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quarta-feira, 19 de março de 2014

NOVENA AO GLORIOSO SÃO JOSÉ.


O SÍMBOLO DA FIDELIDADE A DEUS

 
I leitura ( 1Sm 1, 15-21) – O Deus de Israel lhe conceda o que pediste.

            Leitura do Primeiro Livro do Profeta Samuel - 15Ana lhe respondeu dizendo: “Não é isto, meu senhor! Sou apenas uma mulher desesperada. Não tomei vinho nem outra bebida inebriante; só desafoguei a minha alma na presença do Senhor. 16Não me trates como mulher à-toa, pois foi pelo excesso da minha pena e mágoa que falei até agora”. 17Então Eli lhe replicou: “Vai em paz e o Deus de Israel te conceda o que lhe pediste”. 18Ela disse: “Tua serva encontre graça aos teus olhos”. Depois a mulher seguiu o seu caminho e comeu. Seu rosto já não era o mesmo de antes.

 Nasce Samuel e é consagrado. 19Tendo-se levantado cedo, prostraram-se diante do Senhor e voltaram para casa em Ramá. Elcana conheceu sua mulher Ana e o Senhor se lembrou dela. 20Pelo fim do ano, Ana concebeu e deu à luz o filho. Chamou-o Samuel, dizendo: “Porque o pedi ao Senhor”. 21 Um ano depois, seu marido Elcana subiu com toda a família para oferecer ao Senhor o sacrifício anual e cumprir o voto.

Salmo Responsorial.
O nosso Deus merece harmonioso louvor.

1. Louvem a Deus, pois é bom cantar.
O nosso Deus merece harmonioso louvor.
Deus reconstrói Jerusalém, reúne
os exilado de Israel.

2. Cura os corações despedaçados
e cuida dos seus ferimentos. Ele conta
o número das estrelas e
Chama cada um pelo seu nome.

3. Ele cobre o céu com nuvens,
preparando a chuva para a terra.
Faz brotar erva sobre os montes
e plantas úteis aos homens.

Evangelho (Mt, 1, 18-25) A fidelidade e humildade fizeram dele o “protetor de Deus”.
Proclamação do Evangelho de Cristo, segundo Mateus -   18 A origem de Jesus Cristo, porém, foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José. Mas antes de morarem juntos, ficou grávida do Espírito Santo.19 José, seu marido, sendo homem justo e não querendo denunciá-la, resolveu abandoná-la em segredo. 20 Mas enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonho e disse: “José filho de Davi não tenhas medo de receber Maria, tua esposa, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo.21 Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus. É ele que salvará o povo de seus pecados”.22 Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: 23Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamarão com o nome de Emanuel1,  que significa: Deus conosco. 24 Quando acordou, José fez como o anjo do Senhor lhe tinha mandado e aceitou sua mulher. 25 E não teve relações com ela até que ela deu à luz um filho, a quem ele pôs o nome de Jesus.

Para ajudar a refletir:

Dentro de sua imensidão misericordiosa, Deus atendeu as súplicas de Ana através do sacerdote Eli e este anunciou que o seu pedido seria atendido. Nascendo o seu filho ela deixou então de ser humilhada perante o povo como mulher imprestável por ser estéril e de idade avançada. O nome dado a criança foi de Samuel, que significa “EU PEDI A JAVÉ”. O menino se tornou Profeta e foi fiel a Deus durante toda a sua vida.

            O Salmo de louvor fala sobre o poder de Deus em fazer coisas maravilhosas em toda sua criação. Tanto a natureza como os seres humanos recebem a sua graça e atenção.
            Mateus narra o começo de uma nova história, a origem de Jesus e a importância de José na composição da família, aceitando humildemente e se colocando a disposição de Deus para que Filho do Altíssimo seja protegido e amparado nos seus primeiros anos de vida.

Ligações entre leituras:
 - dois nomes foram indicados para duas crianças.
 - duas mulheres em condições adversas, ficam grávidas com o poder de Deus.
 - Um sacerdote e um anjo, intermedeiam a concepção.
 - As duas crianças se tornam adultas: um profetiza, ou é Deus quem fala.
 - Ambos foram fiéis ao Pai, porém um foi até às últimas conseqüências.
 - Quando acordaram, ( as duas famílias ), foram para suas casas.

Como comentário inicial:
            Com a proximidade do Natal, final do  Ano litúrgico e início do Advento é bom irmos nos preparando para a festa máxima da nossa fé de tal forma que quando chegarmos próximo da festa do nascimento do Menino Jesus, também nos lembremos dos seus pais que tanto se esforçaram para que este viesse à terra como homem, como os melhores exemplos dados por Maria e seu esposo José.

Frases para a celebração:
1 – O comportamento de uma mulher triste e aflita.
2 – Que o Deus de Israel conceda o que você pediu
3 – José fez como o Anjo do Senhor lhe tinha mandado.
4 – A importância dos nomes dados aos nossos filhos.
5 – As vezes  mesmo acordados, não damos atenção ao chamado ou pedido de algum Anjo.
-Como as outras folhas de preparações litúrgicas, favor devolver estas também. Obrigado
- Que São José, Padroeiro de Comunidade São José da Vila Lindóia nos de saúde, alegria e muita paz em nossas vidas. 

sábado, 21 de dezembro de 2013

4º Domingo do Advento: O sonho de José e a chegada do Messias (Mt 1,18-25).

Marcelo Barros

 
Enquanto Lucas conta que o anjo anunciou a Maria, a comunidade de Mateus conta que o anjo apareceu em sonhos a José. O fato de ser “em sonhos” se liga à tradição dos patriarcas: o próprio José, filho de Jacó. Quem aparece não é um anjo como em Lucas. É o próprio “Anjo do Senhor”, expressão para dizer “a Palavra do Senhor”, “a Glória do Senhor”, uma visibilidade do próprio Deus. José é apresentado como um justo que percebe na mulher a obra de Deus e quer se retirar para não atrapalhar uma obra de Deus que ele não pode compreender.
O sonho não é apenas o momento no qual as frustrações do inconsciente se soltam. Através do sono, a pessoa convive com uma dimensão interior mais profunda de si mesma e pode ouvir de modo mais puro a sua vocação.
Na sociedade do tempo de Jesus, havia uma prática cultural chamada do desposório.Através dela, se dava inicio ao contrato de casamento no qual as famílias ingressavam. O casal era considerado marido mulher. Mas, durante um tempo, ela permanecia na casa de sua família e eles não tinham ainda relações sexuais. Quando o texto diz: “antes de coabitarem, ela engravidou”, está dizendo que eles ainda não moravam juntos e nem tinham tido relações sexuais. Seria, então, compreensível que José concluísse que ela teve relações com outro homem. Na época, isso seria um adultério, porque eles dois (Maria e José) já estavam comprometido em casamento. Assim, segundo padrões culturais convencionais, Maria está exposta à marginalização social, econômica e religiosa. (Existe na Bíblia maldições para mulheres em situações como esta e para seus filhos. Ver Eclo 23, 22- 26 e Sb 3, 16- 19 e 4, 3- 6)
“Ao dizer que ela concebeu “através do Espírito Santo” (ou do sopro divino”, o evangelho fala de uma forma estranha para a sua geração e para todos os tempos. Seja qual for a interpretação que se dê a esta tradição, o fato é que, ao falar assim, o evangelho mostra: Deus rompe com a genealogia patriarcal. (A geração se dá sem ser por um homem macho. Isso naquela cultura era considerado ainda pior do que seria hoje em dia. Jesus e a comunidade dele começam rompendo com o patriarcalismo.
José ouve do anjo em seu sonho que tem um papel próprio nesta obra da salvação. O Senhor lhe pede que assuma essa função. José deve dar a Jesus o seu nome para que Jesus possa ser reconhecido como “Filho de Davi”. É José que ligará Jesus à tradição messiânica davídica.
O filho que nascerá de Maria será a realização das mais profundas promessas de Deus ao seu povo. Será a visibilidade da presença do Senhor que virá morar com o seu povo (Emanuel). Que forma bonita de falar da ressurreição de Jesus, o que já lemos no capítulo final do Evangelho. 
Seria bom nós cristãos ouvirmos a interpretação que as comunidades judaicas fazem dessa promessa de Deus em Isaías 7. Historicamente, referia-se a que o rei Acaz, sem descendente e ameaçado pela Síria e pela Samaria teria como sinal de Deus o fato de que uma moça engravidou e lhe daria um filho. Seria Ezequias: um rei justo e bom, sinal da presença de Deus junto ao seu povo. É claro que, mais tarde, as comunidades judaicas releram esse texto, dando-lhe sentido messiânico. Mas, o fato de interpretar que essa palavra se referia ao Messias que virá não nega que ela tenha tido um primeiro cumprimento no nascimento de Ezequias. Ele não foi o Messias, mas foi uma figura do Cristo.
Cristãos e Judeus esperamos juntos a plenitude dos tempos
Nós, cristãos, cremos que Jesus é o Messias que devia vir. Mas, como ele mesmo deixou claro: aquela não era ainda a sua vinda na glória. Nesse sentido, os cristãos também esperam com Israel a vinda do Messias.
No tempo de Jesus, havia muitas correntes messiânicas em Israel. Jesus sempre se ligou à tradição profética. Ele se revelou como “Servo do Senhor”. Ao menos, é assim que vocês, comunidade de Mateus, o mostram no batismo, como no capítulo 12 e no relato da Paixão. Por que, então, nesse primeiro capítulo, frisar esse título de “Filho de Davi”? 
De qualquer maneira, vocês deixam uma luz sobre isso quando encerram o capítulo dizendo: “José, despertando do sono, fez como o anjo lhe ordenara e recebeu a sua mulher. E o evangelho salienta que José não a conheceu até que deu à luz a seu filho, o primogênito, ao qual lhe deu o nome de Jesus” (1, 25).
Uma leitura deste texto a partir da tradição simbólica da Cabala veria José como aquele que trabalha a madeira ou a obra de suas mãos. Isto significa: trabalha para desenvolver o mais profundo do seu ser. E essa dimensão mais profunda de si é fazer aparecer ao Senhor como único esposo. Ele é o único verdadeiro esposo de Maria, símbolo da comunidade nova. É pela força do Espírito que ela concebe e dá a luz ao seu filho Jesus.
Como nos livros antigos, o prólogo resume todo o livro. Aqui, vocês deixam claro: Jesus é o herdeiro verdadeiro das promessas de Deus a Davi, mas veio ao mundo por obra direta de Deus. Assim ele recebeu o nome que resume sua missão. É o mesmo nome de Josué, o patriarca que introduz o povo hebreu na terra prometida. Jesus (ou Ioshuá) é a expressão humana de que Deus é Salvador. O menino que nasce assim é o verdadeiro Messias de Israel. Vocês não sublinham o que outros textos cristãos dizem:  Que Ele ainda virá como Messias. De fato, cremos que desde que ressuscitou, Ele está conosco todos os dias até a consumação dos séculos. Mas, tanto nós, cristãos, como também, de outra forma, nossos irmãos judeus, esperamos unidos essa “plenitude dos tempos prometida por Deus”. 

segunda-feira, 19 de março de 2012