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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
CAPÍTULO DOS CARMELITAS-2017: Transferências.
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CAPÍTULO DOS CARMELITAS-2017: Último Dia.
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Artigos do Frei Petrônio de Miranda
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Padre Paulo: papados conservadores “destruíram Igreja inserida na vida dos pobres” no Brasil e AL
Padre
Paulo Sérgio Bezerra não cede um milímetro sequer no seguimento dos
ensinamentos da Igreja à luz do Evangelho e da renovação do Concílio
Vaticano II, como um dos protagonistas da Teologia da Libertação na
periferia de São Paulo. Padre desde 1980, há 34 anos está na Paróquia
Nossa Senhora do Carmo, na Diocese de São Miguel Paulista,
em Itaquera, bairro pobre da zona leste da cidade.
O
sacerdote, de 63 anos, foi formado pela escola do cardeal dom Paulo Evaristo Arns,
falecido em dezembro de 2016 e dom Angélico Sândalo Bernardino,
bispo da região Leste II da cidade de São Paulo e hoje
emérito da diocese de Blumenau (SC), aos 84 anos. Isso anos antes
que João Paulo II dividisse a Arquidiocese em 1989, numa articulação
para esvaziar a liderança de dom Paulo e nomear bispos conservadores
para as novas dioceses, que trataram de demolir toda a construção da “Igreja
rumo à periferia” na antevisão de dom Paulo, agora retomada pelo Papa Francisco, que tem
convocado os católicos para novamente partirem “às periferias existenciais” de
uma “Igreja em saída”. A entrevista é de Mauro Lopes, publicada no
blog Caminho pra Casa, 21-01-2017.
A
matriz e as capelas das sete comunidades da paróquia estão sempre cheias, quase
duas mil pessoas frequentam as celebrações e participam da vida da Igreja
local. Acorrem às missas presididas por padre Paulo gente de toda a
cidade, em busca de uma liturgia que fuja ao rigorismo dos tradicionalistas ou
ao estilo neopentecostal dos carismáticos. “Aqui não tem ‘milagres’ nem se fala
em línguas”, diz ele, desolado com o ambiente da Igreja em boa parte da cidade:
“A questão para os padres hoje, em larga escala, é indumentária. Tem padre que
usa barrete, solidéu preto, é um fetiche indumentário que sequer é propriamente
uma teologia tradicionalista, conservadora, apesar de serem conservadores,
reacionários”. Ele não desanima, está empolgado com a primavera da Igreja
promovida por Francisco: “Quando em 2013 aquele homem curvou-se para a
multidão no dia do anúncio de seu nome, na praça São Pedro, nem precisei
ir ao Google pra saber quem era; entendi que havia chegado um novo
tempo”.
Um
tempo novo que se abre depois da terra arrasada. Para ele, a ofensiva conservadora
de 35 anos dos papados de João Paulo II e Bento XVI quase
liquidou com a Igreja na América Latina e no Brasil, com a
perseguição aos leigos, leigas, padres, freiras, teólogos, teólogas e até
bispos vinculados à Igreja dos pobres, à Teologia da Libertação e,
sobretudo, às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs): “Eles destruíram com a
Igreja organizada em comunidades, pequenos círculos, inserida na vida das
famílias pobres ao redor do país e da região”.
Entre
outubro e novembro de 2016, padre Paulo sofreu uma campanha agressiva
promovida por blogs católicos ultraconservadores. Motivo: ter recebido em
celebrações na Igreja, durante a novena de Nossa Senhora do Carmo, pessoas
como o deputado Chico Alencar (PSOL), Guilherme Boulos, líder
nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), a
filósofa Marilena Chauí e, sobretudo, a drag queen Albert
Roggenbuck (Dindry Buck). No caso da de Buck, os rigoristas deixaram
de informar que a jovem é catequista em outra paróquia da região. Os
integristas moveram intensa campanha de ódio contra o padre nas redes sociais,
incentivaram um abaixo assinado pela remoção dele e mantiveram uma reunião
constrangedora e inquisitorial com o bispo, dom Manuel Parrado Carral. Não
deu em nada. “No abaixo assinado deles tinha até gente do Acre, no norte
do país, mas aqui na paróquia pouquíssimas pessoas deram bola para isso”,
afirmou padre Paulo. Em reportagem da TVCarta sobre as ações da
paróquia, padre Paulo questionou: “Porque o Alckmin, por
exemplo, chega e fala na basílica nacional (de Aparecida) e ninguém
questiona?”.
Ele
concedeu entrevista ao blog Caminho pra Casa em duas rodadas de
conversas, entre 12 e 16 de janeiro – todas as observações entre colchetes são
intervenções do autor deste blog.
Eis a entrevista.
As celebrações na paróquia Nossa Senhora do
Carmo estão sempre cheias e a mobilização da comunidade é sempre muito forte. O
que acontece aqui?
Bem,
talvez seja melhor dizer o que não acontece aqui. Aqui não tem ‘milagres’ nem
se fala em línguas (risos). Há mais de 30 anos o que fazemos aqui é manter a
linha do Vaticano II. Seis anos depois de minha ordenação decidi fazer
pós-graduação em Liturgia e sempre procurei inspirar-me na renovação
do Concílio que pretendeu uma caminhada litúrgica dinâmica, com o
povo. Ao longo dos anos houve um enrijecimento litúrgico notável, que negou em
boa medida o espírito do Vaticano II, ao lado do surgimento da onda de
padres cantores e celebrações com acento neopentecostal, mas buscamos nos
manter fiéis e eu tentei manter-me amparado no ensinamento de dom
Paulo (Evaristo Arns) e dom
Angélico (Sândalo Bernardino). Para eles, como filhos diretos
do Vaticano II, a Liturgia deveria refletir e ser concretização de uma
vida pastoral de compromisso com os pobres. Não se sacralizavam as normas
litúrgicas, mas elas eram adaptadas à vida da Igreja como Povo de Deus. Com os
anos a liturgia virou uma “vaca sagrada”; ninguém toca. E não tem mais vida,
não pulsa.
É mesmo impressionante o que aconteceu. Onde
estão os profetas da Igreja?
Há
muitos profetas ainda, mas o fato é que em largas fatias do clero há três
palavras que são imperativas: dinheiro, dinheiro, dinheiro. A questão para os
padres hoje, em larga escala, é indumentária. Tem padre que usa barrete,
solidéu preto, é um fetiche indumentário que sequer é propriamente uma teologia
tradicionalista, conservadora, apesar de serem conservadores, reacionários.
Vocês viveram uma experiência muito forte em
São Paulo e especialmente nas periferias e aqui na Zona Leste sob a liderança
de dom Paulo Evaristo Arns, dom Angélico Sândalo Bernardino e todo o processo
efervescente da Teologia da Libertação, mesmo debaixo da ditadura no Brasil.
Como foi viver este tempo?
Com
a Teologia da Libertação houve o início de um processo de unir o
culto (liturgia) à vida cotidiana; antes disso, até os anos 70, a religiosidade
popular era vivida apenas na base de devoções de origem medieval, medieval,
portuguesa, europeia: reza do terço, coroações de Nossa Senhora – o que, por
incrível que pareça, voltou com força nos últimos anos com terço dos homens,
cerco de Jericó, bênçãos do Santíssimo, que derruba as pessoas em transe… é o
devocionário novo-velho.
Mas o
intervalo da Teologia da Libertação foi
um tempo muito intenso, começando pelos círculos bíblicos: o povo se apropriou
da Bíblia, que era proibida às pessoas comuns! Experimentamos o aprendizado com
as equipes do Marins [o padre José Marins foi e é um dos
maiores animadores das CEBs no Brasil e no mundo –
leia aqui uma
entrevista excepcional dele ao padre Luis Miguel Modino, publicada em 08
de janeiro no site Religion Digital e, a seguir, em português,
no IHU, que você pode ler aqui].
Ao
mesmo tempo, tivemos um período de formação pastoral muito relevante do clero a
partir das linhas mestras do Vaticano II, à luz das Conferências
Episcopais Latino Americanas de Medellín e Puebla. Um tempo de grande
coesão entre a Igreja institucional e o povo. Éramos todos agentes pastorais,
povo de Deus, sem essa coisa terrível e medíocre de clero e clientela, que
voltou com a restauração conservadora.
Como foi o processo de restauração na região?
Isso
aqui era uma maravilha, a Igreja viva dos primeiros tempos, com dom
Paulo e dom Angélico exercendo uma liderança verdadeiramente
profética, formando os padres, as freiras, os leigos e as leigas. A presença
das freiras, as irmãs inseridas, tinha uma relevância enorme – as mulheres
foram líderes no processo de ir às periferias no início dos anos 1980. Mas a
maré conservadora do Vaticano chegou. Em 1989 houve a divisão da
Arquidiocese para enfraquecer dom Paulo e o bispo que foi nomeado
pelo Papa João Paulo II, como primeiro bispo diocesano da
nova Diocese de São Miguel Paulista, clericalizou tudo e engessou a
liturgia e terminou com a pastoral de conjunto. Com o tempo, foram liquidadas
todas as pastorais: Pastoral da Juventude, Pastoral Operária, e total
desinteresse pelos movimentos sociais…; foram desarticulados e esvaziados os
conselhos paroquiais da então região episcopal, que eram uma experiência
fantástica de colegialidade na Igreja entendida como Povo de Deus, como
o Papa Francisco retoma agora. A estrutura eclesial na região, que se
assentava sobre as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) tornou-se paroquial,
clerical. O desrespeito com o povo e a autodoação das pessoas ao projeto do
Reino pode ser exemplificado com a fofoca, por sinal um tema recorrente do Papa
[veja aqui]
que, entre outros, teve também as freiras como alvo: elas eram chamadas pelos
restauradores de “irmãs enxeridas”, em vez de inseridas, de maneira insistente,
desrespeitosa.
A esse processo local correspondeu um
movimento retrógrado em âmbito nacional, não foi?
Sim,
foi terrível. Foi um processo violento de cima pra baixo, o que aconteceu aqui
foi reflexo do que aconteceu no mundo todo, especialmente na América
Latina e no Brasil. João Paulo II pode ser um santo, mas
ele enxergava o mundo como se fosse uma grande Polônia sob o horror
comunista. Há nuances no pensamento dele, algumas concessões à doutrina social
da Igreja, mas ele via comunismo em todos os lugares e governou a Igreja em
aliança com Margareth Tatcher e sobretudo Ronald Reagan. Houve
uma clara articulação entre
o Vaticano e Washington na Europa do leste e em
nossa região. Pagamos o altíssimo preço do projeto de Wojtyła de
aliança contra o comunismo com os EUA. Começou um processo de nomeação de
bispos pelo critério de adesão à disciplina da Cúria romana e não à profecia. O
centro desta articulação aqui no Brasil foi a Arquidiocese do
Rio, que começou a cooptar bispos do Brasil inteiro para seminários
organizados pela Congregação da Doutrina da Fé [sucessora
do Santo Ofício] para enquadrar todo mundo – até onde sei o então
cardeal Raztinger, então prefeito da Congregação, e que nesta qualidade perseguiu
muita gente, esteve no Rio mais de uma vez para esses cursos. Foi uma
avalanche: cursos, nomeações, censuras, punições, perseguições…
Começou
uma conversa de que a Igreja no Brasil era comunista, que não se
rezava, não se ajoelhava nos bancos das catedrais e matrizes e voltamos a ser a
Igreja das devoções, como antes do Vaticano II. O discurso era – como
ainda escutamos hoje - de volta à tradição da Igreja, mas a verdadeira tradição
da Igreja está no primeiro milênio, e não no segundo, como rezam os
restauradores. A verdadeira tradição havia sido resgatada no Vaticano II,
com a redescoberta dos Padres da Igreja por Ives Congar, Lubac e
tantos outros, que foram igualmente perseguidos por décadas antes do concílio.
Recomeçou
o tempo triste a que me referi antes, das devoções, do terço, das adorações e
da clericalização. Os ministros e agentes de pastoral foram afastados ou se
afastaram; resistir foi muito duro. Começou o processo de liquidação,
esvaziamento ou domesticação dos conselhos diocesanos e paroquiais em todo
o Brasil.
Um
processo doloroso…
Sim.
Eles destruíram com a Igreja organizada em comunidades, pequenos círculos,
inserida na vida das famílias pobres ao redor do país e da região. Os
seminários foram se transformando em verdadeiros “centros de formação
profissional”, e o sonho dos jovens passou a ser o de fazerem carreira para
bispos, e não de tornarem-se profetas, com exceção dos centros de algumas
poucas dioceses e de algumas ordens e congregações.
As Bem
Aventuranças deixaram de ser a Lei Magna da Igreja – este lugar
passou a ser ocupado pelo Código de Direito Canônico. Alguém me disse que
um bispo, hoje emérito, afirmou num retiro de seminaristas, aos jovens, que a
Igreja é a hierarquia, que a Igreja é Pedro, sobre quem repousa a tradição: o
papa, cardeais, padres e diáconos. “O povo é lama”, disse ele. Isso entra em
confronto direto com o pensamento original do cristianismo e o Vaticano
II, que definiu a Igreja como Povo de Deus.
E agora, com Francisco?
É até
difícil de dizer. O Papa está séculos à frente dessa mentalidade. As
pessoas ainda têm muito medo, tudo é dito pelos cantos, a conspiração contra ele
é brutal, e agora está se tornando pública. É um ressurgimento ainda frágil,
que demanda novos caminhos e novos protagonistas; nós, da Teologia da
Libertação, estamos todos de cabelos brancos, muitos morreram. Precisamos
confiar no sopro do Espírito e dar tempo para que este processo de abertura de
portas e janelas dê frutos.
Muitos
morreram, às vezes no ostracismo ou abandonados ou sob a indiferença da
hierarquia, como dom Oscar Romero.
Mas é uma enorme alegria poder ver Leonardo Boff, Gustavo Gutierrez
Jon Sobrino e tanto outros sendo redimidos em vida, depois de tudo o que
sofreram injustamente.
Estamos começando a sair de uma situação
difícil, muito difícil. Como superar esses anos de fechamento e esclerose? Como
enfrentar a Teologia da Prosperidade que se tornou como uma praga
dentro da Igreja, seduzindo fiéis, padres, bispos, tanto teologicamente como
pessoalmente?
Sim, a
prosperidade financeira tornou-se “projeto de vida”. É uma virada enorme a ser
feita. Comblin perguntava: quem na Igreja realizará a missão continental? Dom
Angélico disse-me mais de uma vez, depois de tantos livros publicados
sobre o Papa Francisco: “é preciso parar com essa coisa de escreve livros
e passar à pratica pastoral que ele aponta para a Igreja.
Isto ficou claro desde o começo, não?
Sim.
Quando em 2013 aquele homem curvou-se para a multidão no dia do anúncio de seu
nome, na Praça São Pedro, nem precisei ir ao Google pra saber
quem era; entendi que havia chegado um novo tempo.
Está
tudo na Evangelii Gaudium! [a
Exortação Apostólica de Francisco, A Alegria do Evangelho, sobre o anúncio do
Evangelho – a íntegra aqui]
Ela foi
lançada em novembro de 2013 e será que os cardeais rebelados não leram? Tenho
certeza que sim, mas esperaram o momento para atacar, que é o que vemos hoje.
A
Igreja do Vaticano II, a Igreja das primeiras comunidades, está tudo lá
na Evangelii Gaudium. Com ela, Francisco liquidou todo o
edifício hierárquico de fundo monárquico que foi construído nesses anos todos.
Olha! [Pega um exemplar da carta apostólica e indica] O Papa fala nos
novos caminhos logo no tópico 1, anuncia um novo desenho de Igreja, a partir
dos processos e de uma amarração de elaboração coletiva… Leia aqui no
número 16: “(…) não se deve esperar do magistério papal uma palavra
definitiva ou completa sobre todas as questões que dizem respeito à Igreja e ao
mundo”.[1]
Tudo o que a Igreja experimentou
no Sínodo da Família e com a Amoris Laetitia estava
indicado desde a Evangelii Gaudium. É a Igreja das autonomias, dos
processos, não mais das decisões monárquicas; por isso os que estavam no poder
estão reagindo desse jeito brutal. Eles querem manter o poder!
O
cenário é muito tenso. Há muita gente na estrutura da Igreja rezando por uma
morte rápida de Francisco. Mas precisamos ter coragem de mudar. Os planos
pastorais, que hoje são verticais e inspirados nos planos das empresas,
precisam ser refeitos todos, com a participação e decisão do povo. Houve um
tempo, o da Teologia da Libertação, em que a liderança da vida da Igreja estava
com o episcopado profético; depois foi esse desastre; o futuro está nas mãos
dos leigos.
Há
muito trabalho pela frente.
Com Francisco,
a Igreja, que se tornou nos últimos 35 anos totalmente irrelevante, domesticada
volta a cumprir sua missão: ser luz do mundo, incomodar, ser profética.
Precisamos ser esta luz não apenas em Roma, mas em todos os cantos.
O que está acontecendo na paróquia em que o
senhor atua?
Bem,
tentamos manter uma pequena chama acesa esses anos todos. Há sinais aqui e ali,
parece que a Igreja começa, lentamente, a acordar da anestesia, em meio aos
conflitos internos brutais.
Buscamos
ter um governo da Igreja partilhado com todos, dentro de nossas fragilidades.
Um
aspecto importante de nossa dinâmica, além do cotidiano de viver e compartilhar
com as pessoas é a celebração anual de Nossa Senhora do Carmo, nossa
padroeira. Desde 2006 tornamos a novena preparatória da festa como espaço
privilegiado de reflexão; em cada ano foi um tema: democracia, meio ambiente,
mulheres, saúde… É um período de distribuição de documentos, cartas e da
encíclica Laudato Sii sobre o planeta. Convidamos pessoas que refletem sobre
essas questões para partilhar com nossa comunidade, aqui estiveram nesses anos
todos gente como Vladimir Safatle, Marilena
Chauí, Guilherme Boulos, o padre Luiz Lima, Chico Alencar, Marcelo Barros, Boff…
A
partir de 2015 mudamos a novena para um ciclo em sete domingos, um septenário,
que permite uma reflexão mais aprofundada e é mais adaptado à esse ritmo
frenético da vida das pessoas.
O
senhor é alvo de uma perseguição constante de grupos católicos
ultraconservadores, que foram até pedir sua remoção ao bispo.
Sim.
Essa história foi quando trouxemos a drag queen Dindry Buck [Alberto
Roggenbuck] para dar testemunho, como católica e drag, sobre as provocações que
a vida lhe traz e como vive a sua fé. Ela sequer estava caracterizada assim
durante a celebração. Por sinal, o que os conservadores não dizem é que ela é
catequista numa paróquia vizinha. Fizeram um escarcéu porque ela falou na
missa, levantou o cálice durante a consagração e ajudou na distribuição da
eucaristia. Quando veio a Marilena Chauí fizeram um escândalo porque
ela teria comungado da “hóstia do padre”. Mas isso só revela ignorância
litúrgica, pois a hóstia é da assembleia.
No
abaixo assinado deles tinha até gente do Acre, no norte do país, mas aqui na
paróquia pouquíssimas pessoas deram bola pra isso.
Eu fico
tranquilo, porque sei que não sou o alvo. O alvo verdadeiro é a eclesiologia
do Papa Francisco.
Quais as perspectivas em curto prazo?
A
comunidade aqui da região fundou em 2010 o IPDM (Igreja Povo de Deus
em Movimento), que pretende ser um núcleo de articulação, reflexão e oração em
torno da proposta do Papa para a Igreja, numa perspectiva ecumênica. Com isso,
começamos a “expandir” as fronteiras da paróquia para dialogarmos com pessoas e
movimentos em outros cantos, estabelecer novas pontes. É uma prioridade para
mim e muita coisa já está sendo feita.
Além
disso, fomos “provocados” pelo Boulos [Guilherme Boulos, líder nacional do MTST]. Em dezembro
ele nos convidou para assumirmos a evangelização nas ocupações de sem teto a
partir de uma perspectiva também ecumênica. Estamos nos organizando para isso.
É um desafio. E pensar que nos anos 80 em todas as ocupações aqui na zona leste
(e não só aqui) estavam presentes padres e seminaristas aos montes, era a
Igreja “em saída”, “nas periferias existências”, desafio para o qual
o Papa Francisco nos re-convoca. É um começar de novo, mas entendendo
que vivemos uma época totalmente nova; há ocupações de milhares de pessoas sem
moradia em toda a cidade e a Igreja ou inexiste ou tem uma presença tímida, e
mesmo essa presença tímida sofre em muitos casos a perseguição dos católicos
reacionários. [em 17 de janeiro, dia seguinte à segunda rodada da
entrevista, Guilherme Boulos foi preso numa desocupação violenta
realizada pela PM no leste de São Paulo e o padre Paulo, ao lado dos
padres Júlio Lancelotti, vigário da Pastoral do Povo da Rua,
e Tarcísio Mesquita, da Paróquia Nossa Senhora do Bom Parto, também
na Zona Leste, acorreram para a delegacia, em solidariedade – e foram todos os
três sacerdotes alvos de postagens agressivas e ofensivas dos movimentos
católicos integristas nas redes sociais]
Nota:
[1] “Com
prazer, aceitei o convite dos Padres sinodais para redigir esta Exortação. Para
o efeito, recolho a riqueza dos trabalhos do Sínodo; consultei também várias
pessoas e pretendo, além disso, exprimir as preocupações que me movem neste
momento concreto da obra evangelizadora da Igreja. Os temas relacionados com a
evangelização no mundo atual, que se poderiam desenvolver aqui, são
inumeráveis. Mas renunciei a tratar detalhadamente esta multiplicidade de
questões que devem ser objeto de estudo e aprofundamento cuidadoso. Penso,
aliás, que não se deve esperar do magistério papal uma palavra definitiva ou completa
sobre todas as questões que dizem respeito à Igreja e ao mundo. Não convém que
o Papa substitua os episcopados locais no discernimento de todas as
problemáticas que sobressaem nos seus territórios. Neste sentido, sinto a
necessidade de proceder a uma salutar ‘descentralização’” (16).
Fonte:
http://www.ihu.unisinos.br
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
RAUL MARAVI: Missa de Ação de Graças-01.
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RAUL MARAVI: 25 de vida religiosa.
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terça-feira, 24 de janeiro de 2017
CAPÍTULO DOS CARMELITAS-2017: Frei Vicente.
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CAPÍTULO DOS CARMELITAS-2017: A Missão da CRB.
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A CAMINHO DO CAPÍTULO: Um sobre o 2º dia.
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ORDEM TERCEIRA: 3 Anos de Missão.
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
A CAMINHO DO CAPÍTULO-01: Frei Marlon.
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A CAMINHO DO CAPÍTULO-01: Frades Carmelitas.
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domingo, 22 de janeiro de 2017
O QUE É UM CAPÍTULO PROVINCIAL?
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
AMAR A VIDA: Frei Petrônio.
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*Sebastião: testemunha de Cristo
Orani João, Cardeal Tempesta
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do
Rio de Janeiro, RJ
No
próximo dia 20 de janeiro teremos a graça de celebrar o padroeiro de Nossa
Arquidiocese, São Sebastião. O Santo é padroeiro da Cidade e do Estado do Rio
de Janeiro. São Sebastião é um dos santos mais famosos entre o povo brasileiro.
Por causa de sua poderosa intercessão e incontáveis milagres obtidos, ele se
tornou padroeiro de muitas cidades, e outras tantas cidades e bairros por todo
o Brasil receberam o nome de São Sebastião. Nossa Arquidiocese se prepara para
esta grande festa, com a Trezena de São Sebastião, que neste ano o contempla
como “padroeiro das famílias cariocas”, além de nos ensinar a ser solidários
com os necessitados, com o incremento das arrecadações da caridade social em
todas as paróquias.
A
fortaleza para superar os diferentes tipos de dificuldades e situações foi um
traço que marcou a vida de São Sebastião, e ele nos anima a ter o mesmo
espírito de confiança total em Deus e audácia cristã para fazer da vida uma
caminhada segura rumo à felicidade.
São
Sebastião (256-288) nasceu na França e logo foi com os pais para Milão, na
Itália. Nas terras italianas cresceu na fé cristã, e ficou famoso como valente
soldado e depois capitão da guarda do imperador Romano. Os cristãos eram
perseguidos na época e muitos foram presos e martirizados, porém, só aos poucos
as pessoas souberam que São Sebastião era cristão e, enquanto isso, ele
conseguiu ajudar muitas pessoas presas por seguirem o Cristianismo, diminuindo
as penas, dando alimento e animando a perseverarem na fé em Cristo, mesmo que
isso implicasse o martírio.
Na
época em que o imperador empreendia a expulsão de todos os cristãos do seu
exército, Sebastião foi denunciado por um soldado. Diocleciano sentiu-se
traído, e ficou perplexo ao ouvir do próprio Sebastião seu testemunho de que
era cristão. Tentou, em vão, fazer com que ele renunciasse ao cristianismo, mas
Sebastião com firmeza se defendeu, apresentando os motivos que o animava a
seguir a fé cristã, e a socorrer os aflitos e perseguidos.
O Imperador,
enraivecido ante os sólidos argumentos daquele cristão autêntico e decidido,
deu ordem aos seus soldados para que o matassem a flechadas. Tal ordem foi
imediatamente cumprida: num descampado, os soldados despiram-no, amarraram-no a
um tronco de árvore e atiraram nele uma chuva de flechas. Depois o abandonaram
para que sangrasse até a morte.
Irene,
mulher do mártir Castulo, foi com algumas amigas ao lugar da execução, para
tirar o corpo de Sebastião e dar-lhe sepultura. Com assombro, comprovaram que o
mesmo ainda estava vivo. Desamarraram-no, e Irene o escondeu em sua casa,
cuidando de suas feridas. Passado um tempo, já restabelecido, São Sebastião
quis continuar seu processo de evangelização e, em vez de se esconder, com
valentia apresentou-se de novo ao imperador, censurando-o pelas injustiças
cometidas contra os cristãos, acusados de inimigos do Estado.
Diocleciano
ignorou os pedidos de Sebastião para que deixasse de perseguir os cristãos, e
ordenou que ele fosse espancado até a morte, com pauladas e golpes de bolas de
chumbo. E, para impedir que o corpo fosse venerado pelos cristãos, jogaram-no
no esgoto público de Roma. Uma piedosa mulher, Santa Luciana, resgatou o corpo
do santo e o sepultou nas catacumbas. Isso aconteceu no ano de 287. Mais tarde,
no ano de 680, suas relíquias foram solenemente transportadas para uma basílica
construída pelo Imperador Constantino, onde se encontram até hoje.
São
Sebastião é um exemplo de coragem ante os obstáculos da vida e fidelidade mesmo
diante das contrariedades e perseguições. É interessante notar o seu empenho em
fazer o bem ocultamente, aproveitando todas as circunstâncias para semear
alegria, consolo e ânimo para as pessoas próximas, mesmo sabendo que quando
fosse descoberto poderia ter complicações. São Sebastião também pode ser
reconhecido por sua prontidão em fazer a Vontade de Deus e enorme espírito de
serviço, pois após recobrar a saúde ele se volta para os outros e quer
continuar fazendo o bem, sem achar que já fez muito na vida e que agora precisa
repousar.
Ao
olhar para São Sebastião, que sofreu e morreu, lembramos que ele seguiu o
caminho de Cristo que sofreu, morreu e venceu a morte. No acontecimento
Salvífico da Sexta-feira Santa no Calvário, traduz-se profundamente o amor de
Deus pela humanidade. Ali se dá a realização do sonho de Deus por cada um dos
Seus filhos. Dando-Se por amor, Ele traz o céu à terra e nos resgata de nossas
misérias. É em torno de nossas misérias que o amor de Deus age e se realiza.
São
Sebastião tornou-se defensor da Igreja como soldado, como capitão e ainda como
apóstolo daqueles que eram presos. Também foi apóstolo dos mártires, os que
confessavam Jesus em todas as situações, renunciando à própria vida. O coração
de São Sebastião tinha esse desejo: ser cristão até o fim de seus dias. E
quando denunciado como cristão, lá estava ele diante do imperador. Mas nosso
santo deixou claro, com muita sabedoria, auxiliado pelo Espírito Santo, que
mesmo sendo um bom soldado era um cristão convicto.
São
Sebastião é exemplo de homem que foi coerente com a fé católica. Por
consequência, tendo a coragem de dizer que a Vida é inalienável, desde a
concepção até o seu termo natural, e que os símbolos de nossa fé não podem se
curvar diante dos Imperadores de plantão.
Socorrei-nos,
glorioso Mártir São Sebastião, para que saibamos ser anunciadores da
misericórdia e da verdade. Que saibamos viver o santo Evangelho de cada dia.
Fonte: http://www.cnbb.org.br
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São Sebastião,
São Sebastião de Joelhos
Solidariedade às famílias nas terras de São Sebastião
Dom Orani, Cardeal Tempesta
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do
Rio de Janeiro, RJ
Na
mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano, o Papa Francisco anunciou o
princípio da missão de um novo dicastério: “No dia 1º de janeiro de 2017, nasce
o novo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que
ajudará a Igreja a promover, de modo cada vez mais eficaz, «os bens
incomensuráveis da justiça, da paz e da salvaguarda da criação» e da solicitude
pelos migrantes, «os necessitados, os doentes e os excluídos, os marginalizados
e as vítimas dos conflitos armados e das catástrofes naturais, os reclusos, os
desempregados e as vítimas de toda e qualquer forma de escravidão e de
tortura». Toda a ação nesta linha, ainda que modesta, contribui para construir
um mundo livre da violência, o primeiro passo para a justiça e a paz”. A
preocupação com a situação de exclusão e pobreza tem sido constante do Papa
Francisco.
Temos
que fomentar essas virtudes que, juntamente com a salvação, nos ajudam a servir
bem a Deus e ao próximo. A grande virtude é o amor e a caridade. A caridade
leva-nos a compreender, a desculpar, a conviver com todos, de maneira que
aqueles que pensam ou atuam de um modo diferente do nosso em matéria social,
política ou mesmo religiosa, devem ser objeto também do nosso respeito e do
nosso apreço. Esta caridade e esta benignidade não se devem converter, de forma
alguma, em indiferença no tocante à verdade e ao bem; mais ainda, a verdade que
salva. Mas é necessário distinguir entre o erro, que sempre deve ser evitado, e
o homem que erra, pois este conserva a dignidade da pessoa mesmo quando está
dominado por ideias falsas, insuficientes em matéria religiosa.
A
caridade incita-nos à oração, à exemplaridade, ao apostolado, à correção
fraterna, confiando em que todo o homem é capaz de retificar os seus erros. Se
vez por outra as ofensas, as injúrias, as calunias forem particularmente
dolorosas, pediremos ajuda a Nossa Senhora, que contemplamos frequentemente ao
pé da Cruz, sentindo muito de perto todas as infâmias contra o seu Filho;
grande parte daquelas injúrias, não o esqueçamos, saíram dos nossos lábios e
das nossas ações. Os agravos que nos fazem hão de doer-nos, sobretudo pela
ofensa a Deus que representam e pelo mal que podem ocasionar a outras pessoas,
e hão de mover-nos a desagravar a Deus e a oferecer-lhe toda a reparação que
pudermos.
O
coração do Cristão tem de ser grande. A sua caridade, evidentemente, deve ser
ordenada e, portanto, deve começar pelos mais próximos, pelas pessoas que, por
vontade divina, estão à sua volta. No entanto, o seu afeto nunca pode ser
excludente ou limitar-se a âmbitos reduzidos. O Senhor não quer um apostolado
de horizontes estreitos. A atitude do Cristão, a sua convivência com todos,
deve ser como uma generosa torrente de carinho sobrenatural e de cordialidade
humana, que banha tudo à sua passagem.
As cartas
do Apostólo João insistem no mesmo aspecto catequético, e, com clareza
apostólica, afirmam que aquele que diz amar a Deus e não amar a seus irmãos é
um mentiroso. E continuam: que é muito fácil proclamar que amamos a Deus, a
quem não vemos, mas se desprezamos os irmãos que estão a nosso lado, onde está
a caridade, onde está o amor? (1Jo.4,20).
São
Paulo, na sua Carta aos Coríntios (Coríntios 13), proclama e exalta a caridade.
Quase sabemos de cor o texto maravilhoso. Somos levados a interpretar esse hino
como o amor ao Pai Celeste. Mas, o apostólo fala da excelência do amor entre os
irmãos. Ainda que eu falasse todas as línguas dos anjos, ou tivesse toda a
ciência, sem a caridade seria um bronze que soa e cujo som se perde nas
quebradas dos montes. Logo a seguir nos ensina em que consiste a caridade: na
paciência, na humildade, no fazer o bem, na longanimidade, na partilha da dor e
da alegria com os irmãos, no perdão tão difícil. E conclui pela perenidade do
amor e da caridade. Tudo cessa quando vier a perfeição, exceto a caridade, pela
qual seremos medidos.
Documentos
não faltam para colocar em pauta que a consequência do amor a Deus e ao próximo
é a caridade, que se concretiza em ações de quem ama o seu próximo. Na festa de
São Sebastião sempre temos a ação social, com o recolhimento de alimentos para
os necessitados. Em geral, o fazemos na procissão, porém, dependendo da
ocasião, durante toda a Trezena.
A
própria Trezena marca esse gesto com algumas visitas específicas a locais que
estão ligados à caridade social: teremos, ao longo destes treze dias em que
festejamos o nosso padroeiro, várias visitas em basílicas, paróquias e capelas,
mas teremos as visitas que marcam a questão social e caritativa. São elas: casa
Betânia - Asilo Orionita, hospital Federal de Bonsucesso, Puericultura e
Pediatria Martagão Gesteira, Hospital Universitário Clementino Fraga Filho,
Hospital HFAG, Casa Gerontológica da Aeronáutica, Centro de sócioeducação Dom
Bosco – DEGASE, Centro de sócioeducação Prof. Antônio Carlos Gomes da Costa –
DEGASE, Escola João Luís Alves, Hospital da Gamboa, Santa Casa de Misericórdia,
Hospital Naval Nossa Senhora da Glória, Associação Beneficente São Martinho,
Inca (Instituto Nacional do Câncer), Hospital Central do Exército, Instituto
Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), Casa de Idosos Socorrinho,
Hospital Mario Kroeff, Casa Geriátrica, Hospital São Vicente, Hospital da
PMERJ, Educandário Santo Expedito, DEGASE, Presídio Talavera Bruce (feminino),
Complexo Penitenciário de Gericinó, Comunidade das Irmãs de Calcutá, Hospital
Marcílio Dias, Secretaria de Segurança Pública e Missa na Casa do Padre.
Portanto,
queremos que estes dias da Trezena sejam marcados pela celebração e sejam assim
ressaltadas três atitudes: o amor, a misericórdia e a caridade. É claro que, ao
exercitarmos estas três atitudes, aumenta em nós o dom da fé. Que São Sebastião
nos ilumine nesta caminhada da Trezena e nos ajude a plantar o amor, a viver a
misericórdia e a testemunhar vivamente a caridade.
Ao
iniciar a Trezena, lançaremos a Campanha de Solidariedade Especial, na qual
pedimos o incremento das ofertas para a caridade social às paróquias para fazer
frente às novas situações de necessidades que grassam em nossa cidade, como a
questão do desemprego, a falta de pagamento dos salários, além das situações de
miséria já existentes. “Somos solidários como São Sebastião”, que não hesitou
de visitar os cárceres para ajudar os cristãos perseguidos. Agora é necessário
esse socorro especial para minimizar a crise pela qual passam as pessoas. A
Caritas da Arquidiocese coordenará esse trabalho. Cada Paróquia arrecada e
distribui as cestas básicas para as pessoas que as necessitam em seu âmbito
paroquial. O dinheiro depositado na conta da Caritas e a arrecadação da
procissão de São Sebastião irão para algumas entidades que distribuem alimentos
para os que o necessitam hoje.
Dessa
forma, a nossa resposta capilarizada através das paróquias ajudará a tantas
pessoas que passam por angústias diante da situação pessoal ou familiar. É uma
tradição de a Igreja ir ao encontro das pessoas para socorrê-las. E isso sem
distinção de religião ou situação familiar.
Dessa
forma, a missão popular na festa de nosso padroeiro – “São Sebastião, padroeiro
das famílias cariocas” – vai desabrochar e aumentar a dimensão com a
solidariedade dos cristãos com as pessoas que sofrem, pois “somos solidários
como São Sebastião”.
São
Sebastião, rogai por nós! Fonte: http://www.cnbb.org.br
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20 de janeiro: São Sebastião
Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São
João Maria Vianney
Depois
de amanhã, dia 20, celebraremos a solenidade do glorioso mártir São Sebastião,
padroeiro da Cidade maravilhosa e do nosso Estado do Rio de Janeiro.
Segundo
nos explica Dom Orani João Tempesta, Cardeal Arcebispo de São Sebastião do Rio
de Janeiro, ele nasceu em Narbona, uma cidade ao Sul da França, no século III.
Era filho de uma família ilustre. Ficou órfão do pai ainda menino, e então, foi
levado para Milão por sua mãe, onde passou os primeiros anos da infância e
juventude.
A mãe
educou-o com esmero e muito zelo. Ele ingressou no exército imperial, e, por
sua cultura e grande capacidade atingiu os mais altos graus da hierarquia
militar, chegando a ocupar o posto de Comandante do Primeiro Tribunal da Guarda
Pretoriana durante o reinado de Diocleciano, um dos mais severos imperadores
romanos, perseguidor dos cristãos.
Foi
denunciado ao Imperador como sendo cristão. Mesmo sendo um bom soldado romano,
suas atitudes demonstravam sua fé cristã, e, diante de todos, confessou
bravamente sua convicção. Foi acusado, então, de traição. Na época, o imperador
tinha abolido os direitos civis dos cristãos. Por não aceitar renunciar a
Cristo, São Sebastião foi condenado à morte, sendo amarrado a um tronco de
árvore e flechado. Porém, não morreu ali. Foi encontrado vivo por uma mulher
cristã piedosa que tinha vindo buscar o seu corpo. Diante do ocorrido,
recuperada a saúde, apresentou-se diante do Imperador e reafirmou sua convicção
cristã. E nova sentença de morte veio sobre ele: foi condenado ao martírio no
Circo. Sebastião foi executado, então, com pauladas e boladas de chumbo, sendo
açoitado até a morte e jogado nos esgotos perto do Arco de Constantino. Era 20
de janeiro.
Seu
corpo foi resgatado e levado para as catacumbas romanas com grande honra e
piedade. Sua fama se espalhou rapidamente. Suas relíquias repousam sobre a
Basílica de São Sebastião, na via Apia, em Roma. O Papa Caio escolheu-o como
defensor da Igreja e da fé.
Nesses
tempos de grande negação da fé e de valores espirituais e religiosos, humanos e
sociais, São Sebastião torna-se um grande modelo de ajuda para nós hoje,
principalmente aos jovens, envoltos em grande confusão moral e espiritual. Ele
é um sinal de fidelidade a Cristo mesmo com as pressões contrárias. Dessa
forma, ele continua anunciando Jesus Cristo, por quem viveu, até os dias de
hoje. Ele nos ensina a não desanimarmos com as flechadas que recebemos e a
continuarmos firmes na fé.
Um
mártir não deve ser um estranho para nós. Ainda em pleno século XXI encontramos
irmãos e irmãs nossas que são mortos em tantos países, outros têm ainda seus
direitos civis cassados por serem cristãos, outros são condenados à prisão ou à
morte por aderirem ao Cristianismo, e ainda são expulsos de suas cidades e suas
igrejas queimadas. Além disso, muitos são martirizados em sua fama, em sua
honra e tantas outras maneiras modernas de “matar” pessoas por causa da fé ou
de suas convicções cristãs. Fonte: http://www.cnbb.org.br
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017
DIA 18: VEM PARA O MEIO!
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domingo, 15 de janeiro de 2017
Íntegra da homilia do Papa Francisco feita na missa de Aparecida
Papa falou sobre os jovens e lembrou ida
à cidade, em conferência de 2007.
Milhares acompanharam missa no Santuário Nacional, no interior de SP.
Leia
a íntegra do discurso a seguir:
"Venerados irmãos no episcopado e
sacerdócio, queridos irmãos e irmãs!
(Quarta-feira,
24 de julho de 2013)
Quanta alegria me dá vir à casa da Mãe de cada brasileiro, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. No dia seguinte à minha eleição como Bispo de Roma fui visitar a Basílica de Santa Maria Maior, para confiar a Nossa Senhora o meu ministério.
Hoje, eu quis vir aqui para suplicar à Maria, nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude e colocar aos seus pés a vida do povo latino-americano.
Encorajemos a generosidade que caracteriza
os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem protagonistas da
construção de um mundo melhor: eles são um motor potente para a Igreja e para a
sociedade. Eles não precisam só de coisas, precisam sobretudo que lhes sejam
propostos aqueles valores imateriais que são o coração espiritual de um povo, a
memória de um povo"
Papa Francisco
Queria dizer-lhes, primeiramente, uma
coisa. Neste Santuário, seis anos atrás, quando aqui se realizou a 5ª
Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, pude dar-me
conta pessoalmente de um fato belíssimo: ver como os bispos – que trabalharam
sobre o tema do encontro com Cristo, discipulado e missão – eram animados,
acompanhados e, em certo sentido, inspirados pelos milhares de peregrinos que
vinham diariamente confiar a sua vida a Nossa Senhora: aquela Conferência foi
um grande momento de vida de Igreja.
E, de fato, pode-se dizer que o
Documento de Aparecida nasceu justamente deste encontro entre os trabalhos dos
Pastores e a fé simples dos romeiros, sob a proteção maternal de Maria. A
Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: “Mostrai-nos
Jesus”. É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E, por isso, a
Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria.
Assim, de cara à Jornada Mundial da
Juventude que me trouxe até o Brasil, também eu venho hoje bater à porta da
casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores
do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores
que farão deles construtores de um país e de um mundo mais justo, solidário e
fraterno.
Para tal, gostaria de chamar atenção
para três simples posturas: conservar a esperança; deixar-se surpreender por
Deus; viver na alegria.
Conservar a esperança: A segunda leitura
da missa apresenta uma cena dramática: uma mulher, figura de Maria e da Igreja,
sendo perseguida por um dragão – o diabo – que quer lhe devorar o filho. A
cena, porém, não é de morte, mas de vida, porque Deus intervém e coloca o filho
a salvo.
Quantas dificuldades na vida de cada um,
no nosso povo, nas nossas comunidades, mas, por maiores que possam parecer,
Deus nunca deixa que sejamos submergidos. Frente ao desânimo que poderia
aparecer na vida, em quem trabalha na evangelização ou em quem se esforça por
viver a fé como pai e mãe de família, quero dizer com força: Tenham sempre no
coração esta certeza! Deus caminha a seu lado, nunca lhes deixa desamparados!
Nunca percamos a esperança! Nunca deixemos que ela se apague nos nossos corações! O “dragão”, o mal, faz-se presente na nossa história, mas ele não é o mais forte. Deus é o mais forte, e Deus é a nossa esperança! É verdade que hoje, mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar a esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer.
Frequentemente, uma sensação de solidão e de vazio entra no coração de muitos e conduz à busca de compensações, destes ídolos passageiros. Queridos irmãos e irmãs, sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade.
Nunca percamos a esperança! Nunca deixemos que ela se apague nos nossos corações! O “dragão”, o mal, faz-se presente na nossa história, mas ele não é o mais forte. Deus é o mais forte, e Deus é a nossa esperança! É verdade que hoje, mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar a esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer.
Frequentemente, uma sensação de solidão e de vazio entra no coração de muitos e conduz à busca de compensações, destes ídolos passageiros. Queridos irmãos e irmãs, sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade.
Encorajemos a generosidade que
caracteriza os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem
protagonistas da construção de um mundo melhor: eles são um motor potente para
a Igreja e para a sociedade. Eles não precisam só de coisas, precisam sobretudo
que lhes sejam propostos aqueles valores imateriais que são o coração
espiritual de um povo, a memória de um povo.
Neste santuário, que faz parte da
memória do Brasil, podemos quase que apalpá-los: espiritualidade, generosidade,
solidariedade, perseverança, fraternidade, alegria; trata-se de valores que
encontram a sua raiz mais profunda na fé cristã.
A segunda postura: Deixar-se surpreender
por Deus. Quem é homem e mulher de esperança – a grande esperança que a fé nos
dá – sabe que, mesmo em meio às dificuldades, Deus atua e nos surpreende. A
história deste Santuário serve de exemplo: três pescadores, depois de um dia
sem conseguir apanhar peixes, nas águas do Rio Paraíba, encontram algo
inesperado: uma imagem de Nossa Senhora da Conceição.
Quem poderia imaginar que o lugar de uma
pesca infrutífera, tornar-se-ia o lugar onde todos os brasileiros podem se
sentir filhos de uma mesma Mãe? Deus sempre surpreende, como o vinho novo, no
Evangelho que ouvimos. Deus sempre nos reserva o melhor. Mas pede que nos
deixemos surpreender pelo seu amor, que acolhamos as suas surpresas. Confiemos
em Deus!
Longe d’Ele, o vinho da alegria, o vinho
da esperança, se esgota. Se nos aproximamos d’Ele, se permanecemos com Ele,
aquilo que parece água fria, aquilo que é dificuldade, aquilo que é pecado, se
transforma em vinho novo de amizade com Ele.
A terceira postura: Viver na alegria.
Queridos amigos, se caminhamos na esperança, deixando-nos surpreender pelo
vinho novo que Jesus nos oferece, há alegria no nosso coração e não podemos
deixar de ser testemunhas dessa alegria.
O cristão é alegre, nunca está triste.
Deus nos acompanha. Temos uma mãe que sempre intercede pela vida dos seus
filhos, por nós, como a rainha Ester na primeira leitura. Jesus nos mostrou que
a face de Deus é a de um Pai que nos ama. O pecado e a morte foram derrotados.
O cristão não pode ser pessimista! Não
pode ter uma cara de quem parece num constante estado de luto. Se estivermos
verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos o quanto Ele nos ama, o nosso
coração se “incendiará” de tal alegria que contagiará quem estiver ao nosso
lado. Como dizia Bento XVI, aqui, neste santuário: “o discípulo sabe que sem
Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro”.
Queridos amigos, viemos bater à porta da casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu Filho. Agora Ele nos pede: “Fazei o que Ele vos disser”. Sim, Mãe nossa, nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria. Assim seja."
Queridos amigos, viemos bater à porta da casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu Filho. Agora Ele nos pede: “Fazei o que Ele vos disser”. Sim, Mãe nossa, nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria. Assim seja."
Fonte:
http://g1.globo.com
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Integra da Homilia do Papa Francisco no Santuário Nacional
sábado, 14 de janeiro de 2017
CORDEIRO DE DEUS: Frei Petrônio
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ZYGMUNT BAUMAN: Dos impasses da solidão em rede
"Para Bauman, a promessa de que a riqueza acumulada pelos que estão no topo chegaria aos que se encontram mais abaixo é uma grande mentira", escreve Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul, publicada por Sul21, 09-01-2017.
Eis o artigo.
Zygmunt
Bauman concedeu recentemente entrevista ao El País (09/01), publicada
sob a designação “As redes sociais são uma armadilha”. O
título da matéria não faz justiça ao seu verdadeiro conteúdo, que refere
ao 15-M da Espanha dos “indignados”, de maio de 2011. À época, estes
movimentos, através de mecanismos de democracia direta, ainda exploravam
exclusivamente esta forma de participação, não de forma combinada, mas “contra”
as instâncias políticas tradicionais.
A
chamada “classe política” espanhola, no período, estava dividida entre os
remédios neoliberais do Partido Popular e a moderação
liberal-centrista do Partido Socialista Espanhol, que, ao fim ao cabo
-quando no poder- governava de maneira mais ou menos idêntica ao seu
tradicional adversário de direita. A maioria dos protagonista do 15-M organizou-se, politicamente, num
novo Partido, o “Podemos”, cuja fundação reordenou a
democracia espanhola, dando a ela uma nova vitalidade. Foi uma conquista das
redes: o “virtual” fez as pessoas se encontrarem no mundo “real” das ruas e
construírem, pelas suas mãos e cérebros, um novo protagonismo político, fundado
na transação de afetos e idéias, de forma direta entre as pessoas.
Entre
diversas preciosidades e formulações doutrinárias deste grande intelectual do
nosso tempo, duas me chamaram atenção pelo poderoso apelo à reflexão que
incitam, neste mundo trágico e demente que vivemos: 1. “O 15-M, de certa
forma, foi uma explosão de solidariedade, mas as explosões são potentes e
breves”. 2. “O poder se globalizou, mas as políticas são tão locais quanto
antes (…) a política tem as mãos cortadas(…) as instituições democráticas não
foram estruturadas para conduzir situações de
interdependência”. Bauman é o mesmo que, em várias oportunidades,
sustentou que a “promessa de que a riqueza acumulada pelos que estão no topo
chegaria aos que se encontram mais abaixo é uma grande mentira!”.
A perda
do sentido da identidade, num mundo cada vez mais individualista, proporcionou
que a vida coletiva em “rede” se tornasse uma forma de compensar a ausência da
comunhão real entre pessoas. O que as redes sociais geram, todavia –
adverte Bauman – é um “substituto” comunitário, não uma comunidade
verdadeiramente humana. Esta, de forma autêntica, só é construída por
sucessivos laços identitários de convívio, tanto no cotidiano como na história.
É verdadeiro que nas “redes” – ainda segundo Bauman – os indivíduos
se sentem um pouco melhor, “porque a solidão é a grande ameaça nestes tempos
individualistas”, mas nelas (redes) é possível “deletar”, tanto o contato
imediato que pede mais tolerância, como aquela interlocução que não agrada,
porque vem do “diferente”: a tolerância, porém, é a qualidade humana mais
elevada e a identidade humana verdadeira, só pode existir pelo contraste da
diferença e das suas lições.
A
contradição entre as necessidades locais e regionais e as questões políticas e
econômicas globais, estão expostas todos os dias nas guerras pelo poder sobre
as fontes de energia fóssil, na luta sem quartel pelos
derradeiros territórios agricultáveis e pelo controle das reservas
aquíferas do planeta. A crise é ascendente, porém, não por um adquirido
sentido de maldade dos seres humanos, mas porque o capital precisa radicalizar
as formas de controle destas riquezas naturais, visando a continuidade
equilibrada do funcionamento da economia dos grandes países industrializados.
Especialmente dos que devem ser reiteradamente financiados, para não sucumbir
como nação.
É o
caso dos EUA, cujo “buraco negro” do seu Tesouro explodiria se
a China – quem diria – subitamente deixasse de comprar os seus
papéis. “O insaciável apetite da América” pelo financiamento da sua dívida –
disse um filósofo – é, ao mesmo tempo que um passivo permanente, um ativo
gigantesco: a “não explosão” de quem faz a pauta militar do mundo é o que dá
sentido “comunitário” a sua liderança (manipulatória), que proporciona a
proteção contra o inimigo comum, o “diferente”, que por escassez de meios,
ainda mantém as suas reservas estratégicas de petróleo, terra e água para
serem exploradas pelos mais fortes.
As
“explosões de solidariedade” são importantes e fixam novos parâmetros para
fazer política. E “fazer política” significa criar mediações, dentro da ordem,
se o regime é democrático, e contra ela – se ele deixa de ser democrático. O
objetivo é dirigir o Estado de forma legítima para responder às
maiorias, combater a pobreza, a miséria, o crime, a insegurança, a solidão
e a insanidade, numa sociedade compartimentada e egoísta. Mas as explosões de
solidariedade na luta contra a extorsão do futuro – encomendada pelas reformas
“liberais” – são breves e impotentes, se não se transformam em organização,
programa, tática e estratégia.
É
fundamental levar em consideração que os confrontos de interesse entre classes
e entre os projetos de nação, hoje, tem duas determinações históricas que
exigem a recriação dos movimentos emancipatórios, num contexto universal muito
mais complexo do que no século passado: primeiro, a nação só é passível de ser
construída, hoje, com interdependência consciente, na qual não se abdica da
soberania, mas esta assimila a interdependência; segundo, as “redes”,
eternamente reproduzidas como aproximação virtual entre os sujeitos, só
reforçarão a solidão e o isolamento -propício para o amortecimento da
criatividade humana- caso as relações entre pessoas e grupos não transcendam
para espaço democrático de rua e para as instâncias políticas do Estado.
Um dos
limites mais graves e autoritários dos projetos socialistas revolucionários do
passado, foi o não reconhecimento – na própria construção da nova sociedade –
que ela deveria ser um abrigo de formas diversificadas, “belas e livres” de
“convivência humana”, passado o período da agressão do nazi-fascismo. “E são belas
e livres” – como diz Agnes Heller – “todas as formas as
quais a comunidade não obstaculiza, mas antes favorece o desenvolvimento
multilateral harmonioso das faculdades e dos carecimentos humanos.” Dentro da
crise e do caos é que se reconstroem as mais belas utopias e as energias para
revidar à brutalidade e à desumanidade. Chacinas e como a
de Campinas ocorrem todos os dias, em todos os lugares do planeta.
Mas a carta que a justifica e exalta é um sintoma de doença grave, tanto do
indivíduo que foi o seu autor, como da sociedade que o gerou. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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DIA 14: QUEM PRECISA DE CONVERSÃO?
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
Papa aos jovens: ouçam a voz de Deus, construam um mundo melhor
Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco enviou
uma carta aos jovens, nesta sexta-feira (13/01), de apresentação do documento
preparatório do Sínodo dos Bispos de 2018.
O
Pontífice inicia a carta manifestando sua alegria de anunciar aos jovens que,
em outubro de 2018, se realizará a 15ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos
sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.
O
documento preparatório foi apresentado, esta manhã, na Sala de Imprensa da
Santa Sé. Um dos objetivos do texto é encontrar as melhores maneiras para
acompanhar os jovens a reconhecer e acolher o chamado à vida plena e anunciar o
Evangelho de maneira eficaz.
A carta
dá início a uma fase de estudo da parte do Povo de Deus. É endereçada às
Conferências Episcopais, aos Conselhos dos Hierarcas das Igrejas Orientais
Católicas, aos departamentos da Cúria Romana e à União dos Superiores Gerais.
Espera-se também a participação dos jovens através de um site.
O
Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, Cardeal Lorenzo Baldisseri, abriu a
coletiva com os jornalistas apresentando a estrutura do documento que tem como
objetivo recolher informações sobre a atual condição sociocultural dos jovens
de 16 a 29 anos, nos vários contextos em que vivem, a fim de entendê-la, em
vista dos passos preparatórios sucessivos para a assembleia dos bispos.
O texto
é dividido em três partes: ver a realidade, a importância do discernimento, e
ação pastoral da comunidade eclesial. A Igreja deseja acompanhar os jovens na
descoberta e realização de sua vocação.
“Deve
ser esclarecido que o termo vocação deve ser entendido no sentido amplo e diz
respeito a grande variedade de possibilidade de realização concreta da própria
vida na alegria do amor e na plenitude decorrente do dom de si a Deus e aos
outros. Trata-se de encontrar a forma concreta em que esta realização plena
possa se realizar através de uma série de escolhas, que articulam estado de
vida, matrimônio, ministério ordenado, vida consagrada, etc. profissão
modalidade de compromisso social e político, estilo de vida, gestão do tempo e
dinheiro, etc”, disse o Cardeal Baldisseri na coletiva.
Completa
o documento preparatório um questionário que prevê a coleta de dados
estatísticos sobre cada igreja local, a resposta a várias perguntas para
entender melhor casa situação e a partilha de boas práticas pastorais em
andamento para que possam ser de ajuda a toda a Igreja.
Os
jovens serão plenamente envolvidos nesta fase preparatória através de um site a
fim de recolher suas expectativas e vida.
“O
próximo Sínodo não quer somente se interrogar sobre como acompanhar os jovens
no discernimento de sua escolha de vida à luz do Evangelho, mas quer também
colocar-se à escuta de seus desejos, projetos e sonhos que os jovens têm para
sua vida, como também das dificuldades que encontram para realizar o seu
projeto a serviço da sociedade à qual pedem para ser protagonistas ativos”,
disse o Subsecretário do Sínodo dos Bispos, Mons. Fabio Fabene.
Para
envolver os jovens serão criadas várias iniciativas, vigílias de oração,
encontros internacionais e concertos. As respostas ao questionário do documento
preparatório e as dos jovens serão a base para a redação do Documento de
trabalho o Instrumentum laboris, que será o ponto de referência para o debate
dos Padres sinodais.
A seguir, a carta do Papa aos jovens.
“Quis
que vocês estivessem no centro das atenções, porque os tenho em meu coração.
Exatamente hoje foi apresentado o Documento preparatório, que confio também a
vocês como «bússola» ao longo deste caminho”.
Sair
“Vêm-me
à mente as palavras que Deus dirigiu a Abraão: «Sai de sua terra, do meio de
seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei».
Hoje, estas palavras são dirigidas também a vocês: são palavras de um Pai que
os convida a «sair» a fim de serem lançados em direção a um futuro
desconhecido, mas portador de realizações seguras, encontro ao qual Ele mesmo
os acompanha. Convido-os a ouvir a voz de Deus que ressoa em seus
corações através do sopro do Espírito Santo”, ressalta o Papa no texto.
“Quando
Deus disse a Abraão «Sai», o que queria lhe dizer? Certamente, não para fugir
de sua família, nem do mundo. O seu foi um convite forte, uma provocação, a fim
de que deixasse tudo e partisse para uma nova terra. Qual é para nós hoje esta
nova terra, a não ser uma sociedade mais justa e fraterna que vocês almejam
profundamente e desejam construir até às periferias do mundo?”
“Mas
hoje, infelizmente, o «Sai» adquire também um significado diferente. O da
prevaricação, da injustiça e da guerra. Muitos de vocês, jovens, estão
submetidos à chantagem da violência e são forçados a fugir de sua terra natal.
O seu clamor sobe até Deus, como o de Israel, escravo da opressão do Faraó”,
destaca o Pontífice.
Discernir
“Recordo-lhes também as palavras que certo dia Jesus proferiu aos discípulos, que lhe perguntavam: «Rabi, onde moras?». Ele respondeu: «Vinde e vede!». Jesus dirige o seu olhar também a vocês, convidando-os a caminhar com Ele.”
“Recordo-lhes também as palavras que certo dia Jesus proferiu aos discípulos, que lhe perguntavam: «Rabi, onde moras?». Ele respondeu: «Vinde e vede!». Jesus dirige o seu olhar também a vocês, convidando-os a caminhar com Ele.”
“Queridos
jovens, vocês encontraram este olhar? Ouviram esta voz? Sentiram este impulso a
pôr-se a caminho? Estou convencido de que, não obstante a confusão e a
perturbação deem a impressão de reinar no mundo, este apelo continua ressoando
em seu espírito para o abrir à alegria completa. Isto será possível na medida
em que, também através do acompanhamento de guias especializados, vocês
souberem empreender um itinerário de discernimento para descobrir o projeto de
Deus em sua vida. Mesmo quando o seu caminho estiver marcado pela precariedade
e pela queda, Deus rico de misericórdia estende a sua mão para os erguer”,
sublinha ainda o Papa.
Agir
Agir
Na
abertura da última Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, perguntei-lhes
várias vezes: «Podemos mudar as coisas?». E vocês gritaram juntos um «Sim!» retumbante.
Aquele grito nasce do seu coração jovem, que não suporta a injustiça e não pode
submeter-se à cultura do descarte, nem ceder à globalização da indiferença.
Escutem aquele clamor que vem do seu íntimo! Mesmo quando sentirem, como o
profeta Jeremias, a inexperiência de sua jovem idade, Deus os encoraja a ir
para onde Ele os envia: «Não tenha medo [...] pois eu estou com você para
protegê-lo».
Constrói-se um mundo melhor também graças a vocês, ao seu desejo de mudança e generosidade. Não tenham medo de ouvir o Espírito que lhes sugere escolhas audaciosas, não hesitem quando a consciência lhes pedir para arriscar a fim de seguir o Mestre. Também a Igreja deseja colocar-se à escuta de sua voz, de sua sensibilidade, de sua fé; até de suas dúvidas e suas críticas. Façam ouvir o seu grito. Deixem ele ressoar nas comunidades e o façam chegar aos pastores. São Bento recomendava aos abades que, antes de cada decisão importante, consultassem também os jovens porque «muitas vezes é exatamente ao mais jovem que o Senhor revela a melhor solução».
“Assim, através do caminho deste Sínodo, eu e os meus irmãos Bispos queremos, ainda mais, «colaborar para a sua alegria». Confio-lhes a Maria de Nazaré, uma jovem como vocês, à qual Deus dirigiu o seu olhar amoroso, a fim de que os tome pela mão e os guie para a alegria de um «Eis-me!» pleno e generoso”, conclui o Papa.
Constrói-se um mundo melhor também graças a vocês, ao seu desejo de mudança e generosidade. Não tenham medo de ouvir o Espírito que lhes sugere escolhas audaciosas, não hesitem quando a consciência lhes pedir para arriscar a fim de seguir o Mestre. Também a Igreja deseja colocar-se à escuta de sua voz, de sua sensibilidade, de sua fé; até de suas dúvidas e suas críticas. Façam ouvir o seu grito. Deixem ele ressoar nas comunidades e o façam chegar aos pastores. São Bento recomendava aos abades que, antes de cada decisão importante, consultassem também os jovens porque «muitas vezes é exatamente ao mais jovem que o Senhor revela a melhor solução».
“Assim, através do caminho deste Sínodo, eu e os meus irmãos Bispos queremos, ainda mais, «colaborar para a sua alegria». Confio-lhes a Maria de Nazaré, uma jovem como vocês, à qual Deus dirigiu o seu olhar amoroso, a fim de que os tome pela mão e os guie para a alegria de um «Eis-me!» pleno e generoso”, conclui o Papa.
Fonte: http://br.radiovaticana.va
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NÃO SER CARANGUEJO: Frei Petrônio.
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INVESTIR NA VIDA: Frei Petrônio.
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
CHUVAS NO RIO: O Caos-10.
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CHUVAS NO RIO: O Caos-07.
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CHUVAS NO RIO: O Caos-06
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CHUVAS NO RIO: O Caos-01.
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E SE JESUS... Evangelho do dia.
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
NÃO TER AMIGOS: Frei Petrônio.
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Quando uma mãe perde um filho, aproxime-se com lágrimas, não com palavras, diz o Papa.
Nas profundezas do
desespero, quando palavras e gestos já não ajudam, chorem com os que sofrem,
porque as lágrimas são as sementes da esperança, disse o Papa
Francisco.
Quando alguém está sofrendo, "é necessário compartilhar de seu desespero. A fim de enxugar as lágrimas do rosto de quem sofre, devemos nos unir ao seu choro. Esta é a única maneira de as nossas palavras poderem realmente oferecer um pouco de esperança", disse ele, no dia 4 de janeiro, durante sua última audiência pública semanal.
"E se não for possível oferecer estas palavras, de lágrimas, de tristeza, é melhor o silêncio, o carinho, um gesto, sem palavras", disse ele. A reportagem é de Carol Glatz, publicada por Catholic News Service, 04-01-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.
Em sua primeira audiência pública do ano, o Papa continuou
sua série de catequeses sobre a esperança cristã, refletindo a respeito da
tristeza inconsolável de Raquel e
do luto por seus filhos, que "já não existem", como disse o profeta Jeremias.
O fato de Raquel se recusar a ser consolada "expressa a profundidade
de sua dor e a amargura do seu choro", disse o Papa aos que estavam reunidos na Sala Paulo VI do Vaticano.
"Diante da tragédia da perda de seus filhos, uma mãe não suporta palavras ou gestos de consolo, que são sempre insuficientes, sempre incapazes de aliviar a dor de uma ferida que não pode e não quer ser curada", disse ele. A dor, disse o Papa, é proporcional ao amor em seu coração.
"Diante da tragédia da perda de seus filhos, uma mãe não suporta palavras ou gestos de consolo, que são sempre insuficientes, sempre incapazes de aliviar a dor de uma ferida que não pode e não quer ser curada", disse ele. A dor, disse o Papa, é proporcional ao amor em seu coração.
Raquel e seu choro, segundo
ele, representam cada mãe e cada pessoa ao longo da história que chora uma
"perda irreparável".
A recusa de Raquel também "nos ensina o quanto
é necessário ter sensibilidade" e a delicadeza com a qual se deve abordar
uma pessoa com dor, disse o Papa.
Jeremias mostra como Deus
respondeu a Raquel de uma forma amorosa e gentil, com palavras "genuínas,
não falsas".
O Papa declarou que Deus responde com uma promessa
de que suas lágrimas não são em vão e que seus filhos devem retornar do exílio
e então haverá nova vida e esperança.
"Lágrimas geraram esperança. Não é fácil de
entender, mas é verdade", disse ele.
"Muitas vezes, em nossa vida, as lágrimas
multiplicam a esperança, são sementes de esperança", afirmou Francisco, enfatizando que as
lágrimas de Maria ao pé da cruz geraram nova vida e esperança para aqueles que,
por meio de sua fé, tornaram-se seus filhos no corpo de Cristo: a Igreja.
Este "Cordeiro de Deus" inocente morreu
por toda a humanidade, o que é sempre importante lembrar, especialmente ao se
confrontar com a questão de por que os filhos sofrem neste mundo, disse ele.
O Papa declarou que quando as pessoas perguntam-lhe
o porquê de tanto sofrimento, ele não tem resposta. "Eu só digo: 'Olhe
para a cruz. Deus nos deu a seu filho, que aqui sofreu, e talvez lá você
encontre uma resposta."
Nenhuma palavra ou resposta cabível vêm à mente,
disse ele, só se pode olhar para o amor que Deus demonstrou ao oferecer seu
filho, que ofereceu a sua vida. Isto pode levar a algum caminho de consolo.
A palavra de Deus é a palavra definitiva de
consolação "porque nasce das lágrimas".
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