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quarta-feira, 29 de julho de 2015

RETIRO DOS CARMELITAS (De 27-31 de julho-2015): Carta de João Paulo II.

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CARTA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II AOS SACERDOTES POR OCASIÃO DA
QUINTA-FEIRA SANTA DE 2005

 Queridos sacerdotes!
1. Neste Ano da Eucaristia, sinto uma particular alegria em encontrar-me espiritualmente convosco, como sucede anualmente, por ocasião da Quinta-feira Santa, o dia do amor de Cristo levado « até ao extremo » (cf. Jo 13, 1), o dia da Eucaristia, o dia do nosso sacerdócio.
Dirijo-me a vós, sacerdotes, durante um período de tratamento e recuperação que tive de passar no hospital, doente entre os doentes, unindo, na Eucaristia, o meu sofrimento ao de Cristo. Neste espírito, quero refletir convosco sobre alguns aspectos da nossa espiritualidade sacerdotal.
Irei fazê-lo, deixando-me guiar pelas palavras da instituição da Eucaristia, as mesmas que diariamente pronunciamos, in persona Christi, para tornar presente sobre os nossos altares o sacrifício realizado uma vez por todas no Calvário; é que de tais palavras brotam indicações de espiritualidade sacerdotal muito elucidativas: se toda a Igreja vive da Eucaristia, a existência sacerdotal deve a título especial tomar « forma eucarística ». Por isso, as palavras da instituição devem ser, para nós, não apenas uma fórmula de consagração, mas uma « fórmula de vida ».

Uma existência profundamente « agradecida »
2. « Tibi gratias agens benedixit... ». Em cada Missa, recordamos e revivemos o primeiro sentimento expresso por Jesus quando partiu o pão: o sentimento de ação de graças. O agradecimento é a atitude que está na base do próprio termo « Eucaristia ». Dentro deste gesto de gratidão, vem confluir toda a espiritualidade bíblica do louvor pelas mirabilia Dei. Deus ama-nos, precede-nos com a sua Providência, acompanha-nos com intervenções contínuas de salvação.
Na Eucaristia, Jesus agradece ao Pai conosco e por nós. Como poderia esta acção de graças de Jesus deixar de plasmar a vida do sacerdote? Este sabe que deve cultivar um espírito constantemente agradecido pelos numerosos dons recebidos ao longo da sua existência, particularmente pelo dom da fé, da qual se tornou arauto, e pelo dom do sacerdócio, que o consagra inteiramente ao serviço do Reino de Deus. Temos as nossas cruzes — e não somos certamente os únicos a havê-las! — mas os dons recebidos são tão grandes que não podemos deixar de cantar, do fundo do coração, o nosso Magnificat. Uma existência « doada »

3. « Accipite et manducate... Accipite et bibite... ». 
A auto-doação de Cristo, que tem a sua fonte na vida trinitária do Deus-Amor, atinge a sua expressão mais alta no sacrifício da Cruz, cuja antecipação sacramental é a Última Ceia. Não é possível repetir as palavras da consagração sem sentir-se implicado neste movimento espiritual. Em certo sentido, o sacerdote deve aprender a dizer, com verdade e generosidade, também de si próprio: « tomai e comei ». De facto, a sua vida tem sentido, se ele souber fazer-se dom, colocando-se à disposição da comunidade e ao serviço de qualquer pessoa que passe necessidade.
Era isto precisamente que Jesus esperava dos seus apóstolos, como sublinha o evangelista João ao narrar o lava-pés. O mesmo espera do sacerdote o Povo de Deus. Pensando bem, a obediência, a que ele se comprometeu no dia da Ordenação e cuja promessa é convidado a renovar na Missa Crismal, é ilustrada por esta relação com a Eucaristia. Obedecendo por amor, renunciando mesmo a legítimos espaços de liberdade quando se trata de aderir a um autorizado discernimento dos Bispos, o sacerdote realiza na própria carne aquele « tomai e comei » de Cristo, quando, na Última Ceia, Se entregou a Si próprio à Igreja.

Uma existência « salvada » para salvar
4. « Hoc est enim corpus meum quod pro vobis tradetur ». O corpo e o sangue de Cristo são entregues para a salvação do homem, do homem todo e de todos os homens. É uma salvação integral e simultaneamente universal, porque não há homem — salvo livre ato de recusa — que esteja excluído da força salvadora do sangue de Cristo: « qui pro vobis e pro multis effundetur ». Trata-se dum sacrifício oferecido por « muitos », como se lê no texto bíblico (Mc 14, 24; Mt 26, 28; cf. Is 53, 11-12) com uma típica figura literária semita que, aliando dois opostos — no nosso caso, a multidão abrangida pela salvação e um só, Cristo, que a realizou —, indica a totalidade do seres humanos aos quais a salvação é oferecida: é sangue « derramado por vós e por todos », como legitimamente se explicita nalgumas traduções. A carne de Cristo é realmente entregue « pela vida do mundo » (Jo 6, 51; cf. 1 Jo 2, 2).
Ao repetirmos, num silencioso recolhimento da assembleia litúrgica, as venerandas palavras de Cristo, nós, sacerdotes, tornamo-nos arautos privilegiados deste mistério de salvação. Mas como podemos sê-lo eficazmente, sem nos sentirmos nós mesmos salvados? Nós somos os primeiros cujo íntimo é alcançado pela graça, que, libertando-nos das nossas fragilidades, nos faz gritar « Abbá, Pai », com a confiança própria de filhos (cf. Gal 4, 6; Rm 8, 15). E isto obriga-nos a avançar no caminho da perfeição. De facto, a santidade é a manifestação plena da salvação. Só vivendo como salvados é que nos tornamos arautos credíveis da salvação. Por outro lado, cada vez que tomamos consciência da vontade de Cristo de oferecer a todos a salvação, não pode deixar de se reavivar no nosso espírito o ardor missionário, incitando cada um de nós a fazer-se « tudo, para todos, para salvar alguns a todo o custo » (1 Cor 9, 22).

Uma existência « evocativa »
5. « Hoc facite in meam commemorationem ». Estas palavras de Jesus foram conservadas por Lucas (22, 19) e também por Paulo (1 Cor 11, 24). O contexto em que foram pronunciadas — é bom tê-lo presente — é o da ceia pascal, que, para os hebreus, era precisamente um « memorial » (zikkarôn, em hebraico). Naquela circunstância, os israelitas reviviam antes de mais nada o Êxodo, mas, com ele, lembravam também os outros acontecimentos importantes da sua história: a vocação de Abraão, o sacrifício de Isaac, a aliança do Sinai, as numerosas intervenções de Deus em defesa do seu povo. Também para os cristãos a Eucaristia é « memorial », e numa medida incomparável: não se limita a recordar, mas atualiza sacramentalmente a morte e ressurreição do Senhor.
Além disso queria sublinhar que Jesus disse: « Fazei isto em memória de Mim ». Por isso, a Eucaristia não recorda simplesmente um facto; recorda-o a Ele! Para o sacerdote, o facto de repetir cada dia, in persona Christi, as palavras do « memorial » é um convite a desenvolver uma « espiritualidade da memória ». Num tempo de rápidas mudanças culturais e sociais que afrouxam o sentimento da tradição e deixam, sobretudo as novas gerações, expostas ao risco de perderem a ligação com as próprias raízes, o sacerdote é chamado a ser, na comunidade que lhe está confiada, o homem com a memória fiel de Cristo e de todo o seu mistério: a sua prefiguração no Antigo Testamento, a sua realização no Novo, o seu aprofundamento progressivo sob a guia do Espírito, segundo esta promessa explícita: Ele « ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito » (Jo 14, 26).

Uma existência « consagrada »
6. « Mysterium fidei! ». Com esta exclamação, o sacerdote exprime, depois de cada vez que consagra o pão e o vinho, o seu assombro sempre renovado pelo prodígio extraordinário que se realizou nas suas mãos. É um prodígio que só os olhos da fé podem enxergar. Os elementos naturais não perdem as suas características externas, dado que as « espécies » continuam a ser as do pão e do vinho; mas a sua « substância », pelo poder da palavra de Cristo e da ação do Espírito Santo, converte-se na substância do corpo e do sangue de Cristo. Assim, sobre o altar, está « verdadeira, real e substancialmente » presente Cristo morto e ressuscitado, com toda a sua humanidade e divindade. Trata-se, portanto, de realidade eminentemente sagrada! Por isso, a Igreja circunda de tanta reverência este Mistério, e vigia atentamente por que sejam observadas as normas litúrgicas que tutelam a santidade de tão grande Sacramento.
Nós, sacerdotes, somos os celebrantes, mas também os guardiões deste sacrossanto Mistério. Da nossa relação com a Eucaristia deriva também a exigência da condição « sagrada » da nossa vida, que deve transparecer em todo o nosso modo de ser, e primariamente no modo de celebrar. Para isso, vamos à escola dos Santos! Este Ano da Eucaristia convida-nos a redescobrir os Santos que deram provas duma devoção particularmente intensa à Eucaristia (cf. Carta Apostólica Mane nobiscum Domine, 31). Disso mesmo, deram exemplar testemunho muitos sacerdotes beatificados e canonizados, suscitando grande fervor nos fiéis que presenciavam as suas Missas. Muitos se distinguiram por uma prolongada adoração eucarística. Permanecer diante de Jesus Eucaristia, valer-se, em certo sentido, das nossas « solidões » para enchê-las desta Presença, significa conferir à nossa consagração todo o calor da intimidade com Cristo, donde recebe alegria e sentido a nossa vida.

Uma existência voltada para Cristo
7. « Mortem tuam annuntiamus, Domine, et tuam resurrectionem confitemur, donec venias ». Sempre que celebramos a Eucaristia, a memória de Cristo no seu mistério pascal torna-se anseio do encontro pleno e definitivo com Ele. Vivemos na expectativa da sua vinda. Na espiritualidade sacerdotal, esta tensão deve ser vivida sob a forma própria da caridade pastoral, que nos obriga a viver no meio do Povo de Deus para orientar o seu caminho e nutrir a sua esperança. Trata-se duma tarefa que requer do sacerdote uma atitude interior semelhante à que o apóstolo Paulo vivia dentro de si mesmo: « Esquecendo-me do que fica para trás e avançando para o que está adiante, prossigo em direção à meta... » (Fil 3, 13-14). O sacerdote é alguém que, não obstante o passar dos anos, continua a irradiar juventude, de certo modo « contagiando » com ela as pessoas que encontra no seu caminho. O seu segredo está na « paixão » que sente por Cristo. São Paulo dizia: « Para mim, o viver é Cristo » (Fil 1, 21).
Sobretudo no contexto da nova evangelização, as pessoas têm direito de dirigir-se aos sacerdotes com a esperança de « ver » a Cristo neles (cf. Jo 12, 21). Sentem necessidade disso particularmente os jovens, que Cristo continua a chamar a Si para fazer deles seus amigos e propor a alguns a doação total à causa do Reino. Não hão de certamente faltar as vocações, se subirmos de tom a nossa vida sacerdotal, se formos mais santos, mais alegres, se nos mostrarmos mais apaixonados no exercício do nosso ministério. Um sacerdote « conquistado » por Cristo (cf. Fil 3, 12) pode mais facilmente « conquistar » outros para a opção de fazerem a mesma aventura.

Uma existência « eucarística » na escola de Maria
8. Muito íntima é a relação da Virgem Santíssima com a Eucaristia, como recordei na encíclica Ecclesia de Eucharistia (cf. nn. 53-58). Todas as anáforas eucarísticas, embora na sobriedade própria da linguagem litúrgica, sempre o sublinham. Assim, no Cânone Romano, dizemos: « Em comunhão com toda a Igreja veneramos a memória da gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe do nosso Deus e Senhor Jesus Cristo ». Noutras Orações Eucarísticas, como por exemplo na II Anáfora, a veneração transforma-se em súplica: « Dai-nos a graça de participar na vida eterna, com a Virgem Maria, Mãe de Deus ».
Ao insistir nestes anos sobre a contemplação do rosto de Cristo — especialmente nas cartas apostólicas Novo millennio ineunte (cf. nn. 23ss.) e Rosarium Virginis Mariæ (cf. nn. 9ss.) — indiquei Maria como a mestra mais experimentada. Depois, na encíclica sobre a Eucaristia, apresentei-a como « Mulher eucarística » (cf. n. 53). Quem pode, melhor do que Maria, fazer-nos saborear a grandeza do mistério eucarístico? Ninguém pode, como Ela, ensinar-nos com quanto fervor devemos celebrar os santos Mistérios e determo-nos em companhia do seu Filho escondido sob as espécies eucarísticas. Por isso, a Ela vos recordo a todos, entrego-Lhe especialmente os mais idosos, os doentes, quantos se encontram em dificuldade. Nesta Páscoa do Ano da Eucaristia, apraz-me fazer ressoar para cada um de vós a doce e reconfortante declaração de Jesus: « Eis a tua Mãe » (Jo 19, 27).
Com estes sentimentos, de coração vos abençoo a todos, desejando-vos uma profunda alegria pascal.
Da Policlínica Gemelli em Roma, 13 de Março – V domingo da Quaresma – do ano 2005, vigésimo sétimo de Pontificado.
JOÃO PAULO II










quarta-feira, 17 de junho de 2015

ORDEM DO CARMO: Um olhar sobre os Carmelitas.

ORDEM DOS CARMELITAS (sigla: O.Carm.)
Única nascida na Terra Santa, tem o nome oficial de ORDEM DOS IRMÃOS DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA DO MONTE CARMELO

Frei Pedro Caxito O. Carm. In Memoriam. (São Romão-MG. *31/12/1926. São Paulo. + 02 / 09/ 2009).

CARISMA - "Viver no seguimento e serviço de Jesus, empenhando-se na busca do rosto do Deus Vivo (dimensão contemplativa), na fraternidade e no serviço em favor dos irmãos (diaconia) no meio do povo", a exemplo de Maria, Mãe de Jesus, e do Profeta Elias.

ORIGEM - Era tempo de heroísmos e luta pela reconquista da Terra Santa, a serviço do Senhor e da Senhora do lugar, Jesus e Maria. Era o tempo da 1ª Cruzada e do Reino Cristão de Jerusalém (1096-1187): para lá sentiram-se atraídos "eremitas, penitentes, peregrinos, pessoas a Deus consagradas e, naturalmente... soldados"; também bispos, abades, cônegos, clérigos, monges, comerciantes, pobres e ricos, nobres e mendigos, e até mesmo adolescentes e crianças. E então muitos foram viver como eremitas no desprendimento, junto aos lugares mais santos: ansiavam por um deserto cheio de Deus.
            Infelizmente, veio a Batalha de Hattin (em 1187) e perdeu-se o Reino de Jerusalém. Em 1191, porém, Ricardo, Coração de Leão, firmou um armistício com Saladino, o vencedor de Hattin, e a região do Carmelo ficou liberada para os Cristãos: por aqui e por ali estabeleceram-se os eremitas. Não já da violência esperavam a vitória, mas da oração no silêncio, na serenidade, e - à imitação de Paulo - no trabalho, revestidos com a "armadura de Deus" e, de pé, na luta contra os espíritos do mal.
            De onde vieram? Quantos eram? Quem eram? Bertoldo? Bernardo? Boemundo? Balduíno? Brocardo? O que é certo é que o Carmelo foi bom demais para eles com tantas grutas naturais e a possibilidade de cavar outras no calcário como favos de alguma colmeia. Ali, junto à fonte de Elias, gozavam das proximidades de Nazaré, onde Jesus cresceu, e de Séforis, onde moravam Ana e Joaquim e nasceu Maria: viviam na lembrança e no espírito de Elias, profeta de Deus, felizes por acolher a Mãe de Jesus e o Profeta como seu modelo e causa exemplar. "Destilavam a doçura do mel da contemplação", "vivendo dia e noite em oração a meditar na Lei do Senhor", buscando "oferecer a Deus um coração santo, purificado com o auxílio da divina graça" e, "sendo Deus servido, não só depois da morte, mas já nesta vida mortal saborear de algum modo no coração e experimentar no espírito os efeitos da presença divina e as doçuras da glória celeste".

QUEM OS REUNIU ? - Alberto, Patriarca de Jerusalém, os reuniu num grupo harmonioso e, entre 1206 e 1214, deu-lhes uma "forma de vida" respigada nas Escrituras. Na palavra clarividente de Santa Teresa: "Desta casta vimos nós, daqueles nossos santos Padres do Monte Carmelo, que em tão grande soledade e com tanto desprezo do mundo buscavam este tesouro, esta pérola preciosa": a contempla-ção. De tronco tão vigoroso brotaram ramos florescentes.
MIGRAÇÃO - Devido às perseguições muçulmanas, buscaram o seu Ocidente, e ali cresceram e se propagaram: então, como Elias, sem deixar o Carmelo interior, decidiram estar no meio do povo e, como mendicantes, "pobres de Javé", imitar Elias e Maria, filha do Povo, a Filha de Sião, que os gerou e protegia com muito amor! Nesta espiritualidade tão robusta beberam Simão Stock, Alberto da Sicília, Pedro Tomás, André Corsini, Joana de Tolosa, Nuno Álva-res, Batista Mantuano, João Soreth, Teresa de Ávila, João da Cruz, Maria Madalena de Pazzi e muitíssimos outros. Por isso nós, ramos do Carmelo Primitivo, estamos, desde o 4º centenário da santa morte de João da Cruz (1591-1991), vivendo e convivendo mais o que nos une do que tudo o que nos separou. Segundo Tito Brandsma, somos para Maria outros Jesus, e por Maria geramos Cristo na História do mundo: somos Jesus para os outros. O nosso Geral, José Chalmers, aconselha-nos: "Não só trabalhar para Deus, mas fazer também os trabalhos de Deus, aqueles que Deus espera!".

NO BRASIL - Em 1250, os Cavaleiros da Ordem do Santo Sepulcro trouxeram-nos do Carmelo para Moura, em Portugal, e de Moura o Santo Condestável Nuno Álvares Pereira levou-nos para Lisboa. Portugal tornou-se uma Província fervorosa, elogiada pelos Padres Gerais Reformadores, Audet (1531) e Rossi (1566), aquele que dizia a Teresa fundasse tantos Carmelos Reformados quantos fossem os cabelos da sua cabeça. Desta Província, "no ano de 1581, vieram em companhia de Frutuoso Barbosa, que vinha povoar o Rio da Paraíba, três Frades do Carmo", conta-nos o Bem-Aventurado José de Anchieta. E até o final deste século da Descoberta do Brasil, estávamos estabelecidos em Olinda, Bahia, Rio de Janeiro, Santos e São Paulo, e depois continuamos pelo Brasil, em cidades, vilas e missões, no sul, norte e nordeste, onde propagamos a fé e evangelizamos os povos, alargando mesmo as fronteiras nas regiões setentrional e ocidental dos rios Amazonas, Negro e Branco, onde lançamos os fundamentos de muitas futuras cidades.

HOJE - Hoje, no Brasil, somos 2 Províncias e 1 Comissariado (província em preparação) com 31 conventos ou casas em Brasília (DF) e nos Estados da Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rondônia e São Paulo, 3 Mosteiros de Monjas de vida contemplativa, quatro Congregações de Irmãs de vida ativa: Irmãs do Instituto de Nossa Senhora do Carmo (1854), Irmãs Carmelitas da Divina Providência (1899 - fundação brasileira), Irmãs Carmelitas Missionárias de Santa Teresinha do Menino Jesus (1925), Irmãs Missionárias Carmelitas de Jesus (1938 - fundação brasileira) e ainda as Trabalhadoras Missionárias "Donum Dei", da Ordem Terceira do Carmo, fundadas pelo santo e piedoso Pe. Marcelo Roussel em 1950.

NO MUNDO - No final do século XIII, no ano de 1300, eram uns 180 os conventos, onde vivíamos: na Alemanha, Bélgica, Chipre, Escócia, Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Itália, País de Gales e Portugal.  Hoje estamos nos cinco continentes: na Alemanha, Argentina, Austrália, Bolívia, Brasil, Burquina Fasso, Colômbia, Escócia, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, França, Holanda, Índia, Indonésia, Inglaterra, Irlanda, Itália, Malta, México, Moçambique, Peru, Polônia, Porto Rico, Portugal, Quênia, Repúblicas Checa, do Congo, de São Domingos, Romênia, Trindade e Tobago, Ucrânia, Venezuela, Vietnã e Zimbábue. Em 31 de dezembro de 1998 éramos 2.059 frades.
            Somos a Família Carmelitana: Ordem 1ª (frades), Ordem 2ª (monjas), Ordem 3ª regular (freiras) ou secular (solteiros e casados, jovens e adultos), Devotos do Escapulário e Amigos do Carmo e seu carisma. Diz nosso Geral: "Estamos com 72 mosteiros de Monjas Carmelitas, ao redor do mundo, e 15 Congregações afi-liadas, e também, mais ou menos, 30.000 irmãos e irmãs do laica-to, que assumiram algum tipo de compromisso público de viver os valores da nossa espiritualidade. Há vários grupos que, no momen-to, estão pedindo sua afiliação à Ordem".


QUE FAZEMOS ? - Fiéis ao espírito da Ordem e ao carisma pessoal, humildemente, como lhes inspira o Espírito do Senhor, alguns, por meio de retiros, encontros espirituais e missões... e o exemplo, transmitem a alegria de procurar o Deus Vivo até encontrá-lo e deixá-lo ser Deus em nós, para viver com Ele uma união cada vez mais íntima e frutuosa, orando pelo bem do Povo; todos anunciam Maria, que pelo seu escapulário se consagra a todos com amor de Mãe e, feliz, recebe de todos a consagração de filhos; outros vivem a vida paroquial com as suas pastorais; outros dedicam-se ao ensino, principalmente da Bíblia; outros, à opção preferencial pelos pobres, inserindo-se entre os moradores de favelas ou de cortiços, ou zelando pelos meninos de rua, mas também levando a Palavra de Deus, o sentido da vida, a fortaleza na luta e a confiança no Senhor; outros, ainda, vão para outros continentes ou regiões mais necessitadas de fé ou, talvez, de esperança e amor, para levar-lhes o Evangelho da alegria e do amor de Deus e do irmão, "com Justiça e Paz". Somos assim! Gostou?! Venha!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Pesquisa revela mudança no perfil de padre brasileiro

Religiosos oriundos de ordens e congregações cedem espaço para sacerdotes com estilo mais 'profissional'.
Dados também indicam que igreja tem revertido tendência de encolhimento do número de padres

A Igreja Católica no Brasil mudou nos últimos 40 anos.
Deixou de ser formada em sua maioria pelo tradicional religioso das ordens e congregações, que é obrigado a fazer o voto de pobreza, para dar lugar ao chamado padre de paróquia, que tem pensão, benefícios, costumes e estilo de vida menos restritivos.
Censo do Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais da Igreja Católica revela que o número dos chamados "padres paroquiais" teve um aumento de 180% desde 1970, enquanto o de "padres religiosos" não se alterou.
Com isso, a proporção se inverteu. Os "religiosos", que representavam 61,50% da base da igreja, formam agora 36% do clero. Os paroquiais, 64% de um total de 22 mil.
Os números mostram também que a igreja tem revertido a tendência de encolhimento, ampliando a proporção de padre por habitante.

VOTOS

A principal diferença entre os dois tipos de padre está no voto de pobreza dos membros das congregações.
"O religioso tem que provar para o seu superior que tem a necessidade de possuir um bem. Não pode adquirir por si mesmo", explica Valeriano dos Santos Costa, diretor da Faculdade de Teologia da PUC-SP e padre paroquial.
Segundo ele, as restrições podem afastar os candidatos, pois muitos já chegam com ensino superior concluído. "Estamos em mundo muito mais liberal. É preciso ter estrutura para viver desse modo", afirma.
Ele lembra, entretanto, que as ordens em regra possuem considerável patrimônio.
A instituição que Valeriano dirige é responsável por uma das etapas de formação dos sacerdotes.
De acordo com ele, a média de idade das turmas é de 28 anos, mas existem alunos com mais de 40 anos.
O envelhecimento dos candidatos ao sacerdócio é um dos fatores que, entre outros, são apontados para explicar a mudança no perfil.
Valeriano cita, por exemplo, que não existem mais os seminários exclusivos para adolescentes.
Nome mais conhecido da igreja no Brasil, o "paroquial" Marcelo Rossi virou padre aos 27 anos.
Padre da Ordem do Carmo em São Paulo, frei Petrônio Miranda, 44, reconhece que a vida no convento tem mais exigências. "Temos uma formação mais longa." O convento onde vive já abrigou 60 frades, mas hoje conta com três padres e quatro alunos.
O professor da USP Flávio Pierucci, especialista em religião, diz que o crescimento dos padres de paróquia pode fortalecer a cúpula da Igreja Católica, pois os "religiosos" não estão vinculados ao poder dos bispos.
Para o padre José Carlos Pereira, doutor em sociologia pela PUC-SP, é comum ainda que candidatos a padre busquem a igreja como oportunidade de carreira e status social. "Padre nunca fica 'desempregado'", diz.
Ao ser responsável por uma paróquia, o sacerdote tem direito a moradia, carro, alimentação, plano de saúde, empregada doméstica e pensão (cerca de R$ 1.866, mas o valor pode variar).
"Os padres que abandonam o sacerdócio alegam mais problemas afetivos que financeiros", diz Pereira.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O Padre, vocação de amor e liberdade


Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, Bispo de Campos

Neste primeiro domingo de agosto celebramos iniciando omês vocacional, o chamado a ser padre. Foram-se os tempos que as famílias se sentiam agraciadas e muito honradas de ter um sacerdote entre os seus membros.
A sociedade valorizava e defendia com afã sincero e arraigado os seus ministros sagrados, pensando certamente na sua proteção e projeção de eternidade. Hoje, estamos numa sociedade secularizada, num mundo pós-cristão e talvez sem transcendência, um mundo neutro e muitas vezes hostil para os sacerdotes. No entanto o que vemos detrás das idolatrias e da busca desenfreada de bens efêmeros éa nostalgia e a saudade de Deus. Hálugar para o Padre neste mundo?
Certamente que sim, porque Deus énecessário, porque todas as pessoas clamam sedentas por um amor que não passa, por conhecer a verdadeira felicidade. Por isso o Padre embora não paparicado como antes éum sinal vivo do que estamos a procurar e não encontramos nas prateleiras midiáticas ou nos Shoopings Centers, ele é a referência do absoluto e do sentido das coisas. Ele é testemunha do essencial, do bom, do belo e do verdadeiro anunciando a pérola de infinito valor: Jesus Cristo.
Que alegria encontrar-se com um Padre que entusiasmado nos coloca na perspectiva do Reino, que nos fascina com as Palavras de Cristo e nos oferece o próprio Cristo na Eucaristia. Quesempre tem tempo para uma conversa, para curar as nossas feridas e nos dar o perdão em nome de Deus. Um irmão entre os irmãos e Pai para todos/as, especialmente dos pobres e desamparados, dos quais ele éo advogado, amigo e defensor incondicional. Num mundo frio, calculista, e por certo líquido temos num Padre a pessoa cujo coração bate em sintonia ao Coração de Jesus, sentimos perto dele o bálsamo e o óleo da misericórdia, da compaixão e do amor que sempre acolhe.
Hoje sem dúvida como em todas as épocas precisamos de padres, porque são indispensáveis, eles sempre estão a nos acompanhar num momento do ciclo da vida, desde o berço atéo túmulo, compartilhando conosco os momentos de alegrias e as perdas, trazendo sempre a presença e a benção de Deus. Gostaria neste ano jubilar de prata afirmar com todas as letras de alto e bom tom, que éuma grandiosa aventura e maravilha ser padre, se mil vezes eu nascesse voltaria com o mesmo entusiasmo ao seminário, para ser somente e unicamente um padre. Deus seja louvado!

sábado, 2 de agosto de 2014

Vocação

Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre

Escreveu o Papa Francisco: “A vocação é fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor de uns aos outros, que se faz serviço recíproco, no contexto de uma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si”.
Todos nós desejamos uma vida bem vivida. Almejamos uma vida com sentido. Nossas buscas, projetos e sonhos se sustentam a partir de um horizonte de vida sólido. A pergunta, talvez, sempre necessária, é: o que significa uma vida, uma existência com sentido? A partir de onde se encontra sentido para a própria vida? Aqui certamente se expressa o nobre, digno e necessário serviço junto, especialmente, a nossos adolescentes de orientar, dialogar e auxiliar; afinal, perceber qual o caminho de vida que vem ao encontro das tendências, dotes e mesmo necessidades pessoais, nem sempre é tarefa fácil.
Uma história, pertencente à tradição hebraica, pode auxiliar na compreensão dos desafios característicos quanto à necessidade de realizar uma opção de vida. Diz a história: “Um certo rabi procurou seu mestre, suplicando-lhe: ‘Indicai-me um caminho universal para o serviço a Deus’. O mestre respondeu: ‘Não se trata de dizer ao homem qual caminho deve percorrer, porque existe uma estrada por meio da qual se segue a Deus por meio do estudo, outra, por meio da oração, e outra, por meio do jejum, e ainda outra comendo! É tarefa de cada homem conhecer bem a direção de qual estrada o atrai, o próprio coração e depois escolher aquela estrada com todas as forças’”.
A pessoa humana é única. Possui uma tarefa intransferível. Cada ser humano é convocado a testemunhar sua irrepetibilidade. Para isso, se faz necessário o conhecimento de si mesmo, das próprias qualidades e tendências essenciais. Considerando esse conjunto de elementos, é possível sondar um caminho de vida.
A escolha de um caminho de vida requer muito mais que a opção por uma determinada profissão. Profissão tem a ver com preparação técnica, competência, eficiência produtiva, ganha-pão, função social, status, reconhecimento externo. Tudo isso pressupõe decisão pessoal, realização, chamado interior, paixão, amor e gosto pelo que se faz, ou seja, pressupõe vocação. Assim, retomando a história da tradição hebraica, pode-se perceber que o “serviço de Deus” requer muito mais que somente profissionalismo. Exige escuta do próprio coração, para conhecer bem a direção de qual estrada ele o atrai.
A vocação se orienta eminentemente para um futuro. Ela se realiza, sim, no presente, mas orientada para um futuro. Por isso, pode-se afirmar que vocação é uma tarefa em constante realização. Da profissão, nos aposentamos. Já aquilo que denominamos vocação perpassa todas as fases da existência.
A escuta do próprio coração requer sintonia, escuta, disposição para acolher aquilo que a vida solicita. Escuta e compreende tal solicitação quem cultiva a afeição, a cordialidade, o amor, o respeito pela própria condição. Para nós, cristãos e cristãs, a condição é de filhos e filhas, seguidores e seguidoras do Senhor, caminho, verdade e vida.
Jesus – caminho, verdade e vida – percorria as cidades e aldeias... Contemplando a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como um rebanho de ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe” (Mt 9,35-38).

Oxalá possamos cooperar para que homens e mulheres, especialmente os adolescentes e jovens, saibam e possam corresponder à vocação recebida, e serem no mundo cooperadores do Senhor na construção do Seu Reino!

Ser padre vocação para servir


Dom Pedro Carlos Cipolini, Bispo de Amparo

Todas as vocações são dadas por Deus e são sublimes. A grande e primeira vocação do ser humano é a filiação divina: tornar-se em Jesus Cristo filhos de Deus. Jesus ensinou a chamar Deus de Pai nosso. Esta vida de amor filial a Deus, portanto, tem como consequência o amor fraternal aos irmãos. Esta é nossa vocação primeira: união com Deus no amor. “O Unigênito Filho de Deus, querendo fazer-nos participantes da sua divindade, assumiu nossa natureza, para que feito homem, dos homens fizesse deuses” (S. Tomás de Aquino, in Op. 57, In festo Corporis Christi, lect. 1-4).
Porém Jesus deixou-nos a Igreja, Povo de Deus que caminha neste mundo; “O Senhor Jesus iniciou sua Igreja pregando a boa nova do Reino de Deus...” (LG n. 5). Na Igreja temos vários carismas e vocações, para múltiplas tarefas que constroem na caridade um novo mundo possível: o Reino de Deus que tem início aqui e se consuma na eternidade. Um destes carismas é o serviço sacerdotal. Ser padre é uma vocação para o serviço. Ser para a comunidade um sinal (sacramento) da presença de Jesus bom pastor no meio de seu povo.
Este ser sinal de Jesus Cristo, é uma vocação, é uma tarefa importante e necessária para o crescimento da Igreja e consequentemente do Reino de Deus, a serviço doa qual está a Igreja. Esta missão deve ser assumida com grande humildade, discernimento e determinação. Ser padre é antes de tudo um serviço de amor (amoris officium). Este serviço de amor é uma doação desinteressada que não tem como objetivo a projeção de si mesmo, nem o lucro pessoal. “Há mais alegria em dar que em receber” (At 20, 35).
Este serviço do padre é sinalizado na “caridade pastoral” a qual se caracteriza pelo conhecimento das ovelhas. Isto não significa conhecer todas as pessoas da paróquia, mas saber e estar consciente de suas dores, angústias, preocupações e alegrias. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas, não se preservando, dando tudo, até mesmo o tempo que sobra. O bom pastor busca as ovelhas desgarradas. Não se trata, creio eu de ir bater à porta das casas, mas ser uma presença visível e acessível para todos.
A condição para isso nós sabemos, esta na intimidade com Jesus Cristo. É Ele que dá força e sustento em meio às dificuldades e contratempos que sobreveem no exercício do ministério. Pois não se pode esquecer que a escolha dos apóstolos é para em primeiro lugar “estar com ele” (cf. Mc 3, 14).
O padre deve ter sempre presente o que escreveu um grande santo e bispo de Milão no terceiro século da Igreja: “O clérigo que serve a Igreja de Cristo deve de início considerar e traduzir o nome que leva e, depois de ter definido esse nome, esforçar-se por ser o que o título exprime. A palavra grega kléros significa parte , porção tirada em sorte: os que levam o nome de clérigos levam-no porque são a parte do Senhor ou porque tem o Senhor por parte. Aquele que professa uma e outra coisa deve mostrar por seu comportamento que possui o Senhor ou que é possuído por Ele. mas aquele que possui o Senhor e diz com o Profeta: O Senhor é minha herança, não pode ter nada além do Senhor”(Santo Ambrósio, Epist. 52,5 ad Nepontianum in- P L 22, 531).
Assim, o significado da palavra clero, que não raro hoje é depreciado, adquire seu verdadeiro sentido: ser uma pessoa livre para servir somente a Deus, e por causa dele servir os irmãos.

No início deste mês de agosto no qual celebramos o padroeiro dos padres, o Santo Cura d´Ars, rezemos pelos nossos padres. Procuremos ajudá-los a viver esta sublime vocação a que foram chamados.

sábado, 12 de julho de 2014

Sem padre não há eucaristia, apaga-se a luz do sacrário. (Ano Vocacional)

Dom Orlando Brandes. Arcebispo de Londrina
Folha de Londrina, 12 de julho de 2014

A Arquidiocese de Londrina está vivendo seu “Ano Vocacional”. O padre é tão necessário para a sociedade como o médico, o prefeito, o professor. Isso porque o ser humano tem uma abertura natural para Deus. A alma humana é imortal e o ser humano é espiritual. O sacerdote é especialista de Deus, o perito nas coisas espirituais, o mestre dos valores humanos, o médico da alma, o representante de Jesus. Todas as religiões têm seus sacerdotes, pastores, religiosos, gurus, diretores espirituais, guias da alma, conselheiros.
Vemos assim que é um ato de justiça e de respeito pela pessoa humana a questão vocacional, pois toda vocação é para a missão. O padre não é padre para si, mas para os outros. Quanto bem o padre faz para a família, as crianças, os jovens, os idosos. Ele é um benfeitor da humanidade.
Por outro lado, Jesus mesmo deixou a sua Igreja nas mãos dos doze Apóstolos que Ele mesmo educou e preparou. O padre é quem leva em frente a encarnação de Jesus. Ele é um “outro Cristo”. É amado, chamado, consagrado e enviado pelo próprio Jesus com a missão de ser o servidor do povo, o promotor da dignidade humana, o portador dos meios de salvação. É homem de Deus para o povo, é o portador da graça.
Precisamos de padres. Isso exige que todos sejamos envolvidos na revitalização vocacional. Sim, vamos rezar pelas vocações, mas precisamos envolver as famílias, os jovens, as crianças, as lideranças, as pastorais, e movimentos, os párocos, o presbitério, os religiosos e religiosas, os diáconos para deslanchar uma revolução vocacional até conseguirmos criar uma “cultura vocacional”. Isso está exigindo de nós um salto vocacional, um entusiasmo e uma mística vocacional até que se organize um marketing vocacional permanente.
Em nossa Igreja Particular esperamos chegar a uma capilaridade vocacional, uma vocacionalização das pastorais, onde todos formaremos um “mutirão vocacional”. Isso tem um preço: atrair a infância missionária, os coroinhas, as crianças da Primeira Eucaristia, os catequizandos, os grupos de jovens, as universidades, as escolas e os profissionais.
Urge tocar nos ombros dos jovens e motivá-los no seguimento de Jesus. É preciso apontar, falar, questionar, atrair, conquistar os vocacionados. Vocação tem tudo a ver com atração. Os pais e os padres são os primeiros promotores vocacionais. Promover vocações é uma urgência para toda a Igreja e uma “prioridade presbiteral inadiável”. Um presbitério alegre e unido é propaganda para vocações sadias, servidoras e santas.
Sem padre não há eucaristia, apaga-se a luz do sacrário, o altar vira uma mesa qualquer. Sem padre não há absolvição dos pecados e o povo de Deus é prejudicado tanto na pastoral como na vida espiritual e existencial. Jesus teve compaixão do povo porque eram ovelhas sem pastor. A Pastoral Vocacional é um gesto de amor pela glória de Deus e de compaixão com o povo. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Pensamento para este dia 17 de outubro-2011...


“O que define a vida de um Padre? Construir igrejas? Ser músico de sucesso? Ser líder da comunidade e movimentos sociais? Ser um grande profissional? Defender uma bandeira política?.. Não, não. O central na vida do sacerdote é se consumir diariamente pela eucaristia”. Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita da Ordem do Carmo.
                                                                      www.youtube.com/olharjornalistico