Total de visualizações de página

Seguidores

domingo, 1 de novembro de 2015

A REALIDADE DA AMÉRICA LATINA À LUZ DA TRADIÇÃO DO CARMELO

*Dom Frei Vital Wilderink, o. carm

Ao receber o convite para dar uma contribuição neste encontro, levei um susto. Achava o tema vasto demais: iluminar a realidade da América Latina a partir da tradição do Carmelo. Em primeiro lugar, porque dar uma visão de conjunto dessa realidade, levando em consideração os seus múltiplos aspectos e dimensões, pareceu-me uma tarefa muito difícil, senão impossível. Os instrumentos de análise, por necessários e pertinentes que sejam, não conseguem abranger o todo dessa realidade. Trata-se de um jogo de quebra-­cabeça em que se tenta combinar peças baralhadas para formar uma figura, mas sempre faltam ou sobram peças. É que a evolução da realidade não tem uma lógica, principalmente nos tempos atuais em que o processo da mundialização produz seus efeitos em toda parte. E freqüentemente os frutos bons e os frutos imprestáveis chegam misturados no mesmo transporte.
Mas o que se espera da minha contribuição não será, penso eu, uma leitura crítica da realidade. Os trabalhos feitos neste encontro na fase do ver, com a ajuda competente de um assessor, poderão oferecer valiosos elementos para esclarecer a situação em que nós, como carmelitas, devemos encontrar o nosso caminho. Esse conhecimento é importante e indispensável para tomarmos consciência de que "a viagem continua". Na vida, enquanto viagem e busca, há momentos em que você encontra algo que abre perspectivas. São momentos em que se tem a impressão de que tudo de repente se torna um pouco mais compreensível, momentos em que se consegue combinar algumas peças do jogo de quebra-cabeça que configuram já alguma parte da paisagem onde você quer inserir-se como carmelita. Isto dá uma alegria, uma força de libertação, dá perspectivas à vida. É que a partir do parcial você se liga com o total, do relativo você passa para o essencial que é mais do que o resultado atingido pelo trabalho feito até agora. É neste ponto que começa a contribuição que me foi pedido, e que, em carta recebida, foi formulado da seguinte maneira: "Exponha simplesmente o seu pensamento como carmelita que vive aqui na América Latina".

A luz da tradição do Carmelo

Talvez seja bom esclarecer um pouco a noção de tradição. Digo de propósito noção e não conceito porque, a meu ver, o termo noção sugere mais uma abertura para descobertas existenciais. Nesta perspectiva eu diria que "tradição é uma certa qualidade de vida que, na livre escolha feita em base da situação concreta, inspira a maneira na qual será organizado um dado perenemente novo". O lema do último capítulo geral "A viagem continua" é muito sugestivo para traduzir em que consiste a tradição do Carmelo. Tradição é uma viagem. E quem não viaja acaba com a tradição. Não sei se sou um expoente da tradição carmelitana. Sei que a recebi de outros, em primeiro lugar daqueles cristãos leigos que peregrinaram para a Terra Santa, considerada patrimônio de Jesus Cristo, e que se estabeleceram no Monte Carmelo. Como tantos outros eles queriam "viver em obséquio de Jesus Cristo e servi-lo fielmente com coração puro e consciência serena". Eles deviam ter na cabeça e no coração os referenciais daquele movimento difuso dos "Pobres de Cristo" que, já no século XII, foi nascendo, não sem conotações de protesto contra situações políticas e sócio-econômicas. do contexto histórico daquela época. Alberto, patriarca de Jerusalém, deu a eles uma sóbria fórmula de vida, um quadro de referências para viver de acordo com a opção deles. Na mensagem final aos irmãos e irmãs da Família Carmelitana, os participantes do Capítulo Geral de setembro do ano passado afirmam que, refletindo sobre o momento importante da história atual e repassando brevemente na memória o caminho que o Carmelo percorreu no passado, perceberam a vitalidade da Regra ao longo da história para inspirar, responder aos desafios, animar e fazer surgir novas formas de vida. Para continuar a viagem é preciso saber de onde se vem. Quem não sabe de onde vem, também não sabe para onde ir.
Se a tradição é uma viagem que continua, é evidente que o "filtro do tempo" desempenha um papel importante na sua vivência interpretativa. Seria interessante aprofundar as reformas pelas quais a Ordem passou ao longo dos séculos, enquanto re-interpretações do significado fundamental do Carmelo. Se a cada um de nós se fizesse a pergunta: o que é fundamental, o que é essencial ao Carmelo, provavelmente iríamos concordar com muitas respostas. Mas, ao mesmo tempo, cada resposta nos deixaria insatisfeitos. Por sinal, essa insatisfação revela o fundamental do Carmelo. Penso que Alberto apresenta essa insatisfação como conclusão da sua carta aos eremitas do Monte Carmelo.
É isso que, com brevidade, vos escrevemos, determinando a forma de conduta segundo a qual devereis viver. Se alguém fizer mais, o Senhor mesmo lhe retribuirá quando voltar. Use, porém, de discernimento que é moderador das virtudes.
         Pergunto o que os primeiros carmelitas podiam fazer mais, além do que Alberto escreveu na forma vitae? A própria Regra já aponta em praticamente todos os seus parágrafos para um mais na conduta dos carmelitas. Ela não predefine limites para a caminhada. Apesar de ter um valor jurídico, a Regra não é, no sentido estrito, um documento jurídico. Na conclusão a carta de Alberto faz uma alusão à parábola do Bom Samaritano, modificando-a em alguns pontos. O evangelho de Lucas o Bom Samaritano dá dois denários ao dono da hospedaria, e diz: "Cuida do homem ferido, e o que gastares a mais, eu, quando voltar, te pagarei" (Lc 1 0,35). O texto da Regra: "Se alguém fizer mais, o Senhor mesmo lhe retribuirá quando voltar". O conteúdo pragmático de Lucas (o que falta aos dois denários) é transformado em engajamento da pessoa. Se alguém der mais, se der mais da sua pessoa, ou melhor, se alguém se entregar a si mesmo, o Senhor mesmo lhe retribuirá quando voltar. Mas também isto já está na Regra quando diz que deve viver em obséquio de Jesus Cristo e servi-lo de coração puro e consciência serena. Afinal, trata-se de amar Deus e o próximo de todo o seu coração, de todo o seu espírito e de todas as suas forças. É um engajamento pessoal que não tem fim. Ou seja, é um convite para entrar num espaço que não pode ser descrito, que não pode ser objeto de uma fórmula de vida, de uma Regra. O que falta aos dois denários pode ser contabilizado, mas a fé como confiança é um pulo no desconhecido. A fé-confiança constrói sobre a fidelidade do Outro, fidelidade que eu não posso modelar (noite da fé). E o amor é um deserto onde não há caminho já traçado. Um verdadeiro dom é por sua natureza indefinido e escondido, pois a mão direita não sabe mais o que faz a mão esquerda. Recentemente, durante um retiro para carmelitas de clausura, emprestaram-me uma bíblia da biblioteca do mosteiro. Nela encontrei um papelzinho em que uma pessoa anônima (talvez uma irmã já falecida) tinha escrito: "Eu gostaria de amar como Deus se ama a si mesmo". E neste caminho vai também a esperança, aquela menina pequena que anda de mãos dadas com a fé e o amor (Charles Péguy), enquanto seus cabelos são tocados pelo vento que sopra do horizonte desconhecido. A parábola com que Kees Waaijman comenta o parágrafo final da Regra, merece ser transcrita:
 Nos confins do deserto existia um pequeno albergo. Uma sala de jantar, algumas camas e um estábulo para os animais. Era tudo. O hospedeiro vivia em função de seu albergo. Mantinha tudo em ordem. Os quartos eram limpos e havia o suficiente para comer e beber. Quando chegava um viajante, ele se colocava à disposição dele. Procurava adivinhar seus desejos. "Meu hóspede é meu patrão", como ele dizia. Muitas vezes, seu olhar se perdia no deserto. Em certo sentido ele esperava hóspedes imprevistos. Ele era conhecido por sua hospitalidade, sempre dava um jeito.
Numa tarde já avançada, enquanto os hóspedes conversavam do lado de fora, alguém se aproximou vindo do deserto. No seu animal ele trazia um homem gravemente ferido. Ele foi mal tratado por assaltantes. O viajante estava visivelmente emocionado. Dirigiu-se ao dono do albergo: "Tenha a bondade, cuide bem dele. Aqui você tem um adiantamento, o resto eu pagarei quando voltar”. Depois comeu um pedaço de pão, tomou um copo de vinho, beijou o ferido e desapareceu na noite.
"Bela generosidade!"  murmuravam os hóspedes. "O sujeito nos deixa os gemidos e ele mesmo escapa". O dono do albergo ficou calado, cuidou das feridas do homem assaltado, deu-lhe de comer e beber e o deitou na cama. A quantia já recebida não seria suficiente para as despesas, mas não pensou numa indenização. Será que o homem do cavalo voltaria? Mas também não se preocupou com isso. Fez tudo o que lhe foi pedido.
Depois que o homem ferido pegou finalmente no sono, o hospedeiro saiu um pouco. Silencioso, perscrutava o deserto. E ficou ali até que o sol se levantou.

O carmelita na América Latina.

A nova Ratio da Ordem que trata da formação no Carmelo descrevendo-a como um processo de transformação, coloca a contemplação no coração do carisma carmelitano. É precisamente o segredo da viagem que continua, pois ninguém se põe em caminho se o objetivo final da caminhada não estivesse de alguma maneira presente desde os primeiros passos.
A viagem é feita dentro da história em que nos encontramos inseridos, no meio do povo. A própria viagem toma-se missão. A dificuldade que muitos sentem é como ligar este cerne do carisma que é a contemplação ou experiência de Deus com os desafios dessa história, no nosso caso, com a realidade da América Latina. Continua persistente, também entre nós, um certo dualismo. Mesmo fazendo uma leitura sócio-pastoral da Igreja tropeçamos em fenômenos que fazem perceber a dificuldade de ligar fé e vida, revelação e experiência humana, Esta dificuldade provém em grande parte da imagem de Deus que não passa pelo filtro do nosso tempo. É preciso reconhecer que muita coisa de positivo foi feito para desfazer essa mentalidade dualista, principalmente através da pastoral bíblica (círculos bíblicos), pela teologia de libertação, na prática das comunidades de base, para mostrar que não se pode separar a revelação de Deus da caminhada do povo. O povo de Israel descobriu a presença de Deus na libertação da escravidão do Egito. E os profetas sempre insistem nessa manifestação de Yahweh quando o povo se torna infiel a essa aliança estabelecida com Ele.
"Como nós carmelitas deveríamos situar-nos frente à realidade que nos envolve na América Latina?" Faço minha esta pergunta feita na carta de quem me convidou para participar deste encontro. A resposta pode parecer simplista ou até um círculo vicioso: fazer com que a questão de Deus permaneça central na nossa existência. Não se trata em primeiro lugar da questão sobre um Ser supremo. A questão de Deus está ligada à questão da realidade. Se a questão de Deus deixa de ser central, ela será substituída pela problemática que nos envolve. A questão que se coloca é do sentido da vida, do destino da terra, da necessidade ou não de um fundamento. Perguntamos simplesmente qual é para cada um de nós a última questão, ou por que esta questão não é colocada. Mas para poder admitir a questão e refletir sobre ela, há necessidade de um silêncio interior, ou como diz a Regra de uma pureza de coração. Sem esse preliminar nem se percebe de que se trata. Já na Idade Média falava-se da necessidade do olho da fé É o órgão da
faculdade que nos dá acesso a uma dimensão que transcende, sem negar o que captam o olho dos sentidos e o olho da inteligência.
O discurso sobre Deus é radicalmente diferente de outros discursos, pois Deus não é um objeto. Do contrário ele seria um ídolo. Nenhum instrumento pode localizar Deus, nem a teologia acadêmica. Pode haver especialistas em teologia ou mesmo, em espiritualidade e mística. Não há, porém, cursos de especialização em Deus. A única mediação somos nós mesmos. Santo Tomás já dizia: "A criatura é a mediação entre Deus e o nada". Jamais podemos colocar Deus do nosso lado contra os outros. Talvez um texto de São Bernardo possa ilustrar o que acabamos de afirmar. Num sermão sobre o Cântico dos Cânticos ele confessa que recebeu com certa freqüência a visita do Verbo, mas que não soube explicar como Ele entrou.
Por onde entrou? Ou será que Ele não entrou, visto que não vem de fora? Pois Ele não é nenhuma das coisas que estão fora de nós. Também é certo que não veio de dentro de mim, porque Ele é bondade, e bem sei que em mim não existe nada de bom. Daí eu me elevei acima de mim mesmo, mas o Verbo está mais além. Intrigado, sondei o que está abaixo de mim, mas Ele está em maior profundidade. Olhando para fora de mim, concluí que está além de tudo o que do lado de fora fica o mais longe de mim. E olhando para dentro de mim, que a sua presença é mais interior que o meu íntimo. E assim compreendi a verdade daquilo que eu tinha lido: "Nele vivemos, nos movemos e somos" (At 17,28).
          Não é possível falar de um Deus puramente transcendente. Seria inclusive uma coisa supérflua, e mesmo, contraditória. Por isso o deísmo, herança recebida do Iluminismo, não nega a existência de Deus como Ser supremo, mas não admite a sua revelação porque é o próprio homem que determina o lugar que Deus pode ocupar. Aos poucos Deus vai se tornando uma hipótese inútil.
Mas Deus se revelou e, portanto, se engajou na história dos homens. A revelação é essencialmente Deus que se doa a nós. É o acontecer de um encontro. E neste encontro não atingimos algo de Deus, um aspecto ou um segmento do seu mistério. O que Deus revela é o seu "coração". Ao mesmo tempo, porém, Deus permanece sempre maior do que o nosso coração, Ele será sempre um Deus escondido, Ele é mais do que a sua revelação. Esse mais não deve ser pensado em termos quantitativos, mas significa que Deus não se torna objeto da revelação. Deus permanece o sujeito da revelação e como tal transcende a sua revelação, é anterior a ela. Deus é o mistério maior que não se esgota na sua relação reveladora. Além disso, não podemos aduzir nenhuma razão que explica ou justifica a revelação de Deus. É o seu "desígnio secreto" (Ef 1,9). "Ele nos amou primeiro" (1 Jo 4,10). A gratuidade do amor de Deus deixaria de ser gratuidade se pudéssemos explicá-la. Vale aqui a declaração de P. Evdokimov, teólogo ortodoxo: "Não é o conhecimento que ilumina o mistério, é o Mistério que ilumina o conhecimento".
Nenhuma linguagem humana é capaz de descrever o mistério de Deus. O que faz entender porque a Regra fala em dois parágrafos sobre o silêncio, não só como exercício ascético para chegar à pureza do coração, mas também como matriz de toda palavra autêntica. O que faz pensar no que escreveu santo Irineu: "Do silêncio primordial surgiu o logos". No silêncio se entrelaçam o tempo e a eternidade. Uma vida de silêncio não é a mesma coisa que o Silêncio da Vida. O mesmo santo Irineu escreve sobre essa Vida: "A glória de Deus é a Vida do homem, e a vida do homem é conhecer a Deus". A primeira parte deste texto foi muito citada em ambientes de pastoral social: a glória de Deus é a vida do homem. Omitindo a segunda parte surge de novo um certo dualismo entre fé e vida, entre revelação de Deus e caminhada do povo. Neste caso a opção pelos pobres, aos excluídos corre o perigo de ser reduzida a uma mera obrigação ética. "Tudo o que vocês fizerem ao menor de meus irmãos, e a mim que o fizestes". É uma afirmação ontológica da presença de Cristo no outro. Jesus manifesta nessa tomada de posição parcial, a universalidade do desígnio de Deus. Cristo não é símbolo para a realidade, mas da realidade. A evangélica opção preferencial se situa no nível do que Raimon Panikkar chama de cristofania. Por Cristo, com Ele e n’Ele, todas as dimensões da realidade se juntam: "Tudo foi feito por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito de tudo o que existe" (10 1,2). O universo inteiro é chamado a participar da vida trinitária em Cristo e por Cristo. O que dá uma perspectiva profunda ao "viver em obséquio de Jesus Cristo" da Regra. . Volta aqui à contemplação como cerne do nosso carisma. Penso que sem esse cerne não encontramos uma resposta à pergunta que me foi feita na carta mencionada: "Como nós carmelitas deveríamos situar-nos frente à realidade que nos envolve na América Latina?"
A questão de uma vida de silêncio e do Silêncio da Vida pode parecer uma espécie de fuga do mundo, um viver no abstrato. Neste sentido ouve-se freqüentemente a crítica: basta de belas teorias, precisamos da prática. Cabe fazer aqui uma distinção entre o que é urgente e o que é importante. O urgente com suas características de imediato desvia a nossa atenção daquilo que é importante. Se o urgente não é importante nós nos lançamos numa prática contraproducente. Se o importante não é urgente mergulhamos numa teoria errônea: o importante será uma simples abstração. No urgente destacamos o fator do tempo, no importante acentuamos o fator do peso. A sabedoria conste em combinar o urgente com o importante. É a arte de fazer calar as atividades da vida que não são a Vida. Não são as atividades que produzem o ativismo, mas a falta de silêncio interior. Ativismo é como a gravidez psicológica: seus efeitos visam o presente. A gravidez real se dá no presente mas, não para o presente. Freqüentemente agimos a partir de atributos que configuram a nossa personalidade: sou professor, diretora de um colégio, empresário, operário, pároco, superior, etc. É assim que somos identificados, é assim que os olhos dos outros se fixam em nós. Quem se identifica exclusivamente a partir dessas atribuições, sem dúvida reais, estas freqüentemente começam a sufocar-lhe a identidade profunda.  No dia do seu aniversário (29.07.1959), Dag Hammarskjöld, secretário geral da ONU, escrevia no seu diário espiritual:

A humildade é o contrário tanto da humilhação quanto da exaltação de si mesmo. A humildade consiste em não se comparar. Repousando na sua realidade, o eu não é melhor nem pior, nem maior nem menor que outra coisa ou outra pessoa. Ele é – nada, mas, ao mesmo tempo, um com tudo. Neste sentido, humildade significa: apagamento sem reservas de si mesmo. Ser nada no apagamento de si, na humildade, e, mesmo assim, encarnar, em virtude da sua missão, todo o seu peso e autoridade: é a atitude de quem tem uma vocação.
 De certa maneira trata-se de  um despojamento do conjunto dessas atribuições para poder chegar ao Silêncio da Vida.*  Enfocando o relacionamento que deve existir entre o prior e os irmãos, Alberto ofereceu aos eremitas do Monte Carmelo uma pista para chegar a esse despojamento.

Tu, irmão B. e seja quem for indicado Prior depois de ti, tenhais sempre em mente e cumpram na prática o que o Senhor diz no evangelho: Todo aquele que entre vós quiser tornar-se o maior, seja o vosso servidor, e quem quiser ser o primeiro, seja o vosso empregado.
E vós, os demais irmãos, honrai humildemente o vosso Prior, pensando, mais do que nele, em Cristo que o colocou acima de vós, e que diz aos que estão à frente das igrejas: Quem vos ouve, é a mim que ouve; quem vos despreza, é a mim que despreza, a fim de que não sejais julgados como réus por menosprezo, mas possais merecer por obediência a recompensa da vida eterna.

Seria empobrecer o conteúdo do texto citado se fosse reduzido a uma exortação piedosa ou moral. Como em toda a Regra do Carmelo, também aqui aparece a tensão que existe entre o urgente e o importante, entre prática e teoria. Já no primeiro parágrafo da sua exposição, em que fala da eleição do Prior, Alberto insiste na obediência que cada um dos irmãos deve prometer ao que tiver sido eleito, e no empenho de cumprir na verdade da prática o que prometeu. É claro que na prática podem surgir abusos e comportamentos imaturos de ambas as partes. O que, porém, não invalida a perspectiva cristocêntrica que a Regra abre também para o relacionamento mútuo entre o Prior e os demais irmãos. O essencial é a obediência ao que ressoa além do meu horizonte. Trata-se da "salvação no Senhor" que Alberto deseja aos carmelitas já no início da sua carta. Salvação é "participar da natureza divina"(2 Pd 1,4) por Cristo. É precisamente nisto que consiste o mistério envolvido em silêncio desde sempre, mas agora revelado em Jesus (Rm 16,25) que veio para que todos tenham Vida, e a tenham plenamente (Jo 10,10).
Muitas vezes identificamos a Vida com as atividades da vida e nos alienamos da nossa própria fonte, estabelecendo uma dicotomia entre o fundamental ou essencial e o relativo. O essencial não seria essencial se não o descobríssemos a partir do relativo. O fato de vivermos no tempo, a nossa vida se desenvolve ao longo de uma linha temporal. A própria consciência que temos das coisas é marcada pelo tempo. Além disto, pelo fato de vivermos no espaço a nossa consciência é atingida pelo parcial e pelo distante que supõe o caráter material da realidade. Isto faz com que tudo em nós tenda para algo mais que não se estenda pelo tempo e pelo espaço. Surgem assim as interrogações fundamentais: de onde viemos e aonde vamos? São questões que sempre permanecem abertas, pois nenhuma resposta nossa é capaz de exauri-las. O desconhecido permanece e não se deixa manipular. E ao inverso, o relativo só pode ser relativo porque existe uma relação a partir do essencial. Teresa de Ávila o diz às suas filhas: Deus se faz encontrar também na cozinha no meio das panelas. E outro escritor que compara o homem e a mulher casados às duas margens de um mesmo rio. Não se trata, portanto de negar a importância das atividades e ocupações da vida. Não podemos viver sem sentir, sem amar, sem comer, sem trabalhar. Os parágrafos que a Regra dedica à refeição e ao trabalho, não são apenas de natureza disciplinar: apontam para o essencial. Agora sem o silêncio dos sentidos e do intelecto, o olho dá fé fica atrofiado e não conseguimos nos abrir à Vida que é anterior às suas expressões nas nossas diversas atividades. Lembro-me aqui de Tito Brandsma que sabia combinar o urgente com o importante e abrir-se ao Silêncio da Vida. Era um homem que se situava junto à Fonte. Sabia unificar-se por dentro e por isso estava inteirinho na sua cela, no atendimento aos humildes, aos estudantes, aos jornalistas, aos nazistas que o interrogavam e o maltratavam.

Os “lugares” da contemplação

Deus está em toda parte e ele é simples, não tem partes. Assim já nos ensinava a teologia escolástica. Teresa de Ávila o sabia por "experiência".

Direis, porém: como viu ou entendeu que era o Senhor, se nada viu nem entendeu? Não digo que tenha visto. Depois é que vê claramente. Não a modo de visão, mas pela certeza que lhe fica na alma e que só Deus pode infundir. Conheço uma pessoa [a própria Teresa] que sabia que Deus está em todos os seres por presença, por potência e por essência. Tendo recebido uma dessas mercês do Senhor, compreendeu-o com tal firmeza que não deu ouvido a um dos semiteólogos a quem consultou. ... Mas como pode deixar-nos tão grande certeza algo que não vemos? Não sei - são obras de Deus. Só sei que digo a verdade (Moradas, 5, 1,10-11).

Não há "lugar" onde a experiência de Deus não possa não acontecer. Mesmo assim podemos falar de lugares privilegiados da experiência de Deus. Quais poderiam ser os lugares aqui na América Latina? Não compete a nós descrever os lugares da experiência de Deus e como acontece essa experiência. Não dá para organizar e programar a experiência de Deus. Uma coisa é certa: a experiência de Deus,  seja na alegria, como no sofrimento, é sempre acompanhada da experiência da própria contingência. Embora a experiência de Deus ressoe de alguma maneira na estrutura psíquica do indivíduo, ela não pode ser reduzida a um fenômeno psicológico como certas tendências psicologizantes fazem crer. Não se pode banalizar a experiência de Deus. Não se trata de um maravilhamento estético, de uma alegria biológica, de um sofrimento, de uma admiração entusiasta diante da natureza, de um encanto e atração suscitados por uma pessoa carismática. Não que esses fatores são excluídos como possibilidade, mas é importante fazer as devidas distinções. A mesma hesitação devo admitir quando se fala do self. É verdade que a experiência de Deus faz descobrir a própria identidade mais profunda, mas não é permanecendo no nível profundo do próprio eu que podemos falar de experiência de Deus. A águia pode voar em grande altura, mas não pode voar acima de si mesma (Ruusbroec). Posso fazer a experiência de Deus, fazendo a experiência de mim mesmo como de um tu de Deus, descobrindo-me como seu. Santa Teresa de Ávila diria: "Procura-me em ti, procura-te em mim". Deus não se coloca nas mãos de especialistas: "Dou-te graças, Pai, Senhor do céu e da terra! Porque, ocultando estas coisas aos entendidos, tu as revelaste aos ignorantes" (Lc 11, 25).
O amor será sempre o núcleo fundamental da experiência cristã. O amor-ágape é o princípio do cristianismo: Deus é amor, Ele nos amou primeiro. Para quem ignorar o amor humano, será difícil experienciar o amor de Deus. Mas também será difícil perseverar no amor humano se não se descobre nele uma alma divina. Quem diz que ama a Deus e não ama seu irmão é um mentiroso (1 Jo 4,20).
Sem esquecer-nos da alegria como lugar da experiência de Deus, é importante lembrar o sofrimento. Aliás, existe uma alegria que é compatível com o sofrimento. Tito Brandsma escreveu na cela da prisão:

Ainda que a descoberta exija                                    Na minha dor me rejubilo;
coragem, faz-me bem a dor:                          já não a julgo sofrimento,
por ela me assemelho a ti,                              mas sim predestinada escolha,
que ela é o caminho redentor.                       que me une a ti neste momento.

O que faz sofrer é a dor, a injustiça, a humilhação, o castigo, a fome, a privação de um bem, a angústia gerada por um futuro ameaçado ou incerto. Se o sofrimento pode purificar, amadurecer, também pode provocar o desespero. Quem é apaixonado pela justiça também sofre ao ver a atuação do mal, a inércia dos responsáveis e mesmo da própria história. Este sofrimento tem a ver com solidariedade que pode ser expressão do Silêncio da Vida. A reação ao sofrimento depende também da idéia que se tem de Deus. Se Deus é um Deus onipotente, a reação pode ser de protesto e de blasfêmia. Se esse Deus é um ser simplesmente transcendente - Ele lá nos céus e nós aqui na terra - a solidariedade humana não aparece, e as situações injustas são vistas e tratadas como fazendo parte de uma dinâmica política e econômica em que o fim justifica os meios. O sofrimento nos confronta com o irracional, nos desloca, faz afundar os nossos planos, nossas seguranças. Pode abrir caminho para a experiência de Deus, como pode provocar o contrário. Quando se trata do sofrimento dos nossos irmãos, a experiência de Deus é mais comunhão do que consolação. Mas é sempre graça porque se toca no mistério. Pode abrir para o transcendente, mas também pode ser uma revelação da "imanência" de Deus. Parece que o homem sente mais suas ligações com a realidade quando se apresentam aspectos negativos. É como a pessoa se lembra mais do seu fígado quando este começa a doer.
Existe também o mal, o pecado, o mistério da iniqüidade. Existem diversas elucubrações metafísicas que tentam explicar o mal no mundo. Em todo caso o problema do mal é um fato. Será que o mal pode ser um lugar da experiência de Deus? Não vamos entrar na questão. Só quero lembrar que ela se apresenta como uma questão religiosa que na prática é freqüentemente interpretada e manipulada de maneira nada religiosa. Permanecendo na tradição crista, basta citar as palavras de Paulo: "Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nos tomemos justiça de Deus" (2 Cr 5,21). E é conhecida a expressão da Vigília pascal, cantada em tom de júbilo: "Ó pecado de Adão, indispensável, pois o Cristo o dissolve em seu amor; ó culpa tão feliz que há merecido a graça de um tão grande Redentor!". Tudo isso faz pensar num parágrafo da nossa Regra: "Nos domingos ou em outros dias, caso houver necessidade, vocês devem tratar, todos juntos, da observância da vida comum e da salvação das almas. Na mesma ocasião sejam também corrigidos os excessos (= transgressões) e as culpas dos irmãos se em alguém forem encontradas, estando a caridade sempre no centro". Não creio que este parágrafo retrate o capítulo de culpas que, nos meus anos de jovem carmelita, se realizava na comunidade sob a presidência do prior. As faltas acusadas eram estereotipadas: quebrei um copo, olhei para o século, subi a escada correndo, etc. Podia ser um exercício de humildade, mas Alberto fala da salvação das almas, do desígnio de Deus realizado em Cristo. A comunidade é símbolo da comunhão dos santos, mas também da comunhão dos pecadores. A Regra diz que na correção fraterna a caridade, ou  seja, a salvação deve ser o ponto de referência. Ora, sem a dor causada pelo mal o amor torna-se impossível.

Conclusão

"No silêncio e na esperança estará a vossa força" É a citação que a Regra faz da Vulgata. E ainda "O silêncio é o cultivo da justiça", isto é,  conduz ao Silêncio da Vida, pois a justiça de Deus protege a verdade do ser humano. Dag Hammarskjõld, homem político e de ação, poucos dias depois da sua segunda eleição como secretário geral das Nações Unidas, em setembro de 1957: transcreveu no seu diário espiritual um pensamento de Mestre Eckhart: "O melhor e o mais maravilhoso que se possa atingir nesta vida, é silenciar e deixar Deus agir e falar".

No dia 10 de abril de 1958 ele escreve:

Graças à fé que é união de Deus com a alma, você é um em Deus e Deus é totalmente em você, como para você ele é todo inteiro naquilo que você encontra.
Graças a essa fé, você desce na oração no fundo de você para encontrar o Outro, na obediência e na luz da União,
Você vê todos, todos os outros como você, sós diante de Deus.
E toda ação é um ato criador que continua, de modo consciente porque você tem a responsabilidade de um homem, sendo guiado por essa força além da consciência que o homem criou.
Você é independente das coisas, mais você as percebe numa sensação que tem a pureza libertadora e a agudeza penetrante da revelação.
Graças à fé que é união de Deus com a alma, tudo tem um sentido.
Viver assim, utilizar assim o que foi confiado a você...



* Não se conhecem as motivações que levaram o Prior Geral Teodoro Straccio a mandar frei Luís da Purificação (de Mértola), ex-mestre de noviços em Lisboa, para o Brasil como seu comissário e visitador geral. Depois de percorrer os conventos no Brasil, ele escreve, em março de 1644, uma carta de avaliação dirigida aos confrades em que ele critica “o pouco interesse deles pelas coisas que conduzem à perfeição” e aponta entre outros defeitos o relaxamento na pobreza religiosa e  a ambição por cargos; ambição esta que  ele considerava a causa de todos os males. 

*Dom Frei Vital Wilderink, O Carm, foi vítima de um acidente de automóvel quando retornava para o Eremitério, “Fonte de Elias”, no alto do Rio das Pedras- nas montanhas de Lídice- distrito do município de Rio Claro, Rio de Janeiro. O acidente ocorreu no dia 11 de junho de 2014. O sepultamento foi na cidade de Itaguaí/RJ, no dia 12, na Catedral de São Francisco Xavier, Diocese esta onde ele foi o primeiro Bispo.

TODOS OS SANTOS E SANTAS: Homilia do Frei Petrônio.

LA ORACIÓN DEL SILENCIO.

Frei Joseph Chalmers O. Carm.

En el Carmelo hay muchas estrella, pero las más grandes, las más brillantes son Santa Teresa de Jesús  y san Juan de la Cruz. Su experiencia y sus escritos son tan importantes para la historia de la espiritualidad. Pero son tan grandes que a veces,  no se puede ver otra cosa. La espiritualidad Carmelita no empieza con Teresa y Juan. Ellos recibieron la tradición y con genio reelaboraron esta tradición y pasó esta tradición a nosotros.
El corazón de la espiritualidad Carmelita es desde el inicio de nuestra historia, la contemplación. Santa Teresa y San Juan  vivían en el tiempo de la “Devoción Moderna” en que la oración mental era muy importante. Teresa encontró un método de oración mental que le ayudó mucho. Teresa y Juan escriben de la vida espiritual en términos de oración. Por supuesto, la puerta a la contemplación es la oración, pero la contemplación incluye toda la vida.
Claro que vivimos en un mundo de ruido. Hay siempre ruido, radio, Tv., palabras, palabras , palabras. No somos islas aisladas. Todo el ruido entra en nuestras almas. Llevamos con nosotros un gran ruido interior. Cuando vamos a la oración individual, es muy difícil para nosotros estar en silencio. Tal vez nuestra oración es simplemente más ruido. El silencio es difícil para nosotros y tal vez tenemos miedo; entonces llenamos todo el tiempo de la oración con palabras. Es bueno leer, es bueno meditar en el sentido de pensar sobre la Palabra; es bueno hablar a Dios con palabras santas como el Padre Nuestro y Ave María; es bueno hablar a Dios con nuestras propias palabras. Pero hay tiempo para hablar y tiempo para silencio. Ahora quisiera hablar un poquito sobre la oración del silencio y proponer un método de oración del silencio.
Hemos hablado el miércoles sobre el camino de una relación interpersonal. Es siempre importante hablar para continuar la comunicación entre dos personas, pero en una relación buena, el silencio puede ser lleno de significado. Es muy normal en una relación que está madurando que la comunicación se hace más simple con menos palabras. Al inicio, se tiene que hablar mucho, pero después un movimiento de los ojos puede ser suficiente para comunicar mucho.
Tenemos que crecer en la amistad con Dios y no debemos presumir una relación que no existe. Por supuesto que Dios nos ama igualmente, pero nosotros no estamos en el mismo lugar. Cuando hablo de la oración del silencio, no estoy diciendo que el silencio sea todo el contenido de nuestra oración, no necesitamos rezar de varias maneras. Cuando una persona siente la necesidad de más silencio en la oración, necesita un poquito de ayuda.
Hay varios métodos de rezar en silencio. Quisiera hablar solamente de una de esas; es un método que es moderno, pero tiene sus raíces en la riquísimo tradición contemplativa del cristianismo. El método no es complicado; es muy sencillo y al mismo tiempo bastante sutil. Hay cuatro puntos en este método.

1- posición del cuerpo.
Se puede rezar en cualquier ocasión o en cualquier posición. Pero en la larga tradición contemplativa podemos encontrar varias sugerencias. Es importante encontrar una manera para que el cuerpo no sea una distracción durante la oración. Yo tengo dificultad para arrodillarme.
Después de unos minutos no puedo pensar en algo más que el dolor en las rodillas. Entonces para mí, rezar de rodillas no es una buena idea. Para cualquier método de oración de silencio, veinte  minuto  es un mínimo porque necesitamos tiempo para entrar en esta oración.
Para la mayoría de personas es mejor estar sentadas; es más confortable y se puede continuar sentado por todo el tiempo. Los brazos y las piernas en una posición de relax. Rezando con los brazos o piernas cruzadas no ayuda el cuerpo entrar en la oración y así el cuerpo puede ser una gran distracción durante la oración. Todo esto es para iniciar bien .

2- introducir la palabra sacra.
 En este método de oración usamos una Palabra  Sacra. Esta Palabra no tiene que ser sacra en sí misma, pero tiene que ser muy significativa para la persona. La oración consiste en estar en la presencia de Dios y consentir  su acción en nosotros. Es una oración de intención y no de atención; es decir, no es necesario concentrarse en algo sino desear la presencia y la acción de Dios en nuestras vidas. En el silencio introducimos la palabra sacra muy suavemente en el propio corazón. Esta palabra viene de la relación que   tienes con Dios; es una palabra que tú entiendes y que Dios entiende, pero no se necesita que otras personas la entienden.
Según la tradición contemplativa, la palabra sacra debía ser breve. Algunos ejemplos de palabras posibles son: Dios, Señor, Amor, Jesús, Espíritu, Padre, María, Sí. Pero si una palabra es sacra para ti; es decir, significativa puedes usarla en esta oración.
Cuando digo introducir la palabra sacra en tu propio corazón, no estoy diciendo profundizar la palabra, sino aceptar esta palabra dentro de sí sin pensar sobre el significado. No es necesario forzar la palabra; tiene que ser muy suave. No se pronuncia la palabra con la boca ni con la cabeza. No es un mantra. La palabra sacra focaliza nuestro deseo. Se necesita usar la palabra siempre de la misma manera para ayudar al corazón a volver al Señor cuando somos conscientes de que estamos distraídos. Esta es una oración de intención y no de abstención. Nuestra intención es simplemente estar en la presencia de Dios y consentir  su acción en nuestras vidas. Nuestra palabra sacra exprime esta intención y cuando estamos consientes que estamos pensando en otras cosas podemos decidir continuar pensando en esta palabra  o volver a la intención de estar en la presencia de Dios y consentir su acción. Durante esta oración no es necesario hablar con Dios con palabras bellas o tener pensamientos santos; podemos hacer estas cosas en otro momento. Nuestro silencio y deseo valen mucho más que muchas palabras bonitas.
Por medio de esta palabra sacra que hemos escogido, exprimimos nuestro deseo profundo y nuestra intención de permanece en la presencia de Dios y consentir su acción en nuestra vida, una acción de purificación y transformación. Se usa la palabra sacra que es símbolo de nuestra intención y de nuestro deseo; sólo cuando somos conscientes de que estamos pensando en otra cosa. La oración misma consiste en estar en la presencia de Dios sin pensar en algo particular. Es una oración de relación con Dios, Padre, Hijo y Espíritu Santo.
María, la Madre de Jesús estaba frente a la cruz en silencio, en silencio recibió la vocación de ser Madre de la iglesia. En el silencio pronuncio su “sí” al Padre, uniéndose de esta manera al sacrificio de su Hijo, por la salvación del mundo. María es el modelo para nuestras vidas. Como ella  escuchamos la Palabra de Dios y abrimos el corazón para que Dios nos transforme. Somos creados para Dios; tenemos cavernas infinitas dentro de nosotros. Intentamos llenar estas cavernas con muchas cosas, pero sólo Dios basta.

DIRECTRICES PARA LA ORACIÓN EN SILENCIO

1- Escoger una palabra sacra, como símbolo de la propia intención de consentir la presencia y la acción de Dios dentro de sí.
2- Encontrar una postura física, cerrar los ojos e introducir en silencio la palabra sacra como símbolo de la intención de consentir la presencia de la acción de Dios dentro de sí.
3-Cuando se es consciente de pensar en algo; volvemos suavemente a la palabra sacra.

4.- Al fin del periodo de oración, permanecer en silencio por algunos minutos con los ojos cerrados.

sábado, 31 de outubro de 2015

TODOS OS SANTOS: A Palavra do Frei Tinus Van Balen.

Dossiê - Mártires de El Salvador: Seis Padres Jesuítas e Duas Mulheres foram Assassinados.

Há exatos 20 anos, seis padres jesuítas e duas mulheres foram assassinados a sangue frio no campus da Universidade Centro-Americana José Simeón Cañas (UCA), em El Salvador. Entre eles, estavam o reitor da universidade, Ignacio Ellacuría, e o vice-reitor, Ignacio Martín-Baró. Paramilitares do Exército Salvadorenho invadiram a residência dos jesuítas com o objetivo único de matar aqueles que incomodavam a ditadura. Para recordar o martírio e a luta destes militantes que almejavam a liberdade e o bem social de El Salvador, a IHU On-Line desta semana preparou o dossiê a seguir. Leia um breve perfil dos mártires e, em seguida, algumas entrevistas que lembram seu legado e memória.

Por: Patricia Fachin
O Instituto Humanitas Unisinos – IHU também exibirá o debate Memory and it Strength: The martyrs of El Salvador (A memória e sua força: Os mártires de El Salvador), que irá ocorrer no Boston College,  nos EUA, no próximo dia 30 de novembro. Mediados pelo jesuíta e reitor emérito do Boston College, J. Donald Monan, Noam Chomsky e o jesuíta, teólogo Jon Sobrino irão discutir a importância dessa memória. A exibição no IHU corre em 10 de dezembro, dia Internacional dos Direitos Humanos, em um evento que marca a inauguração da sala Ignacio Ellacuría e companheiros, no IHU. Confira.

Ignacio Ellacuría (1930-1989)
Ignacio Ellacuría nasceu em Portugalete, província de Vizcaya, Espanha, no dia 9 de novembro de 1930. Foi o quarto de cinco filhos. Depois de concluir o ensino primário na cidade natal, Ellacuría continuou os estudos no Colégio dos Jesuítas de Tudela. Em 1949, junto com outros cinco noviços, foi enviado para o noviciado da Companhia de Jesus em Santa Tecla, El Salvador, e fez os votos de pobreza, obediência e castidade.
Completou seus estudos de Ciências Humans e estudou Filosofia em Quito. Na Áustria, cursou Teologia e foi influenciado pelos ensinamentos de Karl Rahner.  No ano de 1961, foi ordenado sacerdote em Innsbruck e fez os últimos votos como jesuíta em 1962, em Portugalete, onde nasceu. Nesta época, também realizou o doutorado em Madri, na Universidade Complutense, sob a direção de Xavier Zubiri,  dando origem à tese La principialidad de la esencia en Xavier Zubiri.
Em 1967, Ellacuría retornou a El Salvador para atuar como professor na Universidade Centro-Americana (UCA). Nos primeiros anos da década de 70, foi responsável pela formação dos jovens jesuítas da Província da América Central. Neste período, também foi nomeado Diretor do Departamento de Filosofia da UCA e, posteriormente, em 1973, publicou o livro Teologia Política, editado também em inglês, em Nova York, sob o título Freedom Made Flesh: The Mission of Christ and His Church. No ano seguinte, Ellacuría fundou o Centro de Reflexão Teológico da UCA. Assumiu a reitoria da UCA em 1979.

Confrontos em El Salvador
Nomeado diretor da revista Estudios Centroamericanos (ECA), Ellacuría, em 1976, publicou o editorial intitulado “A sus órdenes, mi capital”, o qual ocasionou a retirada do apoio do governo salvadorenho à UCA e gerou a violência paramilitar contra a Universidade. Ellacuría foi exilado na Espanha entre 1977 e 1978. No ano seguinte, El Salvador iniciou uma longa guerra civil que durou doze anos. Os jesuítas começaram a receber ameaças de morte e, em 24 de março de 1980, o arcebispo de San Salvador, Oscar Romero  foi assassinado durante a celebração da Eucaristia. Neste mesmo ano, Ellacuría retornou ao exílio. Na Espanha, participou da primeira reunião das religiões abraâmicas, em 1987. No encontro, expressou publicamente a necessidade de encontrar um terreno comum para superar os conflitos em El Salvador. Defendeu assim, a contribuição da Teologia da Libertação nas religiões abraâmicas para superar o individualismo e o positivismo.  
Ellacuría retornou a El Salvador em 13 de novembro de 1989 para tentar mediar a paz. Em 16 de novembro do mesmo ano, foi morto por um pelotão do Batalhão Atlacatl das Forças Armadas de El Salvador, na residência da Universidade UCA, junto com outros cinco jesuítas: Ignacio Martín-Baró, Segundo Montes, Amando López, Juan Ramón Moreno e Joaquin López y López. Também foram mortas Elba Julia Ramos, funcionária da residência, e sua filha, Celina, de 15 anos.

Obras
Ellacuría publicou várias análises de conjuntura da realidade salvadorenha e artigos sobre filosofia e teologia. Negou-se a publicar livros pela Editora UCA, pois considerava isto antiético. Seus livros foram publicados postumamente. Entre eles, citamos Filosofía de la Realidad histórica; Veinte años de historia en El Salvador; Escritos filosóficos; Escritos teológicos; e Escritos universitarios.

Ignacio Martín-Baró (1942-1989)
Ignacio Martín-Baró nasceu em 7 de novembro de 1942, em Valladolid, na Espanha. Ingressou no noviciado da Companhia de Jesus no ano de 1959, sendo transferido para Santa Tecla, em El Salvador, onde concluiu o noviciado em 1961. Escritor e professor universitário, publicou onze livros e uma vasta lista de artigos científicos e culturais em diversas revistas latino-americanas e estadunidenses. Regressando às raízes históricas da psicologia, ele falava em psicologia social e psicologia da libertação e argumentava que sobre o psicológico recai a tarefa de ajudar a consciência humana a ter uma compreensão maior de sua identidade pessoal e social. Confira a seguir alguns fatos relevantes da vida de Martín-Baró.
1965 - Obteve o bacharel em Filosofia e Letras, pela Universidad Javeriana, em Bogotá, Colômbia. Depois de morar alguns anos em Bogotá, retorna a El Salvador;
1967 - Inicia sua carreira de professor acadêmico na UCA;
1970 - Conclui o bacharelado em Teologia em Eegenhoven, na Bélgica;
1975 - Concluiu licenciatura em Psicologia pela Universidade Centro Americana Simeón Cañas (UCA);
1979- Conclui doutorado em Psicologia Social;
1981 - Assume o cargo de vice-reitor acadêmico da UCA;
1986 - Fundou e foi diretor do Instituto Universitario de Opinión Pública – IUDOP, além de atuar como professor convidado em muitas universidades. Também foi vice-presidente da Sociedad Interamericana de Psicologia.

Segundo Montes (1933-1989)
Segundo Montes nasceu em Valladolid, em 15 de maio de 1933. Permaneceu na cidade natal até 1950, onde realizou seus primeiros estudos e, em seguida, ingressou no noviciado de Santa Tecla, em El Salvador. Dois anos depois, concluiu o noviciado e foi enviado para Quito cursar Ciências Humanas na Universidad Católica. Ficou conhecido entre os colegas por seu desejo de compreender melhor a realidade social salvadorenha. Dedicou-se aos estudos sobre a estratificação social e os militares. Identificou ainda, na década de 80, um fenômeno curioso: a baixa do dólar, ou seja, os salvadorenhos que viviam nos EUA não tinham mais condições de enviar dólares para os familiares que residiam em El Salvador. Este fato o alertou sobre a importância da emigração salvadorenha para a economia nacional. Confira alguns aspectos de sua história.
1957 - Concluiu o curso de Licenciatura em Filosofia em Quito;
1964 - Obteve o título de Teologia em Innsbruck, na Áustria;
1957-60, 1966-76 - Desempenhou vários cargos, inclusive foi reitor do Colégio Externado de San José, em El Salvador;
1970-76 -Decano da Faculdade de Ciências do Homem, na UCA;
1978 - Concluiu o doutorado em Antropologia Social em Madri;
1978-82 - Foi chefe de redação da revista Estudios Centroamericanos (ECA);
1985 - Fundou e coordenou o Instituto de Derechos Humanos - IDHUCA. Pesquisou sobre direitos humanos e denunciou muitas situações de refugiados.

Joaquín López y López (1918 – 1989)
Joaquin López y López nasceu em Chalchuapa, em El Salvador, no dia 16 de agosto de 1918. Iniciou seus estudos em Santa Ana e os concluiu em Santa Tecla, em El Salvador, no ano de 1938. Nesta mesma data, entrou para o noviciado da Companhia de Jesus, em El Paso, no Texas, EUA. Formou-se em Ciências Humanas e Filosofia em meados da década de 40. Retornou para a América Central e permaneceu por alguns anos no Colégio Externado, em El Salvador. Em 1949, mudou-se para Saint Mary’s, no Kansas, onde estudou Teologia. Enviado para a Espanha em 1951, foi ordenado sacerdote no ano seguinte. Ficou conhecido pela fala: “Se teus projetos são para cinco anos, semeie trigo; se são para dez anos, semeie uma árvore; mas se são para cem anos, eduque o povo”. Conheça outros aspectos da vida de López y López.
1961 – Coordena a construção da Capela do Colégio Externado de San José;
1964 – Trabalhou na campanha de aprovação da lei de universidades privadas;
1969 – Fundou e coordenou a "Fe y Alegría", um movimento de educação popular integral, o qual dirige setores empobrecidos e excluídos da sociedade. A organização dispõem de  30 centros educativos de 8 departamentos. O projeto atendeu 48.000 beneficiados até 1989.

Armando López (1936 – 1989)
Armando López nasceu em Cubo de Bureda, Espanha, no dia seis de fevereiro de 1936. Entrou para o noviciado em 1952. Como seus colegas jesuítas, também foi enviado à Santa Tecla, em El Salvador. Em Quito, estudou Filosofia e Ciências Humanas na Universidad Católica e concluiu os cursos no final dos anos 50. Foi enviado para a Nicarágua, onde atuou como professor de matemática no Colégio Centro América de Granada. Cursou Teologia em Dublin, na Irlanda, e foi ordenado sacerdote no ano de 1965. Realizou seu doutorado na Universidad Gregoriana, em Roma, entre 1967 e 1968. Nos momentos mais duros da repressão ditatorial de El Salvador, Amando López abriu as portas do colégio para acolher famílias necessitadas, professores e seus familiares. Confira alguns aspectos de sua vida.
1971-72 – Concluiu o doutorado em Ciências Religiosas na França, foi reitor do Seminário San José de La Montaña;
1973 – Atuou como docente no curso de filosofia na UCA, em El Salvador;
1979 – Foi reitor da UCA de Manágua;
1984 – Foi professor de Teologia e Filosofia e coordenador do curso de Filosofia da UCA, em El Salvador.

Juan Ramón Moreno (1933-1989)
Nasceu em Villatuerta, Espanha, no dia 29 de agosto de 1933. Seus primeiros estudos foram realizados em Bilbao, entre 1938 e 1943. Entrou para o noviciado da Companhia de Jesus de Orduña, em 1950, e, um ano depois, foi transferido para Santa Tecla. Estudou Ciências Humanas e Filosofia e foi ordenado sacerdote em Saint Mary’s, no Kansas, EUA, em 1964. No ano de 1958, ao concluir os estudos em Quito, retornou para a Nicarágua, onde foi professor de química no Colégio Centro América de Granada, na Nicarágua.
No início dos anos 1980, Moreno participou com entusiasmo na campanha de alfabetização da Nicarágua. Também foi especialista em moral e fez uma síntese entre as ciências e a moral, unindo bioética com a moral cristã. Confira mais alguns aspectos da vida de Moreno.
1965 – Concluiu o curso de Teologia em Missouri;
1971 – Iniciou sua carreira como docente na UCA, em El Salvador; 
1976-80 – Fundou e coordenou o Centro Ignaciano de Centroamérica no Panamá;
1980 – Coordenou o Instituto de Ciências Religiosas na Nicarágua;
1985 – Ensinou Teologia na UCA, organizou a biblioteca do Centro de Reflexión Teológica, supervisionou a construção do Centro Monseñor Romero.

Elba y Celina Ramos
Elba nasceu em Santiago de Maria, no dia 5 de março de 1947. No final da década de 1960, ela conheceu seu esposo Obdulio. Durante alguns anos, eles viveram em uma fazenda, nos arredores de Santa Tecla, El Salvador. No ano de 1973, nasceu Celina, a terceira filha do casal – o primeiro filho nasceu morto e o segundo faleceu meses após o nascimento. Até 1985, a família morou em diferentes regiões de El Salvador, sempre em busca de empregos que garantissem melhores condições de vida. Neste ano, Elba trabalhava como cozinheira na residência dos jesuítas, em Antiguo Cuscatlán, município de El Salvador. Quatro anos mais tarde, em 1989, Obdulio conseguiu um emprego como jardineiro da UCA. Ambos trabalhavam com os jesuítas e moravam numa casa recém-feita, junto ao portão de entrada da residência, na avenida Eistein, em El Salvador. 
No dia 16-11-1989, Obdulio foi o primeiro a encontrar o corpo da esposa, da filha e dos jesuítas assassinados por paramilitares do Exército salvadorenho.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

CARMELITAS DESCALÇOS: Um olhar Profético.

Comunidade: Compartilhando a experiência de Deus

FREI JOSEPH CHALMERS, O. CARM.
             Comunidade ou fraternidade é um aspecto essencial da nossa vocação Carmelita. Nós todos sabemos isto, mas todos temos consciência que a vida comunitária está longe da perfeição (de ser perfeita). Nós sabemos que na Ordem há toda sorte de interpretações a respeito da natureza da comunidade. Nós temos comunidades que rezam juntas, comem juntas e recreiam juntas tudo se baseando na regra (tudo numa base regular). Nós temos outras comunidades onde os membros nunca rezam juntos e raramente se encontram exceto quando se cruzam pelo corredor (passam um pelo outro no corredor). Nós temos comunidades grandes e comunidades pequenas de dois (de duas pessoas). Outros carmelitas vivem sozinhos ou por escolha pessoal ou devido a uma particular determinação apostólica de sua Província.
            Eu não vou expor nenhum modelo particular de comunidade. Eu acredito que a Ordem necessita expressar uma variedade de estilos de vida comunitária. Isto acrescenta à riqueza da Ordem (isto enriquece a Ordem). Na Ordem nós temos diferentes pessoas com diferentes necessidades e diferentes expectativas e então é bom Ter diferentes estilos para responder a estas diferenças na natureza humana.
            Em vez disso, eu gostaria de olhar o por que da vida comunitária, apesar se ser uma parte essencial de nossa vocação nem sempre traz grande alegria aos membros e por que é compreensível que algumas pessoas possam procurar evitar viver em comunidade.
            O subtítulo da Ratio é “Uma Jornada de transformação” e que descreve bem a meta da vida Cristã. Nós estamos para ser transformados em Deus e esta transformação deve pelo menos começar (já começar) durante nossa existência terrestre. Nós não somos transformados por nós mesmos, mas nos e através de nossos relacionamentos (relações) com as outras pessoas. O ser humano necessita um do outro; este é o caminho que nós fizemos e é através da interação com outros seres humanos que nós crescemos emocionalmente. Tradicionalmente a vida eremítica é considerada perigosa para iniciantes e que somente os avançados espiritualmente poderiam tentar viver este tipo de vida (?). Apesar do fato que a interação com o outro ser humano seja essencial para a saúde emocional, espiritual, e psicológica, ela freqüentemente causa grandes problemas. Algumas pessoas poderiam causar problemas até mesmo numa casa vazia (?)! O problema, eu penso, repousa na estrutura da natureza humana, que é falha. Os escritores bíblicos contam-nos a estória da Queda para explanar a triste situação da humanidade. Teólogos através dos tempos tentaram encontrar uma explicação adequada para o problema. Eu estou sugerindo uma possibilidade e neste caminho (deste modo) talvez entender mais o que pode ser feito a respeito do problema.
            Nós nascemos dentro de um mundo decaído. Como nós viemos ao mundo, nós assumimos a condição humana que significa que nos experimentamos como separados de Dhheus, que é a fonte de todo ser, e fora de quem o coração humano não pode ter (finalmente) nenhuma felicidade. A jornada espiritual é o retorno à nossa Fonte. (Assim) nossos corações estão sem descanso até que eles encontrem seu descanso em Deus. Ao nascermos nós estamos não completamente formados e a habilidade de usar a razão chega lentamente. Um bebê é indefeso e assim é necessitado de amor, de sentimento de segurança e ter suas necessidades básicas  satisfeitas. O coração humano, embora mesmo no corpinho de um bebê é uma imensa caverna. O coração humano e feito por Deus e somente Deus pode completamente e finalmente satisfaze-lo. As necessidades de um bebê por amor, por segurança e por sobrevivência são infinitas e nem pais, por mais maravilhosos que sejam, podem satisfazer completamente estas necessidades. Como uma criança cresce, ele ou ela começa a compensar por aquilo que é sentido como falta (carência).Objetivamente uma criança pode parecer ter tudo mas é a experiência subjetiva que é importante. Se eu de fato não me sinto amado, não me sinto seguro, não sinto algum controle do meu ambiente, (whatever the reality might be), eu encontrarei caminhos para compensar por aquilo que eu sinto que está (faltando). Muito rapidamente a criança desenvolve pequenos caminhos de buscar afeto, de ganhar controle de sua vida e ficar segura (making sure) que ele ou ela sobreviverá em todas as circunstâncias. Isto que a criança “acredita” a nível profundo trará felicidade                                                                                                         Com a chegada da razão, esta faculdade é usada para dar suporte aos caminhos que o indivíduo encontra para obter felicidade (?). A família e o background familiar também dão suporte a estes métodos compensatórios, por exemplo, se “meu pai é maior que o seu pai”, ou se “minha escola é melhor que a sua escola”, ou se “o meu pais é melhor que o seu pais”, ou se “a minha Ordem é maior que a sua Ordem”, ou se “a minha religião é melhor que a sua religião”, eu  sentirei segurança, felicidade e mais no controle da minha vida. Estes caminhos de busca de felicidade podem ser chamados de falso eu (falso self).
            Eu acredito que o conceito de falso eu é crucial para a jornada espiritual.  O chão (ground) de todo ser é Deus. Deus é a fonte do meu verdadeiro eu. O falso self é à parte de mim que se sente (?)separada de Deus e que então busca felicidade em caminhos que nunca satisfarão. A jornada espiritual envolve a (implica na) morte do falso eu e o nascimento do verdadeiro eu. O falso eu é fundamentalmente autocentrado (self-centred), buscando fortalecer (bolster) o ego frágil em (por) todos os caminhos possíveis. O falso eu se desenvolve em qualquer ambiente e procurará rodear/cercar-se a si mesmo com símbolos de estima, segurança e controle que são buscados (prized) no ambiente. Conseqüentemente em uma sociedade rica, uma pessoa pode procurar cercar-se com carros, ou roupas caras; em um ambiente pobre, o indivíduo pode sentir-se melhor se ele tem uma galinha quando o seu vizinho não tem nenhuma. Apesar (whatever) da situação (das diferenças), o processo é o mesmo (?).
            O que tudo isto tem a ver conosco? Deixem-me contar uma estória para tentar explanar. Era uma vez, havia um jovem rapaz de uma família católica, mas este jovem tornou-se relaxado em sua prática religiosa (de fé) e deu-se aos prazeres do mundo. Apesar de ir à igreja ele freqüentava bares. Toda noite juntava-se com seus amigos em um bar e bebia muita cerveja. Um por um se seus amigos cairiam de bêbados, mas este jovem rapaz era muito forte e tinha muita capacidade para o álcool. Seu maior prazer era sair do bar ao final da noite e deixar seus amigos bêbados caídos ao chão. A mãe deste jovem nunca cessou de rezar por ele e um dia suas orações foram ouvidas (encontraram resposta). Ele estava de repente convertido de volta a Deus. Ele foi confessar-se e começou a ir à igreja todos os dias. Logo, ele estava insatisfeito com isso e queria fazer mais por Deus. Então ele finalmente se tornou um monge trapista. Ele era um modelo de monge e ninguém poderia (conseguia) encontrar nele falta alguma. Quando chegou a quaresma, começou o grande jejum monástico. Os monges comem somente pão e água durante o dia (throughout). Naturalmente, os monges idosos e doentes recebiam permissão especial para comer um pouco extra - alguma carne ou ovo.  No transcorrer (?) da quaresma, gradualmente, um por um dos monges foram sucumbindo (?) - e a cada um foi dada uma permissão especial para comer um pouco extra.  Todos, exceto um. Nosso jovem amigo assumiu o jejum monástico perfeitamente. Ao final da Quaresma, ele olhou ao redor no refeitório aos seus colegas monges e experimentou o mesmo sentimento que costumava ter quando se levantava do bar deixando seus amigos deitados (?) no chão. Ao invés de beber seus amigos debaixo da mesa, ele agira estava jejuando-os debaixo da mesa. O jovem rapaz tinha mudado o grande objetivo de sua vida, mas seu coração não mudou. Lá estava um coração mundano batendo sob um hábito religioso.
            O falso eu muito facilmente se adapta à Vida Religiosa e está/sente-se (?) muito em casa nesse ambiente. Por isso os religiosos, sob a dominação/ Domínio do falso eu, procurará felicidade colhendo (?) os símbolos de estima, segurança, e controle que são prevalentes na Vida Religiosa. É de se esperar que todos superiores e formadores estejam livres do falso eu, mas eu não apostaria muito dinheiro nisso! É possível buscar tais posições de autoridade porque elas oferecem o que o falso eu procura (?).\ - estima, segurança, e controle.
             O problema com o falso eu é que suas motivações nos estão escondidas a menos que nós levemos seriamente o chamado de Cristo para segui-lo na jornada espiritual. O seguimento de Cristo conduz inevitavelmente à cruz. Nossa tradição carmelitana fala da noite escura. Em vista de que o verdadeiro eu, feito à imagem e semelhança de Deus, possa nascer, o falso eu deve morrer. Isto naturalmente envolve abraçar a cruz e passar através da noite escura. Uma parte da escuridão é causada/provocada (?) quando começamos a ver que nossa motivação não era tão santa quanto nós pensávamos que era e quando nós começamos a compreender/entender como é difícil muda-la.
            Contemplação não é simplesmente um elemento do carisma Carmelitano entre outros. Ele é o elemento que sustenta todos os outros juntos. Ser um contemplativo quer dizer tomar a sério o chamado de Jesus para segui-lo. E ser/estar/estando (?) preparado para perder a própria vida em vista de recebe-la de volta das mãos de Deus. Contemplação não é um prêmio por ser muito santo; ela é uma necessidade (?) em vista de ser verdadeiramente santo, (???) isto é, ser parecido com Deus. O contemplativo é um amigo maduro de Jesus Cristo e está querendo (desejando !) livrar-se do falso eu para que o verdadeiro eu possa nascer. A purificação e transformação, que ‘e parte do processo contemplativo, vai sempre (?) mais profundo se nós estamos querendo cooperar. O falso eu está intervolvido (?)na própria (?) estrutura do nosso ser e então o processo de purificação é um longo processo (?). Um amigo meu usa o exemplo de uma mulher tricotando uma roupa. Quando ela está quase pronta, ela percebe que no meio da peça, há um ponto errado. O que ela faz? Ela pode deixa-la como está com o ponto errado no meio ou começar a desfazer tudo. Deus escolhe último processo (?) porque cada um de nós é para ser uma perfeita obra de arte. O desfazer é a experiência da noite escura em suas várias fases.
            Os irmãos com os quais nós vivemos em comunidade são presentes de Deus para nós porque eles terão uma grande parte a desempenhar em nossa purificação. Nós nos tornamos conscientes do nosso falso eu, através do relacionamento com outras pessoas, nossos programas (?) por felicidade recebem interferências. Quando nossos desejos por estima, segurança e controle são frustrados nós temos uma reação emocional. Se nós nos permitimos nos tornar conscientes do que estamos sentindo e por que nós começaremos a aprender/perceber quais são as nossas reais motivações, lembrando que (a less than pure motie may lie hidden under a veneer of piety). Minhas emoções me ensinarão muito se eu estou querendo aprender.
          Nenhum de nós é perfeito e todos nós podemos fazer o melhor de acordo com as circunstâncias. Embora isto seja muito importante ter em vista para sermos fiéis à nossa vocação, a qual conduzir-nos-á ao deserto onde nós teremos que deixar todos os nossos suportes em vista de ouvir a voz de Deus que fala aos nossos corações. De acordo com a Regra nós devemos colocar a armadura de Deus em vista de proteger-nos do inimigo. No deserto, nós ficamos face a face com o nosso eu; na luta, pode ficar um só vitorioso. O falso eu é covarde e não quer lutar e então fará tudo que pode para esconder-se e não vir à luz (não ser revelado/deixar-se revelar). O falso eu se desenvolve na escuridão porque ele pertence às trevas, mas nós somos filhos da luz e na luz o nosso verdadeiro eu crescerá. Nós nos tornarmos conscientes de que todos os velhos caminhos de busca da felicidade foram condenados ao fracasso e que nossos corações podem estar satisfeitos somente em Deus e por Deus.
            É vital para nós começar a reconhecer quando o nosso falso eu está trabalhando e fazer alguma coisa a respeito. Isto é um verdadeiro ascetismo - muito mais difícil e muito mais frutuoso do que parar com o açúcar na quaresma! Nós podemos nos tornar conscientes levando uma vida reflexiva e ouvindo nossas emoções. Talvez ao final do dia, nos possamos olhar para trás para a nossa experiência e perguntar se a causa de uma upset emocional era honestamente raiva ou porque meu desejo por felicidade foi frustrado. Gradualmente nós podemos começar a notar o falso eu trabalhando imediatamente. Tão logo quanto nós nos conscientizamos da influência do falso eu, nós podemos oferecer a Deus nossos sentimentos frustrados e pedir a Deus para que complete o que falta ( a lacuna!) com o Seu amor.
             A Ratio nos lembra que de acordo com a nossa Regra, nós somos para viver nossa vocação contemplativa juntos, em comunidade, não de forma individualista (34). Viver em comunidade é pretender ajudar-nos (reciprocamente) a tormarno-nos amigos maduros de Jesus Cristo. Isto ajuda imensamente se nós estamos desejando aceitar o que nós aprendemos a respeito de nós mesmos por meio de nossa interação com os outros. Eu digo que o falso eu sedesenvolve na escuridão (nas trevas). Uma comunidade orante (SHED LIGHT ON) identificará o falso eu rapidamente. Nós descobriremos que nós não somos verdadeiramente muito pacientes e tolerantes (AFTER ALL). Nós descobriremos a raiva que não sabiamos que possuíamos. Ser casado envolve o mesmo processo só que de um jeito diferente. (RELATING) Compartilhar com outras pessoas (BRING OUT) manifesta o falso eu. O fenômeno do santo fora de comunidade e diabo dentro dela é facilmente entendido quando nós olhamos para isto a partir da perpectiva do falso eu. Com os de fora, se pode manter uma distância e o falso eu não será facilmente percebido mas vivendo numa proximidade intensa com os outros significa que nossos traços negativos se tornam óbvios muito rapidamente.
         Viver em comunidade nos ensinará muito sobre nós mesmos se nós estamos querendo aprender. Este é, naturalmente o maior problema. Esta é uma grande tentação: acusar os outros pelos problemas na comunidade. Nós frequentemente projetamos nossos próprios problemas nos outros. Nós podemos escapar da verdade que nos é apresentada simplesmente nos afastando da vida comunitára e nos tornando individualistas Nossas emoções são nossas maiores amigas, elas nos dirão, se nós escolhemos aceitar, quais são nossos verdadeiros valores. se nós estamos com raiva comm a nossa comunidade ou algum membro em particular, é possível que nossa raiva seja plenamente justificada, mas isto é muito provavelmente que a fonte seja algum problema (questão assunto) interior não resolvido.  O falso eu está procurando por infinita soma de estima, segurança e controle e enquanto estas necessidades não são satisfeitas, ela não será feliz (AT ALL). Só porque nós dizemos algumas orações volta e meia e lemos um pouco a Escritura, não quer dizer que nosso falso eu está morto. Longe disso! A morte do falso eu, eu acredito, é o que Jesus está falando no evangelho quando Ele nos fala que aqueles que querem salvar suas vidas perdelas-hão e somente aqueles que estão preparados para perder sua vida por Ele e pelo seguimento do Evangelho, salvalas-hão.Toda a jornada espiritual é uma luta com o falso eu até que nós sejamos transformados finalmente em Cristo. Eu não penso que nós deveriamos reivindicar sermos transformados rápido demais!
            Um jeito de ir superando algumas questões do falso eu é receber aconselhamento e terapia. estes podem ser de muita ajuda mas elas não colocarão o falso eu à morte por si mesmas. Esta é uma questão espiritual e ainda que nós possamos nos valer das contribuições da moderna psicologia para ajudar-nos, elas não oferecerão a resposta completa. A resposta final  é seguir Jesus Cristo até a cuz e além até a ressurreição.
            Nós estamos lembrado na Ratio (35) que diariamente reunidos para a Eucaristia e a Liturgia da s Horas, na qual nos movemos das celas individuais para o oratório, é símbolo do constante esforço para sair do nosso isolamento e ir ao encontro dos outros em vista de construir comunidade com eles. Se diz que a Eucaristia transforma indivíduos em irmãos. Isto é verdade em teoria mas a Eucaristia não faz mágica. Isto requer nossa ativa cooperação e compromisso com o que a eucaristia significa. O fato que um acomunidade reza junto é obviamente uma boa coisa, mas celebrar a Eucaristia e o Ofício Divino juntos cada dia  isto não faz necessariamente uma comuunidade orante. Os membros devem permitir que a oração comunitária faça o seu trabalho. Eles devem usar a "força proporcionada pela Palavra e pelo Pão (Ratio 35) para continuar a luta com o falso eu assim ele não irá projetar seus próprios prlblemas internos na comunidade e assim eles poderão retornar com o coração purificados para a comunidade.           
         Todas a sugestões nas Constituições a respeito da vida comunitária, com encontros comunitários regulares, são de grande ajuda e proporcionam um caminho seguro para uma comunidade saudável. Claro que encontros comunitários são uma arena onde o falso eu pode realmente tornar-se muito ativo. Os membros da comunidade estão todos em diferntes estágios de maturidade psicológida e espiritual e a não realização de encontros comunitários será perfeito. É importante não abandoná-los por causa das dificuldades, um encontro comunitário regular é ummeio de sanar as dificuldades na vida comunitária e de dar aos indivíiduos  o espaço e o tempo par ex pressar o que eles sentem. Se o encontro comunitário é acontece só raramente, isto pode ser (EVEN MORE) ainda mais difícil do que precise ser porque os irmãos tentam expressar todos os seus desabafos em um pequeno espaço de tempo uma vez que em outra oportunidade pode não apresentar-se a si mesmo. Eu lembro a vocës que desde o começo a comunidade ou fraternidade é um aspécto essencial da vocação Carmelitana. Ela é por simesma parte da nossa missão e serviço para a Igreja e para o mundo.Ela presta testemunho para o mundo no qual o individualismo é abundante que comunidade verdadeira é possível, embora nos tenhamos que lutar e nunca  chegaremos à comunidade perfeita.
            Vocês são responsáveis por formar Carmelitas para a vida comunitária. Naturalmente há toda sorte de hábitos humanos que os indivíduos devem desenvolver em vista de viver de modo feliz em comunidade e em vista de se tornarem pessoas com quem os outros possam viver felizes. Contudo, esse pode nunca ser o foco total a formação para a vida comunitária. A menos que uma séria atenção seja dada para superar os problemas do falso eu, a principal dificuldade na via comunitária permanecerá intocada.
          Como carmelitas nós somos membros de uma fraternidade internacional. Nós viemos de muitas e diferentes regiões e culturas e nós estamos ligados(vinculados) por uma espiritualidade comum. O desafio expresado diante de nós nas Constituições "A vida fraterna modelada na comuniodade de Jerusalém é uma encarnação gratuita do amor de Deus, internalizada através de um processo contínuo pelo qual nós esvaziamo-nos de todo egocentrismo -que pode afetar tanto grupos tanto quanto indivíduos- assim nos movemos em direção à autëntica centralidade em Deus. Neste caminho nós expressamos a natureza carismatica e profética da vida consagrada Carmelitana
(MOVENDO MESCLANDO) harmoniosamente nele o carisma pessoal de cada  membro,

no serviço da Igreja e do mundo"