeto", afirma.
De acordo com a proposta, só quando
mudamos de postura conseguimos perceber o quanto o supérfluo pode se tornar
nocivo. "Durante um retiro de silêncio, é comum ter quem diga que não
aguenta mais a ausência de som. Nesses momentos, eu falo: 'para quieto, em
silêncio, você não ouve nada? Tem um carro passando na estrada, ruído de
passarinhos cantando e pelo menos mais quatro tipos de inseto, o farfalhar do
vento nas folhas'. É uma barulheira danada, mas as pessoas não conseguem ouvir
porque estão acostumadas à gritaria", diz Osmar Ludovico, teólogo, diretor
espiritual e autor de “Meditatio”.
Mesmo que não haja um isolamento, é
importante ter momentos de descanso para os ouvidos. É o que pensa a
especialista Alice Bernardi, membro do Departamento de Audição e Equilíbrio da
SBFA (Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia). Ela crê que a atual geração
terá um envelhecimento auditivo precoce, resultado do vício em barulho. O
indivíduo que quiser atenuar ou até mesmo superar esse quadro precisa de uma
ação radical, e esse tipo de choque é oferecido a quem visita
centros como o retiro de silêncio Vipassana, em Miguel Pereira, no Rio de
Janeiro.
O sítio que serve de base para o curso
fica isolado no meio da mata. É para relaxar, mas não tem oba-oba. Existem
regras. Horário para as refeições, para acordar, às 6h, e dormir, às 21h. Além
disso, homens e mulheres ficam separados. E nem mesmo no caminho para as áreas
comuns, como refeitório e sala de meditação, é possível cruzar com o gênero
oposto. Placas de "Limite" estão espalhadas pelo local. Tudo para
evitar "distrações".
Estar em silêncio é uma questão de
hábito. Não estamos acostumados a desafiar a nossa mente matraca. Mas para ter
equilíbrio mental, precisamos diminuir a falação interna
Arthur Shaker, antropólogo e coordenador
do núcleo de neurociências da Casa de Dharma, centro budista Theravada, em SP
Quem explicou ao TAB sobre a
técnica de meditação, uma das mais antigas da Índia, foi Macarena Infante. A
chilena é professora do método há dez anos. Pode parecer clichê, mas Macarena
transmite paz e sabedoria. Quando você a ouve, logo surge na sua mente um
"nossa, é verdade" ou "meu Deus, isso acontece comigo",
entre outros pensamentos. "As respostas para os nossos problemas não estão
fora, mas dentro de nós mesmos. Aprendemos a não produzir sofrimento. Estamos
acostumados a chorar, ter raiva, mas essa é a parte mais burra da mente",
afirma a professora.
No Vipassana, você descobre, compreende
e aceita. Esse é o primeiro passo para uma mudança interior. "Apenas no
silêncio conseguimos perceber as reações bioquímicas do nosso corpo quando
sentimos o que não gostamos, quais efeitos isso produz em nós e nos outros e
erradicamos isso", diz Macarena.
Não é uma prática religiosa e, sim, o
silêncio como chave para limpar e purificar a mente. Qualquer pessoa que esteja
saudável e motivada pode fazer. Há listas de espera e um processo de inscrição
no qual perguntam algumas vezes se os candidatos estão realmente dispostos: são
dez dias sem comunicação - verbal e gestual. E nada de livros, celular ou
caderninhos de anotação. É você com você mesmo e dez horas de meditação diária,
em momentos espaçados.
Não custa absolutamente nada. Os centros
do Brasil e do mundo se mantêm com doações dos próprios alunos, seja de
trabalho voluntário ou algum bem material, que oferecem só depois de fazer o
curso. A chilena frisa que Vipassana não é poção mágica. Trata-se de um
processo. E os cursos chegam a mais de 30 dias sequenciais de quietude.
Parece assustador? Não para Gianni
Galiano Vintimilla, 25, que passou três meses na Índia no ano passado após se
formar em Administração em São Paulo. O objetivo era fazer trabalho voluntário
com crianças da zona rural da cidade de Nagpur, na região central. Ela contou
que descobriu o Vipassana na tentativa de absorver experiências culturais do
país.
"Tudo foi muito intenso e cada dia
era uma descoberta. Os pensamentos vinham a mil. Acabei fazendo uma limpa,
voltando mais leve. Hoje, quando sinto algo negativo, coloco em prática o que
aprendi e não sofro tanto. Eles dizem que é um processo de purificação, no qual você
elimina as três principais causas de infelicidade: desejo, aversão e ignorância".
Tudo bem pensar "que difícil, nunca
conseguiria" ou, mais ainda, "quero muito passar por isso".
Religiosos, guias espirituais e psicanalistas consultados peloTAB acreditam
que a maioria das pessoas não se conhece além do superficial "gosto ou não
de tal coisa".
Foi também por esse motivo que a
jornalista Suzana Ferreira, 35, decidiu procurar o Vipassana. Ela passou pelo
curso em agosto deste ano e, por querer se "afastar totalmente", a
maior dificuldade não foi exatamente ficar sem comunicação. "Os problemas
vão aparecendo durante o processo. Via pessoas sofrendo, chorando, mas não
podia fazer nada para interferir, faz parte da descoberta de cada um. Eu
mesma pensei em desistir todos os dias. É muito difícil". É impossível
parar a mente.
A natureza dela é essa: pensar
Macarena Infante , professora de
Vipassana
Suzana tem um problema de audição e
contou que, durante o voto de silêncio, percebeu o quanto potencializa tudo,
inclusive suas dores. "Muitas vezes pensava: 'o que estou fazendo aqui?
Está doendo, eu deveria estar em um hospital'". Mas era só esperar que passava.
"Não reclamar ou me preocupar é complicado. Por isso, o principal
aprendizado foi a questão da impermanência: desapegar das dores, pessoas e
problemas porque tudo vai passar, o que é ruim e o que é bom também."
O silêncio tem um significado particular
para cada indivíduo. No caso dos religiosos, o suporte para seguir na quietude
está em se encontrar com Deus. Irmã Maria José, 41, que já foi franciscana,
encontrou o sentido para sua vida na congregação das Carmelitas Mensageiras do
Espírito Santo, da qual faz parte há 16 anos. O carisma é contemplar para
evangelizar. Embora seja um voto perpétuo, ela afirma que o "silêncio não
custa, é uma necessidade".
"O verdadeiro silêncio é aquele que
você consegue aquietar as faculdades. Silenciar os pensamentos. Temos uma
tendência a julgar o outro, tantos juízos que fazemos de maneira precipitada.
Educar os pensamentos, o coração e não se deixar prender por tantas
preocupações. É um silêncio que não me leva a um vazio existencial, mas ao
encontro com o outro."
A fonoaudióloga Claudia Cotes afirma que
o equilíbrio entre silêncio e fala é essencial para o bem-estar do ser humano,
que sempre vai viver momentos de crise. “Na medida que você se conhece, fica no
silêncio, e depois passa a usar isso para ter uma fala mais equilibrada, é
sinal que encontrou esse conforto”, explica.
Claudia acredita que o problema da
sociedade atual é a falta de medida. Avanços tecnológicos, redes sociais,
YouTube.... Tudo isso chega para agregar, mas quando perdemos o controle,
falamos apenas de nós e esquecemos do outro. “A comunicação tem um grande
poder, mas precisamos usá-la a nosso favor. Quando você fala desenfreadamente,
só de você, perde os vínculos, não tem troca, fica algo vazio”, afirma.
Há 28 anos como professor do curso de Arquitetura
e Urbanismo do Mackenzie, em São Paulo, Marcio Lupion afirma que encontrou nas
aulas o meio de transmitir para os alunos a importância de conseguir perceber
as pessoas. “As ligações mais profundas nascem com aqueles que conseguimos
ouvir”, diz.
A passagem dele pelo mosteiro aconteceu
entre os 21 e 31 anos, depois de ler a Bíblia “pelo menos umas dez vezes”. O
voto não exigiu calar a boca por dez anos, mas foram seis meses de silêncio
absoluto e três anos sem se olhar no espelho. A saída aconteceu quando os
professores perceberam que ele estava se divertindo lá. “’Está na hora de você
transformar tudo o que aprendeu aqui em bem-estar para as pessoas. ’ Foi o que
meus professores falaram quando me pediram para sair”, afirma.
Para Suzana, a jornalista que fez o
curso de Vipassana e pretende retornar em breve, o aprendizado não termina
nunca. “Se não tenho paciência com alguma situação, vou segurar a reação e
tentar não ferir o outro. Não é um milagre do tipo ‘faço um retiro, vou
ficar zen e as coisas não vão me atingir’. É preciso exercitar a mente para
superar as falhas e não se apegar aos sentimentos que causam sensações ruins.
Se perdoar e entender que o outro também falha”, diz. Fonte: http://tab.uol.com.br
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domingo, 9 de outubro de 2016
NOVENA E MISSA NO CAPIM: Convite.
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ELEIÇÕES: Uma Prece Nossa Senhora.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2016
A PRIMAVERA DA VIDA: Frei Petrônio.
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14:39
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terça-feira, 27 de setembro de 2016
Golpe no Brasil “é mostra internacional do cinismo”, afirma Arcepisbo Raúl Vera
Mexicano
ganhador do Prêmio Rafto fala sobre a situação de seu país, do Papa Francisco e do golpe
no Brasil.
O
Arcebispo de Saltillo, no México, Dom Raúl Vera
López, ganhador do Prêmio
Rafto, uma espécie de Prêmio Nobel da Paz alternativo realizado por um
grupo norueguês defensor dos direitos humanos, soltou o verbo em entrevista
concedida ao Brasil de Fato, ao falar sobre os 43 jovens
mexicanos desaparecidos –
tragédia que completa dois anos na próxima segunda-feira (26). Raúl Vera também comentou sobre o papel do Papa Francisco e o golpe no Brasil.
A
entrevista é de Luiz
Felipe Albuquerque, publicada por Brasil
de Fato, 23-09-2016.
Diante
do atual momento conturbado no mundo todo, o Arcebispo aponta que a “força
libertadora desta Terra” está na organização da população menos favorecida e
não tem dúvida do risco que Francisco passa por causa de seus
posicionamentos políticos. “A cada momento ele pede que rezemos por ele porque
sabe que podem assassiná-lo”, conta.
Quanto
ao processo de impeachment
da presidenta Dilma Rousseff, Raúl
Veraressalta que é “um artifício dos grandes ricos do mundo, que se
valem dos serviços que cumprem os políticos, para se distanciar de um processo
social de um governo que se preocupava com os pobres”, e representa “uma mostra
internacional do cinismo dos políticos”.
Eis a entrevista.
Na próxima
segunda-feira (26) serão completos dois anos do desaparecimento dos 43 jovens
mexicanos. Como você avalia este processo?
Um
aspecto, digamos, positivo, é a perseverança dos pais, dos familiares, dos
estudantes e de boa parte do povo mexicano para manter na agenda nacional este
assunto. Os pais conseguiram que a Comissão
Interamericana de Direitos Humanos criasse
um grupo internacional especializado e independente - fazendo com que o governo
mexicano aceitasse esse grupo - para que fizessem uma investigação que não
estava sendo feita.
O
segundo aspecto que tem que ter em conta, que é a parte negativa, é que que o
governo mexicano utiliza o terror e horror como estratégia política. Estes
garotos desaparecem em mãos do governo mexicano, e não quiseram se dar conta
disso porque sabem o que passou. Se estão vivos, eles sabem onde estão, se não
estão vivos quiseram inventar coisas que não deram certo. Este é o mesmo caso
das cifras oficiais que dizem que há 27
mil desaparecidos no
país, das quais não se tem esclarecimento.
Horror
e terror são estratégias de controle da população por parte do governo neste
momento, que une o exército, a marinha, a polícia federal, as polícias locais,
o narcotráfico e grupos paramilitares. Tudo isso já está identificado por um
processo realizado pelo Tribunal
Permanente dos Povos no México, para julgar o Estado mexicano. Uma das
conclusões que a sentença final traz é que o governo mexicano está fazendo um
controle da população. Por quê? Porque são muitas injustiças que o governo
mexicano está cometendo. Eles não estão governando para o México, para os
cidadãos, mas são administradores das estratégias do Fundo Monetário
Internacional, do Banco Mundial, da Organização
Mundial do Comércio, da Organização
Mundial da Propriedade Intelectual, pelas multinacionais e das
potências econômicas e políticas que estão por trás destas multinacionais. Há
um desvio de poder.
Por que o Estado
mexicano estaria se utilizando desta estratégia de terror contra a população?
Esta é
uma estratégia de guerra psicológica, de criar insegurança na população, de
criar temor para que os mexicanos não se organizem ante as reformas da Constituição,
do repasse das empresas energéticas à iniciativa privada nacional e internacional.
Querem acabar com a educação gratuita e se desfazer dos professores por meio de
um suposto exame de avaliação, para acabar com a educação pública. O mesmo
estão fazendo com a saúde: deixarão de existir vários tipos de garantias,
reduzindo os serviços de saúde a uma mínima parte do que temos hoje em dia.
Isso porque 40% do gasto público vinha do nosso petróleo, mas agora nosso
petróleo já não é mais nosso. O México está sendo construído neste modelo
econômico mundial, somente para uma parte que equivale a 1% dos mexicanos.
O
dinheiro que os EUA mandaram para o México nesta guerra contra o
narcotráfico foi para
militarizar o país, e a militarização que o governo faz é contra a população.
Há uma guerra, um ataque direto contra a população. Tem dois tipos de violência
neste momento no México: a violência estrutural e a direta. A estrutural são
todas estas reformas e leis para administrar a nação a favor das grandes
multinacionais, e a direta é a que é realizada contra a população.
No meio
deste contexto, Ayotzinapa (local
onde aconteceu o desaparecimento dos 43 jovens) é emblemático. Ficou claro que
por trás do desaparecimento destes garotos está otráfico de heroína, da a cidade de Iguala até Chicago (nos EUA). Os meninos, naquela noite,
haviam sequestrados alguns ônibus (tomados à força, prática comum em suas
mobilizações, a fim de arrecadar fundos para sua escola), e entre os caminhões,
sem se dar conta, tinha um caminhão cheio de heroína escondida. Curiosamente,
policiais dispararam em todos os caminhões, e o caminhão onde estavam as
pessoas desaparecidas foi um caminhão que a polícia destruiu totalmente, mas
não destruiu os meninos, que foram entregues ao crime organizado.
Ou
seja, quem estava em busca deste caminhão com heroína era o exército, a polícia
federal, a polícia local de Iguala e os narcotraficantes. Isso se converteu num
paradigma de cumplicidade entre o governo
mexicano e o crime organizado.
Quem descobriu o lance da heroína foi o grupo internacional especializado, que
fizeram um trabalho de três meses. Mas depois de descobrirem o caminhão de
heroína, o governo mexicano retirou eles de campo.
Isso é
uma mostra muito clara de toda articulação, e de que há uma estratégia bem
organizada onde o principal objetivo é controlar
o povo e manifestar o
poder do governo frente à população, para que nós fiquemos parados diante das
reformas estruturais e os saques que estão fazendo sobre os recursos do país.
Em contraponto a
estas estratégias, temos o Papa Francisco que vem denunciando constantemente as
mazelas do mundo, apontando que os problemas de nossa sociedade são fruto do
nosso modelo econômico de desenvolvimento. Como você avalia o papel que
Francisco está cumprindo?
O papel
do Papa é muito importante. Há um texto que
Jesus leu no dia em que regressou a sua terra onde cresceu, Nazaré. Como era
seu costume, foi à Sinagoga e leu um trecho do Livro de Jeremias. Jesus disse:
"O espírito do Senhor está sobre mim porque ele veio para anunciar boas
notícias para os pobres. Anunciar a libertação dos presos, animar os corações
desanimados”.
Estes
prisioneiros, hoje em dia, são as pessoas ganhando o salário que ganham,
prisioneiras de um sistema, ao não terem acesso a um trabalho digno. Tudo o que
há neste momento são pessoas aprisionadas. O mais interessante é que Jesus
disse que estes prisioneiros vão ser glorificados, vão ser reconstrutores de
cidades destruídas, povoadores de terras abandonadas, ministros do senhor, que
significa também administrar o mundo e devolvê-lo a Deus um mundo livre de
pecado, que significa ser livre de prisões injustas, da fome, de assassinatos,
de tudo o que vemos hoje em dia.
Quem
vai libertar o mundo? São estes 'prisioneiros'. Ou seja, o Papa, e me recordo o que
ele disse durante o encontro com os
movimentos populares em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia): “vocês,
os excluídos, que estão organizados para lutar por um teto, por um trabalho e
pela terra - nestes três pontos estão a liberdade, mas também está a saúde, a
educação, o direito a uma vida digna e integral -, são os salvadores do mundo”.
Isto é queFrancisco nos
está dizendo, que se o mundo de hoje está sendo administrado a favor de 1% da
população mundial, que são os grandes financeiros, banqueiros, empresários, os
ricos do mundo, está nos pobres a força libertadora desta Terra.
O Papa está apontando o que disse Jesus: ser
sujeitos, vocês que "não são nada" vão fazer um mar de justiça. O
caminho é facilitar que as pessoas marginalizadas comecem a ser sujeitos e
construtores de uma nova sociedade. Uma das grandes intuições de Francisco é
levar a Igreja outra vez a entender que a construção do reino de Deus não é
construir a Igreja para si mesma, mas coloca-lá no meio da problemática do
mundo de hoje.
Francisco denuncia
toda as artimanhas e toda a mentalidade do antropocentrismo, antropomorfismo, a
tecnocracia. Francisco está falando da construção da fé. A fé tem a ver com a
construção do mundo, com um modelo de sociedade, com um sentido da vida humana.
Por isso que Francisco é compreendido muito bem por sociedades que não são
cristãs. Os cristãos têm que colocar os olhos em todos os resultados de uma
péssima administração da Terra e de uma péssima maneira de governar o mundo,
porque os grandes ricos do mundo e os políticos estão a serviço do dinheiro.
Acredita que com esse
posicionamento Francisco esteja incomodando muita gente?
Claro!
Por isso a cada momento ele pede que rezemos por ele, porque sabe que podem
assassiná-lo. Volto outra vez ao discurso de
Santa Cruz de la Sierra, que foi muito claro. Disse que há a
necessidade de mudanças na Terra. Francisco sabe que tem interlocutores que
dizem a ele: “o que está fazendo? O mundo está bem."
Francisco sabe
que tem interlocutores muito incomodados quando ele fala de desigualdade, de
pobreza e de justiça. A grande diferença de Francisco é que ele fala quais são
as causas. João Paulo II disse: o mau tem rosto e tem nome.
Logo após concluído o
impeachment de Dilma Rousseff, Francisco protestou contra o processo em curso
no Brasil. Como você avalia o atual momento político brasileiro?
Eu
estive no grupo internacional que foi convocado pelos movimentos sociais no
Brasil para qualificar o impeachment,
e chegamos a conclusão de que houve um golpe de Estado,
que não tinha jurisprudência para dizer que Dilma havia cometido crime. Isso
não é mais que um artifício dos grandes ricos do mundo, que se valem dos
serviços que cumprem os políticos para se distanciar de um processo social, de
um governo que se preocupava com os pobres.
A prova
é que logo no primeiro dia começaram a suspender todos os programas sociais. É
uma mostra internacional do cinismo dos políticos atuais. Uma grande parte
destes senhores que Temer colocou em seu gabinete são pessoas
que tem problemas de corrupção. É um golpe suave de Estado.
Mas
isso também tem a ver com a falta de prevenção dos governos que tem um sentido
social. Eles teriam que ter amarrado tudo na Constituição para que todas estas conquistas não
sejam retiradas. E tem que promover um pensamento hegemônico, um pensamento no
povo do que deve ser um novo modo de consciência, porque os meios de
comunicação também se valem disso. Isto é outra coisa que tem que ser levado em
conta, o modo de governar. O modo de governar tem que criar o sujeito, e o
sujeito que verdadeiramente esteja intervindo no governo. Isto é muito
importante. O Brasil é uma mostra de que não fizeram as
reformar que tinham que ser feitas, como regular os meios de comunicação, ai
deixaram a Globo sozinha e fez o que teve vontade de
fazer.
Essas
54 milhões de pessoas que votaram na Dilma teriam que ter saído às ruas para
dizer "vocês não vão tirá-la, não'. Como pode poucos senadores tirar Dilma
do poder? Isto é um erro e um problema que temos que resolver.
Quais saídas você
identifica para estes processos?
No México,
frente a situação que estamos vivendo, não vemos outra saída senão uma nova
constituinte, mas uma constituinte que seja escrita pelo povo. Nesse período
temos que juntar pelo menos 60% dos cidadãos, que teriam que estar ativamente
no processo de constituição de uma nova Carta Mágna.
Depois,
tendo um diálogo nacional e um enorme número de participantes, realizar uma
eleição por consenso, já não mais pelos partidos políticos, que são quem estão
fazendo todas estas barbaridades, são elites que se colocam a governar. Por um
método de consenso que está no mundo indígena, introduzido na constituição da Bolívia,
e é muito provável que sirva para os povos indígenas que são a maioria (no
México). Já não mais pelas maiorias representativas, que não necessariamente
são as maiorias populares.
Tem que
ser por um consenso de toda a população, fazer uma votação formal e depois
cercar o Congresso e dizer: 'aqui estão os novos deputados e vocês estão de
férias, já não os queremos mais por aqui'. E começar um processo de democracia
participativa. Temos tempo para fazer e existem muitas experiências no mundo.
Muitos países estão buscando isso, porque as causas são globais. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
Postado por
Artigos do Frei Petrônio de Miranda
às
19:42
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O impeachment da presidenta Dilma Rousseff,
representa uma mostra internacional do cinismo dos políticos.
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