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terça-feira, 27 de agosto de 2013

JORNADA MUNDIAL: Para pagar dívidas da Jornada, igreja vende prédio no Rio.

A Arquidiocese do Rio está se desfazendo de parte do patrimônio da Igreja Católica para tentar saldar a dívida deixada pela Jornada Mundial da Juventude.
Um prédio em São Cristóvão, bairro da zona norte da cidade, está sendo vendido para a Rede D'Or de hospitais por R$ 46 milhões. No imóvel funciona, desde 2001, o hospital Quinta D'Or.
O prédio pertence à Casa do Pobre de Nossa Senhora de Copacabana, entidade ligada à igreja. Estava alugado à Rede D'Or desde a inauguração do hospital. A reportagem é de Cristina Grillo e Fábio Brisolla e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 25-08-2013.
Com o fim da Jornada, em 28 de julho, o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, procurou empresários para conversar, em busca de uma solução para a dívida - cujo montante não foi revelado.
Uma das ideias que surgiram dessas conversas foi a venda do prédio onde, até os anos 80, funcionou o Hospital São Francisco de Paula, da Ordem de São Francisco dos Mínimos.
Há duas semanas, foi assinada uma escritura de promessa de compra e venda entre a Casa do Pobre de Nossa Senhora de Copacabana e a Rede D'Or.
Procurado pela Folha, o vice-presidente do comitê organizador da Jornada, dom Paulo Cezar Costa, hesitou em dar detalhes sobre a negociação. "Isso não está totalmente concretizado."
Mas o bispo reconheceu que está sendo feito um levantamento dos imóveis da igreja que poderão ser usados para quitar as dívidas.
"Não pensamos em vender muitos imóveis, até porque nem temos muitos imóveis para vender." A direção da Rede D'Or confirmou à Folha a compra do prédio.
Pouco antes do início da Jornada Mundial da Juventude, o comitê organizador estimou que o custo do encontro internacional de jovens católicos, que teve a presença do papa Francisco, pudesse custar até R$ 350 milhões, dos quais pouco mais de R$ 100 milhões viriam dos governos federal, estadual e municipal.
Segundo a igreja, a principal fonte de receita da Jornada estaria nas inscrições de 427 mil peregrinos, que pagaram entre R$ 100 e R$ 600 para ter direito a pacotes que incluíam alimentação, transporte e hospedagem.
A Arquidiocese do Rio, no entanto, não informa qual foi o valor arrecadado. "Ainda vai levar algum tempo para chegar aos números definitivos da Jornada", disse dom Paulo Cezar.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Protesto em visita papal preocupa Planalto

O governo Dilma Rousseff está ciente das movimentações de grupos de jovens e evangélicos para a organização de manifestações durante a Jornada Mundial da Juventude e quer evitar que ocorra um novo desgaste político entre o Executivo e a Igreja, num momento em que era esperada uma reaproximação entre o governo Dilma e o Vaticano.

A Jornada Mundial da Juventude, evento organizado pela Igreja Católica que pode mobilizar cerca de 3 milhões de jovens e peregrinos, está agendada para os dias 23 a 28 de julho, no Rio de Janeiro.

Representantes do Palácio do Planalto já alertaram aos seus interlocutores que o evento poderá acontecer em meio a manifestações, mas que não aceitará a ocorrência de episódios violentos. O governo federal está em contato permanente com o governo fluminense e a Prefeitura do Rio de Janeiro. A segurança do evento contará com o apoio das Forças Armadas e demais tropas federais. A reportagem é de Fernando Exman e publicada pelo jornal Valor, 04-07-2013.

Autoridades do governo e do PT acreditam que a Igreja sob o papado de Bento XVI teve um comportamento inadequado na eleição de 2010, quando às vésperas do segundo turno de um pleito repleto de debates de ordem moral o papa criticou projetos políticos favoráveis à legalização do aborto e pediu que os líderes religiosos orientassem os eleitores. Com a eleição de um novo papa que colocou no centro de sua agenda a área social e o combate à fome e à pobreza, temas caros à administração federal, a expectativa de auxiliares da presidente Dilma Rousseff é de que esse mal-estar passe de vez.

Além de manifestações semelhantes às que ocorreram nas últimas semanas em que setores da sociedade aproveitaram a Copa das Confederações para pedir melhores serviços, há a possibilidade de grupos evangélicos protestarem contra os gastos públicos na organização da visita do papa. Em resposta, integrantes da Igreja argumentam que não se pode esquecer que o papa Francisco é um chefe de Estado e o evento demanda um esquema especial de segurança e logística. Segundo informações publicadas recentemente pela imprensa, o papa citará a onda de protestos em seu discurso no Rio por considerar que as reivindicações por maior justiça não contradizem o Evangelho.

A missa de abertura da Jornada Mundial da Juventude acontecerá no dia 23, na Praia de Copacabana. Ela será celebrada pelo arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta. O papa Francisco participará de cerimônias nos dias seguintes na Praia de Copacabana e em Guaratiba.

O papa Francisco também pretende visitar uma comunidade carente na Zona Norte da cidade e um hospital e centro de recuperação de dependência química. Ele deve receber jovens detentos e ir ao Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, no interior paulista.

Por ora, está previsto que a presidente receba o papa no aeroporto e tenha em seguida uma reunião bilateral com o pontífice. A presidente também deve acompanhá-lo na visita ao centro de saúde, que recebe recursos do governo federal. Ainda não está fechada a participação de Dilma em algum ato religioso ou na despedida do papa Francisco.

O chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, é um dos principais interlocutores do governo com a Igreja e outras lideranças religiosas e movimentos sociais. Além da ponte feita pela Secretaria-Geral da Presidência, a organização da Jornada Mundial da Juventude conta no governo com o apoio de uma comissão especial composta por representantes da Casa Civil, Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Secretaria de Aviação Civil e dos ministérios das Relações Exteriores, Justiça, Defesa, Fazenda, Comunicações e Turismo.

A última Jornada Mundial da Juventude foi promovida em 2011 em Madri, na Espanha, e contou com aproximadamente 2 milhões de participantes. A anterior reuniu menos fiéis, em 2008, na Austrália. A jornada foi criada pelo papa João Paulo II em 1985 e ocorre anualmente em âmbito diocesano. A cada dois ou três anos, porém, são realizados grandes eventos internacionais.