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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O Papa Francisco, o Bispo Cipolini, o Padre Wilson e o Povo de Adamantina/SP.

Naqueles dias já se notava o movimento de jovens com suas mochilas e camisetas coloridas – verdes, amarelas, azuis, vermelhas – sotaques, cores, gente de todos os cantos do mundo, o Rio aos poucos foi tomado por católicos.
Eu achei tudo aquilo muito curioso, pois jamais esperava ver tanta gente de tantos lugares do mundo para um evento religioso, muito menos tantos jovens! Francisco mostrava a sua força em seu primeiro grande evento após sua posse...
E em meio a toda aquela efervescência o Papa chegou ao Brasil impressionando a todos pela simplicidade logo ao chegar, sem pompa e circunstância, embarcou em carro simples, sem ar condicionado sem luxo e com o vidro baixado e, de forma incansável, para um senhor de sua idade, saíu a saudar os fiéis pelas ruas do Rio de Janeiro. Uma pequena observação a titulo de comparação, vocês já prestaram atenção nos carros, nos luxos e nas comitivas de alguns Bispos e autoridades eclesiásticas desse nosso país?
Mas enfim, depois de alguns dias o Papa Francisco foi para o seu primeiro evento na praia, ele chegaria ao forte de Copacabana, bem pertinho de casa, aí não tinha jeito e nem desculpa, eu teria que ir vê-lo, primeiro para atender a um pedido da minha mãe, e segundo - por mais que eu evitasse confessar que iria ver o papa para meus amigos, que não gostam nada, nada, desse “movimento” religioso de massas - eu queria muito ver quem era aquele homem que desde a sua posse me surpreendia a cada dia de uma forma extremamente positiva, como nunca imaginei que um líder católico pudesse me impressionar.
E no sábado à tarde ele desceu de helicóptero no Forte de Copacabana, subiu no “papamóvel” e saiu ao encontro dos fiéis.  Depois de uns 10 minutos ele passou por onde eu estava e parou bem em frente a mim, pois lá havia uma menina, a Isadora, no colo da mãe e, ele a pegou em seus braços. Quando devolveu a criança foi muito interessante à reação de todas aquelas pessoas na volta, todos choravam emocionados, mas eu só conseguia pensar na sensação que tive ao ver aquele homem de branco e sapato negro (pois ele se recusa a usar o sapato dos papas) que parou ali, bem pertinho de mim, sorrido e acenando. Uma coisa é certa, o Papa Francisco irradia luz e paz.
Voltei para casa com a sensação de que eu havia visto um ser humano diferente de todos...
Mas nesta época também tive o privilégio de estar morando no Rio durante as manifestações de junho. Aquela cidade pulsou com muita força, foram dias lindos e pacíficos de manifestações, antes da violência, infelizmente, acabar com o movimento.
E foi durante estes dias, de pura efervescida e exercício da cidadania, quando o cidadão comum se apropriou da política.
- Envolver-se na política é um obrigação para um cristão, nós, os cristão, não podemos nos fazer de Pilatos, e lavar as mãos, não podemos! Temos que nos meter na política, porque a política é uma das formas mais altas de caridade, porque busca o bem comum. Os leigos cristãos devem trabalhar na política. A política está muito suja e eu pergunto: “está suja por que”? Por que os cristãos não se metem nela com o espírito evangélico? É a pergunta que eu faço. É fácil dizer que a culpa é dos outros... Mas eu, o que faço? Isso é um dever! Trabalhar para o bem comum é o dever de um Cristão.
Eu me senti extremamente reconfortada ao ouvir estas palavras do Papa, pois ele conclamava os cristãos a participar da vida política de seu país. Mas é importante não confundir política com política partidária. O que o papa se referiu foi: que é importante que o cristão se envolva nos problemas cotidianos, sejam eles de qualquer esfera que for, buscando a justiça para todos e, que lutem em prol do bem comum, pois não haverá bem comum se não houver justiça.
A política é a grande arte onde se estabelecem os limites de convivência em sociedade. A política exige que cada um assuma a sua responsabilidade, responsabilidade que é de cada um, em um mundo que é nosso, onde o que deve prevalecer é a ética nas relações.
É dever do Cristão, segundo o Papa, se meter e fazer política, se envolver onde não há justiça onde há “sujeira” e jamais lavar as mãos, como fez Pilatos.
E o povo de Adamantina, de uma forma, que confesso me surpreendeu imensamente, está lutando, não apenas por um padre, mas por sua gente. Talvez muitos ainda não se deram conta que o padre é um “tema gerador” disso tudo, mas há uma questão maior que é, o que queremos para nós enquanto sociedade, que mundo coletivo queremos construir?
Vejo pessoas dizendo, esta energia deveria ser canalizada para problemas na cidade como postos de saúde, ruas entre tantos problemas que Adamantina pode estar vivendo, mas acredito que uma cidade tradicionalmente letárgica e de fama de elitista, conseguiu quebrar a inércia e colocou suas palavras para andar, minha gente, isso é um começo. O povo de Adamantina se apropriou da política, está fazendo política como conclamou o Papa Francisco e, meus caros, isso não é tão simples e fácil quanto parece.
O padre foi injuriado e teve todas as afrontas acolhidas por um Bispo que se fez de Pilatos, lavou as suas mãos, infelizmente o Bispo não fez seu papel de Cristão. Ele não lutou pelo bem comum. Mas este caso tem um agravante, pois ele transcende a figura de um padre, pois é também um problema cotidiano de todos os negros e pobres que sofrem cotidianamente em seu corpo e alma a soberba de outro ser, que por incrível que pareça não se dá conta que em essência todos somos iguais.
O Bispo perdeu a chance de ensinar seu rebanho, educar com base no amar e respeito a cada ser humano em suas diferenças.
Ontem aconteceram cenas “lamentáveis” durante uma missa, eu não sou a melhor pessoa para comentar o que é devido ou indevido de ser feito na casa do senhor. Os fins jamais justificarão os meios, jamais! Mas eu gostaria de fazer uma ponderação, pois pedras são atiradas de todos os lados e ninguém melhor para dizer o que aconteceu na Matriz na noite de domingo do que quem estava lá.
Mas se o rebanho se perde, é culpa do pastor que não soube conduzi-lo e mesmo se não há culpa do pastor este deve ter a habilidade de saber acalmar o rebanho e conduzi-lo novamente para o seu caminho, pois então, ontem o pastor “supremo” da região, o Bispo, teve todas as oportunidades desse mundo de apaziguar todos os cristãos que estavam lá para ouvi-lo, mas infelizmente, ele novamente lavou as suas mãos. Não disse uma palavra sequer. Estava sentado em um barril de pólvora e não teve a sensibilidade de cortar o fio, muito pelo contrário, seu silêncio acendeu o pavio e a bomba explodiu.
Talvez o Bispo esteja acostumado com a dura hierarquia da Igreja, onde a palavra de superiores é lei e não é contestada, mas no século XXI fiéis não são mais os mesmos de quando a Igreja Católica determinava o que deveria ser feito, hoje católicos pelo mundo não questionam Deus, mas questionam os homens a serviço de Deus.
O papa Francisco é o maior exemplo disso, está fazendo uma faxina no Vaticano, limpando tudo o que muitas autoridades eclesiásticas sujaram e varreram para debaixo do tapete. O Católico hoje se inspira no Papa Francisco e tem a ele como exemplo e isso tem dificultado a vida de muitos padres, bispos e arcebispos que atuavam e atuam de uma forma um tanto quanto distante dos ensinamentos de Jesus.
É muito fácil condenar as pessoas que estavam na igreja que extrapolaram os limites do bom senso, mas pergunto, o que deve ser feito quando se media um conflito? Faz parte do meu trabalho profissional atuar como mediadora de conflitos ambientais, onde grandes empresas que causam impactos socioambientais, socioculturais e socioeconômico precisam negociar com pescadores, agricultores, ou seja, com gente comum. E o que deve ser feito quando se media um conflito? Abrir todos os canais de diálogo, instituir espaços onde todos conversem em busca de um consenso. E o que foi feito neste caso? O Bispo se manteve irredutível, em silêncio, não fez seu papel de mediador, não explicou sua decisão, não ouviu a todos e pior, apenas emitiu notas vazias e desprovidas da realidade. E meus caros, isso provocou o caos na Igreja no domingo da crisma.
Ontem li no jornal folha de São Paulo que a Pastoral de Adamantina se reuniu na sexta feira dia 05 de dezembro pela manhã com o Bispo e sugeriu que ele esperasse um ano para transferir o Padre, para evitar problemas e traumas maiores, o Bispo fez ouvidos moucos e na sexta à tarde lançou a nota de transferência. O Bispo foi de uma insensatez e presunção da verdade mordaz! Foi alertado pela Pastoral, mas simplesmente ignorou os avisos. Quer coisa mais sensata do que a Proposta da Pastoral? Se o conteúdo desta reportagem da Folha de São Paulo for verdadeiro, o Bispo infelizmente agiu movido pela soberba, nada, além disso.
Se há um responsável, em minha opinião, pelos lamentáveis acontecimentos na Igreja Matriz de Adamantina, este responsável é o senhor Bispo. Ele teve a chance de apaziguar todos aqueles corações e se calou, novamente, lavou as mãos, não fez política para o bem comum.
Meus caros, o povo de Adamantina não se apequenou, muito pelo contrário, se agigantou diante de um cenário tão vil e mesquinho e se apropriou de sua história, fez e está fazendo política, para o bem comum. Eu, como Adamantinense, me sito extremamente orgulhosa do povo dessa terra, orgulhosa! Se o padre for embora, espero que não vá, mas se for, tenho certeza que irá feliz, pois ele foi acolhido e certamente levará todo este amor com ele e, minha gente, neste mundo, tesouro maior não há.
O povo de Adamantina até pode ter perdido esta batalha, mas não perdeu a guerra, pois todos são vitoriosos nesta luta, que é muito maior, pois é uma luta política, é uma luta para o bem comum, para o bem de todos!
Feliz de um povo que educa suas crianças e jovens pelo exemplo da tolerância e do amor!
Feliz um o povo que ensina suas crianças e jovens a fazer política pelo bem comum!
Feliz um povo que educa suas crianças e jovens com base na esperança, que como disse santo Agostinho, tem duas filhas lindas, a indignação e coragem: a indignação para NÃO aceitar as coisas como estão; e a coragem para mudá-las.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Padre vítima de racismo mora de favor no interior após protestos contra bispo

O padre Wilson Luís Ramos, transferido da paróquia matriz de Adamantina (a 578 km de São Paulo) após ter sido vítima de racismo por parte dos fiéis, está morando de favor na casa de outro padre da cidade e sua mãe está hospedada na residência de um morador da região. "Ela acabou de deixar as roupas na minha casa. Eles não tinham para onde ir", afirma o homem que está hospedando a mãe do padre Wilson, e prefere não ser identificado.
A casa paroquial em Adamantina, onde o religioso estava, teve de ser esvaziada nesta terça-feira (9), mas a futura residência do pároco, na cidade de Dracena (a 634 km de São Paulo), ainda está ocupada. O padre da região, que ainda mora no local, não teria recebido o mesmo prazo para a transferência.
A reportagem tenta contato com o bispo desde a semana passada, inclusive para saber o porquê da saída do padre da casa paroquial antes que seu local de destino fosse liberado, mas ele não atendeu.
Padre Wilson teve que deixar a casa paroquial em Adamantina após manifestantes terem invadido uma missa de crisma na igreja Santo Antônio de Pádua, no último domingo (8), para protestar contra o bispo dom Luiz Antonio Cipolini, responsável pela mudança dele. O novo responsável pela igreja matriz de Adamantina será o padre Rui Rodrigues da Silva, que deve chegar apenas no próximo dia 14 à cidade. Padre Wilson, porém, teve que deixar a casa paroquial agora, apesar de ele e a mãe só poderem seguir para a casa paroquial do Santuário Nossa Senhora de Fátima, em Dracena, em 28 de dezembro.

PROTESTO
Na missa deste domingo (9), mais de 300 pessoas seguravam faixas contra a transferência do padre Wilson, o primeiro pároco negro a ser nomeado para a igreja matriz de Adamantina, há dois anos. Os manifestantes ainda vestiam preto e usavam nariz de palhaço enquanto gritavam a frase que virou campanha na cidade: "Fica, Padre Wilson". O alvo era o bispo Cipolini, que celebrava a cerimônia de Crisma de alguns jovens. A cerimônia foi interrompida pelo menos três vezes por causa de apitos e gritos que pediam a permanência do padre Wilson e menosprezavam a presença do bispo. Por muitas vezes o padre tentou acalmar os ânimos dos jovens que protestavam pedindo calma e respeito ao bispo, mas só era atendido depois de alguns minutos. Pessoas sentadas nos bancos da igreja, que estava lotada, ficaram de costas para o altar em um sinal de desprezo. Muitas pessoas que não faziam parte da manifestação começaram também a aplaudir e apoiar o protesto, mas depois a opinião se dividiu. "Não concordo com esse tipo de agressão. Eles estão na igreja, precisam respeitar", disse Rita Araújo, que estava na missa. Até mesmo o padre Wilson disse a jornais da região que achou o ato "exagerado".
Durante a missa, Cipolini pegou o microfone e disse ter ficado "triste" por ver moedas jogadas em cima do altar e nos locais onde ficavam as hóstias. Como resposta, recebeu ainda mais gritos dos fieis. No final da missa, um grupo impediu a saída do bispo, que teve os pneus do carro furado. O padre Wilson ainda tentou sair e pedir ajuda aos manifestantes. "Deixem o bispo sair, por favor". Mas, mais uma vez, não foi atendido pelos manifestantes. Policiais militares entraram na igreja e um sargento foi obrigado a levar o religioso em uma viatura da PM para Marília, onde fica a diocese da região, por volta das 23h -quase 2 h depois do término da cerimônia. No sábado (8) um outro protesto ocorreu com mais de mil pessoas segurando faixas e caminhando pela cidade contra a decisão do bispo.
Em entrevista, Ramos disse que não concorda com a posição do bispo, mas respeita. "Não é o que eu desejo, gostaria de mais diálogo e uma conciliação".

CASO
Primeiro negro à frente da igreja matriz do município, o padre conta que, desde que assumiu a função, há quase dois anos, precisa lidar com o preconceito de uma parte dos fiéis de Adamantina. "Um dia ouvi uma mulher dizer que deveriam tirar o galo de bronze [que fica em cima da igreja] e colocar um urubu", afirma. Queixas de alguns fiéis que defendem a saída do padre –que incluem "atraso para terminar a missa -foram levadas ao bispo da Diocese de Marília, dom Luiz Antonio Cipolini. Após consultas populares, ele decidiu transferir o padre em razão da "divisão" da comunidade sobre o caso.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Transferência de padre negro causa revolta em Adamantina/SP.

A transferência de um padre negro revoltou moradores da pequena Adamantina, cidade de 35 mil habitantes, no interior de São Paulo. A decisão do bispo de Marília, Dom Luiz Antônio Cipolini, de transferir o padre Wilson Luís Ramos para outro município desencadeou uma onda de protestos no município e nas redes sociais. Após dar um abraço simbólico na Igreja Matriz, escrever frases nos vidros dos carros pedindo a manutenção do padre e iniciar um abaixo-assinado para coletar 20 mil assinaturas, os católicos prometem novos protestos. O movimento ganhou até a adesão da Igreja Evangélica, cujos pastores condenaram a situação e declararam publicamente apoio ao padre.
O preconceito racial é apontado pelo padre e pelo próprio bispo como uma das causas da rejeição dos fiéis a Ramos. "Outro dia surpreendi suas senhoras dizendo que deveriam trocar o galo que há no topo da igreja por um urubu. Foi muita humilhação", contou o padre, que está em Adamantina desde 2012.Dom Luiz, que está há um ano na região, confirma o preconceito racial sofrido pelo padre, mas afirma que a principal causa para a transferência é a divisão que Ramos teria causado na paróquia. "O padre Wilson tem sofrido com essa questão. Houve preconceito por parte de fiéis, mas o padre foi vencendo e o que está em jogo agora não é o preconceito, mas sim a divisão que ele causou na paróquia", afirmou o bispo.
A permanência de Ramos na Paróquia Santo Antônio de Pádua, a principal de Adamantina, foi colocada em dúvida por um grupo de fiéis tradicionais que enviou cartas ao bispo reclamando do "jeito" simples do padre e, principalmente, do fato de ele atrair pessoas pobres e jovens usuários de drogas para a igreja.
A situação se agravou quando Ramos destituiu fiéis desse grupo que ocupavam cargos de coordenação de pastorais havia 13 anos e colocou nos postos pessoas com menos poder aquisitivo.
Recusa. Ao receber reclamações de fiéis, o bispo chegou a pedir que Ramos saísse da paróquia, o que foi recusado. "Diante da insistência dele, acionei o conselho de presbíteros, que foi à cidade fazer uma consulta à população. Depois disso o próprio padre pediu para ser transferido", contou Dom Luiz. "Constatamos que havia uma divisão na paróquia, e não podemos conviver com isso", afirmou.
Padre Ramos afirma que colocou seu cargo à disposição por causa da pressão sofrida pelo seu superior. "Foi tanta humilhação e sofrimento que não resisti", afirmou. "Não foi uma decisão espontânea e não há divisão como o bispo diz. O que há é um pequeno grupo de insatisfeitos, mas eu sempre defendi o entendimento porque acredito no diálogo", declarou o padre.
Humildes e excluídos. Para os jovens, não há dúvidas: o que causou a transferência do padre foi o preconceito e a abertura que ele deu às classes mais humildes e aos jovens excluídos. "O problema é que o padre Wilson é negro, anda pelas ruas com roupas simples e a pé, substituindo um padre branco, que usava camisas de linho e carro. Padre Wilson vai até as comunidades, enquanto seu antecessor não saía da igreja. Isso causou um incômodo", relatou a servidora municipal Ivanete Sylvestrino.
"Trata-se de um pequeno grupo que está insatisfeito com o padre Wilson e o bispo está dando voz a essas pessoas. E, pior, ele (o bispo) está deixando de ouvir toda uma população", afirmou. "Tanto que, durante a consulta feita pelo bispado, a maioria votou pela permanência dele (do padre) na cidade. Cerca de 700 cartas, pedindo a manutenção do padre, foram enviadas ao bispado", afirmou Ivanete. "Se o bispo levar isso em consideração, ele saberá que a maioria quer que o padre continue na cidade; a não ser que haja outros motivos por trás disso." (Estadão).