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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

REMAPEAMENTO DA CAMINHADA DOS CARMELITAS


NOVIÇOS-Turma 1933 (segundo explanações de Frei José Fragoso e uma palestra de Frei Jesus Castellano OCD na reunião da USG (União dos Superiores Gerais).

 
ONTEM
1) De eremitas a cenobitas (vida comunitária)
 
            É impossível situarmos o nascimento dos Carmelitas sem termos em mente o contexto sócio-político-religioso da época: uma sociedade em crise. Nesse contexto histórico surgem formas de contestação da Sociedade e da Igreja.
            Surgem na Igreja os peregrinos que adotam uma vida errante e pobre em contestação ao luxo e aos poderes da época.
            Com as Cruzadas e a reconquista da Terra Santa, os lugares de peregrinação mais procurados passam a ser os "Lugares Santos" da terra de Jesus. Muitos desses peregrinos/cruzados passaram a residir na Terra Santa como eremitas.
            No Monte Carmelo, um grupo de eremitas vive em solidão, oração e contemplação; o que os anima a viver este estilo de vida é a forte tradição do lugar: o Monte Carmelo de forte tradição Eliana e de forte tradição Mariana. Esse grupo procura imitar Elias nessa busca de Deus, que se encontra na solidão.
            Tiveram como inspiração principal a primeira comunidade cristã:
            "Todos os que tinham abraçado a fé viviam juntos e punham tudo em comum: vendiam as suas propriedades e bens e condividiam com todos, segundo as necessidades de cada um" (At 2,44-45). A presença e a celebração do Cristo Eucarístico direcionava a vida do grupo e o Espírito Santo animava-os através da vida comunitária.
            Esse grupo de eremitas, que já viviam em comunidade (cenobitas) pedem ao Patriarca de Jerusalém, Alberto, que aprove o seu modo de vida e Alberto lhes dá a aprovação da sua Vitæ Formula entre 1206 e 1214 (a duração do Patriarcado de Alberto).
            No entender nosso, é Jesus o polo principal da vida do grupo, que é animado pelo Espírito Santo e tem como embasamento a vida comunitária. 
 
2) Do Monte Carmelo à Europa
            Retomar, em sentido contrário, o caminho que antes tinha sido percorrido: este era o desafio para os carmelitas expulsos pelos Sarracenos. Como viver a Forma de Vida em um ambiente totalmente diferente? Na sua chegada à Europa encontram bastantes dificuldades para sobreviver, pois na Europa já habitavam como "donos" os franciscanos e os dominicanos.
            Além de enfrentarem problemas com relação à sua própria identidade (na época, eremitas fora do eremitério eram vistos como hereges) os frades têm que enfrentar problemas de ordem econômica e religiosa.
 
3) Do reconhecimento aos nossos dias
            Depois de reconhecidos oficialmente pela Igreja, após algumas modificações na sua Norma de Vida que passa a ser Regra de Vida com a aprovação de Inocêncio IV, que lhes concede o "status de Ordem",  os Carmelitas se expandem e cresce o número de conventos.
            Com o passar dos tempos surgem movimentos dentro da Ordem, que buscam viver com mais profundidade a "regra primitiva": a Reforma de Mântua, de Albi, dos Priores Gerais, de Santa Teresa e da mais estrita Observância (de Touraine). Todas na tentativa de viver mais intensamente os valores da Vida Carmelitana: contemplação, oração, fraternidade e profetismo.
 
HOJE
            A Ordem do Carmo articula-se hoje em 21 Províncias, 3 Comissariados Gerais e 7 Comissariados Provinciais(que são Províncias em formação) e 2 Delegações Gerais; há também os diversos grupos operativos, subdivididos em Regiões e em outras estruturas administrativas chamadas Assistências.
            Segundo data de 31 de dezembro de 1989, eram 2032 religiosos, sendo 10 bispos, 1448 presbíteros, em 308 conventos e 57 residências.
            O Carmelo Feminino (Ordem II e Ordem III Regular) tinha 872 monjas em 65 mosteiros e 2909 religiosas de 14 congregações afiliadas residentes em 362 casas.
            Quanto aos Irmãos Terceiros Seculares são em número considerável e não se pode oferecer senão um dado estimativo, próximo de 10.000 ou mais. E há inúmeros grupos de leigos atraídos pelo nosso carisma.
            Os Religiosos, ordenados ou não, desenvolvem suas atividades apostólicas em países diversos. Em primeiro lugar, com a atualização nascida das diretrizes pós-conciliares, existe o trabalho pastoral em 231 paróquias (dados de 1984) e, depois, aquelas tradicionais atividades, como ensino, pregação, exercícios espirituais, culto mariano, assistência às associações ligadas ao Carmelo etc.
 
AMANHÃ
            Com certeza o nosso amanhã depende do nosso ontem e do nosso hoje.
            O mundo evolui, as pessoas evoluem e, naturalmente, também evolui a Igreja formada por pessoas.
            Neste final de século e de milênio somos chamados a confrontar-nos com a Eclesiologia de Comunhão. 
            No mundo atual ninguém consegue jamais isolar-se ou mesmo cercar-se com barreiras. Não existem fronteiras, que a comunicação de massa não atinja; assim todos participam da vida de todos. Por isso é necessário e natural que esse processo aconteça na vida da Igreja.
            A universalidade e a diversidade de igrejas dentro de uma mesma Igreja e ainda a diversidade de carismas e congregações diferentes devem fazer com que aconteça a Comunhão Eclesial.
            Deve haver um empenho urgente para fazer acontecer essa Comunhão, porque a evolução nos faz refletir sobre a Igreja e a Vida Religiosa do amanhã, principalmente quando se tem por meta a "Nova Evangelização".
            Não raro observamos a Não-Comunhão na Igreja, principalmente no relacionamento entre bispos e religiosos, hierarquia e laicato.
            Tudo isto deve ser superado no nosso amanhã.
            Porém será superado se os religiosos abraçarem a Pastoral de Conjunto, se se colocarem ao serviço da igreja local. Mas também será superado se o valor da Vida Religiosa for reconhecido no seu carisma como algo que dá vida à vida da Igreja e que aproxima a Igreja das periferias da sociedade.
            Sem dúvida, se a Igreja hoje está mais próxima do Povo, é graças aos religiosos com os seus carismas que são acima de tudo "mundanos", no sentido de terem sido dados para serem postos "no mundo" a serviço dos marginalizados.
            Deverá ser superada na Vida Religiosa do amanhã a tendência natural das congregações de valorizarem exacerbadamente o seu carisma, enquanto deveriam estar atraídas para o bem comum da Igreja e do Povo.
            Para a Vida Religiosa do amanhã não serve o pensamento de alguns pastores de igrejas particulares, que dizem: "Não servem os operários especializados neste ou naquele ramo, mas sim a mão-de-obra comum". Esse comentário não valoriza a rica diversidade de carismas, que não necessitam de ser homogêneos, e sim de ter o mesmo objetivo.
            É necessário conscientizar-se de que a Igreja do amanhã será eficaz enquanto todos convergirem em torno da pessoa de Jesus Cristo e da sua missão como fragmentos do todo, reciprocamente unidos, de maneira que não possam existir uns sem os outros: hierarquia, diversidade de congregações e de carismas e leigos.
            Cada carisma contribui com a sua riqueza específica. Isto é inegável.
            Na Vida Religiosa do amanhã deverá haver uma Comunhão entre os carismas, mesmo porque todos têm raiz cristológica e evangélica, como aspectos do único mistério do Cristo, como palavras vivas do único Evangelho.
            Assim para a Eclesiologia de Comunhão, na Igreja do amanhã, os religiosos deverão exercer o papel de peritos, de intérpretes e de animadores, podendo ser mediadores de um diálogo entre o laicato e o ministério hierárquico, justamente porque muitos carismas conduzem os religiosos para as periferias.

            Segundo o Pe.Fábio Ciardi, «a comunidade religiosa se redescobre como uma das grandes expressões da grande "Koinonia Eclesial"   (comunhão eclesial) e será sempre mais ela mesma enquanto nascida da Koinonia, vivida na Koinonia e para a Koinonia».
            Assim podemos pensar o futuro do Carmelo e chegar à conclusão de que o Carmelo do amanhã só será Carmelo, se procurar sempre acompanhar a evolução da vida, sem perder o que de mais rico tem, que é a sua história, o seu carisma, e sim atualizá-los; se estiver disposto a se fazer mais uma família religiosa com as outras famílias religiosas, reconhecendo o valor de cada uma; se estiver preparado para assumir em Comunhão com a Igreja e com as igrejas a Fraternidade Universal.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 492. Religião Sem Frescura.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A PALAVRA... Nº 489. São João da Cruz, Carmelita.

Noite Escura

São João da Cruz, Carmelita.

Numa noite escura,
Ansiosa, ardente de amor,
Ó, feliz ventura!
Sai sem ser vista,
Estando minha alma sossegada.

Na escuridão e em segurança,
Pela secreta escada disfarçada,
Ó, feliz ventura!
Na escuridão e às ocultas,
Estando minha morada sossegada.

Na noite ditosa,
Em segredo ninguém me via,
Não vendo outra coisa,
Sem outro guia nem luz
Que aquele que em meu coração brilhava.

Esta me guiava
Mais segura que a do meio dia,
Lá onde me esperava
Quem eu bem sabia
Em lugar o qual ninguém aparecia.

Ó noite que me guiastes,
Ó noite mais amável que a aurora!
Ó noite que reuniste
O Amado com a amada

A amada no Amado transformada!

NOITE ESCURA: São João da Cruz, Carmelita-02.

A PALAVRA... Nº 488. Santa Luzia.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

NAS TUAS MÃOS Ó IMACULADA.

PÉS TROCADOS: Convite.

E NÃO ACREDITO NO NATAL: Mensagem do Frei Petrônio.

Santa Luzia, o olhar da esperança que salva

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, Bispo Diocesano de Campos (RJ)

Celebramos junto a memória de Santa Luzia, Virgem e mártir, o dia de nossos irmãos cegos e dos que padecem doenças ou deficiências visuais.    A eles nossa oração e solidariedade, unindo-nos a suas lutas pelo reconhecimento dos seus direitos.
Lembramos a vida de José Alvares de Azevedo, jovem cego que introduziu o sistema braille no Brasil em1850, sendo sinal de um testemunho generoso e altruísta em favor de aqueles que como ele precisavam de ser integrados no aprendizado e na participação da cultura, superando as deficiências visuais.   Mas Santa Luzia nos ajuda a viver e preparar o Natal, purificando nosso olhar,  desembaçando-o de tantas luzes falsas ou traves que nos impedem ver a realidade com amor e esperança.
Ficamos como que aturdidos por uma propaganda mercantil que apela para o consumismo natalino.   As pressões sociais de eventos de encerramento do ano, distraem nossa visão do verdadeiro foco.   Com um coração puro e virginal é importante concentrar nosso olhar fixo em Cristo que vem para nos salvar.
Ele que é o verdadeiro e único presente como dom do Pai que é capaz de dar-nos a felicidade.   Renunciemos como Santa Luzia as idolatrias que nos consomem e escravizam, para com Jesus tornar a nossa vida e história num presépio acolhedor, onde brilhe a luz da fé que transforma e liberta.
Que tenhamos a coragem de Santa Luzia de libertar-nos daquelas programações ou roteiros que outros querem impor para nossas vidas, aceitando com alegria o custo da opção radical por Cristo. Inspirados com o olhar límpido dos pastores ou a visão dos santos reis que desejavam encontrar o Messias e a sabedoria, possamos ver Jesus para adorá-lo e glorificá-lo, construindo com os pobres e os oprimidos um Novo Reino de justiça, paz e fraternidade, pois, como afirma Santo Irineu a Gloria de Deus é a vida plena da pessoa humana. Deus seja louvado!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A EXPERIÊNCIA DE DEUS NO DESERTO


Muita coisa tem sido dita sobre deserto espiritual no nosso meio, mesmo assim fica a dúvida sobre o lugar dessa experiência na vida cristã. O deserto é uma exceção na vida com Deus ou algo que todos teremos de passar? Antes de responder esta pergunta, vamos olhar o deserto na Bíblia: não foram poucos os personagens bíblicos que passaram pela experiência de Deus no deserto, muitos homens e mulheres viveram a terrível sensação de ausência ou do silêncio de Deus: Elias viveu a amargura do medo e da frustração no deserto; Moisés passou 40 anos acreditando que nada mais iria acontecer na sua trajetória como libertador; Jó viveu na carne a experiência de se sentir abandonado por Deus; e Jesus, do alto da cruz, deu um brado: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”. Além desses relatos, na nossa própria caminhada cristã, passamos, muitas vezes, por essa sensação de abandono, perdemos o sabor da vida, o que nos alegrava passa a não alegrar mais, a música, o sermão, a leitura da palavra e a oração, tudo parece sem sentido e estafante. Esses sintomas podem surgir em vários momentos da nossa vida, talvez por causa do cansaço físico e mental, uma doença, o fim de um relacionamento amoroso, estresse e tantos outros motivos. Mas o deserto espiritual tem algumas particularidades.
Na solidão do deserto o nosso coração de pedra se transforma em carne, o coração fechado se abre a todos os sofredores num gesto de amor e solidariedade . Mas, olhando de longe os inúmeros acontecimentos que atingem uma pessoa no deserto, sentimo-nos compelidos a fugir dele. Vivemos com se nenhum mal fosse nos atingir, e incorporamos palavras de ordem, que dizem: “somos filhos do Rei”, “ora que melhora”, e falamos com a força dos nossos pulmões: “tudo posso naquele que me fortalece”. Nada disso é mentira, no entanto, quando nos vemos em apuros, essas frases passam a não fazer mais sentido e algumas coisas acontecem: ou nos sentimos abandonados por Deus ou pensamos que os nossos pecados nos afastaram dele. Lembremos de Jó: não foi o seu pecado o responsável pelo seu sofrimento. Mas parece que a experiência do patriarca nos traz ainda mais angústias: não nos sentimos à altura dele e por isso achamos que todo o nosso sofrimento é resultado dos nossos pecados. Perguntamo-nos: onde eu errei? O que eu fiz para merecer tamanho castigo? Sentimo-nos abandonados. Achamos que nos perdemos de Deus e que já não somos mais objeto do seu amor.
Queremos viver somente alegrias, mas não podemos evitar, quando menos esperamos experimentamos uma aridez espiritual e concluímos que o que está nos acontecendo é o que muitos chamam de deserto. Os pais do deserto, pelo menos, fizeram esta escolha livremente, mas a nós parece que essa opção não é dada. Para os contemplativos, no entanto, a experiência do deserto deve ser recebida com agrado, do mesmo modo que uma pessoa enferma receberia com bons olhos a noticia de uma cirurgia que promete saúde e bem-estar . Isso não que dizer que o cristão deva ser alguém que sai pelo mundo em busca do desprazer e de desgraças, não é sobre isso que estamos falamos. O que queremos dizer é que na caminhada com Deus vamos experimentar sensações de abandono, dores e fracassos, e isso não tem nada a ver com os nossos pecados. Não foi assim com Ana, Jó, Paulo e tantos outros? Mas, como conciliar o deserto com um conceito de espiritualidade que não tem lugar para dor e o sofrimento? Como conciliar a imagem de uma vida próspera e abençoada com a experiência do silêncio de Deus?
Na vida contemplativa, o deserto sempre teve o seu lugar. Nos primeiros séculos da Era Cristã, muitos homens e mulheres foram literalmente para o deserto em busca de um encontro com Deus através da solidão, do silêncio e da oração. Antão, Agatão, Macário, Poemem, Teodora, Sara e Sinclética foram líderes espirituais no deserto . “Sem esse deserto, perdemos nossa alma enquanto pregamos o evangelho”. Todos os contemplativos viveram a realidade do Deus Absconditus*, mas foi João da Cruz, monge carmelita do século XVI, quem desenvolveu uma tradição contemplativa sobre a noite escura da alma, ou noite dos sentidos. Quando vires teus desejos apagados, tuas afeições na aridez e angústias, e tuas faculdades incapazes de qualquer exercício interior, não sofras por isso; considera-te feliz por estares assim. É Deus que te vai livrando de ti mesmo, e tirando-te das mãos todas as coisas que possuis.
Na noite dos sentidos, somos convidados a sermos todos de Deus. Nesta vida, o homem não se une a Deus por meio daquilo que entende, goza ou imagina, nem por alguma coisa que os sentidos ofereçam; mas unicamente pela fé.... Somos chamados a experimentar o silêncio de amor, a nos calarmos diante do inefável, e a pormos a atenção amorosamente em Deus, sem ambição de querer sentir ou entender coisa alguma particular a seu respeito. Na noite escura dos sentidos, somos convidados à comunhão da dor de Cristo. De acordo com o teólogo alemão Jürgen Moltmann, no centro da fé cristã está a história da Paixão de Cristo. No centro dessa paixão está a experiência de Cristo abandonado por Deus. Pare ele, ou isso representa a ruína da fé humana no criador, ou o surgimento de uma Fé em Deus que não é possível de ser destruída por nada. Não mais uma fé que dependa de resultados, de sentir calafrios, que dependa da emoção, não mais uma fé que precisa de formulações inquestionáveis, mas uma fé descansada, porque o amor não cansa e nem se cansa. Uma fé que se abandona nas mãos de Deus e se deixa levar por ele. A experiência de Deus no deserto é a experiência do despojamento que nos leva a amar a Deus sobre todas as coisas, mesmo diante da dor e do sofrimento. Por que Deus permite o sofrimento não sabemos, mas, para Multmann, mesmo que soubéssemos isso não nos ajudaria a viver. Se descobrirmos, no entanto, onde está Deus e experimentarmos sua presença no nosso sofrer, encontrar-nos-emos na fonte de onde brota a vida novamente.
O sofrimento e a dor não devem ser entendidos, neste sentido, como resultado do nosso afastamento de Deus, muito pelo contrário, podemos nos sentir amados mesmo diante da dor e da aflição. Mas é muito difícil perceber o amor de Deus diante do sofrimento e da aridez espiritual, porque estamos comprometidos com uma falsa ilusão do que seja esse amor por nós. Coisificamos o nosso amor por Deus, só nos sentimos amados quando a nossa vontade é satisfeita. Se as nossas orações não são respondidas, pensamos que Deus não nos ama. Se não nos emocionamos no culto é porque falta unção, dependemos dos resultados para experimentamos Deus. No deserto, somos privados de tudo, dos resultados e da emoção, só restam dúvidas, é aí, que o conceito de Hebreus, começa a fazer sentido, a Fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem (Hebreus 11:1). Na noite escura, ficamos livres da nossa excessiva dependência de resultados interiores e exteriores, lá nada acontece, . Na noite escura, aprendemos a amar a Deus por ele mesmo, não por=só Deus basta aquilo que ele pode fazer ou deixar de fazer por nós. Lá, nada faz sentido, e é no sem sentido que encontramos a verdadeira paz. Profunda é a luta na noite contemplativa, mas é igualmente muito profunda a paz que se espera. E, se a dor espiritual é intima e penetrante, o amor que se há de alcançar é também íntimo e puro.
Nesta noite escura, aprendemos a nos despojar de uma falsa imagem de Deus, o Deus que era o nosso provedor, passa ser também o consolador, o Deus que servia apenas de alívio para as nossas neuroses do cotidiano, passa ser o nosso companheiro de amor. Na noite escura, tudo muda. Aqui temos um verdadeiro encontro de amor, onde nada mais é importante. Se formos abandonados, amamos assim mesmo, se nossas orações não são respondidas, não deixamos de amar por causa disso. Nesta noite dos sentidos, mesmo sem sentir, somos transformados. O progresso da pessoa é maior quando ela caminha às escuras e sem saber. Aprendemos a amar a Deus como ele deseja ser amado. É amar sem querer possuir o objeto do nosso amor, é amar sem reduzir a Deus a uma idéia ou a uma lâmpada de Aladim. É amar uma pessoa, que misteriosamente é três.
Sobre a pergunta: o Deserto é uma exceção na vida com Deus ou algo que todos teremos de passar? Podemos respondê-la da seguinte maneira: talvez, nem todos os cristãos passem pelo deserto, mas todos aqueles que passarem irão experimentar a purificação dos sentidos. Para a pessoa crescer na contemplação até chegar á união com Deus, deverão ficar de lado, em silêncio, todos os meios e exercícios sensíveis das faculdades humanas. Só assim poderá o Senhor infundir nelas o sobrenatural, pois a capacidade natural não consegue chegar tão alto. Aqui entendemos que só podemos encontrar Deus no silêncio, na solidão e na oração. O nosso objeto de desejo é livre para ir e vir, quando desejar. Não ficamos tão dependentes de sentir a sua presença. Já sabemos onde ele está.



sábado, 7 de dezembro de 2013

E NÃO ACREDITO NO NATAL: Mensagem do Frei Petrônio.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 482. Construir Pontes.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 483. Festa da Imaculada.

08 DE DEZEMBRO: Imaculada Conceição. A visita do anjo a Maria: Surpresas de Deus (Lucas 1,26-38).

Frei Carlos Mesters e Lopes

O texto que meditaremos no próximo final de semana fala da visita do anjo a Maria. É um texto muito conhecido. Quando as coisas são muito conhecidas a gente já não presta tanta atenção. Assim acontece com a visita de Deus em nossas vidas. Ela é tão presente e tão contínua que, muitas vezes, já não a percebemos e, por isso, perdemos uma grande oportunidade de viver na paz e na alegria.

SITUANDO
O anúncio do anjo a Maria (Lc 1,26-38) vem depois do anúncio do anjo a Zacarias (Lc 1,5-25). Nos dois casos anuncia-se um nascimento. Vale a pena comparar os dois anúncios para perceber as semelhanças e diferenças. Descrevendo a visita do anjo a Maria e a Isabel, Lucas evoca as visitas de Deus a várias mulheres estéreis do AT: Sara, mãe de Isaque (Gn 18,9-25), Ana, mãe de Samuel (1SAm 1,9-18), a mãe de Sansão (Jz 13,2-5). A todos elas o anjo tinha anunciado o nascimento de um filho com missão importante na realização do plano de Deus. E agora, ele faz o mesmo anunciando a Isabel, esposa de Zacarias, e a Maria. Maria não é estéril. Ela é virgem. No AT, o anjo de Deus, muitas vezes, é o próprio Deus.
A Palavra de Deus chega a Maria não através de um texto bíblico, mas através de uma experiência profunda de Deus, manifestada na visita do anjo. Foi graças à ruminação da Palavra de Deus da Bíblia que ela foi capaz de perceber a Palavra viva de Deus na visita do anjo.

COMENTANDO
Lucas 1,26-27: A Palavra faz a sua entrada na vida

Lucas apresenta as pessoas e os lugares: uma virgem chamada Maria, prometida em casamento a um homem, chamado José, da casa de Davi. Nazaré, uma cidadezinha na Galileia. Galileia era periferia. O centro eram a Judeia e Jurusalém. O anjo Gabriel é o enviado de Deus para esta moça virgem que morava na periferia. O nome Gabriel significa Deus é forte. O nome Maria significa Amada de Javé ou Javé é o meu Senhor. A história da visita de Deus a Maria começa com a expressão "No sexto mês". Trata-se do "sexto mês" de gravidez de Isabel, parenta de Maria, uma senhora já de idade, precisando de ajuda. A necessidade concreta de Isabel é o pano de fundo de todo este episódio. Encontra-se no começo (Lc 1,26) e o fim (Lc 1,36.39).

Lucas 1,28-29: A reação de Maria

Foi no Templo que o anjo apareceu a Zacarias. A Maria ele aparece na casa dela. A Palavra de Deus atinge Maria no ambiente da vida de cada dia. O anjo diz: "Alegra-te! Cheia de Graça! O Senhor está contigo!" Palavras semelhantes já tinham sido ditas a Moisés (Ex 3,12), a Jeremias (Jr 1,8), a Gedeão (Jz 6,12), a Rute (Rt 2,4) e a muitos outros. Eles abrem o horizonte para a missão que estas pessoas do AT deviam realizar a serviço do povo de Deus. Intrigada com a saudação, Maria procura saber o significado. Ela é realista, usa a cabeça. Quer entender. Não aceita qualquer aparição ou inspiração.

Lucas 1,30-33: A explicação do anjo

"Não tenha medo, Maria!" Esta é sempre a primeira saudação de Deus ao ser humano: não ter medo! Em seguida, o anjo recorda as grandes promessas do passado que vão ser realizadas através do filho que vai nascer de  Maria. Este filho deve receber o nome de Jesus. Ele será chamado Filho do Altíssimo e nele se realizará, finalmente, o Reino de Deus prometido a Davi, que todos estavam esperando ansiosamente. Esta é a explicação que o anjo dá a Maria para ela não ficar assustada.

Lucas 1,34: Nova pergunta de Maria

Maria tem consciência da missão importante que está recebendo, mas ela permanece realista. Não se deixa embalar pela grandeza da oferta e olha a sua condição: "Como é que vai ser isto, se eu não conheço homem algum?" Ela analisa a oferta a partir dos critérios que nós, seres humanos, temos à nossa disposição. Pois, humanamente falando, não era possível que aquela oferta da Palavra de Deus se realizasse naquele momento.

Lucas 1,35-37: Nova explicação do anjo

O Espírito Santo, presente na Palavra de Deus desde o dia da Criação (Gênesis 1,2), consegue realizar coisas que parecem impossíveis. Por isso, o Santo que vai nascer de Maria será chamado Filho de Deus. Quando hoje a Palavra de Deus é acolhida pelos pobres sem estudo, algo novo acontece pela força do Espírito Santo! Algo tão novo e tão surpreendente como um filho nascer de uma virgem ou como um filho nascer de Isabel, uma senhora já de idade, da qual todo o mundo dizia que ela não podia ter neném! E o anjo acrescenta: "E olhe, Maria! Isabel, tua prima, já está no sexto mês!"

Lucas 1,38: A entrega de Maria

A resposta do anjo clareia tudo para Maria. Ela se entrega ao que Deus está pedindo: "Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua Palavra". Maria usa para si o título de serva, empregada do Senhor. O título vem de Isaías, que apresenta a missão do povo não como um privilégio, mas sim como um serviço aos outros povos. Mais tarde, Jesus, o filho que estava sendo gerado naquele momento, definirá sua missão como um serviço: "Não vim para ser servido, mas para servir" (Mt 20,28). Aprendeu da mãe!

ALARGANDO

Maria, modelo de comunidade

Lucas não fala muito sobre Maria, mas aquilo que fala tem grande profundidade. Quando fala de Maria, ele pensa nas comunidades. Apresenta Maria como modelo para a vida das comunidades. É na maneira de ela relacionar-se com a Palavra de Deus que Lucas vê a maneira mais correta para a comunidade relacionar-se com a Palavra de Deus: acolhê-la, encarná-la, vivê-la, aprofundá-la, ruminá-la, fazê-la nascer e crescer, deixar-se moldar por ela, mesmo quando não a entendemos ou quando ela nos faz sofrer. Esta é a visão que está por trás dos textos dos capítulos 1 e 2 do Evangelho de Lucas, que falam de Maria, a mãe de Jesus.
 
 
 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A arte na sociedade unidimensional

Herbert Marcuse

Tratar a arte em seu sentido mais geral
Linguagem da arte – não só a da palavra
Morte da linguagem tradicional – já não consegue comunicar
Única linguagem revolucionária – a linguagem da arte
Radical demais em avaliar o poder da arte
As obras, como o Partenon Grego, a avaliar pela realidade ocidental, não vale o sangue e a lágrima de um só escravo

Qual a razão da agonia da arte em nosso tempo?
Os conceitos tradicionais são insuficientes
Crise atual da arte faz parte de uma crise geral da oposição política e moral à essa sociedade
Uma linguagem nova, poética e revolucionária
Tese surrealista – linguagem da arte é a única que não sucumbe ao poder
A linguagem poética está infestada e infectada
A arte, por si mesma, tende para a dimensão política sem abandonar a forma específica de arte

 
A dimensão estética vai perdendo seu simulacro de independência
Buscar a satisfação qualitativamente diferente, de novos objetivos
A era da barbárie não durará para sempre
Colocar  a energia sensual e apaziguante – evitar que seja subjugadas
Qual o papel? Negação da realidade estabelecida através da estética

A razão e a verdade da arte estão na sua irrealidade, na sua utopia
A arte poderia realizar-se somente sendo ilusão
A arte como dotada de uma verdade intrínseca, revelada pela linguagem
Existem coisas que são intrinsecamente estéticas
A arte descobre e libera o domínio da forma sensível
Sensação do objeto como visão e não como objeto familiar
Experimentar o devir do objeto

 Liberação do objeto do automatismo da percepção
Grande medida da potência estética do silêncio
A estética como dimensão além da arte, da realidade
Não terá chegado o momento de unir estética e política?
Para fazer da sociedade uma obra de arte
A arte não cumpre a transformação, mas libera percepção e sensibilidade para ela

Pressupões mudanças fundamentais na sociedade
Receptividade para a beleza e a atividade do conhecimento parecem opostas
Hegel – organização racional para a harmonia entre geral e particular
Conferir ordem à matéria para conceder-lhe um fim
Arte como ilusão – apresenta como existente aquilo que não é

Provê a realidade miserável de um gratificação substitutiva
Beleza, dor, amargura – se convertem em beleza
Como catarse, purificação, transe
Dessublimar o horror e a alegria
O terror da realidade impede a criação da arte? Não

O que justifica a futilidade da arte de hoje é o seu caráter totalitário e unidimensional de nossa sociedade?
A arte é histórica – a situação e função dela está mudando
Real e realidade como domínio prospectivo da arte
Condições para a criação do belo, como expressão e objetivo de um novo sistema de vida

Não uma arte política, não a política como arte – arquitetura de uma sociedade livre
Hoje pode ajudar a libertar o inconsciente e o consciente mutilados
A mudança real é do âmbito da política – o artista participa como cidadão

A sociedade do espetáculo

Guy Debord
 
Guy Debord –
(Paris, 28 de dezembro de 1931 — 30 de novembro de 1994) foi um escritor francês. Foi um dos pensadores da Internacional Situacionista (movimento internacional de cunho político e artístico no final da década de 60 e aspirava por grandes transformações políticas e sociais )e da Internacional Letrista e seus textos foram a base das manifestações do Maio de 68.( uma greve geral que aconteceu na França. uma escalada do conflito que culminou numa greve geral de estudantes e em greves com ocupações de fábricas em toda a França, às quais aderiram dez milhões de trabalhadores, aproximadamente dois terços dos trabalhadores franceses.)
A Sociedade do Espetáculo é o trabalho mais conhecido de Guy Debord. Em termos gerais, as teorias de Debord atribuem a debilidade espiritual, tanto das esferas públicas quanto da privada, a forças econômicas que dominaram a Europa após a modernização decorrente do final da segunda grande guerra.
A separação acabada
E sem dúvida o nosso tempo... prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser.... (Feuerbach, prefácio à segunda edição de A essência do cristianismo.)
1- Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se afastou numa representação.
2 - As imagens que se desligaram de cada aspecto da vida fundem-se num curso comum, onde a unidade desta vida já não pode ser restabelecida. O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo.
3 - O espetáculo apresenta-se ao mesmo tempo como a própria sociedade, como uma parte da sociedade, e como instrumento de unificação. Enquanto parte da sociedade, ele é expressamente o setor que concentra todo o olhar e toda a consciência.
4 -O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens.
5 - O espetáculo não pode ser compreendido como o abuso de um mundo da visão, o produto das técnicas de difusão massiva de imagens. Ele é bem mais uma visão do mundo que se objetivou.
6 - O espetáculo, compreendido na sua totalidade, é ao mesmo tempo o resultado e o projeto do modo de produção existente. Ele não é um suplemento ao mundo real, a sua decoração readicionada. É o coração da irrealidade da sociedade real. Sob todas as suas formas particulares, informação ou propaganda, publicidade ou consumo direto de divertimentos, o espetáculo constitui o modelo presente da vida socialmente dominante. Ele é a afirmação onipresente da escolha já feita na produção, e o seu corolário o consumo.
7 - A própria separação faz parte da unidade do mundo, da práxis social global que se cindiu em realidade e imagem. A prática social, perante a qual se põe o espetáculo autônomo, é também a totalidade real que contém o espetáculo.
8 - Não se pode opor abstratamente o espetáculo e a atividade social efetiva; este desdobramento está ele próprio desdobrado. Cada noção assim fixada não tem por fundamento senão a sua passagem ao oposto: a realidade surge no espetáculo, e o espetáculo é real. Esta alienação recíproca é a essência e o sustento da sociedade existente.
9 - No mundo realmente reinvertido, o verdadeiro é um momento do falso.
10 - O conceito de espetáculo unifica e explica uma grande diversidade de fenômenos aparentes. As suas diversidades e contrastes são as aparências desta aparência organizada socialmente, que deve, ela própria, ser reconhecida na sua verdade geral. Considerado segundo os seus próprios termos, o espetáculo é a afirmação da aparência e a afirmação de toda a vida humana, isto é, social, como simples aparência.
11 - Para descrever o espetáculo, a sua formação, as suas funções e as forças que tendem para a sua dissolução, é preciso distinguir artificialmente elementos inseparáveis. Mas o espetáculo não é outra coisa senão o sentido da prática total de uma formação socioeconômica, o seu emprego do tempo. É o momento histórico que nos contém.
12 - O espetáculo apresenta-se como uma enorme positividade indiscutível e inacessível. Ele nada mais diz senão que "o que aparece é bom, o que é bom aparece".
13 – O espetáculo é o sol que não tem poente, no império da passividade moderna. Recobre toda a superfície do mundo e banha-se indefinidamente na sua própria glória.
14 - A sociedade que repousa sobre a indústria moderna não é fortuitamente ou superficialmente espetacular, ela é fundamentalmente espetaculosa. No espetáculo, imagem da economia reinante, o fim não é nada, o desenvolvimento é tudo. O espetáculo não quer chegar a outra coisa senão a si próprio.
15 - Enquanto indispensável adorno dos objetos hoje produzidos, enquanto exposição geral da racionalidade do sistema, e enquanto setor econômico avançado que modela diretamente uma multidão crescente de imagens-objetos, o espetáculo é a principal produção da sociedade atual.
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6 - O espetáculo submete a si os homens vivos, na medida em que a economia já os submeteu totalmente. Ele não é nada mais do que a economia desenvolvendo-se para si própria. É o reflexo fiel da produção das coisas.
17 - A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social levou, na definição de toda a realização humana, a uma evidente degradação do ser em ter. A fase presente da ocupação total da vida social pelos resultados acumulados da economia conduz a um deslizar generalizado do ter em parecer, de que todo o "ter" efetivo deve tirar o seu prestígio imediato e a sua função última. Ao mesmo tempo, toda a realidade individual se tornou social, diretamente dependente do poderio social, por ele moldada.
18 - Lá onde o mundo real se converte em simples imagens, as simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico. O espetáculo, como tendência para fazer ver por diferentes mediações especializadas o mundo que já não é diretamente apreensível, encontra normalmente na visão o sentido humano privilegiado que noutras épocas foi o tato; o sentido mais abstrato, e o mais mistificável, corresponde à abstração generalizada da sociedade atual.
19 - O espetáculo é o herdeiro de toda a fraqueza do projeto filosófico ocidental, que foi uma compreensão da atividade, dominada pelas categorias do ver; assim como se baseia no incessante alargamento da racionalidade técnica precisa, proveniente deste pensamento.
20 - A filosofia, enquanto poder do pensamento separado, e pensamento do poder separado, nunca pode por si própria superar a teologia. O espetáculo é a reconstrução material da ilusão religiosa. A técnica espetacular não dissipou as nuvens religiosas onde os homens tinham colocado os seus próprios poderes desligados de si: ela ligou-os somente a uma base terrestre.
21 - À medida que a necessidade se encontra socialmente sonhada, o sonho torna-se necessário. O espetáculo é o mau sonho da sociedade moderna acorrentada, que finalmente não exprime senão o seu desejo de dormir. O espetáculo é o guardião deste sono.
22 - O fato de o poder prático da sociedade moderna se ter desligado de si próprio, e ter edificado para si um império independente no espetáculo, não se pode explicar senão pelo fato de esta prática poderosa continuar a ter falta de coesão, e permanecer em contradição consigo própria.
23 - É a especialização do poder, a mais velha especialização social, que está na raiz do espetáculo. O espetáculo é, assim, uma atividade especializada que fala pelo conjunto das outras. É a representação diplomática da sociedade hierárquica perante si própria, onde qualquer outra palavra é banida. O mais moderno é também aí o mais arcaico.
24 - O espetáculo é o discurso ininterrupto que a ordem presente faz sobre si própria, o seu monólogo elogioso. É o auto-retrato do poder na época da sua gestão totalitária das condições de existência.
25 - O espetáculo moderno exprime, pelo contrário, o que a sociedade pode fazer, mas nesta expressão o permitido opõe-se absolutamente ao possível. O espetáculo é a conservação da inconsciência na modificação prática das condições de existência. Ele é o seu próprio produto, e ele próprio fez as suas regras: é um pseudo-sagrado. Toda a comunidade e todo o sentido crítico se dissolveram ao longo deste movimento, no qual as forças que puderam crescer, separando-se, ainda não se reencontraram.
26 - Com a separação generalizada do trabalhador e do seu produto perde-se todo o ponto de vista unitário sobre a atividade realizada, toda a comunicação pessoal direta entre os produtores. Na senda do progresso da acumulação dos produtos separados, e da concentração do processo produtivo, a unidade e a comunicação tornam-se o atributo exclusivo da direção do sistema. O êxito do sistema econômico da separação é a proletarização do mundo.
27 - Pelo próprio êxito da produção separada enquanto produção do separado, a experiência fundamental ligada nas sociedades primitivas a um trabalho principal está a deslocar-se, no pólo do desenvolvimento do sistema, para o não-trabalho, a inatividade.
28 - O sistema econômico fundado no isolamento é uma produção circular do isolamento. O isolamento funda a técnica, e, em retorno, o processo técnico isola. Do automóvel à televisão, todos os bens selecionados pelo sistema espetacular são também as suas armas para o reforço constante das condições de isolamento das "multidões solitárias".
29 - A origem do espetáculo é a perda da unidade do mundo, e a expansão gigantesca do espetáculo moderno exprime a totalidade desta perda: a abstração de todo o trabalho particular e a abstração geral da produção do conjunto traduzem-se perfeitamente no espetáculo, cujo modo de ser concreto é justamente a abstração.
30 -  A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado (que é o resultado da sua própria atividade inconsciente) exprime-se assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos ele compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo.
31 - O trabalhador não se produz a si próprio, ele produz um poder independente. O sucesso desta produção, a sua abundância, regressa ao produtor como abundância da despossessão. Todo o tempo e o espaço do seu mundo se lhe tornam estranhos com a acumulação dos seus produtos alienados. O espetáculo é o mapa deste novo mundo, mapa que recobre exatamente o seu território.
32 - O espetáculo na sociedade corresponde a um fabrico concreto de alienação. A expansão econômica é principalmente a expansão desta produção industrial precisa. O que cresce com a economia, movendo-se para si própria, não pode ser senão a alienação que estava justamente no seu núcleo original.
33 - O homem separado do seu produto produz cada vez mais poderosamente todos os detalhes do seu mundo e, assim, encontra-se cada vez mais separado do seu mundo. Quanto mais a sua vida é agora seu produto, tanto mais ele está separado da sua vida.
34 - O espetáculo é o capital a um tal grau de acumulação que se toma imagem.

Funcionalismo

Mauro Wolf

Teoria Hipodérmica
Período de 2 guerras mundiais - EUA
Surgimento de comunicação de massa
Teoria da propaganda e sobre a propaganda
Utilização por sistemas totalitários
cada elemento diretamente atingido pela mensagem
teoria da sociedade de massa/ teoria psicológica da ação

fim da exclusividade das elites - o homem-massa
enfraquecimento dos laços tradicionais
homem-massa X humanista culto
como toda a gente, idêntico ao outro
os membros iguais, indiferenciáveis - independente de sua origem
massa - pessoas separadas/apartadas - sem vínculo
preocupam-se apenas com seu bem estar

fragilidade de uma audiência - indefesa e passiva
a idéia de inocular/atingir
átomos isolados que reagem
Psicologia behaviorista - conteúdos psicológicos através de manifestações observáveis
Psicologia do comportamento - estímulo, resposta, reforço
Não há estímulo sem resposta/nem resposta sem estímulo

Modelo E - R
Se a pessoa é apanhada, pode ser manipulada
Mass media como um sistema nervoso simples que atinge olhos e ouvidos
Elaborado nos anos 30
Forma adequada de descrever um ato de comunicação é responder às seguintes perguntas:
Quem; diz o quê; através de que canal; com que efeito?
O estudo tende a concentrar-se em uma ou outra destas interrogações
Emisores; mensagem; veículo; efeito na audiencia
Teve relação estreita com a teoria da informação
Pressuposto de que a iniciativa é exclusiva do emissor

Superação das teorias anteriores
É possível ter uma eficácia persuasiva ótima
Depende de as mensagens serem estruturadas adequadamente
Os estímulos interagem de maneira diferentes com os traços específicos de personalidade dos elementos que constituem o público
Estuda que características da personalidade intervém
Causa – processos psicológicos intervenientes – efeito
Sempre em situação de campanha

a) interesse em obter a informação – interesse e motivação – quanto mais conhece, mais tem interesse
b) Exposição seletiva – preferências das diferentes camadas da população pelos meios, quem escuta o quê e porquê
c) Percepção seletiva – não há um estado de nudez psicológica, predisposições, processos seletivos – decodificação aberrante
 campo de aceitação (objetivas e aceitáveis) e campo de recusa (propagandísticas e inaceitáveis)
d) Memorização seletiva – as pessoas memorizam o que está no campo de aceitação – efeito Bartlett – com o tempo, a memorização dos elementos aceitáveis
e) efeito latente – com o passar do tempo, a eficácia aumenta

 a) credibilidade do comunicador
b) a orden da argumentação – argumentos iniciais ou posteriores são mais ou menos eficientes? Depende -  quando já conhecemos, o melhor é ao fim, se não conhecemos, argumentos devem aparecer primeiro
c) a integralidade das agumentações – para pessoas contrárias, apresentar argumentação completa; para quem é a favor, apresentar somente uma visão;
com grau de instrução maior, argumentação integral; com um grau de instrução menor, somente uma visão. Depende.
d) Explicitação das conclusões – se o público tende a apoiar, não explicita, se tende a questionar, explicita

Uma primeira abordagem sociológica
O problema continua sendo os efeitos, mas em outros termos
Manipulação, persuasão – influência
Associa processos de comunicação com as características do contexto social
composição diferenciada de público e seus modelos de consumo;
mediação social do consumo

1- Laazarsfeld
análise do conteúdo - o que extraem do produto comunicativo
análise sobre os ouvintes - que grupo social
estudo das satisfações - o que atrai no programa

Efeitos pré-seletivos -  veículos mais apropriados à determinado público
Efeitos posteriores - efeitos da exposição
A análise é de efeitos, mas leva em conta os processos sociais
A eficácia só é possível de ser analisada no contexto
Formas sociais que predominam num determinado período
Processos indiretos de influência  nos quais influenciam as dinâmicas sociais
A descoberta dos líderes de opinião

Líderes - setor social + ativo
Efeito ativação - latente em fato
Efeito de reforço - evita mudanças de atitude
Efeito de conversão - convencer - redefinição dos problemas
Esquema - meios/líderes/público
Indivíduos isolados - indivíduos nucleados

Personalidade do destinatário a partir de seus grupos de referência
Efeitos de reforço prevalecem em relação ao efeito de conversão
Caráter da influência pessoal
Líder conhece um número grande

A teoria funcionalista
Abordagem global dos meios de comunicação
Não os efeitos, mas as funções exercidas
Manipulação, persuasão, influência, funções
Não a dinâmica interna do processo comunicacional, mas a dinâmica do processo social e as funções da comunicação nela
Problema do equilíbrio e do conflito social

Imperativos funcionais:
Manutenção do modelo e controle das tensões
Adaptação ao ambiente - aceitação da divisão social tal qual
Perseguição dos objetivos
Integração - subordinada ao sistema
Sistema complexo, subsistemas funcionais, partes subordinadas à busca do equilíbrio e dos objetivos do sistema

Usos e gratificações
Cinco classes de necessidades a serem satisfeitas pela mídia:
Necessidades cognitivas; afetivas e estéticas; integração da personalidade; integração social; evasão
Expectativas do destinatário em relação ao processo social
Comunicação não é o único caminho, mas ás vezes substitui outras formas de satisfação

Os consumidores consideram mais importantes os assuntos veiculados na mídia
Os meios de comunicação agendam nossas conversas
A mídia diz sobre o que falar
Agenda setting – começo da década de 70
Dois níveis: a) a ordem do dia; b)hierarquia de importância e prioridade

Desde o livro Opinião Pública de Walter Lippman, publicado em 1922 foi sugerida a idéia de uma relação causal entre a agenda midiática e a agenda pública
Mídia como a principal ligação entre os acontecimentos no mundo e suas imagens em nossas mentes
Efeito diferenciado das mídias: impresso e TV
As notícias televisivas são demasiadamente breves, rápidas, heterogêneas e acumuladas
A informação escrita oferece aos leitores uma indicação de importância sólida, constante e visível

A mensagem será rejeitada se entrar em conflito com as normas do grupo
O consumo de mensagens é feito de forma seletiva
Os efeitos da mídia são, portanto, limitados
Os efeitos dependem de que mídia, da temática e do público (genérico ou especializado)
Segundo McCombs, o correto seria chamar agenda-setting à função dos jornais e enfatização à da televisão

Marshall McLuhan

O meio é a mensagem

Herbert Marshall McLuhan (1911-1980) não está mais na moda. Mas suas idéias estão. Elas aparecem no discurso dos porta-vozes das corporações tecnológicas do império americano – um Negroponte, um Bill Gates – tanto quanto em textos de autores que vêem futuro sombrio na era da informação, como Jean Baudrillard

McLuhan foi um fenômeno de massa. Seus livros foram best sellers.  Cunhou expressões infinitamente repetidas: “aldeia global”, “o meio é a mensagem”, “globalização”. Algumas de suas proposições parecem proféticas, como esta, que antecipa o mundo da Internet (que ele não conheceu) e as perspectivas que se abrem com os estudos da inteligência artificial

“Aproximamo-nos rapidamente da fase final dos prolongamentos do homem: a simulação tecnológica da consciência.”
Ao colocar as tecnologias como determinantes da história, McLuhan não foi original: é exatamente assim que se classificam períodos pré-históricos – as idades da pedra, da pedra lascada, do ferro etc.

Sua originalidade consiste em dar prioridade a um tipo de tecnologia – a da informação – para explicar a evolução das civilizações, principalmente nas idades moderna e contemporânea. Incorre, no entanto, em evidente reducionismo: atribui ao fim dos fornecimentos de papiro a queda do Império Romano; ao surgimento do estribo o começo do feudalismo; e à chegada da pólvora ao Ocidente o início da bancarrota do sistema feudal

No século XVI, a palavra impressa – a Galáxia de Gutenberg – teria, segundo ele,  criado o individualismo e o nacionalismo.

Como estabelece essas ilações? Quanto ao papiro, escreve que a falta desse produto egípcio provocou “as quedas posteriores dos valores visuais”, fazendo “as estradas romanas caírem em desuso e o império desintegrar-se”;

Quanto ao estribo, alega que permitiu “uma nova maneira de guerrear e uma nova forma de sociedade ocidental européia, dominada por uma aristocracia de guerreiros dotados de terras”;

 A pólvora teria tornado inúteis as armaduras protetoras utilizadas pelos senhores feudais.

Geralmente considera-se a falta de uma teoria econômica consistente o ponto crítico das análises de McLuhan – e exatamente aquele que permite a fácil apropriação de suas idéias. A utopia da aldeia global que, segundo ele, igualaria todos os homens, forneceu à liderança corporativa tecnológica um sentido de destino histórico.

Eis algumas citações de McLuhan:

Todos os veículos de comunicação nos envolvem completamente. São tão abrangentes em suas conseqüências pessoais, políticas, econômicas, estéticas, psicológicas, morais, éticas e sociais que não deixam parte alguma de nós intocada, não afetada, inalterada. O meio é a massagem. Qualquer compreensão das mudanças sociais e culturais é impossível sem o conhecimento da maneira em que mídia age como meio ambiente.

Todos os veículos de comunicação são extensões de uma faculdade humana – física ou psíquica.

Os meios ambientes não são invólucros passivos, mas processos ativos que nos envolvem completamente, massageando a razão dos sentidos e impondo suas asserções silenciosas. Mas o meio ambiente é invisível. Suas regras mestras, sua estrutura abrangente, seus padrões dominantes eludem a percepção imediata.

Na percepção humana comum, os homens recriam dentro de si mesmos – em suas faculdades interiores – o mundo exterior. Esse milagre é o trabalho do nous poietikos de nosso intelecto ativo – isto é, o processo poético ou criativo. O mundo exterior, em cada instante da percepção, é interiorizado e recriado de nova maneira. Nós mesmos.

Pondo nossos corpos físicos dentro de sistemas nervosos expandidos por meio da mídia elétrica, construímos uma dinâmica pela qual todas as tecnologias prévias –  meras extensões de mãos, pés, dentes e controles corporais, todas extensões de nossos corpos, inclusive as cidades – traduzem-se em sistemas de Informação. A tecnologia eletromagnética requer do ser humano docilidade e inércia meditativa, de maneira que se comporta como um organismo que tem seu cérebro exposto e seus nervos fora da pele.

Quando um órgão é retirado (por ablação), fica dormente. O sistema nervoso central ficou dormente (para sobreviver). Entramos na idade da inconsciência com a eletrônica, e a consciência migra para os órgãos físicos, mesmo o corpo político. Há grande aumento da acuidade física e grande queda da acuidade mental  quanto o sistema nervoso central é externalizado.

A linguagem como tecnologia da extensão humana, cujos poderes de divisão e separação conhecemos tão bem, pode ter sido a Torre de Babel pela qual o homem buscou alcançar o paraíso. Hoje os computadores nos prometem traduzir instantaneamente qualquer código ou língua para outro código ou língua. O computador, em suma, promete pela tecnologia a condição pentecostal do entendimento e unidade universais.

O próximo passo lógico será não traduzir mas superar as línguas em favor de uma consciência cósmica que pode ser como o inconsciente coletivo sonhado por Bergson. A condição de não ter peso, que os biólogos dizem prometer a imortalidade física, pode ser paralela da condição de não ter fala, capaz de conferir a perpetuidade da paz e harmonia coletivas.

A galáxia de Gutenberg (1962);

Entendendo a mídia: as extensões do homem (1964);
O meio é a massagem: um inventário de efeitos (1967);
Guerra e paz na aldeia global (1968); Do clichê ao arquétipo (1970).
Há farto material sobre McLuhan na Internet. Pelo conteúdo, sugere-se
http://www.mcluhanmedia.com/nmclm001.html
 

A PALAVRA... Nº 478. Qual a melhor Vocação?

domingo, 1 de dezembro de 2013

1º Domingo do Advento - Ano A (Apela à vigilância).

Tema do 1º Domingo do Advento

A liturgia deste domingo apresenta um apelo veemente à vigilância. O cristão não deve instalar-se no comodismo, na passividade, no desleixo, na rotina; mas deve caminhar, sempre atento e sempre vigilante, preparado para acolher o Senhor que vem e para responder aos seus desafios.

A primeira leitura convida os homens – todos os homens, de todas as raças e nações – a dirigirem-se à montanha onde reside o Senhor… É do encontro com o Senhor e com a sua Palavra que resultará um mundo de concórdia, de harmonia, de paz sem fim.

A segunda leitura recomenda aos crentes que despertem da letargia que os mantém presos ao mundo das trevas (o mundo do egoísmo, da injustiça, da mentira, do pecado), que se vistam da luz (a vida de Deus, que Cristo ofereceu a todos) e que caminhem, com alegria e esperança, ao encontro de Jesus, ao encontro da salvação.

O Evangelho apela à vigilância. O crente ideal não vive mergulhado nos prazeres que alienam, nem se deixa sufocar pelo trabalho excessivo, nem adormece numa passividade que lhe rouba as oportunidades; o crente ideal está, em cada minuto que passa, atento e vigilante, acolhendo o Senhor que vem, respondendo aos seus desafios, cumprindo o seu papel, empenhando-se na construção do “Reino”.

EVANGELHO – Mt 24,37-44

ATUALIZAÇÃO
A reflexão deste texto pode partir dos seguintes dados:

O que é que significa para nós “estar vigilantes”, “estar atentos”, “estar preparados” para acolher o Senhor? Significa ter a “alminha” na “graça de Deus” para que, se a morte chegar de repente, Deus não consiga encontrar em nós qualquer pecado não confessado e não tenha qualquer razão para nos mandar para o inferno? Significa, fundamentalmente, acolher todas as oportunidades de salvação que Deus nos oferece continuamente… Se Ele vem ao meu encontro, me desafia a cumprir uma determinada missão e eu prefiro continuar a viver a minha “vidinha” fácil e sem compromisso, estou a perder uma oportunidade de dar sentido à minha vida; se Ele vem ao meu encontro, me convida a partilhar algo com os meus irmãos mais pobres e eu escolho a avareza e o egoísmo, estou a perder uma oportunidade de abrir o meu coração ao amor, à alegria, à felicidade…

O Evangelho que nos é proposto apresenta alguns dos motivos que impedem o homem de “acolher o Senhor que vem”… Fala da opção por “gozar a vida”, sem ter tempo nem espaço para compromissos sérios (quanta gente, ao domingo, tem todo o tempo do mundo para dormir até ao meio dia, mas não para celebrar a fé com a sua comunidade cristã); fala do viver obcecado com o trabalho, esquecendo tudo o mais (quanta gente trabalha quinze horas por dia e esquece que tem uma família e que os filhos precisam de amor); fala do adormecer, do instalar-se, não prestando atenção às realidades mais essenciais (quanta gente encolhe os ombros diante do sofrimento dos irmãos e diz que não tem nada com isso: é o governo ou o Papa que têm que resolver a situação)… E eu: o que é que na minha vida me distrai do essencial e me impede, tantas vezes, de estar atento ao Senhor que vem?

Neste tempo de preparação para a celebração do nascimento de Jesus, sou convidado a recentrar a minha vida no essencial, a redescobrir aquilo que é importante, a estar atento às oportunidades que o Senhor, dia a dia, me oferece, a acordar para os compromissos que assumi para com Deus e para com os irmãos, a empenhar-me na construção do “Reino”… É essa a melhor forma – ou melhor, a única forma – de preparar a vinda do Senhor.

FREI LINO: 25 Anos de Padre.