Total de visualizações de página

Seguidores

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Comunidade: Compartilhando a experiência de Deus

FREI JOSEPH CHALMERS, O. CARM.
             Comunidade ou fraternidade é um aspecto essencial da nossa vocação Carmelita. Nós todos sabemos isto, mas todos temos consciência que a vida comunitária está longe da perfeição (de ser perfeita). Nós sabemos que na Ordem há toda sorte de interpretações a respeito da natureza da comunidade. Nós temos comunidades que rezam juntas, comem juntas e recreiam juntas tudo se baseando na regra (tudo numa base regular). Nós temos outras comunidades onde os membros nunca rezam juntos e raramente se encontram exceto quando se cruzam pelo corredor (passam um pelo outro no corredor). Nós temos comunidades grandes e comunidades pequenas de dois (de duas pessoas). Outros carmelitas vivem sozinhos ou por escolha pessoal ou devido a uma particular determinação apostólica de sua Província.
            Eu não vou expor nenhum modelo particular de comunidade. Eu acredito que a Ordem necessita expressar uma variedade de estilos de vida comunitária. Isto acrescenta à riqueza da Ordem (isto enriquece a Ordem). Na Ordem nós temos diferentes pessoas com diferentes necessidades e diferentes expectativas e então é bom Ter diferentes estilos para responder a estas diferenças na natureza humana.
            Em vez disso, eu gostaria de olhar o por que da vida comunitária, apesar se ser uma parte essencial de nossa vocação nem sempre traz grande alegria aos membros e por que é compreensível que algumas pessoas possam procurar evitar viver em comunidade.
            O subtítulo da Ratio é “Uma Jornada de transformação” e que descreve bem a meta da vida Cristã. Nós estamos para ser transformados em Deus e esta transformação deve pelo menos começar (já começar) durante nossa existência terrestre. Nós não somos transformados por nós mesmos, mas nos e através de nossos relacionamentos (relações) com as outras pessoas. O ser humano necessita um do outro; este é o caminho que nós fizemos e é através da interação com outros seres humanos que nós crescemos emocionalmente. Tradicionalmente a vida eremítica é considerada perigosa para iniciantes e que somente os avançados espiritualmente poderiam tentar viver este tipo de vida (?). Apesar do fato que a interação com o outro ser humano seja essencial para a saúde emocional, espiritual, e psicológica, ela freqüentemente causa grandes problemas. Algumas pessoas poderiam causar problemas até mesmo numa casa vazia (?)! O problema, eu penso, repousa na estrutura da natureza humana, que é falha. Os escritores bíblicos contam-nos a estória da Queda para explanar a triste situação da humanidade. Teólogos através dos tempos tentaram encontrar uma explicação adequada para o problema. Eu estou sugerindo uma possibilidade e neste caminho (deste modo) talvez entender mais o que pode ser feito a respeito do problema.
            Nós nascemos dentro de um mundo decaído. Como nós viemos ao mundo, nós assumimos a condição humana que significa que nos experimentamos como separados de Dhheus, que é a fonte de todo ser, e fora de quem o coração humano não pode ter (finalmente) nenhuma felicidade. A jornada espiritual é o retorno à nossa Fonte. (Assim) nossos corações estão sem descanso até que eles encontrem seu descanso em Deus. Ao nascermos nós estamos não completamente formados e a habilidade de usar a razão chega lentamente. Um bebê é indefeso e assim é necessitado de amor, de sentimento de segurança e ter suas necessidades básicas  satisfeitas. O coração humano, embora mesmo no corpinho de um bebê é uma imensa caverna. O coração humano e feito por Deus e somente Deus pode completamente e finalmente satisfaze-lo. As necessidades de um bebê por amor, por segurança e por sobrevivência são infinitas e nem pais, por mais maravilhosos que sejam, podem satisfazer completamente estas necessidades. Como uma criança cresce, ele ou ela começa a compensar por aquilo que é sentido como falta (carência).Objetivamente uma criança pode parecer ter tudo mas é a experiência subjetiva que é importante. Se eu de fato não me sinto amado, não me sinto seguro, não sinto algum controle do meu ambiente, (whatever the reality might be), eu encontrarei caminhos para compensar por aquilo que eu sinto que está (faltando). Muito rapidamente a criança desenvolve pequenos caminhos de buscar afeto, de ganhar controle de sua vida e ficar segura (making sure) que ele ou ela sobreviverá em todas as circunstâncias. Isto que a criança “acredita” a nível profundo trará felicidade                                                                                                         Com a chegada da razão, esta faculdade é usada para dar suporte aos caminhos que o indivíduo encontra para obter felicidade (?). A família e o background familiar também dão suporte a estes métodos compensatórios, por exemplo, se “meu pai é maior que o seu pai”, ou se “minha escola é melhor que a sua escola”, ou se “o meu pais é melhor que o seu pais”, ou se “a minha Ordem é maior que a sua Ordem”, ou se “a minha religião é melhor que a sua religião”, eu  sentirei segurança, felicidade e mais no controle da minha vida. Estes caminhos de busca de felicidade podem ser chamados de falso eu (falso self).
            Eu acredito que o conceito de falso eu é crucial para a jornada espiritual.  O chão (ground) de todo ser é Deus. Deus é a fonte do meu verdadeiro eu. O falso self é à parte de mim que se sente (?)separada de Deus e que então busca felicidade em caminhos que nunca satisfarão. A jornada espiritual envolve a (implica na) morte do falso eu e o nascimento do verdadeiro eu. O falso eu é fundamentalmente autocentrado (self-centred), buscando fortalecer (bolster) o ego frágil em (por) todos os caminhos possíveis. O falso eu se desenvolve em qualquer ambiente e procurará rodear/cercar-se a si mesmo com símbolos de estima, segurança e controle que são buscados (prized) no ambiente. Conseqüentemente em uma sociedade rica, uma pessoa pode procurar cercar-se com carros, ou roupas caras; em um ambiente pobre, o indivíduo pode sentir-se melhor se ele tem uma galinha quando o seu vizinho não tem nenhuma. Apesar (whatever) da situação (das diferenças), o processo é o mesmo (?).
            O que tudo isto tem a ver conosco? Deixem-me contar uma estória para tentar explanar. Era uma vez, havia um jovem rapaz de uma família católica, mas este jovem tornou-se relaxado em sua prática religiosa (de fé) e deu-se aos prazeres do mundo. Apesar de ir à igreja ele freqüentava bares. Toda noite juntava-se com seus amigos em um bar e bebia muita cerveja. Um por um se seus amigos cairiam de bêbados, mas este jovem rapaz era muito forte e tinha muita capacidade para o álcool. Seu maior prazer era sair do bar ao final da noite e deixar seus amigos bêbados caídos ao chão. A mãe deste jovem nunca cessou de rezar por ele e um dia suas orações foram ouvidas (encontraram resposta). Ele estava de repente convertido de volta a Deus. Ele foi confessar-se e começou a ir à igreja todos os dias. Logo, ele estava insatisfeito com isso e queria fazer mais por Deus. Então ele finalmente se tornou um monge trapista. Ele era um modelo de monge e ninguém poderia (conseguia) encontrar nele falta alguma. Quando chegou a quaresma, começou o grande jejum monástico. Os monges comem somente pão e água durante o dia (throughout). Naturalmente, os monges idosos e doentes recebiam permissão especial para comer um pouco extra - alguma carne ou ovo.  No transcorrer (?) da quaresma, gradualmente, um por um dos monges foram sucumbindo (?) - e a cada um foi dada uma permissão especial para comer um pouco extra.  Todos, exceto um. Nosso jovem amigo assumiu o jejum monástico perfeitamente. Ao final da Quaresma, ele olhou ao redor no refeitório aos seus colegas monges e experimentou o mesmo sentimento que costumava ter quando se levantava do bar deixando seus amigos deitados (?) no chão. Ao invés de beber seus amigos debaixo da mesa, ele agira estava jejuando-os debaixo da mesa. O jovem rapaz tinha mudado o grande objetivo de sua vida, mas seu coração não mudou. Lá estava um coração mundano batendo sob um hábito religioso.
            O falso eu muito facilmente se adapta à Vida Religiosa e está/sente-se (?) muito em casa nesse ambiente. Por isso os religiosos, sob a dominação/ Domínio do falso eu, procurará felicidade colhendo (?) os símbolos de estima, segurança, e controle que são prevalentes na Vida Religiosa. É de se esperar que todos superiores e formadores estejam livres do falso eu, mas eu não apostaria muito dinheiro nisso! É possível buscar tais posições de autoridade porque elas oferecem o que o falso eu procura (?).\ - estima, segurança, e controle.
             O problema com o falso eu é que suas motivações nos estão escondidas a menos que nós levemos seriamente o chamado de Cristo para segui-lo na jornada espiritual. O seguimento de Cristo conduz inevitavelmente à cruz. Nossa tradição carmelitana fala da noite escura. Em vista de que o verdadeiro eu, feito à imagem e semelhança de Deus, possa nascer, o falso eu deve morrer. Isto naturalmente envolve abraçar a cruz e passar através da noite escura. Uma parte da escuridão é causada/provocada (?) quando começamos a ver que nossa motivação não era tão santa quanto nós pensávamos que era e quando nós começamos a compreender/entender como é difícil muda-la.
            Contemplação não é simplesmente um elemento do carisma Carmelitano entre outros. Ele é o elemento que sustenta todos os outros juntos. Ser um contemplativo quer dizer tomar a sério o chamado de Jesus para segui-lo. E ser/estar/estando (?) preparado para perder a própria vida em vista de recebe-la de volta das mãos de Deus. Contemplação não é um prêmio por ser muito santo; ela é uma necessidade (?) em vista de ser verdadeiramente santo, (???) isto é, ser parecido com Deus. O contemplativo é um amigo maduro de Jesus Cristo e está querendo (desejando !) livrar-se do falso eu para que o verdadeiro eu possa nascer. A purificação e transformação, que ‘e parte do processo contemplativo, vai sempre (?) mais profundo se nós estamos querendo cooperar. O falso eu está intervolvido (?)na própria (?) estrutura do nosso ser e então o processo de purificação é um longo processo (?). Um amigo meu usa o exemplo de uma mulher tricotando uma roupa. Quando ela está quase pronta, ela percebe que no meio da peça, há um ponto errado. O que ela faz? Ela pode deixa-la como está com o ponto errado no meio ou começar a desfazer tudo. Deus escolhe último processo (?) porque cada um de nós é para ser uma perfeita obra de arte. O desfazer é a experiência da noite escura em suas várias fases.
            Os irmãos com os quais nós vivemos em comunidade são presentes de Deus para nós porque eles terão uma grande parte a desempenhar em nossa purificação. Nós nos tornamos conscientes do nosso falso eu, através do relacionamento com outras pessoas, nossos programas (?) por felicidade recebem interferências. Quando nossos desejos por estima, segurança e controle são frustrados nós temos uma reação emocional. Se nós nos permitimos nos tornar conscientes do que estamos sentindo e por que nós começaremos a aprender/perceber quais são as nossas reais motivações, lembrando que (a less than pure motie may lie hidden under a veneer of piety). Minhas emoções me ensinarão muito se eu estou querendo aprender.
          Nenhum de nós é perfeito e todos nós podemos fazer o melhor de acordo com as circunstâncias. Embora isto seja muito importante ter em vista para sermos fiéis à nossa vocação, a qual conduzir-nos-á ao deserto onde nós teremos que deixar todos os nossos suportes em vista de ouvir a voz de Deus que fala aos nossos corações. De acordo com a Regra nós devemos colocar a armadura de Deus em vista de proteger-nos do inimigo. No deserto, nós ficamos face a face com o nosso eu; na luta, pode ficar um só vitorioso. O falso eu é covarde e não quer lutar e então fará tudo que pode para esconder-se e não vir à luz (não ser revelado/deixar-se revelar). O falso eu se desenvolve na escuridão porque ele pertence às trevas, mas nós somos filhos da luz e na luz o nosso verdadeiro eu crescerá. Nós nos tornarmos conscientes de que todos os velhos caminhos de busca da felicidade foram condenados ao fracasso e que nossos corações podem estar satisfeitos somente em Deus e por Deus.
            É vital para nós começar a reconhecer quando o nosso falso eu está trabalhando e fazer alguma coisa a respeito. Isto é um verdadeiro ascetismo - muito mais difícil e muito mais frutuoso do que parar com o açúcar na quaresma! Nós podemos nos tornar conscientes levando uma vida reflexiva e ouvindo nossas emoções. Talvez ao final do dia, nos possamos olhar para trás para a nossa experiência e perguntar se a causa de uma upset emocional era honestamente raiva ou porque meu desejo por felicidade foi frustrado. Gradualmente nós podemos começar a notar o falso eu trabalhando imediatamente. Tão logo quanto nós nos conscientizamos da influência do falso eu, nós podemos oferecer a Deus nossos sentimentos frustrados e pedir a Deus para que complete o que falta ( a lacuna!) com o Seu amor.
             A Ratio nos lembra que de acordo com a nossa Regra, nós somos para viver nossa vocação contemplativa juntos, em comunidade, não de forma individualista (34). Viver em comunidade é pretender ajudar-nos (reciprocamente) a tormarno-nos amigos maduros de Jesus Cristo. Isto ajuda imensamente se nós estamos desejando aceitar o que nós aprendemos a respeito de nós mesmos por meio de nossa interação com os outros. Eu digo que o falso eu sedesenvolve na escuridão (nas trevas). Uma comunidade orante (SHED LIGHT ON) identificará o falso eu rapidamente. Nós descobriremos que nós não somos verdadeiramente muito pacientes e tolerantes (AFTER ALL). Nós descobriremos a raiva que não sabiamos que possuíamos. Ser casado envolve o mesmo processo só que de um jeito diferente. (RELATING) Compartilhar com outras pessoas (BRING OUT) manifesta o falso eu. O fenômeno do santo fora de comunidade e diabo dentro dela é facilmente entendido quando nós olhamos para isto a partir da perpectiva do falso eu. Com os de fora, se pode manter uma distância e o falso eu não será facilmente percebido mas vivendo numa proximidade intensa com os outros significa que nossos traços negativos se tornam óbvios muito rapidamente.
         Viver em comunidade nos ensinará muito sobre nós mesmos se nós estamos querendo aprender. Este é, naturalmente o maior problema. Esta é uma grande tentação: acusar os outros pelos problemas na comunidade. Nós frequentemente projetamos nossos próprios problemas nos outros. Nós podemos escapar da verdade que nos é apresentada simplesmente nos afastando da vida comunitára e nos tornando individualistas Nossas emoções são nossas maiores amigas, elas nos dirão, se nós escolhemos aceitar, quais são nossos verdadeiros valores. se nós estamos com raiva comm a nossa comunidade ou algum membro em particular, é possível que nossa raiva seja plenamente justificada, mas isto é muito provavelmente que a fonte seja algum problema (questão assunto) interior não resolvido.  O falso eu está procurando por infinita soma de estima, segurança e controle e enquanto estas necessidades não são satisfeitas, ela não será feliz (AT ALL). Só porque nós dizemos algumas orações volta e meia e lemos um pouco a Escritura, não quer dizer que nosso falso eu está morto. Longe disso! A morte do falso eu, eu acredito, é o que Jesus está falando no evangelho quando Ele nos fala que aqueles que querem salvar suas vidas perdelas-hão e somente aqueles que estão preparados para perder sua vida por Ele e pelo seguimento do Evangelho, salvalas-hão.Toda a jornada espiritual é uma luta com o falso eu até que nós sejamos transformados finalmente em Cristo. Eu não penso que nós deveriamos reivindicar sermos transformados rápido demais!
            Um jeito de ir superando algumas questões do falso eu é receber aconselhamento e terapia. estes podem ser de muita ajuda mas elas não colocarão o falso eu à morte por si mesmas. Esta é uma questão espiritual e ainda que nós possamos nos valer das contribuições da moderna psicologia para ajudar-nos, elas não oferecerão a resposta completa. A resposta final  é seguir Jesus Cristo até a cuz e além até a ressurreição.
            Nós estamos lembrado na Ratio (35) que diariamente reunidos para a Eucaristia e a Liturgia da s Horas, na qual nos movemos das celas individuais para o oratório, é símbolo do constante esforço para sair do nosso isolamento e ir ao encontro dos outros em vista de construir comunidade com eles. Se diz que a Eucaristia transforma indivíduos em irmãos. Isto é verdade em teoria mas a Eucaristia não faz mágica. Isto requer nossa ativa cooperação e compromisso com o que a eucaristia significa. O fato que um acomunidade reza junto é obviamente uma boa coisa, mas celebrar a Eucaristia e o Ofício Divino juntos cada dia  isto não faz necessariamente uma comuunidade orante. Os membros devem permitir que a oração comunitária faça o seu trabalho. Eles devem usar a "força proporcionada pela Palavra e pelo Pão (Ratio 35) para continuar a luta com o falso eu assim ele não irá projetar seus próprios prlblemas internos na comunidade e assim eles poderão retornar com o coração purificados para a comunidade.           
         Todas a sugestões nas Constituições a respeito da vida comunitária, com encontros comunitários regulares, são de grande ajuda e proporcionam um caminho seguro para uma comunidade saudável. Claro que encontros comunitários são uma arena onde o falso eu pode realmente tornar-se muito ativo. Os membros da comunidade estão todos em diferntes estágios de maturidade psicológida e espiritual e a não realização de encontros comunitários será perfeito. É importante não abandoná-los por causa das dificuldades, um encontro comunitário regular é ummeio de sanar as dificuldades na vida comunitária e de dar aos indivíiduos  o espaço e o tempo par ex pressar o que eles sentem. Se o encontro comunitário é acontece só raramente, isto pode ser (EVEN MORE) ainda mais difícil do que precise ser porque os irmãos tentam expressar todos os seus desabafos em um pequeno espaço de tempo uma vez que em outra oportunidade pode não apresentar-se a si mesmo. Eu lembro a vocës que desde o começo a comunidade ou fraternidade é um aspécto essencial da vocação Carmelitana. Ela é por simesma parte da nossa missão e serviço para a Igreja e para o mundo.Ela presta testemunho para o mundo no qual o individualismo é abundante que comunidade verdadeira é possível, embora nos tenhamos que lutar e nunca  chegaremos à comunidade perfeita.
            Vocês são responsáveis por formar Carmelitas para a vida comunitária. Naturalmente há toda sorte de hábitos humanos que os indivíduos devem desenvolver em vista de viver de modo feliz em comunidade e em vista de se tornarem pessoas com quem os outros possam viver felizes. Contudo, esse pode nunca ser o foco total a formação para a vida comunitária. A menos que uma séria atenção seja dada para superar os problemas do falso eu, a principal dificuldade na via comunitária permanecerá intocada.
          Como carmelitas nós somos membros de uma fraternidade internacional. Nós viemos de muitas e diferentes regiões e culturas e nós estamos ligados(vinculados) por uma espiritualidade comum. O desafio expresado diante de nós nas Constituições "A vida fraterna modelada na comuniodade de Jerusalém é uma encarnação gratuita do amor de Deus, internalizada através de um processo contínuo pelo qual nós esvaziamo-nos de todo egocentrismo -que pode afetar tanto grupos tanto quanto indivíduos- assim nos movemos em direção à autëntica centralidade em Deus. Neste caminho nós expressamos a natureza carismatica e profética da vida consagrada Carmelitana
(MOVENDO MESCLANDO) harmoniosamente nele o carisma pessoal de cada  membro,

no serviço da Igreja e do mundo"

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

AMIGOS

“No clero católico há muitos homossexuais reprimidos que odeiam quem é gays como eles”. Entrevista com Krzysztof Charamsa

O padre e teólogo polonês, Krzysztof Charamsa, acaba de protagonizar uma das “saídas do armário” mais clamorosas da história do Vaticano. Morando em Barcelona, faz, nesta entrevista exclusiva, uma duríssima acusação contra a Congregação para a Doutrina da Fé e seu prefeito, o cardeal Müller, a quem acusa ser homofóbico e de tentar “sabotar o pontificado de Francisco”. A entrevista é de José Manuel Vidal e publicada por Religión Digital, 23-10-2015. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.
Você foi feliz durante os seus anos de sacerdócio?
Sim, eu sempre fui um padre feliz. Sinto-me feliz servindo as pessoas, ouvindo e aconselhando as pessoas. Estou feliz quando comunico a palavra e a graça de Deus. Mas, ao mesmo tempo, não me sentia feliz pela negação imposta pela Igreja à minha natural orientação sexual. Estes dois sentimentos, no sacerdócio, entravam em conflito. Ao final, prevaleceu a infelicidade causada pela homofobia da Igreja. Compreendi que para ser um padre feliz, devo dizer à minha Igreja que está paralisada pela homofobia, e isto não faz ninguém feliz.

Você é a favor do celibato opcional na Igreja católica? Por quê?
Sim, à luz dos meus estudos sobre o celibato, hoje estou convencido de que a única disciplina que se poderia aceitar é a disciplina do celibato opcional, assim como a encontramos nas Igrejas católicas orientais, onde os candidatos ao sacerdócio podem realmente decidir se querem viver como celibatários ou como casados. Há, no entanto, outro problema. Penso que hoje em dia deve-se também discutir e rever o valor humano do celibato. O celibato obrigatório, imposto na Igreja latina, sem possibilidade de decidir, é, sem dúvida, uma prática desumana. Devemos confrontar a disciplina do celibato com o estado das ciências modernas sobre o homem e com a experiência dramática de muitos padres. A Igreja, muitas vezes, esconde uma dupla vida em sua corporação do clero.

Você foi chamado de “traidor” por ter saído do armário e ter rompido seu compromisso celibatário?
Seria um traidor se continuasse no armário. Só assim seria um traidor de Deus e da humanidade. Seria um mentiroso. Eu não traí ninguém. Eu me libertei da paranoia homofóbica da Igreja, que é irracional e absurda, e incapaz de refletir, porque está cheia de um adoutrinamento ideológico. Pessoalmente, vejo que quem trai é a Igreja, como comunidade de fiéis e como hierarquia, porque não é capaz de rever uma posição que já não pode continuar defendendo. Esta traição é muito clara na Congregação para a Doutrina da Fé e no Vaticano em geral.
Traição é também a dupla vida de uma parte do clero. A dupla vida para mim não significa apenas ter um cônjuge, homem ou mulher, que é uma realidade muito saudável e recomendável para um padre. Dupla vida é também masturbar-se regularmente ou ser dependente da masturbação, como são muitos padres, e ao mesmo tempo lutar contra a masturbação, que faz parte de uma vida sexual a dois saudável.

A Igreja prega misericórdia, mas segue perseguindo os homossexuais?
Sim, há uma verdadeira perseguição por parte da Igreja católica tanto das pessoas como da comunidade LGBTI em geral. É a perseguição das minorias sexuais que não pertencem e não podem pertencer à maioria heterossexual. Trata-se de um projeto ideológico da Igreja. Minha Igreja permite-se afirmar que deve lutar contra os homossexuais assim como lutava contra o nazismo. Comparam-nos com os nazistas, os inimigos da humanidade. Esta afirmação saiu da boca do cardeal africano Sarah bem no meio do Sínodo, que em vez disso deveria pensar com misericórdia sobre as famílias. A Igreja está obcecada pela homossexualidade, assim como com a sexualidade humana em geral.
Infelizmente, neste momento da Igreja não há pessoas capazes de abrir uma discussão séria, livre de qualquer ideologia ditatorial. O nível intelectual e espiritual dos pastores em geral não é muito elevado. Assim, faltam interlocutores com os quais se poderia confrontar na Igreja. Esta é a minha experiência na Congregação para a Doutrina da Fé: um adoutrinamento frio e cego, um legalismo automático, cheio de farisaísmo insensível. Com quem se poderia discutir na Igreja as questões humanas se a Igreja permite as palavras de Sarah? Ele deveria ser denunciado por difamação de um grupo social. A Congregação para a Doutrina da Fé pensa como Sarah. Estão obcecados pela homossexualidade.

Há alguns dias o cardeal Kasper dizia que “nasce-se homossexual”. Era a primeira vez que eu ouvi isso de algum hierarca da Igreja. E você?
Sim, é verdade, creio que pela primeira vez. O cardeal Kasper é uma das poucas pessoas que pensa na Igreja. Não compartilho sua posição sobre o juízo moral em relação aos atos homossexuais realizados por pessoas homossexuais seguindo sua própria natureza. Parece-me que ele, por um lado, defende que se nasce homossexual, mas ao mesmo tempo exclui estas pessoas da possibilidade de amar, possibilidade reservada apenas às criaturas heterossexuais. É contraditório. Em outras palavras, se é verdade que “se nasce homossexual”, como ele disse, então os católicos têm um problema com a questão homossexual. Devem refletir novamente sobre todo o tema da orientação sexual e, na sequência, rever a doutrina moral à luz desta reflexão.
Não obstante esta frase, parece-me que o cardeal Kasper segue a infeliz teoria da complementaridade homem-mulher. Trata-se de uma verdadeira construção mental católica, que já foi provada como teoricamente frágil, para não dizer falsa. Infelizmente, o termo “complementaridade” converteu-se em um slogan com o qual a Igreja quer eliminar a discussão sobre pessoas homossexuais como criaturas de Deus em vista do amor.
Assim, a Igreja promove também uma falsa imagem homofóbica das pessoas homossexuais, como naturalmente incapazes de amar. Dessa maneira, promove também o ódio na mentalidade das pessoas contra as pessoas LGBTI, as quais são apresentadas como anormais. Trata-se de uma posição ideológica de uma Igreja que tem medo de pensar. Estou seguro de que isto vai passar e no futuro a Igreja pedirá perdão por este atraso. Este tipo de erro se repete continuamente na história da Igreja.
Voltando ao cardeal Kasper: ele é um cristão que pensa, com quem se pode discutir. Há também outros como ele: como o cardeal Schönborn, o cardeal Marx, dom Forte ou dom Bonnyt, para citar alguns, e sem esquecer o Papa Francisco. São homens de Deus e da Igreja, sensíveis, fiéis, capazes de conhecer a humanidade e de dialogar com ela. Mas a maioria está obcecada, incapaz de pensar e de amar, como o cardeal Sarah. A estigmatização promovida pela maioria é uma arma.

A espiritualidade e a sensibilidade atraem os gays para o altar? Há mais homossexuais na Igreja do que em outras instâncias sociais?
Pessoalmente, estou seguro de que sim. Muitas vezes, no passado, ser padre para um homossexual era a maneira de esconder sua homossexualidade e realizar-se socialmente. Hoje, provavelmente, essa razão funciona apenas em sociedades homofóbicas e retrógradas. Imagino que na minha pátria, a Polônia, ainda é assim. Penso que hoje em dia é muito mais frequente que um gay, com sua sensibilidade e com sua abertura ao transcendente e ao divino, queira ser padre.

E na cúria, há muitos gays? É verdade que existe um lobby gay vaticano do qual se costuma falar?
Neste campo também posso falar apenas da minha experiência. Não temos estudos sobre a presença de pessoas homossexuais no clero, porque é um tabu, um tema sobre o qual não se deve falar. Na cúria há muitos gays. Muitos deles são bons padres, se não são homofóbicos, se não pensam apenas em sua carreira, se não se preocupam apenas com o dinheiro e o poder. O problema aparece quando os gays são homofóbicos internalizados. No clero católico há muitos homossexuais que, reprimidos por sua própria orientação, odeiam que é gay como eles.
Outro tema é o lobby gay, que eu não conheci. Li algo sobre isso na Itália, mas não tive nenhuma experiência. Pode ser que exista este lobby, como existe o lobby italiano ou polonês no Vaticano. O Vaticano, o coração da Igreja, é uma mistura de lutas pelo poder, pela política e pelo dinheiro. Penso também que o Vaticano é um lobby em nível italiano e internacional que impõe coisas que jamais foram estudadas seriamente.

A Doutrina da Fé é um dicastério especialmente homofóbico? E seu chefe máximo no dicastério, o cardeal Müller?
Sim, a Congregação para a Doutrina da Fé é o coração de uma homofobia paranoica e irracional. Nela não há possibilidade de conhecimento nem de diálogo. Funciona por estereótipos. Eu tinha a impressão de que nós, na Congregação, não promovemos a fé em Deus, não nos ocupamos de cristologia ou mariologia; apenas lutamos contra os gays e outras minorias sexuais. É uma obsessão. Esta é a nossa verdadeira fé: a paranoia anti-gay. Nada mais. É o nosso tema preferido. Há reuniões em que de cada três casos que tratamos, dois são contra gays. Inventamos para nós um inimigo imaginário e lutamos com todas as nossas forças contra ele. O chamamos de “nossa guerra contra o gender”. Ali não se pode discutir, pensamos que esse gender só promove mudanças de sexo. Esse é o nível de paranoia que reina na Congregação.
O cardeal Müller promoveu toda esta ignorância, este extremismo, esta obsessão entre os oficiais, sem nenhum tipo de raciocínio. Em vez de promover estudos, a Congregação é a agência política de sabotagem do pontificado do Papa Francisco e sua discussão sinodal. É a agência que luta contra o gender, termo que não sabe definir. O que realmente importa é usar a palavra gender de uma forma que assuste as pessoas, não importa que não se tenha lido um único livro sobre estudos de gênero. A homofobia e a misoginia (a verdadeira feminofobia, um complexo ou ódio contra a mulher) obsessivas são um drama para esta Congregação, cujos membros não todos são heterossexuais. Como em todas as partes, há homossexuais. A realidade é que a Congregação odeia os gays, mesmo havendo dentro dela pessoas que se sabe são homossexuais.

A Congregação para a Doutrina da Fé é uma das principais peças de resistência na cúria à primavera de Francisco?
Sem dúvida alguma. A Congregação vive seu período mais obscuro. O que mais importa é manter oculto o nosso tabu: a homossexualidade e a sexualidade em geral. Com a primavera de Francisco, a Congregação tem um novo inimigo. Ao lado dos gays, há o Papa Francisco. Junto com a homofobia aparece uma “Francisco-fobia”. O desprezo pelo Papa na Congregação é muito grande. Pelas coisas que eu ouvi sobre o Papa Francisco na Congregação, esta deveria ser denunciada por ofender o primado de Pedro. No passado, nós destruímos carreiras de teólogos que refletiam com respeito e inteligência sobre novas formas de exercício do primado. Agora a Congregação é contra o Papa e seu primado de uma maneira irracional.
Varias pessoas que trabalham na Congregação são simplesmente fundamentalistas e seu nível intelectual não é tão elevado quanto sua presunção de ser “salvadores deste mundo delinquente”. Dentro dela não há nenhuma possibilidade de discussão. Pessoalmente, não tenho nenhuma dúvida de que o prefeito da Congregação, de uma forma digna e com honra, deveria renunciar após a minha coming out. Para salvar a situação, a Congregação deveria ser fechada pelo Papa para começar sua renovação quanto aos métodos de promoção da fé na Igreja. Atualmente, segue sendo a Inquisição. Está vazia de argumentos racionais e cheia de emoções paranoicas, como aquelas expressadas abertamente pelo cardeal Sarah.

Por que não falou com o Papa antes de anunciar publicamente sua situação?
Falei com todas as pessoas com as quais se podia falar. Falei com todas aquelas que poderiam entender a situação desumana de hipocrisia e falsidade da Igreja de Roma, que não são muitas. A situação atual é um escândalo institucionalizado. Mais que anunciar publicamente a minha situação, anunciei a situação da Igreja na qual vivi. Isto é muito diferente. Graças a Deus já não é mais o meu problema. Libertei-me do escândalo desta Igreja que anunciei publicamente. Queria ajudar para que a Igreja despertasse, oferecendo o testemunho da minha experiência no Vaticano. Alguém deveria dizê-lo claramente.

Não lhe parece que o Vaticano reagiu rápida e energicamente com você, ao passo que não faz o mesmo com os padres pederastas?
A reação foi automática. O automatismo legalista e formalista é a alma da Igreja católica diante daquele que lhe diz a verdade, apesar de que o Papa Francisco continuamente fale contra os formalismos legalistas.
É verdade também que muitos casos de padres pedófilos foram e são tratados de um modo diferente, não tão energicamente. A pedofilia é uma vergonha do clero católico. Está relacionada com a imaturidade sexual de seus membros. Não é influenciada pelo mundo, como afirma obsessivamente a Igreja. É o resultado de uma obsessão provocada por uma sexualidade reprimida, não aceita, rechaçada.
Também é verdade que em vários níveis da Igreja a pedofilia continua sendo protegida para salvar sua imagem e não indenizar pelos danos causados. Vou lhe dar um exemplo. No final do verão passado, na prisão do Vaticano morreu o núncio polonês, o arcebispo Wesolowski, julgado pela Congregação como pedófilo. Este homem teve um enterro que durou 10 dias, entre o Vaticano e a Polônia. Dez dias de enterro de um prisioneiro que já foi julgado por um tribunal eclesiástico por abusos de pedofilia. Este enterro começou com uma missa celebrada pelos colaboradores mais próximos do Papa e terminou ao final de 10 dias na Polônia, com uma leitura de uma carta em que se dizia que as acusações de sua pedofilia eram invenções da máfia da República Dominicana. O Vaticano permitiu todo esse espetáculo, em vez de pensar em como indenizar imediatamente as vítimas desse bispo pederasta. Vendo tudo isso, pode-se chegar à conclusão de que existe um lobby pedófilo no Vaticano. Sim, muitos padres e bispos pederastas têm um tratamento especial e muitos continuam livres de qualquer pena.
A esta luz, a reação do Vaticano a um padre gay que diz a verdade é um automatismo vergonhoso. Mas esta é a lógica da Igreja: tudo deve permanecer escondido “pelo bem da Igreja”. Enquanto estiver escondido, não acontece nada. Para a Igreja, “o demônio” é o padre que diz a verdade, aquele que sai à luz, que sai do armário.

Vai continuar sendo padre, vai pedir a secularização ou vão lhe impor essa condição?
Sou e me sinto padre. Hoje sou um padre melhor que antes. Pelo contrário, sou eu que vou pedir à Igreja para que abra os olhos.

Pensou em escrever um livro sobre suas vivências no Vaticano?
Sim, estou convencido de que é meu dever explicar mais amplamente a minha experiência na Igreja, e o farei pelo bem da própria Igreja, que deve converter-se e pedir desculpas por seus escândalos institucionais, por seus atrasos, por sua paranoia irracional da homofobia. Todo aquele que vê isso e o experimenta tem o dever de despertar a Igreja, o que já ultrapassou qualquer limite suportável.

Se o Papa pedisse pessoalmente, deixaria seu parceiro e voltaria ao Vaticano?
Não, não deixaria meu parceiro, porque o amo e porque não há razões doutrinais para fazê-lo. Ter um parceiro, seja homem ou mulher, para um padre não vai contra a sua fé, não vai contra a doutrina da nossa fé. Pelo contrário, é a Igreja e o Papa que deveriam começar a refletir seriamente sobre a desumana disciplina do celibato obrigatório, e sua obsessão pela homossexualidade e a sexualidade em geral.
Voltar ao Vaticano? Não, não voltaria. Deveria ser um masoquista, uma pessoa que busca o sofrimento e a ofensa de sua própria identidade. Eu não sou masoquista. O Vaticano é um dos lugares menos santos que conheci na minha vida. Eu quero ser feliz, quero ser santo, o que significa ser feliz e viver à luz da vontade de Deus e da dignidade humana. No Vaticano, a maior parte das pessoas não é feliz. É um lugar que necessita de uma conversão espiritual e mental. Necessita do ar de Deus, ar que ali falta.

sábado, 24 de outubro de 2015

ORDEM DO CARMO: El Salvador-03.

ORDEM DO CARMO: El Salvador-02.

ORDEM DO CARMO: El Salvador-02.

ORDEM DO CARMO: El Salvador-01.

Papa Francisco critica bispos com "corações fechados" ao encerrar sínodo

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Francisco, ao encerrar uma controversa reunião de bispos sobre questões familiares, neste sábado, censurou líderes imutáveis da Igreja que "enterram a cabeça na areia" e se escondem atrás de doutrina rígida enquanto as famílias sofrem.
O papa falou no final de um encontro de três semanas, conhecido como sínodo, onde bispos concordaram em uma abertura restrita para divorciados que se casaram novamente fora da Igreja Católica, mas rejeitaram pedidos de adoção de uma linguagem mais acolhedora em relação aos homossexuais.
Esse foi a mais recente de uma série de advertências do pontífice aos bispos, que ressaltou desde a sua eleição em 2013 que a Igreja 1,2 bilhão de membros deve estar aberta a mudanças, ao lado dos mais pobres e deve livrar-se da pompa e conservadorismo que tem afastado tantos católicos.
Em seu discurso final, o papa pareceu criticar ultraconservadores, dizendo que os líderes da Igreja devem enfrentar questões difíceis "sem medo, sem enterrar nossas cabeças na areia."
Ele disse que o sínodo tinha "desnudado os corações fechados que frequentemente se escondem por trás até mesmo dos ensinamentos da Igreja ou de boas intenções, a fim de se sentar na cadeira de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, casos difíceis e famílias feridas."
Ele também denunciou "teorias da conspiração" e as "visões limitadas" de alguns participantes no encontro, e disse que a Igreja não pode transmitir a sua mensagem para as novas gerações "às vezes incrustadas em uma linguagem que é arcaica ou simplesmente incompreensível".
O resultado de um encontro no Vaticano, presidido pelo papa Francisco, marcou uma vitória dos conservadores na questão homossexual e dos progressistas sobre a espinhosa questão do novo casamento.
O documento final do sínodo reafirmou os ensinamentos da Igreja de que os gays não devem sofrer discriminação na sociedade, mas também repetiu a posição de que "não há qualquer fundamento" para o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que "não pode nem mesmo remotamente" ser comparado a uniões heterossexuais.
O documento indica que a assembleia decidiu evitar uma linguagem abertamente controversa e buscar o consenso, a fim de evitar impasse sobre os temas mais sensíveis, deixando para o papa lidar com os detalhes.
O sínodo é um órgão consultivo que não tem o poder de alterar a doutrina da Igreja. O papa, que é o árbitro final sobre qualquer alteração e que fez um apelo por uma Igreja mais misericordiosa e inclusiva, pode usar o material para escrever seu próprio documento, conhecido como um "exortação apostólica".

DIVORCIADOS
O documento do sínodo, por outro lado, ofereceu alguma esperança para a plena reintegração à Igreja de alguns católicos que se divorciaram e se casaram novamente em cerimônias civis.
Sob a doutrina atual da Igreja, eles que não podem receber a comunhão, a menos que se abstenham de ter relações sexuais com seu novo parceiro, porque seu primeiro casamento ainda é válido aos olhos da Igreja e eles são vistos como vivendo em pecado do adultério.
A única maneira para que esses católicos possa casar novamente é se receberem a anulação --decisão de que seu primeiro casamento nunca existiu em primeiro lugar por causa da falta de determinados pré-requisitos, como a maturidade psicológica ou livre arbítrio.
O documento fala de um chamado "foro interno", em que um sacerdote ou um bispo pode trabalhar com um católico que se divorciou e casou-se novamente para decidir conjuntamente, em particular e caso a caso, se ele ou ela pode ser totalmente reintegrados.

"Para que isso aconteça, as condições necessárias de humildade, discrição, amor à Igreja e seus ensinamentos devem ser garantidas em uma busca sincera da vontade de Deus", disse o documento. Fonte: http://br.reuters.com

CARMELITAS DESCALÇOS: Um Olhar-02

CARMELITAS DESCALÇOS: Um Olhar.

EL SALVADOR: Terra de Mártires.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM: Canto de Comunhão.

Bancada evangélica cresce e mistura política e religião no Congresso

Homens de terno e mulheres de saia com a Bíblia na mão vão enchendo o auditório. Alguém regula o som do violão e dos microfones. A música que celebra "júbilo ao Senhor" estoura nos alto-falantes, e a audiência canta junto. Em um púlpito no palco, os pastores abrem o culto com uma oração fervorosamente acompanhada pelos fiéis.
Uma descrição comum de um culto evangélico não fossem os pastores, deputados, falando de um o púlpito improvisado no plenário Nereu Ramos da Câmara dos Deputados de um país laico chamado Brasil. E se o (até então) presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), anunciado do púlpito ao entrar no recinto pelos pastores João Campos (PSDB-GO) e Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ), não tivesse deixado de lado a agenda oficial para participar da celebração e tirar selfies com pessoas que se amontoavam ao seu redor.
Certamente seria bem menos estranho se logo atrás de mim, no fundo do auditório, assessores de parlamentares não estivessem fazendo piadas de cunho homofóbico e rindo alto durante boa parte do evento, que se tornou show com a chegada da aclamada cantora gospel Aline Barros, vencedora do Grammy Latino 2014 e um dos cachês mais altos do mundo gospel brasileiro. Ela tinha viajado do Rio a Brasília com o marido, o ex-jogador de futebol e hoje pastor e empresário gospel Gilmar Santos, especialmente para cantar e orar naquela manhã de quarta-feira no Congresso. Ao final do culto/evento, todos receberiam um CD promocional de Aline.
Aline Barros entoou alguns de seus sucessos com o auxílio de um playback, antes da pregação do marido. O tema é a luta do profeta Elias contra Jezebel, a princesa fenícia que se casou com o rei de Israel e, uma vez rainha, perseguiu e matou profetas israelitas. A imagem da mulher poderosa de alma cruel é usada por dezenas de sites religiosos, que comparam Jezebel à presidente Dilma Rousseff, ameaçando-a de acabar como a rainha, comida por cães.
"Em Tiago capítulo 5, versículo 17, está escrito que Elias era um homem como nós. Ele orou e durante três anos e meio não choveu. Depois ele orou de novo e Deus manda vir a chuva", diz o pastor Gilmar, dirigindo-se aos parlamentares. "Muitas vezes a gente tem orado 'Deus sacode esse país, traz um avivamento, faz algo novo'. Deus está fazendo. Mas a forma que Deus está fazendo nem sempre é do jeito que a gente quer, da nossa maneira. Muitas vezes a gente queria que Deus fizesse chover dinheiro do céu, que fizesse anjo carregar a gente no colo pra levar a gente pra todos os lados e queria pedir pra Deus pra sentar numa rede, pra ele trazer um suco de laranja e operar, trabalhar. 'Manda fogo, destrói aquele endemoniado, aquele idólatra.' Mas Deus não faz dessa forma." Por que Deus escondeu Elias? Por que Deus tem escondido muitos de vocês e ainda não estão nos jornais como sonharam ou não tiveram reconhecimento como sempre sonharam? […] Deus está te escondendo, querido. No momento certo tudo vai acontecer, você vai ser exaltado. Deus sabe como honrar. […] Pode ser o momento mais difícil do seu mandato, mas continua confiando. Muitas pessoas podem estar vivendo uma seca nesse país. Nosso país pode estar vivendo o momento mais seco da história. Vidas secas. Mas o céu nunca vai estar em crise. Nunca tem crise, nunca tem crise."

Sem crise
O número de evangélicos no Parlamento cresceu, acompanhando o aumento de fiéis. Segundo os últimos dados do IBGE, que são de 2010, o número de evangélicos aumentou 61% na década passada (2000-2010). Por sua vez, a Frente Parlamentar Evangélica (FPE), encabeçada pelo deputado e pastor João Campos, agrega mais de 90 parlamentares, segundo dados atualizados da própria Frente – os números podem variar por causa dos suplentes – o que representa um crescimento de 30% na última legislatura.
A mistura de política e religião é a marca da atuação dos pastores deputados. Campos, por exemplo, é presidente da Frente Parlamentar Evangélica, autor do projeto de lei apelidado de "cura gay" e defensor destacado da redução da maioridade penal, como a maioria da chamada "bancada da bala" – em 2014 ele recebeu R$ 400 mil de uma empresa de segurança para sua campanha. Cavalcante ex-diretor de eventos do pastor Silas Malafaia, seu padrinho na fé e na política, é presidente na Comissão Especial que trata do Estatuto da Família.
Encorajada por Eduardo Cunha, que assumiu a presidência da Câmara dizendo que "aborto e regulação da mídia só serão votados passando por cima do meu cadáver", a bancada evangélica tem conseguido levar adiante projetos extremamente conservadores, como o Estatuto da Família (PL 6.583/2013), que reconhece a família apenas como a entidade "formada a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou de união estável, e a comunidade formada por qualquer dos pais e seus filhos", que deve seguir para o Senado nos próximos dias. A PEC 171/1993, que usa passagens bíblicas para justificar a redução da maioridade penal, também foi aprovada na Câmara e aguarda análise do Senado, sem previsão de votação. O próprio Eduardo Cunha é autor do PL 5.069/2013, que cria uma série de empecilhos para o direito constitucional das mulheres vítimas de violência sexual realizarem aborto na rede pública de saúde. Esse está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara. Também foi nesta legislatura que a bancada conseguiu barrar o trecho que trata do ensino da ideologia de gênero nas escolas no Plano Nacional de Educação.
Ainda segundo os dados fornecidos pela FPE, a maioria dos parlamentares pertence a igrejas pentecostais: a Assembleia de Deus é a que mais congrega esses fiéis, seguida pela Igreja Universal do Reino de Deus, que tem como figura de destaque o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). Também tem representantes no Congresso as igrejas Sara Nossa Terra e a Igreja Quadrangular.
Como acontece com os partidos na política, os membros também trocam de denominação. Eduardo Cunha recentemente trocou a Sara Nossa Terra pela Assembleia de Deus, onde já estavam os colegas João Campos e Marco Feliciano. Entre os membros das protestantes históricas estão Jair Bolsonaro (batista) e Clarissa Garotinho (presbiteriana).

O sociólogo e escritor Paul Freston, professor catedrático em religião e política da Wilfrid Lauries University, do Canadá, explica que as igrejas pentecostais se diferenciam das protestantes históricas principalmente pela ênfase da crença nos dons do Espírito Santo, como "falar em línguas" e agir em curas e exorcismos. "Por ser uma forma mais entusiasmada de religiosidade, depende menos de um discurso racional, elaborado. Você pode não saber ler ou escrever, pode ser alguém que não ousaria fazer um discurso racional em público, mas sob influência do Espírito você fala. Por isso pode-se dizer que a igreja pentecostal também tem esse poder de inverter as hierarquias sociais", explica o professor. E destaca: "Por ser mais próxima da cultura do espetáculo e menos litúrgica, também são as igrejas pentecostais que se dão melhor com as mídias". Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br

sábado, 17 de outubro de 2015

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2015


Queridos irmãos e irmãs,
Neste ano de 2015, o Dia Mundial das Missões tem como pano de fundo o Ano da Vida Consagrada, que serve de estímulo para a sua oração e reflexão. Na verdade, entre a vida consagrada e a missão subsiste uma forte ligação, porque, se todo o baptizado é chamado a dar testemunho do Senhor Jesus, anunciando a fé que recebeu em dom, isto vale de modo particular para a pessoa consagrada. O seguimento de Jesus, que motivou a aparição da vida consagrada na Igreja, é reposta à chamada para se tomar a cruz e segui-Lo, imitar a sua dedicação ao Pai e os seus gestos de serviço e amor, perder a vida a fim de a reencontrar. E, dado que toda a vida de Cristo tem caráter missionário, os homens e mulheres que O seguem mais de perto assumem plenamente este mesmo caráter.
A dimensão missionária, que pertence à própria natureza da Igreja, é intrínseca também a cada forma de vida consagrada, e não pode ser transcurada sem deixar um vazio que desfigura o carisma. A missão não é proselitismo, nem mera estratégia; a missão faz parte da «gramática» da fé, é algo de imprescindível para quem se coloca à escuta da voz do Espírito, que sussurra «vem» e «vai». Quem segue Cristo não pode deixar de tornar-se missionário, e sabe que Jesus «caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 266).
A missão é uma paixão por Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, uma paixão pelas pessoas. Quando nos detemos em oração diante de Jesus crucificado, reconhecemos a grandeza do seu amor, que nos dignifica e sustenta e, simultaneamente, apercebemo-nos de que aquele amor, saído do seu coração trespassado, estende-se a todo o povo de Deus e à humanidade inteira; e, precisamente deste modo, sentimos também que Ele quer servir-Se de nós para chegar cada vez mais perto do seu povo amado (cf. Ibid., 268) e de todos aqueles que O procuram de coração sincero. Na ordem de Jesus – «Ide» –, estão contidos os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja. Nesta, todos são chamados a anunciar o Evangelho pelo testemunho da vida; e, de forma especial aos consagrados, é pedido para ouvirem a voz do Espírito que os chama a partir para as grandes periferias da missão, entre os povos onde ainda não chegou o Evangelho.
O cinquentenário do Decreto conciliar Ad gentes convida-nos a reler e meditar este documento que suscitou um forte impulso missionário nos Institutos de Vida Consagrada. Nas comunidades contemplativas, recobrou luz e eloquência a figura de Santa Teresa do Menino Jesus, padroeira das missões, como inspiradora da íntima ligação que há entre a vida contemplativa e a missão. Para muitas congregações religiosas de vida ativa, a ânsia missionária surgida do Concilio Vaticano II concretizou-se numa extraordinária abertura à missão ad gentes, muitas vezes acompanhada pelo acolhimento de irmãos e irmãs provenientes das terras e culturas encontradas na evangelização, de modo que hoje pode-se falar de uma generalizada interculturalidade na vida consagrada. Por isso mesmo, é urgente repropor o ideal da missão com o seu centro em Jesus Cristo e a sua exigência na doação total de si mesmo ao anúncio do Evangelho. Nisto não se pode transigir: quem acolhe, pela graça de Deus, a missão, é chamado a viver de missão. Para tais pessoas, o anúncio de Cristo, nas múltiplas periferias do mundo, torna-se o modo de viver o seguimento d’Ele e a recompensa de tantas canseiras e privações. Qualquer tendência a desviar desta vocação, mesmo se corroborada por nobres motivações relacionadas com tantas necessidades pastorais, eclesiais e humanitárias, não está de acordo com a chamada pessoal do Senhor ao serviço do Evangelho. Nos Institutos Missionários, os formadores são chamados tanto a apontar, clara e honestamente, esta perspectiva de vida e acção, como a discernir com autoridade autênticas vocações missionárias. Dirijo-me sobretudo aos jovens, que ainda são capazes de testemunhos corajosos e de empreendimentos generosos e às vezes contracorrente: não deixeis que vos roubem o sonho duma verdadeira missão, dum seguimento de Jesus que implique o dom total de si mesmo. No segredo da vossa consciência, interrogai-vos sobre a razão pela qual escolhestes a vida religiosa missionária e calculai a disponibilidade que tendes para aceitar por aquilo que é: um dom de amor ao serviço do anúncio do Evangelho, nunca vos esquecendo de que o anúncio do Evangelho, antes de ser uma necessidade para quantos que não o conhecem, é uma carência para quem ama o Mestre.
Hoje, a missão enfrenta o desafio de respeitar a necessidade que todos os povos têm de recomeçar das próprias raízes e salvaguardar os valores das respectivas culturas. Trata-se de conhecer e respeitar outras tradições e sistemas filosóficos e reconhecer a cada povo e cultura o direito de fazer-se ajudar pela própria tradição na compreensão do mistério de Deus e no acolhimento do Evangelho de Jesus, que é luz para as culturas e força transformadora das mesmas.
Dentro desta dinâmica complexa, ponhamo-nos a questão: «Quem são os destinatários privilegiados do anúncio evangélico?» A resposta é clara; encontramo-la no próprio Evangelho: os pobres, os humildes e os doentes, aqueles que muitas vezes são desprezados e esquecidos, aqueles que não te podem retribuir (cf. Lc 14, 13-14). Uma evangelização dirigida preferencialmente a eles é sinal do Reino que Jesus veio trazer: «existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos!» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 48). Isto deve ser claro especialmente para as pessoas que abraçam a vida consagrada missionária: com o voto de pobreza, escolhem seguir Cristo nesta sua preferência, não ideologicamente, mas identificando-se como Ele com os pobres, vivendo como eles na precariedade da vida diária e na renúncia ao exercício de qualquer poder para se tornar irmãos e irmãs dos últimos, levando-lhes o testemunho da alegria do Evangelho e a expressão da caridade de Deus.
Para viver o testemunho cristão e os sinais do amor do Pai entre os humildes e os pobres, os consagrados são chamados a promover, no serviço da missão, a presença dos fiéis leigos. Como já afirmava o Concílio Ecumênico Vaticano II, «os leigos colaboram na obra de evangelização da Igreja e participam da sua missão salvífica, ao mesmo tempo como testemunhas e como instrumentos vivos» (Ad gentes, 41). É necessário que os consagrados missionários se abram, cada vez mais corajosamente, àqueles que estão dispostos a cooperar com eles, mesmo durante um tempo limitado numa experiência ao vivo. São irmãos e irmãs que desejam partilhar a vocação missionária inscrita no Baptismo. As casas e as estruturas das missões são lugares naturais para o seu acolhimento e apoio humano, espiritual e apostólico.
As Instituições e as Obras Missionárias da Igreja estão postas totalmente ao serviço daqueles que não conhecem o Evangelho de Jesus. Para realizar eficazmente este objetivo, aquelas precisam dos carismas e do compromisso missionário dos consagrados, mas também os consagrados precisam duma estrutura de serviço, expressão da solicitude do Bispo de Roma para garantir de tal modo a koinonia que a colaboração e a sinergia façam parte integrante do testemunho missionário. Jesus colocou a unidade dos discípulos como condição para que o mundo creia (cf. Jo 17, 21). A referida convergência não equivale a uma submissão jurídico-organizativa a organismos institucionais, nem a uma mortificação da fantasia do Espírito que suscita a diversidade, mas significa conferir maior eficácia à mensagem evangélica e promover aquela unidade de intentos que é fruto também do Espírito.
A Obra Missionária do Sucessor de Pedro tem um horizonte apostólico universal. Por isso, tem necessidade também dos inúmeros carismas da vida consagrada, para dirigir-se ao vasto horizonte da evangelização e ser capaz de assegurar uma presença adequada nas fronteiras e nos territórios alcançados.
Queridos irmãos e irmãs, a paixão do missionário é o Evangelho. São Paulo podia afirmar: «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1 Cor 9, 16). O Evangelho é fonte de alegria, liberdade e salvação para cada homem. Ciente deste dom, a Igreja não se cansa de anunciar, incessantemente, a todos «O que existia desde o princípio, O que ouvimos, O que vimos com os nossos olhos» (1 Jo 1, 1). A missão dos servidores da Palavra – bispos, sacerdotes, religiosos e leigos – é colocar a todos, sem excluir ninguém, em relação pessoal com Cristo. No campo imenso da atividade missionária da Igreja, cada batizado é chamado a viver o melhor possível o seu compromisso, segundo a sua situação pessoal. Uma resposta generosa a esta vocação universal pode ser oferecida pelos consagrados e consagradas através duma vida intensa de oração e união com o Senhor e com o seu sacrifício redentor.
Ao mesmo tempo que confio a Maria, Mãe da Igreja e modelo de missionariedade, todos aqueles que, ad gentes ou no próprio território, em todos os estados de vida, cooperam no anúncio do Evangelho, de coração concedo a cada um a Bênção Apostólica.
Vaticano, 24 de Maio – Solenidade de Pentecostes – de 2015.
FRANCISCO

NOVENA COM FREI PETRÔNIO: Bênção do Santíssimo-02.

NOVENA COM FREI PETRÔNIO: Bênção do Santíssimo-01.

ALAGOANOS NO RIO DE JANEIRO: Os Arcos da Lapa.

ALAGOANOS NO RIO DE JANEIRO: Onde está o Cristo?

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A CAMINHO DO RIO DE JANEIRO: Queima Jesus!!!

Santa Teresa de Jesus: discípula missionária

"Incentiva e orienta pessoas a trilharem o caminho de opção por Jesus Cristo e seu Reino; acompanha suas fundações, faz negócios, solicita ajuda para as necessidades e o cuidado com a pessoa das Irmãs, especialmente na saúde, vestuário, alimentação", escrevem Assunta Romio e Rita Romio, Irmãs Teresianas da Companhia de Santa Teresa de Jesus [1], artigo sobre o Quinto Centenário do Nascimento de Teresa de Ávila (2), doutora da Igreja, que se celebra hoje, dia 15 de outubro.

Eis o artigo.
É maravilhoso poder desfrutar os recursos atuais da comunicação. Em tempo real dá para acompanhar quem está longe ou perto, socializar o cotidiano e o extraordinário, interagir com poucas ou muitas pessoas, ou simplesmente clicar um “curtir”. Com certeza somos extraordinariamente privilegiadas/os!
Oxalá muitas pessoas que marcaram a história do cristianismo, tivessem esses meios à sua disposição! Sem eles fizeram tanto! É possível imaginar o que estariam inventando hoje, com tantas possibilidades!
Uma delas é uma mulher que nasceu em 1515, a Santa de Ávila que queria ser missionária e não lhe era permitido, somente “por ser mulher” (F1,6). Ela não sabia bem como poderia dar a sua contribuição. Além do mais, havia a Inquisição, que “tomam por suspeita, qualquer coisa, desde que venha de mulheres” (CE 4,1), se queixava Teresa. Suplicava então a Deus que lhe desse alguma luz, pois “não há razão para desprezar” pessoas “virtuosas e fortes, mesmo que sejam de mulheres” (CE 4,1).
Teresa, ainda adolescente fica órfã de mãe. O pai encarrega as agostinianas para educar sua filha. No internato, onde deve aprender o ideal para ser uma boa esposa, a jovem se deixa influenciar pela educadora Irmã Maria de Briceño (V2,6). Teresa sintoniza muito com ela e a vê como uma pessoa muito feliz. Um dia, esta religiosa lhe contou que a frase evangélica, “muitos são os chamados e poucos os escolhidos” havia impulsionado sua opção de vida (V3,1). A partir de então, Teresa começa a admitir a ideia de consagrar sua vida a Deus. E, sem permissão paterna, nos seus 20 anos de idade, a jovem resolve se consagrar a Deus, indo para o Convento da Encarnação.
O contexto conventual não era dos melhores. Como monja vive uma vida mediana, somatiza seus problemas a ponto de ficar fisicamente paralítica durante três anos. Prioriza as relações externas, deixando em segundo plano o projeto assumido. Passou alguns anos neste tipo de vida, mas em contínua busca de algo mais. Fiel à reflexão, oração e partilha com pessoas sábias, encontra o tesouro da sua vida, a verdade que sempre buscou: Jesus Cristo, seu sentido existencial. A partir de então, aos 39 anos de vida, seu único foco é o Reino de Deus. Quer ser missionária. Mas como poderia aspirar à essa missão, com todos os limites sociais e eclesiais que pesavam sobre a mulher?
Teresa vive no período da colonização espanhola nas Américas. Alguns dos seus irmãos também entraram nesta aventura de atravessar o mar para explorar as novas terras de Quito, Lima, Peru e Chile. Ela acompanha o que acontece com os povos conquistados e sofre muito, por esta causa. Através das suas Cartas, que chegaram a nós hoje, sabemos que ela manteve muitos contatos, especialmente com missionários defensores dos indígenas. Deixa registrado por escrito sua inquietação e angústia por se “sentir encurralada como mulher” (CE 4,1) e não poder colaborar na evangelização dos povos da América. Suplicava a Deus que a iluminasse.
No relato da Fundação do Convento de São José em Ávila, ela mesma conta que um dia receberam a visita do Frei Alonso Maldonado, missionário nas Índias (Américas). Este franciscano lhes falava sobre as necessidades na missão e o tratamento dado aos índios. Teresa ficou muito impactada: “recolhendo-me num oratório, clamei a Nosso Senhor. Coberta de lágrimas, supliquei-Lhe que me desse meios para que eu pudesse fazer algo” (F1,7), a serviço do Reino. Teresa percebe que dentro dela surge uma resposta; ela também poderia participar da missão evangelizadora na América, mesmo sendo carmelita e vivendo na clausura. Num momento de profundo recolhimento e oração, percebe a presença de Jesus Cristo que, com muito amor e confiança, lhe comunica: “Espera um pouco, filha, e verás grandes coisas!” (F1,8). A partir deste momento, nela se abre um novo horizonte, pois estas palavras “ficaram profundamente gravadas em meu coração” (F1,8). E assim entendeu como poderia ser missionária: “Decidi então fazer o pouquinho que estava ao alcance” e “ensinar mais com obras que com palavras” (F1,6).

“Realizar o pouco que está ao alcance!”
Teresa de Ávila empreendeu uma grande obra, provocando um movimento de mulheres com a meta de viver o espírito evangélico como orantes, pobres e iguais, as Carmelitas Descalças. E, como se não bastasse, ao propor isso aos homens, tornou-se um caso raro na história da Igreja, uma mulher reformadora de uma Ordem masculina, os Carmelitas Descalços.
Envolve pessoas amigas e familiares como colaboradores na sua obra; procura ser ponte de união na família; perante a problemática do seu irmão Pedro, doente e depressivo, encaminha seu irmão Lorenzo para assumi-lo; cria redes de relações com os jovens sobrinhos, com uma atenção especial aos adolescentes, com os quais mantém contato direto, incentivando-os a estudar e a se organizarem na vida.
Articula-se com os melhores teólogos da época. Assegura-se que o que ela pensa, busca e experimenta não seja contraditório à fé cristã.
Oriunda de uma família, na qual teve o privilégio de aprender a ler e escrever, registra por escrito a experiência da passagem de Deus na sua vida. Empenha-se para que todas as Irmãs Carmelitas aprendam a ler e escrever, garantindo-lhes mais autonomia nas diversas áreas como a comunicação, espiritualidade, teologia, e, até mesmo para poder acompanhar os acontecimentos.
Incentiva e orienta pessoas a trilharem o caminho de opção por Jesus Cristo e seu Reino; acompanha suas fundações, faz negócios, solicita ajuda para as necessidades e o cuidado com a pessoa das Irmãs, especialmente na saúde, vestuário, alimentação.
Utiliza intensivamente a mídia da época escrevendo bilhetes, cartas, livros. Usa todos os meios que pode e se comunica com as autoridades oficiais, tanto religiosas como civis, para solicitar ajuda, defender sua obra.
Teresa mantém suas antenas ligadas à evangelização eclesial, principalmente nas “Índias”, enviando cartas aos missionários, irmãos, parentes e amigos. Seu método: inicia as Cartas partilhando a sua própria experiência humana e espiritual. A seguir expressa interesse pelo destinatário, seu trabalho e como o realiza. Escrevendo aos missionários, quer saber como os índios são tratados, pois diz ter ouvido falar sobre a exploração indígena e critica determinadas práticas. Faz questão de expressar que gostaria de estar em terras de missão, mas como não pode, “por ser mulher”, assume ser missionária em tudo o que está ao seu alcance, vivendo intensivamente a proposta de Jesus e orando pela evangelização.
Sim, a Santa de Ávila, que neste ano de 2015 se comemora o V aniversário do seu nascimento, foi missionária, amando e experienciando a humanidade de Jesus Cristo. Para ela Deus é aquele que nos habita, está sempre nos esperando e “muito ajuda ter pensamentos elevados, para que as obras também o sejam” (C4,1).

Notas:
[1] O sacerdote espanhol Santo Enrique de Ossó e Cervelló desde jovem leu os escritos de Teresa de Jesus. Cativado pelos ensinamentos da Santa de Ávila, tornou-se seu incansável divulgador. Entre outras obras fundou a Companhia de Santa Teresa de Jesus (1876), as Irmãs Teresianas, desejando que fossem “santas e sábias” como Teresa de Jesus; “outras Teresas de Jesus” na atualidade, com a missão de “conhecer, amar e tornar Jesus Cristo conhecido e amado”.

[2] Curiosidades: entre as mulheres importantes que adotaram o nome da espanhola Santa Teresa de Ávila, por serem suas admiradoras e/ou discípulas, cita-se aqui: a francesa, Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897); a chilena Santa Teresa dos Andes (1900-1920); a albanesa Madre Teresa de Calcutá (1910-1997). Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/