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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Todos os Inimigos do Papa

L’Avvenire sai a campo em defesa do Papa. Um Francisco que, a despeito das viradas, começa a ser circundado pelas críticas e mordido pelos lobos. Com um editorial de seu diretor, Marco Tarquinio, com título “A barca de Pedro, os “contra-remadores”, e a confiança em Francisco”, o cotidiano dos bispos desencadeia o último ataque. “Belas as cartas sobre a rispidez saída pré-natalícia contra o nosso Papa – escreve Tarquinio. Um sinal que merece resposta, embora aqui polêmicas tão deselegantes e conduzidas de modo capcioso e deformante não encontrem eco. Em cena permaneceram as verdadeiras palavras e os verdadeiros gestos de Francisco. O Papa da Igreja “pobre para os pobres” e “hospital de campo” no nosso mundo frequentemente feroz com os feridos e os mais débeis”. Mas, quem são os “contra-remadores”? Explica-o um dos leitores de Avvenire: quem “faz publicidade a favor daqueles que remam contra”.
A reportagem é de Marco Ansaldo, publicado pelo jornal La Repubblica, 03-01-2015. A tradução é de Benno Dischinger.
O ataque tinha chegado aos 24 de dezembro, no Corriere della Sera, da parte do escritor Vittorio Messori. “Um gesto combinado – escreve Tarquinio – para fazer rumor com a pretensão de “marcar” o Natal”. Messori de fato se tinha lançado numa requisitória contra Jorge Bergoglio, falando de uma “confissão que voluntariamente teria deixado de fazer, se não me tivesse sido requerida”, definindo Francisco um Papa “imprevisível, a ponto de demover também algum cardeal que tinha estado entre os seus eleitores”. No artigo, acrescentava: “Imprevisibilidade que continua perturbando a tranquilidade do católico mediano”.
Belas, mas poucas as cartas dos leitores publicadas em Avvenire. Muitas, no entanto, as reações que chegam agora da base, de toda a Itália. Do movimento “nós somos Igreja” ao Centro de Estudos “Edith Stein” de Lanciano, de “Uma Igreja de mais vozes” de Ronco di Cossato Biella à Comunidade Le Piagge Firenze (As plagas Florença), e depois a Coordenação das Teólogas Italianas, a Comunidade Michea de Nápoles, o grupo Impegno Missione de Casavatore (Nápoles) com o missionário comboniano Alex Zanotelli, as Comunidades cristãs de base-Itália, de S. Paulo-Roma, de Oregina-Genova, de Norte Milão, a revista “Padres Operários”, o Centro Balducci - Zugliano (Udine). Todos em defesa de uma coleta de assinaturas reunidas sob o endereço firmiamo.it/fermiamo gliattacchia papa Francesco. Entre os primeiros que assinam o apelo, dom Luigi Ciotti, representante do Gruppo Abele e de Libera. Diz Vittorio Bellavite, coordenador de “Noi siamo Chiesa” [Nós somos Igreja]: “Esta tomada de posição vai bem além da polêmica com Messori. Diz respeito à situação geral na Igreja e às difusas, quase sempre silenciosas, hostilidades em relação ao PapaFrancisco”. Explica dom Paolo Farinella, pároco da Igreja de San Torpete, nos cantões de Genova, e autor da iniciativa: “O ataque é mirado e frontal, “requerido”, uma verdadeira declaração de guerra, ameaçadora na substância de uma advertência de cunho mafioso: o Papa é perigoso. É tempo que volte a fazer o Sumo Pontífice e deixe governar a Cúria. O autor não cita os nomes dos “mandantes”, mas se coloca em segurança dizendo que sua intervenção lhe “foi requerida”. Dom Farinella argumenta, e identifica no “ataque frontal de cinco cardeais (Müller, Burke, Brandmüller, Caffara e De Paolis)” o que reforçou “o front dos adversários que veem no Papa Francisco “um perigo” que é preciso bloquear a todo custo”.
O ponto é que o nó da Igreja reformista de Bergoglio chegou ao limite. Ou se dissolve ou se corta. Após a clamorosa renúncia ao pontificado de Bento XVI, o súbito aparecimento de um Pontífice argentino, com o nome desafiador deFrancisco, confundiu os fiéis e a hierarquia. As suas palavras, as tantas iniciativas, até os símbolos adotados (calçados de andador, bolsa de trabalho preta, cruz de prata simples) conquistaram os fiéis. Mas, as reações na Cúria, sobretudo após as bastonadas de Bergoglio sobre as 15 doenças que a infestam, são as mais diversas. Da Sala Clementina alguns cardeais saíram outro dia de cabeça baixa, com as orelhas que tiniam.
E agora a lista dos inimigos do Papa “vindo do fim do mundo” começa a fazer-se plena. Primeiro começou a tagarelice sobre o “Papa estranho”. Depois, ante o claro ímpeto reformista, o diálogo entretido com os não crentes e ateus, no Sínodo de outubro com as aberturas aos divorciados recasados e aos homossexuais, as dúvidas dos conservadores sobre Bergoglio acabaram por nutrir um dossiê encorpado. Uma prática que se robustece nos últimos dias.
Aos 13 de dezembro, no complexo de S. Spirito in Sassia, a dois minutos da Praça São Pedro, houve uma convenção com o título “A crise da família e o caso dos Franciscanos da Imaculada”. Uma reunião na qual a divisão do Instituto dos frades de batina azul, agora comissariados por Francisco, apareceu compactando o front conservador. Os relatórios falavam de “processo desestabilizador entrou na Igreja, e o Sínodo dos Bispos o mostrou de modo evidente” (Claudio Circelli), o de “divórcio, aborto, eutanásia, etapas desta inexorável marcha anti-humana, nos encontramos ante um plano de matriz totalitária” (Elizabetta Frezza). Enfim, “diálogo acolhida amor paz são palavras líquidas mutuadas pela modernidade, que não significam absolutamente nada” (Piero Mainardi).
Todas estocadas contra o Papa. Comenta o professor Mario Castellano, católico e atento observador das vivências do Instituto comissariado: “O tradicionalismo, nas suas várias expressões, tanto aquelas ainda colocadas na Igreja, como aquelas lefebvrianas, que põem em discussão o Magistério a partir do Concílio, seja enfim aquelas a favor da sede-vacante, pela qual é negada a Autoridade papal, escolheu como terreno o conflito dos Frades Franciscanos da Imaculada com o objetivo de minar a unidade do Catolicismo”.
É de 12 de dezembro o artigo de Antonio Socci em “Libero”, no qual se fala de Bergoglio como “ídolo da mídia, dos membros do Parlamento europeu”, mas, sobretudo, “da esquerda no Ocidente”. E não é por acaso que a primeira página de Le Nouvel Observateur de 11 de dezembro fosse dedicada ao Pontífice, sob o título: “Quem quer a pele deFrancisco?” Profetiza em seu livro recém saído na França (“Jusqu’où ira François?“) o vaticanista de Le Figaro, Jean-MarieGuénois: “Terá êxito Francisco?“
De certo ponto de vista, este Papa agitador já teve êxito. Se tudo parasse amanhã, o chute dado ao formigueiro deixará uma marca duradoura. De agora em diante, nada será como antes. Amém.

Os quinze mandamentos

"Esta mensagem de Francisco à Cúria faz um bem enorme a todos quantos. Seria preciso afixá-la por toda parte, nos nossos escritórios, nos nossos salões ou salas de visitas, nos nossos laboratórios. Nas nossas vidas. Nas nossas cabeças"...

1º- Sentir-se “imortal”, “imune”, ou até mesmo “indispensável”.
2º- O “martalismo” (que vem de Marta), a excessiva operosidade daqueles que imergem no trabalho.
3º- O “empedramento” mental e espiritual daqueles que se escondem por trás das cartas e das práticas.
4º- “A excessiva planificação e o funcionalismo”, como se se pudesse “domesticar o Espírito Santo”!
5º- “A má coordenação”.
6º- “A doença de um Alzheimer espiritual” que torna alguns “totalmente dependentes do seu presente.
7º- “A rivalidade e a vanglória”.
8º- “A esquizofrenia existencial”, fruto da “hipocrisia” daqueles que “põem de lado tudo o que ensinam severamente aos outros” até conduzir “uma vida oculta e com frequência dissoluta”.
9°- “As tagarelices, as murmurações e os mexericos”.
10º- “A doença de divinizar os chefes” por motivo de “carreirismo e oportunismo”. 
11°- “A indiferença com os outros”.

12º- “A doença da face funérea “das pessoas cabrestantes e arrogantes, as quais consideram que ser sérias (...) signifique tratar os outros com rigidez, dureza e arrogância (...) enquanto nos faz bem uma boa dose de sadio humorismo!”
13º- “A doença do acumular” enquanto, como cada um sabe, “o sudário não tem bolsos”.
14º- “A doença dos círculos fechados” que pode levar ao “fogo amigo dos colegas de armas”.
15°- “O perfil mundano e os exibicionismos”, que transformam “o serviço em poder”.

Papa Francisco escolhe novos cardeais que vêm da periferia


Se qualquer outro papa tivesse produzido uma lista de cardeais similar a dos recém-designados pelo Papa Franciscono domingo, a reação teria sido de choque e descrença. Em vez disso, só houve uma surpresa momentânea.
A reportagem é de Robert Mickens, editor-chefe da revista Global Pulse. Desde 1986, vive em Roma, onde estudou teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, antes de trabalhar na Rádio Vaticano por 11 anos e, em seguida, como correspondente do jornal The Tablet de Londres. O texto foi publicado no sítio National Catholic Reporter, 5-01-2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.
Cardeais, pela primeira vez, em remansos eclesiásticos como Tonga, Myanmar, Panamá e Cabo Verde? Apenas um empregado da Cúria Romana na lista? Nenhum norte-americano nomeado por Francisco? E duas das tradicionais "sedes cardinalícias" da Itália, Turim e Veneza, esnobadas por Ancona e Agrigento, lugares que não eram liderados por um prelado de chapéu vermelho há mais de 100 anos?
Bem-vindo à era Francisco. O papa jesuíta de 78 anos anunciou os nomes dos 15 novos cardeais eleitores e outros cinco não eleitores com idade superior a 80 anos que se tornarão cardeais no dia 14 de fevereiro, no Vaticano.
Suas escolhas expressam uma preferência por aqueles que estão nas periferias e pelos homens que os pastoreiam, aqueles que estão à margem da Igreja e da sociedade.
Entre os eleitores, cinco vêm da Europa, três da Ásia e da América Latina e dois da Oceania e África. Quatro são de ordens religiosas. Nove deles são ou foram eleitos presidentes das respectivas Conferências Episcopais nacionais. Apenas seis foram nomeados para seus cargos atuais pelo Papa Bento XVI, enquanto outros seis foram colocados lá por João Paulo II e os três restantes por Francisco.
Prelados no comando de uma série de grandes arquidioceses e de alguns escritórios do Vaticano, todos geralmente liderados por cardeais, não receberam os chapéus vermelhos. Em vez disso, Francisco irá colocá-los sobre a cabeça dos bispos aos quais os oficiais romanos não costumam se submeter. Agora, eles vão.
Aqui estão eles e por que foram escolhidos.
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Cinco europeus

Dominique Mamberti, 63 anos, prefeito da Signatura Apostólica
Natural da Córsega francesa e diplomata papal de carreira, Mamberti foi nomeado bispo por João Paulo II. Mas o Papa Francisco nomeou-o para o seu posto atual, tradicionalmente dirigido por um cardeal, em novembro, após ter atuado como "ministro das Relações Exteriores" do Vaticano durante o pontificado de Bento XVI. Pela primeira vez na história recente, Mamberti é única autoridade curial a se tornar cardeal no consistório.
Manuel Macário do Nascimento Clemente, 66 anos, patriarca de Lisboa, Portugal
João Paulo II nomeou esse teólogo e ex-reitor de seminário como bispo auxiliar de Lisboa em 1999, mas o Papa Francisco nomeou-o Patriarca em maio de 2013. Ele é um dos poucos dos novos eleitores em uma diocese tradicionalmente dirigida por um cardeal. Seguindo o protocolo tradicional, a indução de Clemente para o Colégio Cardinalício era esperada. Como atual presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, ele participou do Sínodo extraordinário dos Bispos sobre a família em outubro.


Edoardo Menichelli, 75 anos, arcebispo de Ancona-Osimo, Itália
Desde o século XVI, inúmeros cardeais lideraram essa antiga diocese na costa adriática da Itália, mas nenhum nos últimos cem anos. De 1968 a 1994, o recém-anunciado cardeal trabalhou no Vaticano, onde se tornou um protegido e ex-secretário pessoal do lendário cardeal Achille Silvestrini, um dos melhores diplomatas da Igreja da era pós-Vaticano II (proveniente da "escola Casaroli"). João Paulo II nomeou Menichelli bispo em 1994 e o colocou em seu cargo atual em 2004, estacionando-o naquela que era, naquele tempo, uma sé decididamente não cardinalícia. Ele participou do Sínodo extraordinário como uma das 26 pessoas nomeadas pelo Papa Francisco.

Francesco Montenegro, de 68 anos, arcebispo de Agrigento, Itália
Primeiro cardeal-arcebispo desta antiga diocese da Sicília desde 1786, Montenegro é ex-presidente da Caritas Italiana e atualmente atua como chefe da comissão dos bispos italianos para os migrantes. Bento XVI nomeou-o arcebispo deAgrigento, em 2008. Dentro de sua diocese localiza-se a ilha de Lampedusa, ponto de chegada para muitos refugiados ("boat people") do norte da África e local onde o Papa Francisco fez sua primeira visita pastoral fora de Roma.

Ricardo Blázquez Pérez, 72 anos, arcebispo de Vallodolid, Espanha
Um contrapeso teológico moderado e perene aos prelados mais doutrinariamente conservadores e socialmente combativos da Espanha, o novo cardeal está cumprindo seu segundo mandato não consecutivo como presidente da conferência episcopal nacional. Nomeado bispo por João Paulo II e escolhido para o seu cargo atual, em 2010, porBento XVI, ele é outra escolha surpreendente a receber o chapéu vermelho. Blázquez é apenas o terceiro arcebispo deVallodolid (fundada no século XVI) a se tornar cardeal e o primeiro desde 1919.
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Três asiáticos

Pierre Nguyên Van Nhon, 76 anos, arcebispo de Hanói, no Vietnã
Esta é a sexta vez que a Igreja do Vietnã vê um de seus tornar-se cardeal desde o primeiro chapéu vermelho do país em 1976. Mas é a primeira vez em uma década que um cardeal vai dirigir a arquidiocese de Hanói. Curiosamente, Van Nhon já ultrapassou em um ano a idade normal de aposentadoria e reterá o direito a voto no conclave por apenas mais quatro anos. Nomeado bispo em 1991 por João Paulo II, ele foi promovido a Hanói em 2010 por Bento XVI. Ele atuou como presidente da Conferência Episcopal Vietnamita de 2007 a 2013.

Charles Maung Bo, 66 anos, arcebispo de Yangon, Myanmar
Ex-presidente da conferência episcopal nacional birmaneza, esse salesiano é o primeiro cardeal na história dessa nação do Sudeste Asiático, uma ex-colônia britânica marcada por conflitos étnicos e onde se encontra uma das maiores diferenças de renda entre ricos e pobres do mundo. João Paulo II elevou o designado cardeal para o episcopado em 1990 e promoveu-o a seu cargo atual na maior cidade de Myanmar, em 2003. Dos 51 milhões de cidadãos do país, apenas um pouco mais de 1% são católicos, fazendo desse lugar uma das "periferias" menos habitadas da Igreja.




Francis Xavier Kriengsak Kovithavanij, 65 anos, arcebispo de Bangkok
O ex-reitor de seminário e ex-pároco, formado em Roma, é apenas o segundo cardeal da história da pequena Igreja naTailândia, onde nem mesmo metade de 1% da população de 64 milhões é católica. Bento XVI elevou-o bispo em 2007 e, em seguida, nomeou-o chefe de sua nativa arquidiocese de Bangkok dois anos depois. Seu antecessor, o cardeal aposentado Michael Kitbunchu, completará em breve 86 anos de idade, dando à Tailândia dois cardeais vivos.
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Três latino-americanos

Alberto Suárez Inda, 75 anos, arcebispo de Morelia, do México
O México, que tem a segunda maior população católica do mundo, surpreendentemente teve apenas 10 cardeais que datam de 1958. Esta é a primeira vez um cardeal irá liderar a arquidiocese de Morelia, que nem sequer classifica-se entre as 15 mais populosas das quase 90 dioceses desse país da América do Norte. Mas ela está localizado no estado central de Michoacán, onde os cartéis, milícias de cidadãos, a polícia federal do México e o exército, cada vez mais travam guerras relacionadas às drogas. A escolha do Papa Francisco desse clérigo, formado em Roma, que completará 76 anos em algumas semanas, é claramente destinada a reconhecer e apoiar os esforços da Igreja na cura do conflito. Suarez chefia a arquidiocese desde que João Paulo II o nomeou em 1995.

Daniel Fernando Sturla Berhouet, 55 anos, arcebispo de Montevidéu, Uruguai
Até agora, este país sul-americano, situado entre a Argentina e o Brasil, teve apenas um dos seus no Colégio dos Cardeais, um franciscano capuchinho que deteve o título de cardeal de 1958 a 1979. Agora, ele terá um salesiano com uma vasta experiência de governo em sua própria comunidade e como presidente da Conferência dos Religiosos doUruguai. Bento XVI nomeou-o bispo auxiliar de sua arquidiocese nativa de Montevidéu em 2011, e o Papa Franciscofez dele arcebispo, em fevereiro de 2014.

José Luis Lacunza Maestrojuan, 70, bispo de David, no Panamá
Lacunza, o primeiro cardeal neste pequeno país da América Central de 3,6 milhões de habitantes, é realmente natural de Pamplona, na Espanha. Ele foi para o Panamá quando era um jovem sacerdote na década de 1970 para ser reitor de uma universidade dirigida por sua comunidade religiosa, a Ordem dos Agostinianos Recoletos. João Paulo II o fez bispo auxiliar da arquidiocese da Cidade do Panamá, em 1985, bispo de Chitré em 1994, e então, cinco anos depois, bispo de David. Ele é um dos três novos cardeais que não são arcebispos; sua diocese é a segunda maior do Panamá, localizada no oeste do país. Lacunza serviu dois mandatos não consecutivos como presidente da Conferência Episcopal do Panamá.
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Dois africanos

Berhaneyesus Demerew Souraphiel, 66 anos, arcebispo de Addis Abeba, Etiópia
Nomeado para o cargo atual em 1999 por João Paulo II, ele segue seu antecessor mais recente como sendo o segundo bispo a ser nomeado cardeal na Etiópia. Os católicos representam menos de 1% da população total, onde a maioria é cristã ortodoxa e mais de 30% são muçulmanos. O cardeal designado é vicentino (membro da Congregação da Missão)e fez pós-graduação em sociologia na Universidade Gregoriana, em Roma. João Paulo II nomeou-o a uma série de posições episcopais começando em 1992, antes de nomeá-lo ordinário de Addis Ababa sete anos depois. Ele é o presidente da Conferência Episcopal da Etiópia e da Eritreia desde 1999 e também é chefe de duas outras conferências episcopais regionais. Ele participou do último Sínodo sobre a família no outono.

Arlindo Gomes Furtado, 65 anos, bispo de Santiago de Cabo Verde, Cabo Verde
Esta é a primeira vez que a ex-colônia portuguesa de Cabo Verde vai ter um cardeal. O destinatário do chapéu vermelho é um filho da terra que possui uma licenciatura em Escritura pelo Instituto Pontifício Bíblico de Roma (Biblicum). Ele foi professor, pároco e vigário-geral da diocese até 2003, quando João Paulo II o nomeou bispo da recém criada diocese de Mindelo. Bento XVI nomeou-o para seu posto atual em 2009. Cabo Verde tem apenas meio milhão de habitantes, mas mais do que 90% deles são católicos.
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Dois da Oceania
Arcebispo John Atcherley Dew, 66 anos, arcebispo de Wellington, Nova Zelândia
Uma série de três cardeais-arcebispos dirigiram Wellington praticamente ininterruptamente de 1969 a 2005. Depois de um hiato de 10 anos, o mesmo número de anos que foi arcebispo, Dew será o quarto cardeal. Um pastor prático, de pés no chão, formado na mentalidade do Concílio Vaticano II, Dew tem vasta experiência paroquial e uma educação recebida na Nova Zelândia e Inglaterra. João Paulo II o fez bispo auxiliar de Wellington em 1995 e, em seguida, arcebispo coadjutor nove anos depois. Ele tomou as rédeas da arquidiocese em 2005, quando o cardeal Thomas Stafford Williams, agora com 84 anos, aposentou-se. Ele é o presidente da conferência episcopal do seu país e será visto como uma voz moderada a progressiva no Colégio dos Cardeais. Ele participou do Sínodo sobre a família.

Soane Patita Paini Mafi, 53 anos, bispo de Tonga
O primeiro cardeal da história do pequeno reino de Tonga será o mais jovem membro da elite dos homens de chapéu vermelho, cujo principal objetivo é selecionar o próximo papa. Isso é um voto desproporcionalmente enorme para um lugar que possui um pouco mais de 15.000 católicos, tamanho de uma grande paróquia nos Estados Unidos (que não receberam quaisquer novos cardeais nos dois últimos consistórios). Mafi, de Tonga, na verdade, passou dois anos emBaltimore, quando ele estudou psicologia antes de retornar para casa para atribuições paroquiais e no seminário. Bento XVI nomeou-o bispo coadjutor da diocese no final de 2007, e ele tornou-se o ordinário, vários meses depois.
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Com mais de 80 anos
O Papa Francisco também anunciou que vai dar o chapéu vermelho para seguintes cinco homens, que têm 80 anos ou mais:

José de Jesús Pimiento Rodriguez, 95 anos, arcebispo emérito de Manizales, Colômbia
Pio XII nomeou-o para o episcopado em 1955, e ele participou de todas as quatro sessões do Concílio Vaticano II. Por duas vezes foi presidente da Conferência Episcopal da Colômbia, em seus anos de aposentadoria, tornou-se um padre missionário paroquial, em 1996, após 21 anos à frente da Arquidiocese de Manizales.
Arcebispo Luigi De Magistris, 88 anos, Penitenciário-Mor emérito
De Magistris é oficial do Vaticano que remonta ao final dos anos de 1950, quando ele trabalhava para o Cardeal Alfredo Ottaviani no antigo Santo Ofício (atualmente a Congregação para a Doutrina da Fé). Ele passou a maior parte de sua vida na Penitenciaria Apostólica, a partir de 1979, como regente e, finalmente, como chefe do escritório, de 2001 a 2003. João Paulo II nunca deu-lhe o chapéu vermelho que sempre costumava ir com esse escritório. Seu sucessor também não lhe deu. Evidentemente, era porque De Magistris opunha-se à canonização do fundador do Opus Dei, José Maria Escrivá. De Magistris é bem conhecido em Roma por apoiar a missa em latim e outras causas tradicionalistas.

Arcebispo Karl-Josef Rauber, ex-núncio apostólico
Rauber é uma das chamadas "viúvas de Benelli", diplomatas do Vaticano cujas carreiras eclesiásticas foram moldadas por sua fidelidade ao cardeal Giovanni Benelli, o ex-vice-secretário de Estado do Papa Paulo VI. Rauber foi uma das poucas e próximas "viúvas" (outros sendo os cardeais Justin Rigali, Agostino Cacciavillan e Giovanni Battista Re) que nunca tinham recebido um chapéu vermelho - até agora. O cardeal designado recentemente foi núncio papal por muitos anos e em uma entrevista de 2010, depois de sua última mensagem na Bélgica, criticou Bento XVI pela escolha de André Léonard para substituir o cardeal Godfried Danneels como arcebispo de Maline-Bruxelas. Rauber disse que Léonard não estava na terna (lista de três candidatos) que ele havia enviado a Roma. O Papa Francisco, que é próximo de Danneels, de 81 anos, não fez Léonard um cardeal, e espera-se que ele aceite a renúncia do arcebispo belga quando ele completar 75 anos em maio.

Luis Héctor Villaba, 80 anos, arcebispo emérito de Tucumán, Argentina
O cardeal designado serviu como bispo auxiliar de sua terra natal, Buenos Aires, imediatamente antes do padre jesuítaJorge Mario Bergolio ser nomeado para a mesma posição. Ele serviu como vice-presidente da Conferência Episcopal da Argentina quando o jesuíta e futuro papa era o presidente.
Júlio Duarte Langa, 87 anos, bispo emérito de Xai-Xai, Moçambique
Paulo VI nomeou o cardeal designado como chefe da diocese de Xai-Xai, em 1976, onde permaneceu até sua aposentadoria cerca de 28 anos mais tarde. Atuou como padre de paróquia por muitos anos, e ele supervisionou a tradução dos documentos do Vaticano II para o vernáculo.

DIÁRIO DO FREI PETRÔNIO- 05: Um olhar sobre a vida.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 767. A Beleza da Vida.

domingo, 4 de janeiro de 2015

EPIFANIA DO SENHOR: Homilia do Frei Petrônio.

AirAsia: Em Igreja que tinha 41 fiéis no voo, muitos rezam por milagre

Fiéis rezaram por companheiros de congregação vítimas de acidente aéreo
A igreja evangélica Mawar Sharon, na Indonésia, fez, como de costume, um grande show para sua cerimônia dominical.
Seis cantores dançavam pelo palco, entoando hinos religiosos. Câmeras posicionadas ao redor da igreja registravam todos os momentos.
Atrás do coral, um telão mostrava close-ups dos cantores. Mas, apesar do ar festivo, trata-se de uma congregação de luto.
Neste domingo, 41 de seus integrantes não estavam presentes - eles estavam a bordo do voo QZ8501 da AirAsia, cujos destroços ainda estão sendo resgatados no Mar de Java.
A maioria eram famílias com crianças pequenas, que viajavam a Cingapura para festejar o Ano-Novo.
Aparentemente, combinaram de comprar juntos as passagens aéreas na companhia, para baratear os custos.

Uma semana após a tragédia, a igreja pediu preces para eles.
"Eu conhecia um dos casais (no acidente), eles tinham dois filhos pequenos", diz Caleb Natanielliem, pastor da igreja. "Estive com eles antes do Natal. Agora não posso mais cumprimentá-los."

Comunidade cristã
A Indonésia é um país predominantemente muçulmano. Mas a comunidade cristã na cidade de Surabaya foi duramente atingida pelo acidente aéreo.
O fato de uma única congregação religiosa ter sofrido uma perda tão grande - um quarto dos passageiros a bordo do QZ8501 era de lá - é incompreensível para muitos ali.
"Fiquei muito chocado quando soube da notícia", diz Paulus Angka Wijaya, frequentador da igreja. "Espero que todos os corpos sejam encontrados em breve, para que as famílias possam lhes dar um funeral. Sempre apoiaremos essas famílias, para que elas se mantenham fortes e saibam que não estão sozinhas."

Pastor Natanielliem diz que muitos ainda esperam por um 'milagre'
A centenas de quilômetros de distância dali, as operações de busca prosseguem no Mar de Java. Mas os esforços continuam a ser prejudicados pelo mau tempo. Devagar, corpos vão sendo resgatados - mais quatro foram encontrados, totalizando 34 até agora.
Bambang Soelistyo, chefe da agência indonésia de resgate, disse que mergulhadores tentaram alcançar um objeto que parece ser parte da fuselagem, mas foram forçados a voltar à superfície por conta das fortes correntes marítimas no local.
Leia mais: Por que voos não são rastreados em tempo real?
De volta à igreja, alguns parentes rezam por um milagre.
"Sinto que muitos deles ainda estão esperando por notícias de sobreviventes. Muitos rejeitam a ideia de perder seus entes queridos", diz o pastor Natanielliem.
A comunidade busca força em sua fé, mas, em uma igreja que enxerga sua congregação como uma família, a perda é enrome.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 763. Quem fica parado é poste...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Discurso do Papa Francisco à Cúria Romana – texto integral

Publicamos abaixo o discurso integral proferido pelo Papa à Cúria Romana em 22 de dezembro de 2014:

“Tu estás acima dos querubins, tu que transformaste a miserável condição do mundo quando te fizeste como nós” (Santo Agostinho).

Amados irmãos,
Ao final do Advento, encontramo-nos para as tradicionais saudações. Dentro de alguns dias teremos a alegria de celebrar o Natal do Senhor; o evento de Deus que se faz homem para salvar os homens; a manifestação do amor de Deus que não se limita a dar-nos algo ou a enviar-nos uma mensagem ou alguns mensageiros, doa-se-nos a si mesmo; o mistério de Deus que toma sobre si a nossa condição humana e os nossos pecados para revelar-nos a sua Vida divina, a sua graça imensa e o seu perdão gratuito. É o encontro com Deus que nasce na pobreza da gruta de Belém para ensinar-nos a potência da humildade. Na realidade, o Natal é também a festa da luz que não é acolhida pela gente “eleita”, mas pela gente pobre e simples que esperava a salvação do Senhor.
Em primeiro lugar, gostaria de desejar a todos vós – cooperadores, irmãos e irmãs, Representantes pontifícios disseminados pelo mundo – e a todos os vossos entes queridos um santo Natal e um feliz Ano Novo. Desejo agradecer-vos cordialmente, pelo vosso compromisso quotidiano ao serviço da Santa Sé, da Igreja Católica, das Igrejas particulares e do Sucessor de Pedro.
Como somos pessoas e não números ou somente denominações, lembro de maneira especial os que, durante este ano, terminaram o seu serviço por terem chegado ao limite de idade ou por terem assumido outras funções ou ainda porque foram chamados à Casa do Pai. Também a todos eles e aos seus familiares dirijo o meu pensamento e gratidão.
Desejo juntamente convosco erguer ao Senhor vivo e sentido agradecimento pelo ano que está a nos deixar, pelos acontecimentos vividos e por todo o bem que Ele quis generosamente realizar mediante o serviço da Santa Sé, pedindo-lhe humildemente perdão pelas faltas cometidas “por pensamentos, palavras, obras e omissões”.
E partindo precisamente deste pedido de perdão, desejaria que este nosso encontro e as reflexões que partilharei convosco se tornassem, para todos nós, apoio e estímulo a um verdadeiro exame de consciência a fim de preparar o nosso coração ao Santo Natal.
Pensando neste nosso encontro veio-me à mente a imagem da Igreja como Corpo místico de Jesus Cristo. É uma expressão que, como explicou o Papa Pio XII “brota e como que germina do que é frequentemente exposto na Sagrada Escritura e nos Santos Padres”. A este respeito, São Paulo escreveu: “Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo” (1 Cor 12,12).
Neste sentido, o Concílio Vaticano II lembra-nos que “na edificação do Corpo de Cristo há diversidade de membros e de funções. Um só é o Espírito que, para utilidade da Igreja, distribui os seus vários dons segundo as suas riquezas e as necessidades dos ministérios (cf. 1 Cor 12,1-11)”. Por isto “Cristo e a Igreja formam o «Cristo total» - Christus totus -. A Igreja é una com Cristo».
É belo pensar na Cúria Romana como sendo um pequeno modelo da Igreja, ou seja, um “Corpo” que procura séria e quotidianamente ser mais vivo, mais sadio, mais harmonioso e mais unido em si mesmo e com Cristo.
Na realidade, a Cúria Romana é um corpo complexo, composto de muitos Dicastérios, Conselhos, Departamentos, Tribunais, Comissões e de numerosos elementos que não têm todos a mesma tarefa, mas são coordenados para um funcionamento eficaz, edificante, disciplinado e exemplar, não obstante as diversidades culturais, linguísticas e nacionais dos seus membros.
Em todo o caso, sendo a Cúria um corpo dinâmico, ela não pode viver sem alimentar-se e sem cuidar de si. De facto, a Cúria – como a Igreja – não pode viver sem ter uma ralação vital, pessoal, autêntica e sólida com Cristo. Um membro da Cúria que não se alimenta quotidianamente com aquele Alimento tornar-se-á um burocrata (um formalista, um funcionalista, um mero empregado): um ramo que seca e pouco a pouco morre e é lançado fora. A oração diária, a participação assídua nos Sacramentos, de modo especial, da Eucaristia e da reconciliação, o contacto quotidiano com a palavra de Deus e a espiritualidade traduzida em caridade vivida são o alimento vital para cada um de nós. Que todos nós tenhamos bem claro que sem Ele nada poderemos fazer (cf Jo 15, 8).
Consequentemente, a relação viva com Deus alimenta e fortalece também a comunhão com os outros, ou seja, quanto mais estivermos intimamente unidos a Deus tanto mais estaremos unidos entre nós porque o Espírito de Deus une e o espírito do maligno divide.
A Cúria está chamada a melhorar-se, a melhorar-se sempre e a crescer em comunhão, santidade e sabedoria a fim de realizar plenamente a sua missão. No entanto, ela, como todo corpo, como todo corpo humano, está exposta também às doenças, ao mau funcionamento, à enfermidade. E aqui gostaria de mencionar algumas destas prováveis doenças, doenças curiais. São doenças mais costumeiras na nossa vida de Cúria. São doenças e tentações que enfraquecem o nosso serviço ao Senhor. Penso que nos ajudará o “catálogo” das doenças – nas pegadas dos Padres do deserto, que faziam aqueles catálogos – dos quais falamos hoje: ajudar-nos-á na nossa preparação ao Sacramento da Reconciliação, que será um passo importante de todos nós em preparação do Natal.

1. A doença do sentir-se “imortal”, “imune” ou até mesmo “indispensável” pondo de lado os controles necessários e habituais. Uma Cúria que não faz autocrítica, que não se actualiza, que não procura melhorar é um corpo enfermo. Uma visita ordinária aos cemitérios poderia ajudar-nos a ver os nomes de tantas pessoas, algumas das quais pensassem talvez que eram imortais, imunes e indispensáveis! É a doença do rico insensato do Evangelho que pensava viver eternamente (cf Lc 12, 13-21) e também daqueles que se transformam em senhores e se sentem superiores a todos e não ao serviço de todos. Esta doença deriva muitas vezes da patologia do poder, do “complexo dos Eleitos”, do narcisismo que fixa apaixonadamente a sua imagem e não vê a imagem de Deus impressa na face dos outros, principalmente dos mais fracos e necessitados. O antídoto para esta epidemia é a graça de nos sentirmos pecadores e de dizer com todo o coração «Somos servos inúteis. Fizemos o que devíamos fazer» (Lc 17, 10).

2. Outra doença: a doença do “martalismo” (que vem de Marta), da excessiva operosidade: ou seja, daqueles que mergulham no trabalho, descuidando, inevitavelmente, “a melhor parte”: sentar-se aos pés de Jesus (cf Lc 10,38-42). Por isto Jesus chamou os seus discípulos a “descansar um pouco’” (cf Mc 6,31) porque descuidar do descanso necessário leva ao estresse e à agitação. O tempo do descanso, para quem levou a termo a sua missão, é necessário, obrigatório e deve ser lavado a sério: no passar um pouco de tempo com os familiares e no respeitar as férias como momentos de recarga espiritual e física; é necessário aprender o que ensina Coelet que «para tudo há um tempo» (3,1-15).

3. Há ainda a doença do “empedernimento” mental e espiritual, ou seja, daqueles que possuem um coração de pedra e são de “dura cerviz” (At 7,51-60); daqueles que, com o passar do tempo, perdem a serenidade interior, a vivacidade a audácia e escondem-se atrás das folhas de papel, tornando-se “máquinas de práticas” e não “homens de Deus” (cf Hb 3,12). É perigoso perder a sensibilidade humana necessária que nos faz chorar com os que choram e alegrar-se com os que se alegram! É a doença dos que perdem “os sentimentos de Jesus ” (cf Fl 2,5-11) porque o seu coração, com o passar do tempo, endurece e torna-se incapaz de amar incondicionalmente ao Pai e o próximo (cf Mt 22,34-40). Ser cristão, com efeito, significa ter os mesmos sentimentos de Jesus Cristo» (Fl 2,5), sentimentos de humildade e de doação, de desapego e de generosidade.

4. A doença da planificação excessiva e do funcionalismo. Quando o apóstolo planifica tudo minuciosamente e pensa que, fazendo uma perfeita planificação, as coisas efectivamente progridem, tornando-se, assim, um contabilista  ou um comercialista. Preparar tudo bem é necessário, mas sem jamais cair na tentação de querer encerrar e pilotar a liberdade do Espírito Santo, que é sempre maior, mais generosa do que toda a planificação humana (cf Jo 3,8). Cai-se nesta doença porque «é sempre mais fácil e cómodo adaptar-se às próprias posições estáticas e imutadas. Na realidade, a Igreja mostra-se fiel ao Espírito Santo na medida em que não tem a pretensão de regulamentá-lo e de domesticá-lo… - domesticar o Espírito Santo! - … Ele é frescor, fantasia, novidade».

5. A doença da má coordenação. Quando os membros perdem a comunhão entre si e o corpo perde a sua funcionalidade harmoniosa e a sua temperança, tornando-se uma orquestra que produz barulho, porque os seus membros não cooperam e não vivem o espírito de comunhão e de equipe. Quando o pé diz ao braço: “não preciso de ti”, ou a mão à cabeça: “quem manda sou eu”, causando, assim, mal-estar ou escândalo.
6. Há também a doença do “alzheimer espiritual”: ou seja, o esquecimento da “história da salvação”, da história pessoal com o Senhor, do «primeiro amor» (Ap 2,4). Trata-se de uma perda progressiva das faculdades espirituais que num intervalo mais ou menos longo de tempo causa graves deficiências à pessoa, tornando-a incapaz de exercer algumas atividades autónomas, vivendo num estado de absoluta dependência das próprias visões, tantas vezes imaginárias. É o que vemos naqueles que perderam a memória do seu encontro com o Senhor; naqueles que não têm o sentido deuteronómico da vida; naqueles que dependem completamente do seu presente, das suas paixões, caprichos e manias; naqueles que constroem em torno de si barreiras e hábitos, tornando-se, sempre mais escravos dos ídolos que esculpiram com as suas próprias mãos.

7. A doença da rivalidade e da vanglória. Quando a aparência, as cores das vestes e as insígnias de honra se tornam o objectivo primordial da vida, esquecendo as palavras de São Paulo: «Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses , e sim os dos outros» (Fl 2,1-4). É a doença que nos leva a ser homens e mulheres falsos, e a vivermos um falso “misticismo” e um falso “quietismo”. O mesmo São Paulo os define «inimigos da Cruz de Cristo» porque se envaidecem da própria ignomínia e só têm prazer no que é terreno» (Fl 3,19).
8. A doença da esquizofrenia existencial. É a doença dos que vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do vazio espiritual progressivo que formaturas ou títulos académicos não podem preencher. Uma doença que atinge frequentemente aquele que, abandonando o serviço pastoral, se limitam aos afazeres burocráticos, perdendo, assim, o contacto com a realidade, com as pessoas concretas. Criam, assim, um seu mundo paralelo, onde colocam à parte tudo o que ensinam severamente aos outros e começam a viver uma vida oculta e muitas vezes dissoluta. A conversão é por demais urgente e indispensável para esta gravíssima doença (cf Lc 15,11-32).

9. A doença das bisbilhotices, das murmurações e do mexerico. Já falei muitas vezes desta doença, mas nunca é suficiente. É uma doença grave, que começa simplesmente, quem sabe, para trocar duas palavras e se apodera da pessoa, transformando-a em “semeadora de cizânia” (como satanás), e em tantos casos “homicida a sangue frio” da fama dos seus colegas e confrades. É a doença das pessoas cobardes que, não tendo a coragem de falar directamente, falam pelas costas. São Paulo nos adverte: «Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes» (Fl 2,14-18). Irmãos, guardemo-nos do terrorismo das maledicências!

10. A doença de divinizar os chefes: é a dos que cortejam os Superiores, esperando obter a benevolência deles. São vítimas do carreirismo e do oportunismo, honrando as pessoas e não a Deus (cf Mt 23,8-12). São pessoas que vivem o serviço, pensando exclusivamente no que devem obter e não no que devem dar. Pessoas mesquinhas, infelizes e inspiradas só pelo seu próprio egoísmo (cf Gal 5,16-25). Esta doença poderia atingir também os Superiores, quando cortejam alguns seus colaboradores para obter a sua submissão, lealdade e dependência psicológica, mas o resultado final é uma verdadeira cumplicidade.

11. A doença da indiferença para com os outros. Quando alguém pensa somente em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas. Quando o mais especializado não coloca o seu conhecimento ao serviço dos colegas menos especialistas. Quando se chega ao conhecimento de algo e o esconde para si, ao invés de partilhar positivamente com os outros. Quando, por ciúme ou por astúcia, se sente alegria ao ver o outro cair, ao invés de erguê-lo e encorajá-lo.

12. A doença da cara fúnebre. Quer dizer, das pessoas grosseiras e sisudas que pensam que, para ser sérias, é necessário assumir as feições de melancolia, de severidade e tratar os outros – principalmente os que consideram inferiores – com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a severidade teatral e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e de insegurança. O apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa amável, serena e alegre que transmite alegria por toda parte onde quer que se encontre. Um coração repleto de Deus é um coração feliz que irradia e contagia de alegria todos os que estão à sua volta: é o que se vê imediatamente! Não percamos, portanto, aquele espírito jovial, cheio de humor, e até autoirónico, que nos torna pessoas amáveis, mesmo nas situações difíceis. Quanto bem nos faz uma boa dose de sadio humorismo! Far-nos-á muito bem recitar muitas vezes a oração de São Tomás Moro: rezo-a todos os dias; me faz bem.

13. A doença de acumular: quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial no seu coração, acumulando bens materiais, não por necessidade, mas só para sentir-se seguro. Na realidade, nada de material poderemos levar connosco, porque “a mortalha não tem bolsos” e todos os nossos tesouros terrenos – mesmo que sejam presentes – jamais poderão preencher aquele vazio; pelo contrário, torná-lo-ão cada vez mais exigente e mais profundo. A estas pessoas o Senhor repete: «Dizes: sou rico, faço bons negócios, de nada necessito – e não sabes que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu ... Reanima, pois, o teu zelo e arrepende-te» (Ap 3,17-19). A acumulação só pesa e freia inexoravelmente o caminho! E penso numa anedota: um tempo, os jesuítas espanhóis descreviam que a Companhia de Jesus era como a “cavalaria leve da Igreja”. Lembro-me da mudança de um jovem jesuíta que, enquanto carregava num caminhão os seus muitos bens: bagagens, livros, objectos e presentes, ouvi um velho jesuíta, que estava a observá-lo, dizer com um sorriso sábio: e esta seria a “cavalaria leve da Igreja?”. As nossas mudanças são um sinal desta doença.

14. A doença dos círculos fechados onde à pertença ao grupinho se torna mais forte do que a pertença ao Corpo e, em algumas situações, ao próprio Cristo. Também esta doença começa sempre por boas intenções, mas com o passar do tempo, escraviza os membros, tornando-se um câncer que ameaça a harmonia do Corpo e causa tanto mal – escândalos – especialmente aos nossos irmãos menores. A autodestruição ou o “tiro amigo” dos camaradas é o perigo mais sorrateiro. É o mal que atinge a partir de dentro; e, como diz Cristo, «todo o reino dividido contra si mesmo será destruído» (Lc 11,17).

15. E a última: a doença do proveito mundano, dos exibicionismos, quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter dividendos humanos ou mais poder; é a doença das pessoas que procuram insaciavelmente multiplicar poderes e, com esta finalidade, são capazes de caluniar, de difamar e de desacreditar os outros, até mesmo nos jornais e nas revistas. Naturalmente para se exibirem e se demonstrarem mais capazes do que os outros. Também esta doença faz muito mal ao Corpo porque leva as pessoas a justificar o uso de todo o meio, contanto que atinja o seu objectivo, muitas vezes em nome da justiça e da transparência! E vem-me aqui à mente a lembrança de um sacerdote que chamava os jornalistas para lhes contar – e inventar – coisas privadas e reservadas dos seus confrades e paroquianos. Para ele a única coisa importante era ver-se nas primeiras páginas, porque assim se sentia “potente e convincente”, causando tanto mal aos outros e à Igreja. Pobrezinho!
Irmãos, estas doenças e tais tentações são naturalmente um perigo para todo cristão e para toda a Cúria, Comunidade, Congregação, Paróquia, Movimento eclesial e podem atingir quer em nível individual quer comunitário.
É necessário esclarecer que só o Espírito Santo - a alma do Corpo Místico de Cristo, como afirma o Credo Niceno-Constantinopolitano: «Creio... no Espírito Santo, Senhor e que dá vida» - pode curar todas as enfermidades. É o Espírito Santo que sustenta todo o esforço sincero de purificação e toda boa vontade de conversão. É Ele que nos faz compreender que todo o membro participa da santificação do Corpo ou do seu enfraquecimento. É Ele o promotor da harmonia: “Ipse harmonia est”, diz São Basílio. Santo Agostinho diz-nos: «Enquanto uma parte aderir ao corpo, a sua cura não é desesperada; mas o que foi cortado não pode nem curar-se nem sarar».
O restabelecimento é também fruto da consciência da doença e da decisão pessoal e comunitária de tratar-se, suportando pacientemente e com perseverança a terapia.
Somos chamados, portanto – neste tempo de Natal e por todo o tempo do nosso serviço e da nossa existência - a viver «pela prática sincera da caridade, crescendo em todos os sentidos, naquele que é a Cabeça, Cristo. É por Ele que todo o Corpo – coordenado e unido por conexões que estão ao seu dispor, trabalhando cada um conforme a actividade que lhe é própria – efectua esse crescimento , visando à sua plena edificação na caridade» (Ef 4,15-16).
Amados irmãos!
Certa vez li que os sacerdotes são como aviões: só fazem notícia quando caem, mas há tantos que voam. Muitos criticam e poucos rezam por eles. É uma frase muito simpática, mas também muito verdadeira, porque delineia a importância e a delicadeza do nosso serviço sacerdotal e quanto mal poderia causar um só sacerdote que “cai”, a todo o Corpo da Igreja.
Portanto, para não cair nestes dias em que nos preparamos à Confissão, peçamos à Virgem Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, que cure as feridas do pecado que cada um de nós tem no seu coração e que ampare a Igreja e a Cúria a fim de que sejam sadias e saneadoras; santas e santificadoras para a glória do seu Filho e para a nossa salvação e do mundo inteiro. Peçamos a Ela que nos faça amar a Igreja como a amou Cristo, seu Filho e nosso Senhor, e que tenhamos a coragem de nos reconhecermos pecadores e necessitados da sua misericórdia e que não tenhamos medo de abandonar a nossa mão entre as suas mãos maternais.

Os melhores votos de um santo Natal a todos vós, às vossas famílias e aos vossos colaboradores. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim! Obrigado de coração!
Fonte: Rádio Vaticana.

PE. PEDRO, DE LAGOA DA CANOA-AL: Mensagem de Natal.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

NATAL COM FREI PETRÔNIO EM ALAGOAS: Convite

A PALAVRA DO FREI ADAILSON: Os Objetivos da Nossa Vida.

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO. Nº 757. Caratinga e os Carmelitas.

Papa à Cúria Romana: quinze doenças e tentações para um exame de consciência

O Papa Francisco recebeu em audiência na Sala Clementina os membros da Curia Romana para os tradicionais votos de Boas Festas. No seu discurso o Santo Padre referiu as quinze doenças da Cúria convidando todos a pedirem perdão a Deus que “nasce na pobreza da gruta de Belém para nos ensinar a potência da humildade”. O Papa pede um verdadeiro exame de consciência na preparação do Natal.
Ao apontar estas quinze doenças ou tentações o Papa Francisco esclarece que não dizem respeito apenas à Cúria Romana mas são um perigo para qualquer cristão, diocese, comunidade, congregação, paróquia e movimento eclesial.
O Papa Francisco observou que “seria belo pensar na Cúria Romana como um pequeno modelo de Igreja, ou seja, como um corpo que tenta seriamente e quotidianamente de ser mais vivo, mais são, mais harmonioso e mais unido em si próprio e com Cristo.”
O Santo Padre afirmou ainda a Igreja não pode viver sem ter uma relação vital, pessoal e autênctico com Cristo. “Vai-nos ajudar o catálogo das doenças, na esteira dos padres do deserto” – afirmou o Papa Francisco que passou a apresentar as quinze doenças ou tentações:
1-Sentir-se imortal ou indispensável – “Uma Curia que não faz auto-crítica, que não se atualiza é um corpo enfermo”. É o “complexo dos eleitos, do narcisismo”;
2-Martalismo – provêm de Marta – é a doença do excesso de trabalho – os que trabalham sem usufruirem do melhor. A falta de repouso leva ao stress e à agitação;
3-A mentalidade dura – ou seja, quando se perde a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e nos escondemos atrás de papeis, deixando de ser “homens de Deus”;
4-A excessiva planificação – “quando o Apóstolo planifica tudo minuciosamente e pensa que assim as coisas progridem torna-se num contabilista”. É a tentação de querer pilotar o Espírito Santo;
5-Má coordenação – quando se perde a comunhão e o “corpo perde a sua harmoniosa funcionalidade”;
6-O Alzheimer espiritual – esquecer a história do encontro com Deus. Perda da memória com o Senhor. Criam muros e são escravos de ídolos.
7-Rivalidade e vã glória – quando o objetivo da vida são as honorificiências. Leva-nos a ser falsos e a viver um falso misticismo.
8-Esquizofrenia existencial – “vivem uma vida dupla fruto da hipocrisia típica do mediocre e do progressivo vazio espiritual que livenciaturas e títulos académicos não podem preencher”. Burocratismo e distância da realidade. Uma vida paralela.
9-Mexericos – nunca é demais falar desta doença. Podem ser homicidas a sangue frio. “É a doença dos velhacos que não tendo a coragem de falar diretamente falam pelas costas”. Defendamo-nos do terrorismo dos mexericos;
10-Cortejar os chefes – Carreirismo e oportunismo. “Vivem o serviço pensando unicamente àquilo que devem obter e não ao que devem dar”. Pode acontecer também aos superiores;
11-Indiferença perante os outros – quando se esconde o que se sabe. Quando por ciúme sente-se alegria em ver a queda dos outros em vez de o ajudar a levantar”;
12- Cara fúnebre – para ser sérios é preciso ser duros e arrogantes. “A severidade teatral e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e insegurança”. “O apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa cortês, serena, entusiasta e alegre e que transmite alegria...”. “Como faz bem uma boa dose de são humorismo”;
13-Acumular bens materiais – “Quando o apóstolo tentar preencher uma vazio existencial no seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas só para sentir-se seguro”;
14-Círculos fechados – viver em grupinhos. Inicia com boas intenções mas faz cair em escândalos;
15-O lucro mundano e exibicionismo – “quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poder.
O Papa Francisco concluiu o seu discurso recordando de ter lido uma vez que “os sacerdotes são como os aviões, fazem notícia só quando caiem...”. “Esta frase” – observou o Papa – “é muito verdadeira porque delineia a importância e a delicadeza do nosso serviço sacerdotal e quanto mal poderia causar um só sacerdote que cai a todo o Corpo da Igreja”. (RS)