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terça-feira, 11 de agosto de 2015
AO VIVO- A VERDADEIRA AMIZADE: Um olhar do Frei Petrônio sobre Clara e F...
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OLHAR JORNALÍSTICO NA ITÁLIA: Assis-01.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015
AO VIVO- EDIÇÃO: Com Frei Petrônio. (Dia 09 de agosto)
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EDITH STEIN: Uma Judia Teimosa.
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sábado, 8 de agosto de 2015
Ser teimoso é bom ou ruim?
Mauricio
Zágari
A Bíblia só menciona a palavra
“teimosia” uma única vez, num contexto não muito agradável: “O meu povo não me
quis escutar a voz, e Israel não me atendeu. Assim, deixei-o andar na teimosia
do seu coração; siga os seus próprios conselhos. Ah! Se o meu povo me
escutasse, se Israel andasse nos meus caminhos!” (Sl 81.11-13). Nessa passagem
fica claro que a teimosia é algo ruim, sim, mas quando ela significa a
persistência em contrariar a vontade de Deus. Logo, se você é teimoso por saber
que as Escrituras estipulam algo e você insiste em fazer diferente… cuide-se.
Você sabe que não deve namorar em jugo
desigual mas insiste nesse namoro? Seu trabalho te leva a praticar pequenas
ações ilegais? Você dá propina a fiscais, presta serviços sem emitir nota
fiscal ou faz caixa dois? Você é arrogante e teima que não tem nada de errado
com isso? Você sabe que não deve devolver mal com mal, mas não consegue deixar
de dar aquelas alfinetadas? Você persiste em “defender a fé” com agressividade,
porque, afinal, aquele pastor que você admira também é agressivo com “os
ímpios”? Você vive fazendo o contrário daquilo que seus pais determinam? Você
pratica regularmente atividades sexuais ilícitas e não se interessa em buscar
ajuda? Enfim, você teima em fazer algo ou em ter um tipo de comportamento que
não se encaixa no padrão bíblico?
Então a resposta de Deus para você é:
“Ah! Se o meu povo me escutasse…”.
A Bíblia usa com mais frequência um
sinônimo de teimosia: “obstinação”. Vemos povos e pessoas serem chamadas nas
Escrituras de “obstinadas”, como em “Disse o SENHOR a Moisés: O coração de
Faraó está obstinado; recusa deixar ir o povo” (Êx 7.14) e “Ouvi-me vós, os que
sois de obstinado coração, que estais longe da justiça” (Is 46.12). Esses casos
sempre apontam para pessoas que são criticados por Deus porque a sua teimosia é
em fazer justamente o contrário da vontade divina.
A coisa ficou feia, não é? Bem, não
necessariamente. A boa notícia para os teimosos é que a teimosia pode ser algo
positivo. Quando? Justamente quando ela nos leva a fincar o pé naquilo que está
de acordo com a vontade divina.
teimoso Assim: você é teimoso porque
persiste em ser cristão em meio a uma família que vive reclamando porque você
vai à igreja? Você insiste em fazer o que é certo no trabalho, embora todos os
colegas do seu setor tenham práticas erradas? Você é tratado mal por colegas de
escola porque se recusa a dar cola? Você não entra em debates e discussões
teológicas secundárias nas redes sociais porque prefere pacificar do que
polemizar, embora muitos insistam que você se pronuncie? Você se recusa a
revidar, por mais que te agridam? Você teima em ser bom, justo e fiel; embora
viva numa sociedade que prega que vale tudo para se dar bem? Você se submete ao
marido em amor, embora as suas amigas feministas achem isso o fim da picada?
Você ama a sua esposa como Cristo amou a Igreja, embora os seus amigos fiquem
fazendo piada e te chamando de “banana”? Enfim, por mais que ponham muita
pressão, você é teimoso o suficiente para fazer o que é biblicamente correto? Então,
parabéns. O que Deus tem a dizer a você é: “Ah! Que bom que o meu povo me
escuta…”.
No que se refere a ser teimoso para
fazer o que é certo diante de Deus, o que muitos chamam de “teimosia”, eu chamo
de “ter convicções firmes”. É não negociar aquilo que é inegociável. É ser uma
casa construída sobre a rocha, que não barganha suas crenças e seus valores.
Você é considerada uma pessoa teimosa?
Então está na hora de refletir, com total e absoluta honestidade e
transparência, sobre para onde sua teimosia está apontando: em direção à
vontade de Deus ou na direção contrária? A sua teimosia faz de você uma pessoa
melhor ou alguém intratável? Pense, à luz da Bíblia, e, a partir das suas
conclusões, tome a atitude certa. Se for preciso mudar, faça isso o mais rápido
possível. Se for para permanecer fiel à verdade, não a negocie. Como
distinguir? Na dúvida, procure bons conselheiros, que te vejam de fora e possam
dar um parecer honesto e sincero.
Afinal, ser fiel até a morte é ser
teimoso até a morte. O que o espera como resultado dessa teimosia? Nada menos
que a coroa da vida. Paz a todos vocês que estão em Cristo.
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19º Domingo do Tempo Comum: Atração por Jesus. (Dia de Edith Stein e dos Pais)
A leitura que a Igreja propõe neste
domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Joao 6, 41-51 que corresponde ao
19º Domingo do Tempo Comum, ciclo B do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José
Antonio Pagola comenta o texto.
Eis o texto
O evangelista João repete uma e outra
vez expressões e imagens de grande força para que as comunidades cristãs
lembrem sempre que hão de acercar-se de Jesus para descobrir nele uma fonte de
vida nova. Um princípio vital que não é comparável com nada que tenha podido
conhecer anteriormente.
Jesus é «pão descido do céu». Não tem de
ser confundido com qualquer fonte de vida. Em Jesus Cristo podemos
alimentar-nos de uma força, uma luz, uma esperança, um alento vital... que vem
do mistério mesmo de Deus, o Criador da vida. Jesus é «o pão da vida».
Por isso, precisamente, não é possível
encontrar-se com ele de qualquer maneira. Temos de ir ao mais fundo de nós
mesmos, abrirmos a Deus e «escutar o que nos diz o Pai». Ninguém pode sentir
verdadeira atração por Jesus, «se não o atrai o Pai que O há enviado».
O mais atrativo de Jesus é a Sua
capacidade de dar vida. O que acredita em Jesus Cristo e sabe entrar em contato
com Ele, conhece uma vida diferente, de qualidade nova, uma vida que, de alguma
maneira, pertence já ao mundo de Deus. João atreve-se a dizer que «o que come
deste pão, viverá para sempre».
Se nas nossas comunidades cristãs não
nos alimentamos do contato com Jesus, seguiremos ignorando o mais essencial e
decisivo do cristianismo. Para isso, nada há pastoralmente mais urgente que
cuidar bem da nossa relação com Jesus, o Cristo.
Se na Igreja não nos sentimos atraídos
por esse Deus encarnado num homem tão humano, próximo e cordial, ninguém nos
tirará do estado de mediocridade em que vivemos sumidos habitualmente. Ninguém
nos estimulará para ir mais longe que o estabelecido pelas nossas instituições.
Ninguém nos alentará para ir mais adiante que o que nos marcam as nossas
tradições.
Se Jesus não nos alimenta com o Seu Espírito
de criatividade, seguiremos presos ao passado, vivendo a nossa religião desde
formas, concepções e sensibilidades nascidas e desenvolvidas noutras épocas e
para outros tempos que não são os nossos. Mas, então, Jesus não poderá contar
com a nossa cooperação para gerar e alimentar a fé no coração dos homens e
mulheres de hoje.
Fontes: Fonte: http://www.periodistadigital.com/religion;
http://www.ihu.unisinos.br/
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sexta-feira, 7 de agosto de 2015
JABOTICABAL: Encontro com a Ordem Terceira-02.
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quinta-feira, 6 de agosto de 2015
PT na TV: Programa partidário - 06 de agosto de 2015
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quarta-feira, 5 de agosto de 2015
OLHAR QUE NÃO PASSA: Frei Petrônio de Miranda
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OLHAR QUE NÃO PASSA: Frei Petrônio de Miranda
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O CRISTOCENTRIMO DO CARISMA CARMELITANO (1ª Parte)
Frei Donald Buggert, O. Carm.
A Cristocentricidade da Regra
de Alberto2
A Regra de Alberto é notória
por sua concisão. Contudo, contém doze referências diretas e, pelo menos, oito
referências indiretas a Cristo. Foram propostas diversas teorias com respeito
ao “centro” ou “coração” da Regra, como por exemplo, sua dimensão
eremítico-contemplativa ou sua dimensão comunitária.3 Sem querer entrar nesse debate, gostaria de
propor que antes de qualquer outra interpretação, o coração da Regra está na
centralidade de Cristo e no discipulado como continuação de seu trabalho.4
Respondendo ao pedido dos
eremitas do Carmelo por uma fórmula de vida, Alberto, no n.1, como poder-se-ia
esperar, estabelece o projeto fundamental de cada carmelita, ou seja, “caminhar
nas pegadas de Cristo”.5 Então, ele traça na Regra a maneira
específica pela qual esses eremitas deveriam viver a vocação cristã universal
de “uma vida de compromisso com Jesus Cristo”.6 Certamente esse projeto cristocêntrico não
era a única característica dos primeiros carmelitas ou dos seus seguidores.
Contudo, é este projeto que define a modalidade específica da vida cristã
compreendida na Regra. Em todos os aspectos de suas vidas, os eremitas devem in obsequio Jesu Christi vivere. Este obsequium torna-se a “norma suprema e
fundamental” deles.7 Assim, concordo
plenamente com a posição de Valabek:
Santo Alberto percebe imediatamente o essencial: em primeiro lugar, os
religiosos não são convidados a um
modo de vida bem traçado, planejado, mas são compelidos a uma pessoa: Jesus
Cristo. De fato, a Regra está impregnada da presença da pessoa de Cristo tanto
na palavra quanto no sacramento.8
Seja o que for que os
carmelitas possam ou não ser, eles devem em primeiro lugar ser cristãos,
discípulos de Cristo. Portanto, seguir as pegadas de Cristo torna-se a
hermenêutica fundamental da Regra e não apenas um complemento eventual. Como
hermenêutica ela define não apenas toda a Regra, mas também fornece sua chave
interpretativa. Além disso, precisamente como chave interpretativa, seguir no
caminho de Cristo deve atuar junto a uma hermenêutica de dúvida, isto é, uma
hermenêutica que pede discernimento e corrige toda interpretação, passada e
presente, da Regra e oferece uma direção para sua contínua rearticulação.
Afirmei que o projeto
fundamental e, portanto, a hermenêutica da Regra de Alberto, está expressa no
próprio n.1, isto é, caminhar nas pegadas de Jesus Cristo (in obsequio Jesu Christi vivere). Como hermenêutica fundamental,
poder-se-ia pressupor que esse projeto cristocêntrico define a totalidade da
Regra. E realmente o faz. Para apreciar a cristocentricidade da Regra deve-se
em primeiro lugar recuar para além do texto, ou seja, para seu autor e para o
seu contexto eclesial.
Antes da nomeação de Alberto
como bispo de Bobbio em 1184, ele foi um Cônego Regular de Santa Cruz, em
Mortara. Sua formação como cônego impunha a leitura constante da Sagrada
Escritura e a devoção à cruz de Cristo. Além disso, como Patriarca de Jerusalém
e Legado Papal para a Terra Santa, o patrimônio de Cristo, ele tinha um
compromisso especial com o obsequium
da cruz de Cristo.9 Portanto, dentro deste
contexto, a cristocentricidade da Regra não é nenhuma surpresa.
Quanto ao contexto eclesial,
no final do século XII surgiram na Europa novos movimentos espirituais que, criticando
a opulência do clero e dos monges, voltaram-se para as escrituras e, por isso,
à centralidade na imitação de Cristo e no modo apostólico de vida da comunidade
de Jerusalém. Um exemplo desse despertar evangélico são os movimentos de
leigos, eremitas peregrinos dedicados à penitência, à pobreza evangélica e à
visita aos lugares sagrados.10
Além disso, esse mesmo período
testemunhou as Cruzadas, que se incumbia da tarefa de reconquistar a “Terra
Santa”. Contudo, depois da derrota de Hattin em 1187 e com a eleição de
Inocêncio III em 1189, a razão teológica para visitar a “Terra do Senhor”
prevaleceu sobre todos os outros motivos (ex.: militar e comercial).11
De todos os lugares que os eremitas peregrinos da Europa visitavam, a
“Terra de Cristo” tornou-se a mais popular. Lá eles podiam literalmente
caminhar “nas pegadas de Jesus” e imitar seu sofrimento e morte através da
penitência.12 “Pela renúncia de todos os bens terrenos numa
pobreza voluntária, eles buscavam renovar a vida cristã no seguimento de Cristo
através da imitação do ‘modo de vida’ dos Apóstolos”.13
Além disso, como observa Cicconetti,
O fato de estar na
Terra Santa compreendia em si uma decisão de lutar por Jesus Cristo, não
necessariamente no sentido militar, mas no serviço pessoal, na guerra
espiritual. De fato, a Terra Santa era considerada o “patrimônio de Jesus
Cristo”, sua herança ou reino. Quem lá vivesse era por título especial, seu
feudatário, um vassalo no seguimento de Cristo, a quem devia fidelidade e serviço fiel. 14 (A ênfase é minha)
Um desses grupos de peregrinos evangélicos europeus,
eremitas leigos que voltaram à terra de Cristo e à vida apostólica primitiva
para ajudar a reivindicar o patrimônio de Cristo, era o grupo dos eremitas do
Carmelo que pediram a Alberto uma “regra de vida”. Essa regra corresponderia, e
também traçaria mais adiante, um estilo de vida (propositum) que eles já viviam,15 isto é, uma vida dedicada a seguir Cristo,
especialmente o Cristo da Cruz, e vivida na imitação da comunidade primitiva de
Jerusalém.16 Como observa Cicconetti e ficará claro
adiante: “Os pensamentos dos eremitas (do Monte Carmelo) enfocava totalmente a
Terra Santa. A partir dessa postura, que considerava a Terra Santa como o
patrimônio sagrado de Cristo, deve-se contemplar a regra e a espiritualidade do
Carmelo.”17
A partir deste contexto para a “regra” de Alberto,
podemos encaminhar duas perguntas. Primeiro Qual era o significado da frase no
prólogo: “seguir os passos de Jesus”? Segundo, como esse projeto fundamental é
traçado na Regra de tal forma que “define” o conjunto?
2 Em se tratando da Regra refiro-me ao texto
mitigado em 1247 por Inocêncio IV de acordo com a nova enumeração uniforme de
seções aceita em 1999. Com algumas ligeiras revisões, o tratamento da
Cristocentricidade da Regra de Alberto que se segue é tirado das pp. 91-98 de
meu artigo “Jesus in Carmelite Spirituality” encontrado em Paul Chandler, O.
Carm. E Keith J. Egan (eds.), The Land of Carmel: Essays in Honor of
Joachim Smet, O. Carm., Rome: Institutum Carmelitanum, 1991, pp. 91-107.
3 Para uma discussão sobre esta questão, ver
seleções em Mulhall, Albert’s Way.
4
“Ele (Alberto) deseja aos eremitas conforto em Jesus Cristo, que é o centro de
sua regra de vida...”. Otger Steggink, Jo Tigcheler, Kees Waaijman, Carmelite Rule, Amelo, 1979, p. 14, n.9;
veja também p. 47, n.85 e 86, onde a pessoa de Jesus é citada como a razão e a
base definitiva da vida no Carmelo. Rudolph Hendriks afirma: “Não podemos
enfatizar o suficiente: Cristo é o Alfa e o Ômega da Regra Carmelita. A Regra
começa e termina em Cristo... Os primeiros carmelitas queriam apenas servir a
Cristo vivendo uma vida solitária perto da fonte no Monte Carmelo, jejuando e
fazendo vigília, meditando sobre a lei do Senhor, perseverantes na oração. Eles
queriam imitar Cristo em sua oração à noite no monte e vigiar com ele no
jardim”. Veja “The Original
Inspiration of the Carmelite Order as Expressed in the Rule of Saint Albert”,
em Hugh Clarke, O. Carm. e Bede Edwards, O.C.D., The Rule of Saint Albert, Aylesford, 1973, p. 69. Cicconetti
afirma igualmente: “Um modelo central na ‘fórmula de vida’ de Alberto é o
seguimento ou o compromisso com Jesus Cristo (obsequium Jesu Christi)... a espiritualidade da Regra do Carmelo
depende de ‘seguir Cristo’ (obsequium
Jesu Christi). A explicação da expressão de São Paulo constitui toda
novidade de nosso estudo da Regra do Carmelo”. The Rule of Carmel, Darien, IL: Carmelite Spiritual Center,
1984, pp. 14, 15.
5 Discutirei adiante o significado do “in obsequio Jesu Christi vivere”, no
n.1.
6
Cicconetti, The Rule of Carmel,
63, 296.
7
Steggink et al., Carmelite Rule,
p. 4, p. 14, n.11, p. 16, n.17. Ver Bruno Secondin, “What is the Heart of the
Rule”, em Mulhall, Albert’s Way, pp.
116-17.
8 Redemptus M. Valabek, “The Spirituality of the
Rule”, em Mulhall, Albert’s Way, pp.
151-52.
9 Cicconetti, “The History of the Rule”, pp.
25-26, e The Rule of Carmel, pp. 2,
300. Como destacam J. Pelikan e B. McGinn, a devoção à Cruz de Cristo e
a imitação do Cristo crucificado caracterizam a espiritualidade ocidental desde
o início da Idade Média e prosperou nos séculos XI e XII, como podemos ver por
exemplo, nos escritos de Pedro Damião (1007-1072), Anselmo de Cantuária
(1033-1109) e Bernardo de Claraval (1090-1153). E E. Cousins afirma: “No final
do século XIII a devoção à humanidade de Cristo estava solidamente estabelecida
na espiritualidade ocidental e seu foco fixado na paixão de Cristo”. Veja Ewert Cousins, “The Humanity
and the Passion of Christ”, em Jill Raitt (ed.), Christian Spirituality: High Middle Ages and Reformation, New York:
Crossroad, 1989, pp. 386-387. Veja também Jaroslav Pelikan, The Christian Tradition: The Growth of
Medieval Theology (600-1300), Chicago: University of Chicago Press, 1978,
pp. 106-157; Bernard McGinn, “Christ as Savior in the West”, em Bernard McGinn
e John Meyendorff (eds.), Christian
Spirituality: Origins to the Twelfth Century, New York: Crossroad, 1989,
pp. 253-259.
10
Cicconetti, “The History of the Rule”, pp. 34-35, 43 e The Rule of Carmel, p. 27-43.
11
Cicconetti, “The History of the Rule”, p. 31.
12
Steggink et al., Carmelite Rule,
p. 4; Cicconetti, The Rule of Carmel,
pp. 40-41.
13
Cicconetti, The History of the Rule”, p. 43.
14
Cicconetti, The Rule of Carmel,
p. 42; veja também p. 62.
15 Ibid.
pp. 62-63, 269; ver também Steggink et al., Carmelite
Rule, p. 4.
16
Steggink et al., Carmelite Rule,
p.4.
17
Cicconetti, The Rule of Carmel,
p. 17; ver também pp. 63-64.
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terça-feira, 4 de agosto de 2015
A PALAVRA... Nº 954. A Teimosia de Simão Stock.
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Como negar o batismo da filha de uma pessoa gay, fingindo dizer que sim
O
protagonista do fato que estou prestes a contar se chama Mario Rossi. É um nome
fantasia, e os motivos ficarão evidentes ao longo da leitura. Mario deseja que
os nomes e os lugares do caso permaneçam anônimos, mas se dirige para mim,
porque quer que as pessoas saibam o que lhe aconteceu. O relato é do padre e
escritor italiano Mauro Leonardi, publicado no sítio L'HuffingtonPost.it,
30-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O Sr.
Mario é um católico que ajuda na sua paróquia nos vários serviços de catequese.
Poucos dias depois do Family Day "no gender" do dia 20 de junho, na
Piazza di San Giovanni, em Roma, chegou na paróquia uma senhora que pediu o
batismo da sua filha.
Até
aqui, nada de mal, ao contrário, é uma festa. Mario, junto com outros agentes
paroquiais, trabalhou muito na acolhida. Eles sabem que o Papa Francisco disse
em meados de abril aos novos sacerdotes que o batismo nunca deve ser negado,
que a Igreja não é uma alfândega, e que ele mesmo, para dar o exemplo, no
início do ano, batizou filhos de casais não casados na Igreja. Mario, portanto,
sabe que a senhora deve ser acolhida, e ele a acolhe.
Os
sorrisos, a atenção, as perguntas e a troca de informações que se seguem são
sinceros, são serenos. Mario explica que o batismo não é sobretudo um
sacramento que requer uma pequena biografia-cruzada com muitas casinhas para se
marcar. É um encontro com Deus, e ele sabe que esses dados – dados pessoais,
endereço, telefone, e-mail – são sensíveis e ele coloca muita sensibilidade
nisso.
Graças
a Mario, a senhora, com muita delicadeza, entende que a menina a ser batizada é
filha dela e da sua companheira. Para Mario, esse encontro se tornou uma dupla
festa. Mas, quando informa os outros agentes de pastoral, esse batismo se
transforma de festa da acolhida em "o caso da paróquia". "O
caso" chega à mesa dos catequistas e como tal é tratado. Um caso
"delicado, espinhoso".
O Sr.
Mario não acredita no que está acontecendo. Ele realmente deu crédito ao papa,
e agora não se explica tanta dificuldade, tanto fechamento. Mario diz para si
mesmo que é preciso compreender, que cada um tem as suas próprias labutas, e,
por isso, oferece-se para continuar a levar adiante a relação. "Com a Paola
– nome fictício –, eu me dou bem: se vocês quiserem, eu contínuo a preparação
para o batismo."
Mas ele
recebe um "não" como resposta. Mario é viúvo, foi-lhe explicado, e
ele não pode ir sozinho. Casos como esses, "é preciso acompanhar
absolutamente como casal". Por quê?, pergunta Mario. "É preciso dar
testemunho de normalidade conjugal", respondem. É preciso o homem e a
mulher contra a mulher e a mulher.
O Sr.
Mario não acredita nos seus ouvidos. Ele responde que pedir o batismo para a
filha não significa receber uma contraproposta de normalidade conjugal, mas
significa pedir um batismo: Paola não pediu um casamento, pediu um batismo.
Mario
insiste: iria lá não para ser exemplar, mas para ser amigo, daquela forma
particular de amizade que é o cristianismo: amar o próximo, dar a vida.
Substantivos sem atributos ou distinções: vida e próximo. Toda a vida, todo
próximo. Nada de adjetivos que distinguam.
Mas, de
acordo com os catequistas, ele está errado. Eles se tornam mais explícitos e
explicam a Mario que, a pessoas como Paola e a companheira, "é preciso dar
exemplos fortes". Por exemplo, quando Paola diz que a sua filha é
"sua" porque nasceu com a inseminação artificial, Mario fez mal em
escrever no formulário as suas palavras exatas: de fato, eles, os catequistas,
corrigiram para "pai desconhecido".
E
depois acrescentam que ele não é apto, porque é um ingênuo, e com essas pessoas
homossexuais é preciso ter cuidado sobre como se fala: é preciso usar frases
precisas e curtas, "porque elas gravam e mudam as suas palavras".
O Sr.
Mario, ao telefone, se detém e se certifica de que eu ainda quero escrever,
mesmo sendo padre. Ele diz que é importante, porque, segundo ele, "isso
não é catequese, não é falar de Jesus, porque Jesus não falaria assim".
Não, Mario, Jesus não falou assim.
O Sr.
Mario me diz que queria ter ido, como sempre, com um pequeno pensamento para a
criança a ser batizada. E, depois, com um pouco de tempo para dar. Para bater
papo e se conhecer, como sempre. Para contar um pouco a vida mutuamente, como
sempre. Falar do batismo dos filhos de Deus, como sempre. Tomar alguma coisa
juntos, como sempre. Como sempre, como com todos, como fizeram com Mario e como
Mario faz com qualquer um. Também com Paola.
Eu
asseguro a Mario Rossi eu escreveria este post e lhe digo que talvez ele teve
pouca sorte, que talvez coisas como as que aconteceram com ele nunca acontecem.
Mas ele responde que talvez eu esteja errado, porque justamente hoje a Aleteia
– um site católico, católico – coloca como primeira notícia o pedido do Papa
Francisco de batizar a todos. Segundo ele, é que, depois do dia 20 de junho,
para as pessoas homossexuais, batizar os filhos tornou-se ainda mais um
problema, diz.
"Eu
não sei", eu respondo, e, no entanto, o humor de Mario não melhora. Mario
está muito triste, porque, depois que lhe tiraram esse possível batismo, ele
não sabe mais nada de Paola e da sua filha. E ele teme que também elas – ela e
a sua companheira – tenham mudado de ideia sobre o batismo da filha. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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segunda-feira, 3 de agosto de 2015
A PALAVRA... Nº 953. Um olhar sobre a Laudato si'-09.
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VALORES FUNDAMENTAIS DA TRADIÇÃO CARMELITANA
VALORES FUNDAMENTAIS DA TRADIÇÃO CARMELITANA
*A ORAÇÃO NA VIDA CARMELITANA: Reflexões e textos de autores carmelitanos sobre a Comunhão com Deus e
a Oração no Carmelo(4ª Parte).
Frei Emanuele Boaga, O.Carm. In Memoriam.
Da experiência dos Carmelitas
de cada época e do ensino dos Mestre, brotam alguns valores a respeito da
CONTEMPLAÇÃO e da ORAÇÃO que formam o PATRIMÔNIO da tradição carmelitana.
Brevemente se pode sintetizar assim este patrimônio:
1- CONTEMPLAÇÃO
- é mergulho no Mistério de
Deus que “colocou sua tenda no coração do homem.
Portanto, CONTEMPLAÇÃO e
ORAÇÃO é fazer uma profunda EXPERIÊNCIA de DEUS REAL e VIVO, ainda que as vezes
obscura, em todas as dimensões humanas.
- e a capacidade de encontrar
a DEUS que nos amou primeiro.
2- ESSÊNCIA da VERDADEIRA ORAÇÃO
É um relacionamento de amizade
com Deus e consiste sempre em “sair de si para encontrar o “Outro”.
3- MORTE e CRUZ
A oração esta associada com os
temas da Morte e da cruz. Por isso, o caminho da Oração Carmelitana passa pela “noite
purificadora dos sentidos”, pela solidão pela aridez que faz morrer o egoísmo e
leva a sair de si para encontrar o CRISTO.
4- DESERTO
- é essencial à contemplação;
- é o despojamento, o
situar-se na verdade e sem ilusões diante de Deus;
- é atitude de pobreza radical
que tudo espera de Cristo;
- é atitude de silêncio para
escutar a Palavra do “Outro”, é experiência da própria limitação e da
necessidade de Deus na nossa vida;
- é convicção forte, ainda que
obscura, que Ele nos busca mais do que O buscamos. Jesus procura o homem
primeiro.
5- ESPIRITO SANTO
A Oração é dom do Espírito. É
Ele que atua eficazmente na Oração e nos transforma quando na docilidade a Ele
deixamo-nos conduzir. Ele nos leva às formas mais elevadas de oração, como
fruto da fidelidade e acolhida de seus dons.
6- PRESENÇA de DEUS:
É preciso viver a presença de
Deus no próprio coração, nos irmãos, na vida.
É preciso experimentá-lo por
meio de abertura para a realidade e para os sinais dos tempos que revelam sua
presença.
7- PALAVRA de DEUS
A contemplação e a oração se
nutrem pela FAMILIARIDADE com a Palavra de Deus, ouvida.
- no silêncio e na solidão do
próprio coração,
- no dialogo comunitário e
fraterno
- na realidade.
8- FORMAS de ORAÇÃO
Ainda que não se reduzam as
formas concretas, a oração e a contemplação necessitam delas como meios
indispensáveis para crescerem. Entre estas formas ocupa lugar privilegiado a
oração litúrgica e a “Lectio Divina”.
9- ENVOLVIMENTO DO HOMEM TODO,
A vida de oração requer o envolvimento
do homem todo e, portanto, o crescimento da pessoa com a integração de sua
afetividade na oração. Alem disto a oração exige uma contínua verificação do
próprio relacionamento com os outros, com a realidade, com a vida. Deve
exprimir-se através das obras de virtude, como sinais de amor a Deus. A
contemplação deve conduzir-nos através do encontro com o ABSOLUTO de DEUS a
realização de seu plano de AMOR para os irmãos e o mundo, portanto deve
levar-nos ao
COMPROMISSO.
10- INSPIRAÇÃO ELIANO-MARIANA
A inspiração eliana-mariana
reforça as dimensões de nossa contemplação-compromisso:
Maria - a Virgem da
Encarnação, mulher de escuta amorosa e de fé.
Elias - o homem de
contemplação encarnada na realidade humana, à procura da FACE do DEUS
verdadeiro.
*Encontros de Espiritualidade Carmelitana das Irmãs Carmelitas da
Divina Providência. JULHO - 1986 - Rio Janeiro.
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18º Domingo do Tempo Comum: Homilia em Jaboticabal.
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domingo, 2 de agosto de 2015
A PALAVRA... Nº 952. Um olhar sobre a Laudato si'-08.
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sexta-feira, 31 de julho de 2015
Missão amazônica
Por
Carlos Juliano Barros
À
primeira vista, é difícil acreditar que um carismático francês de 76 anos, de
fala lenta e andar compassado por conta da saúde debilitada, encabece a lista
dos jurados de morte pelos fazendeiros e madeireiros que transformaram o Pará
num apimentado caldeirão de conflitos fundiários. Henri des Roziers, advogado e
frei dominicano que há quase três décadas escolheu o Brasil como palco de sua
militância social e religiosa, já não anda mais sem a sombra de seguranças
pagos por um programa de proteção do Governo Federal. Depois do assassinato da
freira norte-americana Dorothy Stang, ocorrido em fevereiro do ano passado em
Anapu, às margens da rodovia Transamazônica, não lhe restou alternativa. Desde
então, é acompanhado dia e noite por dois policiais que se revezam para
garantir sua integridade. Um deles, por sinal, é filho de Raimundo Ferreira
Lima, o Gringo, conhecido sindicalista do sul do estado morto em 1980 por se
envolver, assim como Frei Henri e Dorothy, na luta pela reforma agrária.
O
processo de ocupação da Amazônia desenhado nos últimos quarenta anos deixou um
saldo preocupante de crimes contra o meio-ambiente e os direitos humanos. De
acordo com dados oficiais, mais de 16% da cobertura original da maior floresta
do mundo já foram devastados - área equivalente aos territórios de França e
Portugal juntos. Somam-se a isso o desrespeito às populações tradicionais e a
superexploração do trabalho de milhares de migrantes que enxergaram na
imensidão verde um meio de driblar a escassez de emprego nos seus locais de
origem, principalmente no semi-árido nordestino.
A
Amazônia pagou um preço muito caro pela noção de progresso associada ao fomento
de atividades agropecuárias e de extração de madeira e minérios - desenvolvidas
por grandes grupos empresariais e poderosos latifundiários vindos, em sua
maioria, do sul do Brasil. Depois do golpe de 1964, a vontade dos militares de
"integrar para não entregar" o norte ao restante do país incendiou a
disputa por terras. Somente no Pará, onde os conflitos revelam sua face mais
sangrenta, ocorreram 772 assassinatos de lideranças sindicais, trabalhadores
rurais e defensores dos direitos humanos entre 1971 e 2004 - uma assustadora
média de duas mortes por mês.
Na
raiz dos movimentos populares de resistência a essa ocupação desordenada
encontra-se uma instituição que, se não possui mais a mesma influência de
tempos atrás, faz sentir seu legado quando se analisa o atual cenário político
nacional: a Igreja Católica. Ela teve participação decisiva na gestação de
expoentes da esquerda, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST) e o Partido dos Trabalhadores (PT), por exemplo. E, principalmente no
campo, ainda constitui um importante espaço de articulação de militantes que se
dedicam à causa da reforma agrária.
Por
essa razão, não é difícil encontrar na região norte do Brasil missionários
estrangeiros que, da mesma forma que Henri des Roziers, deixaram seus países
para mergulhar no meio do povo marginalizado, onde o poder público é incapaz de
oferecer assistência adequada à população. Religiosos que acreditam que a
Igreja Católica não deve só confortar espiritualmente seus fiéis, mas também se
empenhar na resolução dos problemas urgentes dos excluídos.
Opção radical pelos
pobres
Essa
linha progressista do catolicismo ganhou contornos fortes quando, em 1968,
bispos de todo o continente se reuniram na cidade colombiana de Medellín -
marco do surgimento da doutrina que ficou conhecida por Teologia da Libertação.
Uma leitura do evangelho influenciada por conceitos da filosofia marxista, que
passou a contestar a miséria de boa parte das populações de países como Brasil
e Peru. "Quem primeiro formulou essa opção pelos pobres contra a pobreza,
a favor da vida e da liberdade, foi a Teologia da Libertação. É marca
registrada da Igreja Latino-Americana", afirma Leonardo Boff, ex-frade
franciscano e um dos principais pensadores dessa corrente.
A
princípio, quando os militares tomaram o Palácio do Planalto, os dirigentes da
Igreja enxergaram com bons olhos a iniciativa, por medo da escalada mundial do
comunismo. Contudo, quando vieram à tona as denúncias sobre abusos cometidos
pela ditadura, os setores engajados da instituição se mostraram mais antenados
aos anseios reprimidos do povo, conquistando espaço entre os fiéis. Naquela
época, segundo estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), de cada dez pessoas, nove se declaravam católicas. Hoje, esse índice
caiu para 70%. Números que atestam a importância da Igreja na sociedade quando
aconteceu o golpe de 1964.
Já
na década seguinte, a fama progressista do catolicismo nacional espalhou-se
pelo mundo inteiro, atraindo interesse daqueles que buscavam sintonia entre a
leitura da Bíblia e a vontade de lutar contra as injustiças sociais. De acordo
com dados do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris),
dos 2.447 religiosos que hoje moram na região norte, 40% vêm de outros países.
Porém, é impossível afirmar com precisão quantos desses missionários estão de
fato engajados em alguma ação social. Certamente, a maior parte cumpre apenas
com as obrigações cotidianas em paróquias e conventos, sem se envolver em
qualquer tipo de militância. Entretanto, não é nada desprezível a parcela de
padres, irmãos e irmãs que não percorrem milhares de quilômetros somente para
pregar e arrebanhar fiéis - como fizeram os jesuítas com os índios brasileiros,
séculos atrás.
No
Brasil, os ideais da Teologia da Libertação ecoaram mais alto no campo do que
na cidade, fortalecendo a luta pela terra. Prova disso é que muitas lideranças
do maior movimento social do país, o MST, formaram-se nas Comunidades Eclesiais
de Base (CEBs). Essas entidades surgiram em meados dos anos 60, depois de uma
série de mudanças introduzidas pelo Papa João XXIII no sentido de popularizar a
Igreja Católica em todo o mundo. Por meio delas, um grande número de fiéis do
interior do país, que não contavam com assistência regular de um sacerdote nos
locais onde moravam, passou a organizar as celebrações por conta própria.
"Na
Europa, o cristão é um consumidor de serviços feitos pelo padre. No Brasil,
ocorreu a responsabilização dos leigos. Mas isso não implica necessariamente
uma Igreja libertária. Essa reorientação foi provocada pela situação de
opressão e pela presença de intelectuais orgânicos de esquerda ligados a
ela", explica o frei dominicano francês Xavier Plassat. Os encontros
religiosos foram um dos poucos espaços públicos de discussão que o regime
militar não aboliu. Era natural, portanto, que nas CEBs também se fizessem
debates a respeito da realidade social e política brasileira. "A Teologia
da Libertação aproveitou esse envolvimento popular", acrescenta Frei
Xavier. Nomes como o da atual ministra do meio-ambiente, a acreana Marina
Silva, despontaram dessas comunidades.
A
"opção radical pelos pobres" da Igreja Católica saiu do papel com o
advento, por todo o país, de pastorais que lidam com os mais variados públicos,
como detentos, moradores de rua e profissionais do sexo. Mas uma delas merece
destaque pelo importante papel de resistência à ocupação predatória da Amazônia
Em 1975, quando a floresta havia se convertido num balaio de crimes graves como
assassinatos, grilagem de terra e violação de direitos trabalhistas, foi
fundada a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Atualmente, ela constitui um dos
principais núcleos de pesquisa sobre problemas fundiários do Brasil. Além
disso, mantém um corpo de agentes religiosos e leigos para organizar
trabalhadores e defender seus direitos, em nome de uma reforma agrária que
respeite a agricultura familiar e o modo de vida típico do camponês.
Violência x
Resistência
Com
a decadência da economia da borracha, que até os anos 20 consistia na principal
fonte de divisas da região, o garimpo, a madeira e a pecuária provocaram uma
espécie de corrida para o norte do país - a que se assiste até hoje. A partir
dos anos 40, o Estado tomou algumas medidas para tentar disciplinar esse novo
ímpeto "colonizador", através da instalação de bancos e aeroportos.
No começo da década de 60, a abertura da BR 010, batizada de Belém-Brasília,
provocou um grande fluxo migratório em direção àquela área.
Mas
foi com os militares que o processo de ocupação se desenrolou a pleno vapor. Em
1966, com o intuito de atrair investimentos através da concessão de benefícios
a empresários, foi criada a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia
(Sudam). Projetos de ampla envergadura - da extração de minérios à criação de
pastos, passando pela plantação intensiva de eucaliptos para a produção de
celulose - nasceram nesse período. A retirada do ferro da maior jazida do
mundo, localizada na Serra dos Carajás (PA), é um dos exemplos mais conhecidos.
Para fornecer a energia necessária a essas atividades, foram construídas
hidrelétricas de grande porte, como a de Tucuruí, também localizada no Pará.
Novas estradas retalharam a mata a fim de garantir o escoamento da produção e
facilitar o povoamento, como a Cuiabá-Santarém (BR 163) e a famosa
Transamazônica.
Entretanto,
a estratégia de ocupação do "vazio demográfico" do norte do Brasil,
representada por slogans do tipo "uma terra sem homens para homens sem
terras", não correspondeu ao sonho de uma multidão de migrantes pobres que
chegavam à Amazônia de todas as partes do Brasil. "O governo usou a
floresta como forma de desviar a atenção dos movimentos organizados dos
principais focos de tensão fundiária, como Rio Grande do Sul, Paraná e
Pernambuco. Em vez de realizar uma verdadeira reforma agrária, fez uma política
de assentamentos, jogando os agricultores em lotes sem qualquer
infra-estrutura", explica Paulo Santilli, professor de antropologia da
Universidade Estadual Paulista (Unesp). As medidas desenvolvimentistas também
não pouparam os povos indígenas. Pelo contrário: "na década de 70, seu
contingente populacional atingiu o nível mais baixo em toda história: pouco
mais de 60 mil", completa Santilli.
Com
a perseguição implacável da ditadura a sindicatos, movimentos sociais e
partidos de esquerda, a Igreja era a única instituição de porte nacional com
capacidade de fazer frente aos desmandos dos militares e de apoiar a classe
trabalhadora. "A primeira década de atuação da CPT foi uma fase heróica,
de enfrentamento e formação de verdadeiras lideranças", conta Frei Xavier,
que coordena a pastoral de Araguaína, no norte do Tocantins. Essa parte do
estado, apelidada de Bico do Papagaio devido a seu formato geográfico, já foi
uma das áreas de maior ebulição fundiária do Brasil.
Frei
Xavier segue os passos do Padre Josimo Tavares, assassinado em 1986 por
incentivar os posseiros a resistirem contra a expulsão das áreas que ocupavam
há gerações. "Ele abria a bíblia para as comunidades e dizia que o direito
à terra era algo sagrado, que não bastava rezar junto, mas que era necessário
formar um sindicato, um partido que representasse a classe trabalhadora. A CPT
dava esperança às comunidades ameaçadas", resume. Vinte anos após a morte
de Padre Josimo, a apropriação ilegal de áreas que pertencem à União mediante
violência e falsificação de escrituras - prática conhecida popularmente por
"grilagem" - ainda deixa muitos militantes da Igreja e dos movimentos
sociais de cabelo em pé. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra) estima que pelo menos 100 milhões de hectares tenham sido abocanhados
de maneira criminosa, em todo país. Mais da metade deles estão na região Norte.
Compromisso Social
Na
França, não é muito comum que a Igreja se ocupe do debate dos problemas do
país, postura que incomodava Frei Henri des Roziers. As notícias sobre a
barbárie da ditadura militar despertaram nele a vontade de conhecer o Brasil.
"O que me motivou não foi o problema da terra, e sim a questão dos
direitos humanos", conta. Logo nos primeiros meses, ele passou uma
temporada na diocese de Goiás Velho (GO), comandada pelo bispo D. Tomas
Balduíno, presidente nacional da CPT. "Esse estágio me impressionou muito.
Senti pela primeira vez uma coerência entre as lutas sociais e a minha
interpretação do evangelho. Era a primeira vez que ficava feliz por participar
das celebrações", garante. Depois da experiência, não teve dúvidas quanto
ao destino a seguir, e entrou para a pastoral da terra. Por quase dez anos,
trabalhou na região do Bico do Papagaio, onde se espantou com a violência
policial e a omissão do poder judiciário que vitimavam os posseiros. Mas foi no
Pará, estado em que atualmente reside, que ele fez história ao participar, em
2000, da acusação que levaria pela primeira vez na história do país um
fazendeiro à prisão pelo assassinato de um trabalhador rural.
Hoje,
na CPT de Xinguara (PA), o advogado e missionário Henri tenta pôr na cadeia
latifundiários que submetem à condição de escravos peões vindos de estados
nordestinos pobres, como Maranhão e Piauí. Seres humanos descartáveis que
sobrevivem da chamada expansão da fronteira agrícola amazônica. Mão-de-obra
pouco qualificada que realiza serviços pesados - como o desmatamento da
floresta para formação de pastos, plantações de soja e algodão - sem direito a
salário e até mesmo a liberdade para abandonar as fazendas. Essa prática vem de
longa data: as primeiras denúncias sobre escravidão contemporânea foram feitas
na década de 70 pelo espanhol D. Pedro Casaldáliga, então bispo de São Félix do
Araguaia (MT).
Segundo
dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que desde 1995 designou um
grupo especial de auditores para fiscalizar propriedades do interior do Brasil,
mais de 15 mil pessoas já foram resgatadas desde o início das operações,
principalmente no Pará, Mato Grosso e Tocantins. Apesar de o Código Penal
prever reclusão de até oito anos para esse crime, apenas um fazendeiro até hoje
foi condenado na Justiça Comum. Mesmo assim, sua sentença foi revertida para
distribuição de cestas básicas.
O
combate ao trabalho escravo também consome a maior parte do tempo de Frei
Xavier Plassat. Mas ele também acha que, nos últimos anos, a CPT vem encarando
novas missões. "Quando cheguei ao Brasil, em meados da década de 80, o
principal desafio era lutar contra a grilagem e resistir à expulsão. Hoje,
precisamos pensar com os trabalhadores rurais uma outra maneira de se
relacionar com a terra e rever o sistema de produção, permitindo o
desenvolvimento da agricultura familiar", afirma.
Apesar
da valiosa atuação das pastorais, é fato que institucionalmente a Igreja
Católica brasileira não possui mais o mesmo vigor na defesa dos direitos
básicos das populações excluídas. Frei Xavier, por exemplo, diz que a CPT de
Araguaína sequer é convidada pelo bispo para participar das assembléias
diocesanas, reflexo das nomeações de dirigentes menos progressistas durante o
longo pontificado do conservador João Paulo II. "Nós atuamos praticamente
como uma ONG, buscando financiamentos de agências de cooperação
internacional", diz. Mas também não se pode dizer que os preceitos da
Teologia da Libertação estejam em decadência absoluta. Ainda existem muitos
religiosos brasileiros e estrangeiros que enxergam no evangelho a motivação
para lutar por uma sociedade igualitária, olhando por regiões onde a presença
do Estado ainda é rarefeita. A Amazônia só tem a agradecer a Deus por isso.
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quarta-feira, 29 de julho de 2015
PROCISSÃO DE NOSSA SENHORA: A Devoção de Serro-MG.
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RETIRO DOS CARMELITAS (De 27-31 de julho-2015): Carta de João Paulo II.
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CARTA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II AOS
SACERDOTES POR OCASIÃO DA
QUINTA-FEIRA SANTA DE 2005
Queridos
sacerdotes!
1.
Neste Ano da Eucaristia, sinto uma particular alegria em encontrar-me espiritualmente
convosco, como sucede anualmente, por ocasião da Quinta-feira Santa, o dia do
amor de Cristo levado « até ao extremo » (cf. Jo 13, 1), o
dia da Eucaristia, o dia do nosso sacerdócio.
Dirijo-me a
vós, sacerdotes, durante um período de tratamento e recuperação que tive de
passar no hospital, doente entre os doentes, unindo, na Eucaristia, o meu
sofrimento ao de Cristo. Neste espírito, quero refletir convosco sobre alguns
aspectos da nossa espiritualidade sacerdotal.
Irei
fazê-lo, deixando-me guiar pelas palavras da instituição da Eucaristia, as
mesmas que diariamente pronunciamos, in persona Christi, para
tornar presente sobre os nossos altares o sacrifício realizado uma vez por
todas no Calvário; é que de tais palavras brotam indicações de
espiritualidade sacerdotal muito elucidativas: se toda a Igreja vive da
Eucaristia, a existência sacerdotal deve a título especial tomar « forma
eucarística ». Por isso, as palavras da instituição devem ser, para nós, não
apenas uma fórmula de consagração, mas uma « fórmula de vida ».
Uma
existência profundamente « agradecida »
2. « Tibi
gratias agens benedixit... ». Em cada Missa, recordamos e revivemos o
primeiro sentimento expresso por Jesus quando partiu o pão: o sentimento
de ação de graças. O agradecimento é a atitude que está na base
do próprio termo « Eucaristia ». Dentro deste gesto de gratidão, vem confluir
toda a espiritualidade bíblica do louvor pelas mirabilia Dei.
Deus ama-nos, precede-nos com a sua Providência, acompanha-nos com
intervenções contínuas de salvação.
Na Eucaristia,
Jesus agradece ao Pai conosco e por nós. Como poderia esta acção de graças de
Jesus deixar de plasmar a vida do sacerdote? Este sabe que deve cultivar um
espírito constantemente agradecido pelos numerosos dons recebidos ao
longo da sua existência, particularmente pelo dom da fé, da qual se tornou
arauto, e pelo dom do sacerdócio, que o consagra inteiramente ao serviço do
Reino de Deus. Temos as nossas cruzes — e não somos certamente os únicos a
havê-las! — mas os dons recebidos são tão grandes que não podemos deixar de
cantar, do fundo do coração, o nosso Magnificat. Uma
existência « doada »
3. « Accipite
et manducate... Accipite et bibite... ».
A auto-doação de Cristo,
que tem a sua fonte na vida trinitária do Deus-Amor, atinge a sua expressão
mais alta no sacrifício da Cruz, cuja antecipação sacramental é a Última
Ceia. Não é possível repetir as palavras da consagração sem sentir-se
implicado neste movimento espiritual. Em certo sentido, o sacerdote deve
aprender a dizer, com verdade e generosidade, também de si próprio: « tomai e
comei ». De facto, a sua vida tem sentido, se ele souber fazer-se dom,
colocando-se à disposição da comunidade e ao serviço de qualquer pessoa que
passe necessidade.
Era isto
precisamente que Jesus esperava dos seus apóstolos, como sublinha o
evangelista João ao narrar o lava-pés. O mesmo espera do sacerdote o Povo de
Deus. Pensando bem, a obediência, a que ele se comprometeu no dia
da Ordenação e cuja promessa é convidado a renovar na Missa Crismal, é
ilustrada por esta relação com a Eucaristia. Obedecendo por amor, renunciando
mesmo a legítimos espaços de liberdade quando se trata de aderir a um
autorizado discernimento dos Bispos, o sacerdote realiza na própria carne
aquele « tomai e comei » de Cristo, quando, na Última Ceia, Se entregou a Si
próprio à Igreja.
Uma
existência « salvada » para salvar
4. « Hoc est enim corpus meum quod
pro vobis tradetur ». O corpo e o
sangue de Cristo são entregues para a salvação do homem, do homem todo e
de todos os homens. É uma salvação integral e
simultaneamente universal, porque não há homem — salvo livre ato
de recusa — que esteja excluído da força salvadora do sangue de Cristo:
« qui pro vobis e pro multis effundetur ». Trata-se dum
sacrifício oferecido por « muitos », como se lê no texto bíblico (Mc 14,
24; Mt 26, 28; cf. Is 53, 11-12) com uma
típica figura literária semita que, aliando dois opostos — no nosso caso, a
multidão abrangida pela salvação e um só, Cristo, que a realizou —,
indica a totalidade do seres humanos aos quais a salvação é
oferecida: é sangue « derramado por vós e por todos », como
legitimamente se explicita nalgumas traduções. A carne de Cristo é realmente
entregue « pela vida do mundo » (Jo 6, 51; cf. 1 Jo 2,
2).
Ao
repetirmos, num silencioso recolhimento da assembleia litúrgica, as
venerandas palavras de Cristo, nós, sacerdotes, tornamo-nos arautos
privilegiados deste mistério de salvação. Mas como podemos sê-lo
eficazmente, sem nos sentirmos nós mesmos salvados? Nós somos os primeiros
cujo íntimo é alcançado pela graça, que, libertando-nos das nossas
fragilidades, nos faz gritar « Abbá, Pai », com a confiança própria de filhos
(cf. Gal 4, 6; Rm 8, 15). E isto obriga-nos
a avançar no caminho da perfeição. De facto, a santidade é a
manifestação plena da salvação. Só vivendo como salvados é que
nos tornamos arautos credíveis da salvação. Por outro lado, cada vez que
tomamos consciência da vontade de Cristo de oferecer a todos a
salvação, não pode deixar de se reavivar no nosso espírito o ardor
missionário, incitando cada um de nós a fazer-se « tudo, para todos, para
salvar alguns a todo o custo » (1 Cor 9, 22).
Uma
existência « evocativa »
5. « Hoc facite in meam
commemorationem ». Estas palavras de Jesus
foram conservadas por Lucas (22, 19) e também por Paulo (1 Cor 11,
24). O contexto em que foram pronunciadas — é bom tê-lo presente — é o da
ceia pascal, que, para os hebreus, era precisamente um « memorial » (zikkarôn,
em hebraico). Naquela circunstância, os israelitas reviviam antes de mais
nada o Êxodo, mas, com ele, lembravam também os outros acontecimentos
importantes da sua história: a vocação de Abraão, o sacrifício de Isaac, a
aliança do Sinai, as numerosas intervenções de Deus em defesa do seu povo.
Também para os cristãos a Eucaristia é « memorial », e numa medida
incomparável: não se limita a recordar, mas atualiza sacramentalmente a morte
e ressurreição do Senhor.
Além disso
queria sublinhar que Jesus disse: « Fazei isto em memória de Mim ».
Por isso, a Eucaristia não recorda simplesmente um facto; recorda-o a Ele!
Para o sacerdote, o facto de repetir cada dia, in persona Christi,
as palavras do « memorial » é um convite a desenvolver uma « espiritualidade
da memória ». Num tempo de rápidas mudanças culturais e sociais que afrouxam
o sentimento da tradição e deixam, sobretudo as novas gerações, expostas ao
risco de perderem a ligação com as próprias raízes, o sacerdote é chamado a
ser, na comunidade que lhe está confiada, o homem com a memória fiel de
Cristo e de todo o seu mistério: a sua prefiguração no Antigo Testamento, a
sua realização no Novo, o seu aprofundamento progressivo sob a guia do
Espírito, segundo esta promessa explícita: Ele « ensinar-vos-á todas as
coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito » (Jo 14,
26).
Uma
existência « consagrada »
6. « Mysterium
fidei! ». Com esta exclamação, o sacerdote exprime, depois de cada
vez que consagra o pão e o vinho, o seu assombro sempre renovado pelo
prodígio extraordinário que se realizou nas suas mãos. É um prodígio que só
os olhos da fé podem enxergar. Os elementos naturais não perdem as suas
características externas, dado que as « espécies » continuam a ser as do pão
e do vinho; mas a sua « substância », pelo poder da palavra de Cristo e da
ação do Espírito Santo, converte-se na substância do corpo e do sangue de
Cristo. Assim, sobre o altar, está « verdadeira, real e substancialmente »
presente Cristo morto e ressuscitado, com toda a sua humanidade e divindade.
Trata-se, portanto, de realidade eminentemente sagrada! Por isso,
a Igreja circunda de tanta reverência este Mistério, e vigia atentamente por
que sejam observadas as normas litúrgicas que tutelam a santidade de tão
grande Sacramento.
Nós,
sacerdotes, somos os celebrantes, mas também os guardiões deste
sacrossanto Mistério. Da nossa relação com a Eucaristia deriva também a
exigência da condição « sagrada » da nossa vida, que deve transparecer em
todo o nosso modo de ser, e primariamente no modo de celebrar. Para isso,
vamos à escola dos Santos! Este Ano da Eucaristia convida-nos a redescobrir
os Santos que deram provas duma devoção particularmente intensa à Eucaristia
(cf. Carta Apostólica Mane nobiscum Domine, 31). Disso mesmo, deram exemplar testemunho muitos sacerdotes
beatificados e canonizados, suscitando grande fervor nos fiéis que
presenciavam as suas Missas. Muitos se distinguiram por uma prolongada
adoração eucarística. Permanecer diante de Jesus Eucaristia, valer-se, em
certo sentido, das nossas « solidões » para enchê-las desta Presença,
significa conferir à nossa consagração todo o calor da intimidade com Cristo,
donde recebe alegria e sentido a nossa vida.
Uma
existência voltada para Cristo
7. « Mortem
tuam annuntiamus, Domine, et tuam resurrectionem confitemur, donec venias ».
Sempre que celebramos a Eucaristia, a memória de Cristo no seu mistério
pascal torna-se anseio do encontro pleno e definitivo com Ele. Vivemos na expectativa
da sua vinda. Na espiritualidade sacerdotal, esta tensão deve ser
vivida sob a forma própria da caridade pastoral, que nos obriga a
viver no meio do Povo de Deus para orientar o seu caminho e nutrir a sua
esperança. Trata-se duma tarefa que requer do sacerdote uma atitude interior
semelhante à que o apóstolo Paulo vivia dentro de si mesmo: « Esquecendo-me
do que fica para trás e avançando para o que está adiante, prossigo em direção
à meta... » (Fil 3, 13-14). O sacerdote é alguém que,
não obstante o passar dos anos, continua a irradiar juventude, de certo modo
« contagiando » com ela as pessoas que encontra no seu caminho. O seu segredo
está na « paixão » que sente por Cristo. São Paulo dizia: « Para mim,
o viver é Cristo » (Fil 1, 21).
Sobretudo
no contexto da nova evangelização, as pessoas têm direito de dirigir-se aos
sacerdotes com a esperança de « ver » a Cristo neles (cf. Jo 12,
21). Sentem necessidade disso particularmente os jovens, que Cristo continua
a chamar a Si para fazer deles seus amigos e propor a alguns a doação total à
causa do Reino. Não hão de certamente faltar as vocações, se subirmos de tom
a nossa vida sacerdotal, se formos mais santos, mais alegres, se nos
mostrarmos mais apaixonados no exercício do nosso ministério. Um sacerdote «
conquistado » por Cristo (cf. Fil 3, 12) pode mais
facilmente « conquistar » outros para a opção de fazerem a mesma aventura.
Uma
existência « eucarística » na escola de Maria
8. Muito
íntima é a relação da Virgem Santíssima com a Eucaristia, como recordei na
encíclica Ecclesia de Eucharistia (cf. nn. 53-58). Todas as anáforas eucarísticas, embora na
sobriedade própria da linguagem litúrgica, sempre o sublinham. Assim, no
Cânone Romano, dizemos: « Em comunhão com toda a Igreja veneramos a
memória da gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe do nosso Deus e Senhor Jesus
Cristo ». Noutras Orações Eucarísticas, como por exemplo na II
Anáfora, a veneração transforma-se em súplica: « Dai-nos a graça de
participar na vida eterna, com a Virgem Maria, Mãe de Deus ».
Ao insistir
nestes anos sobre a contemplação do rosto de Cristo — especialmente nas
cartas apostólicas Novo millennio ineunte (cf. nn. 23ss.) e Rosarium Virginis Mariæ (cf. nn.
9ss.) — indiquei Maria como a mestra mais experimentada. Depois, na encíclica
sobre a Eucaristia, apresentei-a como « Mulher eucarística » (cf. n. 53). Quem pode,
melhor do que Maria, fazer-nos saborear a grandeza do mistério eucarístico?
Ninguém pode, como Ela, ensinar-nos com quanto fervor devemos celebrar os
santos Mistérios e determo-nos em companhia do seu Filho escondido sob as
espécies eucarísticas. Por isso, a Ela vos recordo a todos, entrego-Lhe
especialmente os mais idosos, os doentes, quantos se encontram em
dificuldade. Nesta Páscoa do Ano da Eucaristia, apraz-me fazer ressoar para
cada um de vós a doce e reconfortante declaração de Jesus: « Eis a tua Mãe »
(Jo 19, 27).
Com estes
sentimentos, de coração vos abençoo a todos, desejando-vos uma profunda
alegria pascal.
Da
Policlínica Gemelli em Roma, 13 de Março – V domingo da Quaresma – do ano
2005, vigésimo sétimo de Pontificado.
JOÃO PAULO
II
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terça-feira, 28 de julho de 2015
A PALAVRA... Nº 946. Um olhar sobre a Laudato si'-07.
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segunda-feira, 27 de julho de 2015
TITO BRANDSMA: Um olhar dos Freis; Petrônio e Tinus.
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*A ORAÇÃO NA VIDA CARMELITANA: TITO BRANDSMA
*A ORAÇÃO NA VIDA CARMELITANA: Reflexões e textos de autores carmelitanos sobre a Comunhão com Deus e
a Oração no Carmelo(3ª Parte).
Frei Emanuele Boaga, O.Carm. In Memoriam.
TITO BRANDSMA
+ 1942
Tito Brandsma, carmelita holandês, jornalista e mártir da fé, escreveu
e viveu o espírito carmelitano na procura de uma nova imagem e de um vital
dialogo com Deus para o homem moderno e na defesa do homem e de seus direitos.
As páginas que seguem favorecem a compreensão da noção e da experiência
de Deus, que no seu coração contemplativo e em sua própria vida o transformam
em
“THEOTOCOS” como Maria, encarnando a contemplação mesma na vivência da paixão e da
Ressurreição.
EXPERIÊNCIA DE DEUS E NOVA
CULTURA
Do discurso de Frei Tito
Brandsma sobre o conceito de Deus, em Nijmegen no ano 1932
(1)Entre as numerosas
perguntas que me coloco, nenhuma me preocupa mais do que a questão porque o
homem com o seu progresso e a orgulhosa altivez de seu progresso, afasta-se
assim em tão grande numero de Deus? ( ... ) Como pois a imagem de Deus se
tornou assim tão pálida, tanto assim que muitos não a conseguem atingir? E
falta tão somente da parte do homem? Ou se exige alguma coisa também de nos
para que esta imagem fulgure de novo sobre o mundo com uma luz mais clara?
Poderíamos nutrir a esperança que um estudo do conceito de Deus viria de
encontro a esta necessidade? ( ... ) Creio que seja nosso dever olhar em torno
de nos ao fenômeno da negação de Deus. Não porque, antes de tudo, devemos
assumir diante desse fenômeno uma atitude de defesa; mas por causa deste
fenômeno, encontrar motivo de fazer conhecer a imagem de Deus através de tornas
novas e adaptar o seu conceito à cultura moderna, de tal modo que da riqueza
deste conceito se coloque em evidência aquele aspecto da grandeza de nosso Deus
que mais nos fascina hoje. ( ... ) Há uma tão grande riqueza de aspectos
debaixo dos quais se pode considerar a imagem de Deus, que devemos estar atentos
a não nos apoiar demais no velho e nem reter como suficientes as imagens
tradicionais. Tempos novos exigem formas novas, Não basta insistir sobre a
exigência de colocar em prática a fé em Deus e empenhar-nos nesta direção: há
mais ainda devemos compreender o nosso tempo, e não o estranhemos.
(2)( ... ) Deus guia estrelas
e planetas em suas órbitas; dá vida às plantas e animais. Ele sustenta o mundo
em suas mãos e lhe garante uma existência tranqüila. Deus habita em nos e abre
os olhos da nossa mente sobre aquilo que interessa; sussurra em nos a sua
palavra e nos impele a cumpri-la» ( ... ) Devemos acima de tudo ver Deus como o
fundo mais intimo do nosso ser, escondido no elemento mais íntimo de nossa
natureza. Mas não obstante e possível vê-lo e contemplá-lo claramente
tornando-o reconhecível depois de um primeiro raciocínio, ou quando nos
orientamos habitualmente como uma intuição sem raciocínio repeti do a cada
instante. Assim nós nos vemos em contemplação contínua de Deus e o adoramos não
somente no nosso ser, mas também em tudo quanto existe, antes de tudo no
próximo, e também na natureza, no cosmo. Ele esta presente em toda a parte e
tudo penetra com as obras de suas mãos.
Deus que habita a nossa
existência. Deus que obra no cosmo não deve ser somente objeto de nossa
intuição, mas deve também manifestar-se na nossa vida, deve exprimir-se nas
nossas palavras e ações, deve irradiar-se de todo o nosso ser e de todo o nosso
agir.
(3) ( ... ) Nós não devemos
considerar a pessoa amante de Deus, o místico, como quem está fora da vida, da
história. Mas, deve ser considerado aquele que vive a história e que carrega
com responsabilidade o seu peso, deve sentir como sua tarefa primaria e
suprema» chegar ao conhecimento de si mesmo: a mais bela de todas as empresas
humanas. E através de seu intelecto deve chegar a encontrar Deus na profundeza
de sua própria vida. Ali ele deve chegar, mesmo que as águas cristalinas da
existência estejam entorpecidas pelas borrascas da vida! Voltará a bonança, o
olhar tranqüilo penetrará até à profundidade; ali serenos capazes de ver Deus.
( ... ) Contemplar Deus então significa deixar-se influenciar por Ele em todo
nosso comportamento. Deus então manifestar-se-á também nas nossas obras. ( ...
) Não basta insistir em viver na prática a nossa fé e estimular-nos a isso: e
preciso fazer mais. Devemos compreender o nosso tempo e não distanciar-nos da
história. Também nós somos filhos do nosso tempo; sejamo-lo de consciência
lúcida.
(4) ( ... ) Os homens devem
encontrar Deus e viver na sua luz: isto chama-se mística divina! O espírito
místico não vive em conflito com a natureza, pelo contrário: e vocação da
natureza humana ver Deus naquilo que há de mais profundo na ciência.
(5) ( ... ) É necessário que
nos tornemos sempre mais conscientes de que servir os irmãos e uma exigência
própria da nossa união com Deus. E esta consciência deve levar-nos a praticar
bons atos. Nem mesmo a fé e suficiente por si só: ela deve manifestar-se
através das ações; nas ações e que se evidencia todo o seu valor. Tal imagem de
Deus torna-se um ideal que arrasta; essa imagem dentro em breve tempo
encontrará acesso não só ao lado de outras imagens vagas e abstraias de Deus
que sobrevivem ainda em tantos espíritos, mas também, uma vez tendo conquistado
os corações, lhe aparecerão através de uma grande luta e uma longa resistência.
( ... ) O agir, sozinho, não e suficiente. Deve nascer de modo consciente de um
coração habitado por Deus; as nossas ações devem nascer do nosso sacrário
íntimo onde Deus aconselha e determina o que fazer. Assim o nosso agir será não
somente forte e irresistível externamente, mas também forte no nosso interior e
tornar-se-á manifestação de uma vida mais bela e mais nobre. ( ... ).
CONTEMPLAÇÃO
Dos Apontamentos de frei Tito
Brandsma diante das cataratas de Niágara, em 1935.
(6) ( ... ) Estou contemplando as estupendas cascatas do Niágara,
vejo-me a precipitar sem parada do alto de seu leito primitivo. ( ... ) Digo
então: o que há aqui de surpreendente e a maravilhosa e complexa natureza da
água. Se ela não fosse fluída, se ela não possuísse o poder de absorver a luz
até em suas gotas mais isoladas, teríamos talvez diante de nossos olhos esta
avalanche de cristal e em nossos pés este arco-íris? Milhares de homens vem até
aqui para pasmar-se diante do fragor das massas de água, para admirar estas
espumas colossais que se dissolvem luminosas na profundeza do céu. Esta música
selvagem, apodera-se de todo o seu ser; o jogo das cores ali ofusca quando os
raios do sol se confundem com a água ou quando o reflexo argênteo se torna e se
transforma em esmeralda. ( ... )
(8) Alguns conseguem uma contemplação cais racional, outros mais
sensível; se os dois sentimentos se unem, o objeto e o sujeito sentem-se mais
unidos, e então o gozo e mais elevado. E depois as possibilidades da
contemplação unificam-se, e a alegria e mais intensa e mais pura. ( ... ) a
vista e o ouvido podem ser aqui
arrebatados, mas também a razão que pensa e tudo aquilo que Deus colocou nestes
elementos destinados a perecer e conquistado,
(9) ( ... ) E vejo Deus, na obra de suas mãos e a imagem de seu
amor em todas as coisas visíveis. ( ... ) E torno a pensar» olho e sinto, e
acontece de ser às vezes tomado de uma suprema alegria, superior a qualquer
outra alegria humana. ( ... )
ESTAR EM GESTAÇÃO COMO MARIA
Da colocação de Frei Tito
Brandsma no congresso mariano de Tongerloo em 1936
(10) ( ... ) Embora a nossa união com Deus não seja tão excelsa como
aquela que se verificou na divina maternidade de Maria, mesmo assim nos podemos
com pleno direito chamar-nos “Theotokos”, “portadores de Deus”, e também para
nos o Senhor envia o seu anjo para nos pedir que se abra o nosso coração à luz
do mundo para levá-lo por toda a parte como um luzeiro. ( ... ) Também nos
devemos receber Deus no nosso coração, levá-lo debaixo do coração, alimentá-lo
e deixá-lo crescer em nas, para que ele nasça de nós, e viva conosco como Deus
conosco, isto é Emanuel.
(11) ( ... ) Para Deus, o coração de Maria permaneceu sempre aberto.
Dela devemos apreender a expulsar do nosso coração tudo o que não pertença ao
Senhor e que para Ele o nosso coração esteja sempre aberto para se encher da
graça divina; e então Jesus descerá no nosso peito e crescerá em nós, renascerá
de nós e manifestar-se-á com as nossas ações e viverá de nossa vida. Com Maria,
cheios também nós de graça, devemos viver uma vida divina, não buscando outra
glória e outra salvação, que não a união com Deus. ( ... )
O QUE É ORAÇÃO
cf.: Apontamentos de Frei Tito Brandsma para um retiro espiritual
(12) ( ... ) Nossa vida é como uma marcha pelo deserto até o monte
Horeb, para dar uma dimensão total nova à nossa existência na contemplação de
Deus. Preliba-se o céu buscando de ver Deus entre nós, o Deus vivo e atuante na
nossa realidade. Nunca mais deve haver nos nossos corações divisão entre Deus e
a realidade.
A oração é vida, não um oásis
no deserto da vida. ( ... )
SOLIDÃO PROFUNDA
Na cela da prisão
Embora não saiba como isto irá
terminar (as conseqüências do encarceramento) sei muito bem que estou nas mãos
de Deus. O que me separara da caridade de Deus? Ele é o meu único refugio e
sinto-me protegido e feliz. Permanecerei aqui, se Ele assim o dispuser.
Raramente estive assim tão feliz e contente ( ... )
Fiz para mim um pequeno altar:
é um modo de dizer. Na cela havia uma estante de papelão com suporte e também
um pedaço de papel de embrulho. Cobri com isto a estante. Com um preguinho -
canivete e tesoura foram-me tirados, daí a necessidade de me arrumar - fiz
pequenos entalhes fixando assim três imagens de meu breviário; no meio um
Cristo pregado na Cruz de Fra Angélico, incompleto, mas, só até à altura da
chaga de seu Sagrado Coração; de um lado uma estampa de Santa Teresa de Jesus -
“Sofrer ou morrer” - e, de outro, São João da Cruz com seu lema “Sofrer e ser
desprezado”. Encontrei dois alfinetes; servi-me de um para fixar abaixo das
outras imagens uma tira comprida de papel sobre a qual escrevi as palavras de
Santa Teresa: “Nada te perturbe” e também as palavras de um provérbio alemão:
“Deus tão próximo e tão distante, mas, sempre aqui” e, finalmente, aquele que
me é tão familiar: aceitar os dias como eles chegam; os alegres com o coração
reconhecido; os adversos com esperança para com os futuros que ainda virão,
porque o mal e a tristeza são passageiros ( ... )
Ainda não me aborreci. Estou
sozinho, é verdade. Mas, nunca Deus esteve tão perto de mim. Uma alegria
intensa reina em meu coração porque Ele se deixou encontrar inteiramente sem
que eu me possa desviar para os homens ou estes me atingirem.
Ele e a minha única
consolação. Sinto-me seguro e feliz. Gostaria de continuar sempre aqui se Ele
desejar assim.
DIANTE DA IMAGEM DE JESUS
Da: oração de frei Tito Brandsma
escrita nos primeiros dias de prisão no cárcere de Scheveningen, a noite entre
12-13 de fevereiro de 1942.
Deste texto emergem duas
profundas convicções;
1ª. solidão encarada como
presença de Deus, plenitude e restauração de tudo em Deus, seja como aquilo que
em Deus é vontade de amor, seja como dom de Deus.
2ª. aceitação alegre do sofrimento como meio de associação absoluta e
radical do sacrifício e morte de Jesus na Cruz.
Quando te vejo, ó Jesus,
compreendo que tu me amas;
como o mais querido dos amigos,
e sinto que te amo
como o meu bem supremo.
O teu amor, eu o sei,
exige sofrimento e coragem;
mas o sofrimento é o único caminho para a tua glória.
Se novos sofrimentos se adjuntam ao meu coração,
eu os considero como um doce dom;
porque me fazem mais semelhante a Ti,
porque me unem a Ti.
Deixa-me sozinho neste frio;
não preciso mais de ninguém.
A solidão não me mete medo,
porque Tu estas perto de mim.
Fica Jesus, não me deixes!
A tua divina presença.
torna fáceis e belas
todas as coisas!
*Encontros de Espiritualidade Carmelitana das Irmãs Carmelitas da
Divina Providência. JULHO - 1986 - Rio Janeiro.
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