Total de visualizações de página

Seguidores

Mostrando postagens com marcador História dos Carmelitas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História dos Carmelitas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

OLHAR SOBRE O CARMELO: Surgimento e evolução da Segunda e Terceira Ordem.

Quando falamos aqui de ‘Terceira Ordem’ referimo-nos a pessoas que vivem o carisma carmelitano exatamente na sua condição de leigo ou leiga. Globalmente podemos distinguir três fases evolutivas. Antes de descrevê-las convém dizer que o assunto é um tanto complexo, pelo fato de serem as datas às vezes confusas, imprecisas e localmente situadas. Corremos, assim, o risco de introduzir generalizações que, na realidade, se referem a fatos de um determinado tempo ou área geográfica específica.
Já nos inícios da história carmelitana, encontramos os chamados oblatos, leigos que, de uma ou outra forma, fazem parte da família do Carmo. Em certos casos chegam a fazer uma verdadeira profissão religiosa, ‘doando-se’ — se et sua  (a si mesmo com seus bens) — à Ordem, representada pelo seu legítimo superior. Em tese podem ser tanto homens quanto mulheres, mas, na realidade, predominam largamente as leigas.  Normalmente vivem em casas separadas e vestem um hábito semelhante a dos frades, daí a denominação manteladas. Outros nomes dizem respeito a casos mais ou menos idênticos: oblatas, conversas, beatas, pinzocheras, beguínas, terciárias. Todas dependiam de um determinado convento e não formam grupos homogêneas.
Em maio de 1452, reuniu-se, na cidade de Colônia, o Capítulo Provincial da Alemanha Inferior, sob a presidência do Geral da Ordem, Frei João Soreth (1451-1471). Poucos meses antes, o Legado do Papa para a Alemanha e regiões vizinhas, Nicolau Krebs ou Nicolau de Cusa (1401-1564), apaixonado defensor da unidade da Igreja, exatamente numa época de muitas divisões, decorrentes do Cisma Ocidental (1378-1417), decretara que comunidades de mulheres consagradas, não dotadas de uma Regra aprovada pela Santa Sé, deveriam obtê-la ou unir-se a alguma Ordem Religiosa já existente. Caso não obedecessem seriam extintas!
Nesse contexto devemos situar o pedido das beguinas de Geldre, na Diocese de Colônia, apresentado no mencionado Capítulo Provincial. Na realidade, essas mulheres piedosas já mantinham contatos com os Freis Carmelitas desde que chegaram à freguesia onde se localizava a sua casa, em princípios do século XIV. Certo é que estavam sob a direção dos Carmelitas a partir de 1360, sem que seguissem uma Regra específica.
A solicitação das beguínas foi acolhida favoravelmente pelo Prior geral (10-5-1452), que encarregou o superior do convento de Geldre para efetuar a incorporação do grupo com a profissão religiosa, a fim de que vivessem regulariter como verdadeiras Carmelitas.
Na realidade, o ato de Soreth precedeu a Bula Cum Nulla (7-10-1452), de Nicolau V, com cinco meses! Numa carta às ex-beguínas de Geldre (14-10-1453), agora ‘monjas carmelitas’, o Geral ratificou sua decisão de maio do ano anterior, apoiando-se na Bula mencionada, transcrevendo, inclusive, o próprio texto daquele documento pontifício.
Foi o mesmo Prior geral que, após ter aceito as beguínas de Geldre, providenciou a incorporação de outras comunidades de ‘mulheres devotas’, como as de Nieukerk (Holanda), Dinant (Bélgica) e, provavelmente, ainda outras.
Nessa mesma época houve na Itália também aproximações de  algumas comunidades de pinzocheras à Ordem do Carmo. O caso de Florença é típico e daria origem ao célebre mosteiro de Santa Maria dos Anjos, onde viveu Santa Madalena de Pazzi (1566-1607), dotada com extraordinárias experiências místicas.
Os estudiosos não estão concordes quanto à origem da Bula Cum Nulla. A final de contas quem é que a pediu ao Papa? Há os que defendem a tese que a iniciativa partiu das ‘agregadas’ italianas, particularmente as de Florença. Muitas delas viviam nas suas próprias residências ‘como se fossem carmelitas’! Por volta de 1450 surgiu em Florença à ideia de acolher essas mulheres piedosas numa casa ‘de vida em comum’. O projeto da construção desse convento ficou pronto em 1452. É nessas alturas que teriam enviado a Roma uma representação para ‘garantir’ seus direitos como religiosas, o que resultaria na Bula Cum Nulla.
A questão continua em aberto. Frei Vital Wilderink, na sua tese de doutorado, aborda essa temática e chega às conclusões que resumimos em seguida.
Deixando de lado aspetos mais diretamente jurídicas e organizativas, é indiscutível que os conventos femininos fundados por Soreth se distinguem notoriamente dos cenóbios encontrados na Itália e na Espanha. Efetivamente, as fundações localizadas na Alemanha, nos Países Baixos (Holanda e Bélgica de hoje) e na França, constituíam uma unidade, formando uma verdadeira Família com uma mesma orientação e idêntico programa de vida.
Sabemos que, desde que sua eleição como Geral, João Soreth se empenhara na obra de reforma da sua Ordem, toda ela centrada na ‘observância regular’. A criação de conventos femininos está nesta mesma linha de ação. É bem possível que o caso das beguínas de Geldre ofereceu a Soreth  a oportunidade para ampliar sua visão no sentido de dar início a um verdadeiro ‘ramo feminino’ da Ordem do Carmo. É fato comprovado que o Geral colocou essas iniciativas sob sua direta jurisdição ou as confiou a Carmelitas ‘já reformados’. Os mosteiros de ‘monjas carmelitas’ tornaram-se logo centros de irradiação espiritual e laboratórios da reforma desejada por Soreth. A vida em comum, o Ofício coral, a estrita observância com a clausura rígida dão prova disso. Podemos até dizer que as ‘carmelitas de Soreth’ anteciparam em um século as reformas introduzidas pelo Concílio de Trento (1545-1563) e suas aplicações concretas no pontificado de São Pio V (1566-1572).
Frei João Soreth — afirma Dom Vital Wilderink (23) — pode ser reconhecido como o ‘fundador’ das Carmelitas na medida em que tenha sido o ‘reformador’ da Ordem do Carmo. O fato de sua obra reformadora ter tido pouca penetração nas regiões ao sul dos Alpes d e dos Pireneus, fez com que se dedicasse inteiramente às fundações nórdicas. Graças a seu empenho e santa teimosia, o ramo feminino do Carmo — a ‘Segunda Ordem’ — pode nascer e consolidar-se, pois foi ele que o concebeu, inspirou e organizou, inclusive com o indispensável embasamento jurídico que, mais tarde, seria adotado também em outras regiões antes avessas à sua reforma.
O Prior-geral Soreth gostava de dizer que a primeira preocupação das monjas carmelitas é honrar fielmente a Mãe de Deus, considerando-se como verdadeiras ‘Filhas de Nossa Senhora’ a quem têm por Prioresa de seus mosteiros. Maria é vista como guia de perfeição mística e modelo de pureza. Na vida espiritual é ela que conduz a monja ao seu divino Filho e à própria Santíssima Trindade (ver os ensinamentos de Santa Maria Madalena de Pazzi).
Enquanto lentamente se vai afirmando o que constituirá a “Segunda Ordem” ou Sancti Moniales (monjas de estrita clausura), as pinzocheras ‘de profissão solene’ continuaram a ser bastante numerosas na Itália e na Espanha sem, no entanto, levarem uma vida comum. Ocupam, de fato, o terceiro lugar na hierarquia da Ordem, após os religiosos e as monjas. Por este motivo foram chamadas, em alguns lugares, de terciárias mas, na realidade, eram ‘verdadeiras religiosas’, agregadas — pelos seus ‘votos solenes’ — a um convento masculino ou mosteiro feminino da Ordem. Pio V, querendo clarificar certas confusões reinantes, declarou que a Igreja doravante negaria o ‘caráter solene’ aos votos de pinzocheras que não vivessem em clausura. Acontece que, segundo as leis em vigor naquele tempo, só as terciárias ‘continentes’, portanto com voto de virgindade — o que excluía expressamente os laços matrimoniais — possuíam plenamente os privilégios da Ordem terceira. As não-continentes (as casadas) foram relegadas a um plano inferior, semelhante a das coirmãs da Ordem, ou seja aquelas que não tinham feita profissão religiosa e, por isso, consideradas ‘seculares’, não obstante certos compromissos espirituais as ligassem à Ordem. Essas últimas tornaram-se a variante feminina dos confrades ‘de capa branca’ com regras próprias que, na Espanha, ao que tudo indica, eram conhecidos também por “terceiros’.
Em suma, “quanto à origem da Ordem Terceira, podemos aceitar como um fato histórico, que a Ordem Terceira do Carmo. No seu sentido geral como é conhecida hoje, não existia antes de 1476. Os Carmelitas, embora tivessem a direção espiritual de numerosos grupos de pessoas desejosas de uma vida mais perfeita, não possuíam o direto de agregar tais grupos à Ordem.
A Bula Cum Nulla, de 1452, conferiu apenas a licença de unir à Ordem mulheres que vivessem em castidade. Não se tratava, pois, de uma permissão de fundar Ordens Terceiras em geral, que incluíssem homens e mulheres casados. Essa faculdade só veio na Bula Dum Attenta (1476), quando a licença de agregação foi estendida a quaisquer grupos de pessoas, casadas ou não, homens ou mulheres. Esta Bula significa verdadeiramente o início da Ordem Terceira Carmelita, ao menos em teoria. Pois, há em tudo isto a considerar uma circunstância particular: as outras Ordens Terceiras foram confirmadas depois de já existirem. A Ordem Terceira do Carmo, porém, teve a sua licença jurídica antes de ser organizada! Na prática, ela continuou durante mais de cem anos restrita a mulheres com o voto expresso de castidade perfeita.” (24)
Em fins do século XVI, constatamos na Ordem a existência de quatro grupos distintos: os frades, as monjas, mulheres continentes com voto explícito de castidade (impropriamente chamadas de ‘terceiras’), coirmãs e confrades da Ordem, a quem pode ser conferida, com razão, a qualificação de ‘terceiros’. Além desses grupos havia, desde o século XIV, um outro tipo de agregação: as ‘Confrarias da Madonna’. Algumas se limitam a viver na sombra das igrejas dos Carmelitas, outras assumem o escapulário como distintivo da Ordem, particularmente após as supostas visões de São Simão Stock de que falaremos em seguida.
No decorrer do tempo esvaem-se características específicas entre os vários grupos, gerando não poucas confusões. O Prior-geral Teodoro Straccio (1632-1642) procurou resolver a questão com uma dupla intervenção: agregou, em 1637, à Ordem terceira todos os confrades e coirmãs com votos de obediência e de castidade ‘segundo o próprio estado’, colocando, em 1540, todos os outros na Confraria do Escapulário.

Finalmente, no decurso do século XVIII, surge uma nova modalidade de agregação: Irmãs Terceiras, reunidas em verdadeiras Congregações de Terceiras Regulares de vida apostólica e missionária. Estas famílias religiosas tiveram grande florescimento, unindo formas específicas de serviço eclesial ao carisma e à espiritualidade do Carmo.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

OLHAR CARMELITANO: Os Carmelitas e o Concílio de Trento

Frei James Boyce, O. Carm. In Memoriam (1949- 2010)

O Concílio de Trento (1545-63)   foi uma tentativa de estabilizar e de regulamentar a vida dos fiéis depois dos efeitos devastadores da Reforma Protestante. Tendo isto em mente, todos os textos litúrgicos questionáveis, até mesmo as festas, foram eliminados do calendário. Desse modo, a festa das Três Marias foi proibida aos carmelitas. Todas as festas, com seus textos litúrgicos, tiveram que receber aprovação individual da Santa Sé, antes de serem incluídas no ritual de uma Ordem religiosa ou de uma diocese.   De forma semelhante, a música tinha que se ajustar às normas estabelecidas pela Santa Sé.
Na época do Concílio de Trento, a Ordem Carmelita estava bem estabelecida e contava com um número de santos próprios em suas fileiras. Na reformulação da liturgia carmelitana, a herança que receberam da Terra Santa tornou-se cada vez mais remota, mas o ritual revisado permitiu que eles celebrassem liturgicamente seus confrades que alcançaram a santidade.

Novas festas carmelitanas

Eliseu e Elias
Por causa do relacionamento próximo entre Elias e Eliseu, as duas festas são consideradas como uma só. O relacionamento dos carmelitas com estas duas figuras proeminentes do Antigo Testamento já estava bem estabelecida espiritualmente, muito antes de ser celebrada liturgicamente. Uma afirmação, um tanto comovente, das Constituições do Capítulo de Londres de 1281, demonstra a importância de Elias e de Eliseu dentro da auto-compreensão carmelitana. Apresentamos a seguir uma tradução de Joachim Smet daquelas Constituições:
Declaramos, dando testemunho da verdade, que desde o tempo quando os profetas Elias e Eliseu habitavam devotamente no Monte Carmelo, Pais santos tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, cuja contemplação das coisas celestiais os conduziu à solidão do mesmo monte, eles sem dúvida guiaram suas louváveis vidas lá, junto à fonte de Elias, numa penitência sagrada, contínua e eficazmente mantida.
Foram estes mesmos sucessores que Alberto, o patriarca de Jerusalém no tempo de Inocêncio III, uniu numa comunidade, escrevendo uma regra para eles que o papa Honório, o sucessor do mesmo Inocêncio, e muitos de seus sucessores, aprovando esta ordem, confirmaram-na devotamente por seus decretos. Na profissão desta regra, nós, seus seguidores, servimos o Senhor em várias partes do mundo até hoje.
Esta afirmação demonstra que os carmelitas medievais viam a continuidade entre o povo do Antigo e o do Novo Testamento, os que habitavam à sombra da presença de Elias no Monte Carmelo, os primeiros eremitas reunidos pelo patriarca Alberto, e eles mesmos, em várias partes do mundo. O lugar do Monte Carmelo, a imagem do profeta Elias e a jurisdição de Alberto ajudaram a incutir nos carmelitas, ao longo dos séculos, a santidade de suas vidas e a importância de seu trabalho como religiosos. Além da identificação com a tradição de Elias, tanto Santo Antão quanto São Jerônimo fazem uma associação explícita entre Elias e aqueles que seguem o modo de vida eremítico.
Apesar da importância de Elias e de Eliseu na auto-compreensão carmelitana, sua celebração litúrgica é um fenômeno posterior. Elias é claramente a mais proeminente das duas figuras, apresentado como um modelo potencial. O fato de Elias ter ido para o céu sem morrer, significava que como ele não tinha um dies natalis, ou data de morte, ele não poderia ser venerado como um santo.   Assim, o carmelita John Bale escreveu um ofício para a Assunção de Elias.   Este é certamente um ofício único, de um indivíduo empreendedor, em vez de uma festa carmelitana medieval padronizada. Posteriormente a festa foi aceita, apesar da ausência de uma data de morte ou dies natalis. A evidência mais antiga da festa de Elias é a Missa votiva dos missais do século XVI (1551 e 1574), contemporânea do Concílio de Trento.   Embora a veneração de Eliseu não tenha envolvido os mesmos problemas, seu ofício e missa também são um fenômeno medieval tardio ou mesmo pós-tridentino. De qualquer modo, não temos nenhum indício substancial da veneração, tanto de Elias quanto de Eliseu, que tenha sobrevivido do período anterior ao Concílio de Trento.
A mais antiga evidência Tridentina da festa de Santo Elias é encontrada num suplemento carmelitano Florentino, com a antífona compilada por Fr. Archangelus Paulius, prior de Carmine, no ano de 1627,   assim como em antigos manuscritos do século XVIII de São Martino ai Monti e de Santa Maria em Transpontina. Também nos manuscritos mais recentes que estão guardados no Colégio Sant’Alberto em Roma. Um processionário de 1593 do convento da Encarnação, em Ávila, contém vários cantos para Santo Elias onde ele é chamado tanto de nuestro Santisimo Padre Elias quanto de nuestro Glorioso Padre Elias.
Apesar da veneração de Elias como santo ser bem conhecida nas liturgias do rito oriental, tal observância no ocidente é inteiramente peculiar aos carmelitas. As festas de Elias e de Eliseu deram aos carmelitas a oportunidade de recontar a história dos dois homens cujas vidas modelaram as suas. Como o próprio Monte Carmelo tornou-se cada vez mais distante da experiência de vida carmelitana, a celebração da festa das duas proeminentes figuras do Antigo Testamento permitia aos carmelitas refletir pessoalmente sobre sua herança e a moldar suas próprias vidas no exemplo corajoso de seus antepassados no Monte Carmelo. A celebração destas festas equiparava-se à celebração de uma liturgia para um fundador em outras tradições, já que permitia aos carmelitas explorar as raízes de sua espiritualidade de uma forma litúrgica.
A primeira antífona das primeiras Vésperas para o ofício de Santo Elias é Zelo zelatus sum pro domino deo exercituum, [O zelo pelo Senhor, o Deus dos exércitos, me consome] de 1Reis 19, 10 e repetido em 1Reis 19,14, palavras que são fundamentais na auto-compreensão de cada carmelita. O zelo por Deus caracteriza a vida e o ministério do profeta, assim como do carmelita, exercido sem compromissos. A primeira antífona para as Laudes, uma reconstrução do texto das Escrituras, afirma: Elias dum zelat zelum legis receptus est in celum [Elias, enquanto estava consumido pelo zelo, foi recebido no céu], insistindo no zelo por Deus que caracteriza a vida do profeta. Ele manteve este zelo por toda sua vida associando-o à sua assunção ao céu. A antífona do Benedictus cita a carta de Tiago que recorda Elias: Elias homo erat similis nobis passibilis et oratione oravit ut non plueret super terram et non pluit annos tres et menses sex et rursum oravit et celum dedit pluvium et terra dedit fructum suum (Elias era homem fraco como nós. No entanto, ele rezou bastante para que não chovesse e não choveu sobre a terra durante três anos e meio. Depois ele rezou de novo e o céu mandou chuva e a terra produziu seu fruto).
É importante enfatizar a semelhança entre Elias e todos aqueles que escolhem a vida de oração. A oração de Elias é poderosa. Deus a escuta e, assim, intensifica a força da oração de cada um dos carmelitas. O responsório das primeiras Vésperas lembra Elias caminhando “quarenta dias e quarenta noites para o Horeb, o monte de Deus” enfatizando a importância da jornada carmelitana pela vida, em direção ao monte sagrado, para experimentar a presença de Deus. Elias brigou com os profetas de Baal, devolveu a vida da viúva de Sarepta e rezou por chuva em meio à seca. Pela profundidade de sua oração, sua vida foi preservada no Monte Carmelo e, em seus últimos dias, ele foi aceito na vida eterna de Deus. A escolha de Elias como modelo de vida, na antiga liturgia medieval, se compara à ênfase na dimensão masculina da oração na regra. A falta de um fundador no início da Ordem a ser imitado, permitiu que os carmelitas escolhessem um, num estágio posterior de desenvolvimento. A escolha de Elias como modelo de oração sugere que a própria oração, se for seguida tanto por homens quanto por mulheres carmelitas, é uma ocupação ativa, vibrante e poderosa. Os carmelitas não precisam se preocupar com a eficácia da oração, já que o exemplo de Elias demonstra claramente seu poder e ligação direta entre a oração do pedinte e a ação de Deus. Como a própria palavra poderosa de Deus, a oração pode levar Deus a agir em favor de Seu povo. Portanto, os carmelitas estão seguros do significado, da força e do valor da vida de oração que abraçaram em sua vocação.

Nossa Senhora do Monte Carmelo
Ainda que possam ocorrer referências à festa da Solene Celebração de Nossa Senhora do Monte Carmelo nas fontes medievais, a liturgia tridentina deu plena expressão à sua celebração. Como se poderia esperar, as cinco primeiras antífonas das Vésperas características de todas as festas marianas medievais, também foram usadas aqui. Numa das leituras para as Matinas recorda-se a história de Maria aparecendo ao papa Honório, inspirando-o a permitir o estabelecimento da Ordem Carmelitana.   Isto é muito significativo, já que as primeiras batalhas da Ordem visando sua aceitação passaram a ser claramente situadas dentro da estrutura da intercessão de Maria. Ela não é apenas celebrada como a padroeira da Ordem, mas é lembrada na sua intervenção direta possível a fundação da Ordem. Mediante esta festa os carmelitas veneram Maria como aquela que abençoa a Ordem e os esforços individuais de seus membros. A festa dava plena expressão à união perpétua entre a Virgem Maria e a Ordem. O relacionamento dos carmelitas com ela era visto tanto na perspectiva da Ordem quanto individualmente, onde cada frade busca forças para viver a vida carmelitana contando com sua intercessão na oração.

São Simão Stock
Apesar da figura um tanto evasiva de São Simão Stock ter sido de grande importância na adaptação dos carmelitas à vida no Ocidente, sua festa surge apenas no tempo do Concílio de Trento. Neste caso, os textos para o ofício vêm de sua vita em vez da Escritura e a música se adapta à pauta imposta pelo Concílio de Trento. Os textos do ofício oferecem uma reflexão sobre a santidade de São Simão Stock como religioso e sobre seus dons para a Ordem. Assim, uma das antífonas das Matinas diz que Desiderium cordis eius tribuit ei Dominus cum Carmelitarum institutum vidit in Europa propagatum alleluia [Deus deu a ele o desejo de seu coração quando ele viu o instituto dos Carmelitas espalhado pela Europa] e realmente ele é geralmente associado com a adaptação da Ordem na sociedade ocidental. Os textos da Missa são tirados de cantos comuns tais como os iusti meditabitur sapientiam [A boca do justo fala com sabedoria (Sl 37,30)] e o verso do Aleluia, Justus germinabit sicut lilium [O justo “florescerá como o lírio” (Os 14,6)]. Simão é o homem justo e o carmelita leal que serve de modelo de vida religiosa para todos que celebram sua festa. Liturgicamente a festa visava renovar nos participantes o zelo pelos caminhos do Carmelo.

Santa Teresa d’Ávila
A grande reformadora da Ordem Carmelita, Santa Teresa d’Ávila, morreu dentro da Ordem dos Carmelitas em Alba de Tormes, perto de Salamanca, em 1582. Os textos para sua liturgia referem-se a seu zelo por Deus e à sua sede pela sabedoria, enfatizando apropriadamente suas qualidades místicas e intelectuais. A antífona de abertura para seu ofício, Zelo zelata sum pro honore sponsi mei Jesu Christi [Com zelo sou dedicada à honra de meu esposo, Jesus Cristo] é um complemento feminino ao texto para o ofício de Santo Elias: “sou muito dedicado ao Senhor, o Deus dos exércitos”, indicando que, para os carmelitas, Teresa exemplificou o ideal de Elias na sua sede apaixonada por Deus. Outra antífona fala de seu coração sendo perfurado pela lança ardente do amor de Deus (que posteriormente levaria à uma festa separada, a da Transverberação ou perfuração do coração de Santa Teresa). Outra ainda se refere a ela recebendo sabedoria e prudência. Os textos litúrgicos enfocam os atributos significativos de Santa Teresa e constituem uma meditação sobre suas notáveis virtudes. Recitá-los é rever as qualidades essenciais de sua vida e ser renovado por elas. As virtudes que a liturgia recomenda foram vividas de modo extraordinário por Santa Teresa d’Ávila, e servem como um modelo de imitação por todo carmelita.

Santo Alberto da Sicília
O ofício de Santo Alberto da Sicília é um daqueles raros, onde todas as linhas do texto rimam. Este é o único ofício rimado que sobreviveu intacto ao Concílio de Trento. Como o primeiro santo propriamente carmelitano, Alberto goza de preeminência na veneração litúrgica e o texto rimado para o ofício sugere a estima com que era considerado. A antífona de abertura O Alberte norma munditie, puritatis et continentie [Ó Alberto, modelo de integridade, de pureza e de continência] nos lembra que Alberto é o modelo de integridade de vida e sugere que, para o carmelita, a busca pela santidade deve predominar sobre tudo mais.

Santo Ângelo
Como o primeiro mártir carmelitano, Santo Ângelo corresponde ao Bem-aventurado Pedro, mártir para os dominicanos. O cerne da história de Ângelo ocorre na antífona do Magnificat: Quinque plagis lethalibus transfossus Angelus crucifixum deprecabatur ut suis persecutoribus ad poenitentiam conversis veniam peccatorem concederet et diei obitu sui memoriam a gentibus optatam omnem gratiam largiretur alleluia [Tendo sido ferido com cinco feridas mortais, Ângelo implorou pela cruz de modo que seus perseguidores pudessem receber a graça de ir do pecado à penitência e no dia de sua morte ele rezou para que a graça pudesse ser dada ao povo que celebrou sua memória, aleluia].

Santo André Corsini
Santo André Corsini, o carmelita florentino que se tornou bispo de Fiesole, gozou de forte veneração, especialmente em Florença. Mas sua festa foi observada liturgicamente por toda a Ordem. Tanto sua importância como bispo e nobre, assim como sua santidade pessoal contribuíram para que tivesse um ofício e uma Missa próprios, cujas evidências mais antigas ocorreram após o Concílio de Trento.

Reflexões sobre a liturgia carmelitana tridentina
O período após o Concílio de Trento foi para os carmelitas, como para a Igreja em geral, um tempo de adaptação para estabelecer as novas práticas diante da Reforma. Embora de algumas forma repressivo, o Concílio de Trento deu aos carmelitas a oportunidade de venerar seus próprios santos de um modo que não foi possível durante o período medieval.
Apesar de os carmelitas continuarem a cultivar suas origens do Santo Sepulcro, agora eles também podiam venerar alguns carmelitas que foram aprovados pela Igreja como santos. Cada uma destas figuras ajudou a modelar o ideal carmelitano: Elias e Eliseu simbolizam a dimensão profética da Ordem, bem como a sede de Deus; Maria é mais do que nunca a padroeira e a protetora da Ordem; Santo Alberto é o modelo de pureza e de vida na presença de Deus; Santo André Corsini é o exemplo do carmelita agindo como um bom religioso e também participando da vida administrativa da Igreja; São Simão Stock representa a necessidade de manter a santidade da vida religiosa enquanto concilia as necessidades da Igreja e da sociedade; e Santa Teresa d’Ávila simboliza a contínua sede pelos caminhos de Deus, em especial a sabedoria.

A liturgia carmelitana fala mais e mais da espiritualização do Monte Carmelo. Hoje fala menos da montanha física e mais do caminho da perfeição espiritual. O crescente número de santos carmelitanos próprios, cujas virtudes e fidelidade ao modo de vida carmelitano fez com que merecessem um lugar no Reino, serve agora como inspiração e exemplo ao carmelita que se empenha em viver sua própria vocação. Enquanto em outras tradições a forte presença de um fundador em especial foi sentida através dos séculos e que outros membros da Ordem alcançaram santidade por se adaptarem a um modelo em particular, na tradição carmelitana a ausência de um fundador permitiu uma grande flexibilidade na interpretação e na vivência do ideal carmelitano. A diversidade se reflete nos diversos santos do Carmelo no período tridentino e em sua tradição litúrgica de alguma forma bastante eclética.

quinta-feira, 13 de março de 2014

OLHAR CARMELITANO: O Silêncio.

Frei Estêvão Peters, 0.Carm.
Convento do Carmo de Unaí-MG. 1978.

O que é o silêncio?
Qual o seu segredo?
Que poder tem no existir humano?
Como procurá-lo?
Onde encontrá-lo?
Que valor tem no percurso da vida?

O Silêncio é o ser sem ruído,
Sonância, barulho ou rumor.
O silêncio não se encontra
Em festa mundana,
Riqueza, vida sem rumo.

Eu gosto do silêncio,
Repouso para os meus sentidos
Agitados e inquietos,
Escola onde leio e aprendo
O sentido das coisas criadas.

Sim, eu encontrei o silêncio
Em bosques e montanhas,
Ao longo das praias e nos lagos.
Sim, eu encontrei o silêncio
No crepúsculo da tarde
E nas esferas sagradas.

Ó silêncio, repouso misterioso,
Poder maravilhoso para a existência humana!
Fica comigo nos trabalhos e fadigas
Para que um dia contigo possa gozar
A quietude silente da vida eterna.  

quinta-feira, 6 de março de 2014

NOTAS HISTÓRICAS SOBRE AS MISSÕES CARMELITANAS NO EXTREMO NORTE DO BRASIL (Séculos XVII e XVIII)

POR FR. ANDRÉ PRAT, O. CARM. (2ª Parte)

GALERIA DOS BISPOS CARMELITAS

D. Fr. Francisco de Lima, Bispo do Maranhão e Pará, depois Bispo de Pernambuco. Foi sagrado em 1691.
D. Fr. Bartolomeu do Pilar, Bispo do Grão-Pará, foi nomeado em 1720 e faleceu, em 9 de Abril de 1733.
D. Fr. Pedro de Santa Mariana, Bispo titular de Chrisópolis. Professou na Província do Recife, em 7 de Fevereiro de 1799. Foi sagrado em Junho de 1841. Faleceu a 7 de Maio de 1864. Foi preceptor do Imperador D. Pedro II.
D. Fr. Carlos de S. José e Sousa, irmão do precedente. Bispo do Maranhão. Professou no Recife em 4 de Dezembro de 1797. Sagrou-se em 2 de Junho de 1844 e faleceu aos 20 de Abril de 1850.

Outros religiosos que pertenceram às Províncias brasileiras do Carmo foram Bispos fora do Brasil. Em “O Paiz” de I de Maio de 1900 encontramos os nomes seguintes:

D. Fr. Manoel de Santa Catarina, Bispo de Angola (sagrou-se em 4 de Julho de 1720).

D. Fr. Inocêncio Antônio das Neves Portugal, Bispo de Algarves, (foi por vários anos Provincial da Província Carmelitana Fluminense).

D. Fr. Milesio Prendergast, Bispo titular de Centúria, ex-vigário apostólico de Malabar, Comendador da Ordem de Cristo, agraciado no dia da sagração de D. Pedro II. Natural da Inglaterra, porém naturalizado brasileiro por decreto n.” 201, de 14 de Setembro de 1841. Faleceu no Convento do Carmo do Rio de Janeiro a 30 de Setembro de 1843.

D. Fr. Bartolomeu dos Mártires, Bispo de São Tomé e mais tarde de Moçambique. Este Carmelita depois de sua nomeação para Bispo, residiu por algum tempo no Convento do Carmo da Lapa no Rio de Janeiro; parece, no entanto, que pertencia à Ordem dos Carmelitas Descalços.

D. Fr. José do Menino Jesus, Carmelita descalço, Bispo de Vizeu.

 D. Fr. Manoel de Santa Inês, Carmelita Descalço. Transferido da Diocese de Angola, chegou à Bahia em 1762, e governou o arcebispado como bispo, por estarem interrompidas as relações de Portugal com a Santa Sé. Confirmado como arcebispo em 1771, faleceu à 22 de Junho desse mesmo ano. Por provisão de 26 de Outubro de 1765 tinha conseguido estabelecer a Catedral Metropolitana na igreja do antigo Colégio dos Jesuítas.

D. Fr. Luís de Santa Teresa, carmelita descalço, doutor em direito pela universidade de Coimbra. Confirmado pelo Papa Clemente XII, a 5 de Setembro de 1738, no reinado de D. João V, tomou posse do Bispado de Pernambuco a 29 de Julho de 1739. Chamado a Portugal, deixou o bispado a 18 de Junho de 1754, e faleceu a 17 de Novembro de 1757. Era irmão do bispo do Rio de Janeiro, D. João da Cruz, que regeu essa diocese de 1739 a 1745.

D. Fr. João da Cruz, carmelita descalço, foi eleito Bispo do Rio de Janeiro pelo Papa Clemente XII, em 1740, foi sagrado em Lisboa pelo Cardeal Patriarca, a 5 de Fevereiro de 1741. Chegou ao Rio de Janeiro a 3 de Maio do mesmo ano, e fez a sua entrada solene na catedral, a 9 desse mês. Partiu em 1742 para Minas Gerais em visita pastoral e de volta em 1745, renunciou o bispado, retirando-se para Lisboa a 14 de Outubro do mesmo ano, e sendo transferido para a diocese de Miranda em 1756; lá faleceu a 20 de Outubro de 1756.

D. Frederico Benício de Sousa e Costa. Por Decreto de Pio X, de 22 de Setembro de 1904 foi nomeado Prelado de Santarém no bispado do Pará. Eleito Bispo do Amazonas, em 8 de Janeiro de 1907, foi sagrado em Roma pelo Cardeal Gotti, a 19 de Março desse ano, na capela do Colégio Pio Latino Americano, e tomou posse da diocese a 2 de Junho. Resignou o bispado em 1914, sendo então nomeado por Pio X, bispo titular de Tubuna. Retirando-se para a Europa entrou na Ordem dos Camaldulenses, da qual por motivos supervenientes retirou-se, ingressando na Ordem dos Carmelitas, onde continua satisfeito trabalhando pela glória de Deus e pelo reflorescimento do Carmelo.

D. Fr. Elizeu van de Weyer, Bispo titular de Gor. Sagrado em Rio de Janeiro no ano de 1941. Nasceu aos 29 de Dezembro de 1880. Há mais de 40 anos que pertence à Ordem Carmelitana. A seu cargo está a Prelatura de Paracatu (Minas Gerais).

NOTAS HISTÓRICAS SOBRE AS MISSÕES CARMELITANAS NO EXTREMO NORTE DO BRASIL (Séculos XVII e XVIII)

POR FR. ANDRÉ PRAT, O. CARM. (1ª Parte)

CATÁLOGO DE ALGUNS MISSIONÁRIOS CARMELITAS NO AMAZONAS.

A) 1720 - No lago de Cupaçá no Solimões, os Jumás matam Frei Antônio de Andrade.

B) 1721 - Diogo Pinto Gaia castiga os Jumás, assassinos de Frei Antônio.

C) Frei Martinho da Conceição, pioneiro no Rio Negro.

D) Frei André da Costa, que tinha uma missão na ilha dos Veados, transladou-a para a tapera da aldeia de Tefé, tendo por orago Santa Teresa, reunindo as relíquias dispersas das missões destruídas, e que foram fundadas pouco antes de 1689. (Rev. I. G. e H. do Amazonas, Manaus, 1939/36, V, 117).

E) Frei Crisóstomo. Escreve o Cônego José de Andrade que D. Antônio Costa, ao chegar em Belém, encontrou apenas um representante da Comunidade dos Carmelitas — Fr. Crisóstomo. (D. Lustosa, 17 S.).

F) No Solimões os Cayuvicenas mataram Frei Matias Diniz. (R. 44).

G) Frei Paulo de S. João, comissário do Carmo em 1734.

H) Frei Isidoro José, Carmelita de Belém, foi Vigário de Almeirim em 1820. (Von Martins, Reise in Brasilien, Edição alemã. München 1831. III, 1324, ss.).

I) Frei Inácio de Nossa Senhora do Carmo. (Baena, Comp. 244).

J) Devemos a Frei José Lopes (“As notícias sobre Japurá”).

L) O ex-Vigário Provincial do Carmo, Frei Caetano José Macário, dedicou-se a cura de almas no Marajó em 1786. (Brandão, 1.221).

M) Em 1740, no Rio Negro, Frei José de Magdalena empregou a vacinação, salvando, com a lição que seus companheiros foram seguindo, centenas de vidas. (R. 45).

N) Frei José de Santa Maria, missionário pioneiro no Rio Negro. (R. 39).

O) Frei Matias tomou posse da nova aldeia do Japurá, onde construiu uma igreja e a casa de residência. Em breve, porém, o padre que costumava reclamar contra os costumes livres do principal e dos índios seus vassalos que tinham muitas concubinas, viu-se obrigado a fugir. Avisado pelo devotado ajudante José Cardoso de que seria assassinado na manhã seguinte, meteram-se os dois numa canoa, entrando por um furo que dá passagem para o rio Urubaxí e daí tomaram o Uniuxí, onde encontraram o principal Camandari. Esse tuchaua recolheu o missionário, levando-o para a sua maloca. Em 1728 fundou a aldeia de Mariuá, (hoje Barcelos). (Rev. H. e G. Etnogr. do Brasil, 1886).

P) Frei Caetano de Oliveira.

Q) Frei José de Paiva foi Missionário em 1732, na aldeia de Jupurá.

R) Frei José Pinto.

S) Frei Sebastião da Purificação, missionário pioneiro no Rio Negro. (R. 39).

T) Frei Roque.

U) Frei Raimundo de Santo Elizeu foi trucidado pelos índios na aldeia de Dary (lugar de Lamalonga). (Baena, Comp. 249).

V) Frei Francisco Seixas dedicou-se às missões no Rio Negro em 1728.

X) Frei Andrade de Sousa, missionário pioneiro no Rio Negro.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A "RENASCENÇA" ENTRE OS CARMELITAS

 
     Entre os Carmelitas houve também muitos que foram cativados pela grandiosidade da "Renascença", na Itália, na Espanha, na França, nos países nórdicos: miniaturistas, pintores, poetas, beletristas, escritores, oradores, lingüistas, epistológrafos, astrônomos, cientistas, músicos. Os próprios textos oficiais foram compostos num latim mais puro. E tudo isto, graças a Deus, não deixou de cantar as glórias de Maria, Mãe de Deus.
 
     Florença foi o centro cultural deste período e, em Florença, o Carmo, com a sua Companhia das Laudes e de Santa Inês, não foi dos menores pontos de reunião de artistas que se iam tornando famosos, entre os quais o carmelita Filipe Lippi.

     O Carmo teve a felicidade de ter tido Masaccio como pintor da Capela Brancacci, aonde vinham para deslumbrar-se e aprender pintores que se tornaram grandes, como Miguelângelo, Leonardo, Rafael e Botticelli.
 
Filipe Lippi (1406-1469) - Pintor e Mestre de pintores. Quando tinha oito anos foi entregue aos Carmelitas pela tia e tutora dos dois órfãos, Filipe e João, que foi carmelita também e organista. Foi discípulo de Masaccio e teve como discípulos Botticelli, Fra Diamante (ex-carmelita e depois camaldulense) e o próprio filho, Filipino Lippi, além de muitos seguidores. Entre as suas obras é maravilhosa a "Adoração do Menino pela Mãe": está em Berlim, no "Kaiser Friedrich Museum".

Beato Batista Mantuano (1447-1516) - Foi poeta, escritor, orador e epistológrafo. As suas obras espalharam-se por toda a Europa, mas não tanto na Itália. Teve muitos imitadores e admiradores. Os seus escritos foram livros de texto em escolas da Inglaterra, da França, da Espanha e da Alemanha. As poesias da juventude são melhores. Foi muitas vezes Vigário Geral da Congregação de Mântua como também Geral de toda a Ordem. Não esconde a sua fé nem o seu amor à Virgem Mãe de Deus.

Arnoldo (ou Arnaldo) Bóstio (1475-1525) - Grande humanista, poeta, escritor, teólogo e principalmente epistológrafo. Usou do seu profundo conhecimento do latim e, num latim bonito, correspondia-se com os humanistas do seu tempo, da Ordem ou fora da Ordem, na sua Bélgica, na França, na Alemanha, na Itália, aconselhando, animando, exigindo o que fosse para o bem da Igreja e da Ordem, para a glória da Imaculada Conceição de Maria que, como Carmelitas, era preciso defender e, por causa dela, propagar o conhecimento e louvor dos seus pais, São Joaquim e Sant'Ana. Com esta finalidade exigia poemas, escritos e tratados; até lhes aconselhava que também se correspondessem com este ou com aquele, para formarem uma só corrente. Se exigia, fazia também. Se os "antigos" do paganismo mereceram admiração, muito mais os da Ordem, sobre os quais escreveu um De Illustribus Viris. Entre outros correspondeu-se com o Beato Batista Mantuano, com João Paleonidoro (carmelitas), com Erasmo e Tritêmio, que admiravam e elogiavam o seu entusiasmo e ardor sempre juvenil pelas coisas da Ordem e de Maria. Tritêmio, que não era carmelita, por estímulo e insistência de Bóstio, escreveu dois trabalhos de exaltação da Ordem do Carmo.
 
     No livro citado de Balbino Velasco Bayón (também nas páginas 220-281) constam, no século XV, 72: entre Mestres (12), Bacharéis (3), Bíblicos (4), Leitores (13), Sentenciário (1), Doutores (6), Escritores (2), Estudantes (31).

     Na lista de Leo van Wijmen acima citada constam 71 carmelitas licenciados por Paris de 1401-1500, entre eles o Beato João Soreth (20/12/1437).

     Nos países da Escandinávia prevaleceram os Sinceriora studia (não desprezavam o progresso na cultura, mas se apegavam mais à leitura e meditação das Escrituras e dos Santos Padres: a qualquer outro mestre, novo ou antigo; dos gregos ou da escolástica sistemática, preferiram "Cristo ou Pedro ou Paulo").     Entre todos os da Escandinávia o mais valente e sincero foi Paulo Elias (Eliesen), nascido entre 1480/85 e falecido, mais ou menos em 1534, no cerco da sua cidade natal, Varberg, por Gustavo Vasa. Mas Paulo Elias pertence mais ao século seguinte (sec.XVI).

 

REMAPEAMENTO DA CAMINHADA DOS CARMELITAS


NOVIÇOS-Turma 1933 (segundo explanações de Frei José Fragoso e uma palestra de Frei Jesus Castellano OCD na reunião da USG (União dos Superiores Gerais).

 
ONTEM
1) De eremitas a cenobitas (vida comunitária)
 
            É impossível situarmos o nascimento dos Carmelitas sem termos em mente o contexto sócio-político-religioso da época: uma sociedade em crise. Nesse contexto histórico surgem formas de contestação da Sociedade e da Igreja.
            Surgem na Igreja os peregrinos que adotam uma vida errante e pobre em contestação ao luxo e aos poderes da época.
            Com as Cruzadas e a reconquista da Terra Santa, os lugares de peregrinação mais procurados passam a ser os "Lugares Santos" da terra de Jesus. Muitos desses peregrinos/cruzados passaram a residir na Terra Santa como eremitas.
            No Monte Carmelo, um grupo de eremitas vive em solidão, oração e contemplação; o que os anima a viver este estilo de vida é a forte tradição do lugar: o Monte Carmelo de forte tradição Eliana e de forte tradição Mariana. Esse grupo procura imitar Elias nessa busca de Deus, que se encontra na solidão.
            Tiveram como inspiração principal a primeira comunidade cristã:
            "Todos os que tinham abraçado a fé viviam juntos e punham tudo em comum: vendiam as suas propriedades e bens e condividiam com todos, segundo as necessidades de cada um" (At 2,44-45). A presença e a celebração do Cristo Eucarístico direcionava a vida do grupo e o Espírito Santo animava-os através da vida comunitária.
            Esse grupo de eremitas, que já viviam em comunidade (cenobitas) pedem ao Patriarca de Jerusalém, Alberto, que aprove o seu modo de vida e Alberto lhes dá a aprovação da sua Vitæ Formula entre 1206 e 1214 (a duração do Patriarcado de Alberto).
            No entender nosso, é Jesus o polo principal da vida do grupo, que é animado pelo Espírito Santo e tem como embasamento a vida comunitária. 
 
2) Do Monte Carmelo à Europa
            Retomar, em sentido contrário, o caminho que antes tinha sido percorrido: este era o desafio para os carmelitas expulsos pelos Sarracenos. Como viver a Forma de Vida em um ambiente totalmente diferente? Na sua chegada à Europa encontram bastantes dificuldades para sobreviver, pois na Europa já habitavam como "donos" os franciscanos e os dominicanos.
            Além de enfrentarem problemas com relação à sua própria identidade (na época, eremitas fora do eremitério eram vistos como hereges) os frades têm que enfrentar problemas de ordem econômica e religiosa.
 
3) Do reconhecimento aos nossos dias
            Depois de reconhecidos oficialmente pela Igreja, após algumas modificações na sua Norma de Vida que passa a ser Regra de Vida com a aprovação de Inocêncio IV, que lhes concede o "status de Ordem",  os Carmelitas se expandem e cresce o número de conventos.
            Com o passar dos tempos surgem movimentos dentro da Ordem, que buscam viver com mais profundidade a "regra primitiva": a Reforma de Mântua, de Albi, dos Priores Gerais, de Santa Teresa e da mais estrita Observância (de Touraine). Todas na tentativa de viver mais intensamente os valores da Vida Carmelitana: contemplação, oração, fraternidade e profetismo.
 
HOJE
            A Ordem do Carmo articula-se hoje em 21 Províncias, 3 Comissariados Gerais e 7 Comissariados Provinciais(que são Províncias em formação) e 2 Delegações Gerais; há também os diversos grupos operativos, subdivididos em Regiões e em outras estruturas administrativas chamadas Assistências.
            Segundo data de 31 de dezembro de 1989, eram 2032 religiosos, sendo 10 bispos, 1448 presbíteros, em 308 conventos e 57 residências.
            O Carmelo Feminino (Ordem II e Ordem III Regular) tinha 872 monjas em 65 mosteiros e 2909 religiosas de 14 congregações afiliadas residentes em 362 casas.
            Quanto aos Irmãos Terceiros Seculares são em número considerável e não se pode oferecer senão um dado estimativo, próximo de 10.000 ou mais. E há inúmeros grupos de leigos atraídos pelo nosso carisma.
            Os Religiosos, ordenados ou não, desenvolvem suas atividades apostólicas em países diversos. Em primeiro lugar, com a atualização nascida das diretrizes pós-conciliares, existe o trabalho pastoral em 231 paróquias (dados de 1984) e, depois, aquelas tradicionais atividades, como ensino, pregação, exercícios espirituais, culto mariano, assistência às associações ligadas ao Carmelo etc.
 
AMANHÃ
            Com certeza o nosso amanhã depende do nosso ontem e do nosso hoje.
            O mundo evolui, as pessoas evoluem e, naturalmente, também evolui a Igreja formada por pessoas.
            Neste final de século e de milênio somos chamados a confrontar-nos com a Eclesiologia de Comunhão. 
            No mundo atual ninguém consegue jamais isolar-se ou mesmo cercar-se com barreiras. Não existem fronteiras, que a comunicação de massa não atinja; assim todos participam da vida de todos. Por isso é necessário e natural que esse processo aconteça na vida da Igreja.
            A universalidade e a diversidade de igrejas dentro de uma mesma Igreja e ainda a diversidade de carismas e congregações diferentes devem fazer com que aconteça a Comunhão Eclesial.
            Deve haver um empenho urgente para fazer acontecer essa Comunhão, porque a evolução nos faz refletir sobre a Igreja e a Vida Religiosa do amanhã, principalmente quando se tem por meta a "Nova Evangelização".
            Não raro observamos a Não-Comunhão na Igreja, principalmente no relacionamento entre bispos e religiosos, hierarquia e laicato.
            Tudo isto deve ser superado no nosso amanhã.
            Porém será superado se os religiosos abraçarem a Pastoral de Conjunto, se se colocarem ao serviço da igreja local. Mas também será superado se o valor da Vida Religiosa for reconhecido no seu carisma como algo que dá vida à vida da Igreja e que aproxima a Igreja das periferias da sociedade.
            Sem dúvida, se a Igreja hoje está mais próxima do Povo, é graças aos religiosos com os seus carismas que são acima de tudo "mundanos", no sentido de terem sido dados para serem postos "no mundo" a serviço dos marginalizados.
            Deverá ser superada na Vida Religiosa do amanhã a tendência natural das congregações de valorizarem exacerbadamente o seu carisma, enquanto deveriam estar atraídas para o bem comum da Igreja e do Povo.
            Para a Vida Religiosa do amanhã não serve o pensamento de alguns pastores de igrejas particulares, que dizem: "Não servem os operários especializados neste ou naquele ramo, mas sim a mão-de-obra comum". Esse comentário não valoriza a rica diversidade de carismas, que não necessitam de ser homogêneos, e sim de ter o mesmo objetivo.
            É necessário conscientizar-se de que a Igreja do amanhã será eficaz enquanto todos convergirem em torno da pessoa de Jesus Cristo e da sua missão como fragmentos do todo, reciprocamente unidos, de maneira que não possam existir uns sem os outros: hierarquia, diversidade de congregações e de carismas e leigos.
            Cada carisma contribui com a sua riqueza específica. Isto é inegável.
            Na Vida Religiosa do amanhã deverá haver uma Comunhão entre os carismas, mesmo porque todos têm raiz cristológica e evangélica, como aspectos do único mistério do Cristo, como palavras vivas do único Evangelho.
            Assim para a Eclesiologia de Comunhão, na Igreja do amanhã, os religiosos deverão exercer o papel de peritos, de intérpretes e de animadores, podendo ser mediadores de um diálogo entre o laicato e o ministério hierárquico, justamente porque muitos carismas conduzem os religiosos para as periferias.

            Segundo o Pe.Fábio Ciardi, «a comunidade religiosa se redescobre como uma das grandes expressões da grande "Koinonia Eclesial"   (comunhão eclesial) e será sempre mais ela mesma enquanto nascida da Koinonia, vivida na Koinonia e para a Koinonia».
            Assim podemos pensar o futuro do Carmelo e chegar à conclusão de que o Carmelo do amanhã só será Carmelo, se procurar sempre acompanhar a evolução da vida, sem perder o que de mais rico tem, que é a sua história, o seu carisma, e sim atualizá-los; se estiver disposto a se fazer mais uma família religiosa com as outras famílias religiosas, reconhecendo o valor de cada uma; se estiver preparado para assumir em Comunhão com a Igreja e com as igrejas a Fraternidade Universal.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

ORDEM DO CARMO: CAPÍTULO GERAL- 2013. SASSONE - ITÁLIA


Segundo dia ( 04/09/2013)

MANHÃ
Relatório do Cons. Geral para a Europa (P. John Keating O.Carm.)

            São 12 províncias, 2 comissariados gerais e 2 delegações gerais, com um total de 706 frades, correspondendo a 1/3 dos religiosos da Ordem. A Europa se encontra em uma encruzilhada, um momento de transição, não somente em termos econômicos, mas também no aspecto social e eclesial. O Carmo na Europa se encontra neste complexo contexto. Falta a “onda” de juventude que transforma a realidade. Na Europa somos uma Ordem envelhecida e vivemos momentos de crise de identidade e incertezas. Não se pode ignorar as mudanças dos últimos quarenta anos e fingir que tudo continua como no passado.

Existem pontos cruciais que devem ser enfrentados:

1– mobilidade/imobilidade – vivemos um sério problema de pessoal, “de mobilidade ou imobilidade” causados por empenhos fixos, elevada faixa etária, problemas de saúde física e mental. Na maioria das províncias falta pessoal para assumir e continuar as obras e missões. Por outro lado falta imaginação criativa, para a formação permanente e o serviço à Ordem.

2 – visão e gestão - Nas comunidades falta diálogo e são absorvidas pelo trabalho. Há pouco espaço para “ser carmelita”. É necessário descobrir novos caminhos. Temas como pessoal, abusos, economia e patrimônio, absorvem as energias dos nossos frades. Frequentemente estamos enjaulados em questões administrativas e temos pouca liberdade para caminhar no jardim do Carmelo. Qual é, por exemplo, o papel da Ordem na Espanha, na Alemanha e na Itália de hoje? Nossa missão nada mais é do que conduzir as pessoas a Cristo.

3 – Discernimento –

4 – Zona de Conforto -

 FORMAÇÃO NA ORDEM DO CARMO

            Desde o Cap. Geral de 2007 a Comissão Internacional para a Formação se reuniu anualmente. Para a formação permanente foi escolhido a metodologia da mistagogia.

Conclusões da Comissão:

- como podemos receber candidatos para vida comunitária, se não existe vida comunitária? A comunidade tem um papel fundamental na formação. É necessário ter comunidades para que os novos conheçam o que é a vida comunitária. É necessário aprender a orar, para poder ensinar ser exemplo. Não se pode fazer cursos para ensinar, se não se vive. A riqueza dos cursos vai muito além de meras lições. Na dimensão mistagogica nossas comunidades devem ser: lugar de encontro, de oração e de silêncio, poesia, fraternidade, aberto aos sofrimentos do mundo. Como carmelitas devemos ser uma fraternidade internacional.

RELATÓRIO DO CONSELHEIRO GERAL PARA A ÁFRICA
P. DÉSIRÉ UNEN ALIMANGE

            Nos últimos 15 anos o número de países passou de 2 (Zimbábue e Congo) para sete (Moçambique, Burkina Fasso, Quênia, Camarões e Tanzânia). Existem projetos de abertura em outros dois países, Uganda e Togo. No total são 242 frades em todo o continente. Temos também dois Mosteiros de Monjas no Quênia e de Congregações Carmelitas em diversos países (Donum Dei, Carmelitas de Santa Teresa do Menino Jesus, Carmelitas do Sagrado Coração, Irmãs da Virgem Maria do Monte Carmelo, Trabalhadoras de Nossa Senhora do Monte Carmelo- Zimbábue). A estes grupos de vida consagrada se acrescentam os diversos grupos de leigos carmelitas. A presença da Ordem está se consolidando no continente africano. São muitas as vocações, mas é preciso insistir na qualidade. O desafio da enculturação não pode ser ignorado. É necessário criar centros de formação no próprio continente.

RELATÓRIO DO CONSELHEIRO GERAL PARA AS AMÉRICAS
P. RAUL MARAVÍ CABRERA, O.CARM.

            A Ordem está presente em 13 países das Américas: Canadá, EUA, México, El Salvador, Rep. Dominicana, Porto Rico, Trinidad e Tobago, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Argentina e Brasil. Institucionalmente são 4 províncias, 1 comissariado geral, 8 comissariados provinciais, e 3 fundações sem status jurídico-canônico (Trinidad e Tobago, Colômbia, e Argentina).

AMÉRICA DO NORTE

BRASIL. As 2 províncias já possuem grande experiência de colaboração no campo da formação, ministérios e paroquias.

 RELATÓRIO DO CONSELHEIRO GERAL PARA ÁSIA-AUSTRÁLIA-OCEANIA
P. Albertus Herwanta O. Carm.

            A Ordem cresceu muito na Região. Em 2009 eram 544 frades e em 2012 o número subiu para 569. Estamos presentes nos seguintes países: Austrália, Timor Leste, Índia, Indonésia, Filipinas e Vietnam. Ressalta-se o ingresso do primeiro candidato chinês e do primeiro da Papua Nova Guiné. Na Índia começam a surgir vocações de outros Estados, além de Kerala. As monjas carmelitas também estão presentes na região e a esperança é que logo, logo seja aberto um novo mosteiro no Vietnam. Foram abertas duas novas missões: Papua Nova Guiné e Hong Kong. Em 2006 19 frades OCD da Índia, sacerdotes e professos pediram o ingresso na N. Ordem. Após alguns anos de experiência foram formalmente aceitos na Ordem em novembro de 2012. Nasceu assim a Delegação Geral de Santa Teresa e Santo Alberto de Jerusalém. A Província das Filipinas foi erigida em 2013. Seguindo um antigo projeto da Ordem, está sendo fundada uma casa em Singapura. Diversos grupos de leigos carmelitas são florescentes em toda a Região. Ainda existem muitos países onde seria importante a abertura de novas casas, como Mongólia, Japão e Coréia do Sul. Os maiores desafios da Região são: formação, dificuldades financeiras, missões e a contribuição para o governo geral.

COMISSÃO GERAL PARA JUSTIÇA, PAZ E INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO

            A CGJP, foi constituída com o objetivo de ajudar a Ordem a ter maior consciência dos desafios de justiça e paz. Muitas províncias possuem promotores de Justiça e Paz. A CARMELO-NGO INTERNATIONAL, tem reconhecimento por parte da comunidade internacional e do governo dos Estados Unidos. Algumas Províncias possuem também ONGs Carmelitas muito atuantes. A CGJP promove o diálogo inter-religioso e elaborou um documento sobre o tema com foco na contribuição específica da Ordem do Carmo. Os desafios são: aumentar a comunhão com CGJP de outras famílias religiosas, promoção do diálogo inter-religioso, oferecer para a sociedade a contribuição da espiritualidade carmelitana. No âmbito interno da Ordem é preciso aumentar o intercambio entre as províncias no campo da promoção da Justiça e da Paz.