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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Festa de Todos os Santos Carmelitas: Santo sim, bobo não

Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista.
Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. 14 de novembro-2017.

Nesta data, 14 de novembro, o Carmelo lembra os seus heróis e baluartes que fizeram história e marcaram a história da sua época. Atenção! Eu disse- da SUA ÉPOCA! Em outras palavras, tais homens e mulheres viveram a espiritualidade histórica profundamente marcada por uma visão teológica, social, psicológica, política e religiosa do seu tempo.
Dom Frei Vital Wilderink, In Memoriam (* 30/11/1931 + 11/06/2014), em seus retiros e palestras, costumava dizer que “a espiritualidade é filha do seu tempo”. Em outras palavras o nosso confrade afirmava que não podemos viver a espiritualidade carmelitana da idade média no século XXI. Não, somos filhos da “Igreja do Papa Francisco”. Ou seja, temos que ter os pés no aqui e no agora com todos os problemas, desafios, vitórias e derrotas. Caso o contrário, não passa de uma santidade ou espiritualidade carmelitana vazia e alienante.
      Em 1º Pedro 1:16 nos deparamos com a seguinte passagem; “Sede santos, porque eu sou santo”. Já em Levítico 20:7 encontramos a seguinte afirmação; “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”. Mas o que é ser santo? E mais! O que é ser santo e santo carmelita? Essa pergunta o Beato Tito Brandsma, Santa Teresa Benedita da Cruz, Santo Nuno, Santa Teresinha e tantos outros e outras do Carmelo respondem pela experiência e vivência evangélicas vividas que todos nós conhecemos.   
Nos santos e santas carmelitas a intimidade com Jesus Cristo a partir do amor ao próximo foi a marca registrada. Portanto, impossível ser santo no Carmelo fechado em si mesmo. Podemos até falar sobre oração, santidade, contemplação, silêncio, etc, etc, mas se somos frades, freiras, leigos e leigas insuportáveis, arrogantes, prepotentes e vivemos fora do contexto histórico, podemos ser tudo, menos santos.
            O nosso pai e guia, o Profeta Elias, não ficou apenas na brisa suave, ele ajudou a viúva de sarepta, defendeu Nabote com sua vinha e saiu a caminho. Está em saída foi uma marca registrada do grande pai do profetismo. Alguém que, sob a inspiração carmelitana busca o caminho da santidade em seu “mundinho” de orações, ritos, devoções e tradições do passado, sob hipótese alguma vai subir o verdadeiro Monte- Jesus Cristo.
            A verdadeira santidade do Carmelo nos impulsiona na defesa da vida dos sem vidas em um Brasil profundamente marcado pela corrupção, pelas injustiças sociais e, muitas vezes, por uma religião-espiritualidade alienante e ultrapassada.
Por último, a citação de Mateus (10,16) “Sejam prudentes como pombas e espertos como serpentes”, é para nós uma fonte de inspiração e motivação para a verdadeira santidade no Carmelo. Portanto, o Carmelo é, e sempre será uma escola de santos, mas santos com  os pés no chão e não religiosos, religiosas, leigos e leigas com cara de bobo pisando nas nuvens.   


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