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CARTA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II AOS
SACERDOTES POR OCASIÃO DA
QUINTA-FEIRA SANTA DE 2005
Queridos
sacerdotes!
1.
Neste Ano da Eucaristia, sinto uma particular alegria em encontrar-me espiritualmente
convosco, como sucede anualmente, por ocasião da Quinta-feira Santa, o dia do
amor de Cristo levado « até ao extremo » (cf. Jo 13, 1), o
dia da Eucaristia, o dia do nosso sacerdócio.
Dirijo-me a
vós, sacerdotes, durante um período de tratamento e recuperação que tive de
passar no hospital, doente entre os doentes, unindo, na Eucaristia, o meu
sofrimento ao de Cristo. Neste espírito, quero refletir convosco sobre alguns
aspectos da nossa espiritualidade sacerdotal.
Irei
fazê-lo, deixando-me guiar pelas palavras da instituição da Eucaristia, as
mesmas que diariamente pronunciamos, in persona Christi, para
tornar presente sobre os nossos altares o sacrifício realizado uma vez por
todas no Calvário; é que de tais palavras brotam indicações de
espiritualidade sacerdotal muito elucidativas: se toda a Igreja vive da
Eucaristia, a existência sacerdotal deve a título especial tomar « forma
eucarística ». Por isso, as palavras da instituição devem ser, para nós, não
apenas uma fórmula de consagração, mas uma « fórmula de vida ».
Uma
existência profundamente « agradecida »
2. « Tibi
gratias agens benedixit... ». Em cada Missa, recordamos e revivemos o
primeiro sentimento expresso por Jesus quando partiu o pão: o sentimento
de ação de graças. O agradecimento é a atitude que está na base
do próprio termo « Eucaristia ». Dentro deste gesto de gratidão, vem confluir
toda a espiritualidade bíblica do louvor pelas mirabilia Dei.
Deus ama-nos, precede-nos com a sua Providência, acompanha-nos com
intervenções contínuas de salvação.
Na Eucaristia,
Jesus agradece ao Pai conosco e por nós. Como poderia esta acção de graças de
Jesus deixar de plasmar a vida do sacerdote? Este sabe que deve cultivar um
espírito constantemente agradecido pelos numerosos dons recebidos ao
longo da sua existência, particularmente pelo dom da fé, da qual se tornou
arauto, e pelo dom do sacerdócio, que o consagra inteiramente ao serviço do
Reino de Deus. Temos as nossas cruzes — e não somos certamente os únicos a
havê-las! — mas os dons recebidos são tão grandes que não podemos deixar de
cantar, do fundo do coração, o nosso Magnificat. Uma
existência « doada »
3. « Accipite
et manducate... Accipite et bibite... ».
A auto-doação de Cristo,
que tem a sua fonte na vida trinitária do Deus-Amor, atinge a sua expressão
mais alta no sacrifício da Cruz, cuja antecipação sacramental é a Última
Ceia. Não é possível repetir as palavras da consagração sem sentir-se
implicado neste movimento espiritual. Em certo sentido, o sacerdote deve
aprender a dizer, com verdade e generosidade, também de si próprio: « tomai e
comei ». De facto, a sua vida tem sentido, se ele souber fazer-se dom,
colocando-se à disposição da comunidade e ao serviço de qualquer pessoa que
passe necessidade.
Era isto
precisamente que Jesus esperava dos seus apóstolos, como sublinha o
evangelista João ao narrar o lava-pés. O mesmo espera do sacerdote o Povo de
Deus. Pensando bem, a obediência, a que ele se comprometeu no dia
da Ordenação e cuja promessa é convidado a renovar na Missa Crismal, é
ilustrada por esta relação com a Eucaristia. Obedecendo por amor, renunciando
mesmo a legítimos espaços de liberdade quando se trata de aderir a um
autorizado discernimento dos Bispos, o sacerdote realiza na própria carne
aquele « tomai e comei » de Cristo, quando, na Última Ceia, Se entregou a Si
próprio à Igreja.
Uma
existência « salvada » para salvar
4. « Hoc est enim corpus meum quod
pro vobis tradetur ». O corpo e o
sangue de Cristo são entregues para a salvação do homem, do homem todo e
de todos os homens. É uma salvação integral e
simultaneamente universal, porque não há homem — salvo livre ato
de recusa — que esteja excluído da força salvadora do sangue de Cristo:
« qui pro vobis e pro multis effundetur ». Trata-se dum
sacrifício oferecido por « muitos », como se lê no texto bíblico (Mc 14,
24; Mt 26, 28; cf. Is 53, 11-12) com uma
típica figura literária semita que, aliando dois opostos — no nosso caso, a
multidão abrangida pela salvação e um só, Cristo, que a realizou —,
indica a totalidade do seres humanos aos quais a salvação é
oferecida: é sangue « derramado por vós e por todos », como
legitimamente se explicita nalgumas traduções. A carne de Cristo é realmente
entregue « pela vida do mundo » (Jo 6, 51; cf. 1 Jo 2,
2).
Ao
repetirmos, num silencioso recolhimento da assembleia litúrgica, as
venerandas palavras de Cristo, nós, sacerdotes, tornamo-nos arautos
privilegiados deste mistério de salvação. Mas como podemos sê-lo
eficazmente, sem nos sentirmos nós mesmos salvados? Nós somos os primeiros
cujo íntimo é alcançado pela graça, que, libertando-nos das nossas
fragilidades, nos faz gritar « Abbá, Pai », com a confiança própria de filhos
(cf. Gal 4, 6; Rm 8, 15). E isto obriga-nos
a avançar no caminho da perfeição. De facto, a santidade é a
manifestação plena da salvação. Só vivendo como salvados é que
nos tornamos arautos credíveis da salvação. Por outro lado, cada vez que
tomamos consciência da vontade de Cristo de oferecer a todos a
salvação, não pode deixar de se reavivar no nosso espírito o ardor
missionário, incitando cada um de nós a fazer-se « tudo, para todos, para
salvar alguns a todo o custo » (1 Cor 9, 22).
Uma
existência « evocativa »
5. « Hoc facite in meam
commemorationem ». Estas palavras de Jesus
foram conservadas por Lucas (22, 19) e também por Paulo (1 Cor 11,
24). O contexto em que foram pronunciadas — é bom tê-lo presente — é o da
ceia pascal, que, para os hebreus, era precisamente um « memorial » (zikkarôn,
em hebraico). Naquela circunstância, os israelitas reviviam antes de mais
nada o Êxodo, mas, com ele, lembravam também os outros acontecimentos
importantes da sua história: a vocação de Abraão, o sacrifício de Isaac, a
aliança do Sinai, as numerosas intervenções de Deus em defesa do seu povo.
Também para os cristãos a Eucaristia é « memorial », e numa medida
incomparável: não se limita a recordar, mas atualiza sacramentalmente a morte
e ressurreição do Senhor.
Além disso
queria sublinhar que Jesus disse: « Fazei isto em memória de Mim ».
Por isso, a Eucaristia não recorda simplesmente um facto; recorda-o a Ele!
Para o sacerdote, o facto de repetir cada dia, in persona Christi,
as palavras do « memorial » é um convite a desenvolver uma « espiritualidade
da memória ». Num tempo de rápidas mudanças culturais e sociais que afrouxam
o sentimento da tradição e deixam, sobretudo as novas gerações, expostas ao
risco de perderem a ligação com as próprias raízes, o sacerdote é chamado a
ser, na comunidade que lhe está confiada, o homem com a memória fiel de
Cristo e de todo o seu mistério: a sua prefiguração no Antigo Testamento, a
sua realização no Novo, o seu aprofundamento progressivo sob a guia do
Espírito, segundo esta promessa explícita: Ele « ensinar-vos-á todas as
coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito » (Jo 14,
26).
Uma
existência « consagrada »
6. « Mysterium
fidei! ». Com esta exclamação, o sacerdote exprime, depois de cada
vez que consagra o pão e o vinho, o seu assombro sempre renovado pelo
prodígio extraordinário que se realizou nas suas mãos. É um prodígio que só
os olhos da fé podem enxergar. Os elementos naturais não perdem as suas
características externas, dado que as « espécies » continuam a ser as do pão
e do vinho; mas a sua « substância », pelo poder da palavra de Cristo e da
ação do Espírito Santo, converte-se na substância do corpo e do sangue de
Cristo. Assim, sobre o altar, está « verdadeira, real e substancialmente »
presente Cristo morto e ressuscitado, com toda a sua humanidade e divindade.
Trata-se, portanto, de realidade eminentemente sagrada! Por isso,
a Igreja circunda de tanta reverência este Mistério, e vigia atentamente por
que sejam observadas as normas litúrgicas que tutelam a santidade de tão
grande Sacramento.
Nós,
sacerdotes, somos os celebrantes, mas também os guardiões deste
sacrossanto Mistério. Da nossa relação com a Eucaristia deriva também a
exigência da condição « sagrada » da nossa vida, que deve transparecer em
todo o nosso modo de ser, e primariamente no modo de celebrar. Para isso,
vamos à escola dos Santos! Este Ano da Eucaristia convida-nos a redescobrir
os Santos que deram provas duma devoção particularmente intensa à Eucaristia
(cf. Carta Apostólica Mane nobiscum Domine, 31). Disso mesmo, deram exemplar testemunho muitos sacerdotes
beatificados e canonizados, suscitando grande fervor nos fiéis que
presenciavam as suas Missas. Muitos se distinguiram por uma prolongada
adoração eucarística. Permanecer diante de Jesus Eucaristia, valer-se, em
certo sentido, das nossas « solidões » para enchê-las desta Presença,
significa conferir à nossa consagração todo o calor da intimidade com Cristo,
donde recebe alegria e sentido a nossa vida.
Uma
existência voltada para Cristo
7. « Mortem
tuam annuntiamus, Domine, et tuam resurrectionem confitemur, donec venias ».
Sempre que celebramos a Eucaristia, a memória de Cristo no seu mistério
pascal torna-se anseio do encontro pleno e definitivo com Ele. Vivemos na expectativa
da sua vinda. Na espiritualidade sacerdotal, esta tensão deve ser
vivida sob a forma própria da caridade pastoral, que nos obriga a
viver no meio do Povo de Deus para orientar o seu caminho e nutrir a sua
esperança. Trata-se duma tarefa que requer do sacerdote uma atitude interior
semelhante à que o apóstolo Paulo vivia dentro de si mesmo: « Esquecendo-me
do que fica para trás e avançando para o que está adiante, prossigo em direção
à meta... » (Fil 3, 13-14). O sacerdote é alguém que,
não obstante o passar dos anos, continua a irradiar juventude, de certo modo
« contagiando » com ela as pessoas que encontra no seu caminho. O seu segredo
está na « paixão » que sente por Cristo. São Paulo dizia: « Para mim,
o viver é Cristo » (Fil 1, 21).
Sobretudo
no contexto da nova evangelização, as pessoas têm direito de dirigir-se aos
sacerdotes com a esperança de « ver » a Cristo neles (cf. Jo 12,
21). Sentem necessidade disso particularmente os jovens, que Cristo continua
a chamar a Si para fazer deles seus amigos e propor a alguns a doação total à
causa do Reino. Não hão de certamente faltar as vocações, se subirmos de tom
a nossa vida sacerdotal, se formos mais santos, mais alegres, se nos
mostrarmos mais apaixonados no exercício do nosso ministério. Um sacerdote «
conquistado » por Cristo (cf. Fil 3, 12) pode mais
facilmente « conquistar » outros para a opção de fazerem a mesma aventura.
Uma
existência « eucarística » na escola de Maria
8. Muito
íntima é a relação da Virgem Santíssima com a Eucaristia, como recordei na
encíclica Ecclesia de Eucharistia (cf. nn. 53-58). Todas as anáforas eucarísticas, embora na
sobriedade própria da linguagem litúrgica, sempre o sublinham. Assim, no
Cânone Romano, dizemos: « Em comunhão com toda a Igreja veneramos a
memória da gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe do nosso Deus e Senhor Jesus
Cristo ». Noutras Orações Eucarísticas, como por exemplo na II
Anáfora, a veneração transforma-se em súplica: « Dai-nos a graça de
participar na vida eterna, com a Virgem Maria, Mãe de Deus ».
Ao insistir
nestes anos sobre a contemplação do rosto de Cristo — especialmente nas
cartas apostólicas Novo millennio ineunte (cf. nn. 23ss.) e Rosarium Virginis Mariæ (cf. nn.
9ss.) — indiquei Maria como a mestra mais experimentada. Depois, na encíclica
sobre a Eucaristia, apresentei-a como « Mulher eucarística » (cf. n. 53). Quem pode,
melhor do que Maria, fazer-nos saborear a grandeza do mistério eucarístico?
Ninguém pode, como Ela, ensinar-nos com quanto fervor devemos celebrar os
santos Mistérios e determo-nos em companhia do seu Filho escondido sob as
espécies eucarísticas. Por isso, a Ela vos recordo a todos, entrego-Lhe
especialmente os mais idosos, os doentes, quantos se encontram em
dificuldade. Nesta Páscoa do Ano da Eucaristia, apraz-me fazer ressoar para
cada um de vós a doce e reconfortante declaração de Jesus: « Eis a tua Mãe »
(Jo 19, 27).
Com estes
sentimentos, de coração vos abençoo a todos, desejando-vos uma profunda
alegria pascal.
Da
Policlínica Gemelli em Roma, 13 de Março – V domingo da Quaresma – do ano
2005, vigésimo sétimo de Pontificado.
JOÃO PAULO
II
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quarta-feira, 29 de julho de 2015
RETIRO DOS CARMELITAS (De 27-31 de julho-2015): Carta de João Paulo II.
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Artigos do Frei Petrônio de Miranda
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quarta-feira, 17 de junho de 2015
ORDEM DO CARMO: Um olhar sobre os Carmelitas.
ORDEM DOS
CARMELITAS (sigla: O.Carm.)
Única nascida na Terra Santa, tem o nome oficial de ORDEM DOS IRMÃOS DA SANTÍSSIMA
VIRGEM MARIA DO MONTE CARMELO
Frei
Pedro Caxito O. Carm. In Memoriam. (São Romão-MG. *31/12/1926. São Paulo. + 02 / 09/ 2009).
CARISMA
- "Viver no seguimento e serviço de Jesus, empenhando-se na busca
do rosto do Deus Vivo (dimensão contemplativa), na fraternidade e no serviço em
favor dos irmãos (diaconia) no meio do povo", a exemplo de Maria,
Mãe de Jesus, e do Profeta Elias.
ORIGEM
- Era tempo de heroísmos e luta pela reconquista da Terra Santa, a serviço do
Senhor e da Senhora do lugar, Jesus e Maria. Era o tempo da 1ª Cruzada e
do Reino Cristão de Jerusalém (1096-1187): para lá sentiram-se atraídos "eremitas,
penitentes, peregrinos, pessoas a Deus consagradas e, naturalmente...
soldados"; também bispos, abades, cônegos, clérigos, monges, comerciantes,
pobres e ricos, nobres e mendigos, e até mesmo adolescentes e crianças. E então
muitos foram viver como eremitas no desprendimento, junto aos lugares mais
santos: ansiavam por um deserto cheio de Deus.
Infelizmente, veio a Batalha de
Hattin (em 1187) e perdeu-se o Reino de Jerusalém. Em 1191, porém, Ricardo,
Coração de Leão, firmou um armistício com Saladino, o vencedor de Hattin, e a
região do Carmelo ficou liberada para os Cristãos: por aqui e por ali
estabeleceram-se os eremitas. Não já da violência esperavam a vitória, mas
da oração no silêncio, na serenidade, e - à imitação de Paulo - no
trabalho, revestidos com a "armadura de Deus" e, de pé, na luta
contra os espíritos do mal.
De onde vieram? Quantos eram? Quem
eram? Bertoldo? Bernardo? Boemundo? Balduíno? Brocardo? O que é certo é que o
Carmelo foi bom demais para eles com tantas grutas naturais e a possibilidade
de cavar outras no calcário como favos de alguma colmeia. Ali, junto à fonte de
Elias, gozavam das proximidades de Nazaré, onde Jesus cresceu, e
de Séforis, onde moravam Ana e Joaquim e nasceu Maria: viviam na
lembrança e no espírito de Elias, profeta de Deus, felizes por acolher a
Mãe de Jesus e o Profeta como seu modelo e causa exemplar.
"Destilavam a doçura do mel da contemplação", "vivendo dia
e noite em oração a meditar na Lei do Senhor", buscando "oferecer
a Deus um coração santo, purificado com o auxílio da divina graça" e, "sendo
Deus servido, não só depois da morte, mas já nesta vida mortal saborear de
algum modo no coração e experimentar no espírito os efeitos da presença divina
e as doçuras da glória celeste".
QUEM OS REUNIU ? - Alberto, Patriarca de Jerusalém, os reuniu num
grupo harmonioso e, entre 1206 e 1214, deu-lhes uma "forma de vida"
respigada nas Escrituras. Na palavra clarividente de Santa Teresa: "Desta
casta vimos nós, daqueles nossos santos Padres do Monte Carmelo, que em tão
grande soledade e com tanto desprezo do mundo buscavam este tesouro, esta
pérola preciosa": a contempla-ção. De tronco tão vigoroso brotaram
ramos florescentes.
MIGRAÇÃO
- Devido às perseguições muçulmanas, buscaram o seu Ocidente, e ali cresceram e
se propagaram: então, como Elias, sem deixar o Carmelo interior,
decidiram estar no meio do povo e, como mendicantes, "pobres de
Javé", imitar Elias e Maria, filha do Povo, a Filha de Sião,
que os gerou e protegia com muito amor! Nesta espiritualidade tão robusta
beberam Simão Stock, Alberto da Sicília, Pedro Tomás, André Corsini, Joana de
Tolosa, Nuno Álva-res, Batista Mantuano, João Soreth, Teresa de Ávila, João da
Cruz, Maria Madalena de Pazzi e muitíssimos outros. Por isso nós, ramos do
Carmelo Primitivo, estamos, desde o 4º centenário da santa morte de João da
Cruz (1591-1991), vivendo e convivendo mais o que nos une do que tudo o que nos
separou. Segundo Tito Brandsma, somos para Maria outros Jesus, e por Maria
geramos Cristo na História do mundo: somos Jesus para os outros. O nosso Geral,
José Chalmers, aconselha-nos: "Não só trabalhar para Deus, mas fazer também
os trabalhos de Deus, aqueles que Deus espera!".
NO BRASIL
- Em 1250, os Cavaleiros da Ordem do Santo Sepulcro trouxeram-nos do Carmelo
para Moura, em Portugal, e de Moura o Santo Condestável Nuno Álvares Pereira
levou-nos para Lisboa. Portugal tornou-se uma Província fervorosa, elogiada
pelos Padres Gerais Reformadores, Audet (1531) e Rossi (1566), aquele que dizia
a Teresa fundasse tantos Carmelos Reformados quantos fossem os cabelos da sua
cabeça. Desta Província, "no ano de 1581, vieram em companhia de
Frutuoso Barbosa, que vinha povoar o Rio da Paraíba, três Frades do
Carmo", conta-nos o Bem-Aventurado José de Anchieta. E até o final deste
século da Descoberta do Brasil, estávamos estabelecidos em Olinda, Bahia, Rio
de Janeiro, Santos e São Paulo, e depois continuamos pelo Brasil, em cidades,
vilas e missões, no sul, norte e nordeste, onde propagamos a fé e evangelizamos
os povos, alargando mesmo as fronteiras nas regiões setentrional e ocidental
dos rios Amazonas, Negro e Branco, onde lançamos os fundamentos de muitas
futuras cidades.
HOJE
- Hoje, no Brasil, somos 2 Províncias e 1 Comissariado (província em
preparação) com 31 conventos ou casas em Brasília (DF) e nos Estados da Bahia,
Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro,
Rondônia e São Paulo, 3 Mosteiros de Monjas de vida contemplativa, quatro
Congregações de Irmãs de vida ativa: Irmãs do Instituto de Nossa Senhora do
Carmo (1854), Irmãs Carmelitas da Divina Providência (1899 - fundação brasileira),
Irmãs Carmelitas Missionárias de Santa Teresinha do Menino Jesus (1925), Irmãs
Missionárias Carmelitas de Jesus (1938 - fundação brasileira) e ainda as
Trabalhadoras Missionárias "Donum Dei", da Ordem Terceira do Carmo,
fundadas pelo santo e piedoso Pe. Marcelo Roussel em 1950.
NO MUNDO
- No final do século XIII, no ano de 1300, eram uns 180 os conventos, onde
vivíamos: na Alemanha, Bélgica, Chipre, Escócia, Espanha, França, Holanda,
Inglaterra, Irlanda, Itália, País de Gales e Portugal. Hoje estamos nos cinco continentes: na
Alemanha, Argentina, Austrália, Bolívia, Brasil, Burquina Fasso, Colômbia,
Escócia, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, França, Holanda, Índia, Indonésia,
Inglaterra, Irlanda, Itália, Malta, México, Moçambique, Peru, Polônia, Porto
Rico, Portugal, Quênia, Repúblicas Checa, do Congo, de São Domingos, Romênia,
Trindade e Tobago, Ucrânia, Venezuela, Vietnã e Zimbábue. Em 31 de dezembro de
1998 éramos 2.059 frades.
Somos a Família Carmelitana:
Ordem 1ª (frades), Ordem 2ª (monjas), Ordem 3ª regular (freiras) ou secular
(solteiros e casados, jovens e adultos), Devotos do Escapulário e Amigos do
Carmo e seu carisma. Diz nosso Geral: "Estamos com 72 mosteiros de Monjas
Carmelitas, ao redor do mundo, e 15 Congregações afi-liadas, e também, mais ou
menos, 30.000 irmãos e irmãs do laica-to, que assumiram algum tipo de
compromisso público de viver os valores da nossa espiritualidade. Há vários
grupos que, no momen-to, estão pedindo sua afiliação à Ordem".
QUE FAZEMOS ? - Fiéis ao espírito da Ordem e ao carisma pessoal,
humildemente, como lhes inspira o Espírito do Senhor, alguns, por meio de
retiros, encontros espirituais e missões... e o exemplo, transmitem a alegria
de procurar o Deus Vivo até encontrá-lo e deixá-lo ser Deus em nós,
para viver com Ele uma união cada vez mais íntima e frutuosa, orando pelo bem
do Povo; todos anunciam Maria, que pelo seu escapulário se consagra a
todos com amor de Mãe e, feliz, recebe de todos a consagração de filhos;
outros vivem a vida paroquial com as suas pastorais; outros dedicam-se ao
ensino, principalmente da Bíblia; outros, à opção preferencial pelos pobres,
inserindo-se entre os moradores de favelas ou de cortiços, ou zelando pelos
meninos de rua, mas também levando a Palavra de Deus, o sentido da vida, a
fortaleza na luta e a confiança no Senhor; outros, ainda, vão para outros
continentes ou regiões mais necessitadas de fé ou, talvez, de esperança e amor,
para levar-lhes o Evangelho da alegria e do amor de Deus e do irmão, "com
Justiça e Paz". Somos assim! Gostou?! Venha!
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Artigos do Frei Petrônio de Miranda
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Pesquisa revela mudança no perfil de padre brasileiro
Religiosos
oriundos de ordens e congregações cedem espaço para sacerdotes com estilo mais
'profissional'.
Dados
também indicam que igreja tem revertido tendência de encolhimento do número de
padres
A
Igreja Católica no Brasil mudou nos últimos 40 anos.
Deixou de ser formada em sua maioria
pelo tradicional religioso das ordens e congregações, que é obrigado a fazer o
voto de pobreza, para dar lugar ao chamado padre de paróquia, que tem pensão,
benefícios, costumes e estilo de vida menos restritivos.
Censo do Centro de Estatísticas
Religiosas e Investigações Sociais da Igreja Católica revela que o número dos
chamados "padres paroquiais" teve um aumento de 180% desde 1970,
enquanto o de "padres religiosos" não se alterou.
Com isso, a proporção se inverteu. Os
"religiosos", que representavam 61,50% da base da igreja, formam
agora 36% do clero. Os paroquiais, 64% de um total de 22 mil.
Os números mostram também que a igreja
tem revertido a tendência de encolhimento, ampliando a proporção de padre por
habitante.
VOTOS
A principal diferença entre os dois
tipos de padre está no voto de pobreza dos membros das congregações.
"O religioso tem que provar para o
seu superior que tem a necessidade de possuir um bem. Não pode adquirir por si
mesmo", explica Valeriano dos Santos Costa, diretor da Faculdade de
Teologia da PUC-SP e padre paroquial.
Segundo ele, as restrições podem afastar
os candidatos, pois muitos já chegam com ensino superior concluído.
"Estamos em mundo muito mais liberal. É preciso ter estrutura para viver
desse modo", afirma.
Ele lembra, entretanto, que as ordens em
regra possuem considerável patrimônio.
A instituição que Valeriano dirige é
responsável por uma das etapas de formação dos sacerdotes.
De acordo com ele, a média de idade das
turmas é de 28 anos, mas existem alunos com mais de 40 anos.
O envelhecimento dos candidatos ao
sacerdócio é um dos fatores que, entre outros, são apontados para explicar a
mudança no perfil.
Valeriano cita, por exemplo, que não
existem mais os seminários exclusivos para adolescentes.
Nome mais conhecido da igreja no Brasil,
o "paroquial" Marcelo Rossi virou padre aos 27 anos.
Padre da Ordem do Carmo em São Paulo,
frei Petrônio Miranda, 44, reconhece que a vida no convento tem mais
exigências. "Temos uma formação mais longa." O convento onde vive já
abrigou 60 frades, mas hoje conta com três padres e quatro alunos.
O professor da USP Flávio Pierucci,
especialista em religião, diz que o crescimento dos padres de paróquia pode
fortalecer a cúpula da Igreja Católica, pois os "religiosos" não
estão vinculados ao poder dos bispos.
Para o padre José Carlos Pereira, doutor
em sociologia pela PUC-SP, é comum ainda que candidatos a padre busquem a
igreja como oportunidade de carreira e status social. "Padre nunca fica
'desempregado'", diz.
Ao ser responsável por uma paróquia, o
sacerdote tem direito a moradia, carro, alimentação, plano de saúde, empregada
doméstica e pensão (cerca de R$ 1.866, mas o valor pode variar).
"Os padres que abandonam o
sacerdócio alegam mais problemas afetivos que financeiros", diz Pereira.
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Artigos do Frei Petrônio de Miranda
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segunda-feira, 4 de agosto de 2014
O Padre, vocação de amor e liberdade
Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, Bispo
de Campos
Neste primeiro
domingo de agosto celebramos iniciando omês vocacional, o chamado a ser padre.
Foram-se os tempos que as famílias se sentiam agraciadas e muito honradas de
ter um sacerdote entre os seus membros.
A sociedade
valorizava e defendia com afã sincero e arraigado os seus ministros sagrados,
pensando certamente na sua proteção e projeção de eternidade. Hoje, estamos
numa sociedade secularizada, num mundo pós-cristão e talvez sem transcendência,
um mundo neutro e muitas vezes hostil para os sacerdotes. No entanto o que
vemos detrás das idolatrias e da busca desenfreada de bens efêmeros éa
nostalgia e a saudade de Deus. Hálugar para o Padre neste mundo?
Certamente que
sim, porque Deus énecessário, porque todas as pessoas clamam sedentas por um
amor que não passa, por conhecer a verdadeira felicidade. Por isso o Padre
embora não paparicado como antes éum sinal vivo do que estamos a procurar e não
encontramos nas prateleiras midiáticas ou nos Shoopings Centers, ele é a
referência do absoluto e do sentido das coisas. Ele
é testemunha do essencial, do bom, do belo e do verdadeiro anunciando a pérola
de infinito valor: Jesus Cristo.
Que alegria
encontrar-se com um Padre que entusiasmado nos coloca na perspectiva do Reino,
que nos fascina com as Palavras de Cristo e nos oferece o próprio Cristo na
Eucaristia. Quesempre tem tempo para uma conversa, para curar as nossas feridas
e nos dar o perdão em nome de Deus. Um irmão entre os irmãos e Pai para
todos/as, especialmente dos pobres e desamparados, dos quais ele éo advogado,
amigo e defensor incondicional. Num mundo frio, calculista, e por certo líquido
temos num Padre a pessoa cujo coração bate em sintonia ao Coração de Jesus,
sentimos perto dele o bálsamo e o óleo da misericórdia, da compaixão e do amor
que sempre acolhe.
Hoje sem dúvida
como em todas as épocas precisamos de padres, porque são indispensáveis, eles
sempre estão a nos acompanhar num momento do ciclo da vida, desde o berço atéo
túmulo, compartilhando conosco os momentos de alegrias e as perdas, trazendo
sempre a presença e a benção de Deus. Gostaria neste ano jubilar de prata
afirmar com todas as letras de alto e bom tom, que éuma grandiosa aventura e
maravilha ser padre, se mil vezes eu nascesse voltaria com o mesmo entusiasmo
ao seminário, para ser somente e unicamente um padre. Deus seja louvado!
Fonte:
www.cnbb.org.br
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Artigos do Frei Petrônio de Miranda
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sábado, 2 de agosto de 2014
Vocação
Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto
Alegre
Escreveu o Papa
Francisco: “A vocação é fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor de
uns aos outros, que se faz serviço recíproco, no contexto de uma vida eclesial
autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si”.
Todos nós
desejamos uma vida bem vivida. Almejamos uma vida com sentido. Nossas buscas,
projetos e sonhos se sustentam a partir de um horizonte de vida sólido. A
pergunta, talvez, sempre necessária, é: o que significa uma vida, uma
existência com sentido? A partir de onde se encontra sentido para a própria
vida? Aqui certamente se expressa o nobre, digno e necessário serviço junto,
especialmente, a nossos adolescentes de orientar, dialogar e auxiliar; afinal,
perceber qual o caminho de vida que vem ao encontro das tendências, dotes e
mesmo necessidades pessoais, nem sempre é tarefa fácil.
Uma história,
pertencente à tradição hebraica, pode auxiliar na compreensão dos desafios
característicos quanto à necessidade de realizar uma opção de vida. Diz a
história: “Um certo rabi procurou seu mestre, suplicando-lhe: ‘Indicai-me um
caminho universal para o serviço a Deus’. O mestre respondeu: ‘Não se trata de
dizer ao homem qual caminho deve percorrer, porque existe uma estrada por meio
da qual se segue a Deus por meio do estudo, outra, por meio da oração, e outra,
por meio do jejum, e ainda outra comendo! É tarefa de cada homem conhecer bem a
direção de qual estrada o atrai, o próprio coração e depois escolher aquela
estrada com todas as forças’”.
A pessoa humana
é única. Possui uma tarefa intransferível. Cada ser humano é convocado a
testemunhar sua irrepetibilidade. Para isso, se faz necessário o conhecimento
de si mesmo, das próprias qualidades e tendências essenciais. Considerando esse
conjunto de elementos, é possível sondar um caminho de vida.
A escolha de um
caminho de vida requer muito mais que a opção por uma determinada profissão.
Profissão tem a ver com preparação técnica, competência, eficiência produtiva,
ganha-pão, função social, status, reconhecimento externo. Tudo isso pressupõe
decisão pessoal, realização, chamado interior, paixão, amor e gosto pelo que se
faz, ou seja, pressupõe vocação. Assim, retomando a história da tradição
hebraica, pode-se perceber que o “serviço de Deus” requer muito mais que
somente profissionalismo. Exige escuta do próprio coração, para conhecer bem a
direção de qual estrada ele o atrai.
A vocação se
orienta eminentemente para um futuro. Ela se realiza, sim, no presente, mas
orientada para um futuro. Por isso, pode-se afirmar que vocação é uma tarefa em
constante realização. Da profissão, nos aposentamos. Já aquilo que denominamos
vocação perpassa todas as fases da existência.
A escuta do próprio
coração requer sintonia, escuta, disposição para acolher aquilo que a vida
solicita. Escuta e compreende tal solicitação quem cultiva a afeição, a
cordialidade, o amor, o respeito pela própria condição. Para nós, cristãos e
cristãs, a condição é de filhos e filhas, seguidores e seguidoras do Senhor,
caminho, verdade e vida.
Jesus – caminho,
verdade e vida – percorria as cidades e aldeias... Contemplando a multidão,
encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como um rebanho
de ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: “A messe é grande,
mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que
envie trabalhadores para a sua messe” (Mt 9,35-38).
Oxalá possamos cooperar para que homens
e mulheres, especialmente os adolescentes e jovens, saibam e possam
corresponder à vocação recebida, e serem no mundo cooperadores do Senhor na
construção do Seu Reino!
Fonte:
http://www.cnbb.org.br
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Ser padre vocação para servir
Todas as
vocações são dadas por Deus e são sublimes. A grande e primeira vocação do ser
humano é a filiação divina: tornar-se em Jesus Cristo filhos de Deus. Jesus
ensinou a chamar Deus de Pai nosso. Esta vida de amor filial a Deus, portanto,
tem como consequência o amor fraternal aos irmãos. Esta é nossa vocação
primeira: união com Deus no amor. “O Unigênito Filho de Deus, querendo
fazer-nos participantes da sua divindade, assumiu nossa natureza, para que
feito homem, dos homens fizesse deuses” (S. Tomás de Aquino, in Op. 57, In
festo Corporis Christi, lect. 1-4).
Porém Jesus
deixou-nos a Igreja, Povo de Deus que caminha neste mundo; “O Senhor Jesus
iniciou sua Igreja pregando a boa nova do Reino de Deus...” (LG n. 5). Na
Igreja temos vários carismas e vocações, para múltiplas tarefas que constroem
na caridade um novo mundo possível: o Reino de Deus que tem início aqui e se
consuma na eternidade. Um destes carismas é o serviço sacerdotal. Ser padre é
uma vocação para o serviço. Ser para a comunidade um sinal (sacramento) da
presença de Jesus bom pastor no meio de seu povo.
Este ser sinal
de Jesus Cristo, é uma vocação, é uma tarefa importante e necessária para o
crescimento da Igreja e consequentemente do Reino de Deus, a serviço doa qual
está a Igreja. Esta missão deve ser assumida com grande humildade,
discernimento e determinação. Ser padre é antes de tudo um serviço de amor
(amoris officium). Este serviço de amor é uma doação desinteressada que não tem
como objetivo a projeção de si mesmo, nem o lucro pessoal. “Há mais alegria em
dar que em receber” (At 20, 35).
Este serviço do
padre é sinalizado na “caridade pastoral” a qual se caracteriza pelo
conhecimento das ovelhas. Isto não significa conhecer todas as pessoas da
paróquia, mas saber e estar consciente de suas dores, angústias, preocupações e
alegrias. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas, não se preservando, dando
tudo, até mesmo o tempo que sobra. O bom pastor busca as ovelhas desgarradas.
Não se trata, creio eu de ir bater à porta das casas, mas ser uma presença
visível e acessível para todos.
A condição para isso nós sabemos, esta
na intimidade com Jesus Cristo. É Ele que dá força e sustento em meio às
dificuldades e contratempos que sobreveem no exercício do ministério. Pois não
se pode esquecer que a escolha dos apóstolos é para em primeiro lugar “estar
com ele” (cf. Mc 3, 14).
O padre deve ter
sempre presente o que escreveu um grande santo e bispo de Milão no terceiro
século da Igreja: “O clérigo que serve a Igreja de Cristo deve de início
considerar e traduzir o nome que leva e, depois de ter definido esse nome,
esforçar-se por ser o que o título exprime. A palavra grega kléros significa
parte , porção tirada em sorte: os que levam o nome de clérigos levam-no porque
são a parte do Senhor ou porque tem o Senhor por parte. Aquele que professa uma
e outra coisa deve mostrar por seu comportamento que possui o Senhor ou que é
possuído por Ele. mas aquele que possui o Senhor e diz com o Profeta: O Senhor
é minha herança, não pode ter nada além do Senhor”(Santo Ambrósio, Epist. 52,5
ad Nepontianum in- P L 22, 531).
Assim, o significado da palavra clero,
que não raro hoje é depreciado, adquire seu verdadeiro sentido: ser uma pessoa
livre para servir somente a Deus, e por causa dele servir os irmãos.
No início deste
mês de agosto no qual celebramos o padroeiro dos padres, o Santo Cura d´Ars,
rezemos pelos nossos padres. Procuremos ajudá-los a viver esta sublime vocação
a que foram chamados.
Fonte:
http://www.cnbb.org.br
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sábado, 12 de julho de 2014
Sem padre não há eucaristia, apaga-se a luz do sacrário. (Ano Vocacional)
Dom
Orlando Brandes. Arcebispo de Londrina
Folha
de Londrina, 12 de julho de 2014
A
Arquidiocese de Londrina está vivendo seu “Ano Vocacional”. O padre é tão
necessário para a sociedade como o médico, o prefeito, o professor. Isso porque
o ser humano tem uma abertura natural para Deus. A alma humana é imortal e o
ser humano é espiritual. O sacerdote é especialista de Deus, o perito nas
coisas espirituais, o mestre dos valores humanos, o médico da alma, o
representante de Jesus. Todas as religiões têm seus sacerdotes, pastores,
religiosos, gurus, diretores espirituais, guias da alma, conselheiros.
Vemos
assim que é um ato de justiça e de respeito pela pessoa humana a questão
vocacional, pois toda vocação é para a missão. O padre não é padre para si, mas
para os outros. Quanto bem o padre faz para a família, as crianças, os jovens,
os idosos. Ele é um benfeitor da humanidade.
Por
outro lado, Jesus mesmo deixou a sua Igreja nas mãos dos doze Apóstolos que Ele
mesmo educou e preparou. O padre é quem leva em frente a encarnação de Jesus.
Ele é um “outro Cristo”. É amado, chamado, consagrado e enviado pelo próprio
Jesus com a missão de ser o servidor do povo, o promotor da dignidade humana, o
portador dos meios de salvação. É homem de Deus para o povo, é o portador da
graça.
Precisamos
de padres. Isso exige que todos sejamos envolvidos na revitalização vocacional.
Sim, vamos rezar pelas vocações, mas precisamos envolver as famílias, os
jovens, as crianças, as lideranças, as pastorais, e movimentos, os párocos, o
presbitério, os religiosos e religiosas, os diáconos para deslanchar uma revolução
vocacional até conseguirmos criar uma “cultura vocacional”. Isso está exigindo
de nós um salto vocacional, um entusiasmo e uma mística vocacional até que se
organize um marketing vocacional permanente.
Em
nossa Igreja Particular esperamos chegar a uma capilaridade vocacional, uma
vocacionalização das pastorais, onde todos formaremos um “mutirão vocacional”.
Isso tem um preço: atrair a infância missionária, os coroinhas, as crianças da
Primeira Eucaristia, os catequizandos, os grupos de jovens, as universidades,
as escolas e os profissionais.
Urge
tocar nos ombros dos jovens e motivá-los no seguimento de Jesus. É preciso
apontar, falar, questionar, atrair, conquistar os vocacionados. Vocação tem
tudo a ver com atração. Os pais e os padres são os primeiros promotores
vocacionais. Promover vocações é uma urgência para toda a Igreja e uma
“prioridade presbiteral inadiável”. Um presbitério alegre e unido é propaganda
para vocações sadias, servidoras e santas.
Sem
padre não há eucaristia, apaga-se a luz do sacrário, o altar vira uma mesa
qualquer. Sem padre não há absolvição dos pecados e o povo de Deus é
prejudicado tanto na pastoral como na vida espiritual e existencial. Jesus teve
compaixão do povo porque eram ovelhas sem pastor. A Pastoral Vocacional é um
gesto de amor pela glória de Deus e de compaixão com o povo.
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Pensamento para este dia 17 de outubro-2011...
“O que define a vida de um Padre? Construir igrejas? Ser músico de sucesso? Ser líder da comunidade e movimentos sociais? Ser um grande profissional? Defender uma bandeira política?.. Não, não. O central na vida do sacerdote é se consumir diariamente pela eucaristia”. Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita da Ordem do Carmo.
www.youtube.com/olharjornalistico
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