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segunda-feira, 16 de março de 2015

Meditar na Lei do Senhor e vigiar em oração.

FORMAÇÃO E IDENTIDADE CARMELITANA: A identidade carmelitana na atual conjuntura eclesial.

Frei Bruno Secondin.  O. Carm.
           (Veja o vídeo, “A Palavra do Frei Petrônio”, Nº 707. Entrevista com
Frei Bruno Secondim. Clique aqui:  https://youtu.be/ioEVQ3h_wXs).

1-Eis o grande tema carmelita: até as pessoas menos instruídas sabem que o ideal carmelitano é o da vida de oração. E em torno deste ponto focal deveriam convergir todas as outras coisas: o horário, a moradia, a formação espiritual, o sentido da maturidade espiritual, a direção espiritual, o apostolado. Não vou entrar em toda esta literatura, que muitas vezes é mais apologética do que útil. Quero tocar neste argumento sob um outro ponto de vista.
- Uma tradição de conflitos e de hipocrisias: se é grande a glória para o Carmelo neste campo – e disto ninguém duvida – é preciso também reconhecer que as hipocrisias não faltam. E também são abundantes as manipulações. A primeira hipocrisia é a de uma vida real que na verdade não parece dar esta importância à oração e à meditação assídua da Palavra, da qual nasce o vigiar nas orações. A solidão da cela era vista – e é vista ainda tantas vezes – como a ocasião para se rezar um pouco, qualquer que seja a forma de oração. Ao contrário, segundo a Regra, se está na cela sobretudo para meditar na Palavra, e fazê-la florir numa resposta orante e perscrutadora (vigilantes: R 10). Sobre a solidão, o silêncio, a oração mais ou menos intensa forjaram-se tantas histórias no Carmelo: em nome do espírito primitivo, das não-mitigações, da perfeição, etc.
- Uma releitura das intenções originais do carisma nos ajuda a superar razões de polêmica e a reencontrar um sentido novo para esta característica do Carmelo. Na releitura nova da Regra os capítulos 10-17 formam um bloco único, e representam o modelo de Jerusalém. E, por consequência devem ser interpretados numa unidade dinâmica. Se assim fizermos, veremos bem como a Palavra ouvida e meditada na solidão floresce em oração vigilante e em louvor sálmico, mas também em partilha dos bens e dos sentimentos do coração. E tudo encontra o seu vértice na celebração eucarística, que é plenitude do que a Palavra anuncia e promete, e fermento para que a vida se transforme em koinonia e seja transfigurada na sobriedade e na solidariedade  em nome da  Palavra (cf. a pregação itinerante: R 17).
- A oração como vigilância: não pode ser interpretada como um tempo noturno roubado ao sono para rezar. Mas antes como uma gramática do desejo: acende-se no coração a certeza de uma presença e de um projeto, cujos contornos se procuram na práxis (louvor, partilha, páscoa diária, reconciliação, luta espiritual, ascese flexível, etc.). Mas também se propõe fazer de toda a existência uma espera vigilante, um estar de sentinela, apaixonados e implorantes. Não é, portanto, a quantidade ou o método que faz do Carmelo uma comunidade orante. Mas este coração que vibra e espera, perscruta e implora, purifica-se e põe em prática a Palavra.
- Orar como Igreja e em nome da Igreja: este é na realidade o verdadeiro sentido da vocação carmelita à oração. Uma oração não de horários e de tamanho, mas de coração que ama e que implora, de paixão pelo Reino que trabalhosamente se faz luz na história. Orar como Igreja é principalmente deixar-se amar e convocar,. falar ao coração e salvar por meio da Palavra e da mesa eucarística, da solidão e da corresponsabilidade, do trabalho e do silêncio, da fidelidade à sabedoria dos séculos e da abertura ao novo que vai chegando. Se relermos os nossos grandes mestres sob esta perspectiva, encontraremos muitas confirmações, mas também um convite a mudar de esquema..
- Uma oração teologal e não só orações: olhando-se bem para a Regra, mas ainda para a nossa história e a nossa espiritualidade, descobrimos que a oração nunca se desprende da história, antes está entrelaçada dentro da história, impregnada de história. Reconhecemos que Deus está fazendo crescer  os seus desígnios dentro da história: rezamos desde dentro da nossa experiência de Filhos, e Cristo primogênito reza conosco e em nós. Verdadeiramente rezamos antes de tudo com esta consciência, nele reconhecendo misericórdia, perdão, ternura, fidelidade. A síntese é a oração do Pai Nosso, que justamente vale tanto quanto o breviário inteiro.
- Uma oração eclesial: enquanto fruto do Espírito, que anima a Igreja, conhece os seus gemidos e aspirações, e os eleva em nosso favor até onde está o Pai (Rm 8,26). Trata-se certamente de uma experiência pessoal autêntica, que nasce do coração e da interioridade, mas não se fecha sobre si mesma, exprime ao mesmo tempo a comunhão dos irmãos, dos filhos de Deus, do edifício espiritual que vai crescendo sob a guia do Espírito. Não percamos de vista a função central da capela dedicada a Maria: a oração, que nasce na interioridade de cada um, tende por sua natureza a se manifestar em expressões compartilhadas por todos, como expressão coral de uma família , de uma comunidade.
- Uma oração que é via para crescimento em humanidade: retenhamos que hoje é muito importante colocar a nossa atenção sobre o dinamismo do crescimento na autoconsciência cristã através da oração e o orar. Para que todos nos demos conta de que aqui justamente está uma das grandes dificuldades da nossa oração: que ela se torne não só um problema de quantidade e de tempo, de fórmulas e de gestos, mas sobretudo de crescimento dinâmico, de maturidade global. A Regra propõe-nos uma experiência unificada e unificante com o mistério da salvação, que se realiza no tempo e caminha para a plenitude do Reino escatológico. O escopo final é uma existência transfigurada, em que tudo vem à luz em síntese: é este o sentido dos últimos três capítulos do texto. E nós devemos ajudar os jovens a se encaminharem até este modelo, dinâmico, coenvolvente, sem perigosas dicotomias. Se, pelo contrário, a nossa preocupação é a de ensinar as descrições metodológica e psicológicas dos nossos mestres, nós nunca formaremos orantes de coração vigilante.
2- A palavra é uma lâmpada para os nossos passos [cf. Sl 118 (119) 105]. Queremos completar esta nossa exposição mais uma vez com um texto bíblico, que talvez raramente tenhamos lido. São alguns versículos do Sirácide 35,9-18. Limito-me a algumas anotações para ajudar na interpretação.
- A hipocrisia do culto sem justiça: não se pode separar o culto a Deus do modo de viver, seguindo uma moral dupla. Deus não se deixa enganar pelas aparências quando se oferece os frutos de ações perversas. Não basta rezar pessoalmente com intensidade, é preciso saber distinguir a desonestidade em tantas situações e não concordar com a hipocrisia.
- O semblante alegre , com ânimo bem disposto: não há verdadeiro diálogo com Deus se não existe amor e alegria ao fazê-lo, desejo de encontrá-lo. No constrangimento e no medo não floresce verdadeira oração. Mas a alegria nasce também da resposta de Deus, gratuita e generosa. “Bela é a misericórdia no tempo da aflição: é como nuvens que trazem a chuva no tempo da seca (Sr 35,24)”.
- Deus ouve a prece do oprimido: a Escritura toda no-lo testemunha. Deus conhece e escuta a súplica e o desabafo. Quer dizer que é lícito desabafar-se e gritar; mas também que aquele que ama a Deus deve  aguçar os próprios ouvidos e abrir o próprio coração para escutar como Deus e a reagir como Ele, “restabelecendo a eqüidade”.
- Rezar com o corpo: notemos a ênfase corpórea deste modo de orar. Reforça o sentido da luta, da fadiga, da solidão; é também expressão de uma fé tenaz e confiante. É o corpo todo e a vida que se fazem oração; não é apenas um dizer orações de qualquer maneira.
- Caminho de crescimento. Seja para quem implora e desafia as nuvens para se fazer escutar, seja para a história da humanidade, a oração do humilde torna-se graça que abala as injustiças e faz realizar a justiça e a misericórdia. Bartolomeu de las Casas foi justamente lendo este texto que se converteu de clérigo conquistador em profeta dos oprimidos.

Para refletir:
1º- Estamos convencidos de que devemos repensar o sentido da nossa vocação para a oração?
2º-Como tornar-se Igreja orante e não só fazer orações?

3º- Como crescer em humanidade e solidariedade rezando?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Pensamento para este dia 06 de outubro-2011...



“Não reze pela conversão dos presidiários, corruptos, drogados e ladrões. Que tal pedir a Deus a sua conversão no início deste dia?”. Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

QUE VENHA A IRMÃ MORTE.

Frei Petrônio de Miranda, Frade Carmelita
Jacobina-BA, 26 de outubro de 2007.

 

Quando eu tiver anunciado a esperança

Que venha a irmã morte me levar
Quando eu não tiver ódio no coração
Que venha a irmã morte me levar
Quando eu socorrer os aflitos e oprimidos
Que venha a irmã morte me levar.
Porque com o meu Deus, eternamente, eu quero ficar.



Quando eu tiver levantado o irmão caído
Que venha a irmã morte me levar
Quando eu tiver defendido os jovens drogados 
Que venha a irmã morte me levar
Quando eu tiver gritado contra a discriminação racial 
Que venha a irmã morte me levar
Porque com o meu Deus, eternamente, eu quero ficar.



Quando eu for motivo de unidade na comunidade
Que venha a irmã morte me levar
Quando eu não tiver medo de falar a verdade
Que venha a irmã morte me levar
Quando eu tiver contemplado o pôr do sol
Que venha a irmã morte me levar
Porque com o meu Deus, eternamente, eu quero ficar.


Quando eu tiver reconhecido a importância da minha família
Que venha a irmã morte me levar.
Quando eu souber amar 24 horas, os meus pais
Que venha a irmã morte me levar.
Quando eu valorizar as pequenas coisas do dia-a-dia
Que venha a irmã morte me levar.
Porque com o meu Deus, eternamente, eu quero ficar.


Quando eu não me deixar levar pela riqueza e pelo poder
Que venha a irmã morte me levar.
Quando eu defender a democracia e a participação popular
Que venha a irmã morte me levar
Quando eu não tiver medo de ser condenado como Cristo
Que venha a irmã morte me levar.
Porque com o meu Deus, eternamente, eu quero ficar.

POR QUE MEU DEUS? POR QUÊ?

Frei Petrônio de Miranda, Frade Carmelita
Jacobina-BA, 01 de novembro de 2007.


Por que ferimos o nosso próximo

Levantando falso testemunho
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?
Por que somos injustos e desumanos
Com aqueles que nos pedem uma ajuda
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?
Por que gostamos de promover o ódio e a violência,
Através de atos e palavras em nosso dia-a-dia
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar
Por que meu Deus? Por quê?



Por que julgamos e condenamos aqueles que erram
Esquecendo que a nossa janela também é de vidro
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?
Por que não sabemos perdoar em família
Esquecendo que somos filhos do mesmo pai
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?
Por que não somos religiosos e tementes a Deus
Através da Missa Dominical ou da leitura da Bíblia
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?
Por que meu Deus? Por quê?


Por que gostamos de perseguir quem pensa diferente
Seja na política, na religião ou na vida social
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?
Por que não somos capazes de ouvir o grito do pobre
E ficamos acumulando bens que não serão levados no caixão
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?
Por que cruzamos os braços diante dos crucificados da vida
Esquecendo dAquele que morreu na cruz para nos salvar
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?
Por que meu Deus? Por quê?



Por que não lutamos pela natureza que morre em nossa cidade
Se foi o Criador que tudo fez para a nossa felicidade
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?
Por que silenciamos quando todos querem ouvir a nossa voz
Em defesa da família corroída pelo ódio e pela usura
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?
Por que não enfrentamos os problemas diários
E nos entregamos ao álcool, às drogas e à depressão
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?
Por que meu Deus? Por quê? 



Por que não gostamos de ter e ser amigo
Se muitas vezes precisamos de uma mão para nos levantar 
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?
Por que negamos um prato de comida a um pobre
Se não sabemos o que nos espera o dia de amanhã
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?
Por que gostamos de ficar parados no tempo e na história
Esquecendo as capacidades que Deus nos deu
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?  
Por que meu Deus? Por quê? 


Por que achamos normal a prática do aborto
Se a nossa mãe nos presenteou com o dom da vida 
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?
Por que achamos que tudo é normal
Esquecendo os 10 Mandamentos dados a Moisés
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar? 
Por que não lutamos contra a corrupção e as injustiças
Se o Profeta João Batista deu a vida em defesa da vida
Se amanhã a irmã morte virá nos buscar?      

POR QUE TER MEDO DA MORTE?

Frei Petrônio de Miranda, Frade Carmelita
Jacobina-BA, 26 de outubro de 2007.

Se sou justo e humano
Por que ter medo da morte?
Se vivo sem medo de ser feliz
Por que ter medo da morte?
Se sou alegre e fraterno
Por que ter medo da morte?
Se abro as portas para os pobres
Por que ter medo da morte
Se com Cristo eu irei me encontrar?



Se não firo ninguém com palavras ou atos
Por que ter medo da morte?
Se procuro sempre fazer o bem 
Por que ter medo da morte?
Se mostro a todos os valores cristãos
Por que ter medo da morte?
Se penso bem antes de tomar uma decisão
Por que ter medo da morte
Se com Cristo eu irei me encontrar?



Se luto para que todos sejam amados
Por que ter medo da morte?
Se sujo as mãos para a construção de um novo dia
Por que ter medo da morte?
Se amo o meu trabalho e agradeço por tudo que tenho
Por que ter medo da morte?
Se encontro paz e harmonia no meu lar
Por que ter medo da morte
Se com Cristo eu irei me encontrar?
   



Se gosto de caminhar e trilhar novos caminhos
Por que ter medo da morte?
Se uso a minha inteligência para gerar vida
Por que ter medo da morte?
Se conscientizo a todos dos seus direitos e deveres
Por que ter medo da morte?
Se gosto de silenciar e escutar grito da natureza
Por que ter medo da morte
Se com Cristo eu irei me encontrar?




Se encontro forças para sair das noites escuras da vida
Por que ter medo da morte?
Se acredito que após uma tempestade vem o brilho do sol 
Por que ter medo da morte?
Se sei contemplar o brilho das estrelas mesmo na escuridão
Por que ter medo da morte?
Se procuro construir portas quando todos me sufocam
Por que ter medo da morte?
Se gosto de remar mesmo contra a maré
Por que ter medo da morte
Se com Cristo eu irei me encontrar?

EU QUERO MORRER...

Frei Petrônio de Miranda, Frade Carmelita
Jacobina-BA. 26 de outubro de 2007.
Morrer para o ódio
Senhor, eu quero morrer
Morrer para a arrogância
Senhor, eu quero morrer
Morrer para a mentira
Senhor, eu quero morrer
Morrer para a falsidade
Senhor, eu quero morrer
Porque sem ti eu não quero viver.


Morrer para o individualismo
Senhor, eu quero morrer
Morrer para a corrupção
Senhor, eu quero morrer
Morrer para o capitalismo
Senhor, eu quero morrer
Morrer para a fome
Senhor, eu quero morrer.
Porque sem ti eu não quero viver.


Morrer para a indiferença
Senhor, eu quero morrer.
Morrer para o mundo selvagem
Senhor, eu quero morrer.
Morrer para a tristeza
Senhor, eu quero morrer.
Morrer para a politicagem
Senhor, eu quero morrer.
Porque sem ti eu não quero viver.



Morrer para a poluição
Senhor, eu quero morrer.
Morrer para as drogas
Senhor, eu quero morrer.
Morrer para a prostituição
Senhor, eu quero morrer.
Morrer para as noites escuras
Senhor, eu quero morrer.
Porque sem ti eu não quero viver.



Morrer para a prostituição infantil
Senhor, eu quero morrer.
Morrer para o trabalho escravo
Senhor, eu quero morrer.
Morrer para exploração infantil
Senhor, eu quero morrer.
Morrer para a infidelidade conjugal
Senhor, eu quero morrer.
Porque sem ti eu não quero viver.










“Anunciar o Evangelho não é para mim um título de glória, é uma obrigação que me foi imposta. Ai de mim se não evangelizar” (1 Cor 9, 16).
VAMOS JUNTOS LEVAR A PALAVRA DE DEUS! DILGUE AS NOSSAS PÁGINAS NA GRANDE REDE...
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