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sábado, 14 de março de 2015
CARMO DE TAUBATÉ/SP: Um olhar.
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SOS ORDEM TERCEIRA DE TAUBATÉ/SP: Convocação para as Missões Carmelitanas.
Frei Petrônio de Miranda, O. Carm.
Nós; Frei
Petrônio de Miranda, Delegado Provincial da Ordem Terceira do Carmo, Paulo
Daher, Coordenador da Comissão Provincial da Ordem Terceira do Carmo e Vicente,
Conselheiro da Comissão Provincial, estivemos neste sábado, 14, visitando o
Sodalício de Taubaté, São Paulo.
Depois de 65
Anos, a Ordem Terceira do Carmo daquela cidade consta apenas de 7 irmãs entre
60 a 90 anos. O que fazer? Deixar morrer a história carmelitana naquela cidade?
Continuar com o grupo das piedosas e santas mulheres devotas de Nossa Senhora
do Carmo até a última a falecer? Estas e
outras perguntas suscitaram uma boa conversa na noite de ontem, sexta-feira, e
na manhã de hoje, sábado.
Na verdade,
mesmo na noite de ontem já podíamos ver a famosa luz no fim do túnel. Luz no
fim do túnel? Isso mesmo meu caro irmão e minha cara irmã que me acompanha no
Olhar Jornalístico. Refiro-me ao jovem, padre Ricardo, da Paróquia de São João
Bosco, local onde fizemos a reunião naquela cidade. Esse padre sonha em ser
Terceiro Carmelita. E mais! Vamos fazer uma Missão Carmelitana do dia 14 a 17
de maio para propagar a Espiritualidade carmelitana naquela Paróquia e no
final, além do padre, que vai entrar para o noviciado, mais 15 irmãos e irmãs vão
começar a caminhada no Sodalício.
Portanto, se
você é da Ordem Terceira e deseja passar 4 dias em Missão na cidade de Taubaté
ou se for o caso, dois ou um dia, entre em contato comigo pelo e-mail: missaodomgabriel@bol.com.br (Frei Petrônio
de Miranda)
Louvo a Deus
através da Virgem do Santo Escapulário que nos mostrou um novo caminho através
da Missão Carmelitana para despertar naquela sodalício a Espiritualidade do
Carmo neste ano dos 500 Anos do nascimento de Santa Teresa de Jesus. Conto com
as orações de todos vocês.
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sexta-feira, 13 de março de 2015
A PALAVRA... Nº 826: Ser Carmelita é Ser Contemplativo- 02.
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quinta-feira, 12 de março de 2015
Os ‘lobos’ retornam ao Vaticano
Setores
da Cúria que atacaram Bento XVI no passado agora buscam impedir que Francisco
ceda às pressões da Itália para que a Santa Sé deixe de ser um paraíso fiscal.
Os lobos do Vaticano – poderosos setores
da Cúria que pressionaram Bento XVI até obter sua renúncia, em fevereiro de
2013 – estão de volta. Eles permaneciam escondidos desde então, contemplando
com certo desgosto as tentativas de abertura feitas por Francisco às novas
formas de família e os pronunciamentos sociais dele, distantes do estilo
acadêmico, que fazem muitos católicos recuperarem a fé na Igreja e muitos
líderes mundiais voltarem seus olhos para Roma. Mas agora, justamente quando o
papa Jorge Mario Bergoglio pretende de uma vez por todas tornar menos opacas as
finanças do Vaticano – aprovando severas leis internas de transparência e
negociando com o Governo italiano para que a Santa Sé deixe de ser um paraíso
fiscal –, esses lobos do poder e do dinheiro estão tentando evitar esse
processo de regularização com as mesmas armas que usaram contra o alemão Joseph
Ratzinger: o vazamento de documentos envenenados, de modo a semear a dúvida e a
divisão entre o Papa e seus colaboradores.
Se, como já denunciou jornal
L'Osservatore Romano, Bento XVI era "um pastor rodeado por lobos",
Francisco é simplesmente um homem sozinho, talvez agora mais do que nunca. Os
milhares de fiéis que todas as quartas e domingos lotam a praça de São Pedro –
nos tempos de Bento XVI, o movimento se limitava a ônibus fretados para
aposentados, com um sanduíche incluído – não imaginam até que ponto Bergoglio
permanece isolado e solitário perante a resistência de poderosos setores da
Cúria. Não se trata mais da oposição manifesta dos conservadores contra a abertura
do Pontífice aos divorciados que voltam a se casar ou aos casais homossexuais,
nem do desconforto dos puristas por sua maneira de se expressar. Agora se trata
de evitar a todo custo que Bergoglio e o homem que ele trouxe de longe para
acabar com o bacanal financeiro, o cardeal australiano George Pell, alcancem
seu objetivo de transformar o IOR (Instituto para as Obras da Religião, nome
oficial do banco do Vaticano) em algo que nunca foi: uma instituição
transparente.
Os vazamentos buscam debilitar Pell,
revelando supostos gastos com voos, alfaiates e salários de colaboradores,
justamente no momento em que tanto o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi,
como o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, admitiram que as negociações
para acabar com o sigilo bancário no Vaticano estão muito avançadas. Renzi, que
nos últimos dias chegou a acordos fiscais com a Suíça, Liechtenstein e Mônaco
para eliminar o sigilo bancário, declarou que "a Santa Sé está interessada
em fazer uma limpeza" no IOR e que a Itália, habituada nos últimos anos a
esbarrar nas grossas muralhas do Vaticano, deseja recuperar "um pouco de
dinheiro" das contas de italianos depositadas no menor país do mundo.
Os
vazamentos de documentos internos buscam debilitar o Papa
Também Lombardi admitiu que as
negociações com a Itália buscam "a transparência mediante a troca de
informação com fins fiscais". Em outras palavras, ainda falta terminar a
grande operação de limpeza que foi iniciada timidamente por Bento XVI em 2011 e
que Francisco prosseguiu, fechando 3.000 contas suspeitas e congelando outras
2.000. E, embora seja possível que o dinheiro mais sujo já tenha fugido como
uma alma levada pelo diabo, certos setores da Cúria relutam em perder essa
opacidade que tornava tão atraente um paraíso fiscal no coração de Roma, mas ao
mesmo tempo tão distante da Itália.
O método de semear a discórdia entre
Francisco e o cardeal Pell é calcado nas manobras que conseguiram isolar e
depois derrubar Bento XVI: o vazamento de documentos sigilosos. "Se você
observar", confidencia um alto funcionário da Secretaria de Estado do
Vaticano, "o vazamento dos documentos por parte de Paolo Gabriele [o então
mordomo de Ratzinger] começou em 2012, justamente quando o papa Bento tentava
reformar o IOR, e os vazamentos interessados de agora coincidem com a aprovação
dos estatutos da nova Secretaria de Economia. Tanto Ratzinger na época como
Bergoglio agora perseguiam o mesmo objetivo: reformar as finanças vaticanas. E
os vazamentos – tanto os de então como os de agora – buscam, pelo contrário,
impedi-lo de fazer isso. Aquele escândalo provocou um grande sofrimento para
Bento XVI e contribuiu para sua abdicação; não acredito que possam fazer o
mesmo com Francisco".
Conta-se que Jorge Mario Bergoglio,
depois de ler no semanário L'Espresso a transcrição de reuniões internas onde
altos prelados se queixavam do grande poder de George Pell e da
"sovietização" do Vaticano, pediu explicações ao cardeal australiano,
a quem pelo menos até agora descrevia como o seu ranger (patrulheiro). Pell
pediu ao Papa que, apesar dos ataques, continue confiando nele. Fonte: http://brasil.elpais.com
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quarta-feira, 11 de março de 2015
CARMELITAS DO SUDESTE: Encontro Vocacional.
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terça-feira, 10 de março de 2015
V Centenário do nascimento de Santa Teresa de Ávila, uma santa apaixonada.
"Para Teresa de Jesus, Deus é o que
há de mais importante na sua vida, um Deus muito próximo e humano. Diz que
podemos encontrá-Lo em toda a parte, especialmente dentro de nós mesmas
(os)", escreve Rita Romio, religiosa da Companhia de Santa Teresa de
Jesus.
Eis
o artigo.
“Nada te perturbe, nada te espante, tudo
passa, Deus não muda,
a paciência tudo alcança. Quem a Deus
tem, nada lhe falta,
só Deus basta” Santa Teresa de Jesus
(Poesias 9).
Feliz aniversário e felizes vésperas
para você, Teresa de Jesus. Estamos em festa, gratidão e júbilo! Trata-se de
nada mais, nada menos que o V Centenário do seu nascimento, 28 de março de
1515.
Teresa Sánchez de Cepeda y Ahumada, sua
luta continua viva entre nós ao recordar a sua força feminina, que marcou
história. Provocou um movimento de mulheres com a meta de viver o espírito
evangélico como pobres, orantes e iguais, as Carmelitas Descalças. E, como se
não bastasse, ao propor isso aos homens, tornou-se um caso raro na história da
Igreja, uma mulher reformadora de uma Ordem masculina, os Carmelitas Descalços.
Quem foi esta mulher, nascida em Ávila,
Espanha, e que num determinado momento da sua vida decide chamar-se Teresa de
Jesus? Qual é o seu segredo que a tornou tão especial que seu nome atravessou
cinco séculos de existência, e que foi proclamada Doutora da Igreja? Por que
sua vida e escritos continuam despertando apaixonado interesse em muitas
seguidoras e seguidores? [1]
Certamente, o que a torna fascinante e
atual é a narração da sua experiência de integração humana em todas as suas
dimensões. Lutou muito para encontrar a verdade. Realizando a descoberta do
Transcendente, sua vida se torna uma contínua paixão por Deus e pela
humanidade. Enfrenta muitas adversidades, mas assume a sua missão com
“determinada determinação”.
A leitura dos seus escritos desperta as
leitoras e leitores, para a aventura da amizade com o Transcendente, como
Alguém que ela encontrou e que deu sentido à sua existência, ao seu agir[2].
Com uma espiritualidade amorosa, libertadora e apaixonada, incentiva a
descoberta de Deus dentro de nós, numa relação de amizade com Alguém que nos
ama e “sempre nos espera”.
Para Teresa de Jesus, Deus é o que há de
mais importante na sua vida, um Deus muito próximo e humano. Diz que podemos
encontrá-Lo em toda a parte, especialmente dentro de nós mesmas (os). Ao
escrever sua experiência espiritual, fruto da sua amizade com Deus e com as
pessoas, nos deixou o legado de uma espiritualidade para o nosso tempo, podendo
encontrá-la em seus vários escritos.
Santa Teresa escreve sobre sua busca e
experiência de amizade com as pessoas e com Deus: “Não direi coisa que não
tenha experimentado muito”(V 18, 8); “o que disser, tenho-o comprovado por
experiência” (V 22, 5; 28, 7).
Trazia consigo a força do amor
apaixonado por Deus, por isso anima a permanecer firme no caminho:
“Aos que desejam seguir sem parar, até o
fim, até chegar a beber desta água viva, direi como devem começar. Muito
importa, e acima de tudo, ter uma grande e firme determinação de não parar até
chegar à meta, surja o que surgir, aconteça o que acontecer, custe o que
custar, murmure quem murmurar, quer chegue ao fim, quer morra no caminho, ou
falte coragem para os trabalhos que nele se encontram. Ainda que o mundo venha
abaixo havemos de prosseguir” (C21,2).
Para Teresa a pessoa é como um castelo
habitado pela Trindade (IM,1-5) à espera do encontro com sua criatura: “A alma
é como um castelo, todo de diamante ou de cristal com muitas moradas. E no
centro, a principal, é onde passam as coisas mais secretas entre Deus e a
alma”. Nele há muitas moradas, que expressam os distintos níveis da relação que
a pessoa tem consigo, com os outros, com Deus e com o mundo. O conhecimento
próprio é essencial para essa viagem interior. “A porta para entrar nesse
castelo é a oração e reflexão” (IM). Nesse processo, Teresa adverte para não
ficar olhando para as misérias humanas, e sim para Jesus Cristo, o grande
amigo. É um dinamismo onde a pessoa reconhece sua identidade e o mistério da
sua liberdade. Teresa adverte que, quando a pessoa se nega ao Amor, está se
fechando em si mesma (IM6-8). E, para fazer frente a uma antropologia
egocêntrica, Teresa propõe um dinamismo de êxodo - a pessoa deve entrar dentro
de si, autoconhecer-se, aceitando a própria realidade, como também a realidade
alheia. A imagem do castelo interior expressa um dinamismo dialético de
integração entre interioridade e exterioridade, levando a pessoa a sair de si
mesma, vivendo numa relação progressiva de entrega, partilhando seus dons,
criando novas relações.
Outra imagem teresiana para expressar o
processo de caminhada da pessoa em relação a Deus, é a do bicho-da-seda.
Através do símbolo da transformação do bicho-da-seda numa formosa borboleta,
Teresa quer expressar o chamado à transformação em Cristo (IIM, 2). Supõe um
caminho de morte vida, ganhos e perdas, segundo a lógica do seguimento,
trilhado com Cristo e em Cristo. É na vivência do amor que a pessoa integra
todas as suas potencialidades. As crises e contradições podem converter-se em
lugar de encontro. A pessoa, sabendo-se amada, responde amando. Sente-se
convidada a “conhecê-Lo, amá-Lo, torná-Lo conhecido e amado”[3].
Na analogia teresiana, a pessoa que
começa a tratar de amizade com Deus “deve fazer de conta que começa a plantar
uma horta em terra muito infrutífera, que tem muitas más ervas, para que nele
se deleite o Senhor. Sua Majestade arranca as más ervas e vai plantando as
boas”(V11,6). A própria pessoa é a horta, exposta às intempéries. Ela mesma deve
cultivar o terreno, preparar a terra para que esteja em condições de acolher a
água da chuva. Essa água é dom de Deus, o Jardineiro. Teresa sabe que o
seguimento de Jesus Cristo é uma opção pessoal, mas também é dom e graça. O
símbolo do cultivo da horta é um convite para a escuta, o silêncio, a acolhida,
a espera e o reconhecimento do dom gratuito de Deus.
A imagem teresiana da amizade talvez
seja a que melhor expressa a experiência teresiana da oração como relação viva
e interpessoal com Deus. Supõe amor, intimidade, reciprocidade, realismo e
capacidade de relação com as pessoas. Sem esses elementos, é muito difícil que
a pessoa possa integrar as suas diversas dimensões. “Para falar com Deus não é
necessário ir ao céu, nem falar em altos brados. Ele está tão perto que ouvirá,
basta pôr-se em solidão e olhar para dentro de si” (C28,2). É uma comunicação
com Deus de coração a coração: “Pensais que ele está calado? Mesmo que não o
ouçamos, Ele nos fala ao coração, quando de coração lhe pedimos”(C24,5). Teresa
anima para contemplar o Mestre na sua humanidade e assim poder conversar com
Ele, não com orações complicadas, mas a partir do coração e da vida, “é isto o
que Ele mais preza”, conclui ela. “Juntos caminhemos, Senhor, por onde fordes
irei eu, por onde passardes, hei de passar”(C26,6).
Teresa também faz analogia com a imagem
da pessoa apaixonada. A vida não é senão entrega e doação apaixonada e
apaixonante. É importante observar que Teresa não se fecha num intimismo. A
máxima união com Deus é ao mesmo tempo compromisso com o mundo, solidariedade
com a humanidade:
“O Senhor quer obras” (M5). “Procurai
ser pregadoras em obras” (C 7,7; 15,6). Na oração, “o importante não está em
pensar muito, senão em amar muito... Talvez não saibamos o que é amar ... não
está no maior gosto, mas na maior determinação de desejar contentar a Deus em
tudo” (IVM7; cf. F5,2). “O amor de Deus não consiste nas lágrimas, nas
delícias, nas ternuras da oração, mas em servir a Deus com humildade, fortaleza
e justiça” (V11,13; IV M1,7). “Se contemplar, ter oração mental, ter oração
vocal, curar enfermos, servir nas coisas da casa e trabalhar – mesmo nas
tarefas mais humildes –, é servir ao Hóspede que vem ter conosco ficando em
nossa companhia, comendo conosco e conosco se recreando, que nos importa
servi-Lo mais de uma maneira do que de outra?” (C 17,6). “Ensinai mais com
obras que com palavras”(R66; C 5,2).
Para Teresa a missão exige ardor
missionário, ou seja, empolgação e ânimo pela causa do Reino.
“Até os pregadores fazem seus sermões de
maneira a não descontentar. A intenção é boa, e também a obra, mas, dessa
maneira, poucos se corrigem. E qual a razão de não serem muitos os que pela
pregação deixam os vícios públicos? Sabe o que me parece? É que os pregadores
tem demasiada prudência. Não estão tomados pelo grande fogo do amor de Deus,
como estavam os Apóstolos. Dão calor brando. Não digo que os iguale em ardor,
mas quisera mais fogo do que agora vejo. ... Os Apóstolos ... não se
incomodavam com perder tudo ou ganhar tudo, já que, quem de fato arrisca tudo
por Deus, não distingue entre essas coisas (V 16,7).
A caminhada ao seguimento a Jesus Cristo
nos pede uma determinação pessoal. Mas não caminhamos sozinhas/os. Para
perseverar e avançar no processo, sentimos a necessidade de partilhar e nos
animar mutuamente. “Gostaria de insistir que procurem não esconder seu talento
(cf. Mt 25,5), pois Deus parece ter querido escolhê-los para beneficiar muitas
outras (pessoas), especialmente nesta época em que são necessários amigos
fortes de Deus para sustentar os fracos” (V15,5).
Teresa, mulher que soube enfrentar
dificuldades, sabia a eficácia de ter um horizonte amplo: “Viste o grande
empreendimento a que desejamos nos dedicar. ... Está claro que precisamos
trabalhar muito, e muito ajuda ter pensamentos elevados, para que as obras
também o sejam” (C 4,1). “É indispensável ter grande confiança. Convém muito
não amesquinhar os desejos, e confiar em Deus” (V13,2).
Para esta mulher, que amou e
experienciou a humanidade de Jesus Cristo, Deus é aquele que está sempre nos
esperando. Não encontrar-se com Ele é “uma pena, muita pena” diz ela.
Certamente, a imensa capacidade de apaixonar-se – por si mesma, pelas pessoas,
por Deus, e pela humanidade – e manter-se viva por meio da capacidade de doar-se
de diversas maneiras, fez com que o nome de Teresa de Ávila chegasse a nós.
NOTAS:
1 - Curiosidades: A francesa Marie
Françoise Thérèse Martin (1873-1897), conhecida como Santa Teresinha do Menino
Jesus, foi discípula de Teresa de Ávila. Juana Fernández Solar (1900-1920),
chilena, hoje conhecida como Santa Teresa dos Andes, ao tornar-se monja
carmelita como Santa Teresinha, também assumiu o nome de Teresa de Jesus. A
albanesa Anjezë Gonxhe Bojaxhiu M.C. (1910-1997), Madre Teresa de Calcutá,
quando se tornou religiosa de Nossa Senhora do Loreto, admiradora da Santa de
Ávila, escolhe ser chamada de Teresa. Por considerar muita pretensão se parecer
com a santa espanhola, contenta-se em ser parecida com a humilde carmelita de
Lisieux, Teresinha do Menino Jesus.
2 - Cf. MOLINS, M.V. “Teresa mudou seu
nome!”, Porto Alegre: Padre Réus, 2012, p.5-6.
3 - Lema do sacerdote espanhol Santo
Enrique de Ossó e Cervelló que, desde muito jovem, se aproximou de Teresa de
Jesus, através da leitura de seus escritos. Cativado pelos ensinamentos da
Santa de Ávila, tornou-se seu incansável divulgador. Entre outras obras fundou
a Companhia de Santa Teresa de Jesus (1876), as Irmãs Teresianas, desejando que
fossem “santas e sábias” como Teresa de Jesus; “outras Teresas de Jesus” na
atualidade, com a missão de “conhecer, amar e tornar Jesus Cristo conhecido e
amado”. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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A PALAVRA... Nº 823: A Praticidade de uma devoção.
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segunda-feira, 9 de março de 2015
A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 822: Ter medo...
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domingo, 8 de março de 2015
FREI PETRÔNIO: Homilia do 3º Domingo da Quaresma.
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO-08. (Dia Internacional da mulher)
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CARMO DE JUIZ DE FORA- 75 ANOS: Mensagem da Priora.
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Francisco planeja canonizar os pais de Santa Teresinha durante sínodo da família
Louis
e Marie Zelie Guerin Martin, pais de Santa Teresa de Lisieux (CNS / cortesia do
Santuário de Lisieux)
O Papa Francisco deseja canonizar Louis e Zelie
Martin, pais de Santa Teresa de Lisieux, durante o Sínodo dos Bispos sobre a
família em Outubro.
Cardeal Angelo Amato , prefeito da Congregação para
as Causas dos Santos, líder de uma conferência 27 de fevereiro, sobre o papel
dos santos na vida da Igreja, anunciou que "graças a Deus, em outubro de
ambos os cônjuges, pais de Santa Teresinha de Lisieux , será canonizado. "
Blessed Louis e
Marie Zelie Guerin Martin se casaram em 1858. O casal teve nove filhos, mas
quatro deles morreram na infância. Os cinco que sobreviveram - incluindo St. Therese - tudo entrou na
vida religiosa. Zelie Martin morreu de câncer
em 1877, com a idade de 45 anos; o marido morreu quando ele
tinha 70 anos em 1894.
O casal foi beatificado
em 2008. Acredita-se que os primeiros pais de santo a ser beatificados, com
destaque para os pais papel importante que desempenham na educação humana e
espiritual de seus filhos.
Seguindo normais Vaticano procedimentos, antes de sua
canonização do papa teria de reconhecer um milagre que ocorreu após as orações
para a intercessão do casal diante de Deus. O decreto
deverá ser assinado antes da Páscoa.
O próximo passo seria que o papa para consultar com os
cardeais da Igreja e mantenha um consistório com cardeais presentes em Roma
para anunciar a decisão de prosseguir com a cerimônia durante o Sínodo dos
Bispos sobre a família 04-25 outubro. A autoridade do Vaticano disse
que provavelmente reunião terá lugar em Junho.
De acordo com o site
do santuário Lisieux, um milagre que está sendo estudada para o casal canonização envolve uma menina na diocese
de Valência, na Espanha. Nascido prematuramente e com
múltiplas complicações com risco de vida, Carmen sofreu uma grande hemorragia
cerebral, o que poderia ter causado danos irreversíveis. Seus pais oraram por intercessão do casal. A menina sobreviveu e é saudável.
Papa Francis tem
uma especial devoção a Santa Teresinha. O papa usado para manter uma foto da freira carmelita francesa do
século 19 em sua prateleira da biblioteca quando era arcebispo de Buenos Aires,
Argentina. Ele disse que quando ele tem um problema, ele
pede St. Therese "não para resolvê-lo, mas para levá-la em suas mãos e me
ajude a aceitá-lo." Como um sinal de que ela ouviu
seu pedido, ele disse: "Eu quase sempre receber uma rosa branca."
Antes de abrir a
outubro 2014 reunião do Sínodo Extraordinário dos Bispos sobre a família, o
Papa Francis venerou as relíquias de Santa Teresa, seus pais e um outro casal,
o Beato Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi; as relíquias foram levadas a Roma
especificamente para orações durante as discussões dos bispos sobre a vida
familiar.
Tradução: Google
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CARMO DE JUIZ DE FORA- 75 ANOS: Mensagem do Monsenhor Falabella
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sábado, 7 de março de 2015
3º Domingo da Quaresma: Um templo novo ( JO 2, 13-25).
A leitura que a Igreja propõe neste
domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo. João 2, 13-25 que corresponde ao
Terceiro Domingo de Quaresma, Ciclo B, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol
José Antonio Pagola comenta o texto.
Eis
o texto
Os quatro evangelistas fazem-se eco do
gesto provocador de Jesus expulsando do templo “vendedores” de animais e
“cambistas” de dinheiro. Não pode suportar ver a casa do Seu Pai cheia de
pessoas que vivem do culto. A Deus não se compra com “sacrifícios”.
Mas João, o último evangelista,
acrescenta um diálogo com os judeus em que Jesus afirma de forma solene que,
após a destruição do templo, Ele “o levantará em três dias”. Ninguém pode
entender o que diz. Por isso, o evangelista acrescenta: “Jesus falava do templo
do Seu corpo”.
Não esqueçamos que João escreve o seu
evangelho quando o templo de Jerusalém leva vinte ou trinta anos destruído.
Muitos judeus sentem-se órfãos. O templo era o coração da sua religião. Como
poderão sobreviver sem a presença de Deus no meio do povo?
O evangelista recorda aos seguidores de
Jesus que eles não têm de sentir nostalgia do velho templo. Jesus, “destruído”
pelas autoridades religiosas, mas “ressuscitado” pelo Pai, é o “novo templo”.
Não é uma metáfora atrevida. É uma realidade que irá marcar para sempre a
relação dos cristãos com Deus.
Para quem vê em Jesus o novo templo onde
habita Deus, tudo é diferente. Para encontrar-se com Deus, não basta entrar
numa igreja. É necessário aproximar-se de Jesus, entrar no Seu projeto, seguir
os Seus passos, viver com o Seu espírito.
Neste novo templo que é Jesus, para
adorar a Deus não bastam o incenso, as aclamações nem as liturgias solenes. Os
verdadeiros adoradores são aqueles que vivem ante Deus “em espírito e em
verdade”. A verdadeira adoração consiste em viver com o “Espírito” de Jesus na
“Verdade” do Evangelho. Sem isto, o culto é “adoração vazia”.
As portas deste novo templo que é Jesus
estão abertas a todos. Ninguém está excluído. Podem entrar nele os pecadores,
os impuros e, inclusive, os pagãos. O Deus que habita em Jesus é de todos e
para todos. Neste templo não se faz discriminação alguma. Não há espaços
diferentes para homens e para mulheres. Em Cristo já “não há varão e mulher”.
Não há raças elegidas nem povos excluídos. Os únicos preferidos são os
necessitados de amor e vida. Necessitamos igrejas e templos para celebrar Jesus
como Senhor, mas Ele é o nosso verdadeiro templo.
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 821: Jesus chutou o pau na barraca.
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75 ANOS DO SODALÍCIO DE JUIZ DE FORA: Vinheta da Festa.
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A lista do Ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa.
Se
você votou em um deles, você também está na lista. O quê! Isso mesmo! Se você
votou em um nesta lista, você é o responsável indireto pela corrupção.
Vice-governador
João Leão (PP-BA) – vice-governador da
Bahia
Senadores
Renan Calheiros
(PMDB-AL) – presidente do Senado e do Congresso Nacional
Antonio Anastasia (PSDB-MG)
Benedito de Lira (PP-AL)
Ciro Nogueira (PP-PI) – senador pelo Piauí e presidente nacional do PP
Edison Lobão (PMDB-MA) – senador pelo Maranhão e ex-ministro de Minas e Energia
Fernando Collor (PTB-AL) – senador por Alagoas e ex-presidente da República
Gladison Cameli (PP-AC)
Gleisi Hoffmann (PT-PR) – senadora pelo Paraná e ex-ministra da Casa Civil
Humberto Costa (PT-PE) – senador por Pernambuco e ex-ministro da Saúde
Lindberg Farias (PT-RJ) – senador pelo Rio de Janeiro e ex-candidato ao governo do Estado
Romero Jucá (PMDB-RR) – senador por Roraima e ex-líder do governo no Senado
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Deputados
Antonio Anastasia (PSDB-MG)
Benedito de Lira (PP-AL)
Ciro Nogueira (PP-PI) – senador pelo Piauí e presidente nacional do PP
Edison Lobão (PMDB-MA) – senador pelo Maranhão e ex-ministro de Minas e Energia
Fernando Collor (PTB-AL) – senador por Alagoas e ex-presidente da República
Gladison Cameli (PP-AC)
Gleisi Hoffmann (PT-PR) – senadora pelo Paraná e ex-ministra da Casa Civil
Humberto Costa (PT-PE) – senador por Pernambuco e ex-ministro da Saúde
Lindberg Farias (PT-RJ) – senador pelo Rio de Janeiro e ex-candidato ao governo do Estado
Romero Jucá (PMDB-RR) – senador por Roraima e ex-líder do governo no Senado
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Deputados
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – presidente da
Câmara e ex-líder do PMDB na Câmara
Afonso Hamm (PP-RS)
Aguinaldo Ribeiro (PP-PB)
Aníbal Gomes (PMDB-CE)
Arthur Lira (PP-AL)
Dilceu Sperafico (PP-PR)
Eduardo da Fonte (PP-PE)
Jerônimo Goergen (PP-RS)
José Mentor (PT-SP)
José Otávio Germano (PP-RS)
Lázaro Botelho (PP-TO)
Luís Carlos Heinze (PP-RS)
Luiz Fernando Faria (PP-MG)
Missionário José Olimpio (PP-SP)
Nelson Meurer (PP-PR)
Renato Molling (PP-RS)
Roberto Balestra (PP-GO)
Roberto Britto (PP-BA)
Sandes Júnior (PP-GO)
Simão Sessim (PP-RJ)
Vander Loubet (PT-MS)
Waldir Maranhão PP-MA)
Afonso Hamm (PP-RS)
Aguinaldo Ribeiro (PP-PB)
Aníbal Gomes (PMDB-CE)
Arthur Lira (PP-AL)
Dilceu Sperafico (PP-PR)
Eduardo da Fonte (PP-PE)
Jerônimo Goergen (PP-RS)
José Mentor (PT-SP)
José Otávio Germano (PP-RS)
Lázaro Botelho (PP-TO)
Luís Carlos Heinze (PP-RS)
Luiz Fernando Faria (PP-MG)
Missionário José Olimpio (PP-SP)
Nelson Meurer (PP-PR)
Renato Molling (PP-RS)
Roberto Balestra (PP-GO)
Roberto Britto (PP-BA)
Sandes Júnior (PP-GO)
Simão Sessim (PP-RJ)
Vander Loubet (PT-MS)
Waldir Maranhão PP-MA)
Políticos sem mandato
Mário Negromonte (PP-BA) – ex-ministro
das Cidades, atual conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia
Roseana Sarney (PMDB-MA) – ex-governadora do Maranhão e ex-senadora
Aline Corrêa (PP-SP)
Carlos Magno (PP-RO)
Cândido Vaccareza (PT-SP)
João Pizzolatti – (PP-SC)
José Linhares (PP-CE)
Luiz Argôlo (ex-PP, atual SD-BA)
Pedro Corrêa (PP-PE)
Pedro Henry (PP-MT)
Roberto Teixeira (PP-PE)
Vilson Covatti (PP-RS)
Roseana Sarney (PMDB-MA) – ex-governadora do Maranhão e ex-senadora
Aline Corrêa (PP-SP)
Carlos Magno (PP-RO)
Cândido Vaccareza (PT-SP)
João Pizzolatti – (PP-SC)
José Linhares (PP-CE)
Luiz Argôlo (ex-PP, atual SD-BA)
Pedro Corrêa (PP-PE)
Pedro Henry (PP-MT)
Roberto Teixeira (PP-PE)
Vilson Covatti (PP-RS)
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quinta-feira, 5 de março de 2015
Teresa d'Ávila, uma resposta às urgências e aos perigos do seu tempo.
Através do
amor, a mística de Teresa d'Ávila –
a sua feliz contemplação, a sua oração – se torna uma ação e cria uma dinâmica
de onde brota a caridade.
A opinião é
da romancista e jornalista francesa Christiane Rancé, em artigo
publicado no jornal L'Osservatore Romano, 02-03-2015. A tradução é de Moisés
Sbardelotto.
Eis o texto.
É difícil
resumir a espiritualidade de Teresa d'Ávila, de tão rica e sutil. Mas o
que se pode dizer, para apresentá-la, é que ela encontra a sua força na
ação. Teresa de Jesus elaborou uma mística que respondia às urgências
e aos perigos do seu tempo, e que se articula em torno de três polos: a sua
iluminada compreensão da Encarnação e daquilo que ela envolve como resposta; a
sua invenção – como se diz da descoberta de um tesouro – do centro da alma como
residência de Deus; e, por fim, a oração como operação amorosa sobre o mundo.
"O mundo
está em chamas", escreve Teresa no primeiro capítulo do
seu Caminho de perfeição. E o mundo, acrescenta, precisa de
amigos fortes (amigos fuertes). Contra qual fogo Teresa
d'Ávila quer agir? Aquele que devora Igreja por dentro, com as ideias
novas da Reforma e de outras correntes de pensamento que contestam a Roma o seu
dogma e a sua infalibilidade.
O que
aconteceu é que a revolução copernicana destruiu as bases do mundo antigo e
difundiu nas mentes daquele século XVI, o primeiro da era moderna, uma angústia
geral: nem a Terra nem Deus são mais os centros de um universo eterno e
incorruptível que girava ao redor deles.
Teresa varre
magistralmente as interrogações que essa descoberta vertiginosa coloca para as
mentes da época. O que importa se, por causa dessa teoria, Deus perdeu o seu
lugar de residência? Basta buscar o divino como transcendência pura, como
experiência interior, responde Teresa. O que importa, depois, se a Terra não é
mais o lugar de um teocentrismo? Se Deus é tudo, se "a máquina do
mundo tem, por assim dizer, o seu centro por toda parte e a sua
circunferência em lugar algum", o centro do mundo está lá onde está o
homem, e Deus nele.
A citação de Nicolau
de Cusa retomada por Pascal não é uma alegoria; uma esfera de
raio infinito, efetivamente, tem o seu próprio centro por toda a parte. Seja
qual for o ponto em que se encontre essa esfera, de fato, se está a uma
distância infinita da borda, e isso em todas as direções do espaço. Assim,
Deus, por residir no centro secreto da alma, é sempre e inevitavelmente o
centro do universo.
Essa é uma
das fontes da espiritualidade teresiana: a descoberta do centro da alma. Tomás
Álvarez, no Diccionario de Santa Teresa de Jesús,
salienta a originalidade da madre sobre essa noção que vai se tornar uma linha
mestra da sua obra-prima, O Castelo Interior. Esse centro da
alma é "a sala principal, onde acontecem as coisas mais
secretas entre Deus e a alma".
Lá, no seu
centro, Deus continua morando e resplandecendo. É nesse centro que se celebra a
união da alma comCristo, nosso Senhor, diz Teresa, para que a sua relação
com ele seja definitivamente estabelecida: "A alma está sempre com o
seu Deus naquele centro de que falei".
Essa
concepção, indubitavelmente singular, atrairia sobre ela as iras da Inquisição.
Trata-se de "erro em filosofia, sonho e fantasia em teologia",
decretam os juízes. Quanto à ideia de Deus que está nesse centro, ela é
definida como uma heresia revoltante.
Essa é a
resposta puramente genial de uma mulher que responde intuitivamente, a partir
da sua alma, à angústia geral que a revolução copernicana gera. Assim, ela
consegue manter a força de um divino pacificador.
Ela, que
tem a vontade louca de devolver a Deus o seu lugar – de fazer com que
a sua alma, se se unir a Deus, se torne novamente o centro do mundo –,
consegue: a sua oração coloca novamente o mundo no olhar divino e Deus no
centro do universo. Rezando, Teresa coloca novamente no seu lugar
Cristo que vem.
Ironia do
destino! Aquilo que quase fez com que ela fosse definida como herética pela Inquisição –
a noção do centro da alma – é o que a torna tão necessária.
Teresa de
Jesus foi canonizada pela santidade da sua vida, pela criação do seu Carmelo e
pela sua irredutível fidelidade à Igreja. Mas o que a torna uma contemporânea
nossa é essa invenção. Bem mais do que a abertura individual de uma alma
perdidamente fiel a Deus, é aquela invenção que dá perpetuamente a Deus um
futuro, não com um "penso,logo existo", mas com um "creio,
logo Ele é". Desse modo, ela força o advento de um mundo do qual Jesus
Cristo permanecerá como a inevitável medida.
Teresa
d'Ávila compreendeu a atração pela matéria e as teorias contemporâneas dos
seus semelhantes; daí a sua aversão à falsa erudição, à pretensão do saber e
aos anseios do espírito nos seus conventos. "A alma não é o pensamento,
nem a vontade é governada por ele, o que seria má sina. Disso se conclui que o
proveito da alma não está em pensar muito, mas em amar muito", afirma.
Teresa se
sentiu obrigada a amar o dia em que a visão de um crucifixo a fez entender, de
repente, o quanto Deus a amava por ter lhe dado a própria vida na infâmia e na
dor da cruz. Quanto a amava por ter se feito tão semelhante à sua criatura a
ponto de se encarnar no ser mais fraco e mais humilde que existe, não
em um príncipe, mas no filho de um carpinteiro da periferia da Palestina.
A partir
daquele momento, ela compreendeu, num piscar de olhos, que nunca poderia
acessar qualquer estado superior de fé sem uma plena consciência e sem uma
plena experiência desse amor, através da fusão nele: ela se dá conta de que,
para que Deus lhe responda, ela deve se comprometer de modo equiparável ao amor
que a sua Paixão demonstrou.
Assim, a
representação da humanidade de Cristo naquilo que ela teve de mais
paroxístico – a Paixão – a abalava, e através dela e a partir dela
que ela pode compreender plenamente o que era a loucura e o escândalo do
cristianismo: a encarnação.
"Ninguém
vem ao Pai senão por mim" (João 14, 6). Jesus é o rosto humano
de Deus. Havia, talvez, uma metáfora melhor do que essa verdade, que Teresa
assimilará como uma hóstia, ou seja, que a realidade de Deus, o seu ser é
acessível só em Jesus e através de Jesus?
No Livro
da Vida, ela escreve que Jesus é o verdadeiro livro onde ela
descobriu todas as verdades. A visão avassaladora do corpo sofredor de Jesus
também lhe revelou, de modo fulgurante, todas as promessas do mistério de Jesus
homem-Deus e Deus-homem. A humanidade de Cristo oferece uma possibilidade de
união, de comunhão e de unidade de amor.
Por meio de Jesus,
a atração mútua entre Deus e a sua criação se formaliza. Quer pense na Paixão
ou medite sobre esse mistério, o orante se encontra aos pés de uma escada que
leva a Deus, uma escala como a de Jacó, uma escada de oração que deverá subir
para alcançar a união divina, "onde nada é comparável com os prazeres da
alma".
Daí a
exortação de Teresa a rezar. A oração, segundo ela, é"uma íntima
relação de amizade, um frequente entretenimento a sós com Aquele que sabemos
que nos ama". É preciso rezar porque a oração é o momento central da
criação religiosa da qual Jesus é o mestre. Rezar porque a oração é a
linguagem da amizade, como o silêncio é a de Deus.
Teresa assegura,
assim, a sobrevivência daquela formidável revolução teológica, teleológica e
humana que é a encarnação. Rezar e ir em frente: ir adelante. O seu
lema retorna nada menos do que 130 vezes na sua obra. Ir em frente no mundo e,
ao mesmo tempo, penetrar no mais profundo de si mesmos. Não podemos
"esperar entrar no céu sem antes entrar em nós mesmos", adverte.
O que a sua
espiritualidade nos ensina? Agindo de amor, assim como se diz "de
instinto", a irradiação infinita de cada um dos nossos atos se difunde na
trama infinita do mundo. Através do amor, a mística de Teresa – a sua
feliz contemplação, a sua oração – se torna uma ação e cria uma dinâmica de
onde brota a caridade.
De fato, o
que seria o Amor se se contentasse consigo mesmo? Se não fosse dado à luz pela
caridade? Se não se encarnasse, por sua vez, no amor ao próximo? Não seria
nada. Não seria nada mais do que uma especulação vazia, o contrário mesmo da
espiritualidade de Teresa, que é uma mística da ação amorosa.
Fonte:
http://www.ihu.unisinos.br
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A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 818: A Mãe do Padre Prostituta.
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ENCONTRO VOCACIONAL: Convite.
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Quinta-feira, 05 de março-2015: Homilia do Papa Francisco.
Missa Santa Marta: Parábola do rico opulento foi tema da homilia do Papa. (Lc
16, 19-31)
Cidade
do Vaticano (RV) – Na manhã desta quinta-feira (05/03), o Papa celebrou a
Missa na Casa Santa Marta. Em sua homilia, comentando a
parábola do rico opulento, o Papa observou que não se tratava de um homem mau,
“talvez fosse um homem religioso, a seu modo. Rezava, ia ao templo, oferecia
sacrifícios e ofertas aos sacerdotes, que lhe davam um lugar de honra para se
sentar”. Mas não percebia que à sua porta havia um pobre mendicante, Lázaro,
faminto, cheio de chagas, “símbolo das muitas necessidades que tinha”. O Papa
explica a situação do homem rico:
“Quando
saía de casa, eh não … talvez o carro
com o qual saia tinha os vidros escuros para não ver o lado de fora...
talvez, mas não sei... Mas certamente, sim, a sua alma, os olhos da sua alma
estavam ofuscados para não ver. Somente via dentro de sua vida, e não percebia
o que tinha acontecido a este homem, que não era mau: estava doente. Doente de
mundanidade. E a mundanidade transforma as almas, faz perder a consciência da
realidade: vivem num mundo artificial, feito por eles... A mundanidade
anestesia a alma. E por isso, este homem mundano não era capaz de ver a
realidade”.
E a
realidade é a de tantos pobres que vivem ao nosso redor:
“Muitas
pessoas que levam a vida de maneira difícil, de modo difícil; mas se eu tenho o coração mundano, jamais
entenderei isso. Com o coração mundano não se pode entender a necessidade dos outros. Com o coração mundano pode-se frequentar a igreja,
pode-se rezar, fazer tantas coisas. Mas Jesus, na Última Ceia, na oração ao
Pai, o que pediu? ‘Mas, por favor, Pai, proteja esses discípulos para que não
caiam no mundo, não caiam na mundaneidade.’ É um pecado sutil, é mais que um
pecado: foi um pecador da alma”.
Nestas
duas estórias – afirma o Papa – há duas máximas: uma maldição para o homem que
confia no mundo e uma benção para quem confia no Senhor. Ohomem rico afasta seu coração de Deus:
‘sua alma é deserta’, uma ‘terra salobra em que ninguém reside’ ‘porque os
mundanos, na verdade, estão sós com o seu egoísmo’.
Seu coração está adoentado, tão apegado a este modo de viver mundano que dificilmente podia se curar. Além disso – acrescenta o Papa – enquanto o pobre tem um nome, Lázaro, o rico, não o tem: “não tinha nome, porque os mundanos perdem o nome. São somente um, na multidão de ricos que não precisam de nada”.
Seu coração está adoentado, tão apegado a este modo de viver mundano que dificilmente podia se curar. Além disso – acrescenta o Papa – enquanto o pobre tem um nome, Lázaro, o rico, não o tem: “não tinha nome, porque os mundanos perdem o nome. São somente um, na multidão de ricos que não precisam de nada”.
E
referindo-se ao pedido do homem rico, já nos tormentos do inferno, para que se envie
alguém para advertir seus familiares ainda vivos - e Abraão responde que se não
ouvirem Moisés e os Profetas, não seriam persuadidos nem mesmo se alguém
ressurgisse dos mortos - o Papa afirma: os mundanos querem manifestações
extraordinárias, mas “na Igreja tudo é claro, Jesus falou claramente: aquele é
o caminho. E no fim, uma palavra de consolo:
“Quando
aquele pobre homem mundano, nos tormentos, pede que seja enviado Lázaro com um pouco de água para ajuda-lo, como responde
Abraão? Abraão é a figura de Deus, o Pai. Como responde? ‘Filho, lembre-se...
Os mundanos perderam o nome. E nós também, se tivermos o coração mundano,
perderemos o nome!. Mas não somos órfãos. Até o fim, até o último momento, existe
a segurança que temos um Pai que nos espera. Entreguemo-nos a Ele. Ele nos diz
‘Filho’, em meio àquela mundanidade. Não somos órfãos”
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quarta-feira, 4 de março de 2015
Quem escolhe um novo bispo?
O
direito-dever da nomeação dos bispos volta à atualidade também na
arquidiocese de Trento, na Itália, e repropõe questões demétodo sobre
problemas canônicos e eclesiológicos longe de estarem resolvidos.
A reportagem
é de Luigi Sandri, publicada no jornal Trentino, 02-03-2015. A
tradução é de Moisés Sbardelotto.
Dom Luigi
Bressan, desde março de 1999 pastor da Igreja tridentina, no dia 9 de fevereiro
passado, completou 75 anos e, por isso, segundo as normativas em
vigor desde o pós-Concílio, ele apresentou a sua renúncia ao papa, que vai
decidir quando irá acolhê-la e quando irá nomear o seu sucessor.
O
procedimento, para o mesmo caso, se repete para todas as dioceses da Igreja
latina. Portanto, embora tome impulso a partir de um fato local, aqui abrimos
um discurso de caráter geral.
Nos primeiros
séculos do cristianismo, era o povo inteiro dos batizados que escolhia o
próprio bispo, que, depois, obviamente, era consagrado. Essa práxis também
não era isenta de problemas, e muitas vezes surgiam contrastes entre grupos que
apoiavam candidatos diferentes.
Por essa
razão, pouco a pouco, o direito de escolha foi reservado ao clero e aos nobres
e, depois, apenas ao clero. E, após desentendimentos entre a Cúria Romana e o
império, por fim, o papa se reservou o direito de nomeação – salvo exceções –
para as dioceses latinas.
O Concílio
Vaticano II exaltou o valor teológico da "Igreja local" (a
diocese), mas não mudou os procedimentos de nomeação dos bispos, deixando,
portanto, nas mãos do papa um grande poder, acrescido do fato de que, no rastro
do Concílio, ficou estabelecido – uma novidade absoluta na história da Igreja
romana! – que cada bispo, ao completar 75 anos, apresentaria a sua renúncia ao
Sumo Pontífice que, depois, decidiria se a acolheria.
De fato, não
é de todo evidente que, mesmo depois do Vaticano II, a
"centralização" romana continue inalterada, sem restituir às Igrejas
locais a responsabilidade de escolher o próprio pastor (entre o clero
da diocese ou mesmo de fora, dependendo das circunstâncias e das necessidades).
Nesse
sentido, o teólogo belga-brasileiro José Comblin escreveu:
"Não haverá mudanças de relevo na Igreja romana se não se começar com uma
mudança radical do sistema de nomeação dos bispos", atualmente
nas mãos dos núncios e, depois, da Cúria.
E como mudar?
A esse respeito, circulam várias hipóteses. Por exemplo, se poderia dar peso e
valor aos Conselhos de Pastoral e Presbiteral da diocese,
cujos membros são, de algum modo, eleitos: os dois órgãos seriam envolvidos na
escolha da terna dentro da qual o papa, por fim, escolheria o novo bispo.
Prosseguir na
direção de envolver realmente os fiéis, em modos a serem definidos, na escolha
do próprio pastor pode surpreender apenas aqueles que ignoram a história da
Igreja. E os que são contra a (antiga) tradição são precisamente aqueles que
negam para hoje uma práxis normal e pacífica há tantos séculos.
Portanto,
seria bom se a diocese de Trento, que no século XVI hospedou um Concílio,
abrisse, hoje, um debate sobre uma questão crucial para tornar verdadeiro o Vaticano
II, que definiu a Igreja como "povo de Deus". Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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QUARESMA: Mensagem de Dom João Costa, Carmelita.
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terça-feira, 3 de março de 2015
75 ANOS DO SODALÍCIO DE JUIZ DE FORA: Convite.
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A PALAVRA... Nº 816: O Profeta Elias e São João del Rei.
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segunda-feira, 2 de março de 2015
ORDEM TERCEIRA DO CARMO: São João del Rei.
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A PALAVRA... Nº 815: O Carmo em São João del Rei.
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Exercícios espirituais da Cúria Romana: sem medo de perder a face
Diante de quem está em dificuldade,
usamos a vara da rigidez e das categorias estabelecidas ou o abraço da
misericórdia? Essa foi a última pergunta deixada para a meditação dos presentes
pelo padre Bruno Secondin, na tarde dessa quarta-feira, 25 de fevereiro, na
conclusão do dia dos exercícios espirituais quaresmais, em Ariccia, para o papa
e a Cúria Romana. A reportagem é do jornal L'Osservatore Romano, 26-02-2015. A
tradução é de Moisés Sbardelotto.
No âmbito da reflexão sobre o tema do
"deixar-se surpreender por Deus", o carmelita deteve-se sobre a
leitura do trecho bíblico de Elias e da viúva de Sarepta (1Reis 17, 2-24),
aproximado àquele paralelo, em que Eliseu faz ressurgir o filho da sunamita
(2Reis 4, 25-37).
Um contexto que levou o pregador a
enfatizar um aspecto fundamental na vida de fé, ou seja, o fato de que "os
pobres nos evangelizam".
A viúva pobre que, embora tendo apenas
"um pouco de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra",
hospeda Elias torna-se uma ocasião propícia de crescimento interior para o
profeta.
Elias, salientou o padre Secondin,
"era mal-humorado, agressivo". Os próprios padres da Igreja, ao comentar
essas passagens bíblicas, sugerem que "Deus tenta endireitar Elias para
que se amanse". E o profeta, assim, é enviado para Sarepta, onde recebe
uma primeira lição da mulher: a pobreza e a morte enfrentadas com dignidade.
Inicialmente, o profeta, através do
milagre do alimento que não acaba, se apresenta em vestes poderosas,
taumatúrgicas. Mas depois a morte do filho da viúva o obriga a outra dimensão:
sente-se impotente e só pode invocar a Deus, "confiar-se a Deus em
nudez", reconhecer que só ele tem o poder "de gritar a sua dúvida e
de implorar".
E é então, diante dos seus gestos ternos
e da admissão da sua fraqueza, que a viúva reconhece uma outra face de Deus: o
"Deus de compaixão", o "Deus de misericórdia", o "Deus
que abraça, que carrega, na sua identidade, a nossa ferida".
É uma história que provoca perguntas
para a história pessoal de cada um: "Somos capazes de encontrar os pobres
para chegar a encontrar a verdade? Ou temos medo de perder a face?".
Sabemos reconhecer e abraçar aqueles que têm "um 'bebê morto' no seu
coração: violências, traumas de infância, divisões, horrores..."? A nossa
palavra é aquela pedante do taumaturgo ou "a palavra que implora"?
Diante de situações de dor, "mandamos na frente o canonista", usamos "a
vara" ou nos estendemos "os braços para abraçar"?
Escolhas concretas, atitudes claras,
como as sugeridas também pela primeira meditação da quinta-feira, 26, na qual o
padre Secondin se deteve sobre o tema da justiça. Tema central, porque,
destacou o pregador, "o compromisso com a justiça é parte integrante do
nosso seguimento de Cristo, porque os pobres são os privilegiados do Evangelho:
não é uma mania populista".
Outro episódio da vida de Elias narrado
no primeiro livro dos Reis (21, 1-29) forneceu o impulso para a reflexão. O rei
Acab quer comprar a vinha do humilde Nabot, mas o agricultor rejeita, porque
não quer desperdiçar a herança recebida dos seus pais.
Então, a ímpia rainha Jezabel organiza
uma assembleia ritual com os representantes do povo na qual, graças a duas
falsas testemunhas, acusa Nabot de blasfêmia e o faz matar, permitindo, assim,
que Acab obtenha o seu "brinquedo".
Elias, então, pronuncia a condenação
divina contra Acab, que se arrepende, obtendo de Deus uma atenuação da pena.
Um texto longo, em que as psicologias
dos vários personagens – Acab, o frustrado, Jezebel, a poderosa sem escrúpulos,
Nabot, o piedoso, os representantes do povo privados de consciência e
subjugados por dinâmicas de marca mafiosa – também podem revelar muitos
aspectos das nossas vidas.
Um texto que ofereceu a oportunidade
para que o pregador carmelita fizesse muitas provocações.
Quantas vezes, por exemplo,
"elementos sagrados são usados como cobertura de procedimentos
iníquos"? Verdadeiros "abismos de violência são abertos em nome de
Deus", e "também entre nós, cristãos" se encontra "o sono
da consciência".
Mas, observou o padre Secondin,
"quanto deverão gritar os pobres e os oprimidos?". E, pensando nas
violências que se cometem na África e no Oriente Médio, perguntou-se: "A
consciência dos europeus não tem nada a se criticar?". O apelo que vem das
Escrituras é forte: "Devemos estar do lado de todos os Nabots da terra,
defender os direitos, acolher as vítimas, estimular as consciências, promover
estruturas, porque a terra é Deus, é um dom para a vida de todos e não para os
caprichos de alguns".
Mas a Escritura, disse o pregador,
também propõe uma "pedagogia dos pequenos gestos". Isto é, é preciso
"começar por nós mesmos", converter o próprio estilo de vida, rever o
consumo ("quanto desperdício de alimentos..."), ter transparência no
agir, fazer o próprio dever com honestidade, não exercer a autoridade como
poder e como fonte de privilégios. E ainda: "Despedaçar a espiral do
silêncio, os encobrimentos, os abusos".
O padre Secondin, assim, voltou a
considerar dinâmicas e problemas de interesse planetário: diante de violências
como as da poluição, da grilagem das terras férteis e das águas em detrimento
dos povos locais, ou como as violências financeiras, nas quais, sem escrúpulos,
com um simples "clique", fazem pessoas morrer, devemos recuperar a
força do canto do Magnificat e "ter a coragem de denunciar". Porque
"Deus não suporta os prepotentes".
Eis, então, a pergunta que concluiu a
meditação: "Sabemos nos familiarizar publicamente com os humilhados, com
os descartados pela violência, ou temos medo de perder a face para o
Evangelho"? Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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Artigos do Frei Petrônio de Miranda
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Vaticani
Frei Bruno Secondin: Entrevista.
O religioso carmelita Bruno Secondin (na
foto, à esquerda) acaba de pregar os Exercícios Espirituais ao Papa e à cúria.
Com um método novo e centrado na extraordinária figura do profeta Elias.
Acredita que foi uma “graça” para ele, que se sentiu como “entre irmãos”. O
Papa lhe agradeceu por seu trabalho: “Você conseguiu semear”. O carmelita
semeador também acredita que a Igreja precisa mudar a sua linguagem e que o
Papa “quer proporcionar uma nova alma a todo o sistema curial”. A entrevista é
de José Manuel Vidal e publicada no sítio espanhol Religión Digital,
27-02-2015. A tradução é de André Langer.
Eis
a entrevista.
Impõe
respeito pregar os Exercícios Espirituais ao Papa e à cúria?
É uma bela tradição que o Papa e a cúria
façam os Exercícios Espirituais juntos. Até o Pontificado do Papa Bento XVI
eram feitos no Vaticano e, para as meditações reuniam-se na Capela Redemptoris
Mater. Mas eram mais conferências que meditações e, habitualmente, alguns meses
depois, era publicado o livro com o texto completo das meditações. Não era tão
fácil obter um clima de silêncio e de oração, como se requer nos Exercícios
Espirituais.
O Papa Francisco pensou, ao contrário,
que faria bem à cúria uma autêntica experiência dos Exercícios, fora do
Vaticano, em um clima de silêncio e de oração, no clássico estilo inaciano. Por
isso, foi escolhida uma casa de espiritualidade (em Ariccia, perto de Castel
Gandolfo, a 30 quilômetros de Roma), onde estiveram todos juntos, o Papa, os
cardeais e os bispos. O lugar é bonito e espaçoso e, inclusive, pode-se
garantir a segurança.
Desta forma, o evento converte-se em um
exemplo para todos: também a cúria leva a sério esta atividade espiritual. Eu
não me senti como o diretor que tudo controla, mas como um irmão a mais (tenho
75 anos), um fiel a caminho com minhas fragilidades e minha paixão pelo Senhor.
Procurei compartilhar com eles o amor à Palavra e o desejo de uma Igreja que
não dorme, mas que se deixa guiar pelo “Espírito criador, que fala pelos
profetas”, como dizemos no Credo.
Qual
foi o tema central dos Exercícios e suas ideais chaves?
O título geral foi ‘Servidores e
profetas do Deus vivo’. E o subtítulo: ‘Uma leitura pastoral e sapiencial do
profeta Elias’. Segui o método da lectio divina, ao qual me dedico há muitos
anos e no qual tenho ampla experiência, precisamente na igreja que se encontra
ao lado do Vaticano.
A figura de Elias adapta-se muito bem à
realidade atual: é um profeta sempre a caminho, sob o impulso da Palavra. E tem
que enfrentar problemas semelhantes aos nossos: a busca do sentido na vida, o
fundamentalismo, o diálogo inter-religioso, o fracasso pessoal, a
solidariedade, a instrumentalização de Deus, a intercessão, a defesa do pobre,
o sofrimento sem sentido, etc. Pode-se dizer que até mesmo a geografia na qual
Elias vive tem um sentido sugestivo. Ele está sempre na saída para as
fronteiras (inclusive os lugares mais distantes, como Sarepta e o Monte Horeb),
até o final da sua vida, quando desaparece no meio do fogo no outro lado do
Jordão.
Por
que não fez referência a um tema carmelitano, como seria normal neste ano do
centenário de nascimento de Santa Teresa?
Pensei também neste tema, que teria
encaixado perfeitamente comigo e com este ano. Mas depois optei em ir às
grandes cenas do profeta Elias e utilizá-lo seguindo uma ‘progressão’, que vai
da busca da autenticidade à liberdade interior e à cura, à descoberta de um
Deus diferente, ao caminho da justiça, da solidariedade e da intercessão, para
desembocar na profecia da fraternidade.
Os membros da cúria têm experiências
culturais e espirituais tão diferentes que não é fácil juntá-las. Pareceu-me
que Elias se adaptava perfeitamente, dada a sua importância bíblica e a
originalidade de suas experiências. Além disso, sinto profundamente o desejo de
que, na Igreja, a Palavra ocupe realmente o centro e seja a fonte da
espiritualidade.
A
Santa de Ávila falava de seguidores de Jesus “chagados”, algo que conecta bem
com a ideia de Francisco de converter a Igreja em um hospital de campanha.
Você tem razão. Mas também Elias se
encontrava com situações catastróficas e com emergências imprevistas. Para a
Igreja de hoje, medir-se com este grande profeta pode ser uma ocasião de
inspiração de cara com uma nova criatividade. Tenha presente que quando o Papa
Francisco fala de ‘hospital de campanha’ não quer referir-se ao campo, mas às
batalhas e às guerras, onde se montam precisamente os ‘hospitais de campanha’,
isto é, lugares improvisados e ambulantes. Elias encontra-se em situações
inesperadas, tanto de sofrimento como de iniquidades, isto é, com
extraordinárias experiências de Deus.
A
espiritualidade está na moda. Isso é um benefício ou um problema?
Hoje, a espiritualidade está na moda,
mas em meio a uma situação de profunda confusão. Muito do que se chama
‘espiritualidade’ é apenas marketing, sem dignidade nem seriedade. Devemos
estudar profundamente a inquietação que aninha por debaixo deste fenômeno, mas,
ao mesmo tempo, reconhecer que a espiritualidade está sendo repensada profunda
e seriamente. Eu mesmo tentei fazê-lo nos livros que escrevi durante todos
estes anos. O último que escrevi aborda, precisamente, esta moda da
espiritualidade e oferece critérios de discernimento. Abordo também temas novos
como o corpo, o tempo, a cultura digital, os novos modelos de mística e a crise
atual. Intitula-se ‘Inquietos desejos de espiritualidade. Experiências,
linguagens e estilos’ (Bolonha, Ed. Dehoniana, 2012), com prólogo do cardeal
Ravasi.
Há
uma nova forma de entender a santidade?
Os velhos modelos de santidade seguem
tendo ainda espaço e suscitando atenção, sobretudo através das numerosas
beatificações e canonizações de pessoas que viveram em outro universo cultural
e em outro modelo de Igreja. Mas não suscitam interesse no empenho de seguir
este caminho... Devemos repensar profundamente estes modelos, acolhendo novos
percursos guiados pelo Espírito, que segue operando com muita criatividade.
Devemos mudar inclusive o léxico. Por
exemplo, fala-se de virtudes ‘heróicas’, um termo que não evoca a linguagem
bíblica, mas a linguagem mítica helenística. Jesus não foi um ‘herói’, assim
como nem Maria nem os apóstolos. Foram ‘zaddiq’, ou seja, justos e pios, termos
bíblicos que indicam coisas diferentes das de herói, que exalta inclusive o
esforço pessoal, a unicidade isolada, o superman. E desta santidade comum e
normal há muitos exemplos entre nós, algo que o Papa Francisco recorda com
frequência.
Como
traduzir na linguagem atual os ‘pecados capitais’?
Você coloca, precisamente, um dos
problemas (junto com muitos outros) da linguagem moral e espiritual.
Necessitamos, primeiro, desconstruir a linguagem; do contrário, ninguém entende
nada. Necessitamos fazer um novo exercício de criatividade linguística e
simbólica. Vivemos repetindo velhas antropologias com o uso de termos que já
quase ninguém entende. O Papa Francisco está ajudando a Igreja a mudar a
linguagem. Ele mesmo inventa palavras novas, como doenças curiais, alzheimer
espiritual, etc. E não ajuda apenas com suas palavras, mas também com seus gestos,
com seu estilo, com suas visitas, com seus abraços... muitas coisas se tornam
novas.
Qual
é o segredo, na sua opinião, da sedução que Francisco exerce sobre as pessoas?
O Papa Francisco descobriu o sentir
profundo das pessoas. As pessoas necessitam de alento e de esperança,
humanidade sem formalismos, uma sacralidade direta e espontânea, austeridade
sem farisaísmo, ternura e misericórdia. E as pessoas encontram tudo isso em
Francisco, oferecido com naturalidade e espontaneidade, com esse carinho latino-americano
que nos falta na Europa. É incrível como as pessoas gostam do Papa. E não
apenas os fiéis, mas todos, inclusive pessoas de outras religiões ou ateias.
Cuidado em tocar no Papa Francisco!
Por
que suas reformas estão encontrando tantas resistências?
Não sei se é verdade que há tantas
resistências. Às vezes, vocês, os jornalistas, destacam os contrastes com cores
muito vivas (preto e branco). A reforma da cúria é uma tarefa gigantesca. A
situação não é fruto da última década, mas de séculos de sabedoria e de
reformas, de adaptações e de tentativas, de correções e de esquemas jurídicos.
Tudo isso forma uma espécie de ecossistema. Por isso, qualquer mudança gera
dificuldades, não tanto pela oposição, mas porque tem repercussões complexas e
em rede. O Papa Francisco sabe disso. Está claro que não lhe falta capacidade
estratégica. Mas necessita também de tempo e equilíbrio. Não pode inventar de
um dia para o outro os colaboradores à sua imagem e semelhança. Por isso, quer
proceder com diálogo, com discernimento, passo a passo e com respeito. Sua
preocupação consiste antes em proporcionar uma nova ‘alma’ a todo o sistema. E
ele é o primeiro a viver este novo ‘estilo’, com audácia e liberdade, algo que
salta aos olhos. Porque seu próprio estilo é uma força ‘reformadora’ que não
deve ser subestimada.
O
Papa Francisco pode estar em perigo?
Não exageremos! As pessoas querem
muitíssimo o Papa Francisco. É evidente que pode surgir um fanático a qualquer
momento. Ninguém pode estar absolutamente seguro, nem sequer qualquer um de
nós. Mas creio que a segurança cumpre o seu papel e o Papa não se preocupa com
isso. Uma vez disse aos jornalistas, brincando: “Na minha idade, eu não teria
muito a perder”. Esta serenidade agrada às pessoas, ajuda-as a não viver num clima
de terror e confiar um pouco mais em Deus. E, além disso, há muitas pessoas que
rezam por ele, com amor sincero e não por obrigação.
Uma
última pergunta, Pe. Secondin: o que pode nos dizer sobre a experiência vivida
nestes dias em Ariccia?
Foi uma experiência realmente
excepcional, como qualquer um pode entender. Um clima de silêncio e de oração.
Uma oração bem preparada e bem feita, com uma presença séria de todos os mais
de 80 participantes. Senti, sobretudo no começo, uma emoção natural. Coisas
assim não se vive todos os dias. Depois, o novo método, o insólito tema e,
inclusive o ambiente tão diferente daquele do Vaticano, pesaram muito.
Sentimo-nos todos muito bem. Pude falar inclusive confidencialmente com alguns
participantes, inclusive o Papa Francisco. Trago muitos coisas no coração. Foi
uma graça que espero que produza frutos bons também em mim.
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