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sábado, 14 de junho de 2014
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 610. Santíssima Trindade.
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CONVENTO DO CARMO: Retiro com Frei Petrônio-03
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CONVENTO DO CARMO: Retiro com Frei Petrônio-02
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CONVENTO DO CARMO: Retiro com Frei Petrônio-01
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Dom Hélder Câmara poderá virar santo
Zenit conversou com D. Antônio Fernando Saburido (OSB), arcebispo
metropolitano de Olinda e Recife, sobre o processo de beatificação e a vida de
dom Hélder. A reportagem é de Lilian da Paz, publicada pelo portal Zenit,
06-06-2014.
No fim de maio, a arquidiocese de Olinda
e Recife enviou à Congregação para Causa dos Santos, no Vaticano, o pedido de
abertura para o processo de beatificação de dom Hélder Câmara. O anúncio foi
feito por dom Antônio Fernando Saburino (OSB), arcebispo metropolitano da
Igreja local, onde viveu e faleceu dom Hélder.
Na ocasião, dom Antônio apresentou a
carta enviada ao Vaticano com o pedido de beatificação e canonização. O parecer
dos bispos do Regional Nordeste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
foi positivo e unânime. Uma vez aberto o processo, frei Jociel Gomes se torna
vice-postulador da causa.
Um
pouco da história de dom Hélder
Conhecido como “Dom da Paz”, Hélder
Câmara nasceu no dia 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, Ceará. Mas foi no
Rio de Janeiro e em Pernambuco que ganhou destaque com o exercício frutuoso do
ministério episcopal voltado para os pobres.
Aos 27 anos, já como sacerdote, foi para
a arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, onde, em 1952, se tornou
bispo auxiliar. Lá, fundou a Cruzada São Sebastião, em prol das famílias
carentes que sonhavam com uma moradia digna, e o Banco Providência, voltado para
a redução da desigualdade social e desenvolvimento humano nas comunidades mais
pobres. Ainda no Rio, articulou a realização do 36º Congresso Eucarístico
Internacional, em 1955.
Em 1964 recebeu a missão de dirigir a
arquidiocese de Olinda e Recife como arcebispo metropolitano. Neste ínterim,
criou a Comissão de Justiça e Paz, que defendeu presos políticos e perseguidos
da ditadura militar, assim como protegeu os excluídos sociais.
Dom Hélder também ajudou na criação da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na qual exerceu o cargo de
secretário geral, e o Conselho Episcopal Latino Americano (Celam), do qual foi
vice-presidente.
Incansável, o Dom da Paz lutou contra a
fome e a miséria no Brasil. Em 1990 lançou a campanha Ano 2000 sem
Miséria. Com uma vida toda dedicada aos
pobres, dom Hélder chegou a ser indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz.
Eis
a entrevista.
Como
e quando surgiu a iniciativa de dar entrada no processo de canonização de dom
Hélder? Já existem relatos de milagres?
Desde minha chegada a Recife em 2009,
como arcebispo, as pessoas me pedem para iniciar o processo visando a
canonização de dom Hélder Pessoa Câmara. Por enquanto, não tenho conhecimento
de milagres alcançados através da intercessão de dom Hélder. Isso somente será
exigido bem mais adiante. Uma vez iniciado o processo, acredito que as pessoas
vão começar a nos procurar para relatar fatos dessa natureza.
Quando
haverá resposta do Vaticano sobre o início de processo de beatificação?
Não existe tempo determinado para a
resposta da Congregação para a Causa dos Santos, a quem cabe autorizar o início
do processo.
O
senhor conheceu dom Hélder? Como era o relacionamento dele com o povo?
Conheci sim, porém, como monge
beneditino vivia no Mosteiro de São Bento de Olinda e não tinha muito contato
com dom Hélder. Foi ele, porém, quem me ordenou presbítero. Sempre nutri grande
admiração por sua pessoa, sobretudo, quando tive oportunidade de ler suas
cartas circulares, escritas durante o Concílio Ecumênico Vaticano II -
redigidas durante as vigílias diárias que costumava fazer no silêncio da
madrugada para rezar e escrever.
O “Dom”, como o chamavam, era franzino e
baixinho, porém um gigante quando fazia uso da palavra e tomava determinadas
atitudes. Contraditoriamente, era um contemplativo, uma inteligência além da
média, e de uma sensibilidade surpreendente para com as pessoas mais pobres e
excluídas.
O
que significou para dom Hélder o encontro com o Papa, em Recife, em 1980?
Eu estava presente no meio da multidão
quando o Papa João Paulo II o abraçou carinhosamente e na homilia o saudou
dizendo: “Irmão dos pobres e meu irmão”. Acredito que aquele abraço e saudação
marcou muito sua pessoa.
Qual
era a intenção de dom Hélder com a criação da CNBB e do Celam?
Certamente, a intenção de Dom Hélder ao
criar a CNBB e CELAM foi promover o diálogo e a cooperação mútua entre os
bispos do Brasil e de toda a América Latina. Essas importantes instituições vêm
crescendo e se consolidando a cada dia.
Em 1970, Dom Hélder denunciou a prática
da tortura a presos políticos no Brasil. No período da ditadura militar, quais
foram as principais ações de dom Hélder?
Dom Hélder foi vítima da ditadura
militar no brasil, sobretudo pelo apoio que sempre deu aos presos e perseguidos
políticos. Pagou alto preço com a impossibilidade de falar através dos meios de
comunicação social em todo o país e, sobretudo, com o brutal assassinato do
jovem padre Antônio Henrique Pereira, seu assessor para a Pastoral da
Juventude, falecido após três anos de ministério sacerdotal.
Qual
era a concepção de dom Hélder a respeito da Teologia da Libertação?
Dom Hélder entendia que a prática do
Evangelho liberta de todas as amarras. N’Ele encontrava forças para enfrentar
os desafios seguindo a linha da “opção preferencial pelos pobres”.
Como é para o senhor, dom Antônio
Fernando, estar à frente de uma arquidiocese que foi dirigida por um santo em
potencial?
Para mim é grande honra e
responsabilidade estar à frente desta querida arquidiocese de Olinda e Recife
com uma história tão bonita e por onde passaram grandes bispos, como Dom Frei
Vital Maria Gonçalves de Oliveira (1871 – 1878) - cujo processo de canonização
já se encontra na fase romana -, Dom Hélder Pessoa Câmara (1964 – 1985) e
tantos outros que aqui deixaram seu legado. Peço que rezem por mim para que
seja sempre um bom pastor, tendo por modelo o Pastor dos pastores.
Fonte:
http://www.ihu.unisinos.br
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Dom Vital Wilderink: Sepultamento -08
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 610. Santíssima Trindade.
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sexta-feira, 13 de junho de 2014
DOM VITAL, EREMITA: 1ª Parte
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Dom Vital Wilderink: Sepultamento -04
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Dom Vital Wilderink: Sepultamento -02
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 608. Viva Santo Antônio.
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quinta-feira, 12 de junho de 2014
Dom Vital Wilderink: Sepultamento -01
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quarta-feira, 11 de junho de 2014
Papa: Que essa Copa seja a festa da solidariedade entre os povos
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Dom Vital Wilderink, eremita Carmelita da Ordem do Carmo: Breve histórico.
No ano de 1951, em Mogi das Cruzes, ingressou para o noviciado, no fim do qual
fez sua primeira profissão religiosa. Fez os estudos de Filosofia em São Paulo.
Foi enviado para o curso de Teologia em Roma no Colégio Internacional dos
Carmelitas. Terminado o curso de Teologia, foi ordenado sacerdote, junto com
Frei Carlos Mesters seu amigo e companheiro desde o seminário menor, no dia
sete de julho de 1957 em Roma por um bispo carmelita irlandês, missionário na
África.
Permaneceu em Roma para continuar seus estudos de
Teologia, na Universidade Santo Thomás de Aquino, em que se doutorou na área de
espiritualidade. A fim de redigir sua tese de doutorado fez prolongadas
pesquisas na França.
Lecionou no Colégio Internacional dos Carmelitas em
Roma nos anos 63 e 64. Em janeiro de 1967, apesar do desejo do superior Geral,
de que ele permanecesse em Roma, como professor preferiu voltar para o Brasil.
Retornando para o Brasil em 1967, estabeleceu-se em Minas Gerais, onde por algum tempo foi professor no Instituto de Teologia de Belo Horizonte. Neste mesmo ano trabalhou como operário em uma pedreira e numa fábrica de tecidos, para conhecer melhor o mundo do trabalho dos pobres.
No ano de 1968, foi nomeado diretor do departamento de formação da CRB nacional. Exerceu essa função por dois anos, durante esse período participou como representante da CRB, da segunda Conferencia Episcopal Latino América, em Medellín. Em 1970 a pedido de quatro congregações, foi para diocese de Itabira-MG- para acompanhar às irmãs em um novo estilo de vida inserida no meio de povo, no continuo esforço de responder as diretrizes da conferência e tornou-se coordenador pastoral da mesma diocese até 1974.
Retornando para o Brasil em 1967, estabeleceu-se em Minas Gerais, onde por algum tempo foi professor no Instituto de Teologia de Belo Horizonte. Neste mesmo ano trabalhou como operário em uma pedreira e numa fábrica de tecidos, para conhecer melhor o mundo do trabalho dos pobres.
No ano de 1968, foi nomeado diretor do departamento de formação da CRB nacional. Exerceu essa função por dois anos, durante esse período participou como representante da CRB, da segunda Conferencia Episcopal Latino América, em Medellín. Em 1970 a pedido de quatro congregações, foi para diocese de Itabira-MG- para acompanhar às irmãs em um novo estilo de vida inserida no meio de povo, no continuo esforço de responder as diretrizes da conferência e tornou-se coordenador pastoral da mesma diocese até 1974.
Neste ano retirou-se em ano sabático, para
Colômbia, fazendo um curso no Instituto de Pastoral do CELAM, até outubro do
mesmo.
Retornando ao Brasil, foi transferido para Angra dos Reis, a pedido de Dom Valdir, por quem foi nomeado vigário episcopal da região litorânea da diocese de Volta Redonda, onde era previsto, devido a sua extensão, a criação de uma nova diocese.
Retornando ao Brasil, foi transferido para Angra dos Reis, a pedido de Dom Valdir, por quem foi nomeado vigário episcopal da região litorânea da diocese de Volta Redonda, onde era previsto, devido a sua extensão, a criação de uma nova diocese.
Em 1977 frei Vital começou a assumir, em fins de
semana, as celebrações desta paróquia de Lídice e da comunidade da Estação,
devido a transferência do seu confrade frei Paulo. Neste tempo fez um
prolongado retiro no Alto do Rio das Pedras, onde foi acolhido pela família dos
Moreira.
Neste mesmo ano num encontro casual com Dom Raimundo, aconteceu a partilha de um sonho comum, viver uma vida de estilo mais contemplativo. Marcaram um encontro em Angra dos Reis, para verem a possibilidade de realizarem junto esse sonho. Foram ver um pequeno terreno num bosque. Era o dia 18 de novembro de 1977, no entanto no dia seguinte um telefonema de Brasília convocando o frei Vital, a comparecer na Anunciatura Apostólica desfez todo o seu projeto. Fora nomeado pelo Papa Paulo VI bispo auxiliar da diocese de Volta Redonda, com a tarefa de preparar a nova diocese Sul Litoral. Sendo sagrado bispo por Dom Valdir, no dia 13 de agosto de 1978, na Igreja do Conforto de Volta Redonda. Sendo seu lema: Testemunhar o Evangelho da Graça de Deus. Foram dois anos 78 e79 de trabalho com o povo desta região em conjunto com irmãs de varias congregações, chamadas por ele mesmo, para marcar presença na pastoral. Em abril de 1980 foi criada a nova diocese, pelo Papa João Paulo II, tendo Itaguaí como sede. E nomeou dom Vital com seu primeiro bispo.
Neste mesmo ano num encontro casual com Dom Raimundo, aconteceu a partilha de um sonho comum, viver uma vida de estilo mais contemplativo. Marcaram um encontro em Angra dos Reis, para verem a possibilidade de realizarem junto esse sonho. Foram ver um pequeno terreno num bosque. Era o dia 18 de novembro de 1977, no entanto no dia seguinte um telefonema de Brasília convocando o frei Vital, a comparecer na Anunciatura Apostólica desfez todo o seu projeto. Fora nomeado pelo Papa Paulo VI bispo auxiliar da diocese de Volta Redonda, com a tarefa de preparar a nova diocese Sul Litoral. Sendo sagrado bispo por Dom Valdir, no dia 13 de agosto de 1978, na Igreja do Conforto de Volta Redonda. Sendo seu lema: Testemunhar o Evangelho da Graça de Deus. Foram dois anos 78 e79 de trabalho com o povo desta região em conjunto com irmãs de varias congregações, chamadas por ele mesmo, para marcar presença na pastoral. Em abril de 1980 foi criada a nova diocese, pelo Papa João Paulo II, tendo Itaguaí como sede. E nomeou dom Vital com seu primeiro bispo.
Como seu carisma de unidade e no desejo de ter uma
igreja feita por todos, Igreja Povo de Deus, convocou o Sínodo diocesano, que
teve duração de cinco anos.
Incentivou a pastoral catequética na diocese e a
pastoral social, tendo especial atenção a duas pastorais operaria e CPT da qual
participou da reunião de fundação em Goiânia e fundador da mesma no Estado do
Rio de Janeiro.
A vida consagrada sempre mereceu seu especial carinho, tanto a nível local e nacional. Ordenou os primeiros padres brasileiros da diocese. Com sua sensibilidade e opção preferencial pelos pobres, criou o projeto de acolhida a meninos e meninas de rua, construindo uma casa, a qual os meninos chamaram Nossa Casa. A diocese tinha um rosto multiforme, onde todos se sentiam acolhidos, expressão de uma preocupação sua, que o fazia dizer: "Na diocese o meu primeiro desejo é que as pessoas que vêm prestar um serviço sintam-se primeiramente acolhidas no seu ser e não pelo que podem fazer. Isso vem depois."
A vida consagrada sempre mereceu seu especial carinho, tanto a nível local e nacional. Ordenou os primeiros padres brasileiros da diocese. Com sua sensibilidade e opção preferencial pelos pobres, criou o projeto de acolhida a meninos e meninas de rua, construindo uma casa, a qual os meninos chamaram Nossa Casa. A diocese tinha um rosto multiforme, onde todos se sentiam acolhidos, expressão de uma preocupação sua, que o fazia dizer: "Na diocese o meu primeiro desejo é que as pessoas que vêm prestar um serviço sintam-se primeiramente acolhidas no seu ser e não pelo que podem fazer. Isso vem depois."
Por doze anos participou da CNBB, atuou
especialmente como responsável na dimensão Bíblico-Catequética e fez parte da
comissão catequética do CELAM.
Participou da quarta Conferencia Episcopal Latino
Americana de Santo Domingos e de dois Sínodos em Roma.
Os vinte anos passados no exercício do ministério
episcopal não apagaram o sonho de uma vida de estilo mais contemplativo. Os
laços criados com a família Moreira, durante o retiro que realizou em 1977 no
Alto do Rio das Pedras, tornou possível a concretização desse sonho, quando seu
Zé Moreira em ocasião das bodas de ouro de casamento, escreveu uma cartinha a Dom
Vital, convidando-o a celebrar a missa para o casal e que também lhe reservavam
uma supressa. A supressa consistia numa na doação de um pequeno terreno, onde
construiu uma casa e uma capela, para viver sua vida num estilo mais
contemplativo.
Com a permissão do Papa João Paulo II renunciou o governo da diocese e desde 1998 vive como eremita no Alto do Rio das Pedras, em Lídece-RJ. Não demorou muito para as pessoas amigas e conhecidas começarem a subir o Alto, para fazer retiros e desfrutar da sabedoria da pessoa de dom Vital na orientação espiritual.
Com a permissão do Papa João Paulo II renunciou o governo da diocese e desde 1998 vive como eremita no Alto do Rio das Pedras, em Lídece-RJ. Não demorou muito para as pessoas amigas e conhecidas começarem a subir o Alto, para fazer retiros e desfrutar da sabedoria da pessoa de dom Vital na orientação espiritual.
Ele que soube deixar Deus ter a primazia em sua
vida, possa continuar na sua simplicidade, ternura, acolhida e solidariedade
criativa, conduzir-nos para que Deus seja na nossa vida e na realidade de hoje
o osso Único Essencial.
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A PALAVRA... Nº 606. Terror em São Paulo.
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO- 600: Divulgação.
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terça-feira, 10 de junho de 2014
A PALAVRA... Nº 605. Outro olhar sobre as músicas religiosas
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domingo, 8 de junho de 2014
Alocução do Papa no Encontro de oração pela paz com Presidentes de Israel e Palestina.
Vaticano, 08 de junho de 2014. Domingo
de Pentecostes.
Senhores
Presidentes,
Com grande alegria vos saúdo e desejo
oferecer, a vós e às ilustres Delegações que vos acompanham, a mesma recepção
calorosa que me reservastes na minha peregrinação há pouco concluída à Terra
Santa. Agradeço-vos do fundo do coração por terdes aceite o meu convite para
vir aqui a fim de, juntos, implorarmos de Deus o dom da paz. Espero que este
encontro seja o início de um caminho novo à procura do que une para superar
aquilo que divide. E agradeço a Vossa Santidade, venerado Irmão Bartolomeu, por
estar aqui comigo a acolher estes hóspedes ilustres. A sua participação é um
grande dom, um apoio precioso, e é testemunho do caminho que estamos a fazer,
como cristãos, rumo à plena unidade.
A vossa presença, Senhores Presidentes,
é um grande sinal de fraternidade, que realizais como filhos de Abraão, e
expressão concreta de confiança em Deus, Senhor da história, que hoje nos
contempla como irmãos um do outro e deseja conduzir-nos pelos seus caminhos.
Este nosso encontro de imploração da paz para a Terra Santa, o Médio Oriente e
o mundo inteiro é acompanhado pela oração de muitíssimas pessoas, pertencentes
a diferentes culturas, pátrias, línguas e religiões: pessoas que rezaram por
este encontro e agora estão unidas connosco na mesma imploração. É um encontro
que responde ao ardente desejo de quantos anelam pela paz e sonham um mundo
onde os homens e as mulheres possam viver como irmãos e não como adversários ou
como inimigos.
Senhores Presidentes, o mundo é uma
herança que recebemos dos nossos antepassados, mas é também um empréstimo dos
nossos filhos: filhos que estão cansados e desfalecidos pelos conflitos e
desejosos de alcançar a aurora da paz; filhos que nos pedem para derrubar os
muros da inimizade e percorrer a estrada do diálogo e da paz a fim de que
triunfem o amor e a amizade. Muitos, demasiados destes filhos caíram vítimas
inocentes da guerra e da violência, plantas arrancadas em pleno vigor. É nosso
dever fazer com que o seu sacrifício não seja em vão. A sua memória infunda em
nós a coragem da paz, a força de perseverar no diálogo a todo o custo, a
paciência de tecer dia após dia a trama cada vez mais robusta de uma
convivência respeitosa e pacífica, para a glória de Deus e o bem de todos. Para
fazer a paz é preciso coragem, muita mais do que para fazer a guerra. É preciso
coragem para dizer sim ao encontro e não à briga; sim ao diálogo e não à
violência; sim às negociações e não às hostilidades; sim ao respeito dos pactos
e não às provocações; sim à sinceridade e não à duplicidade. Para tudo isto, é
preciso coragem, grande força de ânimo.
A história ensina-nos que as nossas
meras forças não bastam. Já mais de uma vez estivemos perto da paz, mas o
maligno, com diversos meios, conseguiu impedi-la. Por isso estamos aqui, porque
sabemos e acreditamos que necessitamos da ajuda de Deus. Não renunciamos às
nossas responsabilidades, mas invocamos a Deus como acto de suprema
responsabilidade perante as nossas consciências e diante dos nossos povos.
Ouvimos uma chamada e devemos responder: a chamada a romper a espiral do ódio e
da violência, a rompê-la com uma única palavra: «irmão». Mas, para dizer esta
palavra, devemos todos levantar os olhos ao Céu e reconhecer-nos filhos de um
único Pai. A Ele, no Espírito de Jesus Cristo, me dirijo, pedindo a intercessão
da Virgem Maria, filha da Terra Santa e Mãe nossa:
Senhor Deus de Paz, escutai a nossa
súplica! Tentámos tantas vezes e durante tantos anos resolver os nossos
conflitos com as nossas forças e também com as nossas armas; tantos momentos de
hostilidade e escuridão; tanto sangue derramado; tantas vidas despedaçadas;
tantas esperanças sepultadas... Mas os nossos esforços foram em vão. Agora,
Senhor, ajudai-nos Vós! Dai-nos Vós a paz, ensinai-nos Vós a paz, guiai-nos Vós
para a paz. Abri os nossos olhos e os nossos corações e dai-nos a coragem de
dizer: «nunca mais a guerra»; «com a guerra, tudo fica destruído»! Infundi em
nós a coragem de realizar gestos concretos para construir a paz. Senhor, Deus
de Abraão e dos Profetas, Deus Amor que nos criastes e chamais a viver como
irmãos, dai-nos a força para sermos cada dia artesãos da paz; dai-nos a
capacidade de olhar com benevolência todos os irmãos que encontramos no nosso
caminho. Tornai-nos disponíveis para ouvir o grito dos nossos cidadãos que nos
pedem para transformar as nossas armas em instrumentos de paz, os nossos medos
em confiança e as nossas tensões em perdão. Mantende acesa em nós a chama da
esperança para efectuar, com paciente perseverança, opções de diálogo e
reconciliação, para que vença finalmente a paz. E que do coração de todo o
homem sejam banidas estas palavras: divisão, ódio, guerra! Senhor, desarmai a
língua e as mãos, renovai os corações e as mentes, para que a palavra que nos
faz encontrar seja sempre «irmão», e o estilo da nossa vida se torne: shalom, paz,
salam! Amém.
Fonte:
http://www.news.va/pt/news
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PENTECOSTES: Vai Espírito Santo (4ª Versão).
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sábado, 7 de junho de 2014
VAI ESPÍRITO SANTO...
*Frei Petrônio de Miranda, Padre e Jornalista
Carmelita.
Vai Espírito Santo!
Converte
os políticos corruptos do Brasil
E
renovas o nosso país sob o domínio do mal.
Abre
os nossos olhos nas próximas eleições,
E
concede-nos uma sociedade politizada.
Acaba
com a violência em nossas cidades,
E
fortifica-nos na luta pela justiça e pela paz.
Vai Espírito Santo!
Derruba
as paredes da indiferença religiosa,
E
mostra-nos o caminho do ecumenismo.
Destrói
os muros da separação política e econômica,
E
ensina-nos a valorizar a amizade e respeitar o próximo.
Arranca
o espírito de competição, destruição e poder,
E
enche o nosso coração de alegria e compromisso social.
Vai Espírito Santo!
Liberta
os jovens do tráfico de drogas,
E
fortifica-nos na defesa da vida.
Conforta
os aidéticos e deprimidos,
E
livra-nos da angústia da discriminação.
Desce
nas penitenciárias e converte os presos,
Libertando-os
do roubo e do mundo do crime.
Vai Espírito Santo!
Entra
no Palácio da Alvorada,
E
lembra à Presidenta Dilma do seu passado.
Visita
o Congresso Nacional e a Câmera dos Deputados,
E
leva o grito de fome e dor do povo brasileiro.
Ilumina
o Supremo Tribunal Federal,
E
concede aos nossos juízes os 7 dons.
Vai Espírito Santo!
Passeia
pelos corredores do Poder Legislativo,
E
ensina os vereadores a ficar do lado do povo.
Clareia
os corredores do Poder Executivo,
E
mostra o verdadeiro sentido do poder.
Olha
para a Ordem dos Advogados do Brasil,
E
ensina-os a advogar com justiça e equidade.
Vai Espírito Santo!
Ampara
o menor de rua, o órfão e a viúva,
E
enxuga as lágrimas de suor e dor.
Acompanha
os sem terra e sem casa,
E
transforma as suas utopias em realidade.
Visita
às comunidades quilombolas e as aldeias,
E
fortalece-os na luta pela dignidade.
Vai Espírito Santo!
Liberta-nos
da intolerância, da raiva e da vingança,
E
dá-nos um coração novo sem ódio e rancor.
Destrói
a nossa indiferença pelo sagrado,
E
ensina-nos a respeitar Deus em nosso próximo.
Toca
em nosso coração de pedra,
E
torna-nos mais humanos e solidários.
Vai Espírito Santo!
Desce
nas favelas, nos cortiços e nos morros,
E
protege os corações despedaçados e ensanguentados.
Vem
com o teu fogo abrasador aquecendo-nos contra o mal,
E
converte os difamadores, arrogantes e sanguinários.
Inspira-nos
confiança na classe política e na justiça,
E
não nos deixe desanimar diante dos fatos e acontecimentos.
Vai Espírito Santo!
Destrói
em nossa vida todo pensamento de perseguição,
E
mostra-nos a leveza da tua presença confiante e serena.
Olha
para os trabalhadores rurais
E
conforta-os em sua labuta diária.
Concede
força aos profissionais da comunicação,
E
concedei-lhes a esperança do novo dia.
Vai Espírito Santo.... Vai... !!!
*O Frei Petrônio
de Miranda, da Ordem do Carmo, reside no Convento do Carmo da Lapa, Rio de
Janeiro. E-mail: missaodomgabriel@bol.com.br.
Facebook: www.facebook.com/olharjornalistico ou, www.facebook.com/freipetronio2 Twitter: www.twitter.com/freipetronio. Site: www.olharjornalistico.com.br
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Vai Espírito Santo
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 603. Vai Espírito Santo!
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 602. O Dom de Fortaleza.
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Pentecostes. O perdão para recriar o mundo
O Pentecostes é uma festa pascal; ela é
o desenvolvimento do mistério da Páscoa. Não é uma festa independente do
Espírito Santo; é a festa do Senhor ressuscitado que dá aos discípulos o seu
Espírito, que é o Espírito de Deus Pai. É por isso que esta festa se situa, ao
mesmo tempo, na noite da Páscoa no evangelho de São João, e 50 dias depois da
Páscoa no livro dos Atos dos Apóstolos, inclusive na cruz da Sexta-Feira Santa
em todos os evangelistas.
A reflexão é de Raymond Gravel, padre da
Diocese de Joliette, Canadá, e publicada no sítio Réflexions de Raymond Gravel,
comentando as leituras do Domingo de Pentecostes – Ciclo A do Ano Litúrgico (08
de junho de 2014). A tradução é de André Langer.
Referências
bíblicas:
Primeira
leitura: At 2,1-11
Segunda
leitura: 1 Cor 12,3b-7.12-13
Evangelho:
Jo 20,19-23
Eis
o texto.
O Pentecostes é uma festa pascal; ela é
o desenvolvimento do mistério da Páscoa. Não é uma festa independente do
Espírito Santo; é a festa do Senhor ressuscitado que dá aos discípulos o seu
Espírito, que é o Espírito de Deus Pai. É por isso que esta festa se situa, ao
mesmo tempo, na noite da Páscoa no evangelho de São João, e 50 dias depois da
Páscoa no livro dos Atos dos Apóstolos, inclusive na cruz da Sexta-Feira Santa
em todos os evangelistas, em particular em João: “Tudo está realizado. E
inclinando a cabeça, entregou o espírito” (Jo 19,30).
No mistério pascal, todos os elementos
desse mistério – a Morte, a Ressurreição, a Ascensão e o Pentecostes – são tão
importantes que os primeiros cristãos fizeram deles acontecimentos distintos
separados no tempo: três dias para a Ressurreição, 40 dias para a Ascensão e 50
dias para o Pentecostes. Mas, na realidade, trata-se de um mesmo e único
acontecimento teológico que nos fala simultaneamente de Deus, do homem, de
Cristo e da Igreja. Não há, portanto, contradições entre os escritos e seus
autores; encontramos simplesmente maneiras diferentes de descrever a riqueza do
mistério cristão.
Desde o início do tempo pascal, nós
lemos os relatos da Páscoa e da Ascensão. Hoje, celebramos o Pentecostes, a
festa do Espírito de Cristo, o Espírito de Deus, a festa da Igreja. O que nos
dizem os textos bíblicos que a Igreja nos propõe hoje?
1.
Atos dos Apóstolos 2,1-11
Neste texto de Lucas, sobre o dom do
Espírito Santo dado aos apóstolos reunidos, o autor não procura descrever um
acontecimento material e histórico que aconteceu num dado momento da história
da Igreja nascente. O fato de que Lucas tenha escolhido compor seu relato por
meio de uma série de alusões ao Antigo Testamento, pode desviar a nossa atenção
para uma leitura de tipo histórico, que procurasse determinar como as coisas se
passaram. Devemos, ao contrário, compreender as mensagens que Lucas quer dar à
sua comunidade sobre o papel e a força do Espírito:
1) O Pentecostes judaico celebrava o dom
da Lei ao Povo de Israel, o povo da antiga Aliança. O Pentecostes cristão
celebra o dom do Espírito ao novo Povo de Deus, a Igreja, o povo da nova
Aliança.
2) Assim como Moisés subiu ao Sinai para
dar ao povo a Lei de Deus, Cristo subiu ao céu para derramar o Espírito de
Deus, o Espírito da nova Aliança.
3) Assim como para Moisés o barulho do
trovão e o fogo das luzes acompanham o dom da Lei de Deus, aqui o barulho, o
vento e o fogo acompanham a vinda do Espírito Santo.
4) No Sinai, de acordo com tradições
judaicas, Deus propôs os mandamentos nas diversas línguas do mundo, mas apenas
Israel os aceitou. No livro dos Atos dos Apóstolos, Deus repara esse fracasso:
todas as nações compreendem a linguagem do Espírito: “Cheios de espanto e de
admiração, diziam: ‘Esses homens que estão falando não são todos galileus? Como
é que nós os escutamos na nossa própria língua?’” (At 2,7-8)
5) No Antigo Testamento, as 12 tribos de
Israel estão reunidas para ouvir Moisés. Aqui, os 12 povos são chamados para
ouvir os 12 apóstolos investidos pelo Espírito do Cristo, proclamar as
maravilhas de Deus: “todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na
nossa própria língua!” (At 2,11b)
Em suma, este relato de Lucas é o
inverso de Babel, é a abertura à universalidade e o sopro do Espírito da nova
Aliança que abole as fronteiras; não há mais exclusão nem rejeição.
2.
1 Cor 12,3b-7.12-13
Os coríntios acreditavam que o dom do
Espírito Santo estava reservado a uma elite. Eles só reconheciam sua presença
no sensacional, nos cristãos que tinham o dom de falar em línguas e,
particularmente, naqueles que eram eloquentes na animação das assembleias.
Paulo quer, aqui, restabelecer a realidade do Espírito Santo:
1) Todo fiel que proclamar que “Jesus é
o Senhor” (1 Cor 12,3), é habitado pelo Espírito Santo. Portanto, o mais
humilde e o menor dos batizados também recebeu o Espírito Santo.
2) O Espírito, o Senhor e Deus são
inseparáveis. Sem mesmo chamá-lo pelo nome, Paulo nos fala da Trindade que se
dispensa em carismas: dons da graça, mas o Espírito é o mesmo (v. 4), dons dos
serviços na Igreja, mas o Senhor é o mesmo (v. 5) e dons das atividades, mas é
o mesmo Deus que as realiza (v. 6). O Espírito põe, portanto, todos os fiéis a
agir, cada um segundo seus carismas, em vista do bem de todos (v. 7).
3) Esta unidade na diversidade Paulo a
exprime através de uma fábula, conhecida na sua época, sobre o corpo e seus
membros, para significar que todos os cristãos, em sua diversidade, pertencem
ao mesmo corpo, o Corpo do Cristo ressuscitado. Esta pertença transcende as
clivagens étnicas: “De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres,
fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós
bebemos de um único Espírito” (1 Cor 12,13).
3.
João 20,19-23
Para João, é na noite da Páscoa que o
Espírito Santo é dado aos discípulos reunidos. Que mensagens podemos tirar
dessa passagem bíblica?
1) O medo: os discípulos têm medo, eles
são fracos, eles se sentem abandonados. As portas estão trancadas. Apesar
disso, Jesus se apresenta a eles (v. 19). É, portanto, na humanidade dos
discípulos que Cristo se faz presente.
2) A Paz: duas vezes Cristo oferece a
sua paz (vv. 19.21). Mas, por que esta insistência? O sentido bíblico da
palavra paz não é a ausência de guerra ou de conflitos; é a plenitude de vida
que lembra a presença do Ressuscitado (cf. TOB, Lc 1,79 nota J). É, portanto, a
sua Vida de Ressuscitado que Cristo dá aos seus discípulos. É uma promessa de
Ressurreição também para eles.
3) A Alegria: João sublinha que o
Ressuscitado da Páscoa é o Crucificado da Sexta-Feira Santa: “mostrou-lhes as
mãos e o lado” (Jo 20,20a). O evangelista não quer dizer que se trata do
cadáver de Jesus reanimado; o Ressuscitado se apresenta como aquele que fica
para sempre marcado por sua humanidade, aquele que, pela cruz, testemunhou o
Amor infinito de Deus. Do seu lado aberto nasceu a Igreja, ápice do sangue da
Vida nova e da água viva do Espírito. Esta é a Alegria pascal experimentada
pelos discípulos reunidos na noite da Páscoa.
4) O perdão: o sopro do Cristo sobre os
seus discípulos nos remete ao sopro de Deus no Gênesis, sopro que dá a vida ao
ser humano. Aqui, o sopro de Cristo significa a Vida nova dada aos discípulos,
pelo dom do Espírito Santo, para que advenha um mundo novo. Entretanto, uma
coisa é essencial para que nasça esse mundo novo: é o perdão. Deus deve, em
primeiro lugar, apagar a nossa história passada, derramando sobre nós o sopro
do perdão dos pecados: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão
perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos” (Jo 20,23). Cabe
a nós, portanto, fazer nascer esse mundo novo e é com toda a liberdade que nós
podemos fazê-lo ou recusá-lo. Que responsabilidade!
Para terminar, é uma missão que nos é
confiada: nós temos a responsabilidade de fazer nascer o mundo novo desejado
pelo Cristo da Páscoa. Esta missão é confiada a todos os cristãos em geral e,
em particular, aos padres no ministério do perdão. É, portanto, pela nossa
abertura ao outro, pela nossa acolhida da sua diferença que nós testemunhamos o
Cristo ressuscitado e que nós trabalhamos para fazer nascer esse mundo novo. O
Espírito que nos habita não é um Espírito de medo que recusaria a novidade; é
um Espírito que nos torna capazes de inventar, criar, decifrar, abrir novos
caminhos, a fim de permitir às mulheres e aos homens de hoje encontrar e
reconhecer o Cristo sempre vivo através dos seus discípulos. O perdão é
fundamental para a recriação do mundo, e o Espírito nos dá a possibilidade de
dá-lo ao outro e de recebê-lo do outro, a fim de que nasça esse mundo novo
desejado pelo Cristo da Páscoa.
Bom Pentecostes!
Fonte:
http://www.ihu.unisinos.br
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Raymond Gravel
O que Francisco quis dizer aos carismáticos?
Durante o seu discurso aos membros da
Renovação Carismática, o Papa foi preciso em suas recomendações, a tal ponto
que seus comentários foram amplamente comentados no início desta semana. Devem
ser lidos como críticas ou como incentivos? Fonte: http://bit.ly/1l8Dyjv
A reportagem é de Bosco d’Otreppe e
publicada no sítio francês La Vie, 04-06-2014. A tradução é de André Langer.
"Quem ama corrige." Esta é,
sem dúvida, uma das máximas de Francisco.
No domingo, 01 de junho, o Papa foi
recebido por 52.000 pessoas em festa no Estádio Olímpico de Roma, que trocou as
cores do futebol italiano pelas da Renovação Carismática mundial, por ocasião
do 37º congresso desse movimento.
Francisco, que expressou a alegria que
ele tinha por encontrá-los, preparou minuciosa e cuidadosamente as suas
palavras. Palavras "paternais", mas firmes, e que alimentaram as
conversas dessa segunda-feira em Roma, ao término desses dias de convenção.
Uma
escola de samba?
Francisco, que prestou uma homenagem
"à diversidade de carismas" da Renovação Carismática, não hesitou em
criticar as possíveis lutas internas, a organização, por vezes,
"excessiva", ou ainda o fato de querer "controlar a graça de
Deus" ("Sejamos dispensadores da graça de Deus e não seus
controladores").
O Papa comprometeu-se com a Renovação em
2017 quando esta comemora o seu Jubileu de Ouro, na Praça de São Pedro. A Rádio
Vaticano, entrevistando Guy de Kerimel, o bispo de Grenoble-Vienne e oriundo
das fileiras da Renovação Carismática, quis saber se o tom que Francisco usou
em suas palavras era de advertência ou de encorajamento.
"O Papa reenvia a Renovação à sua
graça", explicou o bispo. Ele "ajuda os seus membros a tomar
consciência da graça que lhes foi dada, não só para si, mas para toda a
Igreja."
O bispo não vê nelas, portanto, nenhuma
chamada à ordem, mas pontos de atenção, explica à Rádio Vaticano. "Ele
lembrou que Jesus é o único chefe. Em um grupo, há ocasionalmente a tentação do
poder, de pensar que nós detemos o discernimento ou ainda temos o melhor carisma".
Finalmente, fiel a si mesmo, o Papa
aproveitou esta oportunidade para definir uma Igreja unida e "dócil ao
Espírito Santo", o que ele já lembrava na Exortação Apostólica Evangelii
Gaudium. Surpreendendo a assembleia, Francisco reconheceu que na época da sua
criação ele não gostava muito da Renovação Carismática, comparando-a com
"uma escola de samba", mas que hoje ele "percebe sua graça de
fundo", precisa o bispo Guy de Kerimel. "É por isso que ele quer que
ela seja preservada".
O
cuidado pastoral de Francisco
Mais uma vez, o Papa mostra o quanto ele
quer incentivar, a que ponto ele cuida dos seus, analisa Marie Malzac,
jornalista da agência I.Media. "Seu discurso foi cuidadosamente preparado
e preciso. Ele está ancorado nas características próprias do movimento, na sua
história. Francisco não ignora as dificuldades, mas quer converter cada um ao
essencial dos seus carismas”.
Palavras similares àquelas que
encontramos quando o Papa se dirige aos padres, advertindo-os contra o
clericalismo, aos cardeais criticando neles o mundanismo, ou, ultimamente,
ainda quando se dirigiu aos membros do Caminho Neocatecumenal. "Essas
críticas, feitas dessa forma, ressoam como um incentivo e são um sinal do seu
cuidado pastoral, assim como do seu amor pelos seus”.
Por outro lado, sua visão da Renovação
Carismática está na linha daquela dos seus antecessores, "atentos e
encorajadores, situando a Renovação na Igreja católica, para a Igreja e para o
mundo", concluiu dom Guy de Kerimel, em sua conversa com a Rádio Vaticano.
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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sexta-feira, 6 de junho de 2014
PENTECOSTES: Mensagem do Frei Petrônio.
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36º SODALÍCIO EM SAPOPEMBA/SP-04: Canto do Glória.
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36º SODALÍCIO EM SAPOPEMBA/SP-04: Mensagem do André.
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 603. Vai Espírito Santo!
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 601. O Dom da ciência.
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36º SODALÍCIO EM SAPOPEMBA/SP-03: A Capela.
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36º SODALÍCIO EM SAPOPEMBA/SP-04: Flor do Carmelo.
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quinta-feira, 5 de junho de 2014
A voz do Pastor - Pentecostes - Domingo 08/06/2014
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A PALAVRA... Nº 600. O Dom do Entendimento.
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*Explicação das leituras de PENTECOSTES: O NASCIMENTO DA IGREJA.
Pe.
Bortolini
I.
INTRODUÇÃO GERAL
No Pentecostes, coroa do Ciclo da
Páscoa, todos nascemos e renascemos continuamente. Nascemos para a vida no
Espírito e renascemos para o projeto de Deus, procurando falar a linguagem do
Espírito para o mundo de hoje. Bebendo o mesmo Espírito que foi a base da ação
e da palavra de Jesus, a comunidade cristã provoca o julgamento de Deus
(evangelho). Reunida pelo Espírito de Jesus, torna-se a epifania de Deus,
proclamando suas maravilhas (I leitura), levando o projeto de Deus a todos os
povos. Forma o corpo de Cristo e bebe do único Espírito. Por isso, na
comunidade cristã, cada pessoa é um dom do Espírito para formar a comum-unidade
(II leitura). Ninguém possui plenamente o Espírito e ninguém está privado dele.
Na união de todos é que se forma o corpo de Cristo, o templo do Espírito Santo.
II.
COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS
1.
Evangelho (Jo 20,19-23):
A
comunidade recebe o mesmo Espírito que animou Jesus
Nos evangelhos, João e Lucas têm
perspectivas diferentes quanto a Pentecostes. Para João, ele se dá no próprio
dia da ressurreição de Jesus, ao passo que Lucas faz coincidir a vinda do
Espírito Santo com a festa judaica de Pentecostes, cinqüenta dias após a
Páscoa. Embora as perspectivas sejam diferentes, a finalidade é a mesma, pois
ambos mostram que o Espírito que sustentou a luta de Jesus para realizar o
projeto de Deus é o mesmo Espírito que anima agora as lutas da comunidade
cristã.
Fazendo coincidir Páscoa e efusão do
Espírito no mesmo dia, o Evangelho de João quer sublinhar a continuidade entre
Jesus e seus discípulos. O Espírito que agiu permanentemente em Jesus é
comunicado aos seguidores no mesmo dia da ressurreição, sem pausas ou
interrupções.
a.
A criação da comunidade messiânica (vv. 19-21a)
O texto se inicia situando a cena no
tempo. É a tarde do domingo da Páscoa. Para os judeus, já havia iniciado um
novo dia. Para João, contudo, é ainda o dia da ressurreição, a nova era
inaugurada pela vitória de Jesus sobre a morte. De fato, no Quarto Evangelho,
tudo o que acontece depois da ressurreição de Jesus se insere num “dia pascal”
que não tem fim. É a vitória definitiva da vida sobre a morte. A referência à
tarde de domingo reflete a práxis cristã de se reunir para celebrar a memória
da morte e ressurreição de Jesus. As portas fechadas mostram um aspecto
negativo (o medo dos discípulos) e um aspecto positivo (o novo estado de Jesus
ressuscitado, para quem não há barreiras).
Jesus se apresenta no meio da comunidade
(ele é o centro e a razão de ser da comunidade) e saúda os discípulos com a
saudação da plenitude dos bens messiânicos: “A paz (shalom) esteja com vocês!”
É a mesma saudação de quando Jesus se despediu (cf. 14,27). Por sua morte e
ressurreição, ele se tornou o vencedor do mundo e da morte. E por isso pode
comunicar a paz, a plenitude dos bens. É, portanto, a saudação do vencedor que
ainda traz em si os sinais da vitória nas mãos e no lado (v. 20). É a saudação
do Cordeiro, do qual a comunidade vai alimentar-se. As cicatrizes de Jesus são
uma característica dos textos joaninos (cf. Ap 5,6). O Ressuscitado não pode
ser anunciado apenas em seu aspecto glorioso. As cicatrizes são memória
permanente das torturas sofridas.
Os discípulos estão de portas
fechadas. São uma comunidade medrosa, pois ainda não possuem o Espírito de
Jesus. O medo é um freio que lhes bloqueia a tarefa de testemunhar o Cristo
ressuscitado. Jesus, presente nessa comunidade, transforma totalmente a
situação, capacitando-os a ser os anunciadores da vitória de Jesus sobre os
mecanismos de morte.
A reação da comunidade é a alegria (cf.
16,20) que ninguém, de agora em diante, poderá suprimir (cf. 16,22).
b.
A comunidade continua a missão de Jesus (vv. 21b-23)
Fortificada pela presença de Jesus, a
comunidade está pronta para a mesma missão que ele recebeu: “Como o Pai me
enviou, assim também eu envio vocês” (v. 21b). Quem vai garantir a missão da
comunidade será o Espírito Santo. Para João, a comunicação do Espírito acontece
aqui, na tarde do dia da ressurreição: “Tendo falado isso, Jesus soprou sobre
eles, dizendo: Recebam o Espírito Santo!” (v. 22). O sopro de Jesus é a nova
criação e remete ao que Javé fez quando criou o ser humano (cf. Gn 2,7). É o
sopro da vida nova. Aqui nasce a comunidade messiânica.
De agora em diante, batizados no
Espírito Santo como Jesus (cf. 1,33), os cristãos têm o encargo de continuar o
projeto de Deus. Esse projeto é sintetizado desta forma: “Os pecados daqueles
que vocês perdoarem, serão perdoados; os pecados daqueles que vocês não
perdoa-rem, não serão perdoados” (v. 23). O que é pecado para João? Consiste
essencialmente em comprometer-se com a ordem injusta que levou Jesus à morte (e
que hoje, de muitas formas, continua matando gente). Jesus veio para levar a
vida à sua máxima expressão, e isso para todos. Mas seu projeto recebeu forte
oposição dos que querem a vida só para si. Aí está a raiz do pecado, de acordo
com o Evangelho de João. Os pecados são atos concretos decorrentes dessa opção
fundamental contra a liberdade e a vida das pessoas.
Diante disso, qual é a tarefa da
comunidade cristã? Jesus lhe dá o poder de perdoar ou não perdoar. Ela executa
essa função mostrando onde está a vida e onde se aninha a morte; promovendo a
vida e quebrando os mecanismos que procuram destruí-la; conscientizando as
pessoas e desmascarando os interesses ocultos dos poderosos. Assim, os cristãos
provocam o julgamento de Deus. Tarefa ímpar das comunidades cristãs, nem sempre
fiéis a essa vocação. O que significa, por exemplo, não perdoar os pecados dos
latifundiários, dos corruptos, dos políticos que utilizam o poder para defender
seus interesses?
“Os discípulos continuam a ação de
Jesus, pois ele lhes confere a mesma missão (20,21). Pelo Espírito que dele
recebem, tornam-se suas testemunhas perante o mundo (15,26ss). Sua ação, como a
de Jesus, é a manifestação, em atos concretos, do amor gratuito e generoso do
Pai (9,4). Diante desse testemunho, acontecerá o mesmo que aconteceu com Jesus:
haverá quem o aceite e quem endureça numa atitude hostil ao homem, rejeitando o
amor e se voltando contra ele, chegando inclusive a perseguir e matar os
discípulos em nome de Deus (15,18-21; 16,1-4). Não é missão da comunidade, como
não era a de Jesus, julgar os homens (3,17; 12,47). Seu julgamento, como o de
Jesus, não é senão o de constatar e confirmar o juízo que o homem faz de si
próprio” diante do projeto de Deus (J. Mateos-J. Barreto, O Evangelho de São
João, Paulus, São Paulo, 2ª edição, 1998).
2.
I leitura (At 2,1-11):
O
Espírito ensina a comunidade cristã a continuar o projeto de Deus
Páscoa e Pentecostes eram festas
agrícolas muito antigas em Israel. Com o passar dos tempos, foram transformadas
em festas religiosas: Páscoa revivia a saída do Egito; Pentecostes recordava o
dia em que Moisés, no monte Sinai, recebeu a Lei, tida como o maior presente de
Deus ao povo.
Quando Lucas escreveu os Atos dos
Apóstolos (cerca de meio século após o Pentecostes), a evangelização já havia
alcançado todas as nações até então conhecidas (os confins do mundo; cf. At
1,8). Isso quer dizer que, quando esse livro foi escrito, todos os povos que
Lucas diz estar em Jerusalém no dia de Pentecostes já tinham recebido o anúncio
de Jesus, já tinham sido evangelizados. Por que, então, Lucas recorda o evento
de Pentecostes? Ele quer mostrar a universalidade do povo de Deus e da
evangelização. Na ótica da fé, tudo isso é obra do Espírito de Jesus.
Ao descrever o episódio de Pentecostes,
Lucas se serve de esquemas já presentes no Antigo Testamento. Ele situa a vinda
do Espírito Santo cinqüenta dias após a Páscoa para fazê-la coincidir com o
Pentecostes judaico, no qual o povo judeu celebrava o dom da Aliança no Sinai,
a entrega da Lei (Decálogo), o surgimento de um arranjo social comprometido com
a vida e a justiça. De fato, segundo Ex 19, cinqüenta dias depois que o povo
saiu do Egito, Deus fez aliança com ele no monte Sinai, entregando-lhe, por
meio de Moisés, a Lei. O fato foi acompanhado de trovões, relâmpagos e trombeta
tocando. Ora, esse episódio é uma das bases sobre as quais Lucas constrói a
narrativa do Pentecostes: cinqüenta dias após a Páscoa, estando os discípulos
reunidos em Jerusalém, houve um barulho como o rebentar de forte ventania (At
2,1-2). Com isso, Lucas afirma que, em Jerusalém, se realiza a Nova Aliança;
surge o Novo Povo de Deus; é dada a Nova Lei: o Espírito Santo.
Lucas se inspira em outro texto do
Antigo Testamento: Números 11,10-30, em que Deus repartiu seu Espírito sobre
Moisés e os setenta anciãos, para que pudessem organizar o povo. E Moisés
exprimiu o desejo de que todo o povo recebesse o Espírito de Javé (Nm 11,29).
Esse substrato serviu de molde para Lucas, a fim de mostrar que, finalmente, o
Espírito de Deus foi derramado sobre todos no dia de Pentecostes. No início do
evangelho, o Espírito tomara conta de Jesus (cf. Lc 4,18). No início dos Atos,
o mesmo Espírito toma posse de todas as pessoas.
Finalmente, Lucas se serve de Gênesis
11,1-9, o episódio da torre de Babel, onde Deus confundiu a ambição das
pessoas, que não se entendiam mais. Para Lucas, o Pentecostes é o oposto de
Babel: aqui, “todos nós os escutamos anunciarem, em nossa própria língua, as
maravilhas de Deus” (2,11).
Com o episódio de Pentecostes assim
formulado, Lucas faz ver que a comunidade cristã é o novo povo de Deus, o povo
da Nova Aliança, cuja Lei é o Espírito Santo. Não há fronteiras para esse povo,
e o objetivo comum é viver o projeto de Deus. Esse povo é capaz de se entender
e se unir porque fala a língua do Espírito de Jesus. De fato, o Espírito Santo
é a memória sempre renovada e atualizada do que Jesus fez e disse (cf. Jo
14,26). Entregando seu Espírito, Deus realiza com a comunidade cristã a nova e
definitiva Aliança, na consecução do projeto divino, confiado agora aos que
sonham com a humanidade livre de todas as formas de opressão, violência e
morte.
Não se deve confundir o fenômeno de
Pentecostes com o falar línguas estranhas de 1Cor 12-14. Em At 2,1-11, todos os
que estão aí à escuta – há gente de três continentes – ouvem na própria língua
(entendem perfeitamente) o anúncio das maravilhas de Deus.
3.
II leitura (1Cor 12,3b-7.12-13):
Ninguém possui plenamente o Espírito;
ninguém é privado dele! A comunidade é o corpo de Cristo!
O texto de hoje se inicia apresentando o
critério básico de distinção entre o que procede e o que não procede do
Espírito Santo. Esse critério básico é o reconhecimento de Jesus como o único
Senhor (v. 3b). Tudo o que não leva a isso não provém do Espírito. É provável
que alguém, em Corinto, julgando-se movido pelo Espírito, tenha dito grave
blasfêmia: “Maldito Jesus!” (cf. 12,3a). Para Paulo, a ação do Espírito leva
sempre à confissão de que Jesus é o Senhor.
Os coríntios achavam que ter carisma
fosse possuir dons extraordinários, como o falar em línguas estranhas e
profetizar. Sua visão dos carismas era muito redutiva e personalística. Paulo
começa abrindo brechas, afirmando que são distribuídos muitos dons (não alguns
somente), mas o Espírito que os distribui é o mesmo: é o Espírito de Jesus (cf.
12,4). Toda ação tem sua origem no Pai; o que os cristãos fazem se baseia na
ação de Jesus (cf. vv. 5-6). Note-se aí a formulação trinitária. Em Deus não há
divisão, mas harmonia. Tudo colabora na execução do projeto de Deus. O mesmo se
verifica na comunidade cristã: “A cada um é dado algum sinal da presença do
Espírito Santo, para o bem comum” (v. 7). É uma quase definição de carisma. Mas
salienta que o movimento do carisma é de dentro para fora, e não o contrário.
A seguir, Paulo emprega a imagem do
corpo. Ele está pensando no corpo humano, que tem muitos membros, mas ao mesmo
tempo pensa no corpo social, a comunidade cristã, que forma um todo com Cristo
(v. 12; cf. 6,15: “Vocês não sabem que seus corpos são membros de Cristo?”).
Então, pensa Paulo, se em Jesus, com o Pai e o Espírito, não há divisões apesar
da diversidade, como pode havê-las na comunidade, que é o corpo de Cristo? De
fato, o anúncio do evangelho em Corinto havia unido povos, categorias e classes
sociais incompatíveis até então: judeus e gregos, escravos e livres (v. 13a;
cf. Gl 3,28, que é uma das grandes sínteses do evangelho de Paulo).
O batismo havia elevado todos a um nível
jamais atingido antes: todos receberam o mesmo Espírito, a fim de constituir um
só corpo social, sem rupturas ou distinções: a comunidade cristã, corpo de
Cristo. Assim, todos se alimentam e se inspiram na mesma fonte, que é o
Espírito Santo (v. 13b). Têm sentido, portanto, as divisões escandalosas que as
comunidades criam em torno de interesses pessoais, posições ou tarefas mais
vistosas? Não é um atentado ao corpo de Cristo e ao Espírito de Jesus? Não é um
atentado ao projeto de Deus?
III.
PISTAS PARA REFLEXÃO
• Analisar a coordenação pastoral: com
que espírito agimos na comunidade cristã? Que sentido têm os encargos, os
postos, os serviços? É o Espírito de Jesus quem anima toda a pastoral?
• A diversidade dos membros da
comunidade é fator de crescimento mútuo? Manifesta o novo povo de Deus nascido
do Espírito? Nossas comunidades são Pentecostes ou Babel?
• O projeto de Deus continua na
comunidade: somos abertos à nova criação do Espírito ou vivemos medrosos e de
“portas fechadas”? Provocamos o “julgamento de Deus” numa sociedade que rejeita
sistematicamente o projeto de Deus ou não nos distinguimos em nada da sociedade
injusta e corrupta em que vivemos?
• Pentecostes é tempo de ecumenismo.
Qual seria a grande proposta ecumênica que o Espírito nos faz? Não seria tempo
de unir as pessoas do mundo inteiro, independentemente do credo que professam,
em torno de um mesmo objetivo, a justiça e a vida para todos? Não seriam as
palavras “justiça” e “vida” o novo sopro do Espírito?
*Da
Revista Vida Pastoral – Pe. Bortolini
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quarta-feira, 4 de junho de 2014
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP: Ordem Terceira-02.
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ORDEM DO CARMO: Votos Solenes.
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 599. O Dom da Piedade.
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terça-feira, 3 de junho de 2014
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 598. O Dom do Temor
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segunda-feira, 2 de junho de 2014
36º SODALÍCIO EM SAPOPEMBA/SP-02: Agradecimentos
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QUEM TEM O ESPÍRITO DE JESUS...
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Santo Agostinho, o amor, o sexo e o pecado... Um mal entendido?
Em sua intervenção no festival
Philosophia, do qual La Vie é parceiro, o jesuíta Dominique Salin, professor de
teologia e de literatura espiritual no Centro Sèvres, em Paris, varre os
clichês segundo os quais Agostinho teria feito a Igreja pagar por sua renúncia
à sexualidade. A reportagem é de Isabelle Francq e publicada no sítio da
revista francesa La Vie, 09-05-2014. A tradução é de André Langer. Fonte:
http://bit.ly/1krrLwV
Embora esteja no centro das preocupações
humanas, o amor não se mistura bem com a filosofia e, exceto Platão, poucos
pensadores da Antiguidade fizeram dele um objeto de reflexão. Em Santo
Agostinho, ao contrário, entre pecado e piedade, o amor é central. Para melhor
demonstrar isso, essa grande figura da teologia que foi o primeiro a praticar a
arte da autobiografia, detém-se sobre a sua experiência da paixão.
Antes da palestra que fará no festival
Philosophia de Saint-Émilion, este ano dedicado ao amor, Dominique Salin,
jesuíta e especialista em Agostinho, fala-nos sobre este grande pensador, ainda
desconhecido, do Ocidente.
Um
ex-mulherengo?
Um Don Juan arrependido, fulminado pela
graça aos 33 anos, Agostinho (354-430) teria feito o cristianismo pagar sua
própria renúncia à carne. Quando falamos de Santo Agostinho e do amor, devemos
imediatamente abandonar esse clichê. No início do século V, seria ele, o bispo
de Hipona (atual Annaba, na Argélia), o responsável pela doutrina cristã da
sexualidade marcada pela proibição, pelo sentimento de culpa. Afinal, não é
Agostinho o inventor do pecado original? Este pecado não vai estar em parte
relacionado à sexualidade? Para muitos, a culpa de Adão e Eva foi ter comido da
maçã, e de nos ter transmitido geneticamente, isto é, sexualmente, um desejo
ilimitado por essa fruta metafórica, tão conhecida. A realidade é mais complexa
e bela, filosófica e poeticamente.
“Eu me esbanjava e ardia nas minhas
fornicações.” É a partir dessas observações que se esculpiu em Agostinho um
costume e arrependido debochado. E não deixamos de notar que a sua primeira
decisão, após sua conversão aos 33 anos, foi despedir sua concubina. A
violência com que ele fustiga, em suas Confissões, o pecador que ele era, seria
para alguns o sinal de uma forma doentia de obsessão sexual. As extravagâncias
das quais Agostinho se acusa dizem respeito, porém, principalmente às férias
forçadas que ele passa em Tagaste (Argélia), sua cidade natal, em torno dos 15
anos. Sendo seu pai um agricultor pobre, teve que esperar por uma bolsa para
fazer seus estudos de retórica. Para passar o tempo, ele ia à missa aos
domingos para aí arrastar as meninas (Confissões III, 3).
Essas loucuras não duraram muito. Aos 17
anos, estudante em Cartago, ele se casa com a mulher da sua vida, a mãe do seu
filho, a quem será fiel durante 15 anos. Ele rompe com essa mulher que ele
amava um ano antes da sua conversão, isto é, da sua decisão de se fazer batizar
e tornar-se monge. Ruptura por razões de arrivismo. Na verdade, instalado na
corte de Milão, orador titular do imperador – um adolescente sob a regência da
sua mãe –, está prestes a ser nomeado governador de uma província do Império,
ele atinge o topo da honras, mas não tem sorte. Ele termina com sua noiva para
se prometer a uma rica herdeira. No entanto, ela tinha apenas 12 anos. A idade
legal era 14 anos. Ele deve, portanto, esperar.
"(...) Incapaz de suportar o prazo
imposto (dois anos antes de conseguir o que eu pedi), e menos afeito ao
casamento que escravo da paixão, eu fui ao encontro de outra mulher; não era,
certamente, para me casar, mas para alimentar a doença da minha alma e fazê-la
perdurar, sob o olhar atento do Hábito, e isso até a chegada da esposa.” Cego
da dependência do seu impulso sexual, a vergonha que aqui expressa é um ponto
decisivo da concepção de amor de Agostinho. De fato, até esse dia de agosto 386
quando ouve uma voz vinda do além e decide fazer-se batizar e tornar-se monge,
ele se julgou incapaz de viver na continência. Isso era para ele um sofrimento,
uma frustração.
No início dos estudos, a leitura de
Cícero e do estoicismo havia semeado nele o desejo de tornar-se um sábio, isto
é, um santo. A valorização da continência não é uma invenção cristã. Ela não é
dominante na sabedoria greco-romana pagã, mas também não está totalmente
ausente; Plotino, o grande neoplatônico pagão, era celibatário. Isso não foi
suficientemente enfatizado: o ideal de santidade que Agostinho se fixou aos 16
anos contemplava a continência. Mas, no momento em que ele está apaixonado,
casa-se. A partir de então, sua vida conjugal é marcada por uma consciência
deformada. Ele enfatiza que o fato de estar casado impediu-o de crescer em sua
vida espiritual. Tudo muda quando ele aceita o que sente ser um convite de
Cristo e de São Paulo para "tornar-se eunuco pelo Reino de Deus".
Ele, finalmente, encontra a paz do coração, escreveu. Certamente, a continência
é difícil. Mas ele nunca se arrependerá disso.
No
princípio, o desejo
Para Agostinho, o amor ultrapassa o amor
sexual. Amar é, em latim, appetere ("um apetite"); é motus ad
aliquid, “um movimento em direção a algo”, ou alguém. O amor é desejo. Ele tem
essa frase maravilhosa: “O amor estende o desejo e o desejo estende o amor”. O
amor é tão natural ao homem quanto o desejo. É o desejo que faz o ser humano. O
animal é conduzido por seus reflexos, instintos e necessidades. O homem também,
mas ele é capaz de adiar a satisfação em vista de um prazer (delectatio)
superior.
Ser de desejo, o homem é, portanto,
marcado pela falta. Atrás de qual delectatio correr? O bem supremo, a
"vida feliz", a "bem-aventurança", responde Agostinho. O
estado psicológico que lhe corresponde é a alegria. Ele diz: o homem é feito
para a alegria e Deus é a alegria do homem. Assim, buscando sua delectatio, é
Deus que o homem procura, quer saiba ou não. “Tu nos fizeste para ti, Senhor, e
o nosso coração está inquieto (inquietum) até que descanse em ti (quiescat in
te).”
O desejo, infinito, de absoluto é, no
homem, a marca de fábrica de Deus. O desejo de Deus, o amor de Deus, é o motor
do homem. Quando ele pensa em procurar a segurança, o prazer, a tranquilidade,
a serenidade, a justiça, quando ele pensa amar o dinheiro, as mulheres, o
sucesso, na verdade, está buscando a Deus, diz Agostinho. A glória ou a alegria
nunca serão suficientes. O desejo, ou melhor, a necessidade, incessantemente
renascerá. Mas na maioria das vezes, o nosso desejo erra de alvo. A tendência
do indivíduo de se preferir a si mesmo aos outros e de ver nas outras criaturas
o meio de satisfazer suas necessidades leva, na teologia de Agostinho, a um
nome fatal: o pecado original. Ele deforma o amor em amor de si, em vez de ser,
em primeiro lugar, amor de Deus.
Os
dois amores
Assim se esboça a antropologia
agostiniana. Há apenas um amor, porque o desejo é um. Mas esse amor pode
assumir duas formas incompatíveis de acordo com o objeto ao qual ele se dirige.
Agostinho escreveu: "Quem ama quer formar um com quem ama”. Em consequência:
“O ser humano torna-se o que ele ama: aquele que ama a terra, torna-se terra;
aquele que ama o Deus eterno irá compartilhar da eternidade com Deus”. Este é o
tema das duas cidades – terrestre e celeste – que ele formula em A Cidade de
Deus (Volume 2, XIV, 28).
A chave da história humana é a oposição
entre o amor que dá a primazia a Deus e aquele que ama, em primeiro lugar, a si
mesmo, ao passo que ele ama as criaturas pelas vantagens que disso pode obter.
No primeiro caso, o amor é mediado pelo amor de Deus: eu amo as criaturas com
um amor que as respeita, que me respeita e que me permite respeitar a Deus. Eu
O respeito em suas criaturas, através delas. No segundo caso, eu não respeito
as criaturas, nem Deus nelas. Eu as amo pelos interesses que posso obter, pelo
uso que posso fazer delas. E eu instrumentalizo o próprio Deus em vista do meu
benefício. A primeira forma de amor Agostinho chamou de amor ou caritas ou
dilectio. A outra, que instrumentaliza a Criação e o próprio Deus, ele a chama
de cupiditas ou concupiscentia ou libido.
O
“Pecado original”
O ideal seria viver permanentemente do
amor e da caritas: “Amemo-nos uns aos outros!” Mas o mundo é marcado pelo mal,
pelo sofrimento, pela concupiscência – que Agostinho chamou, na linha de São
Paulo, de pecado. Desde a sua concepção, o ser humano é afetado pela violência,
pela injustiça e pelo sofrimento. Ele sofrerá as consequências sendo ele
próprio conduzido à violência, à injustiça, à ganância e à falsidade. Porque
seus antepassados estão marcados por isso, desde Adão, desde as origens. Pecado
original, universal; pecado das origens, que não poupa ninguém. Será preciso
ter a ingenuidade de Jean-Jacques Rousseau para imaginar que a criança nasce
pura e inocente. Freud, por sua vez, sobre este ponto, dá razão a Agostinho e à
Bíblia.
Agostinho não é o inventor do pecado
original. Ele o encontrou em São Paulo. Ele formalizou a doutrina e a endureceu
na sua luta contra o pelagianismo, no final da sua vida. Para o herege Pelágio,
o homem em si mesmo é saudável. Ele encontra em si mesmo os recursos
necessários para alcançar a virtude, a santidade e a união com Deus. Agostinho
respondeu-lhe que o homem comete o mal que não gostaria de cometer e não
consegue praticar o bem que gostaria. O pecado é um mistério que nos
ultrapassa. Somente Cristo pode iluminar o homem e guiá-lo para a luz.
Essa visão pessimista da natureza humana
se agrava na aurora dos tempos modernos, quando Lutero e os jansenistas releem
Agostinho e endurecem e caricaturizam seu pensamento. "Como o coração do
homem é oco e cheio de lixo!", exclamou Pascal (Pensées, Sellier181,
Lafuma 148). Mas podemos ser cristãos sem ser jansenistas. É verdade que o
pecado original foi muitas vezes apresentado nos catecismos como uma doença
sexualmente transmissível desde Adão. Daí a dizer que o ato de procriação é
sujo, é apenas um passo. Dizia-se que fazer amor no casamento, era um pecado
permitido. Devemos reconhecer que a concepção de sexualidade de Agostinho
inclinou-se para esse lado. O caráter, às vezes, incontrolado da pulsão sexual
parecia-lhe uma desordem; uma forma de violência desordenada que não estava nos
planos de Deus. Ele via nisso um sintoma e uma consequência do pecado original.
"Ama
e faz o que quiser!"
Para Agostinho, pode-se amar um homem ou
uma mulher, a música, seu trabalho, seus filhos, seus amigos e também amar a
Deus. Pode-se amar a Deus como se ama a sua esposa? A resposta encontra-se nas
Confissões X, livro 6. Ele descreveu com as mesmas palavras o amor humano e o
amor divino. Elas tomam um sentido metafórico quando se trata de Deus. Elas são
deficientes também quando se trata do amor. Para dizer o amor, a linguagem
menos inadequada é a da poesia, da música: da imagem, da metáfora. A linguagem
poética não pretende dizer o indizível, divino ou humano, mas apenas sugeri-lo.
É dessa maneira que toca o nosso coração.
Há em mim mais do que eu mesmo. Há em
mim alguém outro, há em mim um Outro. Arthur Rimbaud disse-o melhor que
ninguém: “‘Eu’ é um outro”. Este outro nele, Agostinho chama de “homem
interior”: é ele que toma Deus em seus braços, é ele que Deus toma em seus
braços. Eles são um, como o homem e a mulher. É a maneira de dizer o que o
Mestre Eckhart afirmará no século XIV: “Deus e eu somos um, somos semelhantes,
somos iguais”. Nesse nível, o mistério de Deus e o mistério do homem são o
mesmo. Falar de Deus e falar do homem é a mesma coisa.
"Fale-me sobre o amor...".
Tudo bem, mas como saber se é realmente o amor que me faz agir? Que garantia eu
tenho contra os erros e as ilusões? Para o Evangelho, o amor é julgado pelos
frutos. Agostinho não nega isso, e sua homilia sobre a Primeira Epístola de
João (7,7-8) mostra como ele é sensível à complexidade das situações. Mas, para
ele, é o amor que pode e deve ser a regra da ação. Sempre o Amor.
Fonte:
http://www.ihu.unisinos.br
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