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A Palavra do Frei Petrônio

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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Como ser um youtuber de sucesso? Celebridades da internet e o próprio YouTube dão dicas

Cerca de um bilhão de pessoas, quase um terço dos usuários da internet do mundo, estão conectadas atualmente ao YouTube. A plataforma tornou-se um meio de influência direta entre celebridades da web e o público, além de uma verdadeira profissão para produtores de conteúdo que conseguem arrastar multidões de seguidores com vídeos espontâneos e irreverentes.
O humorista piauiense Whindersson Nunes, 21, está no topo dos influenciadores do YouTube no mundo. Segundo pesquisa realizada em junho pela Snack Intelligence, que realiza monitoramento e análises do mercado audiovisual, ele é o segundo youtuber mais influente, atrás apenas do norte-americano Pew Die Pie. Além de Whindersson, outros três brasileiros estão no Top 10: Felipe Neto, que tem um canal com seu nome, Julio Cociello, do CanalCanalha, e Felipe Castanhari, do Nostalgia.
Whindersson já conquistou a marca de dez milhões de seguidores e diz que nunca imaginou que se tornaria um verdadeiro sucesso: "Meu canal tem pouco mais de três anos, eu trabalhava em um laboratório de informática e, como eu tinha bastante tempo sem fazer nada, decidi começar a gravar vídeos sem a pretensão de ficar famoso. Eu nem imaginava que a gente podia ganhar dinheiro com isso".
Segundo Eduardo Brandini, diretor de conteúdo do YouTube no Brasil, o jovem segue a maioria dos requisitos que fazem a diferença na plataforma. "Os canais de sucesso têm alguns pontos em comum, como consistência (atualizam seus canais com frequência e regularidade), dedicação (ao canal e aos fãs) e criatividade (os conteúdos mais criativos têm mais chances de gerar resultados positivos)", explica Brandini.

Whindersson Nunes já tem mais de 10 milhões de inscritos em seu canal
O humor e autenticidade de Whindersson Nunes ajudaram o jovem a alcançar públicos diversos. Para Marcio Oliverio, coordenador do curso de Gestão de Mídias Digitais da UMESP (Universidade Metodista de São Paulo), "além dos temas do cotidiano, que naturalmente provocam o interesse do público geral, grandes canais despertam nos usuários uma identificação, o que reflete no engajamento e na interação – curtidas, comentários, compartilhamentos".
Outra aposta de Oliverio para o crescimento dentro da plataforma está diretamente relacionada ao enfoque em nichos. "É importante que haja canais que façam conteúdo para públicos específicos, pois o espectador tende a se reconhecer como parte do que é transmitido. Essa relação gera uma divulgação orgânica", afirma.
A youtuber Niina Secrets, 22, é um exemplo de canal especializado que alcançou grande ascensão. A jovem começou, há seis anos, a fazer pequenos vídeos de maquiagem e beleza, uma de suas paixões: "Eu ainda estava no Ensino Médio. Saía da escola, vinha para casa e logo começava a fazer meus tutoriais".
Despretensiosa, Niina cresceu lentamente para os padrões de velocidade da internet: ela percebeu que podia ganhar dinheiro com o hobbie somente dois anos e meio depois do primeiro vídeo. "Hoje é mais que uma paixão, é um trabalho. Tenho escritório, funcionários, além da minha própria marca de roupas e acessórios", conta.

Quer ser como eles? 
Whindersson Nunes e Niina Secrets são inspiração para novos produtores de conteúdo no YouTube. Felipe Nascimento, 30, coleciona cerca de 120 mil inscritos no canal "Micro Sobrevivência", em que ensina seu público a fazer receitas apenas no micro-ondas. Assim como os dois primeiros, a ideia de Felipe nunca foi fazer sucesso, mas, sim, se divertir e falar de algo com que ele se identificava.
"Já vai fazer quatro anos. Comecei a ganhar com monetização (dinheiro gerado pela visualização de propagandas que aparecem no canal) e com publicidade", diz. Segundo ele, embora o número de seguidores ainda não seja tão expressivo quanto o de outras celebridades da internet, o valor já é suficiente para viver apenas como youtuber. "Em uma comparação, posso dizer que recebo 70% do meu salário com a monetização e outros 30% com publicidades em geral", explica.
De acordo com Eduardo Brandini, diretor de conteúdo do YouTube no Brasil, a monetização visa a beneficiar todos os criadores, independentemente do tamanho do canal, desde que atendam aos requisitos para gerar receita com seus vídeos. "O criador de conteúdo não é pago pela visualização de conteúdo, mas sim dos anúncios", revela. Para participar, é preciso que o conteúdo seja próprio, sempre pensando nos direitos autorais, sem violência, conotação sexual, entre outros critérios (acesse o documento completo com os critérios do YouTube).
Os valores exatos são uma grande incógnita para youtubers, pois variam de acordo com o mês e o tipo de publicidade vendida às marcas. Segundo Niina Secrets, não existe um cálculo aberto do Google, detentor da marca YouTube, para que os youtubers acompanhem os valores, o que faz com que o produtor de conteúdo não tenha controle mês a mês.

Whindersson Nunes revela que o maior montante de sua renda ainda vem dos "stand-ups" (espetáculos de humor que contam somente com o próprio comediante) que faz pelo país, mais de 30 por mês. Mas ele ressalta a importância da divulgação na rede: "É lá que eu falo sobre meus shows, converso com meu público diretamente, o que faz uma grande diferença. De qualquer forma, só com o YouTube eu poderia viver muito bem e sustentar pequenos luxos com o dinheiro da web e de campanhas publicitárias", finaliza.
Reprodução/Facebook

Niina Secrets diz que é importante falar sobre assuntos que você ame
Para quem ainda não criou coragem, embora morra de vontade de entrar nesse mundo, Niina Secrets dá três dicas básicas:
"Você precisa começar! Lembre-se de que não há nada a perder."

"Fale sobre algo que você realmente ame! Parece fácil, mas não é. Por isso é preciso colocar carinho e personalidade nas suas criações."

"Esqueça os outros! Olhe apenas para você e seu crescimento que tudo vai dar certo no final." 
No entanto, nem sempre o sucesso acontece somente de forma orgânica, ou seja, a partir do interesse do público em determinado vídeo que caiu na rede. Existem agências especializadas em produzir e divulgar conteúdos, para quem está disposto a investir financeiramente nesse ramo, e o próprio Youtube dá uma força na divulgação e capacitação de novos talentos, pois a plataforma está sempre de olho nos vídeos publicados e dispõe de modelos de negócios, workshops e cursos gratuitos para quem quiser mais oportunidades. Veja como funcionam alguns dos programas:

Centro de Criação do YouTube: oferece recursos que vão ajudar a produzir vídeos, conectar com a audiência e expandir um canal. Esse recurso é disponível a todos os criadores de conteúdo no nível Grafite (iniciante). Conforme aumenta o número de inscritos no canal, o criador tem acesso a novos níveis de benefícios.
Escola de Criadores de Conteúdo: disponibiliza um catálogo de tutoriais feitos para desafiar e inspirar a criatividade de novos youtubers. As aulas têm o objetivo de dar dicas de como filmar e editar vídeos e garantir que seu público os veja.

YouTube Space em São Paulo: é um espaço físico para fomentar o aprendizado e aproximar a comunidade, onde são oferecidos workshops gratuitos a qualquer criador, além de oferecer um estúdio de gravação e ilhas de edição.

Além disso, o YouTube revela que está sempre atento a novas promessas e, após identificá-las, costuma entrar em contato para firmar parceria com o youtuber (monetização), caso ainda não tenha, e abrir um canal de relacionamento para entender as necessidades e estimular o aproveitamento dos programas por parte dos produtores de conteúdo que estão crescendo. 

Sucesso x frustração
A busca pelo sucesso exige muito cuidado com os efeitos de uma possível frustração, especialmente no caso de crianças, pois, como já disseram os youtubers entrevistados, o sucesso foi resultado de algo feito com prazer, e nem sempre ele virá.
Embora o YouTube permita que apenas usuários acima dos 13 anos usem a plataforma para criar conteúdo, youtubers mirins como Bel para MeninasIsaac do Vine e Júlia Silva fazem a cabeça de milhões de crianças pelo Brasil, tornando-se verdadeiros fenômenos de popularidade infantil. Nesses casos, os pais das pequenas celebridades da web se responsabilizam pelos vídeos dos filhos. E é exatamente isso o que os pais em geral devem fazer caso tenham um youtuber em casa.

Sylvia van Enck Meira, psicóloga e colaboradora do Programa de Dependências Tecnológicas do Hospital das Clínicas de São Paulo, destaca a importância da produção monitorada por um adulto consciente dos critérios de segurança na internet, pois manter o canal aberto para conversações familiares é uma oportunidade para os pais acompanharem o que está afligindo o filho ou identificar situações de risco, e até melhorar a relação em família. Entretanto, ela revela que, quando o conteúdo é feito de maneira aleatória, pode haver uma exposição desnecessária e perigosa da privacidade da criança. "É preciso tomar cuidado com crimes cibernéticos, pedofilia, além do desenvolvimento da dependência tecnológica", afirma. 
A psicóloga alerta ainda, que para evitar ansiedade e uma preocupação excessiva com sucesso, há dicas importantes a serem seguidas em família: "O estabelecimento de limites no uso da tecnologia é fundamental desde sempre na vida dos filhos. O grande problema é que muitos pais ficam deslumbrados com a possibilidade dos pequenos ganharem dinheiro com a construção de uma plataforma e acabam estimulando este trabalho. Não que seja ruim um trabalho via internet, mas é necessário estar muito atento para que esta atividade não seja exclusiva na vida de um filho. Cabe aos pais monitorar o tempo empregado nesta atividade, orientar sobre o manejo do dinheiro e saber exatamente no que os filhos estão envolvidos", finaliza.  

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